Da Champions #22

Terminou há minutos (no Vicente Calderón e no Allianz Arena) mais uma eliminatória da Champions. Arrisco-me a dizer, em breves palavras, que os quartos-de-final da edição deste ano poderão ficar na história como uma das melhores rondas de sempre da história da prova. Não posso dizer que a ronda tenha tido um único jogo desinteressante nos 8 jogos disputados.

No frenético, entusiasta e saudosista Vicente Calderón, a abarrotar de vermelho, 40 anos depois, o Atlético de Madrid (do mago Simeone; que deliciosa ironia!) volta a atingir as meias finais da prova. 40 anos depois do feito histórico protagonizado por um dos seus maiores símbolos, o recém falecido Luis Aragonés, um dos grandes craques da equipa colchonera que disputou a final da Taça dos Campeões Europeus na época 1973\1974 precisamente contra o Bayern de Munique, um dos possíveis adversários colchoneros nas meias-finais da prova ou até mesmo na final.

Não tenho qualquer pejo em afirmar que, caso este Atlético consiga vencer campeonato e champions, o triunfo é absolutamente merecido. O trabalho que Diego Simeone tem feito numa equipa teoricamente considerada por grande parte da imprensa internacional como um eterno candidato ao 3º lugar em Espanha, está, de que maneira, a baralhar as contas de meia europa.

A crónica mais detalhada sobre a partida do Calderón fica para amanhã. Como amante da arte do futebol, preciso de rever o jogo (ou grande parte deste) para o poder descrever minuciosamente. Acredito que para descrever um jogo destes, ou se descreve com minúcia ou então é preferível não o descrever de todo. Em traços gerais, a entrada do Atlético na partida, ao contrário do que previa (previa um Atlético capaz de colocar um ritmo lento na partida para impedir que o Barça entrasse a todo o gás e pudesse marcar cedo) foi demolidora. Não só pelo golo obtido por Koke, pelas 3 bolas aos ferros da baliza de Pinto mas pela desconcentração pura e pelo nervosismo miudinho que o jogo rápido e açucarado praticado pela equipa de Simeone provocou na incipiente (no jogo desta noite) equipa de Tata Martino. Assertivo também creio afirmar que os catalães sentem algum nervosismo quando não tem bola nos pés. Naturalíssimo dada a matriz em que assenta a sua filosofia de jogo: a posse de bola. Contudo, o nervosismo sentido por Xavi, Messi, Iniesta e seus pares no rectângulo plantado a meio da onda vermelha madridista, resultou, em traços largos, numa enorme quantidade de disparates defensivos na primeira parte (a pressão alta executada pelos colchoneros no meio-campo catalão seguida quase sempre de um recuo das linhas sempre que a equipa da cidade condal conseguia cruzar o meio-campo com bola, obrigou o Barça a jogar mal na saída de bola e a não conseguir meter a bola entre linhas como de resto costuma fazer; Iniesta-Messi-Iniesta com entrada do espanhol em zona de finalização; Iniesta-Messi-Neymar com entrada do brasileiro no espaço livre) numa dificuldade enorme que os catalães tiveram em conseguir arranjar espaço para criar desiquilíbrios (Neymar foi o único capaz de desequilibrar) – por seu turno, o Atlético sempre que foi lá à frente criou perigo. Com Villa a receber mais jogo nos flancos e Adrian com um hábil jogo de área (o avançado também procurou empurrar várias vezes a equipa lá para a frente através de arrancadas individuais quando conseguia ganhar a bola no meio-campo) a equipa ganhou uma enorme mobilidade (com Diego Costa, apesar de Gabi, Koke e Arda serem os mágicos que bem conhecemos, o jogo torna-se ligeiramente mecanicizado para a corrida do avançado naturalizado espanhol) e uma enorme profundidade, que, a bom da verdade, foi a chave do sucesso desta passagem histórica do Atlético. Outra das chaves do sucesso foi a colocação do brasileiro Diego na 2ª parte e o fantástico golo apontado pelo antigo jogador do FC Porto em Camp Nou. Em Madrid começa-se a acreditar que a presença de Diego Ribas no clube é sinónimo de conquistas!

P.S: Monstruosa exibição do nosso Tiago. Posicionamento perfeito do português em campo. É pena o facto do antigo jogador de Benfica, Lyon e Chelsea já ter renunciado à selecção. Na forma em que se encontra é uma mais valia de caras para o meio campo da nossa selecção.

P.S 2: Messi e Iniesta – O primeiro eclipsou-se por completo. Nem pareceu estar em campo. O 2º foi mais marcado que o quinto dos infernos. Quando tinha bola caiam imediatamente três jogadores do Atlético. Simeone sabia perfeitamente que era daqui que vinha metade do perigo deste Barcelona.

No Allianz Arena vi que o Bayern sofreu a bom sofrer para bater o Manchester United. Deixo o comentário para o meu colega de blog André Simões. Não vi o jogo mas gabo desde já David Moyes. Fiquei com a ilacção que contra o Bayern, toda a gente poderá ter visto o melhor Manchester United da temporada.

Da Champions #15

diego costa 3

Juntando 2 golos aquele que foi marcado em San Siro, Diego Costa foi literalmente metade do sucesso do Atlético de Madrid nesta eliminatória frente ao Milan. O avançado leva 7 golos na competição e continua a consolidar o seu estatuto como grande vedeta do futebol mundial.

Serão precisos 16 anos para que a máquina do tempo voltar a recordar o último estado de euforia colectiva dos aficionados colchoneros. Há 16 anos atrás, em 1996, na jugular da era Gil y Gil (o tal irrascível que não tinha problemas em despedir treinadores após 2 derrotas consecutivas) quando Diego Simeone dominava por completo as batalhas de meio-campo e era um dos esteios do sucesso da equipa de Radomir Antic, campeã nessa temporada de 1995\1996, o Atlético de Madrid assumia-se de forma determinante como um dos grandes do futebol espanhol e uma equipa capaz de construir uma página de história europeia para o clube da capital espanhola. 2 anos depois viriam os primeiros problemas com a destituiçao de Jesus Gil y Gil da Alcaidaria de Marbella e os processos judiciais que foram movidos pelo Ministério Público Espanhol na sequência do acto. O fosso financeiro encontrado no Atlético de Madrid chegou inclusive a motivar que os tribunais nomeassem uma comissão de administração para gerir os destinos do clube, nessa altura, em 2000\2001, na 2ª liga espanhola. Nao menosprezando as conquistas europeias de 2010 e 2012, a primeira, alcançada com uma sensacional campanha europeia realizada por Forlán e Kun Aguero e a segunda alcançada, por obra e graça de um tal de Radamel Falcão, acompanhado de perto por um conhecido nosso de nome Diego Ribas da Cunha, por sinal, de regresso ao Vicente Calderón por empréstimo do Wolfsburg. Premonição de mais uma vitória Europeia? Sim, tudo é possível. Este Atlético já se provou capaz esta época de lutar taco-a-taco contra os grandes espanhóis e fazendo minhas as palavras do lateral Felipe Luis, este Atlético “é capaz de eliminar quem quer que venha”.

O Atlético de Simeone entrou na sua máxima força. O herói da vitória de Vigo (2-o ao Celta nos Balaídos) David Villa teve que sair do 11 para entrar a grande estrela da equipa, Diego Costa. Na defesa e no meio-campo, Simeone contou com o seu arqué-tipo. Courtois na baliza; Felipe Luis na esquerda, Juanfran na direita; Godin e João Miranda no centro; como o jogo exigia um médio mais musculado ao lado de Gabi (dados os 2 panzers que o Milan iria apresentar em campo; Nigel de Jong e Essien, com Poli à frente com tarefas construtivas), Simeone optou por dar a titularidade a Mario Suarez; na frente destes, o trio de virtuosos; Turan, Koke e Raul Garcia; este último no apoio a Diego Costa.

Por seu lado Seedorf, quis encarar o desafio como uma das hipóteses concretas de, em caso de vitória, salvar uma época irremediavelmente perdida. O jogo de Madrid poderia dar ao holandês mais uma fichinha europeia ou ditar o adeus dos rossoneri às competições europeias por algum tempo. Não estando em condições de lutar pelas competições europeias na Serie A (o Milan já está a 9 pontos do 5º lugar), este Milan arrisca-se a ficar a ver as competições europeias durante alguns anos. Com uma crise directiva enorme (apesar do regresso mais ou menos tácito de Silvio Berlusconi ao gabinete de San Siro e das investidas que tem feito junto de investidores qataris para dotar novamente o Milan de condições para investir forte e feio, o que é certo é que o período em que a sua filha Barbara assumiu o clube, provocou uma autêntica rebaldaria no seio do clube, motivando inclusive a demissão do director-geral do clube Adriano Galliani, um dos vértices do sucesso da equipa Milanesa nos últimos 30 anos), com péssimas escolhas ao nível de staff técnico (continuo a afirmar que esta escolha de Clarence Seedorf para o comando técnico do Milan tem tanto de desespero como de infelicidade) e com um plantel super desequilibrado (em várias posições; existem jogadores que já estão a acusar o peso da idade; a contratação de Balotelli não resolveu nenhum problema e pelo contrário, agudizou o fraco rendimento demonstrado pela equipa; as saídas de Thiago Silva e Zlatan chacinaram por completo qualquer hipótese deste Milan voltar a ganhar o scudetto) este Milan arrisca-se a ter que começar tudo da estaca zero. Apesar da direcção dos rossoneri já ter afirmado por várias vezes que é necessária uma renovação total do balneário, pensada, estruturada, certeira (não há mais margem para erro), essa renovação tem tardado e tem sido feita de forma totalmente errada.

