Da Champions #21

Jogo na Baviera, que opôs Bayern Munique de Guardiola, o campeão em título da Champions e o já renovado campeão da Bundesliga, ao Manchester United da Premier League. Na primeira mão em Old Trafford aconteceu o que não era esperado, o Bayern a jogar no estilo característico de Guardiola não conseguiu sair de Inglaterra com a vitória, apesar de ter dominado o jogo a seu bel prazer e reduziu-se a apenas um empate a uma bola. O golo fora era bom, mas não bastava para o que poderia ser uma revanche do Manchester na Baviera.

No entanto o jogo de hoje foi um jogo em tudo diferente. O Bayern entrou a acusar algum nervosismo, parecia que Guardiola teria pedido aos seus comandados para decidirem o jogo rapidamente e poderem relaxar depois, ou então entrou a acusar a pressão dos últimos resultados pós confirmação do campeonato (empatou a 3 com o Hertha e perdeu com o Augsburgo). Isto revelou-se sobretudo na atitude de alguns jogadores. Robben parecia querer decidir o jogo só por si e Dante foi acumulando alguns erros, chegando mesmo a permitir que Rooney chega-se com perigo à baliza de Neuer, no entanto o Inglês desperdiçou aquela que pode ter sido a oportunidade da primeira parte para ambos os lados.

Nas estatisticas e como é característica das equipas de Guardiola, o Bayern goleou de longe, desde os abismais 63% contra 37% da posse de bola às 14 bolas metidas na direcção da baliza contra as 4 do Manchester, simplesmente se viu Bayern, o problema é que quem ganha jogos não é a estatística, mas sim a eficácia e nisso o Manchester esteve por cima.

Que o diga Evra, que logo perto do reatar da partida conseguiu num estrondoso remate colocar os red devils em vantagem, depois de um grande trabalho de Valencia na direita, a passar por três jogadores do Bayern e a evitar que a bola saísse, este coloca a bola tensa para a entrada da área, sobre o lado esquerdo, onde apareceu Evra, que com um remate portentoso e cheio de colocação colocou a bola indefensável no fundo das redes. Nesta fase Moyes respirou de alívio, os próprios adeptos do Manchester pensaram que o jogo estaria bem encaminhado para um bom fim e que bastaria gerir o resultado, mas quem assim pensou caiu no erro, pois imediatamente na jogada seguinte Mandzukic apareceu na frente a finalizar de cabeça uma boa bola colocada por Ribery, após boa combinação com Lahm. Estava assim relançado o resultado, o jogo e a eliminatória. No entanto depois deste rude golpe, o Manchester claramente foi abaixo e pouco mais se viu, sendo que o Bayern aproveitou, meteu o pé no acelerador e só parou aos 3-1, fechando a eliminatória e conseguindo carimbar a passagem às meias com facilidade.

O segundo golo é conseguido por Muller depois de assistência de Robben e onde Vidic fica mal na fotografia (De Gea também não fica isento de culpas) uma vez que deixa Muller praticamente solto sem marcação e antecipa-se mal à bola, sendo que o Alemão apenas tem de empurrar para o fim da baliza. O último golo pertence a Robben, ele que tanto queria decidir o jogo na primeira parte e que na segunda explanou todo o seu perfume de futebol sobre a relva e conseguiu assistir e ainda vir a marcar, num golo em que finta 3 defesas do United, insiste, flecte para o meio e finaliza, colocando a bola rente ao poste, sem hipótese para De Gea (aqui sim se viu o Robben egoísta e individualista).

Se o Manchester e David Moyes tinham ganho o balão de oxigénio na primeira mão desta eliminatória e se achavam que a época ainda podia ser salva, apesar de dificilmente tal acontecer, agora essa ideia parte totalmente para fora da mente de qualquer um. Numa equipa em reconstrução e que está já a pensar mais na próxima época que na presente, já pouco se pode fazer, resta aos homens de Manchester fechar o livro, tomar como exemplo (mau) aquilo que se passou e melhorar bastante para o ano seguinte. O Manchester tem capacidade de reverter a situação, De Gea, Welbeck, Fletcher, Kagawa, Januzasj e mesmo Chicharito têm capacidade de fazer e dar muito mais, mas definitivamente este não foi o seu ano (talvez David Moyes não saiba potenciar todo o seu talento).

Do lado do Bayern, Pep Guardiola é um homem feliz, está nas meias finais da Champions, tem já o campeonato arrumado, tem uma equipa que se pode dar ao luxo de montar um meio campo com Gotze, Muller, Kroos, Robben e Ribery, que dificilmente são jogadores que no seu conjunto perderão para qualquer meio campo de outra equipa. Neste momento é uma incógnita, porque nas meias-finais estarão equipas bastante fortes, mas este Bayern pode ter aqui palavra mais forte a dizer sobre uma eventual repetição do que se viu na final do ano passado.

 

Da Champions #22

Terminou há minutos (no Vicente Calderón e no Allianz Arena) mais uma eliminatória da Champions. Arrisco-me a dizer, em breves palavras, que os quartos-de-final da edição deste ano poderão ficar na história como uma das melhores rondas de sempre da história da prova. Não posso dizer que a ronda tenha tido um único jogo desinteressante nos 8 jogos disputados.

No frenético, entusiasta e saudosista Vicente Calderón, a abarrotar de vermelho, 40 anos depois, o Atlético de Madrid (do mago Simeone; que deliciosa ironia!) volta a atingir as meias finais da prova. 40 anos depois do feito histórico protagonizado por um dos seus maiores símbolos, o recém falecido Luis Aragonés, um dos grandes craques da equipa colchonera que disputou a final da Taça dos Campeões Europeus na época 1973\1974 precisamente contra o Bayern de Munique, um dos possíveis adversários colchoneros nas meias-finais da prova ou até mesmo na final.

Não tenho qualquer pejo em afirmar que, caso este Atlético consiga vencer campeonato e champions, o triunfo é absolutamente merecido. O trabalho que Diego Simeone tem feito numa equipa teoricamente considerada por grande parte da imprensa internacional como um eterno candidato ao 3º lugar em Espanha, está, de que maneira, a baralhar as contas de meia europa.

A crónica mais detalhada sobre a partida do Calderón fica para amanhã. Como amante da arte do futebol, preciso de rever o jogo (ou grande parte deste) para o poder descrever minuciosamente. Acredito que para descrever um jogo destes, ou se descreve com minúcia ou então é preferível não o descrever de todo. Em traços gerais, a entrada do Atlético na partida, ao contrário do que previa (previa um Atlético capaz de colocar um ritmo lento na partida para impedir que o Barça entrasse a todo o gás e pudesse marcar cedo) foi demolidora. Não só pelo golo obtido por Koke, pelas 3 bolas aos ferros da baliza de Pinto mas pela desconcentração pura e pelo nervosismo miudinho que o jogo rápido e açucarado praticado pela equipa de Simeone provocou na incipiente (no jogo desta noite) equipa de Tata Martino. Assertivo também creio afirmar que os catalães sentem algum nervosismo quando não tem bola nos pés. Naturalíssimo dada a matriz em que assenta a sua filosofia de jogo: a posse de bola. Contudo, o nervosismo sentido por Xavi, Messi, Iniesta e seus pares no rectângulo plantado a meio da onda vermelha madridista, resultou, em traços largos, numa enorme quantidade de disparates defensivos na primeira parte (a pressão alta executada pelos colchoneros no meio-campo catalão seguida quase sempre de um recuo das linhas sempre que a equipa da cidade condal conseguia cruzar o meio-campo com bola, obrigou o Barça a jogar mal na saída de bola e a não conseguir meter a bola entre linhas como de resto costuma fazer; Iniesta-Messi-Iniesta com entrada do espanhol em zona de finalização; Iniesta-Messi-Neymar com entrada do brasileiro no espaço livre) numa dificuldade enorme que os catalães tiveram em conseguir arranjar espaço para criar desiquilíbrios (Neymar foi o único capaz de desequilibrar) – por seu turno, o Atlético sempre que foi lá à frente criou perigo. Com Villa a receber mais jogo nos flancos e Adrian com um hábil jogo de área (o avançado também procurou empurrar várias vezes a equipa lá para a frente através de arrancadas individuais quando conseguia ganhar a bola no meio-campo) a equipa ganhou uma enorme mobilidade (com Diego Costa, apesar de Gabi, Koke e Arda serem os mágicos que bem conhecemos, o jogo torna-se ligeiramente mecanicizado para a corrida do avançado naturalizado espanhol) e uma enorme profundidade, que, a bom da verdade, foi a chave do sucesso desta passagem histórica do Atlético. Outra das chaves do sucesso foi a colocação do brasileiro Diego na 2ª parte e o fantástico golo apontado pelo antigo jogador do FC Porto em Camp Nou. Em Madrid começa-se a acreditar que a presença de Diego Ribas no clube é sinónimo de conquistas!

P.S: Monstruosa exibição do nosso Tiago. Posicionamento perfeito do português em campo. É pena o facto do antigo jogador de Benfica, Lyon e Chelsea já ter renunciado à selecção. Na forma em que se encontra é uma mais valia de caras para o meio campo da nossa selecção.

P.S 2: Messi e Iniesta – O primeiro eclipsou-se por completo. Nem pareceu estar em campo. O 2º foi mais marcado que o quinto dos infernos. Quando tinha bola caiam imediatamente três jogadores do Atlético. Simeone sabia perfeitamente que era daqui que vinha metade do perigo deste Barcelona.

No Allianz Arena vi que o Bayern sofreu a bom sofrer para bater o Manchester United. Deixo o comentário para o meu colega de blog André Simões. Não vi o jogo mas gabo desde já David Moyes. Fiquei com a ilacção que contra o Bayern, toda a gente poderá ter visto o melhor Manchester United da temporada.

Curiosidades da Champions

José Mourinho continua a acumular recordes ao seu currículo e à lista dos recordes portugueses (lembro que Ronaldo já igualou o recorde de golos marcados numa época com 14 golos, a primeira marca pertence a Messi, na época 2011/2012) com a passagem às meias-finais da Champions, o que mantém o treinador português 100 por cento vitorioso no que diz respeito a trajectos nesta competição até aos quartos de final (passagem de eliminatórias), sendo esta a oitava vez que Mourinho carimba a passagem para as meias da competição.

Curiosidade é o facto de no jogo de ontem terem sido dois substitutos aos habituais titulares a decidirem o jogo (Schurrle e Demba Ba), o que motiva ainda outra curiosidade pois é a primeira vez esta época que dois suplentes marcam e decidem um jogo.

Digam o que disserem, eu próprio já tinha crucificado o Chelsea nesta eliminatória e nunca pensei que viesse a dar a volta, no entanto a vitalidade do golo marcado em Paris e o discurso correcto e motivacional de Mou ao longo da semana fez com que a história se escrevesse de outra forma.

Por outro lado, em Espanha o Real também quebra recordes e ontem viu-lhe ser atribuída a passagem à sua 30ª meia-final europeia, no entanto e por ter perdido o jogo por 2-0 com o Dortmund, ficou arredado da sua série de 34 jogos consecutivos a marcar.

interlúdio

aquele momento mágico em que nos apercebemos que algo não vai bem no seio de um clube: no Barça vs Atlético de Madrid há um livre à entrada da área a favorecer os catalães. Neymar aproxima-se do esférico, agarra a bola mas de imediato,  Lionel Messi tira-lhe o esférico e faz sinal que seria ele a bater o livre. O brasileiro sai do local e uma câmara capta em câmara lenta o brasileiro a afirmar “esse argentino filho-da-puta”…

Da Champions #15

diego costa 3

Juntando 2 golos aquele que foi marcado em San Siro, Diego Costa foi literalmente metade do sucesso do Atlético de Madrid nesta eliminatória frente ao Milan. O avançado leva 7 golos na competição e continua a consolidar o seu estatuto como grande vedeta do futebol mundial.

Serão precisos 16 anos para que a máquina do tempo voltar a recordar o último estado de euforia colectiva dos aficionados colchoneros. Há 16 anos atrás, em 1996, na jugular da era Gil y Gil (o tal irrascível que não tinha problemas em despedir treinadores após 2 derrotas consecutivas) quando Diego Simeone dominava por completo as batalhas de meio-campo e era um dos esteios do sucesso da equipa de Radomir Antic, campeã nessa temporada de 1995\1996, o Atlético de Madrid assumia-se de forma determinante como um dos grandes do futebol espanhol e uma equipa capaz de construir uma página de história europeia para o clube da capital espanhola. 2 anos depois viriam os primeiros problemas com a destituiçao de Jesus Gil y Gil da Alcaidaria de Marbella e os processos judiciais que foram movidos pelo Ministério Público Espanhol na sequência do acto. O fosso financeiro encontrado no Atlético de Madrid chegou inclusive a motivar que os tribunais nomeassem uma comissão de administração para gerir os destinos do clube, nessa altura, em 2000\2001, na 2ª liga espanhola. Nao menosprezando as conquistas europeias de 2010 e 2012, a primeira, alcançada com uma sensacional campanha europeia realizada por Forlán e Kun Aguero e a segunda alcançada, por obra e graça de um tal de Radamel Falcão, acompanhado de perto por um conhecido nosso de nome Diego Ribas da Cunha, por sinal, de regresso ao Vicente Calderón por empréstimo do Wolfsburg. Premonição de mais uma vitória Europeia? Sim, tudo é possível. Este Atlético já se provou capaz esta época de lutar taco-a-taco contra os grandes espanhóis e fazendo minhas as palavras do lateral Felipe Luis, este Atlético “é capaz de eliminar quem quer que venha”.

