Champions #11

Estádio Petrovsky em S. Petersburgo, a equipa da casa o Zenit efrenta o Dortmund na primeira mão dos oitavos de final da Liga dos campeões, jogo que à partida estaria facilitado para o Borrussia visto que beneficia nesta altura de mais ritmo competitivo do que o Zenit (o campeonato russo encontra-se na paragem de Inverno desde Dezembro até Março).

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Como já tínhamos previsto aqui o Dortmund estava em clara de posição de vir da Rússia com o passaporte aos quartos de final carimbado e sem precisar de suar muito (diga-se que o frio também não deixou que tal acontecesse) e nem o facto de estar privado de jogadores tão importantes como Hummels (está a regressar de lesão), Kuba, Bender e Subotic por exemplo, fez com que o óbvio se tornasse inesperado. Diria que dado os recentes resultados desta equipa, esta eliminatória com o Zenit calhou tão em graça como as luvas e snoods usados pelos jogadores para combater o frio russo. Do lado do Zenit baixas importantes de Danny e Ansaldi, dos portugueses apenas em campo Luís Neto que podia ter feito melhor jogo, mas não se pode pedir muito de uma equipa desorganizada e onde os processos se tornam tudo menos fáceis, parecendo (ou mostrando realmente) que o valor dos milhões não faz um plantel de qualidade e capaz de exercer bom futebol, capaz de lutar por algo mais que uma passagem à tangente num grupo dos mais fracos da Liga dos Campeões dos últimos anos.

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Do jogo em si, apesar de pouco apelativo foi bem dominado pelo Dortmund, o facto de ter entrado praticamente a ganhar com uma entrada desenfreada que culminou aos 4′ com Mkhitaryan a dar a vantagem depois de uma boa insistência de Reus (o passe de Lewandowski é simplesmente divinal a servir o camisola 11) a desmontar toda a defesa dos russos e já em esforço a evitar cair na tentação de ganhar o penalty e oferecer de bandeja ao colega a jogada e aos 5′ o mesmo Reus ter dilatado o resultado colocando o Dortmund definitivamente lançado para a vitória, ajudou bastante a que no fim houvesse motivos para Klopp poder saltar e sorrir de alegria no banco de suplentes. Depois disto a tarefa descomplicou e os alemães apenas precisaram de controlar, entregaram a bola ao adversário que tinha de chegar à frente e assumir o jogo se queria inverter a eliminatória e limitaram-se a ter rasgos de genialidade dos mais talentosos, conseguindo um caudal ofensivo a espaços, mas sempre bastante perigoso.

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No segundo tempo mais do mesmo, mas o Zenit pareceu ligeiramente mais revitalizado, assumiu mais ainda o jogo e lá conseguiu complicar a vida a Friedrich, Schmelzer e Papasthopoulos que se viram e desejaram nalgumas jogadas protagonizadas por Shatov que acabaria por marcar na sequência de uma jogada de insistência e algo estranha, com bastantes ressaltos e que acabou por relançar um pouco o jogo, no entanto por pouco tempo, porque pouco depois o inevitável Lewandowski acabou por aparecer e fazer o habitual, marcar um bom golo, mais uma vez a municiar o avançado esteve Reus, sempre bastante activo na frente, a criar e oferecer bastantes bolas de golo o que lhe valeu mesmo o título de melhor em campo no fim do jogo. Mas o jogo ainda tentou relançar-se quando aos 67′ o árbitro de baliza desencantou uma penalidade sobre Hulk, que chamado a marcar converteu ao seu estilo, forte, preciso e sem hipótese para Weidenfeller, mas mais uma vez não foi suficiente e aos 70′ novamente os suspeitos do costume, a dupla Reus – Lewandowski, com o primeiro a desnortear a defensiva do Zenit para que o Polaco simplesmente pudesse bisar e fechar o encontro. Depois disto a imagem que vi na SkySports Alemã foi simplesmente a de Luís Neto a reclamar com os seus colegas de defesa e logo de seguida o desnorte de Spalletti que é simplesmente demasiado passivo e banal para conseguir fazer algo de uma equipa que até tem boas pedras para compor um onze de respeito e  com qualidade capaz de se bater com as grandes equipas, no entanto o italiano é claramente curto em sabedoria futebolistica para chegar a tanto.

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Resultado fechado e no fim ressalta o que já prevíamos derrota do Zenit e a eliminatória praticamente arrumada, em Dortmund nem dois Hulks chegam para sair de lá o Zenit apurado para os quartos, mas isto sou eu a antecipar coisas que podem não acontecer!

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Sorteio Champions

Criam-se situações para tudo nos dias que correm. O canal do city mostra-nos a reacção dos jogadores do City ao sorteio da Champions.

