Rodrigo Moreno a dar dinheiro!

Após a venda dos passes do Rodrigo Moreno e do André Gomes durante o final da tarde de ontem, o MaisFutebol relembrou-me que o Benfica podia receber 10M€ a mais dependendo da performance desportiva de Rodrigo Moreno.

Portanto, está explicado o porque de Rodrigo Moreno ser titular.
Está explicado o porquê de Rodrigo Moreno ser o jogador com mais remates por jogo do Benfica desde há 3 meses para cá.
Está explicado o porquê de Rodrigo Moreno ser sempre titular, e de Lima ser sempre relegado para o banco para “descansar”.
Está explicado o porquê de certos jogadores do Benfica sem ser o Rodrigo Moreno não rematarem à baliza.

Bom truque.

Iniesta a cagar classe #1

Ontem, foi um dia à Champions. Assistiram-se a dois belos jogos, a contrasensos de estilo de jogo. Num dos campos, um Manchester United a fazer uma das piores épocas de sempre a dar imensa luta ao Bayern de Pep Guardiola. Surpreendentemente, os Red Devils fizeram uma das melhores exibições da temporada e empataram 1-1. E na verdade, até tiveram as melhores oportunidades para o resultado ser a seu favor, na primeira parte.

No outro campo, assistiu-se ao Barcelona de metodologia híbrida entre os fundamentos de Guardiola e Tito Villanova e a objetividade individual e um-dois toques de Tata Martino frente à surpreendente equipa de Diego Simeone. Confesso que gostava de ter visto o jogo com mais atenção, apenas pude ver o resumo alargado. Era o que se esperava, uma equipa do Atletico Madrid a funcionar em bloco, super organizada, agressiva em todos os momentos do jogo, a sair em contra-ataque de uma forma pouco vulgar, mas que funciona na perfeição frente a um Barcelona a assumir os jogos e a controlar as incidências, mas que teria dificuldade em quebrar a muralha colchonera.

Muitos vão deixar o jogo a falar do golo de Diego Ribas (que golaço!), e que mete a eliminatória a favor do Atlético Madrid. Contudo, eu prefiro falar do passe do Iniesta. Se calhar isto será uma nova rubrica, um dia. Porque já estou cansado de ver este menino cagar classe…

Meias-finais Taça de Portugal 2013/2014 – FC Porto 1 Benfica 0 (Rescaldo)

A primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal entre FC Porto e Benfica acabou com uma vitória justa dos dragões perante o Benfica, no Estádio do Dragão, por 1-0. O jogo começou praticamente com o golo do FC Porto. Canto na direita, e Jackson Martinez encontra espaço e salto mais alto do que todos, colocando a bola no canto esquerdo da baliza de Artur. Indefensável, 1-0, e o FC Porto assumiu a liderança sem nunca mais a largar. E esperava-se que após um início destes, voltássemos a ter um clássico com golos. Mas infelizmente, os Deuses do futebol brindaram-nos com o contrário. A qualidade de jogo roçou o vulgar termo “solteiros e casados”, ambas as equipas estavam extremamente desinspiradas no seu processo ofensivo, muitos passes falhados na zona intermédia e no último terço. O FC Porto apresentou-se em melhor plano frente, possivelmente, ao pior Benfica da temporada, e podia ter mesmo feito o 2-0 em 2 lances nos momentos finais da segunda parte, mas faltou mais objetividade e calma a Carlos Eduardo após um lance brilhante de Jackson Martinez na área e a Quintero que, completamente isolado na cara de Artur, prefiriu passar e perder a oportunidade.

O FC Porto surpreendeu a imprensa e os próprios adeptos com a inclusão de Herrera no lugar de Carlos Eduardo. Reyes parece também ter roubado o lugar a Abdoulaye Ba, o que começa a ser cada mais justificável, como explicarei mais à frente. Primeiro, estranhou-se. Depois, entranhou-se e pode-se dar os parabéns a Luis Castro pela forma como apresentou a equipa. Houve muito mérito no FC Porto na forma como “obrigou” o jogo a ser “feio” e disputado a meio-campo, em grande parte.Os Dragões apresentaram-se motivado, aguerrido e agressivo no choque, sem dar espaço ao meio-campo do Benfica e particularmente a Ruben Amorim de pensar e executar os passes diretos na direção de Salvio e Sulejmani. Fernando, Herrera e Defour estiveram em bom nível, apesar de por vezes agirem com excessiva agressividade. Principalmente Fernando, que podia ter visto um vermelho com um árbitro mais rigoroso. Destaco também, o bom jogo dos centrais do FC Porto que não deram a Cardozo qualquer margem de manobra. Estou muito surpreendido com a qualidade do Diego Reyes, para mim foi o homem do jogo pela forma como anulou Cardozo e as investidas de Rodrigo, Gáitan e Silvio. É um jogador que apesar de não ser muito forte em termos físicos (irá adquirir essas qualidades com o tempo), é impecável no tempo de desarme e nas decisões que toma. Muito maduro para a sua idade. Irá dar que falar, parece-me que o FC Porto voltou a acertar uma contratação. Bons jogos de Jackson Martinez e Danilo. Nota menos para Alex Sandro (muito trabalho defensivo), Varela e Quaresma (completamente fora do jogo, principalmente Varela).

O Benfica apresentou-se com algumas mudanças. Markovic, Enzo, Gaitán e Lima iniciaram a partida no banco. Salvio, Sulejmani e Cardozo foram titulares e Artur substituiu Oblak na baliza encarnada. Tirando a entrada de Artur, que nem foi por ele que o Benfica perdeu, todas as outras alterações devem ser postas em causa. Principalmente Cardozo. Cardozo hoje foi o mais próximo que estivemos de ver um idoso a jogar futebol. Completamente fora de forma, más decisões e engolido pela avalanche de jogadores do FC Porto. Nunca teve espaço para um movimento, e não forçou o suficiente para mudar o rumo dos acontecimentos. Também me parece denotar problemas de motivação. Sulejmani e Salvio ainda estão longe no nível pretendido para estes jogos decisivos, o Jorge Jesus devia ter optado por Gaitan ser titular em demérito de um deles. Por outro lado, Ruben Amorim e Fesja foram apenas 2 para a imensa intensidade e agressividade que o FC Porto colocou no tridente do meio-campo. Faltou Enzo Perez, um jogador com um raio de ação muito maior do que Ruben Amorim e mais agressivo e objetivo nas abordagens defensivas. Jorge Jesus ainda tentou mudar a situação com a entrada de Lima e Gaitán, mas de nada serviu. Este Benfica só pode dar graças a que o jogo tenha ficado 1-0.

Segunda mão é a 16 de Abril, e o FC Porto leva uma importante vantagem. E que a meu ver, não vai deixar fugir perante um Benfica que parece estar a relegar a Taça de Portugal para segundo plano e vai chegar a 16 de Abril completamente desgastado em termos físicos e psicológicos.

El Classico – Real Madrid 3 Barcelona 4

Real Madrid e Barcelona defrontaram-se hoje para mais um El Classico, jogo que era de carácter decisivo para a luta pelo título. Uma vitória do Real Madrid eliminaria de imediato o Barcelona da luta, um empate interessaria mais ao Atlético de Madrid (que vencera o Real Betis no início da tarde), e uma vitória do Barcelona relancaria a corrida. Foi este último cenário que se verificou. Num jogo eletrizante, o Barcelona esteve por 2 vezes abaixo no marcador, e teve a capacidade para correr atrás do prejuízo o suficiente para levar de vencido o Real Madrid por 4-3.

Foi, sem dúvida, um jogo de futebol de antologia, de uma intensidade e qualidade que será difícil ver igual, pelo menos até ao Mundial. Aos 20 minutos, já estava 2-1 para o Real Madrid, que sacudiu e bem a pressão do Barcelona ter marcado aos 7 minutos por intermédio de Iniesta e soube dar a volta com 2 golos de Karim Benzema, e com duas belíssimas assistências de Angel Di Maria (endiabrado na primeira parte!). O Real Madrid parecia estar a controlar as incidências da partida, até que a partir dos 35′ o Barcelona voltou a crescer, o que culminou no empate aos 43′, numa bola perdida que Messi aproveitou para fuzilar Diego Lopez. O empate aceitava-se ao intervalo, apesar do maior pendor do Real Madrid. Mas a segunda parte revelou um Barcelona bem mais inteligente, que procurou ter e gerir a bola. Contra a corrente do jogo, Ronaldo (desaparecido do jogo) sacou um penalti a Daniel Alves, e fez o 3-2. O Barcelona continuou com o seu jogo, e catalizados por um Iniesta em grande forma e por um Messi a aproveitar muito bem o espaço entrelinhas concedido por Xabi Alonso, acabou por ganhar uma grande penalidade por falta de Sergio Ramos sobre Neymar, e que ainda resultou na expulsão do espanhol e deixou a equipa com menos um. Messi converteu a grande penalidade, e o Real Madrid começou a viver em demasia do passe longo e das arrancadas de um ou outro jogador. E já antes vivia disso…o Barcelona, com calma, procurou o espaço e o momento certo para dar a estocada final. Iniesta, num golpe de génio, consegue tirar Carvajal do caminho e Xabi Alonso foi demasiado ingenuo na abordagem. Mais uma grande penalidade, que Messi converteu de forma exemplar para completar o hat-trick. Até final do jogo, assistiu-se a um Real Madrid já de cabeça perdida e um Barcelona controlador q.b.

