Ciclismo 2014 #18

Entrevista de Rui Costa ao Milano Sportivo. Faço-vos o favor de traduzir a 1ª parte hoje e a 2ª parte amanhã

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Para o corredor português, depois de um início brilhante de temporada, é hora de assentar os pés na terra para poder honrar o símbolo de melhor do mundo.

Nesse prisma, para poder aproveitar na plenitude o momento de transição no Paris-Nice e para satisfazer os inúmeros pedidos de entrevistas que lhe são propostos, conforme o que foi acordado com a equipa Lampre-Merida, Rui Costa aceitou expressar as suas impressões e satisfazer a curiosidade dos jornalistas através da entrevista que se segue, que, também será publicidade na página oficial da equipa Lampre.

Considerando que durante a corrida não serão feitas entrevistas individuais, convido-vos a disfrutar desta entrevista:

A nova temporada e a nova equipa

1. A nova temporada começou há dois meses: qual foi para já o melhor momento?

Sempre pensei que o melhor virá no futuro… se trabalharmos duro e possamos ter saúde. Quando olho para trás é claro que me lembro das vitórias que conquistei. Mas acho que nunca são suficientes. Quero sempre focar-me no futuro e pensar em novos objectivos. Este tipo de reflexões marcaram os primeiros dois meses da temporada. Claro que também tive bons momentos mas penso que será no futuro que virão os melhores momentos…

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2. Ao olhar para trás, não se arrepende de não ter sido capaz e de ter feito por 3 vezes o segundo lugar?

Não, isso não é um problema. Se repararmos nas minhas prestações nas temporadas anteriores a esta, em 2013, não ganhei até Abril e em 2012 esperei mais tempo até conseguir ganhar apenas em Junho. É verdade que começo a temporada em boa forma física mas também é verdade que só no Verão é que atingo a melhor condição física e posso ganhar. Claro que é um dos meus objectivos ganhar o mais rápido possível! Devo dizer que me sinto bem e estou apto para lutar por esses objectivos. No Algarve eu tenho 3 segundos lugares, atrás de corredores de classe como Kwiatkowski e Alberto Contador. Não gosto de perder mas tudo isto serviu para ter a noção da minha forma, tendo em conta os objectivos que tenho para Março e Abril e que não tinha em Fevereiro. Deve ter notado que no Algarve ganhamos com Modolo e ganhamos a classificação por equipas. Considero portanto que o trabalho que tenho feito para a equipa e o 2º lugar são resultados bastante aceitáveis: o meu esforço serviu para a vitória de Sacha e para toda a equipa Lampre-Mérida!

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3 – Entraste numa nova equipa, no grupo da Team Lampre-Mérida: como é que te enquadraste nesta nova equipa? Gostaste de alguma aspecto em particular? Qual foi a impressão que uma equipa maioritariamente composta por italianos te deu?

Na Lampre, vivemos num ambiente familiar: isso é fundamental para mim. Quando no Verão de 2013 tive que decidir o meu futuro escolhi assinar pela Lampre por várias razões. Uma delas era a cultura (italiana). Para mim é fácil falar italiano e assim falar com os directores desportivos, mecânicos, massagistas e companheiros de equipa. Depois de 2 meses de adaptação, posso dizer que não estou a ter dificuldades em adaptar-se como já me sinto completamente integrado no seio da equipa. Tudo está a ir muito bem, muito bem mesmo!

4 – Algum colega de equipa te impressionou especificamente?

Não posso escolher apenas um! Todos os meus colegas de equipa são novos para mim e a sua qualidade impressionou-me bastante dia após dia.

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5 – Porque é o apoio da Mérida (fabricante de bicicletas que patrocina a equipa) é tão valioso?

A resposta é simples: porque é a verdade! A Mérida oferece uma bicicleta muito cómoda com uma boa rigidez. Para além do mais, tem testado a minha posição na bicicleta de forma a melhorá-la. Estes pequenos detalhes são muito importantes na actualidade do ciclismo profissional e a Mérida tem-se tornado um excelente parceiro para o presente e para o futuro! Iremos percorrer juntos uma trajectória de crescimento no futuro.

6 – Conte-nos algo sobre a quantidade de solicitações que recebeu dos jornalistas durante o Campo de imprensa da Mérida e da parte dos fãs portugueses durante a Volta ao Algarve.

“Fiquei surpreso. O Merida Press Camp foi incrível. Tivemos a oportunidade de treinar com os jornalistas, patrocinadores … foi uma experiência divertida, é importante para oferecer maior parte do nosso tempo com as pessoas que gostam de andar de bicicleta.  Uma das mais-valias que poderemos oferecer no ciclismo é o contacto directo com os fãs. Não deveremos esquecer que o ciclismo é a modalidade com maior contacto directo entre os atletas e as pessoas. Os fãs podem assistir, falar e andar com os seus ídolos. E uma das suas peculiaridades que deve ser sempre preservada.

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7 – Como tens vindo a gerir a pressão vinda dos Média e dos teus fãs?

