Curiosidades da Champions

José Mourinho continua a acumular recordes ao seu currículo e à lista dos recordes portugueses (lembro que Ronaldo já igualou o recorde de golos marcados numa época com 14 golos, a primeira marca pertence a Messi, na época 2011/2012) com a passagem às meias-finais da Champions, o que mantém o treinador português 100 por cento vitorioso no que diz respeito a trajectos nesta competição até aos quartos de final (passagem de eliminatórias), sendo esta a oitava vez que Mourinho carimba a passagem para as meias da competição.

Curiosidade é o facto de no jogo de ontem terem sido dois substitutos aos habituais titulares a decidirem o jogo (Schurrle e Demba Ba), o que motiva ainda outra curiosidade pois é a primeira vez esta época que dois suplentes marcam e decidem um jogo.

Digam o que disserem, eu próprio já tinha crucificado o Chelsea nesta eliminatória e nunca pensei que viesse a dar a volta, no entanto a vitalidade do golo marcado em Paris e o discurso correcto e motivacional de Mou ao longo da semana fez com que a história se escrevesse de outra forma.

Por outro lado, em Espanha o Real também quebra recordes e ontem viu-lhe ser atribuída a passagem à sua 30ª meia-final europeia, no entanto e por ter perdido o jogo por 2-0 com o Dortmund, ficou arredado da sua série de 34 jogos consecutivos a marcar.

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O que eu ando a ver #59

Não pude deixar de reparar, a meio desta semana, no bode expiatório apresentado pela imprensa espanhola afecta ao Real (Marca, Ás, Cadena Ser) para justificar a “ausência” de Cristiano Ronaldo nas derrotas com Barcelona e Real Madrid através de uma suposta lesão no joelho.

Poucos dias passaram. Contra o Rayo Vallecano, CR7 reaparece com 1 golo e 2 assistências. Esta é uma das grandes diferenças entre Ronaldo e Messi. Enquanto o primeiro andou desaparecido contra Barcelona e Sevilla (jogos com um elevado nível de dificuldade), reaparecendo com toda a pompa que o caracteriza contra o modesto Rayo Vallecano, o outro, lesionado ou não, nunca se esconde no jogo e aparece com o habitual dinamismo que incute no jogo ofensivo da sua equipa. Apesar de não ter sido o melhor em campo no passado domingo (para mim foram Iniesta e DiMaria; este último na primeira parte), mexeu novamente as palhetas, criou literalmente o primeiro golo dos catalães no Bernabéu, jogou, marcou de penalty por 2 vezes e fez jogar.

Jogo para esquecer para Zé Castro. O central português estendeu a passadeira e ofereceu uma noite de terror aos seus companheiros de equipa. Nos últimos 15 minutos, se Ronaldo tivesse sido minimamente eficaz, teriam sido uns 10.

O que eu ando a ver #54

Manhã de domingo nervosa e emotiva no Miribilla em Bilbao. 10 mil espectadores assistiram aquele que pode ser o último jogo da equipa do Bilbao esta temporada. A equipa da casa, o Bilbao Basket, histórico clube do basquetebol espanhol, presença habitual nos playoffs da Liga Endesa nas últimas temporadas, recebeu o líder (invicto em 24 jornadas da fase regular) Real Madrid num verdadeiro cenário de crise. O combinado de 39 pontos obtidos por Sérgio Rodriguez, Rudy Fernandez e Sérgio Lllul decidiram o jogo. Contudo, a exibição do trio dourado do Real Madrid não é o main theme deste post.

A crise económica que se vive em Espanha atingiu a maior liga europeia. No sábado, o capitão da equipa de Bilbao, o veterano internacional espanhol Alex Mumbru, anunciou a abertura de um período de greve depois do jogo contra o Real. Acontece que o principal investidor da equipa basca Gorka Arrinda retirou a sua posição de accionista da equipa basca e os restantes investidores não conseguiram até ao passado fim-de-semana angariar investimento para a equipa. Ainda se falou da possibilidade do grupo IMQ poder assumir a posição de investidor mas o conselho de administração da seguradora decidiu não avançar.

Com salários em atraso Mumbru afirmou que a situação é insustentável. Cansados de promessas, os jogadores reuniram-se e iniciaram um período de greve até que as obrigações salariais sejam cumpridas. O capitão da equipa afirmou que esta alinhou frente a Real porque seria desleal perante a “affición” não o fazer. No Miribilla, apesar da derrota, o público basco respondeu em peso e aclamou os seus jogadores. Os aficionados da equipa basca também estão a tentar arranjar uma solução que permita a continuidade do clube. Se a Liga Endesa terminasse agora, a equipa de Mumbro e do internacional belga Axel Hervelle (outrora considerado o melhor basquetebolista espanhol) estaria com a manutenção assegurada na 12ª posição com 9 vitórias e 15 derrotas.

foto do dia

foto do dia

As acções assassinas de Sergio Busquets. Cada vez mais me convenço que o trinco só tem lugar nesta equipa do Barcelona pela capacidade notória que tem de dar pau, provocar adversários e agir da maneira porca como age. Não é que Pepe seja um santo, porque não o é. A pisadela de Busquets ao internacional português é simplesmente vergonhosa e vergonhosa também se deve considerar a passividade de Alberto Undiano neste lance, admoestando Pepe e Fabrègas com o amarelo. O trinco do Barcelona conseguiu ultrapassar a expulsão em mais um clássico.

Momentos-chave da partida:

    A espantosa exibição de Di Maria na primeira meia hora da partida. Slaloms geniais nos quais levou meia defesa do Barcelona. 2 assistências perfeitas para Benzema, precisamente pelo lado de Daniel Alves. O brasileiro não costuma dar abévias do género mas, ontem, foi literalmente comido de cebolada pelo argentino naqueles dois lances. Foi o único capaz de colocar velocidade, rapidez e criatividade no futebol ofensivo do Real Madrid durante toda a partida. Gastou as balas todas na primeira parte (nos festejos do golo do empate sentiu-se sem fôlego) e na segunda, eclipsou-se em virtude do enorme esforço dispendido no primeiro tempo.
  • Se DiMaria construiu, Benzema bem finalizou. 2 espantosos movimentos de área para 2 golos muito interessantes. No primeiro ganhou no ar a Mascherano. No 2º, abriu para o lado e desmarcou-se sem que o argentino ou Piqué estivessem com atenção às suas movimentações. Poderia ter apimentado ainda mais a noite quando minutos depois do 2-1 conseguiu tirar 2 jogadores do Barça do caminho na pequena área com uma recepção orientada a cruzamento de DiMaria na direita. Valeu Piqué nesse lance ao conseguir cortar na linha-de-golo.
  • Lionel Messi e a falta de pressão do meio-campo do Real. Fabrègas e Neymar entalaram a defesa. Xabi Alonso e Luka Modric foram pouco pressionantes. O argentino recebeu a bola como quis no seu spot e no primeiro golo executou a jogada típica do Barcelona recebendo no centro, atraíndo para si toda a defesa madridista para depois libertar no tempo certo para a entrada de Iniesta pela esquerda. Quem fez a pressão a Messi foi Pepe. Ténue. Para travar o argentino só vejo uma hipótese: colocar um excelente central na posição de trinco para seguir o argentino tal e qual Mourinho fazia no ano passado com Pepe. Qualquer treinador que coloque um dos centrais a vigiar directamente o argentino e tentar jogar na antecipação ao jogo que chega ao argentino (como fez Pellegrini no jogo da primeira mão dos oitavos da Champions com Martin Demichellis) arrisca-se a que o argentino brilhe e ainda tire a expulsão ao dito jogador.
  • Sérgio Ramos e Xabi Alonso – Não consigo acreditar como jogadores tão experientes foram capazes de cair em tamanho conto do vigário. No penalty cometido pelo central, as imagens mostram que Neymar isola-se mas ainda tem que driblar Diego Lopez, podendo atirar para a baliza deserta ou para a baliza com a cobertura de Marcelo porque o brasileiro vinha em recuperação. Mesmo que Neymar fosse rapido o suficiente para chegar à bola, tirar o guardião merengue da jogada e rematar antes de Marcelo conseguir recuperar ao ponto de poder cobrir a baliza a um eventual remate do seu compatriota, sabendo que um golo de Neymar faria apenas o empate (resultado favorável em certa maneira aos interesses da equipa de Ancelotti) – com a expulsão e respectivo penalty, ofereceu a vitória de bandeja aos blaugrana. O mesmo se deve referir do penalty cometido por Xabi Alonso. Com 2 jogadores a tapar o caminho a Iniesta, o médio espanhol só tinha que entalar o seu colega de selecção no lance em vez de o ceifar no pé de apoio à descarada.
  • Cristiano Ronaldo e Gareth Bale – se alguém conseguir descobrir nem que seja o ego destes dois no relvado do Santiago Bernabéu, a malta agradece. Em tamanho espectáculo de futebol, foram duas autênticas almas penadas.
  • A necessidade de um trinco – Busquets não faz pressão, raramente se insere na movimentação ofensiva da equipa mas dá pau, muito pau. De mau o menos, o catalão não deixa ninguém jogar. Modric e Alonso tiveram várias vezes de ir às alas ajudar Carvajal ou Marcelo a lidar com Iniesta\Alba (quando lá caiu; na 2ª parte optou por um posicionamento mais central) e Neymar\Alves, descurando a zona central, ou compensar a subida dos laterais. Numa equipa na qual Gareth Bale e CR7 pouco ou nada colaboram nos processos defensivos, as movimentações defensivas destes dois jogadores da dupla de centrocampistas do Real acabou por ser um autêntico pau de dois bicos: se iam às laterais ajudar os seus laterais perante a superioridade numérica manifesta pelos Catalães nos flancos, Xavi e Messi apareciam tranquilamente sem blocos de pressão no centro do terreno. Se pressionavam no centro, nas alas era literalmente um “ai jesus” – Khédira está lesionado, Illarramendi ainda não é aposta para este tipo de jogos. O velhinho Essien pela capacidade que tem de ajudar a estancar os flancos dava cá um jeito…

