O que eu ando a ver #52

Terminou o sonho de João Sousa em Miami. O vimaranense perdeu em dois sets pelos parciais de 2\6 e 4\6 contra o checo Tomas Berdych. Muitas duplas faltas (5), muitos erros não forçados (23, maior parte deles obtidos pela longa esquerda do tenista checo) em comparação com o checo (8) e as fantásticas pancadas do checo para o fundo do court (24 winners contra 8 de João Sousa) tramaram o tenista português. O vimaranense leva na bagagem de Miami uma exibição bastante melhor (contra um top 10) do que aquelas que fez contra Nadal e Murray, respectivamente no Rio e em Acapulco para além de 20 mil euros de prize-money.

João Sousa conseguirá subir mais 4 posições no ranking ATP (38º na próxima segunda-feira; ranking virtual).

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histórico

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João Sousa continua a escrever história no ténis português. O vimaranense atingiu a 3ª ronda do Masters de Miami (ATP 1000) ao derrotar o 27º do ranking mundial, o francês Gilles Simon, pelos parciais de 7-6, 3-6 e 6-3 numa partida que demorou 3 horas (interrompida durante 45 minutos por causa da chuva). Com a vitória, o tenista luso já garantiu a subida (virtual) ao 38º lugar do ranking mundial, podendo subir ainda mais caso consiga bater o checo Tomas Berdych (7º do ranking ATP). Depois de ter enfrentado Nadal no Rio de Janeiro e Murray em Acapulco, o confronto contra o checo avizinha-se como excitante visto que o português tem uma maior probabilidade de vencer o jogo e seguir em frente na prova.

O que eu ando a ver #42

ATP 500 Acapulco

João Sousa foi eliminado por Andy Murray no 500 mexicano pelos parciais de 3-6 e 4-6. O português efectuou uma exibição bastante melhor que aquela que tinha protagonizado na sexta-feira frente a Rafael Nadal na terra batida do Rio de Janeiro e chegou inclusive a quebrar o 1º jogo de serviço da partida a Andy Murray. O britânico viria a capitalizar alguns erros de João Sousa na rede (já contra Nadal tinha demonstrado as suas debilidades quando subia à rede) e a fraca eficácia sempre que o português era obrigado a servir pela segunda vez. De break em break, rapidamente o britânico alcançaria o 5-3 no 1º set. No 9º jogo de serviço serviu para fechar.

No segundo set o britânico quebrou por 1 vez o serviço do português e fechou a partida (4-6) num jogo que teve a duração de 1 hora e 40 minutos.

lembrete

Para todos os amantes de ténis: João Sousa volta a enfrentar um jogador do top-10 mundial. 2ª vez que isso acontece no espaço de uma semana. Na sexta o português foi eliminado por Rafa Nadal nos quartos-de-final do ATP 500 do Rio de Janeiro. O vimaranense irá jogar contra o escocês Andy Murray na 2ª ronda do torneio do ATP 500 de Acapulco (Piso Rápido). O jogo é transmitido pela Sporttv em directo às 4 da manhã.

A primeira ronda ficou marcada pela eliminação do cabeça-de-série nº3 do torneio, o americano John Isner. Fraca prestação do Norte-Americano, tenista especialista na superfície cujos objectivos passam por alcançar as meias-finais dos próximos masters que se irão disputar em piso rápido em Miami e Indian Wells.

O que eu ando a ver #39

ATP World Tour 500 – Rio de Janeiro

Acabou-se o sonho para o Português. Cumpriu-se o ditado que diz que à 3ª é de vez. Mas para o lado espanhol. Depois de eliminar Marcel Granollers e Albert Ramos nas duas rondas anteriores, como era previsível, João Sousa ainda não tem andamento para o lote dos melhores do mundo e cedeu ante Rafael Nadal. O português foi presa fácil para o #1 do mundo. Parciais de 6-1 e 6-0. No 2º set, fica como o ponto caricato do jogo aquele em que o tenista português com tudo para aplicar um smash na rede ao espanhol (jogavam-se as vantagens do 5º jogo de serviço com o espanhol em vantagem) conseguiu executar o gesto técnico mas deixou a raquete fugir das mãos e embater na rede. Como mandam as regras aplicáveis para este caso, o ponto foi para o espanhol e os dois não se coibiram de rir da situação.

