Pré Portugal X Camarões

Foi hoje divulgada a convocatória para o jogo de dia 5 de Março contra a congénere dos Camarões, nessa convocatória Paulo Bento surpreendeu a generalidade dos seguidores atentos do futebol português, uma vez que optou por fazer deste jogo de preparação uma oportunidade para observar alguns elementos que se podem estrear pela selecção principal e por deixar de fora outros elementos que costumam ser os habituais convocados. No entanto continuam a não deixar de ser estranhas algumas escolhas e se me agrada o facto de abrir as portas a novos elementos, desagrada-me que as portas continuem abertas a unidades que não merecem constar desta lista.

Logo na posição de guarda-redes pode-se dizer que Eduardo não merece tanto aquele lugar como poderia merecer Ricardo da Académica (também pré convocado por mais que uma vez, mas nunca tendo a real hipótese de jogar), o Braga tem estado mal e muitas vezes Eduardo tem tido créditos nisso. Depois Anthony Lopes, por muito que lhe reconheça talento, acho que a política dos meio portugueses ou naturalizados deveria ser totalmente banida das selecções, pois só vem descaracterizar aquilo que deve ser a selecção e acaba por fechar portas a outros elementos com tanto ou mais valor, mas menos visibilidade, no entanto este caso ainda é dos menores a ter em conta.

No eixo defensivo quase nada se altera, apenas realço que Paulo Bento podia ter sido mais ambicioso e ter deixado Coentrão de fora para testar outra alternativa à esquerda e podia muito bem deixar Ricardo Costa em Valência procurando também uma solução mais válida e capaz para ocupar a sua posição como por exemplo Paulo Oliveira (Vit. Guimarães). Depois não compreendo como é que Cedric não consta desta convocatória e se alguém me quiser tentar explicar por a+b fico agradecido.

A espinha dorsal também pouco é alterada, entram para a convocatória Rafa e Ruben Amorim onde o primeiro merece claramente o lugar dadas as boas exibições e a qualidade que já mostrou. Apesar do mau momento geral do Braga, este tem sido dos poucos que rema contra a maré e é claramente uma mais valia, quer nos minhotos, quer para a selecção. Precisamos de um desequilibrador criativo no meio, com bastante qualidade e o lugar assenta que nem uma luva neste miúdo, veremos se é para ficar. Já Ruben Amorim aparece aqui a fazer valer o lugar de tapa buracos, podendo jogar em quase todo o lado do meio campo e ainda a defesa direito, no entanto mais uma vez não se percebe como Adrien Silva fica de fora!

Por fim, na linha da frente considero a inclusão de Ivan Cavaleiro e Edinho ridículas. O primeiro claramente vai porque querem fazer dele o novo Eusébio, o segundo vai porque é um tosco e o outro tosco lesionou-se podendo vir a falhar o mundial. Considero a segunda opção mais grave que a primeira e acho que se o critério aplicado a Cavaleiro fosse o mesmo a aplicar para decidir quem  poderia ocupar o lugar de Postiga, então Mané teria de ser o escolhido, compreendo que são posições diferentes e ter apenas Hugo Almeida como referência do ataque seria impossível, mas porquê Edinho e porque não Luís Leal (ex Estoril)?

De destacar a não convocatória de Quaresma e Fernando é compreensível, mas se tivermos em conta que Josué está incluído no lote é um crime o Português não ser chamado, já o brasileiro se quer ir ao Mundial deveria esforçar-se por impressionar Scolari e se vier a ser chamado por Portugal estamos perante mais uma situação do ridículo e mesquinho do nosso futebol! Sobre Fernando o seleccionador disse mesmo que “Não está nem podia estar pré-convocado ou convocado. É um problema que está à margem da questão desportiva. Tal como disse em relação ao Quaresma, o mesmo se passa com o Fernando ou com outro jogador. Não significa que não possa vir a estar na convocatória para o Mundial” o que me leva a crer que é mais um que já está inserido na lista definitiva.

Custa-me também não ver Sílvio (pode fazer a direita e a esquerda apesar dos problemas físicos), Tiago Gomes (o Estorilista era uma boa opção para a esquerda), Luís Gustavo e Pedro Santos (Rio Ave) e Diogo Viana (Gil Vicente) ou Miguel Rosa (Belenenses). Isto permitiria ver jogadores com algum nível, das competições internas e motivaria certamente ao esclarecimento de algumas dúvidas. Já de jogadores a jogar fora, gostaria de ter visto uma oportunidade dada a Ruben Vezo ou a Bruno Fernandes, ambos merecedores de uma chamada mesmo que para o banco da selecção.

Em conclusão acho que esta convocatória não passa de um rebuçado e que a convocatória do Mundial já está escrita e assinada por Jorge Mendes e Paulo Bento, sendo possível que haja uma ou duas surpresas, não vejo espaço a tantas modificações como as que se vêm para este particular.

Breve análise a alguns jogos da Liga Europa

1. Eintracht de Frankfurt vs FC Porto – Quem é que seria de apostar que, dois jogadores altamente contestados no reino do Dragão (Licá e Ghilas) seriam os obreiros do apuramento do FC Porto nesta eliminatória contra o Frankfurt?

Jogo de alta rotação com uma intensidade de jogo altíssima. Impróprio para cardíacos.

Depois do pesadelo do jogo do Dragão, o Porto esteve à beira de morrer em Frankfurt mas no fundo do poço, Licá e Ghilas bateram na mola e catapultaram a equipa quando esta mais precisava. O jogo pode ser explicado em traços muito simples: domínio do Porto em quase todos os aspectos do jogo: posse de bola, domínio territorial, ataques e remates. Num jogo muito partido na sua fase inicial, no qual em dois ou três toques os jogadores do Frankfurt conseguiam progredir no terreno e colocar a bola (e muitos homens) no ultimo terço do terreno, os dois golos de rajada da equipa alemã deveram-se mais uma vez a dois enormes erros defensivos dos centrais da equipa orientada por Paulo Fonseca.

A equipa alemã também demonstrou ser fortíssima no contra-ataque. É claro que a velocidade com que as equipas disputaram a partida facilitou a manobra ofensiva da equipa alemã. Tanto Mangala como Maicon fizeram um jogo para esquecer:  o gigantão Meier deu muito trabalho e os centrais falharam por imensas vezes a marcação ao falso número 9 do Frankfurt. Mangala ainda conseguiu emendar os erros cometidos com as duas fantásticas cabeçadas que executou na área do Frankfurt. Logo a seguir ao golo do francês, o Frankfurt poderia ter selado o apuramento naquele estonteante contra-ataque conduzido pela faixa central pelo espanhol Joselu. Valeu a excelente intervenção de Alex Sandro junto da linha de golo. Quando este a 15 minutos do fim fez o 3-2, numa fase em que o Porto, depois de empatar a partida estava mais capaz de selar a eliminatória do que o contrário, pensou-se que era o fim da linha para o FC Porto e quiçá para Paulo Fonseca, apesar deste ter afirmado na conferência de imprensa posterior à partida que o jogo não era decisivo para a sua permanência no comando técnico do clube.

Valeu a força psicológica dos jogadores do clube da invicta. Se com 2-0 no marcador a favor dos alemães, a jogar melhor que a equipa germânica, a equipa portuguesa teve uma enorme capacidade de resposta, 0 3-2 poderia ter sido dificílimo de superar. A capacidade de resposta da equipa de Paulo Fonseca foi o seu maior trunfo nesta partida diante da eficácia dos alemães tanto no 1º jogo como na partida de hoje.

Tranquillo Barnetta – É uma pena o facto do Suiço ter passado ao lado de uma grande carreira. Não lhe faltam capacidades técnicas, capacidade de remate de meia distância e visão de jogo. Falta-lhe alguma velocidade e quiçá, digo eu, um pouco de brio. Ao longo da sua carreira teve todos os ingredientes para ser um dos melhores do mundo na sua posição mas, ou por falta de profissionalismo, ou por medo, ou por qualquer outro factor que por vezes o futebol por si só não explica, acabou por se arrastar por clubes sem grandes objectivos.

joselu

Na equipa alemã, quem me encantou nestes dois jogos foi o espanhol Joselu. Este espanhol de 24 anos, tem um currículo tão banal como centenas de jogadores espanhois. Criado na formação do Celta de Vigo, estreou-se aos 18 anos na equipa b dos galegos e logo despertou a cobiça do Real Madrid que o deixou permanecer em Vigo mais um ano (2009\2010). Em Madrid não teve a sorte do seu lado: fez 40 golos em duas épocas ao serviço do Castilla (72 jogos) na 2ª liga espanhola e apenas um jogo pela equipa principal dos merengues, curiosamente, onde até marcou. Sem espaço no plantel principal dos merengues, escondido no ocaso de grandes estrelas mundiais como Benzema ou Higuaín, decidiu assinar pelo Hoffenheim em 2012. No seu ano de estreia da Bundesliga em 2012\2013 marcou por 5 vezes em 25 jogos. A equipa decidiu emprestá-lo ao Eintracht de Frankfurt, clube onde marcou 3 golos em 10 jogos.

Não sendo um finalizador por excelência é um jogador rapidíssimo, com um sentido técnico muito apurado, rendendo mais nas costas de um ponta-de-lança visto que quando a bola lhe chega aos pés tem remate fácil, consegue criar muitos desequilíbrios no 1×1 e arrancadas a alta velocidade, facto que não só lhe permite muitas investidas individuais no último terço do terreno como são benéficas para que o espanhol arraste um dos centrais consigo e assim consiga não só arranjar espaço livre para os seus colegas como criar jogo para o homem de referência da equipa, Alexander Meier.

