Ciclismo 2014 #31

fabien cancellara

Ronde Van Vlaanderen – Volta à Flandres, Bélgica – Ontem

O magnífico Fabian Cancellara escreveu ontem mais uma página de história na sua carreira ao ser pela 3ª vez vencedor da prova belga, 5º vitória suiça na prova. Cancellara junta-se assim a um lote de vencedores por 3 vezes no qual estão ciclistas como Johan Museeuw ou Tom Boonen. Boonen esteve presente na prova e ainda tentou dar um arzinho da sua graça.

259 km a separar Osteende e Blankenberg. Pelo meio, dezenas de corridas, segmentos em pavé e uma loucura de corrida, cheia de nervosismo e de aparatosas quedas.

Foi precisamente uma queda que pautou as primeiras das 6 horas de corrida disputadas na clássica Belga, clássica que serve de antecâmara para a clássica dos heróis, para o Inferno do Norte, o Paris-Roubaix, clássica que se irá disputar no próximo domingo. Para todos os leigos em ciclismo passo a explicar: a Paris-Roubaix é uma clássica disputada entre a capital francesa e o mítico velódromo da pequena cidade da região de Pas de Calais (o mais antigo velódromo ciclístico francês) na qual os ciclistas tem que superar cerca de 2 dezenas de segmentos de estrada em pavê (barro e paralelo). A prova contém um nível de espectacularidade enorme pela sua extrema dureza, pelas dezenas de quedas que acontecem e pela diabólica situação de corrida decorrente, com ataques e mudanças de posições constantes ao longo da prova. É uma daquelas clássicas que merece ser vista do princípio ao fim. Para não me alongar mais, voltando à Volta à Flandres…

Foi este o momento mais negativo da corrida. Protagonizado precisamente por um dos vencedores da Paris-Roubaix, o belga Johan VanSummeren da Garmin, um dos candidatos à vitória na prova de ontem. Numa altura em que o pelotão rolava a alta velocidade (km 60), o belga embateu violentamente contra uma idosa que se encontrava sentada à beira da estrada. A senhora está hospitalizada em estado muito grave. O ciclista afirma que o corredor que está traumatizado com o sucedido. Não é para menos.

No momento em que Van Summeren bateu contra a espectadora, na frente, rolava a primeira fuga do dia. 11 ciclistas foram os primeiros a evadir-se à aventura na dura prova belga, quase todos de equipas belgas menos cotadas. O mais cotados na fuga eram o sul-africano Daryl Impey da Orica e o norte-americano Taylor Phinney da BMC. Nas primeiras horas de corrida, sucederam-se várias quedas.  Luke Durbridge (Orica), Yaroslav Popovich (Trek), o duas vezes vencedor da prova Stijn Devolder (Trek) ou Step Vanmarcke (homem que depois viria a atacar na fase decisiva da prova) protagonizaram as quedas mais feias da prova. O experiente ucraniano da Trek também foi literalmente cuspido da bicicleta contra um espectador na beira da estrada.

As quedas foram partido o pelotão em vários grupos. Aproveitando a confusão, Peter Sagan decidiu sair do pelotão, obrigando os Omega (Boonen, Stybar e Terpstra) a trabalhar para o apanhar. À espreita encontravam-se nesse grupo homens como Edvald Boasson Hagen (também tentou atacar a 40 km da meta), Alexander Kristoff (Katusha) Fabien Cancellara, Anulado Sagan, os Omega conseguiram controlar o grupo principal até às mexidas que aconteceram após a colina de Kruisberg, uma das pendentes mais inclinadas do percuso, quando, na sua descida, Greg Van Avermaet (BMC) e Stijn Vandenberg (um dos altões da Omega) atacaram. Resposta imediata de Step Vanmarck e Peter Sagan. Na resposta de Sagan, quem viu a transmissão televisiva da prova pode apreciar as informações que o director desportivo da Cannondale ia dando ao eslovaco, pedindo-lhe que se mantesse em posição intermédia até 18 km da meta, altura em que os corredores iam subir a última grande inclinação do dia, a lendária Oude-Kwaremont. Nessa inclinação, pedia o director da Cannondale para Sagan fazer um dos seus ataques demolidores. Os dois ciclistas rodaram muito bem na frente. Boonen e Terpstra abandonaram a frente da corrida. O primeiro teve inclusive dificuldades em acompanhar o ritmo do grupo principal, cuja perseguição estava entregue a Kristoff e a Cancellara.

Foi precisamente na Oude-Kwaremont que Cancellara viu o cenário perfeito para atacar e colar-se aos da frente. O suiço atacou, Sagan não conseguiu acompanhar, Vanmarcke conseguiu aguentar o ataque do suiço e os dois corredores acabariam por colar-se a Van Avermaet e Vanderbergh nos últimos quilómetros.

Habitual nestas corridas, a constituição do quarteto provocou as habituais danças tácticas com os ciclistas a esboçarem ataques e contra-ataques para poderem vencer a prova. Só a 300 metros do fim, em posição privilegiada para sprintar (na cauda do grupo), Cancellara lançou o sprint e venceu um estafado Greg Van Avermaet em cima da linha de meta. O Belga voltou a falhar o objectivo de vencer uma das 5 maravilhas das clássicas da primavera (Flandres, Roubaix, Liège, Amstel Gold Race, Milão-São Remo) apesar de ter merecido claramente a vitória. Valeu novamente a enorme ponta final de Cancellara. O suiço soube resguardar-se e ler muito bem a corrida, respondendo e atacando no timing correcto aos ciclistas correctos. No final, a excelente posição na cauda do grupo aliada à sua habitual frieza na finalização de etapas, garantiu ao suiço de 33 anos a 3ª vitória na prova e 7ª nas 5 maravilhas da primavera (em 25 participações; 14 pódios).

