Portugal x Camarões

Um jogo pobre na primeira parte, mais interessante na segunda. Esta equipa dos Camarões, ou muito me engano, ou saí do Brasil sem uma única vitória. Tirando a dupla de centrais, o Song e o Eto’o (que hoje deve ter tido as ordens do costume do Mourinho para não jogar um chavo), o resto são alguns jogadores com excesso de velocidade e pouca técnica, e lá pelo meio está um sarrafeiro à antiga (Ekotto).

Relativamente à Selecção, bom jogo na segunda parte, onde aproveitámos bem o potencial que temos em jogar nas transições. Todos os jogadores subiram de produção na segunda metade, e o resultado foi-se avolumando naturalmente. De realçar o facto de Ronaldo passar a ser o melhor marcador da selecção, superando Pauleta. Ronaldo já conta com 49 e a tendência é continuar a marcar.

Também deu para aferir outras coisas importantes:

– Está visto que o Ivan Cavaleiro ser convocado e jogar foi uma manobra para aumentar o seu valor de mercado com uma internacionalização. É a única explicação possível. Ainda não tem qualidade para ser sequer terceira opção nos AA. De realçar, contudo, o belo pormenor para o 3-1 de Portugal.
– Estreia de Rafa deixa bons indicadores, mas precisa de continuar a jogar e evoluir no Braga. Parece-me que poderá ir ao Brasil, mas dificlmente terá oportunidades para ser titular ou suplente utilizado, a não ser que tenhamos a qualificação para os oitavos assegurada no último jogo (altamente improvável).
– O William Carvalho ainda tem de melhorar muito defensivamente, principalmente no tempo de entrada. Fez demasiadas faltas, e terá de ter cuidado com isso no Mundial, caso seja o titular. Aumentou de produção na segunda parte, algo que se tem verificado muito quando joga no Sporting, nesta segunda volta do campeonato. Fez um passe fantástico na segunda parte para o Ronaldo. O William que só lateraliza, não é?
– Apesar de alguns jogadores estarem a fazer uma temporada abaixo das expectativas, seja por falta de ritmo ou por não estarem numa equipa que corresponda à sua qualidade, quem sabe não esquece. Bons jogos de Moutinho e Coentrão, possivelmente os melhores em campo por parte de Portugal. A juntar a Ronaldo, obviamente.
– Gostei muito do Neto. Parece-me estar mais evoluído enquanto jogador, principalmente na antecipação e leitura dos lances. O Rolando pareceu-me a acusar um pouco a responsabilidade de vestir a camisola. Acusou a pressão do Paulo Bento estar entre ele e o Ricardo Costa?
– O Edinho não tem qualidade para a equipa A, mas teve lá um pormenor para meter no DVD do empresário.

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Pré Portugal X Camarões

Foi hoje divulgada a convocatória para o jogo de dia 5 de Março contra a congénere dos Camarões, nessa convocatória Paulo Bento surpreendeu a generalidade dos seguidores atentos do futebol português, uma vez que optou por fazer deste jogo de preparação uma oportunidade para observar alguns elementos que se podem estrear pela selecção principal e por deixar de fora outros elementos que costumam ser os habituais convocados. No entanto continuam a não deixar de ser estranhas algumas escolhas e se me agrada o facto de abrir as portas a novos elementos, desagrada-me que as portas continuem abertas a unidades que não merecem constar desta lista.

Logo na posição de guarda-redes pode-se dizer que Eduardo não merece tanto aquele lugar como poderia merecer Ricardo da Académica (também pré convocado por mais que uma vez, mas nunca tendo a real hipótese de jogar), o Braga tem estado mal e muitas vezes Eduardo tem tido créditos nisso. Depois Anthony Lopes, por muito que lhe reconheça talento, acho que a política dos meio portugueses ou naturalizados deveria ser totalmente banida das selecções, pois só vem descaracterizar aquilo que deve ser a selecção e acaba por fechar portas a outros elementos com tanto ou mais valor, mas menos visibilidade, no entanto este caso ainda é dos menores a ter em conta.

No eixo defensivo quase nada se altera, apenas realço que Paulo Bento podia ter sido mais ambicioso e ter deixado Coentrão de fora para testar outra alternativa à esquerda e podia muito bem deixar Ricardo Costa em Valência procurando também uma solução mais válida e capaz para ocupar a sua posição como por exemplo Paulo Oliveira (Vit. Guimarães). Depois não compreendo como é que Cedric não consta desta convocatória e se alguém me quiser tentar explicar por a+b fico agradecido.

A espinha dorsal também pouco é alterada, entram para a convocatória Rafa e Ruben Amorim onde o primeiro merece claramente o lugar dadas as boas exibições e a qualidade que já mostrou. Apesar do mau momento geral do Braga, este tem sido dos poucos que rema contra a maré e é claramente uma mais valia, quer nos minhotos, quer para a selecção. Precisamos de um desequilibrador criativo no meio, com bastante qualidade e o lugar assenta que nem uma luva neste miúdo, veremos se é para ficar. Já Ruben Amorim aparece aqui a fazer valer o lugar de tapa buracos, podendo jogar em quase todo o lado do meio campo e ainda a defesa direito, no entanto mais uma vez não se percebe como Adrien Silva fica de fora!

Por fim, na linha da frente considero a inclusão de Ivan Cavaleiro e Edinho ridículas. O primeiro claramente vai porque querem fazer dele o novo Eusébio, o segundo vai porque é um tosco e o outro tosco lesionou-se podendo vir a falhar o mundial. Considero a segunda opção mais grave que a primeira e acho que se o critério aplicado a Cavaleiro fosse o mesmo a aplicar para decidir quem  poderia ocupar o lugar de Postiga, então Mané teria de ser o escolhido, compreendo que são posições diferentes e ter apenas Hugo Almeida como referência do ataque seria impossível, mas porquê Edinho e porque não Luís Leal (ex Estoril)?

De destacar a não convocatória de Quaresma e Fernando é compreensível, mas se tivermos em conta que Josué está incluído no lote é um crime o Português não ser chamado, já o brasileiro se quer ir ao Mundial deveria esforçar-se por impressionar Scolari e se vier a ser chamado por Portugal estamos perante mais uma situação do ridículo e mesquinho do nosso futebol! Sobre Fernando o seleccionador disse mesmo que “Não está nem podia estar pré-convocado ou convocado. É um problema que está à margem da questão desportiva. Tal como disse em relação ao Quaresma, o mesmo se passa com o Fernando ou com outro jogador. Não significa que não possa vir a estar na convocatória para o Mundial” o que me leva a crer que é mais um que já está inserido na lista definitiva.

Custa-me também não ver Sílvio (pode fazer a direita e a esquerda apesar dos problemas físicos), Tiago Gomes (o Estorilista era uma boa opção para a esquerda), Luís Gustavo e Pedro Santos (Rio Ave) e Diogo Viana (Gil Vicente) ou Miguel Rosa (Belenenses). Isto permitiria ver jogadores com algum nível, das competições internas e motivaria certamente ao esclarecimento de algumas dúvidas. Já de jogadores a jogar fora, gostaria de ter visto uma oportunidade dada a Ruben Vezo ou a Bruno Fernandes, ambos merecedores de uma chamada mesmo que para o banco da selecção.

Em conclusão acho que esta convocatória não passa de um rebuçado e que a convocatória do Mundial já está escrita e assinada por Jorge Mendes e Paulo Bento, sendo possível que haja uma ou duas surpresas, não vejo espaço a tantas modificações como as que se vêm para este particular.

#sorteio da fase de qualificação para o Europeu de 2016

Uma análise mais detalhada às selecções fica para as antevésperas dos primeiros jogos (em Setembro) de forma a poder escrever com um maior conhecimento dos novos ciclos que serão impostos nas selecções pelos seus respectivos seleccionadores.