Em Madrid, o Milan apresentou-se também com poucas baixas. Seedorf deu a titular a Emanuelson na esquerda, Abate na direita, Bonera e Adil Rami no centro da defesa; o meio campo musculado com De Jong, Essien e Poli (o Milan precisava de mais qualquer coisinha neste campo, mas as soluções do plantel não abundam; o melhor que há por Milão neste momento para o meio-campo é Sulley Muntari, um jogador que não acrescenta literalmente nada ao futebol do Milan) Kaka na esquerda, Taarabt na direita e Mario Balotelli na frente do ataque. A meio da partida, Seedorf foi tentando revolucionar as coisas, colocando o brasileiro no apoio a Balotelli, Poli na direita, Taarabt mais ao centro e Essien mais à esquerda, embora com tarefas mais defensivas para permitir as subidas de Emanuelson, um homem que faz muito bem todo o corredor esquerdo.

Um início de jogo desastroso…

A primeira falha defensiva da partida ditou a bitola do jogo logo aos 2 minutos. Essien recuperou uma bola junto à linha lateral no flanco esquerdo dos milanistas, perdeu para Gabi, este com um toque simples fê-la chegar a Koke e Koke, com os seus prodigiosos processos técnicos colocou a bola com conta, peso e medida na área, onde, sem marcação, nas costas dos centrais apareceu Diego Costa a esticar a perna e a fazer o primeiro da partida. Não poderia começar melhor este Atlético de Madrid, perante um eufórico público de Vicente Calderón, deixando desconfiar que a eliminatória tinha sido resolvida logo ao minuto 2. Engane-se quem assim pensa… a espaços, o Milan foi reequilibrando a partida e esteve muito próximo de fazer a remontada ainda a meio do primeiro tempo.Enquanto Abbiatti berrava com os seus centrais pela falha crassa cometida, Seedorf interrogava-se no banco como é que tinha sido possível falhar daquela maneira. Imagino o que vai na cabeça de um treinador num lance destes. Todo o trabalho de dias, toda a análise que tinha sido feita à equipa de Madrid e todo o esquema consequentemente montado para anular a superioridade ofensiva dos colchoneros tinha caído ali aos 2 minutos de jogo.

Os jogadores do Atlético empolgaram-se. Diego Costa tentou rasgar pelo miolo em acções individuais. Apostando num futebol inteligente, o carrossel do meio-campo de Simeone (Gabi, Koke, Turan, Raul Garcia) começou a praticar um futebol adocicado de posse, acelerando o jogo quando mais lhe convinha ou quando uma brecha era vislumbrada na defensiva do Milan para tal. Através da sua qualidade técnica, Koke e Arda enchiam a partida de processos simples, alternando entre o passe curto e aberturas a rasgar para a entrada dos laterais nos flancos. O jovem de 22 anos formado na cantera colchonera e o turco foram de resto os melhores em campo, brindando a assistência com um futebol que tem tanto de delicioso, como de inteligente, como de matreiro. E Diego Simeone tem o mérito de puxar, para já, o melhor futebol deste quarteto de meio-campo.

Só por volta do minuto 13 é que a equipa do Milan teve alguma posse de bola no jogo. Uma posse muito tímida, a bom da verdade. Como é seu apanágio, os jogadores do Atlético recuaram e aplicaram a sua defesa profunda de linhas muito recuadas mas também muito articuladas entre si, com as unidades muito próximas e muito pressionantes e retiraram espaços para a equipa italiana poder aplicar uma resposta adequada. Os italianos foram pacientes e os seus esforços viriam a dar resultados mais tarde.

Em destaque pela positiva nestes primeiros 20 minutos esteve a arbitragem do inglês Mark Clattenburg. Perante um desafio disputado por duas equipas com jogadores ora demasiado explosivos (Balotelli, Diego Costa; capazes de passar jogos inteiros em picardias) ora com jogadores demasiado caceteiros (De Jong, Bonera, Rami, Godin, Mario Suarez), o inglês adoptou uma postura rígida de forma a poder controlar o jogo. O inglês não foi de palavreados e sacou do amarelo por duas vezes nos primeiros 10 minutos, um por Raúl Garcia por falta a meio-campo, outro para Rami por falta sobre Diego Costa. Com a atitude do inglês, ganhou o futebol.

Só depois do minuto 24 é que o futebol do Milan começou a ganhar alguma ideologia e algum nexo. Até lá, o máximo que os rossoneri iam tentando fazer no ataque era despejar bolas para as alas, à procura de Taarabt e Kaka. Se o franco-marroquino andou algo desaparecido do jogo na primeira parte (sendo substituído ao intervalo por Robinho), o futebol do Milan só ganhou expressão quando Seedorf mandou alterar a esquemática da equipa para a situação acima enunciada. Aos 24″ Abate cruzou da direita, Balotelli recebeu no peito e tentou o remate. Estorvado por Raul Garcia e Miranda acabou por cometer falta se bem que, o avançado italiano pediu penalty. A fava que saiu no jogo de Amesterdão (o Milan empatou com um penalty totalmente forjado por Balotelli nos minutos finais da partida) não saiu em Madrid. Muito atento aos lances, Clattenburg foi ajuizando com total assertividade.

Foi neste incremento de futebol do Milan que o golo do empate apareceu: aos 26″, num dos únicos momentos de desconcentração da atitude defensiva do Atlético, surgiu uma descompensação aquando de um canto do Milan. Balotelli abriu para a direita para Andrea Poli e este, aproveitando algum espaço concedido por Felipe Luís, centrou para o 2º poste onde apareceu Kaka a cabecear para o fundo das redes de Courtois com a bola a ser ressaltada na perna de Godin. Mesmo assim duvido que o belga pudesse defender a cabeçada de Kaka visto que Kaka queria cabecear por alto e o belga já estava a cair.

Empolgam-se os rossoneri…

Os vários adeptos do Milan no Vicente Calderón silenciaram a Frente Atlético e os italianos cresceram exponencialmente no jogo com o golo. Marcando um 2º golo num espaço de tempo imediato, não só passavam para a frente da eliminatória como poderiam deitar a equipa de Simeone em maus lençóis. O que é certo é que o golo desconcentrou por completo a equipa espanhola. O seu meio-campo teve o seu curto ocaso no jogo, o Milan obrigou a equipa a jogar mal, e de um desses lances, Godin vai ao meio-campo cabecear uma bola totalmente inofensiva, coloca a bola nos pés de Poli que lança de imediato Kaka num contra-ataque 2 para 2. O brasileiro avança e vê Balotelli com hipóteses de se isolar pela esquerda. Quando tenta lançar o ponta-de-lança, o brasileiro acaba por exagerar no passe e permite a saída de Courtois para controlar a posse do esférico.

Os adeptos rossoneri acreditavam. Dois minutos volvidos, o Milan tem a melhor chance para dar a remontada: canto curto batido na direita por Emanuelson para Taarabt, o franco-marroquino com um toque de classe faz o melhor lance da sua prestação da partida ao tirar um adversário da frente e centra para o coração da área para Kaka, sem marcação na cara de Courtois, a atirar por cima da barra.

Como quem não marca, sofre…

Os comandados de Simeone re-alinharam baterias e um pouco contra-a-corrente do jogo voltaram a deixar a sua pegada na partida, quando aos 39″ Koke solicita Diego Costa à entrada da área e o brasileiro, com inteligência, amortece no peito para o remate de rompante de Arda Turan contra Rami. Apesar da intencionalidade do remate em força, a bola desvia no central e trai Abbiatti. O Atlético ganha nova pujança e os colchoneros vão para cima da equipa de Seedorf: uma combinação entre Koke e Juanfran no flanco direito permite ao lateral ganhar a linha sem qualquer opositor e central para o centro da grande área para um espantoso pontapé de bicicleta de Raúl Garcia que sai ligeiramente ao lado da baliza de Abbiatti. Se esta bola entrasse, seria claramente candidata a golo do ano da prova.

Até ao final da partida, destaque apenas para o amarelo que Mark Clattenburg mostrou a Balotelli por protestos.

