Ciclismo 2014 #32

volta ao país basco

Foi assim que Contador terminou na segunda-feira a Volta ao País Basco: de beret enfiado na cabeça (bem bonito por sinal) e duas beijocas de duas moçoilas contratadas pela organização da prova.

2ª etapa – ontem

tony martin

O bicampeão do mundo de contra-relógio Tony Martin brilhou na etapa que foi corrida na região de Ordizia em pleno coração do país basco. A etapa convidava a alguns ataques na parte final, apesar de conter 4 contagens de montanha no percurso de 155 km (1 de 1ª categoria; todas elas na primeira metade da etapa) e da última dificuldade do dia (posicionada a cerca de 7 km da meta) não ser uma subida categorizada para o prémio da montanha.

Um fuga de 7 ciclistas, entre eles o bicampeão do mundo, Jon Izaguirre (colocado pela Movistar porventura para estar na frente caso Valverde decidisse atacar Contador; facto que viria a acontecer nessa subida não categorizada com resposta imediata de Alberto Contador; excelente trabalho da Movistar no endurecimento da corrida nos quilómetros que antecederam o ataque de Valverde) e Jan Bakelants (Omega). Apesar de excelentes roladores, tanto Bakelants como Martin são homens que ultrapassam sem grande dificuldade a média montanha, tendo em Ordizia uma grande oportunidade para fazer vingar a fuga. No pelotão, sapiente da boa forma física de Alberto Contador (qualquer ataque dos adversários directos seriam respondido pelo próprio ou pelo próprio mais a ajuda de Kreuziger) a Tinkoff limitou-se a controlar a diferença para depois passar a bola a quem estivesse mais interessado em vencer a etapa. A Orica GreenEdge chegou-se à frente para trabalhar para os seus homens rápidos Michael Matthews e Simon Gerrans. No caso do segundo, um dos chefes-de-fila da equipa, qualquer ataque do australiano teria que se executado entre 10 a 5 km da meta, como o próprio gosta de executar.

Martin e os 6 corredores chegaram a ter 2:40 de vantagem. Com o andamento da corrida, a vantagem foi reduzida. Até à subida final e ao ataque de Valverde, respondido directamente por todos os candidatos à vitória na geral. Com Rui Costa inserido no grupo principal, o português viria até a dar o arzinho da sua graça ao esboçar um ataque que viria a ser concretizado na altura por Phillippe Gilbert da BMC numa altura em que Martin já se encontrava sozinho na frente com 45 segundos de vantagem. Com uma ponta final na qual conseguiu resistir, o alemão habituado a ganhar na luta contra o cronómetro (uma autêntica máquina nesta especialidade) colocou um ponto final na coisa ao chegar isolado com meio minuto de vantagem sobre o pelotão, encabeçado por Ben Swift da Sky.

Na geral nada se alterou em relação à 1ª tirada da prova.

Boa etapa de Rui Costa. O português afirmou que depois de ter perdido 4 minutos e meio na 1ª etapa estaria interessado defender Damiano Cunego e atacar numa etapa se houvesse possibilidade para tal. Nesta etapa, Rui apareceu ao lado do italiano, protegendo-o do vento e colocando-o em condições de não perder tempo para os seus mais directos rivais.

3ª etapa hoje

michael matthews

Na etapa corrida hoje na região de Vitoria Gasteiz, cidade do mítico Alavés, um dos “Michaels” que compõe a nova geração do ciclismo australiano (Michael Matthews, Michael Hepburn, Rohan Dennis) voltou a triunfar ao sprint em Espanha, 1 ano depois de ter chocado meio mundo ao ter vencido 2 etapas da Vuelta ao sprint com apenas 23 anos.

A Orica continuou a lutar desesperadamente por uma discussão ao sprint. A equipa australiana trabalhou bem para anular as fugas do dia (a que durou mais foi a do vencedor da geral da Volta à França do Futuro Koldo Fernandez da Caja Rural) e o jovem sprinter da equipa foi mais rápido que Kevin Reza da Europcar (a Europcar apresenta-se no País Basco com os dois ciclistas negros integrantes da equipa; Reza e Berhane; ambos tem muita qualidade) e Michal Kwiatkowski da Omega.

Alberto Contador continua a liderar a prova com 14 segundos de vantagem sobre Alejandro Valverde e 34 sobre o ciclista polaco da Omega-Pharma Quickstep.

Para amanhã:

Os bascos não brincam em serviço. As etapas são curtinhas mas durinhas. A que irá ligar amanhã Vitoria Gasteiz a Eibar tem apenas 151 km mas, pelo meio os ciclistas terão que ultrapassar 5 contagens de montanha (2 de 1ª categoria; a última a terminar) e 3 de 2ª categoria. Um autêntico sobe e desce que é tão apetecível para ciclistas neste momento despreocupados na geral como Rui Costa, Rinaudo Nocentini, Warren Barguil (Giant-Shimano) Samuel Sanchez (BMC), Mikel Nieve, Jelle Vanendert ou Robert Gesink (Belkin). Acredito que um destes estará na fuga do dia ou lancará o seu ataque na penúltima contagem do dia.

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Ciclismo 2014 #31

fabien cancellara

Ronde Van Vlaanderen – Volta à Flandres, Bélgica – Ontem

O magnífico Fabian Cancellara escreveu ontem mais uma página de história na sua carreira ao ser pela 3ª vez vencedor da prova belga, 5º vitória suiça na prova. Cancellara junta-se assim a um lote de vencedores por 3 vezes no qual estão ciclistas como Johan Museeuw ou Tom Boonen. Boonen esteve presente na prova e ainda tentou dar um arzinho da sua graça.

259 km a separar Osteende e Blankenberg. Pelo meio, dezenas de corridas, segmentos em pavé e uma loucura de corrida, cheia de nervosismo e de aparatosas quedas.

