insólito #4

olhanense

Nem de propósito, tomando em conta o post que escrevi há algumas horas atrás sobre a Olhanense. Não tenho palavras para descrever a situação que se poderá viver em Olhão esta semana. Comparável apenas à situação vivida em Genoa (no Genoa) quando o maluco presidente dos genoveses Enrico Preziozi decidiu (a meio de um tortuosa serie A) despedir Alberto Malesani a meio da temporada, contratar Pasquale Marino por algumas semanas e despedi-lo para contratar novamente Malesani para salvar o clube da descida de divisão.

Giuseppe Galderisi é quem tem menos culpas no cartório. A procissão começou precisamente na temporada passada quando Isidoro Sousa foi buscar o Olhanense Manuel Cajuda para garantir a manutenção num cenário interno de incumprimento salarial perante o plantel. Cajuda sacrificou-se pelo clube da terra, endireitou o barco e com a manutenção praticamente garantida foi despedido por Isidoro Sousa a duas jornadas do fim. Veio Abel Xavier. Pouca experiência e um plantel cuja qualidade deve ser catalogada com um adjectivo simpático como comezinho. Com a chegada de Xavier, chegaram também os empresários italianos. À perna com os sócios, com imensas dificuldades de tesouraria e com a possibilidade de iniciar a época sem um plantel competitivo, capaz de fazer um campeonato tranquilo, Isidoro Sousa caiu no conto do vigário: os italianos prometiam dinheiro fresco e um conjunto de jogadores, quase todos estrangeiros, alguns com alguma experiência, maior parte sem mercado em nenhuma parte do planeta futebol.

És pago com o nosso dinheiro, portanto obedeces às nossas regras…

Pensavam os italianos. Chegaram, viram e viram Xavier vencer nas primeiras jornadas. Puro desconhecimento ou não da realidade do nosso futebol, os ditos começaram a pensar que a montra angariada para os seus activos até poderia ser benéfica para fazer umas vendas. Foram falar com o treinador e pediram-lhe que lutasse pelas competições europeias. O resto da história já a conhecemos: conaisseur da realidade, Abel Xavier sabia que poderia garantir uma época tranquila. Como o próprio disse, mais que isso seria pedir o impossível. Bateu com a porta. Veio Paulo Alves. Desempregado. Pouco tempo aguentou em Olhão. Até que os italianos decidiram contratar o boneco mais à mão, um tal de Giuseppe Galderisi, homem com um percurso interessante enquanto jogador e totalmente desinteressante enquanto treinador. Para o italiano, o desafio de Olhão significava tudo aquilo pelo qual não tinha passado enquanto técnico de futebol: a possibilidade de treinar um clube do 1º escalão de um determinado país. Com Galderisi também vieram mais reforços. E a coisa não melhorou.

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Algo me faz acreditar que, descendo à 2ª liga, Belenenses e Olhanense são candidatos naturais à extinção. Se no caso da Turma de Belém, o espectro conjuntural e social em que está inserida ainda me faz crer que alguém poderá, passo a expressão, “por a mão no clube”, ou como quem diz salvá-lo do pior, por outro lado, a Olhanense poderá não ter essa sorte.

As SAD´s modernas (as SDUC´s são para mim neste momento o melhor modelo para os clubes pequenos) abarcam esse tipo de riscos: se os clubes necessitam de se abrir ao investimento privado (capaz de suprir com sucessivos aumentos de capitais as necessidades de crescimento que os clubes vão tendo ao longo dos anos), esse investimento não poderá vir desagregado do factor retorno. O método utilizado tanto em Belém como em Olhão faz-me lembrar o método usado pela família Pishyar em Aveiro: os investidores entram com o capital para pagar os custos operativos, contactam certos empresários para colocarem jogadores a rodar nesse clube, e os dividendos dos jogadores passíveis de venda após período de utilização revertem percentualmente para as partes envolvidas. Enquanto o clube se mantiver num patamar competitivo, ou seja, capaz de servir de montra a certos jogadores com mercado (logo, transferíveis), as despesas estruturais são suportadas através da promessa de lucro. Quando já não forem competitivos, serão abandonados à sua sorte. Assertivo é dizer que os problemas em Aveiro já vinham de trás desde o momento em que Leonardo Jardim abandonou o clube, precisamente ao mesmo tempo em que chegaram as primeiras informações conhecidas sobre o tal iraniano que estava interessado em, literalmente, amortizar todo o passivo do Beira-Mar e investir numa equipa capaz de lutar pela Liga Europa. A descida de divisão na época passada só agudizou a falta de plano que Pishyar, Regala e seus pares tinham para o clube que dirigiam. Curiosamente, Rui Pedro Soares apostou no Belenenses (na temporada passada) num momento da história do clube em que o clube do restelo estava precisamente abandonado à sua sorte. No caso Pishyar, eram os iranianos (e a direcção do Beira-Mar, detentora de 10% da SAD aveirense) os financiadores, Ulisses Santos e Nuno Patrão os empresários dos jogadores cedidos (bem como detentores de partes ou da totalidade dos direitos económicos desses mesmos jogadores) e o esquema baseava-se no argumento supra-citado, ficando ainda a SAD do Beira-Mar, neste caso, Majid Pishyar com os direitos económicos de todos os jogadores dos escalões junior e juvenil.