Ao intervalo: a equipa do Atletico foi mais feliz numa fase em que o Milan controlava a partida e estava mais próxima do 2º golo. Mais um jogão fantástico do meio-campo do Atletico, apesar do meio-campo do Milan estar a ter uma prestação também fantástica. De Jong e Essien estão a meter muito músculo no meio-campo e a tentar livrar a equipa do tenebroso jogo de passes que Gabi, Koke e Arda fazem no meio. Para mim, Arda e Koke foram claramente os melhores em campo no primeiro tempo. A quantidade de jogo que estão a criar, ora combinando com os laterais de ambos os lados, ora construído entre si, ora construído nas ligações que tentam estabelecer com Diego Costa estão a ser o principal factor desiquilibrador do jogo. Sinal mais para Kaka e Poli. Taarabt apareceu num único lance. Candidato à saída. Facto que viria a acontecer para a entrada de Robinho.

Os colchoneros iniciaram a 2ª parte a mandar no jogo. Logo aos 47″, de um canto do Milan correspondentemente cortado por Juanfran quando Kaka preparava-se para rematar, a bola chega aos pés de Diego Costa que segue em velocidade para o meio-campo do Milan. Apercebendo-se da subida em velocidade de Koke pelo flanco contrário, já em pleno meio-campo dos rossoneri Diego Costa rasga um passe para o seu colega de equipa que remate ao poste de Abbiatti.

O ritmo de jogo baixou. Entretanto Simeone ordenou novamente uma pressão a todo o terreno por parte dos seus jogadores de forma a não deixar o Milan jogar e voltar a empatar a partida. Nesta fase da partida, mais entrosado na mecânica ofensiva da equipa, Balotelli estava a ser muito mas mesmo muito pressionado. Sempre que teve bola, o avançado tentou resolver sozinho os problemas. No entanto, os homens de Simeone tinham a lição bem estudada ao ponto de, sempre que o italiano tocava na bola, via-se rodeado por 3 ou 4 adversários e, invariavelmente, os jogadores do Atlético não davam grandes abévias ao internacional italiano.

A partir dos 60 minutos, o Milan começou a perder o meio-campo. Essien perdeu a frescura física (não é fácil andar minutos e minutos a perseguir homens como Koke ou Turan).Mesmo assim, o Milan ainda tentou fazer pela vida quando Robinho sacou de duas boas jogadas individuais pela esquerda, foi para cima de Juanfran e numa delas obrigou Courtois a uma defesa apertada para a frente com um remate-cruzamento. A ideia do brasileiro era servir Balotelli na pequena área. Contudo, o remate-cruzamento obrigou o belga a uma defesa de recurso muito bafejada pela sorte: como tocou a bola para a frente, se aparecesse algum homem do Milan aquela 2ª bola poderia ter sido o golo do empate e consequentemente o relançar da eliminatória…

Aos 68″, Seedorf voltou a arriscar, colocando Pazzini em campo para o lugar de Essien. Com esta alteração, Seedorf devolveu Poli à sua posição original e colocou Kaka a jogar novamente no flanco direito, fazendo recuar ligeiramente Balotelli no terreno de forma a fazer a interligação entre o meio-campo e o homem de referência.

Contudo, a alteração pouco efeito surtiu. Decidida a terminar com a eliminatória, a equipa de Simeone deu conta do recado em dois tempos. Aos 70″, uma falta a castigar uma mão de Bonera numa posição mais descaída para o flanco esquerdo permitiu a Koke colocar a bola milimetricamente na zona de penalty para um salto monumental de Raúl Garcia sobre De Jong para o 3-1. Mais uma vez, sem marcar, Koke decidiu. E Raúl Garcia voltou a marcar de cabeça.

Até ao final do jogo, quando pouco havia a fazer Seedorf colocou Muntari em campo para o lugar de De Jong. A alteração poucos efeitos surtiu e debelou o défice de soluções de ataque existente no seu plantel. Diego Simeone fez as suas habituais alterações: as entradas de Sosa e Cristian Rodriguez.

E o jogo haveria de terminar como começou: com um brilhante lance individual de Diego Costa para o 4-1 final, coroando fantástica exibição do Atlético. Os espanhóis bem podem sonhar com o trono europeu. A Champions é pródiga em surpresas e estofo não lhes falta.

 

O que eu ando a ver #33

As duas equipas finalistas da Copa Del Rey 2013 defrontaram-se hoje para a 1ª mão das meias-finais da edição 2013\2014 no palco onde em Maio o Atlético de Madrid festejou nas barbas do seu rival, o Real Madrid, a conquista do seu 10º troféu na prova. No dia em que Cristiano Ronaldo celebrou os seus 29 anos de idade, mote não faltou para os merengues aplicarem uma revancha como deve ser nos vizinhos colchoneros.

Quente. Quentinho. Feios, Porcos e Maus seria o epíteto mais adequado para a pelicula do filme da primeira meia-hora de jogo no Santiago Bernabéu. A roçar os duelos protagonizados nos anos 90 entre Buyo e Paulo Futre. Para o lado do Atlético de Madrid, as coisas já tinham aquecido na 1ª mão da eliminatória anterior no Vicente Calderón frente ao Athletic de Bilbao. Diego Costa voltou a “bancar o bobo” nos primeiros minutos da partida. Teve azar. Acabou por sair muito mal na figura, até porque no outro lado da barricada apanhou pela frente quem já é batido nesse tipo de jogo: um tal de Pepe e um tal de Arbeloa, dois mestres na arte de provocar. Diego Costa provocou, foi provocado, foi agredido e do jogo do empurrão não sacou nada aos dois defesas do Real Madrid. Padeceu do seu próprio veneno e como se diz na gíria “foi enpacotado no bolso” do central português e “não tocou na xixa”.

A inteligência – Carlo Ancelotti reflectiu sobre a essência deste Atlético de Madrid e encontrou a fórmula ideal para bater a equipa de Diego Simeone. Nos primeiros minutos compreendi que os traços da defesa profunda de Simeone estavam lá todos: a cambada a defender atrás da bola com as linhas médias do Atlético a vascular consoante a circulação de bola e a acompanhar a subida das linhas médias do Real Madrid de forma a obrigar a equipa de Ancelotti a circular bola, a desgastar-se e a optar por um futebol pouco objectivo de cruzamento para as zonas onde Ronaldo costuma aparecer. Se assim resultasse, s Contudo, Ancelotti foi mais inteligente. Colocou Luka Modric e DiMaria no miolo para tentar rachar a coisa pelo meio e deu ordens a todos os jogadores do ataque para tentarem colocar o seu drible no espaço curto. Por várias vezes assistimos Luka Modric a escaparem (em drible) que nem enguias ao bloco de pressão efectuado por Gabi e Diego bem como às tentativas de drible nas alas em espaços onde não cabia uma cabine telefónica por parte de Jesé e Ronaldo. O português haveria de ter uma noite de aniversário muito desinspirada.

Carlo Ancelotti foi obrigado a uma alteração de última hora no onze: Gareth Bale voltou a lesionar-se (espero bem que a lesão não seja nos genitais), obrigando o italiano a colocar Jesé numa ala. Há males que vem por bem. Já Diego Simeone optou por fazer uma alteração em táctica em relação ao jogo contra a Real Sociedad, colocando o regressado Diego no apoio directo a Diego Costa. A opção pelo brasileiro indicava a necessidade do argentino dispor em campo um meio-campo reforçado com Gabi, Koke, Diego, Raul Garcia e Arda Turan.

O início do jogo provou ser muito quezilento. Diego Costa começou a bater a eito. Primeiro envolveu-se com Xabi Alonso mas Alonso, um índie no meio-campo do Real Madrid, manteve a classe senhorial que o caracteriza, e em bom português “cagou literalmente no bota-chinelo”. Qual cadeirudo, Diego Costa procurou a próxima vítima. Pepe. E mais uma vez não passou do nível do chão. Numa disputa de bola no ar logo ao minuto 2, Sérgio Ramos deu um chega para lá em Raúl Garcia e o médio espanhol caiu no chão a queixar-se das viseiras. Tudo isto aconteceu perante a passividade de Clai Gomez, o árbitro natural de Saragoça destinado pela Real Federación Española. Com medo de estragar o espectáculo, Gomez permitiu que o jogo fosse disputado num eminente cenário de batalha campal na primeira meia-hora.

Quanto ao futebol jogado, uma excelente combinação entre DiMaria, Benzema e Arbeloa permitiu ao lateral cruzar para a área onde iria aparecer Ronaldo nas costas de Juanfran. Olhando pelo retrovisor, o lateral viu a aproximação do astro português e decidiu dar canto. Com uma entrada de leão, os jogadores do Real trataram de pressionar alto de forma a não deixarem os jogadores do Atlético respirar. Aos 8″ Modric cobra um canto na direita para uma cabeçada de Sérgio Ramos no coração da área direita ao peito de Gabi. Os jogadores do Real reclamaram grande penalidade mas a repetição demonstrou que a bola foi ao peito do internacional espanhol. Com uma fantástica exibição de Xabi Alonso e Modric na fase de construção do jogo e com um irrequieto DiMaria à sua frente, seria o argentino a fabricar meio-golo para Pepe ao desenvencilhar-se de dois jogadores com um drible e, perante a oposição de um terceiro (Arda Turan) a disferir um toque subtil para o lado onde apareceu o brasileiro naturalizado Português a mandar um bilhete para o fundo da baliza de Thibault Courtois com escala na bacia do azarado Emiliano Insúa.