O Atlético de Simeone entrou na sua máxima força. O herói da vitória de Vigo (2-o ao Celta nos Balaídos) David Villa teve que sair do 11 para entrar a grande estrela da equipa, Diego Costa. Na defesa e no meio-campo, Simeone contou com o seu arqué-tipo. Courtois na baliza; Felipe Luis na esquerda, Juanfran na direita; Godin e João Miranda no centro; como o jogo exigia um médio mais musculado ao lado de Gabi (dados os 2 panzers que o Milan iria apresentar em campo; Nigel de Jong e Essien, com Poli à frente com tarefas construtivas), Simeone optou por dar a titularidade a Mario Suarez; na frente destes, o trio de virtuosos; Turan, Koke e Raul Garcia; este último no apoio a Diego Costa.

Por seu lado Seedorf, quis encarar o desafio como uma das hipóteses concretas de, em caso de vitória, salvar uma época irremediavelmente perdida. O jogo de Madrid poderia dar ao holandês mais uma fichinha europeia ou ditar o adeus dos rossoneri às competições europeias por algum tempo. Não estando em condições de lutar pelas competições europeias na Serie A (o Milan já está a 9 pontos do 5º lugar), este Milan arrisca-se a ficar a ver as competições europeias durante alguns anos. Com uma crise directiva enorme (apesar do regresso mais ou menos tácito de Silvio Berlusconi ao gabinete de San Siro e das investidas que tem feito junto de investidores qataris para dotar novamente o Milan de condições para investir forte e feio, o que é certo é que o período em que a sua filha Barbara assumiu o clube, provocou uma autêntica rebaldaria no seio do clube, motivando inclusive a demissão do director-geral do clube Adriano Galliani, um dos vértices do sucesso da equipa Milanesa nos últimos 30 anos), com péssimas escolhas ao nível de staff técnico (continuo a afirmar que esta escolha de Clarence Seedorf para o comando técnico do Milan tem tanto de desespero como de infelicidade) e com um plantel super desequilibrado (em várias posições; existem jogadores que já estão a acusar o peso da idade; a contratação de Balotelli não resolveu nenhum problema e pelo contrário, agudizou o fraco rendimento demonstrado pela equipa; as saídas de Thiago Silva e Zlatan chacinaram por completo qualquer hipótese deste Milan voltar a ganhar o scudetto) este Milan arrisca-se a ter que começar tudo da estaca zero. Apesar da direcção dos rossoneri já ter afirmado por várias vezes que é necessária uma renovação total do balneário, pensada, estruturada, certeira (não há mais margem para erro), essa renovação tem tardado e tem sido feita de forma totalmente errada.

Em Madrid, o Milan apresentou-se também com poucas baixas. Seedorf deu a titular a Emanuelson na esquerda, Abate na direita, Bonera e Adil Rami no centro da defesa; o meio campo musculado com De Jong, Essien e Poli (o Milan precisava de mais qualquer coisinha neste campo, mas as soluções do plantel não abundam; o melhor que há por Milão neste momento para o meio-campo é Sulley Muntari, um jogador que não acrescenta literalmente nada ao futebol do Milan) Kaka na esquerda, Taarabt na direita e Mario Balotelli na frente do ataque. A meio da partida, Seedorf foi tentando revolucionar as coisas, colocando o brasileiro no apoio a Balotelli, Poli na direita, Taarabt mais ao centro e Essien mais à esquerda, embora com tarefas mais defensivas para permitir as subidas de Emanuelson, um homem que faz muito bem todo o corredor esquerdo.

Um início de jogo desastroso…

A primeira falha defensiva da partida ditou a bitola do jogo logo aos 2 minutos. Essien recuperou uma bola junto à linha lateral no flanco esquerdo dos milanistas, perdeu para Gabi, este com um toque simples fê-la chegar a Koke e Koke, com os seus prodigiosos processos técnicos colocou a bola com conta, peso e medida na área, onde, sem marcação, nas costas dos centrais apareceu Diego Costa a esticar a perna e a fazer o primeiro da partida. Não poderia começar melhor este Atlético de Madrid, perante um eufórico público de Vicente Calderón, deixando desconfiar que a eliminatória tinha sido resolvida logo ao minuto 2. Engane-se quem assim pensa… a espaços, o Milan foi reequilibrando a partida e esteve muito próximo de fazer a remontada ainda a meio do primeiro tempo.Enquanto Abbiatti berrava com os seus centrais pela falha crassa cometida, Seedorf interrogava-se no banco como é que tinha sido possível falhar daquela maneira. Imagino o que vai na cabeça de um treinador num lance destes. Todo o trabalho de dias, toda a análise que tinha sido feita à equipa de Madrid e todo o esquema consequentemente montado para anular a superioridade ofensiva dos colchoneros tinha caído ali aos 2 minutos de jogo.

Os jogadores do Atlético empolgaram-se. Diego Costa tentou rasgar pelo miolo em acções individuais. Apostando num futebol inteligente, o carrossel do meio-campo de Simeone (Gabi, Koke, Turan, Raul Garcia) começou a praticar um futebol adocicado de posse, acelerando o jogo quando mais lhe convinha ou quando uma brecha era vislumbrada na defensiva do Milan para tal. Através da sua qualidade técnica, Koke e Arda enchiam a partida de processos simples, alternando entre o passe curto e aberturas a rasgar para a entrada dos laterais nos flancos. O jovem de 22 anos formado na cantera colchonera e o turco foram de resto os melhores em campo, brindando a assistência com um futebol que tem tanto de delicioso, como de inteligente, como de matreiro. E Diego Simeone tem o mérito de puxar, para já, o melhor futebol deste quarteto de meio-campo.

Só por volta do minuto 13 é que a equipa do Milan teve alguma posse de bola no jogo. Uma posse muito tímida, a bom da verdade. Como é seu apanágio, os jogadores do Atlético recuaram e aplicaram a sua defesa profunda de linhas muito recuadas mas também muito articuladas entre si, com as unidades muito próximas e muito pressionantes e retiraram espaços para a equipa italiana poder aplicar uma resposta adequada. Os italianos foram pacientes e os seus esforços viriam a dar resultados mais tarde.

Em destaque pela positiva nestes primeiros 20 minutos esteve a arbitragem do inglês Mark Clattenburg. Perante um desafio disputado por duas equipas com jogadores ora demasiado explosivos (Balotelli, Diego Costa; capazes de passar jogos inteiros em picardias) ora com jogadores demasiado caceteiros (De Jong, Bonera, Rami, Godin, Mario Suarez), o inglês adoptou uma postura rígida de forma a poder controlar o jogo. O inglês não foi de palavreados e sacou do amarelo por duas vezes nos primeiros 10 minutos, um por Raúl Garcia por falta a meio-campo, outro para Rami por falta sobre Diego Costa. Com a atitude do inglês, ganhou o futebol.

Só depois do minuto 24 é que o futebol do Milan começou a ganhar alguma ideologia e algum nexo. Até lá, o máximo que os rossoneri iam tentando fazer no ataque era despejar bolas para as alas, à procura de Taarabt e Kaka. Se o franco-marroquino andou algo desaparecido do jogo na primeira parte (sendo substituído ao intervalo por Robinho), o futebol do Milan só ganhou expressão quando Seedorf mandou alterar a esquemática da equipa para a situação acima enunciada. Aos 24″ Abate cruzou da direita, Balotelli recebeu no peito e tentou o remate. Estorvado por Raul Garcia e Miranda acabou por cometer falta se bem que, o avançado italiano pediu penalty. A fava que saiu no jogo de Amesterdão (o Milan empatou com um penalty totalmente forjado por Balotelli nos minutos finais da partida) não saiu em Madrid. Muito atento aos lances, Clattenburg foi ajuizando com total assertividade.

Foi neste incremento de futebol do Milan que o golo do empate apareceu: aos 26″, num dos únicos momentos de desconcentração da atitude defensiva do Atlético, surgiu uma descompensação aquando de um canto do Milan. Balotelli abriu para a direita para Andrea Poli e este, aproveitando algum espaço concedido por Felipe Luís, centrou para o 2º poste onde apareceu Kaka a cabecear para o fundo das redes de Courtois com a bola a ser ressaltada na perna de Godin. Mesmo assim duvido que o belga pudesse defender a cabeçada de Kaka visto que Kaka queria cabecear por alto e o belga já estava a cair.

Empolgam-se os rossoneri…

Os vários adeptos do Milan no Vicente Calderón silenciaram a Frente Atlético e os italianos cresceram exponencialmente no jogo com o golo. Marcando um 2º golo num espaço de tempo imediato, não só passavam para a frente da eliminatória como poderiam deitar a equipa de Simeone em maus lençóis. O que é certo é que o golo desconcentrou por completo a equipa espanhola. O seu meio-campo teve o seu curto ocaso no jogo, o Milan obrigou a equipa a jogar mal, e de um desses lances, Godin vai ao meio-campo cabecear uma bola totalmente inofensiva, coloca a bola nos pés de Poli que lança de imediato Kaka num contra-ataque 2 para 2. O brasileiro avança e vê Balotelli com hipóteses de se isolar pela esquerda. Quando tenta lançar o ponta-de-lança, o brasileiro acaba por exagerar no passe e permite a saída de Courtois para controlar a posse do esférico.

Os adeptos rossoneri acreditavam. Dois minutos volvidos, o Milan tem a melhor chance para dar a remontada: canto curto batido na direita por Emanuelson para Taarabt, o franco-marroquino com um toque de classe faz o melhor lance da sua prestação da partida ao tirar um adversário da frente e centra para o coração da área para Kaka, sem marcação na cara de Courtois, a atirar por cima da barra.

Como quem não marca, sofre…

Os comandados de Simeone re-alinharam baterias e um pouco contra-a-corrente do jogo voltaram a deixar a sua pegada na partida, quando aos 39″ Koke solicita Diego Costa à entrada da área e o brasileiro, com inteligência, amortece no peito para o remate de rompante de Arda Turan contra Rami. Apesar da intencionalidade do remate em força, a bola desvia no central e trai Abbiatti. O Atlético ganha nova pujança e os colchoneros vão para cima da equipa de Seedorf: uma combinação entre Koke e Juanfran no flanco direito permite ao lateral ganhar a linha sem qualquer opositor e central para o centro da grande área para um espantoso pontapé de bicicleta de Raúl Garcia que sai ligeiramente ao lado da baliza de Abbiatti. Se esta bola entrasse, seria claramente candidata a golo do ano da prova.

Até ao final da partida, destaque apenas para o amarelo que Mark Clattenburg mostrou a Balotelli por protestos.

Ao intervalo: a equipa do Atletico foi mais feliz numa fase em que o Milan controlava a partida e estava mais próxima do 2º golo. Mais um jogão fantástico do meio-campo do Atletico, apesar do meio-campo do Milan estar a ter uma prestação também fantástica. De Jong e Essien estão a meter muito músculo no meio-campo e a tentar livrar a equipa do tenebroso jogo de passes que Gabi, Koke e Arda fazem no meio. Para mim, Arda e Koke foram claramente os melhores em campo no primeiro tempo. A quantidade de jogo que estão a criar, ora combinando com os laterais de ambos os lados, ora construído entre si, ora construído nas ligações que tentam estabelecer com Diego Costa estão a ser o principal factor desiquilibrador do jogo. Sinal mais para Kaka e Poli. Taarabt apareceu num único lance. Candidato à saída. Facto que viria a acontecer para a entrada de Robinho.

Os colchoneros iniciaram a 2ª parte a mandar no jogo. Logo aos 47″, de um canto do Milan correspondentemente cortado por Juanfran quando Kaka preparava-se para rematar, a bola chega aos pés de Diego Costa que segue em velocidade para o meio-campo do Milan. Apercebendo-se da subida em velocidade de Koke pelo flanco contrário, já em pleno meio-campo dos rossoneri Diego Costa rasga um passe para o seu colega de equipa que remate ao poste de Abbiatti.

O ritmo de jogo baixou. Entretanto Simeone ordenou novamente uma pressão a todo o terreno por parte dos seus jogadores de forma a não deixar o Milan jogar e voltar a empatar a partida. Nesta fase da partida, mais entrosado na mecânica ofensiva da equipa, Balotelli estava a ser muito mas mesmo muito pressionado. Sempre que teve bola, o avançado tentou resolver sozinho os problemas. No entanto, os homens de Simeone tinham a lição bem estudada ao ponto de, sempre que o italiano tocava na bola, via-se rodeado por 3 ou 4 adversários e, invariavelmente, os jogadores do Atlético não davam grandes abévias ao internacional italiano.

