O que eu ando a ver #63

O Napoli logrou ser uma das únicas equipas capazes de bater a Vecchia Signora na Serie A desta temporada. 22 jogos depois da última derrota doméstica sofrida pelos comandados de Antonio Conte, precisamente, no Artemio Franchi frente à Fiorentina por 4-2. Perante uma Juve sem ideias, a equipa Napolitana empregou em campo uma enorme solidez defensiva e o melhor da sua transição de jogo.

Apesar das duas equipas estarem separadas por 20 pontos na tabela classificativa (1ª Juve com 81; 3º Napoli com 61 pontos) sempre que a Madonna desce de Turim até à bela baía de Napoli, o ambiente aquece nas hostes parte poi. Indiferentemente das posições ocupadas pelas duas equipas na tabela, dos títulos que se podem conquistar (ou não) na partida em questão, das conjunturas antecedentes das equipas nas vésperas do jogo ou da qualidade dos artistas que vão subir ao relvado com a camisola dos dois conjuntos, um Napoli vs Juve é encarado pelos dois lados como um jogo de vida ou morte. As assimetrias Norte-Sul, a particular rivalidade Norte-Sul existente em Itália (O Norte industrial e rico que apelida os napolitanos de africanos e parasitas; o sul pobre, agrário, com uma enorme taxa de criminalidade que apelida o povo de Turim como corruptos) faz deste clássico do futebol italiano uma espécie de fiel de balança no qual, por duas vezes por temporada, o norte, em particular, a cidade de Turim torce para que a sua equipa mostre em campo o domínio que o orgulho torinese exige nestes momentos e o sul (todo o sul de Itália) creia no Napoli como um veículo capaz de resgatar com o seu futebol o sentimento sulista, tantas vezes inferiorizado e segregado na Velha Itália.

Com um San Paolo em ambiente frenético as duas equipas entraram em campo com trajectos iguais até certo ponto da temporada, diferentes na actualidade. Ambas as equipas foram eliminadas da fase-de-grupos da Champions, tendo caído para a Liga Europa em virtude de terem sido 3ªs classificadas dos respectivos grupos. Enquanto a equipa de Antonio Conte faz contas matemáticas para assegurar o mais rapidamente possível o título italiano de forma a poder encarar os próximos compromissos para a Liga Europa com maior tranquilidade (a final da competição disputa-se este ano no novo Dell´Alpi de Turim) a equipa de Napoli já tem o apuramento para a Liga dos Campeões da próxima temporada praticamente assegurado e, na Liga Europa, foi, como bem sabemos, eliminada de forma categórica no San Paolo pelo melhor FC Porto da temporada.

Nos onzes apresentados, Antonio Conte manteve-se fiel ao habitual 3x5x2 fazendo algumas alterações cirúrgicas no onze que tem apresentado nos últimos jogos da equipa presidida por Andrea Agnelli. Com Carlitos Tevez ausente a cumprir castigo por acumulação de amarelos na Serie A, Conte apostou numa frente de ataque musculada com a inclusão de Pablo Osvaldo ao lado do basco Fernando Llorente. Na ala direita, posição ocupada nas últimas partidas pelo chileno Maurício Isla, Conte fez regressar a “mota suiça”, bem, uma das peças chave da Juve durante esta temporada, um tipo alto, rápido e bom de bola chamado Stephan Lichsteiner. Metade das assistências da Juve nesta temporada sendo que a outra metade pertence a meias a Andrea “lo gatone, lo zingaro” Pirlo e a Carlitos Tevez.

No lado do Napoles, Benitez também se manteve fiel ao seu habitual 4x3x3 com duplo pivot defensivo no meio-campo (incluíndo o reforço de inverno Jorginho ao panzer Inler, mestre de cerimónias do musculado trio de suiços que Benitez dispõe para aquela posição), Marek Hamsik a titular no lugar que tem pertencido, na maior parte da época, a Dries Mertens, Henrique no lado direito da defesa. De resto, tutto equale com Faouzhi Ghoulam na esquerda da defensiva (um achado do Napoli) Federico Fernandez e Raul Albiol no centro da defesa, o tridente de meio-campo supra citado e o tridente ofensivo habitual com Callejón na direita, Insigne na esquerda e “La pepita” Higuaín na frente de ataque.

O experiente Daniele Orsato, candidato à final da Champions e do próximo mundial, foi o árbitro designado pela FIGC para arbitrar o maior jogo da jornada 31 da Serie A.

gigi

Pode-se dizer que o Napoli entrou a todo o gás. A equipa Napolitana apoderou-se da posse de bola logo no início da partida, fazendo a Juve recuar no terreno e aplicar a sua “organizada” (nestes primeiros minutos do San Paolo foi tudo menos organizada) estrutura defensiva com pressão à zona.