Nem sempre é fácil, mas a minha equipa ajuda imenso ao organizar os meus compromissos. Além disso, não tenho dúvidas sobre os meus objectivos: a minha prioridade é sempre a parte desportiva. Lamento não poder dar sempre uma resposta positiva a todos aqueles que comigo se querem encontrar para me entrevistar ou simplesmente falar comigo, pese embora o facto de haver a necessidade de manter sempre um contacto directo com os fãs e com os jornalistas. Contudo, tenho que dedicar o tempo necessário ao descanso e ao treino. Para honrar a camisola do arco-íris (símbolo de campeão do mundo). Para poder fazer isso, é preciso treinar muito.

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Ciclismo 2014 #14

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Volta ao Algarve

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No domingo terminou mais uma edição da Volta ao Algarve, a única do calendário ciclístico português pontuável para o calendário UCI World Tour. Na última etapa, com a geral praticamente decidida, coube a Mark Cavendish (Omega-Pharma-Quickstep) dar um arzinho da sua graça na chegada na marina de Vilamoura. O sprinter britânico bateu o jovem francês Arnaud Demare da Française des Jeux e Brian Coquard da Europcar sobre a linha da meta.

No final da etapa, Mark Cavendish protagonizou mais um episódio típico do seu mau feitio. O britânico avisou que só iria dar 1 minuto aos jornalistas para fazerem as suas perguntas e se à primeira pergunta até reagiu de forma positiva (“Gostou de participar na prova e vencer a última etapa?” até respondeu “Sim, gostei muito. Estou bastante feliz”) o mesmo não se passou nas seguintes questões postas pelos restantes profissionais, ora não respondendo ora respondendo de forma monosilábica e sobretudo muito desinteressada. Cavendish já não vencia uma etapa desde setembro passado.

Dado consumado da etapa anterior (Alto do Malhão) coube ao polaco Michal Kwiatkowski subir ao pódio para receber a camisola amarela correspondente à vitória na classificação geral da prova e o respectivo cheque oferecido pela organização da prova à equipa Omega-Pharma. No ciclismo, os prémios obtidos pelos ciclistas nas metas volantes, vitórias em etapa, vitórias na geral e nas diferentes categorias e contagens de montanha são divididos por toda a estrutura da equipa. A vitória na geral confirma uma excelente prova realizada pelo polaco, vencendo em Monchique depois de uma investida na qual deixou Rui Costa e Alberto Contador para os lugares secundários e de um contra-relógio curto perfeito realizado na 3ª etapa entre Vila do Bispo e Sagres. O ciclista polaco confirmou que é a grande aposta da equipa Belga para a classificação geral das provas por etapas de uma e três semanas. Esta equipa, recheada de roladores e sprinters poderá ter aqui o seu filão para se tornar extremamente completa na época que se avizinha. Vamos ver como é que Michal Kwiatkowski vai reagir nas provas de preparação para o Tour e na prova francesa, prova onde em 2013 ficou à beira do top 10. Apesar de ser um ciclista com enorme potencial na média e na alta montanha e um contra-relogista de excelência, um dos pontos fracos que pode afectar o seu rendimento individual é precisamente o facto da sua equipa não ter muita gente no seu rooster capaz de o ajudar nas etapas de alta montanha. Isto é, se for a primeira aposta da equipa para o Tour visto que ainda não está decidido se o polaco será líder ou se terá estatuto de corredor protegido (livre de trabalho para o líder) dentro da liderança do colombiano Rigoberto Uran.

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Amarga de boca fica a prestação do nosso Rui Costa. O algarve avizinhava-se como a prova ideal para o português vencer. Rui Costa deu no Algarve mostras de uma excelente condição física nesta fase da época, facto que faz crer que a Lampre-Mérida está a planear a época do campeão do mundo ao pormenor. Logo na primeira etapa, podia ter vencido ao Sprint mas preferiu dar a vitória ao sprinter da sua equipa Sasha Modolo. Uma questão de papéis que os ciclistas normalmente respeitam. Como a equipa tinha trabalhado para Modolo, o mais correcto é deixar fluir a normalidade de papéis dentro das equipas. Em Monchique voltou a ser segundo. No malhão voltou novamente a ser segundo. Na geral foi terceiro. Como escrevi anteriormente, fica o amargo de boca por não ter ganho uma etapa junto do seu público. Estou seguro que o português vai realizar novamente uma época de arromba. Vencer será uma questão de tempo.

Alberto Contador – Um segundo lugar que sabe a vitória na geral depois da classe demonstrada pelo espanhol no Alto do Malhão. Antes da prova começar afirmou que vinha ao Algarve ganhar ritmo nas pernas depois do primeiro estágio da temporada. Acabou por vencer na prova raínha da competição. A vitória no Algarve promete um excelente Contador durante a temporada. Bem precisa de deixar 2013 para trás das costas. O tour e o ciclismo agradecem que Contador volte a ser o grande ciclista que é pois senão, Froome limpa tudo novamente com a maior das tranquilidades.

Edgar Pinto – Andou durante toda a prova junto dos melhores. Participou em todas as contendas, tanto a rolar como na montanha. Está um senhor ciclista dentro do pelotão português e a bom da verdade já merecia uma oportunidade numa equipa de World Tour como ciclista de estatuto nas provas de 1 semana e clássicas. Para já, afirmou-se como um dos candidatos à geral da Volta a Portugal 1 ano depois de se ter inserido nesse lote na edição de 2013.