Estou seguro que o veremos dentro em breve o veremos a jogar num dos crónicos candidatos às competições europeias da Liga Espanhola (Espanyol, Real Sociedad, Getafe, Sevilla, Bétis).

2. Napoli vs Swansea – Já diz o ditado futebolístico que “quem não marca sofre” – Rafa Benitez igual a si próprio. Se o Napoli é hoje um grande candidato a vencer a Liga Europa tal se deve à mentalidade com que o espanhol encara os jogos a eliminar. Já era assim nos tempos do Valência, clube pelo qual o espanhol venceu a Taça UEFA em 2004 e no Liverpool, clube pelo qual o técnico venceu a Champions logo no ano seguinte, precisamente o ano da sua estreia no comando técnico dos Reds. Livre de encargos no campeonato (neste momento o Napoli é 3º, já não está em condições de lutar pelo título italiano; tem a Fiorentina a 6 pontos e o Inter a 10; não é expectável que os nerazzurri consigam recuperar esses 10 pontos de diferença até ao final da Serie A) a Liga Europa pode ser o tal troféu que a equipa presidida pelo cineasta Aurelio Di Laurentiis tanto procura nos últimos anos.

No Napoli, Benitez apenas se pode queixar do facto de, na fase-de-grupos da Champions, ter sido eliminado por um golo (o de Kevin Grosskreutz ao Marseille nos últimos minutos) – em condições normais de apuramento, ou seja, com a obtenção de 10 ou mais pontos nas 6 jornadas da fase-de-grupos da prova, este Napoli ainda estaria hoje a discutir o apuramento para os quartos-de-final da Champions e não para os oitavos da liga europa. Na história da Champions, só por 7 vezes, equipas que pontuaram 10 ou mais pontos na fase de grupos ficaram de fora da fase final da prova.

Lorenzo Insigne abriu o marcador no San Paolo com um golo de se tirar o chapéu. O Swansea respondeu e na segunda parte, Wilfried Bony teve tudo para poder fazer o 2-1 numa cabeçada no coração da área que Pepe Reina defendeu. Mortífero no contra-ataque o Napoli não perdoou e Higuaín aproveitou um ressalto resultante de uma situação em que um jogador do Swansea tentou aliviar a bola mas esta acabou por bater num dos seus companheiros de equipa e ressaltar para os pés do avançado argentino, que assim quebrou o enguiço pelo qual foi extremamente criticado em Itália no decurso desta época: o facto de falhar imensos golos nos jogos importantes do Napoli. Com o 2-1, a equipa de Benitez tranquilizou, meteu o seu fortíssimo contra-golpe e o Swansea desapareceu da partida. Higuaín falhou o 3-1 na cara do holandês Michael Vorm e minutos depois o suiço Gokham Inler selou a passagem à próxima ronda da prova.

3. Antevisão Napoli vs FC Porto –

O Napoli é uma equipa fortíssima. O ataque dos Napolitanos é assustador. Se a consistência defensiva se deve em muito ao equilíbrio que os musculados “relógios suiços” Behrami, Dzemaili e Inler dão à equipa, daí para a frente, veleidades como aquelas que Maicon e Mangala deram hoje são motivo mais que suficiente para crer que o Napoli resolve tranquilamente no San Paolo com goleada, faça o que fizer o Porto no ataque. Mertens e Marek Hamsik são os grandes playmakers desta equipa: aceleram o jogo como ninguém, põe-no incontrolável, diria mesmo diabólico, assistem, aparecem atrás dos pontas-de-lança a aproveitar todas as segundas bolas e servem um trio de virtuosos: Insigne, Callejón e Higuaín. Se o terceiro está sempre no sítio certo à hora certa, o primeiro é um talento prodigioso que, em perimetros muito curtos, num gesto repentino mete o lateral nas covas e atira a matar. O 2º é fortíssimo no contra-ataque e aparece muito bem na área a finalizar.

Um dos pontos que a equipa portuguesa poderá explorar são as subidas dos laterais. Benitez faz subir muito no terreno tanto o francês Ghoulam como o colombiano Zuñiga como o italiano Christian Maggio. As devidas compensações as alas são feitas pelos suiços. Behrami executa esse papel na perfeição visto que a sua posição de origem é precisamente a de lateral direito. Dzemaili é um todo-o-terreno que joga bem em qualquer posição do terreno. Já Inler é um jogador que combina músculo com skills técnicos. Tanto é capaz de entrar a varrer no miolo como a seguir iniciar uma transição com um passe longo de campo-a-campo. Se Varela e Quaresma estiverem naqueles dias em que conseguem fazer muitas arrancadas em velocidade pelas alas, poderão ter muito espaço para jogar nos seus respectivos sectores.

4 – Benfica vs PAOK – O rendimento de Nico Gaitán tem destas vicissitudes: apesar de estar longe do jogador que era aquando da conquista do título em 2010, de vez em quando o argentino consegue sacar da cartola momentos mágicos. Contra o Sporting na época passada por exemplo, fez aquele pingue pongue maravilhoso com Lima que resultou no golo do avançado brasileiro. Hoje tirou o génio da gaveta e engavetou a bola com classe nas redes do defunto PAOK. O Benfica passa à próxima ronda, onde lhe espera o Tottenham.

Miroslav Stoch e Sotiris Ninis são duas peças muito mal empregues neste PAOK. Não será admirável se os dois pretenderem mudar de áres no final da temporada. Principalmente o eslovaco, muitas vezes relegado para o banco de suplentes por Huub Stevens ao longo desta temporada, quando, é de facto o único jogador capaz de mexer com o ataque dos gregos. O único jogador capaz de se afirmar como o 3º melhor da equipa é precisamente o veterano Lino. Aos 36 anos, o brasileiro ainda dava muito jeito a um dos grandes deste país. Certinho a defender e muito acutilante a atacar, é dos pés do brasileiro que nasce metade do perigo deste PAOK a partir dos seus arqueados cruzamentos. De resto, este PAOK parece a feira das antiguidades: Katsouranis, Maduro, Salpingidis são jogadores cujo prazo de validade futebolístico ao mais alto nível já passou há muito.

 5- Tottenham vs Dnipro – Os londrinos não podem respirar de alívio. Apontava o Dnipro como uma das possíveis equipas revelação do torneio. A equipa de Juande Ramos joga um daqueles futebóis cínicos que só poderemos encontrar nas equipas do leste (Rússia, Ucrânia, Roménia, Bulgária) e guiando-se pelas boas maneiras daquela malta, tem no contra-ataque a sua melhor arma. As equipas ucranianas costumam ser muito complicadas de ultrapassar. Apesar do Dnipro ser uma equipa altamente mecanicizada (vertical) para jogar para as suas duas referências (Eugene Konoplyanka e o nosso conhecido Matheus) tal não chegou para bater o Tottenham de Tim Sherwood. Nos últimos dias, tem-se falado em Inglaterra que o próximo dono da cadeira de sonho em White Hart Lane (cheínha de milhões para investir a sério; visto que o investimento este ano, mal pensado, mal estruturado, foi uma brincadeira de crianças) é Louis Van Gaal. Para Daniel Levy, o presidente do clube londrino, venha quem vier, terá a espinhosa missão de conduzir o clube ao objectivo a que este se propôs nos últimos 3 anos: conseguir lutar pelo título inglês. O clube não irá suportar um novo fracasso na próxima temporada.

6 – Antevisão do Benfica vs Tottenham – Futebol total. Ataque, ataque, ataque. Será um duelo com desfecho imprevisível. Duas equipas que gostam de jogar ao ataque. Os encarnados detém um ligeiro favoritismo pelo facto de estarem a jogar um futebol lindíssimo no actual momento da temporada e de, estarem altamente moralizados para vencer todas as frentes competitivas onde estão inseridos. Por seu turno, o Tottenham poderá ganhar forças extra para encarar a equipa portuguesa: o apuramento para as competições europeias por via do campeonato irão exigir uma luta permanente até ao final da temporada. A Liga Europa pode surgir neste contexto como um excelente leitmotiv para moralizar os jogadores dos Spurs.

7 – Antevisão Fiorentina vs Juventus – Na minha opinião, este é o grande cabeça de cartaz da próxima eliminatória. Os torinese desmontaram a veterania\matreirice do Trabzonspor de José Bosingwa, Didier Zokora e Florent Malouda em dois tempos. A Fiorentina passeou frente ao modesto Esberg da Dinamarca. A Juventus apanhou 4-2 no Artemio Franchi no primeiro embate que as equipas realizaram para a Serie A. Nesse jogo, a Fiorentina virou um 1-2 para 4-2 em menos de 15 minutos, com destaque para a exibição do agora lesionado Giuseppe Rossi. Rossi está de baixa mas a equipa Viola apresenta na frente Alessandro Matri e o regressado Mario Gomez. Atrás reside uma linha média das mais talentosas da hodiernidade do futebol mundial: Juan Guillermo Cuadrado na direita, Joaquin na esquerda, Mati Fernandez no apoio ao ponta de lança e um backcourt de luxo composto por homens como David Pizarro, Borja Valero, Anderson ou Aquilani.