Nos primeiros minutos de jogo, o Napoli teve as primeiras oportunidades de golo. A primeira aconteceu aos 4″ quando Gokhan Inler tentou um passe-remate rasteiro com a parte exterior do pé esquerdo de fora da área com um molho de jogadores à sua frente (à espera de surpreender Buffon ora com o toque tenso disferido, ora com a possibilidade do remate ser desviado por Higuaín ou Callejón de forma a trair Buffon) e, depois de um desvio sofrido nos pés de um jogador dos zebrete, a bola caiu nos pés de Callejón que com um toque subtil na bola tentou enganar o experiente guarda-redes de 36 anos. Com reflexos apuradíssimos, o guarda-redes da Squadra Azzurra defendeu a bola e Leonardo Bonucci tratou de a descarregar como pode para a linha final cedendo canto. Do canto, a bola foi inserida dentro da baliza d Juve mas o auxiliar de Orsato decidiu anular o golo. Recapitulando: Callejón bateu para o coração da área com conta, peso e medida, Buffon teve que sair a punhos na pequena área, a bola pára nos pés de Higuaín, o argentino remata contra defensores da Juve e a bola sobra para o moicano Hamsik que empurra para o fundo das redes de Gigi. Contudo, atento, o auxilar de Orsato conseguiu descortinar a posição em fora-de-jogo do eslovaco no momento do remate do seu colega de equipa, apontando assertivamente a irregularidade cometida.

O tridente ofensivo do Napoli não parou por aqui. Com um futebol bem encadeado, denotando-se desde logo a presença de Higuaín nos processos de circulação (recuando várias vezes ao meio-campo para receber jogo e distribuir para as alas ou para Hamsik), a equipa de Benitez tentou surpreender a Juve com uma circulação rápida, capaz de baralhas as marcações e consequentemente capaz de quebrar o bloco defensivo que a equipa de Conte apresenta habitualmente no rectângulo de jogo. Por diversas vezes durante esta temporada, a equipa de Conte encarou este tipo de jogos com uma abordagem inteligente ao jogo: defendendo na retranca quando assim é obrigada, esperando pelos melhores momentos para disferir estocadas mortíferas ora através do contra-ataque, ora através da criação de jogo que é feita essencialmente por Pirlo e Pogba e Vidal nas zonas de construção e por Tevez numa posição mais adiantada do terreno, para depois, aquando da obtenção de uma vantagem, regressar à matriz defensiva inicial. Quando essa disposição táctica pensada por Conte surte efeito, a Juve é imbatível.

Pouco pressionante a meio-campo, a Juve deixou a equipa de Napoli jogar à vontade nestes primeiros minutos. Aos 9″ surge a segunda oportunidade de golo num lance em que Buffon é chamado a intervir pela 2ª vez: Callejón recebe na direita, rasga para a entrada de Henrique no flanco (o brasileiro está a dar-se muito bem com o novo papel; ele que é central de origem), o brasileiro ganha em velocidade a Asamoah (facto raro) e toca para dentro da área para remate de primeira de Marek Hamsik, enrolado para defesa apertada de Buffon por cima da trave.

Acossada, a Juve tentou travar o ímpeto inicial dos Napolitanos. Quase que mecanicamente, os torinese viraram-se para a experiência e para a eficácia (materializada num só corpo, num só par de pés) de Andrea Pirlo. Contudo, apesar de Pirlo ter tentado organizar e colocar ideias no jogo da equipa de Conte, a Juventus não teve muito nexo no seu jogo e esteve longe de ser a equipa esclarecida e objectiva que é.

Ao invés da passividade da equipa de Conte, a equipa de Benitez tentava explorar todas as possibilidades: desde a subida dos laterais (Ghoulam não se fez rogado com a presença de Lichsteiner no seu flanco e subiu muito bem no flanco esquerdo; tem um cruzamento fantástico este internacional argelino) à inserção dos extremos ao 2º poste para aproveitar a subida dos laterais às habituais arrancadas de Insigne pela esquerda. O extremo acelerou o jogo quando quis e teve 3 ou 4 pormenores de classe, recebendo no meio-campo, acelerando, partindo em drible contra Cáceres, tirando 1, 2, 3 jogadores da Juve que se atravessavam no seu caminho. Contudo, o Napoli não conseguiu materializar este domínio na primeira meia hora de jogo.

Só aos 25″ da partida a Juve seria capaz de fazer o seu primeiro remate à baliza quando Pablo Osvaldo tentou trabalhar um 1×1 contra Raul Albiol na área napolitana, perdeu o duelo para o espanhol mas a bola foi parar aos pés de Stephen Lichsteiner que, rematou rasteiro para defesa fácil de Pepe Reina. O suiço foi o único jogador que tentou remar contra a maré napolitana no San Paolo.