Tour de Oman

Oman

Christopher Froome (Team Sky) voltou a vencer a geral da Volta a Oman. Pela segunda vez consecutiva. Pela segunda vez que apenas venceu a 5ª etapa da prova e na 5ª etapa da prova cavou a diferença necessária para vencer a geral.

O britânico reagiu à vitória com uma certa presunção: “I couldn’t ask for much more. If at the start of the race you’d said to me I’d be here in the red jersey, I’d have taken it, definitely. That’s the best case for me. It’s great to be able to back it up and come and defend my title. The team we’ve had here has been really compatible, really aggressive and wanting to make the most out of the racing. It shows that everyone has come off a good winter and that everyone is working hard to be in good shape for this. It really a pleasure to work with people who share that mentality. We’ve got the leader’s jersey to show for it. We’re really happy.”

greipel 3

Na última etapa da prova, o britânico assistiu de cadeirinha a mais uma vitória em etapas de André Greipel na prova. O alemão da Lotto-Belisol voltou a deixar o jovem francês Nacer Bouhanni para trás na linha de chegada e confirmou a vitória na camisola por pontos. André Greipel está lançado para uma época que se prevê muito vitoriosa.

Volta à Andaluzia

andaluzia

Disputada desde quinta a domingo, a Volta a Andaluzia reuniu na região integrante do cada vez mais fracturado estado espanhol alguns dos maiores nomes do ciclismo mundial, também eles cheios de vontade de esticar as pernas depois de semanas intensivas de treino de preparação para a temporada. Nas estradas andaluzes competiram ciclistas como Alejandro Valverde (Movistar) Richie Porte, Edvald Boasson Hagen e Braddley Wiggins (Team Sky) Luis Leon Sanchez (Caja Rural), Marcel Kittel (Argus-Shimano), Bauke Mollema (Belkin) ou o dinamarques Jakob Fuglsang (Astana).

1ª etapa

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A prova andaluz iniciou-se com um prólogo. Alejandro Valverde provou que não estava na andaluzia para treinar. O ciclista da Movistar cumpriu os 7,3 km realizados em Almeria em 8 minutos e 22 segundos, sendo mais rápido em 7 segundos que Tom Dumoulin da Giant-Shimano e em 9 que o seu colega de equipa, o basco Jon Insausti. Os homens da Sky perderam 13 (Kiryenka) 14 (Wiggins e Geraint Thomas) e 15 Richie Porte.

2ª etapa

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Na segunda etapa da prova, a organização quis provar quem é que tinha perninhas para aguentar uma daquelas etapas pica musculos. Na distância de 186,5 km, a etapa que ligou Málaga a Jaen oferecia a todo o pelotão presente na prova uma etapa com 6 contagens de montanha. Uma duríssima de primeira categoria entre os 13 e os 25 km, três de 2ª categoria e três de terceira categoria, a última nos 3 kms finais.

O pelotão manteve-se minimamente intacto até à subida final. Até que Alejandro Valverde saltou do grupo principal nos últimos metros e venceu a etapa destacado com 4 segundos de avanço para Bauke Mollema da Belkin, Davide Rebellin da CCC Polsat, Luis Leon Sanchez e Richie Porte da Sky. Ausência do grupo principal foi Braddley Wiggins.

Video dos últimos 3 km

3ª etapa

movistar

Na 3ª etapa da prova, a maior atracção desta era a subida final ao Santuário de La Virgem de la Sierra de Cabra, outra daquelas subidas cuja ausência do calendário da Vuelta é inexplicável visto que é uma subida de cerca de 11 km com uma pendente média de 8% e algumas rampas na parte final de 18\20% (ascenção de 18 metros em altitude a cada 100 metros de estrada). Os ciclistas tinham portanto um autêntico muro pela frente.

Como lhe competia, a Movistar controlou a etapa. Na ascenção final, o grupo dos favoritos destacou-se no grupo principal, existindo uma abordagem altamente tacticista entre Alejandro Valverde e Richie Porte. O espanhol não se fez rogado e voltou a fazer das suas (não é normal Valverde ter dois dias bons seguidos na alta montanha, muito menos vitoriosos) ao atacar nos metros finais da etapa. Retirou apenas 1 segundo ao grupo perseguidor: Scarponi (Astana) Porte, Daniel Navarro (Cofidis; cuidado que este senhor também quer qualquer coisa no Tour deste ano) e Luis León Sanchez. No 2º grupo, Bauke Mollema cruzou a meta a 5 segundos de Valverde juntamente com o ciclista estónio Tanel Kangert da Astana. O estónio demonstrou na Andaluzia que está a melhorar a olhos vistos na alta-montanha. Poderá ser uma ajuda preciosa para os seus líderes de equipa (principalmente de Nibali e Tiralongo) nas etapas de montanha das grandes provas por etapas. Tiralongo esteve bastante mal na etapa ao perder 1 minuto e 48 para Valverde. Braddley Wiggins esteve novamente ausente do grupo dos favoritos.

Com a vitória na Sierra de Cabra, Valverde aumentou a sua vantagem para Richie Porte para 20 segundos. Luis Leon Sanchez era terceiro a 22 segundos.