Para adoçar ainda mais o estudo destas duas equipas, convém referir que os dois treinadores apresentam um dispositivo táctico semelhante, o 3x5x2, apesar de Montella jogar regularmente com um 4x3x3 composto por Modibo Diakité, Nenad Tomovic ou Facundo Roncaglia na direita, Manuel Pasquale na esquerda, Savic e Gonzalo Rodriguez no eixo central, Pizarro, Valero ou Aquilani, Matías ou Aquilani, Joaquin, Cuadrado e Matri ou Gomez.

Aqui o vosso escritor de serviço deverá ir ao Artemio Franchi ver in loco esta eliminatória.

8 – Lyon vs Chernomorets

Só para assinar que Alexandre Lacazette voltou a abrir o livro. Merece muito mais este jovem avançado do Lyon. É um precioso talento numa equipa muito mas mesmo muito fraca.

Nota final para o Ludogorets vs Lazio, para o Red Bull Salzburg.

Quanto à equipa bulgara, a passagem obtida frente aos Laziale não me admira muito. A equipa dos portugueses Vitinha, Fábio Espinho e do galego mais beiramarista que conheço (Dani Abalo) é definitivamente a equipa sensação do torneio. É uma equipa que leva o cinismo futebolístico ao seu cume mais alto. A equipa bulgara, equipa onde para além dos 3 supra-citados, é composta por jogadores como Junior Caiçara (ex-Gil Vicente) Tero Mantyla, Yordan Minev, Cosmin Moti ou Roman Bezjak, ou seja, jogadores desconhecidos na alta roda do futebol mundial, engana muita gente. Todos estes jogadores foram revelação nas suas ligas nacionais em clubes pequenos dessas mesmas ligas. O Ludogorets Razgrad não sabe o que é jogar em casa para as competições europeias. A sua arena não é homologada pela UEFA para as competições europeias, facto que obriga os bulgaros a ter que pedir emprestada a casa do Levski de Sófia. É uma daquelas equipas chatas, chatinhas, que se mete a defender 90 dentro da área se tal for necessário. Raramente se desorganizam, raramente concedem espaços aos adversários, raramente se lançam no contra-ataque com mais de 2 ou 3 elementos, raramente fazem mais do que 5 ou 6 remates à baliza adversária e, last but not the least, raramente saíram de uma partida a contar para a liga europa com uma eficácia de remate baixa.

Poderão complicar a vida a muito boa gente. A começar pelo Valência

O mesmo se pode dizer do Red Bull Salzburg. A equipa austríaca tem a sua maior referência no espanhol Jonathan Soriano. Enganem-se aqueles que acreditam que os nomes ganham jogos. Esta equipa chegou a Amesterdão e aplicou chapa três aos holandeses em meia hora. Limpinho, limpinho. Irão ter o seu teste de fogo na prova frente ao Basileia num duelo entre vizinhos que promete.

F1 2014 #4

Estamos a 16 dias do início dos treinos livres para o GP da Austrália em Melbourne e cumpre-se desde hoje até Sábado o último dos três testes oficiais para a temporada de 2014, a ter lugar novamente no Bahrein, a aproveitar o circuito bom, as altas temperaturas (para forçar os pneus ao extremo) e o capital que os Árabes vão deixando a Bernie Ecclestone para investir na FIA e na F1.

Deste primeiro dia nada de novo do que já tinha sido visto e analisado anteriormente (em Jerez e na semana passada em Sakhir). Motores Renault a continuar a rodar mal e a ser previsível que as equipas com este motor tenham um início bastante desastroso nas provas a contar oficialmente, os Mercedes a mostrarem-se como os mais fortes e portanto os óbvio candidatos a dominar a primeira metade da época e os Ferrari a terem a consistência que precisam para começar também pelos lugares cimeiros. Depois podemos ainda incluir as boas prestações da Williams e da Force India (já não é novidade) que podem vir a intrometer-se no top 5 dos pilotos nesta fase.

Sergio Perez

No dia de hoje foi mesmo Sergio Perez da Force India (motor Mercedes) o melhor das sessões realizadas, sendo que a maior parte das equipas e pilotos adoptaram uma estratégia de conseguir acumular rodagem no motor e não se preocuparam tanto com os tempos e voltas mais rápidas. Independentemente de qualquer estratégia adoptada quem não fez melhor que 39 voltas e 1:37:908 foi Daniel Ricciardo no seu RedBull que continua a defraudar a cada treino que passa. Amanhã veremos se Vettel vai para a pista fazer melhor ou se as dificuldades se continuam a acentuar como até aqui.

No final das sessões vários pilotos foram chamados a comentar o dia de treinos e Perez apenas disse que “Era preciso começar com um bom dia e hoje tivemos isso mesmo”, fazendo-se valer dos seus 1:35:290 e das suas 105 voltas no total. Ainda aproveitou para dizer que conseguiu testar vários conjuntos de pneus e que amanhã vai mesmo estar sentado ao volante pela última vez antes do início oficial em Melbourne. Foi portanto um Perez bastante motivado e bastante confiante que se viu hoje na pista de Sakhir.

Valtteri Bottas

O segundo do dia foi Valteri Bottas em Williams que confidenciou que a equipa estava mais preocupada em procurar algum problema no motor do que fazer o melhor tempo e mostrou-se bastante satisfeito por ter completado o dia com 128 voltas realizadas e sem problemas de grande relevância. Ainda disse que os dados recolhidos na sessão da manhã foram bastantes e que durante o dia de hoje a análise a esses dados iria traduzir-se num melhoramento aerodinâmico para ser testado já amanhã. Veremos portanto o que nos vai trazer a sessão de amanhã, relembrando que ao volante vai estar Susie Wolff, num regresso de uma mulher ao volante de um carro de F1, para testar pelo menos numa das sessões de treinos do dia.

kimi raikkonen

O outro Finlandês, Kimi Raikkonen viu-se com alguns problemas na sessão da manhã, onde apenas conseguiu realizar 12 voltas, mas na sessão da tarde conseguiu fazer muito mais e melhor, testando sobretudo a velocidade em rectas, forçando o motor a acelerar bastante e mudar bruscamente de velocidades, de forma a testar essa situação limite. No entanto não viria a terminar a última sessão quando a bandeira axadrezada foi abanada, mas terminou antes, novamente por paragem em pista do F14-T.

No restante a Mercedes apostou no dia de hoje em testes de novos componentes no carro e Rosberg explicou isso mesmo, que os tempos foram globalmente mais abaixo que dos outros dois treinos devido a essa opção. Dos não motor Ferrari ou Mercedes o segundo melhor foi mesmo Adrian Sutil em Sauber, ainda assim não se mostrou muito contente relembrando que o carro ainda mostra alguns problemas e que têm muito para trabalhar durante os últimos dias disponíveis para preparação.

A expectativa maior recaiu pois claro sobre Ricciardo e o seu RB10, que ainda pareceu querer dar algo mais na sessão da manhã (conseguiu o 5º melhor tempo e rodou 32 vezes a pista), no entanto na sessão da tarde não conseguiu mais que 7 voltas e o motor de novo a fazer o carro abandonar a pista mais cedo.

Por fim destacar os muitos problemas dos Caterham, Marrussia e Toro Rosso que na realidade não conseguiram mesmo mais que 50/60 voltas cada um nas duas sessões.

Tempos dos treinos
1. Sergio Perez, Force India, 1m 35.290s, 105 laps
2. Valtteri Bottas, Williams, 1m 36.184s, 128 laps
3. Kimi Raikkonen, Ferrari, 1m 36.432s, 54 laps
4. Nico Rosberg, Mercedes, 1m 36.624s, 89 laps
5. Adrian Sutil, Sauber, 1m 37.700s, 89 laps
6. Kevin Magnussen, McLaren, 1m 37.825s, 109 laps
7. Daniel Ricciardo, Red Bull, 1m 37.908s, 39 laps
8. Max Chilton, Marussia, 1m 38.610s, 44 laps
9. Daniil Kvyat, Toro Rosso, 1m 39.242s, 56 laps
10. Pastor Maldonado, Lotus, 1m 40.599s, 31 laps
11. Kamui Kobayashi, Caterham, 1m 42.285s, 19 laps

A notícia que abriu o dia e que pareceu agitar muita da imprensa internacional foi a confirmação de que Rob Smedley, engenheiro que acompanhou massa na Ferrari durante toda a sua estadia em Itália, foi para a Williams, continuando assim a sua ligação ao Brasileiro. Por curiosidade ocorre-me deixar este vídeo que retrata bem a relação entre os dois:

Os discursos dos treinadores também ganham jogos

Huub stevens

Desde há uns anos para cá, os discursos adoptados pelos treinadores nas conferências de imprensa assumiram uma preponderância interessante no rendimento das equipas. A partir do discurso do treinador, este poderá aliviar a pressão em torno da equipa quando esta obtem maus resultados, moralizar os seus jogadores ou simplesmente passar recados para dentro do plantel quando algo estiver a correr mal, facto que deve ser feito sem que estes caiam na falta de senso de vir a público lavar roupa suja que será aproveitada pela imprensa para causar mais instabilidade dentro dos clubes e dos planteis.