Esta esquemática tem os seus custos. Tanto Belenenses como Olhanense receberam nesta temporada jogadores vindos das mais variadas paragens. Alguns com qualidade, outros sem qualidade alguma para actuarem no nível competitivo em que alinham. Costumo dizer que na brincadeira, no caso relativo à turma de Olhão, que um italiano a treinar uma selecção do mundo deveria estar a treinar aqueles jogos amigáveis que o Figo e que o Zidane levam a cabo anualmente. Na competitiva Liga Portuguesa, o plantel formado pelo Olhanense e as suas consequentes reformulações no mercado de inverno foi um profundo harakiri.

Superbock! Fresquinha! #59

Na 19ª jornada da liga Sagres, cabia ao responder com atitude à derrota sofrida a meio da semana no Estádio da Luz. A equipa leonina demonstrou atitude, argumentos, futebol e um nível de intensidade bastante diferente daquela que tinha apresentado na derrota contra os encarnados. Pelo menos na primeira parte. No primeiro tempo destaca-se a circulação de bola praticada pela equipa orientada por Leonardo Jardim assim como a pressão alta realizada pelos jogadores do emblema de Alvalade.

Regressado ao onze com uma excelente exibição, William Carvalho fez respirar outro ar no meio-campo do Sporting. Com o pulmão da equipa a varrer por completo a zona central e a participar activamente na manobra ofensiva da equipa (por várias vezes não se acanhou de progredir com a bola nos pés) Adrien soltou-se imenso e voltou a ser o maestro da equipa. No primeiro tempo curiosas foram as movimentações feitas por Fredy Montero. O avançado regressou novamente às movimentações que apresentava no início da época, deixando de ser a referência fixa do ataque leonino. O colombiano inseriu-se nos processos ofensivos da equipa, veio fora da área procurar jogo e tentou bastantes investidas individuais. Numa dessas investidas, sacou da cartola o lance que depois ofereceu a Carlos Mané para o único golo da partida,  num lance em que a defensiva da Olhanense estava a dormir. Sem marcar há 8 jogos, denotou-se que o colombiano está inconformado com a seca de golos. Quando achou condições para rematar fê-lo mas não teve sorte. Na primeira parte viu o assistente de Hugo Miguel anular-lhe um golo limpo a livre de Adrien. Na repetição exibida pela Sporting, apesar de outros jogadores do Sporting se encontrarem em posição-de-fora de jogo no momento do cruzamento do centrocampista do Sporting (sem interferência no lance) Montero está atrás da linha defensiva da Olhanense.

Destaque também para a exibição de Carlos Mané na primeira hora. Com mais tempo de jogo, denota-se que o extremo está a ganhar mais confiança. Com muita maturidade ao nível das decisões que toma quando tem bola nos pés, não tem medo de encarar os adversários no 1×1 mas, por outro lado, também não é aquele tipo de extremo que se lança à maluca para cima dos laterais. Jardim tem em Mané um diamante em bruto para lapidar.

Na segunda parte, a equipa de Jardim deu o 1-0 como dado adquirido e descaracterizou-se por completo. A segunda parte da equipa leonina foi muito menos intensa e objectiva que a segunda. Muito por culpa de uma exibição muito negativa de André Martins no capítulo do passe. Os jogadores do Sporting acumularam uma quantidade inadmissível de passes falhados e decisões menos assertivas no meio-campo. O melhor que conseguiram fazer no segundo tempo foram as duas incursões de Carrillo da esquerda para o centro com remate.

