Superbock! Fresquinha! #91

Agora finalmente consigo compreender as declarações de Pinto da Costa quando este afirmava que Ricardo Quaresma “Tem é de aprender que há gente no futebol que é indigna de lá estar e tenta perturbar o adversário com insultos dos mais soezes”

1.Os indignos contradizem-se. Se bem que metade do que o dito senhor diz é algo imperceptível. Se há intenção, há dolo. O dolo é indissociável da intenção. Vamos a um caso prático: se eu tiver intenção de assassinar alguém, tenho intenção de causar dolo a terceiros. A intenção é tão punível quanto o dolo. Chama-se homícidio culposo, estando o crime previsto na lei. A analogia não é forçada, é realista.

2. O interessante das declarações: aumentaram o número de Unidades de Conta na multa aplicada. Realmente, tal sanção aplicada é de facto “o mais interessante” da decisão do Conselho de Justiça da FPF. Vai de encontro à estratégia geral do presidente da FPF para o organismo e para o futebol português: aumentar a receita, encher os cofres da federação. Nada mais, nada menos que isso. O que equivale por outro lado a dizer que a partir de hoje existem regras diferentes daquelas que estão estabelecidas, servindo os regulamentos para limpar o cú quando não há papel higiénico nos estádios.

O que eu ando a ver #45

Sporting de Braga vs Sporting – Campeonato da 1ª divisão de Futsal –  Aos 3 minutos de jogo, o Sporting já vence por 2-o e João Benedito acabou de fazer uma cavalgada com bola até ao meio-campo do Braga e chutar cruzado para o 2º golo do Sporting. Simplesmente fantástico. Mais logo irei tentar arranjar as imagens do momento.

mentiras que passam por verdades

Permitam-me o reparo.

Há uns meses atrás, quando ainda enfrentava o processo de recuperação financeira do clube e da SAD, o presidente do Sporting Bruno de Carvalho afirmou que as secções responsáveis pelas modalidades do clube teriam que ajustar-se à realidade financeira do novo Sporting e diminuir os seus orçamentos. Na altura, o presidente do Sporting anunciou uma diminuição geral de custos com as modalidades entre 30 a 50% daqueles que eram executados.

Os arautos da desgraça da nossa praça jornalística e da blogosfera (algum deles sócios do Sporting Clube de Portugal) trataram de advogar a morte de um dos capítulos mais importantes da história do Sporting: o seu ecletismo. Basta ler o que vários escreveram aqui, aqui, aqui.

Vamos aos números:

1. apesar dos cortes anunciados e postos em execução pelas respectivas secções, tanto as equipas de futsal como as andebol renovaram ou mantiveram os contratos de quase todos os jogadores dos seus planteis. As únicas excepções foram, salvo erro, Leitão (Futsal) e Hugo Figueira (Andebol). O primeiro por opção do técnico e da direcção da secção de futsal. O segundo por opção pessoal.

2. a qualidade na secção futsal diminuiu muito pouco. a equipa já falhou dois objectivos programados para esta temporada: a fase final da UEFA Futsal Cup (acontece aos melhores) e a final da Taça de Portugal (eliminados pelo Rio Ave). Contudo…

futsal

lideram a fase regular do campeonato e no próximo sábado podem até cavar o fosso classificativo para um dos mais directos perseguidores (o Sporting de Braga) caso consigam vencer a equipa Bracarense.

3. a qualidade da secção de andebol aumentou. O Sporting já não vence um título nacional há mais de 10 anos, isto é, se não contarmos os títulos de 1ª divisão obtidos em 2004 e 2005 quando a modalidade estava dividida em dois campeonatos de 1ª divisão (Liga e Federação; o Sporting jogou o da FPA enquanto as restantes potências da modalidade jogaram o da Liga). No entanto…

sporting 3

na presente temporada terminou a fase regular na primeira posição e transitou para a fase final em vantagem sobre o FCP, equipa que defronta no próximo sábado no arranque da round robin de 10 jornadas entre as 6 primeiras equipas da primeira fase. Em caso de vitória sobre os tetracampeões nacionais em título, o sporting poderá amealhar uma diferença de 4 pontos muito valiosa para a fase final pois dita-me a experiência (sem querer menosprezar o ABC e o Aguas Santas que são equipas capazes de se bater taco a taco com qualquer um dos 3 grandes) que é nos jogos entre os grandes que a coisa se resolve.