João Sousa conseguiu amealhar 125 pontos para o ranking ATP (garantem-lhe para já a classificação virtual; quando a classificação for actualizada na segunda-feira, o português poderá subir ou descer mais lugares, dependo dos resultados que alguns tenistas fizerem nos 2 torneios ATP 250 que estão neste momento a realizar) e 24 mil dólares de prize money. O atleta natural de Guimarães segue agora para Acapulco no México, cidade onde irá disputar o ATP 250 em hardcourt de forma a preparar a participação nos Masters de Indian Wells e Miami (ATP 1000)

conquistas (lusas)

João Sousa

João Sousa volta a escrever história no ténis portugueses. O tenista vimaranense que actualmente ocupa o 48º lugar do ranking mundial bateu (pela primeira vez na sua carreira) o veteraníssimo tenista espanhol Albert Ramos (87º do ranking ATP) pelos parciais de 7-6 (8-6), 2-6 e 6-3 no ATP 500 do Rio de Janeiro. O jogo teve a duração de 2 horas e 6 minutos. Através desta proeza tornou-se o primeiro português a atingir os quartos-de-final de uma prova ATP 500 (já conseguiu marcar 125 pontos para o referido ranking nesta semana; como neste momento o sistema de pontuação determina-se através do diferencial de pontos obtido pelos jogadores durante a semana em causa e a semana homóloga do ano anterior, é esperável que Rui Sousa suba mais alguns lugares no ranking mundial na actualização que será feita na próxima segunda-feira) e vai medir forças mais logo contra o Rafael Nadal, cabeça-de-série nº1 do torneio e nº1 do ranking mundial, naquele que se espera o jogo mais excitante da carreira do jogador até hoje.

O jogo será transmitido pela Sporttv.

Será Nadal o melhor jogador de todos os tempos?

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A rivalidade entre Nadal e Federer protagonizou hoje mais um episódio, com mais uma vitória para o espanhol Rafael Nadal pelos parciais 76(5) 63 63. Havia uma expectativa crescente relativamente ao que poderia suceder-se nos courts de Melbourne devido a algumas dificuldades físicas de Rafael Nadal e pelo facto de Roger Federer estar num excelente momento de forma e já tendo eliminado Tsonga e Murray nas rondas anteriores. Foi uma exibição imperial de Rafael Nadal em certos aspectos

Roger Federer esteve em bom plano no primeiro e terceiro set, mas apresentou imensas dificuldades em certos aspectos do jogo. O mais importante foi as abordagens à rede. Roger Federer usou e abusou do serve-and-volley frente a Murray e Tsonga, principalmente nos primeiros dois sets. Contudo, frente a Nadal, as coisas não resultaram tão bem, muito por mérito do Maiorquino. Rafael Nadal é conhecido por ser o melhor executante de passing shots de sempre, e foi isso que demonstrou. Devido a isso, Federer consegui uma percentagem de pontos na rede bem inferior aos jogos frente a Tsonga e Murray (55% hoje contra 83% e 74%, respetivamente). O facto de Nadal conseguir contrariar com eficácia Federer na rede obrigou-o a procurar alternativas, uma vez mais. E de facto, enquanto a partida se prolonga em qualquer Nadal x Federer onde o Nadal se encontra num nível razoavelmente consistente, acaba por ser deprimente ver Federer bater contra a mesma parede, uma vez mais. Embora consiga perceber isso. Na cabeça do Federer, o mesmo pensa que se vai para a rede, o Nadal consegue fazer o passing. Se fica atrás e luta contra o Nadal cada um na sua baseline, perde porque o Nadal melhora com o aumento do rally. Se atacar, atacar, atacar, o Nadal consegue provocar pelo menos mais 1 pancada por ponto devido à sua capacidade defensiva, até que Federer eventualmente comete um erro não-forçado. Se procurar a esquerda cruzada para procurar a direita do Nadal que invariavelmente vai ao longo naquela zona, falha porque a esquerda cruzada é o seu ponto fraco (fez imensos erros de esquerda cruzada no primeiro set), até chegar a um desgaste físico e mental sem qualquer solução possível para derrotar Rafael Nadal.