A Olhanense apresentou-se em Alvalade com algum acerto defensivo (exceptuando o lance do golo) mas não foi capaz de apresentar um futebol ofensivo objectivo. Defensivamente, esteve em destaque a exibição do veterano central dinamarquês Per Koldrup. O antigo jogador da Fiorentina foi o autentico bombeiro de serviço durante todo o jogo. Ainda tem qualidade para jogar numa equipa com objectivos mais interessantes que a equipa de Olhão. Pode-se mesmo dizer que os jogadores do clube de olhão entraram com a (parca) ambição demonstrada pelas declarações do seu treinador a meio da semana. Galderisi referiu que os seus jogadores iriam encontrar um ambiente infernal em Alvalade. Nestes pequenos pormenores se percebe que o treinador italiano ainda não está devidamente entrosado com a realidade do futebol português. Se na primeira parte os jogadores do allenatore Galderisi limitaram-se a despejar jogo no seu avançado Dionisi (o único remate feito pelos homens de Olhão no primeiro tempo seria executado por Dionisi já muito perto do intervalo), na segunda parte pode-se dizer que a equipa conseguiu subir as suas linhas, criar mais jogo ofensivo e incomodar a baliza do Sporting em 2 ou 3 ocasiões. Pelé entrou na 2ª parte e deu mais velocidade às transições em contra-ataque da turma de Olhão. O antigo jogador do Milan protagonizou o pormenor técnico mais delicioso do jogo quando partiu os rins a William Carvalho numa progressão em drible pela zona central. É titular de caras nesta equipa de Olhão ao lado de Rui Duarte. Poderiam até sair de Alvalade com o empate quando ao minuto 86″ Dionisi aproveitou a passividade dos centrais do sporting e rematou contra Maurício em zona central. O treinador italiano tem muito trabalho pela frente. Recuperar a abalada confiança desta equipa para o que falta jogar neste campeonato dada a posição da Olhanense no mesmo avizinha-se como uma tarefa muito difícil, ainda mais para quem já apanhou o andor em marcha numa posição classificativa muito pouco confortável.

Hugo Miguel e os seus assistentes saem de Alvalade saem de Alvalade com nota negativa. Exibição fraquíssima tanto no capítulo técnico como no capítulo disciplinar, facto que redundou num jogo muito faltoso. No capítulo técnico, fica por validar um golo limpo a Fredy Montero (que ironia do futebol) e um corte com a mão de um jogador do Olhanense à entrada da área na 2ª parte. O árbitro esteve bem ao não validar golo na primeira parte no lance em que Belec defendeu com o braço em cima da linha apesar do seu corpo estar dentro da baliza. No capítulo disciplinar, deixou Adrien e Cedric acumularem faltas. O amarelo só seria mostrado à 6ª falta cometida pelo primeiro (antes dessa falta já tinha travado dois contra-ataques à margem das leis) e à 4ª cometida pelo segundo. Não teve quaisquer dúvidas em amarelar Rojo num lance em que o central do Sporting não fez qualquer falta.

Sondagens #2 e #3

A poucas horas do derby de lisboa, cabe-me divulgar a sondagem que levámos a cabo desde o início do ano.

Sondagem 2 – Arbitragem

sondagem 7

Tentámos aferir a opinião dos nossos leitores quanto às exibições da arbitragem na liga portuguesa. 39 dos 53 votantes declarou que as exibições realizadas pelos árbitros de 1ª categoria durante as 17 jornadas até agora realizadas na Liga Portuguesa merecem nota negativa. 13 leitores deram “nota suficiente” e apenas 1 leitor se pronunciou positivamente em relação à prestação dos árbitros.

Sondagem 3

Poll 1

sondagem 8

Nesta primeira pergunta tentámos recolher os palpites dos nossos leitores quanto ao desfecho da Liga Portuguesa. Optamos apenas por colocar os 3 grandes Dos 52 votos recolhidos, 26 escolheram o Sporting, 19 o Benfica e 7 o Futebol Clube do Porto.

Poll 2

sondagem 9

Na segunda pergunta, recolhemos junto dos nossos leitores palpites quanto às equipas que irão conseguir um lugar nas provas europeias a partir do campeonato, ou seja, a 4ª e a 5ª posição. Os nossos leitores acreditam que Estoril (26 votos) e Sporting de Braga (5 votos) irão conseguir apuramento europeu em detrimento do Marítimo (2 votos) Vitória de Guimarães, Nacional e Gil Vicente (1 voto) e Rio Ave (0 votos).

Poll 3

sondagem 10

Na opinião dos nossos leitores, são despromovidas à 2ª liga no final da época as equipas do Paços de Ferreira (13 votos) e Olhanense (7 votos). Castores e algarvios recolheram mais votos que Académica e Arouca (6) Vitória de Setúbal (1) e Belenenses (0)

 

Superbock! Fresquinha! #28

Tudo ao Molho ! –

O que está a acontecer no dia de hoje em Olhão faz-me ter a certeza do que tenho constatado ultimamente sobre o clube presidido pelo patranho Isidoro Sousa.

Isto porque o que está a acontecer em Olhão no percurso actual do Olhanense faz-me voltar atrás para traçar um paralelismo que se pode fazer com a história recente do meu Beira-Mar. A vários níveis.

Recuando no tempo:

1. Estávamos a meio de 2011 quando Leonardo Jardim bateu com a porta. Antes de sair, aquele que considero o melhor treinador da história do Beira-Mar deixou a casa arrumada – uma equipa consolidada, manutenção praticamente garantida e um futebol muito interessante. Antes de sair, Leonardo Jardim perdoou uma dívida respeitante aos seus salários à direcção na altura presidida por António Regala. A precisa direcção presidida por António Regala, haveria, posteriormente, devido às débeis condições financeiras do clube de se seduzir ao dinheiro fresco que o sr. Majid Pishyar prometia trazer para Aveiro.

