Bidone D´Oro #9

Enquanto Allegri se vai rindo em casa da porca miseria instalada em Milão, a boca que mais props lhe mandava (à distância e de forma cobarde) ganhou um bilhete dourado para o banco de San Siro, onde hoje já deve saber a espinhosa missão que terá de desempenhar para devolver o clube milanês do estado de merda pelos joelhos até ao topo do futebol italiano, fatto che io no credo nos próximos 2\3 anos em virtude da erratica estratégia que paira sobre as aureas da família Berlusconi e do seu “fiel” escudeiro Adriano Galliani.

Impávido e sereno no banco, Seedorf assistiu a 15 minutos iniciais de fulgor da sua equipa na recepção à jovem Udinese para os quartos-de-final da Taça de Itália. O jogo dos milaneses nos restantes 75 minutos da partida foi mentira. Com um Mario Balotelli inadmissivelmente a passo (se fosse treinador castigava-o até ao final da época pela falta de vontade que o avançado manifesta dentro de campo) o Milan viu a Udinese espetar dois ou três contra-ataques mortíferos para vencer a partida. O decisivo, aquele que o jovem uruguaio de 20 anos emprestado pela Roma Nico Lopez (nome a memorizar para o futuro) fez, poucos minutos depois de ter entrado em campo para substituir o português Bruno Fernandes, para o 2-1 da turma de Udine no San Siro.

Com esta derrota, o AC Milan já sabe o que lhe vai calhar em sorte no final da época: um ano sem competições europeias. Justificadíssimo.

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Bidone D´oro #9

Vitória tranquila do Milan por 3-o em San Siro contra o Spezia da Serie B em jogo a contar para os oitavos-de-final da Taça de Itália, dias depois da humilhação sofrida em Sassuolo frente à equipa local por 4-3 com um poker da mais recente promessa do futebol italiano, o jovem Doménico Berardi de 19 anos, actual 2º melhor marcador da Série A com 11 golos. Keisuke Honda estreou-se a marcar com a camisola do Milan.

O  momento do jogo foi quando ao minuto 68, o novo treinador dos rossoneri, Clarence Seedorf, chegou à sua nova casa. Seedorf é o novo treinador do Milan. Como já se previa desde o início do mês de Dezembro, a direcção do clube rossoneri estava à espera do final do contrato de Seedorf com o Botafogo para finalmente demitir Massimiliano Allegri, facto consumado após a derrota em Sassuolo. Seedorf tem assim a sua primeira experiência enquanto treinador principal de um clube, numa fase em que os dirigentes rossoneri continuam a falar em renovação.

Sorteio Champions

Criam-se situações para tudo nos dias que correm. O canal do city mostra-nos a reacção dos jogadores do City ao sorteio da Champions.

1. Manchester City vs Barcelona é em conjunto com o Bayern de Munique vs Arsenal um dos jogos cabeça de cartaz dos oitavos de final. 4 equipas com aspirações. O City chega pela primeira vez aos oitavos-de-final da prova. Depois de duas experiências falhadas na maior prova da UEFA (dois 3ºs lugares e consequente repiscagem para a Liga Europa, onde não conseguiu atingir os quartos-de-final; uma das eliminações ocorreu naquele jogo fantástico que o Sporting de Sá Pinto fez no City of Manchester) o City conseguiu acabar com o enguiço da fase de grupos e os milhões imperaram. Pellegrini está a fazer um grande trabalho no City (assim como o fez em Madrid ao contrário do que todos os pseudo-experts de bola afirmam; perdeu o campenato mas foi até agora o treinador que obteve a maior pontuação dos merengues na Liga) e o futebol de ataque protagonizado pela equipa de Manchester levou a que incomodasse o imperioso Bayern no Allianz Arena. Aos 11″ o Bayern vencia por 2-0 e Ribery dava espectáculo. Vindos de uma fantástica goleada por 7-0 ao Werder Bremen para a Bundesliga suspeitava-se nessa hora que os bávaros iriam arrancar para mais uma goleada. Pé ante pé (com uma exibição enorme de Fernandinho) os homens de Pellegrini conseguiram fazer o que os clubes alemães não fazem há 40 jogos para a Bundesliga: vencer no terreno do fantástico Bayern, cada vez mais cunhado na toada de Guardiola: uma equipa que entra a matar, constrói uma vantagem segura nos primeiros 25 minutos de jogo e depois retira qualquer oportunidade de reacção ao adversário a partir de um jogo de posse e circulação de bola. A única diferença que vislumbro deste Bayern em relação ao Barcelona de Guardiola é a fome insaciável de golos que Arjen Robben e companhia têm mesmo a ganhar. Pela frente, os homens de Pellegrini terão o Barcelona de Tata Martino. O argentino tem cunhado algumas diferenças no estilo de jogo da equipa em relação ao que era apresentado pelos seus antecessores. A essência de Guardiola continua lá mas foi alterada por Martino. O fio de jogo continua lá: os desiquílibrios pelo miolo de Messi (e Neymar pelo flanco esquerdo), a constante subida dos laterais ao último terço do terreno, a infindável posse de Xavi e Iniesta, o rigor táctico de Busquets no equilíbrio da equipa e a figura de Alexis como um avançado móvel trabalhador não-finalizador. Contudo, Martino incutiu mais objectividade na equipa e ao contrário de Guardiola e Villanova, esta não fecha a loja quando se encontra a vencer por 2 ou 3-0.

