Curiosidades da Champions

José Mourinho continua a acumular recordes ao seu currículo e à lista dos recordes portugueses (lembro que Ronaldo já igualou o recorde de golos marcados numa época com 14 golos, a primeira marca pertence a Messi, na época 2011/2012) com a passagem às meias-finais da Champions, o que mantém o treinador português 100 por cento vitorioso no que diz respeito a trajectos nesta competição até aos quartos de final (passagem de eliminatórias), sendo esta a oitava vez que Mourinho carimba a passagem para as meias da competição.

Curiosidade é o facto de no jogo de ontem terem sido dois substitutos aos habituais titulares a decidirem o jogo (Schurrle e Demba Ba), o que motiva ainda outra curiosidade pois é a primeira vez esta época que dois suplentes marcam e decidem um jogo.

Digam o que disserem, eu próprio já tinha crucificado o Chelsea nesta eliminatória e nunca pensei que viesse a dar a volta, no entanto a vitalidade do golo marcado em Paris e o discurso correcto e motivacional de Mou ao longo da semana fez com que a história se escrevesse de outra forma.

Por outro lado, em Espanha o Real também quebra recordes e ontem viu-lhe ser atribuída a passagem à sua 30ª meia-final europeia, no entanto e por ter perdido o jogo por 2-0 com o Dortmund, ficou arredado da sua série de 34 jogos consecutivos a marcar.

God Save the Queen (or at least try to…) #18

Enquanto Mourinho escreveu no bloco de notas de um jornalista que o que realmente faltou à equipa para vencer o Crystal Palace foi um bom par de tomates (“balls”) e, o Arsenal de Wenger, já despressurizado, ou como quem diz, arredado do título pelo facto de não conseguir vencer jogos contra os grandes, até conseguiu travar o City no Emirates (os citizens estão cada vez mais próximos do título), a verdadeira cena da jornada aconteceu na derrota do Fulham contra o Everton por 3-1.

Um adepto do Fulham pegou numa bengala de um cego e ofereceu-a ao fiscal-de-linha da partida, que, por acaso, até se riu da situação. Um protesto no mínimo hilariante.

frase do dia

(tangas – porque ganhou por 6-0…)

«O jogo estava a terminar, a minha mulher não o estava a ver na televisão e pediu-me, mal pudesse, para lhe ligar para informá-la do resultado. Ela tinha algumas dúvidas sobre os marcadores dos golos, apesar de ainda faltarem dois minutos. Se pudesse ter-lhe ligado antes seria perfeito» – José Mourino no flash-interview realizado após o final do Chelsea vs Arsenal.

God Save the Queen (or at least try to…) #17

Rolo compressor ou simplesmente a melhor resposta que Mourinho deu a Wenger? Arsenal Out. Homem do jogo: André Schurrle.

É certo que para a goleada contribuiu em muito o erro grosseiro do árbitro da partida André Mariner quando expulsou Kieran Gibbs num lance em que a bola foi cortada por Oxlade-Chamberlain. Não tenham a menor dúvida que o episódio será analisado e julgado pelo panel de arbitragem da FA e Mariner será severamente castigado. Subtil diferença entre a analise que é executada pela Football Association às arbitragens e aquela que não é feita pelo Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, mais precisamente, pela sua Comissão de Análise.

Muito in…

O Liverpool de Brendan Rodgers continua a deslumbrar. Depois do 3-0 em Old Trafford, um 6-3 em Cardiff mantem viva a hipótese dos Reds lutar pelo título da Premier League, título que escapa há 24 anos.

frase do dia

wenger

A resposta de José Mourinho ao treinador do Arsenal não demorou muito: “He is a specialist in failure. I’m not. So if supposing he’s right and I’m afraid of failure, it’s because I don’t fail many times. So maybe he’s right. I’m not used to failing. But the reality is he’s a specialist because, eight years without a piece of silverware, that’s failure. If I did that in Chelsea I’d leave and not come back.”

Já diz o ditado: Quem diz o que quer, ouve o que não quer! É assim que José Mourinho centra as atenções da imprensa em si, retira pressão da equipa, pressiona os jogadores adversários e moraliza a sua equipa. Por outro lado, verdade seja dita, são estas as guerrinhas que fazem as delícias da imprensa inglesa e que geram o tal fascínio que esta sente pelo treinador português!