Como se esse facto não fosse por si só relevante, o Sporting está na fase 16 da EHF e já encaminhou praticamente o apuramento para os quartos-de-final da prova. A EHF Cup é a 2ª taça mais importante da nomenklatura de competições da Federação Europeia. Nunca antes uma equipa portuguesa conseguiu estar na fase 16 da prova e, na verdade, só o Sporting conseguiu vencer uma grande competição de clubes com a chancela da EHF: a Challenge Cup, em 2010. Escrevo que “encaminhou praticamente” porque apesar das 2 vitórias obtidas em 3 jornadas ainda faltam disputar 4 jornadas. Contudo, duvido que o Sporting perca na Macedónia com o Zomimak-M visto que a primeira mão foi esclarecedora no que toca ao potencial das duas equipas (39-22 para o Sporting). A equipa orientada por Frederico Santos é até a 2ª melhor marcadora na fase em disputa com 89 golos marcados, logo atrás da equipa que lidera o seu grupo: o poderoso Montepellier de Thierry Omeyer. Na primeira jornada, relembro que o Sporting venceu o vice-campeão dinamarquês, o Skjern, equipa onde alinham dois jogadores titulares da selecção dinamarquesa vice campeã mundial e europeia (Henrik Mollgard e Kasper Soondergaard) no seu reduto por 32-25.

Dito isto, só posso dizer: venham mais cortes nas modalidades. Com resultados assim, como Sportinguista quero um Sporting a gastar menos e a ganhar mais.

anotamento #2

No campeonato europeu de Futsal, vamos ter mesmo uma final entre o Brasil B e o Brasil C.A Rússia bateu a Espanha por 4-3 após prolongamento com um golo de Robinho. Se no Portugal vs Itália, Gabriel Lima fez 2, no Rússia vs Espanha o seu compatriota Robinho decidiu. Provavelmente a UEFA terá que alterar as regras de forma a legitimar a entrada da selecção brasileira no campeonato. Digo eu…

O que eu ando a ver #34

ricardinho

Meias-finais do Campeonato Europeu de Futsal – Antwerp, Bélgica – Portugal 3×4 Itália.

Como tinha acontecido nos quartos-de-final do Europeu da Croácia em 2012, mais uma vez, a selecção nacional caiu contra a selecção italiana, desta vez nas meias. 10ª derrota da selecção nacional em 18 jogos oficiais contra a Itália. Eliminação injustíssima para o futsal apresentado pela selecção nacional no jogo e no torneio. Eliminação injustíssima se tivermos em conta as exibições de Ricardinho, Cardinal e Arnaldo durante o jogo em particular e no torneio no geral. Sem pejo algum pelas prestações de outros jogadores de outras selecções em destaque no torneio, posso afirmar que o ala do Inter Movistar fez seguramente uma das melhores exibições individuais de sempre num jogo a contar para o Campeonato Europeu de Futsal e merecia ter saído da SportsArena de Antuérpia com o passaporte para a final da prova.

Valeu a maior eficácia dos italianos no 2º tempo. Ricardinho puxões dos galões para virar o 1-0 inicial para os italianos para um 2-1 para Portugal ao intervalo. No segundo tempo, o foguete de Fortino para o 4-2 a 6 minutos do fim tornou o apuramento muito difícil. Joel Queirós reduziu e a selecção portuguesa bem se pode queixar da sorte nos últimos minutos com três perdidas: duas de Leitão ao poste e uma de Pedro Cary na cara de Mammarella, o guarda-redes italiano. Com Joel Queirós na sua melhor forma física, jamais teríamos perdido esta partida.

