Os Chorões e os Saloios


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Aviso prévio: a utilização do termo “Saloio” neste texto não se refere, felizmente, à generalidade dos adeptos do Benfica, mas a todos aqueles que transbordam um ódio desmesurado ao Sporting, com que um gajo civilizado tem de gramar diariamente em diferentes sítios.

Estamos neste momento a entrar naquela fase em que os Saloios começam a sair da toca. O Campeonato está resolvido e, como já nos habituaram, estão a entrar naquele período de ostentação do “semos os máióres”. Não sabem ganhar calados: têm de esfregar na cara dos outros que estão à frente, como se fossem os únicos seres possuidores de destreza para analisar a tabela classificativa do Campeonato. Publicam mais vídeos e posts sobre o Sporting do que sobre o clube deles, mas depois os “anti” são os outros. Metem-se nas conversas entre Sportinguistas, chamando-lhes “chorões”, “Kalimeros” (no nosso futebol sinto-me mais como a Abelha Maia..) e usando outro tipo de termos, próprios de alguém que só consegue olhar para o seu umbigo, abstraindo-se da triste realidade que é o futebol em que estão inseridos. É fácil quando não se tem razões de queixa. No fundo, calculo que a postura da generalidade dos Saloios relativamente às queixas do Sporting sobre a arbitragem, seja a mesma que um empresário de sucesso tenha quando observa pela televisão as manifestações do Povo contra as medidas de austeridade: “Lá estão aqueles tristes outra vez a queixar-se..”

O Presidente é o mais chorão de todos. Luta pelos interesses do Clube e dos seus Sócios, e pela melhoria do Futebol Nacional, apresentando medidas concretas para isso. Onde é que isto já se viu? Que tristeza. “Dá muitas entrevistas.” “É populista.” “Aparece demais.” Ele devia era andar a tratar dos negócios pessoais dele, como fazem outros Presidentes ali para os lados de Moçambique. Devia, mas não pode. Porque ao contrário de outros que já têm o rabo moldado à poltrona, a cadeira onde se sentou não lhe permite dar-se a esse luxo.

O Saloio acha que o Sporting devia era “jogar mais” em vez de chorar. Aqui até concordo parcialmente. Devia ter jogado mais no Dragão, e devia ter jogado muito mais na Luz. Ainda assim, e mesmo tirando esses dois jogos, o que jogou até agora era mais que suficiente para estar a disputar o primeiro lugar do Campeonato. Porque se por um lado houve quem nos tirasse pontos por ser incompetente (sim Xistra, sim Vasco Santos!), por outro houve quem o fizesse simplesmente porque tinha um apito na boca e podia fazê-lo (sim Talhante Mota, até os árabes já sabem quem tu és!).

“E os foras de jogo do Montero?” 25 golos fora-de-jogo leva o Montero esta época. Costuma-se dizer que uma mentira quando dita muitas vezes, acaba por se tornar verdade. O fora-de-jogo [posicional] do Montero no jogo em Alvalade contra o Benfica é um escândalo nacional sem precedentes. Para o Saloio, claro. Os outros facilmente percebem que é um lance de difícil análise, e percebem ainda que o golo do Benfica nesse jogo também nasce de uma falta que não existe, logo o resultado mais justo seria sempre o empate. Além disso, o Benfiquista civilizado consegue distinguir a dificuldade em ajuizar esse fora de jogo do Montero, da mão que o Xistra, sem ningúem à frente, não viu com o Rio Ave; dos dois penaltys que o Duarte Gomes não quis ver na Luz; ou do empurrão que o Mota “viu” com o Nacional, entre [muitos] outros lances. E lembra-se que o Lima e o Rodrigo têm, cada um, pelo menos tantos golos marcados fora de jogo este ano quanto o Montero.

