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A desilusão personificada no momento de Olivier Giroud no final da partida que sentenciou mais uma derrota do Arsenal na Premier League, desta vez frente ao Everton por 3-0. O final desta temporada está a ser de autêntico terror para os Gunners e principalmente para Arsène Wenger. Vergados às superpotências Manchester City e Chelsea e ao outsider (nada surpreendente; já no ano passado, tinha a crença que com Brandon Rodgers, o Liverpool iria acordar do profundo sono em que estava mergulhado), a equipa orientada pelo veterano francês voltou a confirmar o ditado “muita parra mas pouca uva” – depois de um início fortíssimo de prova que ainda fez sonhar os seus adeptos, o dealbar da temporada de 2014 ditou o natural lugar da equipa londrina na hodierna nomenklatura do futebol praticado em terras de Sua Majestade.

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God Save the Queen (or at least try to…) #17

Rolo compressor ou simplesmente a melhor resposta que Mourinho deu a Wenger? Arsenal Out. Homem do jogo: André Schurrle.

É certo que para a goleada contribuiu em muito o erro grosseiro do árbitro da partida André Mariner quando expulsou Kieran Gibbs num lance em que a bola foi cortada por Oxlade-Chamberlain. Não tenham a menor dúvida que o episódio será analisado e julgado pelo panel de arbitragem da FA e Mariner será severamente castigado. Subtil diferença entre a analise que é executada pela Football Association às arbitragens e aquela que não é feita pelo Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, mais precisamente, pela sua Comissão de Análise.

Muito in…

O Liverpool de Brendan Rodgers continua a deslumbrar. Depois do 3-0 em Old Trafford, um 6-3 em Cardiff mantem viva a hipótese dos Reds lutar pelo título da Premier League, título que escapa há 24 anos.

Da Champions #11

A noite de quarta-feira, segunda das 4 noites previstas para a realização dos jogos da 1ª mão dos oitavos-de-final da prova trouxe outro dos cabeças-de-cartaz desta eliminatória da prova, o primeiro duelo entre o Arsenal e o campeão europeu Bayern de Munique.

Na última jornada da fase de grupos, o “novo” Bayern de Guardiola deu-se mal com o futebol inglês. Já apurado, o campeão europeu recebeu na altura o Manchester City de Manuel Pellegrini e perdeu por 3-2. O jogo ficou marcado por uma sensacional reviravolta dos homens de Manchester de o-2 (aos 11 minutos) para 3-2.

Arsenal e Bayern de Munique são velhos conhecidos do futebol europeu. Apesar dos Gunners nunca terem vencido a maior prova do futebol europeu (foram finalistas vencidos em 2005\2006; venceram a Taça das Taças em 1993\1994 e foram finalistas vencidos da Taça UEFA em 2000), ambas as equipas já se encontraram em várias ocasiões na prova. Nos últimos 14 anos, as duas equipas já se tinham defrontado por 6 ocasiões, com um histórico de 3 vitórias para o Bayern de Munique, 2 para o Arsenal e 1 empate. Curioso ou não, ambas as equipas cruzaram-se nesta fase da prova por 2 vezes: na primeira, na temporada 2004\2005, quando ainda moravam na turma londrina nomes como Dennis Bergkamp, Thierry Henry, Fredrik Ljungberg ou Robert Pirès, o Bayern levou a melhor sobre a equipa de Wenger com um agregado de 3-2 (3-1 em Munique para o Bayern; 1-0 para o Arsenal em Londres). A segunda vez que as equipas se encontraram nos oitavos-de-final da prova foi na edição da temporada passada. No caminho para a glória, os bávaros sofreram muito para bater o Arsenal e só o conseguiram fazer graças aos golos marcados no Emirates (1-3 para o Bayern em Londres; 0-2 para o Arsenal na Allianz Arena). Tendo em conta a diferença averbada pela equipa bávara no jogo de quarta-feira, se a história porventura se puder reproduzir dentro de 12 dias, poderemos ter uma excitante segunda-mão. Dado o lote de jogadores de que Arsène Wenger dispõe no plantel que orienta (mesmo apesar de algumas peças chave da equipa se encontrarem a contas com algumas lesões, casos de Olivier Giroud, Aaron Ramsey ou Theo Walcott), as melhorias de rendimento que esse plantel tem vindo a efectuar nos jogos contra equipas grandes e a própria exibição que o Arsenal fez contra a turma alemã nesta partida, não se pode dizer que o 2-0 seja suficiente para arrumar com a coisa.

As duas equipas entraram em campo com um sistema táctico parecido: o 4×51. Com algumas variações ao nível dos processos técnicos de cada um, pode-se dizer que Guardiola e Arsène Wenger são defensores de um modelo de jogo com bastantes similaridades: ambos gostam de colocar a equipa a circular bem a bola, a executar os seus processos ofensivos com rapidez, a experimentar todos os canais de jogo, ou seja, a procurar criar desequilíbrios tanto pela zona central como pelas alas, ora através do 1×1 dos seus extremos, ora através da inserção dos laterais nos processos ofensivos de forma a centrar bem para a referência de área que colocam em campo. Defensivamente, ambos os treinadores gostam de colocar as suas equipas a pressionar alto de forma a obrigarem a equipa contrária a errar.

Com algumas limitações no seu plantel como anteriormente referi, Wenger apresentou aquele que é o seu melhor onze possível: o polaco Wojciech Szczesny na baliza (aposta segura de Wenger para a baliza dos Gunners); um quarteto defensivo formado por Bacary Sagna na direita, Kieran Gibbs na esquerda (tirou o espanhol Nacho Monreal do onze em relação ao jogo disputado no passado fim-de-semana contra o Liverpool para a FA Cup) e a habitual dupla de centrais formada pelo alemão Per Mertesacker e pelo francês Laurent Koscielny; um meio-campo reforçado com Mathieu Flamini como médio com tarefas mais defensivas, Jack Wilshere e Santi Cazorla na construção e criação de jogo, Mezut Ozil mais à esquerda e Oxlade-Chamberlain na esquerda; como referência de ataque, Wenger apostou mais uma vez no jovem Yaya Sanogo. Em relação ao jogo contra o Liverpool, o espanhol Mikel Arteta saiu fora do onze. Não sendo um apreciador (nem de perto nem de longe) das características de Mathieu Flamini, compreendo perfeitamente a sua inserção nos onze titular: deixando a organização e as acelerações para quem de direito (Wilshere, Cazorla, Ozil) com dois laterais muito ofensivos na sua equipa, perante a presença de dois colossos a cair nas alas (Gotze e Robben), sempre bem auxiliados pela presença dos laterais (tanto Lahm como Alaba são extremos com bastante ofensividade ao nível da execução de cruzamentos, entrada na área com bola, combinações com Robben, Ribery e Gotze) cabia ao francês a missão de dobrar os seus laterais quando estes estivessem demasiado adiantados no terreno para não permitir que Gotze e Robben, jogadores que não são solidários nas tarefas defensivas do Bayern, isto é, raramente descem para ajudar os seus laterais, pudessem apanhar em contrapé a equipa do Arsenal naquele sector do terreno.