O golo do Real avivou novamente o pior que o jogo tinha para oferecer na primeira parte, a querela entre jogadores. Aos 18″ começou o triângulo amoroso entre Diego Costa, Pepe e Alvaro Arbeloa: o espanhol foi amassar o capot a Arbeloa e Pepe no mesmo lance quando o jogo se encontrava parado. O espanhol acusou tarde o toque e quando Costa e Pepe se travavam de razões, decidiu presentear o seu próximo colega de selecção com uma sarrafada dentro da área. Clos Gomez não viu aquela que seria, pelas regras da FIFA, a primeira grande penalidade do jogo com correspondente expulsão para Arbeloa. No minuto seguinte, Diego Costa é carregado por Xabi Alonso. Do livre batido por Koke resultam vários puxões e Arbeloa comete a segunda grande penalidade ao puxar Diego Costa, impossibilitando-o como tal de disputar o lance. Mais uma vez o lateral escapou-se de boa.

Aos 23″ Diego Costa é pisado por Pepe. O central é admoestado com um amarelo. Segundos depois manda uma joelhada em cheio em Diego Costa. Clos Gomez não vê ou finge que não vê. E o central internacional português escapa à expulsão. O Real Madrid. Nesta fase de jogo, de forma meritocrática pelo que fez nestes primeiros 20 minutos, João Miranda estava a ser bastante eficaz na defesa de Simeone. Com 2 cortes fantásticos, um a Coentrão e outro a Benzema haveria de cometer grande penalidade quando empurrou Álvaro Arbeloa na área. Para compor o ramalhete, o lateral haveria de trocar umas palavras mais azedas com o argentino Germán Burgos, antigo guarda-redes do Atlético de Madrid que agora é membro do staff de Simeone.

courtois

Os comandados de Ancelotti trataram de refrear os ânimos com uma lenta circulação de bola. Sem efeito. Aos 26″ Diego fez uma entrada sobre Ronaldo e recebeu amarelo. Aos 29″ Courtois recolheu uma bola aos pés de Benzema. Do choque inevitável entre o francês e o guarda-redes redes belga ficou o segundo a queixar-se de uma pisadela propositada. Bola cá, bola lá. Na jogada seguinte, Arda Turan ficou aos berros com Clos Gomez depois de ter sido carregado em falta por Fábio Coentrão num lance na linha lateral.

modric

Depois do caos, o futebol – Apareceu Modric. Elegante. De processos simples. Eficaz no passe. Disponível para auxiliar no meio-campo. Cheio de pulmão. Com um futebol demasiado sensual para um clube como o Real Madrid. O croata pautou a construção como quis e não se coibiu de criar desiquilíbrios pelo miolo e aplicar a sua forte meia distância.

Aos 31″, o antigo jogador do Tottenham Hotspurs serviu Jesé na esquerda e o jovem internacional sub-21 pela Espanha tratou de tirar Turan da frente com 1×1 e atirar para uma defesa a punhos de Thibault Courtois. Mal pode o belga respirar pois a bola sobrou para o centro onde Luka Modric apareceu a chutar para nova intervenção do guarda-redes emprestado pelo Chelsea aos Colchoneros.

Pelo meio, Arbeloa voltou a picar a burra. Aproveitando um alinhamento na área, voltou a pisar Diego Costa e pela terceira vez no jogo, escapou-se a uma anotação disciplinar por parte de Clos Gomez.

Jesé continuava endiabrado. Aos 38″ trocou as voltas a Juanfran e tentou servir DiMaria na pequena área. A bola seria aliviada para canto por um adversário. 3 minutos depois seria o argelino a solicitar Cristiano Ronaldo na esquerda. CR7 executou o bailado dos cisnes em frente a Juanfran e atirou rasteiro para defesa fácil de Courtois. Como é habitual na estratégia de Simeone, o Atlético subiu ligeiramente as suas linhas nos minutos finais e tentou acercar-se da área do Real Madrid. Sem efeito. Clos Gomez iria apitar para o intervalo sem ter dado qualquer minuto de descontos.

Ao intervalo, justificava-se a vantagem do Real Madrid. Sem tecer demais considerações sobre o quezilento jogo que estava a ver, o Real foi a única equipa que justificou a vantagem na primeira parte em virtude do caudal ofensivo que logrou construir e das oportunidades de golo que teve no tempo. A equipa de Simeone foi completamente inofensiva. Sem bola nos pés, não conseguiu por no terreno de jogo o seu fortíssimo contragolpe. Gabi e Koke tiveram pouca ou nenhuma posse de bola no primeiro tempo. Arda, Raúl Garcia e Diego Costa estavam a ser nulos. Em destaque estavam apenas os centrais Godín e Miranda. Efectivos no desarme, tanto o uruguaio como o brasileiro evitaram males maiores no primeiro tempo. Esperava-se portanto uma reacção diferente dos jogadores de Simeone no recomeço da partida.

Diego Simeone quis agitar as águas ao intervalo. Colocou Cristian Rodriguez no lugar de Diego, fazendo passar Arda Turan para o lugar do brasileiro. O Atlético entrou mais forte na 2ª parte com 2 remates e 2 cantos. O Atlético subia paulatinamente as suas linhas. Do canto, Benzema aliviou ao primeiro poste para trás onde apareceu Diego Godín a saltar mais alto do que Pepe e a cabecear por cima de Casillas. No seu regresso à titularidade, o guarda-redes assistiu praticamente a toda a partida como um espectador.

Jesé rodrigues 2

O jogo continuava faltoso. Perante uma maior posse por parte dos homens de Simeone, reapareceu Modric. O croata voltou a pegar na batuta. Aos 51″ Ronaldo rematou para defesa de Courtois. No minuto seguinte, Modric teve um momento de eleição quando com a classe que o caracteriza pegou na bola no miolo e com algumas simulações conseguiu furar entre 4 jogadores do Atlético de Madrid para de seguida distribuir para a esquerda para DiMaria. O 2º golo do Real avizinhava-se. Aos 56″ Di Maria recebeu na esquerda e fez um passe a rasgar para o coração da área onde apareceu Jesé Rodriguez numa fantástica diagonal (ultrapassando em velocidade os dois centrais do Atlético) a chutar para o 2º golo da equipa de Carlo Ancelotti na partida, com muitas culpas para Thibault Courtois no lance. O belga ficaria de resto afectado pelo golo, coisa que não é normal no seu jogo: dois minutos depois DiMaria rematou uma bola cheia de efeito que o belga não conseguiu defender à primeira.

Enquanto os adversários capitalizavam, Diego Costa continuava no jogo de provocações: aos 60″ reagiu mal a uma entrada de DiMaria e recebeu cartão amarelo de Clos Gomez. Como não poderia deixar de ser, Pepe aproveitou a deixa para se rir na cara do avançado do Atlético de Madrid. Diego Costa não gostou da atitude muito feia do central e já na área, quando os jogadores se alinhavam para o livre, decidiu dar uma tapa no titular da selecção nacional. Minutos depois seria Insúa a fazer uma falta muito feia sobre Jesé que seria passível de cartão vermelho.

Os ânimos voltaram a subir. O Atlético tentou esboçar uma reacção ao 2º golo do Real. Simeone tirou Arda e colocou Adrián junto de Diego Costa. Bola cá bola lá. Num canto aos 70″ Pepe esteve perto do dois zero. 2 minutos depois num canto no lado oposto, Modric salvou na linha uma cabeçada triunfal de Diego Godín com Iker Casillas completamente partido. Mais uma vez o croata seria providencial. Se a cabeçada do central uruguaio, a história poderia ser outra.
Para terminar com as dúvidas aos 74″ Angel DiMaria iria selar o jogo com mais um remate que iria ressaltar num defesa do Atlético de Madrid, neste caso, no central Miranda.

Como uma joelhada nunca vem sozinha, no minuto seguinte foi a vez de Sérgio Ramos quebrar mais uma vértebra costal de Diego Costa num lance passível de cartão vermelho. Até ao final da partida, o Real limitou-se a circular bola, facto que provocou os habituais “olés” da aficción e Ronaldo tentou almejar a baliza de Courtois por duas vezes. Noite desinpiradíssima de CR7 numa importante vitória do Real Madrid que assim assegura praticamente o passaporte para a final da prova. Será muito difícil para a equipa de Simeone executar a remontada no Vicente Calderón.