2. Jardim saiu. Entrou Rui Bento. Nada de mais. Treinador jovem sem experiência de primeira liga com ambição de solidificar a sua posição entre os melhores do futebol português. Com a entrada do antigo internacional chegou Majid Pishyar. Iraniano. 2 clubes falidos no historial – Admira Wacker e Servette – deserto de investir, palavras do próprio, num clube cronicamente mal-parado em virtude de sucessivas crises financeiras – Sportius, Inverfutebol – para criar um projecto capaz de transformar o Beira-Mar num clube europeu. Antes de Aveiro, Pishyar tentara, através dos seus raiders em Portugal (Nuno Patrão e Ulisses Santos) avançar para a aquisição e consequente constituição de SAD na Académica e na Naval. José Eduardo Simões e Aprígio Santos acabariam por dizer não às pretensões do proprietário da 32 Group.

3. A fogosa entrada do Iraniano em Aveiro deu logo lugar a dúvidas. Primeiro porque de início o investidor adiou sistematicamente a realização de investimentos até concluir a situação financeira do clube. Segundo porque nunca se mostrou interessado em acompanhar directamente a vida do clube. Terceiro porque se veio a descobrir que a aquisição do Servette se poderá ter devido ao interesse que Pishyar tinha em adquirir na Suiça uma joalheira de luxo, a Gilbert Albert. Quarto porque ao mesmo tempo em que Pishya preencheu os requisitos legais para constituir a SAD do Beira-Mar nos moldes actuais que regem a composição das SAD em Portugal e assim adquirir 85% da SAD beiramarista, começaram na Suiça, a sair os primeiros sinais de desinvestimento progressivo de Pishyar no Servette. O clube da bela Genéve acabaria por ser passado para outras mãos pela módica quantia de 1 euro. Denotava-se desde então que o iraniano tinha outros interesses em vista em Portugal que não ser proprietário de um clube, perdõem-me todos os meus amigos beiramaristas, cronicamente problemático, cronicamente despido de público de estádio e como tal de receitas e cronicamente votado a sucessivos bailados entre a 1ª e a 2ª liga.

(Não me atirem calhaus quando me virem no estádio, por favor…)

4. O resto da história todos conhecemos: Rui Bento confirmou que não é treinador em lado algum, o investimento que Pishyar prometeu nunca apareceu, as equipas do Beira-Mar serviram como montras de jogadores para os raiders-empresários Patrão e Santos, Bento bazou, para o seu lugar foi contratado o “labrego” Ulisses Morais, Morais bazou e para o seu lugar foi contratado o azelha Costinha – erro atrás de erro, incompetência atrás de incompetência, activo vendido atrás de activo vendido, merda atrás de merda. 2ª liga. Plano Especial de Revitalização. Fome entre o plantel. Guerra entre a direcção de Antonio Regala e a família Pishyar. Clube com o nome na lama e na boca dos oficiais de justiça do Tribunal de Comércio de Aveiro. Outras avarias que envolvem apostas ilegais e a Liga a aceitar inscrições contra os arrestos promovidos por credores. Viagens a serem pagas por adjuntos. Família Pieralisi. Sossego.

5. O que se passa em Olhão é um pouco isso. Não sendo o clube mais representativo da região onde se encontra à semelhança do que o Beira-Mar é para a região de Aveiro – o clube mais representativo do Algarve é o Farense e será sempre o Farense – a Olhanense é um clube com alguns pergaminhos no futebol português. Contudo, a analogia que traço com o Beira-Mar é simples: a Olhanense é um clube financeiramente débil, ao nível de receitas dependente da presença na 1ª liga (uma descida de divisão acaba com o clube ou fica perto disso) em virtude de ser mais um em Portugal com uma pequena massa associativa, sem grandes apoios da região, sem grande histórico de receita vinda de vendas de jogadores.

6. O que começa torto jamais se endireita: A Olhanense inicia a época com 3 problemas de fundo:

6.1 – Problemas financeiros. Plano Especial de Revitalização iniciado no passado mês de Agosto constituído pela cedência de direitos desportivos e 80% da SAD a um grupo de empresários italianos, pouco interessados nos resultados desportivos da equipa. Interessados sim em fazer rodar os jogadores que tinham espalhados aí pelos 4 cantos do mundo sem colocação. O mesmo que tinha acontecido no Beira-Mar com a dupla Patrão-Ulisses Santos.

6.2 – Um treinador a viver a sua experiência como tal num clube a ferro e fogo – Abel Xavier.