Para finalizar, cumpre-me escrever algumas palavras para a geração que hoje se poderá ter despedido das grandes provas internacionais por selecções. João Benedito (35 anos) Gonçalo Alves (36) Arnaldo (34) Cristiano (34) Leitão (33) e Joel Queiroz (31; este último não tanto pela idade mas pelos problemas físicos que vem tendo ao longo dos últimos 2 anos) poderão despedir-se da selecção no final deste europeu para garantir a necessária renovação da selecção. Nas exibições feitas pela selecção neste europeu notou-se que todos estes jogadores vão fazer muita falta caso pretendam sair para dar espaço aos mais novos. Considero uma pena não terem ganho um único título internacional nesta última década porque bem o mereceram. Contudo, não posso de me deixar preocupado com o futuro da selecção portuguesa de futsal. Se neste europeu, se denotou claramente que a selecção portuguesa apresentou duas caras (uma com Ricardinho e outra completamente diferente sem o ala em campo) não vejo na nova geração de futsalistas portugueses (Cary, João Matos, Ricardo Fernandes, Bruno Coelho; Djo, Paulinho, Ré, Dura) talento suficiente para acompanhar Ricardinho e Cardinal nos próximos desafios do futsal português. Só tenho a certeza, pelas exibições que efectuou que a baliza nacional estará bem entregue a André Sousa.

O que eu ando a ver #32

Fernando Cardinal

Europeu de Futsal – Antwerp, Bélgica – Quartos-de-final – Portugal 2-1 Ucrânia.

Dois dias decorridos do fantástico empate a 4 bolas obtido pela nossa selecção frente aos russos numa partida onde fiquei com a sensação (pelo pouco que vi) que a selecção portuguesa podia ter obtido mais qualquer coisita, como se previa, Portugal ’teve algumas dificuldades para eliminar a selecção ucraniana (selecção vencedora do grupo A) nos quartos-de-final da prova.

Com um score de 1-0 nos 2 jogos realizados (vitória frente à Roménia por 1-0 e empate a 0 bolas contra a Bélgica) a selecção ucraniana era à partida para esta eliminatória, uma selecção a ter em conta pela eficácia defensiva que tinha demonstrado nos jogos contra os belgas e romenos. Para esta partida, Jorge Braz não pode contar com o pivot do Benfica Joel Queiroz. O jogador está em dúvida para o jogo das meias-finais, jogo que se irá realizar na próxima quinta-feira contra o vencedor do jogo que irá opor amanhã Itália e Croácia. É de referir que os italianos abriram o torneio com uma derrota frente à Eslovénia por 3-2 e conseguiram apurar-se na primeira posição do grupo graças a uma vitória frente ao Azerbeijão por 7-0, mesmo apesar da vitória por 7-6 da selecção azeri sobre a selecção eslovena. A eslovénia irá fechar os quartos-de-final da prova contra a Espanha que ontem cilindrou os checos por 8-1.

Dois golos de Fernando Cardinal ajudaram a selecção portuguesa a rumar às meias num jogo em que a Ucrânia entrou melhor na partida quando logo no primeiro minuto, um remate de meia distância de um jogador ucraniano foi desviado de calcanhar na área por Denys Ovsyannikov, obrigando João Benedito a uma defesa por instinto. No minuto seguinte, Benedito foi obrigado a sair da área e a cortar uma bola de cabeça quando estava pressionado por um adversário. A bola rolou para os pés de um Ucraniano que tentou em vão o chapéu sobre o guarda-redes português. Poucos segundos depois iria surgir o primeiro golo da selecção Portuguesa: Arnaldo progride com bola no meio-campo ucraniano e faz chegar a bola a Cardinal que num movimento específico da posição pivot roda e remata para o fundo das redes da baliza defendida por Lytvynenko. O golo do pivot logo no 2 minuto poderia desbloquear cedo um jogo que poderia ser bastante complicado para a nossa selecção.