God Save the Queen (or at least try to…) #10

First:

Só consegui ver os 20 minutos finais quando o Arsenal já geria a sua magra vantagem. Fica na retina o lance que decidiu a partida.

Second:

Chelsea e Liverpool defrontaram-se esta tarde em Stanford Bridge com a perseguição ao Arsenal na mira das duas equipas.

Na antevisão do jogo, José Mourinho afirmou que a equipa necessita de mais “1 ou 2 contratações de valor” para se tornar uma equipa, segundo as palavras do técnico, “fantástica” – se dentro do campo Mourinho venceu (justamente) o Liverpool pelo caudal ofensivo produzido pelos Blues no primeiro tempo, no campo das palavras, Mourinho provou do seu próprio veneno, pelo menos, no que diz respeito às declarações que proferiu no início desta semana depois do jogo contra o Arsenal (e das queixas que foram feitas pelos Gunners no que toca à arbitragem) visto que o Liverpool pode queixar-se da actuação de Howard Webb ao não assinalar um penalty claríssimo de Samuel Eto´o sobre Luis Suarez aos 81″.

A primeira parte mostrou-nos um dos melhores 45 minutos da Premier League desta temporada. Com uma entrada incisiva, as duas equipas jogaram tudo para marcar cedo, cabendo aos homens de Brendan Rodgers abrir o marcador aos 4″ por intermédio do central Eslovaco Martin Skrtel – falta de Eto´o na esquerda sobre Agger (à qual Howard Webb poupou o primeiro amarelo) livre batido pelo brasileiro Phillippe Coutinho, Suarez penteia a bola para o corte de Ivanovic que coloca a bola na esfera de acção do central eslovaco que só tem que empurrar para o fundo das redes de Petr Cech.

O Liverpool entrou no jogo com muita ambição, motivo que obrigou o Chelsea a puxar dos galões depois do golo sofrido. Com Hazard na direita e Willian na esquerda a criar muito jogo para os Blues (e a darem água pela barba para os laterais do Liverpool Glen Johnson e Daniel Agger) rapidamente os Blues cercaram a baliza defendida pelo Belga Mignolet. Aos 5″ Hazard foi solicitado na direita à entrada na área tendo rematado para grande defesa do seu compatriota. 2 minutos depois, depois de uma falta ganha por Willian na esquerda, do livre resultaria um cabeceamento de Gary Cahill ao lado. O Chelsea crescia perante um Liverpool mais cauteloso. Cautelosa também era a postura dos laterais do Chelsea (Ivanovic à direita e Azpilicueta à esquerda) perante o poderoso arranque dos extremos contrários (Steerling foi um diabo à solta no flanco direito, pese embora ter jogado algo desapoiado e ter recebido a bola quase sempre com 3 e 4 adversários na sua esfera de acção). Aos 10″ Hazard entrou dentro da área e tentou cavar um penalty. Na repetição, nota-se que o Belga driblou um adversário, e, sabendo que um adversário vinha embalado de trás para tentar desarme, fez um compasso de espera e atirou-se para a piscina de forma a provocar uma reacção do experiente Howard Webb.

Com o Chelsea a crescer no jogo, adivinhava-se o golo do empate. Aos 12″ foi Lampard a tentar de meia-distância para mais uma grande defesa de Mignolet. No melhor do pano cai a nódoa. Daniel Agger estava a ter muitas dificuldades para travar Eden Hazard pela direita. Como se não bastasse o lance aos 16″ em que Howard Webb avisou o dinamarquês que seria a última falta antes do cartão amarelo (empurrão do dinamarquês na lateral sem bola quando Hazard pretendia ganhar em velocidade para receber um passe de Lampard), o Belga tirou partido desse facto e dois minutos depois haveria de aparecer no centro do terreno a aproveitar um mau alívio de um jogador do Liverpool para atirar para o fundo das redes num fenomenal remate em arco.

Sem grande posse de bola (Henderson e Joe Allen foram completamente secos pelo móvel meio-campo do Chelsea; em particular por um David Luiz omnipresente em todas as tentativas de ataque dos Reds) tanto Luis Suarez como Raheem Sterling tentaram sair várias vezes em contra-ataque mas todas as suas tentativas saíram goradas frente a um limpo e eficaz aparelho defensivo da turma de José Mourinho.

