God Save the Queen (or at least try to…) #10

First:

Só consegui ver os 20 minutos finais quando o Arsenal já geria a sua magra vantagem. Fica na retina o lance que decidiu a partida.

Second:

Chelsea e Liverpool defrontaram-se esta tarde em Stanford Bridge com a perseguição ao Arsenal na mira das duas equipas.

Na antevisão do jogo, José Mourinho afirmou que a equipa necessita de mais “1 ou 2 contratações de valor” para se tornar uma equipa, segundo as palavras do técnico, “fantástica” – se dentro do campo Mourinho venceu (justamente) o Liverpool pelo caudal ofensivo produzido pelos Blues no primeiro tempo, no campo das palavras, Mourinho provou do seu próprio veneno, pelo menos, no que diz respeito às declarações que proferiu no início desta semana depois do jogo contra o Arsenal (e das queixas que foram feitas pelos Gunners no que toca à arbitragem) visto que o Liverpool pode queixar-se da actuação de Howard Webb ao não assinalar um penalty claríssimo de Samuel Eto´o sobre Luis Suarez aos 81″.

A primeira parte mostrou-nos um dos melhores 45 minutos da Premier League desta temporada. Com uma entrada incisiva, as duas equipas jogaram tudo para marcar cedo, cabendo aos homens de Brendan Rodgers abrir o marcador aos 4″ por intermédio do central Eslovaco Martin Skrtel – falta de Eto´o na esquerda sobre Agger (à qual Howard Webb poupou o primeiro amarelo) livre batido pelo brasileiro Phillippe Coutinho, Suarez penteia a bola para o corte de Ivanovic que coloca a bola na esfera de acção do central eslovaco que só tem que empurrar para o fundo das redes de Petr Cech.

O Liverpool entrou no jogo com muita ambição, motivo que obrigou o Chelsea a puxar dos galões depois do golo sofrido. Com Hazard na direita e Willian na esquerda a criar muito jogo para os Blues (e a darem água pela barba para os laterais do Liverpool Glen Johnson e Daniel Agger) rapidamente os Blues cercaram a baliza defendida pelo Belga Mignolet. Aos 5″ Hazard foi solicitado na direita à entrada na área tendo rematado para grande defesa do seu compatriota. 2 minutos depois, depois de uma falta ganha por Willian na esquerda, do livre resultaria um cabeceamento de Gary Cahill ao lado. O Chelsea crescia perante um Liverpool mais cauteloso. Cautelosa também era a postura dos laterais do Chelsea (Ivanovic à direita e Azpilicueta à esquerda) perante o poderoso arranque dos extremos contrários (Steerling foi um diabo à solta no flanco direito, pese embora ter jogado algo desapoiado e ter recebido a bola quase sempre com 3 e 4 adversários na sua esfera de acção). Aos 10″ Hazard entrou dentro da área e tentou cavar um penalty. Na repetição, nota-se que o Belga driblou um adversário, e, sabendo que um adversário vinha embalado de trás para tentar desarme, fez um compasso de espera e atirou-se para a piscina de forma a provocar uma reacção do experiente Howard Webb.

Com o Chelsea a crescer no jogo, adivinhava-se o golo do empate. Aos 12″ foi Lampard a tentar de meia-distância para mais uma grande defesa de Mignolet. No melhor do pano cai a nódoa. Daniel Agger estava a ter muitas dificuldades para travar Eden Hazard pela direita. Como se não bastasse o lance aos 16″ em que Howard Webb avisou o dinamarquês que seria a última falta antes do cartão amarelo (empurrão do dinamarquês na lateral sem bola quando Hazard pretendia ganhar em velocidade para receber um passe de Lampard), o Belga tirou partido desse facto e dois minutos depois haveria de aparecer no centro do terreno a aproveitar um mau alívio de um jogador do Liverpool para atirar para o fundo das redes num fenomenal remate em arco.

Sem grande posse de bola (Henderson e Joe Allen foram completamente secos pelo móvel meio-campo do Chelsea; em particular por um David Luiz omnipresente em todas as tentativas de ataque dos Reds) tanto Luis Suarez como Raheem Sterling tentaram sair várias vezes em contra-ataque mas todas as suas tentativas saíram goradas frente a um limpo e eficaz aparelho defensivo da turma de José Mourinho.