6.3 – Intermináveis obras no seu Estádio que levaram a equipa a ter que jogar as partidas em casa no Estádio do Algarve. Isidoro Sousa repetiu vezes sem conta no verão que as obras eram rápidas. Até hoje.

Os sócios da Olhanense, insatisfeitos com as sucessivas mentiras do seu presidente, tentaram puxar-lhe o alçapão. Várias vezes. Aqui, por exemplo.

7. Treinadores: Conceição a realizar uma das melhores épocas do clube na Liga. Despedido. Manuel Cajuda salva o clube da despromoção. Despedido numa altura crítica quando faltavam 2 jornadas para terminar o campeonato. Abel Xavier. Despedido quando os Italianos e Isidoro Sousa, tentaram, com aquela sociedade das nações que constitui o plantel dos algarvios, pedir a Liga Europa ao precoce treinador. Paulo Alves. Muita experiência de 1ª Liga. A sociedade das nações dos Mehmetis e Fatis e Bigazzis e Dionisis que nenhuma Salernitana deste mundo quer no seu plantel sem jogar um grosso. Perdão. Sem jogar um caralho. Despedido. Solução? Ah, sim. Um italiano. Giuseppe Galderisi. Passado interessante enquanto jogador com passagens por grandes do futebol italiano e 10 internacionalizações pela squadra azzura nas pernas Empresário? Sim. Um dos detentores da SAD algarvia. Passado como treinador? Sim, um passado MUITA NICE por COLOSSOS de Itália como o Mestre, a Cremonese, o Giulianova 1924, o Gubbio 1910, o Viterbese e precisamente a Salernitana. Entre muitos outros que não são melhores que a Cultural Leonesa.

Com muito respeito pela mítica Cultural Leonesa, o meu clube fetiche da 3ª Divisão Espanhola!

8. Plantel – aquilo que se vê. No Beira-Mar, na era Pishyar passaram portentos como Nazmi Faiz, Cedric Collet, Ruben Ribeiro, Saleh, Dudu, Tozé Marreco, Felipe Desco – tudo grandes máquinas deste futebol! E do outro. Em contraste com o actual plantel do Olhanense – Karamatic, Sebastien Mladen, Anthony Seric, o Jean que até tem um apelido engraçado (o Coubronne), Tibor Cica, Balogun (sempre que leio este nome dá-me vontade de ver um Brookliniano com uma arma na mão apontada a outro a dizer “Bala ou Gun?) Mor Pouye, Lucas Souza (chiça que o baú desta equipa é fundo) – resumindo, ao todo 12 nacionalidades no plantel! Se não fosse uma equipa de futebol diria que é um campo de refugiados. Como nem tudo é mau salvam-se Jander, Koldrup e os italianos que apesar de não ser matadores natos são gajos que suam a camisola numa equipa cuja táctica é “chuta para a frente para os italianos correrem atrás dela”

Moral da história – Porque é que o futebol mudou tanto em tão pouco tempo? Não há, neste momento, palco tão privilegiado no desporto como o futebol para o aparecimento destes fenómenos. Oligarcas desertos de lavar algum que não conseguem explicar ou entulhar nas sgps e holdings que possuem nos mais diversos paraísos fiscais. Clubes desesperados desses oligarcas e do dinheiro fresco que trazem. Empresários com capital suficiente para se tornarem proprietários de clubes com o objectivo puro de meter a rondar a carne que possuem nas suas carteiras de negócio. Se não dá aqui, dá noutro lado. Se este clube desceu, manda-se a SAD aos tojos e abre-se outra na Roménia. E por aí adiante.

É nesta crença que afirmo aqui sem pejo que não vejo este Galdarisi a dar a volta à situação. A sua chegada a Olhão faz-me lembrar a chegada de Franky Vercauteren ao Sporting. Sem qualquer conhecimento do futebol português e da tortura que lhe espera até ao final da época. Vercauteren saiu pelo meio. Ninguém o avisou que só seria treinador do Sporting até ao Professor Pardal ser despedido do Panathinaikos. O mais triste disto tudo é que o Olhanense vai descer de divisão. Quando descer, não existe mão que lhe pegue. Não será o único e o último a cair a pique. Na 1ª liga existe mais quem lhe siga os passos e os tombos. Garanto.

Superbock! Fresquinha! #23

Tudo ao Molho! –

Parece que surtiu efeito a campanha propagandística que o FC Porto “encomendou” a Fernando Santos ontem, na sessão de apresentação do novo livro de Jorge Nuno Pinto da Costa em Lisboa. Santos afirmou que “Fernando tem lugar de caras na selecção” – opinião essa que foi dada, segundo palavras do próprio, “do ponto de vista técnico” – porque é que digo que o FC Porto encomendou o discurso ao actual seleccionador grego? A lógica parece-me óbvia. Fernando afirmou no verão que queria sair. No facebook, o trinco pediu à direcção do Porto que o vendesse ao Mónaco, afirmando que a proposta dos monegascos era “o contrato da sua vida que não iria ter em mais nenhum lado” – como é óbvio nestas situações, a direcção do Porto actuou e dias depois, foi o irmão de Fernando que veio a praça pública dizer que o trinco estava contente no FC Porto, desmontando por completo as afirmações do trinco.