As bolinhas agraciaram novamente à nossa selecção um grupo a 5. Na fase de qualificação para o Europeu de 2016, prova que se irá realizar em França, a selecção portuguesa vai medir forças com Dinamarca, Sérvia, Arménia e Albânia, com a particularidade de, as duas primeiras do grupo e as 6 melhores terceiras dos 9 grupos serem apuradas directamente para a competição visto que esta será a primeira na história a contar com a participação de 24 selecções na fase final.

Sérvia

O grupo está claramente ao alcance de Portugal. Na minha opinião, o primeiro lugar do grupo será discutido entre Portugal e Sérvia. A selecção sérvia apresenta-se como a mais forte concorrente. É uma selecção cujo talento e cujos actores bem conhecemos do Benfica e das maiores ligas europeias, casos de Kolarov, Nastasic, Neven Subotic, Vidic, Ivanovic (e só aqui está a defesa sérvia) Milan Bisevac (Lyon) Nenad Tomovic (Fiorentina) Nemanja Matic, Zoran Tosic (CSKA Moscovo) Filip Djordjevic (Nantes) e Aleksandar Mitrovic (Anderlecht) – quase todos estes jogadores já jogaram contra equipas portuguesas nas competições europeias esta temporada.

Dada a sua qualidade, o rotundo falhanço cometido na fase de qualificação para o mundial 2014 e as expectativas que são depositadas pelos sérvios nas próximas 3\4 competições internacionais, a selecção sérvia entra na ronda de qualificação com a margem de erro muito diminuta.

Dinamarca

Já a Dinamarca irá entrar na ronda de qualificação para o Euro´16 em plena fase de renovação dos seus quadros. A espinha dorsal da selecção dinamarquesa nos últimos anos, jogadores como Dennis Romedahl, Lars Jacobsen, Krohn-Deli, Nicolai Stockholm, Christi Poulsen, Daniel Jensen já renunciaram à selecção nos últimos anos ou poderão fazê-lo dentro de meses. Neste momento está a despontar uma nova geração de jogadores dinamarqueses (Simon Kjaer ainda pode ser incluído; Nicolai Boilesen do Ajax; Peter Ankersen do Esbjerg; Christian Eriksson do Tottenham; Emil Larssen do OB) que poderá dar cartas dentro de vários anos. Contudo, a missão que os dinamarqueses tem pela frente é a de devolver a selecção dinamarquesa à fase final de uma grande prova internacional depois de terem sido o lucky looser da ronda de qualificação do mundial (pior 2º classificado de todos os grupos). Voltam a cruzar-se com a selecção Armena. Recordo que na fase de qualificação para o mundial, a selecção armena (de resto  esta selecção lutou até à última jornada pelo 2º lugar do grupo, pelo que é preciso ter cuidado) foi à Dinamarca vencer categoricamente por 4 golos sem resposta.

Arménia

A Arménia é uma selecção que tem obtido resultados muito satisfatórios nas últimas rondas de qualificação para as grandes provas internacionais por selecções.

Patrocinada pelos grandes oligarcas nacionais, a Arménia soube modernizar as suas infraestruturas, apostar num staff técnico (estrangeiro) competente para evoluir o nível do jogo no país e acima de tudo, o futebol armeno começou aproveitar alguns jogadores nacionais formados em clubes russos e a exportar alguns dos seus seleccionados jovens para clubes de maior nomeada dentro do futebol europeu.

Neste momento a selecção armena tem 21 jogadores no seu lote de convocáveis a jogar no estrangeiro, onde se incluem nomes como o guarda-redes do Dinamo de Moscovo Roman Berezovsky, o trinco do Anzhi Karlen Mkrtchyan, a grande estrela do Dortmund Henrik Mkhitaryan, o médio do BATE Borisov da Bielorussia Zaven Badoyan, o médio ofensivo do Spartak de Moscovo Araz Ozbilis ou o avançado (do mesmo clube) Yura Movsiyan para além da grande referência de ataque da selecção que é o ponta-de-lança Edgar Manucharyan do Ural da Rússia.

Quanto ao modelo de jogo desta selecção, espere-se uma equipa altamente defensiva, a aplicar uma defesa profunda muito difícil de contrariar, com linhas bem juntas a não dar espaço para os jogadores adversários jogarem, altamente matreira no contra-ataque com 2\3 unidades em velocidade para não descurar a organização que é feita lá atras, e que joga sempre neste estilo de jogo tanto em casa como fora.

A Arménia terá como objectivo apurar-se pela primeira vez na sua história para uma grande competição internacional. Se os armenos vencerem os dinamarqueses e os albaneses nas duas partidas, tal feito poderá estar a uma distância muito muito curta, dependendo dos resultados obtidos pelas restantes selecções 3ªas classificadas nos outros grupos.

Albânia

É o elo mais fraco do grupo. Poderá efectivamente atrapalhar as contas do grupo quando receber os restantes adversários em casa. Tem algumas individualidades no seu seio como o capitão Lorik Cana.

lembrete

A estreia da delegação na presente edição dos Jogos Olímpicos de Inverno acontece dentro de aproximadamente 4 horas e 45 minutos. A partir das 5 e meia da manhã, com transmissão em directo na Sporttv, a nossa atleta Camille Dias entra em pista para executar a primeira descida no Slalom Gigante. A Portuguesa irá esquiar com o dorsal 79.

Desportos de Inverno #5

Desfile das delegações no Estádio Olímpico de Sochi:

sochi 2

russia putin

Vladimir Putin e o secretário-geral da ONU Ban-Ki Moon aplaudem a entrada da delegação Russa.

Jamaica

A Jamaica volta a competir no Bobsleigh. A delegação Jamaicana foi recebida com uma enorme salva de palmas no Estádio Olímpico de Sochi.

US Team

A extensa comitiva Norte-Americana.

Mexico

O porta-estandarte da comitiva Mexicana aos Jogos, o príncipe Hubertus Von Hohenlowe-Langenburg de 55 anos. O mexicano é o atleta mais velho presente nos Jogos. Irá competir pela 6ª vez nos Jogos Olímpicos no Slalom e Slalom Gigante.

alemanha

A comitiva Alemã marcou a diferença pelas vestes usadas no desfile.

Irão

Comitiva do Irão.

arthur Hanse

A delegação portuguesa com Arthur Hanse como porta-estandarte. O esquiador fez questão de publicar na sua página de facebook o momento emocionante da recepção feita pela Organização à Comitiva Portuguesa na aldeia Olímpica.

camille

3 anotamentos finais:

1. O 3º regresso à competição de Janne Ahonen.

Janne Ahonen

O esquiador volta pela 3ª vez à competição nos Jogos Olímpicos de Sochi. Já o tinha feito em Vancouver 2010. Ahonen ainda tem a ténue esperança de ganhar uma medalha de ouro, a única que falta ao seu extenso currículo de 2 medalhas de prata (por equipas nos Jogos de Salt Lake City em 2002 e Turim em 2006) 5 medalhas de ouro em Mundiais, 8 medalhas de prata, 4 de bronze, 36 vitórias em etapas da Taça do Mundo e 2 vitórias na Classificação Geral da Taça do Mundo.

2. Noriaki Kasai e Takanobu Okabe

Noriaki Kasai

Noriaki Kasai.

okabe

Takanobu Okabe.

Exemplos de longevidade. O primeiro tem 41 anos, está na sua 7ª participação olímpica e já foi medalha de prata nos Jogos de Lillehammer em 1994. O segundo tem 43 anos e está na sua 8ª participação olímpica e já foi prata em Lillehammer na prova por equipas do trampolim longo e Ouro em Nagano na mesma prova. Irão competir nas provas individuais e nas provas por equipas. Nas provas individuais não serão candidatos às medalhas mas nas provas por equipas podem conseguir um resultado dentro das 5 primeiras, principalmente no trampolim longo, prova onde os Japoneses são grandes especialistas.

3. As “condições” em que decorrem os jogos.

Muito se tem escrito nos últimos dias sobre as condições oferecidas às comitivas na aldeia olímpica por parte da organização bem como sobre as ameaças que pendem sobre estes jogos.