 

GP Miguel Indurain valverde 4

Neste fim de semana, correu-se em Espanha a edição deste ano do GP Miguel Induraín. Tendo como pano de fundo a Volta ao País Basco (começou hoje), Alejandro Valverde conseguiu a sua 6ª vitória da temporada (depois das vitórias em Murcia, Roma Máxima, geral da Andaluzia e 2 etapas na prova andaluz) depois de bater Tom Jelte Slagter da Garmin. O holandês da equipa Norte-Americana voltou a mostrar a sua apetência para as clássicas. Acredito que o holandês será um das maiores figuras deste tipo de provas a partir da próxima temporada.

Da prova espanhol ficou o excelente resultado obtido por André Cardoso. O português da Garmin foi 4º classificado a 1 minuto e 2 segundos do ciclista da Movistar.

Vuelta a La Rioja

Em Espanha também se correu a Volta a La Rioja. A 54ª edição da prova foi encurtada apenas a 1 etapa, à semelhança daquilo que aconteceu com a Volta a Murcia por exemplo. Marcaram presença na prova espanhola nomes como o sprinter Brett Lancaster (Orica), Igor Antón (Movistar), Michael Albasini (Orica) e as equipas portuguesas da Louletano-Dunas Douradas e Boavista Radio Popular.

Michael Matthews da equipa australiana venceu a prova, batendo ao sprint Francesco Lasca da Caja Rural e Carlos Barbero da Euskadi. O melhor português foi Federico Figueiredo da Radio Popular na 14ª posição.

Volta a Limburg

Moreno Hofland

Vitória para o sprinter da Belkin Moreno Hofland. O Holandês, vencedor de uma etapa no Paris-Nice, 2º na Kuurne-Brussels-Kuurne, bateu Simone Colbrelli da Bardiani e Mauro Finetto da Neri na linha de meta.

Volta ao País Basco – 1ª etapa

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Alberto Contador começou a ganhar no País Basco. Em Ordizia, pleno coração do País Basco, o espanhol da Tinkoff voltou a provar que está embalado para uma grande temporada. Contador atacou com Valverde na última passagem pela 2ª categoria categorizada entre os 10 e os 7,5 km para a meta, deixou o ciclista da Movistar para trás, aguentou a vantagem obtida na descida e venceu isolado na pequena localidade de 10 mil habitantes.

Péssimo dia para Rui Costa. O português desapareceu das imagens antes da última passagem pela subida de Gaintza, acumulando mais de 4 minutos para o líder. Se por um lado o resultado é péssimo (o Rui fica irremediavelmente afastado pela luta da geral), por outro lado, a péssima classificação justifica-se pelo uso da bicicleta suplente (apesar de ter a medida do ciclista, foi pouco utilizada pelo ciclista; a bicicleta principal do português desenvolvida pela Mérida não chegou a tempo da primeira etapa) e pelo cansaço acumulado no terrível dia de espera ontem vivido pelo português no aeroporto na viagem para o País Basco com atraso de 10 horas no voo. Este resultado irá permitir uma maior liberdade de ataque ao ciclista português nas próximas etapas visto que 4 minutos de atraso para a liderança deverão permitir uma maior probabilidade de ataque sem resposta directa dos favoritos à geral da prova. No entanto, também me parece assertivo afirmar que dentro do pelotão ninguém deixa sair de ânimo leve o campeão do mundo. Quem sabe se poderemos ter o ciclista da Póvoa do Varzim ao ataque já amanhã numa etapa que tem um perfil do seu agrado.

Corrida dominada do início ao fim pela Movistar e pela Tinkoff. Uma fuga com Matteo Montaguti (AG25) foi anulada a tempo do momento das decisões (a última passagem pela 2ª categoria de Gaintza, um autêntico muro com pendentes de 15% e 20% em alguns pontos, em particular nos primeiros 500 metros). Tanto a equipa espanhola como a equipa dinamarquesa colocaram muita gente na frente do pelotão de forma a fazer uma selecção dos candidatos logo nesta primeira etapa. Recordo que esta prova só tem chegada em alto na 4ª etapa na quinta-feira. Mikel Nieve (Sky), Damiano Cunego (Lampre), Cadel Evans (BMC), Michal Kwiatkowski (Omega-Pharma-Quickstep), Yuri Trofimov (Katusha; excelente etapa deste ciclista russo) e Jean-Christophe Perraud (afirmou ontem ter algumas ambições na prova; 1 semana depois de ter vencido a geral do Criterium da Córsega) aguentaram o máximo que puderam. Excelente trabalho da Movistar na aproximação à última dificuldade do dia com um grande trabalho de Benat Inxausti a endurecer a corrida. Até ao momento em que Valverde tentou o ataque logo no início da subida e Contador não só o acompanhou como o ultrapassou com um ataque demolidor.

O espanhol conseguiu 13 segundos de vantagem no Alto da Gaintza para Valverde e 30 para o grupo formado pelos nomes supra-citados, diferenças que se mantiveram aquando da chegada dos ciclistas à meta. Contador sobe defender a vantagem na descida e com a vitória nesta 1ª etapa, ascendeu à liderança da prova.

pais basco

André Cardoso chegou integrado no grupo de Frank Schleck (Trek), Samuel Sanchez (BMC), Robert Gesink (Belkin), Simon Spilak (Katusha) e Tejay Van Garderen (BMC) a 58 segundos de Contador. Os ciclistas da BMC Racing Team foram as maiores desilusões do dia. Pela forma apresentada por Van Garderen na Catalunha, esperava-se que o all-rounder Norte-Americano fosse capaz de acompanhar Contador. O basco, a correr em casa, também esteve um furo abaixo daquilo que costuma fazer na prova.