 

Sorteio da Champions e da Liga Europa

CL

Quartos-de-final

Nesta fase da prova pode-se dizer que quem chegou até aqui, tem capacidades para eliminar qualquer adversário. Os quartos-de-final desta prova são, na minha opinião, a eliminatória mais espectacular da mesma. Basta recordar por exemplo a espectacularidade que eliminatórias como Galatasaray vs Real Madrid ou Borussia de Dortmund vs Málaga deram na edição do ano passado, com reviravoltas quase imprevisíveis, uma delas consumada, no caso do Dortmund.

road to lisbon

Com a final de 24 de Maio no horizonte, no Estádio da Luz, os quartos-de-final trazem-nos 4 excitantes eliminatórias:

  • Barcelona vs Atlético de Madrid
  • Real Madrid vs Borussia de Dortmund
  • Paris Saint Germain vs Chelsea
  • Manchester United vs Bayern de Munique

Exceptuando a eliminatória que vai opor os Red Devils ao Bayern de Munique (não creio que o United tenha de todo bagagem suficiente para eliminar a equipa bávara), todos os restantes jogos são jogos de tripla.

Barcelona vs Atlético de Madrid

Missão espinhola para os catalães. As duas equipas espanholas, respectivamente 2ª e 3ª na actual classificação da La Liga (o Barcelona poderá recuperar a 2ª posição amanhã caso vença o Real no Bernabeu e caso o Atlético escorregue frente ao Bétis no Benito Villamarin ou o Atlético poderá ser o maior beneficiário de uma vitória culé em Madrid, ascendendo à 1ª posição em igualdade de pontos com a equipa de Cristiano Ronaldo) farão, para a Champions, o 4º e 5º embate da temporada. Faltando um jogo por disputar (na 38ª e última jornada da Liga Espanhola, jogo que poderá ser decisivo para as aspirações ao título de ambas as equipas se ali chegarem em condições de se sagrarem campeãs), o saldo de confrontos realizados por estas duas equipas augura bastante equilíbrio para a eliminatória europeia. Nos dois jogos realizados para a Supertaça Espanhola em Agosto, ambas as partidas redundaram em empate (1-1 no Vicente Calderón e 0-0 em Nou Camp), acabando por vencer o troféu a equipa de Tata Martino em virtude do golo marcado em Madrid. Nessa altura, as fantásticas exibições demonstradas pela equipa de Simeone, os primeiros jogos sem Falcão, anunciavam, ao contrário do que previa com a saída do colombiano para o Mónaco, um Atlético de Madrid diferente, capaz, em muitos anos de lutar pelo campeonato espanhol. Para o campeonato, no Vicente Calderón, um novo empate a zero bolas na 19ª jornada confirmou novamente o equilíbrio.

Dois estilos diferentes. O tiki-taka do Barcelona (bastante mais atacante e com menos contenção de bola, na era Tata Martino) frente à retranca inteligente de Simeone. Uma equipa que gosta de circular bola e capitalizar todos os erros defensivos das equipas contrárias, apostando ora nos desequilíbrios que Messi consegue efectuar pelo centro do terreno, conseguindo jogar sempre no limite (ou tira o adversário com um toque subtil quando este está perto de desarmar ou fazer falta, ou consegue enfiar as bolas para as costas da defesa no limite do desarme), ora pelos desequilíbrios que Iniesta e Neymar conseguem fazer pelas alas\alas-centro do terreno no caso de Andrés Iniesta. Se o brasileiro consegue trocar as voltas aos adversários com o seu drible desconcertante, o centrocampista titular da selecção espanhol é um 10 em 1 ao nível de soluções de jogo, graças ao seu poder de aceleração, ao seu drible rasgado, às movimentações que habitualmente faz para o interior da área de forma a aparecer em zona de finalização e à fantástica visão de jogo que possui. Iniesta é para mim o médio mais completo da actualidade do futebol mundial.

Já o Atlético de Madrid possui 3 características muito preciosas que podem irritar a equipa catalã:

  • O seu equilíbrio, organização e posicionamento defensivo. Uma equipa tendencialmente a defender com 9 atrás da linha da bola, bem organizada, com linhas muito juntas, a não dar espaços para jogar e com uma dupla de centrais (Miranda e Godin) quase sempre irrepreensível no desarme tanto pelo chão como pelo ar.
  • Se há coisa que os jogadores do Barcelona odeiam é não ter bola nos pés. A inteligência do meio-campo de Simeone (Gabi, Koke, Arda Turan, Raul Garcia) é capaz de retirar a posse a qualquer equipa e irritá-la profundamente com a sua contemporização de jogo quando a equipa necessita de travar o ímpeto do adversário e acelerar o jogo quando convém (o Atlético é a equipa com melhor contragolpe na Europa neste momento).
  • Um autêntico quebra cabeças na frente. Diego Costa “come o cérebro a qualquer central” – Piqué e Mascherano terão muitas dificuldades para travar o brasileiro. Este deverá “picar-se” com o argentino para “lhe fazer saltar a tampa” – com alguns, o brasileiro agora naturalizado espanhol conseguiu tirar os devidos frutos das picardias armadas. Com outros, como o caso de Pepe e Arbeloa, o “colchonero” saiu muito mal na fotografia.

Aposto numa eliminatória muito equilibrada, com direito a prolongamento no jogo da 2ª mão.

Real Madrid vs Borussia de Dortmund

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Reedição da eliminatória das meias-finais da edição da temporada passada.

As condições estruturais actuais das equipas inverteram-se em relação às condições estruturais existentes em Abril do ano passado. Enquanto por um lado, o Borussia de Dortmund vivia o expoente da era Klopp, em Madrid, o egocentrismo de José Mourinho, com o treinador português já planear a fuga antecipada ao contrato assinado com Florentino Perez, minava por completo o balneário merengue (as tricas com Sérgio Ramos e Iker Casillas; a conturbada relação do setubalense com a imprensa espanhola) e a equipa, no rectângulo de jogo, não correspondia minimamente ao seu talento, vivendo quasi dos momentos de génio de CR7. Nas meias-finais da prova, o futebol objectivo do Dortmund, bem construído por Reus e Gotze (entretanto vendido ao Bayern) e bem finalizado por Robert Lewandowski (o primeiro reforço dos Bávaros para a próxima época) redundou numa derrota copiosa de Mourinho na eliminatória, com o polaco a assumir o papel de carrasco no jogo da primeira mão no Westfallen Stadium com um fantástico póquer na vitória por 4-1 dos germânicos. O tardio 2-0 dos espanhóis na 2ª mão foi insuficiente para sonegar a final à equipa de Jurgen Kloop.