O lance de Lichsteiner indiciava algum crescimento da Juve na partida. Sol de pouca dura. 3 minutos passaram para a equipa Napolitana colocar novamente à prova Gigi Buffon num lance em que Insigne trabalha o lance no flanco esquerdo perante a oposição de Cáceres, tenta colocar a bola no centro da área para a desmarcação de Higuaín. Insigne falhou o cruzamento e a bola sobrou para a entrada de Callejón no flanco direito. O espanhol atirou forte e Buffon respondeu com mais uma boa defesa ao remate do antigo jogador do Real Madrid.

Tudo perfeito para a equipa de Benitez. O jogador menos in da equipa napolitana estava a ser Jorginho. Não quero com isto dizer que o antigo jogador do Chievo, contratado em Janeiro tenha jogado mal porque não jogou. Simplesmente foi o jogador com menos destaque na equipa do madrileno Benitez ao falhar muitos passes e perder muitas bolas no meio-campo.

O cântaro tanto foi à fonte…

que inevitavelmente partiu. Aos 36″, o Napoli viria a inaugurar o marcador. Mais uma vez Insigne recebeu a bola na esquerda, colocou-a na área e José Maria Callejón aporoveitou a distracção do seu defensor directo (Kwadwo Asamoah) para inaugurar o marcador, limitando-se a empurrar para o fundo da baliza de um desamparado Buffon que nada pode fazer para travar o toque repentino do espanhol. Grande festa no San Paolo a coroar o 11º golo do espanhol na Serie A.

Até ao intervalo, perante uma exibição irrepreensível da dupla de centrais Napolitana, a Juve haveria de criar a sua melhor oportunidade na primeira parte com Pablo Osvaldo a tentar um pontapé de moinho na área a cruzamento de Stephen Lichsteiner na direita. Na última jogada do primeiro tempo, os jogadores Napolitanos ficaram a pedir grande penalidade num lance em que Chiellini estorvou Gonzalo Higuaín na área. O italiano não tem intenção de derrubar o argentino, limitando-se a estorvá-lo quando este se preparava para rematar à baliza de Gigi Buffon.

Ao intervalo, a vantagem Napolitana era mais que justificada pela atitude dominadora demonstrada nos primeiros 45 minutos.

2ª parte

Antevendo a hipótese da Juventus aparecer no 2º tempo com outra atitude, a equipa de Rafa Benitez começou o segundo tempo com uma circulação de bola lenta de forma a não deixar que os torinese pudessem aumentar o ritmo de jogo e quiçá encostar a defensiva napolitana às cordas. Rapidamente, Pirlo começou a tentar mexer a máquina da equipa de Turim e a equipa de Rafa Benitez foi, de forma inteligente, recuando no terreno, optando por lançar o seu fortíssimo contragolpe por intermédio do seu tridente ofensivo. Por várias vezes na segunda parte, Callejón, Higuaín e Insigne tiveram situações de 3×3 contra os 3 centrais da equipa de Antonio Conte.

Insatisfeito com a prestação de alguns jogadores, Conte tentou abanar a partida. Aos 52″ mexeu nas alas, retirando do terreno de jogo o ganês Asamoah (adversário da selecção Portuguesa no próximo mundial) para a entrada de Maurício Isla. A entrada do Chileno obrigou a uma troca nos flancos, passando Lichsteiner para o flanco esquerdo. Com esta alteração, Conte matou metade do parco perigo da equipa. O suiço não conseguiria ser tão forte no flanco esquerdo como o tinha sido na direita. Muito por culpa da leitura que Benitez fez da alteração, pedindo a Callejón que descesse mais para ajudar Henrique a defender o suiço. Este 3x5x2 da Juventus pode funcionar contra muita gente, até porque os mecanismos da equipa estão treinados para que Tevez caia muitas vezes nas alas e homens com Pogba, Giovinco ou Vidal apareçam por sua vez em zonas de finalização ao lado de Llorente, Vucinic ou Osvaldo. Contra o Napoli, uma equipa que joga com dois extremos muito subidos e bem co-adjuvados pelos laterais, pode-se dizer que os napolitanos estiveram sempre em vantagem nas alas, tanto ofensiva como defensivamente. A entrada de Isla segurou o ímpeto demonstrado por Ghoulam nas suas subidas no terreno mas retirou poder ofensivo à equipa. No miolo, tanto Vidal como Pogba estavam demasiado estáticos, tornando a missão de Inler demasiado fácil.