Foi precisamente uma queda que pautou as primeiras das 6 horas de corrida disputadas na clássica Belga, clássica que serve de antecâmara para a clássica dos heróis, para o Inferno do Norte, o Paris-Roubaix, clássica que se irá disputar no próximo domingo. Para todos os leigos em ciclismo passo a explicar: a Paris-Roubaix é uma clássica disputada entre a capital francesa e o mítico velódromo da pequena cidade da região de Pas de Calais (o mais antigo velódromo ciclístico francês) na qual os ciclistas tem que superar cerca de 2 dezenas de segmentos de estrada em pavê (barro e paralelo). A prova contém um nível de espectacularidade enorme pela sua extrema dureza, pelas dezenas de quedas que acontecem e pela diabólica situação de corrida decorrente, com ataques e mudanças de posições constantes ao longo da prova. É uma daquelas clássicas que merece ser vista do princípio ao fim. Para não me alongar mais, voltando à Volta à Flandres…

Foi este o momento mais negativo da corrida. Protagonizado precisamente por um dos vencedores da Paris-Roubaix, o belga Johan VanSummeren da Garmin, um dos candidatos à vitória na prova de ontem. Numa altura em que o pelotão rolava a alta velocidade (km 60), o belga embateu violentamente contra uma idosa que se encontrava sentada à beira da estrada. A senhora está hospitalizada em estado muito grave. O ciclista afirma que o corredor que está traumatizado com o sucedido. Não é para menos.

No momento em que Van Summeren bateu contra a espectadora, na frente, rolava a primeira fuga do dia. 11 ciclistas foram os primeiros a evadir-se à aventura na dura prova belga, quase todos de equipas belgas menos cotadas. O mais cotados na fuga eram o sul-africano Daryl Impey da Orica e o norte-americano Taylor Phinney da BMC. Nas primeiras horas de corrida, sucederam-se várias quedas.  Luke Durbridge (Orica), Yaroslav Popovich (Trek), o duas vezes vencedor da prova Stijn Devolder (Trek) ou Step Vanmarcke (homem que depois viria a atacar na fase decisiva da prova) protagonizaram as quedas mais feias da prova. O experiente ucraniano da Trek também foi literalmente cuspido da bicicleta contra um espectador na beira da estrada.

As quedas foram partido o pelotão em vários grupos. Aproveitando a confusão, Peter Sagan decidiu sair do pelotão, obrigando os Omega (Boonen, Stybar e Terpstra) a trabalhar para o apanhar. À espreita encontravam-se nesse grupo homens como Edvald Boasson Hagen (também tentou atacar a 40 km da meta), Alexander Kristoff (Katusha) Fabien Cancellara, Anulado Sagan, os Omega conseguiram controlar o grupo principal até às mexidas que aconteceram após a colina de Kruisberg, uma das pendentes mais inclinadas do percuso, quando, na sua descida, Greg Van Avermaet (BMC) e Stijn Vandenberg (um dos altões da Omega) atacaram. Resposta imediata de Step Vanmarck e Peter Sagan. Na resposta de Sagan, quem viu a transmissão televisiva da prova pode apreciar as informações que o director desportivo da Cannondale ia dando ao eslovaco, pedindo-lhe que se mantesse em posição intermédia até 18 km da meta, altura em que os corredores iam subir a última grande inclinação do dia, a lendária Oude-Kwaremont. Nessa inclinação, pedia o director da Cannondale para Sagan fazer um dos seus ataques demolidores. Os dois ciclistas rodaram muito bem na frente. Boonen e Terpstra abandonaram a frente da corrida. O primeiro teve inclusive dificuldades em acompanhar o ritmo do grupo principal, cuja perseguição estava entregue a Kristoff e a Cancellara.

Foi precisamente na Oude-Kwaremont que Cancellara viu o cenário perfeito para atacar e colar-se aos da frente. O suiço atacou, Sagan não conseguiu acompanhar, Vanmarcke conseguiu aguentar o ataque do suiço e os dois corredores acabariam por colar-se a Van Avermaet e Vanderbergh nos últimos quilómetros.

Habitual nestas corridas, a constituição do quarteto provocou as habituais danças tácticas com os ciclistas a esboçarem ataques e contra-ataques para poderem vencer a prova. Só a 300 metros do fim, em posição privilegiada para sprintar (na cauda do grupo), Cancellara lançou o sprint e venceu um estafado Greg Van Avermaet em cima da linha de meta. O Belga voltou a falhar o objectivo de vencer uma das 5 maravilhas das clássicas da primavera (Flandres, Roubaix, Liège, Amstel Gold Race, Milão-São Remo) apesar de ter merecido claramente a vitória. Valeu novamente a enorme ponta final de Cancellara. O suiço soube resguardar-se e ler muito bem a corrida, respondendo e atacando no timing correcto aos ciclistas correctos. No final, a excelente posição na cauda do grupo aliada à sua habitual frieza na finalização de etapas, garantiu ao suiço de 33 anos a 3ª vitória na prova e 7ª nas 5 maravilhas da primavera (em 25 participações; 14 pódios).

 

GP Miguel Indurain valverde 4

Neste fim de semana, correu-se em Espanha a edição deste ano do GP Miguel Induraín. Tendo como pano de fundo a Volta ao País Basco (começou hoje), Alejandro Valverde conseguiu a sua 6ª vitória da temporada (depois das vitórias em Murcia, Roma Máxima, geral da Andaluzia e 2 etapas na prova andaluz) depois de bater Tom Jelte Slagter da Garmin. O holandês da equipa Norte-Americana voltou a mostrar a sua apetência para as clássicas. Acredito que o holandês será um das maiores figuras deste tipo de provas a partir da próxima temporada.

Da prova espanhol ficou o excelente resultado obtido por André Cardoso. O português da Garmin foi 4º classificado a 1 minuto e 2 segundos do ciclista da Movistar.

Vuelta a La Rioja

Em Espanha também se correu a Volta a La Rioja. A 54ª edição da prova foi encurtada apenas a 1 etapa, à semelhança daquilo que aconteceu com a Volta a Murcia por exemplo. Marcaram presença na prova espanhola nomes como o sprinter Brett Lancaster (Orica), Igor Antón (Movistar), Michael Albasini (Orica) e as equipas portuguesas da Louletano-Dunas Douradas e Boavista Radio Popular.