A etapa de amanhã tem um perfil duríssimo. Os ciclistas costumam catalogar este tipo de etapas de “rasga pernas” pela quantidade de descidas e subidas que o traçado apresenta. Apesar das 4 contagens de montanha estarem posicionadas longe da meta (a de 1ª é a última), após a última contagem de montanha, o percurso é um sobe e desce constante, existindo uma subida de 4 km não categorizada a 5 km da meta.

Ciclismo 2014 #22

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Paris-Nice

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2×2. 5×2. 2 vitórias de etapa para Betancur na prova (e a correspondente e merecida liderança da prova; tem sido sem dúvida o maior agitador da corrida nos momentos decisivos), 2 vitórias de etapa para o holandês da Garmin Tom Jelte Slagter (tem sido o corredor mais inteligente da prova, atacando apenas nos momentos certos) e 2 2ºs lugares para o nosso Rui Costa, mais 2 a juntar 3 obtidos na Volta ao Algarve. O início de temporada do campeão do mundo tem sido excelente mas, no mínimo… azarado nas chegadas… Cumpre-se o prenúncio dos homens que vestem a camisola de arco-íris: com a dita vestida, a época seguinte é uma miséria. Salvam-se os pontos obtidos pelo português para a classificação por nações da UCI, critério de selecção do número de corredores que cada federação pode levar aos próximos campeonatos do mundo.

6ª etapa – ontem

Betancur

Nos últimos 500 metros da etapa que ligou Saint Saturnin-lés-Avignon a Fayence (221.5 km) Rui Costa teve a porta literalmente escancarada para vencer a etapa quando Alexis Villermoz (AG2R) caiu espalhafatosamente quando lançava o sprint em subida para o seu chefe-de-fila (Carlos Alberto Betancur) mas não aproveitou a brecha, sendo ultrapassado pela maior explosividade do colombiano nos metros finais.

Na partida da etapa, a organização foi informada do abandono de Simon Gerrans da Orica. O australiano, um dos favoritos à vitória na geral da prova, justificou o seu abandono e a sua fraca prestação nesta devido a problemas gastrointestinais.

A etapa arrancou com mais uma tentativa de Sylvain Chavanel (IAM Cycling). Decidido a vencer a classificação da montanha e quem sabe a etapa (era propícia às suas características com um constante sobe e desce), o ciclista francês da equipa suiça arrancou bem cedo do pelotão, numa primeira tentativa sozinho (para vencer a 3ª categoria disposta ao quilómetro 36.5 km). Depois de vencer a contagem de montanha, Chavanel recuou novamente ao pelotão. Ao quilómetro 68, 7 ciclistas, entre outros,  Stephen Cummings da BMC, o suiço Gregory Rast da Trek, Aleksandr Kutchynski da Katusha, Mattia Cattaneo da Lampre e Alessandro Di Marchi da Cannondale haveriam de tentar a sua sorte. Lá atrás, aos 164.5 km, aquando da sua contagem de montanha do dia, Sylvain Chavanel haveria novamente de atacar em conjunto com Thomas Vockler da Europcar. Ambos conseguiriam chegar ao grupo de fugitivos cerca de 5 km depois.

Chavanel conseguiu passar mais uma contagem em primeiro ao quilómetro 180. Mais 4 pontos para o prémio da montanha. Lá atrás no pelotão, a Sky e a AG2R tomavam conta das operações e tentavam anular a fuga do homem da IAM Cycling e fazer a primeira selecção dentro do pelotão na aproximação à grande contagem de montanha do dia: Col de Bourigaille. Nessa contagem, só Chavanel, Voeckler, Pim Ligthart da Lotto-Belison e Alessandro Di Marchi restavam da fuga que já tinha sido composta por 10 elementos. No pelotão começavam a aparecer os primeiros esticãos: os primeiros a mexer na corrida foram Alexis Villermoz da AG2R e José Serpa da Lampre. Pela primeira vez viu-se a Lampre de Rui Costa a agitar a corrida para desgastar a Sky e a AG2R. Os dois cicilistas viriam a alcançar o grupo de Chavanel ao quilómetro 198. Ao quilómetro 200, o pelotão apanhou os fugitivos. Chavanel perdeu logo o contacto com o grupo dos favoritos e teve a companhia de Andy Schleck, uma perfeita desilusão na prova francesa.

Começa o espectáculo…

Nova iniciativa de Villermoz. Leva com ele 4 ciclistas, entre os quais, Frank Schleck (Trek), Przemyslaw Niemec (Lampre), Yury Trofimov (Katusha) and Eduardo Sepulveda (Bretagne) – um grupo de respeito que poderia vencer naturalmente a etapa não fosse o trabalho de junção que estava a ser feito pela equipa do líder, a Sky. Com Frank Schleck a tentar a sua sorte, a equipa inglesa preferiu não dar abévias e na descida, o grupo seria apanhado.

A 10 km da meta foi a vez de Damiano Caruso (Cannondale) e Dries Devenyns da Giant tentarem o seu ataque, respondido de imediato por Vincenzo Nibali. 2ª vez que o italiano tentou atacar numa descida na prova. Aqui e numa imagem posterior (Nibali a descolar do grupo principal na aproximação à meta) finalmente consegui perceber que as declarações proferidas pelo ciclista italiano de que não estaria no Paris-Nice para vencer (mas sim para trabalhar para Jakob Fuglsang) não eram bluff. Quando o italiano atacou, teve resposta directa de Geraint Thomas. Este ataque não passou de mais uma tentativa para desgastar a Sky, reduzida a esta altura ao líder da prova (Geraint Thomas) e a David Lopez Garcia. O bielorusso Vasil Kyrienka já tinha trabalhado na frente do pelotão durante cerca de 40 km e não se encontrava nesta altura no grupo principal. Rui Costa pedalava confortavelmente a meio do grupo.

