Superbock! Fresquinha! #61

Tudo ao Molho! –

Bruno

Bruno de Carvalho foi esta noite ao programa SIC Notícias dar um autêntico “show de bola” fora das 4 linhas… Com a ironia que lhe é característica, o presidente do Sporting analisou a actualidade do futebol português e do clube leonino nas respostas efectuadas às “armadilhadas” (algumas foram mesmo ridículas) perguntas feitas pelo jornalista Paulo Garcia.

A entrevista começou como não poderia deixar de ser com a questão da praxe: o celeuma levantado pelo atraso do FC Porto no jogo contra o Marítimo para a Taça da Liga. Bruno de Carvalho referiu que é uma injustiça se a decisão que amanhã é anunciada pelo Conselho de Disciplina não der razão ao Sporting. O presidente do Sporting motivou a sua posição ao considerar a justificação apresentada pelos dirigentes do FC Porto como uma desculpa esfarrapada: “A conta do Fernando bate mal. Desculpa pobre, de mau pagador. E nem essa é boa, que foi inventada… Em terra de cegos, quem tem olho é rei, mas o rei também falha. Nem as horas batem certo…” – o presidente do Sporting não se coibiu a proferir algumas palavras em relação ao dito “sistema” que é comandado pelo FC Porto. BdC afirmou que o conhecimento que o público tem do dito sistema não bate certo com a realidade. Do “sofisticado sistema que toda a gente pensa ser uma estrutura com ramificações afinal é do mais bacoco possível”. E com isto o presidente do Sporting foi, na minha opinião o mais simples possível: o sistema passa apenas pela colocação (por parte dos clubes) de marionetes de confiança dentro das instituições que gerem o futebol de forma a poderem manobrar o rumo do futebol português a seu belo prazer.

No que concerne ao documento que o Sporting enviou para vários órgãos (desportivos e políticos), o presidente do Sporting rejeitou que o emblema de Alvalade tenha como objectivo categórico a imposição da sua própria lei, voltando a reiterar que o Sporting (e os vários clubes que já associaram à discussão promovida pelo clube de Alvalade nas últimas semanas) pretendem modificar as bases em que está assente o futebol português de forma a melhorá-lo: O Sporting está neste momento em algo que envolve muitos clubes, que é um trabalho sério em prol do futebol. Não tenha dúvidas, se o futebol quiser avançar, é preciso atrair pessoas. Gente mais nova… Ou o futebol muda, ou atraímos a mesma coisa de sempre. Ou muda e passa a respirar, ou não muda e vamos continuar na mesma como a lesma. Uns falam, são filhos; outros falam e são enteados. O Sporting estará cá para fazer mais e melhor. Em vez de andar sempre a queixar-me, vou impulsionar um movimento positivo para mudar o futebol. Podem decidir o que quiserem, dar um tratamento diferente, mas água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Não tenha dúvidas de que as coisas vão mudar”

O assunto debatido puxou obrigatoriamente para o diálogo Vitor Pereira. O presidente do Sporting foi concludente na análise às declarações que o presidente do CA proferiu no final da reunião tida com as mais altas instâncias da FPF: “Transmiti aquilo que depois apareceu na documentação do Sporting. Essa reunião foi normalíssima, onde ele ouviu. Tivemos essa conversa e depois, como se costuma dizer, ‘as palavras leva-as o vento’. O Sporting acaba de apresentar a documentação e foi o que se viu. Dizer que as propostas do Sporting não melhora o futebol. Não é bonito, mas há tanta coisa que não o é…” e Vitor Pereira levou Paulo Garcia a interrogar o presidente do Sporting sobre as arbitragens. Este não teve problemas em meter o dedo na ferida ao afirmar que foi “anjinho” por ter falado da maneira que falou depois do jogo da Taça de Portugal contra o Benfica e da Liga contra o Nacional. Para melhor explicar o seu argumento, Bruno de Carvalho recorreu a dois casos análogos ocorridos com presidentes de outros clubes. O presidente do Sporting referiu que quando proferiu as duras críticas à arbitragem de Manuel Mota no Sporting vs Nacional viu o presidente da APAF pedir publicamente uma “punição exemplar para o presidente do Sporting” – Contudo, quando o presidente do FC Porto veio dar uma entrevista onde criticou a arbitragem de um jogo do Porto, ninguém pediu uma punição exemplar para as declarações do mesmo. Ou quando o presidente do Braga, na passada quinta-feira, falou o que falou da arbitragem de Olegário Benquerença em Vila do Conde, ninguém pediu uma punição exemplar.
O presidente do Sporting aproveitou a deixa para alfinetar mais uma vez Vitor Pereira, ao afirmar que quando o Sporting reclama das arbitragens, nem Vitor Pereira nem os árbitros vem a público falar sobre o assunto ou mostrar arrependimento. BdC realçou que o mesmo não se passou noutras ocasiões, referindo que de vez em quando aparecem árbitros a mostrar arrependimento de algumas das decisões que tomam.