O Barcelona tem total mérito nesta vitória. A equipa, é liderada por um treinador que eu gosto muito, mas ainda deixa dúvidas quanto ao estofo que tem para um clube como o Barcelona, em grande parte pela sua incapacidade de gerir as incidências e exigências de uma equipa europeia. Tata Martino deu algum toque pessoal de futebol direto ao tiki-taka que Pep Guardiola e Tito Vilanova tinham implementado, mas é uma equipa que defende muito mal. Felizmente, o que produz ofensivamente compensa na maior parte das vezes. E é aí que a equipa brilha, porque continua a ser uma equipa, com ou sem Pep Guardiola. A equipa joga quase de olhos fechados, Iniesta, Xavi e Messi numa cabine telefónica são capazes de trocar a bola ao primeiro toque tal é a forma como se conhecessem. Esse tridente teve muito mérito na vitória de hoje, principalmente Iniesta. Marcou o primeiro golo, e sacou a última grande penalidade, além de ter jogado e ter feito jogar. Messi marcou 3 golos, mas Iniesta foi mesmo o homem do jogo para mim.

Quanto ao Real Madrid, a meu ver, ficou hoje provado que este Real Madrid não tem capacidade para vencer a Liga dos Campeões, a não ser que tenha a sorte de certos adversários serem eliminados (Bayern, Barcelona, talvez Chelsea). Talvez consiga vencer a Liga Espanhola porque só depende de si, e caso saiba controlar uma possível implosão depois do jogo de hoje. Contudo, este Real Madrid vive excessivamente das suas individualidades. Quando todas estas, principalmente Ronaldo e Bale estão num dia sim, a equipa é capaz de vencer qualquer equipa. Mas basta uma equipa que os saiba controlar ou minimizar o seu raio de ação e controlar as incidências da partida que a estratégia vai pelo cano abaixo. Por isso é que o Real Madrid não venceu nenhum dos jogos frente ao Barcelona e ao Atlético de Madrid para a Liga: são equipas no verdadeiro sentido da palavra. E isso, pode custar muito caro ao Real Madrid caso tenha que enfrentar o Bayern Munchen ou o Barcelona nas meias-finais/finais da Champions, caso passe o Borussia Dortmund. Ponho já o meu dinheiro na mesa: ainda não será desta que o Real consegue “La Decima”.

Antevisão: Sporting x FC Porto

Dentro de 2 horas, começa o clássico Sporting x FC Porto, que poderá ser decisivo nas contas finais do campeonato, principalmente em termos de definição do segunda e terceiro lugar. O Sporting encontra-se em segundo lugar, mas o FC Porto está apenas 2 pontos atrasado.

Antes de mais, prevejo um jogo muito, muito quente. Antes, durante e depois do jogo. A polémica em torno das arbitragens não irá beneficiar em nada o ambiente do jogo. Antes e depois, poderão existir confrontos entre ambos os adeptos e exageros de parte a parte relativamente ao meio ambiente e às forças de segurança. Durante, vamos ter um jogo quente, onde as duas equipas vão meter toda a atitude em campo e não vão facilitar a vida ao árbitro. E sim, porque o árbitro é melhor que o Olegário, mas o que não significa que seja grande coisa. E prevejo que o Proença fará erros. Muitos erros. Resta saber para que lado.

Mas agora, falando do jogo, julgo que a chave poderá estar na forma como os pilares de ambas as equipas, William Carvalho e Fernando forem anulados e manietados do seu raio de ação. William Carvalho é um jogador importante na manobra ofensiva da equipa relavitamente à primeira fase de construção, e pressioná-lo de imediato poderá ter frutos para o FC Porto. Caso aconteça, Leonardo Jardim terá de ser inteligente e colocar uma ajuda mais próxima de William Carvalho na zona vertical (Rojo) ou lateral (recuar Adrien na primeira fase de construção e envolver mais os laterais). Não me parece que William Carvalho tenha muito espaço para aplicar os passes verticais, excepto nos últimos 30 minutos. Já Fernando, é um pilar importante e o seu raio de ação estende-se na zona central do início do segundo terço do FC Porto. O Sporting não costuma procurar muito a zona central para atacar, portanto será possível que Fernando procure pressionar mais alto e envolver-se nas dobras laterais devido à envolvência de Cedric e Jefferson no ataque. É um jogador com dificuldades em construir e parece-me ainda não estar na sua melhor forma nesse aspecto, e uma pressão eficaz poderá dar frutos.

Em segundo lugar, o FC Porto poderá beneficiar da força que tem no ataque, já que a qualidade individual sobrepõe-se de forma gritante ao Sporting. Enquanto no meio campo a situação até está equilibrada, o ataque do FC Porto tem tudo para causar todas as dificuldades ao Sporting, principalmente pelas diagonais dos laterais pela zona central e pela capacidade de Jackson Martinez. O Sporting tem de ter a equipa junta e compacta no processo defensivo, e de preferência não deixar que a bola chegue à vontade para Quaresma e Varela.

Em terceiro lugar, há uma equipa com clara vantagem no aspeto das bolas paradas ofensivas e defensivas. O FC Porto poderá jogar muito pelas alas de forma a ganhar livres laterais e cantos, já que têm, numa só equipa, 4 torres: Abdoulaye, Mangala, Jackson Martinez e Fernando. O Sporting só tem 3: Rojo, Dier e William Carvalho, e os 3 são claramente inferior em jogo aéreo aos 4 do FC Porto. Daí existir alguma possibilidade de Slimani até ser titular, para dar esse apoio defensivo. Contudo, a construção de jogo do Sporting poderá ser danificada com um jogo mais direto, e acho que Leonardo Jardim pensará em Montero para os primeiros 60 minutos, pelo menos.

Os onzes prováveis, a meu ver:
Sporting – Rui Patricio; Jefferson, Rojo, Dier, Cedric; William Carvalho, Adrien, André Martins; Carlos Mané, Montero, Carrillo
FC Porto –
Helton; Alex Sandro, Mangala, Abdoulaye, Danilo; Fernando, Defour, Carlos Eduardo; Quaresma, Jackson Martinez, Varela

Prevejo um Sporting a tentar ter bola e a procurar controlar as incidências do jogo. Irão tentar envolver os laterais até ao início do segundo terço apenas, porque do outro lado está Varela e Quaresma. A equipa vai estar um pouco mais compacta do que o normal para as ajudas estarem mais próximas para juntar os sectores e permitir a luta pela segunda bola. Montero vai procurar fazer de falso 10 com frequência e combinar com Carrillo e Carlos Mané de forma a confundir as marcações de Mangala e Abdoulaye, que são ótimos no jogo aéreo e na capacidade de desarme, mas algo lentos em termos de antecipação e pecam no posicionamento. Mané será requisitado com frequência pela sua irreverência. Jefferson irá subir com frequência devido à tendência de Danilo flectir para a zona central para defender, o que deixa o flanco aberto para cruzar. Para o Sporting ganhar, terá de ser uma equipa em grande nível, a lembrar a primeira metade na temporada, e a probabilidade do Sporting vencer aumenta conforme o bom rendimento de William Carvalho, Carrillo, Montero e, em segundo plano, Adrien, André Martins e Cédric. Slimani deverá entrar, e caso esteja empatado ou Sporting a perder, deverão entrar Heldon e Capel para dar irreverência ao sector e sacar amarelos.

Já o FC Porto vai procurar ter menos bola mas jogar na transição rápida devido às características dos seus extremos. Também será benefíco para ganhar lances de bola parada (cantos e livres laterais). Carlos Eduardo irá apoiar Jackson na grande área com frequência porque sabe como aparecer. Defour terá de ter muito pulmão para aguentar o meio-campo nestes momentos já que Fernando poderá ser mais fixo em frente aos centrais. Alex Sandro e Danilo não deverão aventurar-se em demasia na primeira parte, mas poderão ter mais instruções atacantes na segunda. Ghilas deverá entrar e poderá ser o joker do FC Porto para este jogo. Herrera poderá substituir Carlos Eduardo para dar pulmão ao sector quando este se desgastar, já que só aguenta 75 minutos.