Depois de 25 minutos fantásticos, o jogo pacificou. Aos 25″, Cahill tirou o pão da bola a Joe Allen já dentro da área. 3 minutos depois dá-se um dos momentos do jogo: Branislav Ivanovic lesiona-se num lance, é assistido pela fisioterapeuta portuguesa Eva Carneiro, volta ao jogo e pede substituição. Entra Ashley Cole e Mourinho é obrigado a trocar os laterais, troca que até deu algum efeito no que toca à prestação do espanhol. Seria o espanhol aquele que iria dar o clique para o 2º golo dos Blues aos 33″ desmarcando-se na direita para receber um passe do miolo, colocando a bola já dentro da área para Óscar trabalhar para o toque final de Eto´o na cara de um Mignolet muito mal batido no lance. Único lance de destaque para o brasileiro na partida. Ofereceu muitas vias de passe no meio-campo, trabalhou muito mas não fez uma exibição por aí além. A equipa de José Mourinho tinha a sorte de marcar numa altura em que as equipas apresentavam um futebol pouco esclarecido.

Até ao final da 1ª parte, destaque para um remate de Joe Allen para uma grande defesa de Petr Cech aos 41″. A equipa de Brandon Rodgers necessitava de mais posse de bola na 2ª parte para poder construir situações para o seu homem de referência. Para isso muito contribuíu também a pressão a meio campo feita por David Luiz e Frank Lampard, pressão essa que fez com que Allen não tivesse muito jogo nos pés e, nas transições, Lucas não fosse efectivo no capítulo do passe.

Ao intervalo, Mourinho tirou Lampard para colocar John Obi Mikel. O Liverpool entrou mais acutilante e com mais posse de bola. Apercebendo-se disso, os jogadores do Chelsea subiram o bloco de pressão à altura da transição de jogo, feita quase sempre por Lucas Leiva. O ímpeto inicial dos Reds levaria a uma bola ao poste aos 51″ por intermédio de Sakho depois de um livre na direita onde Phillippe Coutinho passa a bola rasteira para Lucas e o brasileiro executa um belo picadinho para a cabeça do francês, livre de marcação .Bola cá, bola lá. Aproveitando o caudal ofensivo de Hazard e Willian e a pressão alta exercida sobre Lucas, o Belga aproveita um passe transviado do brasileiro para lançar Samuel Eto´o isolado na cara de Mignolet. O camaronês teve todo o tempo do mundo para fuzilar o antigo guarda-redes do Sunderland mas acabou por lhe permitir a defesa da tarde em Stanford Bridge. O Belga remediou assim o golo sofrido na primeira parte.
Nesta fase do jogo, destaque novamente para Willian e Hazard. O primeiro foi ávido a explorar o flanco-esquerdo quando Glen Johnson subiu em demasia no terreno. Quando o internacional inglês estacionava à sua frente, procurou o miolo e do miolo lançou muitas vezes Hazard e Azpilicueta na direita. Já o Belga foi um autêntico quebra cabeças para a defensiva do Liverpool.

Bola cá, bola lá: Suarez tentou o golo aos 57; do outro lado, Samuel Eto´o obrigava Skrtel a uma grande exibição. Na direita, Raheem Sterling ia remando contra a maré (leiam-se sempre 3\4 jogadores do Chelsea na sua esfera de acção quando tinha bola).

O Chelsea voltou a pacificar o jogo quando tal atitude mais lhe convinha através de um jogo de contenção. Rapidamente voltaria a desarmar (em definitivo o ímpeto ofensivo do Liverpool). Até ao minuto 81″ quando Howard Webb fez vista grossa ao lance que poderia ter dado o empate à equipa de Anfield Road. Suarez disputa um lance na área com Gary Cahill, o central inglês corta e segue com bola num movimento perpendicular à linha final perante a oposição do uruguaio e, de repente, aparece Samuel Eto´o a ir às pernas de Suarez na tentativa de fazer um bloqueio. Howard Webb não viu um lance que na minha opinião me pareceu claríssimo.