Já Rafael Nadal fez o seu jogo comum frente a Federer: consistente da linha de fundo, e eficaz frente a um plano de jogo de Roger Federer pouco flexível. Nadal sente-se muito confortável a jogar contra Federer, porque os seus pontos fortes acabam por encaixar perfeitamente nos pontos mais fracos do suiço. Para Federer vencer qualquer batalha frente a Rafael Nadal em outdoor hard court ou terra batida, terá de fazer invariavelmente um dos melhores jogos da carreira e/ou esperar que Nadal esteja um pouco abaixo das suas capacidades. Outra atenuante que pode jogar a favor de Federer será se os encontros forem disputados em indoor hard court ou relva. Superfícies mais rápidas beneficiam muito o jogo de Federer em termos de pancadas, embora Nadal também aprecie as superfícies rápidas por ter maior endurance e saber variar o seu serviço com efeitos de slice e kick. Num dia onde esteja bem, Rafael Nadal é praticamente impenetrável frente a qualquer opositor, neste momento, e por mais que custe admitir isso até a quem não gosta muito do espanhol.

Tendo em conta que Rafael Nadal tem um Head-to-Head de 25-10 frente a Roger Federer, considerado por muitos como o melhor jogador de todos os tempos, poder-se-á então perguntar: será Rafael Nadal o melhor jogador de todos os tempos?

É difícil responder de uma forma concreta e capaz de juntar uma total bipolaridade de opiniões, dividida entre fãs do Nadal e fãs do Federer. Eu assumo, pessoalmente, que sou um grande fã do Roger Federer e que ele foi uma das razões pelas quais comecei a apreciar a modalidade. O suiço viveu uma verdadeira era de ouro entre 2004 e 2009, onde venceu 14 dos seus 17 títulos de GS. Até à data, Roger Federer quebrou sucessivos recordes de lendas de outros tempos, e a sua história é e será intemporal. Alguns recordes deverão ser mesmo imortalizados (23 semi-finais de GS consecutivas, ou 37 quartos-de-final de GS consecutivos). O seu estilo de jogo é um mimo para qualquer apreciador de ténis, já que sabe jogar de qualquer forma, seja como baseliner agressivo, serve-and-volley (como fez muito neste torneio), seja como counter-puncher (com o seu delicioso slice cross-court de esquerda que tem utilizado cada vez menos). Não deixa de ser notável que Federer, com 32 anos, ainda procure vencer e novas formas de vencer, e a contratação de Stefan Edberg para a nova temporada não foi por acaso. Stefan Edberg é um dos responsáveis pela subida de forma de Federer no início de 2014, ajudando Federer a ter uma esquerda mais consistente (mas ainda não está como devia) e de usar o serve-and-volley com mais frequência. Parece-me claro, que até Junho, Federer terá oportunidade de melhorar estes aspectos, e concentrará todo o seu foco em Wimbledon, onde tem maiores probabilidades de vencer um GS. Penso que poderemos estar próximo de um ano onde Federer voltará a ter bons resultados, e até arrisco dizer que vencerá Wimbledon.

Pese toda a história e grandeza de Federer, é fácil verificar que, atualmente, Rafael Nadal é melhor jogador do que Roger Federer. É mais forte fisicamente e mentalmente, tem mais soluções no seu jogo do que há uns anos atrás (apesar de ainda não possuir o arsenal em toda a extensão do court que Roger Federer ou Andy Murray possuem, por exemplo) e, mais importante que tudo, sabe manter uma consistência de jogo. Existam os rumores de doping e métodos fora do comum e até ilegais para Nadal superar as suas lesões, a verdade é que ele continua a ser o melhor da atualidade. E hoje ainda é mais, com o decréscimo de forma de Novak Djokovic, que está próximo de uma travessia no deserto (em minha opinião). Rafael Nadal já contabiliza 13 títulos do GS, e provavelmente vencerá no domingo para elevar para 14. E em Roland Garros, se estiver numa forma razoável (basta-lhe isso), vencerá Roland Garros tendo apenas como possível sucessor ao trono Novak Djokovic (que até poderia ter ganho no ano passado não fosse ter tido um choke mental que ainda hoje o afeta), elevando para 15. Poder-se-á dizer até que Nadal irá ultrapassar Roger Federer em GS, se tudo correr bem para o espanhol. E se isso acontecer, não faltará quem ache Nadal o melhor de sempre.

Será uma discussão para aprofundar ao longo dos tempos. Cada um teve as suas eras, cada um tem a sua superfície preferida e o seu estilo de jogo que bipolariza os fãs do ténis. A força da técnica contra a técnica da força. É um privilégio partilhar da mesma era que estes 2 monstros do ténis. Um dia mais tarde, os nossos netos vão perguntar por Nadal e por Federer, a não que apareçam novos monstros que saibam bater todos os recordes. Algo que duvido muito que aconteça a curto-prazo.