Previsão: 1-1. Marcam Montero e Mangala. Jogo quente, haverá 1 expulsão e 2 lances polémicos, 1 em cada área.

Portugal x Camarões

Um jogo pobre na primeira parte, mais interessante na segunda. Esta equipa dos Camarões, ou muito me engano, ou saí do Brasil sem uma única vitória. Tirando a dupla de centrais, o Song e o Eto’o (que hoje deve ter tido as ordens do costume do Mourinho para não jogar um chavo), o resto são alguns jogadores com excesso de velocidade e pouca técnica, e lá pelo meio está um sarrafeiro à antiga (Ekotto).

Relativamente à Selecção, bom jogo na segunda parte, onde aproveitámos bem o potencial que temos em jogar nas transições. Todos os jogadores subiram de produção na segunda metade, e o resultado foi-se avolumando naturalmente. De realçar o facto de Ronaldo passar a ser o melhor marcador da selecção, superando Pauleta. Ronaldo já conta com 49 e a tendência é continuar a marcar.

Também deu para aferir outras coisas importantes:

– Está visto que o Ivan Cavaleiro ser convocado e jogar foi uma manobra para aumentar o seu valor de mercado com uma internacionalização. É a única explicação possível. Ainda não tem qualidade para ser sequer terceira opção nos AA. De realçar, contudo, o belo pormenor para o 3-1 de Portugal.
– Estreia de Rafa deixa bons indicadores, mas precisa de continuar a jogar e evoluir no Braga. Parece-me que poderá ir ao Brasil, mas dificlmente terá oportunidades para ser titular ou suplente utilizado, a não ser que tenhamos a qualificação para os oitavos assegurada no último jogo (altamente improvável).
– O William Carvalho ainda tem de melhorar muito defensivamente, principalmente no tempo de entrada. Fez demasiadas faltas, e terá de ter cuidado com isso no Mundial, caso seja o titular. Aumentou de produção na segunda parte, algo que se tem verificado muito quando joga no Sporting, nesta segunda volta do campeonato. Fez um passe fantástico na segunda parte para o Ronaldo. O William que só lateraliza, não é?
– Apesar de alguns jogadores estarem a fazer uma temporada abaixo das expectativas, seja por falta de ritmo ou por não estarem numa equipa que corresponda à sua qualidade, quem sabe não esquece. Bons jogos de Moutinho e Coentrão, possivelmente os melhores em campo por parte de Portugal. A juntar a Ronaldo, obviamente.
– Gostei muito do Neto. Parece-me estar mais evoluído enquanto jogador, principalmente na antecipação e leitura dos lances. O Rolando pareceu-me a acusar um pouco a responsabilidade de vestir a camisola. Acusou a pressão do Paulo Bento estar entre ele e o Ricardo Costa?
– O Edinho não tem qualidade para a equipa A, mas teve lá um pormenor para meter no DVD do empresário.

Marco Silva #1

Coloque-se de lado os problemas que estão a acontecer no Dragão neste momento, após uma derrota do FC Porto frente ao Estoril por 0-1 (de lembrar que o FC Porto já não perdia em casa para o campeonato há cerca de 6 anos!). Queria falar do treinador do Estoril, Marco Silva. Desde que comecei a ver mais jogos do Estoril devido à subida de divisão destes, há 2 épocas atrás, que este Estoril do Marco Silva me surpreende jogo após jogo. Confesso que sou fã deste Estoril do Marco Silva. E nada melhor que um jogador do próprio plantel do Estoril para falar desta equipa e do seu treinador:

«Gosto de Marco Silva porque, comparando com todos os treinadores com quem já trabalhei, é o único que nos diz para jogarmos no Dragão ou na Luz no campo todo sem medo do adversário. Com ele é sempre olho por olho, dente por dente» – Yohan Tavares, numa entrevista recente à France Football.

E o que se viu hoje no Dragão foi o mesmo Estoril de sempre, com as devidas diferenças a jogar em casa ou fora, mesmo apeasr de ter sentido muitas dificuldades em certos momentos do jogo. O Estoril fora de casa é uma equipa muito menos dominadora mas mais eficaz no processos de transição e usam as bolas paradas para desbloquear os resultados fora de casa. Contudo, é uma equipa que nunca abdica da sua identidade e mentalidade vencedora. Seja qual o campo que entram, entram sempre para ganhar. Foi assim, nas últimas 2 temporadas: contra o FC Porto, contra o Sporting, contra o Benfica, contra o Friburgo, contra o Sevilla, contra o Olhanense, contra o Braga, contra qualquer equipa.

Marco Silva é um grande treinador. E o que mais lhe distingue dos outros e de, por exemplo, Paulo Fonseca, é que quer ganhar. Mesmo no campo onde já ninguém vence há quase 7 anos. Quem tem um treinador como ele só poderá pensar no sucesso. Parece-me que acabará no FC Porto.

Crónica: Surpresa no Jardim

Descontando todos os incidentes que decorreram durante o dia de ontem (e na verdade, ainda decorrem), houve um motivo de particular interesse para os amantes da táctica e dos processos de jogo: o onze inicial que Leonardo Jardim lançou.

Esperava-se uma abordagem simples por parte do Leonardo Jardim. Pela conferência de imprensa, pareceu-me dar a entender que o plano A seria Dier no lugar de William e Piris à esquerda, e o resto manter-se-ia normal. Algumas dúvidas na frente, já que a hora a que o jogo poderia decorrer puxaria ao físico dos jogadores devido ao possível vento e chuva, e portanto a inclusão de Slimani apoiado por Capel e Carrillo faria todo o sentido. Mas eis que 30 minutos antes da partida, chega às mãos da imprensa um onze surpreendente no trio atacante: Montero, Slimani e o estreante Heldon.

Parece-me clara a mensagem que Leonardo Jardim transmite ao grupo, aos adeptos do Sporting e ao adversário. Jardim vai meter a carne toda no assador de imediato, com Fredy Montero, Slimani e Heldon na frente. Antes de mais, são 3 jogadores capazes de marcar golos (ambos valem mais do que 25 golos em todas as competições). Montero é um jogador mais móvel, forte em espaços curtos e inteligente no 1 para 1 sem ser um jogador explosivo, Heldon é rápido, vertical no último terço e potente na finta longa. Também sabe finalizar muito bem (9 golos pelo Marítimo). Slimani é forte fisicamente, raçudo, forte de cabeça, e não é assim tão cepo de pés como parece. Sabe segurar jogo e oferece alternativas de passe de costas para a baliza. Leonardo Jardim procurou juntar todos estes ingredientes na panela, mas há que realçar novamente o que Leonardo Jardim procurou: provas estatísticas que representam eficácia. E meteu os melhores nisso lá na frente, não haja dúvida.

Mas se os jogadores que incluí poderão causar apreensão em Jorge Jesus, o que não se dirá do esquema táctica. O onze apresentado indica um 4-3-3, mas não significa que assim seja. Um esquema óbvio seria Montero na esquerda, Slimani no centro e Heldon na direita. Contudo, quando Montero e Slimani jogaram juntos, raramente se viu Montero na esquerda, onde lhe falta explosão para fazer a diferença. Montero procurou sempre os caminhos 5 metros atrás de Slimani, funcionando quase como um trequartista sem batuta. Uma espécie de 4-4-2, desmontado num 4-4-1-1 em termos atacantes. Neste caso, teríamos André Martins na direita a funcionar como médio interior e Heldon na esquerda, Dier um pouco atrás de Adrien, os laterais a procurarem fechar mais o meio para dar profundidade e dar menos largura, beneficiando o estilo de jogo direto e pela zona central. Outra alternativa mais rebuscada poderá ser a inclusão de Montero atrás de Heldon e Slimani, com Adrien e André Martins a darem largura, o que funcionaria de uma forma semelhante a um 4-4-2 losango.