“Os grandes são todos beneficiados e prejudicados de igual forma!”. Eu acho que o índice de autismo e estupidez que pode levar um indivíduo a proferir tais palavras chega a ser preocupante, pelo que nem faço comentários. Dizer que o Sporting foi tão beneficiado quanto o Porto nos últimos 20 anos, é querer transformar as escutas do Apito Dourado numa embalagem de fraldas Dodot.

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O Eusébio é de todos!

Ponto prévio: nunca vi Eusébio jogar.

Formulei a ideia que dele tenho enquanto jogador, com base nos testemunhos de diversos amigos e familiares, mas também de documentários que vi sobre a carreira do ex-jogador do Benfica. Quando comecei a ter interesse por futebol, mais ou menos na altura em que com seis anos entrei para a Escola Primária, apercebi-me que aquele que era o meu clube, o Sporting, não era o clube da maioria dos meus colegas. Não, não vem aí nenhum choradinho a dizer que fui vítima de bullying por ser “lagarto”, ou que os outros meninos não me deixavam jogar à bola no intervalo por gostar mais do Cadete do que do Rui Águas. O que quero dizer é que cresci naquele período (anos 90) que ainda hoje catalogo como sendo “o auge da arrogância benfiquista”, em que não apenas os meus colegas de Escola, mas também jogadores e até dirigentes do Benfica me queriam fazer acreditar numa dimensão estratosférica do clube da Luz, com base num palmarés construído há algumas décadas atrás. E, quando se falava dos feitos históricos do Benfica, irremediavelmente a conversa passava pelo nome de alguém que, também neste assunto, era uma referência dentro da área: Eusébio.

Sempre tive respeito por Eusébio. Eu, que nunca o vi jogar, aprendi a admirá-lo por um motivo diferente daqueles que tiveram a sorte de vibrar com os seus golos. Admirei-o fundamentalmente pela humildade. Pela humildade que muitas vezes os meus colegas da Escola, os jogadores e os dirigentes do Benfica daquela altura não tinham. Sempre achei que o facto de tanta gente usar os feitos de Eusébio para elevar a dimensão do Benfica, contrastava com o facto de o próprio Eusébio – que, ele sim, tinha legitimidade para ser arrogante – nunca aparecer publicamente a gabar-se daquilo que havia feito no passado pelo seu clube e pela imagem do país.

Sempre defendi que as grandes figuras públicas, independentemente das cores (políticas, desportivas ou outras) que defendem, devem ser protegidas quando chegam a uma certa idade. De José Saramago, passando por Mário Soares, até ao próprio Eusébio, tenho defendido a ideia de que familiares e amigos devem proteger aqueles que, das mais diversas formas, deram de si ao país, e que fruto do avanço da idade começam a perder discernimento e a manifestar publicamente opiniões menos válidas e ponderadas.

Nos últimos anos, Eusébio disse que odiava o Sporting, que queria que o clube perdesse sempre, e que o Sporting era um clube racista. E eu não fiquei zangado com ele por causa disso. A admiração que fui tendo pela sua postura na vida e pelo estatuto e respeito que, com o seu suor, conquistou na nossa sociedade, era superior ao rancor que lhe poderia guardar por umas quaisquer declarações feitas num contexto que desconheço. Não precisei que o Eusébio falecesse para perceber que, à conta de tudo aquilo que ele fez, “o Eusébio é de todos”, algo que eu julgo que o próprio Eusébio, essencialmente fruto da sua humildade, nunca chegou a ter verdadeira noção.

Ao longo do dia de hoje (Domingo), foram prestadas algumas bonitas homenagens ao Pantera Negra, como a do adepto sportinguista que logo pela manhã colocou um cachecol do Sporting na estátua de Eusébio, no Estádio da Luz. Mas também é certo que houve alguns episódios menos bonitos, um deles protagonizado precisamente por Mário Soares que, num momento delicado como este, veio afirmar que Eusébio havia sido “um homem com pouca cultura”, que “bebia muito whisky todos os dias”.