Australian Open – Resumo Alargado

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Desde o dia 13 de Janeiro que os courts de Melbourne aquecem com mais uma edição do Australian Open, o Happy Slam como muitos tenistas lhe gostam de chamar pelo bom ambiente que se vive dentro e fora dos courts. Esta edição tem sido responsável pelo imenso calor (tivémos dias com 45º C!!) e por diversas surpresas até ao momento, sendo até um dos Grand Slams mais incaracterísticos dos últimos anos. Não tanto pelas surpresas acontecerem cedo e de forma inesperada (como por exemplo, o Black Wednesday de Wimbledon no ano passado), mas pelas surpresas que aconteceram terem sido poucas, mas extremamente significativas.

Comecemos pelo circuito ATP, onde existiram menos surpresas. Mas foi inesperada a queda de Juan Martin Del Potro (apontado por mim como um possível semi-finalista) na 2º ronda, frente a um Bautista Agut extremamente inspirado, que soube reduzir uma desvantagem de 2 sets a 1 e levar a melhor sobre a Torre de Tandil. Juan Martin Del Potro nunca mais foi o mesmo desde o US Open que conquistou, e as lesões também não têm ajudado. Mas é dos tenistas mais talentosos da sua geração, e não tenho dúvidas que ainda irá voltar às meias-finais e finais dos GS. Bautista Agut acabou por cair frente a Grigor Dimitrov na 4º ronda. O tenista búlgaro tem sido uma surpresa, já que o seu rendimento em GS é bastante inferior ao expectável. Lembram-se de João Sousa o ter derrotado no US Open 2013, na 1ª ronda? Pois…

Rafael Nadal esteve em bom plano até à terceira ronda, mas a vitória apertada (mesmo que por três sets) frente a Nishikori levantou algumas dúvidas sobre a sua capacidade para vencer o Australian Open. Hoje entra em campo para passar às meias-finais.

Um destaque importante para Roger Federer. O tenista suiço tem como novo treinador Stefan Edberg, o veterano e antigo campeão do Australian Open (por 2 vezes) desde o início de 2014, e tem-se revelado uma surpresa pela positiva. Após um 2013 simplesmente desastraso, Federer parece estar de volta aos bons momentos. Tem apresentado um bom ténis, agressivo e a usar o court na sua extensão vertical com mais objetividade e eficácia. Além disso, Edberg, outrora conhecido por ter uma esquerda a uma mão monstruosa, parece ter ajudado Federer a afinar a sua esquerda, que já andava descalibrada há demasiado tempo. Após três rondas iniciais superadas sem grande dificuldade, Roger Federer entrou em court para defrontar Jo-Wilfred Tsonga na 4ª ronda. O francês é um péssimo match-up para o FedExpress pela intensidade que imprime nas suas pancadas. Nos últimos anos, tem sido dos tenistas que Federer tem tido mais dificuldade em superar. Apesar de Tsonga não ter estado ao seu melhor nível, Roger Federer fez uma exibição vintage, principalmente no primeiro e no terceiro set. Primeiro serviço com boa percentagem, usou e abusou do serve-and-volley, não deixou Tsonga terminar os pontos na rede aplicando os sempre difíceis passing shots na perfeição, e usou a direita para “matar” os pontos. Federer venceu em straight sets por 63 75 64. Irá defrontar Andy Murray nos quartos – de – final. Murray teve um quadro fácil até aqui, mas algumas dúvidas subsistem quanto ao seu estado físico. Murray esteve a recuperar de uma lesão nas costas (sempre muito complicadas para os tenistas), e parece ainda estar bem longe do seu melhor. No entanto, tem superado sem grande dificuldade os seus adversários, apesar de haver momentos onde ele procura racionalizar o desgaste e não arriscar nos seus serviços de forma a não acusar a lesão.