O efeito surpresa pode ter-se desvanecido um pouco com o atraso do jogo. Mas não desapareceu, de todo. Resta saber como irá Jorge Jesus reagir a estes inputs, e com certeza tudo isto lhe estará a causar algumas dores de cabeça. Poderá mesmo entrar em pânico e colocar Cardozo de início para imobilizar a zona central do Sporting e conferir maior poder de fogo, e até dar um impacto motivacional contra o Sporting (Cardozo molha sempre o bico frente ao Sporting). Mas ao contrário do FC Porto, que entrou na Luz com um onze cauteloso e à espera de um 4-3-3, o Sporting procura entrar para vencer e sem pensar muito no esquema do Benfica, que irá consistir num 4-4-2 centrado no jogo direto e nas investidas de Gaitán e Markovic a procurar os pés certeiros de Rodrigo e Lima, caso JJ não opte por mudar para Cardozo.

Leonardo Jardim sempre se manteve fiel à sua equipa. De facto,  a identidade é uma força desta equipa do Sporting. Muitos questionam que Leonardo Jardim poderá ter posto em causa a identidade da equipa com este onze. Pelo contrário, eu acho que a identidade ficou ainda mais vincada. Porque a identidade não é só manter-se fiel a um esquema de jogo ou sistematizar 1 ou 2 modelos: a identidade é o que a equipa pretende quando entra em campo. E Leonardo Jardim quer ganhar. O Sporting quer ganhar. Resta apenas saber se quer ganhar, ou se está apenas a inventar.

Um Contra o Outro! #1

Deverá Elias ser integrado na equipa principal do Sporting Clube de Portugal?

João Branco: Não.
O elias foi um dos jogadores menos profissionais que vi no Sporting, algo contrariamente proporcional ao salário que auferiu. Pediu para ser emprestado, ameaçou meter o sporting na FIFA, ameaçou sair a custo zero, não quis ser vendido aos chineses, afirmou e mandou o pai afirmar que não queria ficar…readmiti-lo porquê?

A solução para o Elias é a seguinte: ou vender bem vendido ou ficará a cumprir o resto do contrato dele à parte; Para ele perceber que custou demasiado para o que rendeu e o que é ser leal a um clube. Para ele aprender que ser profissional de futebol também é sacrificio e não só um privilégio. Para dar exemplo aos mais novos que, a partir de hoje naquele clube, quem quiser ser jogador tem que ser homem também.

O Elias até podia ser o Messi, o Kranjcar ou o Djaniny. Os clubes vitoriosos são construídos a partir do trabalho e não da chantagem.

João Borba: Sim.
Quando eu digo que sim, é um “sim, talvez”. Mas vamos por partes.

O Elias é um jogador de indiscutível qualidade. É um médio bastante completo, que pode actuar em qualquer zona do meio-campo por saber fazer de tudo um pouco, e bem. Oferece intensidade, pulmão e verticalidade, além de uma boa meia-distância.

O Elias, a ser integrado, seria um excelente upgrade na qualidade global da equipa do Sporting. Passaríamos a ter, para o meio-campo: William Carvalho, Adrien, Vítor, André Martins, Elias e possivelmente Shikabala (que pode também fazer de 10). O Elias poderia ser um substituto mais vertical do André Martins quando fosse preciso um homem extra na área, ou do Adrien quando fosse um box-to-box mais puro na zona ao invés de um construtor de jogo recuado (Adrien/Vítor). É também, o único médio do lote que referi com capacidade para assumir a posição do William Carvalho desde a saída do Rinaudo, embora com um possível grande decréscimo de qualidade e mudança de funções.

No entanto, aqui chega o meu “talvez”, repleto de “se’s”: até que ponto integrar Elias seria benéfico para a equipa? Será que iria destabilizar o grupo, como sempre o fez desde que chegou ao Sporting? Grupo esse, que tem feito da palavra “equipa” a sua principal arma?

Se o Elias estivesse pronto a dar o seu contributo à equipa, não tenho dúvidas que o Sporting de amanhã seria uma melhor equipa em termos de soluções e qualidade individual do que ontem. Teríamos um médio com mais soluções e capacidade de improvisação seja qual for a sua função.

Se acho que ele está? Não. Portanto, tem de ser vendido. Aproveitar que o mercado de transferências no Brasil só fecha em Março. Mas ainda acredito num “se” que seja benéfico para ambas as partes. E mesmo apesar de tudo o que fez e das faltas de respeito para com o Sporting.

Últimas horas do Deadline Day

O Tudo ao Molho! vai seguir ao minuto as últimas horas do fecho do mercado de transferências, dando relevância às transferências mais importantes.

22:23 [Inglaterra] Thievy do Espanyol para o West Bromwich Albion por empréstimo até ao final da época com opção de compra.

21:23 [Portugal] A nova lista de inscritos que a liga divulgou ainda não tem Shikabala…

22:00 [Espanha] E Senderos vai-se mesmo embora do Fulham! Emprestado ao Valência.

21:50 [Itália] Hernanes finalmente confirmado no Inter!

21:46 [Espanha] O prodígio Oliver Torres do Atlético Madrid jogará no Vilarreal por empréstimo até ao final da temporada.

21:45 [Espanha] Valência tenta Philippe Senderos do Fulham.

21:44 [Itália] Gael Kakuta do Chelsea jogará na Lazio por empréstimo durante 6 meses.

21:40 [Portugal] Dificuldades em fechar a transferência de Shibakala para o Sporting, apesar de ser desconhecido o porquê da situação. Falta pouco…

21:33 [Espanha] Diego, médio brasileiro do Wolfsburgo que já jogou no FC Porto, vai para o Atlético Madrid. Um grande reforço para a fabulosa equipa de Simeone!

21:21 [Itália] O médio brasileiro Ibson está de saída do Corinthians, a caminho do Bolonha.

21:15 [Itália] Victor Obinna, do Lokomotiv Moscovo, assina pelo Chievo Verona, a título de empréstimo.

21:11 – [Itália] Rumores dizem que a Juventus ainda não desistiu de Nani, do Manchester United. Parece que o Inter também poderá estar na corrida.

21:01 – [França] Berbatov irá jogar no Monaco! [Fonte: MailOnline Sport]

21:00 – [Inglaterra] O Arsenal ainda tenta um último esforço por Miroslav Klose, da Lazio.

20:05 – [Inglaterra] O avançado Federico Macheda irá jogar no Birmingham, por empréstimo do Manchester United.

19:52 – [Itália] O defesa brasileiro Rafael Tolói foi oficializado com reforço da Roma por empréstimo do São Paulo, até Junho.

Menos de 24 horas para fechar o mercado

Transferências confirmadas:

Élton Monteiro (Club Brugge) na Académica por empréstimo de ano e meio.
Seydou Keita (ex-Barcelona) confirmado no Valência.
Kurt Zouma (Saint-Etienne) no Chelsea por cerca de 15M€. No entanto, só veste as cores dos azuis de Londres a partir da próxima época.

Rumores:

Jake Livermore (Hull City, emprestado pelo Tottenham) poderá estar prestes a voltar ao Tottenham.
Toni Kroos (Bayern Munique) poderá concretizar uma transferência de última hora para o Manchester United.
Fernando (FC Porto) poderá estar de saída do FC Porto, a caminho do Manchester City.
Mangala (FC Porto) poderá ingressar no Manchester City. A RMC Sport avança que o FC Porto já terá aceitado uma proposta de 42M€ por Mangala.
Draxler (Schalke 04) ainda é aposta do Arsenal para este último dia, apesar dos rumores que dão conta do “não” de Arsene Wenger.

Será Nadal o melhor jogador de todos os tempos?

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A rivalidade entre Nadal e Federer protagonizou hoje mais um episódio, com mais uma vitória para o espanhol Rafael Nadal pelos parciais 76(5) 63 63. Havia uma expectativa crescente relativamente ao que poderia suceder-se nos courts de Melbourne devido a algumas dificuldades físicas de Rafael Nadal e pelo facto de Roger Federer estar num excelente momento de forma e já tendo eliminado Tsonga e Murray nas rondas anteriores. Foi uma exibição imperial de Rafael Nadal em certos aspectos

Roger Federer esteve em bom plano no primeiro e terceiro set, mas apresentou imensas dificuldades em certos aspectos do jogo. O mais importante foi as abordagens à rede. Roger Federer usou e abusou do serve-and-volley frente a Murray e Tsonga, principalmente nos primeiros dois sets. Contudo, frente a Nadal, as coisas não resultaram tão bem, muito por mérito do Maiorquino. Rafael Nadal é conhecido por ser o melhor executante de passing shots de sempre, e foi isso que demonstrou. Devido a isso, Federer consegui uma percentagem de pontos na rede bem inferior aos jogos frente a Tsonga e Murray (55% hoje contra 83% e 74%, respetivamente). O facto de Nadal conseguir contrariar com eficácia Federer na rede obrigou-o a procurar alternativas, uma vez mais. E de facto, enquanto a partida se prolonga em qualquer Nadal x Federer onde o Nadal se encontra num nível razoavelmente consistente, acaba por ser deprimente ver Federer bater contra a mesma parede, uma vez mais. Embora consiga perceber isso. Na cabeça do Federer, o mesmo pensa que se vai para a rede, o Nadal consegue fazer o passing. Se fica atrás e luta contra o Nadal cada um na sua baseline, perde porque o Nadal melhora com o aumento do rally. Se atacar, atacar, atacar, o Nadal consegue provocar pelo menos mais 1 pancada por ponto devido à sua capacidade defensiva, até que Federer eventualmente comete um erro não-forçado. Se procurar a esquerda cruzada para procurar a direita do Nadal que invariavelmente vai ao longo naquela zona, falha porque a esquerda cruzada é o seu ponto fraco (fez imensos erros de esquerda cruzada no primeiro set), até chegar a um desgaste físico e mental sem qualquer solução possível para derrotar Rafael Nadal.