Hodiernamente, os papéis inverteram-se. Carlo Ancelotti venceu o desafio Madrid e a equipa respira uma suprema confiança. Lidera a Liga com 4 pontos de vantagem e pode até, amanhã, arredar definitivamente o seu maior rival (Barcelona) da luta pelo título caso vença a equipa de Tata Martino no jogo do Santiago Bernabéu. O target-man do futebol merengue continua e continuará a ser (enquanto permanecer em Madrid) Cristiano Ronaldo. Contudo, a equipa ganhou colectivo e inteligência com Ancelotti. É indiscutível negar neste momento que o italiano não tenha devolvido a Madrid o bom futebol e a ambição que a história do clube, per se, exige a quem o representa. Com um meio campo extremamente inteligente e talentoso (Modric, Xabi Alonso, Isco, o lesionado Khédira) e com um ataque poderosíssimo e em excelente forma (Di Maria, Gareth Bale, Cristiano Ronaldo, Benzema, Morata, o lesionado Jesé Rodriguez) a equipa de Madrid, consegue, ofensivamente, praticar um futebol total com um leque vastíssimo de soluções e mecanismos de jogo, com epicentro na construção de Modric e Alonso, objectivo na finalização ora por parte de Ronaldo ou Benzema e meio na criatividade de Isco, Di Maria e Gareth Bale (o primeiro pelo centro, os segundos tanto pelo centro como pelas alas) através de processos muito simples e objectivos.

Em Dortmund, chegou ao fim a 1ª era Klopp. Creio que com a saída de Lewandowski no Verão, outros que tem acompanhado Jurgen Klopp nestes últimos 4 anos lhe irão seguir os passos. O futebol alemão é mesmo assim. Tirando o Bayern (a equipa mais regular nos últimos 20 anos de Bundesliga), os restantes grandes do futebol alemão (Estugarda, Hamburgo, Borussia de Dortmund, Schalke 04) vão vivendo fases boas e fases menos boas. As fases dependem de muitos factores: do dinheiro existente para investir numa equipa competitiva (relembro que na Alemanha todas as transferências tem que ser pagas a pronto), dos talentos que vem da formação dos clubes, das apostas que os clubes vão fazendo na sua política de transferências e nas apostas feitas com determinados treinadores. Relembro por exemplo que quando Jurgen Klopp foi contratado em 2008\2009, a meio de mais uma crise financeira do clube, os responsáveis do Dortmund estavam longe de imaginar que Klopp, um indivíduo com uma modesta carreira enquanto futebolista e até então treinador de um modesto clube da Bundesliga 2, o FC Mainz (clube que agora tem aspirações europeias na Bundesliga) seria capaz de pegar em meia dúzia de veteranos e meia dúzia de jovens com algum talento (Schmelzer, Grosskreutz, Hummels, Subotic, posteriormente Mario Gotze, Lewandowski, Lukasz Piszczek, Sven Bender, Nuri Sahin) e tornar a equipa bicampeã alemã em 2010\2011 e 2011\2012 e finalista europeia em 2013.

Com a saída de Gotze a equipa tornou-se bastante irregular. A batuta mudou para o criativo da equipa, de nome Marco Reus. É dos pés do antigo jogador do Borussia de Moenchagladbach que sai grande parte do perigo ofensivo desta equipa. O Dortmund joga a época nestes quartos-de-final. A continuidade na Champions poderá devolver o sonho europeu aos adeptos do clube e poderá salvar uma época desastrosa na Bundesliga. O dinheiro da Champions poderá garantir à equipa alemã um poderio financeiro capaz de relançar internamente a equipa na próxima temporada através da contratação de 2 ou 3 reforços de qualidade para as posições chave onde a equipa apresenta alguma carência (as alas e a frente do ataque com a saída de Lewandowski; Pierre Aubemeyang é um jogador talentoso mas não correspondeu minimamente às expectativas fantasiadas pela estrutura do clube aquando da sua contratação).

Uma eliminatória de encaixe homem-a-homem

  • Hummels e Subotic terão a missão de travar as movimentações de área de CR7. Cristiano Ronaldo não poderia ter melhor desafio pela frente visto que a dupla de Dortmund é uma das melhores duplas de centrais da Europa.
  • Schmelzer irá travar um excelente confronto com Gareth Bale. O lateral alemão adora atacar. O galês não pára de atacar. É com esta dupla missão que o alemão entrará em campo: ser profícuo a travar o galês e ser capaz de ir lá à frente executar os seus venenosos cruzamentos.
  • Marcelo vs Kuba – A ofensividade total do brasileiro contra a ofensividade total do polaco.
  • Na batalha de meio-campo, um churrilho de estrelas: Gundogan e Henrik Mkhitaryan contra Luka Modric e Xabi Alonso. 4 grandes tecnicistas. O turco é o único músculo de meio-campo destes se bem que o Croata está sempre em alta-rotação.
  • Lewandowski vs Pepe – O internacional português sabe o quão é difícil parar o polaco quando este embala em drible ou quando este consegue desmarcar-se na área. Não lhe poderá dar nenhum espaço. Com 1 centimetro de espaço, Lewandowski faz estragos.
  • Marco Reus – O joker. É um dos jogadores que mais adoro na actualidade. Completíssimo: capacidade de passe, visão de jogo, fantástico remate de meia distância, inteligência, poderoso no contragolpe. Em dia sim, vence um jogo sozinho.

Prevejo uma eliminatória equilibrada e uma vitória madrilena no final.

PSG vs Chelsea

O Cavalão vs O Cavalinho

Mourinho é o cavalinho. Blanc é o cavalão.

Mourinho entra sem pressão (já a retirou toda a pressão da equipa no que a esta época concerne quando afirmou que estava a construir uma equipa para vencer tudo no próximo ano) mas o que é certo é que apesar das suas constantes declarações, este Chelsea arrisca-se a vencer o campeonato e a Champions.

Laurent Blanc entra com pressão. O proprietário do clube parisiense dotou o antigo seleccionador francês de um plantel de sonho, bem recheado em todas as posições do terreno, para, dominar de forma avassaladora a Ligue 1 e conquistar o título europeu nesta ou na próxima época. ” O Nosso projeto ainda está em construção, mas a nossa ambição é ganhar a Champions League” – afirmou Blanc. Uma construção desmedida, um onze de sonho e muitas soluções no banco de suplentes: de Yohan Cabaye ao mago Lucas Moura, passando pelo rapidíssimo Lavezzi ou pelo tecnicista Verrati.

Batalha de meio-campo – Muito talento em ambos os conjuntos – Matic, Hazard, William, Lampard, Mikel, Oscar, Ramires de um lado. Thiago Motta, Marco Verrati, Cabaye, Matuidi, Pastore do outro. Todas estas soluções garantem força, pulmão, assertividade no passe, inteligência, visão de jogo e criatividade, muita criatividade, em particular, quando falamos de Eden Hazard, o verdadeiro mago desta equipa do Chelsea. Se bem que Oscar é um jogador que me agrada pela simplicidade de processos, pela rapidez que incute na equipa atráves do seu rápido pensamento de jogo e pela rapidez com que, recebendo a bola no meio-campo, não inventa, não engonha e quase sempre consegue descobrir uma excelente solução para dar continuidade à jogada.

Referências de ataque de sonho – Maior pendente para o PSG com Cavani e Ibra. Dois killers. Samuel Eto´o aparece em grande forma nesta temporada, tendo sido decisivo no jogo contra o Galatasaray e noutros desafios domésticos da equipa de Mourinho. Fernando Torres tem por seu turno a estrelinha de campeão. Quando entra, nos minutos finais, costuma ser decisivo. Assim o foi contra o Barcelona há 2 anos e contra o Benfica na final da Liga Europa do ano passado.

O duelo entre PSG e Chelsea será para mim o mais espectacular, futebolisticamente falando.

Manchester United vs Bayern de Munique

champions

O confronto mais desequilibrado destes quartos-de-final. Em breves palavras: à passagem da meia-hora da primeira mão tudo poderá estar decidido. A equipa de Guardiola decide, esmaga, humilha e no final sorri e agradece ao generoso público afecto. David Moyes deverá ter visto o purgatório e o inferno nas bolinhas do sorteio quando se apercebeu que irá defrontar o campeão europeu. Com um plantel desequilibrado, com a moral em baixa, e com uma equipa que neste momento pratica um futebol sem nexo, desligado entre sectores, pouco pressionante defensivamente, as hipóteses deste Manchester eliminar o campeão europeu são quase nulas. Os laivos de genialidade de Robin Van Persie atenuaram por completo uma eliminatória em que os gregos do Olympiacos mereceram mais mas foram muito perdulários no jogo de Old Traford. O mesmo não se irá passar nesta eliminatória: a equipa de Guardiola é absolutamente letal. Cada tiro, cada melro.