Portugal tentou meter o seu cunho na partida: pressionar alto para obrigar os ucranianos a cometerem erros nas transições e aplicar uma circulação de bola rápida com movimentações bastante interessante para ganhar espaços para rematar ou criar situações de vantagem junto à área ucraniana.

Até aos 10″, a Ucrânia conseguiu encaixar no jogo português, equilibrar a partida e obrigar João Benedito a 3 intervenções. A partir dos 10″, o ritmo de jogo diminuiu e a Ucrânia retirou vantagem da falta de intensidade aplicada pela defesa portuguesa. Aos 11″ a selecção portuguesa até poderia ter feito o 2-0 quando Ricardinho fez um lançamento longo de campo-a-campo à procura de Fernando Cardinal e o pivot na cara de Lytvynenko atirou por cima da baliza. Como quem não marca, sofre, no minuto seguinte, dois erros de Portugal na saída de bola na mesma jogada (Gonçalo Alves e depois Ricardinho) ditaram o golo ucraniano obtido numa fogachada incrível de Valenko entre os apoios de João Benedito. Erros destes pagam-se bastante caro neste tipo de competições.

Após o golo Ucraniano, a selecção Portuguesa perdeu intensidade, agressividade e objectividade no seu golo. A Ucrânia conseguiu ter mais bola no meio-campo português e obrigou Jorge Braz a pedir timeout. No desconto de tempo, o seleccionador português pediu mais atenção aos seus atletas quanto às movimentações que os alas ucranianos estavam a realizar até aquele momento e pediu aos seus atletas mais pressão na saída de bola ucraniana. O timeout resultou e a equipa portuguesa voltou a reentrar em jogo com dois remates de Bruno Fernandes aos 16″, outro de Ricardinho para defesa do guarda-redes ucraniano aos 17″ depois de um fantástico trabalho individual na ala direita e outro de Gonçalo Alves a 30 segundos do fim numa reposição de bola para defesa a dois tempos de Lytvynenko. Ao intervalo, o empate aceitava-se.

Ao intervalo, como já é habitual, Jorge Braz colocou o guarda-redes André Sousa em campo.

Na 2ª parte Ricardinho decidiu abrir o seu livro. O antigo jogador do Benfica, agora no Inter Movistar da Liga Espanhola, decidiu brindar-nos com o melhor do seu virtuosismo técnico. Nos primeiros 3 minutos do segundo tempo, o ala tentou de meia distância e segundos depois repôs da direita para o centro onde apareceu Fernando Cardinal a rematar em cheio para o 2º golo da selecção portuguesa. Ricardinho não parou por aqui: aos 25″ rematou para defesa apertada de Lytvynenko e aos 28″ minutos voltou a usar do remate de meia distância para por em apuros o guarda-redes da selecção ucraniana.

No minuto 29″ aconteceu um dos casos do jogo: uma boa jogada colectiva do ataque ucraniano cria uma oportunidade para Rogachov na esquerda. O jogador recebe com o campo aberto para atirar à baliza de André Sousa, não é lesto a rematar sendo posteriormente ceifado por uma entrada fora de tempo de Arnaldo Pereira. O primeiro árbitro da partida, o húngaro Balasz Farkas não assinala a infracção cometida pelo jogador português. Neste lance fico com a sensação que o cartão amarelo seria uma sanção demasiado simpática para a falta cometida pelo jogador português. Rogachov saiu lesionado do lance e não voltou a entrar na partida.
No minuto seguinte, Ricardinho voltou a fazer uma maldade ao conseguir fintar um jogador ucraniano junto à linha com um toque subtil por cima das pernas do ucraniano e assistiu Arnaldo Pereira no centro para mais uma situação de finalização falhada pelos jogadores portugueses. Na resposta, 30 segundos depois, Shoturma rematou à entrada da área para defesa segura de André Sousa.