Já Rafael Nadal fez o seu jogo comum frente a Federer: consistente da linha de fundo, e eficaz frente a um plano de jogo de Roger Federer pouco flexível. Nadal sente-se muito confortável a jogar contra Federer, porque os seus pontos fortes acabam por encaixar perfeitamente nos pontos mais fracos do suiço. Para Federer vencer qualquer batalha frente a Rafael Nadal em outdoor hard court ou terra batida, terá de fazer invariavelmente um dos melhores jogos da carreira e/ou esperar que Nadal esteja um pouco abaixo das suas capacidades. Outra atenuante que pode jogar a favor de Federer será se os encontros forem disputados em indoor hard court ou relva. Superfícies mais rápidas beneficiam muito o jogo de Federer em termos de pancadas, embora Nadal também aprecie as superfícies rápidas por ter maior endurance e saber variar o seu serviço com efeitos de slice e kick. Num dia onde esteja bem, Rafael Nadal é praticamente impenetrável frente a qualquer opositor, neste momento, e por mais que custe admitir isso até a quem não gosta muito do espanhol.

Tendo em conta que Rafael Nadal tem um Head-to-Head de 25-10 frente a Roger Federer, considerado por muitos como o melhor jogador de todos os tempos, poder-se-á então perguntar: será Rafael Nadal o melhor jogador de todos os tempos?

É difícil responder de uma forma concreta e capaz de juntar uma total bipolaridade de opiniões, dividida entre fãs do Nadal e fãs do Federer. Eu assumo, pessoalmente, que sou um grande fã do Roger Federer e que ele foi uma das razões pelas quais comecei a apreciar a modalidade. O suiço viveu uma verdadeira era de ouro entre 2004 e 2009, onde venceu 14 dos seus 17 títulos de GS. Até à data, Roger Federer quebrou sucessivos recordes de lendas de outros tempos, e a sua história é e será intemporal. Alguns recordes deverão ser mesmo imortalizados (23 semi-finais de GS consecutivas, ou 37 quartos-de-final de GS consecutivos). O seu estilo de jogo é um mimo para qualquer apreciador de ténis, já que sabe jogar de qualquer forma, seja como baseliner agressivo, serve-and-volley (como fez muito neste torneio), seja como counter-puncher (com o seu delicioso slice cross-court de esquerda que tem utilizado cada vez menos). Não deixa de ser notável que Federer, com 32 anos, ainda procure vencer e novas formas de vencer, e a contratação de Stefan Edberg para a nova temporada não foi por acaso. Stefan Edberg é um dos responsáveis pela subida de forma de Federer no início de 2014, ajudando Federer a ter uma esquerda mais consistente (mas ainda não está como devia) e de usar o serve-and-volley com mais frequência. Parece-me claro, que até Junho, Federer terá oportunidade de melhorar estes aspectos, e concentrará todo o seu foco em Wimbledon, onde tem maiores probabilidades de vencer um GS. Penso que poderemos estar próximo de um ano onde Federer voltará a ter bons resultados, e até arrisco dizer que vencerá Wimbledon.

Pese toda a história e grandeza de Federer, é fácil verificar que, atualmente, Rafael Nadal é melhor jogador do que Roger Federer. É mais forte fisicamente e mentalmente, tem mais soluções no seu jogo do que há uns anos atrás (apesar de ainda não possuir o arsenal em toda a extensão do court que Roger Federer ou Andy Murray possuem, por exemplo) e, mais importante que tudo, sabe manter uma consistência de jogo. Existam os rumores de doping e métodos fora do comum e até ilegais para Nadal superar as suas lesões, a verdade é que ele continua a ser o melhor da atualidade. E hoje ainda é mais, com o decréscimo de forma de Novak Djokovic, que está próximo de uma travessia no deserto (em minha opinião). Rafael Nadal já contabiliza 13 títulos do GS, e provavelmente vencerá no domingo para elevar para 14. E em Roland Garros, se estiver numa forma razoável (basta-lhe isso), vencerá Roland Garros tendo apenas como possível sucessor ao trono Novak Djokovic (que até poderia ter ganho no ano passado não fosse ter tido um choke mental que ainda hoje o afeta), elevando para 15. Poder-se-á dizer até que Nadal irá ultrapassar Roger Federer em GS, se tudo correr bem para o espanhol. E se isso acontecer, não faltará quem ache Nadal o melhor de sempre.

Será uma discussão para aprofundar ao longo dos tempos. Cada um teve as suas eras, cada um tem a sua superfície preferida e o seu estilo de jogo que bipolariza os fãs do ténis. A força da técnica contra a técnica da força. É um privilégio partilhar da mesma era que estes 2 monstros do ténis. Um dia mais tarde, os nossos netos vão perguntar por Nadal e por Federer, a não que apareçam novos monstros que saibam bater todos os recordes. Algo que duvido muito que aconteça a curto-prazo.

Australian Open – Resumo Alargado

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Desde o dia 13 de Janeiro que os courts de Melbourne aquecem com mais uma edição do Australian Open, o Happy Slam como muitos tenistas lhe gostam de chamar pelo bom ambiente que se vive dentro e fora dos courts. Esta edição tem sido responsável pelo imenso calor (tivémos dias com 45º C!!) e por diversas surpresas até ao momento, sendo até um dos Grand Slams mais incaracterísticos dos últimos anos. Não tanto pelas surpresas acontecerem cedo e de forma inesperada (como por exemplo, o Black Wednesday de Wimbledon no ano passado), mas pelas surpresas que aconteceram terem sido poucas, mas extremamente significativas.

Comecemos pelo circuito ATP, onde existiram menos surpresas. Mas foi inesperada a queda de Juan Martin Del Potro (apontado por mim como um possível semi-finalista) na 2º ronda, frente a um Bautista Agut extremamente inspirado, que soube reduzir uma desvantagem de 2 sets a 1 e levar a melhor sobre a Torre de Tandil. Juan Martin Del Potro nunca mais foi o mesmo desde o US Open que conquistou, e as lesões também não têm ajudado. Mas é dos tenistas mais talentosos da sua geração, e não tenho dúvidas que ainda irá voltar às meias-finais e finais dos GS. Bautista Agut acabou por cair frente a Grigor Dimitrov na 4º ronda. O tenista búlgaro tem sido uma surpresa, já que o seu rendimento em GS é bastante inferior ao expectável. Lembram-se de João Sousa o ter derrotado no US Open 2013, na 1ª ronda? Pois…

Rafael Nadal esteve em bom plano até à terceira ronda, mas a vitória apertada (mesmo que por três sets) frente a Nishikori levantou algumas dúvidas sobre a sua capacidade para vencer o Australian Open. Hoje entra em campo para passar às meias-finais.

Um destaque importante para Roger Federer. O tenista suiço tem como novo treinador Stefan Edberg, o veterano e antigo campeão do Australian Open (por 2 vezes) desde o início de 2014, e tem-se revelado uma surpresa pela positiva. Após um 2013 simplesmente desastraso, Federer parece estar de volta aos bons momentos. Tem apresentado um bom ténis, agressivo e a usar o court na sua extensão vertical com mais objetividade e eficácia. Além disso, Edberg, outrora conhecido por ter uma esquerda a uma mão monstruosa, parece ter ajudado Federer a afinar a sua esquerda, que já andava descalibrada há demasiado tempo. Após três rondas iniciais superadas sem grande dificuldade, Roger Federer entrou em court para defrontar Jo-Wilfred Tsonga na 4ª ronda. O francês é um péssimo match-up para o FedExpress pela intensidade que imprime nas suas pancadas. Nos últimos anos, tem sido dos tenistas que Federer tem tido mais dificuldade em superar. Apesar de Tsonga não ter estado ao seu melhor nível, Roger Federer fez uma exibição vintage, principalmente no primeiro e no terceiro set. Primeiro serviço com boa percentagem, usou e abusou do serve-and-volley, não deixou Tsonga terminar os pontos na rede aplicando os sempre difíceis passing shots na perfeição, e usou a direita para “matar” os pontos. Federer venceu em straight sets por 63 75 64. Irá defrontar Andy Murray nos quartos – de – final. Murray teve um quadro fácil até aqui, mas algumas dúvidas subsistem quanto ao seu estado físico. Murray esteve a recuperar de uma lesão nas costas (sempre muito complicadas para os tenistas), e parece ainda estar bem longe do seu melhor. No entanto, tem superado sem grande dificuldade os seus adversários, apesar de haver momentos onde ele procura racionalizar o desgaste e não arriscar nos seus serviços de forma a não acusar a lesão.