 

Liga Europa

Carlos Bacca

Porto vs Sevilla

Ainda no rescaldo de Napoli. Nunca pensei que este Porto fosse capaz de tamanha proeza. Mérito de Luis Castro, demérito da equipa Napolitana. O Porto segue para a casa de partida. Ou melhor, para um das casas de partida: Sevilla. Sanchez Pizjuan, o mítico estádio da capital Andaluz onde o Porto de Mourinho conseguiu o seu primeiro triunfo na competição, na altura, ainda denominada como Taça UEFA, naquele jogo de loucos frente ao Celtic de Glasgow de Henrik Larsson.

O Sevilla não era a equipa mais forte a sorteio. A Juventus e o Benfica seriam adversários muito mais fortes que a equipa sevilhana.

Vinda de uma eliminatória difícil contra o rival Bétis (derrota em casa por 2-0, vitória mesmo ao lado no Benito Villamarin por 2-0 com o triunfo na eliminatória a ser obtido na marcação de grandes penalidades) o Sevilla, actual 7º classificado da Liga Espanhola é uma equipa, no mínimo, inconstante. É uma capaz do pior e do melhor num curto espaço de tempo.

O Porto irá reencontrar Beto. O português é o titular da baliza sevillana e está na equipa andaluz em definitivo depois de ter cumprido a segunda metade de 2012\2013 por empréstimo do FC Porto. À sua frente Beto tem uma defensiva agressiva mas bastante inconstante. Tanto Federico Fazio, como Javi Navarro como Dani Pareja são centrais que conseguem executar uma boa marcação (a Jackson e Ghilas) usando e abusando do físico. Contudo são dois centrais muito instáveis ao nível exibicional, cometendo bastantes falhas. Nas alas jogará o português Diogo Figueiras (o tal desconhecido que o Sevilla veio buscar ao Paços de Ferreira). O português é um lateral bastante ofensivo e faz boas combinações com os jogadores que actuam na direita (Reyes, Perotti). Na esquerda estará Alberto Moreno, uma das estrelas da equipa. Equilibrado, é certinho a defender e a atacar. Se Luis Castro colocar Quaresma na direita, Moreno tem capacidade para estancar aquele que neste momento é o jogador que cria mais perigo na equipa do Porto.

No meio-campo Unay Emery tem apostado mais (quando digo apostado mais, quero com isto dizer que Emery não costuma apresentar um onze base e por norma faz rodar imenso o plantel) num meio-campo composto por Carriço a trinco (esse mítico) Ivan Rakitic na construção de jogo (é o cérebro da equipa) José António Reyes numa ala, Perotti na outra, Marko Marin ora no centro na criação de jogo ora no flanco direito, e um ataque composto ou por Carlos Bacca (sozinho) e Kevin Gameiro ou por Carlos Bacca e Jairo Samperio mais recuado nas suas costas, ou por Carlos Bacca e Vitolo nas suas costas, papel onde se sente claramente mais à vontade como tecnicista que é.

De onde é que vem o perigo deste Sevilla?

  • De Rakitic. É o motor desta equipa espanhola. Joga e faz jogar. Sem o croata, os sevilhanos não conseguem ser objectivos no seu jogo ofensivo.
  • De Carlos Bacca. Jackson conhece-o bem porque são companheiros de selecção. Mortífero. Acrobático. Fortíssimo nas movimentações de área. Mangala, Maicon, Reyes ou Abdoulaye não lhe poderão dar um milímetro. Transforma uma bola morta em golo.
  • De Kevin Gameiro. Menos efectivo que Bacca mas o luso-francês também é um homem de área.
  • De Reyes. Numa bola parada, num cruzamento, espeta a bola na área e assiste com pinta um dos seus companheiros
  • De Marco Marin. O alemão está a subir de rendimento nesta parte final de temporada. Quando mete o turbo, é menino para individualizar, sacar 2 ou 3 adversários da frente e construir uma situação de perigo.

Benfica vs AZ Alkmaar

Dick Advocaat

Ao Benfica saiu a lotaria. Ao AZ a fava que ninguém neste momento queria.

O treinador do AZ, Dick Advocaat pode dizer que sabe o que é vencer esta competição. O treinador de 66 anos, um dos globetrotters da actualidade do futebol mundial (já treinou em 7 países diferentes) leva no seu extenso currículo, para além do título holandês conquistado em 1996\1997 ao serviço do PSV, das 2 ligas escocesas conquistas pelo Rangers entre 1998 e 2000 e do título russo conquistado em 2007 ao serviço do Zenit, uma vitória na competição na época 2007\2008 precisamente ao serviço da equipa de São Petersburgo. No ano em que os semi-desconhecidos do Petrovski (Arshavin, Anyukov, Fayzulin, Denisov, Konstantin Zyryanov, Pavel Pogrebnyak) se deram a conhecer à europa e catapultaram o Zenit para um estatuto europeu até então nunca detido pelo clube da antiga Leninegrado.

A equipa que orienta é neste momento 7ª classificada da Eredivisie, lugar que para já lhe garante a participação no playoff final disputado entre todas as equipas que se classificarem entre o 3º e o 8º lugar (apuramento para as competições europeias). Pelo menos, a coisa na Liga Holandesa é decidida assim.

Pontos fracos deste AZ:

  • A sua inconsistência. É uma equipa capaz de ganhar 3 ou 4 jogos seguidos e perder outros 3 ou 4 seguidos.
  • Dois centrais duros de rins (Nick Vergiever e Jeffrey Gouweleeuw) fortes no jogo áereo mas com muitas dificuldades para travar avançados rápidos, caso de Lima e Rodrigo.

Pontos fortes:

  • Muita rapidez na frente de ataque – O extremo Roy Beerens é um jogador rapidinho e com uma capacidade de cruzamento fantástica. É a estrela da companhia. Em conjunto com…
  • A dupla de médios centro – Viktor Elm, um conhecido nosso. Alinhou contra a selecção portuguesa no passado mês de Novembro e Nemanja Gudelj, um conhecido dos sérvios que alinham na equipa encarnada. Este sérvio de 22 anos, contratado no verão passado ao NAC Breda, é o grande maestro desta equipa.

Outros jogos da liga europa:

Lyon vs Juventus – O Olympique Lyonnais será presa fácil para a equipa de Turim. Apesar de Alexandre Lacazette estar em grande forma e da dupla de centrocampistas da equipa lionesa ser do melhor que se encontra pela Ligue 1 (Grenier e Gourcouff), a defensiva do Lyon tem jogos em que é como passar a faca na manteiga.

Basel vs Valência – A equipa suiça será um adversário tenebroso para a equipa de Pizzi. É uma equipa bastante segura defensivamente (destaque para o sueco Behrang Safari na direita e para o central Fabian Schar), com um meio campo muito activo (David Degen, Marcelo Dias, Valentin Stocker, Fabian Frei) com um jogo orientado para a grande referência ofensiva da equipa, o veteraníssimo Marco Streller.

Da Champions #17

Real Madrid e Schalke reencontram-se no Bernabeu para cumprir calendário. Vá. Se para ambos, a vitória ainda valia mais uns milhõezitos nas suas respectivas contas, para os alemães, o teste de Madrid servia para rectificar a desastrosa exibição defensiva demonstrada no Gelsenkirchen na derrota por 1-6.

Carlo Ancelotti mexeu no onze. Poupanças para o superclássico do próximo fim-de-semana. Jesé Rodriguez, Asier Illarramendi, Nacho, Raphael Varane e Alvaro Morata saltaram directamente para o onze do técnico italiano. Logo nos primeiros minutos, Jesé haveria de se lesionar com gravidade num choque com o lateral-esquerdo bósnio-alemão do Schalke Sead K0lasinac. Ancelotti viu-se obrigado a colocar Gareth Bale no rectângulo de jogo. O jovem extremo espanhol sofreu uma rotura de ligamentos no joelho tendo sido submetido a uma intervenção cirúrgica hoje em Augsburgo na Alemanha por um reputado cirurgião alemão. O departamento médico do Real aponta um tempo de paragem nunca inferior a 7 meses. Contudo, a lesão do extremo espanhol vem em má altura dada a afirmação conclusiva do jogador no seio do plantel merengue. Todos sabemos o quanto essas lesões poderão deixar as suas sequelas no futuro.

O Real controlou a partida e a vitória só foi ameaçada por uma vez, no final da primeira parte, após o golo do empate do Schalke. A tripla da frente do Real (Morata, Ronaldo, Bale) esteve muito interventiva, muito mexida. A tríade haveria de estar na sequência no primeiro de dois golos de Ronaldo do jogo (fica a 1 do record de Messi na competição\Ronaldo poderá atingir facilmente os 20 golos na competição) com Morata a desmarcar na perfeição Bale na direita e o galês a assistir Ronaldo na cara de Ralf Fahrmann. O português não desperdiçou.