A partir dos 60 minutos, o Milan começou a perder o meio-campo. Essien perdeu a frescura física (não é fácil andar minutos e minutos a perseguir homens como Koke ou Turan).Mesmo assim, o Milan ainda tentou fazer pela vida quando Robinho sacou de duas boas jogadas individuais pela esquerda, foi para cima de Juanfran e numa delas obrigou Courtois a uma defesa apertada para a frente com um remate-cruzamento. A ideia do brasileiro era servir Balotelli na pequena área. Contudo, o remate-cruzamento obrigou o belga a uma defesa de recurso muito bafejada pela sorte: como tocou a bola para a frente, se aparecesse algum homem do Milan aquela 2ª bola poderia ter sido o golo do empate e consequentemente o relançar da eliminatória…

Aos 68″, Seedorf voltou a arriscar, colocando Pazzini em campo para o lugar de Essien. Com esta alteração, Seedorf devolveu Poli à sua posição original e colocou Kaka a jogar novamente no flanco direito, fazendo recuar ligeiramente Balotelli no terreno de forma a fazer a interligação entre o meio-campo e o homem de referência.

Contudo, a alteração pouco efeito surtiu. Decidida a terminar com a eliminatória, a equipa de Simeone deu conta do recado em dois tempos. Aos 70″, uma falta a castigar uma mão de Bonera numa posição mais descaída para o flanco esquerdo permitiu a Koke colocar a bola milimetricamente na zona de penalty para um salto monumental de Raúl Garcia sobre De Jong para o 3-1. Mais uma vez, sem marcar, Koke decidiu. E Raúl Garcia voltou a marcar de cabeça.

Até ao final do jogo, quando pouco havia a fazer Seedorf colocou Muntari em campo para o lugar de De Jong. A alteração poucos efeitos surtiu e debelou o défice de soluções de ataque existente no seu plantel. Diego Simeone fez as suas habituais alterações: as entradas de Sosa e Cristian Rodriguez.

E o jogo haveria de terminar como começou: com um brilhante lance individual de Diego Costa para o 4-1 final, coroando fantástica exibição do Atlético. Os espanhóis bem podem sonhar com o trono europeu. A Champions é pródiga em surpresas e estofo não lhes falta.

 

Da Champions #14

Confesso que não vi o jogo. Estou a ver agora os resumos dos jogos de hoje. Ronaldo fez dois golos e duas assistências belíssimas. Contudo, aquilo que mais me sobressaiu no jogo foi o 4º golo do Real, golo marcado por Karim Benzema, no momento, a fazer jus ao nome do Schalke (0-4).
Engraçado também foi o facto dos adeptos do clube alemão se terem levantado das suas cadeiras quando Klaas Jan Huntelaar marcou o seu tento de honra na partida. O gesto demonstra que os alemães vivem o futebol de uma forma bem diferente da nossa. Vivem-no como um espectáculo. Se fosse uma equipa portuguesa a apanhar 6 do Real numa eliminatória deste calíbre (não precisamos de recuar muitos anos para relembrar os 12 que o Sporting apanhou do Bayern nos oitavos-de-final da prova da temporada 2008\2009) seria uma tragédia para a dita equipa, uma semana de jornalismo de baixo nível para os diários na qual estes tentariam escapulizar a goleada até ao osso e uma comédia para os adeptos dos rivais.

Champions #11

Estádio Petrovsky em S. Petersburgo, a equipa da casa o Zenit efrenta o Dortmund na primeira mão dos oitavos de final da Liga dos campeões, jogo que à partida estaria facilitado para o Borrussia visto que beneficia nesta altura de mais ritmo competitivo do que o Zenit (o campeonato russo encontra-se na paragem de Inverno desde Dezembro até Março).

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Como já tínhamos previsto aqui o Dortmund estava em clara de posição de vir da Rússia com o passaporte aos quartos de final carimbado e sem precisar de suar muito (diga-se que o frio também não deixou que tal acontecesse) e nem o facto de estar privado de jogadores tão importantes como Hummels (está a regressar de lesão), Kuba, Bender e Subotic por exemplo, fez com que o óbvio se tornasse inesperado. Diria que dado os recentes resultados desta equipa, esta eliminatória com o Zenit calhou tão em graça como as luvas e snoods usados pelos jogadores para combater o frio russo. Do lado do Zenit baixas importantes de Danny e Ansaldi, dos portugueses apenas em campo Luís Neto que podia ter feito melhor jogo, mas não se pode pedir muito de uma equipa desorganizada e onde os processos se tornam tudo menos fáceis, parecendo (ou mostrando realmente) que o valor dos milhões não faz um plantel de qualidade e capaz de exercer bom futebol, capaz de lutar por algo mais que uma passagem à tangente num grupo dos mais fracos da Liga dos Campeões dos últimos anos.

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Do jogo em si, apesar de pouco apelativo foi bem dominado pelo Dortmund, o facto de ter entrado praticamente a ganhar com uma entrada desenfreada que culminou aos 4′ com Mkhitaryan a dar a vantagem depois de uma boa insistência de Reus (o passe de Lewandowski é simplesmente divinal a servir o camisola 11) a desmontar toda a defesa dos russos e já em esforço a evitar cair na tentação de ganhar o penalty e oferecer de bandeja ao colega a jogada e aos 5′ o mesmo Reus ter dilatado o resultado colocando o Dortmund definitivamente lançado para a vitória, ajudou bastante a que no fim houvesse motivos para Klopp poder saltar e sorrir de alegria no banco de suplentes. Depois disto a tarefa descomplicou e os alemães apenas precisaram de controlar, entregaram a bola ao adversário que tinha de chegar à frente e assumir o jogo se queria inverter a eliminatória e limitaram-se a ter rasgos de genialidade dos mais talentosos, conseguindo um caudal ofensivo a espaços, mas sempre bastante perigoso.

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No segundo tempo mais do mesmo, mas o Zenit pareceu ligeiramente mais revitalizado, assumiu mais ainda o jogo e lá conseguiu complicar a vida a Friedrich, Schmelzer e Papasthopoulos que se viram e desejaram nalgumas jogadas protagonizadas por Shatov que acabaria por marcar na sequência de uma jogada de insistência e algo estranha, com bastantes ressaltos e que acabou por relançar um pouco o jogo, no entanto por pouco tempo, porque pouco depois o inevitável Lewandowski acabou por aparecer e fazer o habitual, marcar um bom golo, mais uma vez a municiar o avançado esteve Reus, sempre bastante activo na frente, a criar e oferecer bastantes bolas de golo o que lhe valeu mesmo o título de melhor em campo no fim do jogo. Mas o jogo ainda tentou relançar-se quando aos 67′ o árbitro de baliza desencantou uma penalidade sobre Hulk, que chamado a marcar converteu ao seu estilo, forte, preciso e sem hipótese para Weidenfeller, mas mais uma vez não foi suficiente e aos 70′ novamente os suspeitos do costume, a dupla Reus – Lewandowski, com o primeiro a desnortear a defensiva do Zenit para que o Polaco simplesmente pudesse bisar e fechar o encontro. Depois disto a imagem que vi na SkySports Alemã foi simplesmente a de Luís Neto a reclamar com os seus colegas de defesa e logo de seguida o desnorte de Spalletti que é simplesmente demasiado passivo e banal para conseguir fazer algo de uma equipa que até tem boas pedras para compor um onze de respeito e  com qualidade capaz de se bater com as grandes equipas, no entanto o italiano é claramente curto em sabedoria futebolistica para chegar a tanto.

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Resultado fechado e no fim ressalta o que já prevíamos derrota do Zenit e a eliminatória praticamente arrumada, em Dortmund nem dois Hulks chegam para sair de lá o Zenit apurado para os quartos, mas isto sou eu a antecipar coisas que podem não acontecer!

Pré-Champions

Hoje o cartaz traz-nos um Zenit – Dortmund e logo de seguida um Olimpyacos – Manchester United.

Zenit – Dortmund

Diria de antemão que o Dortmund teria tudo a seu favor para passar a eliminatória com relativa facilidade e digo relativa apenas e só devido às ausências forçadas a que Jurgen Klopp se vê obrigado. Kuba, Gundogan e Subotic são peças fulcrais que têm estado lesionados e a juntar a estes há os problemas com Reus, e Bender que no último jogo com o Hamburgo sofreu uma rotura no músculo da virilha o que lhe garante uma ausência até final de Abril. Por outro lado o Zenit está sem competir a alto nível desde 6 de Dezembro, quando jogou o último jogo para o campeonato Russo, desde essa data que apenas jogou jogos amigáveis (torneios no Qatar, Israel e Turquia) devido à paragem de Inverno do campeonato Russo. Além disso o Zenit não é equipa com tradição na Liga dos Campeões e o melhor resultado que obteve foi mesmo o alcance dos oitavos de final frente ao Benfica em 2011/2012. Como se isto não bastasse o Zenit vê-se também privado de Danny e Ansaldi lesionados e Shirokov ainda estava em dúvida devido a problemas num calcanhar. O único ponto que o Zenit pode ter a seu favor, eventualmente serão os maus resultados dos alemães, especialmente esta última derrota frente ao Hamburgo (3-0), ainda assim reforço a ideia que prevejo que o Dortmund tenha uma tarefa complicada na Rússia, mas que a resolva com alguma facilidade dado o nível e ritmo da equipa serem outros que este Zenit não tem.

Olympiakos – Manchester

Este é um jogo que pode dar algum espectáculo e qualquer resultado dos três possíveis, mas sinceramente acho que o que vai acontecer será um empate entre as duas equipas. O Olympiacos em casa é uma equipa bastante forte não só no campeonato, mas também nas competições europeias e o Manchester United como todos têm assitido este ano não está  propriamente a jogar ao nível que o nome exige. Sendo uma deslocação difícil e dado o estatuto dos ingleses acredito mais num empate que numa vitória de qualquer das equipas, no entanto até aos 90 minutos não digo que o jogo não possa pender para qualquer um dos lados. Ambas as equipas vêm de vitórias fora para o campeonato que acabam por ser um factor de motivação para os jogadores (apesar de para o Olympiacos já ser um habitué ganhar quase sempre e bem). Um dado curioso é que Manchester e Olympiacos já se cruzaram quatro vezes anteriormente e Ryan Giggs esteve presente em todas, contribuindo com 3 golos que ajudaram sempre à vitória do Manchester United.

Da Champions #11

A noite de quarta-feira, segunda das 4 noites previstas para a realização dos jogos da 1ª mão dos oitavos-de-final da prova trouxe outro dos cabeças-de-cartaz desta eliminatória da prova, o primeiro duelo entre o Arsenal e o campeão europeu Bayern de Munique.

Na última jornada da fase de grupos, o “novo” Bayern de Guardiola deu-se mal com o futebol inglês. Já apurado, o campeão europeu recebeu na altura o Manchester City de Manuel Pellegrini e perdeu por 3-2. O jogo ficou marcado por uma sensacional reviravolta dos homens de Manchester de o-2 (aos 11 minutos) para 3-2.

Arsenal e Bayern de Munique são velhos conhecidos do futebol europeu. Apesar dos Gunners nunca terem vencido a maior prova do futebol europeu (foram finalistas vencidos em 2005\2006; venceram a Taça das Taças em 1993\1994 e foram finalistas vencidos da Taça UEFA em 2000), ambas as equipas já se encontraram em várias ocasiões na prova. Nos últimos 14 anos, as duas equipas já se tinham defrontado por 6 ocasiões, com um histórico de 3 vitórias para o Bayern de Munique, 2 para o Arsenal e 1 empate. Curioso ou não, ambas as equipas cruzaram-se nesta fase da prova por 2 vezes: na primeira, na temporada 2004\2005, quando ainda moravam na turma londrina nomes como Dennis Bergkamp, Thierry Henry, Fredrik Ljungberg ou Robert Pirès, o Bayern levou a melhor sobre a equipa de Wenger com um agregado de 3-2 (3-1 em Munique para o Bayern; 1-0 para o Arsenal em Londres). A segunda vez que as equipas se encontraram nos oitavos-de-final da prova foi na edição da temporada passada. No caminho para a glória, os bávaros sofreram muito para bater o Arsenal e só o conseguiram fazer graças aos golos marcados no Emirates (1-3 para o Bayern em Londres; 0-2 para o Arsenal na Allianz Arena). Tendo em conta a diferença averbada pela equipa bávara no jogo de quarta-feira, se a história porventura se puder reproduzir dentro de 12 dias, poderemos ter uma excitante segunda-mão. Dado o lote de jogadores de que Arsène Wenger dispõe no plantel que orienta (mesmo apesar de algumas peças chave da equipa se encontrarem a contas com algumas lesões, casos de Olivier Giroud, Aaron Ramsey ou Theo Walcott), as melhorias de rendimento que esse plantel tem vindo a efectuar nos jogos contra equipas grandes e a própria exibição que o Arsenal fez contra a turma alemã nesta partida, não se pode dizer que o 2-0 seja suficiente para arrumar com a coisa.