Achei também algo precipitado que, poucas horas depois de se saber que Eusébio nos tinha deixado, em declarações à Benfica TV já Luís Filipe Vieira afirmasse que o contrato que Eusébio tinha com o Benfica era para manter activo e ser respeitado, e que reverteria a favor da viúva do Pantera Negra. Nessa mesma entrevista, também a questão de se o facto de Eusébio ter falecido podia ser visto como um factor aglutinador e de ‘incentivo extra’ para motivar e melhorar o desempenho da equipa de futebol, me pareceu algo despropositado. Não por considerar que as duas questões não sejam pertinentes, mas por achar que o timing não foi o melhor.

Espero não ser mal interpretado em nada do que escrevi, aproveitando para mandar um abraço sentido aos adeptos benfiquistas que nos lêem. E aos do Porto. E aos do Sporting. Afinal de contas, “o Eusébio é de todos”.

A Entrevista de Bruno de Carvalho

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Bruno de Carvalho concedeu esta noite uma entrevista ao Programa “Zona Mista”, da RTP Informação, onde falou sobre alguns dos temas da actual realidade do Sporting. Resumindo em 10 pontos os principais temas abordados:

1 – A entrevista iniciou-se com meia dúzia de questões retóricas, e com outras tantas às quais Bruno de Carvalho (BdC) está certamente farto de responder. Do “Está feliz por o Sporting ter chegado bem ao Natal?“, passando pelo “Estava consciente da realidade do Sporting quando chegou ao clube?” e a terminar no “Gostava que o Sporting acabasse bem a época?“, temi que a entrevista se tornasse mais previsível que uma arbitragem do Capela no Estádio da Luz.

2 – Foi a partir de uma dessas questões (“O Sporting é ou não candidato ao título?“), que BdC assumiu a Liga dos Campeões como objectivo para esta época, mas não sem antes falar (pela 146532ª vez) na política do “pensar jogo-a-jogo”.

3 – Voltou a tecer rasgados elogios ao trabalho de Leonardo Jardim, mas também ao de Inácio, Virgílio e ao seu próprio trabalho enquanto Presidente, realçando mais uma vez que o facto de todos eles serem Sportinguistas muito contribui para o actual bom momento que o clube atravessa.

4 – Ficou-se também a saber que Elias está a ser negociado com o Flamengo, e que “diversos outros clubes” demonstraram interesse em contar com os serviços do internacional brasileiro. Também Labyad e Jeffren estão a ser negociados.

5 – Rinaudo pediu efectivamente para sair, com o objectivo de poder ter mais minutos de jogo e eventualmente vir a estar entre as escolhas da Selecção Argentina para o Mundial. Apesar de o Sporting não pretender prescindir dos serviços do internacional argentino, BdC realça a necessidade de o Sporting ser flexível com a vontade do atleta, uma vez que a gestão de recursos humanos “pressupõe que saibamos que estamos a lidar com pessoas, e não com robôs“.

6 – BdC referiu a necessidade que o Sporting tem de fazer uma aposta forte na Televisão e no Jornal do Clube, “porque [o clube] não se revê no que se passa na restante imprensa“. Salientou a importância dos Sportinguistas usarem os canais de informação do clube, dando como exemplos concretos o péssimo jornalismo de desinformação que tem sido feito por Correio da Manhã e Record, que regularmente lançam notícias com o intuito de destabilizar o clube (a suposta pressão de um Fundo de Investimento para a venda de Rojo, e o alegado descontentamento de William Carvalho no clube, são os dois casos mais recentes).

7 – Explicou a questão da “Mensagem de Natal aos Sócios e Adeptos do Sporting”, onde referiu que a restruturação financeira do clube está em risco (devido ao baixo número de novos sócios e de venda de Gameboxes), dizendo que foi acima de tudo uma tentativa de fazer aproximar do clube muitos adeptos que têm possibilidade financeira para apoiar o clube, mas que por um motivo qualquer que BdC diz não entender, optam por continuar afastados da vida do clube. Eu também não percebo, sobretudo quando de acordo com o novo Regime de Quotização existem quotas a partir de 2€..