Até ao final, nota apenas para uma escaramuça que envolveu Óscar e Lucas Leiva com Suarez à mistura. Brandon Rodgers ainda tem muito trabalho pela frente até ter uma equipa capaz de lutar pelo título. Em Janeiro ou no próximo verão ainda terá que reforçar a equipa com um bom defesa-esquerdo, outro defesa-direito, um jogador capaz de efectuar transições de forma rápida e, quanto a mim, com um homem de área mais vocacionado para jogo directo em momentos em que a equipa esteja a perder.
A equipa de Mourinho vai cavando uma luta a três com City e Arsenal, se bem que ainda desconfio muito da regularidade da equipa de Wenger.

God save the queen (or at least try to…) #9

a imprensa portuguesa, emprenhada pelos ouvidos pelas sentences do Guardian e do Independent. Há um mes atrás o que era fixe era “correr com o Moyes no pior período da história do Manchester” – uma série vitoriosa e “Moyes já é o grande treinador de um United em ascenção”

Começo a desconfiar que Mourinho vai até lá cima pé ante pé. Não creio ainda que os Wenger Boys tenham esforço para manter a regularidade que apresentaram nesta metade de temporada. O Liverpool de Rodgers está a construir uma boa equipa para o fruto mas ainda vive dos fogachos de Suarez. O United pode recuperar a diferença e tudo pode acontecer de um dia para o outro. Não será a primeira nem a última vez que a equipa de Manchester nos irá brindar com o fantástico. Resta o brilhante City de Pellegrini perante um Chelsea que, a jogar mal, vai andando pelos lugares cimeiros aos repolões.

frase do dia

Mourinho

Sou da opinião que José Mourinho deve mudar novamente a alcunha. De “Happy One” deve alterar para “the insatisfaction one” – como é seu tímbre, continua a puxar as atenções para si. Nada se alterou desde a última época de Madrid. Estranha é, comparando as declarações que proferiu nos dias em que esteve em Londres para assinar contrato com o Chelsea, a atitude do português. Em Junho pudemos assistir a toda uma cena de teatro (mais uma no infindável rol que já protagonizou em toda a sua carreira) onde o Português regozijava de felicidade por voltar a um futebol sem fitas, de ambiente fantástico, recheado de cumplicidade entre a imprensa e os agentes desportivos. Os meses passaram. Mourinho baixou as espectativas em relação à equipa e disse que está a formar um colectivo. Aceito. Contudo, o circo continua. Os bate bocas com os jornalistas ingleses são os mesmos que tinha em Madrid e em Milão. Continua a mediatizar as atenções para si. O tal futebol sem fitas, tem limites. Os outros é que tem culpas. Eu cá vi o jogo e considero que o Arsenal mereceu ganhar. Já cheira mal tanta insatisfação. Já cheira mal tanta cara de enjoo nas conferências de imprensa…

Sorteio Champions

Criam-se situações para tudo nos dias que correm. O canal do city mostra-nos a reacção dos jogadores do City ao sorteio da Champions.

1. Manchester City vs Barcelona é em conjunto com o Bayern de Munique vs Arsenal um dos jogos cabeça de cartaz dos oitavos de final. 4 equipas com aspirações. O City chega pela primeira vez aos oitavos-de-final da prova. Depois de duas experiências falhadas na maior prova da UEFA (dois 3ºs lugares e consequente repiscagem para a Liga Europa, onde não conseguiu atingir os quartos-de-final; uma das eliminações ocorreu naquele jogo fantástico que o Sporting de Sá Pinto fez no City of Manchester) o City conseguiu acabar com o enguiço da fase de grupos e os milhões imperaram. Pellegrini está a fazer um grande trabalho no City (assim como o fez em Madrid ao contrário do que todos os pseudo-experts de bola afirmam; perdeu o campenato mas foi até agora o treinador que obteve a maior pontuação dos merengues na Liga) e o futebol de ataque protagonizado pela equipa de Manchester levou a que incomodasse o imperioso Bayern no Allianz Arena. Aos 11″ o Bayern vencia por 2-0 e Ribery dava espectáculo. Vindos de uma fantástica goleada por 7-0 ao Werder Bremen para a Bundesliga suspeitava-se nessa hora que os bávaros iriam arrancar para mais uma goleada. Pé ante pé (com uma exibição enorme de Fernandinho) os homens de Pellegrini conseguiram fazer o que os clubes alemães não fazem há 40 jogos para a Bundesliga: vencer no terreno do fantástico Bayern, cada vez mais cunhado na toada de Guardiola: uma equipa que entra a matar, constrói uma vantagem segura nos primeiros 25 minutos de jogo e depois retira qualquer oportunidade de reacção ao adversário a partir de um jogo de posse e circulação de bola. A única diferença que vislumbro deste Bayern em relação ao Barcelona de Guardiola é a fome insaciável de golos que Arjen Robben e companhia têm mesmo a ganhar. Pela frente, os homens de Pellegrini terão o Barcelona de Tata Martino. O argentino tem cunhado algumas diferenças no estilo de jogo da equipa em relação ao que era apresentado pelos seus antecessores. A essência de Guardiola continua lá mas foi alterada por Martino. O fio de jogo continua lá: os desiquílibrios pelo miolo de Messi (e Neymar pelo flanco esquerdo), a constante subida dos laterais ao último terço do terreno, a infindável posse de Xavi e Iniesta, o rigor táctico de Busquets no equilíbrio da equipa e a figura de Alexis como um avançado móvel trabalhador não-finalizador. Contudo, Martino incutiu mais objectividade na equipa e ao contrário de Guardiola e Villanova, esta não fecha a loja quando se encontra a vencer por 2 ou 3-0.