4ª etapa

Ultrapassada a montanha era tempo para os sprinters impor as suas credenciais. Com Marcel Kittel e Gerald Ciolek em prova, a etapa terminada em Sevilla seria ideal para uma chegada ao sprint. Coube ao veterano alemão da MTN-Qubeka cruzar em primeiro lugar a linha de meta disposta na capital da região à frente de Roy Jans da Wanty-Groupe Gobert e do sprinter Moreno Hofland da Belkin. O jovem sprinter português Fabio Silvestre da Trek-Leopard, a fazer a sua primeira época como profissional e como ciclista da primeira formação da equipa foi 8º numa chegada em que Marcel Kittel decidiu não ir a jogo.

5ª etapa

Na consagração de Alejandro Valverde como o vencedor da geral da prova (3ª vitória consecutiva) coube ao holandês Moreno Hofland vencer a etapa final da prova.

Valverde provou ser mais forte que a concorrência na fase final das provas de montanha e saboreou as suas primeiras vitórias do ano. O espanhol preparou assim as principais provas de uma semana nas quais costuma participar e vencer como a Volta a Catalunha, Murcia e Burgos, provas que irão decorrer mais adiante no calendário internacional, algumas das quais com a presença de Rui Costa.

Tour de Haut Var

A contar para a Taça Nacional de França, o Tour de Haut Var ofereceu aos ciclistas que nele participaram 2 etapas de nível de dificuldade médio. Na prova participou o jovem ciclista português Domingos Gonçalves da La Pomme Marseille, equipa francesa da UCI Pro Continental na qual também corre o seu irmão José Gonçalves.

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A prova acolheu a participação de ciclistas como Carlos Bettancur (AG2R; ciclista que de resto venceria a prova depois de desafiar com sucesso o holandês John Degenkolb da Argus no sprint da primeira etapa; é de homem um trepador conseguir bater um sprinter do nível de degenkolb na sua especialidade), Thor Hushovd (Cadel Evans e Amael Moinard (BMC; este venceria Betancur ao sprint na segunda etapa) Sylvain Chavanel e Jerome Pineau (IAM Cycling) John Gadret da Movistar ou Pierrick Fèdrigo da FJD. Basta portanto dizer que os grandes ciclistas do pelotão francês estavam lá todos.

Amanhã irei escrever sobre o Tirreno-Adriático e irei apresentar mais 1 equipa da World Tour. Irei também actualizar o ranking da World Tour.

Ciclismo 2014 #13

volta ao algarve

4ª etapa – Almodovar – Alto do Malhão 164,5 km

A 4ª e penúltima etapa da Volta ao Algarve trouxe à tona da competição a mais importante etapa do evento, a tão esperada subida ao Alto do Malhão, inclinação de média dificuldade na distância de 2,6 km. Antes de passar ao relato da etapa, permitam-me apenas uma crítica à organização da Volta a Portugal: no sentido de elevar a dificuldade da prova visto que esta ao nível de montanha se resume às subidas da Senhora da Graça e da Estrela, continuo a considerar incompreensível porque é a prova não vai ao Alto do Malhão. É certo afirmar que parte dos fundos que a organização da nossa prova raínha (João Lagos Sport) dispõe para a organizar provém dos apoios que as Câmaras Municipais de respectivas localidades dão à prova em troca de uma chegada ou partida de etapa. Contudo, neste caso, uma etapa a terminar no Alto do Malhão, poderia acrescentar mais competitividade à prova e o aumento de competitividade per se é capaz de trazer mais nomes para competir nesta. Enquadrada numa fase da temporada em que alguns ciclistas poderão utilizar o evento português para afinar baterias para a Vuelta, não seria mal pensado incluir esta subida no calendário da prova.

Na partida para a 4ª etapa, o polaco Michal Kwiatkowski partia com uma ligeira diferença para os seus mais directos rivais na classificação geral, o português Rui Costa e o espanhol Alberto Contador.

Contador

Na súbida do Alto do Malhão o primeiro ataque pertenceu ao ciclista português Ricardo Vilela da OFM-Quinta da Lixa. O português provou não ter pernas para levar o ataque até ao fim e rapidamente foi apanhado pelo grupo principal, comandado pela Omega-Pharma. Foi então a vez de Contador e Rui Costa. Ambos ameaçaram o ataque até que o espanhol o concretizou e chegou ao Alto do Malhão com 3 segundos de vantagem sobre Rui Costa e 10 sobre o líder. Rui Costa voltou a fazer pela 3ª vez o 2º lugar na etapa, o que revela algum azar do português na prova. Não quis vencer a primeira etapa e acabou não conquistar nenhuma! Tiago Machado (Net-App) foi 5º a 14 segundos, chegando à frente de Chris Horner também com o mesmo diferencial para o vencedor da etapa. Logo a seguir chegou Edgar Pinto a 16 segundos.Alberto Contador repetiu a vitória alcançada no Malhão na edição de 2010.

A Geral da prova ficou praticamente decidida. Michal Kwiatkowski segurou a camisola amarela apesar da diferença perdida para Contador. O espanhol irá ficar na 2ª posição da prova a 16 segundos do ciclista da Omega-Pharma-Quickstep. Rui Costa segurou o 3º lugar a 29 segundos. No top ten permaneceram Christopher Horner (Lampre-Mérida) a 1.32m do líder e o português Edgar Pinto, o melhor português das equipas portuguesas em prova (o melhor ciclista das equipas portuguesas foi o espanhol Eduard Prades da OFM na 7ª posição), alcançando o atleta oriundo da região de Aveiro o 10º lugar a 1.41m da liderança.