Já Pep Guardiola não pode contar com Franck Ribèry. De resto, Bayern na máxima força. Manuel Neuer na baliza, defesa composta como habitual por Phillip Lahm, Dante, Jerome Boateng e David Alaba; Javi Martinez à frente dos centrais, Thiago Alcantara e Toni Kroos; Arjen Robben na direita do ataque, Mario Gotze na esquerda e Mario Mandzukic na frente de ataque; no big deal.

Pode-se dizer que o Arsenal entrou de rompante na partida. Os Gunners entraram em campo literalmente para surpreender Pep Guardiola. Com um ritmo de jogo demoníaco, o Arsenal foi uma equipa directa, vertical e muito rápida de processos. Nos primeiros minutos, em bom da verdade, o meio-campo do Bayern abriu uma autêntica auto-estrada para as acelerações de Oxlade-Chamberlain e Santi Cazorla e não conseguiu acertar as marcações, os blocos de pressão. Na esquerda, Sagna e Oxlade-Chamberlain fizeram papa de David Alaba. Como Mario Gotze não colaborou nas tarefas defensivas, o austríaco viu-se a braços com dois homens muito rápidos. O Arsenal tentou explorar com intensividade aquela ala na primeira meia-hora. O espanhol haveria de obrigar Manuel Neuer à defesa da noite logo aos 3″. Sem conseguir respirar, isto é, sem conseguir ter bola, o Bayern viu a sua vida dificultada quando aos 8″ o Arsenal materializou o domínio com a conquista de uma grande penalidade: Mezut Ozil tentou passar por Jerome Boateng na área e, aproveitando o natural contacto destes lances caiu. Na repetição, avaliei que o médio alemão forçou imenso a queda. O experiente árbitro Niccola Rizoli errou ao apontar para a marca de grande penalidade e admoestar o central titular da Mannschaft com o cartão amarelo, cartão que condicionou toda a primeira parte de Boateng e obrigou inclusive Pep Guardiola a ter que retirar o jogador ao intervalo. Contudo, a alteração feita pelo antigo treinador do Barcelona teve um duplo motivo: aliado ao cartão amarelo do seu central, Guardiola denotou que o meio-campo do Arsenal venceu claramente a batalha disputada no miolo. Para por um ponto de ordem na segunda parte e como o plantel que tem à sua disposição tem várias soluções e gente bastante rotinada em vários processos (Phillip Lahm está rotinado e joga com mestria na posição de trinco; Lahm não sabe jogar mal em nenhuma posição do campo!!), o catalão colocou Rafinha na direita, desceu Javi Martinez ao centro da defesa e colocou o lateral a jogar a trinco. Lahm não só estancou o défice evidenciado pelo Bayern neste sector na primeira parte como se inseriu naturalmente na circulação de bola e na criação de jogo ofensivo por parte do Bayern no segundo tempo).

Mezut Ozil foi chamado a bater a grande penalidade. Perante o seu colega de selecção, o antigo jogador do Real Madrid desperdiçou uma daquelas oportunidades que jamais se pode desperdiçar quando se está a jogar contra o campeão europeu em título. Manuel Neuer abordou de forma inteligente o lance: aguentou até à última para ver a intenção de remate do seu compatriota e já balanceado para o lado esquerdo conseguiu defender a bola com a mão direita. Erros como o de Ozil pagam-se bastante caros a este nível.

Como nenhuma equipa no mundo consegue manter o ritmo de jogo colocado pelo Arsenal no início da partida durante 90 minutos, coube ao Bayern de Munique serenar os ânimos e diminuir o ritmo de jogo através de uma lenta circulação de bola. Situação que é incutida decerto por Pep Guardiola para as ocasiões em que tal seja necessário. A tarefa do Bayern foi sucedida nos minutos que se seguiram: Pep Guardiola não gostava daquilo que via no banco; Robben e Gotze estavam para já arredados do jogo; Thiago Alcântara e Toni Kroos não davam a urgente progressão que a equipa bávara necessitavam depois de uma entrada tão forte dos homens de Wenger; porém, a circulação de bola sem circulação foi um acto de inteligência e maturidade destes jogadores pois, paulatinamente obrigaram os adversários a abandonarem o esquema de pressão alta e baixar significativamente as suas linhas. Em poucos minutos, as linhas do Arsenal juntaram-se, não permitiram ao Bayern de Munique encontrar espaços para executar a sua rápida circulação de jogo para os flancos (coisa que não aflige os bávaros dadas as características de alguns dos seus jogadores) mas entregaram por completo as despesas do jogo para os centrocampistas da equipa de Munique. A absência de jogo na sua ala obrigou Robben a procurar jogo nas imediações da área numa posição mais central.

Aproveitando a superioridade númerica no flanco, o Arsenal seria capaz de provocar mais um calafrio à defesa do Bayern. Jack Wilshere tentou lançar com um passe longo Alex Oxlade-Chamberlain na direita, David Alaba deixou a bola bater no relvado, facto que possibilitou que o esférico ganhasse velocidade e nas costas o jogador inglês apareceu na cara de Neuer, que, com uma saída rápida da baliza conseguiu atirar a bola para fora. Nas últimas semanas, o guarda-redes do Bayern realçou que a maior evoluição sentida no seu jogo neste início de funções do técnico espanhol no clube germanico foi precisamente o jogo com os pés. Neuer afirmou que pela primeira vez na sua carreira não sente receio quando a bola lhe vem parar aos pés.

Cinco Notas individuais – três positivas: até esta fase do jogo, Jack Wilshere usou e abusou do passe longo. Não falhou nenhum dos 3 ou 4 que executou. Laurent Koscielny e Per Mertesacker estavam a ter uma noite tranquila. Meteram o croata Mario Mandzukic no bolso. duas negativas: Toni Kroos e Thiago Alcântara estavam muito estáticos no miolo do Bayern e permitiam aos jogadores do Arsenal antever com facilidade aquilo que iam executando.