Ricardinho ia desiquilibrando jogada sim jogada não. Em duas jogadas brindou o público com duas arrancadas (uma pela direita e outra pela esquerda) seguidas de assistência para Pedro Cary (remate às malhas laterais) numa das jogadas. Pelo meio, Portugal podia ter feito o 3-1 em mais dois lances: no primeiro André Sousa solicitou Leitão na esquerda e o jogador brasileiro naturalizado português amorteceu a bola para o centro onde João Matos apareceu a tentar dar o toque final na bola. Infelizmente, o jogador do Sporting foi bem estorvado por Lytvynenko e por Kiselyov. No segundo, Ricardinho e João Matos combinaram bem, endossando a bola para a área onde Ricardo Fernandes (com o guarda-redes fora da jogada) atirou contra um defensor ucraniano. Animavam-se as bancadas onde os portugueses presentes pediam o golo da confirmação.

A 3 minutos do fim, o seleccionador ucraniano pediu um timeout. Do timeout resultou a colocação de um guarda-redes avançado, curiosamente inserido no meio do quadrado defensivo montado por Jorge Braz para a situação de jogo de forma a abrir a defesa portuguesa, aproveitar qualquer ressalto resultante de um remate dos seus companheiros e travar de forma rápida qualquer iniciativa de remate dos portugueses para a deserta baliza ucraniana. A 2 minutos numa perda de bola dos ucranianos, a selecção portuguesa conseguiu arrancar a 5ª falta. Na situaçao de guarda-redes avançado a Ucrânia mostrou não ter trabalhado bem a situação de superioridade númerica e não fez qualquer remate perigoso à baliza portuguesa.

Portugal segue para as meias-finais onde decerto irá encontrar a motivada selecção italiana, selecção que fez cair Portugal nos quartos-de-final do europeu da Croácia em 2012.

O golaço de Eder Lima a Portugal

é caso para dizer que Cristiano nem a viu…

A selecção portuguesa mede forças na segunda-feira com a Ucrânia nos quartos-de-final da prova. É preciso ter cautela com estes ucranianos. Pelo pouco que vi deles na fase de grupos defendem muito bem e são extremamente eficazes.

o que eu ando a ver #31

portugal 2

Fácil. Eficaz. Apuramento garantido para os quartos-de-final no primeiro jogo tal e qual aquilo que era antevisto. Cabe agora à nossa selecção de futsal vencer a Rússia no sábado para garantir o primeiro lugar, gorado o objectivo de golear a Holanda por 6 golos, tantos quanto o diferencial obtido pelos russos contra a referida selecção no jogo disputado na terça-feira.

João Matos abriu o marcador depois de uma fantástica combinação entre Ricardinho e Cardinal e de um fantástico trabalho individual de posto específico do pivot. O 2º apareceu antes do intervalo e a selecção orientada por Jorge Brás relaxou perante uma Holanda que me pareceu mais ofensiva e mais atrevida do que aquilo que demonstrou ser no jogo frente aos Russos. Na 2ª parte, Ricardinho trouxe ao de cima o seu brilhantismo técnico e com duas arrancadas fantásticas assistiu por 2 vezes os seus colegas e, literalmente, sentenciou a goleada.

O que eu ando a ver #29

sasa babic

No jogo inaugural do grupo D do torneio aconteceu a primeira surpresa da competição com a tetra-campeã europeia em título, a Espanha, a empatar surpreendentemente frente à Croácia.

Com uma selecção praticamente renovada, a selecção espanhola aparece neste europeu com a ambição compatível com o seu estatuto: manter-se invicta na prova, facto que acontece há 8 anos (a última derrota da selecção espanhola nos 40 minutos regulamentares de jogo foi frente à Itália em 2005) e levar para casa o 5º troféu consecutivo. Do outro lado estava a Croácia, selecção ascendente no cenário internacional do futsal, selecção que há 2 anos atrás no Europeu realizado em casa (Dubrovnik) conseguiu atingir de forma surpreendente as meias-finais da prova.