Rui Costa lidera a camisola verde dos Pontos, o português Valter Pereira do Banco BIC-Carmin-Tavira lidera a camisola da montanha e César Fonte da Rádio Popular-Boavista lídera a camisola das metas volantes. Na geral por equipas, a liderança é detida pela Lampre.

No final da etapa, Rui Costa mostrou-se satisfeito com o trabalho realizado: “Mostra que estou a ser o mais regular. Estou satisfeito com este resultado. Sabia que ia encontrar aqui adversários muito fortes, como o Kwiatkowski e o Alberto Contador. O Malhão é uma subida muito curta e muito explosiva. E gosto particularmente deste figurino. Ataquei para ver como estava o Kwiatkowski e apercebi-me que ia muito justo. No final, o Alberto acabou por estar melhor mas estou contente com o meu desempenho.” – o campeão do mundo também prometeu estar melhor no Paris-Nice, prova por etapas que se irá realizar no próximo mês.

Tour de Oman – 5ª etapa – ontem

Christopher Froome

Em Oman, na penúltima etapa, também ela decisiva no que às contas da geral da prova diz respeito, Christopher Froome venceu a etapa (primeira vitória do ano) e ascendeu à liderança da prova. Na subida final, o britânico saltou do pelotão sem pedir licença a ninguém e cavou uma diferença para os seus perseguidores, o norte-americano Tejay Van Garderen (BMC) de 22 segundos e 33 para o colombiano Rigoberto Uran (Omega-Pharma-Quickstep).

Com a vitória na etapa, Froome destronou Peter Sagan e prepara-se para vencer a geral da prova visto que tem 26 segundos de avanço sobre Van Garderen. A última etapa deverá ser discutida ao sprint.

Para logo à noite deixo as análises da última etapa no Algarve e em Oman, as 4 etapas da Volta à Andalucia, prova onde participou o português Fábio Silvestre (Trek-Leopard) e as duas etapas do Tour de Haut Var.

 

Ciclismo 2014 #12

Volta ao Algarve

Ontem – 2ª etapa – Lagos-Monchique 190 km

Kwiatowski 2

A opção que Rui Costa tomou no dia anterior (oferecer a vitória ao seu sprinter Sasha Modolo em cima da recta da meta) poderá não ter sido a mais a acertada. Na 2ª etapa da Volta ao Algarve, o português voltou a fazer novamente no 2º em Monchique, atrás do vencedor da etapa, o talentoso all-rounder Michal Kwiatkowski da Omega-Pharma-Lotto. O Belga já tinha triunfado numa etapa um tanto quanto semelhante no Challenge de Maiorca na semana passada. No Algarve, está a confirmar o excelente momento de forma que atravessa neste início de temporada. A Omega-Pharma-Quickstep está para já a confirmar-se como a grande dominadora deste início de temporada. Para além das vitórias individuais do ciclista polaco de 23 anos, a equipa já venceu no Dubai, no Qatar (geral inclusive) e em Oman, completando o pleno nas provas de World Tour até agora disputadas.

Depois de uma interessante primeira etapa, esperava-se que Rui Costa fosse capaz de vencer na serra de Monchique. Não se esperava que Alberto Contador quisesse entrar na luta pela vitória visto que é a primeira prova que está a realizar na presente temporada.

A etapa iniciou com uma fuga composta por ciclistas franceses. O sprinter Arnaud Demare (FDJ) Alexandre Pichot (Europcar) e Florian Senechal (Cofidis) decidiram atacar em conjunto com o primeiro de olho nas metas volantes posicionadas a meio da tirada. A Radio Popular-Boavista, líder da classificação das metas volantes através de Cesar Fonte não quis deixar escapar a oportunidade de salvaguardar a camisola no corpo do seu atleta até porque enquanto este a mantiver dá um mediatismo superior ao nome e à imagem do patrocinador da sua equipa. Fonte haveria de testar uma fuga com mais 4 ciclistas poucos quilómetros depois do trio da frente ter sido apanhado mas a Saxo-Tinkoff foi rápida a anular por completo a investida.

A presença da equipa dinamarquesa na frente indiciava que Alberto Contador tinha planos em mente para a subida final, nem que fosse apenas “esticar as pernas” para medir as respostas do corpo nestes primeiros dias de competição e o nível de preparação feita no estágio de pré-temporada. A subida esfumou-se sem existir um ataque. Na descida de 5 km até Monchique, o grupo dos favoritos entrou numa espiral de desconfiança mútua, Kwiatkowski decidiu avançar e cortou a meta em Monchique com 6 segundos de avanço para Rui Costa que bateu ao sprint os espanhóis Albert Contador e Eduard Prades da OFM-Quinta da Lixa. Mais atrás, a 17 segundos do polaco chegaria um grupo onde estavam Alexandre Geniez (FDJ) Chris Horner (Lampre-Merida) Jonathan Castroviejo (Movistar) e Edgar Pinto (LA Alumínios-Antarte).

Na geral, o polaco ficou com a liderança da prova, com Rui Costa a 4s e Alberto Contador a 12s.