A 4,5 km Simon Spilak (Katusha) tentou a sua sorte. Quem lhe respondeu foi Nibali. David Lopez Garcia promoveu novamente a junção. Depois deixou o seu líder sozinho para o que restava correr na etapa. Precisamente nesta altura dava-se o furo de Wilco Kelderman da Belkin, o melhor classificado da equipa holandesa na prova.

Na aproximação à meta, a AG2R voltou a carregar. Alexis Villermoz foi buscar forças para acelerar a corrida na ligeira pendente final e Rui Costa saiu do meio do grupo para se posicionar atrás do homem da AG2R. Na sua roda ia o campeão francês Arthur Vichot e na roda de Vichot, expectante Betancur. Até que a 500 metros da meta, Tom Jelte Slagter puxou da sua explosividade em subida, atacou, Villermoz respondeu, assumiu novamente as rédeas da corrida e na curva que antecedeu a eira da meta caiu, deixando Rui Costa na frente do grupo. O português sprintou mas vindo de trás, Betancur efectuou uma ponta final do outro mundo e roubou a vitória ao ciclista português.

Bettancur 2

Betancur e Rui Costa lograram ganhar segundos para além das bonificações aos mais directos concorrentes. O checo Zdynek Stybar da Omega perdeu 3 segundos, assim como Geraint Thomas e Arthur Vichot. O 6º classificado da etapa, o francês Cyril Gautier da Europcar perdeu 7 assim como Jakob Fuglsang da Astana. Quem acabou por ficar para trás nos metros finais foi Tom Jelte Slagter, devido a um problema mecânico (saltou-lhe a corrente quando tentou atacar a 500 metros da meta). O holandês perdeu tempo para Betancur e ficou arredado da discussão da geral da prova.

Com a vitória na etapa, Betancur roubou a liderança a Geraint Thomas e cavou uma diferença de 8 segundos para o britânico. Rui Costa perdeu tempo mas subiu 9 lugares na geral para a 3ª posição a 18 segundos do colombiano. Stybar ficou a 22 enquanto o sprinter Joaquin Rojas da Movistar fechou o top-5 da prova a 24 segundos da liderança. O sprinter da Movistar está a fazer uma prova bastante interessante, conseguindo ultrapassar com exito as etapas de média montanha.

Apesar de mais um 2º lugar na tempoada (o 4º), Rui Costa mostrou-se agradado com o desempenho: ““Queria muito dar uma vitória à equipa e a todos os que me apoiam, mas ainda não foi desta. Aquela queda do Vuillermoz estragou-me um pouco os planos. Obrigou-me a sair mais cedo e desgastar-me um pouco mais. Cerrei os dentes e dei o meu máximo mas Betancur veio na minha roda e na meta foi o mais forte. Ele está num grande momento de forma e eu dou-lhe os parabéns. O balanço de hoje é bastante positivo. Estou muito satisfeito com as minhas sensações”

Quanto aos outros portugueses em prova, André Cardoso foi 26º a 25 segundos (22º da geral a 1 minuto e 2 segundos) enquanto Nelson Oliveira chegou muito atrasado com mais de 6 minutos para o vencedor da etapa.

7ª etapa – hoje

Tom Jelte Slagter

Tom Jelte Slagter vingou-se da avaria mecânica que o tinha arredado da luta pela vitória da etapa no dia anterior e voltou a vencer na prova. A Garmin consegue 2 inexpectáveis vitórias na prova e sai desta como uma das equipas em destaque. O holandês provou que é um nome a ter em conta para as clássicas da primavera, em particular, para as clássicas de colinas que serão disputadas na Belgica e na Holanda, provas onde decerto não estará tão à vontade dentro do pelotão. O holandês deu a conhecer ao mundo do ciclismo todo o seu potencial explosivo no ataque em perímetro curto (5\10\15 km para a meta) e a sua fantástica ponta final. De certa maneira, Slagter faz-me lembrar em muitas características que possui “o melhor” do antigo campeão do mundo e actual corredor da BMC Phillipe Gilbert.

Na etapa de hoje, 6 corredores aventuraram-se logo a bandeira foi içada pelos comissários de prova. Lieuwe Westra (Astana), Pim Ligthart (Lotto) Laurent Didier (Trek), Sylvester Szmyd (Movistar), Albert Timmer (Giant) and Florian Guillou (Bretagne) tentaram a sua sorte. Westra, Ligthart e Guillou já tinham tentado a sua sorte em momentos algo parecidos com este nas etapas anteriores. A colocaçao de Sylvester Szmyd na fuga revelou que a Movistar tinha planos para Rojas.

Estes foram imediatamente perseguidos por um grupo composto por Matthias Frank (o gregário da IAM em defesa da camisola da montanha de Chavanel; como Lighthart já tinha ganho alguns pontos no dia anterior, estava na fuga para recolher mais alguns para a dita classificação), Brice Feillu (Bretagne; aproveitando a posição do colega na frente, teria alguém para o ajudar caso a fuga tivesse sucesso), Marco Marcato (Cannondale) Cyril Lemoine da Cofidis e Amael Moinard da BMC. Apesar dos esforços de Frank, Ligthart conseguiu recolher 32 pontos na passagem por Vence (3ª categoria) Col D´Ecre (2ª categoria) e Col de Cipriéres (2 passagens nesta contagem de 3ª categoria) e retirar a camisola às bolinhas a Sylvain Chavanel.