O último confronto realizado entre estas selecções foi em Março de 2013 num amigável disputado em Espanha com vitória da selecção espanhola por 10-0.

A Selecção Espanhola apresentou-se em campo para um jogo onde se previa um goleada frente à jovem selecção croata. Coube portanto aos croatas desde início apresentar um jogo que modificasse ligeiramente as previsões feitas para a partida. A selecção croata entrou muito bem no jogo com 4 remates seguidos nos primeiros 4 minutos do seu maior portento técnico, o ala Dario Marinovic, bota de ouro do último europeu. Aproveitando a falta de soluções manifestada pelos jogadores espanhóis no ataque (durante a primeira parte a equipa espanhol não conseguiu fazer mais do que uma circulação de bola estática e despejar bolas para o seu pivot Fernandão) os croatas defenderam de forma muito organizada, não permitindo que os espanhóis pudessem criar desequilíbrios de maior no seu meio-campo. A organização defensiva permitia aos croatas sair em rápidos contra-ataques e criar perigo na baliza defendida por Rafa. Prova disso foi quando aos 7″, Franko Jelovcic conseguiu interceptar uma bola no seu meio, galgou o campo inteiro com bola e rematou para defesa apertada do guardião espanhol.

Nesta primeira metade da 1ª parte, a Espanha limitava-se a tentar despejar bolas para Fernandão. O brasileiro naturalizado espanhol nunca conseguiu executar o seu forte movimento de rotação com bola de forma a almejar a baliza de Jukic. Quando solicitado, o guarda-redes croata respondia sempre com brilhantes paradas aos remates dos jogadores espanhóis. Prova disso foi quando aos 8″ saiu aos pés de Fernandão numa jogada em que o pivot já se encontrava isolado e pronto para inaugurar o marcador. Jukic fez uma grande exibição, falhando apenas no 3º golo da Espanha.

Quando podia lançar o seu contra-ataque, a Croácia ia colocando perigo à baliza de Rafa. Até que aos 9″ do primeiro tempo, Sasa Babic aproveitou uma bola que caiu na área rechaçada por Rafa (após mais um lance individual em contra-ataque de Jelovcic) para causar a primeira surpresa do dia.

Sem grandes soluções ofensivas, a Espanha só conseguiu responder 6 minutos depois quando numa reposição de bola na quadra, o fixo Aicardo rematou de meia-distância para o golo do empate. A Espanha tratou de estender a sua típica pressão a todo o terreno. Segundos depois do golo do empate, num lance mais ou menos igual ao que tinha dado o golo do empate aos espanhóis, o mesmo Aicardo esteve muito perto de colocar a espanha em vantagem.

Segunda surpresa. Mostrando uma estupenda, segura e confiante circulação de bola perante a pressão alta da selecção espanhola, os Croatas haveriam de surpreender mais uma vez: Sérgio Losano tenta um 1×1 na ala direita, perde a bola para Marinovic, o ala croata monta a transição em contra-ataque e depois roda a bola para o flanco esquerdo onde aparece Franco Jelovcic a rematar para o fundo das redes da baliza espanhola. A poucos segundos do fim, a Croácia poderia conseguido o 3º golo por intermédio de Novak. Numa transição, o jogador croata consegue ultrapassar um jogador na esquerda para depois flectir ao centro do terreno para aplicar um poderoso remate que saiu a milímetros da baliza de Rafa. A Espanha estava a pagar caro a falta de soluções ofensivas. Ao intervalo, a Croácia era uma justa vencedora pela organização defensiva que demonstrou, pela fantástica circulação de bola que apresentou e pelo veneno que conseguiu espalhar sempre que saiu em contra-ataque.

Na 2ª parte, a selecção espanhola entrou com uma dinâmica diferente. Os jogadores espanhóis usaram e abusaram dos passes e corte e da troca de posições entre os 4 homens de campo. No início da 2ª parte, Fernando largou a posição fixa à entrada da área, envolvendo-se mais no esquema de circulação da equipa.