1. Manchester City vs Barcelona é em conjunto com o Bayern de Munique vs Arsenal um dos jogos cabeça de cartaz dos oitavos de final. 4 equipas com aspirações. O City chega pela primeira vez aos oitavos-de-final da prova. Depois de duas experiências falhadas na maior prova da UEFA (dois 3ºs lugares e consequente repiscagem para a Liga Europa, onde não conseguiu atingir os quartos-de-final; uma das eliminações ocorreu naquele jogo fantástico que o Sporting de Sá Pinto fez no City of Manchester) o City conseguiu acabar com o enguiço da fase de grupos e os milhões imperaram. Pellegrini está a fazer um grande trabalho no City (assim como o fez em Madrid ao contrário do que todos os pseudo-experts de bola afirmam; perdeu o campenato mas foi até agora o treinador que obteve a maior pontuação dos merengues na Liga) e o futebol de ataque protagonizado pela equipa de Manchester levou a que incomodasse o imperioso Bayern no Allianz Arena. Aos 11″ o Bayern vencia por 2-0 e Ribery dava espectáculo. Vindos de uma fantástica goleada por 7-0 ao Werder Bremen para a Bundesliga suspeitava-se nessa hora que os bávaros iriam arrancar para mais uma goleada. Pé ante pé (com uma exibição enorme de Fernandinho) os homens de Pellegrini conseguiram fazer o que os clubes alemães não fazem há 40 jogos para a Bundesliga: vencer no terreno do fantástico Bayern, cada vez mais cunhado na toada de Guardiola: uma equipa que entra a matar, constrói uma vantagem segura nos primeiros 25 minutos de jogo e depois retira qualquer oportunidade de reacção ao adversário a partir de um jogo de posse e circulação de bola. A única diferença que vislumbro deste Bayern em relação ao Barcelona de Guardiola é a fome insaciável de golos que Arjen Robben e companhia têm mesmo a ganhar. Pela frente, os homens de Pellegrini terão o Barcelona de Tata Martino. O argentino tem cunhado algumas diferenças no estilo de jogo da equipa em relação ao que era apresentado pelos seus antecessores. A essência de Guardiola continua lá mas foi alterada por Martino. O fio de jogo continua lá: os desiquílibrios pelo miolo de Messi (e Neymar pelo flanco esquerdo), a constante subida dos laterais ao último terço do terreno, a infindável posse de Xavi e Iniesta, o rigor táctico de Busquets no equilíbrio da equipa e a figura de Alexis como um avançado móvel trabalhador não-finalizador. Contudo, Martino incutiu mais objectividade na equipa e ao contrário de Guardiola e Villanova, esta não fecha a loja quando se encontra a vencer por 2 ou 3-0.

Prevê-se um duelo muito renhido. Messi pode não alinhar na eliminatória ou alinhar em péssimas condições de forma em virtude da lesão que está a tratar na Argentina com o staff médico da sua selecção. Neymar está a subir imenso de rendimento e assume-se como o patrão de equipa na ausência do astro argentino. O City poderá repetir em Nou Camp a façanha cometida no Allianz Arena, sendo portanto expectável uma eliminatória em que qualquer equipa poderá vencer fora de portas.

Bayern e Arsenal encontrar-se-ão no final de Fevereiro. Sobre a equipa de Guardiola existe pouco a dizer. A equipa de Wènger tem agora nos próximos dias o seu maior teste: passar o boxing day na liderança. Em situações normais, com o Arsenal em 3º ou 4º o boxing day costuma ser muito difícil para a equipa de Wènger. Na liderança, será um teste de fogo às capacidades internas deste Arsenal que faz da criatividade dos homens do meio-campo (Wilshere, Ramsey, Ozil) o seu forte. Se o Arsenal passar o infernal calendário do natal sem derrotas, estou certo que chegará a Fevereiro com todas as possibilidades de vender muito cara a eliminatória à equipa bávara.

Noutro vértice temos os duelos entre Atlético de Madrid e Milan. Madrilenos e milaneses irão encontrar-se em Fevereiro para uma eliminatória com conteúdos interessantes. Duas épocas completamente distintas, com objectivos iniciais completamente distintos. Apesar do Atlético ter o objectivo de se posicionar a meio da luta de titãs que tem caracterizado a liga espanhola nos últimos 10 anos, se vendessem a Simeone a conjectura actual interna e externa do Atleti, estou certo que o Argentino seria capaz de a comprar no imediato a pronto pagamento. Allegri vai vivendo dias de amargura no seu desesperável Milan. Com um pé fora do clube dia sim dia não, com um plantel desiquilibradíssimo, com resultados muito fracos a nível interno e um apuramento europeu arrancado a ferros (ou melhor, com um empate em amesterdão resultante de um penalti assinalado num lance em que a falta pertence a Mario Balotelli) o treinador italiano aguarda apenas o momento em que Barbara Berlusconi receba a tão esperada ordem do seu pai para passar o cheque de indeminização por despedimento. O que de certa forma é injusto para um treinador cuja direcção prometeu uma reestruturação total ao plantel na época passada e não cumpriu. Ainda para mais quando Allegri cumpriu os objectivos traçados pela direcção na época passada, época essa em que a direcção milanese decidiu estoirar por completo com o plantel da sua equipa com a venda dos melhores jogadores (Zlatan e Thiago Silva num primeiro momento e Kevin Prince Boateng num segundo já no passado defeso).