Prevê-se um duelo muito renhido. Messi pode não alinhar na eliminatória ou alinhar em péssimas condições de forma em virtude da lesão que está a tratar na Argentina com o staff médico da sua selecção. Neymar está a subir imenso de rendimento e assume-se como o patrão de equipa na ausência do astro argentino. O City poderá repetir em Nou Camp a façanha cometida no Allianz Arena, sendo portanto expectável uma eliminatória em que qualquer equipa poderá vencer fora de portas.

Bayern e Arsenal encontrar-se-ão no final de Fevereiro. Sobre a equipa de Guardiola existe pouco a dizer. A equipa de Wènger tem agora nos próximos dias o seu maior teste: passar o boxing day na liderança. Em situações normais, com o Arsenal em 3º ou 4º o boxing day costuma ser muito difícil para a equipa de Wènger. Na liderança, será um teste de fogo às capacidades internas deste Arsenal que faz da criatividade dos homens do meio-campo (Wilshere, Ramsey, Ozil) o seu forte. Se o Arsenal passar o infernal calendário do natal sem derrotas, estou certo que chegará a Fevereiro com todas as possibilidades de vender muito cara a eliminatória à equipa bávara.

Noutro vértice temos os duelos entre Atlético de Madrid e Milan. Madrilenos e milaneses irão encontrar-se em Fevereiro para uma eliminatória com conteúdos interessantes. Duas épocas completamente distintas, com objectivos iniciais completamente distintos. Apesar do Atlético ter o objectivo de se posicionar a meio da luta de titãs que tem caracterizado a liga espanhola nos últimos 10 anos, se vendessem a Simeone a conjectura actual interna e externa do Atleti, estou certo que o Argentino seria capaz de a comprar no imediato a pronto pagamento. Allegri vai vivendo dias de amargura no seu desesperável Milan. Com um pé fora do clube dia sim dia não, com um plantel desiquilibradíssimo, com resultados muito fracos a nível interno e um apuramento europeu arrancado a ferros (ou melhor, com um empate em amesterdão resultante de um penalti assinalado num lance em que a falta pertence a Mario Balotelli) o treinador italiano aguarda apenas o momento em que Barbara Berlusconi receba a tão esperada ordem do seu pai para passar o cheque de indeminização por despedimento. O que de certa forma é injusto para um treinador cuja direcção prometeu uma reestruturação total ao plantel na época passada e não cumpriu. Ainda para mais quando Allegri cumpriu os objectivos traçados pela direcção na época passada, época essa em que a direcção milanese decidiu estoirar por completo com o plantel da sua equipa com a venda dos melhores jogadores (Zlatan e Thiago Silva num primeiro momento e Kevin Prince Boateng num segundo já no passado defeso).