Na primeira passagem pela linha de meta (152 km), o holandês Liewe Westra atacou e deixou os companheiros de fuga para trás. Os seus companheiros seriam rapidamente apanhados pelo pelotão antes da linha de meta (sprint bonificado) tendo o português Rui Costa sido o 2º a passar nesse mesmo sprint (recolheu mais 2 segundos para Betancur) num sprint com Rojas. Betancur e a AG2R vigiaram esta iniciativa na cabeça do pelotão.

Junção feita a Westra, foi a vez do agitador mor Sylvain Chavanel iniciar mais uma fuga em conjunto com outros corredores. Sem efeito. Chavanel, Felline, Alex Howe (Garmin), Francesco Gavazzi (Astana) Jan  Bakelants (Omega), John Gadret (Movistar), Yuri Trofimov (Katusha), Angel Mate (Cofidis) rodaram vários quilómetros na frente do pelotão, chegaram a ter uma vantagem de 20 segundos mas acabariam por ser apanhados. A AG2R e a Sky sabiam perfeitamente que deixar andar na frente um grupo composto por Chavanel, Gavazzi, Gadret, Bakelants, Trofimov e Mate poderia por em perigo a discussão da etapa e até a liderança da prova.

Nos últimos 5 km dá-se o acontecimento do dia: a queda que envolveu Geraint Thomas, Frank Schleck e Arnold Jeanesson da Française des Jeux. O inglês, 2º da geral estava definitivamente arredado da luta pela geral. Caído junto ao rail onde tinha embatido, foi rapidamente assistido pelo médico da organização e pelos médicos da equipa. Apesar de ainda se ter feito à estrada (chegou com 7 minutos de atraso para Slagter), suspeita-se que o corredor da Sky tenha partido a clavícula e tenha avisado a organização do seu abandono durante a noite de sábado.

A Lampre chegava-se à frente do pelotão com 2\3 homens. Também Rui Costa ambicionava quebrar o enguiço na etapa de hoje e ganhar mais alguns segundos a Betancur. Nos últimos quilómetros Jakob Fuglsang esboçou um ataque mas a Lampre não deixou o dinamarquês ir. A corrida chegou aos últimos metros com Tom Jelte Slagter a bater Rui Costa ao sprint. Em cima da linha, o português garantiu a 2ª posição e bonificou à frente de Rojas e Betancur. No final da etapa, pousado sobre a bicicleta, a cara do português mostrava algum desalento. A temporada leva 2 meses e o nosso grande corredor já leva 5 2ºs lugares em etapa.

A minha equipa esteve fenomenal e tentamos tudo para mexer na corrida. Obrigado aos meus colegas pelo trabalho.” – começou por dizer, Rui Costa, dorsal 61 da corrida do sol. “Voltei a deixar todas as minhas forças na estrada e estive perto da vitória. Fui até à exaustão e de consciência tranquila por ter dado o meu máximo. Não deu para ganhar, mas voltar a fazer 2.º é bom sinal e sabe muito bem ter pernas para estar na luta. É bom conseguir manter-me ali, entre os melhores.”

betancur 3

Carlos Alberto Betancur viu a sua vantagem reduzida para o português. Os dois ciclistas estão separados por 14 segundos à entrada para a última etapa. Não bastará a Rui Costa vencer a etapa e o colombiano não bonificar. Numa prova onde as diferenças ganhas pelos ciclistas são tão curtas, o português necessitará de um milagre para vencer a geral da prova. Já ficava feliz se vencesse a etapa. Pelo menos, assim, seria capaz de quebrar a malapata neste início de temporada.

Zdenek Stybar aproveitou a queda de Thomas para ascender ao pódio da prova a 26 segundos da liderança.

Ligthart

Pim Ligthart ascendeu à liderança da camisola da montanha. Amanhã terá um dia difícil na última etapa da prova. A etapa de 128 corrida em Nice, apresenta 3 contagens de 2ª categoria e 2 de primeira.

Nice

Decisiva. Não haverá lugar para consagrações. Rui Costa terá aqui a sua derradeira oportunidade para sair em glória da prova francesa. Uma etapa à medida das suas capacidades. As atenções da AG2R estão viradas para si, para Fuglsang e para Stybar. A equipa francesa sabe que o português é o único que, devidamente embalado num ataque, tem capacidade para fazer perigar a liderança de Betancur. Os dois sprints intermédios a meio da etapa podem ajudar à festa.

Tirreno-Adriático

tirreno-adriatico

3ª etapa – sexta-feira

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Na chegada (em subida) à cidade toscana de Arezzo, Peter Sagan vingou-se da derrota obtida no passado fim-de-semana na Strade Bianchi (também ela corrida na bonita região da Toscânia) para Michal Kwiatkowski. O vencedor da Volta ao Algarve voltou a confirmar que está em excelente forma.

Na subida final para Arezzo quem foi o primeiro a atacar foi Phillippe Gilbert da BMC. A inclinação final fazia lembrar as rampas de Valkenburg, rampas que fazem o gosto do antigo campeão do mundo. Gilbert não teve pernas para chegar à recta da meta, sendo ultrapassado por um temerário Sagan que acelerou e deixou o polaco para trás. Simon Clarke da Orica foi 3º e Gilbert 4º.

Michal Kwiatkowski (Omega-Pharma-Quickstep) ocupou a liderança da prova com mais 10 segundos de vantagem para o seu colega de equipa Rigoberto Uran. Simon Clarke ascendeu à 3ª posição a 13 segundos do líder. Sagan posicionou-se na 6ª posição a 22 do polaco.