O impasse em redor da renovação de Fernando continua. A lógica nas acções que o Porto efectuou no passado em situações mais ou menos semelhantes diz-me que a naturalização do Brasileiro indicia aquilo que vai\quer\pode ser feito pela SAD do Porto dentro de alguns meses: o jogador naturalizou-se e o FCP tratou de montar a teia ao seleccionador Paulo Bento, que, como bem sabemos disse, respeitando a opinião expressada pelo presidente da Federação, que não iria desencadear qualquer processo de naturalização com o objectivo de recrutar jogadores para posições de carência na selecção. Numa posição em que Miguel Veloso é um indiscutível titular de Bento mas não joga com regularidade no seu clube e William Carvalho, apesar da grande época que está a fazer em Alvalade, ainda não é um seleccionável regular de Paulo Bento, o FCP sente que existe um nicho de oportunidade para o médio recém naturalizado. Necessitados de vender um jogador com muito mercado, necessitado Fernando de se rentabilizar para poder sonhar com um grande clube europeu e consequentemente com um bom contrato (e nesse campo, todos sabemos que se existe prova que valoriza de forma louca um jogador essa prova é o mundial de selecções) é natural que o Porto tenha acordado com o jogador uma renovação mediante a entrada do jogador na selecção nos próximos amigáveis que esta irá fazer em Março de modo a cair no goto de Bento e figurar no lote de convocáveis para o mundial. Nesse caso, explicam-se as palavras do engenheiro do penta assim como o bloco de pressão que o Jornal O Jogo tem montado nas últimas semanas. A ver vamos se Paulo Bento irá continuar com o mesmo discurso ou, pela primeira vez na sua carreira, irá esquecer a sua eterna teimosia e virar o bico ao prego.

Da apresentação do novo livro de Pinto da Costa, pulularam-me também as caricatas declarações de Santos, o Grego. O grego que se vê grego entre os gregos, mas cuja greguice também lhe permite ingerir-se nos assuntos de um possível rival no próximo campeonato nacional. Ao engenheiriadis do pentakis recomendo-lhe que esteja mais atento à selecção que treina e às suas escolhas.

No relvado:

1. O Porto afirmou que Marat Izmailov irá regressar aos treinos após o Natal. O João Borba afirmou aqui os rumores que avançam que o jogador esteve ausente dos treinos durante 3 meses devido a uma depressão. Só se for uma depressão no joelho. Como a imprensa voltou a escrever meia dúzia de palavras sobre o caso, os dirigentes do FC Porto fizeram regressar o jogador como forma de prevenção. Estratégia óbvia para evitar as habituais novelas a que o russo nos acostumou.

2. O Porto joga dentro de uma hora no Dragão contra o Olhanense. Em teoria prevejo um vitória fácil do Porto, motivado pelo triunfo em Vila do Conde no passado Domingo. Recordo que o clube de Olhão foi o único que conseguiu tirar pontos ao FCP no estádio do dragão na época passada num jogo que ficou marcado por uma interrupção devido ao mau tempo que se abateu no Porto naquele dia.

Esta cerveja enfeitiçou-me! –

De Alvalade, entre as habituais bicadas de Bruno de Carvalho aos rivais (reproduzidas nas últimas semanas no jornal do Sporting). Contudo, a semana do Sporting ficou marcada por três acontecimentos:

1. A confirmação de objectivos pela boca de Leonardo Jardim – a Liga dos Campeões.

2. Os rumores em torno do reforço do plantel em Janeiro que deram conta do interesse do Sporting em Evandro do Estoril e Sami do Marítimo, a possibilidade do clube vender já em Janeiro Miguel Lopes (emprestado ao Lyon) aos Alemães do Estugarda, o dossier Elias e a alegada receptividade que os dirigentes leoninos terão em negociar Fito Rinaudo na reabertura do mercado. Se por um lado considero um crime o Sporting vender um profissional exemplar como o é o trinco argentino, jogador que tem aceite de forma exemplar o facto de não ter lugar no onze do Sporting e que contribui decisivamente com a sua experiência no equilíbrio do plantel, por outro lado creio que também é um crime Rinaudo não jogar com regularidade pois é um jogador que seguramente teria o seu espaço em vários clubes por essa europa fora.