Carga positiva. Dois estilos que tem alguns traços em comum. O cinismo catenacciano da equipa de Simeone, assimilado talvez nos anos em que o Argentino jogou na Lázio. Uma defesa extremamente organizada, eficaz. Alessandro Nesta revestido de Diego Godín. Favalli num certinho Felipe Luis que só não é titular na selecção do seu país porque do outro lado, junto à Plaza Cibelles mora o melhor lateral-esquerdo do mundo, Marcelo. Koke na pele de Sérgio Conceição. Gabi, o cérebro. Arda Turan, o homem que sabe tudo sobre bola a lembrar os bons tempos de Dejan Stankovic. Diego Costa, o target-man, a fazer talvez, aquela, que será lembrada como a sua melhor época no futebol. O Atleti é uma equipa que defende com 10 homens, raramente se desorganiza, raramente deixa jogar, e, cuja organização nunca seja posta em causa no poderíssimo contragolpe que possuí, quase sempre efectuado com poucos homens.

O Milan de Allegri também funciona nesses moldes. Uma equipa de pendor defensivo, com um meio-campo muito musculado (De Jong, Muntari, Nocerino) e com um ataque vocacionado para o contra-ataque: Kaká, Robinho e Balotelli. Menor organização defensiva do que a demonstrada pelo Atlético, mais instabilidade, probabilidade de existirem mudanças drásticas em Janeiro. O Atlético parte com maior favoritismo para a eliminatória mas precisa de ter cautela: este mesmo Milan causou calafrios ao Barcelona na mesma fase da edição passada, com uma “allegri” vitória em San Siro e um jogo interessante em Nou Camp onde esteve muito perto de selar passagem para a fase seguinte não fosse um fatídico minuto mudar toda a sua sorte com uma bola no poste de Mbaye Niang depois de uma cavalgada rusticana do francês de campo a campo sequenciada por um golo de Messi que na altura fez o 2-0 e empatou a eliminatória. Num jogo a eliminar contra uma equipa italiana, nunca fiando. Simeone sabe-o perfeitamente por experiência própria.

O mesmo se aplica a Mourinho no excitante Chelsea vs Galatasaray. Treinador italiano, jogadores com milhões de km de champions que se dão bem no contra-ataque (Eboué, Sneijder, Drogba, Altintop), um jovem sedento de títulos (Bruma) e um amoroso brasileiro de nome Felipe Melo a distribuir cacete quanto baste no meio campo. Contra a Juventus provou-se a filosofia deste novo Galatasaray: mais italianos que os caralhos dos italianos!

Mourinho baixou as espectativas. Afirmou recentemente que muito dificilmente será capaz de vencer um título esta época. Mais uma vez jogou de forma inteligente. Mourinho sabe que num dia sim de Hazard e Schurrle é capaz de se bater taco-a-taco contra quem vier. No entanto, recordou que está a formar uma equipa. É certo que quando Mou precisar do velho bastião blue (Terry, Lampard, Obi Mikel, Ashley Cole, John Obi Mikel, Michael Essien) este virá em seu auxílio. Mourinho tem a vantagem de conhecer o outro lado por dentro e por fora visto que conduziu os 2 principais jogadores da equipa turca à glória noutras batalhas da sua carreira.

Trigo limpo farinha amparo.

PSG vs Bayer Leverkusen. O mundo lembrou-se subitamente de Kiessling. Joachim Low lembrou-se subitamente de Kiessling. Gonzalo Castro é um jogador apetitoso e tornou-se cobiçado por meia europa e Lars Bender passou a ser o mais bonito dos gémeos Bender. Tretas. Icy est Paris. Laurent Blanc arrebenta com todas as escalas e avança com o objectivo Lisboa. Para os “veteranos” Zlatan, Thiago Silva, Maxwell, Lavezzi, Thiago Motta poderá ser a última vez na carreira que reunem toda a química necessária para escrever uma página nunca antes escrita na equipa parisiense e nas suas carreiras. Os novos como Cavani. Matuidi, “Pirlo Son” Marco Verrati, Gregory Van Der Wiel, Lucas Moura, Rabiot, Digne tem aqui a sua oportunidade de ouro. Prevejo uma eliminatória resolvida de forma fácil no jogo de Paris.

Real Madrid vs Schalke. Idem.

Borussia de Dortmund vs Zenit. A jogar como jogou na fase de grupos, Spaletti arrisca-se a levar uma copiosa humilhação na eliminatória. Sem estar o Dortmund a fazer uma época primordiosa. Se Hulk sair em Janeiro como se fala, com Shirokov lesionado e Danny arredado das escolhas por ofensas verbais ao lunático italiano, será uma porca miseria.