O eslovaco da Cannondale mostrou-se extremamente feliz com a 2ª vitória da época: “Today I am very glad for the win. Thank you to all my team-mates because they put me on the front. It was a very dangerous finish. When I saw parcours for Tirreno-Adriatico, this stage was very special and I wanted to be on the front today, and I take another victory. I am very happy.”

4ª etapa – hoje, sábado.

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Depois de ter vencido no Alto do Malhão na Volta ao Algarve, Alberto Contador voltou a vencer, desta feita na 4ª etapa da Tirreno-Adriático, confirmando que revela muita ambição e uma boa preparação física para o ano 2014.

Na etapa que terminou em Cittareale, o trepador Stefano Pirazzi da Bardiani-CSF foi o primeiro a atacar na subida final a 9 km da meta. Roman Kreuziger (Tinkoff) e Benat Inxausti da Movistar responderam ao ataque do italiano. Chegaram a ter 30 segundos de vantagem para o grupo reduzido de corredores que se formou na sua perseguição. Kreuziger quis mais e aventurou-se pela subida acima. No grupo principal, Michelle Scarponi resolveu atacar e levou consigo o croata Robert Kiserlovski da Trek. O ataque do italiano da Astana, corredor muito perigoso neste tipo de etapas, conhecedor do terreno que pisava, motivou a resposta em cadeia de Alberto Contador e Nairo Quintana, facto que levou Kreuziger a esperar pelo seu líder lá na frente. Entretanto Daniel Moreno conseguiu acompanhar estes dois.

Richie Porte conseguiu fazer recolar o seu grupo a este grupo e tudo redundou num fantástico sprint em Cittareal com vitória (e estabelecimento de diferenças) para Contador. Nairo Quintana foi 2º a 1 segundo e Daniel Moreno 3º a 5.

Na geral da prova, Kwiatkowski lidera com 16 segundos de vantagem para Contador e 23 para Nairo Quintana. Eis o top-10 da prova:

1 Michal Kwiatkowski (Pol) Omega Pharma – Quick-Step, 16:06:42
2 Alberto Contador (Esp) Tinkoff-Saxo, +16s
3 Nairo Quintana (Col) Movistar, +23
4 Richie Porte (Aus) Team Sky, +34
5 Rigoberto Uran (Col) Omega Pharma – Quick-Step, +38
6 Roman Kreuziger (Cze) Tinkoff-Saxo, +39
7 Robert Kiserlovski (Cro) Trek Factory Racing, +49
8 Moreno Moser (Ita) Cannondale, +1:01
9 Mikel Nieve (Esp) Team Sky, +1:02
10 Julian Arredondo (Col) Trek Factory Racing, +1:03

Ciclismo 2014 #8

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Rescaldo da Volta ao Dubai

Marcel Kittel

As últimas etapas da prova ditaram duas vitórias de Marcel Kittel ao Sprint. O foguete da Argus conseguiu as primeiras vitórias da época 2014. Na última etapa, Kittel bateu Peter Sagan Cannondale no sprint final.

Classificação Geral

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O Norte-Americano Taylor Phinney celebrou nesta primeira edição do Dubai Tour a sua primeira vitória na classificação geral de uma prova por etapas. Fruto da vantagem obtida no prólogo que iniciou a prova, o ciclista da BMC conseguiu segurar a vitória até ao final. Como os 3 primeiros classificados das etapas bonificavam, para não perder a vantagem amealhada para Marcel Kittel ou Peter Sagan, Phinney disputou os sprints e até conseguiu uma 3ª posição num deles.

O português Rui Costa foi 15º da geral na prova.

Vuelta Mallorca

modolo

Começou ontem em Palma de Maiorca a Volta Ciclística a Maiorca, prova onde participam entre outros, Damiano Cunego (Lampre) Dario Cataldo (Sky) ou Luis León Sanchez (Caja Rural).

Na primeira etapa da prova, disputada no circuito urbano de 116 quilómetros (1o voltas a um circuito de 11,6 km), a Lampre conseguiu alcançar a sua primeira vitória da temporada através do seu sprinter Sasha Modolo. O ciclista da equipa italiana bateu no sprint final Jens Debusschere da Lotto-Belisol e Dylan Groenewegen da De Rijke (equipa Holandesa da divisão Pro Continental).

No que diz respeito aos portugueses presentes na prova, André Cardoso (Garmin) chegou dentro do pelotão na 48ª posição.

Qatar Tour

1ª etapa

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Na etapa que ligou Al Wakra a Durkhan Beach na distância de 136 km, o vento forte que se fez sentir causou muitas dificuldades aos ciclistas. Etapa marcada por muitas fugas. O holandês Liewe Westra (Astana) foi o primeiro a tentar a sua sorte ao km 9. Seria apanhado 11 km depois. Pouco depois, um grupo de luxo constituído por Tom Boonen (Omega-Pharma-Quickstep) Fabien Cancellara (Trek) André Greipel (Lotto-Belisol) e Philip Gilbert (BMC) tentaram a sua sorte. Foram apanhados ao km 59, numa fase em que o pelotão se partiu em vários grupos. O pelotão só viria a juntar-se novamente ao km 95. No último sprint intermédio, coube ao Holandês Niki Terpstra (na imagem; Omega-Pharma-Quickstep) tentar a sua fuga com o belga Jurgen Roelants (Lotto) e Michael Schar (BMC).

Na linha de meta, o antigo campeão holandês foi mais forte que os seus companheiros de fuga, vencendo a etapa e assumindo a camisola dourada que representa a liderança da prova.

2ª etapa

omega

Disputada há poucas horas atrás. A etapa que ligou Camel Race Track a Al Khor Corniche (160.5) foi ganha pelo mítico Tom Boonen depois de uma estratégia de corrida muito peculiar praticada pela sua equipa, a Omega-Pharma.