A forma como encaram a relação com a imprensa é dispar entre vários treinadores europeus bem como os resultados obtidos através dos seus discursos: Mourinho é um showstopper e faz das suas conferências de imprensa uma delícia para todos os profissionais da comunicação social. Quando provoca outro treinador ou uma equipa em específico, costuma dar-se mal e o tiro acaba sempre por sair pela culatra. Quando ataca publicamente um jogador, ganha nele um autêntico inimigo. Foi o que aconteceu com Iker Casillas na temporada passada. Quando é provocado por outro treinador, é quando se sente mais confortável. Já Pep Guardiola raramente perde a postura e o equilíbrio nas conferências de imprensa, limitando-se quase sempre a um discurso equilibrado, facto que gera equilíbrio dentro do plantel que está a orientar. Já Jurgen Klopp do Borussia de Dortmund vai do 8 ao 80 no seu estilo agressivo, tanto no discurso como na forma como gere o seu plantel, não se coibindo de atacar publicamente os seus jogadores quando as coisas não correm bem dentro da equipa.

Ontem, o treinador do PAOK Huub Stevens, conhecido como um treinador altamente disciplinador, referiu, na conferência de imprensa de antevisão à partida de hoje que “se pudesse jogar com 14 jogadores para travar o Benfica” não hesitava. Este é um daqueles discursos que arrasa por completo um plantel. A perder por 1-0 na eliminatória, Stevens passou um atestado de incompetência ao seu plantel e de certa forma deu-se como vencido antes do jogo se realizar.

O que eu ando a ver #43

Copa Libertadores da América do Sul – Parque da Independência – Belo Horizonte (Minas Gerais)

Duas das candidatas à vitória na maior prova de clubes da América do Sul defrontaram-se esta madrugada no Parque da Independência para a segunda jornada do Grupo 4 da prova.

O Atlético Mineiro é o campeão sul-americano em título. O nosso bem conhecido Paulo Autuori substituiu o vitorioso Cuca no comando técnico do “galo” no início da temporada sul-americana e tentará levar a equipa de Belo Horizonte à 2ª vitória consecutiva na prova, possível 3ª do curriculo do treinador que já orientou como bem sabemos o Marítimo e o Benfica. Do outro lado o Santa Fé da Colombia é uma equipa a ter em conta no lote de favoritos à prova visto que foi semifinalista na última edição da mesma, faz da organização defensiva e dos rápidos contra-ataques o seu ponto forte e é uma equipa muito difícil de bater no seu reduto.

Na primeira jornada da prova, o Atlético Mineiro teve que suar para bater o Zamora da Venezuela naquele país por 1-0 com golo de Jô a fechar a primeira parte

Com Otamendi a titular (o jogador está emprestado até Julho à equipa de Minas Gerais devido ao facto do Valência não o ter inscrito na Liga Espanhola depois de o comprar ao Porto por 12 milhões de euros nos últimos dias da janela de transferências de Janeiro em virtude do estatuto de extra-comunitário do jogador argentino; facto que o clube ché alegou desconhecer no momento da contratação) coube ao antigo central do Porto uma das grandes ocasiões de golo quando ainda na primeira parte respondeu de cabeça a um canto de Ronaldinho Gaúcho. R10 esteve sensacional nos primeiros 60 minutos de jogo, ora a desiquilibrar pela ala ora a bombear cruzamentos de sonho para a área dos colombianos.

A primeira parte seria de resto recheada de perdidas dos jogadores do Atlético Mineiro. Apesar da defesa baixa montada pelos colombianos que obrigou o Mineiro a jogar muito feio nos primeiros 15 minutos, Diego Tardelli, Jô e Fernandinho tiveram meia dúzia de oportunidades para abrir o marcador no Parque Independência na primeira parte. O primeiro tempo iria acabar com a expulsão do avançado Wilmer Medina quando este agrediu Nicolas Otamendi com uma cotovelada. O avançado de 33 anos tem estado em destaque neste início de temporada na equipa colombiana com 11 golos em 12 partidas. Medina protagonizou há uns anos atrás um dos primeiros casos de doping no futebol sul-americano quando jogada no Deportes Tolima. Apanhado com um controlo positivo a nandrolona, Medina esteve um ano castigado.

Na segunda parte, os colombianos haveriam de entrar melhor partida e Omar Perez, o nº10 da equipa colombiano recebeu na esquerda e rematou sem hipóteses para o guarda-redes Victor. Poucos minutos depois, quando os colombianos já ameaçavam colocar o autocarro à frente da baliza para retirar do Parque da Independência 3 preciosos pontos, Jô empatou a partida e acirrou os adeptos do “galo”, conhecidos precisamente por ser uma das mais fervorosas torcidas do Brasil. Os colombianos passaram da ameaça à concretização e dispuseram-se a defender na entrada da área, entregando a iniciativa de jogo à equipa brasileira. No banco de suplentes, Autuori desesperava: primeiro tirou o médio defensivo Josué para colocar o médio ofensivo Guilherme. Minutos depois, quando o encontro já se encontrava empatado tirou o desinpiradíssimo Fernandinho para colocar no terreno de jogo o avançado de 26 anos Neto Berola, jogador de quem se diz poder estar de regresso ao Vitoria da Bahia. O avançado aproveitou a oportunidade e na primeira grande chance que teve na área selou a vitória com um fantástico volei.

Até ao final do jogo, Victor, ou São Victor (como é alcunhado pelos adeptos do clube; a santificada alcunha foi colocada depois das exibições do guardião na Libertadores frente ao Newells Old Boys nas meias-finais; jogo no qual defendeu várias grandes penalidades; e frente ao Olímpia na final, jogos nos quais foi o esteio em que assentou a vitória dos Mineiros na competição) fez duas grandes defesas nos descontos a remate de Mosquera e Omar Perez. Este Omar Perez é um jogador fantástico. É um jogador que joga, faz jogar e garante profundidade ao jogo ofensivo da equipa colombiana visto que nunca para quieto no meio-campo e ora faz jogar no centro como segundos depois está a receber numa ala e a flectir para o centro de forma a aplicar o seu temível remate de meia-distância. Aos 32 anos e visivelmente com uns quilitos a mais, não consigo perceber como é que este argentino naturalizado colombiano que já venceu 3 Copas Libertadores ao serviço do Boca Juniors em 2000, 2001 e 2003 e uma Taça Intercontinental pelo mesmo clube em 2000 não só nunca conseguiu dar o salto para Europa como se arrastou por clubes de dimensão secundária na Argentina (Banfield) no México (Jaguares de Chiapas) e na Colombia (Junior e Real Cartagena).

O que eu ando a ver #42

ATP 500 Acapulco

João Sousa foi eliminado por Andy Murray no 500 mexicano pelos parciais de 3-6 e 4-6. O português efectuou uma exibição bastante melhor que aquela que tinha protagonizado na sexta-feira frente a Rafael Nadal na terra batida do Rio de Janeiro e chegou inclusive a quebrar o 1º jogo de serviço da partida a Andy Murray. O britânico viria a capitalizar alguns erros de João Sousa na rede (já contra Nadal tinha demonstrado as suas debilidades quando subia à rede) e a fraca eficácia sempre que o português era obrigado a servir pela segunda vez. De break em break, rapidamente o britânico alcançaria o 5-3 no 1º set. No 9º jogo de serviço serviu para fechar.

No segundo set o britânico quebrou por 1 vez o serviço do português e fechou a partida (4-6) num jogo que teve a duração de 1 hora e 40 minutos.

Ciclismo 2014 #14

volta ao algarve

Volta ao Algarve

cavendish

No domingo terminou mais uma edição da Volta ao Algarve, a única do calendário ciclístico português pontuável para o calendário UCI World Tour. Na última etapa, com a geral praticamente decidida, coube a Mark Cavendish (Omega-Pharma-Quickstep) dar um arzinho da sua graça na chegada na marina de Vilamoura. O sprinter britânico bateu o jovem francês Arnaud Demare da Française des Jeux e Brian Coquard da Europcar sobre a linha da meta.

No final da etapa, Mark Cavendish protagonizou mais um episódio típico do seu mau feitio. O britânico avisou que só iria dar 1 minuto aos jornalistas para fazerem as suas perguntas e se à primeira pergunta até reagiu de forma positiva (“Gostou de participar na prova e vencer a última etapa?” até respondeu “Sim, gostei muito. Estou bastante feliz”) o mesmo não se passou nas seguintes questões postas pelos restantes profissionais, ora não respondendo ora respondendo de forma monosilábica e sobretudo muito desinteressada. Cavendish já não vencia uma etapa desde setembro passado.