O primeiro celeuma levantado pela comunidade internacional prendeu-se com a aprovação por parte do presidente Vladimir Putin do decreto que proíbe e criminaliza a homossexualidade na Rússia. Vários chefes-de-estado comunicaram que não iam marcar presença na cerimónia de abertura dos Jogos. Várias vozes chegaram a pedir o boicote aos Jogos.

Várias também foram nos últimos dias, as ameaças terroristas proferidas pelos líderes dos grupos separatistas do Daguestão.

Já não seria a primeira vez que um grupo deste calíbre aproveita um evento desportivo (tão mediático) para dar visibilidade à sua luta através do terror.

A possibilidade destes ou de outros grupos terroristas executarem um ataque terrorista em Sochi durante os jogos aumentou, facto que levou a Agência Nacional de Transportes Norte-Americana a proibir o transporte de liquidos e pastas de dentes em todos os voos comerciais entre território norte-americano e território russo visto que podem ser fácil esconderijos para a colocação de dispositivos bombistas.

O próprio presidente Norte-Americano Barack Obama mostrou-se confiante quanto às medidas de segurança dispostas pelas autoridades russas.

Outras notícias afirmam as más condições existentes na cidade e na aldeia olímpica.

O Público notícia hoje que em Sochi ficou muito por fazer apesar do facto da organização russa ter sido a mais cara organização de uns Jogos Olímpicos de Inverno com um valor recorde de 50 mil milhões de dólares.

O New York Times noticiou ontem que as autoridades russas trataram de fazer desaparecer todos os cães vádios da cidade.

À TSF, o chefe da missão Portuguesa Pedro Farromba afirmou que as condições encontradas pela comitiva portuguesa na aldeia olímpica são satisfatórias, realçando que os membros da organização estão a esforçar-se para que nada falte às delegações na sua estadia em Sochi.

O que eu ando a ver #35

Rugby Sevens World Series – Wellington, Nova Zelândia- há poucos minutos atrás.

 Inglaterra 36-7 Portugal

A selecção nacional estreou-se no torneio com uma derrota frente aos ingleses por 36-7. Registaram-se melhorias em relação ao jogo inicial da fase-de-grupos da etapa americana, disputada há 2 semanas atrás em San Diego, etapa onde os lobos foram fuzilados pelos ingleses por 54-0. Muitas ausências na equipa portuguesa em virtude do jogo da selecção de XV no sábado frente à Geórgia para o Torneio Europeu das Nações. Convocados para os XV, titulares indiscutíveis dos sevens como Pedro Ávila, Pedro Leal ou Carl Murray não podem dar o seu contributo na etapa neozelandesa.

4 ensaios a abrir dos ingleses na primeira parte selaram a previsível vitória no encontro. Nos primeiros 7 minutos e meio, a equipa portuguesa não conseguiu acompanhar o ritmo imposto pelos ingleses, não conseguiu estender a sua defesa e não conseguiu ter bola de forma a construir fases ofensivas. Na única posse de bola em que os portugueses conseguiram ter posse de bola nos 22 ingleses surgiu o único ensaio da equipa orientada por Pedro Neto. Diga-se de resto que o ensaio português foi o mais bonito da partida com o médio de formação André Aquino a jogar ao pé para as costas da defesa inglesa, abrindo espaço à entrada de Manuel Costa do Belenenses para o ensaio.

Na transmissão televisiva apareceu um dado curioso: Portugal é a equipa com mais erros não forçados nas transmissoes de bola (passes para a frente, toques para a frente) nas Sevens World Series com 93 erros cometidos em todos os jogos disputados na prova.

Nova Zelândia vs Fiji

Uma fantástica arrancada de trás do meio-campo de Samisoni Viriviri, jogador que recentemente assinou pelo Montpellier do Top 14 para a época 2014\2015, deu a vitória na 2ª parte às Ilhas Fiji sobre a Nova Zelândia. Numa partida em que os jogadores das duas equipas lutaram muito no chão pela posse de bola, as Fiji aproveitaram um sin bin a Scott Curry perto do fim da primeira parte para marcarem o seu primeiro ensaio na partida por intermédio de Emose Volevoro. Ensaio de resto não convertido no drop kick.

Na segunda parte a Nova Zelândia chegou a estar na frente do marcador por 7-5 (ensaio de Sherwin Stowers com conversão de Gilles Kaka) mas o ensaio de Viriviri a 3 minutos do fim haveria de ditar o resultado final em 12-7 para a selecção insular.

O que eu ando a ver #27

south africans

Sevens World Series

Depois da vitória na etapa Sul-Africana (Port Elizabeth) numa final disputada frente à Nova Zelândia, a equipa sul-africana tomou-lhe o gosto e voltou a vencer, desta feita na etapa americana de Las Vegas, batendo novamente os neozelandeses na final por 14-7. Os Sul-Africanos vencem assim a etapa norte-americana pela 2ª vez consecutiva. Já os Neozelandeses perdem pela 4ª vez consecutiva na prova realizada no estado do Nevada.

A equipa de Neil Powell aplicou uma mestria defensiva fantástica durante todo o torneio. Implacáveis a atacar, placadores efectivos a defender, os sul-africanos apenas sofreram 2 ensaios (14 pontos) durante todo o torneio, um deles na final frente aos neozelandeses onde até começaram a perder e a ver os All-Blacks jogar (nos primeiros 4 minutos os neozelandeses fizeram 21 passes contra 0 dos sul-africanos). A partir daí deu-se a reviravolta dos sul-africanos. Apesar do melhor breakdown (jogo no solo) dos neozelandeses, fruto de maior talento nesse departamento de jogo (Tim Mikkelson, TJ Forbes) a equipa sul-africana soube capitalizar todos os erros dos austrais, em particular, no lance do 2º ensaio com o poderosíssimo Werner Kok finalizou uma bola que começou num erro de Gilles Kaka. O primeiro ensaio dos Springboks foi obtido já no final da primeira parte por intermédio do meu homónimo “nada parecido comigo” Branco Du Preez, ensaio obtido praticamente na primeira jogada ofensiva da formação vestida com o verde da bandeira sul-africana.

Com esta vitória, à 4ª ronda nas World Series, os Sul-Africanos ultrapassaram os neozelandeses no 1º lugar da prova.

Nas outras “finais”:

– no jogo de atribuição de 3º e 4º lugar, o Canadá confirmou o excelente torneio que fez em Las Vegas ao bater a Samoa por 22-19. Os Canadianos venceram equipas bem mais fortes no caminho para as meias-finais da Cup (Quénia, Gales e França) perdendo apenas na fase de grupos para a África do Sul e nas meias-finais frente à Nova Zelândia.

– Na final da Plate, num dos melhores jogos do torneio a Inglaterra bateu a Austrália por 26-24.

– Na final da Bowl, as Fiji cilindraram o Quénia por 35-0

– Na final da Shield, os nossos vizinhos espanhóis foram cilindrados pela selecção da casa por 31-0.

A Selecção Portuguesa esteve presente no torneio, tendo vencido o Uruguai por 19-5 no jogo inaugural e obtido duas calamitosas derrotas por 54-0 frente à Inglaterra na 2ª jornada e frente a Samoa por 35-0. Apurada para a disputa da 3ª taça (Bowl), nos quartos-de-final desta perdeu contra a Escócia por 31-7. Passou para as meias-finais da Shield onde sucumbiu perante nuestros hermanos num jogo que terminaria 12-19.

 

O Eusébio é de todos!

Ponto prévio: nunca vi Eusébio jogar.