Bidone D´Oro #2

Juventus e Napoli encontraram-se ontem no novo Dell´Alpi empatadas no 2º lugar da Série A com a missão de continuar a perseguição ao líder (invicto) do campeonato, a AS Roma, que, horas antes, tinha perdido 2 pontos no último lance da partida contra o recém promovido Sassuolo (1-1).

Ambas as equipas entraram na partida na sua máxima força. De um lado, a Juve apresentava o seu habitual 3x5x2 com dois alas bastante vincados (Isla na direita e Asamoah na esquerda) com uma ligeira alteração táctica em relação aquilo que costuma ser o vinco de Conte nestas posições, pois Isla e Asamoah apresentaram um pendor muito mais defensivo do que o habitual, fruto da capacidade ofensiva que o Napoli ostenta pelas laterais com os laterais Armero e Maggio e os extremos Callejón e Insigne. Do outro lado, o Napoli de Rafa Benitez, equipa que já surpreendeu fora ao bater a Fiorentina por 2-1 no Artémio Franchi, entrou em campo com o seu onze base, de meio campo reforçado com os Suiços Behrami e Gokhan Inler e a sua frente de ataque de luxo composta pelo internacional eslovaco Marek Hamsik, os extremos Insigne e Callejón e o avançado Gonzalo Higuaín.

O Napoli executou aquela que costuma ser a sua compostura nos jogos de fora de casa. Deu a iniciativa de jogo à Juventus, fechou-se com muito rigor na sua defensiva e tentou incomodar a baliza de Gianluigi Buffon com contra-ataques muito rápidos, aproveitando a velocidade e arte de Insigne e Callejón. Insigne seria de resto uma das grandes figuras da partida, ao obrigar constantemente Buffon a defesas apertadas. O internacional sub-21 italiano mereceu o golo por várias vezes. A Juventus entrou forte na partida e logo aos 2 minutos conseguiu marcar por intermédio do ponta-de-lança internacional Espanhol Fernando Llorente. Depois de uma época para esquecer no Athletic de Bilbao, o espanhol cumpre em Turim uma espécie de regeneração para a alta roda do futebol. Tem aproveitado as oportunidades que Conte lhe tem dado e esta época já leva 4 golos (2 na Champions, 2 na Série A). O Napoli tentou reagir. Quase sempre pelos pés do mágico Insigne. De livre directo ou de bola corrida, o extremo do Napoli esbarrou sempre contra um inspirado Buffon. A Juventus aproveitava. Já no último quarto da partida, Pirlo acabaria por marcar mais um clássico de livre e Pogba, de meia distância como é seu apanágio fechava o resultado em 3-o numa altura em que o Napoli merecia claramente o empate na partida.

A destacar ficou novamente uma grande partida do internacional Francês. Em conjunto com Pirlo, são os grandes patrões desta equipa da Juve. Pogba consegue aliar uma excelente técnica individual, a um posicionamento perfeito no terreno e a um pulmão que nunca mais acaba. É raro ver uma jogada da Juve que não passa pelos seus pés ou pelos pés do mago Andrea Pirlo. Defensivamente, o Francês enche por completo o terreno de jogo, entrega muito músculo ao meio-campo bianconero e recupera muitas bolas. Está a tornar-se um caso sério. A Juve está a 1 ponto da Roma, deixando o Napoli na 3ª posição a 4 pontos do líder.

P.S1: O Milan voltou a empatar, desta feita no terreno do Chievo a 0 bolas. Allegri vai de mal a pior em San Siro, sendo expectável (mais uma vez!) a sua saída do comando técnico dos rossoneri.

PS2: Fiorentina e Inter venceram as suas partidas contra Sampdoria (2-1 em Firenze) e Livorno (2-0 no Meazza). Reaproximaram-se dos lugares da frente. O Inter está a 7 pontos do líder enquanto a Viola está a 8. Os Viola viram mais 3 exibições estupendas por parte de Juan Cuadrado, Borja Valero e Giuseppe Rossi, que de resto acabaria por marcar mais 2 golos e assim reforçar a sua condição de melhor marcador da prova com 11 golos, enquanto a equipa de Milão dominou facilmente a equipa do Livorno com golos de Ricky Alvarez e Jonathan.