Aos 30″ dá-se o segundo caso do jogo: Jerome Boateng carrega Kieron Gibbs. O lateral-esquerdo do Arsenal cai no chão e pede a substituição. Com um amarelo na partida, coube a Nicola Rizzoli decidir se devia expulsar o central alemão. O italiano não o fez apesar da falta ter sido feia, provavelmente para não estragar a partida. Entra Nacho Monreal.

O Bayern pegou definitivamente no jogo e tentou pela primeira vez na partida conseguir alguma progressão no meio-campo e criar jogo no último terço do terreno – Aos 34″, Robben combinou com Alaba no flanco esquerdo, entrou na área, recebeu do austríaco e rematou contra as pernas de Mertesacker. Na repetição, calculei que Szczesny. No minuto seguinte, Gotze tentou uma acção individual dentro da área. Recebeu de Alcântara in the box, tentou puxar a bola para o centro mas Laurent Koscielny não permitiu veleidades ao antigo jogador do Borussia de Dortmund. Aos 36″ Robben, conseguiu cravar uma grande penalidade. Justa. Robben recebeu nas imediações da área, deu um bocado mais para trás para Kroos, furou pelos centrais do Arsenal e recebeu um passe pelo ar de Kroos. Contra a saída de Scszesny tocou a bola para a frente e esperou ser tocado pelo polaco. Tenho as minhas dúvidas em como o craque holandês conseguisse chegar à bola. Nicola Rizzoli aplicou a regra: como o holandês estava na cara do guarda-redes, o cartão vermelho era a decisão correcta. Arsene Wenger foi obrigado a mexer na equipa e a sacrificar Santi Cazorla para a entrada de Lukasz Fabianski. Depois do ímpeto inicial demonstrado pelo espanhol nos primeiros 10 minutos, foi desaparecendo do jogo com o avançar dos minutos.
Como o futebol é um bicho complicado, cheio de carambolas, David Alaba partiu para a bola (a imagem mostrou um segundo plano maravilhoso com os adeptos do Arsenal a pedir que o austríaco enviasse a bola para a bancada) e atirou para o lado esquerdo com a bola a embater na base do poste antes de sair!

Ao intervalo, o empate justificava-se. Ambas as equipas desperdiçaram duas grandes penalidades, fizeram os mesmos remates à baliza (7) e tiveram uma oportunidade de golo.

A 2ª parte inicia com as alterações promovidas por Guardiola. A jogar em superioridade númerica, a equipa do Bayern tratou de encostar às boxes a equipa do Arsenal.Jack Wilshere pedia calma aos seus colegas. Aos 50″ Koscielny teve nos pés uma boa oportunidade para alvejar a baliza de Neuer. Livre batido por Ozil dentro do meio-campo do Bayern. O alemão coloca a bola à entrada da área. Aproveitando a subida da cortina defensiva do Bayern para tentar colocar várias unidades do Arsenal em fora-de-jogo, Koscielny aparece destacado na área a receber (em linha). O francês dominou mal a bola e não conseguiu melhor do que um remate para defesa fácil de Neuer. Na jogada seguinte, Robben combinou com Lahm na direita e o lateral não conseguiu melhor que o francês.

The Robben Show –

O holandês tratou de puxar dos galões. Aos 52″ pôs em campo a sua imagem de marcar ao receber na direita, flectir para o centro do terreno e rematar em arco para a baliza do Arsenal com o remate a sair ligeiramente ao lado. No minuto seguinte, Lahm tentou combinar com Robben mas optou por dar a bola ao meio para o remate de Toni Kroos. De primeira, o alemão haveria de inaugurar o marcador com um fantástico remate em arco que entrou junto ao poste direito de Luksz Fabianski. O guarda-redes polaco bem se estirou mas o remate do médio alemão era indefensável.

Com a obtenção do golo, o Bayern continuou a rondar a baliza do Arsenal. Aos 62″, os jogadores do clube bávaro executaram uma jogada a fazer lembrar os velhos tempos do Barcelona de Guardiola: Robben apareceu nas costas da defensiva inglesa e Toni Kroos tratou de lhe colocar a bola. O Holandês acabou por rematar para defesa fácil de Fabianski, não sendo sua intenção, na minha opinião, rematar à baliza mas sim servir Mario Mandzukic no coração da área. O croata não deverá ter percebido as intenções do seu companheiro de equipa e não atacou o espaço.
No minuto seguinte, Mandzukic saiu para dar lugar a Thomas Muller. O Bayern fazia tudo bem excepto o último passe.
O holandês continuou o seu show pessoal. Numa fase em que os 10 elementos do Arsenal defendiam nos últimos 10 metros, o holandês recepcionou a bola na direita e executou mais um remate em arco para fora. Adivinhava-se portanto o segundo golo do Bayern.

Sem qualquer iniciativa de ataque, Arsène Wenger jogou a sua cartada final: Aos 73″ tirou Oxlade-Chamberlain e colocou o checo Tomas Rosicky em campo.
No minuto seguinte, os jogadores do Bayern ficaram a pedir grande penalidade: Robben solicita Muller dentro da área e este perante a oposição de Koscielny sente o toque do francês no seu pé de apoio e cai na área. Fiquei com muitas dúvidas em relação a este lance.

Guardiola pressentia que o segundo golo poderia matar o jogo e a eliminatória. Aos 78″ substitui Thiago Alcântara por Claudio Pizarro, passando a jogar com 2 avançados. O 2º golo haveria de chegar nos minutos finais quando Thomas Muller materializou o domínio exercido pelo Bayern depois da expulsão de Wojciech Szczesny. Vitória justa para o Bayern. O Arsenal vai ao Allianz Arena com uma missão muito difícil mas não impossível. Se repetir a vitória conquistada no ano passado, irá levar o jogo para prolongamento.

frase do dia

wenger

A resposta de José Mourinho ao treinador do Arsenal não demorou muito: “He is a specialist in failure. I’m not. So if supposing he’s right and I’m afraid of failure, it’s because I don’t fail many times. So maybe he’s right. I’m not used to failing. But the reality is he’s a specialist because, eight years without a piece of silverware, that’s failure. If I did that in Chelsea I’d leave and not come back.”