No circuito WTA, as surpresas têm sido em catadupa. A maior foi a eliminação na 4ª ronda da 1ª CS Serena Williams frente a uma Ana Ivanovic que parece estar de volta à sua melhor forma. Já na ronda anterior, Ana Ivanovic teve de superar uma sempre complicada Samantha Stosur(17ª CS) em 3 sets. Também na 4ª ronda, Dominika Cibulkova também eliminou a 3ª CS Maria Sharapova, que ainda parece estar à procura da sua melhor forma e a 8ª CS Jelena Jankovic foi eliminada por uma explosiva Simona Halep em 3 sets. Na terceira ronda, Garbine Muguruza eliminou a antiga número 1 mundial Caroline Wozniacki em 3 sets equilibrados, mas não aguentou o desgaste na 4ª ronda e foi eliminada. Atenção a esta tenista espanhola. Vai dar que falar na temporada de terra batida. De referir ainda que embora Na Li já se encontre nas meias finais, esteve à beira de ser eliminada na 3ª ronda, onde após perder o primeiro set para Lucie Safarova, teve de ir resgatar o segundo em tie-break. Venceu o 3º set confortavelmente, de qualquer forma.

Chegamos então, ao momento atual do torneio. Apesar de hoje jogar-se o último dia dos quartos de final, ontem já iniciaram-se as partidas. Thomas Berdych superou David Ferrer em 4 sets e Stanislaw Wawrinka surpreendeu ao superar o campeão atual e número 2 mundial Novak Djokovic num épico de 5 sets por 26 64 63 36 97, e estão nas meias-finais. Está desde já garantida a presença de um estreante na final de um Grand Slam. Parece-me que Wawrinka terá ligeira vantagem, mas terá de superar o desgaste físico, e sobre isso falarei quinta-feira. Nas mulheres, após Ivanovic superar Serena Williams, acabou por ceder frente à fortíssima newcomer Eugenie Bouchard por 75 57 26. Já Li Na não teve quaisquer dificuldades para superar Flavia Pennetta, que já se apresentava inferiorizada fisicamente.

Hoje temos os jogos Halep x Cibulkova, Radwanska x Azarenka, Nadal x Dimitrov e um escaldante Federer x Murray.

Halep x Cibulkova – Após uma temporada 2013 onde Halep escalou no ranking WTA até chegar aos top-30, Halep parece finalmente estar a cumprir o que era expectável de sua parte aquando dos seus anos enquanto júnior. Além disso, pela primeira vez está a superar a barreira da 3ª ronda nos Grand Slams, e já se encontra nos quartos-de-final, praticando um ténis extremamente arrasador para as suas adversárias. Já Cibulkova teve uma temporada 2013 bastante boa, e já foi responsável por eliminações arrasadoras nas primeiras 3 rondas, e ainda eliminou Maria Sharapova do Happy Slam, como referi anterior. Em termos de qualidade tenística, neste momento, Halep parece-me um degrau acima da eslovaca, mas são duas tenistas que não metem o travão nem por um momento e são muitos explosivas. Espero um jogo de elevada intensidade e bem disputado de parte a parte. Acredito que o jogo irá a 3 sets, e os primeiros 2 sets serão muito apertados, mas no terceiro set vejo Simona Halep descolar na partida, e marcar presença nas meias-finais. O jogo está a começar a ser disputado neste momento.

Radwanska x Azarenka – Este vai ser outro jogo escaldante, não tanto pela possível qualidade do jogo em si, já que ambas as tenistas não têm estado ao seu melhor, mas pela relação entre ambas. É conhecida publicamente a má relação entre as duas tenistas, e Radwanska irá fazer tudo para superar a bi-campeã Azarenka. Radwanska é uma das melhores jogadoras do circuito em termos tácticos, e sabe variar muito bem as suas pancadas e adaptar-se em função da sua adversária. O que nem sempre é bom, porque joga, na maior parte das vezes em função da adversária em vez de a manipular com o seu jogo. Será um jogo de extremos, já que Azarenka é um misto de counter-puncher com agressive baseliner, mas muito mais a última. Apresenta-se distante da sua melhor forma, mas julgo que Azarenka irá superar Radwanska e marcar presença nas meias-finais em 2 sets muito equilibrados e desgastantes.

Nadal x Dimitrov – Nadal enfrentará o búlgaor Grigor Dimitrov nos quartos de final, e Dimitrov não costuma ser presa fácil. Nos três encontros anteriores, conseguiu sempre roubar um set ao tenista espanhol, mas eventualmente Nadal não tem dificuldades em superar o búlgaro no set decisivo. Dimitrov já superou a barreira de nunca nada conseguir nos GS, e julgo que já não tem nada a perder. Irá tentar explorar as fraquezas de Nadal (a esquerda a duas mãos costuma ser algo inconstante nas paralelas) e executar bons serviços de forma a vencer o espanhol. No entanto, juglo que Nadal deverá conseguir superar Dimitrov. A minha aposta é Rafael Nadal 3-1.