Prevê-se um duelo muito renhido. Messi pode não alinhar na eliminatória ou alinhar em péssimas condições de forma em virtude da lesão que está a tratar na Argentina com o staff médico da sua selecção. Neymar está a subir imenso de rendimento e assume-se como o patrão de equipa na ausência do astro argentino. O City poderá repetir em Nou Camp a façanha cometida no Allianz Arena, sendo portanto expectável uma eliminatória em que qualquer equipa poderá vencer fora de portas.

Bayern e Arsenal encontrar-se-ão no final de Fevereiro. Sobre a equipa de Guardiola existe pouco a dizer. A equipa de Wènger tem agora nos próximos dias o seu maior teste: passar o boxing day na liderança. Em situações normais, com o Arsenal em 3º ou 4º o boxing day costuma ser muito difícil para a equipa de Wènger. Na liderança, será um teste de fogo às capacidades internas deste Arsenal que faz da criatividade dos homens do meio-campo (Wilshere, Ramsey, Ozil) o seu forte. Se o Arsenal passar o infernal calendário do natal sem derrotas, estou certo que chegará a Fevereiro com todas as possibilidades de vender muito cara a eliminatória à equipa bávara.

Noutro vértice temos os duelos entre Atlético de Madrid e Milan. Madrilenos e milaneses irão encontrar-se em Fevereiro para uma eliminatória com conteúdos interessantes. Duas épocas completamente distintas, com objectivos iniciais completamente distintos. Apesar do Atlético ter o objectivo de se posicionar a meio da luta de titãs que tem caracterizado a liga espanhola nos últimos 10 anos, se vendessem a Simeone a conjectura actual interna e externa do Atleti, estou certo que o Argentino seria capaz de a comprar no imediato a pronto pagamento. Allegri vai vivendo dias de amargura no seu desesperável Milan. Com um pé fora do clube dia sim dia não, com um plantel desiquilibradíssimo, com resultados muito fracos a nível interno e um apuramento europeu arrancado a ferros (ou melhor, com um empate em amesterdão resultante de um penalti assinalado num lance em que a falta pertence a Mario Balotelli) o treinador italiano aguarda apenas o momento em que Barbara Berlusconi receba a tão esperada ordem do seu pai para passar o cheque de indeminização por despedimento. O que de certa forma é injusto para um treinador cuja direcção prometeu uma reestruturação total ao plantel na época passada e não cumpriu. Ainda para mais quando Allegri cumpriu os objectivos traçados pela direcção na época passada, época essa em que a direcção milanese decidiu estoirar por completo com o plantel da sua equipa com a venda dos melhores jogadores (Zlatan e Thiago Silva num primeiro momento e Kevin Prince Boateng num segundo já no passado defeso).