As duas equipas entraram em campo com um sistema táctico parecido: o 4×51. Com algumas variações ao nível dos processos técnicos de cada um, pode-se dizer que Guardiola e Arsène Wenger são defensores de um modelo de jogo com bastantes similaridades: ambos gostam de colocar a equipa a circular bem a bola, a executar os seus processos ofensivos com rapidez, a experimentar todos os canais de jogo, ou seja, a procurar criar desequilíbrios tanto pela zona central como pelas alas, ora através do 1×1 dos seus extremos, ora através da inserção dos laterais nos processos ofensivos de forma a centrar bem para a referência de área que colocam em campo. Defensivamente, ambos os treinadores gostam de colocar as suas equipas a pressionar alto de forma a obrigarem a equipa contrária a errar.

Com algumas limitações no seu plantel como anteriormente referi, Wenger apresentou aquele que é o seu melhor onze possível: o polaco Wojciech Szczesny na baliza (aposta segura de Wenger para a baliza dos Gunners); um quarteto defensivo formado por Bacary Sagna na direita, Kieran Gibbs na esquerda (tirou o espanhol Nacho Monreal do onze em relação ao jogo disputado no passado fim-de-semana contra o Liverpool para a FA Cup) e a habitual dupla de centrais formada pelo alemão Per Mertesacker e pelo francês Laurent Koscielny; um meio-campo reforçado com Mathieu Flamini como médio com tarefas mais defensivas, Jack Wilshere e Santi Cazorla na construção e criação de jogo, Mezut Ozil mais à esquerda e Oxlade-Chamberlain na esquerda; como referência de ataque, Wenger apostou mais uma vez no jovem Yaya Sanogo. Em relação ao jogo contra o Liverpool, o espanhol Mikel Arteta saiu fora do onze. Não sendo um apreciador (nem de perto nem de longe) das características de Mathieu Flamini, compreendo perfeitamente a sua inserção nos onze titular: deixando a organização e as acelerações para quem de direito (Wilshere, Cazorla, Ozil) com dois laterais muito ofensivos na sua equipa, perante a presença de dois colossos a cair nas alas (Gotze e Robben), sempre bem auxiliados pela presença dos laterais (tanto Lahm como Alaba são extremos com bastante ofensividade ao nível da execução de cruzamentos, entrada na área com bola, combinações com Robben, Ribery e Gotze) cabia ao francês a missão de dobrar os seus laterais quando estes estivessem demasiado adiantados no terreno para não permitir que Gotze e Robben, jogadores que não são solidários nas tarefas defensivas do Bayern, isto é, raramente descem para ajudar os seus laterais, pudessem apanhar em contrapé a equipa do Arsenal naquele sector do terreno.

Já Pep Guardiola não pode contar com Franck Ribèry. De resto, Bayern na máxima força. Manuel Neuer na baliza, defesa composta como habitual por Phillip Lahm, Dante, Jerome Boateng e David Alaba; Javi Martinez à frente dos centrais, Thiago Alcantara e Toni Kroos; Arjen Robben na direita do ataque, Mario Gotze na esquerda e Mario Mandzukic na frente de ataque; no big deal.

Pode-se dizer que o Arsenal entrou de rompante na partida. Os Gunners entraram em campo literalmente para surpreender Pep Guardiola. Com um ritmo de jogo demoníaco, o Arsenal foi uma equipa directa, vertical e muito rápida de processos. Nos primeiros minutos, em bom da verdade, o meio-campo do Bayern abriu uma autêntica auto-estrada para as acelerações de Oxlade-Chamberlain e Santi Cazorla e não conseguiu acertar as marcações, os blocos de pressão. Na esquerda, Sagna e Oxlade-Chamberlain fizeram papa de David Alaba. Como Mario Gotze não colaborou nas tarefas defensivas, o austríaco viu-se a braços com dois homens muito rápidos. O Arsenal tentou explorar com intensividade aquela ala na primeira meia-hora. O espanhol haveria de obrigar Manuel Neuer à defesa da noite logo aos 3″. Sem conseguir respirar, isto é, sem conseguir ter bola, o Bayern viu a sua vida dificultada quando aos 8″ o Arsenal materializou o domínio com a conquista de uma grande penalidade: Mezut Ozil tentou passar por Jerome Boateng na área e, aproveitando o natural contacto destes lances caiu. Na repetição, avaliei que o médio alemão forçou imenso a queda. O experiente árbitro Niccola Rizoli errou ao apontar para a marca de grande penalidade e admoestar o central titular da Mannschaft com o cartão amarelo, cartão que condicionou toda a primeira parte de Boateng e obrigou inclusive Pep Guardiola a ter que retirar o jogador ao intervalo. Contudo, a alteração feita pelo antigo treinador do Barcelona teve um duplo motivo: aliado ao cartão amarelo do seu central, Guardiola denotou que o meio-campo do Arsenal venceu claramente a batalha disputada no miolo. Para por um ponto de ordem na segunda parte e como o plantel que tem à sua disposição tem várias soluções e gente bastante rotinada em vários processos (Phillip Lahm está rotinado e joga com mestria na posição de trinco; Lahm não sabe jogar mal em nenhuma posição do campo!!), o catalão colocou Rafinha na direita, desceu Javi Martinez ao centro da defesa e colocou o lateral a jogar a trinco. Lahm não só estancou o défice evidenciado pelo Bayern neste sector na primeira parte como se inseriu naturalmente na circulação de bola e na criação de jogo ofensivo por parte do Bayern no segundo tempo).

Mezut Ozil foi chamado a bater a grande penalidade. Perante o seu colega de selecção, o antigo jogador do Real Madrid desperdiçou uma daquelas oportunidades que jamais se pode desperdiçar quando se está a jogar contra o campeão europeu em título. Manuel Neuer abordou de forma inteligente o lance: aguentou até à última para ver a intenção de remate do seu compatriota e já balanceado para o lado esquerdo conseguiu defender a bola com a mão direita. Erros como o de Ozil pagam-se bastante caros a este nível.

Como nenhuma equipa no mundo consegue manter o ritmo de jogo colocado pelo Arsenal no início da partida durante 90 minutos, coube ao Bayern de Munique serenar os ânimos e diminuir o ritmo de jogo através de uma lenta circulação de bola. Situação que é incutida decerto por Pep Guardiola para as ocasiões em que tal seja necessário. A tarefa do Bayern foi sucedida nos minutos que se seguiram: Pep Guardiola não gostava daquilo que via no banco; Robben e Gotze estavam para já arredados do jogo; Thiago Alcântara e Toni Kroos não davam a urgente progressão que a equipa bávara necessitavam depois de uma entrada tão forte dos homens de Wenger; porém, a circulação de bola sem circulação foi um acto de inteligência e maturidade destes jogadores pois, paulatinamente obrigaram os adversários a abandonarem o esquema de pressão alta e baixar significativamente as suas linhas. Em poucos minutos, as linhas do Arsenal juntaram-se, não permitiram ao Bayern de Munique encontrar espaços para executar a sua rápida circulação de jogo para os flancos (coisa que não aflige os bávaros dadas as características de alguns dos seus jogadores) mas entregaram por completo as despesas do jogo para os centrocampistas da equipa de Munique. A absência de jogo na sua ala obrigou Robben a procurar jogo nas imediações da área numa posição mais central.

Aproveitando a superioridade númerica no flanco, o Arsenal seria capaz de provocar mais um calafrio à defesa do Bayern. Jack Wilshere tentou lançar com um passe longo Alex Oxlade-Chamberlain na direita, David Alaba deixou a bola bater no relvado, facto que possibilitou que o esférico ganhasse velocidade e nas costas o jogador inglês apareceu na cara de Neuer, que, com uma saída rápida da baliza conseguiu atirar a bola para fora. Nas últimas semanas, o guarda-redes do Bayern realçou que a maior evoluição sentida no seu jogo neste início de funções do técnico espanhol no clube germanico foi precisamente o jogo com os pés. Neuer afirmou que pela primeira vez na sua carreira não sente receio quando a bola lhe vem parar aos pés.

Cinco Notas individuais – três positivas: até esta fase do jogo, Jack Wilshere usou e abusou do passe longo. Não falhou nenhum dos 3 ou 4 que executou. Laurent Koscielny e Per Mertesacker estavam a ter uma noite tranquila. Meteram o croata Mario Mandzukic no bolso. duas negativas: Toni Kroos e Thiago Alcântara estavam muito estáticos no miolo do Bayern e permitiam aos jogadores do Arsenal antever com facilidade aquilo que iam executando.

Aos 30″ dá-se o segundo caso do jogo: Jerome Boateng carrega Kieron Gibbs. O lateral-esquerdo do Arsenal cai no chão e pede a substituição. Com um amarelo na partida, coube a Nicola Rizzoli decidir se devia expulsar o central alemão. O italiano não o fez apesar da falta ter sido feia, provavelmente para não estragar a partida. Entra Nacho Monreal.

O Bayern pegou definitivamente no jogo e tentou pela primeira vez na partida conseguir alguma progressão no meio-campo e criar jogo no último terço do terreno – Aos 34″, Robben combinou com Alaba no flanco esquerdo, entrou na área, recebeu do austríaco e rematou contra as pernas de Mertesacker. Na repetição, calculei que Szczesny. No minuto seguinte, Gotze tentou uma acção individual dentro da área. Recebeu de Alcântara in the box, tentou puxar a bola para o centro mas Laurent Koscielny não permitiu veleidades ao antigo jogador do Borussia de Dortmund. Aos 36″ Robben, conseguiu cravar uma grande penalidade. Justa. Robben recebeu nas imediações da área, deu um bocado mais para trás para Kroos, furou pelos centrais do Arsenal e recebeu um passe pelo ar de Kroos. Contra a saída de Scszesny tocou a bola para a frente e esperou ser tocado pelo polaco. Tenho as minhas dúvidas em como o craque holandês conseguisse chegar à bola. Nicola Rizzoli aplicou a regra: como o holandês estava na cara do guarda-redes, o cartão vermelho era a decisão correcta. Arsene Wenger foi obrigado a mexer na equipa e a sacrificar Santi Cazorla para a entrada de Lukasz Fabianski. Depois do ímpeto inicial demonstrado pelo espanhol nos primeiros 10 minutos, foi desaparecendo do jogo com o avançar dos minutos.
Como o futebol é um bicho complicado, cheio de carambolas, David Alaba partiu para a bola (a imagem mostrou um segundo plano maravilhoso com os adeptos do Arsenal a pedir que o austríaco enviasse a bola para a bancada) e atirou para o lado esquerdo com a bola a embater na base do poste antes de sair!

Ao intervalo, o empate justificava-se. Ambas as equipas desperdiçaram duas grandes penalidades, fizeram os mesmos remates à baliza (7) e tiveram uma oportunidade de golo.

A 2ª parte inicia com as alterações promovidas por Guardiola. A jogar em superioridade númerica, a equipa do Bayern tratou de encostar às boxes a equipa do Arsenal.Jack Wilshere pedia calma aos seus colegas. Aos 50″ Koscielny teve nos pés uma boa oportunidade para alvejar a baliza de Neuer. Livre batido por Ozil dentro do meio-campo do Bayern. O alemão coloca a bola à entrada da área. Aproveitando a subida da cortina defensiva do Bayern para tentar colocar várias unidades do Arsenal em fora-de-jogo, Koscielny aparece destacado na área a receber (em linha). O francês dominou mal a bola e não conseguiu melhor do que um remate para defesa fácil de Neuer. Na jogada seguinte, Robben combinou com Lahm na direita e o lateral não conseguiu melhor que o francês.

The Robben Show –

O holandês tratou de puxar dos galões. Aos 52″ pôs em campo a sua imagem de marcar ao receber na direita, flectir para o centro do terreno e rematar em arco para a baliza do Arsenal com o remate a sair ligeiramente ao lado. No minuto seguinte, Lahm tentou combinar com Robben mas optou por dar a bola ao meio para o remate de Toni Kroos. De primeira, o alemão haveria de inaugurar o marcador com um fantástico remate em arco que entrou junto ao poste direito de Luksz Fabianski. O guarda-redes polaco bem se estirou mas o remate do médio alemão era indefensável.

Com a obtenção do golo, o Bayern continuou a rondar a baliza do Arsenal. Aos 62″, os jogadores do clube bávaro executaram uma jogada a fazer lembrar os velhos tempos do Barcelona de Guardiola: Robben apareceu nas costas da defensiva inglesa e Toni Kroos tratou de lhe colocar a bola. O Holandês acabou por rematar para defesa fácil de Fabianski, não sendo sua intenção, na minha opinião, rematar à baliza mas sim servir Mario Mandzukic no coração da área. O croata não deverá ter percebido as intenções do seu companheiro de equipa e não atacou o espaço.
No minuto seguinte, Mandzukic saiu para dar lugar a Thomas Muller. O Bayern fazia tudo bem excepto o último passe.
O holandês continuou o seu show pessoal. Numa fase em que os 10 elementos do Arsenal defendiam nos últimos 10 metros, o holandês recepcionou a bola na direita e executou mais um remate em arco para fora. Adivinhava-se portanto o segundo golo do Bayern.

Sem qualquer iniciativa de ataque, Arsène Wenger jogou a sua cartada final: Aos 73″ tirou Oxlade-Chamberlain e colocou o checo Tomas Rosicky em campo.
No minuto seguinte, os jogadores do Bayern ficaram a pedir grande penalidade: Robben solicita Muller dentro da área e este perante a oposição de Koscielny sente o toque do francês no seu pé de apoio e cai na área. Fiquei com muitas dúvidas em relação a este lance.