Federer x Murray – Este é o prato principal do dia. Federer está em bom plano, como já referi anteriormente, e é dado como favorito marginal nas casas de apostas, embora ache que devia estar 50/50. Mesmo apesar de Murray dar indicações de estar longe do seu melhor, é sempre um tenista perigoso e tem-se revelado, a cada ano que passa, um futuro número 1 mundial após superar a barreira do top-3. O jogo começa às 8 horas portuguesas e acredito que vá ser um dos jogos do torneio. Noutro ano qualquer, diria que Murray iria vencer em 4/5 sets, mas Federer deu-me indicações que está com fome e irá querer vencer e provar que com 34 anos, está aí para as curvas. Murray também poderá acusar a sua lesão. Federer em 4 sets muito apertados, com um tie-break pelo meio.

Ténis – Balanço da Temporada ATP World Tour 2013

Após mais uma longa temporada repleta de bom ténis. Há algum tempo que não tínhamos uma temporada tão excitante, em minha opinião. Segue a minha pequena análise a esta temporada, bem como um breve olhar sobre as minhas expectativas para 2014 (que também espero escrever em breve, lá mais por altura do Natal).

Os vencedores

Rafael Nadal

Rafael Nadal

O espanhol foi o verdadeiro vencedor desta temporada. Após uma longa ausência na temporada de 2012, onde falhou a segunda metade da temporada e após falhar o Open da Austrália no início do ano, Nadal voltou à competição em Fevereiro, e teve uma temporada de terra batida ao seu estilo, e de uma forma ainda mais dominadora. Em Fevereiro, venceu 1 ATP 250 e 1 ATP 500, o que representava um indício de que estaria de volta à sua plenitude física. Em Março, superiorizou-se à concorrência no primeiro Masters 1000 da temporada em Indian Wells, mas não marcou presença em Miami, alegando que ainda não estava pronto para uma intensidade destes em tão curto espaço de tempo. Abril não foi fácil e revelou um Rafael Nadal mais frágil, e que foi batido na final de Monte Carlo pelo Djokovic. Mas em Maio, Rafael Nadal mostrou-se demolidor, vencendo os Masters 1000 de Roma e Madrid, e acabou em beleza com mais uma conquista de Roland Garros, elevando para 8 os títulos do segundo Grand Slam da temporada. Em Junho esteve bem abaixo do que pode e do que sabe, mesmo apesar da temporada de relva ser aquela que menos gosta (e mesmo apesar do seu jogo ter evoluído no sentido de melhorar essa fraqueza). Foi eliminado na primeira ronda de Wimbledon pelo surpreendente Steve Darcis. Prometeu voltar ainda mais forte e em Agosto, venceu os dois Masters 1000 de Montreal e Cincinnati. No US Open 2013, esteve uma vez mais irrepreensível, vencendo sem perder um único set ao longo do torneio. Teve depois uma recta final já a acusar algum desgaste da excelente época que fez, mas ainda chegou à final do ATP World Tour Finals, em Londres, onde sucumbiu perante um Novak Djokovic em grande forma.

O seu jogo está a evoluir para um estilo mais ofensivo e assente cada vez mais na força da pancada em vez do exagerado top spin. O seu serviço e jogo de rede também estão melhores, principalmente o primeiro. A meu ver, é expectável que Nadal continue a ser top-1 durante bastante tempo, principalmente porque não tem pontos no Open da Austrália, não deverá ceder na temporada de terra batida e em Wimbledon só pode melhorar após ter caído na 1ª ronda durante a temporada. Resta dizer, portanto, que Rafael Nadal será o alvo a abater em 2014. A verdade é que mesmo apesar do seu estilo fulgurante mas pouco apreciado em termos técnicos e das suspeitas de “doping” à volta dos tratamento do espanhol, Nadal tem continuado, ao longo dos anos, a mostrar a sua dominância no circuito.

Novak Djokovic

Novak Djokovic

Apesar de ainda estar longe do nível que exibiu em 2011 e de ter perdido o trono do circuito para Rafael Nadal, Novak Djokovic teve ainda assim uma época bastante positiva quando comparada com outros tenistas. Começou da melhor forma com a conquista do Open da Austrália. A sua consistência fez com que Chegasse à final dos outros 3 Grand Slams, mas perdeu sempre na final para o seu adversário. Também venceu os Masters 1000 de Monte Carlo, de Shanghai e de Paris. Finalizou a temporada da melhor forma com a conquista do ATP World Tour Finals no início desta semana. Muitas razões para acreditar que Djokovic ainda está por cá para durar.