Formulei a ideia que dele tenho enquanto jogador, com base nos testemunhos de diversos amigos e familiares, mas também de documentários que vi sobre a carreira do ex-jogador do Benfica. Quando comecei a ter interesse por futebol, mais ou menos na altura em que com seis anos entrei para a Escola Primária, apercebi-me que aquele que era o meu clube, o Sporting, não era o clube da maioria dos meus colegas. Não, não vem aí nenhum choradinho a dizer que fui vítima de bullying por ser “lagarto”, ou que os outros meninos não me deixavam jogar à bola no intervalo por gostar mais do Cadete do que do Rui Águas. O que quero dizer é que cresci naquele período (anos 90) que ainda hoje catalogo como sendo “o auge da arrogância benfiquista”, em que não apenas os meus colegas de Escola, mas também jogadores e até dirigentes do Benfica me queriam fazer acreditar numa dimensão estratosférica do clube da Luz, com base num palmarés construído há algumas décadas atrás. E, quando se falava dos feitos históricos do Benfica, irremediavelmente a conversa passava pelo nome de alguém que, também neste assunto, era uma referência dentro da área: Eusébio.

Sempre tive respeito por Eusébio. Eu, que nunca o vi jogar, aprendi a admirá-lo por um motivo diferente daqueles que tiveram a sorte de vibrar com os seus golos. Admirei-o fundamentalmente pela humildade. Pela humildade que muitas vezes os meus colegas da Escola, os jogadores e os dirigentes do Benfica daquela altura não tinham. Sempre achei que o facto de tanta gente usar os feitos de Eusébio para elevar a dimensão do Benfica, contrastava com o facto de o próprio Eusébio – que, ele sim, tinha legitimidade para ser arrogante – nunca aparecer publicamente a gabar-se daquilo que havia feito no passado pelo seu clube e pela imagem do país.

Sempre defendi que as grandes figuras públicas, independentemente das cores (políticas, desportivas ou outras) que defendem, devem ser protegidas quando chegam a uma certa idade. De José Saramago, passando por Mário Soares, até ao próprio Eusébio, tenho defendido a ideia de que familiares e amigos devem proteger aqueles que, das mais diversas formas, deram de si ao país, e que fruto do avanço da idade começam a perder discernimento e a manifestar publicamente opiniões menos válidas e ponderadas.

Nos últimos anos, Eusébio disse que odiava o Sporting, que queria que o clube perdesse sempre, e que o Sporting era um clube racista. E eu não fiquei zangado com ele por causa disso. A admiração que fui tendo pela sua postura na vida e pelo estatuto e respeito que, com o seu suor, conquistou na nossa sociedade, era superior ao rancor que lhe poderia guardar por umas quaisquer declarações feitas num contexto que desconheço. Não precisei que o Eusébio falecesse para perceber que, à conta de tudo aquilo que ele fez, “o Eusébio é de todos”, algo que eu julgo que o próprio Eusébio, essencialmente fruto da sua humildade, nunca chegou a ter verdadeira noção.

Ao longo do dia de hoje (Domingo), foram prestadas algumas bonitas homenagens ao Pantera Negra, como a do adepto sportinguista que logo pela manhã colocou um cachecol do Sporting na estátua de Eusébio, no Estádio da Luz. Mas também é certo que houve alguns episódios menos bonitos, um deles protagonizado precisamente por Mário Soares que, num momento delicado como este, veio afirmar que Eusébio havia sido “um homem com pouca cultura”, que “bebia muito whisky todos os dias”.

Achei também algo precipitado que, poucas horas depois de se saber que Eusébio nos tinha deixado, em declarações à Benfica TV já Luís Filipe Vieira afirmasse que o contrato que Eusébio tinha com o Benfica era para manter activo e ser respeitado, e que reverteria a favor da viúva do Pantera Negra. Nessa mesma entrevista, também a questão de se o facto de Eusébio ter falecido podia ser visto como um factor aglutinador e de ‘incentivo extra’ para motivar e melhorar o desempenho da equipa de futebol, me pareceu algo despropositado. Não por considerar que as duas questões não sejam pertinentes, mas por achar que o timing não foi o melhor.

Espero não ser mal interpretado em nada do que escrevi, aproveitando para mandar um abraço sentido aos adeptos benfiquistas que nos lêem. E aos do Porto. E aos do Sporting. Afinal de contas, “o Eusébio é de todos”.

morreu o pantera negra

Episódio da série “Football Greatest” dedicado a Eusébio realizada pela Sky Sports com a participação de Sandro Mazzolla e Alfredo Di Stéfano.

formidável

Eusébio da Silva Ferreira, o King, o Pantera Negra, retratado pela magnífica lente do fotógrafo conimbricense Fernando Marques, conhecido como “Formidável” (único fotógrafo português com originais da participação portuguesa neste campeonato do mundo) sai lavado em lágrimas do relvado do Estádio de Wembley no final da injusta e manipulada eliminação da selecção portuguesa nas meias-finais do campeonato do mundo de 1966 frente à selecção da casa, a Inglaterra, por 2-1. Todas as fotografias do Formidável foram vendidas à Câmara Municipal de Coimbra por um dos seus filhos, estando hoje (quase na íntegra e sem que ninguém as catalogue\ pessoalmente já cheguei a enviar uma carta à CMC para me deixar digitalizar e catalogar o espólio do Formidável sem receber um tusto e nem sequer obtive resposta) encaixotadas numa sala da Biblioteca Municipal de Coimbra.

Morreu o King. Aos 71 anos. Idolatrado pelos benfiquistas, por milhões de portugueses, por milhões de cidadãos naturais dos países de origem portuguesa e por milhões de adeptos que o viram jogar. Respeitado pelos adeptos dos rivais do Benfica. Endeusado como um ícone da história do futebol por centenas de colegas de profissão contra os quais jogou. Eusébio da Silva Ferreira, o homem que ao contrário do que muitos afirmam não era avançado mas sim médio ofensivo centro. O homem que corria milhas por jogo com a bola nos pés. O homem que tinha um pontapé canhão. O homem que combinava na perfeição com um ataque de luxo formado pelo “bom gigante” José Torres, José Augusto, José Águas, Mário Coluna, Cavém e outros tantos, noutra geração gloriosa do Benfica, como Artur Jorge ou Toni. O homem que chocou Pelé na sua primeira aparição internacional, precisamente frente ao Santos do Rei, com uma 2ª parte de sonho. O homem que nasceu pobre num bairro de Lourenço Marques (Maputo) e no Sporting local se fez uma grande promessa do futebol. O homem que deu 4 à difícil Coreia do Norte naquele célebre 5×3. O homem que retirou à Académica a possibilidade de abanar definitivamente o regime do Estado Novo. O homem que negativamente, nos últimos meses de vida, afirmou que o Sporting “é um clube racista”. Esqueçamos todos os momentos negativos..

Morreu o King e o futebol português ficou hoje mais pobre. Perdurará na memória de todos o grande símbolo nacional português e moçambicano que Eusébio da Silva Ferreira sempre irá representar ad-eternum.

Descubram as diferenças

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Sim, estão a ler bem – A Comissão Europeia, entidade que nos exige um estricto cumprimento orçamental, acabou de aprovar as ajudas públicas francesas no valor de 1,05 mil milhões de euros à organização do Euro´16.

Para todos aqueles que acham que a administração central dispendeu rios de dinheiro nos estádios do Euro 2004, vejam este estudo realizado pelo ISEG. 13% do custo total dos estádios. Foi a percentagem de dinheiros públicos utilizados na comparticipação dos mesmos. Como o estudo indica, muito menos que o mundial realizado 2 anos depois na Alemanha, quase 4 vezes menos que Polónia e Ucrânia, quase 3 do que os franceses orçaram para o evento em 2016.

Apenas gastámos mais do que Suiços e Áustriacos, que, como sabem, não construíram qualquer estádio de raiz, limitando-se a modernizar (de forma racional) as estruturas existentes.

Infinitamente menos do que gastaram as organizações do mundiais na África do Sul, Coreia\Japão e Brasil.

O Tottenham da era André Villas – Boas

Para quem não sabe, André Villas – Boas foi demitido ao final da manhã de ontem do seu cargo de treinador principal no Tottenham Hotspur, após uma humilhante derrota por 0-5, em casa, e frente ao Liverpool. Para quem está surpreendido, era expectável que chegasse a este ponto. Julgo que a época do Tottenham não estava a ser assim tão má para os recursos humanos e estruturais de que o clube dispõe, neste momento, mas as humilhantes derrotas frente a Manchester City, West Ham e Liverpool ditaram a fatalidade.