Já diz o ditado: Quem diz o que quer, ouve o que não quer! É assim que José Mourinho centra as atenções da imprensa em si, retira pressão da equipa, pressiona os jogadores adversários e moraliza a sua equipa. Por outro lado, verdade seja dita, são estas as guerrinhas que fazem as delícias da imprensa inglesa e que geram o tal fascínio que esta sente pelo treinador português!

notificação

já diz o ditado popular que se não é do cú é das calças.

se em 2007 residia no facto da saída de Henry para o Barcelona e no pesado passivo herdado pela construção do Emirates.

se em 2008 a filosofia do clube mudou para um modelo próximo de um clube de formação.

se em 09\10 a equipa tinha um défice defensivo tremendo e não era capaz de aguentar a janela de inverno.

se em 10\11 a equipa era jovem, débil, incapaz de vencer os jogos grandes e…

se em 11\12 a política de contratações não foi a melhor e o Arsenal teve que apostar forte no mercado de 2012…

o Arsenal de Arsène Wenger já encontrou o bode expiatório que necessitava para justificar mais uma época a seco, caso tal se confirme no final desta temporada: a onda de lesões que está a afectar a equipa neste intenso trânsito de jogos dos meses de Dezembro e Janeiro – Oxlade-Chamberlain, Walcott, Vermaelen, Ramsey e agora Bendtner – 1 mês.

God Save the Queen (or at least try to…) #10

First:

Só consegui ver os 20 minutos finais quando o Arsenal já geria a sua magra vantagem. Fica na retina o lance que decidiu a partida.

Second:

Chelsea e Liverpool defrontaram-se esta tarde em Stanford Bridge com a perseguição ao Arsenal na mira das duas equipas.

Na antevisão do jogo, José Mourinho afirmou que a equipa necessita de mais “1 ou 2 contratações de valor” para se tornar uma equipa, segundo as palavras do técnico, “fantástica” – se dentro do campo Mourinho venceu (justamente) o Liverpool pelo caudal ofensivo produzido pelos Blues no primeiro tempo, no campo das palavras, Mourinho provou do seu próprio veneno, pelo menos, no que diz respeito às declarações que proferiu no início desta semana depois do jogo contra o Arsenal (e das queixas que foram feitas pelos Gunners no que toca à arbitragem) visto que o Liverpool pode queixar-se da actuação de Howard Webb ao não assinalar um penalty claríssimo de Samuel Eto´o sobre Luis Suarez aos 81″.

A primeira parte mostrou-nos um dos melhores 45 minutos da Premier League desta temporada. Com uma entrada incisiva, as duas equipas jogaram tudo para marcar cedo, cabendo aos homens de Brendan Rodgers abrir o marcador aos 4″ por intermédio do central Eslovaco Martin Skrtel – falta de Eto´o na esquerda sobre Agger (à qual Howard Webb poupou o primeiro amarelo) livre batido pelo brasileiro Phillippe Coutinho, Suarez penteia a bola para o corte de Ivanovic que coloca a bola na esfera de acção do central eslovaco que só tem que empurrar para o fundo das redes de Petr Cech.

O Liverpool entrou no jogo com muita ambição, motivo que obrigou o Chelsea a puxar dos galões depois do golo sofrido. Com Hazard na direita e Willian na esquerda a criar muito jogo para os Blues (e a darem água pela barba para os laterais do Liverpool Glen Johnson e Daniel Agger) rapidamente os Blues cercaram a baliza defendida pelo Belga Mignolet. Aos 5″ Hazard foi solicitado na direita à entrada na área tendo rematado para grande defesa do seu compatriota. 2 minutos depois, depois de uma falta ganha por Willian na esquerda, do livre resultaria um cabeceamento de Gary Cahill ao lado. O Chelsea crescia perante um Liverpool mais cauteloso. Cautelosa também era a postura dos laterais do Chelsea (Ivanovic à direita e Azpilicueta à esquerda) perante o poderoso arranque dos extremos contrários (Steerling foi um diabo à solta no flanco direito, pese embora ter jogado algo desapoiado e ter recebido a bola quase sempre com 3 e 4 adversários na sua esfera de acção). Aos 10″ Hazard entrou dentro da área e tentou cavar um penalty. Na repetição, nota-se que o Belga driblou um adversário, e, sabendo que um adversário vinha embalado de trás para tentar desarme, fez um compasso de espera e atirou-se para a piscina de forma a provocar uma reacção do experiente Howard Webb.

Com o Chelsea a crescer no jogo, adivinhava-se o golo do empate. Aos 12″ foi Lampard a tentar de meia-distância para mais uma grande defesa de Mignolet. No melhor do pano cai a nódoa. Daniel Agger estava a ter muitas dificuldades para travar Eden Hazard pela direita. Como se não bastasse o lance aos 16″ em que Howard Webb avisou o dinamarquês que seria a última falta antes do cartão amarelo (empurrão do dinamarquês na lateral sem bola quando Hazard pretendia ganhar em velocidade para receber um passe de Lampard), o Belga tirou partido desse facto e dois minutos depois haveria de aparecer no centro do terreno a aproveitar um mau alívio de um jogador do Liverpool para atirar para o fundo das redes num fenomenal remate em arco.

Sem grande posse de bola (Henderson e Joe Allen foram completamente secos pelo móvel meio-campo do Chelsea; em particular por um David Luiz omnipresente em todas as tentativas de ataque dos Reds) tanto Luis Suarez como Raheem Sterling tentaram sair várias vezes em contra-ataque mas todas as suas tentativas saíram goradas frente a um limpo e eficaz aparelho defensivo da turma de José Mourinho.

Depois de 25 minutos fantásticos, o jogo pacificou. Aos 25″, Cahill tirou o pão da bola a Joe Allen já dentro da área. 3 minutos depois dá-se um dos momentos do jogo: Branislav Ivanovic lesiona-se num lance, é assistido pela fisioterapeuta portuguesa Eva Carneiro, volta ao jogo e pede substituição. Entra Ashley Cole e Mourinho é obrigado a trocar os laterais, troca que até deu algum efeito no que toca à prestação do espanhol. Seria o espanhol aquele que iria dar o clique para o 2º golo dos Blues aos 33″ desmarcando-se na direita para receber um passe do miolo, colocando a bola já dentro da área para Óscar trabalhar para o toque final de Eto´o na cara de um Mignolet muito mal batido no lance. Único lance de destaque para o brasileiro na partida. Ofereceu muitas vias de passe no meio-campo, trabalhou muito mas não fez uma exibição por aí além. A equipa de José Mourinho tinha a sorte de marcar numa altura em que as equipas apresentavam um futebol pouco esclarecido.

Até ao final da 1ª parte, destaque para um remate de Joe Allen para uma grande defesa de Petr Cech aos 41″. A equipa de Brandon Rodgers necessitava de mais posse de bola na 2ª parte para poder construir situações para o seu homem de referência. Para isso muito contribuíu também a pressão a meio campo feita por David Luiz e Frank Lampard, pressão essa que fez com que Allen não tivesse muito jogo nos pés e, nas transições, Lucas não fosse efectivo no capítulo do passe.