Aos 60″, não satisfeito com as alterações promovidas, Conte tentou mexer com a construção de jogo da equipa ao retirar Pogba para a entrada de Marchisio. A entrada do 8 da Juve em nada favoreceu a equipa. Poucos minutos depois, Conte mexeu na frente de ataque ao colocar Vucinic ao lado de Llorente em detrimento da saída de Osvaldo. Conte acabou por gastar em vão as 3 alterações. Ao não arriscar uma mudança táctica, não conseguiu realmente arriscar ao ponto de granjear objectividade no jogo da sua equipa. A Juve continuou uma equipa sem ideias na noite do San Paolo.

Numa altura em que a Juve tentava encostar o Napoli à sua área, Benitez decidiu refrescar a frente de ataque com a entrada de Pandev para o lugar de Higuaín. A ideia do treinador espanhol seria lançar a força do macedónio de forma a conseguir estender novamente a partida. O macedónio cumpriu o seu papel. Aos 77″ conseguiu ganhar uma bola a meio-campo e iniciar um contra-ataque, endossando a rasgar para a entrada de Hamsik pelo centro do terreno. O eslovaco, entalado por Chiellini e Lichsteiner podia ter avançado mais com a bola (faltaram-lhe pernas para se isolar) ao invés de ter tentado alvejar a baliza de Buffon de fora-da-área.

mertens

O eslovaco já tinha dado tudo o que tinha a dar na partida. Fantástica exibição do Moicano no San Paolo. Foi o dínamo da circulação de bola do Napoli, o estratega da equipa, o pensador de jogo. Com o seu passe curto, jogou e fez jogar. Com o seu passe longo quase sempre descobriu Ghoulam, Insigne ou Henrique nas alas.

Apercebendo-se do esgotamento físico do seu distribuidor de excelência, Benitez quis dar uma estocada no jogo com a entrada de Dries Mertens para o lugar do eslovaco. Ter este holandês no banco de suplentes é um crime para qualquer equipa. Mertens é efectivamente neste momento um dos melhores jogadores a promover acelerações de jogo no futebol mundial. Na primeira vez em que o antigo jogador do PSV teve a bola nos pés, aproveitou uma transição rápida promovida por Pandev para receber uma transversal da esquerda para a direita do macedónio, “comer de cebolada” Marchisio com uma fantástica contemporização seguida de simulação para enganar o italiano e atirar cruzado à baliza de Buffon que não pode fazer mais do que seguir a bola com os olhos. O Belga foi simplesmente espectacular no 1×1 ganho contra o centrocampista italiano. Com este lance matou claramente o jogo, garantindo os 3 pontos para a equipa napolitana.

O lance de Mertens mexeu com a cabecinha do pobre Chiellini. Na primeira oportunidade, o central da Squadra Azzurra perdeu a cabeça com o irrequieto holandês e numa disputa de bola junto à linha lateral mandou uma patada em cheio na cara do jogador azurro. Daniele Orsato tapou os olhos (o árbitro internacional italiano tentou ser pragmático durante toda a partida, deixando jogar quando as jogadas assim o permitiam, parando o jogo só em situações passíveis de sanção disciplinar) e perdoou a expulsão ao central italiano. Até ao final da partida, com 6 minutos de compensação dados por Orsato, tempo ainda para a fífia do costume de Arturo Vidal. O chileno tentou, como de resto é seu hábito, cavar a grande penalidade do costume. Orsato não foi na cantiga e mandou o chileno levantar-se.

Vitória justa da equipa de Benitez numa primeira parte diabólica na qual a equipa napolitana foi a única que fez pela vida para levar os 3 pontos. Na 2ª parte, o ritmo de jogo diminuiu e as duas equipas protagonizaram um futebol de péssima qualidade. Hamsik (pelo que jogou e fez jogar no primeiro tempo), Faouzi Ghoulam (pela assertividade com que defendeu Lichsteiner e pelo afoito com que subiu no flanco esquerdo com a presença do jogador mais perigoso da Juve no jogo no seu flanco), Lorenzo Insigne (mais um jogão do pequenino mágico de Napoli; fantástico a desequilíbrar ora pelo flanco esquerdo, ora pelo miolo quando foi lá buscar jogo e acelerá-lo através dos seus rapidíssimos dribles) e Dries Mertens (pelo fantástico trabalho individual realizado no lance do 2º golo dos visitados) foram para mim os homens do jogo. A Juve mostrou mais uma vez que é capaz do melhor e do pior. Os últimos jogos realizados (Genoa, os dois contra a Fiorentina) já previam que esta Juve parece estar a perder alguma forma física. A equipa parece demasiado estática, demasiado dependente dos lances individuais de Pirlo e do trabalho que Carlitos Tevez consegue fazer no último terço. Salvaram-se as excelentes performances de Gigi Buffon, Step Lichsteiner e Andrea Pirlo, este último a espaços na partida.