3ª etapa – hoje

Contra-relógio de 13,6 quilómetros entre Vila do Bispo e Sagres. Previa-se uma interessante batalha pela geral entre Michal Kwiatkoswski e Rui Costa visto que, apesar do polaco ser um especialista nesse departamento do ciclismo, o português também tem um rendimento muito interessante no contra-relógio curto. Relembro que o português é o campeão nacional em título. No ano passado, na prova disputada em Pataias (Alcobaça), Rui não deu qualquer hipótese à concorrência interna (os principais especialistas no contra-relógio curto como Tiago Machado ou Nelson Oliveira ficaram a mais de 1 minuto do campeão do mundo em 26 km de prova). Como principal candidato para vencer a ventosa luta contra o cronómetro no Sudoeste Algarvio estava o actual bicampeão do mundo da especialidade, o alemão Tony Martin da Omega-Pharma (outra vez arroz!), curiosamente o vencedor da geral da Volta ao Algarve em 2009 e 2013. Nas duas edições, o alemão cravou a sua diferença para os demais no Contra-relógio e, no caso de particular da edição de 2009, no Alto do Malhão, principal inclinação da prova. O Malhão será a atracção da etapa de amanhã.

Desta vez o campeão do mundo não conseguiu fazer a diferença. Kwiatkowski voltou a vencer de forma categorica, deixando a 11 segundos Adriano Malori da Movistar (outro dos candidatos à vitória na etapa, o espanhol Jonathan Castroviejo não conseguiu entrar sequer no top-10) e a 13 Tony Martin. Alberto Contador perdeu 20 segundos (4º) e Rui Costa foi 11º a 34 segundos.

Com a vitória na etapa, o ciclista da Omega-Pharma-Quickstep aumentou a sua vantagem para os mais directos perseguidores. Alberto Contador ascendeu à 2ª posição da prova com uma diferença de 32 segundos para o líder enquanto o português caiu para a 3ª posição a 38 segundos.

Amanhã corre-se a etapa decisiva da prova com a chegada em alto ao Malhão (1ª categoria).

Tour de Oman

3ª etapa – na quinta

Andre Greipel

(toda a gente sabe que essas pulseiras do equilíbrio não funcionam ó Greipel)

Quando toda a gente previa que os homens mais vocacionados para a média montanha pudessem atacar nas contagens de montanha destacadas nos últimos quilómetros da etapa que ligou Bank Muscat a Al Bustan (146 km), tudo acabou por ser discutido no sprint final com o alemão André Greipel a resolver novamente para a Lotto-Belisol.

Depois de uma fuga de 5 ciclistas pouco cotados que durou quase 100 km, a segunda ascenção da etapa separou o trigo do joio. Dario Cataldo comandou o pelotão e trabalhou para Chris Froome (Sky). Na roda de Froome seguiram Peter Sagan (Cannondale) Fabian Cancellara (Trek-Leopard) e do checo Zdenek Stybar (Omega-Pharma-Quickstep). Estes quatro haveriam de atacar, sendo apanhados a cerca de 1km para a meta pelo grupo principal. Para o efeito, valeu o trabalho conjunto de BMC, FDJ e Lotto. No Sprint final André Greipel voltou a superiorizar-se a Peter Sagan e ao jovem sprinter francês Nacer Bouhanni (FDJ) e segurou a liderança da prova.

4ª etapa – Ontem

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A etapa que ligou Wadi Al Abiyad ao Ministério da Habitação na capital Muscat, na distância de 173 km, poderia ser decisiva no que diz respeito às contas da geral. Com 4 inclinações, 1 delas com algum grau de dificuldade, quem chegasse isolado à Avenida onde se situa o Ministério da Habitação daquele estado do médio oriente poderia não só ganhar a etapa como amealhar o tempo suficiente para vencer a geral da prova, apesar de, ainda existir um contra-relógio pela frente até domingo.

A prova começou com uma fuga muito precoce nos primeiros quilómetros. Valerio Agnoli e Liewe Westra (é o homem mais combativo da época até ao momento; ambos da Astana) tentaram a sua sorte ao quilómetro 9 com o brasileiro Murilo Fischer da FDJ. A fuga durou 6 km. 2 quilómetros depois, o sprinter belga Greg Van Avermaet (BMC) Yaroslav Popovych (Trek) e Huffman (Astana) tentaram a sua sorte se bem que penso que aqui a estratégia dos directores desportivos, em particular o da Astana, era o de pura e simplesmente obrigar a Lotto-Belisol e as demais interessadas (Sky, Cannondale, Omega-Pharma) a desgastarem-se na frente do pelotão. Não sendo um trepador de excelência, a presença de Popovych na frente da corrida poderia causar alguma ameaça às pretensões destas equipas.

A fuga teve algum sucesso. O trio conseguiu amealhar 5 minutos e meio de vantagem no momento em que abordaram a primeira montanha do dia. Lá atrás no pelotão, a vantagem amealhada levou a que a Lotto-Belisol, Omega e Saxo-Tinkoff assumissem as despesas da perseguição com a BMC a colocar 2 ou 3 elementos na frente para atrapalhar a organização desta.

Na terceira incursão pela montanha do dia, Popovych foi alcançado, ficando Van Avermaet sozinho na frente com 32 segundos de vantagem para o pelotão. Entretanto, na cauda do pelotão André Greipel começou a ficar para trás e nunca mais regressou ao convívio dos grandes. No final desta colina, o colombiano Sergio Henao disferiu o seu ataque, tendo passado no alto com 18 segundos de vantagem para o pelotão e 16 de desvantagem para Van Avermaet. O último só seria alcançado a 14 km da meta por um grupo de 60 unidades.