Exibição péssima do árbitro Clos Gomez do Colégio de Aragão. Se tivesse iniciado o jogo a punir severamente as fitas de Diego Costa e as agressões dos defesas do Real teríamos visto um jogo mais espectacular. Um bocado de picardia não faz mal a um jogo mas não foi isso que vimos no Bernabéu. Arbeloa passou impune a uma grande penalidade num lance de bola corrida, a outra por agressão dentro da área e a outra agressão quando pisou Diego Costa. As joelhadas de Pepe e Sérgio Ramos a Diego Costa roçaram a violência. O brasileiro naturalizado espanhol só se prejudicou ao provocar este circo. Foi uma sombra do Diego Costa que pudemos apreciar no início desta temporada. Completamente encolhido no meio de Pepe e Sérgio Ramos. Mais grave que isso é o facto do brasileiro andar jogo após jogo a praticar este tipo de atitudes nos relvados.

 

o que eu ando a ver #30

O novo San Mamés recebeu ontem a 2ª mão dos quartos-de-final da Copa do Rei de Espanha que colocou frente-a-frente, a equipa da casa, o Athletic de Bilbao, equipa até ontem invicta no seu novo reduto, e o Atlético de Madrid, equipa que vinha a Bilbao com a missão de defender a magra vantagem de 1-0 obtida no jogo da primeira mão na semana passada no Vicente Calderón.

Antes de relatar as incidências da partida, urge-me tecer duas notas gerais sobre as suas equipas:

1. O jogo de ontem provou mais uma vez a excelência do trabalho que Ernesto Valverde está fazer na equipa basca – apesar da derrota, é de louvar o futebol equilibrado e bonito que a equipa basca está a jogar esta época, futebol que está a dar os seus frutos na liga com o prodigioso 4º lugar que a equipa ocupa neste momento. Se o campeonato espanhol terminasse hoje, o Athletic estaria apurado para o playoff de acesso à Champions, objectivo que não deveria passar pela cabeça de ninguém dentro da sua estrutura profissional de futebol. Aproveitando um plantel com uma capacidade técnica bastante elevada, Valverde teve o mérito de dotar esta equipa de processos de jogo dos melhores que actualmente podemos observar pela europa.

2. No que diz respeito à equipa de Simeone, o jogo de ontem revelou mais uma vez a dificuldade que é vencer esta equipa na disposição estratégica com que esta se apresenta na presente temporada. Se defensivamente, o bloco baixo que a equipa apresenta é muito difícil de contornar pelos adversários na medida em que todos os jogadores do Atlético tem instruções específicas sobre as movimentações executadas pelos adversários de forma a não concederem espaço para que estes possam criar desequílibros, ofensivamente, esta equipa do Atlético de Madrid demonstra um cinismo nunca antes visto em equipas espanholas – o jogo de ontem foi prova disso: os jogadores do Atlético entregaram por completo as despesas do jogo aos homens de Bilbao durante os 90 minutos, sofreram golo, reagiram depois do golo, entraram fortes na 2ª parte, conseguiram o seu golo, voltaram a entregar as despesas do jogo à equipa de Bilbao e no cair do pano, quando a equipa do Athletic já jogava com o coração, desferiram a machadada final no jogo e na eliminatória.

As duas equipas entraram no San Mamés com os níveis anímicos em alta em virtude das vitórias gordas obtidas no passado fim-de-semana para a liga. No clássico regional, em Pamplona, o Athletic de Bilbao cilindrou o Osasuna por 5-1 num jogo que Ibai Gomez esteve novamente em alta. Ernesto Valverde haveria de deixar o melhor marcador da equipa basca no banco. Já o Atlético de Madrid apareceu em Bilbao moralizado pela vitória obtida por 4-2 sobre o Rayo Vallecano no Teresa Rivero, estádio situado em Vallecas (subúrbios de Madrid). Fruto da gestão de esforço que a equipa técnica está a realizar neste plantel (na antevisão da partida Simeone afirmou que a equipa técnica programou uma ligeira quebra de forma física para o mês de Janeiro de modo a poupar fisicamente os jogadores para a batalha que começa a meio do mês de Fevereiro – campeonato e champions) Diego Simeone poupou o turco Arda Turan da partida de Bilbao e realizou algumas poupanças ao colocar no onze da equipa para a partida Adrián e Cristian Rodriguez, jogadores que formaram o trio de ataque dos Colchoneros em conjunto com Diego Costa, este mais descaído para o flanco direito.

Cientes da rivalidade existente entre as duas equipas e, derivado do quezilento jogo da 1ª mão, desde cedo, os arreigados adeptos da equipa de Bilbao trataram de manifestar o seu apoio à sua equipa. Na antevisão da partida, Ernesto Valverde fez questão de agradecer e pedir o apoio dos adeptos ao seu conjunto para a partida, frisando porém que o apoio per si não garantia golos a uma equipa que tinha de marcar para poder eliminar o adversário em questão.

Aos 30 segundos o Atlético de Madrid poderia ter selado “meio apuramento” quando na jogada inicial, Diego Costa apareceu isolado na cara de Iago Herrerin numa desconcentração dos dois centrais do Athletic de Bilbao – Laporte, o único jogador não nascido no país basco espanhol ou nos territórios que são reclamados pelos movimentos independentistas bascos  (nascido no País Basco Francês) e Mikel San José, curiosamente um dos navarrenhos do plantel – que foi resolvida com uma espectacular parada do guarda-redes que já defendeu no passado as balizas da equipa B do Atlético de Madrid.

Na sua habitual disposição estratégica (pressionar alto de forma a conseguir interceptar bolas no meio-campo adversário; quando o adversário passa o meio-campo com bola, recuar o mais rapidamente possível para executar um esquema de defesa profunda) pode-se dizer que o Atlético de Madrid conseguiu conquistar a primeira vantagem sobre o conjunto de Bilbao ao conseguir travar o ímpeto inicial que decerto esperava da equipa de Valverde para os primeiros 15 minutos em jogo. O melhor que a equipa basca conseguiu nestes primeiros 15 minutos foi circular a bola no meio-campo e um cabeceamento inofensivo de Ander Herrera aos 5 minutos a cruzamento de Andoni Iraola. Com todo o jogo ofensivo da equipa a partir dos pés de Herrera, o Bilbao circulava bem a bola entre os eixos mas não conseguia arranjar forma de penetrar no último terço do terreno dos colchoneros. Só o conseguiu fazer nos minutos que antecederam o seu primeiro golo na partida, quando Iker Muniain, teoricamente mais descaído no flanco esquerdo, passou para o terço do terreno e funcionou como joker à entrada da área. A movimentação do jovem internacional espanhol durante a partida foi fantástica: fazendo jus às fortíssimas soluções de jogo que possui (forte no 1×1: fantástica visão de jogo a solicitar Mikel Balenziaga no flanco esquerdo e a dupla Iraola\Susaeta no flanco direito) Muniain foi um autêntico quebra cabeças que baralhou por completo as marcações realizadas pelos jogadores do Atlético de Madrid.

O jogo foi decorrendo com uma maior posse de bola para os bascos perante um inexistente Atlético de Madrid no plano ofensivo. Aos 27″, os jogadores do emblema basco reclamaram grande penalidade num lance em que Markel Susaeta, solicitado dentro da área com um passe longo de Iraola, foi estorvado por Emiliano Insúa (entrado aos 12 minutos para o lugar do lesionado Felipe Luis) quando se preparava para almejar a baliza defendida por Thibault Courtois. As repetições mostraram que o argentino não tocou no pé do extremo basco.

O cerco montou-se rapidamente junto à área dos madridistas. Aos 31″ Iker Muniain rematou à entrada da área para defesa fácil de Courtois. Segundos depois, o belga foi obrigado a sair a punhos fora da pequena área para evitar que Aduriz pudesse fazer o primeiro da partida. O público do San Mamés agitou-se. Lendo bem a situação de jogo, Simeone pediu à equipa que tivesse mais bola e subisse ligeiramente as linhas, facto que aos 37″ iria originar mais uma situação de perigo na área basca quando um canto permitiu a Raúl Garcia antecipar-se ao primeiro poste à marcação de Mikel Rico e ao seu estilo de cabeceador mortífero atirar ao poste contrário. A bola acabaria por sair ligeiramente ao lado da baliza de Iago Herrerin num lance em que logo que vi o cabeceamento disse “vai buscar”. Sem efeito.

4 minutos depois seria o Athletic a passar da ameaça à concretização. Tudo começou quando Iturraspe (autêntico cavalo de batalha no meio-campo) recuperou no miolo uma bola aliviada pela defesa do Atlético, endereçando-a para Muniain que, no alto da sua classe descobriu Mikel Balenziaga a subir pelo flanco. O lateral recebeu, olhou, centrou e no centro da área Aduriz agradeceu o excelente cruzamento do lateral, deixou Godin a esbracejar por falta e atirou para o fundo das redes de Thibault Courtois, deixando a assistência do belíssimo San Mamés em puro estado de euforia colectiva.