Guardiola pressentia que o segundo golo poderia matar o jogo e a eliminatória. Aos 78″ substitui Thiago Alcântara por Claudio Pizarro, passando a jogar com 2 avançados. O 2º golo haveria de chegar nos minutos finais quando Thomas Muller materializou o domínio exercido pelo Bayern depois da expulsão de Wojciech Szczesny. Vitória justa para o Bayern. O Arsenal vai ao Allianz Arena com uma missão muito difícil mas não impossível. Se repetir a vitória conquistada no ano passado, irá levar o jogo para prolongamento.

Da Champions #10

Pela boca morre o peixe, já diz o ditado. Marquem bem esta frase. Dentro de alguns meses fará todo o sentido relembrá-la numa situação particular.

José Mourinho continua a bater a eito. Indiscriminadamente. Não lhe bastasse o facto de ter provocado Manuel Pellegrini e de ter recebido a devida resposta dentro das 4 linhas no jogo de sábado a contar para a Taça de Inglaterra, não lhe bastasse o facto de ter respondido da maneira que respondeu às declarações de Wenger e de posteriormente ter visto a equipa orientada pelo francês eliminar o estonteante Liverpool de Brandon Rodgers, o special one voltou a destilar… ódio, desta feita contra o Barcelona.
A ITV convidou o técnico a fazer a antevisão do jogo entre Manchester City e Barcelona. Poucas horas antes do jogo, Mourinho afirmou: “Pela história, o Barcelona é obviamente favorito. Mas este Barça, esta época, está a mostrar que não é o mesmo de anos anteriores. Claro que têm Messi, e ele é especial. E tem mais do que ele. Mas acho que este é o pior Barcelona em muitos anos. Por isso, o City tem hipóteses” – as hipóteses previstas para o City pelo treinador português deram no que deram. Visto que Mourinho foi um dos únicos treinadores capazes de vencer em Nou Camp nos últimos anos, desmontar por completo o futebol do Barcelona (em particular o futebol de Messi) e com essas conquistas granjear títulos para as últimas equipas que orientou (Inter de Milão e Real Madrid) só posso acreditar que na cabeça do técnico português ainda ecoa algum ressabianço contra alguém da estrutura culé. Como Tito Villanova já não mora em Nou Camp, das três uma: ou Mourinho já prevê uma eliminatória contra o Barcelona e como tal já antecipou os seus habituais mind games, ou Mourinho teme profundamente o Barcelona, cisma na qual não acredito ou Mourinho limitou-se a ser aquilo que tem sido nas últimas semanas – um palermóide de todo o tamanho que já devia ter fechado a boca. A terceira parece-me a opção mais convincente…

As declarações do treinador português fizeram eco na cabeça dos jogadores do Barça. Prova disso foi a resposta à altura que Cesc Fabrègas deu no flash interview do jogo da passada terça-feira.

Quem se mete em alhadas…

A UEFA abriu um processo de investigação ao treinador do Manchester City Manuel Pellegrini. O treinador do City teceu duras críticas ao trabalho realizado pelo árbitro sueco Jonas Erikson no final do jogo de terça-feira: “Não foi uma boa ideia escolher um árbitro sueco para um jogo tão importante”, – O treinador chileno deu portanto a entender que a Suécia não é um país com tradição no futebol. Perdoamos-lhe a chi(ne)lada. Até vir para a Europa, Pellegrini nunca deverá ter visto um jogador de apelido Gustaffson jogar pelo Santiago Wanderers ou por qualquer outra equipa da Liga Chilena ou da Copa dos Libertadores. Tampouco se deverá recordar que a selecção sueca já foi finalista e semi-finalista em duas edições do campeonato do mundo e que só não foi mais porque do outro lado, na primeira ocasião, em 1958 moravam na selecção brasileira uns tais de Pelé e Garrinha.

Curioso é o facto que aconteceu na semana passada na Liga Italiana. Na 2ª mão das meias-finais da Taça de Itália disputada no Olímpico de Roma entre Roma e Napoli, os tiffosi da Roma entoaram vários cânticos e várias palavras de ordem contra a equipa napolitana nas quais apelidaram, por várias vezes, os napolitanos de africanos. Tais comportamentos motivaram a Federação Italiana a punir o clube romano com um jogo à porta fechada por “discriminação territorial”. No dia seguinte. Válido para a jornada seguinte, 3 dias depois… A ver vamos se a UEFA não aproveita o precedente aberto na legislação desportiva italiana pela FIGC para criar jurisprudência desportiva com o treinador dos citizens.

Da Champions #9

Mais um dia de Liga de Campeões e mais um jogo em que se opuseram duas equipas antagónicas em campo, de um lado o enorme Atlético de Madrid que esta época tem fincado e batido pé ao Real Madrid e Barcelona e tem seguido em primeiro na “LaLiga”, com Simeone ao leme, o clube aprendeu a defender agressivamente e bem, reforçou-se cautelosamente e pode muito bem ser uma surpresa no final desta época e quem sabe da Liga dos Campeões, tudo depende daquilo que Diego Costa e companhia conseguirem fazer. Do outro lado do campo um Milan em estado de reestruturação, a ultrapassar o processo penoso dos maus resultados, uma substituição de treinador a meio da época com Seedorf a agarrar num caco que é um plantel com uma Serie A aos altos e baixos e com bastantes maus resultados, no entanto ainda presente na maior competição dos clubes europeus e disposto a salvar a época por essa via, tentando chegar o mais longe possível.

O jogo em si foi equilibrado e o Milan a jogar em casa e a precisar de um bom resultado para ganhar um balão de oxigénio tomou as despesas do jogo, impôs o seu ritmo e andou sempre no controle e disputa do resultado. Taarabt estreou-se na LC com a camisola do Milan e foi sempre uma mais valia para a equipa, sempre muito mexido, com grandes combinações na frente de ataque e a oferecer bastante hipóteses de golo aos seus companheiros. Kaká foi o primeiro a beneficiar com isso e aos 14′ aproveitou uma grande jogada de entendimento do jovem talento com De Sciglio e cruza para o Brasileiro que na área consegue fazer um grande remate em arco, que apenas a barra impede que se transforme em golo, passado pouco tempo aos 18′ mais uma grande oportunidade e os mesmos intervenientes, trocando apenas Kaká por Poli, que aparece na área e cabeceia com muito perigo, mas ainda assim sem conseguir o golo.

Aos 26′ acontece o pior para o Milan, depois de uma disputa acesa entre De Sciglio e Insua desde o início do jogo, o Italiano lesiona-se e é forçado a sair, dando lugar a Abate e forçando Seedorf a gastar uma substituição preciosa. No entanto a mudança não afectou o Milan que continuou sempre por cima até ao intervalo e mais uma vez aos 30′ Kaká teve nos pés outra boa oportunidade que não conseguiu efectivar. No meio deste filme, Thibault Courtois foi crescendo com várias defesas, o que me leva a dizer que no fim teve de ser considerado o melhor em campo, não fosse ele e provavelmente o Milan estaria neste momento na frente da eliminatória.

Numa primeira parte interessante do Milan, pouco se viu de Atlético e pareceu mesmo que a ideia de Simeone era trazer de Itália o empate, aliado a uma gestão produtiva dos jogadores, de forma a não comprometer a excelente Liga Espanhola feita até ao momento.

Na segunda parte o jogo modificou-se, o Atlético entrou com muito mais vontade e logo aos 51′ Diego Costa tem o lance acrobático da partida, correspondendo a um excelente cruzamento com um enorme pontapé de bicicleta, no entanto a bola saiu demasiado por cima, depois disto foi um jogo bastante disputado e o nível físico imperou, apenas cortado com os rasgos geniais de Turan, Taarabt, Kaká, algumas defesas de Abbiati e o enorme Courtois a carimbar o seu lugar de melhor em campo. Por fim, aos 83′ o suspeito do costume, Diego Costa conseguiu cabecear para o fundo das redes, dando assim a vantagem ao Atlético quer no jogo, quer na eliminatória, o que perspectiva algo muito bom para os espanhóis que vão jogar a segunda mão em casa. O Milan ainda tentou responder, mas o tempo já era escasso e as oportunidades fecharam-se quando Rami aos 87′ não conseguiu mais que uma bola (mais uma) para Courtois.

Neste momento o Milan sem objectivos de maior no campeonato (provavelmente até falhará as competições europeias), arrisca-se a ver mais uma competição a voar para longe das suas pretensões e decerto que esse choque será o bater no fundo para se conseguir ver no ano que vem uma reestruturação bem conseguida nesta equipa. O Atlético tem neste momento a grande oportunidade de avançar para os quartos de final e pode muito bem ter aqui argumentos para conseguir chegar pelo menos às meias-finais, ou quiçá final (aqui já duvido), no entanto vamos ver como vai lidar com a pressão da competição europeia e da Liga Espanhola.

Da Champions #8

Em Leverkusen esta noite estiveram frente a frente duas grandes equipas, do lado Alemão Bayern Leverkusen e do lado Francês, Paris Saint-Germain de um modo quase histórico a fazer lembrar os antigos combates das grandes guerras, mas desta vez sem destruição nem vítimas, apenas pelo prazer de jogar à bola e encantar os adeptos.

Do lado do Leverkusen aparece aquela que é a segunda equipa do campeonato interno neste momento, um conjunto consistente, com bons jogadores, que aparece nestes oitavos de final como prova do trabalho sustentado e bem feito que é feito internamente (recordo que o Bayern Leverkusen é das equipas mais regulares da Bundesliga nos últimos anos), no entanto não compensado em títulos.

Do lado do Paris Saint-Germain aparece a equipa que anda a elevar o campeonato Francês e que é um modelo do futebol actual, uma equipa gerida por milionários, com investimento desmedido e que se tem traduzido em vitórias fáceis internamente e um nível acima do bom nas competições europeias.

À entrada para este jogo, eu diria que seria talvez um jogo equilibrado, mas que o PSG acabaria por sair com a vitória (considero que a nível individual a equipa é bastante superior), no entanto nunca imaginei que os Alemães entregassem a vitória de bandeja como o fizeram, no geral foi um mau jogo jogado, escasso de oportunidades e jogado a um nível que é tudo o que não se quer nesta que é a maior competição de equipas do mundo. Para que o jogo se desenrolasse desta maneira muito ajudou o golo madrugador de Matuidi que logo aos 3 minutos recebeu a bola na área e encarregou-se de a colocar dentro da baliza facilmente, o que desbloqueou o jogo e fez com que o PSG se acomodasse e que o Leverkusen necessitasse de correr atrás do prejuízo, mas isso nunca pareceu acontecer, tanto que pouco depois do golo, a imagem que fica na retina é a de ver Sami Hyppia no banco de suplentes do Bayern, visivelmente preocupado com aquilo que estava a ver. O PSG nunca acelerou realmente e o jogo tornou-se monótono, apenas os habituais rasgos de Verrati ou Ibra deram para animar alguns momentos, mas ainda assim tudo muito frio, tão frio estava, que os jogadores do Leverkusen demoraram uma eternidade para aquecer, apenas conseguindo chegar com perigo à baliza de Sirigu num lance aos 27 minutos e com uma ajuda do central Alex. Depois disto não deu mais até ao intervalo a não ser PSG e claro está Zlatan Ibrahimovic, de tal maneira que aos 37 minutos converte um penalty (duvidoso o suficiente para não ser marcado, mas nem a arbitragem quis ajudar neste jogo) e logo de seguida aos 41, o mesmo Zlatan tira o seu habitual coelho da cartola e faz mais uma das suas obras de arte, marcando um potente golo (Matuidi foi sempre o mais irrequieto neste jogo e esteve nestes 3 golos, pelo que considero que foi o melhor em campo na partida a par de Zlatan).

Na segunda parte o futebol saiu ainda mais prejudicado, de tal forma que até quem pagou bilhete (que não é tão barato quanto isso) optou por sair mais cedo dado o mau espectáculo que estava a assistir e a partir dos 60 foi começar a ver uma debandada nas bancadas. Quem saiu não perdeu muito, o jogo tornou-se ainda mais táctico, o PSG limitou-se a gerir a vantagem e nem a expulsão de Spahic aos 59 minutos ajudou a abrir o jogo. Curiosamente depois desta expulsão o Leverkusen ainda esboçou uma tentativa de reacção, mas sem sucesso. Do lado dos alemães, Kiessling bem que lutou, esforçou-se e correu quilómetros, mas nada conseguiu retirar de partido. Em sentido oposto Laurent Blanc retirou o mais esforçado dos parisienses (Matuidi) e meteu em campo o homem que viria a dar o veredicto final neste jogo (Cabaye).

De destaque deste jogo apenas se retira o fecho quase instantâneo que o PSG deu a esta eliminatória, muito por demérito do Leverkusen que simplesmente vendeu a derrota a um preço demasiado barato. No entanto tanto uma como outra equipa são capazes de muito mais e este PSG arriscar-se-ia a ser um sério candidato a atingir as meias-finais, no entanto a continuar ao nível de hoje, o mais certo é serem forçados a sair na próxima ronda da competição, isto claro admitindo que no Parque dos Príncipes não assistimos a uma reviravolta épica, como tantas outras que o futebol nos proporcionou até hoje!