Na última ascenção do dia, a Sky foi para a frente e deixou Chris Froome sozinho. Na perseguição ao vencedor do Tour em 2013 estavam Rigoberto Uran (agora na Omega), Roman Kreuziger (Saxo-Tinkoff), Peter Sagan e Vincenzo Nibali (Astana). Froome passou a contagem de montanha na primeira posição mas rapidamente foi alcançado na descida por Uran, Sagan e Nibali que trabalharam em conjunto para anular a diferença para o britânico. Com 18 segundos para os perseguidores, o quarteto chegou ao fim da etapa e Peter Sagan foi como seria de esperar o mais rápido no sprint final.

O eslovaco assumiu a geral da prova com 10 segundos de vantagem sobre Rigoberto Uran e 14 sobre Vincenzo Nibali. André Greipel cruzou a meta a 21 minutos do vencedor!

Ciclismo 2014 #11

volta ao algarve

Começou hoje em Faro a 40ª edição da Volta ao Algarve, a única prova do calendário ciclístico português que é pontuável para o ranking da World Tour. Até domingo, alguns dos melhores ciclistas mundiais da actualidade estarão a competir no nosso país.

Apesar da prova Algarvia estar inserida numa fase inicial da temporada na qual tanto os ciclistas como as equipas ultimam a preparação física ideal para encarar as primeiras provas competitivas a sério (no início do próximo mês) pode-se dizer que o cartaz é bastante apetecível: 5 etapas com a presença de alguns dos melhores ciclistas da actualidade como o campeão do mundo Rui Costa (a correr pela primeira vez esta temporada com a camisola do arco-íris) Alberto Contador (Saxo-Tinkoff) Mark Cavendish (Omega-Pharma-Quickstep) Aleksandr Kolobnev (Katusha) Christopher Horner (Lampre-Mérida) Arnaud Demare (Française des Jeux) ou Rein Taaramae (Cofidis).

A armada portuguesa também está bem representada. Para além das equipas Banco BIC-Carmin, OFM-Quinta da Lixa, Radio Popular Boavista, LA-Antarte Paredes dos Móveis e do campeão do mundo, marcam presença na prova Tiago Machado e José Mendes (Net-App) Bruno Pires e Sérgio Paulinho (Saxo-Tinkoff) e Nelson Oliveira (Lampre). A única ausência de vulto no que toca à nata do ciclismo português é a de André Cardoso da Garmin.

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O sprinter italiano de 26 anos Sasha Modolo ganhou a primeira etapa da prova, tirada que ligou Faro a Albufeira na distância de 160 km.

Sem grandes obstáculos no percurso (apenas uma 3ª categoria à passagem do quilómetro 34), a etapa foi animada com uma fuga de 5 ciclistas menos cotados que obrigou as equipas com sprinters presentes (Omega-Pharma, Lampre, Française des Jeux) a trabalhar arduamente no pelotão. Na parte final da etapa, a Lampre assumiu as despesas da corrida e preparou caminho para o seu sprinter. Na recta da meta, Rui Costa poderia ter ganho a etapa. O português preferiu abrir nos metros finais para a vitória do seu colega de equipa Sasha Modolo, respeitando os papéis existentes dentro da equipa. A atitude do chefe-de-fila da Lampre levou Modolo a classificá-lo no final como um “senhor dentro do pelotão”. No terceiro lugar ficou o veteraníssimo sprinter italiano Alessandro Petacchi (Omega-Pharma-Quickstep). Modolo conquistou em Albufeira a sua 4ª vitória da temporada depois de ter vencido uma etapa no Tour do Dubai e 2 na Vuelta a Maiorca.

César Fonte bonificou num sprint intermédio e é 2º da geral. Rui Costa é 3º. Arnaud Demare foi 6º e Mark Cavendish não entrou sequer no sprint final.

A prova prossegue amanhã com uma etapa que é considerada como uma autêntica clássica dentro das provas por etapa. A tirada liga Lagoa a Monchique na distância de 190 km. Antes de chegar à serra de Monchique, os ciclistas terão que passar pelas várias inclinações sinalizadas ao longo do percurso.

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O nosso grande campeão do mundo correu pela sua primeira vez com a camisola que o identifica como o nº1 do ciclismo mundial. No seu site oficial, Rui Costa descreveu as sensações vividas na primeira etapa.A aposta da Lampre é levar o campeão mundial à vitória na geral da prova algarvia. O dia de amanhã poderá ser decisivo quanto a esse objectivo.

Cycling: 5th Tour of Oman 2014 / Stage 1

Se meio pelotão internacional está no Algarve, a outra metade está no médio Oriente a correr a Volta a Oman.

A prova daquele pequeno país do continente asiático apresenta-se como um autêntico paraíso para os roladores.