Esgotado o conteúdo do quente período introdutório, Paulo Garcia rodou o disco e puxou a conversa para o quotidiano do clube leonino. Sobre o caso de Elias, o presidente do Sporting respondeu que o jogador brasileiro e o “pai\empresário tentaram montaram uma estratégia” contra o clube de Alvalade que, se limitou a defender os seus interesses. “Sou conhecido como o presidente dos comunicados. Acho que me vou divertir quando explicar o que foi todo o processo do Elias. Ao nível do que se escrito sobre o Elias e sobre tudo tem sido tão ridículo mas explicarei tudo. Por vezes leio tudo sobre o Elias e devo pensar que o presidente do Sporting é atrasado mental e depois percebo que afinal se trata de mim”, disparou em tom sarcástico. Aproveitando a deixa e a pergunta de Paulo Garcia em relação à possibilidade de ter que vender alguns jogadores para manter o clube sustentável no seu plano financeiro, Bruno de Carvalhou deixou óbvio que “alguns clubes” já se aperceberam que em Alvalade mora gente que não está disposta a vender as jóias da coroa a preços de saldo. Neste capítulo, o presidente do Sporting chegou mesmo a afirmar que grande parte dos clubes que visitam alvalade para observar os jogadores do Sporting já sabem que só terão feedback da SAD leonina se apresentarem propostas vantajosas para o clube de Alvalade. Ou seja, os clubes já se aperceberam que o Sporting realizou algumas mudanças e como tal, relacionam-se de forma diferente com o clube leonino.

Paulo Garcia proporcionou o momento imbecil da noite quando perguntou se Bruno de Carvalho ia oferecer um “relvado novo a Leonardo Jardim como presente da época que o treinador está a realizar no comando do clube” e se o presidente concordava com a tomada de posição tomada pelo seu treinador ao não poupar jogadores em risco de sanção disciplinar. O jornalista da SIC questionou se a estrutura profissional do Sporting tinha gerido mal a questão dos amarelos de William Carvalho. BdC respondeu categoricamente, partindo de um argumento base: “Leonardo Jardim foi uma escolha pessoal. O Sporting necessitava de um treinador que demonstrasse trabalho, exigência (…) se ele não concorda, eu também não concordo”

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Superbock! Fresquinha! #51

A escolha de Marco Ferreira para o derby do próximo domingo faz-me ter algumas certezas em relação a certas escolhas que já suspeitava:

1. O madeirense foi a segunda escolha do Conselho de Arbitragem da FPF para arbitrar a partida. Resta portanto saber quem é que não quis apitar o jogo. Proença? Benquerença? Jorge Sousa?

2. Tenho vindo a matutar nisto há alguns dias a esta parte. Pedro Proença, o hétero-intitulado melhor do mundo, ainda só apitou 2 jogos dos grandes nesta época. Apitou a vitória do Porto sobre o Guimarães por 1-0 a 27 de Setembro do ano passado e o empate do Sporting no terreno do Estoril a 11 de Janeiro deste ano. Feitas as contas, em 17 jornadas disputadas na Liga ZonSagres, Proença apitou apenas em 5. Não estará Vitor Pereira a tentar conservar o seu melhor activo fora das polémicas em torno da arbitragem com a sua não inclusão nos jogos de risco de forma a poder levá-lo ao mundial do Brasil com a ficha limpa?

Superbock! Fresquinha! #40

Imagens do Académico de Viseu vs Sporting da Covilhã a contar para a 2ª liga. O jogo haveria de tender para os Viseenses por 1-0 com um golo de Cafú aos 41 minutos.

Nos últimos 3 meses tenho questionado várias vezes neste blog a qualidade das arbitragens em Portugal. Por vezes, em alguns posts desta série duvidei da idoneidade da arbitragem de algumas partidas e cheguei a afirmar aquilo que penso: o futebol português está a ser manipulado de forma sofisticada. Penso que o que aconteceu neste jogo em Viseu superou todas as críticas que efectuei.