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O que eu ando a ver #49

Aos 34 anos, Andrea Pirlo continua a ser decisivo. Já o tinha sido no passado fim-de-semana em Genoa precisamente na marcação de um livre directo e continuou a sê-lo no Artemio Franchi, marcando da mesma maneira o golo que deu o apuramento à Juventus para os quartos-de-final da prova.

A Fiorentina entrou em campo com uma ligeira vantagem. O golo obtido por Mario Gomez nos minutos finais do jogo do Dell´Alpi (1-1) obrigava os visitantes a ganhar o jogo ou empatar a 2 golos para poderem seguir em frente. Na conferência de imprensa de antevisão à partida, Vincenzo Montella frisou a importância do jogo para a equipa Viola, afirmando que era um jogo que “valia por uma época”. Com o 4º lugar praticamente definido na Serie A, restava portanto à equipa de Firenze fazer o melhor que pudesse nas restantes competições, estando já garantida a presença na final da Taça de Itália.

Ambas as equipas repetiram (praticamente) o mesmo onze que tinham feito alinhar no jogo da primeira mão. Vincenzo Montella decidiu substituir Alessandro Matri por Mario Gomez e na direita da defesa, Juan Guillermo Cuadrado entrou para o lugar do argentino Facundo Roncaglia. Ausência para Matías Fernandez, devidamente substituído por Josip Ilicic. Na Juventus, Antonio Conte optou por colocar Fernando Llorente na frente do ataque em detrimento do italo-argentino Pablo Osvaldo.

Nos primeiros 20 minutos do jogo, a Fiorentina tentou controlar a partida e retirar a posse de bola à Juve. Numa atitude inteligente, a equipa de Montella não deixou que a Juve pudesse surpreender nos primeiros minutos e colocou um ritmo baixo no jogo. Só a partir dos 20 minutos é que a Juve começou a ter bola, quando Pirlo começou a pegar no jogo e a organizar o ataque da equipa de Turim. Facto interessante destes primeiros 20 minutos de jogo foi a disposição montada por Antonio Conte no último terço. Tevez funcionou como é habitual como avançado móvel, tentando receber e desequilibrar pelos flancos e Paul Pogba foi-se posicionar muito perto de Llorente, lugar que por norma é ocupado ora por Arturo Vidal ora por Sebastian Giovinco, este último quando é utilizado na equipa piemontesi. Defensivamente, Conte pediu ao médio para fechar o flanco esquerdo de forma a não permitir que Juan Cuadrado pudesse criar perigo através do seu poderoso drible em velocidade. O francês cumpriu a missão. O colombiano haveria de ser na partida uma verdadeira sombra do melhor que já fez esta temporada. Usando e abusando do físico, Pogba não deixou Cuadrado penetrar dentro da área pelo flanco direito.

De Pogba vieram os primeiros sinais de perigo…

Aos 21″, um lançamento longo de Martin Cáceres para a área permitiu ao francês receber a bola com o peito na área e atirar à baliza de Norberto Neto. Bem estorvado pelos centrais da Fiorentina acabou por fazê-lo ao lado. 2 minutos depois haveria de cabecear dentro da área para uma defesa apertada de Neto, apesar do fiscal-de-linha ter assinalado fora-de-jogo.

Ameaçada, a Fiorentina voltou a pegar no jogo. David Pizarro e Borja Valero iam pautando o jogo da equipa de Firenze no meio-campo. Aos 27″, Pizarro enche o pé à entrada da área e faz um remate rasteiro que passa muito perto do poste esquerdo de Gigi Buffon.

À passagem da meia hora, Paul Pogba voltou a causar perigo, rematando de meia-distância para defesa a dois tempos de Neto. A Juventus passou a pressionar a toda a largura do terreno, causando dificuldades à circulação de bola da equipa de Montella. Essa pressão surtiu o devido efeito. Os elementos da defensiva Fiorentina começaram a perder bolas em zonas onde não deveriam perder, oferecendo interessantes situações de contragolpe aos jogadores da Juve e o meio-campo Viola perdeu criatividade. Excepção feita a David Pizarro. Rápido a antecipar-se aos homens da Juventus, ganhou praticamente todas as divididas que teve com Vidal e Tevez no primeiro tempo e com a categoria de passe que lhe é característica, rapidamente conseguia procurar um companheiro a quem passar a bola.