Ao intervalo, Mourinho tirou Lampard para colocar John Obi Mikel. O Liverpool entrou mais acutilante e com mais posse de bola. Apercebendo-se disso, os jogadores do Chelsea subiram o bloco de pressão à altura da transição de jogo, feita quase sempre por Lucas Leiva. O ímpeto inicial dos Reds levaria a uma bola ao poste aos 51″ por intermédio de Sakho depois de um livre na direita onde Phillippe Coutinho passa a bola rasteira para Lucas e o brasileiro executa um belo picadinho para a cabeça do francês, livre de marcação .Bola cá, bola lá. Aproveitando o caudal ofensivo de Hazard e Willian e a pressão alta exercida sobre Lucas, o Belga aproveita um passe transviado do brasileiro para lançar Samuel Eto´o isolado na cara de Mignolet. O camaronês teve todo o tempo do mundo para fuzilar o antigo guarda-redes do Sunderland mas acabou por lhe permitir a defesa da tarde em Stanford Bridge. O Belga remediou assim o golo sofrido na primeira parte.
Nesta fase do jogo, destaque novamente para Willian e Hazard. O primeiro foi ávido a explorar o flanco-esquerdo quando Glen Johnson subiu em demasia no terreno. Quando o internacional inglês estacionava à sua frente, procurou o miolo e do miolo lançou muitas vezes Hazard e Azpilicueta na direita. Já o Belga foi um autêntico quebra cabeças para a defensiva do Liverpool.

Bola cá, bola lá: Suarez tentou o golo aos 57; do outro lado, Samuel Eto´o obrigava Skrtel a uma grande exibição. Na direita, Raheem Sterling ia remando contra a maré (leiam-se sempre 3\4 jogadores do Chelsea na sua esfera de acção quando tinha bola).

O Chelsea voltou a pacificar o jogo quando tal atitude mais lhe convinha através de um jogo de contenção. Rapidamente voltaria a desarmar (em definitivo o ímpeto ofensivo do Liverpool). Até ao minuto 81″ quando Howard Webb fez vista grossa ao lance que poderia ter dado o empate à equipa de Anfield Road. Suarez disputa um lance na área com Gary Cahill, o central inglês corta e segue com bola num movimento perpendicular à linha final perante a oposição do uruguaio e, de repente, aparece Samuel Eto´o a ir às pernas de Suarez na tentativa de fazer um bloqueio. Howard Webb não viu um lance que na minha opinião me pareceu claríssimo.

Até ao final, nota apenas para uma escaramuça que envolveu Óscar e Lucas Leiva com Suarez à mistura. Brandon Rodgers ainda tem muito trabalho pela frente até ter uma equipa capaz de lutar pelo título. Em Janeiro ou no próximo verão ainda terá que reforçar a equipa com um bom defesa-esquerdo, outro defesa-direito, um jogador capaz de efectuar transições de forma rápida e, quanto a mim, com um homem de área mais vocacionado para jogo directo em momentos em que a equipa esteja a perder.
A equipa de Mourinho vai cavando uma luta a três com City e Arsenal, se bem que ainda desconfio muito da regularidade da equipa de Wenger.

God save the queen (or at least try to…) #9

a imprensa portuguesa, emprenhada pelos ouvidos pelas sentences do Guardian e do Independent. Há um mes atrás o que era fixe era “correr com o Moyes no pior período da história do Manchester” – uma série vitoriosa e “Moyes já é o grande treinador de um United em ascenção”

Começo a desconfiar que Mourinho vai até lá cima pé ante pé. Não creio ainda que os Wenger Boys tenham esforço para manter a regularidade que apresentaram nesta metade de temporada. O Liverpool de Rodgers está a construir uma boa equipa para o fruto mas ainda vive dos fogachos de Suarez. O United pode recuperar a diferença e tudo pode acontecer de um dia para o outro. Não será a primeira nem a última vez que a equipa de Manchester nos irá brindar com o fantástico. Resta o brilhante City de Pellegrini perante um Chelsea que, a jogar mal, vai andando pelos lugares cimeiros aos repolões.

Sorteio Champions

Criam-se situações para tudo nos dias que correm. O canal do city mostra-nos a reacção dos jogadores do City ao sorteio da Champions.

1. Manchester City vs Barcelona é em conjunto com o Bayern de Munique vs Arsenal um dos jogos cabeça de cartaz dos oitavos de final. 4 equipas com aspirações. O City chega pela primeira vez aos oitavos-de-final da prova. Depois de duas experiências falhadas na maior prova da UEFA (dois 3ºs lugares e consequente repiscagem para a Liga Europa, onde não conseguiu atingir os quartos-de-final; uma das eliminações ocorreu naquele jogo fantástico que o Sporting de Sá Pinto fez no City of Manchester) o City conseguiu acabar com o enguiço da fase de grupos e os milhões imperaram. Pellegrini está a fazer um grande trabalho no City (assim como o fez em Madrid ao contrário do que todos os pseudo-experts de bola afirmam; perdeu o campenato mas foi até agora o treinador que obteve a maior pontuação dos merengues na Liga) e o futebol de ataque protagonizado pela equipa de Manchester levou a que incomodasse o imperioso Bayern no Allianz Arena. Aos 11″ o Bayern vencia por 2-0 e Ribery dava espectáculo. Vindos de uma fantástica goleada por 7-0 ao Werder Bremen para a Bundesliga suspeitava-se nessa hora que os bávaros iriam arrancar para mais uma goleada. Pé ante pé (com uma exibição enorme de Fernandinho) os homens de Pellegrini conseguiram fazer o que os clubes alemães não fazem há 40 jogos para a Bundesliga: vencer no terreno do fantástico Bayern, cada vez mais cunhado na toada de Guardiola: uma equipa que entra a matar, constrói uma vantagem segura nos primeiros 25 minutos de jogo e depois retira qualquer oportunidade de reacção ao adversário a partir de um jogo de posse e circulação de bola. A única diferença que vislumbro deste Bayern em relação ao Barcelona de Guardiola é a fome insaciável de golos que Arjen Robben e companhia têm mesmo a ganhar. Pela frente, os homens de Pellegrini terão o Barcelona de Tata Martino. O argentino tem cunhado algumas diferenças no estilo de jogo da equipa em relação ao que era apresentado pelos seus antecessores. A essência de Guardiola continua lá mas foi alterada por Martino. O fio de jogo continua lá: os desiquílibrios pelo miolo de Messi (e Neymar pelo flanco esquerdo), a constante subida dos laterais ao último terço do terreno, a infindável posse de Xavi e Iniesta, o rigor táctico de Busquets no equilíbrio da equipa e a figura de Alexis como um avançado móvel trabalhador não-finalizador. Contudo, Martino incutiu mais objectividade na equipa e ao contrário de Guardiola e Villanova, esta não fecha a loja quando se encontra a vencer por 2 ou 3-0.

