o que eu ando a ver #1

Madrugada. Nova Iorque. Madison Square Garden, “hometown” dos malfadados Knicks e Rangers repleta de fãs. Desiludido com o que muitos apelidaram de “combate do século” no passado mês de Setembro, combate que colocou frente a frente o rich-man Floyd Mayweather (o desportista mais bem pago do mundo) e o boxeur Mexicano Saul “Canelo” Alvares e que o Norte-Americano haveria de triunfar sem grande surpresa, aguardei com alguma espectativa a disputa do título mundial de pesos médios (75 kg) entre o campeão em título, o Casaque de Kargandy (a terra do mítico Shakter, a primeira equipa desse país a disputar as competições europeias da UEFA) Gennady Golovkin (medalha de Bronze no boxe olímpico em Atenas 2004) e o Nova Iorquino Curtis Stevens.

Golovkin, casaque radicado desde há muitos anos na Alemanha, chegou ao MSG como  invicto profissional do boxe (28-0; dessas 28 vitórias, acumulou 11 KO e 9 Technical KO´s). Na sua preparação para o combate foi para a Califórnia treinar com Abel Sanchez, um dos mais respeitáveis treinadores do mundo do boxe, responsável pela ascenção meteórica de “Canelo” Álvarez. Do outro lado enfrentou um natural de Nova Iorque, Curtis Stevens, 28 anos, boxer com alguma reputação nos pesos médios em virtude de 25 vitórias (18 delas por KO) e 4 derrotas. O favoritismo estava do lado de GGG, alcunha pela qual é conhecido no mundo do boxe até porque a vitória sobre Curtis irá permitir-lhe desafiar o outro “peso pesado” da categoria, o veteraníssimo Sérgio Martinez, 38 anos, vencedor de 51 dos 55 combates que disputou e que recentemente  (Setembro de 2012) venceu o grande dominador da categoria do Século XXI, o mexicano Júlio César Chaves Jr.

Se dúvidas existiam de que GGG seria superior a Curtis Stevens, essas dúvidas dissiparam-se nos primeiros dois assaltos. Golovkin entrou a todo o gás, como se pode ver no vídeo acima postado. Nos primeiros dois rounds Stevens limitou-se a defender as poderosas combinações do Casaque. A estratégia defensiva não lhe valeu de nada. No primeiro round, o seu cutman já estancava o sangue do sobrolho. No segundo round, após uma poderosa combinação esquerda-direita, Stevens foi ao tapete. Levantou-se. Era uma questão de tempo até Golovkin fazer tombar o Norte-Americano. Round 3. Round 4. Nada de mais. O Americano compôs-se, encostou-se às cordas e foi defendendo o que pode. O seu treinador dizia-lhe para se soltar. Stevens nunca se conseguiu soltar durante o combate, excepto no 4º e no 5º round quando ainda esboçou uns ataques ao rosto do Casaque. Round 5. Round 6. Golovkin parecia adormecido desde o 2º round. Quando tirou o pé do acelerador e deixou Stevens respirar, este esboçou alguma luta. Não lhe valera de nada. GGG colocou o pé no acelerador a fundo. No round 7 voltou a massacrar o Nova Iorquino. Até ao momento em que o árbitro decidiu parar o massacre devido ao facto do olho esquerdo de Stevens se estar a fechar com alguma rapidez.

Desfecho previsível. Dentro de alguns meses teremos mais novidades desta categoria. Golovko vai desafiar Martínez. Martínez tem uma história que se cruza com o boxe Português quando, em 2005, venceu o nosso Jorge Pina por TKO ao 5º round. Aos 38 anos estará o Argentino em condições de fechar a sua carreira em grande no mundo do Boxe?