Duarte Gomes. Árbitro internacional. Reputadíssimo na europa, reputadíssimo em Portugal. Já apitou imensos clássicos e derby´s, finais de taça, jogos da liga dos campeões, jogos da Liga Europa, jogos oficiais entre selecções, tendo apitado inclusive jogos de playoff de apuramento para competições internacionais. Árbitro de primeira categoria desde 1999, “profissional” desde 2002. Inscrito na lista de árbitros a profissionalizar nos próximos meses. O tal árbitro que segundo a óptica de um colega, esteve muito bem num dos maiores roubos de igreja da história do futebol português. Um dos árbitros que pertence ao lote daqueles que esse mesmo colega afirmou serem superiores ao futebol português. Duarte Gomes, um árbitro de primeira categoria há 14 temporadas, profissional há 11, internacional, experientíssimo, apita uma grande penalidade clara a favor do Sporting da Covilhã, sucumbe aos protestos dos jogadores de um clube de 2ª liga e como se não isso por si só não bastasse, altera a decisão para um lance inexistente nas regras do futebol perante a situação em disputa, um livre indirecto, prejudicando claramente uma das equipas na contenda e influíndo directamente no resultado final da partida.

O que é que Vitor Pereira deverá fazer a um árbitro destes? castigar 3 jogos? 10? 20? castigar até ao final da época? retirá-lo da lista a profissionalizar? Este erro não é um erro humano. Este erro não é falta de qualidade. Este erro é suspeito, é tendencioso, é vergonhoso. Destas Vitor Pereira não fala. Destas Vitor Pereira não se desculpa. Destas Vitor Pereira não tem a argúcia de vir a público dizer que nada abonam ou modificam o actual panorâma do futebol português. Nestas, Vitor Pereira esconde-se atrás do seu cadeirão na sede da FPF e qual rato abandona o navio, descarta responsabilidades e reza fervorosamente para que o fim-de-semana corra sem mácula.

Pedro Proença. Já que abordei o “melhor do mundo” no meu discurso. Uma das alterações contidas no documento que o Sporting trouxe a público nas últimas semanas, contempla precisamente uma medida que visa colocar os árbitros a falar à imprensa nos flash interviews e nas conferências de imprensa posteriores aos jogos. Proença é um talker. Proença usa o seu escudo de “melhor do mundo” para opinar e defender o trabalho (merdoso) dos colegas em algumas partidas, como se, ele, “o melhor do mundo” tivesse um escudo de imunidade que o torna transcendente em relação aos outros. Se Proença tem carta branca para falar à imprensa para falar como fala do trabalho dos colegas, porque é que Proença e todos os árbitros não deverão falar nos momentos que sucedem aos jogos, analisando, comentando e justificando as suas decisões e prestações durante os jogos? Ficam aqui estas perguntas. Está claro que Vitor Pereira não irá responder. Ficará calado quando todos esses assuntos forem debatidos. Falará mais tarde. À imprensa. A cortar a direito.

José Fontelas Gomes – Nome que está na moda. Às declarações de Bruno de Carvalho no jogo contra o Nacional, pediu castigo para o presidente do Sporting. Às declarações de Pinto da Costa pediu que tais declarações fossem banidas do futebol. À posteriori, pediu castigo para não parecer mal dadas as declarações que proferiu a propósito das declarações do presidente do Sporting. Já não era altura de começar a pedir castigos para alguns dos seus associados pelos erros danos que cometem jornada após jornada nos jogos dos campeonatos profissionais? Já não era altura de se calar ou de admitir os erros que os seus associados cometem?

Superbock! Fresquinha! #39

comunicado

Eis o comunicado lançado ontem pelo Sporting no seu site oficial. Não consigo perceber como é que o presidente do Conselho de Arbitragem da FPF para além de se ter mantido em silêncio na reunião descrita pela Direcção do Sporting Clube de Portugal, não consegue reconhecer “melhorias” nas ideias de um documento cuja iniciativa deveria pertencer aos órgãos da Federação Portuguesa de Futebol (ao topo da pirâmide) e não a um dos seus afiliados. Ainda para mais quando o referido documento contém medidas expressas para tornar o sector mais atractivo, competitivo e aberto ao público em geral numa conjuntura em que todos os clubes se queixam de questões muito precisas como a elevada carga fiscal a que estão sujeitos, a fraca afluência de público aos estádios ou a falta de transparência nas questões de árbitragens motivada pela impossibilidade de leitura dos relatórios dos observadores. Entre outras. A actual estrutura da Federação Portuguesa de Futebol tem como missão (estatutária) enunciada no artigo 2º dos seus estatutos:

FPF
Disposto este artigo dos estatutos da FPF, a proposta regulamentar do sector que o Sporting enviou a várias entidades não é uma tarefa que cabe ao Sporting Clube de Portugal mas sim aos actuais dirigentes da FPF. O que equivale a dizer que são estes dirigentes que tem a missão e as competências estatutárias definidas para agir em interesse da indústria do futebol.
Por outro lado, não consigo perceber se o Sr. Vitor Pereira faz declarações em virtude de pensamento próprio ou é instruído por alguém ligado a uma associação corporativa que existe na arbitragem portuguesa, personagem essa que nos últimos 2 anos aproveita todas as quezílias entre o Sporting e o sector da arbitragem para expressar o seu ódio profundo pela instituição Sporting Clube de Portugal
Se o Sr. Vitor Pereira quisesse realmente trabalhar em prol da mudança de alguns paradigmas do futebol português no órgão que dirige, já teria começado a executar mão pesada sobre os comportamentos danosos que alguns dos seus tutelados cometem nos campos de futebol semana após semana. O argumento pode parecer forçado mas resulta na práxis: as más arbitragens também afastam o público dos campos de futebol. Ninguém neste país se sente encorajado a pagar uma pequena fortuna por um bilhete de um jogo cujo protagonista principal é o sr. de apito. Ninguém acredita num campeonato em que semana após semana, não existe uma única jornada na liga sem um jogo onde a arbitragem não tem o dedo no resultado final.

frases da semana

ronaldo 2

1. O prémio é merecido mas não é disso que venho escrever.

Por diversas vezes nos últimos meses tenho visto vários agentes da imprensa especializada vender como um dos grandes sucessos da carreira de Cristiano Ronaldo o excelente trabalho que é feito por trás pela equipa da Gestifute de Jorge Mendes.

Jorge Mendes e seus pares estão efectivamente a tirar todo o rendimento possível da Marca Ronaldo sem a esgotar. É certo que o rendimento do atleta no campo também fez com que a sua marca ainda não se tenha esgotado. Contudo, ao analisar o trabalho de comunicação que tem sido feito com o jogador, posso afirmar que a empresa de Jorge Mendes não tem gente adequada para estas coisas.

Só um péssimo assessor de imprensa deixa o jogador fazer a figura ridícula que fez em palco na passada segunda-feira. A choradeira e tal já é a parolice do costume, típica do tuga neste tipo de cerimónias. A parvoíce\falta de cultura surge quando Ronaldo agradece o prémio a uma “figura muito importante na vida dele”, um tal “de Mandiba” – CR7 não só não é capaz de dizer bem a alcunha do histórico líder sul-africano como atira para o ar o seu nome como uma figura “muito importante na sua vida”, ditame que faz supor ao mais alarve dos seres humanos, por norma, gente que devora este tipo de galas, que Nelson Mandela era um amigo íntimo, unha com carne. Ronaldo tentou ficar bem na foto e acabou novamente abaixo da sarjeta.

Como se o episódio de Zurique não bastasse, o inflamado Jorge Mendes vem logo a seguir brindar-nos com mais uma das suas fantásticas pérolas –Ficará até aos 40 anos. Conheço Cristiano, foi uma alegria muito grande para ele ganhar a Bola de Ouro, é algo que nunca esqueceremos” – sim, até aos 40, até aos 50, porque é que não assina um vitalício com o Real Madrid como aquele que o JVP assinou nos 90 com o Vale e Azevedo?

Jorge Mendes pode ser excelente a vender jogadores, mas a falar é provavelmente uma das maiores cavalgaduras do futebol actual.

2. Para além da barreira de tradução:

O coach Pereira protagonizou na Arábia uma cena à la Toni (I love you, Tony Olivera I love you)

Mais uma evidência da facilidade tida pelos treinadores portugueses na expressão de tudo o que lhes vai na alma.

André Villas-Boas era o mestre da comunicação segundo o Guardian. AVB conseguiu na sua passagem por Londres surpreender os ingleses com novos termos linguísticos nunca antes conhecidos no diccionário futebolístico: “I couldn´t put my hand on game” ou “Defoe can smell crosses from everywhere”

Já Vitor Pereira, impedido de falar de pormenores técnicos do jogo pelo tradutor, conseguiu cometer a proeza de mentir aos sauditas quando afirmou que tudo o que “fala vem do coração” como se nas conferências de imprensa do Porto qualquer treinador fosse encorajado a dizer aquilo que sente…. sem contar com o súbito respeito que adquiriu naquele preciso momento para com a classe jornalística, facto contrário aquilo que experienciámos nos dois anos de FCP.