Prevê-se um duelo muito renhido. Messi pode não alinhar na eliminatória ou alinhar em péssimas condições de forma em virtude da lesão que está a tratar na Argentina com o staff médico da sua selecção. Neymar está a subir imenso de rendimento e assume-se como o patrão de equipa na ausência do astro argentino. O City poderá repetir em Nou Camp a façanha cometida no Allianz Arena, sendo portanto expectável uma eliminatória em que qualquer equipa poderá vencer fora de portas.

Bayern e Arsenal encontrar-se-ão no final de Fevereiro. Sobre a equipa de Guardiola existe pouco a dizer. A equipa de Wènger tem agora nos próximos dias o seu maior teste: passar o boxing day na liderança. Em situações normais, com o Arsenal em 3º ou 4º o boxing day costuma ser muito difícil para a equipa de Wènger. Na liderança, será um teste de fogo às capacidades internas deste Arsenal que faz da criatividade dos homens do meio-campo (Wilshere, Ramsey, Ozil) o seu forte. Se o Arsenal passar o infernal calendário do natal sem derrotas, estou certo que chegará a Fevereiro com todas as possibilidades de vender muito cara a eliminatória à equipa bávara.

Noutro vértice temos os duelos entre Atlético de Madrid e Milan. Madrilenos e milaneses irão encontrar-se em Fevereiro para uma eliminatória com conteúdos interessantes. Duas épocas completamente distintas, com objectivos iniciais completamente distintos. Apesar do Atlético ter o objectivo de se posicionar a meio da luta de titãs que tem caracterizado a liga espanhola nos últimos 10 anos, se vendessem a Simeone a conjectura actual interna e externa do Atleti, estou certo que o Argentino seria capaz de a comprar no imediato a pronto pagamento. Allegri vai vivendo dias de amargura no seu desesperável Milan. Com um pé fora do clube dia sim dia não, com um plantel desiquilibradíssimo, com resultados muito fracos a nível interno e um apuramento europeu arrancado a ferros (ou melhor, com um empate em amesterdão resultante de um penalti assinalado num lance em que a falta pertence a Mario Balotelli) o treinador italiano aguarda apenas o momento em que Barbara Berlusconi receba a tão esperada ordem do seu pai para passar o cheque de indeminização por despedimento. O que de certa forma é injusto para um treinador cuja direcção prometeu uma reestruturação total ao plantel na época passada e não cumpriu. Ainda para mais quando Allegri cumpriu os objectivos traçados pela direcção na época passada, época essa em que a direcção milanese decidiu estoirar por completo com o plantel da sua equipa com a venda dos melhores jogadores (Zlatan e Thiago Silva num primeiro momento e Kevin Prince Boateng num segundo já no passado defeso).

Carga positiva. Dois estilos que tem alguns traços em comum. O cinismo catenacciano da equipa de Simeone, assimilado talvez nos anos em que o Argentino jogou na Lázio. Uma defesa extremamente organizada, eficaz. Alessandro Nesta revestido de Diego Godín. Favalli num certinho Felipe Luis que só não é titular na selecção do seu país porque do outro lado, junto à Plaza Cibelles mora o melhor lateral-esquerdo do mundo, Marcelo. Koke na pele de Sérgio Conceição. Gabi, o cérebro. Arda Turan, o homem que sabe tudo sobre bola a lembrar os bons tempos de Dejan Stankovic. Diego Costa, o target-man, a fazer talvez, aquela, que será lembrada como a sua melhor época no futebol. O Atleti é uma equipa que defende com 10 homens, raramente se desorganiza, raramente deixa jogar, e, cuja organização nunca seja posta em causa no poderíssimo contragolpe que possuí, quase sempre efectuado com poucos homens.

O Milan de Allegri também funciona nesses moldes. Uma equipa de pendor defensivo, com um meio-campo muito musculado (De Jong, Muntari, Nocerino) e com um ataque vocacionado para o contra-ataque: Kaká, Robinho e Balotelli. Menor organização defensiva do que a demonstrada pelo Atlético, mais instabilidade, probabilidade de existirem mudanças drásticas em Janeiro. O Atlético parte com maior favoritismo para a eliminatória mas precisa de ter cautela: este mesmo Milan causou calafrios ao Barcelona na mesma fase da edição passada, com uma “allegri” vitória em San Siro e um jogo interessante em Nou Camp onde esteve muito perto de selar passagem para a fase seguinte não fosse um fatídico minuto mudar toda a sua sorte com uma bola no poste de Mbaye Niang depois de uma cavalgada rusticana do francês de campo a campo sequenciada por um golo de Messi que na altura fez o 2-0 e empatou a eliminatória. Num jogo a eliminar contra uma equipa italiana, nunca fiando. Simeone sabe-o perfeitamente por experiência própria.

O mesmo se aplica a Mourinho no excitante Chelsea vs Galatasaray. Treinador italiano, jogadores com milhões de km de champions que se dão bem no contra-ataque (Eboué, Sneijder, Drogba, Altintop), um jovem sedento de títulos (Bruma) e um amoroso brasileiro de nome Felipe Melo a distribuir cacete quanto baste no meio campo. Contra a Juventus provou-se a filosofia deste novo Galatasaray: mais italianos que os caralhos dos italianos!

Mourinho baixou as espectativas. Afirmou recentemente que muito dificilmente será capaz de vencer um título esta época. Mais uma vez jogou de forma inteligente. Mourinho sabe que num dia sim de Hazard e Schurrle é capaz de se bater taco-a-taco contra quem vier. No entanto, recordou que está a formar uma equipa. É certo que quando Mou precisar do velho bastião blue (Terry, Lampard, Obi Mikel, Ashley Cole, John Obi Mikel, Michael Essien) este virá em seu auxílio. Mourinho tem a vantagem de conhecer o outro lado por dentro e por fora visto que conduziu os 2 principais jogadores da equipa turca à glória noutras batalhas da sua carreira.

Trigo limpo farinha amparo.