Dado consumado da etapa anterior (Alto do Malhão) coube ao polaco Michal Kwiatkowski subir ao pódio para receber a camisola amarela correspondente à vitória na classificação geral da prova e o respectivo cheque oferecido pela organização da prova à equipa Omega-Pharma. No ciclismo, os prémios obtidos pelos ciclistas nas metas volantes, vitórias em etapa, vitórias na geral e nas diferentes categorias e contagens de montanha são divididos por toda a estrutura da equipa. A vitória na geral confirma uma excelente prova realizada pelo polaco, vencendo em Monchique depois de uma investida na qual deixou Rui Costa e Alberto Contador para os lugares secundários e de um contra-relógio curto perfeito realizado na 3ª etapa entre Vila do Bispo e Sagres. O ciclista polaco confirmou que é a grande aposta da equipa Belga para a classificação geral das provas por etapas de uma e três semanas. Esta equipa, recheada de roladores e sprinters poderá ter aqui o seu filão para se tornar extremamente completa na época que se avizinha. Vamos ver como é que Michal Kwiatkowski vai reagir nas provas de preparação para o Tour e na prova francesa, prova onde em 2013 ficou à beira do top 10. Apesar de ser um ciclista com enorme potencial na média e na alta montanha e um contra-relogista de excelência, um dos pontos fracos que pode afectar o seu rendimento individual é precisamente o facto da sua equipa não ter muita gente no seu rooster capaz de o ajudar nas etapas de alta montanha. Isto é, se for a primeira aposta da equipa para o Tour visto que ainda não está decidido se o polaco será líder ou se terá estatuto de corredor protegido (livre de trabalho para o líder) dentro da liderança do colombiano Rigoberto Uran.

costa

Amarga de boca fica a prestação do nosso Rui Costa. O algarve avizinhava-se como a prova ideal para o português vencer. Rui Costa deu no Algarve mostras de uma excelente condição física nesta fase da época, facto que faz crer que a Lampre-Mérida está a planear a época do campeão do mundo ao pormenor. Logo na primeira etapa, podia ter vencido ao Sprint mas preferiu dar a vitória ao sprinter da sua equipa Sasha Modolo. Uma questão de papéis que os ciclistas normalmente respeitam. Como a equipa tinha trabalhado para Modolo, o mais correcto é deixar fluir a normalidade de papéis dentro das equipas. Em Monchique voltou a ser segundo. No malhão voltou novamente a ser segundo. Na geral foi terceiro. Como escrevi anteriormente, fica o amargo de boca por não ter ganho uma etapa junto do seu público. Estou seguro que o português vai realizar novamente uma época de arromba. Vencer será uma questão de tempo.

Alberto Contador – Um segundo lugar que sabe a vitória na geral depois da classe demonstrada pelo espanhol no Alto do Malhão. Antes da prova começar afirmou que vinha ao Algarve ganhar ritmo nas pernas depois do primeiro estágio da temporada. Acabou por vencer na prova raínha da competição. A vitória no Algarve promete um excelente Contador durante a temporada. Bem precisa de deixar 2013 para trás das costas. O tour e o ciclismo agradecem que Contador volte a ser o grande ciclista que é pois senão, Froome limpa tudo novamente com a maior das tranquilidades.

Edgar Pinto – Andou durante toda a prova junto dos melhores. Participou em todas as contendas, tanto a rolar como na montanha. Está um senhor ciclista dentro do pelotão português e a bom da verdade já merecia uma oportunidade numa equipa de World Tour como ciclista de estatuto nas provas de 1 semana e clássicas. Para já, afirmou-se como um dos candidatos à geral da Volta a Portugal 1 ano depois de se ter inserido nesse lote na edição de 2013.

Tour de Oman

Oman

Christopher Froome (Team Sky) voltou a vencer a geral da Volta a Oman. Pela segunda vez consecutiva. Pela segunda vez que apenas venceu a 5ª etapa da prova e na 5ª etapa da prova cavou a diferença necessária para vencer a geral.

O britânico reagiu à vitória com uma certa presunção: “I couldn’t ask for much more. If at the start of the race you’d said to me I’d be here in the red jersey, I’d have taken it, definitely. That’s the best case for me. It’s great to be able to back it up and come and defend my title. The team we’ve had here has been really compatible, really aggressive and wanting to make the most out of the racing. It shows that everyone has come off a good winter and that everyone is working hard to be in good shape for this. It really a pleasure to work with people who share that mentality. We’ve got the leader’s jersey to show for it. We’re really happy.”

greipel 3

Na última etapa da prova, o britânico assistiu de cadeirinha a mais uma vitória em etapas de André Greipel na prova. O alemão da Lotto-Belisol voltou a deixar o jovem francês Nacer Bouhanni para trás na linha de chegada e confirmou a vitória na camisola por pontos. André Greipel está lançado para uma época que se prevê muito vitoriosa.

Volta à Andaluzia

andaluzia

Disputada desde quinta a domingo, a Volta a Andaluzia reuniu na região integrante do cada vez mais fracturado estado espanhol alguns dos maiores nomes do ciclismo mundial, também eles cheios de vontade de esticar as pernas depois de semanas intensivas de treino de preparação para a temporada. Nas estradas andaluzes competiram ciclistas como Alejandro Valverde (Movistar) Richie Porte, Edvald Boasson Hagen e Braddley Wiggins (Team Sky) Luis Leon Sanchez (Caja Rural), Marcel Kittel (Argus-Shimano), Bauke Mollema (Belkin) ou o dinamarques Jakob Fuglsang (Astana).

1ª etapa

valverde

A prova andaluz iniciou-se com um prólogo. Alejandro Valverde provou que não estava na andaluzia para treinar. O ciclista da Movistar cumpriu os 7,3 km realizados em Almeria em 8 minutos e 22 segundos, sendo mais rápido em 7 segundos que Tom Dumoulin da Giant-Shimano e em 9 que o seu colega de equipa, o basco Jon Insausti. Os homens da Sky perderam 13 (Kiryenka) 14 (Wiggins e Geraint Thomas) e 15 Richie Porte.

2ª etapa

Valverde 2

Na segunda etapa da prova, a organização quis provar quem é que tinha perninhas para aguentar uma daquelas etapas pica musculos. Na distância de 186,5 km, a etapa que ligou Málaga a Jaen oferecia a todo o pelotão presente na prova uma etapa com 6 contagens de montanha. Uma duríssima de primeira categoria entre os 13 e os 25 km, três de 2ª categoria e três de terceira categoria, a última nos 3 kms finais.

O pelotão manteve-se minimamente intacto até à subida final. Até que Alejandro Valverde saltou do grupo principal nos últimos metros e venceu a etapa destacado com 4 segundos de avanço para Bauke Mollema da Belkin, Davide Rebellin da CCC Polsat, Luis Leon Sanchez e Richie Porte da Sky. Ausência do grupo principal foi Braddley Wiggins.

Video dos últimos 3 km

3ª etapa

movistar

Na 3ª etapa da prova, a maior atracção desta era a subida final ao Santuário de La Virgem de la Sierra de Cabra, outra daquelas subidas cuja ausência do calendário da Vuelta é inexplicável visto que é uma subida de cerca de 11 km com uma pendente média de 8% e algumas rampas na parte final de 18\20% (ascenção de 18 metros em altitude a cada 100 metros de estrada). Os ciclistas tinham portanto um autêntico muro pela frente.

Como lhe competia, a Movistar controlou a etapa. Na ascenção final, o grupo dos favoritos destacou-se no grupo principal, existindo uma abordagem altamente tacticista entre Alejandro Valverde e Richie Porte. O espanhol não se fez rogado e voltou a fazer das suas (não é normal Valverde ter dois dias bons seguidos na alta montanha, muito menos vitoriosos) ao atacar nos metros finais da etapa. Retirou apenas 1 segundo ao grupo perseguidor: Scarponi (Astana) Porte, Daniel Navarro (Cofidis; cuidado que este senhor também quer qualquer coisa no Tour deste ano) e Luis León Sanchez. No 2º grupo, Bauke Mollema cruzou a meta a 5 segundos de Valverde juntamente com o ciclista estónio Tanel Kangert da Astana. O estónio demonstrou na Andaluzia que está a melhorar a olhos vistos na alta-montanha. Poderá ser uma ajuda preciosa para os seus líderes de equipa (principalmente de Nibali e Tiralongo) nas etapas de montanha das grandes provas por etapas. Tiralongo esteve bastante mal na etapa ao perder 1 minuto e 48 para Valverde. Braddley Wiggins esteve novamente ausente do grupo dos favoritos.

Com a vitória na Sierra de Cabra, Valverde aumentou a sua vantagem para Richie Porte para 20 segundos. Luis Leon Sanchez era terceiro a 22 segundos.

4ª etapa

Ultrapassada a montanha era tempo para os sprinters impor as suas credenciais. Com Marcel Kittel e Gerald Ciolek em prova, a etapa terminada em Sevilla seria ideal para uma chegada ao sprint. Coube ao veterano alemão da MTN-Qubeka cruzar em primeiro lugar a linha de meta disposta na capital da região à frente de Roy Jans da Wanty-Groupe Gobert e do sprinter Moreno Hofland da Belkin. O jovem sprinter português Fabio Silvestre da Trek-Leopard, a fazer a sua primeira época como profissional e como ciclista da primeira formação da equipa foi 8º numa chegada em que Marcel Kittel decidiu não ir a jogo.

5ª etapa

Na consagração de Alejandro Valverde como o vencedor da geral da prova (3ª vitória consecutiva) coube ao holandês Moreno Hofland vencer a etapa final da prova.

Valverde provou ser mais forte que a concorrência na fase final das provas de montanha e saboreou as suas primeiras vitórias do ano. O espanhol preparou assim as principais provas de uma semana nas quais costuma participar e vencer como a Volta a Catalunha, Murcia e Burgos, provas que irão decorrer mais adiante no calendário internacional, algumas das quais com a presença de Rui Costa.

Tour de Haut Var

A contar para a Taça Nacional de França, o Tour de Haut Var ofereceu aos ciclistas que nele participaram 2 etapas de nível de dificuldade médio. Na prova participou o jovem ciclista português Domingos Gonçalves da La Pomme Marseille, equipa francesa da UCI Pro Continental na qual também corre o seu irmão José Gonçalves.

betancourt

A prova acolheu a participação de ciclistas como Carlos Bettancur (AG2R; ciclista que de resto venceria a prova depois de desafiar com sucesso o holandês John Degenkolb da Argus no sprint da primeira etapa; é de homem um trepador conseguir bater um sprinter do nível de degenkolb na sua especialidade), Thor Hushovd (Cadel Evans e Amael Moinard (BMC; este venceria Betancur ao sprint na segunda etapa) Sylvain Chavanel e Jerome Pineau (IAM Cycling) John Gadret da Movistar ou Pierrick Fèdrigo da FJD. Basta portanto dizer que os grandes ciclistas do pelotão francês estavam lá todos.