Até ao final da primeira parte, a Juventus intensificou o cerco à àrea dos Viola para marcar o primeiro golo da partida. Jogando a toda a largura do terreno, de forma a abrir a defensiva fiorentina, a equipa de Conte tentou chamar a Fiorentina e garantir espaços para poder aplicar o seu jogo. Ao mesmo tempo, nas imediações da área, em movimentos repentinos, Pogba, Vidal e Tevez iam circulando com o intuito de baralhar as marcações, principalmente aquela que estava a ser feita por David Pizarro ao avançado Argentino. Aos 37″ Chielini (em alguns momentos do jogo fundiu-se muito bem no ataque através de interessantes combinações pela ala esquerda com o ala Kwadwo Asamoah) avançou no flanco esquerdo, recebeu de Asamoah e centrou largo para o 2º poste onde apareceu Arturo Vidal a amorter para uma tentativa de remate à meia volta de Tevez que passou muito por cima da baliza de Neto.

No minuto seguinte, a Fiorentina dispôs da sua melhor oportunidade no primeiro tempo quando uma bola bombeada para a zona dos centrais da Juve levou Chiellini (pressionado por Mario Gomez) a aliviar directamente para os pés de Josip Ilicic em zona central. O esloveno aproximou-se da área e esboçou um remate de meia distância (sem qualquer jogador a pressioná-lo) que haveria também de sair por cima da baliza de Buffon. O esloveno meteu as mãos à cabeça e percebeu a oportunidade que tinha desperdiçado.

Até ao intervalo, Tevez iria tentar alvejar a baliza de Neto por mais uma vez num remate à entrada da área. O guarda-redes da Fiorentina respondeu com uma defesa fácil. Howard Webb apitou para o intervalo e o empate, nesta altura justificava-se. Apesar de ter criado as melhores oportunidades de golo na primeira parte, o empate justificava a excelente assertividade defensiva da Fiorentina e castigava a atitude estática do ataque da Juventus. Contudo, o resultado era bastante perigoso. Isto porque a Fiorentina de Montella parecia não ter grande capacidade de resposta caso a Juve obtivesse um golo no início da 2ª parte. Em sub-rendimento, Juan Manuel Vargas e Alberto Aquilani eram candidatos óbvios à substituição já ao intervalo.

Durante o intervalo, Massimo Ambrosini intensificou os seus exercícios de aquecimento, fazendo crer que Alberto Aquilani ou David Pizarro não estariam nas melhores condições físicas.

Na 2ª parte, o jogo mudou por completo. A atitude da Juventus alterou-se e os homens de Turim entraram ao ataque. Logo aos 20 segundos, Tevez combinou com Llorente à direita, o espanhol protegeu a bola com o corpo e tocou para a frente para a entrada do argentino na área. Este rematou para Gonzalo Rodriguez conseguiu cortar para canto. Até aqui, o argentino (e Stefan Savic) estavam a fazer uma exibição de sonho, conseguindo cortar com eficácia todas as bolas que iam caíndo no seu raio de acção. O pior veio depois…

Aos 47″ Montella teve que mexer na equipa: David Pizarro não conseguiu regressar bem dos balneários sendo substituído por Massimo Ambrosini. A saída de Pizarro foi uma dura contrariedade para o jovem treinador da Fiorentina. O Chileno estava a ser, sem sombras para dúvidas, o melhor em campo no Artemio Franchi até aquele momento. A Fiorentina perdia um elemento capaz de destruir e construir para a entrada do veterano Ambrosini. Com Ambrosini, a equipa de Firenze ganhava um novo pulmão para a batalha de meio-campo mas, o veterano de 37 anos, não tem, nunca teve e nunca terá a capacidade de passe e a visão de jogo do médio defensivo Chileno.

Com a entrada de Ambrosini e com a ligeira vantagem da Fiorentina nas bolas divididas a meio-campo, facto que estava a prejudicar a construção de jogo da Juventus, Antonio Conte fez recuar Paul Pogba para a zona central, destacando o francês para a ajuda à construção de Andrea Pirlo. A alteração surtiu efeito. Com Borja Valero muito adiantado no terreno e Aquilani afastado por completo do jogo, Ambrosini foi escasso para Pirlo e Pogba.

A Fiorentina tentava destacar-se. Aos 50″ Juan Guillermo Cuadrado flectiu da direita para o centro, tentou combinar com Ilicic e um ressalto acabou por lhe colocar novamente a bola nos pés. Como gosta, seguiu em drible pela zona central e à entrada da área quando se preparava para alvejar a baliza de Buffon foi derrubado por Arturo Vidal. Howard Webb não hesitou em brindar o chileno com o cartão amarelo. E mais uma vez se sentiu a ausência de David Pizarro. À entrada da área, em condições normais, seriam os chilenos a bater aquele livre (ou Pizarro ou Mati Fernandez). Não estando os dois em campo foi Borja Valero a tentar a sua sorte. Tentou picar a bola subtilmente sobre a barreira para enganar Gigi Buffon mas o guarda-redes da Juventus não foi na cantiga e defendeu com facilidade.