No circuito WTA, as surpresas têm sido em catadupa. A maior foi a eliminação na 4ª ronda da 1ª CS Serena Williams frente a uma Ana Ivanovic que parece estar de volta à sua melhor forma. Já na ronda anterior, Ana Ivanovic teve de superar uma sempre complicada Samantha Stosur(17ª CS) em 3 sets. Também na 4ª ronda, Dominika Cibulkova também eliminou a 3ª CS Maria Sharapova, que ainda parece estar à procura da sua melhor forma e a 8ª CS Jelena Jankovic foi eliminada por uma explosiva Simona Halep em 3 sets. Na terceira ronda, Garbine Muguruza eliminou a antiga número 1 mundial Caroline Wozniacki em 3 sets equilibrados, mas não aguentou o desgaste na 4ª ronda e foi eliminada. Atenção a esta tenista espanhola. Vai dar que falar na temporada de terra batida. De referir ainda que embora Na Li já se encontre nas meias finais, esteve à beira de ser eliminada na 3ª ronda, onde após perder o primeiro set para Lucie Safarova, teve de ir resgatar o segundo em tie-break. Venceu o 3º set confortavelmente, de qualquer forma.

Chegamos então, ao momento atual do torneio. Apesar de hoje jogar-se o último dia dos quartos de final, ontem já iniciaram-se as partidas. Thomas Berdych superou David Ferrer em 4 sets e Stanislaw Wawrinka surpreendeu ao superar o campeão atual e número 2 mundial Novak Djokovic num épico de 5 sets por 26 64 63 36 97, e estão nas meias-finais. Está desde já garantida a presença de um estreante na final de um Grand Slam. Parece-me que Wawrinka terá ligeira vantagem, mas terá de superar o desgaste físico, e sobre isso falarei quinta-feira. Nas mulheres, após Ivanovic superar Serena Williams, acabou por ceder frente à fortíssima newcomer Eugenie Bouchard por 75 57 26. Já Li Na não teve quaisquer dificuldades para superar Flavia Pennetta, que já se apresentava inferiorizada fisicamente.

Hoje temos os jogos Halep x Cibulkova, Radwanska x Azarenka, Nadal x Dimitrov e um escaldante Federer x Murray.

Halep x Cibulkova – Após uma temporada 2013 onde Halep escalou no ranking WTA até chegar aos top-30, Halep parece finalmente estar a cumprir o que era expectável de sua parte aquando dos seus anos enquanto júnior. Além disso, pela primeira vez está a superar a barreira da 3ª ronda nos Grand Slams, e já se encontra nos quartos-de-final, praticando um ténis extremamente arrasador para as suas adversárias. Já Cibulkova teve uma temporada 2013 bastante boa, e já foi responsável por eliminações arrasadoras nas primeiras 3 rondas, e ainda eliminou Maria Sharapova do Happy Slam, como referi anterior. Em termos de qualidade tenística, neste momento, Halep parece-me um degrau acima da eslovaca, mas são duas tenistas que não metem o travão nem por um momento e são muitos explosivas. Espero um jogo de elevada intensidade e bem disputado de parte a parte. Acredito que o jogo irá a 3 sets, e os primeiros 2 sets serão muito apertados, mas no terceiro set vejo Simona Halep descolar na partida, e marcar presença nas meias-finais. O jogo está a começar a ser disputado neste momento.

Radwanska x Azarenka – Este vai ser outro jogo escaldante, não tanto pela possível qualidade do jogo em si, já que ambas as tenistas não têm estado ao seu melhor, mas pela relação entre ambas. É conhecida publicamente a má relação entre as duas tenistas, e Radwanska irá fazer tudo para superar a bi-campeã Azarenka. Radwanska é uma das melhores jogadoras do circuito em termos tácticos, e sabe variar muito bem as suas pancadas e adaptar-se em função da sua adversária. O que nem sempre é bom, porque joga, na maior parte das vezes em função da adversária em vez de a manipular com o seu jogo. Será um jogo de extremos, já que Azarenka é um misto de counter-puncher com agressive baseliner, mas muito mais a última. Apresenta-se distante da sua melhor forma, mas julgo que Azarenka irá superar Radwanska e marcar presença nas meias-finais em 2 sets muito equilibrados e desgastantes.

Nadal x Dimitrov – Nadal enfrentará o búlgaor Grigor Dimitrov nos quartos de final, e Dimitrov não costuma ser presa fácil. Nos três encontros anteriores, conseguiu sempre roubar um set ao tenista espanhol, mas eventualmente Nadal não tem dificuldades em superar o búlgaro no set decisivo. Dimitrov já superou a barreira de nunca nada conseguir nos GS, e julgo que já não tem nada a perder. Irá tentar explorar as fraquezas de Nadal (a esquerda a duas mãos costuma ser algo inconstante nas paralelas) e executar bons serviços de forma a vencer o espanhol. No entanto, juglo que Nadal deverá conseguir superar Dimitrov. A minha aposta é Rafael Nadal 3-1.

Federer x Murray – Este é o prato principal do dia. Federer está em bom plano, como já referi anteriormente, e é dado como favorito marginal nas casas de apostas, embora ache que devia estar 50/50. Mesmo apesar de Murray dar indicações de estar longe do seu melhor, é sempre um tenista perigoso e tem-se revelado, a cada ano que passa, um futuro número 1 mundial após superar a barreira do top-3. O jogo começa às 8 horas portuguesas e acredito que vá ser um dos jogos do torneio. Noutro ano qualquer, diria que Murray iria vencer em 4/5 sets, mas Federer deu-me indicações que está com fome e irá querer vencer e provar que com 34 anos, está aí para as curvas. Murray também poderá acusar a sua lesão. Federer em 4 sets muito apertados, com um tie-break pelo meio.

Australian Open 1R

O primeiro Grand Slam da temporada começou na última segunda – feira sobre um calor abrasador. As temperatura elevadíssimas têm-se feito sentir nos campos de Melbourne, e enquanto tivémos cerca de 35ºC nestes dias, existem previsões de temperaturas superiores a > 40ºC (!!). Já deu para ver alguns bons jogos, mesmo apesar das horas proibitivas para quem trabalha durante os dias de semana.

Comecemos pelo circuito ATP, até agora sem grandes surpresas, apesar de uma desistência de um cabeça – de – série de quem muito se esperava. Primeiro, vamos falar do nosso João Sousa. Existiam expectativas em que este chegasse pelo menos à 3R pelo quadro dele, e até porque iria apanhar na 1R um qualifier. Infelizmente, saiu-lhe a fava: Dominic Thiem, um talentoso jovem que no espaço de 2/3 anos será top-20, ou até top-10. João Sousa deu uma excelente réplica, e até venceu o primeiro set por 7-5 após estar 4-5 abaixo, com Thiem a servir para fechar o set. A resiliência mental de João Sousa é uma das suas melhores armas. No entanto, o austríaco é um tenista de excepção para a sua idade, e soube vencer os três sets seguintes por 6-4 6-3 e 7-6(3). João Sousa ficou assim eliminado do primeiro GS da temporada, num torneio onde podia ganhar alguns pontos para cimentar a sua posição de top-50, mas teve azar no sorteio.
Verificaram-se alguns jogos bastante interessantes no primeiro dia da primeira ronda. O campeão em título Novak Djokovic superou o imprevisível Lukas Lacko por 6-3 7-6(2) 6-1 e enfrentará o acessível Leonardo Mayer na 2R. O polaco Jerzy Janowicz esteve para ser a surpresa do dia, pelos piores motivos. Ainda a recuperar de uma lesão, esteve 2 sets abaixo frente ao australiano Jordan Thomson, mas a soube-se superar e vencer por 1-6 4-6 6-4 6-2 6-1. Na próxima ronda irá jogar frente a Pablo Andujar, um tenista que não lhe deverá causar dificuldades se estiver em boa forma. O 7º CS Tomas Berdych não teve dificuldades em superar o cazaque Aleksandr Nedovyesov pelos parciais de 6-3 6-4. David Ferrer também seguiu em frente sem grandes dificuldades com uma vitória sobre Alejandro Gonzalez, por 6-3 6-4 6-4 e irá enfrentar um desgastado Adrian Mannarino que batalhou em 5 sets para superar o americano Steve Johnson. O tenista da casa Matthew Ebden protagonizou, talvez, uma das surpresas da jornada, ao vencer o experiente Nicolas Mahut e o seu astuto serve-and-volley propício de pisos rápidos (como este) em 5 sets por 6-3 5-7 6-4 0-6 6-3. No entanto, vai enfrentar o perigoso canadiano Vasek Pospisil na próxima ronda (superou Sam Groth 6-4 6-3 6-4) e não deverá conseguir muito desse jogo. Tommy Robredo e Julian Benneteau também seguiram em frente após superaram os seus adversários em 5 sets, e agora vão-se encontrar na 2R. Quem acusará primeiro o desgaste?