PSG vs Bayer Leverkusen. O mundo lembrou-se subitamente de Kiessling. Joachim Low lembrou-se subitamente de Kiessling. Gonzalo Castro é um jogador apetitoso e tornou-se cobiçado por meia europa e Lars Bender passou a ser o mais bonito dos gémeos Bender. Tretas. Icy est Paris. Laurent Blanc arrebenta com todas as escalas e avança com o objectivo Lisboa. Para os “veteranos” Zlatan, Thiago Silva, Maxwell, Lavezzi, Thiago Motta poderá ser a última vez na carreira que reunem toda a química necessária para escrever uma página nunca antes escrita na equipa parisiense e nas suas carreiras. Os novos como Cavani. Matuidi, “Pirlo Son” Marco Verrati, Gregory Van Der Wiel, Lucas Moura, Rabiot, Digne tem aqui a sua oportunidade de ouro. Prevejo uma eliminatória resolvida de forma fácil no jogo de Paris.

Real Madrid vs Schalke. Idem.

Borussia de Dortmund vs Zenit. A jogar como jogou na fase de grupos, Spaletti arrisca-se a levar uma copiosa humilhação na eliminatória. Sem estar o Dortmund a fazer uma época primordiosa. Se Hulk sair em Janeiro como se fala, com Shirokov lesionado e Danny arredado das escolhas por ofensas verbais ao lunático italiano, será uma porca miseria.

Da Champions #5

Confesso que fiquei com alguma pena deste resultado do FCP.

1. É dado assente que a equipa não está a produzir o futebol a que nos habituamos a ver no clube. Falta muita coisa a este Porto para ser o grande Porto. À cabeça, faltam extremos que sejam capazes de produzir jogo para o ponta-de-lança que a equipa dispõe. Quando os grandes extremos do Porto (ainda ontem se viu pelas constantes subidas de Danilo e Alex Sandro) são os laterais, penso que está tudo dito quanto a esta questão. Daí advém o facto de Paulo Fonseca ser (quase) obrigado a colocar Josué numa das alas. Mais uma vez viu-se que o médio do Porto sempre que pode foge para o centro, posição do terreno onde se sente mais confortável. As más decisões de Paulo Fonseca derivam desse problema: para se jogar em 4x3x3 é necessário que se disponha de dois extremos com qualidade de 1×1 e cruzamento, matéria que Fonseca não dispõe. Necessita de um bom 8, posição para a qual Fonseca tem matéria-prima em abundância (Josué e Lucho) e de um 10 desiquilibrador pelo miolo, posição que no futuro sei que irá ser ocupada pelo jovem Quintero, ainda tenrinho para estas andanças.

2. Por esclarecer continuam as posições e tarefas que Herrera e Defour deverão ter no terreno. O mexicano já jogou ao lado de Fernando contra o Zenit no Dragão e deu-se mal. Fonseca avançou-o ligeiramente no terreno e o mexicano tarda em pegar de estaca. Enquanto João Moutinho tinha a facilidade de, ofensivamente, pautar todo o jogo do Porto e defensivamente formar o primeiro bloco de pressão\oposição à equipa adversária, o mexicano passa jogos atrás da bola sem conseguir acertar com um opositor e quando tem bola não tem qualquer tipo de rasgo ou capacidade de construir jogo.

Quanto ao Belga, tanto Vitor Pereira como o seu sucessor tentaram (sem exito) recuar o médio. Já foi 6, já foi 10, já foi ala no lado direito e ainda não foi aquilo que era no Standard de Liège: um 6 puro, um jogador para jogar ao lado de Fernando, um médio de trabalho que também é versátil ao ponto de se incorporar no plano ofensivo e ter bola nos pés.

3. Custou-me ainda mais ver a eliminação do Porto sabendo que o Áustria de Viena estava a golear o Zenit. Este Zenit foi sem sombra de dúvidas, o elo mais fraco deste grupo. Vi 5 jogos dos russos. É uma equipa sem fio de jogo num tosco 3x5x2 onde poucos se salvam. As excepções à regra são Hulk, Danny, Kerzhakov, Shirokov, Ansaldi e Lombaerts. Resumidamente, é uma equipa que, na ausência de Shirokov (o maestro de orquestra) e Danny (um dos afinadores dos instrumentos) apenas consegue tocar música para Hulk. Prova disso foram os 3 jogos caseiros que realizaram. Tanto contra o Áustria, como contra Atlético e Porto, a equipa virou-se sistematicamente para Hulk e passou o jogo a endossar bolas para o brasileiro resolver. A espaços apareceu o perigoso Arshavin no contra-golpe (contra o Atlético por exemplo) mas, o internacional russo, já não é jogador para estas andanças.

4. Voltando ao jogo de Madrid. 4 bolas na barra é dose. Danilo e Alex Sandro galgaram quilómetros mas Jackson nunca se conseguiu superiorizar aos centrais do Atlético. Josué meteu pena. Principalmente na primeira-parte quando derivou quase sempre para o miolo. Não coloco sequer a questão do penalty porque foi bem defendido por Aranzubia. Licá continua uma lástima. Mais um erro de Fonseca. Na esquerda não rende. Os centrais do Porto estão por deveras intranquilos. Mangala continua a perder imensas bolas em zona proibida. Do outro lado, vimos aquilo que se esperava: a equipa de operários de Simeone, a defender num bloco muito baixo, com uma agressividade muito acima da média, de forma eficaz e a sair em contra-ataque sempre que possível de forma cautelosa com poucas unidades, sempre à procura do target-man Diego Costa. A equipa que apanhar o Atlético na próxima fase terá que deixar sangue e suor no campo para eliminar esta fantástica equipa de Simeone.

5. In and Out –

In – O médio Oliver Torres. Já o tinha visto nos minutos que jogou no Petrovski. Irá ser (sem peneiras) o próximo Jogador Espanhol. Aos 17 anos já é habituée dos sub-21 espanhóis. Grande técnica individual.

Out – David Villa. Gordo. Pachorrento. Maçado por lesões. Não é nem por sombras o agressivo e incisivo Villa que conhecemos no auge da carreira.