Este período da partida acabou por ser o melhor de Juan Cuadrado no jogo. Aos 56″ fuzil0u autenticamente Gigi Buffon da direita e obrigou o guarda redes da Juve a tocar a bola para a frente. 2 minutos passados foi a vez da Juve criar perigo na área da Fiorentina: Tevez é solicitado com um passe longo na direita e perante a marcação de Savic centra para o coração da área para o cabeceamento de Arturo Vidal por cima da barra da baliza defendida por Neto. O chileno apareceu muito bem na área sem marcação a cabecear, movimentação habitual do jogador durante esta temporada.

O jogo ameaçava ficar partido. Com o decorrer dos minutos, o público presente no Artemio Franchi ia acreditando cada vez mais que era possível derrubar esta Juventus e ia apoiando a equipa. No relvado, os nervos cresciam junto das hostes torinese. Pirlo e Pogba estavam a usar e abusar dos passes longos, tentando jogar a toda a largura do terreno. Contudo, para cada bianconeri, um Viola atrás.

63″ Montella mexe pela 2ª vez na partida, colocando Alessandro Matri para o lugar de Mario Gomez. O alemão foi muito combativo mas passou ao lado do jogo. Muito por culpa da falta de jogo criado pelos jogadores dos flancos da Fiorentina. Tomovic voltou a ser nulo no ataque. Não consigo perceber o que é que Montella vê neste sérvio. Juan Manuel Vargas passou completamente ao lado do jogo. Do outro lado, sozinho no flanco, Cuadrado teve quase sempre que enfrentar um 2×1 ora com Asamoah e Pogba, ora com Asamoah e Chiellini, desequilíbrio que não lhe permitiu subir mais no terreno.

Voltando ao jogo. Mal Matri tinha entrado, a Juve ganhou um canto na direita. Pirlo bateu e Pogba apareceu na área a tentar uma bicicleta. A bola saiu ao lado. A Fiorentina recuava as suas linhas. Atitude bastante perigosa dada a ténue vantagem gerida no momento.

Pirlo decide…

Quando tudo parecia complicado para a Juventus, Gonzalo Rodriguez cometeu a sua asneira no jogo. Aos 68″ deixou Llorente receber na meia-lua e virar-se rapidamente, rasteirando o espanhol quando este se preparava para entrar na área. Howard Webb tratou de aplicar as leis: já tendo um amarelo, deu o 2º ao argentino e o respectivo cartão vermelho. À entrada da área, aquela bola era um autêntico penalty para o veteraníssimo centrocampista da Juve. Na cobrança do livre, Pirlo aplicou um “sinistro” do outro mundo, misto de técnica e força com a bola a entrar a grande velocidade no ângulo superior direito. Mal a bola entrou,  todo o camarote da Juve (composto por antigos jogadores e actuais dirigentes do clube como Peruzzi ou Nedved) se levantou e festejou efusivamente.

A jogar com menos um, a demonstrar pouca pujança ofensiva a jogar com 11, a missão avizinhava-se muito complicada para os homens de Vince Montella. Num único lance, Gonzalo Rodriguez tinha estragado tudo. Na repetição mostra que Llorente adianta ligeiramente a bola e possivelmente não a iria recuperar visto que Tomovic estava a tentar chegar rapidamente ao lance.

Com a expulsão do central argentino, Montella foi obrigado a mexer na equipa. Facundo Roncaglia entrou para o lugar de Ilicic, passando a Fiorentina a jogar com 3 centrais (Roncaglia, Savic, Tomovic) e 2 alas com missão ofensiva (Cuadrado na direita e Vargas na esquerda). Apesar desta solução ser, a 22 minutos do fim, uma alteração credível, também se justificava a entrada de Joaquin para o lugar de Aquilani (colocando Vargas a lateral e Tomovic a central) de forma ao espanhol poder dar mais vivacidade ao flanco direito da Fiorentina nas combinações que consegue executar com Cuadrado. Montella optou por deixar o espanhol no banco.

Com o golo, a Juve sentiu-se confortável na partida e tratou de baixar o ritmo do jogo. Com bastante circulação, conseguiu adormecer de vez a Fiorentina e controlar a partida. Aos 75″ Antonio Conte fez entrar Lichsteiner para o lugar de Maurício Isla, refrescando o flanco direito. O suiço entrou muito bem na partida e logo no minuto seguinte foi a linha centrar para cabeceamento de Llorente para defesa de Neto. 6 minutos depois, conseguiu recuperar a meio-campo uma bola cuja recepção Borja Valero falhou e num perigosíssimo 2×2 contra Savic e Roncaglia, tendo Llorente a tentar desmarcar-se na área, preferiu rematar para defesa de Neto para canto.