Mas então o que falhou na era Villas – Boas?

Julgo que o principal problema do AVB foi a sua ideia de jogo. AVB tentou implementar, no futebol britânico, uma nova cultura de futebol. Devido às características muito próprias dos campeonatos ingleses, é sempre muito difícil conseguir implementar um nova cultura dentro da cultura, excepto se fores um pré-destinado (como é o caso de José Mourinho). Até aqui tudo bem. Contudo, o estranho é AVB ter tentado implementar, desde o primeiro dia em White Hart Lane, um modelo de jogo completamente desadequado com as ideias de jogo que implementou na sua curta estadia em Portugal. Quando AVB chegou à Académica, conseguiu recuperar um conjunto de jogadores “nas lonas” em termos anímicos e psicológicos. Após consegui-lo, implementou um modelo de jogo que consistia na posse de bola e da aglomeração da mesma nas zonas mais frágeis do adversário e na constante pressão alta no processo de recuperação de bola. Poucos se deverão lembrar que esta Académica era entusiasmante, e pouco se lembrarão que o trabalho que o Villas-Boas lá fez não foi menos do que notável. Por isso é que foi parar ao FC Porto. E na cidade Invicta transportou o mesmo modelo e ideia de jogo, desta vez com jogadores de maior qualidade individual. O resultado dessa época 10/11 está escrito na história. E o que está escrito não foi só obra dos jogadores. Villas-Boas é um belíssimo treinador, e tem um potencial imenso em certos aspectos. Infelizmente, o que se viu por Inglaterra foi um treinador que além de não conseguir adaptar essa ideia aos seus jogadores, fez com que ela deixasse de existir. Quando se via o Chelsea e principalmente o Tottenham a jogar, assistia-se constantemente a uma equipa inflexível, sem fio de jogo e extremamente dependente de 1 ou 2 individualidades. Algo completamente antagónico com a ideia que AVB apresentou em Portugal. Porque abdicou Villas-Boas das suas ideias?

Parece também que tivemos no Tottenham o mesmo que no Chelsea: AVB a não se conseguir impor frente a um grupo de futebolistas cheio de vícios. Muito se falava que, no FC Porto, o Villas – Boas não era a pessoa que controlava o grupo de trabalho, mas sim o Vítor Pereira. enquanto o Villas – Boas preparava a equipa em termos técnico – tácticos para jogar o melhor futebol possível, o Vítor Pereira procurava atender às necessidade motivacionais da equipa. Parece faltar liderança a Villas-Boas. Tal como no Chelsea, onde foi engolido por um balneário complicado, é possível que tenha acontecido o mesmo em White Hart Lane. Quem quiser pode verificar os tweets do Assou-Ekotto, dispensado por AVB no início da temporada:

https://twitter.com/AssouEkotto/statuses/412278969619476480

O outro problema prende-se com a qualidade individual dos jogadores do Tottenham. É certo e sabido, tanto AVB como o Levy reiteraram que o objectivo no ano passado era atingir a Champions. Neste ano, o objectivo continua (?) a ser o mesmo. Por outras palavras, o Tottenham teria de ser top-4 nesta Premier League. Eu faço a pergunta: como é possível este Tottenham ser top-4 nesta Premier League? Estou saturado de dizer que este Tottenham não tem capacidade individual para lutar contra outros clubes com os mesmos objectivos, como Arsenal, Chelsea, Manchester City, Liverpool. Ninguém pode atacar um top-4 com o Soldado quando outros atacam com Giroud, Eto’o, Aguero, Suarez, Sturridge. Ninguém pode atacar um top-4 sem um abre-latas, quando os outros têm isso com Ozil, Hazard, Aguero, Silva, Suarez (Poderá ser Eriksen, quem sabe, mas tem de recuperar da lesão e adaptar-se). Ninguém pode atacar um top-4 sem um dupla de centrais consistente. E finalmente, e referindo um pouco o mau investimento que foi feito e relacionando com a falta de uma boa dupla de centrais, ninguém pode atacar um top-4 com zero defesas esquerdos, e adaptar o seu melhor central a lateral-esquerdo sucessivamente. Um erro crasso!! A fazer lembrar Jorge Jesus 2010/2011, onde tentou ganhar um campeonato frente ao FC Porto de AVB a jogar com um defesa esquerdo sem qualidade de Liga ZON Sagres.

Além disso, pelo que estamos a ver, dificilmente terá capacidade para contrariar as surpresas da temporada se mantiverem o nível (Southampton, Everton) e ainda tem o Manchester United à perna que irá subir de rendimento ao longo da temporada para tentar chegar, no mínimo, ao top-6. Não estarão as ambições pré-definidas no início da temporada pela equipa directiva e técnica do Tottenham desajustadas com a realidade?

Outros diriam que ao André Villas – Boas faltou tempo para assimilar um conjunto de novas contratações à sua metodologia e formar uma modelo de jogo não tão excessivamente dependente do Gareth Bale (como era no ano passado). Eu discordo, em grande parte, desta afirmação. Para quem pouco se lembra, no ano passado, também não existia fio de jogo. Mas existia Gareth Bale, que adaptado a uma função de médio-ofensivo, pautava e ditava o ritmo da sua equipa, e decidia muitos jogos a favor da sua equipa. Por alguma razão ele foi nomeado BPL Player of the Season e foi parar ao Real Madrid pela quantidade exorbitante que foi. Mal seria ter um dos melhores do mundo no clube e não fazer a equipa em redor do mesmo. Mas não deixou de ser engraçado ver os tweets de Rio Ferdinand e Gary Neville, ambos a defenderem AVB:

Sinal de que em Manchester, os jogadores estão habituados a acreditar nos ciclos e em dar tempo ao tempo, embora acho que neste caso, não têm muita razão e o projecto Tottenham 13/14 estaria condenado ao fracasso, numa equipa que, ao contrário do Manchester United, está à procura de chegar ao top-4 a curto-prazo através do investimento rápido e eficaz (algo que não tem acontecido). Um choque de mentalidades e de ideias interessante.

Não há como evitar: André Villas – Boas voltou a falhar, uma vez mais. Um exemplo gritante de como fazer uma péssima gestão de carreira. Mas é preciso referir que a culpa não morre solteira, e nem toda a culpa é dele, como já referi em cima. A falta de uma estrutura e a falta de uma liderança forte prejudicam e muito este Tottenham. Tal como André Villas – Boas quando foi para o Chelsea, o Tottenham parece-me um clube que está a tentar dar um passo maior do que perna. As ambições do Tottenham não correspondem à estrutura, eficácia do investimento e qualidade individual da sua equipa. E venha quem vier, julgo que não conseguirá endireitar as coisas a tempo durante o resto da temporada, excepto se o Levy finalmente investir como deve ser no mercado de inverno.

Ppara AVB, está na hora de tirar um ano sabático e pensar nas suas ideias. O regresso de Vítor Pereira para seu adjunto poderia ser algo positivo, o que lhe daria margem para se concentrar nas equipas em termos técnico – tácticos e deixar outras tarefas onde não é tão competente (motivação e liderança, por exemplo). E que não volte a Inglaterra e vá para um campeonato mais ao seu estilo. Como o campeonato espanhol, por exemplo.

O que eu ando a ver #7

portugal

Teste muito ambicioso para a selecção nacional de rugby nas vésperas da segunda volta do Torneio Europeu das Nações\Qualificação para o Campeonato do Mundo de 2015. Na antecamara do que considero “muito difícil”, ou seja, recuperar em 5 jogos (a disputar em Fevereiro\Março com 2 jogos fora na Rússia e na Roménia, esta última onde a selecção nacional apenas venceu 1 vez) os 7 pontos de desvantagem para a Rússia (para garantir um lugar no playoff final de acesso para o mundial contra a 2ª classificada da zona africana e 1ª da zona sul-americana) e os 12 de desvantagem para Geórgia e Roménia, a jovem selecção nacional de Rugby (recheada de caras novas e a trabalhar há poucos meses sob a liderança de Frederico Sousa depois da demissão do neozelandês Errol Brain) recebeu a selecção 15ª do ranking IRB (Canadá) no Estádio Universitário de Lisboa.