A equipa de Jens Keller voltou a demonstrar muitas dificuldades defensivas. Sem que o Real tenha acelerado muito o jogo. Sem o capitão Benedikt Howedes (Jefferson Farfan e Kevin-Prince Boateng e Kyrgiakos Papadoupoulos no banco) Joel Matip, central cujas características aprecio (duro mas técnico; sai bem a jogar e é bastante versátil) foi escasso para as encomendas. Ao inverso, no meio-campo, Jens Keller tem aqui bastantes talentos para trabalhar: Julian Draxler é uma certeza do futebol alemão, o médio defensivo Kaan Ayan é um jogador com algum potencial (habitualmente é central mas ultimamente tem jogado a trinco) e  Max Meier é uma promessa bastante interessante (é um tecnicista puro que alia a sua imensa capacidade técnica à inteligência e à visão de jogo) – prova disso foi a jogada na qual serviu Klaas-Jan Huntelaar na cara de Casillas ao minuto 39, 9 minutos depois do sortudo golo do lateral Tim Hogland.

Ao intervalo, o empate justificava-se.

Na 2ª parte, CR7 e seus pares aceleraram ligeiramente o jogo e o português (em conjunto com Morata) arrumou literalmente a questão. Pelo meio, Cristiano Ronaldo mandou uma bola à barra num lance em que o português poderia ter igualado o record de Messi. Teremos que esperar pela próxima eliminatória para ver CR7 como o melhor marcador de sempre de uma edição da Champions.

A inteligência de Cristiano Ronaldo

No lance do golo do português: o exímio passe de Gareth Bale para Ronaldo, a contemporização perante a subida de Isco e a brilhante flecção para o centro do terreno seguida de remate. Num jogo em que Willy Caballero até deu muita luta ao português. Na minha opinião, o guarda-redes argentino da equipa comandada por Bernd Schuster é claramente o melhor guarda-redes da actualidade da Liga Espanhola.

Superbock! Fresquinha! #76

William Carvalho

William Carvalho 2

Noticia do Gazzetta Dello Sport. 40 milhões: fruta a mais para clubes italianos. O Manchester United destacou vários dos seus observadores para acompanhar o trinco em todas as partidas que disputam. O Real Madrid não tem sido o mais assíduo dos espanhóis a observar: o Barcelona já veio observar o internacional português por meia dúzia de vezes. Assim como meio batalhão da Premier League e da Bundesliga: Newcastle, West Bromwich Albion, Cardiff, Swansea, Estugarda, Borussia de Dortmund.

Bruno de Carvalho afirmou recentemente que, caso não apresentem uma proposta de acordo com os valores previstos para a venda dos atletas, os clubes estrangeiros podem vir a Alvalade observar os jogadores do Sporting que quiserem mas não terão feed da SAD do Sporting. O que é certo é que o nome de William Carvalho começa a aparecer com maior frequência nas paragonas dos grandes diários estrangeiros: Daily Mail, Marca, Gazzetta. Confesso que o melhor para o jogador seria continuar a evoluir no Sporting pelo menos por mais uma época. Poderá ser titular na selecção no Mundial (embora ache que a teimosia de Paulo Bento irá levá-lo a prosseguir a aposta em Miguel Veloso) e tal facto poderá valorizar imenso o jogador. No entanto, com a hipótese pendente do clube jogar na Liga dos Campeões na próxima temporada, uma boa prestação na Champions pode valorizar ainda mais o seu passe. Claro que pelo meio, o Sporting terá forçosamente que renovar contrato com o jogador para poder aumentar a sua cláusula de rescisão

Sondagem #4

sondagem 11sondagem 12

Na pole em que tentámos saber as apostas dos nossos leitores para a vitória na presente edição da Champions, após o apuramento de 42 votos, o campeão europeu em título Bayern de Munique foi a equipa mais votada com 14 votos. Os bávaros superaram o Real Madrid com 12 votos e o Barcelona com 4. PSG e Chelsea recolheram 3 votos, o Atlético de Madrid de Simeone 2, e várias equipas (as de Manchester, o Galatasaray e o Schalke 04 recolheram 1; decerto que o Schalke não sairá vencedor depois de ter sido esmagado em casa pelo Real Madrid por claros 6-1). Olympiacos (tem tudo para eliminar o United) Milan, Dortmund (apuramento praticamente garantido) Arsenal, Bayer Leverkusen e Zenit não tiveram qualquer voto.

Dentro de minutos serão colocadas duas novas polls.

Da Champions #14

Confesso que não vi o jogo. Estou a ver agora os resumos dos jogos de hoje. Ronaldo fez dois golos e duas assistências belíssimas. Contudo, aquilo que mais me sobressaiu no jogo foi o 4º golo do Real, golo marcado por Karim Benzema, no momento, a fazer jus ao nome do Schalke (0-4).
Engraçado também foi o facto dos adeptos do clube alemão se terem levantado das suas cadeiras quando Klaas Jan Huntelaar marcou o seu tento de honra na partida. O gesto demonstra que os alemães vivem o futebol de uma forma bem diferente da nossa. Vivem-no como um espectáculo. Se fosse uma equipa portuguesa a apanhar 6 do Real numa eliminatória deste calíbre (não precisamos de recuar muitos anos para relembrar os 12 que o Sporting apanhou do Bayern nos oitavos-de-final da prova da temporada 2008\2009) seria uma tragédia para a dita equipa, uma semana de jornalismo de baixo nível para os diários na qual estes tentariam escapulizar a goleada até ao osso e uma comédia para os adeptos dos rivais.

NBA 2013\2014 #34

Os 2 jogos que vi nas últimas 2 madrugada:

Golden State Warriors vs Miami Heat

A equipa de Oakland fez uma exibição ofensiva fraquíssima até sensivelmente metade do 3º período. A 7:40 do fim deste, a equipa orientada por Mark Jackson estava a perder por 21 pontos de diferença num jogo em que os bicampeões em título estavam a dar um autêntico festival ofensivo. Stephen Curry, David Lee e Klay Thompson não só conseguiram recuperar a desvantagem até ao final do período como ainda conseguiram dar vantagem de 3 pontos à equipa no primeiro minuto do último período. Quando a meio do último período, Mark Jackson foi obrigado a dar descanso por alguns minutos às suas maiores estrelas (Curry e Lee), os Heat floresceram novamente e cavaram uma diferença de 11 pontos. Disputado até ao último segundo, o jogo haveria de ser decidido com um fantástico (e nada usual) triplo de canto de LeBron James.

Chicago Bulls vs Brooklyn Nets

Na jornada de ontem, os Bulls venceram os Nets numa partida bastante medíocre. Ambas as equipas respiram alguma tranquilidade depois de um início de época conturbado. Os Bulls ainda lutam pelo 3º lugar da conferência este enquanto os Nets de Jason Kidd vão solidificando uma posição de playoff e vão tentando trabalhar o seu colectivo. Apesar da equipa ainda cometer demasiados turnovers (mesmo com um dos melhores playmakers da liga na equipa, caso de D-Will) e de não ter a engrenagem no devido sítio (Paul Pierce e Jason Terry continuam a jogar manifestamente mal; a equipa não tem soluções ofensivas no jogo interior) as coisas melhoraram significativamente para Jason Kidd desde o mês de Janeiro, altura em que finalmente pode começar a trabalhar com o plantel praticamente completo.

No que concerne aos Bulls, ultrapassada que está a lesão de Rose (afirmou ontem que não está nos seus planos voltar esta temporada) e a saída de Luol Deng para Cleveland, apesar do futuro de alguns jogadores ainda não estar completamente clarificado e da imprensa da especialidade ter voltado a afirmar que até ao final do prazo limite para trocas (na próxima semana) poderão haver surpresas em Chicago (o Operations Vice-Presidente John Paxson não confirmou neste desmentiu a possibilidade dos Bulls realizarem uma troca até dia 21) Tom Thibodeau está a realizar um bom trabalho com os Bulls e a equipa está claramente a crescer de forma a cada dia que passa. A excelente inserção de DJ Augustin como 6th man, a subida de rendimento de Mike Dunleavy (há que dar o chapéu ao trabalho que o técnico está a fazer com o shooting guard visto que o mesmo já faz penetrações ao cesto, movimentação que não constava do seu jogo noutras paragens), de Joakim Noah e de Taj Gibson (está muito melhor no tiro exterior) dão a Chicago a possibilidade de não só acabar nos 4 primeiros da conferência como acreditar que uma surpresa ou outra é possível nos próximos playoffs.