Esperamos para ver!

Da Champions #7

Coube em sorteio ao City of Manchester (Etihad Stadium depois do patrocínio celebrado entre o clube e a companhia aérea cujo proprietário é o mesmo) receber o primeiro jogo dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Manchester City e Barcelona disputaram aquele que era, logo ao início, o mais esperado duelo da ronda. Com uma exibição bastante inteligente, o Barcelona soube capitalizar os erros defensivos cometidos pela equipa de Manuel Pellegrini e saiu de Manchester com um resultado que lhe pode desde já garantir a passagem para a próxima fase da prova.

As duas equipas entraram em campo com a moral em alta, fruto das vitórias obtidas durante o fim-de-semana. O City venceu de forma categórica o Chelsea de Mourinho por 2-0 para a Taça de Inglaterra neste mesmo terreno enquanto o Barcelona, no seu reduto, goleou o Rayo Vallecano por 6-0 num autêntico vendaval ofensivo.

Das respectivas partidas a contar para competições domésticas, poucas alterações ao onze foram realizadas por parte de Manuel Pellegrini e Tata Martino. O primeiro optou por colocar o argentino Martin Demichelis no eixo defensivo ao lado do belga Vincent Kompany. Antevendo a opção de Tata Martino na colocação de Lionel Messi como falso ponta-de-lança, com a inserção do argentino no onze, Pellegrini tentou tirar partido do profundo conhecimento que o veteraníssimo central tem das movimentações que são executadas pelo seu compatriota e companheiro de selecção. Na esquerda do seu ataque, o chileno optou por colocar o sérvio Kolarov. Cabia portanto ao lateral-esquerdo habituado a fazer toda a ala nos tempos em que alinhava na Lazio, controlar as súbidas de Daniel Alves pelo flanco direito e, tentar ser um jogador vertical, isto é, um jogador capaz de ganhar a linha e central para a principal referência de ataque da equipa, o espanhol Alvaro Negredo. No lado direito, Pellegrini optou também pelo vertical Jesus Navas, colocando um trio no miolo composto por Yaya Touré e Fernandinho (com tarefas mais defensivas) e David Silva com a missão de organizar o jogo do Manchester City.Já Tata Martino fez 2 alterações em relação ao onze que tinha apresentado para o jogo do passado fim-de-semana. Mascherano recuperou o lugar no eixo da defesa ao lado de Piqué em virtude dos problemas físicos apresentados por Carles Puyol na 2ª parte do jogo contra o Rayo e Cesc Fabrègas entrou para o onze no lugar de Pedro Rodríguez. Neymar ficou no banco. Regressado de lesão, o brasileiro seria utilizado pelo técnico argentino na 2ª parte do jogo contra o Rayo Vallecano. O mesmo viria a acontecer na partida desta noite.
O treinador argentino optou por dispor a equipa no habitual 4x3x3 com o trio do meio-campo composto por Sergio Busquets, Xavi e Cesc Fabrègas, optando por colocar Alexis Sanchez na direita, Iniesta na esquerda e Messi como falso ponta-de-lança. Acossado por Demichelis na primeira parte, o astro argentino viria a recuar bastante no terreno para vir buscar jogo.

Nos primeiros minutos da partida do City of Manchester, a equipa catalã tratou de colocar a sua imagem de marca: a circulação de bola. Os visitados dispuseram-se em campo com um bloco bastante baixo, com uma atitude bastante expectante (deixando o Barça executar o seu jogo de circulação a seu belo prazer no meio-campo) e com as linhas muito unidas de forma a não dar espaços à equipa adversária. Desde logo se denotou que a equipa catalã iria tentar explorar qualquer erro defensivo da equipa de Manchester através de lançamentos longos para as costas da defesa. Por várias vezes Messi veio buscar jogo atrás de forma a arrastar consigo o implacável Demichelis (esteve soberbo na marcação ao seu colega de selecção na primeira parte; por 3 ou 4 vezes quando a bola era passada para Messi, antecipou-se e não permitiu que o seu compatriota pudesse receber e tocar a bola para as contas da defesa inglesa onde apareciam em rápidas diagonais Alexis Sanchez, Iniesta ou Fabrègas).
Recorrendo à sua letal pressão alta, os catalães não deixaram os jogadores da casa ter posse de bola: sempre que recuperavam a bola, os Citizens tentaram sair em transição rápida, modelo que lhes foi categoricamente negado pelos culés nos primeiros minutos de jogo. Sem grandes soluções de jogo, os pellegrini boys acabaram invariavelmente por praticar um jogo directo para Alvaro Negredo. O ponta-de-lança esteve muito combativo na primeira parte, causando até algumas dores de cabeça à dupla de centrais do Barcelona. Na 2ª parte, com a expulsão de Demichelis, com o recuo da equipa em situação de inferioridade númerica, o espanhol não iria receber tanto jogo, sendo substituído pelo internacional bósnio Erin Dzeko.

Para os caros leitores, terem noção do domínio exercido pelo Barcelona nos primeiros 13 minutos, uma estatística lançada pela transmissão da UEFA dava conta de uma posse de bola de 73% (141 passes) para o Barcelona contra 27% (41 passes) do Manchester City.

A partir deste preciso momento, o City libertou-se das amarras que o jogo de posse do Barcelona estava a criar. Com bastante participação no jogo do construtor de jogo de serviço (David Silva) a equipa foi tentando explorar hipóteses nas alas. Com o crescimento da equipa no jogo, a primeira oportunidade de golo iria pertencer aos visitados quando aos 18″ Kompany fez um passe entre linhas para David Silva e o antigo jogador do valência fez um passe a rasgar pela zona central para a desmarcação do seu compatriota Alvaro Negredo. Pressionado por Piqué, o antigo avançado do Sevilla entrou na área, tirou o seu colega de selecção do caminho e já com pouco ângulo tentou bater Victor Valdés com um remate picado. A bola acabaria por tomar o efeito contrário da baliza até ao alívio da Dani Alves junto ao poste contrário. A equipa de Pellegrini dava aqui o primeiro sinal que não estaria disposta a passar uma partida inteira a ver o Barcelona circular bola no seu meio-campo.

O lance de Negredo abriu o jogo. A circulação de bola executada pelos jogadores do Barça tornou-se mais rápida e mais objectiva. As linhas do City subiram e os médios defensivos Yaya Touré e Fernandinho tentaram pressionar mais alto e obrigar o meio-campo do Barça a jogar mal. Uma das grandes conquistas que o City tinha para este jogo já estava mais ou menos concretizada: com bola, a equipa ia conseguíndo superar o suplício montado pela tradicional pressão alta executada pelos catalães. O jogo tornou-se mais faltoso. Aos 22″ Clichy conseguiu arrancar o primeiro amarelo da partida para Daniel Alves. O brasileiro foi obrigado a recorrer várias vezes à falta para travar as investidas do lateral e do seu companheiro de flanco Kolarov. Aos 24″, após nova falta do brasileiro no flanco, David Silva levantou para a área onde apareceu Kompany a tentar cabecear. Pouco lesto a sair dos postes, Valdés não conseguiu socar a bola e o belga conseguiu dar um toque para as imediações da baliza. Corajoso depois do erro, seria o guarda-redes espanhol a emendar o erro cometido aquando da saída dos postes. No entanto, Jonas Eriksson já tinha assinalado falta do central belga sobre o guarda-redes.

O City vivia, entre os 20 e os 30 minutos, o seu melhor momento na partida. Silva e Negredo tentavam combinar em vários lances. Com fantásticas trocas de bola, o trio do meio-campo dos citizens colocava os jogadores do Barça a cheirar a bola, situação bastante inconfortável para o jogo da equipa catalã. Apesar da posse de bola demonstrada no primeiro parcial da partida, o Barcelona não efectuou qualquer remate à baliza defendida por Joe Hart na primeira meia-hora de jogo e o melhor que conseguiu até então foi uma combinação entre Iniesta (na esquerda) e Cesc Fabrègas em zona central com o primeiro a ser demasiado lesto dentro da área. O talentoso médio ofensivo do Barcelona tentou adornar o lance e acabou saneado com um impiedoso corte de Kompany. Pelo meio, os homens de Tata Martino reclamaram uma bola no braço de Clichy em cuja repetição oferecida pelo realizador da transmissão televisiva não consegui descortinar o nível de intencionalidade. O primeiro remate do Barcelona seria executado aos 31″ por Lionel Messi à entrada da área, sem grande perigo para a baliza de Joe Hart. No minuto seguida, Xavi apareceu bem a rematar de meia distância para defesa a dois tempos do internacional inglês. A bola disferida do maquinal pé direito do centrocampista espanhol levava bastante efeito.

Sem ala direita – Até à primeira meia-hora de jogo as equipas funcionaram muito pouco pela ala direita. Zabaleta limitava-se a defender as investidas de Iniesta pelo flanco esquerdo enquanto Jesus Navas passava por completo ao lado do jogo. Do outro lado, Kolarov e Clichy cumpriam os propósitos incutidos por Pellegrini ao dar muito trabalho defensivo a Daniel Alves. À semelhança de Navas, Alexis Sanchez também passava ao lado da partida.

Cerebrais – David Silva de um lado, Iniesta do outro. O primeiro fez uma exibição fenomenal durante toda a partida. Rápido de processos, simples pensou, simples executou. Foi ele que fez girar todas as investidas dos citizens na partida. O segundo tentou neste primeiro tempo acelerar o jogo do Barcelona. Quando o fez, conseguiu desequilibrar. Tentou por várias vezes solicitar Messi no centro do terreno. Martin Demichelis podia dizer que na primeira parte meteu la pulga completamente no bolso. Na segunda parte, borrou a pintura toda com a grande penalidade cometida sobre o argentino. Nas raras vezes em que o argentino pegou a bola no centro como gosta e conseguiu executar as suas rápidas arrancadas, preferiu jogar para as alas em vez de tentar o remate. Não conseguiu acrescentar valor ao jogo ofensivo da equipa.

Ao intervalo o 0-0 justificava-se apesar da única oportunidade de golo ter pertencido ao Manchester City.

Nos balneários, Pellegrini deverá ter pedido mais (e mais rápida) circulação de bola aos seus jogadores. Nos primeiros 3 minutos da segunda parte, os citizens aceleraram a circulação de bola e não deixaram os jogadores culés tocar na redondinha. O jogo transversal de flanco a flanco que os citizens tentaram fazer no arranque da 2ª parte estava a ser interessante pelo prisma da circulação, mas, em contrapartida, estava a ser pouco vertical e pouco objectivo.

messi

Cansados de ver a equipa de Manchester circular de flanco a flanco, os catalães trataram de recuperar o esférico e ensinar como se faz: Messi pegou na batuta na zona central e acelerou o jogo. Aos 49″ serviu Cesc Fabrègas na esquerda (rodou posicionalmente com Iniesta no início do 2º tempo) mas o seu colega de equipa não conseguiu dominar bem a bola.
Aos 52″ iria dar-se um dos momentos do jogo: Jesus Navas perdeu para Sérgio Busquets no meio-campo ficando a reclamar falta junto do sueco Jonas Erikson. Andrés Iniesta pegou na bola, acelerou, viu Messi a ganhar as costas de Demichelis pela primeira vez na partida e colocou a bola na perfeição para a desmarcação do seu colega de equipa. Tendo perdido em velocidade para o seu compatriota, o antigo central do Bayern de Munique e Málaga não teve outra acção senão rasteirar o jogador do Barcelona. Jonas Erikson viu e apontou para a marca de grande penalidade. De seguida, dirigiu-se a Demichelis e expulsou justamente o argentino. Na repetição da jogada, apercebi-me que Navas tinha razão: Busquets atingiu o extremo espanhol com o joelho.
Na marca de onze metros, o argentino esperou que Joe Hart se balanceasse para o lado esquerdo para aplicar um subtil remate para a zona central. Estava inaugurado o marcador no City of Manchester.

A perder por 1-0, Pellegrini viu-se obrigado a colocar temporariamente Fernandinho a central. 5 minutos depois haveria de efectuar as primeiras substituições do jogo ao tirar Kolarov para a entrada de Joleon Lescott e Navas para a entrada de Nasri. A entrada do jogador francês iria dar mais velocidade e objectividade ao jogo dos citizens.

A ganhar por 1-0, a equipa de Tata Martino tentou de congelar o ritmo de jogo com o seu habitual jogo de contenção. A equipa de Manchester acusou o golo nos minutos que se seguiram. Com alguns passes falhados em zonas proibidas, os citizens não conseguiam articular de forma adequada as suas transições. Seria sol de pouca dura. Aos 61″ David Silva solicitou Nasri na direita. Com o seu toque de classe, o francês tirou Jordi Alba do caminho, deu para Alvaro Negredo na zona central e foi receber o toque de calcanhar do avançado à entrada da área. Tentou o remate de primeira mas a bola seria bloqueada por Mascherano. Na repetição, vi que Fernandinho aparecia desmarcado a pedir bola dentro da área. Se o francês tivesse agido com mais calma e tivesse endossado a bola ao seu colega de equipa, poderia estar aqui a escrever a jogada do golo do empate do Manchester City. Na rapidez do lance, optou pela tentativa de remate.