Preciosismo ao não, facto a que não estamos habituados no nosso futsal, a primeira falta da partida só viria à passagem do minuto 22.

A Espanha foi montando o cerco à baliza croata no início desta segunda parte como de resto lhe competia como selecção “mais que favorita” à vitória na mesma. Primeiro foi o capitão Jordi Torras a tentar duas vezes a sua sorte do meio da rua, ou como quem diz, do meio-campo. A Croácia já não conseguia sair com tanta facilidade, e como tal, ia cometendo erros. Aos 3″ o guarda-redes Jukic não foi lesto a recolocar a bola em jogo. Livre à entrada da área. Torras atirou com força ao poste depois do guarda-redes ainda ter tocado na bola. Aos 6″, depois de mais um erro básico da modalidade (o último jogador croata tentou sair com bola através de 1×1) a bola foi parar aos pés de Lin que tratou de capitalizar o erro da selecção balcânica.

Os croatas mal tiveram tempo para assimilar o 2-2: um jogador espanhol remata para defesa incompleta de Jukic (penso que poderia ter feito muito mais neste lance) e no ressalto para o lado esquerdo da sua baliza, Lin aparece e com uma rotação magnífica sobre um defensor vai para o lado fechado e atira de bandeira para dentro da baliza defendida por Jukic. Sem conseguir funcionar como um colectivo, a Espanha estava em vantagem fruto de um bom trabalho individual do ala que representa o Barcelona.

Nos minutos que se seguiram ao 3º golo espanhol, o jogo entrou numa fase mais descaracterizada, pese embora a avidez com que os espanhóis se lançaram em busca do 4º golo. A Croácia já não demonstrava nesta altura a mesma segurança e resiliência demonstrada na primeira parte na posse e circulação de bola. Nesta fase da partida, destaque apenas para dois toques de calcanhar que poderiam ter resultado em golo: em dois lances exactamente iguais (passes a rasgar para a entrada da área) tanto Marinovic como Aicardo tentar dois bonitinhos sobre os guarda-redes rivais. O primeiro acabaria por sair pela linha final enquanto o segundo motivou Jokic a uma fantástica defesa por instinto com o braço.

Quando pouco havia a perder, o seleccionador croata Mato Stankovic decidiu arriscar e colocar em campo o guarda-redes avançados. O 5×4 seria efectivo logo no primeiro lance: uma troca de bolas entre alas permite o remate à baliza de Juanjo e o guarda-redes espanhol faz uma defesa incompleta para a entrada da área, terreno onde, vindo de trás, aparece Matija Capar (guarda-redes avançado) a antecipar-se a dois jogadores espanhóis para fazer o 3-3 final. A 12 segundos do final, Sérgio Lozano ainda enviou com estrondo à barra de Jukic um potentíssimo remate que poderia ter sentenciado a vitória espanhol

Premio justíssimo para o que a selecção croata que em Antuérpia provou que as selecções menos cotadas na prova já mostram uma evolução na modalidade muito satisfatória e que no futsal já não existem vitórias antecipadas.

+ 2 notas de destaque:

1 – A derrota da selecção da casa frente à Roménia por 6-1 numa partida em que os romenos aproveitaram literalmente todas as oportunidades que criaram.

2- As declarações do seleccionador nacional  Jorge Braz ao site da UEFA na antevisão da estreia de Portugal na prova, amanhã frente à Holanda, jogo que terá o seu início às 19:45 (transmissão Eurosport)

o que ando a ver #28

cirillo

Campeonato da Europa de Futsal – Bélgica – 1ª jornada – Russia vs Holanda.

No jogo inaugural da competição, a contar para o grupo de Portugal (a selecção portuguesa só faz o seu primeiro jogo na competição na quinta-feira frente à Holanda; são grupos de 3 onde passam as duas primeiras) pode-se dizer que a Rússia carimbou praticamente o apuramento para a 2ª fase ao vencer a Holanda por 7-0.