Michael Matthews da equipa australiana venceu a prova, batendo ao sprint Francesco Lasca da Caja Rural e Carlos Barbero da Euskadi. O melhor português foi Federico Figueiredo da Radio Popular na 14ª posição.

Volta a Limburg

Moreno Hofland

Vitória para o sprinter da Belkin Moreno Hofland. O Holandês, vencedor de uma etapa no Paris-Nice, 2º na Kuurne-Brussels-Kuurne, bateu Simone Colbrelli da Bardiani e Mauro Finetto da Neri na linha de meta.

Volta ao País Basco – 1ª etapa

contador 3

Alberto Contador começou a ganhar no País Basco. Em Ordizia, pleno coração do País Basco, o espanhol da Tinkoff voltou a provar que está embalado para uma grande temporada. Contador atacou com Valverde na última passagem pela 2ª categoria categorizada entre os 10 e os 7,5 km para a meta, deixou o ciclista da Movistar para trás, aguentou a vantagem obtida na descida e venceu isolado na pequena localidade de 10 mil habitantes.

Péssimo dia para Rui Costa. O português desapareceu das imagens antes da última passagem pela subida de Gaintza, acumulando mais de 4 minutos para o líder. Se por um lado o resultado é péssimo (o Rui fica irremediavelmente afastado pela luta da geral), por outro lado, a péssima classificação justifica-se pelo uso da bicicleta suplente (apesar de ter a medida do ciclista, foi pouco utilizada pelo ciclista; a bicicleta principal do português desenvolvida pela Mérida não chegou a tempo da primeira etapa) e pelo cansaço acumulado no terrível dia de espera ontem vivido pelo português no aeroporto na viagem para o País Basco com atraso de 10 horas no voo. Este resultado irá permitir uma maior liberdade de ataque ao ciclista português nas próximas etapas visto que 4 minutos de atraso para a liderança deverão permitir uma maior probabilidade de ataque sem resposta directa dos favoritos à geral da prova. No entanto, também me parece assertivo afirmar que dentro do pelotão ninguém deixa sair de ânimo leve o campeão do mundo. Quem sabe se poderemos ter o ciclista da Póvoa do Varzim ao ataque já amanhã numa etapa que tem um perfil do seu agrado.

Corrida dominada do início ao fim pela Movistar e pela Tinkoff. Uma fuga com Matteo Montaguti (AG25) foi anulada a tempo do momento das decisões (a última passagem pela 2ª categoria de Gaintza, um autêntico muro com pendentes de 15% e 20% em alguns pontos, em particular nos primeiros 500 metros). Tanto a equipa espanhola como a equipa dinamarquesa colocaram muita gente na frente do pelotão de forma a fazer uma selecção dos candidatos logo nesta primeira etapa. Recordo que esta prova só tem chegada em alto na 4ª etapa na quinta-feira. Mikel Nieve (Sky), Damiano Cunego (Lampre), Cadel Evans (BMC), Michal Kwiatkowski (Omega-Pharma-Quickstep), Yuri Trofimov (Katusha; excelente etapa deste ciclista russo) e Jean-Christophe Perraud (afirmou ontem ter algumas ambições na prova; 1 semana depois de ter vencido a geral do Criterium da Córsega) aguentaram o máximo que puderam. Excelente trabalho da Movistar na aproximação à última dificuldade do dia com um grande trabalho de Benat Inxausti a endurecer a corrida. Até ao momento em que Valverde tentou o ataque logo no início da subida e Contador não só o acompanhou como o ultrapassou com um ataque demolidor.

O espanhol conseguiu 13 segundos de vantagem no Alto da Gaintza para Valverde e 30 para o grupo formado pelos nomes supra-citados, diferenças que se mantiveram aquando da chegada dos ciclistas à meta. Contador sobe defender a vantagem na descida e com a vitória nesta 1ª etapa, ascendeu à liderança da prova.

pais basco

André Cardoso chegou integrado no grupo de Frank Schleck (Trek), Samuel Sanchez (BMC), Robert Gesink (Belkin), Simon Spilak (Katusha) e Tejay Van Garderen (BMC) a 58 segundos de Contador. Os ciclistas da BMC Racing Team foram as maiores desilusões do dia. Pela forma apresentada por Van Garderen na Catalunha, esperava-se que o all-rounder Norte-Americano fosse capaz de acompanhar Contador. O basco, a correr em casa, também esteve um furo abaixo daquilo que costuma fazer na prova.

A etapa de amanhã tem um perfil duríssimo. Os ciclistas costumam catalogar este tipo de etapas de “rasga pernas” pela quantidade de descidas e subidas que o traçado apresenta. Apesar das 4 contagens de montanha estarem posicionadas longe da meta (a de 1ª é a última), após a última contagem de montanha, o percurso é um sobe e desce constante, existindo uma subida de 4 km não categorizada a 5 km da meta.

Ciclismo 2014 #28

volta catalunha

Volta à Catalunha

4ª etapa

tejay

A 4ª etapa da prova, disputada entre Alp e o alto de Vallter (a 2000 metros de altitude), considerada a etapa raínha da prova, apresentava uma enorme dureza aos presentes. 3 contagens de primeira categoria, 1 de 2ª e uma de categoria especial com chegada em alto fazia da etapa decisiva no que à classificação geral diz respeito.

No alto de Vallter, Tejay Van Garderen confirmou a boa prestação do dia anterior (4º lugar na etapa) batendo Romain Bardet da AG25 em cima da linha de meta no dia em que o líder da AG2R Carlos Betancur abandonou a corrida. Bardet afirmou no final da prova que está na catalunha a fazer a melhor corrida da sua carreira até ao momento.

O dia começou com abandonos de peso. Betancur, Chris Horner (Lampre-Mérida) Julian Arredondo (Trek) e o veterano Tom Danielson abandonaram a corrida. Se o colombiano tinha padecido de um dia muito mau no dia anterior (descolando muito cedo do grupo dos favoritos na subida final), o Norte-Americano não apareceu neste grupo sequer, fruto das imensas lesões que o tem abalado novamente neste início de temporada. Confirma-se portanto o pior cenário que foi afirmado quando o vencedor da Vuelta 2013 foi anunciado como reforço da Lampre: pedir a Horner que corra mais de 60 dias de provas por ano é neste momento excessivo para o Norte-Americano de 42 anos.