O segundo dia foi mais espetacular e começou com aquela que é a única semi-surpresa até agora. E digo semi, porque foi uma desistência. John Isner era favorito frente a Martin Klizan, mas desistiu do encontro após perder os dois primeiros sets por 2-6 e 6-7(6). Quanto aos cabeças de série, vida fácil para Rafael Nadal que eliminou Bernard Tomic após este desistir no final do primeiro set (6-4 para Nadal). Andy Murray também seguiu em frente sem dificuldades, ao atropelar Go Soeda por 6-1 6-3 6-3 e abafar algumas dúvidas quanto ao seu estado físico. Roger Federer teve de superar algumas dificuldades iniciais frente a James Duckworth para acabar a bom nível e vencer por 6-4 6-4 6-2. Juan Martin Del Potro (considerado como o grande outsider) perdeu o primeiro set por 6-7(1), mas esteve à altura e superou Rhyne Williams nos sets seguintes por 6-3 6-4 6-4. Destaque também para a épica batalha entre Andreas Seppi e Lleyton Hewitt, que terminou após 5 sets com vitória para o italiano por 7-6(4) 6-3 5-7 5-7 7-5, acabando com quaisquer hipóteses dos australianos sonharem. Gilles Simon superou Daniel Brands no encontro mais longo do dia, após quase 5 horas de encontro, num épico 6-7(4) 6-4 3-6 6-3 16-14. Tanto Kei Nishikori como Marin Cilic estiveram mal e apenas conseguiram seguir em frente após 5 sets, e não deverão chegar longe neste Grand Slam. Destaque também para as passagens de Gael Monfils e Grigor Dimitrov, dois talentos inconsistentes.

No circuito WTA tivémos a primeira grande surpresa do torneio no primeiro dia, após Petra Kvitova (6º CS) ter sido eliminada pela tailandesa Luksika Kumkhum, 88º do ranking WTA, por 2-6 6-1 4-6. As CS italianas Roberta Vinci e Sara Errani também foram eliminadas frente a Jie Zheng e Julia Goerges. O que até seria expectável, já que preferem pisos mais lentos. Serena Williams teve uma estreia auspiciosa, atropelando Ashleigh Barty por 6-2 6-1. Na Li (4º CS) também seguiu em frente após demolir Ana Konjuh por 6-2 e 6-0. A tenista da casa Samantha Stosur (17º CS) venceu Klara Zakopalova por 6-4 6-3 após ter perdido frente à mesma tenista 2 semanas antes. Destaque também para a eliminação de Laura Robson de forma brutal por Kristen Flipkens por 3-6 0-6 e para a vitória da canadiana sensação Eugenie Bouchard (30º CS) por 7-5 6-1 frente a Hao Chen Tang e terá de superar a sempre complicada Virginia Razzano na próxima ronda. Ana Ivanovic teve mais dificuldades do que o esperado, mas seguiu em frente após vencer Kiki Bertens por duplo 6-4. Ekaterina Makarova (22º CS) e Venus Williams protanoziram os espetadores com um belo encontro, com vitória para a russa após estar inúmeras vezes em desvantagem no marcador, pelos parciais 2-6 6-4 6-4.

O segundo dia reservou uma situação caricata: Alize Cornet passou para a fase seguinte em…5 minutos. Polona Hercog desistiu após 1-0. Viktoria Azarenka (2º CS e única possível ameaça a Serena Williams) teve de superar muitas dificuldades no primeiro set frente a Johanna Larsson, que desnorteou a belíssima tenista Bielorussa com o seu jogo de pés bastante evoluído. Mas nos momentos decisivos, a capacidade mental de Vika veio ao de cima e após estar duas vezes consecutivas numa posição apertada, com a adversária a servir para fechar o set, soube levar para tie-break e vencer por 7-6(2). O set seguinte foi mais fácil, vencendo por 6-2. A polaca Agnieszka Radwanska (5º CS, sempre uma ameaça a qualquer tenista) teve de superar Yulia Putintseva em 3 sets por 6-0, 5-7 e 6-2. Destaque especial para Caroline Wozniacki, que superou Lourdes Dominguez Lino por 6-0 6-2. Parciais que nem são muito o estilo dela. Será o efeito do anel de noivado?  Jelena Jankovic e Maria Sharapova seguiram em frente sem grandes dificuldades vencendo os seus encontros por 6-1 6-2 e 6-3 6-4, respetivamente. Destaque ainda para a eliminação da experiente Kuznetsova aos pés de Elina Svitolina por 3-6 3-6.

Benfica 2 x FC Porto 0 (Crónica)

O Benfica sagrou-se campeão de Inverno da Liga Portuguesa 13/14 após uma vitória sobre o FC Porto por 2-0, num jogo que fica marcado por ter sido “o” jogo de homenagem a Eusébio, recentemente falecido.

“Jota Jota” optou por entrar em 4-4-2, enquanto se esperava um 4-3-3 (até pelo bluff de Paulo Fonseca). Paulo Fonseca manteve o seu modelo de jogo usual, um 4-2-3-1 compacto e pouco flexível. Ambos mantiveram-se fiéis às suas origens. Numa análise preliminar, dir-se-ia que que Paulo Fonseca poderia ganhar o controlo do meio – campo contra uma linha de pressão preenchida apenas por Enzo e Matic. Mas não foi isso que se verificou.

O jogo começou com uma entrada forte do Benfica, mesmo apesar do FC Porto ter tido uma bela oportunidade para se colocar em vantagem, mesmo apesar de Jackson Martinez estar adiantado no momento do cruzamento de Carlos Eduardo. Talvez inspirados por Eusébio, o Benfica não baixou a guarda nem se amedrontou (como costuma ser normal nos jogos contra o FC Porto), e Markovic provou porque razão ter de ser pressionado a partir do momento que pega na bola, com duas linhas de pressão. Correu sem ninguém o parar, e passou para Rodrigo efetuar um excelente remate cruzado, sem hipóteses para Helton. Estava feito o 1-0. Até ao final da primeira parte, o Benfica abdicou um pouco do sector atacante, mas sempre a defender bem e suportados por um Matic em alta rotação. Só nos minutos finais da primeira parte o FC Porto conseguiu domínio territorial e viu Jackson Martinez falhar com a baliza escancarada. Está completamente fora de forma o craque colombiano.

A segunda parte mostrou um Benfica a entrar com a mesma força da primeira parte, e podem-se queixar de um penalty por assinalar a favor, por mão de Mangala. Grande erro de Artur Soares Dias. Mas na sequência, Garay fez o Estádio da Luz ebulir com o cabeceamento para o 2-0. A organização defensiva do FC Porto no lance deve ser vista e revista. Que desorganização!

Até ao final, o Benfica soube controlar as operações, até ao ponto da vitória parecer inevitável. Parecia estar escrito nas estrelas, em homenagem ao King. O FC Porto tentou, mas foi uma equipa sem capacidade de superar a organização e segurança defensiva deste Benfica. O desespero do FC Porto levou a Jackson Martinez empurrar Maxi Pereira e Danilo a simular um penalty na tentativa de enganar Artur Soares Dias. Mas este não foi na cantiga e deu o segundo amarelo ao Brasileiro, e consequente expulsão. Perto do final, poderia ter ficado 3-0, mas talvez fosse exagerado para as oportunidades criadas pelo Benfica. No entanto, o resultado não merece qualquer discussão. Vitória justíssima de um Benfica que esteve razoavelmente bem contra um FC Porto, uma vez mais, péssimo.