3. O acordo de parceria que o Sporting fez com os colombianos do Real Cartagena. A equipa colombiana é uma das melhores equipas de formação do país, tendo sido responsáveis pela formação de grandes jogadores da história futebolística do país como o guarda-redes Faryd Mondragón, Iván Valenciano, ou mais recentemente, seleccionados colombianos como o central Carlos Valdés. O protocolo irá instaurar no clube colombiano um modelo de formação com base no modelo do Sporting (com esse efeito será enviado José Dominguez para coordenador o departamento de formação do clube) e intercâmbio de jogadores com a possibilidade do Sporting receber jogadores dos colombianos nas suas equipas de formação e equipa B à experiência.

Bruno de Carvalho afirmou a propósito do novo protocolo que o Sporting irá receber “os melhores jogadores colombianos” – parecem-me à primeira vista declarações exageradas tendo em conta o futebol de exportação que Atlético Nacional, Deportivo de Cali, Millionários, Independente de Santa Fé, Envigado e La Equidad oferecem regularmente aos clubes europeus e sul-americanos.

Em jeito de piada, creio que os colombianos quiseram fazer esta parceria porque gostaram do corte de cabelo de Dominguez. Como tal, querem fazer molde!

Atiro-te já com os amendoins à tromba, ó lambuças!

Pouco faltou ontem nos Barreiros para que tal tivesse reprodução num relvado da Liga. Marítimo e Braga arrancaram a 14ª jornada com um fantástico jogo de futebol onde os comandados do professor Pardal (o eterno provocador) comeram de cebolada os marítimistas, incapazes de segurar na 2ª parte uma vantagem de 2-o obtida no primeiro tempo.

Destaque óbvio para a arbitragem. Com 2-1 para o Marítimo, Rui Costa lembrou-se de expulsar Derley num lance polémico em que o jogador madeirense salta e atinge com o braço Sasso. Lance para amarelo no máximo no meu entender. Minutos depois não foi capaz de expulsar Salvador Agra num lance em tudo semelhante, com a agravante do jogador ter reclamado de forma veemente um fora-de-jogo inexistente que lhe foi tirado e de ter mandado um empurrão num jogador do Marítimo depois de uma entrada impetuosa deste. A meio da confusão, também ficou por marcar um penalty a favor do Marítimo quando o jogo já se encontrava empatado.

No final do jogo os ânimos aqueceram fruto das habituais provocações de Ruben Micael e do professor pardal junto à linha lateral. Gegé teve mesmo que ser levado por um dirigente do clube madeirense perante o gozo estampado na cara do “nacionalista” Ruben Micael.

A vida do professor Pardal continua difícil em Braga, fruto das suas inenarráveis invenções com os jogadores que possui. Colocar Rafa na ala esquerda parece-me digno de treinador de distrital que não sabe ler o potencial dos seus atletas.

Superbock! Fresquinha! #21

Atiro-te já os amendoins à tromba ó lambuças! – interval em Olhão:

1. Dois fantásticos tiros, um de Regula, outro de Matic. No remate do primeiro, Artur não tem culpas. Remate a 100 km\h com a condicionante de ter batido na relva.

2. Continuo a acreditar que o problema na arbitragem portuguesa não provém de qualquer acto de má-fé ou vício cometido antes das partidas. Se ontem Hugo Pacheco fez o que fez em Alvalade, na primeira parte em Olhão, o árbitro da AF Porto Vasco Santos (e os seus assistentes) já fizeram das suas ao não assinalar um penalti que me pareceu claro sobre Gaitán, dois fora-de-jogos inexistentes em dois lances perigosos dos quais o último poderia resultar em golo e ao não assinalar um fora-de-jogo que me pareceu óbvio no primeiro golo da Olhanense.

3. Boa atitude da Olhanense. De um jogo que em teoria se previa difícil para o Benfica baseado na crença de que a Olhanense iria entrar em campo com o autocarro estacionado, vimos uma primeira parte em que o Olhanense não só entrou em campo de forma aberta a jogar um futebol muito flanqueado (é na esquerda de Sílvio que nasce o primeiro golo do Olhanense) como está a apresentar uma equipa muito disciplinada lá atrás. Para já, Paulo Regula está a fazer um excelente jogo. Tanto no meio-campo a conduzir os venenosos contra-ataques da equipa de Olhão como à direita onde está a tentar cavar superioridade com o lateral Coubronne junto do desamparado Sílvio. Do outro lado, a figura de Matic: o sérvio está a fazer um daqueles jogos em que preenche por completo o meio-campo encarnado.

4. Da 2ª parte, é como da Espanha: nem bom vento nem bom casamento. Pressão alta do Benfica a abrir, um golo por intermédio do recém entrado Sulejmani, dois lances na área do Olhanense, a lesão de Artur, meia dúzia de patacuadas que não interessam nem ao menino Jesus por parte dos comentadores Sporttv e um tal de Francis Koné que fez mais faltas do que as vezes que tocou na bola. Uma das piores 2ªs partes que vi na Liga deste ano… Vamos ver o que faz o Porto.