A primeira fuga do dia foi protagonizada com gente com muito talento: ao quilómetro 10, Ruben Plaza (Movistar), Thomas de Gendt (3º classificado do Giro 2012; Omega-Pharma-Quickstep), Stef Clement (Belkin) e Maxime Mederel (Cofidis) escaparam e passaram as duas primeiras montanhas do dia. Ao quilómetro 95 chegaram a ter 4 minutos de vantagem. A Katusha, equipa do líder Purito Rodriguez,  acompanhada a partir de certo ponto pela Tinkoff de Contador, deixou os fugitivos irem até certo ponto, assumindo as despesas de persegução precisamente a partir do momento em que estes se viram com 4 minutos de vantagem. Com Thomas de Gent no grupo, um ciclista que faz do seu contra-relógio o seu forte mas que já provou conseguir passar bem a média e a alta montanha, dar mais tempo de avanço a este grupo poderia perigar a liderança de Purito Rodriguez.

Ao quilómetro 138, 6 km depois da contagem de 1ª categoria no Alto de Rocabruna o colombiano José Serpa (Garmin) decidiu saltar do grupo principal para tentar a sua sorte com vista à vitória na etapa. Serpa rapidamente chegou perto dos fugitivos. Nesta fase da corrida, restavam De Gendt e Plaza na frente como de resto seria evidente desde o início da fuga. 3 quilómetros depois De Gendt saltou do pelotão e conseguiu alcançar uma vantagem de 30 segundos sobre os perseguidores.

Começava a subida para Vallter

No pelotão, Sky e Katusha tentavam anular a diferença para os fugitivos. David Lopez Garcia comandava o pelotão e iniciava o trabalho para Chris Froome. O espanhol está a revelar-se como o gregário de luxo do inglês para esta temporada, indiciando que dentro da Sky poderão existir algumas mudanças na orgânica da equipa visto que ao que tudo indica, Richie Porte será o chefe-de-fila da equipa no Giro de Itália.

Numa subida disputada com algum tacticismo (Moreno, Purito, Contador, Froome, Quintana marcaram-se e vigiaram-se durante toda a subida) o único ataque no grupo dos favoritos viria do francês Warren Barguil da Giant-Shimano. Sem sucesso. Van Garderen haveria de sair a poucos metros da meta para vencer a etapa e ganhar alguns segundos à concorrência.

catalunha 4

Na Geral, a classificação ficou assim:

catalunha 5

P.S: Devido às limitações do meu tempo pessoal, amanhã escrevo sobre a etapa de hoje e sobre a etapa de amanhã da Volta à Catalunha, bem como de uma clássica disputada hoje na Bélgica, a corrida de Harelbeck.

 

Ciclismo 2014 #25

Milão – São Remo

kristoff 2

O medalhado de bronze da última prova de estrada dos Jogos Olímpicos de Londres, Alexander Kristoff da Katusha tornou-se o vencedor da edição deste ano ao bater ao sprint nomes como Fabian Cancellara (Trek), Ben Swift (Sky) e Mark Cavendish (Omega-Pharma-Quickstep).

Ontem teve lugar a dura clássica que liga a capital do norte italiano a San Remo, uma das atracções turísticas da Ligúria. Esta clássica marcou o arranque das clássicas da primavera. Até ao mês de Maio, os ciclistas terão pela frente 12 clássicas disputadas em vários países, entre as quais a Amstel Gold Race, a Liège-Bastogne-Liège, a Kuurne-Brussels-Kurne ou o inferno do Paris-Roubaix. À partida em Milão, os grandes favoritos para vencer a clássica eram Fabian Cancellara, Peter Sagan (Cannondale), Mark Cavendish, Filippo Pozzatto e Sasha Modolo (Lampre) ou Vincenzo Nibali (Astana).

Numa corrida disputada quase na sua totalidade sob condições atmosféricas adversas (a chuva deu tréguas na parte final da prova) foi uma prova disputada com muitos ataques de várias equipas, entre os quais o de Vincenzo Nibali na aproximação à última inclinação do dia, a Cipressa. Nibali não só não levou avante o seu ataque (mais uma vez fez um ataque descabido muito longe da meta) como no início dessa colina perdeu contacto com o grupo de favoritos, grupo onde estavam Cancellara, Sagan, Cavendish e o vencedor da prova do ano passado, o alemão Gerald Ciolek.

podio milan san remo

Nenhum dos ataques conseguiu ser mortífero e a prova foi discutida ao sprint por um lote reduzido de corredores. O norueguês Kristoff foi mais forte que a concorrência, batendo Fabian Cancellara e Ben Swift ao sprint. Mark Cavendish ainda discutiu o sprint mas apenas logrou ser 5º na prova. Peter Sagan não conseguiu posicionar-se bem para o sprint final, tendo ficado apenas na 10ª posição.
Excelente vitória para Kristoff no ano em que o norueguês espera consolidar o seu estatuto dentro da elite dos sprinters do pelotão internacional. Já no passado mês de Fevereiro, em entrevista, o norueguês afirmava que tinha treinado imenso a sua postura corporal no sprint para poder ser mais competitivo nas chegadas em pelotão ou em grupo compacto.

Últimos quilómetros:

Volta à Catalunha

volta catalunha

martin

Entretanto começou hoje na região autónoma espanhola a Volta à Catalunha em bicicleta. Durante 7 etapas, vários ciclistas tentarão suceder ao irlandês Daniel Martin como o vencedor da geral da prova. Martin corre perto de casa visto que o ciclista irlandês mora na Catalunha, mais precisamente em Girona. Em declarações à organização da prova, o ciclista irlandês afirmou que estará na catalunha para honrar o dorsal número 1 e iniciar a sério a sua preparação para o Giro de Itália, uma das provas que constitui parte dos seus objectivos para esta temporada: lutar pela vitória na geral da prova ou pelo menos fazer um pódio. O facto de Martin estar destacado como chefe-de-fila para o Giro poderá indiciar que no Tour a equipa irá apostar em Talansky para a Geral e Hesjdal poderá ser a aposta para a Vuelta. Tal assumpção justifica-se com a inserção de Hesjdal na prova, ele que poucas corridas em espanha correu nos últimos anos.