Os Bulls tomaram conta das operações no primeiro período, mesmo apesar de ter sido a equipa orientada por Jason Kidd a inaugurar o marcador com 5 pontos seguidos de Shaun Livingstone precisamente em dois lances nos quais deixou (com duas mudanças de velocidade) Mike Dunleavy pregado ao solo. O SG dos Bulls acabou por ser decisivo no 3º período ao conseguir 2 triplos numa altura em que os Nets ameaçavam recuperar no marcador.

Com a vantagem de Chicago a oscilar entre diferenciais de 9,10 e 11 pontos, os Nets tiveram alguns parciais de jogo onde estiveram a perder por 3 e 5 pontos (54-51, 58-53 no ínicio do 3º período), aproveitando fases de encontro em que os Bulls estavam a cometer muitos turnovers. Apertados pela equipa de Jason Kidd nesses parciais, os Bulls quase sempre conseguiram reagir bem às aproximações. Na última aproximação que os Nets fizeram ao resultado, a equipa de Chicago conseguiu sempre responder à altura. No último período, limitou-se a controlar a vantagem adquirida na casa das dezenas até ao resultado final de 92-76.

Destaque para as exibições de Taj Gibson (super eficaz a lançar longe do cesto), e Joakim Noah (12 pontos, 12 ressaltos, 5 assistências). Juntos dominaram a luta das tabelas. O francês está a assumir uma preponderância cada vez mais na equipa como passador (tanto para o jogo exterior quando tenta trabalhar junto do cesto mas acaba por passar a bola a um dos lançadores exteriores da equipa como no passe para o corte nas costas feito ora por Boozer, ora por Gibson)

2. Ainda sobre Chicago

Os últimos dias da equipa de Chicago tem sido preenchidos com vários rumores sobre o futuro da equipa.

1. O primeiro rumor indicava uma possível troca com os New York Knicks de forma à equipa de Chicago obter Carmelo Anthony. A terminar o seu contrato com os Knicks, se a equipa de Nova Iorque não quiser ver o seu melhor jogador deixar a equipa no Verão a troco de nada, terá que o trocar até dia 21. Vários especialistas (aqui; aqui; aqui) deram como quase certa a preferência de Carmelo Anthony por Chicago em detrimento dos Lakers. Tantos outros afirmaram recentemente as fórmulas nas quais se poderia dar o negócio: uns afirmaram que Melo pode sair em troca com Boozer mais umas escolhas de draft visto que Chicago as tem abundancia em virtude da troca de Luol Deng para os Cleveland Cavaliers (também ele passível de amnistia no próximo verão por parte de Chicago) enquanto outros trataram de dizer que Boozer não chega para ter Melo e que os Knicks tinham feito chegar uma proposta que incluía os nomes de Taj Gibson e Jimmy Butler. A única declaração verídica no meio de toda esta onda de especulação muito própria dos dias que antecedem o deadline por parte da direcção de Chicago foi a de John Paxson, o VP Operations ao Chicago Sun Times a quem o responsável afirmou que apesar de Chicago ter os olhos bem abertos em relação às movimentações de mercado, é muito difícil extrair nesta altura do campeonato os melhores jogadores às equipas.

Craig Sager afirmou hoje que o jogador lhe confessou ontem que não irá ser trocado até ao final desta temporada.

2. Nikola Mirotic

nikola mirotic

John Paxson também arrumou a questão de Nikola Mirotic. O VP dos Bulls afirmou ao Chicago Sun Times que a prioridade dos Bulls é trazer o MVP da liga espanhola para a equipa o mais rapidamente possível. Claro está que pelo meio, Chicago e Washington terão que pagar a clásula de 4,4 milhões que o Real Madrid impôs para a cedência do atleta (4,4M release clause; visto que Mirotic foi uma pick que Washington escolheu e cedeu a Chicago por causa da cedência do francês Kévin Seraphin, o acordo assinado entre Chicago e Washington prevê que os Bulls paguem 700 mil euros dos 4,4 milhões e os wizards o resto).

3. Derrick Rose

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O base dos Bulls diz-se apenas preocupado em recuperar da terrível lesão no menisco que o atirou para fora dos courts até ao final desta temporada. Tom Thibodeau já tinha afirmado no dia anterior que não existiam quaisquer possibilidades do jogador alinhar esta temporada. O base limitou-se a afirmar que nem sequer pensou na hipótese. Porém, não fecha à porta à participação pela selecção Norte-Americana no mundial que se vai realizar em Espanha no próximo ano.

4. Andrew Bynum

Cleveland Cavaliers v Washington Wizards

Sensivelmente 1 mês após ter sido suspenso pelos Cavs, inserido no pacote oferecido aos Bulls por Luol Deng, dispensado por Chicago por questões de cap space e contratado pelos Indiana Pacers, os Cleveland Cavaliers revelaram quais os motivos que levaram ao castigo imposto ao seu antigo poste: Andrew Bynum não tinha um comportamento adequado nos treinos da equipa. Nos treinos de colectivo, sempre que lhe era passada a bola, lançava o cesto. Nenhuma equipa pode treinar nestas condições. Já imaginaram o quão irritantes devem ter sido estas situações?

5. LeBron James

lebron 4

Em semana de All-Star, LeBron James decidiu antecipar o espectáculo. De dunk em dunk, de trintena em trintena de pontos, carregado de afundanções, alley-oops e lançamentos longos, James marcou 37 pontos na vitória contra Phoenix e 36 na vitória contra Golden State. Estão a chegar os playoffs e James está a aumentar o nível. Contudo, esta semana aumentou-o em demasia quando afirmou que já está ao nível daqueles que considera os 4 melhores de sempre da história da competição: Bird, Kobe, Jordan e Oscar Robertson. Sabendo que ficam de fora Kareem Abdul-Jabbar (melhor marcador da história da competição) Reggie Miller, Magic Johnson, Bill Russell, Wilt Chamberlain, Tim Duncan e Karl Malone (entre outros com mais títulos conquistados que o jogador de Miami; não basta ir muito longe; Robert Horry não foi nenhuma estrela da NBA mas poderá ter terminado a sua carreira com mais anéis e preponderância nesses mesmos anéis do que LeBron James alguma vez poderá vir a ter) parece-me que as afirmações do King provêm daquela falsa modéstia que lhe é tão característica. Considerando-o o melhor do jogador do mundo da actualidade, dentro de 6 ou 7 anos, a história (o legado; a dinastia; palavras com tanto significado no mundo da NBA) estarão bem vísiveis para corroborar a validade destas afirmações.

constatações

jesé

A Marca notícia que o jovem internacional sub-21 pela Espanha “fará” de Cristiano Ronaldo em Villareal no dia em que se ficou a saber que o castigo de 3 jogos impostos a Ronaldo mantem-se. Curioso é que eu e o André Simões já comentámos que o jogo do espanhol está cada vez mais parecido com o jogo do português. Tanto nas movimentações (a diagonal feita no 2º golo do Real frente ao Atlético é exemplo disso; Jesé aparece muitas vezes dentro da área a finalizar) como na cópia de jogadas de marca do português (recepção no flanco esquerdo, flecção para o centro em 1×1 e remate).

O que eu ando a ver #33

As duas equipas finalistas da Copa Del Rey 2013 defrontaram-se hoje para a 1ª mão das meias-finais da edição 2013\2014 no palco onde em Maio o Atlético de Madrid festejou nas barbas do seu rival, o Real Madrid, a conquista do seu 10º troféu na prova. No dia em que Cristiano Ronaldo celebrou os seus 29 anos de idade, mote não faltou para os merengues aplicarem uma revancha como deve ser nos vizinhos colchoneros.

Quente. Quentinho. Feios, Porcos e Maus seria o epíteto mais adequado para a pelicula do filme da primeira meia-hora de jogo no Santiago Bernabéu. A roçar os duelos protagonizados nos anos 90 entre Buyo e Paulo Futre. Para o lado do Atlético de Madrid, as coisas já tinham aquecido na 1ª mão da eliminatória anterior no Vicente Calderón frente ao Athletic de Bilbao. Diego Costa voltou a “bancar o bobo” nos primeiros minutos da partida. Teve azar. Acabou por sair muito mal na figura, até porque no outro lado da barricada apanhou pela frente quem já é batido nesse tipo de jogo: um tal de Pepe e um tal de Arbeloa, dois mestres na arte de provocar. Diego Costa provocou, foi provocado, foi agredido e do jogo do empurrão não sacou nada aos dois defesas do Real Madrid. Padeceu do seu próprio veneno e como se diz na gíria “foi enpacotado no bolso” do central português e “não tocou na xixa”.