Amanhã irei escrever sobre o Tirreno-Adriático e irei apresentar mais 1 equipa da World Tour. Irei também actualizar o ranking da World Tour.

lembrete

Para todos os amantes de ténis: João Sousa volta a enfrentar um jogador do top-10 mundial. 2ª vez que isso acontece no espaço de uma semana. Na sexta o português foi eliminado por Rafa Nadal nos quartos-de-final do ATP 500 do Rio de Janeiro. O vimaranense irá jogar contra o escocês Andy Murray na 2ª ronda do torneio do ATP 500 de Acapulco (Piso Rápido). O jogo é transmitido pela Sporttv em directo às 4 da manhã.

A primeira ronda ficou marcada pela eliminação do cabeça-de-série nº3 do torneio, o americano John Isner. Fraca prestação do Norte-Americano, tenista especialista na superfície cujos objectivos passam por alcançar as meias-finais dos próximos masters que se irão disputar em piso rápido em Miami e Indian Wells.

mentiras que passam por verdades

Permitam-me o reparo.

Há uns meses atrás, quando ainda enfrentava o processo de recuperação financeira do clube e da SAD, o presidente do Sporting Bruno de Carvalho afirmou que as secções responsáveis pelas modalidades do clube teriam que ajustar-se à realidade financeira do novo Sporting e diminuir os seus orçamentos. Na altura, o presidente do Sporting anunciou uma diminuição geral de custos com as modalidades entre 30 a 50% daqueles que eram executados.

Os arautos da desgraça da nossa praça jornalística e da blogosfera (algum deles sócios do Sporting Clube de Portugal) trataram de advogar a morte de um dos capítulos mais importantes da história do Sporting: o seu ecletismo. Basta ler o que vários escreveram aqui, aqui, aqui.

Vamos aos números:

1. apesar dos cortes anunciados e postos em execução pelas respectivas secções, tanto as equipas de futsal como as andebol renovaram ou mantiveram os contratos de quase todos os jogadores dos seus planteis. As únicas excepções foram, salvo erro, Leitão (Futsal) e Hugo Figueira (Andebol). O primeiro por opção do técnico e da direcção da secção de futsal. O segundo por opção pessoal.

2. a qualidade na secção futsal diminuiu muito pouco. a equipa já falhou dois objectivos programados para esta temporada: a fase final da UEFA Futsal Cup (acontece aos melhores) e a final da Taça de Portugal (eliminados pelo Rio Ave). Contudo…

futsal

lideram a fase regular do campeonato e no próximo sábado podem até cavar o fosso classificativo para um dos mais directos perseguidores (o Sporting de Braga) caso consigam vencer a equipa Bracarense.

3. a qualidade da secção de andebol aumentou. O Sporting já não vence um título nacional há mais de 10 anos, isto é, se não contarmos os títulos de 1ª divisão obtidos em 2004 e 2005 quando a modalidade estava dividida em dois campeonatos de 1ª divisão (Liga e Federação; o Sporting jogou o da FPA enquanto as restantes potências da modalidade jogaram o da Liga). No entanto…

sporting 3

na presente temporada terminou a fase regular na primeira posição e transitou para a fase final em vantagem sobre o FCP, equipa que defronta no próximo sábado no arranque da round robin de 10 jornadas entre as 6 primeiras equipas da primeira fase. Em caso de vitória sobre os tetracampeões nacionais em título, o sporting poderá amealhar uma diferença de 4 pontos muito valiosa para a fase final pois dita-me a experiência (sem querer menosprezar o ABC e o Aguas Santas que são equipas capazes de se bater taco a taco com qualquer um dos 3 grandes) que é nos jogos entre os grandes que a coisa se resolve.

Como se esse facto não fosse por si só relevante, o Sporting está na fase 16 da EHF e já encaminhou praticamente o apuramento para os quartos-de-final da prova. A EHF Cup é a 2ª taça mais importante da nomenklatura de competições da Federação Europeia. Nunca antes uma equipa portuguesa conseguiu estar na fase 16 da prova e, na verdade, só o Sporting conseguiu vencer uma grande competição de clubes com a chancela da EHF: a Challenge Cup, em 2010. Escrevo que “encaminhou praticamente” porque apesar das 2 vitórias obtidas em 3 jornadas ainda faltam disputar 4 jornadas. Contudo, duvido que o Sporting perca na Macedónia com o Zomimak-M visto que a primeira mão foi esclarecedora no que toca ao potencial das duas equipas (39-22 para o Sporting). A equipa orientada por Frederico Santos é até a 2ª melhor marcadora na fase em disputa com 89 golos marcados, logo atrás da equipa que lidera o seu grupo: o poderoso Montepellier de Thierry Omeyer. Na primeira jornada, relembro que o Sporting venceu o vice-campeão dinamarquês, o Skjern, equipa onde alinham dois jogadores titulares da selecção dinamarquesa vice campeã mundial e europeia (Henrik Mollgard e Kasper Soondergaard) no seu reduto por 32-25.

Dito isto, só posso dizer: venham mais cortes nas modalidades. Com resultados assim, como Sportinguista quero um Sporting a gastar menos e a ganhar mais.

Da Champions #14

Confesso que não vi o jogo. Estou a ver agora os resumos dos jogos de hoje. Ronaldo fez dois golos e duas assistências belíssimas. Contudo, aquilo que mais me sobressaiu no jogo foi o 4º golo do Real, golo marcado por Karim Benzema, no momento, a fazer jus ao nome do Schalke (0-4).
Engraçado também foi o facto dos adeptos do clube alemão se terem levantado das suas cadeiras quando Klaas Jan Huntelaar marcou o seu tento de honra na partida. O gesto demonstra que os alemães vivem o futebol de uma forma bem diferente da nossa. Vivem-no como um espectáculo. Se fosse uma equipa portuguesa a apanhar 6 do Real numa eliminatória deste calíbre (não precisamos de recuar muitos anos para relembrar os 12 que o Sporting apanhou do Bayern nos oitavos-de-final da prova da temporada 2008\2009) seria uma tragédia para a dita equipa, uma semana de jornalismo de baixo nível para os diários na qual estes tentariam escapulizar a goleada até ao osso e uma comédia para os adeptos dos rivais.

Da Champions #13

O Olympiacos ganhou ontem meio bilhete para os oitavos-de-final da Champions depois de derrotar o Manchester United por 2-0 no Piraeu. A equipa grega aproveitou mais uma exibição muito desapontante da equipa de David Moyes nesta temporada para conseguir uma vantagem confortável para o jogo da 2ª mão em Old Trafford. A equipa de David Moyes terá 15 dias para mudar a sua atitude se quiser passar aos oitavos-de-final.

As duas equipas defrontaram-se pela 5ª vez na prova. Nos 4 primeiros confrontos, a contar para a fase-de-grupos das temporadas 2001\2002 e 2002\2003, o Manchester United de Sir Alex Ferguson venceu as 4 partidas.

Na antevisão feita para a partida, o treinador do Olympiacos, o espanhol Michel avisou que apesar de não ser favorita na eliminatória, a sua equipa ia fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para levar de vencido o United de David Moyes. Realçando que a Liga dos Campeões é uma prova imprevisível onde tudo pode acontecer e desvalorizando o mau momento actual da equipa inglesa, Michel alertou que a equipa orientada pelo treinador escocês poderá vislumbar a competição como a tábua de salvação de uma época que está, a ser até ao momento, desatrosa. Como a equipa grega lidera de forma destacada a liga grega (já é praticamente campeã), Michel poderá apostar as fichas todas na Champions.

No primeiro jogo na prova sem uma das revelações da prova, o avançado Kostas Mitroglou (vendido ao Fulham no mês de Janeiro) Michel também não pode contar com o argentino Javier Saviola, o autor do apuramento dos gregos para a fase final da prova no jogo disputado contra o Benfica na Grécia.

Os treinadores entraram em campo com um sistema de jogo exactamente igual: 4x5x1. Do lado do Olympiacos, Michel fez alinhar o seu quarteto defensivo habitual, reforçando o meio-campo com Maniatis e Delvin Ndinga (esteve exibiu-se de forma exemplar, ganhando todas as batalhas do meio-campo), Choro Dominguez nas costas do nigeriano Michael Oleité, com o primeiro a deter a tarefa de construir o jogo do Olympiacos pelo miolo e o segundo como um ponta-de-lança móvel. Nas alas, o técnico espanhol colocou o paraguaio Hernan Perez, reforço da equipa no mês de Janeiro, na esquerda e este em conjunto com o lateral José Holebas moeu a cabeça a Chris Smalling. Na direita, Michel deu a titularidade ao costa-riquenho emprestado pelo Arsenal Joel Campbell. O costa-riquenho haveria de aproveitar uma excelente combinação no miolo com Oleité para fazer o 2-o com um certeiro remate em arco que DiGea não conseguiu defender.