Portugal veio de uma vitória esmagadora na Arena Barueri em São Paulo contra o Brasil (no primeiro jogo disputado entre as duas selecções) por 68-0 num jogo em que a selecção brasileira, como se previa, não apresentou o nível adequado para dar alguma competição à nossa selecção. Não querendo ser crítico em relação ao trabalho dos responsáveis da Federação Portuguesa de Rugby, a ida dos Lobos a São Paulo nesta janela da IRB acabou por ser, na minha modesta opinião, contrasensual com o trabalho de evolução que se pretende para estes novos internacionais que Frederico Sousa inseriu na equipa visto que não é a jogar contra o Brasil que estes jovens irão ter a evolução necessária para encarar os próximos 5 jogos oficiais da equipa. A ida ao Brasil acaba até por chocar com a estratégia de “back on track” que a FIRA\AER traçou para o Rugby Português de forma a colmatar o défice competitivo que este sofreu nos últimos anos. Falo portanto da vaga na Amlin Cup (para os menos entendidos, a Amlin Cup é uma espécie de Liga Europa do Rugby) que a Federação Europeia granjeou esta época aos Lusitanos, equipa formada por jogadores da espinha dorsal da selecção, com o intuito de dar uma maior experiência aos jovens jogadores das equipas portuguesas com vista ao desenvolvimento da selecção portugal em particular e do jogo em Portugal.

O Canadá veio a Lisboa depois de 3 derrotas consecutivas contra os All-Blacks, Roménia e Geórgia. Contudo, o jogo contra os Georgianos em Tiblissi haveria de ser marcado (pela negativa) por uma vergonhosa batalha campal protagonizada em sonância pelos jogadores, dirigentes e público georgiano. Nada que espante um conaisseur dos habituais mimos que os homens de Tiblissi brindam a todas as selecções que os visitam.

O histórico de jogos entre a selecção portuguesa e a selecção canadiana prometiam um jogo equilibrado. Das últimas vezes que se tinham defrontado, os canadianos levaram a melhor por 3 e 8 pontos, sendo que numa dessas partidas a selecção Portuguesa esteve empatada até 4 minutos do fim da partida.

Confesso que só apanhei o directo aos 13″ com o Canadá a liderar por 7-0. Desde logo consegui apanhar o fio à meada. A Selecção Portuguesa apresentou ao longo de todo o jogo (excepto no lance do ensaio obtido por Pedro Ávila) uma grande dificuldade na montagem de fases ofensivas perante uma defesa canadiana muito experiente, muito equilibrada e muito coordenada tanto a deslizar para os flancos como a fechar todos os canais, não permitindo portanto grandes veleidades aos jogadores Portugueses. Tal facto obrigava invariavelmente os jogadores das linhas atrasadas portuguesas a pontapear bolas para os seus congéneres do lado oposto. Nesta estratégia, os canadianos sentiram-se em casa. Em duas três fases, colocavam os seus homens recuados a galopar com muito à-vontade nas linhas portugueses sem que em 2 ou 3 placadores as jogadas fossem travadas. Aí residiu outro dos problemas que a defensiva portuguesa não conseguiu executar ao longo do jogo. Aproveitando a organização (e o pontapé certeiro) do australiano naturalizado canadiano 15 James Pritchard (o mais experiente dos canadianos; jogou em clubes de topo como o Perpignan ou os Northampton Saints; a besta negra dos portugueses pelo número de pontos marcados sempre que actuou contra a selecção portuguesa), o poder de aceleração do ponta Taylor Paris e o enorme jogo do asa Moonlight que anulou por completo os portugueses nos rucks, rapidamente os canadianos chegaram a uma vantagem de 17-0 a meio do 1º tempo. Para travar Moonlight sentiu-se a falta de Julien Bardy. Portugal haveria de responder apenas com um pontapé de penalidade de Pedro Leal, reduzindo a vantagem canadiana de 17-0 para 17-3.

À excepção de Pedro Ávila que ao longo de todo o jogo tentou várias perfurações na defesa canadiana, a linha de 3\4 de Portugal foi uma sombra daquilo que costuma ser e alguns jogadores (como Miguel Leal) acabaram a primeira parte em enormes dificuldades físicas.

Nos descontos de tempo, depois de um turnover, James Pritchard ganha a bola de um dos pontas e num 2 para 1 contra Pedro Leal  assassina mais uma vez a selecção portuguesa sem grande oposição. 3-25. Péssima primeira parte portuguesa do ponto de vista defensivo. Grande primeira parte do veterano e mais experiente jogador canadiano james pritchard (20 pontos). Falha a conversão atirando aos postes.
Portugal tinha obrigatoriamente que melhorar certos aspectos na 2ª parte para se manter na partida: na parte defensiva teria que placar mais alto e com mais efectividade); na parte ofensiva, necessitava-se mais paciencia e organização na montagem das fases e mais bolas nas linhas atrasadas que não tiveram no primeiro tempo jogo à mão.

O descalabro.

Se no primeiro tempo, estes departamentos do jogo não foram vistos na exibição da selecção portuguesa, o pior haveria de vir no 2º tempo.

Com algumas alterações nas linhas recuadas da selecção, Frederico Sousa tentou colocar alguma paciência na organização do jogo ofensivo de Portugal com as 3 substituições ao intervalo. Das substituições resultou por exemplo a passagem de Pedro Leal de centro para a sua posição de origem a médio de formação. Nuno Penha e Costa entrou para 15 e Francisco Appletton entrou para o lugar do lesionado Miguel Leal.

Os primeiros 5 minutos da 2ª parte mascararam bem aquilo que veio a ser o compto geral dos 40 minutos. A selecção teve mais tempo com bola, mais paciencia para organização de fases e mais posse terrotorial. Muita batalha no meio-campo canadiano. Portugal perde a bola e o 6 canadiano Moonlight consegue receber bem um pontapé para as costas da defensiva portuguesa. É Vasco Uva quem o placa e quem evita o ensaio canadiano. Contudo, a aceleração do asa canadiano é superior à dos jogadores portugueses que se encontram nas imediações. Moonlight não consegue dar sequência à jogada e passa para a frente. Ficou a sensação que o ensaio canadiano ficou muito perto. Valeu Vasco Uva.

Aos 7″ falta portuguesa na introdução por derrube da melée, garante a pritchard mais um pontapé de penalidade facil em zona central dentro dos 22″. Pritchard converte e coloca o jogo em 3-28. Portugal entra melhor mas é o canadá quem aproveita todas as oportunidades de somar pontos.

11″ – O ponta canadiano Taylor Periss passa por um molho de jogadores portugueses (sem que alguém esboçasse uma placagem) e entra dentro dos 22″ onde é placado por Vasco Uva. Os canadianos colocam a bola perto da linha de ensaios mas acabam por perdê-la com uma grande intervenção ao pé de Erick dos Santos. O jogador de 20 anos do Biarritz (1ª liga francesa) parece um jogador de outro nível Na sequencia da jogada, o ponta Taylor Periss faz uma investida à mão e arruma 3 jogadores portugueses com alguns sidesteps até à linha de ensaio fazendo o 3-33. Com um pontapé facil dentro dos 22 em zona central James Pritchard eleva a conta pessoal e coloca o jogo num frustrante 3-35. Pritchard consegue o seu 25º ponto.