A inteligência – Carlo Ancelotti reflectiu sobre a essência deste Atlético de Madrid e encontrou a fórmula ideal para bater a equipa de Diego Simeone. Nos primeiros minutos compreendi que os traços da defesa profunda de Simeone estavam lá todos: a cambada a defender atrás da bola com as linhas médias do Atlético a vascular consoante a circulação de bola e a acompanhar a subida das linhas médias do Real Madrid de forma a obrigar a equipa de Ancelotti a circular bola, a desgastar-se e a optar por um futebol pouco objectivo de cruzamento para as zonas onde Ronaldo costuma aparecer. Se assim resultasse, s Contudo, Ancelotti foi mais inteligente. Colocou Luka Modric e DiMaria no miolo para tentar rachar a coisa pelo meio e deu ordens a todos os jogadores do ataque para tentarem colocar o seu drible no espaço curto. Por várias vezes assistimos Luka Modric a escaparem (em drible) que nem enguias ao bloco de pressão efectuado por Gabi e Diego bem como às tentativas de drible nas alas em espaços onde não cabia uma cabine telefónica por parte de Jesé e Ronaldo. O português haveria de ter uma noite de aniversário muito desinspirada.

Carlo Ancelotti foi obrigado a uma alteração de última hora no onze: Gareth Bale voltou a lesionar-se (espero bem que a lesão não seja nos genitais), obrigando o italiano a colocar Jesé numa ala. Há males que vem por bem. Já Diego Simeone optou por fazer uma alteração em táctica em relação ao jogo contra a Real Sociedad, colocando o regressado Diego no apoio directo a Diego Costa. A opção pelo brasileiro indicava a necessidade do argentino dispor em campo um meio-campo reforçado com Gabi, Koke, Diego, Raul Garcia e Arda Turan.

O início do jogo provou ser muito quezilento. Diego Costa começou a bater a eito. Primeiro envolveu-se com Xabi Alonso mas Alonso, um índie no meio-campo do Real Madrid, manteve a classe senhorial que o caracteriza, e em bom português “cagou literalmente no bota-chinelo”. Qual cadeirudo, Diego Costa procurou a próxima vítima. Pepe. E mais uma vez não passou do nível do chão. Numa disputa de bola no ar logo ao minuto 2, Sérgio Ramos deu um chega para lá em Raúl Garcia e o médio espanhol caiu no chão a queixar-se das viseiras. Tudo isto aconteceu perante a passividade de Clai Gomez, o árbitro natural de Saragoça destinado pela Real Federación Española. Com medo de estragar o espectáculo, Gomez permitiu que o jogo fosse disputado num eminente cenário de batalha campal na primeira meia-hora.

Quanto ao futebol jogado, uma excelente combinação entre DiMaria, Benzema e Arbeloa permitiu ao lateral cruzar para a área onde iria aparecer Ronaldo nas costas de Juanfran. Olhando pelo retrovisor, o lateral viu a aproximação do astro português e decidiu dar canto. Com uma entrada de leão, os jogadores do Real trataram de pressionar alto de forma a não deixarem os jogadores do Atlético respirar. Aos 8″ Modric cobra um canto na direita para uma cabeçada de Sérgio Ramos no coração da área direita ao peito de Gabi. Os jogadores do Real reclamaram grande penalidade mas a repetição demonstrou que a bola foi ao peito do internacional espanhol. Com uma fantástica exibição de Xabi Alonso e Modric na fase de construção do jogo e com um irrequieto DiMaria à sua frente, seria o argentino a fabricar meio-golo para Pepe ao desenvencilhar-se de dois jogadores com um drible e, perante a oposição de um terceiro (Arda Turan) a disferir um toque subtil para o lado onde apareceu o brasileiro naturalizado Português a mandar um bilhete para o fundo da baliza de Thibault Courtois com escala na bacia do azarado Emiliano Insúa.

O golo do Real avivou novamente o pior que o jogo tinha para oferecer na primeira parte, a querela entre jogadores. Aos 18″ começou o triângulo amoroso entre Diego Costa, Pepe e Alvaro Arbeloa: o espanhol foi amassar o capot a Arbeloa e Pepe no mesmo lance quando o jogo se encontrava parado. O espanhol acusou tarde o toque e quando Costa e Pepe se travavam de razões, decidiu presentear o seu próximo colega de selecção com uma sarrafada dentro da área. Clos Gomez não viu aquela que seria, pelas regras da FIFA, a primeira grande penalidade do jogo com correspondente expulsão para Arbeloa. No minuto seguinte, Diego Costa é carregado por Xabi Alonso. Do livre batido por Koke resultam vários puxões e Arbeloa comete a segunda grande penalidade ao puxar Diego Costa, impossibilitando-o como tal de disputar o lance. Mais uma vez o lateral escapou-se de boa.

Aos 23″ Diego Costa é pisado por Pepe. O central é admoestado com um amarelo. Segundos depois manda uma joelhada em cheio em Diego Costa. Clos Gomez não vê ou finge que não vê. E o central internacional português escapa à expulsão. O Real Madrid. Nesta fase de jogo, de forma meritocrática pelo que fez nestes primeiros 20 minutos, João Miranda estava a ser bastante eficaz na defesa de Simeone. Com 2 cortes fantásticos, um a Coentrão e outro a Benzema haveria de cometer grande penalidade quando empurrou Álvaro Arbeloa na área. Para compor o ramalhete, o lateral haveria de trocar umas palavras mais azedas com o argentino Germán Burgos, antigo guarda-redes do Atlético de Madrid que agora é membro do staff de Simeone.

courtois

Os comandados de Ancelotti trataram de refrear os ânimos com uma lenta circulação de bola. Sem efeito. Aos 26″ Diego fez uma entrada sobre Ronaldo e recebeu amarelo. Aos 29″ Courtois recolheu uma bola aos pés de Benzema. Do choque inevitável entre o francês e o guarda-redes redes belga ficou o segundo a queixar-se de uma pisadela propositada. Bola cá, bola lá. Na jogada seguinte, Arda Turan ficou aos berros com Clos Gomez depois de ter sido carregado em falta por Fábio Coentrão num lance na linha lateral.

modric

Depois do caos, o futebol – Apareceu Modric. Elegante. De processos simples. Eficaz no passe. Disponível para auxiliar no meio-campo. Cheio de pulmão. Com um futebol demasiado sensual para um clube como o Real Madrid. O croata pautou a construção como quis e não se coibiu de criar desiquilíbrios pelo miolo e aplicar a sua forte meia distância.

Aos 31″, o antigo jogador do Tottenham Hotspurs serviu Jesé na esquerda e o jovem internacional sub-21 pela Espanha tratou de tirar Turan da frente com 1×1 e atirar para uma defesa a punhos de Thibault Courtois. Mal pode o belga respirar pois a bola sobrou para o centro onde Luka Modric apareceu a chutar para nova intervenção do guarda-redes emprestado pelo Chelsea aos Colchoneros.

Pelo meio, Arbeloa voltou a picar a burra. Aproveitando um alinhamento na área, voltou a pisar Diego Costa e pela terceira vez no jogo, escapou-se a uma anotação disciplinar por parte de Clos Gomez.

Jesé continuava endiabrado. Aos 38″ trocou as voltas a Juanfran e tentou servir DiMaria na pequena área. A bola seria aliviada para canto por um adversário. 3 minutos depois seria o argelino a solicitar Cristiano Ronaldo na esquerda. CR7 executou o bailado dos cisnes em frente a Juanfran e atirou rasteiro para defesa fácil de Courtois. Como é habitual na estratégia de Simeone, o Atlético subiu ligeiramente as suas linhas nos minutos finais e tentou acercar-se da área do Real Madrid. Sem efeito. Clos Gomez iria apitar para o intervalo sem ter dado qualquer minuto de descontos.

Ao intervalo, justificava-se a vantagem do Real Madrid. Sem tecer demais considerações sobre o quezilento jogo que estava a ver, o Real foi a única equipa que justificou a vantagem na primeira parte em virtude do caudal ofensivo que logrou construir e das oportunidades de golo que teve no tempo. A equipa de Simeone foi completamente inofensiva. Sem bola nos pés, não conseguiu por no terreno de jogo o seu fortíssimo contragolpe. Gabi e Koke tiveram pouca ou nenhuma posse de bola no primeiro tempo. Arda, Raúl Garcia e Diego Costa estavam a ser nulos. Em destaque estavam apenas os centrais Godín e Miranda. Efectivos no desarme, tanto o uruguaio como o brasileiro evitaram males maiores no primeiro tempo. Esperava-se portanto uma reacção diferente dos jogadores de Simeone no recomeço da partida.