Depois desta investida do Manchester City, apercebendo-se do risco que corriam caso os citizens tentassem partir o jogo e subir no terreno, os jogadores do Barça voltaram a congelar o jogo. Aos 66″ Daniel Alves deu para o meio onde apareceu Xavi a rematar novamente, desta vez por cima da baliza de Joe Hart. No minuto seguinte, os dois voltaram a tabelar no flanco direito com o veteraníssimo centrocampista a desmarcar o brasileiro na cara do guardião inglês. Dani Alves chutou cruzado com a bola a rasar o poste da baliza de Hart.
O jogo estava aberto. Aos 69″ ao receber no miolo, David Silva viu que não tinha grandes linhas de passe. Vindo num enorme pique de velocidade pela esquerda, Clichy recebeu o passe, arrancou pela esquerda mas não conseguiu melhor do que um cruzamento para as mãos de Valdés.

73″ – Entra Neymar para o lugar de Alexis Sanchez. Ao princípio, o brasileiro vai-se posicionar na direita do ataque do Barcelona. Pellegrini coloca Dzeko em campo no lugar de Negredo de forma a poder autorizar a equipa a efectuar um jogo mais directo. A equipa de Manchester voltou a cerrar os dentes quando aos 76″ a bola vai do flanco esquerdo ao flanco direito. Zabaleta dá de primeira para a entrada de David Silva na área na zona central e o jogador espanhol mata a bola no peito e remata forte para defesa de Victor Valdés. Lance belíssimo de futebol. Nesta fase do jogo, o empate justificava-se pelo empenho demonstrado pelos jogadores de Pellegrini em inferioridade númerica, em particular de Fernandinho, um autêntico pulmão no meio-campo dos homens de Manchester.
O remate de Silva seria o último suspiro da equipa inglesa na partida.

O Barça voltaria a puxar os cordelinhos e a aplicar a sua receita: a equipa culé ameaçou quando Messi se desmarcou novamente nas costas dos centrais do City e pecou na cara de Joe Hart ao passar a bola para… Gerard Piqué, o novo 9 da equipa catalã! O assistente de Jonas Erikson haveria de assinalar (mal) offside ao argentino. Nos minutos finais, da ameaça, a equipa catalã concretizou quando Daniel Alves sentenciou a partida (e quiçá a eliminatória) para gaudio dos milhares de adeptos blaugrana que viajaram de Barcelona até terras de Sua Majestade.

Como diz o povão, vai ser necessário ao Manchester City suar as estopinhas todas no jogo de Nou Camp para conseguir a remontada.

 

 

Sorteio Champions

Criam-se situações para tudo nos dias que correm. O canal do city mostra-nos a reacção dos jogadores do City ao sorteio da Champions.

1. Manchester City vs Barcelona é em conjunto com o Bayern de Munique vs Arsenal um dos jogos cabeça de cartaz dos oitavos de final. 4 equipas com aspirações. O City chega pela primeira vez aos oitavos-de-final da prova. Depois de duas experiências falhadas na maior prova da UEFA (dois 3ºs lugares e consequente repiscagem para a Liga Europa, onde não conseguiu atingir os quartos-de-final; uma das eliminações ocorreu naquele jogo fantástico que o Sporting de Sá Pinto fez no City of Manchester) o City conseguiu acabar com o enguiço da fase de grupos e os milhões imperaram. Pellegrini está a fazer um grande trabalho no City (assim como o fez em Madrid ao contrário do que todos os pseudo-experts de bola afirmam; perdeu o campenato mas foi até agora o treinador que obteve a maior pontuação dos merengues na Liga) e o futebol de ataque protagonizado pela equipa de Manchester levou a que incomodasse o imperioso Bayern no Allianz Arena. Aos 11″ o Bayern vencia por 2-0 e Ribery dava espectáculo. Vindos de uma fantástica goleada por 7-0 ao Werder Bremen para a Bundesliga suspeitava-se nessa hora que os bávaros iriam arrancar para mais uma goleada. Pé ante pé (com uma exibição enorme de Fernandinho) os homens de Pellegrini conseguiram fazer o que os clubes alemães não fazem há 40 jogos para a Bundesliga: vencer no terreno do fantástico Bayern, cada vez mais cunhado na toada de Guardiola: uma equipa que entra a matar, constrói uma vantagem segura nos primeiros 25 minutos de jogo e depois retira qualquer oportunidade de reacção ao adversário a partir de um jogo de posse e circulação de bola. A única diferença que vislumbro deste Bayern em relação ao Barcelona de Guardiola é a fome insaciável de golos que Arjen Robben e companhia têm mesmo a ganhar. Pela frente, os homens de Pellegrini terão o Barcelona de Tata Martino. O argentino tem cunhado algumas diferenças no estilo de jogo da equipa em relação ao que era apresentado pelos seus antecessores. A essência de Guardiola continua lá mas foi alterada por Martino. O fio de jogo continua lá: os desiquílibrios pelo miolo de Messi (e Neymar pelo flanco esquerdo), a constante subida dos laterais ao último terço do terreno, a infindável posse de Xavi e Iniesta, o rigor táctico de Busquets no equilíbrio da equipa e a figura de Alexis como um avançado móvel trabalhador não-finalizador. Contudo, Martino incutiu mais objectividade na equipa e ao contrário de Guardiola e Villanova, esta não fecha a loja quando se encontra a vencer por 2 ou 3-0.

Prevê-se um duelo muito renhido. Messi pode não alinhar na eliminatória ou alinhar em péssimas condições de forma em virtude da lesão que está a tratar na Argentina com o staff médico da sua selecção. Neymar está a subir imenso de rendimento e assume-se como o patrão de equipa na ausência do astro argentino. O City poderá repetir em Nou Camp a façanha cometida no Allianz Arena, sendo portanto expectável uma eliminatória em que qualquer equipa poderá vencer fora de portas.

Bayern e Arsenal encontrar-se-ão no final de Fevereiro. Sobre a equipa de Guardiola existe pouco a dizer. A equipa de Wènger tem agora nos próximos dias o seu maior teste: passar o boxing day na liderança. Em situações normais, com o Arsenal em 3º ou 4º o boxing day costuma ser muito difícil para a equipa de Wènger. Na liderança, será um teste de fogo às capacidades internas deste Arsenal que faz da criatividade dos homens do meio-campo (Wilshere, Ramsey, Ozil) o seu forte. Se o Arsenal passar o infernal calendário do natal sem derrotas, estou certo que chegará a Fevereiro com todas as possibilidades de vender muito cara a eliminatória à equipa bávara.

Noutro vértice temos os duelos entre Atlético de Madrid e Milan. Madrilenos e milaneses irão encontrar-se em Fevereiro para uma eliminatória com conteúdos interessantes. Duas épocas completamente distintas, com objectivos iniciais completamente distintos. Apesar do Atlético ter o objectivo de se posicionar a meio da luta de titãs que tem caracterizado a liga espanhola nos últimos 10 anos, se vendessem a Simeone a conjectura actual interna e externa do Atleti, estou certo que o Argentino seria capaz de a comprar no imediato a pronto pagamento. Allegri vai vivendo dias de amargura no seu desesperável Milan. Com um pé fora do clube dia sim dia não, com um plantel desiquilibradíssimo, com resultados muito fracos a nível interno e um apuramento europeu arrancado a ferros (ou melhor, com um empate em amesterdão resultante de um penalti assinalado num lance em que a falta pertence a Mario Balotelli) o treinador italiano aguarda apenas o momento em que Barbara Berlusconi receba a tão esperada ordem do seu pai para passar o cheque de indeminização por despedimento. O que de certa forma é injusto para um treinador cuja direcção prometeu uma reestruturação total ao plantel na época passada e não cumpriu. Ainda para mais quando Allegri cumpriu os objectivos traçados pela direcção na época passada, época essa em que a direcção milanese decidiu estoirar por completo com o plantel da sua equipa com a venda dos melhores jogadores (Zlatan e Thiago Silva num primeiro momento e Kevin Prince Boateng num segundo já no passado defeso).

Carga positiva. Dois estilos que tem alguns traços em comum. O cinismo catenacciano da equipa de Simeone, assimilado talvez nos anos em que o Argentino jogou na Lázio. Uma defesa extremamente organizada, eficaz. Alessandro Nesta revestido de Diego Godín. Favalli num certinho Felipe Luis que só não é titular na selecção do seu país porque do outro lado, junto à Plaza Cibelles mora o melhor lateral-esquerdo do mundo, Marcelo. Koke na pele de Sérgio Conceição. Gabi, o cérebro. Arda Turan, o homem que sabe tudo sobre bola a lembrar os bons tempos de Dejan Stankovic. Diego Costa, o target-man, a fazer talvez, aquela, que será lembrada como a sua melhor época no futebol. O Atleti é uma equipa que defende com 10 homens, raramente se desorganiza, raramente deixa jogar, e, cuja organização nunca seja posta em causa no poderíssimo contragolpe que possuí, quase sempre efectuado com poucos homens.

O Milan de Allegri também funciona nesses moldes. Uma equipa de pendor defensivo, com um meio-campo muito musculado (De Jong, Muntari, Nocerino) e com um ataque vocacionado para o contra-ataque: Kaká, Robinho e Balotelli. Menor organização defensiva do que a demonstrada pelo Atlético, mais instabilidade, probabilidade de existirem mudanças drásticas em Janeiro. O Atlético parte com maior favoritismo para a eliminatória mas precisa de ter cautela: este mesmo Milan causou calafrios ao Barcelona na mesma fase da edição passada, com uma “allegri” vitória em San Siro e um jogo interessante em Nou Camp onde esteve muito perto de selar passagem para a fase seguinte não fosse um fatídico minuto mudar toda a sua sorte com uma bola no poste de Mbaye Niang depois de uma cavalgada rusticana do francês de campo a campo sequenciada por um golo de Messi que na altura fez o 2-0 e empatou a eliminatória. Num jogo a eliminar contra uma equipa italiana, nunca fiando. Simeone sabe-o perfeitamente por experiência própria.

O mesmo se aplica a Mourinho no excitante Chelsea vs Galatasaray. Treinador italiano, jogadores com milhões de km de champions que se dão bem no contra-ataque (Eboué, Sneijder, Drogba, Altintop), um jovem sedento de títulos (Bruma) e um amoroso brasileiro de nome Felipe Melo a distribuir cacete quanto baste no meio campo. Contra a Juventus provou-se a filosofia deste novo Galatasaray: mais italianos que os caralhos dos italianos!

Mourinho baixou as espectativas. Afirmou recentemente que muito dificilmente será capaz de vencer um título esta época. Mais uma vez jogou de forma inteligente. Mourinho sabe que num dia sim de Hazard e Schurrle é capaz de se bater taco-a-taco contra quem vier. No entanto, recordou que está a formar uma equipa. É certo que quando Mou precisar do velho bastião blue (Terry, Lampard, Obi Mikel, Ashley Cole, John Obi Mikel, Michael Essien) este virá em seu auxílio. Mourinho tem a vantagem de conhecer o outro lado por dentro e por fora visto que conduziu os 2 principais jogadores da equipa turca à glória noutras batalhas da sua carreira.

Trigo limpo farinha amparo.

PSG vs Bayer Leverkusen. O mundo lembrou-se subitamente de Kiessling. Joachim Low lembrou-se subitamente de Kiessling. Gonzalo Castro é um jogador apetitoso e tornou-se cobiçado por meia europa e Lars Bender passou a ser o mais bonito dos gémeos Bender. Tretas. Icy est Paris. Laurent Blanc arrebenta com todas as escalas e avança com o objectivo Lisboa. Para os “veteranos” Zlatan, Thiago Silva, Maxwell, Lavezzi, Thiago Motta poderá ser a última vez na carreira que reunem toda a química necessária para escrever uma página nunca antes escrita na equipa parisiense e nas suas carreiras. Os novos como Cavani. Matuidi, “Pirlo Son” Marco Verrati, Gregory Van Der Wiel, Lucas Moura, Rabiot, Digne tem aqui a sua oportunidade de ouro. Prevejo uma eliminatória resolvida de forma fácil no jogo de Paris.

Real Madrid vs Schalke. Idem.

Borussia de Dortmund vs Zenit. A jogar como jogou na fase de grupos, Spaletti arrisca-se a levar uma copiosa humilhação na eliminatória. Sem estar o Dortmund a fazer uma época primordiosa. Se Hulk sair em Janeiro como se fala, com Shirokov lesionado e Danny arredado das escolhas por ofensas verbais ao lunático italiano, será uma porca miseria.

Da Champions #5

Confesso que fiquei com alguma pena deste resultado do FCP.