5. 20″ – Ia para escrever que até agora o Rio Ave estava a dar o jogo de barato mas…

Jogo com um pace muito lento. Golo de Maicon numa falha tremenda do guarda-redes do Rio Ave. Rio Ave com alguma organização defensiva colocando sempre um jogador em cima do portador da bola. Jogo algo faltoso. Porto com a habitual envolvência ofensiva dos laterais e com a habitual ausência dos extremos. Hoje Josué ficou no banco. Rio Ave a tentar colocar a bola nos flancos, contudo, os laterais do Porto estão a dar conta do recado. Até ao momento em que Edimar avança com bola, faz 1×2 com um colega e recolhe mais à frente perante total passividade dos centrais do Porto.

6. Em Vila do Conde, ao intervalo, nada de novo. Provavelmente o jogo mais aborrecido do ano a que estou a assistir. Duas oportunidades para cada lado: Maicon ao poste num lance semelhante ao do golo para um lado. Para o outro, Edimar voltou a aparecer na cara de Helton. Saliências: Lucho passou a primeira parte no chão. Varela e Licá já mudaram de flanco mas ainda não deram uma para a caixa. O Rio Ave fechou-se lá atrás e fez denotar aquela que é a maior fraqueza do Porto: um jogador que pegue no jogo no último terço e possa desiquilibrar com 1 ou 2 fintas.

7. 59″ – Porto com processos mais simples chega ao 2-1. Jackson está em fora-de-jogo por um braço. Aceita-se pois é um fora-de-jogo muito difícil de tirar.

(continua…)

Superbock! Fresquinha! #20

Tudo ao Molho! –

1. Apesar de não ter sido uma das melhores exibições da época, pode-se dizer que foi uma vitória relativamente fácil para o Sporting. Uma vitória assente numa interessante exibição colectiva dos jogadores do clube de alvalade, assente numa fantástica circulação de bola e num futebol cínico onde o Sporting limitou-se a concretizar todas as oportunidades de golo que teve na partida. Defensivamente, Leonardo Jardim montou uma estratégia em que pura e simplesmente não deixou o Belenenses jogar. A pressão feita no meio-campo, não deixou a linha de médios do clube de Belém levar o jogo para o último terço do terreno. Quando deixou, a dupla de centrais do Sporting, acompanhada por William Carvalho, tratou de resolver todas as incursões azuis de forma agressiva e eficaz.

2. O penalty. Para além de não existir qualquer falta sobre Cédric, a existir falta, a falta deveria ser marcada fora da área. O treinador do Belenenses Marco Paulo afirmou na conferência de imprensa que o lance condicionou todo o jogo do Belenenses. Sou da mesma opinião do treinador do Belenenses visto que até a esse lance, defensivamente, o Belenenses estava a conseguir anular o Sporting. Quer queiramos quer não, quando uma equipa se coloca em vantagem desta forma, condiciona o modo de actuar da outra equipa e esse erro tem influência no resultado do jogo. O mesmo critério aplica-se no penalty que ficou por marcar minutos depois.

3. Na retina do jogo também ficam os dois golos do Sporting na 2ª parte. O primeiro pela magnífica recepção de bola de André Carrillo. O segundo pelo excelente cut inside de Wilson Eduardo, cartão de visita do extremo do Sporting.

4. A imprensa cansou-se da pergunta da praxe e pela primeira vez não tentou extorquir a qualquer membro da estrutura de futebol do Sporting uma “candidatura aberta ao título” – desta vez optou apenas por realçar o pedido expresso feito pelos adeptos leoninos nas bancadas. O que não deixa de ser um sonho legítimo dos adeptos do Sporting nesta altura do campeonato. O que não deixa de ser uma aspiração legítima aos adeptos de um clube cuja grandeza e história acarreta a obrigação de lutar por títulos todos os anos.

Contudo, tanto do flash-interview como da conferência de imprensa, saltou-me à vista a rídicula pergunta que um jornalista da Sporttv fez ao guarda-redes do Belenenses Matt Jones. Citando o imbecil jornalista: “Matt Jones, feliz por não ter sofrido um golo de Montero?” – O guardião Inglês respondeu no seu português “Golo é golo”.

4. Porto e Benfica entram em campo daqui a algumas horas para tentar anular a diferença pontual cavada pela vitória do Sporting. Sei por experiência que quem corre atrás tem tendência a cometer mais erros do que quem corre na liderança. O Porto vai a Vila do Conde jogar no reduto habitualmente difícil para todos os grandes contra um adversário com aspirações europeias. Já o Benfica tem a tarefa mais facilitada em Olhão frente a uma Olhanense que ainda não acertou agulhas neste campeonato.