Com um vento muito forte contra os ciclistas, a equipa Belga tratou de assumir a liderança do pelotão para tentar praticar uma corrida por exclusão. Deixando Philip Gilbert escapar nos primeiros quilómetros da etapa (foi apanhado aos 33km) e o letão Gatis Smukulis aos 89 km (seria apanhado ao quilómetro 105), apanhado o letão, sobravam apenas 23 ciclistas no grupo principal: 8 da Omega e alguns resistentes como Bernhard Eisel e Ian Stannard (Sky), Lars Boom (Belkin), Andrea Guarnieri (Astana) ou Daniele Bennati (Saxo Bank).

Os homens da Belkin auxiliaram a “falsa fuga” dos homens da Omega até aos 5 km finais, ponto onde Lars Boom tentou a sua sorte. Apanhado mesmo em cima da meta pelos homens da Omega, possibilitou que Tom Boonen completasse o serviço encomendado pela equipa belga ao longo da tirada com uma vitória em cima da linha de chegada sobre o dinamarquês Michael Morkov da Team Saxo e Jurgen Roelants da Lotto-Belisol. 21ª vitória em etapas para Tom Boonen na prova qatari, prova de que de resto já venceu por 4 vezes na sua carreira.

Classificação geral:

1º Niki Terpstra (Holanda\Omega-Pharma-Quickstep)
2º Jurgen Roelants (Bélgica\Lotto-Belisol) a 5s
3º Tom Boonen (Bélgica\Omega-Pharma-Quickstep) a 14s
4º Michael Morkov (Dinamarca\Saxo-Bank) a 20s

Niki Terpstra lidera por pontos e a Omega lidera na geral por equipas.

4. Bradley Wiggins fala sobre a época 2014. No vídeo que pode ver carregando neste link, o antigo vencedor do Tour, afirma que o conflito interno que manteve na temporada 2013 com Christopher Froome está sanado e que em 2014 existe um bom ambiente dentro da equipa Britânica.

5. Apresentação das equipas

Garmin-Sharp

Garmin

Localização: Colorado – Estados Unidos da América

Site: http://www.slipstreamsports.com

Director Desportivo: Jonathan Vaughters

Chefes-de-fila: Ryder Hesjdal, Daniel Martin, Andrew Talansky

Gregários de luxo\corredores de estatuto protegido: André Cardoso, Tom Danielson, Ramunas Navardauskas,

Contra-Relógio: Jack Bauer, David Millar, Lasse Norman Hansen,

Sprinters: Tyler Farrar, Koldo Fernandez,

Clássicas: Nick Nuyens, Johan Van Summeren, Fabien Wegmann

Gregários: Javier Acevedo, Nate Brown, Rohan Dennis, Caleb Fairly, Phil Gaimon, Nathan Haas, Alex Howes, Ben King, Raymond Kreder, Sebastien Langveld, Lachlan Morton, Tom Jelte Slagter, Dylan Van Baarle, Steele Von Hoff, Thomas Dekker,

Principais vitórias\conquistas em 2013:

  • Geral da Volta à Catalunha e 1 etapa (Daniel Martin)
  • Geral da Volta a Utah (Tom Danielson)
  • 1 etapa na Volta a Utah (Lachlan Morton)
  • Geral do Tour de Alberta e 1 etapa (Rohan Dennis)
  • Vitória na Liège-Bastogne-Liège (Daniel Martin)
  • 1 vitória em etapa no Paris-Nice (Andrew Talansky)
  • Vitória na geral da Juventude no Paris-Nice (Andrew Talansky)
  • 1 vitória em etapa no Tour de L´Metropole (Tyler Farrar)
  • 1 vitória em etapa no Tour da Romandia (Navardauskas)
  • 1 vitória em etapa nos 4 dias de Dunkerque (Michel Kreder)
  • 1 vitória em etapa no Giro de Itália (Navardauskas)
  • 1 vitória em etapa no Tour da California (Tyler Farrar)
  • 1 vitória em etapa na Bayern-Rundhfart (Alex Rasmussen; entretanto transferido)
  • 1 vitória em etapa no Tour de France (Daniel Martin)
  • Vitória na Geral da Juventude no Criterium Du Dauphiné (Rohan Dennis)

daniel martin

Na minha opinião, a Garmin fez uma temporada 2013 decepcionante. Se por um lado, a equipa até conseguiu atingir vitórias surpreendentes como a de Daniel Martin (na imagem) na clássica Liège-Bastogne-Liège ou conquistas interessantes (perspectivando o futuro) como o top 10 de Andrew Talansky no Tour ou a sua espantosa prestação no Paris-Nice, por outro lado, integrando no seu seio soluções de qualidade para todo o tipo de provas, para todo o tipo de terrenos e para todo o tipo de objectivos, nem as vitórias de Ramunas Navardauskas no Giro e de Daniel Martin na 9ª etapa do Tour limparam uma época em que os objectivos cruciais da equipa não foram atingidos.

Começando pelo Giro, a defender a vitória obtida na geral em 2012, Ryder Hesjdal passou por completo ao lado da prova. No Tour, provou-se que Daniel Martin, apesar da etapa ganha, não é ciclista para lutar pelo top-10 da prova. Por outro lado, com o 10º lugar na prova e com as exibições demonstradas tanto na alta-montanha como no contra-relógio, Andrew Talansky posicionou-se de forma decisiva como a aposta de futuro da equipa para a geral na prova. Na Vuelta, a equipa da Garmin não apareceu durante toda a prova. No capitulo da luta dos sprints, depois de um ano 2012 para esquecer, Tyler Farrar teve outro ano para esquecer com 2 vitórias em provas menores, facto que poderá transportar condicionalismos para a época que o canadiano vai realizar em 2014: auferindo cerca de 1,2 milhões de euros por ano, ou Tyler Farrar re-entra na luta com os melhores ou bem que pode começar a procurar uma nova equipa para a época 2015, sabendo de antemão que já não tem créditos firmes dentro do pelotão internacional e, que muita gente não dispõe de um milhão de fichas para gastar com um ciclista que já não vence de forma regular desde 2011.