Depois de 25 minutos fantásticos, o jogo pacificou. Aos 25″, Cahill tirou o pão da bola a Joe Allen já dentro da área. 3 minutos depois dá-se um dos momentos do jogo: Branislav Ivanovic lesiona-se num lance, é assistido pela fisioterapeuta portuguesa Eva Carneiro, volta ao jogo e pede substituição. Entra Ashley Cole e Mourinho é obrigado a trocar os laterais, troca que até deu algum efeito no que toca à prestação do espanhol. Seria o espanhol aquele que iria dar o clique para o 2º golo dos Blues aos 33″ desmarcando-se na direita para receber um passe do miolo, colocando a bola já dentro da área para Óscar trabalhar para o toque final de Eto´o na cara de um Mignolet muito mal batido no lance. Único lance de destaque para o brasileiro na partida. Ofereceu muitas vias de passe no meio-campo, trabalhou muito mas não fez uma exibição por aí além. A equipa de José Mourinho tinha a sorte de marcar numa altura em que as equipas apresentavam um futebol pouco esclarecido.

Até ao final da 1ª parte, destaque para um remate de Joe Allen para uma grande defesa de Petr Cech aos 41″. A equipa de Brandon Rodgers necessitava de mais posse de bola na 2ª parte para poder construir situações para o seu homem de referência. Para isso muito contribuíu também a pressão a meio campo feita por David Luiz e Frank Lampard, pressão essa que fez com que Allen não tivesse muito jogo nos pés e, nas transições, Lucas não fosse efectivo no capítulo do passe.

Ao intervalo, Mourinho tirou Lampard para colocar John Obi Mikel. O Liverpool entrou mais acutilante e com mais posse de bola. Apercebendo-se disso, os jogadores do Chelsea subiram o bloco de pressão à altura da transição de jogo, feita quase sempre por Lucas Leiva. O ímpeto inicial dos Reds levaria a uma bola ao poste aos 51″ por intermédio de Sakho depois de um livre na direita onde Phillippe Coutinho passa a bola rasteira para Lucas e o brasileiro executa um belo picadinho para a cabeça do francês, livre de marcação .Bola cá, bola lá. Aproveitando o caudal ofensivo de Hazard e Willian e a pressão alta exercida sobre Lucas, o Belga aproveita um passe transviado do brasileiro para lançar Samuel Eto´o isolado na cara de Mignolet. O camaronês teve todo o tempo do mundo para fuzilar o antigo guarda-redes do Sunderland mas acabou por lhe permitir a defesa da tarde em Stanford Bridge. O Belga remediou assim o golo sofrido na primeira parte.
Nesta fase do jogo, destaque novamente para Willian e Hazard. O primeiro foi ávido a explorar o flanco-esquerdo quando Glen Johnson subiu em demasia no terreno. Quando o internacional inglês estacionava à sua frente, procurou o miolo e do miolo lançou muitas vezes Hazard e Azpilicueta na direita. Já o Belga foi um autêntico quebra cabeças para a defensiva do Liverpool.

Bola cá, bola lá: Suarez tentou o golo aos 57; do outro lado, Samuel Eto´o obrigava Skrtel a uma grande exibição. Na direita, Raheem Sterling ia remando contra a maré (leiam-se sempre 3\4 jogadores do Chelsea na sua esfera de acção quando tinha bola).

O Chelsea voltou a pacificar o jogo quando tal atitude mais lhe convinha através de um jogo de contenção. Rapidamente voltaria a desarmar (em definitivo o ímpeto ofensivo do Liverpool). Até ao minuto 81″ quando Howard Webb fez vista grossa ao lance que poderia ter dado o empate à equipa de Anfield Road. Suarez disputa um lance na área com Gary Cahill, o central inglês corta e segue com bola num movimento perpendicular à linha final perante a oposição do uruguaio e, de repente, aparece Samuel Eto´o a ir às pernas de Suarez na tentativa de fazer um bloqueio. Howard Webb não viu um lance que na minha opinião me pareceu claríssimo.

Até ao final, nota apenas para uma escaramuça que envolveu Óscar e Lucas Leiva com Suarez à mistura. Brandon Rodgers ainda tem muito trabalho pela frente até ter uma equipa capaz de lutar pelo título. Em Janeiro ou no próximo verão ainda terá que reforçar a equipa com um bom defesa-esquerdo, outro defesa-direito, um jogador capaz de efectuar transições de forma rápida e, quanto a mim, com um homem de área mais vocacionado para jogo directo em momentos em que a equipa esteja a perder.
A equipa de Mourinho vai cavando uma luta a três com City e Arsenal, se bem que ainda desconfio muito da regularidade da equipa de Wenger.

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