Para além de Martin, presentes na Volta Catalã estão Purito Rodriguez da Katusha (a sua primeira aparição em competição na presente temporada), Alberto Contador (Saxo-Tinkoff), Samuel Sanchez da BMC (primeira corrida pelas cores da sua nova equipa), Luis Leon Sanchez (Caja Rural), Carlos Alberto Betancur (AG2R), Wilco Keldermann (Belkin), Tejay Van Garderen (BMC), Christopher Froome (Team Sky), Ivan Basso (Cannondale), Andrew Talansky (Garmin), Ryder Hesjdal (Garmin), Simon Clarke (Orica GreenEdge), Chris Horner (Lampre; a lesão contraída no Tirreno-Adriático não passou de um susto), Daniel Moreno (Katusha), David Rebellin (CCC Polsat) e Nairo Quintana (Movistar). Ou seja, estão cá praticamente todos os grandes ciclistas mundiais, prevendo-se bastante espectacularidade nas etapas de montanha que a prova irá oferecer durante esta semana. Alberto Contador e Chris Froome estarão aqui, pela primeira vez, em contenda numa prova em que a Garmin veio com os seus 2 chefes-de-fila e com o seu ciclista outsider (Talansky) para renovar o título conquistado pelo ciclista Irlandês.

1ª etapa

Luka Mezgec

Aproveitando o facto da prova ter poucos sprinters (o traçado não é convidativo à sua presença), o esloveno Luka Mezgec, 3º sprinter da equipa, actual lançador de Marcel Kittel conseguiu a sua primeira vitória da época na prova disputada no circuito montado pela organização em Callela com a distância de 169 km.

O esloveno bateu ao sprint Leigh Howard da Orica GreenEdge e Julian Alaphillipe da Omega-Pharma-Quickstep, tornando-se o primeiro camisola vermelha da competição.
Quanto aos portugueses em prova, Bruno Pires e Sérgio Paulinho chegaram dentro do pelotão, respectivamente nas 72ª e 152ª posições.

Na 2ª etapa, os ciclistas partirão de Mataró em direcção a Girona (total de 168 km) numa etapa cujo final também se prevê disputado ao sprint. Pelo meio, os ciclistas terão uma contagem de montanha de 3ª categoria e outra de 2ª que não causarão grandes diferenças ou dificuldades aos sprinters.

3. Alterações para o futuro da Vuelta

ASO

No final da semana passada, a ASO, empresa subsidiária da Amaury (proprietária do jornal L´Equipe e dos direitos de organização do Rally Dakar) anunciou a compra de 49% da espanhola Unipublic, a actual organizadora da Vuelta. A organização da prova espanhola passará a partir deste ano a ser partilhada pelas duas empresas.

Ciclismo 2014 #13

volta ao algarve

4ª etapa – Almodovar – Alto do Malhão 164,5 km

A 4ª e penúltima etapa da Volta ao Algarve trouxe à tona da competição a mais importante etapa do evento, a tão esperada subida ao Alto do Malhão, inclinação de média dificuldade na distância de 2,6 km. Antes de passar ao relato da etapa, permitam-me apenas uma crítica à organização da Volta a Portugal: no sentido de elevar a dificuldade da prova visto que esta ao nível de montanha se resume às subidas da Senhora da Graça e da Estrela, continuo a considerar incompreensível porque é a prova não vai ao Alto do Malhão. É certo afirmar que parte dos fundos que a organização da nossa prova raínha (João Lagos Sport) dispõe para a organizar provém dos apoios que as Câmaras Municipais de respectivas localidades dão à prova em troca de uma chegada ou partida de etapa. Contudo, neste caso, uma etapa a terminar no Alto do Malhão, poderia acrescentar mais competitividade à prova e o aumento de competitividade per se é capaz de trazer mais nomes para competir nesta. Enquadrada numa fase da temporada em que alguns ciclistas poderão utilizar o evento português para afinar baterias para a Vuelta, não seria mal pensado incluir esta subida no calendário da prova.

Na partida para a 4ª etapa, o polaco Michal Kwiatkowski partia com uma ligeira diferença para os seus mais directos rivais na classificação geral, o português Rui Costa e o espanhol Alberto Contador.

Contador

Na súbida do Alto do Malhão o primeiro ataque pertenceu ao ciclista português Ricardo Vilela da OFM-Quinta da Lixa. O português provou não ter pernas para levar o ataque até ao fim e rapidamente foi apanhado pelo grupo principal, comandado pela Omega-Pharma. Foi então a vez de Contador e Rui Costa. Ambos ameaçaram o ataque até que o espanhol o concretizou e chegou ao Alto do Malhão com 3 segundos de vantagem sobre Rui Costa e 10 sobre o líder. Rui Costa voltou a fazer pela 3ª vez o 2º lugar na etapa, o que revela algum azar do português na prova. Não quis vencer a primeira etapa e acabou não conquistar nenhuma! Tiago Machado (Net-App) foi 5º a 14 segundos, chegando à frente de Chris Horner também com o mesmo diferencial para o vencedor da etapa. Logo a seguir chegou Edgar Pinto a 16 segundos.Alberto Contador repetiu a vitória alcançada no Malhão na edição de 2010.

A Geral da prova ficou praticamente decidida. Michal Kwiatkowski segurou a camisola amarela apesar da diferença perdida para Contador. O espanhol irá ficar na 2ª posição da prova a 16 segundos do ciclista da Omega-Pharma-Quickstep. Rui Costa segurou o 3º lugar a 29 segundos. No top ten permaneceram Christopher Horner (Lampre-Mérida) a 1.32m do líder e o português Edgar Pinto, o melhor português das equipas portuguesas em prova (o melhor ciclista das equipas portuguesas foi o espanhol Eduard Prades da OFM na 7ª posição), alcançando o atleta oriundo da região de Aveiro o 10º lugar a 1.41m da liderança.