Os ensaios sucederam-se até ao resultado final de 8-52. – 22″ apareceu a melhor jogada do desafio para a selecção portuguesa que ali conseguiu sacar o seu ensaio de honra no meio do pesadelo tortuoso que foi o test-match contra os canadianos. Grande incursão de Vasco Uva que embalado no meio campo pelo canal central e depois de escapar a tres placagens transmite para o centro Pedro Avila que, com um hand-off afasta um jogador canadiano e marca o primeiro ensaio para Portugal. Pedro Leal não consegue converter o ensaio. 8-42 no marcador. Bom prémio para o esforço leonino de Vasco Uva, o unico jogador que conseguiu furar a bem armada defensiva canadiana e para Pedro Ávila, em conjunto com o mítico capitão nacional nunca se conformou com a péssima exibição dos seus colegas.
8-52 para os canadianos numa exibição muito triste da selecção nacional. Frederico Sousa afirmou no final à Sporttv que estes jovens vem de campeonatos pouco competitivos necessitando de evoluir com mais competição contra selecções deste nível, pelo que, não se pode esperar que estes jovens consigam jogar ao nível de selecções como o Canadá de um dia para o outro. Estas declarações a meu ver são, mais uma vez, indicadoras do puro contrasenso que acima afirmei em relação ao jogo que a selecção foi fazer a São Paulo. Sinceramente, creio que mais valia ter aproveitado bem esta janela para dar ritmo internacional a estes jovens atletas, coisa que não se vai adquirir contra uma selecção que não é mais forte do que qualquer selecção do Grupo C do Torneio Europeu das Nações. Mal por mal mais valia termos feito um jogo contra a selecção espanhola.

ultra raro.

Detalhes e considerações jurídicas à parte – deixo isso para os juristas entendidos na matéria – penso que o julgamento de Jorge Jesus será o primeiro acontecimento em que a justiça civil em Portugal será mais célere do que a justiça desportiva. É de facto um caso raro, o que, na óptica da justiça desportiva, não constitui surpresa nenhuma.

A não esquecer

Aqui está o exemplo que deverá estar depreendido na cabeça do nosso seleccionador. Terça-feira teremos a Suécia a iniciar o jogo da mesma forma como a Dinamarca iniciou esta partida contra Portugal. Creio que os 15 minutos iniciais serão decisivos. Não tenho a menor dúvida que a Suécia irá iniciar a partida a todo o gás com pressão muito alta (à saída da área) linhas subidas e um futebol directo à procura de Ibrahimovic e Elmander. Caberá aos nossos jogadores contrariar as armadilhas, saíndo a jogar com qualidade e bola no pé. Se conseguirmos travar o ímpecto inicial dos suecos, creio que até poderemos marcar primeiro em Estocolmo. Caso contrário, os Suecos poderão facilmente chegar a um 2-0 na primeira meia-hora.

Superbock! Fresquinha! #5

Que raio de cerveja é esta? – Aproveitando o momento, a poucas horas do início do Portugal vs Suécia, cumpre-me anotar aqui algumas palavras sobre a Liga e sobre a Federação Portuguesa de Futebol. Na Liga, Mário Figueiredo está em xeque. Dito de outra maneira, Mário Figueiredo nunca esteve perfeitamente instalado no cargo. Eleito com 27 votos contra 21 do seu oponente, sem qualquer voto dos grandes do futebol português, ao contrário do que muitos afirmam, incorreu numa espécie de vício da verdade, críticando sem medo alguns dos podres do futebol português.

P0nto 1: Se no seu mandato apresentou como objectivo a alcançar no mandato o aumento das receitas do organismo por via da entrada de novos patrocinadores para as duas ligas profissionais (objectivo que já cumpriu nesta temporada e nas próximas com a entrada da Cabovisão como patrocinador da 2ª liga nesta temporada, patrocinador da 1ª liga nas próximas temporadas e patrocinador de estádio da Liga com a instalação de placas atrás das balizas dos estádios da Liga) “mandatariamente” não se podem imputar grandes culpas ao presidente da Liga e vice-presidente por consorte em virtude da presidência do organismo.

A colocação das placas publicitárias atrás das balizas nas primeiras jornadas da Liga, cumprindo o Regulamento das Competições da Liga Portuguesa de Futebol (ver artigo 62º alínea 3) suscitou reacções negativas por parte de alguns clubes como o FC Porto, Vitória de Setúbal e Paços de Ferreira, chegando inclusive os portistas a fazerem uma queixa na Comissão de Inquéritos e Investigação da Liga por violação estatutária, queixa essa que seria dada como indiferida, dado o conteúdo estatutário presente no Artigo 62º. Se juridicamente, o FC Porto não teve qualquer razão no procedimento jurisdicional colocado, financeiramente contestou mais uma fonte de receitas angariado pelo mal-amado presidente do Organismo.

Ponto 2: Políticamente, Mário Figueiredo criticou o funcionamento do Conselho de Arbitragem directamente e a FPF indirectamente. Afirmou à comunicação social o advogado de 45 anos: “O problema na arbitragem não está na profissionalização, mas na forma como é gerida. Em Portugal, a arbitragem parece viver em monarquia, num tempo feudal em que tudo é secreto, em que ninguém sabe como são feitas as avaliações e que resultados dão. É pouco transparente. As nomeações são feitas às escondidas, sempre em cima dos jogos e muitas vezes são incompreensíveis (…) Não houve ganho algum com a passagem da arbitragem da Liga para a FPF. O objetivo era melhorar e isso está longe de ser alcançado. Mas atenção, o problema da arbitragem não está nos próprios árbitros, que mostram coragem e brio na execução da sua profissão, mas sim na forma como são geridos”

Como sempre, a imprensa portuguesa fez logo questão de distorcer as palavras do presidente da Liga, afirmando que este “considerou a FPF”, órgão do qual é vice-presidente “uma monarquia”, quando de facto, se referia exclusivamente ao Conselho de Arbitragem, em declarações, que, eu subscrevo por inteiro.

Tudo ao Molho! – Mário Figueiredo teve a coragem de expressar publicamente tudo aquilo que muitos sentem. Dada a actuação do Conselho de Arbitragem, ainda hoje não sabemos os critérios de selecção para a nomeação dos árbitros. Ainda hoje, o aficcionismo do futebol não tem conhecimento dos relatórios de observação dos árbitros. Ainda hoje, os árbitros não vem a público (salvo raras excepções ao longo dos últimos 15 anos) comentar as suas decisões ou desculpar-se pelos seus erros com influência directa nos resultados. Ainda hoje, não vêmos ninguém ligado à arbitragem vir a público mencionar as habituais pressões a que os árbitros são sujeitos em alguns campos e outros fenómenos frequentes como actos de intimidação, suborno ou chantagem.

Daí até considerar que a FPF uma “monarquia”, como muitos jornalistas tentaram vender estas declarações, vai um caminho muito longo. Contudo, creio que se Mário Figueiredo tivesse expressado tal ideia, também não andaria longe da verdade. Se a FPF não é uma monarquia então o que é?

Ponto 3: Voltamos atrás na história da Federação Portuguesa de Futebol.

– 1979\1980 – Morais Leitão, presidente durante esses anos da Federação Portuguesa de Futebol sai da presidência do Organismo para o VI Governo Constitucional liderado por Francisco Sá Carneiro. Posteriormente seria nomeado Ministro das Finanças no governo seguinte ao de Sá Carneiro liderado por Pinto Balsemão após a morte de Sá Carneiro. Havia portanto na época uma generalizada utilização de agentes vindos do futebol para a política. O futebol era um espaço onde os partidos políticos buscavam celebridades para o apoio das suas candidaturas e para legitimação democrática – os partidos de direita, acusados pela esquerda de serem os herdeiros do pesado fardo da ditadura, procuravam superar esse mesmo fardo com o apoio de agentes ligados ao futebol.