A equipa de Bilbao galvanizou-se com o golo. Empurrada pelos seus adeptos, procurou o 2º golo até ao final da primeira parte: aos 43″ Ander Herrera obrigou o belga a uma defesa monstruosa num remate na meia-lua e no seguimento do lance, Susaeta voltou a insistir com um cruzamento para uma cabeçada de Aduriz para nova defesa monstruosa de Courtois. Se havia nesta altura quem rezasse na bancada do San Mamés, no verdinho, os homens de Simeone bem poderiam montar o culto ao Deus que lhes tinha garantido ali meia passagem para o céu na competição.

Ao intervalo, pelos factos aqui descritos, a vantagem do Bilbao era justíssima.

No início da segunda parte, numa situação desconfortável na eliminatória, o cinismo do Atlético de Madrid viria ao de cima. Aos 47 minutos, numa jogada individual pelo flanco esquerdo que passou pela linha final, Diego Costa aproveitou o facto dos jogadores de Bilbao terem dado a bola como perdida para levar a sua avante e servir Adrián no centro para um remate para defesa de Herrerin. Canto batido. Diego Costa aparece ao 2º poste a cabecear de cima para baixo junto ao poste direito da baliza para uma defesa espectacular de Herrerin. À 4ª é de vez. 53″ livre para o Atlético no meio-campo do Athletic a assinalar falta de Mikel San José sobre Adrián num lance em que o avançado poderia ficar na cara de Herrerin. Mais uma vez a equipa de Simeone provou trabalhar bem as bolas paradas, departamento do jogo que já lhe tinha dado a vitória no Estádio do Dragão com o lance executado por Koke e Arda Turan, o turco que sabe tudo de bola. Bola cobrada por Koke para área onde aparece Miranda ligeiramente descaído à esquerda, solto de marcação a amortecer a bola para o coração da área onde apareceu Raúl Garcia a rematar para nova defesa de Herrerin. O ressalto fez a bola tender para o flanco esquerdo para os pés de Cristian Rodriguez que de primeira bombeou a bola precisamente para o sítio onde estava o centrocampista espanhol que desta vez num remate enrolado não perdoou e estabeleceu o empate na partida. O Athletic de Bilbao precisava agora de 2 golos para poder vencer a eliminatória.

Os bascos voltaram a provar de que matéria são feitos ao lançar-se novamente no ataque à baliza de Courtois. Em frente na eliminatória, os colchoneros voltaram a recolher-se na matéria que será estudo de caso no futebol mundial dentro de alguns anos, a sua fantástica organização defensiva.

Aos 61″ Markel Susaeta colocou uma bola na área. Aduriz fez-se ao lance, arrastou consigo Godin mas deixou a bola passar para um desmarcado Mikel Rico que não conseguiu mais do que bater a bola com a coxa precisamente para Aduriz. O antigo avançado do Valência haveria de atirar contra o corpo do inevitável Courtois. Nesta fase do jogo, Insua estava a dar muito espaço para Susaeta aplicar o seu fortíssimo 1×1. Aos 65″ Valverde lança no terreno de jogo Ibai Gomez em troca por Mikel Rico. Muniain passou para o centro do terreno no apoio directo a Aduriz. Aos 66″ Susaeta dispôs de um livre em zona frontal, atirando rasteiro ao lado da baliza de Courtois. Conseguindo circular bem a bola no ataque, não conseguindo penetrar na muralha defensiva formada pela equipa madrilena depois do golo do empate, acabaria por vir o desgaste físico e anímico para os bascos. Mais um ponto a favor do Atlético. A equipa de Bilbao cansou-se de circular bola e tentou aplicar um jogo mais directo para área, jogo esse onde os centrais do Atlético (Godin e Miranda) se sentem como peixes na água visto que tem experiência acumulada na presente temporada na defesa desse tipo de processos de jogo.

Aos 70″ Ander Herrera recebe descaído à direita, consegue livrar-se da pressão de dois adversários e atira para mais uma defesa de Courtois, desta vez para a frente. No banco da equipa basca, Valverde quase vai à loucura. Passados 2 minutos volta a mexer na equipa com a entrada de Kike Sola para a saída de Markel Susaeta. Muniain vai ocupar o flanco direito. Se esteve com atenção a este longo testamento, perceberá que com a deslocação de Muniain para a direita, o Athletic perdeu toda a sua força ofensiva. Aos 76″ Valverde ainda haveria de lançar Beñat para o lugar de Ander Herrena de forma a refrescar o meio-campo da equipa.

diego costa

Diego Costa que até ali só tinha provocado quezílias em 2 disputas de bola, uma com Mikel Balenziaga e outra com Aymeric Laporte, decidiu aparecer na partida. Bastante apupado pelo público afecto aos visitados, tratou de fazer jus ao cínico futebol que é neste momento o cartão-de-visita dos comandados de Simeone quando aos 85″ recebeu isolado um passe a rasgar de Koke detrás do meio-campo (Mikel San José tentou montar uma situação de fora-de-jogo ao brasileiro naturalizado espanhol, acabando por ser apanhado no fantástico sentido posicional do pichichi do Atlético) e com a classe que lhe é reconhecida avançou para a área, fintou Iago Herrerin e com um toque subtil para o fundo das redes sentenciou a vitória dos colchoneros no até ontem invicto reduto do Athletic de Bilbao.

Sorteio Champions

Criam-se situações para tudo nos dias que correm. O canal do city mostra-nos a reacção dos jogadores do City ao sorteio da Champions.

1. Manchester City vs Barcelona é em conjunto com o Bayern de Munique vs Arsenal um dos jogos cabeça de cartaz dos oitavos de final. 4 equipas com aspirações. O City chega pela primeira vez aos oitavos-de-final da prova. Depois de duas experiências falhadas na maior prova da UEFA (dois 3ºs lugares e consequente repiscagem para a Liga Europa, onde não conseguiu atingir os quartos-de-final; uma das eliminações ocorreu naquele jogo fantástico que o Sporting de Sá Pinto fez no City of Manchester) o City conseguiu acabar com o enguiço da fase de grupos e os milhões imperaram. Pellegrini está a fazer um grande trabalho no City (assim como o fez em Madrid ao contrário do que todos os pseudo-experts de bola afirmam; perdeu o campenato mas foi até agora o treinador que obteve a maior pontuação dos merengues na Liga) e o futebol de ataque protagonizado pela equipa de Manchester levou a que incomodasse o imperioso Bayern no Allianz Arena. Aos 11″ o Bayern vencia por 2-0 e Ribery dava espectáculo. Vindos de uma fantástica goleada por 7-0 ao Werder Bremen para a Bundesliga suspeitava-se nessa hora que os bávaros iriam arrancar para mais uma goleada. Pé ante pé (com uma exibição enorme de Fernandinho) os homens de Pellegrini conseguiram fazer o que os clubes alemães não fazem há 40 jogos para a Bundesliga: vencer no terreno do fantástico Bayern, cada vez mais cunhado na toada de Guardiola: uma equipa que entra a matar, constrói uma vantagem segura nos primeiros 25 minutos de jogo e depois retira qualquer oportunidade de reacção ao adversário a partir de um jogo de posse e circulação de bola. A única diferença que vislumbro deste Bayern em relação ao Barcelona de Guardiola é a fome insaciável de golos que Arjen Robben e companhia têm mesmo a ganhar. Pela frente, os homens de Pellegrini terão o Barcelona de Tata Martino. O argentino tem cunhado algumas diferenças no estilo de jogo da equipa em relação ao que era apresentado pelos seus antecessores. A essência de Guardiola continua lá mas foi alterada por Martino. O fio de jogo continua lá: os desiquílibrios pelo miolo de Messi (e Neymar pelo flanco esquerdo), a constante subida dos laterais ao último terço do terreno, a infindável posse de Xavi e Iniesta, o rigor táctico de Busquets no equilíbrio da equipa e a figura de Alexis como um avançado móvel trabalhador não-finalizador. Contudo, Martino incutiu mais objectividade na equipa e ao contrário de Guardiola e Villanova, esta não fecha a loja quando se encontra a vencer por 2 ou 3-0.

Prevê-se um duelo muito renhido. Messi pode não alinhar na eliminatória ou alinhar em péssimas condições de forma em virtude da lesão que está a tratar na Argentina com o staff médico da sua selecção. Neymar está a subir imenso de rendimento e assume-se como o patrão de equipa na ausência do astro argentino. O City poderá repetir em Nou Camp a façanha cometida no Allianz Arena, sendo portanto expectável uma eliminatória em que qualquer equipa poderá vencer fora de portas.