1ª etapa

Na primeira etapa da prova, a Lotto-Belisol controlou todos os acontecimentos na cabeça do pelotão. No final da etapa, os elementos da equipa belga aceleraram o ritmo no pelotão de forma a garantirem as melhores condições de sprint para o seu velocista (o alemão André Greipel). Na recta da meta, o alemão não facilitou e conquistou a sua segunda vitória em etapas na presente temporada, 1 semana depois de ter vencido uma etapa no Tour do Qatar. O seu maior rival na prova de Oman, o belga Tom Boonen (Omega-Pharma-Quickstep) não consegui inserir-se na discussão da etapa. No final da mesma, o antigo campeão do mundo afirmou que a vitória de Greipel foi merecida em virtude do trabalho realizado pelos elementos da Lotto-Belisol.

2ª etapa – ontem quarta-feira.

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Na 2ª etapa da prova, os corredores da IAM Cycling iniciaram a etapa com um enorme sentimento de tristeza. Horas antes tinha sido confirmada a morte de Kristof Goddaerts, ciclista belga de 27 anos que alinhava na equipa suiça. Goddaerts foi atropelado por um autocarro quando treinava na sua cidade natal na Bélgica. Apesar da tristeza demonstrada nos rostos de alguns ciclistas, os homens da IAM Cycling decidiram continuar a sua participação na prova. Antes da partida, o pelotão cumpriu 1 minuto de silêncio em honra do seu antigo colega de profissão.

Sem obstáculos pela frente no percurso, previa-se uma chegada em linha disputada ao sprint. Foi exactamente isso que aconteceu. Na recta da meta, o actual detentor da medalha de bronze olímpica na prova de estrada conquistada em Londres 2012, o noruguês Alexander Kristoff da Katusha, venceu a etapa e assumiu a liderança na geral da prova. No final da etapa, Kristoff mostou-se feliz por ter ganho a tirada (1ª vitória da temporada) e revelou que nos últimos meses treinou intensivamente o seu posicionamento e a sua postura na bicicleta na especialidade de sprint de forma a poder ombrear com os melhores finalizadores do pelotão mundial.

Ciclismo 2014 #7

1. Volta ao Dubai

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A 1ª Volta ao Dubai começou ontem com um prólogo de 9,9 km com vitória para o Norte-Americano Taylor Phinney. Tailor Phinney começou bem a sua temporada de 2014, fazendo jus às palavras que aqui escrevi sobre a capacidade do ciclista da BMC na especialidade de contra-relógio.

Contudo, o destaque do dia de ontem foi a estreia do campeão do Mundo Rui Costa com as cores da Lampre, curiosamente com um jersey personalizado de campeão nacional de contra-relógio. O campeão do mundo gastou mais 47 segundos que o ciclista da BMC, posicionando-se na 24ª posição da geral da prova. Também a correr pela Lampre, Nélson Oliveira, especialista no contra-relógio, foi 35º gastando mais 53 segundos que o vencedor da etapa.

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Phiney concluiu os 9,9km em 12 minutos e 3 segundos. Gastou menos 14 segundos que o colega de equipa Steven Cummings e 16 que o dinamarquês da Garmin Lasse Norman Hansen. Tony Martin (Omega-Pharma) foi 4º a 22 segundos de Phinney, Cancellara (Trek) 5º a 25 segundos e Peter Sagan 6º a 31 segundos do ciclista norte-americano.

Em destaque também esteve o facto da organização da prova não ter autorizado os ciclistas a correr com bicicletas especiais de contra-relógio no prólogo que abriu a prova que segue até domingo.

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Estranha mania da UCI complicar aquilo que é fácil. O estatuto de nº1 do ciclismo mundial adquirido pelo português na prova de Firenze do passado 29 de Setembro de 2013, parece ainda não permitir a amostra de um banner com o seu primeiro nome e apelido nas transmissões oficiais das provas UCI World Tour. O ciclista reclamou na sua página de facebook.

2ª etapa

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Dia marcado por condições climatéricas adversas para o pelotão. O vento que se fez sentir na região de Doha provocou algum nervosismo dentro do pelotão. Apesar de metade do pelotão se encontrar a “treinar”no Dubai de forma a conseguir alcançar o ritmo competitivo que muitos desejam para as provas de 1 semana e clássicas da primavera que começam a partir de Março, ninguém pretende fazer má figura dentro do pelotão.

O foguete alemão da Argus-Shimano Marcel Kittel (vencedor da 4 etapas no Tour em 2013) venceu a tirada, batendo Peter Sagan ao Sprint. Taylor Phinney foi 3º no sprint, conseguindo aumentar a sua vantagem na geral em 1 segundo para os concorrentes directos. Os portugueses em prova chegaram dentro do pelotão.

2. A confirmação de Cavendish na Volta ao Algarve

mark cavendish

Mark Cavendish (Omega-Pharma-Quickstep) confirmou hoje a participação na Volta ao Algarve, prova que se irá disputar de 19 a 23 de Fevereiro. A prova também irá contar com a presença de Rui Costa.

3. Classificações World Tour

tom boonen UCI 1

A primeira tabela de rankings UCI World Tour foi lançada. Com a vitória alcançada numa etapa e na Geral do Tour Down Under na Austrália, o australiano Simon Gerrans (Orica GreenEdge) assumiu a liderança do maior ranking mundial com 114 pontos.

Por equipas, lidera o projecto australiano de ciclismo:

UCI 2

Importante também é o ranking por nações visto que é este ranking que vai decretar o número de ciclistas que cada selecção pode levar aos campeonatos do mundo:

UCI 3

Como não poderia deixar de ser, lidera a Austrália.