Carga positiva. Dois estilos que tem alguns traços em comum. O cinismo catenacciano da equipa de Simeone, assimilado talvez nos anos em que o Argentino jogou na Lázio. Uma defesa extremamente organizada, eficaz. Alessandro Nesta revestido de Diego Godín. Favalli num certinho Felipe Luis que só não é titular na selecção do seu país porque do outro lado, junto à Plaza Cibelles mora o melhor lateral-esquerdo do mundo, Marcelo. Koke na pele de Sérgio Conceição. Gabi, o cérebro. Arda Turan, o homem que sabe tudo sobre bola a lembrar os bons tempos de Dejan Stankovic. Diego Costa, o target-man, a fazer talvez, aquela, que será lembrada como a sua melhor época no futebol. O Atleti é uma equipa que defende com 10 homens, raramente se desorganiza, raramente deixa jogar, e, cuja organização nunca seja posta em causa no poderíssimo contragolpe que possuí, quase sempre efectuado com poucos homens.

O Milan de Allegri também funciona nesses moldes. Uma equipa de pendor defensivo, com um meio-campo muito musculado (De Jong, Muntari, Nocerino) e com um ataque vocacionado para o contra-ataque: Kaká, Robinho e Balotelli. Menor organização defensiva do que a demonstrada pelo Atlético, mais instabilidade, probabilidade de existirem mudanças drásticas em Janeiro. O Atlético parte com maior favoritismo para a eliminatória mas precisa de ter cautela: este mesmo Milan causou calafrios ao Barcelona na mesma fase da edição passada, com uma “allegri” vitória em San Siro e um jogo interessante em Nou Camp onde esteve muito perto de selar passagem para a fase seguinte não fosse um fatídico minuto mudar toda a sua sorte com uma bola no poste de Mbaye Niang depois de uma cavalgada rusticana do francês de campo a campo sequenciada por um golo de Messi que na altura fez o 2-0 e empatou a eliminatória. Num jogo a eliminar contra uma equipa italiana, nunca fiando. Simeone sabe-o perfeitamente por experiência própria.

O mesmo se aplica a Mourinho no excitante Chelsea vs Galatasaray. Treinador italiano, jogadores com milhões de km de champions que se dão bem no contra-ataque (Eboué, Sneijder, Drogba, Altintop), um jovem sedento de títulos (Bruma) e um amoroso brasileiro de nome Felipe Melo a distribuir cacete quanto baste no meio campo. Contra a Juventus provou-se a filosofia deste novo Galatasaray: mais italianos que os caralhos dos italianos!

Mourinho baixou as espectativas. Afirmou recentemente que muito dificilmente será capaz de vencer um título esta época. Mais uma vez jogou de forma inteligente. Mourinho sabe que num dia sim de Hazard e Schurrle é capaz de se bater taco-a-taco contra quem vier. No entanto, recordou que está a formar uma equipa. É certo que quando Mou precisar do velho bastião blue (Terry, Lampard, Obi Mikel, Ashley Cole, John Obi Mikel, Michael Essien) este virá em seu auxílio. Mourinho tem a vantagem de conhecer o outro lado por dentro e por fora visto que conduziu os 2 principais jogadores da equipa turca à glória noutras batalhas da sua carreira.

Trigo limpo farinha amparo.

PSG vs Bayer Leverkusen. O mundo lembrou-se subitamente de Kiessling. Joachim Low lembrou-se subitamente de Kiessling. Gonzalo Castro é um jogador apetitoso e tornou-se cobiçado por meia europa e Lars Bender passou a ser o mais bonito dos gémeos Bender. Tretas. Icy est Paris. Laurent Blanc arrebenta com todas as escalas e avança com o objectivo Lisboa. Para os “veteranos” Zlatan, Thiago Silva, Maxwell, Lavezzi, Thiago Motta poderá ser a última vez na carreira que reunem toda a química necessária para escrever uma página nunca antes escrita na equipa parisiense e nas suas carreiras. Os novos como Cavani. Matuidi, “Pirlo Son” Marco Verrati, Gregory Van Der Wiel, Lucas Moura, Rabiot, Digne tem aqui a sua oportunidade de ouro. Prevejo uma eliminatória resolvida de forma fácil no jogo de Paris.

Real Madrid vs Schalke. Idem.

Borussia de Dortmund vs Zenit. A jogar como jogou na fase de grupos, Spaletti arrisca-se a levar uma copiosa humilhação na eliminatória. Sem estar o Dortmund a fazer uma época primordiosa. Se Hulk sair em Janeiro como se fala, com Shirokov lesionado e Danny arredado das escolhas por ofensas verbais ao lunático italiano, será uma porca miseria.