8 – A aposta na Formação por parte do Sporting custa anualmente 9 Milhões de euros ao clube, e BdC alerta para a necessidade de se criarem mecanismos que protejam mais os clubes formadores. Aliás, essa foi uma das medidas propostas no documento que recentemente enviou à Assembleia da República.

9 – BdC referiu que continua a marcar presença no banco de suplentes para “entender o espírito da equipa“. Já antes ouvi BdC dizer que seria para entender o “grau de comprometimento de cada um dos jogadores com a causa“, e continuo a achar que nesta altura faz todo o sentido esta proximidade do relvado, em detrimento do conforto da Tribuna Presidencial.

10 – Em resposta às declarações de Cristiano Ronaldo, que recentemente afirmou que “lhe faltava ser campeão pelo Sporting”, BdC respondeu esta noite com (óbvia) abertura, dizendo que o Sporting “está disponível para lhe dar essa alegria“. A ver vamos o que acontece no futuro.

Gostei também da parte da entrevista em que BdC se dirigiu àqueles que o acusam de ser “populista”. O Presidente do Sporting disse que ser “popular” é diferente de ser “populista”, e que ele de populista não tem nada, uma vez que as pessoas com esse perfil são famosas por venderem ilusões, enquanto ele é sobretudo conhecido por ser directo e dizer aquilo que muitas pessoas não gostam de ouvir. Faz sentido, não faz?

Diário da Champignons

Arturo+Vidal+anota+el+gol+del+título+de+la+Juventus

Hoje foi quarta-feira de Liga dos Campeões, e é verdade que um espaço de culto como este exigia um post com uma análise minuciosa a respeito da noite europeia. Afinal de contas, não é comum haver uma noite de Liga dos Campeões com 36 golos em oito jogos, sinal da elevada qualidade das partidas que hoje se disputaram. Por motivos pessoais, não pude acompanhar nenhum jogo hoje, mas a julgar pelas leituras feitas em periódicos online, há vários destaques que podem ser feitos: o hat-trick de Arturo Vidal (17 pontos na Fantasy League aqui para o Je!) na vitória por 3-1 da Juventus sobre o Copenhaga; a vitória por 5-0 do United em Leverkusen (respira Moyes!), e a do Shakthar por 4-0 frente à Real Sociedad (a maior desilusão da prova?) são talvez os resultados que mais saltam à vista.

Analisando individualmente cada um dos grupos cujos jogos decorreram hoje, não me parece que haja grandes surpresas à entrada para a última jornada da fase de grupos: no Grupo A, teremos de esperar para saber quem acompanha o Manchester United rumo aos “oitavos” (eu aposto no Leverkusen!); no Grupo B, o Real Madrid está apurado, e será preciso que o Galatasaray vença em casa a Juventus para que haja surpresa (já empataram 2-2 em Turim..!) e para que os turcos se mantenham na Liga dos Champignons (como diz o outro); no Grupo C, PSG apurado e Benfica e Olympiacos a discutirem o apuramento até à última (aqui não vou dizer qual é o meu prognóstico, não vão os leitores benfiquistas ficar aborrecidos); e por fim, no Grupo D, tudo resolvido com os apuramentos mais que previsíveis de Bayern Munique e Manchester City (dois dos principais favoritos à vitória da Competição, ou a equipa do City ainda não tem andamento para isto?).

Outros Destaques: O Rodrigo marcou um golo (Juro!); o Ibrahimovic não pára de marcar golos; o Nani ainda mexe; o Sérgio Ramos foi expulso (ele que nem é nada destas coisas..)

O Golo: Gareth Bale Goal vs Galatasaray

(O golo do Douglas Costa também não é nada de deitar fora..!)

A Figura da Noite: Arturo Vidal, pelos três golos.

(Peço desculpa se não aparecer o link do golo, e também por não conseguir formatar o texto, mas ainda ando à descoberta do WordPress..)