A fórmula para 2014 deverá manter-se: Hesjdal vai tentar limpar a imagem deixada no Giro, Talansky deverá consolidar a sua posição no Tour e Daniel Martin deverá dedicar-se em definitivo à Vuelta, às clássicas (especialidade onde tomou o gosto) e às provas por etapas de uma semana.

andre cardoso

No intuito de reforçar a equipa, chega em 2014 à equipa norte-americana André Cardoso, ciclista português de 29 anos, natural do Porto, vindo da Caja Rural, equipa que liderou na Vuelta. O Português fez um fantástico ano de 2013, coroado com um 16º lugar na geral da prova. Numa das etapas de montanha da prova, tentou encetar uma fuga com vários ciclistas, estando muito próximo de vencer a tirada. O português deverá ser o plano B da equipa à prova espanhola. Se conseguir andar no mesmo registo de 2013, poderá até sonhar com um top-10 na prova.

Os ascendentes – Aos 26 anos, o lituano Ramunas Navardauskas é um ciclista de quem se espera um brilhante futuro. No seu currículo, o lituano já leva anotações de qualidade: 2 vitórias nos campeonatos nacionais lituanos na especialidade de contra-relógio, 1 vitória na prova de estrada, uma vitória na Liège-Bastogne-Liège na prova de sub-23, uma vitória no contra-relógio no Tour, uma vitória em etapa num contra-relógio do Giro e um 8º lugar na prova de estrada dos campeonatos do mundo em 2012 (Valkenburg).

Sendo por excelência um contra-relogista, Navardaukas tem evoluído imenso na forma como corre as clássicas, constituíndo-se portanto como um ciclista a ter em conta para as clássicas da primavera deste e dos próximos anos. Ao mesmo tempo, é uma das esperanças da Lituânia para os campeonatos do mundo tanto na prova de contra-relógio como na prova de estrada.

Rohan Dennis é um poço de talento. Aos 23 anos, este australiano de 23 anos, vai trilhando o seu percurso dentro da Garmin. Inscrito pela primeira vez como profissional para a temporada de 2014, este all-rounder é o sucessor natural de Cadel Evans. Fortíssimo no contra-relógio (especialidade onde já limpou por várias vezes o título australiano de sub-23) e muito interessante na alta-montanha (prova disso foi o 8º lugar da geral obtido no Criterium Du Dauphiné, prova de preparação para o Tour), Dennis tem todas as condições para se tornar um sério líder dentro de 3\4 anos. Não será admirável se Jonathan Vaughters o inserir no Giro ou na Vuelta com estatuto de corredor protegido já no ano de 2014.

Lasse Norman Hansen – Este dinamarquês será garantidamente um dos contra-relogistas do futuro.

Os veteranos –

tyler farrar

Ano de tudo ou nada para Tyler Farrar.

David Millar – Conhecido pela especialidade de contra-relógio, tentará pontuar pelo menos uma vez em 2014 com o seu enorme potencial no breakaway.

Tom Danielson – Apesar da sua veterania, é um nome a ter em conta para as provas de uma semana que a equipa irá realizar na América e na Europa.

Thomas Dekker – Apesar de ter um currículo feito nas provas por etapas de uma semana, este holandês de 29 anos está apto para mudar o disco para as clássicas de 1 dia.

Nick Nuyens, Johan Van Summeren e Fabien Wegmann – Os belgas chegam ao ano de 2014 com muitas histórias por conta no versículo das clássicas. Aos 33 anos, Nick Nuyens já conta no seu currículo com vitórias na Paris-Bruxelas (2004) no GP da Valónia (2005, 2006, 2009) na geral da Volta à Grã-Bretanha (2006) na Kuurne-Bruxelas-Kuurne (2006) entre outras prestações interessantes na Amstel Gold Race e nos campeonatos do mundo onde já foi 9º. Van Summeren já venceu em 2011 o mítico Paris-Roubaix, prova que tentará conquistar novamente em 2014. Se ganhar o Paris-Roubaix por uma vez não é uma tarefa fácil para qualquer ciclista do pelotão, ganhar pela segunda no Inferno do Norte significa para muitos o maior exito de uma carreira. Falamos de uma prova de estrada e pavé (estrada de paralelo e barro) disputada entre a capital francesa e a cidade de Roubaix (na fronteira com a Bélgica) na qual muitos ciclistas do pelotão internacional não ousam sequer participar dada a quantidade de quedas que se verificam durante a mesma.

Fabien Wegmann – Apesar de não ser considerado no seio da equipa norte-americana como um corredor com estatuto protegido, ou seja, com liberdade para fazer a sua corrida em detrimento da habitual ajuda em torno do líder da equipa nas provas, o alemão é sem dúvida o ciclista com maior currículo dentro da equipa no que toca a clássicas e provas de uma semana. É expectável portanto que Wegmann lidere a Garmin em provas como a Amstel Gold Race, GP Miguel Indurain, Fleche Wallone, Giro da Lombardia e Volta à Polónia. Nas restantes provas, irá actuar em função dos líderes designados por Jonathan Vaughters.

Para dobrar a pressão junto destes ciclistas, a empresa que fabrica aparelhos de orientação por satélite (Garmin) ainda não informou se irá renovar ou não o patrocínio que expira em 2014.