Os perdedores

Roger Federer

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O melhor jogador de todos os tempos, como é considerado por alguns analistas e entusiastas da modalidade, teve a sua pior temporada de sempre desde que está no top-10 do circuito. Apenas conquistou um ATP 250 (em Halle, Junho), e não atingiu nenhuma final dos Grand Slams. A sua melhor performance ocorreu no Open da Austrália, onde foi eliminado após 5 longos sets por Andy Murray. Em Roland Garros chegou aos quartos, e em Wimbledon foi surpreendentemente eliminado na segunda ronda de Wimbledon, impotente perante o jogo de rede de Stakhovsky, e não soube superiorizar-se a um Robredo em grande forma na 4ª ronda do US Open. Ainda soube recuperar na recta final desta temporada de forma a estar presente no ATP World Tour Finals, onde ainda chegou às meias-finais, mas foi sem dúvida uma temporada extremamente abaixo daquilo que pode. Pelo meio, o seu treinador Paul Annacone foi despedido por mútuo acordo.

Pelo que vejo de Roger Federer, ainda vejo nele motivação para vencer e voltar a ser o número 1 mundial, embora reconheça que dificilmente isso irá acontecer, a não ser que volte a vencer Wimbledon e consiga fazer uma temporada Julho – Setembro sólida, de preferência com vitórias em Masters e no US Open. Apesar da sua qualidade técnica permanecer, as pernas parecem estar a ceder a cada dia que passa e o seu serviço tem descido de eficácia a olhos vistos, principalmente o segundo serviço. É possível que em 2014 tenhamos um Federer a recuperar muito do terreno que perdeu, e que irá arriscar as fichas todas na temporada de relva. Tenho muitas dúvidas de que não volte a ser top-4.

Janko Tipsarevic

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Verdade seja dita, nunca o achei jogador para muito mais do que um top-20. E forçado. No ano passado, acabou a temporada no top-10, em 9º lugar. 2013 viu Tipsarevic a voltar às más exibições, e ao estranho desconforto que apresenta dentro do court, na maior parte das vezes. Não tem uma pancada que marque a diferença e demonstrou um jogo muito mais inconsistente do que na época passada. Isso fez com que descesse do 9º lugar para o 36º. E julgo que irá permanecer por lá durante algum tempo. Ou descer ainda mais.

As surpresas

João Sousa

JoaoSousa

É difícil não falar de João Sousa durante a escrita deste artigo. Subiu 52 posições no ranking mundial (de 101º para 49º) e venceu o primeiro torneio ATP 250 ganho por um português, após um épico de 3 sets diante de Julien Benneteau. Este feitos fizeram com que neste momento seja uma das estrelas em ascensão do circuito.

Outros destaques da sua brilhante temporada são a presença na 3ª ronda do US Open (eliminado por Novak Djokovic), a vitória na 2ª ronda do US Open frente ao baby-Federer Grigor Dimitrov e a vitória em 3 Challengers.

Sou da opinião que será difícil João Sousa manter esta posição de top – 50. a não ser que consiga pelo menos uma 3º/4º ronda no Open da Austrália. Contudo, dificilmente não manterá uma posição de top-60/top-70. A sua temporada de terra batida (a sua melhor superfície tendo em conta as suas características) foi abaixo do expectável, e conquistou os seus pontos nas temporadas hard court.

João Sousa ainda apresenta algumas debilidades na capacidade atacante e de reposição de bola com a sua esquerda, e o seu serviço custa a arrancar em cada jogo de serviço. Não é anormal vermos o Sousa 0-30 abaixo no seu serviço, e ganhar 4 pontos seguidos ou superiorizar-se nas vantagens. Frente a adversários mais experientes e que sabem aproveitar a pressão do adversário, será difícil superiorizar-se.

A seu favor, João Sousa tem um aspecto que é cada vez mais importante no ténis actual: capacidade mental. É absurda! A sua pancada de direita é MUITO acima da média, e será sempre a pancada que fará a diferença relativamente a outros adversários.