Diego Simeone quis agitar as águas ao intervalo. Colocou Cristian Rodriguez no lugar de Diego, fazendo passar Arda Turan para o lugar do brasileiro. O Atlético entrou mais forte na 2ª parte com 2 remates e 2 cantos. O Atlético subia paulatinamente as suas linhas. Do canto, Benzema aliviou ao primeiro poste para trás onde apareceu Diego Godín a saltar mais alto do que Pepe e a cabecear por cima de Casillas. No seu regresso à titularidade, o guarda-redes assistiu praticamente a toda a partida como um espectador.

Jesé rodrigues 2

O jogo continuava faltoso. Perante uma maior posse por parte dos homens de Simeone, reapareceu Modric. O croata voltou a pegar na batuta. Aos 51″ Ronaldo rematou para defesa de Courtois. No minuto seguinte, Modric teve um momento de eleição quando com a classe que o caracteriza pegou na bola no miolo e com algumas simulações conseguiu furar entre 4 jogadores do Atlético de Madrid para de seguida distribuir para a esquerda para DiMaria. O 2º golo do Real avizinhava-se. Aos 56″ Di Maria recebeu na esquerda e fez um passe a rasgar para o coração da área onde apareceu Jesé Rodriguez numa fantástica diagonal (ultrapassando em velocidade os dois centrais do Atlético) a chutar para o 2º golo da equipa de Carlo Ancelotti na partida, com muitas culpas para Thibault Courtois no lance. O belga ficaria de resto afectado pelo golo, coisa que não é normal no seu jogo: dois minutos depois DiMaria rematou uma bola cheia de efeito que o belga não conseguiu defender à primeira.

Enquanto os adversários capitalizavam, Diego Costa continuava no jogo de provocações: aos 60″ reagiu mal a uma entrada de DiMaria e recebeu cartão amarelo de Clos Gomez. Como não poderia deixar de ser, Pepe aproveitou a deixa para se rir na cara do avançado do Atlético de Madrid. Diego Costa não gostou da atitude muito feia do central e já na área, quando os jogadores se alinhavam para o livre, decidiu dar uma tapa no titular da selecção nacional. Minutos depois seria Insúa a fazer uma falta muito feia sobre Jesé que seria passível de cartão vermelho.

Os ânimos voltaram a subir. O Atlético tentou esboçar uma reacção ao 2º golo do Real. Simeone tirou Arda e colocou Adrián junto de Diego Costa. Bola cá bola lá. Num canto aos 70″ Pepe esteve perto do dois zero. 2 minutos depois num canto no lado oposto, Modric salvou na linha uma cabeçada triunfal de Diego Godín com Iker Casillas completamente partido. Mais uma vez o croata seria providencial. Se a cabeçada do central uruguaio, a história poderia ser outra.
Para terminar com as dúvidas aos 74″ Angel DiMaria iria selar o jogo com mais um remate que iria ressaltar num defesa do Atlético de Madrid, neste caso, no central Miranda.

Como uma joelhada nunca vem sozinha, no minuto seguinte foi a vez de Sérgio Ramos quebrar mais uma vértebra costal de Diego Costa num lance passível de cartão vermelho. Até ao final da partida, o Real limitou-se a circular bola, facto que provocou os habituais “olés” da aficción e Ronaldo tentou almejar a baliza de Courtois por duas vezes. Noite desinpiradíssima de CR7 numa importante vitória do Real Madrid que assim assegura praticamente o passaporte para a final da prova. Será muito difícil para a equipa de Simeone executar a remontada no Vicente Calderón.

Exibição péssima do árbitro Clos Gomez do Colégio de Aragão. Se tivesse iniciado o jogo a punir severamente as fitas de Diego Costa e as agressões dos defesas do Real teríamos visto um jogo mais espectacular. Um bocado de picardia não faz mal a um jogo mas não foi isso que vimos no Bernabéu. Arbeloa passou impune a uma grande penalidade num lance de bola corrida, a outra por agressão dentro da área e a outra agressão quando pisou Diego Costa. As joelhadas de Pepe e Sérgio Ramos a Diego Costa roçaram a violência. O brasileiro naturalizado espanhol só se prejudicou ao provocar este circo. Foi uma sombra do Diego Costa que pudemos apreciar no início desta temporada. Completamente encolhido no meio de Pepe e Sérgio Ramos. Mais grave que isso é o facto do brasileiro andar jogo após jogo a praticar este tipo de atitudes nos relvados.

 

O que eu ando a ver #23

Uma cabeçada de Pepe deu a vitória ao Real Madrid no Corneliá El Prat em Barcelona. Exibição muito desgarrida dos madrilenos na primeira parte perante um inofensivo espanyol. Ronaldo numa noite não falhou 3 golos certos: na primeira parte falhou na bola na cara de Kiko Casilla (bom guarda-redes) a passe de Benzema, depois de um trabalho individual do francês pelo flanco esquerdo e na 2ª parte, voltaria a falhar por mais duas ocasiões na cara do guardião da equipa catalã, a última, já perto do fim, com a baliza completamente aberta. Noite não do astro português na noite que antecedeu a entrega do Ballon D´or 2013.

No Real Madrid, destaque para as exibições de Xabi Alonso, Dani Carvajal e Luka Modric. Aproveitando o pendor ofensivo do lateral espanhol, os dois primeiros combinaram várias vezes, abusando para o efeito Xabi Alonso do seu passe longo. O 2º foi incansável no meio-campo. Tanto na execução das transições ofensivas da equipa assim como enquanto bloco de pressão.

Inofensivo Espanyol com Javier Aguirre na bancada. O mexicano cumpriu o primeiro de quatro jogos de suspensão na partida contra os madrilenos depois de ter sido expulso no jogo entre Osasuna e Espanyol a contar para a Taça do Rei. Tal facto motivou os adeptos do espanyol de barcelona a lançar várias mensagens de incentivo ao treinador durante a partida.

jhon cordoba

Da equipa barcelonista pouco ou nada se viu senão uma postura defensiva. Até ao golo da partida. A equipa tentou reagir na segunda parte mas provou aquela que considero a sua maior dificuldade: a articulação de jogo entre sectores. Destaque para dois jogadores dos barcelonistas: o colombiano Jhon Córdoba, avançado de 20 anos que andava pelo Querétaro, equipa da Liga Mexicana, equipa que aliás emprestou este talento ao Espanyol. Bem aproveitado é um jogador com algum futuro. Muito forte fisicamente, muito batalhador, apesar de não ser um matador nato (nem ter características para isso) é um jogador que mói defesas inteiras. Muito móvel, anda de um lado para o outro a ganhar jogo. Bom avançado para acompanhar um homem-de-área.

 

a coçar o direito

com toda a razão. a posição de DiMaria no Real faz-me lembrar o efeito McManaman. o efeito do qual padeceram Sneijder, Callejón, Higuaín, Arjen Robben, Soldado e outros tantos nesta última década do clube: a cada bomba de mercado, um útil sem espaço no plantel. ainda não vi nenhum jogo de DiMaria no Real, à esquerda, ao centro ou à direita em que este não tivesse rendimento. muitas outras foram as vezes em que desequilíbrou de forma decisiva.

entretanto DiMaria já veio responder a toda a polémica. certeiro.

O que eu ando a ver #18

Nas vésperas de mais um grande clássico para a Liga ACB Endesa, a jogar-se no domingo em Madrid na Caja Mágica:

O Barcelona de Xavi Pascual bateu o “candidato” Gran Canária no Palau Blaugrana numa partida muito fraca do ponto de vista de exibicional. Ao intervalo ambas as equipas estavam na casa dos 20 pontos com o Barcelona em vantagem por 27-21. Na 2ª parte, valeu a maior experiência da equipa Barcelonista e a sua maior efectividade de lançamento. Ver nos instantes finais o fantástico buzzer-beat do internacional Marcelinho Huertas, pese embora o lançamento já não contar para o desfecho final no marcador.

No final do jogo entre catalães e baleares, a Sporttv deu o jogo entre o FIATC Joventut de Badalona e o Real Madrid. Regresso de Rudy Fernandez à casa que o viu crescer para o basquetebol. O Real Madrid venceu a equipa de Badalona (Catalunha) por 72-68 e confirmou o melhor arranque de sempre da história do baloncesto do Real Madrid com 24 vitórias em 24 jogos.