Os Holandeses entraram bem na partida e logo nos primeiros segundos dispuseram de um livre à entrada da área para poder inaugurar o marcador. A aplicar uma defesa alta quando os Russos tinham a posse de bola, percebeu-se desde o início da partida que o seleccionador Holandês poderia estar a cometer suicídio frente à vice-campeã europeia, equipa que para além de um grande colectivo tem em alguns jogadores como os brasileiros naturalizados Robinho, Pula, Eder Lima, Gustavo e Cirillo ou em Lyskov grandes talentos individuais. O colectivo aliado à frieza na hora de finalizar as jogadas que iam sendo construídas foi o facto determinante que permitiu aos russos cavarem uma diferença de 4-0 na primeira parte com 2 golos de Cirillo, Eder Lima e Sergeev. Os dois golos do jogador do Dinamo de Moscovo seriam os momentos altos da primeira parte: o primeiro numa brilhante jogada em que Cirillo recebeu a bola, rodou e ao rodar para o centro do terreno tirou dois holandeses do caminho antes de atirar de forma triunfal para o fundo das redes da baliza holandesa e outro na cobrança de um livre directo à entrada da área.

Na 2ª parte, a Holanda, selecção que teve muitas dificuldades em ter bola e construir situações de finalização, acabaria por limpar a imagem deixada na primeira parte com um golo de consolação, apesar dos 3 marcados pela russia. A diferença entre os melhores da modalidade e os medíocres viu-se a olhos: El Allouchi, o holandês que mais se fez notar na partida teve várias oportunidades para marcar mais golos para a Holanda mas não soube aproveitar, fruto do deslumbramente que os lances (2 deles onde esteve na cara de Gustavo) decerto deverão ter provocado. Do outro lado, os russos facilmente chegavam a situações claras de finalização. É uma equipa que joga com processos bastante simples, bastante cínica (com 2\3 toques consegue construir uma oportunidade de golo) e, pelo que pude depreender, uma selecção que trabalha muito bem as reposições de bola quase sempre para criar situações de remate à baliza. O Portugal vs Rússia vai ser um jogo bastante interessante para perceber o nível actual de competitividade das duas selecções.

o que eu ando a ver #20

sem paciência para o Arsenal vs Tottenham, informo:

Futsal – Sporting 3-1 Leões de Porto Salvo ao intervalo.

o Benfica empatou no pavilhão da Luz frente ao Rio Ave a 2 bolas.

Taça de Portugal de Futebol:

Leixões 1-5 Estoril

Voleibol – Apuramento para o Mundial:

Depois de ter perdido contra a Eslovénia, Portugal venceu hoje (na Sérvia) a selecção da macedónia por 3-0 em sets. A selecção Portuguesa mantém a possibilidade de se qualificar directamente para o mundial da modalidade. Para isso, Portugal terá que vencer amanhã a Sérvia, indiferentemente do que se possa passar no Sérvia – Eslovénia, em andamento neste preciso momento.

O que eu ando a ver #13

Notificação em directo: enquanto escrevia o post de baixo, estive a dar uma olhada na RTP 2 no jogo entre Braga\UM e Leões de Porto Salvo. 3º contra 4º. Os Leões de Porto tem à 15ª o melhor ataque da prova com 85 golos marcados (média de 6.07 por jogo) e alguns dos melhores marcadores do campeonato com Ré, David e Dura.

a 5 minutos do final da primeira parte estão a levar 5 (5-1) do Braga, com parcial de 4-0 nos primeiros 4 minutos.

p.s: 7-1 a 2 minutos do intervalo. os leões indomáveis estão a provar do seu veneno.

p.s 2: 10-3 a poucos minutos do fim enquanto faço um zapping rápido entre o futsal e o jogo de andebol entre o Sporting e o Águas Santas.