Rui Costa lidera a camisola verde dos Pontos, o português Valter Pereira do Banco BIC-Carmin-Tavira lidera a camisola da montanha e César Fonte da Rádio Popular-Boavista lídera a camisola das metas volantes. Na geral por equipas, a liderança é detida pela Lampre.

No final da etapa, Rui Costa mostrou-se satisfeito com o trabalho realizado: “Mostra que estou a ser o mais regular. Estou satisfeito com este resultado. Sabia que ia encontrar aqui adversários muito fortes, como o Kwiatkowski e o Alberto Contador. O Malhão é uma subida muito curta e muito explosiva. E gosto particularmente deste figurino. Ataquei para ver como estava o Kwiatkowski e apercebi-me que ia muito justo. No final, o Alberto acabou por estar melhor mas estou contente com o meu desempenho.” – o campeão do mundo também prometeu estar melhor no Paris-Nice, prova por etapas que se irá realizar no próximo mês.

Tour de Oman – 5ª etapa – ontem

Christopher Froome

Em Oman, na penúltima etapa, também ela decisiva no que às contas da geral da prova diz respeito, Christopher Froome venceu a etapa (primeira vitória do ano) e ascendeu à liderança da prova. Na subida final, o britânico saltou do pelotão sem pedir licença a ninguém e cavou uma diferença para os seus perseguidores, o norte-americano Tejay Van Garderen (BMC) de 22 segundos e 33 para o colombiano Rigoberto Uran (Omega-Pharma-Quickstep).

Com a vitória na etapa, Froome destronou Peter Sagan e prepara-se para vencer a geral da prova visto que tem 26 segundos de avanço sobre Van Garderen. A última etapa deverá ser discutida ao sprint.

Para logo à noite deixo as análises da última etapa no Algarve e em Oman, as 4 etapas da Volta à Andalucia, prova onde participou o português Fábio Silvestre (Trek-Leopard) e as duas etapas do Tour de Haut Var.

 

Ciclismo 2014 #3

horner

Até parece que as adivinho. Escrevi aqui as vantagens da contratação de Chris Horner por parte da Lampre.

Provas:

Tour Down Under

Pela terceira vez na sua carreira, Simon Gerrans venceu a geral do Tour Down Under na Austrália, marcando em casa os primeiros pontos na World Tour para a Orica GreenEdge, projecto australiano de ciclismo. A última etapa da prova, disputada num circuito de 85,5 km em Adelaide foi ganha pelo sprinter Alemão André Greipel.

Na Argentina, deve ter acabado há minutos o Tour de San Luis. O mais provável foi a vitória do colombiano Nairo Quintana (Movistar na geral)

Apresentação da época 2014:

Belkin Pro Cycling Team

Belkin

Localização: Amsterdam – Holanda

Site: http://www.teambelkin.com/

Director Desportivo: Frank Verhoeven. Conta no seu staff como o antigo ciclista Erik Dekker (antigo campeão holandês; vencedor de 4 etapas no Tour) ou o antigo contra-relogista Michael Eliizen.

Chefes-de-fila: Robert Gesink, Bauke Mollema,

Gregários de luxo\corredores protegidos: Lars Boom, Laurens Tem Dam,

Contra-relógio:

Sprinters: Theo Bos, Graeme Brown,

Clássicas:  Bram Tankink,

Gregários: Jack Bobridge, Jetse Bol, Stefe Clement, Rick Flens, Jonathan Hivert, Wilco Keldermann, Steven Kruijswijk, Thomas Leezer, Barry Markus, Paul Martens, Lars Nordhaug, David Tanner, Marten Tjallingi, Jos Van Emden, Dennis Van Winden, Step Vanmarcke, Maarten Wynants, Robert Wagner, Marc Goos, Moreno Hofland

Principais vitórias\conquistas em 2013:

  • Vitória na Geral no Tour Down Under e vitória numa etapa por Jan Slagter (entretanto transferido)
  • Vitória numa etapa do Tour do Mediterrâneo (Lars Boom)
  • 2 vitórias em etapa na Volta ao Algarve (Paul Martens e Lars Boom)
  • 1 vitória em etapa do Tour du Haut Var (Lars Boom)
  • 3 vitórias na Volta a Langkawi (Theo Bos 2 e Tom Leezer)
  • Clássica de Almeria (Mark Renshaw – entretanto transferido)
  • 1 vitória no Critério Internacional (Theo Bos)
  • 1 vitória em etapa na Volta à Noruega (Theo Bos)
  • 1 vitória em etapa na Volta à Bélgica (Luis Leon Sanchez – transferido)
  • 1 vitória em etapa na Volta à Suiça (Bauke Mollema)
  • Vitória na Geral na Volta ao Luxemburgo (Paul Martens)
  • 1 etapa no Tour De L´Ain (Luis León Sanchez)
  • 1 etapa na ENECO Tour (Mark Renshaw)
  • 1 etapa na World Ports Race (Tjalingii)
  • 1 etapa na Volta à Espanha (Bauke Mollema)
  • Vitória no Critério do Luxemburgo (Laurens Tem Dam)
  • 1 etapa no GP Québec (Robert Gesink)
  • Vitória na Clássica de Munsterland (Van Emden)
  • Vitória na Geral do Tour de Hainan (Moreno Hofland) e 9 vitórias em etapa (Hofland 3, Theo Bos 6)
  • 2º na Geral da Volta à Suiça (Bauke Mollema)
  • 6º no Tour de France (Bauke Mollema)

Em 2013, como podemos ver, esta equipa que ficou com os direitos e com a estrutura da extinta Rabobank, teve um ano em cheio. O sucesso foi tanto que a empresa patrocinadora gostou da experiência e renovou o patrocínio que terminava em 2014 até 2017. O que esperar desta Belkin em 2014 sem dois dos seus maiores agitadores (Luis León Sanchez e Mark Renshaw)?