Stanislaw Wawrinka

Wawrinka

Sempre na sombra de Roger Federer, o suiço Wawrinka teve uma das suas melhores temporadas de sempre. A espaços, demonstrou um nível de ténis absurdamente elevado, e até esteve perto de eliminar Djokovic do US Open nas meias-finais, e ainda chegou aos quartos em Roland Garros. A subida do 17º para o 8º do ranking explica a temporada de Wawrinka: em clara evolução mesmo apesar de estar numa fase onde dificilmente evoluirá muito mais. Continua a faltar-lhe alguma estabilidade emocional, de qualquer forma. Se melhorar isso, é possível que consiga ser top-5 numa determinada altura da sua carreira.

Juan Martin Del Potro

Del Potro

Apesar de a nível global não ter sido a sua melhor temporada e de continuar a ser assolado por muitas lesões, demonstrou, a espaços, o nível exibicional que exibiu em 2009 e que lhe fez ganhar um Grand Slam (US Open). Juan Martin Del Potro chegou à final de 2 Masters 1000 e às meias-finais de Wimbledon, onde foi eliminado num épico de 5 sets frente a Novak Djokovic. Esteve, contudo, bem abaixo daquilo que pode e sabe nos Grand Slams em hard court. Contudo, e pelo que me foi dado a ver, julgo que teremos um Del Potro ao ataque do top-3 na próxima temporada, isto se conseguir manter o nível que exibiu em Wimbledon e na recta final da temporada.

Melhores jogos do ano

3 – Andy Murray def. Roger Federer (Australian Open SF) – 64 67(5) 63 67(2) 62

O jogo que marcou a primeira vitória do Andy Murray sobre o Roger Federer em Grand Slams. Um dos poucos encontros do ano onde tivemos Roger Federer no seu melhor.

2 – João Sousa def. Julien Benneteau (ATP 250 Kuala Lumpur Final) – 26 75 64

Fácil de antecipar a sua entrada nesta lista, a final de Kuala Lumpur consagrou João Sousa como o primeiro português a vencer um torneio ATP. Foi um jogo muito complicado, como era expectável. João Sousa enfrentou um Championship Point, e soube salvá-lo de uma forma inacreditável, numa pancada de elevado grau de dificuldade (1:17:54 do vídeo).

Em termos de ténis, foi longe de ser o melhor encontro do ano. Mas em termos emotivos e pelo que representa para Portugal e para os Portugueses, merece estar no pódio.

1 – Novak Djokovic def. Juan Martin Del Potro (Wimbledon SF) – 75 46 76(2) 67(6) 63

Os jogos entre o Djokovic e o Del Potro costumam ser excelentes espectáculos de ténis quando ambos se encontram ao mais alto nível, e foi isso que se verificou. O Del Potro apresentava mazelas físicas desde a 2ª ronda (!), e conseguiu sobreviver até ao quinto set das meias-finais! É um encontro repleto de excelentes pontos, e que vale a pena ver. Notável a recuperação de Del Potro no quarto set, repleta de garra e força mental, mas já não teve forças para segurar o pulmão de Djokovic no último set.

Foi mais uma temporada em grande. Tivemos regressos bem sucedidos, um português a vencer um torneio ATP 250 pela primeira vez, estrelas em curva descendente e novas surpresas prontas a atacar o top-10 como já não se vê na modalidade há muitos anos. Pessoalmente, acho que 2014 poderá ser o melhor ano de ténis em muito tempo. Em breve explicarei o porquê de o achar.

Contudo, quero também deixar uma opinião sobre o circuito, que se apresenta cada vez mais “homogéneo”. E isso não é bom, infelizmente. Cada vez mais temos uma modalidade dominada pelos baseliners (ex: Djokovic, Ferrer) e counter-punchers (Simon), pelas esquerdas a duas mãos e por jogadores que “fogem” da zona da rede como foge o diabo da cruz. Sim, é verdade que temos 3 tenistas como uma enorme variedade de pancadas em toda a extensão do campo (Federer, Wawrinka, Gasquet). Faltam jogadores com características serve-and-volley (Pete Sampras, Patrick Rafter, Tim Henman, Goran Ivanisevic), e acima disso, faltam tenistas de diferentes estilos capazes de lutar taco a taco frente ao top-10 actual. Falta cada vez mais variedade, e espero que surja uma nova geração capaz de mudar o “status quo”.

E um desejo especial para que ténis português continue a melhorar. O caminho dificilmente não será esse, após este “boom” dado por João Sousa. Tanto Gastão Elias como Pedro Sousa têm capacidades para bem mais, e se o Rui Machado recuperar o nível de outros tempos, dificilmente não voltará a cheirar o top-100.