– Gilberto Madaíl foi deputado pelo PSD e Governador Civil de Aveiro. Posteriormente foi presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Permaneceu no cargo durante 15 longos anos, sucumbindo a vários escândalos. Desde o caso Paula ao caso Kennedy, passando pela falta de supervisão durante longos anos naquilo que se viria a tornar o “Caso Apito Dourado”, do “Caso Sá Pinto” aos sucessivos celeumas provocados pelos comportamentos do Seleccionador Carlos Queiroz no estágio que antecedeu o Mundial de 2010, quando agrediu os agentes da ADoP num controlo anti-dopagem realizado aos jogadores da Selecção em Óbidos. Durante 15 anos assistimos à incompetência do Rei Madaíl, amplamente criticada por várias correntes de opinião jornalística, amplamente críticada por alguns dos seus ex-vice presidentes (como António Boronha) mas, sem que alguém mexesse uma palha para alterar\derrubar o poder\mandato do antigo presidente dsa FPF. O que é certo que é o Rei Madaíl era constantemente acusado de incompetência, de “tachismo”, de “comedorismo” mas ninguém no futebol português, em particular nos agentes com assento na AG da FPF fez o quer que fosse para acabar com tamanha “monarquia”.

Ponto 4: O antigo vice-presidente do FC Porto Fernando Gomes, antigo presidente da Liga, fez questão de subir de “princípe do futebol português” a REI quando o Rei Madaíl fechou a loja. Interessava-lhe tal subida dado o novo Regime Jurídico das Federações Desportivas, documento que até demorou as estopinhas a ser aprovado e que de resto, se não fosse aprovado, iria retirar o estatuto de utilidade pública ao organismo, facto que a consumar-se, seria uma fonte de receita a menos para o organismo.

Desde a subida do Rei Gomes ao poder, na minha opinião, este não tem feito mais do que aquilo que os déspotas iluminados faziam no século XVIII. Ou seja, encher os cofres federativos com grandes somas de dinheiro (provas disso foram os rídiculos amigáveis que a selecção portuguesa andou a fazer em Boston e no Gabão) para depois distribuir esse mesmo dinheiro por lacaios do seu séquito (em luxuosos salários) cuja única capacidade que tem a oferecer ao seu Rei é o garante dos seus interesses junto dos clubes e das Associações de Futebol. Uma espécie de paz podre.

Já que puxei Francisco de Sá Carneiro para esta conversa, o falecido primeiro-ministro tinha uma velha máxima, vinda talvez da sua experiência enquanto partidário do único Partido permitido pelo Regime do Estado Novo, a União Nacional: “uma maioria, um governo, um presidente”.

É neste fogo cruzado onde encontramos Mário Figueiredo. Colocou as placas, recebeu uma queixa do Porto. O seu organismo indiferiu a queixa do Porto, comprou uma guerra com o FC Porto. Sabendo que o FC Porto já tem um dos seus antigos vice-presidentes na FPF (o presidente), quer alcançar a maioria através do governo, demitindo Mário Figueiredo para colocar o seu candidato Rui Pedro Soares, actual accionista maioritário da SAD do Belenenses, curiosamente, Dragão de Ouro.

Esta jogada tem a sua pertinência. Numa altura em que a Benfica TV (quer queiramos quer não) foi um sucesso ao nível de angariação de assinantes após a passagem a canal codificado, poderá comprar as transmissões em casa de outros clubes cujos direitos pertencem à Olivedesportos, fez dividir o monopólio do “portista” Joaquim Oliveira (Olivedesportos), e principalmente numa altura em que o governo voltou a garantir o estatuto de utilidade pública à transmissão de jogos da Liga Portuguesa  (obrigando a televisão pública a transmitir jogos dos 5 maiores clubes em sinal aberto na RTP; facto que irá obrigar o Benfica as transmissões de 3 jogos em casa) creio que existe aqui uma jogada cruzada vinda do Norte para travar os planos de sustentabilidade financeira da Benfica TV e consequentemente os lucros que o Benfica poderá auferir do seu canal de televisão.

Se isto não é a construção de um regime monárquico no futebol português então o que é? Talvez uma autocracia, onde o poder pertence a um só, neste caso, Jorge Nuno Pinto da Costa, através do controlo da sacra trindade que “comanda” os destinos do futebol nacional: Liga, Federação e Olivedesportos.

Superbock! Fresquinha #4

Que raio de cerveja é esta? – Momento hilariante de ouro na televisão Portuguesa. Ontem. RTP Informação. Na habitual conferência de imprensa da Selecção, o jornalista da RTP destacado para cobrir o acontecimento fartou-se de elogiar o “crescido cabelo” de Pepe, chegando mesmo a dizer que o seu novo corte (normalíssimo, como bem sabemos) fazia confundir o jogador com outros como Willian (Chelsea) ou Axel Witsel (Zenit).

Quando Pepe chegou à sala de imprensa, a primeira pergunta desse mesmo jornalista foi: “Pepe, explique-me lá o porquê desse corte de cabelo?”, ao que Pepe respondeu algo como “Deixei crescer o cabelo porque a minha filha gosta de tocar-me nos caracóis” – elucidativo!

Tudo ao Molho! – Sem desrespeito algum pela classe jornalística. Os comentadores desportivos de ambos os lados da barricada andam a dar excessiva importância ao jogo entre Zlatan e Ibrahimovic. Como se a vaga para o mundial fosse decidida por duelo real de FIFA Street Soccer entre os dois craques. Em Portugal, Zlatan é uma espécie de anti-cristo. Um demónio a exorcizar. Nunca vi tanto medo transparecido no comentário desportivo acerca da prestação de um único jogador contra a nossa Selecção. Contudo não é um medo descabido. O que aconteceu aqui à Alemanha, poderá facilmente acontecer à Selecção Portuguesa nos jogos que se avizinham. Contudo não posso deixar de constatar que a maior ameaça da Selecção Sueca vem do seu fortíssimo colectivo. Colectivo que Portugal infelizmente não tem. Já devíamos saber, por experiência própria, pelo conhecimento adquirido que temos do estilo de jogo das equipas nórdicas (afinal de contas, já jogámos vezes sem contas contra as 5 selecções nórdicas nos últimos anos) que estas fazem do colectivo a sua maior arma. São selecções cuja arma individual reside sempre nos avançados. Tirando essa individualidade, colectivamente, apresentam um meio-campo recheado de jogadores com bom toque de bola, boa qualidade de passe e rigor táctico e uma defesa com jogadores muito altos, bons no jogo aéreo e muito pragmáticos ao nível de decisão, ou melhor, dito por outras palavras, que não tem pejo nenhum em atirar a bola para as bancadas as vezes que for preciso.

Esta selecção Sueca é exemplo disso. Dois talentos individuais na frente (Zlatan e Toivonen) um meio-campo cheio de elegantes armadores de jogo que não descuram a vertente táctica (Kallstrom, Wernbloom, Anders Svensson) e uma defesa composta por jogadores altos e eficázes nas tarefas defensivas (Granqvist, Jonas Olsson, Per Nilsson). Ocorre porém que esta selecção tem algum veneno nas laterais. Tanto o lateral-esquerdo do Celtic Glasgow Mickael Lustig como os alas Sebastien Larsson e Rasmus Elm são jogadores com inegáveis capacidades de cruzar com qualidade para a área.

Na imprensa Sueca, destaca-se a fotografia de primeira página que a direcção Editorial do jornal diário “Aftonbladet” publicou ontem. Uma forma de colocar pressão em Cristiano Ronaldo que decerto não irá causar grande mossa na moral do jogador e, que, por outro lado, revela que os suecos temem o internacional português numa escala superior ao temor que sentimos por Zlatan.

Esta cerveja enfeitiçou-me… – Enquanto Mário Figueiredo já está a arrumar a sua secretária e o duelo de palavras entre os grandes da capital continuará até Setembro de 2017, processei com alguma calma as palavras do árbitro Madeirense Marco Ferreira à RTP Madeira. Fiquei espantado com a posição do juiz madeirense em relação a alguns pontos críticos da arbitragem portuguesa, concordando com algumas das opiniões expressadas. Vejo com bons olhos a exposição pública dos relatórios de observação dos árbitros assim como a possibilidade destes prestarem declarações públicas com maior frequência. Duas ideias muito válidas para aplicar no quadro de profissionalização instaurado pela FPF e pela APAF.