Bayern e Arsenal encontrar-se-ão no final de Fevereiro. Sobre a equipa de Guardiola existe pouco a dizer. A equipa de Wènger tem agora nos próximos dias o seu maior teste: passar o boxing day na liderança. Em situações normais, com o Arsenal em 3º ou 4º o boxing day costuma ser muito difícil para a equipa de Wènger. Na liderança, será um teste de fogo às capacidades internas deste Arsenal que faz da criatividade dos homens do meio-campo (Wilshere, Ramsey, Ozil) o seu forte. Se o Arsenal passar o infernal calendário do natal sem derrotas, estou certo que chegará a Fevereiro com todas as possibilidades de vender muito cara a eliminatória à equipa bávara.

Noutro vértice temos os duelos entre Atlético de Madrid e Milan. Madrilenos e milaneses irão encontrar-se em Fevereiro para uma eliminatória com conteúdos interessantes. Duas épocas completamente distintas, com objectivos iniciais completamente distintos. Apesar do Atlético ter o objectivo de se posicionar a meio da luta de titãs que tem caracterizado a liga espanhola nos últimos 10 anos, se vendessem a Simeone a conjectura actual interna e externa do Atleti, estou certo que o Argentino seria capaz de a comprar no imediato a pronto pagamento. Allegri vai vivendo dias de amargura no seu desesperável Milan. Com um pé fora do clube dia sim dia não, com um plantel desiquilibradíssimo, com resultados muito fracos a nível interno e um apuramento europeu arrancado a ferros (ou melhor, com um empate em amesterdão resultante de um penalti assinalado num lance em que a falta pertence a Mario Balotelli) o treinador italiano aguarda apenas o momento em que Barbara Berlusconi receba a tão esperada ordem do seu pai para passar o cheque de indeminização por despedimento. O que de certa forma é injusto para um treinador cuja direcção prometeu uma reestruturação total ao plantel na época passada e não cumpriu. Ainda para mais quando Allegri cumpriu os objectivos traçados pela direcção na época passada, época essa em que a direcção milanese decidiu estoirar por completo com o plantel da sua equipa com a venda dos melhores jogadores (Zlatan e Thiago Silva num primeiro momento e Kevin Prince Boateng num segundo já no passado defeso).

Carga positiva. Dois estilos que tem alguns traços em comum. O cinismo catenacciano da equipa de Simeone, assimilado talvez nos anos em que o Argentino jogou na Lázio. Uma defesa extremamente organizada, eficaz. Alessandro Nesta revestido de Diego Godín. Favalli num certinho Felipe Luis que só não é titular na selecção do seu país porque do outro lado, junto à Plaza Cibelles mora o melhor lateral-esquerdo do mundo, Marcelo. Koke na pele de Sérgio Conceição. Gabi, o cérebro. Arda Turan, o homem que sabe tudo sobre bola a lembrar os bons tempos de Dejan Stankovic. Diego Costa, o target-man, a fazer talvez, aquela, que será lembrada como a sua melhor época no futebol. O Atleti é uma equipa que defende com 10 homens, raramente se desorganiza, raramente deixa jogar, e, cuja organização nunca seja posta em causa no poderíssimo contragolpe que possuí, quase sempre efectuado com poucos homens.

O Milan de Allegri também funciona nesses moldes. Uma equipa de pendor defensivo, com um meio-campo muito musculado (De Jong, Muntari, Nocerino) e com um ataque vocacionado para o contra-ataque: Kaká, Robinho e Balotelli. Menor organização defensiva do que a demonstrada pelo Atlético, mais instabilidade, probabilidade de existirem mudanças drásticas em Janeiro. O Atlético parte com maior favoritismo para a eliminatória mas precisa de ter cautela: este mesmo Milan causou calafrios ao Barcelona na mesma fase da edição passada, com uma “allegri” vitória em San Siro e um jogo interessante em Nou Camp onde esteve muito perto de selar passagem para a fase seguinte não fosse um fatídico minuto mudar toda a sua sorte com uma bola no poste de Mbaye Niang depois de uma cavalgada rusticana do francês de campo a campo sequenciada por um golo de Messi que na altura fez o 2-0 e empatou a eliminatória. Num jogo a eliminar contra uma equipa italiana, nunca fiando. Simeone sabe-o perfeitamente por experiência própria.

O mesmo se aplica a Mourinho no excitante Chelsea vs Galatasaray. Treinador italiano, jogadores com milhões de km de champions que se dão bem no contra-ataque (Eboué, Sneijder, Drogba, Altintop), um jovem sedento de títulos (Bruma) e um amoroso brasileiro de nome Felipe Melo a distribuir cacete quanto baste no meio campo. Contra a Juventus provou-se a filosofia deste novo Galatasaray: mais italianos que os caralhos dos italianos!

Mourinho baixou as espectativas. Afirmou recentemente que muito dificilmente será capaz de vencer um título esta época. Mais uma vez jogou de forma inteligente. Mourinho sabe que num dia sim de Hazard e Schurrle é capaz de se bater taco-a-taco contra quem vier. No entanto, recordou que está a formar uma equipa. É certo que quando Mou precisar do velho bastião blue (Terry, Lampard, Obi Mikel, Ashley Cole, John Obi Mikel, Michael Essien) este virá em seu auxílio. Mourinho tem a vantagem de conhecer o outro lado por dentro e por fora visto que conduziu os 2 principais jogadores da equipa turca à glória noutras batalhas da sua carreira.

Trigo limpo farinha amparo.

PSG vs Bayer Leverkusen. O mundo lembrou-se subitamente de Kiessling. Joachim Low lembrou-se subitamente de Kiessling. Gonzalo Castro é um jogador apetitoso e tornou-se cobiçado por meia europa e Lars Bender passou a ser o mais bonito dos gémeos Bender. Tretas. Icy est Paris. Laurent Blanc arrebenta com todas as escalas e avança com o objectivo Lisboa. Para os “veteranos” Zlatan, Thiago Silva, Maxwell, Lavezzi, Thiago Motta poderá ser a última vez na carreira que reunem toda a química necessária para escrever uma página nunca antes escrita na equipa parisiense e nas suas carreiras. Os novos como Cavani. Matuidi, “Pirlo Son” Marco Verrati, Gregory Van Der Wiel, Lucas Moura, Rabiot, Digne tem aqui a sua oportunidade de ouro. Prevejo uma eliminatória resolvida de forma fácil no jogo de Paris.

Real Madrid vs Schalke. Idem.

Borussia de Dortmund vs Zenit. A jogar como jogou na fase de grupos, Spaletti arrisca-se a levar uma copiosa humilhação na eliminatória. Sem estar o Dortmund a fazer uma época primordiosa. Se Hulk sair em Janeiro como se fala, com Shirokov lesionado e Danny arredado das escolhas por ofensas verbais ao lunático italiano, será uma porca miseria.

Da Champions #5

Confesso que fiquei com alguma pena deste resultado do FCP.

1. É dado assente que a equipa não está a produzir o futebol a que nos habituamos a ver no clube. Falta muita coisa a este Porto para ser o grande Porto. À cabeça, faltam extremos que sejam capazes de produzir jogo para o ponta-de-lança que a equipa dispõe. Quando os grandes extremos do Porto (ainda ontem se viu pelas constantes subidas de Danilo e Alex Sandro) são os laterais, penso que está tudo dito quanto a esta questão. Daí advém o facto de Paulo Fonseca ser (quase) obrigado a colocar Josué numa das alas. Mais uma vez viu-se que o médio do Porto sempre que pode foge para o centro, posição do terreno onde se sente mais confortável. As más decisões de Paulo Fonseca derivam desse problema: para se jogar em 4x3x3 é necessário que se disponha de dois extremos com qualidade de 1×1 e cruzamento, matéria que Fonseca não dispõe. Necessita de um bom 8, posição para a qual Fonseca tem matéria-prima em abundância (Josué e Lucho) e de um 10 desiquilibrador pelo miolo, posição que no futuro sei que irá ser ocupada pelo jovem Quintero, ainda tenrinho para estas andanças.

2. Por esclarecer continuam as posições e tarefas que Herrera e Defour deverão ter no terreno. O mexicano já jogou ao lado de Fernando contra o Zenit no Dragão e deu-se mal. Fonseca avançou-o ligeiramente no terreno e o mexicano tarda em pegar de estaca. Enquanto João Moutinho tinha a facilidade de, ofensivamente, pautar todo o jogo do Porto e defensivamente formar o primeiro bloco de pressão\oposição à equipa adversária, o mexicano passa jogos atrás da bola sem conseguir acertar com um opositor e quando tem bola não tem qualquer tipo de rasgo ou capacidade de construir jogo.

Quanto ao Belga, tanto Vitor Pereira como o seu sucessor tentaram (sem exito) recuar o médio. Já foi 6, já foi 10, já foi ala no lado direito e ainda não foi aquilo que era no Standard de Liège: um 6 puro, um jogador para jogar ao lado de Fernando, um médio de trabalho que também é versátil ao ponto de se incorporar no plano ofensivo e ter bola nos pés.