O Benfica não fez um jogo brilhante em termos exibicionais e com nota artística, mas fez um jogo cheio de alma e manteve-se sempre organizado. A chave esteve no meio-campo, que ditou a lei da partida. Matic e Enzo foram os melhores em campo, este último excelente em todos os processos efensivos e ofensivos. Está feito um médio-centro de mão cheia! Oblak transmite outra segurança na baliza em relação a Artur (que encostou de vez, ao que parece) e Garay este intransponível. Uma nota positiva para Rodrigo pelo golo e para Markovic, que fez o jogo mais consistente desde que está no Benfica. Será um jogador de grandes jogos? Por fim, deixo o elogio para Jorge Jesus. Quando muitos colocavam dúvidas na sua permanência, e mesmo apesar de todos os insucessos, o Benfica está no primeira lugar no final da primeira volta, mesmo apesar de não estar a jogar o melhor futebol ou de ter tido momentos de alguma sorte desde o início do campeonato. Foi inteligente na abordagem ao jogo, viu que a chave estava em ganhar o meio-campo e foi isso que fez.

Quanto ao FC Porto, é deveras surpreendente ver o estado a que chegou o Campeão Nacional, ao ponto de me perguntar como é que o FC Porto tem apenas menos 3 pontos que o Benfica e menos 1 ponto que o Sporting. Mais uma vez, e tal como em Alvalade, Paulo Fonseca entrou à clube “pequeno”, e jogou primeiro para não perder, e depois para tentar ganhar por obra do Espírito Santo. Infelizmente, Paulo Fonseca não contou com um super GR desta vez. O Benfica, tal como o Sporting, soube aproveitar o facto do meio-campo do FC Porto ser excessivamente estático através de linha de pressão bastante eficazes, o que permitia uma recuperação de bola uns metros à frente, e um consequente aumento da percentagem de posse de bola. Comparativamente com a era Vítor Pereira, era impensável acreditar que o Benfica seria capaz de ter mais posse de bola do que o FC Porto (51% contra 49%). Este FC Porto não é aquele FC Porto dos últimos 10 anos, cuja identidade vincada obrigava grande parte das equipas a subjugarem-se ao seu modelo de jogo, e não o contrário. O FC Porto, se quer ser campeão, não pode jogar assim. Muita coisa terá que mudar no reino do Dragão, e uma chicotada psicológica não seria descabida, em minha opinião.

É também incompreensível como certos jogadores têm lugar nesta equipa, como por exemplo Licá. Mais uma péssima exibição do avançado interior, embora grande parte do seu sub-rendimento seja relacionado com o modelo de jogo de Paulo Fonseca. Licá é um jogador de transições e de jogar no espaço à procura das diagonais e não de apoios frontais ao portador da bola e de fintas curtas. Otamendi também esteve péssimo, e cada vez mais acho que Maicon – Mangala é a melhor dupla de centrais do FC Porto. Esteve péssimo no capítulo do passe, principalmente na primeira parte. Contudo, Mangala também não esteve bem, e parece ceder em jogos importantes. Já não é a primeira vez. Apenas um jogador do FC Porto esteve ao seu nível: Fernando. A seleção está à espera dele, seria um excelente “reforço” para o Mundial 2014.

Luis Filipe Vieira e as mentiras que passam por verdades

«Especula-se muito sobre jogadores portugueses, mas as pessoas esquecem-se que isto não é só carregar num botão. Trabalho para ter um Benfica made in Benfica. Se houver saídas, de certeza que as entradas serão da equipa B, com exceção a duas posições, por não termos alternativas: defesa esquerdo e ponta de lança. Tudo será da nossa casa. Também será uma homenagem a Eusébio, que criticava muito o facto de não termos jogadores portugueses e da nossa formação. Em 2020, de certeza mais do que 60 ou 70 por cento dos jogadores do Benfica serão formados na nossa casa»

Estas declarações foram proferidas pelo presidente do Sport Lisboa e Benfica, há 2 dias atrás, um 1 dia após a morte de Eusébio.

Nota-se no futebol português em geral, mas principalmente no Benfica, a existência regular de mentiras que ditas muitas vezes, passam por verdades. Ao que parece, e pelo que diz Luis Filipe Vieira, o facto do Benfica vir a ter mais jogadores portugueses na equipa principal, podendo ascender até 60/70% dos jogadores do plantel principal, funcionará como um homenagem a Eusébio.

O que muitos se esquecem ou não sabem é que a mudança de mentalidade em termos de gestão que Luis Filipe Vieira revela não é uma promessa ou uma vontade. É uma consequência. Sem entrar em demasiado detalhe, é o resultado do enorme acumular de dívida que o Benfica contraiu desde a entrada de Vieira. Os relatórios financeiros demonstram-no todos os anos, e a dívida apenas tem sido abatida ou disfarçada com muita engenharia financeira, contração de empréstimos atrás de empréstimos para fazer a obra (o que sempre engana uns quantos) e sustentar alguns buracos, e venda de activos todos os anos em valores totais superiores a 50M€. Ah, e alguma lavagem de dinheiro. Sim, porque as vendas e empréstimos a clubes asiáticos e as trocas e baldrocas com a malta lá de Espanha (principalmente Atlético de Madrid) são coisas de santo, querem ver?

O problema vai ser quando o Benfica não conseguir 80M em venda de ativos todos os anos. Ou quando falhar a passagem para os oitavos da Champions dois anos consecutivos. Ou quando o estádio não encher excepto em dias de clássico porque a equipa não joga bem e os adeptos estão divididos em relação ao treinador e fartos de certas “divas” que continuam pelo onze titular (Artur, Maxi Pereira, Luisão). Ou quando os jogadores continuarem a renovar sem saírem, com salários em tom crescente, com seria expectável. Em suma, tudo o que está a acontecer.

Convém ir lembrando que o Benfica poderá estar bem mais próximo de uma fatalidade do que muitos julgam. Um sinal dos tempos. Um sinal também que a imprensa pode estar a ser usada e manipulada. E quem olhar para o Correio da Manhã de hoje também irá perceber porque digo isso. A única chance de sobreviver é baixar drasticamente os custos e expectativas e usar em grande parte o material da casa para sobreviver ou sustentar. Mas felizmente para Vieira, essa já é uma verdade universal, é uma homenagem a um grande ícone do Benfica e de Portugal e a sua obra e a sua forma de pensar é magnífica. Até ao dia.

PS: Ao menos que isto dos jogadores portugueses sirva para dar oportunidade ao Bernardo Silva, que ainda continua na equipa B do Benfica e ninguém sabe porquê.

Prendas “futebolísticas”!

Aproveito desde já para desejar um Feliz Natal a todos os autores e leitores do Tudo Ao Molho! E neste Natal, recebi dois livros que me dão leitura para uns meses:

Este não estava à espera, mas decerto deve vir das conversas de corrupção ativa e manipulação de resultados (que também deriva um pouco da minha faceta de apostador na bet365) que de vez em quando falo nas conversas com amigos e família. E é um livro de referência relativamente às palavras-chave FIFA e corrupção.

Por este eu estava à espera, e já estava de olho há muito tempo. Basicamente, é um livro de referência relativamente às ideias e metodologias dos treinadores mais conceituados do planeta. Também aborda as suas maiores decisões relativamente a jogadores específicos, grupo de trabalho e gestão em geral. Provavelmente o melhor livro de motivação e liderança no mercado relativamente ao futebol, mas perfeitamente aplicável além-futebol.  Mandei vir da amazon.co.uk (está a cerca de 15€) e se fizerem compras no valor de 35€, sendo este livro uma delas, os portes são grátis.

Espero falar sobre ambos por cá, brevemente.

Novela André Villas-Boas #1

“A Imprensa inglesa revela que o treinador português André Villas Boas foi contra quatro das sete contratações realiazadas pelo presidente do Tottenham, Daniel Levy.

De acordo com o Daily Mail, Villas Boas pediu ao presidente que garantisse João Moutinho, Hulk e David Villa, mas em vez disse chegaram Erik Lamela, Nacer Chadli, Vlad Chiriches e Christian Eriksen, que custaram no total 67 milhões de euros.

Dos sete jogadores que chegaram apenas Paulinho, Capoe e Soldado tiveram o aval do treinador português.

Depois, o relacionamento entre o diretor técnico Franco Baldini e Villas Boas não era bom, porque o treinador ficou no plantel com jogadores que não pediu.”

Pois é, pois é. Afinal parece que o AVB não é o único de mão dada com a culpa.