Carga positiva. Dois estilos que tem alguns traços em comum. O cinismo catenacciano da equipa de Simeone, assimilado talvez nos anos em que o Argentino jogou na Lázio. Uma defesa extremamente organizada, eficaz. Alessandro Nesta revestido de Diego Godín. Favalli num certinho Felipe Luis que só não é titular na selecção do seu país porque do outro lado, junto à Plaza Cibelles mora o melhor lateral-esquerdo do mundo, Marcelo. Koke na pele de Sérgio Conceição. Gabi, o cérebro. Arda Turan, o homem que sabe tudo sobre bola a lembrar os bons tempos de Dejan Stankovic. Diego Costa, o target-man, a fazer talvez, aquela, que será lembrada como a sua melhor época no futebol. O Atleti é uma equipa que defende com 10 homens, raramente se desorganiza, raramente deixa jogar, e, cuja organização nunca seja posta em causa no poderíssimo contragolpe que possuí, quase sempre efectuado com poucos homens.

O Milan de Allegri também funciona nesses moldes. Uma equipa de pendor defensivo, com um meio-campo muito musculado (De Jong, Muntari, Nocerino) e com um ataque vocacionado para o contra-ataque: Kaká, Robinho e Balotelli. Menor organização defensiva do que a demonstrada pelo Atlético, mais instabilidade, probabilidade de existirem mudanças drásticas em Janeiro. O Atlético parte com maior favoritismo para a eliminatória mas precisa de ter cautela: este mesmo Milan causou calafrios ao Barcelona na mesma fase da edição passada, com uma “allegri” vitória em San Siro e um jogo interessante em Nou Camp onde esteve muito perto de selar passagem para a fase seguinte não fosse um fatídico minuto mudar toda a sua sorte com uma bola no poste de Mbaye Niang depois de uma cavalgada rusticana do francês de campo a campo sequenciada por um golo de Messi que na altura fez o 2-0 e empatou a eliminatória. Num jogo a eliminar contra uma equipa italiana, nunca fiando. Simeone sabe-o perfeitamente por experiência própria.

O mesmo se aplica a Mourinho no excitante Chelsea vs Galatasaray. Treinador italiano, jogadores com milhões de km de champions que se dão bem no contra-ataque (Eboué, Sneijder, Drogba, Altintop), um jovem sedento de títulos (Bruma) e um amoroso brasileiro de nome Felipe Melo a distribuir cacete quanto baste no meio campo. Contra a Juventus provou-se a filosofia deste novo Galatasaray: mais italianos que os caralhos dos italianos!

Mourinho baixou as espectativas. Afirmou recentemente que muito dificilmente será capaz de vencer um título esta época. Mais uma vez jogou de forma inteligente. Mourinho sabe que num dia sim de Hazard e Schurrle é capaz de se bater taco-a-taco contra quem vier. No entanto, recordou que está a formar uma equipa. É certo que quando Mou precisar do velho bastião blue (Terry, Lampard, Obi Mikel, Ashley Cole, John Obi Mikel, Michael Essien) este virá em seu auxílio. Mourinho tem a vantagem de conhecer o outro lado por dentro e por fora visto que conduziu os 2 principais jogadores da equipa turca à glória noutras batalhas da sua carreira.

Trigo limpo farinha amparo.

PSG vs Bayer Leverkusen. O mundo lembrou-se subitamente de Kiessling. Joachim Low lembrou-se subitamente de Kiessling. Gonzalo Castro é um jogador apetitoso e tornou-se cobiçado por meia europa e Lars Bender passou a ser o mais bonito dos gémeos Bender. Tretas. Icy est Paris. Laurent Blanc arrebenta com todas as escalas e avança com o objectivo Lisboa. Para os “veteranos” Zlatan, Thiago Silva, Maxwell, Lavezzi, Thiago Motta poderá ser a última vez na carreira que reunem toda a química necessária para escrever uma página nunca antes escrita na equipa parisiense e nas suas carreiras. Os novos como Cavani. Matuidi, “Pirlo Son” Marco Verrati, Gregory Van Der Wiel, Lucas Moura, Rabiot, Digne tem aqui a sua oportunidade de ouro. Prevejo uma eliminatória resolvida de forma fácil no jogo de Paris.

Real Madrid vs Schalke. Idem.

Borussia de Dortmund vs Zenit. A jogar como jogou na fase de grupos, Spaletti arrisca-se a levar uma copiosa humilhação na eliminatória. Sem estar o Dortmund a fazer uma época primordiosa. Se Hulk sair em Janeiro como se fala, com Shirokov lesionado e Danny arredado das escolhas por ofensas verbais ao lunático italiano, será uma porca miseria.