3. Custou-me ainda mais ver a eliminação do Porto sabendo que o Áustria de Viena estava a golear o Zenit. Este Zenit foi sem sombra de dúvidas, o elo mais fraco deste grupo. Vi 5 jogos dos russos. É uma equipa sem fio de jogo num tosco 3x5x2 onde poucos se salvam. As excepções à regra são Hulk, Danny, Kerzhakov, Shirokov, Ansaldi e Lombaerts. Resumidamente, é uma equipa que, na ausência de Shirokov (o maestro de orquestra) e Danny (um dos afinadores dos instrumentos) apenas consegue tocar música para Hulk. Prova disso foram os 3 jogos caseiros que realizaram. Tanto contra o Áustria, como contra Atlético e Porto, a equipa virou-se sistematicamente para Hulk e passou o jogo a endossar bolas para o brasileiro resolver. A espaços apareceu o perigoso Arshavin no contra-golpe (contra o Atlético por exemplo) mas, o internacional russo, já não é jogador para estas andanças.

4. Voltando ao jogo de Madrid. 4 bolas na barra é dose. Danilo e Alex Sandro galgaram quilómetros mas Jackson nunca se conseguiu superiorizar aos centrais do Atlético. Josué meteu pena. Principalmente na primeira-parte quando derivou quase sempre para o miolo. Não coloco sequer a questão do penalty porque foi bem defendido por Aranzubia. Licá continua uma lástima. Mais um erro de Fonseca. Na esquerda não rende. Os centrais do Porto estão por deveras intranquilos. Mangala continua a perder imensas bolas em zona proibida. Do outro lado, vimos aquilo que se esperava: a equipa de operários de Simeone, a defender num bloco muito baixo, com uma agressividade muito acima da média, de forma eficaz e a sair em contra-ataque sempre que possível de forma cautelosa com poucas unidades, sempre à procura do target-man Diego Costa. A equipa que apanhar o Atlético na próxima fase terá que deixar sangue e suor no campo para eliminar esta fantástica equipa de Simeone.

5. In and Out –

In – O médio Oliver Torres. Já o tinha visto nos minutos que jogou no Petrovski. Irá ser (sem peneiras) o próximo Jogador Espanhol. Aos 17 anos já é habituée dos sub-21 espanhóis. Grande técnica individual.

Out – David Villa. Gordo. Pachorrento. Maçado por lesões. Não é nem por sombras o agressivo e incisivo Villa que conhecemos no auge da carreira.

6. Por último, o Áustria de Viena. Estes austríacos estrearam-se na versão moderna da Champions com boas exibições. Melhores que a do Zenit na minha opinião. Bateram-se taco-a-taco contra Porto e Zenit, fazendo das suas tripas coração. Muito limitados no plano técnico, procuraram um jogo directo para o seu ponta-de-lança Hosiner. Lá na frente, este austríaco descendente de pais croatas deu água pela barba a todos os centrais das equipas adversárias. Rápido, bom de bola e bom finalizador. Tem 24 anos e pelo que estive a pesquisar está em carreira ascendente (começou na 2ª equipa do TSV Munique 1860 e desde aí passou pelo Sandhausen da 3ª liga alemã que o catapultou para a Liga Austríaca, onde alinhou durante 2 anos no First Vienna e no Admira Wacker antes de chegar no verão de 2012 ao Áustria). Leva 35 golos em 44 jogos pelo Áustria nesta época e um terço vá. Antes disso já tinha apontado 28 pelo First Viena\Admira Wacker. É jogador para equipas de gama média alta do futebol europeu.

7. Já que estamos a falar de austríacos – Li algures na imprensa desportiva que o “Porto necessita de um jogador em Janeiro que pegue de estaca como pegou por exemplo Marco Janko” – já não me lembro se li isto na Bola ou no Record de ontem. Se Marco Janko pegou de estaca no Porto de 2011\2012 vou aqui e já venho. Tanto pegou de estaca que foi logo despachado no verão seguinte.

Se quisesse embarcar nas habituais teorias da conspiração, diria que este golo foi a mais pura retaliação da Gazprom às acções activistas que a Greenpeace está a levar a cabo no palco mediático da Champions contra a empresa russa. Sem menosprezo do grande jogo que me parece ter feito o Schalke pelos resumos que vi da partida.

Escrevi aqui há uns tempos que Platini largou a ideia de se gravarem as conversas dos 5 árbitros durante os jogos da Champions. Fico espantado como 5 almas não viram tantos jogadores do Schalke 04 acampados aquando do passe, onde se incluía obviamente o teuto-camaronês Joel Matip. Mais uma decisão de arbitragem (europeia) que deixa a desejar e que silenciou por completo qualquer resposta que o Basileia poderia dar na partida para evitar a passagem dos alemães aos oitavos-de-final. Pelos jogos que o Basileia fez na fase de grupos, em particular os dois contra o Chelsea, bem que mereceu o apuramento. Contudo, o Basileia também se deve queixar da miséria exibicional que teve nos jogos contra o Steaua de Bucareste.

A pergunta prévia para iniciar a escrita sobre este jogo é: quantas vezes viste uma equipa fazer 12 pontos na Champions e ser eliminada? Ontem, abordou-se o caso do Benfica com 10. 5 tinham sido as equipas a serem eliminadas com esse número de pontos desde 1997. A essas 5 juntou-se a equipa portuguesa e o Napoli que até fez mais 2.

San Paolo ferveu. Gritou-se mil vezes o nome de Gonzalo Higuaín quando o Argentino inaugurou o marcador aos 74″ com uma rotação de mestre. Outras 500 no espectacular chapelão de Callejón quando tudo já estava decidido a favor dos Gunners e do Borussia de Dortmund. Tarde demais. Se o espanhol tivesse feito o 2-o a 10 minutos do fim, iria ser o diabo para Wènger e seus pares. Ou saíriam eliminados de Napoli ou no mínimo saíriam esfolados pelos colossais adeptos tiffosi que nunca se calaram durante todo o jogo e no final da partida aplaudiram de pé o esforço dos seus rapazes. Não é para menos: este Napoli de Benitez pode não ganhar nada mas joga à bola que se farta.

Digam o que disserem, tanto Higuaín como Callejón têm espaço na equipa do Real Madrid. Um é de caretas melhor que um certo chuta cocos de nome Karim Benzema. O outro já fez mais em Napoli em 3 meses do que o que Gareth Bale irá fazer em toda a época em Madrid. A dispensa de Callejón se pode entender (como podemos vislumbrar nas exibições do espanhol em Napoli) se atendermos que é um jogador que se dá bem a jogar em contra-ataque. Contudo, também deverei dizer que o extremo espanhol sempre que saía do banco na era Mourinho molhava a sopa! Se o Napoli tiver capacidade para os segurar arrisca-se a ter um futuro ainda mais risonho do que o que tem. Se não os segurar, estou seguro que tanto um como o outro rapidamente estarão num grande italiano e o Inter aparece-me à cabeça como o principal interessado nestes dois quando voltar a ter um mega projecto.

Existem equipas cuja linha estratégica compreendo, outras não. O Real Madrid pertence ao clube daqueles que não percebo. Existem vários exemplos disso no passado: o Luis Enrique que mais tarde seria símbolo do rival Barça, o Steve McManaman que deu um título europeu ao clube antes de ser encostado no início da era dos galáticos (nunca mais conseguiria jogar ao mais alto nível) ao Eclipse das passagens de Arjen Robben e Wesley Sneijder em Madrid, jogadores que anos mais tarde foram obreiros nos títulos europeus de Bayern de Munique e Inter de Milão. Isto sem falar de inúmeros casos de jogadores muito pouco aproveitados na sua estadia em Madrid como Klaas-Jan Huntelaar, Roberto Soldado, Borja Valero, Antonio Cassano, Juan Manuel Jurado, Esteban Cambiasso, Juanfran, Javi Garcia – só na última década – senhores cuja saída de Madrid trouxe o seu melhor futebol e cujos exitos desportivos noutras equipas são bem conhecidos. Resumindo e concluíndo: o dinheiro deu para tudo e se existe clube onde o dinheiro é o factor primordial para fazer uma estratégia e não uma condicionante da estratégia que se pretende levar a cabo, esse clube é o Real Madrid.

Voltando ao jogo. Final dramático no San Paolo. Higuaín agarrou-se à camisola e chorou copiosamente durante minutos numa cena comovente que deverá ter agradado e muito aos fervorosos adeptos do clube Napolitano. O Dortmund venceu em Marselha e ganhou um novo balão de oxigénio numa altura da época em que bem precisava depois das derrotas contra o Bayern de Munique e Bayer de Leverkusen. Grupo que se previa muito equilibrado e que terminou muito equilibrado. Futebol de muita qualidade, principalmente nos jogos entre Dortmund e Napoli. Os Napolitanos são um dos principais contenders à vitória da Liga Europa.