David Moyes voltou a apresentar a defesa tipo do último mês com Smalling à direita, Vidic e Ferdinand no centro e Evra à esquerda. Smalling teve um dia para esquecer. Defensivamente não deu uma para a caixa no confronto com Perez. Ofensivamente não conseguiu acrescentar nada à equipa e ficou muito aquém das exibições de Rafael da Silva. E aqui se vêem as lacunas existentes no plantel da equipa de Manchester: não tem um lateral direito capaz de cumprir as tarefas defensivas e ofensivas com um certo equilíbrio. Rio Ferdinand mostra que já não tem andamento para jogar ao mais alto nível.
Carrick e Cleverley assumiram as posições do Miolo. Moyes tentou dar alguma velocidade ao flanco esquerdo com a inserção de Ashley Young no onze até porque do outro lado Leandro Salino é um jogador, como bem sabemos, combativo. Na direita jogou o equatoriano Antonio Valência. Wayne Rooney voltou a jogar no meio-campo com a função de construir o jogo do United e apoiar Robin Van Persie, a referência de ataque dos Red Devils. Nesta temporada, o holandês está muito aquém daquilo que realizou na temporada 2012\2013.

O jogo começou numa toada lenta e com as equipas a adoptarem uma postura cautelosa. Este ritmo de jogo haveria de ser mantido durante os 90 minutos de jogo. O Olympiacos foi controlando os acontecimentos perante uma equipa de Manchester muito apática, muito desligada, pouco pressionante, pouco agressiva, sem grandes rasgos individuais, pouco interligada entre sectores, com uma construção de jogo bastante incipiente e acima de tudo, com muita pressão nos pés. Por várias vezes Smalling e Ferdinand perderam bolas em zonas recuadas e permitiram ao Olympiacos acelerar o jogo e construir jogadas de perigo. Prova disso foi quando aos 8″ Smalling tentou sair a jogar pela direita, complicou e o argentino Choro Dominguez recuperou o esférico, galgou o meio-campo dos ingleses sem que nenhum jogador do United saísse a seu encontro, entrou na área, rematou e viu o seu remate bloqueado por um espectacular carrinho de Nemanja Vidic. Se não fosse o acto heróico do central sérvio, o Olympiacos poderia ter inaugurado aqui o marcador.

O Manchester United tentava circular bola a toda a largura do terreno de forma a solicitar uma atitude mais interventiva de Ashley Young na esquerda e Valência na direita. O primeiro optou quase sempre por tentar puxar a bola para o centro do terreno de modo a poder aplicar o seu remate ou servir Van Persie na área. O segundo tentou ganhar a linha a Holebas mas o lateral da equipa grega não permitiu muitas veleidades ao extremo equatoriano.

Aos 25″ o paraguaio Hernan Perez sacudiu um jogo que estava a ser, a bom da verdade, secante. Recebendo a bola no flanco, encarou Chris Smalling olhos nos olhos, entrou na área e atirou às malhas laterais da baliza de David De Gea. Tanto o paraguaio como o costa-riquenho Joel Campbell conseguiram aproveitar muito bem o facto de Michael Oleité estar constantemente a arrastar a defesa do United com as suas movimentações erráticas pelo último terço do terreno. Até aos 25″ o melhor que o United conseguiu fazer na partida foi um remate muito torto de Tom Cleverley por cima da baliza de Roberto Jimenez.

Aos 37″ aconteceu o primeiro momento do jogo: Joel Campbell tenta centrar da direita, a bola acaba por ser cortada por um jogador do Manchester United para a entrada da área onde apareceu o centrocampista Giannis Maniatis a rematar rasteiro e Choro Dominguez a desviar a bola do alcance de David De Gea para o primeiro golo dos visitados, a única equipa nesta ronda que conseguiu vencer o seu encontro nessa condição.

Ao intervalo, a diferença no marcador aceitava-se visto que no marasmo realizado, os gregos tentaram fazer mais pela vida que a turma inglesa.

Na segunda parte, pouco daquilo que se tinha visto no primeiro tempo se alterou. O jogo continuou com uma toada lenta e a atitude dos homens de Moyes continuou exactamente a mesma.

O jogo partiu logo no início do 2º tempo, facto que permitiu Choro Dominguez fazer aquilo que mais gosta: meter velocidade no contra-ataque do Olympiacos. A equipa de Manchester não conseguiu re-equilibrar a partida e haveria de sofrer o 2º golo aos 54″ através de Joel Campbell numa jogada em que Oleité recebeu no miolo, combinou com o costa riquenho e este, com classe disferiu um remate em arco para o fundo da baliza de David De Gea.

David Moyes tentou modificar a falta de velocidade do United na manobra ofensiva, colocando o japonês Shinji Kagawa e o avançado Danny Welbeck. Os dois deram alguma velocidade ao jogo do United mas a equipa inglesa haveria de confirmar até ao final da partida uma exibição muito descolorida que não perspectiva uma 2ª mão fácil. Depois do 2º golo, a equipa do Olympiacos, satisfeita com o resultado limitou-se a controlar a partida e para isso contribuiu a entrada do português Paulo Machado.

A única jogada interessante da última meia hora resultou num remate de Oleitan aos 66″. O nigeriano poderia ter feito o 3º golo da equipa grega. Se a bola tivesse entrada, a eliminatória estaria praticamente resolvida.

Na 2ª mão creio que o Manchester vai tentar provar que não é este tipo de equipa. O Olympiacos deverá ir a Old Trafford defender a vantagem obtida nesta partida através de um estilo de jogo defensivamente organizado e baseado no contragolpe quando a equipa do Manchester der azo a tal. De resto, a equipa grega consegue desempenhar muito bem esta filosofia de jogo, já o tendo feito por exemplo nos dois jogos realizados contra o Benfica. A equipa de Manchester terá que fazer pela vida caso queira levar de vencida esta equipa grega. Ou seja, a equipa de Manchester terá que ser rápida na circulação, acutilante e fantasista no jogo da 2ª mão visto que o Olympiacos irá encarar o jogo de Manchester com uma defesa muito baixa e com muita articulação entre linhas de forma a não oferecer espaços à equipa inglesa.

Champions #11

Estádio Petrovsky em S. Petersburgo, a equipa da casa o Zenit efrenta o Dortmund na primeira mão dos oitavos de final da Liga dos campeões, jogo que à partida estaria facilitado para o Borrussia visto que beneficia nesta altura de mais ritmo competitivo do que o Zenit (o campeonato russo encontra-se na paragem de Inverno desde Dezembro até Março).

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Como já tínhamos previsto aqui o Dortmund estava em clara de posição de vir da Rússia com o passaporte aos quartos de final carimbado e sem precisar de suar muito (diga-se que o frio também não deixou que tal acontecesse) e nem o facto de estar privado de jogadores tão importantes como Hummels (está a regressar de lesão), Kuba, Bender e Subotic por exemplo, fez com que o óbvio se tornasse inesperado. Diria que dado os recentes resultados desta equipa, esta eliminatória com o Zenit calhou tão em graça como as luvas e snoods usados pelos jogadores para combater o frio russo. Do lado do Zenit baixas importantes de Danny e Ansaldi, dos portugueses apenas em campo Luís Neto que podia ter feito melhor jogo, mas não se pode pedir muito de uma equipa desorganizada e onde os processos se tornam tudo menos fáceis, parecendo (ou mostrando realmente) que o valor dos milhões não faz um plantel de qualidade e capaz de exercer bom futebol, capaz de lutar por algo mais que uma passagem à tangente num grupo dos mais fracos da Liga dos Campeões dos últimos anos.

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Do jogo em si, apesar de pouco apelativo foi bem dominado pelo Dortmund, o facto de ter entrado praticamente a ganhar com uma entrada desenfreada que culminou aos 4′ com Mkhitaryan a dar a vantagem depois de uma boa insistência de Reus (o passe de Lewandowski é simplesmente divinal a servir o camisola 11) a desmontar toda a defesa dos russos e já em esforço a evitar cair na tentação de ganhar o penalty e oferecer de bandeja ao colega a jogada e aos 5′ o mesmo Reus ter dilatado o resultado colocando o Dortmund definitivamente lançado para a vitória, ajudou bastante a que no fim houvesse motivos para Klopp poder saltar e sorrir de alegria no banco de suplentes. Depois disto a tarefa descomplicou e os alemães apenas precisaram de controlar, entregaram a bola ao adversário que tinha de chegar à frente e assumir o jogo se queria inverter a eliminatória e limitaram-se a ter rasgos de genialidade dos mais talentosos, conseguindo um caudal ofensivo a espaços, mas sempre bastante perigoso.

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No segundo tempo mais do mesmo, mas o Zenit pareceu ligeiramente mais revitalizado, assumiu mais ainda o jogo e lá conseguiu complicar a vida a Friedrich, Schmelzer e Papasthopoulos que se viram e desejaram nalgumas jogadas protagonizadas por Shatov que acabaria por marcar na sequência de uma jogada de insistência e algo estranha, com bastantes ressaltos e que acabou por relançar um pouco o jogo, no entanto por pouco tempo, porque pouco depois o inevitável Lewandowski acabou por aparecer e fazer o habitual, marcar um bom golo, mais uma vez a municiar o avançado esteve Reus, sempre bastante activo na frente, a criar e oferecer bastantes bolas de golo o que lhe valeu mesmo o título de melhor em campo no fim do jogo. Mas o jogo ainda tentou relançar-se quando aos 67′ o árbitro de baliza desencantou uma penalidade sobre Hulk, que chamado a marcar converteu ao seu estilo, forte, preciso e sem hipótese para Weidenfeller, mas mais uma vez não foi suficiente e aos 70′ novamente os suspeitos do costume, a dupla Reus – Lewandowski, com o primeiro a desnortear a defensiva do Zenit para que o Polaco simplesmente pudesse bisar e fechar o encontro. Depois disto a imagem que vi na SkySports Alemã foi simplesmente a de Luís Neto a reclamar com os seus colegas de defesa e logo de seguida o desnorte de Spalletti que é simplesmente demasiado passivo e banal para conseguir fazer algo de uma equipa que até tem boas pedras para compor um onze de respeito e  com qualidade capaz de se bater com as grandes equipas, no entanto o italiano é claramente curto em sabedoria futebolistica para chegar a tanto.