6. Por último, o Áustria de Viena. Estes austríacos estrearam-se na versão moderna da Champions com boas exibições. Melhores que a do Zenit na minha opinião. Bateram-se taco-a-taco contra Porto e Zenit, fazendo das suas tripas coração. Muito limitados no plano técnico, procuraram um jogo directo para o seu ponta-de-lança Hosiner. Lá na frente, este austríaco descendente de pais croatas deu água pela barba a todos os centrais das equipas adversárias. Rápido, bom de bola e bom finalizador. Tem 24 anos e pelo que estive a pesquisar está em carreira ascendente (começou na 2ª equipa do TSV Munique 1860 e desde aí passou pelo Sandhausen da 3ª liga alemã que o catapultou para a Liga Austríaca, onde alinhou durante 2 anos no First Vienna e no Admira Wacker antes de chegar no verão de 2012 ao Áustria). Leva 35 golos em 44 jogos pelo Áustria nesta época e um terço vá. Antes disso já tinha apontado 28 pelo First Viena\Admira Wacker. É jogador para equipas de gama média alta do futebol europeu.

7. Já que estamos a falar de austríacos – Li algures na imprensa desportiva que o “Porto necessita de um jogador em Janeiro que pegue de estaca como pegou por exemplo Marco Janko” – já não me lembro se li isto na Bola ou no Record de ontem. Se Marco Janko pegou de estaca no Porto de 2011\2012 vou aqui e já venho. Tanto pegou de estaca que foi logo despachado no verão seguinte.

Se quisesse embarcar nas habituais teorias da conspiração, diria que este golo foi a mais pura retaliação da Gazprom às acções activistas que a Greenpeace está a levar a cabo no palco mediático da Champions contra a empresa russa. Sem menosprezo do grande jogo que me parece ter feito o Schalke pelos resumos que vi da partida.

Escrevi aqui há uns tempos que Platini largou a ideia de se gravarem as conversas dos 5 árbitros durante os jogos da Champions. Fico espantado como 5 almas não viram tantos jogadores do Schalke 04 acampados aquando do passe, onde se incluía obviamente o teuto-camaronês Joel Matip. Mais uma decisão de arbitragem (europeia) que deixa a desejar e que silenciou por completo qualquer resposta que o Basileia poderia dar na partida para evitar a passagem dos alemães aos oitavos-de-final. Pelos jogos que o Basileia fez na fase de grupos, em particular os dois contra o Chelsea, bem que mereceu o apuramento. Contudo, o Basileia também se deve queixar da miséria exibicional que teve nos jogos contra o Steaua de Bucareste.

A pergunta prévia para iniciar a escrita sobre este jogo é: quantas vezes viste uma equipa fazer 12 pontos na Champions e ser eliminada? Ontem, abordou-se o caso do Benfica com 10. 5 tinham sido as equipas a serem eliminadas com esse número de pontos desde 1997. A essas 5 juntou-se a equipa portuguesa e o Napoli que até fez mais 2.

San Paolo ferveu. Gritou-se mil vezes o nome de Gonzalo Higuaín quando o Argentino inaugurou o marcador aos 74″ com uma rotação de mestre. Outras 500 no espectacular chapelão de Callejón quando tudo já estava decidido a favor dos Gunners e do Borussia de Dortmund. Tarde demais. Se o espanhol tivesse feito o 2-o a 10 minutos do fim, iria ser o diabo para Wènger e seus pares. Ou saíriam eliminados de Napoli ou no mínimo saíriam esfolados pelos colossais adeptos tiffosi que nunca se calaram durante todo o jogo e no final da partida aplaudiram de pé o esforço dos seus rapazes. Não é para menos: este Napoli de Benitez pode não ganhar nada mas joga à bola que se farta.

Digam o que disserem, tanto Higuaín como Callejón têm espaço na equipa do Real Madrid. Um é de caretas melhor que um certo chuta cocos de nome Karim Benzema. O outro já fez mais em Napoli em 3 meses do que o que Gareth Bale irá fazer em toda a época em Madrid. A dispensa de Callejón se pode entender (como podemos vislumbrar nas exibições do espanhol em Napoli) se atendermos que é um jogador que se dá bem a jogar em contra-ataque. Contudo, também deverei dizer que o extremo espanhol sempre que saía do banco na era Mourinho molhava a sopa! Se o Napoli tiver capacidade para os segurar arrisca-se a ter um futuro ainda mais risonho do que o que tem. Se não os segurar, estou seguro que tanto um como o outro rapidamente estarão num grande italiano e o Inter aparece-me à cabeça como o principal interessado nestes dois quando voltar a ter um mega projecto.

Existem equipas cuja linha estratégica compreendo, outras não. O Real Madrid pertence ao clube daqueles que não percebo. Existem vários exemplos disso no passado: o Luis Enrique que mais tarde seria símbolo do rival Barça, o Steve McManaman que deu um título europeu ao clube antes de ser encostado no início da era dos galáticos (nunca mais conseguiria jogar ao mais alto nível) ao Eclipse das passagens de Arjen Robben e Wesley Sneijder em Madrid, jogadores que anos mais tarde foram obreiros nos títulos europeus de Bayern de Munique e Inter de Milão. Isto sem falar de inúmeros casos de jogadores muito pouco aproveitados na sua estadia em Madrid como Klaas-Jan Huntelaar, Roberto Soldado, Borja Valero, Antonio Cassano, Juan Manuel Jurado, Esteban Cambiasso, Juanfran, Javi Garcia – só na última década – senhores cuja saída de Madrid trouxe o seu melhor futebol e cujos exitos desportivos noutras equipas são bem conhecidos. Resumindo e concluíndo: o dinheiro deu para tudo e se existe clube onde o dinheiro é o factor primordial para fazer uma estratégia e não uma condicionante da estratégia que se pretende levar a cabo, esse clube é o Real Madrid.

Voltando ao jogo. Final dramático no San Paolo. Higuaín agarrou-se à camisola e chorou copiosamente durante minutos numa cena comovente que deverá ter agradado e muito aos fervorosos adeptos do clube Napolitano. O Dortmund venceu em Marselha e ganhou um novo balão de oxigénio numa altura da época em que bem precisava depois das derrotas contra o Bayern de Munique e Bayer de Leverkusen. Grupo que se previa muito equilibrado e que terminou muito equilibrado. Futebol de muita qualidade, principalmente nos jogos entre Dortmund e Napoli. Os Napolitanos são um dos principais contenders à vitória da Liga Europa.

God save the queen (or at least try to…) #1

O fantástico golo do internacional Bósnio Asmir Begovic aos 13 segundos no empate do Stoke City contra o Southampton do português José Fonte.

P.S: Entre chouriços e alheiras, Arsène Wenger vive momentos de sonho no comando técnico do Arsenal. Sem cheirar nada há praticamente uma década, o Arsenal lidera a Premier. Alicerçado no fabuloso meio-campo constituído por Ramsey, Wilshere e Mezut Ozil. Ora toma!