bauke Mollema

Comecemos pela base de todas as equipas de topo do ciclismo mundial: as provas por etapas. Ou melhor, pelos chefes-de-fila. A caminho dos 28 anos, Bauke Mollema entra na fase decisiva da sua carreira. Que é como quem diz, nos anos em que finalmente terá oportunidade de provar se é homem capaz de lutar pela vitória no Tour ou pela presença regular nos pódios da prova nos próximos 5\6 anos. Mollema será o chefe-de-equipa da formação no Tour. Com Robert Gesink decididamente afastado para o Giro, Mollema terá a companhia de uma equipa formada por Laurens Ten Dam. Não poderia ser o contrário. Os dois combinam estrategicamente pelos mortíferos ataques que são capazes de produzir na alta-montanha. O contra-relógio continua a ser um dos departamentos onde Mollema não se sente à vontade. Apesar de não perder muito tempo no contra-relógio de média distância, perde bastante no contra-relógio de longa distância. Terá que melhorar a especialidade para poder discutir o pódio de qualquer uma das 3 grandes voltas.

Em ascenção está Laurens Ten Dam. Espectacular e mortífero em alta-montanha. Raramente quebra. É uma pedra no sapato para qualquer ciclista na alta-montanha. Perde imenso no contra-relógio mas, se andar bem na montanha é de caras top-10 de qualquer uma das grandes voltas.

gesink

Robert Gesink. A maior desilusão do ciclismo holandês. Há cerca de 6 anos atrás todos os especialistas da modalidade diziam que a Rabobank tinha ali o menino perfeito. Outros não tardaram a classificá-lo como um dos possíveis melhores trepadores de sempre. O 7º e 6º lugar obtido na Vuelta em 2008 e 2009 e o 5º lugar obtido no Tour de 2010 catapultaram Gesink para uma carreira que se previa, pelo menos, carregada de pódios nas grandes voltas. Aos 27 anos, depois de um modesto 26º lugar num Tour onde não deu nas vistas, à semelhança de Mollema, Gesink entra na fase dourada da sua carreira. Terá que se preparar melhor do que aquilo que se preparou no ano 2013. Não creio que vá correr o Tour, apostando mais na presença do trepador na Vuelta.

Lars Boom – Para ganhar aqui e ali. É o especialista da equipa nas provas curtas por etapas. Fará decerto as provas regionais em Espanha (Múrcia, Valência, Catalunha, País Basco) e as clássicas da primavera. Estará decerto no Tour para tentar vencer uma ou outra etapa por lá. Poderá ser o ano de afirmação na World Tour.

Saiu Mark Renshaw (mal ou bem conseguia fazer as suas vitórias e ainda lançava bem Theo Bos) continua o Holandês. Bos tem o pecúlio que tem no ciclista de pista. Apesar de ter conquistado imensas vitórias no ciclismo de estrada, há quem afirme que saiu tarde da pista para a estrada (apenas em 2009 aos 26 anos) –

Bos é indiscutivelmente um dos homens mais explosivos do pelotão. Faltam-lhe vitórias em grandes provas. Poderá ser alternativa para as clássicas da primavera, sendo expectável que seja inserido numa grande volta internacional. A lancá-lo terá o experiente Graeme Brown.

Outra das forças da Belkin reside nos seus gregários. Como bons ciclistas da escola Holandesa, são um perigo nas clássicas de colinas e pavé. Numa fuga, qualquer dos gregários supra mencionado poderá surpreender o pelotão com uma fuga bem sucedida. Os gregários da equipa também constituem um dos seus maiores défices visto que a equipa não tem ninguém para acompanhar os seus líderes na montanha. A Belkin não se reforçou no mercado. Continuará a deixar os seus chefes-de-fila votados ao abandono nos cumes do mundo do ciclismo. O que constitui um ponto a menos para as pretensões de Gesink e Bauke Mollema.

 

BMC

SONY DSC

Tecnologia de ponta made in switzerland nas estradas de todo o mundo. Podem não ter a melhor equipa da World Tour, mas tem as bicicletas mais lindas do ciclismo mundial.

Localização: Santa Rosa – California – Estados Unidos (a localização da BMC Cycling Team na América é devida ao sistema de apuramento pelo qual a equipa teve que passar há uns anos para poder ascender ao World Tour – fora da Europa é mais fácil vencer as zonas UCI Pro Continental do que na Europa onde a concorrência aperta)

Site: www.bmcracingteam.com

Director Desportivo: Alan Peiper – é co-adjuvado por antigos ciclistas do pelotão como Fabio Baldato ou Valerio Piva.

Chefes-de-fila: Cadel Evans, Philippe Gilbert, Tejay Van Garderen,

Gregários de luxo\corredores de estatuto protegido: Manuel Quinziato, Peter Velits, Danilo Wyss

Contra-relógio: Tailor Phinney,

Sprinters: Thor Hushovd, Greg Van Avermaet,

Clássicas: Alessandro Ballan, Marcus Burghardt

Gregários: Darwin Hurtado Atapuma, Brent Bookwalter, Stephen Cummings, Yannick Eijssen, Ben Hermans, Martin Kohler, Klaas Lodewick, Amael Moinard, Steve Morabito, Dominik Nerz, Daniel Oss, Michael Schar, Peter Stetina, Silvain Dillier,

Principais vitórias\conquistas em 2013:

  • 2 vitórias em etapas no Tour do Qatar (Brent Bookwalter\contra-relógio colectivo)
  • 1 vitória em etapa no Tour du Haut Var (Tour Hushovd)
  • vitória em etapa no Giro Del Trentino (Ivan Santaromita – transferido)
  • Vitória na geral da Volta à Califórnia (Tejay Van Garderen) com vitória do ciclista no contra-relógio na etapa 6.
  • Campeonato Nacional Italiano (Santaromita)
  • Campeonato Nacional Italiano de contra-relógio (Marco Pinotti)
  • Campeonato Nacional Norueguês (Thor Hushovd)
  • Campeonato Nacional Suiço (Michael Schar)
  • 3 vitórias na volta à Àustria (Thor Hushovd 1 e Matthias Frank 2 – entretanto transferido)
  • Vitória na geral e em 2 etapas no Tour Wallonie (Greg Van Avermaet)
  • 3 vitórias na Volta à Polónia (Thor Hushovd 2 e Taylor Phinney no contra-relógio)
  • 1 vitória na Volta a Utah (Van Avermaet)
  • Vitória na Geral e 2 vitórias em etapas na Artic Race Norway (Thor Hushovd)
  • Vitória na Geral (Tejay Van Garderen) e 2 vitórias em etapa (Frank\Van Garderen) na US Pro Cycling Challenge
  • 1 Vitória em etapa na Vuelta (Phillipe Gilbert)
  • 2 vitórias no Tour de Albert (Silvain Dillier e Cadel Evans)
  • 1 vitória em etapa na Tour de Pequim (Thor Hushovd)

Em 2013 a BMC provou ser novamente uma das mais vencedoras equipas do circuito, apesar de, comparando com as vitórias do ano 2012, a qualidade das mesmas desceu abruptamente pois a BMC não venceu tantas etapas e tantas classificações no top15 de provas da época.

Ano novo, vida nova. A primeira vitória para a equipa já foi obtida na Austrália com uma vitória em etapa no Tour Down Under por parte do Aussie Cycling Icon Cadel Evans, vencedor do Tour em 2011.

Cadel Evans

Gorada a contratação de Rui Costa (a BMC foi uma das equipas que revelou maior interesse na contratação do Português para 2014) para o bem ou para o mal, pelo estatuto que adquiriu na modalidade nos 15 anos como profissional, Cadel Evans é o líder desta equipa em conjunto com o belga Phillipe Gilbert, outro dos grandes corredores que tive o prazer de acompanhar na última década e do qual sou um grande fã. Contudo, parece-me que a liderança do australiano na equipa sediada na Califórnia não passa da folha de papel. Por outras palavras: o ano 2014 deverá ser o ano de passagem de testemunho na equipa dirigida por Alan Peiper do australiano para a jovem promessa do ciclismo norte-americano Tejay Van Garderen. Nunca se sabe do que Cadel Evans é capaz mas…

van garderen

Aos 25 anos este jovem talento nascido nos arredores de Washington prepara-se com afinco para tomar conta da liderança da equipa nas grandes Voltas. Engane-se quem pensa que Tejay é um novato nestas andanças. O 5º lugar arrancado com muito brio no Tour de 2012, prova onde foi líder da juventude e  andou sempre com os melhores na alta-montanha (quando dizemos os melhores dizemos Froome, Wiggins, Nibali, Mollema, Valverde) poderá não ter sido uma conquista única do ciclista apesar do 43º lugar obtido na prova no ano 2013. Van Garderen tem todos os ingredientes para ser um candidato ao pódio na prova francesa: aguenta-se muito bem na montanha, é inteligente a ler os ataques, consegue alcançar um ritmo próprio quando é atacado e tem uma especialidade de contra-relógio estupenda. Uma espécie de Cadel Evans enquanto jovem. Convém também dizer que raramente ataca. Vamos ver aquilo que este jovem é capaz durante a época 2014 na prova francesa.

gilbert

O teórico.

Durante os anos 201o e 2011 Philippe Gilbert só soube a palavra “vitória”. Em 2012 teve uma época para esquecer mas venceu na Vuelta numa etapa que terminou no Parc Guell. Quando ninguém dava nada por ele para os campeonatos do mundo (Valkenburg) arrancou meio pelotão internacional na subida final e sagrou-se pela primeira vez campeão do mundo. Em 2013 andou novamente desaparecido. Tentou muito nas colinas mas foi incapaz de finalizar provas. Ganhou na Vuelta mas teve um atitude muito discreta em Firenze numa prova que de certa maneira também era talhada para ele. Deverá querer recuperar o que tem perdido desde 2012, ano em que se mudou de armas e bagagens da Omega para a BMC. Aos 32 anos, deverá dedicar-se cada vez mais a provas de um dia, se bem que creio ser lógica a sua presença na Vuelta como preparação física para os campeonatos do mundo. Tem mais 3 anos de alto nível nas clássicas pela frente.

Argumentos de peso para uma BMC muito escassa no que toca à ajuda aos seus líderes nas provas por etapa. Evans e Van Garderen tem à sua disposição 2 ou 3 ciclistas gregários capazes de dar no duro quando é preciso: Wyss, Burghardt (se bem que este senhor vence umas coisas de vez em quando) Quinziato, Moinard e Atapuma. O colombiano pode-se tornar uma bela revelação no ano 2013. Van Garderen necessita claramente de outro tipo de escudeiros para enfrentar as duras subidas do Tour. A não ser que Evans seja o seu subalterno na próxima viagem em França.

O resto é:

Tom Hushovd

PODER DE FOGO.

Thor Hushovd, o catedrático. Aos 35 anos Hushovd prepara-se para mais uma voltinha no Carrossel. Só fará Clássicas e provas curtas por etapas. Quanto mais velho está, está cada vez melhor. Como o vinho do Porto. Estará de olho na vitória na Paris-Roubaix, l´enfer du nord.

Greg Van Avermaet – Prometeu ser um dos melhores sprinters na sua geração. Vence meia dúzia de etapas por época. Está longe de me convencer. Não confirmou os seus créditos visto que até aos 27 anos só venceu uma etapa nas grandes voltas (na Volta à Espanha em 2008). Dá-se bem com a superfície em paralelo e com as corridas de 1 dia nas colinas belgas e holandesas. Deverá ser aí que poderá lutar por algumas vitórias.

Tailor Phinney – Ano para voltar a surpreender no contra-relógio. Será um dos melhores especialistas mundiais dentro de 1 a 2 anos.

Pela negativa: Alessandro Ballan. Um dos meus ciclistas favoritos está suspenso desde dia 17 por dois anos por reincidência no uso de substâncias dopantes. É uma pena. Estraga uma carreira fantástica. Continua presente na equipa mas caso a suspensão não seja revista, deverá ir para o desemprego mais tarde ou mais cedo.