1. É dado assente que a equipa não está a produzir o futebol a que nos habituamos a ver no clube. Falta muita coisa a este Porto para ser o grande Porto. À cabeça, faltam extremos que sejam capazes de produzir jogo para o ponta-de-lança que a equipa dispõe. Quando os grandes extremos do Porto (ainda ontem se viu pelas constantes subidas de Danilo e Alex Sandro) são os laterais, penso que está tudo dito quanto a esta questão. Daí advém o facto de Paulo Fonseca ser (quase) obrigado a colocar Josué numa das alas. Mais uma vez viu-se que o médio do Porto sempre que pode foge para o centro, posição do terreno onde se sente mais confortável. As más decisões de Paulo Fonseca derivam desse problema: para se jogar em 4x3x3 é necessário que se disponha de dois extremos com qualidade de 1×1 e cruzamento, matéria que Fonseca não dispõe. Necessita de um bom 8, posição para a qual Fonseca tem matéria-prima em abundância (Josué e Lucho) e de um 10 desiquilibrador pelo miolo, posição que no futuro sei que irá ser ocupada pelo jovem Quintero, ainda tenrinho para estas andanças.

2. Por esclarecer continuam as posições e tarefas que Herrera e Defour deverão ter no terreno. O mexicano já jogou ao lado de Fernando contra o Zenit no Dragão e deu-se mal. Fonseca avançou-o ligeiramente no terreno e o mexicano tarda em pegar de estaca. Enquanto João Moutinho tinha a facilidade de, ofensivamente, pautar todo o jogo do Porto e defensivamente formar o primeiro bloco de pressão\oposição à equipa adversária, o mexicano passa jogos atrás da bola sem conseguir acertar com um opositor e quando tem bola não tem qualquer tipo de rasgo ou capacidade de construir jogo.

Quanto ao Belga, tanto Vitor Pereira como o seu sucessor tentaram (sem exito) recuar o médio. Já foi 6, já foi 10, já foi ala no lado direito e ainda não foi aquilo que era no Standard de Liège: um 6 puro, um jogador para jogar ao lado de Fernando, um médio de trabalho que também é versátil ao ponto de se incorporar no plano ofensivo e ter bola nos pés.

3. Custou-me ainda mais ver a eliminação do Porto sabendo que o Áustria de Viena estava a golear o Zenit. Este Zenit foi sem sombra de dúvidas, o elo mais fraco deste grupo. Vi 5 jogos dos russos. É uma equipa sem fio de jogo num tosco 3x5x2 onde poucos se salvam. As excepções à regra são Hulk, Danny, Kerzhakov, Shirokov, Ansaldi e Lombaerts. Resumidamente, é uma equipa que, na ausência de Shirokov (o maestro de orquestra) e Danny (um dos afinadores dos instrumentos) apenas consegue tocar música para Hulk. Prova disso foram os 3 jogos caseiros que realizaram. Tanto contra o Áustria, como contra Atlético e Porto, a equipa virou-se sistematicamente para Hulk e passou o jogo a endossar bolas para o brasileiro resolver. A espaços apareceu o perigoso Arshavin no contra-golpe (contra o Atlético por exemplo) mas, o internacional russo, já não é jogador para estas andanças.

4. Voltando ao jogo de Madrid. 4 bolas na barra é dose. Danilo e Alex Sandro galgaram quilómetros mas Jackson nunca se conseguiu superiorizar aos centrais do Atlético. Josué meteu pena. Principalmente na primeira-parte quando derivou quase sempre para o miolo. Não coloco sequer a questão do penalty porque foi bem defendido por Aranzubia. Licá continua uma lástima. Mais um erro de Fonseca. Na esquerda não rende. Os centrais do Porto estão por deveras intranquilos. Mangala continua a perder imensas bolas em zona proibida. Do outro lado, vimos aquilo que se esperava: a equipa de operários de Simeone, a defender num bloco muito baixo, com uma agressividade muito acima da média, de forma eficaz e a sair em contra-ataque sempre que possível de forma cautelosa com poucas unidades, sempre à procura do target-man Diego Costa. A equipa que apanhar o Atlético na próxima fase terá que deixar sangue e suor no campo para eliminar esta fantástica equipa de Simeone.

5. In and Out –

In – O médio Oliver Torres. Já o tinha visto nos minutos que jogou no Petrovski. Irá ser (sem peneiras) o próximo Jogador Espanhol. Aos 17 anos já é habituée dos sub-21 espanhóis. Grande técnica individual.

Out – David Villa. Gordo. Pachorrento. Maçado por lesões. Não é nem por sombras o agressivo e incisivo Villa que conhecemos no auge da carreira.

6. Por último, o Áustria de Viena. Estes austríacos estrearam-se na versão moderna da Champions com boas exibições. Melhores que a do Zenit na minha opinião. Bateram-se taco-a-taco contra Porto e Zenit, fazendo das suas tripas coração. Muito limitados no plano técnico, procuraram um jogo directo para o seu ponta-de-lança Hosiner. Lá na frente, este austríaco descendente de pais croatas deu água pela barba a todos os centrais das equipas adversárias. Rápido, bom de bola e bom finalizador. Tem 24 anos e pelo que estive a pesquisar está em carreira ascendente (começou na 2ª equipa do TSV Munique 1860 e desde aí passou pelo Sandhausen da 3ª liga alemã que o catapultou para a Liga Austríaca, onde alinhou durante 2 anos no First Vienna e no Admira Wacker antes de chegar no verão de 2012 ao Áustria). Leva 35 golos em 44 jogos pelo Áustria nesta época e um terço vá. Antes disso já tinha apontado 28 pelo First Viena\Admira Wacker. É jogador para equipas de gama média alta do futebol europeu.

7. Já que estamos a falar de austríacos – Li algures na imprensa desportiva que o “Porto necessita de um jogador em Janeiro que pegue de estaca como pegou por exemplo Marco Janko” – já não me lembro se li isto na Bola ou no Record de ontem. Se Marco Janko pegou de estaca no Porto de 2011\2012 vou aqui e já venho. Tanto pegou de estaca que foi logo despachado no verão seguinte.

Se quisesse embarcar nas habituais teorias da conspiração, diria que este golo foi a mais pura retaliação da Gazprom às acções activistas que a Greenpeace está a levar a cabo no palco mediático da Champions contra a empresa russa. Sem menosprezo do grande jogo que me parece ter feito o Schalke pelos resumos que vi da partida.

Escrevi aqui há uns tempos que Platini largou a ideia de se gravarem as conversas dos 5 árbitros durante os jogos da Champions. Fico espantado como 5 almas não viram tantos jogadores do Schalke 04 acampados aquando do passe, onde se incluía obviamente o teuto-camaronês Joel Matip. Mais uma decisão de arbitragem (europeia) que deixa a desejar e que silenciou por completo qualquer resposta que o Basileia poderia dar na partida para evitar a passagem dos alemães aos oitavos-de-final. Pelos jogos que o Basileia fez na fase de grupos, em particular os dois contra o Chelsea, bem que mereceu o apuramento. Contudo, o Basileia também se deve queixar da miséria exibicional que teve nos jogos contra o Steaua de Bucareste.

A pergunta prévia para iniciar a escrita sobre este jogo é: quantas vezes viste uma equipa fazer 12 pontos na Champions e ser eliminada? Ontem, abordou-se o caso do Benfica com 10. 5 tinham sido as equipas a serem eliminadas com esse número de pontos desde 1997. A essas 5 juntou-se a equipa portuguesa e o Napoli que até fez mais 2.

San Paolo ferveu. Gritou-se mil vezes o nome de Gonzalo Higuaín quando o Argentino inaugurou o marcador aos 74″ com uma rotação de mestre. Outras 500 no espectacular chapelão de Callejón quando tudo já estava decidido a favor dos Gunners e do Borussia de Dortmund. Tarde demais. Se o espanhol tivesse feito o 2-o a 10 minutos do fim, iria ser o diabo para Wènger e seus pares. Ou saíriam eliminados de Napoli ou no mínimo saíriam esfolados pelos colossais adeptos tiffosi que nunca se calaram durante todo o jogo e no final da partida aplaudiram de pé o esforço dos seus rapazes. Não é para menos: este Napoli de Benitez pode não ganhar nada mas joga à bola que se farta.

Digam o que disserem, tanto Higuaín como Callejón têm espaço na equipa do Real Madrid. Um é de caretas melhor que um certo chuta cocos de nome Karim Benzema. O outro já fez mais em Napoli em 3 meses do que o que Gareth Bale irá fazer em toda a época em Madrid. A dispensa de Callejón se pode entender (como podemos vislumbrar nas exibições do espanhol em Napoli) se atendermos que é um jogador que se dá bem a jogar em contra-ataque. Contudo, também deverei dizer que o extremo espanhol sempre que saía do banco na era Mourinho molhava a sopa! Se o Napoli tiver capacidade para os segurar arrisca-se a ter um futuro ainda mais risonho do que o que tem. Se não os segurar, estou seguro que tanto um como o outro rapidamente estarão num grande italiano e o Inter aparece-me à cabeça como o principal interessado nestes dois quando voltar a ter um mega projecto.

Existem equipas cuja linha estratégica compreendo, outras não. O Real Madrid pertence ao clube daqueles que não percebo. Existem vários exemplos disso no passado: o Luis Enrique que mais tarde seria símbolo do rival Barça, o Steve McManaman que deu um título europeu ao clube antes de ser encostado no início da era dos galáticos (nunca mais conseguiria jogar ao mais alto nível) ao Eclipse das passagens de Arjen Robben e Wesley Sneijder em Madrid, jogadores que anos mais tarde foram obreiros nos títulos europeus de Bayern de Munique e Inter de Milão. Isto sem falar de inúmeros casos de jogadores muito pouco aproveitados na sua estadia em Madrid como Klaas-Jan Huntelaar, Roberto Soldado, Borja Valero, Antonio Cassano, Juan Manuel Jurado, Esteban Cambiasso, Juanfran, Javi Garcia – só na última década – senhores cuja saída de Madrid trouxe o seu melhor futebol e cujos exitos desportivos noutras equipas são bem conhecidos. Resumindo e concluíndo: o dinheiro deu para tudo e se existe clube onde o dinheiro é o factor primordial para fazer uma estratégia e não uma condicionante da estratégia que se pretende levar a cabo, esse clube é o Real Madrid.

Voltando ao jogo. Final dramático no San Paolo. Higuaín agarrou-se à camisola e chorou copiosamente durante minutos numa cena comovente que deverá ter agradado e muito aos fervorosos adeptos do clube Napolitano. O Dortmund venceu em Marselha e ganhou um novo balão de oxigénio numa altura da época em que bem precisava depois das derrotas contra o Bayern de Munique e Bayer de Leverkusen. Grupo que se previa muito equilibrado e que terminou muito equilibrado. Futebol de muita qualidade, principalmente nos jogos entre Dortmund e Napoli. Os Napolitanos são um dos principais contenders à vitória da Liga Europa.

Diário da Champignons

Arturo+Vidal+anota+el+gol+del+título+de+la+Juventus

Hoje foi quarta-feira de Liga dos Campeões, e é verdade que um espaço de culto como este exigia um post com uma análise minuciosa a respeito da noite europeia. Afinal de contas, não é comum haver uma noite de Liga dos Campeões com 36 golos em oito jogos, sinal da elevada qualidade das partidas que hoje se disputaram. Por motivos pessoais, não pude acompanhar nenhum jogo hoje, mas a julgar pelas leituras feitas em periódicos online, há vários destaques que podem ser feitos: o hat-trick de Arturo Vidal (17 pontos na Fantasy League aqui para o Je!) na vitória por 3-1 da Juventus sobre o Copenhaga; a vitória por 5-0 do United em Leverkusen (respira Moyes!), e a do Shakthar por 4-0 frente à Real Sociedad (a maior desilusão da prova?) são talvez os resultados que mais saltam à vista.

Analisando individualmente cada um dos grupos cujos jogos decorreram hoje, não me parece que haja grandes surpresas à entrada para a última jornada da fase de grupos: no Grupo A, teremos de esperar para saber quem acompanha o Manchester United rumo aos “oitavos” (eu aposto no Leverkusen!); no Grupo B, o Real Madrid está apurado, e será preciso que o Galatasaray vença em casa a Juventus para que haja surpresa (já empataram 2-2 em Turim..!) e para que os turcos se mantenham na Liga dos Champignons (como diz o outro); no Grupo C, PSG apurado e Benfica e Olympiacos a discutirem o apuramento até à última (aqui não vou dizer qual é o meu prognóstico, não vão os leitores benfiquistas ficar aborrecidos); e por fim, no Grupo D, tudo resolvido com os apuramentos mais que previsíveis de Bayern Munique e Manchester City (dois dos principais favoritos à vitória da Competição, ou a equipa do City ainda não tem andamento para isto?).

Outros Destaques: O Rodrigo marcou um golo (Juro!); o Ibrahimovic não pára de marcar golos; o Nani ainda mexe; o Sérgio Ramos foi expulso (ele que nem é nada destas coisas..)

O Golo: Gareth Bale Goal vs Galatasaray

(O golo do Douglas Costa também não é nada de deitar fora..!)

A Figura da Noite: Arturo Vidal, pelos três golos.

(Peço desculpa se não aparecer o link do golo, e também por não conseguir formatar o texto, mas ainda ando à descoberta do WordPress..)