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Resultado fechado e no fim ressalta o que já prevíamos derrota do Zenit e a eliminatória praticamente arrumada, em Dortmund nem dois Hulks chegam para sair de lá o Zenit apurado para os quartos, mas isto sou eu a antecipar coisas que podem não acontecer!

Da Champions #12

hulk

enquanto o Simões escreve o #11 e o #13 (Olympiacos vs Manchester United) está a caminho… fiquem com a preciosidade do dia. O Paulo Fonseca abriu o precedente, o Hulk capitalizou. A ganhar jogos tão importantes em tão curto espaço de tempo (2-0 na Quarta em Londres, 2-2 na quinta no Porto, 4-0 no domingo em Moenchagladbach e ontem 4-2 em São Petersburgo) não me admiro nada se forem bicampeões europeus.

imbecilidades

boateng

A imagem mostra Kevin Prince-Boateng a fumar um cigarro e a beber uma cerveja antes de ir ao controlo anti-doping programado no final do último jogo do Schalke. O insólito levou o director-geral do clube alemão Horst Heldt a afirmar que o jogador estava simplesmente “a relaxar do stress da partida” – se o clube aceita, não sou ninguém para criticar…

Não deixa de ser caricato que uma cena do género aconteça poucos dias depois das declarações do médico-chefe da FIFA Jiri Dvorak. O dirigente da FIFA anunciou que todos os jogadores das selecções participantes serão controlados de surpresa antes do arranque da competição. O mesmo dirigente anunciou que o caso mais bicudo é o da selecção… portuguesa, a única que é sempre controlada de surpresa pela sua agência nacional antidopagem, a ADoP, antes de seguir marcha para as grandes competições internacionais

Dvorak deverá ter receio que, os controlos surpresa, causem indignação junto das delegações. Como tal, tomou de exemplo o que se sucedeu no estágio da Covilhã nas vésperas da participação da selecção nacional no Campeonato do Mundo da África do Sul em 2010, quando os “vampiros”, apelido pelo qual são conhecidos os elementos dessas mesmas agênciasem modalidades como o Atletismo ou o Ciclismo, irromperam pela unidade hoteleira onde estava instalada a delegação portuguesa, a altas horas da madrugada, para controlar toda a selecção, acontecimento que motivou a ira e a suposta agressão de Carlos Queiroz a um dos elementos da dita autoridade. A ADoP alegou que o seleccionador nacional agrediu física e verbalmente um dos elementos que iria fazer o controlo surpresa a alguns jogadores (entre os quais Nani) e o seleccionador nacional chegou a ser castigado por 6 meses. O TAS (Tribunal Arbitral do Desporto) anulou a decisão que suspendeu o treinador, obrigou a AdOP a indeminizar o actual seleccionador do Irão em 46 mil euros e os crimes (públicos) decorrentes do acto passaram para os tribunais civis.

Não deixa de ser uma imbecilidade de Jiri Dvorak enunciar a selecção nacional como um caso bicudo sabendo que a AdOP é uma das únicas agências nacionais de Antidopagem com poder para realizar controlos surpresas sobre todos os atletas nacionais. Coisa que faz constantemente. Ainda há poucos meses atrás, nas vésperas (e durante) da (a) última edição da Volta a Portugal apanharam Sérgio Ribeiro da Efapel-Glassdrive e o vencedor Alejandro Marque nas malhas do doping. Outra é por exemplo a agência Norte-Americana, a USADA, se bem que a USADA só acordou para esta realidade depois do escândalo em torno de Lance Armstrong. Tanto uma como a outra tem poder para comunicar às autoridades judiciais a posse de substâncias proibidas por parte dos atletas, cabendo depois às mesmas iniciar os procedimentos previstos pela lei.

No que toca à luta anti-doping, o ciclismo está um passo à frente de todas as modalidades visto que todos os atletas tem um passaporte biológico, isto é, um registo onde são anotados todos os controlos realizados e onde é monotorizada a carreira do ciclista. Por causa da realização desses mesmos registos, o ciclista é obrigado a comunicar à UCI o sítio onde está a treinar. A UCI pode enviar uma delegação da agência nacional respeitante ao país no qual o ciclista está a treinar para efectuar um controlo surpresa. O passaporte biológico contem informações detalhadas sobre a fisiologia dos atletas assim como sobre o seu metabolismo e regras muito apertadas: podem chover castigos para quem se negar a ser controlado ou faltar a 3 controlos programados previamente.

Também creio que devo relembrar que em Espanha e em Itália, bem como noutros países, as agências antidopagem não tem tantas competências e tanta legitimidade como a Portugal. Basta apenas ver esta cronologia feita pelo El Mundo sobre o caso da Operación Puerto e reparar que foi a Guardia Civil Espanhola que desencadeou todo o processo e não a agência espanhola anti-dopagem.

Porquê? Porque em Espanha e em Itália, os atletas não são tantas vezes controlados como em Portugal. Exemplo disso foi a ineficiência demonstrada pela agência espanhola na localização de Christopher Horner quando pretendia controlar o ciclista após a vitória no Angliru, vitória que garantiu ao americano a vitória na Vuelta.

O que é que queria dizer Dvorak com as suas palavras? Ninguém gosta de ter os vampiros à perna. Obvio. Muito menos quando eles fazem os jogadores levantar-se da cama às 4 da manhã e os privam do natural descanso que a alta-competição exige para a realização de um processo que pode ser realizado às 9 da manhã. Daí a dizer que Portugal é um caso bicudo no cumprimento da questão vai um passo muito mas muito largo. Basta por exemplo recordar as palavras proferidas pelo ciclista Riccardo Riccó (suspenso por 12 anos depois de ter sido controlado positivamente pela 3ª vez e de possuir substâncias dopantes na sua residência) aquando de uma das audiências do processo judicial movido pelas autoridades italianas: “Em Espanha ninguém controla nada nem ninguém. Não existe 1\10 do controlo que existe em Itália” – em Itália, 8 em cada 10 atletas dopados são apanhados. No entanto, as palavras do dirigente da FIFA são muito deselegantes para quem tem neste momento um dos mais eficazes sistemas de luta anti-doping no mundo.

Pré-Champions

Hoje o cartaz traz-nos um Zenit – Dortmund e logo de seguida um Olimpyacos – Manchester United.

Zenit – Dortmund

Diria de antemão que o Dortmund teria tudo a seu favor para passar a eliminatória com relativa facilidade e digo relativa apenas e só devido às ausências forçadas a que Jurgen Klopp se vê obrigado. Kuba, Gundogan e Subotic são peças fulcrais que têm estado lesionados e a juntar a estes há os problemas com Reus, e Bender que no último jogo com o Hamburgo sofreu uma rotura no músculo da virilha o que lhe garante uma ausência até final de Abril. Por outro lado o Zenit está sem competir a alto nível desde 6 de Dezembro, quando jogou o último jogo para o campeonato Russo, desde essa data que apenas jogou jogos amigáveis (torneios no Qatar, Israel e Turquia) devido à paragem de Inverno do campeonato Russo. Além disso o Zenit não é equipa com tradição na Liga dos Campeões e o melhor resultado que obteve foi mesmo o alcance dos oitavos de final frente ao Benfica em 2011/2012. Como se isto não bastasse o Zenit vê-se também privado de Danny e Ansaldi lesionados e Shirokov ainda estava em dúvida devido a problemas num calcanhar. O único ponto que o Zenit pode ter a seu favor, eventualmente serão os maus resultados dos alemães, especialmente esta última derrota frente ao Hamburgo (3-0), ainda assim reforço a ideia que prevejo que o Dortmund tenha uma tarefa complicada na Rússia, mas que a resolva com alguma facilidade dado o nível e ritmo da equipa serem outros que este Zenit não tem.

Olympiakos – Manchester

Este é um jogo que pode dar algum espectáculo e qualquer resultado dos três possíveis, mas sinceramente acho que o que vai acontecer será um empate entre as duas equipas. O Olympiacos em casa é uma equipa bastante forte não só no campeonato, mas também nas competições europeias e o Manchester United como todos têm assitido este ano não está  propriamente a jogar ao nível que o nome exige. Sendo uma deslocação difícil e dado o estatuto dos ingleses acredito mais num empate que numa vitória de qualquer das equipas, no entanto até aos 90 minutos não digo que o jogo não possa pender para qualquer um dos lados. Ambas as equipas vêm de vitórias fora para o campeonato que acabam por ser um factor de motivação para os jogadores (apesar de para o Olympiacos já ser um habitué ganhar quase sempre e bem). Um dado curioso é que Manchester e Olympiacos já se cruzaram quatro vezes anteriormente e Ryan Giggs esteve presente em todas, contribuindo com 3 golos que ajudaram sempre à vitória do Manchester United.