Aos 86″ Conte colocou Osvaldo no lugar de Llorente para queimar tempo. O melhor que a Fiorentina conseguiria fazer até ao final do jogo foi um remate rasteiro de Alberto Aquilani para defesa fácil no solo de Gigi Buffon.

Bidone D´Oro #2

Juventus e Napoli encontraram-se ontem no novo Dell´Alpi empatadas no 2º lugar da Série A com a missão de continuar a perseguição ao líder (invicto) do campeonato, a AS Roma, que, horas antes, tinha perdido 2 pontos no último lance da partida contra o recém promovido Sassuolo (1-1).

Ambas as equipas entraram na partida na sua máxima força. De um lado, a Juve apresentava o seu habitual 3x5x2 com dois alas bastante vincados (Isla na direita e Asamoah na esquerda) com uma ligeira alteração táctica em relação aquilo que costuma ser o vinco de Conte nestas posições, pois Isla e Asamoah apresentaram um pendor muito mais defensivo do que o habitual, fruto da capacidade ofensiva que o Napoli ostenta pelas laterais com os laterais Armero e Maggio e os extremos Callejón e Insigne. Do outro lado, o Napoli de Rafa Benitez, equipa que já surpreendeu fora ao bater a Fiorentina por 2-1 no Artémio Franchi, entrou em campo com o seu onze base, de meio campo reforçado com os Suiços Behrami e Gokhan Inler e a sua frente de ataque de luxo composta pelo internacional eslovaco Marek Hamsik, os extremos Insigne e Callejón e o avançado Gonzalo Higuaín.

O Napoli executou aquela que costuma ser a sua compostura nos jogos de fora de casa. Deu a iniciativa de jogo à Juventus, fechou-se com muito rigor na sua defensiva e tentou incomodar a baliza de Gianluigi Buffon com contra-ataques muito rápidos, aproveitando a velocidade e arte de Insigne e Callejón. Insigne seria de resto uma das grandes figuras da partida, ao obrigar constantemente Buffon a defesas apertadas. O internacional sub-21 italiano mereceu o golo por várias vezes. A Juventus entrou forte na partida e logo aos 2 minutos conseguiu marcar por intermédio do ponta-de-lança internacional Espanhol Fernando Llorente. Depois de uma época para esquecer no Athletic de Bilbao, o espanhol cumpre em Turim uma espécie de regeneração para a alta roda do futebol. Tem aproveitado as oportunidades que Conte lhe tem dado e esta época já leva 4 golos (2 na Champions, 2 na Série A). O Napoli tentou reagir. Quase sempre pelos pés do mágico Insigne. De livre directo ou de bola corrida, o extremo do Napoli esbarrou sempre contra um inspirado Buffon. A Juventus aproveitava. Já no último quarto da partida, Pirlo acabaria por marcar mais um clássico de livre e Pogba, de meia distância como é seu apanágio fechava o resultado em 3-o numa altura em que o Napoli merecia claramente o empate na partida.

A destacar ficou novamente uma grande partida do internacional Francês. Em conjunto com Pirlo, são os grandes patrões desta equipa da Juve. Pogba consegue aliar uma excelente técnica individual, a um posicionamento perfeito no terreno e a um pulmão que nunca mais acaba. É raro ver uma jogada da Juve que não passa pelos seus pés ou pelos pés do mago Andrea Pirlo. Defensivamente, o Francês enche por completo o terreno de jogo, entrega muito músculo ao meio-campo bianconero e recupera muitas bolas. Está a tornar-se um caso sério. A Juve está a 1 ponto da Roma, deixando o Napoli na 3ª posição a 4 pontos do líder.

P.S1: O Milan voltou a empatar, desta feita no terreno do Chievo a 0 bolas. Allegri vai de mal a pior em San Siro, sendo expectável (mais uma vez!) a sua saída do comando técnico dos rossoneri.

PS2: Fiorentina e Inter venceram as suas partidas contra Sampdoria (2-1 em Firenze) e Livorno (2-0 no Meazza). Reaproximaram-se dos lugares da frente. O Inter está a 7 pontos do líder enquanto a Viola está a 8. Os Viola viram mais 3 exibições estupendas por parte de Juan Cuadrado, Borja Valero e Giuseppe Rossi, que de resto acabaria por marcar mais 2 golos e assim reforçar a sua condição de melhor marcador da prova com 11 golos, enquanto a equipa de Milão dominou facilmente a equipa do Livorno com golos de Ricky Alvarez e Jonathan.