Ciclismo 2014 #30

volta catalunha

7ª e última etapa – Domingo

westra

O holandês Lieuwe Westra (Astana) tanto tentou (principalmente na Volta ao Algarve) que finalmente conseguiu vencer uma etapa nesta temporada através de uma fuga. Na chegada a Barcelona, na consagração de Purito Rodriguez como vencedor da volta da sua região natal, Westra chegou isolado e venceu a 7ª etapa da Volta à Catalunha.

A etapa começou com uma fuga protagonizada por 13 ciclistas logo ao quilómetro 6. Lieuwe Westra (Astana), Stef Clement (Belkin; vencedor de etapa no dia anterior), Marcus Burghardt (BMC; fugitivo nos dias anteriores), Ratto (Cannondale; o maior derrotado da prova também tentou a sua sorte através de uma fuga), Pineau (FDJ), Vallee (Lotto), Thomas Voeckler (Europcar), Perrig Quemeneur (Europcar), Beppi Fumiyuki (Trek), Paterski (CCC), Bagot (Cofidis), Jerome Baugnies (Wanty) e Michael Kreder (Wanty) tentaram a sua sorte na etapa corrida num circuito desenhado à volta da cidade condal.

Enquanto a vantagem dos fugitivos aumentava (sensivelmente 3 minutos nesta altura) ao quilómetro 58, Chris Froome caía dentro do pelotão numa queda colectiva. O britânico saiu ileso da queda e rapidamente se re-inseriu dentro do pelotão.

Westra 2

Até ao circuito final (8 voltas) a diferença dos fugitivos manteve-se nos 3 minutos e meio de diferença. Sentido a oportunidade, na 5ª volta, Thomas Voeckler decidiu atacar para poder vencer a etapa. O francês atacou e Lieuwe Westra foi o único capaz de responder ao ciclista francês da Europcar e isolar-se posteriormente na frente da corrida. Com cerca de 1 minuto de vantagem até ao final da etapa, o holandês geriu a diferença e venceu isolado a etapa com 1 minuto e 22 segundos de diferença para Voeckler e Marcus Burghardt.

Tinha afirmado no último post que apesar de ser a última etapa, esta poderia não ser a etapa típica de consagração do líder da prova. Enquanto Westra alinhava sozinho na frente, no pelotão, com 4 segundos de diferença na geral para Purito Rodriguez, Alberto Contador tentou o seu ataque a 2 km da meta de forma a conseguir anular a diferença de Purito. O espanhol teve resposta imediata do seu compatriota e de Tejay Van Garderen (BMC), outro dos interessados em estabelecer diferença nesta última etapa. O Norte-Americano precisava de recuperar os 7 segundos de diferença que tinha para Purito para poder vencer a geral da prova. No entanto, nenhum deles conseguiu retirar a ténue diferença no cronómetro para o ciclista da Katusha, tendo este vencido a geral da prova.

Anotamento meu: Purito venceu a prova com um fantástico ataque disferido nos quilómetros finais da 3ª etapa (1ª das 2 de montanha) mostrando que é neste momento o único ciclista capaz de estabelecer diferenças consideráveis num curto espaço de terreno. O desempenho do ciclista catalão perante Chris Froome faz-me aguardar com alguma ansiedade o próximo Tour de France. Com Quintana ausente por opção da Movistar (irá correr Giro e Vuelta), os espanhóis são na minha opinião os únicos capazes de rivalizar com o britânico na prova francesa. Froome, Contador, Quintana e Van Garderen estiveram à altura da prova, dando algum espectáculo na alta montanha. O Norte-Americano venceu categoricamente a etapa raínha da prova. Perante um leque de ciclistas tão elevado, a prova merecia mais 1 ou 2 etapas de montanha nem que para tal tivesse que entrar em território andorrenho.

Purito 2

catalunha 7

Destaque também para o 4º lugar de Romain Bardet. O jovem ciclista francês de 24 anos andou taco-a-taco na alta montanha com os maiores trepadores da actualidade. Será desta que os franceses tem aqui um diamante em bruto capaz de ser lapidado para vencer a Grand Boucle dentro de alguns anos?

Desilusões:

Daniel Martin – O irlandês, vencedor da prova em 2013, prometeu andar com os melhores mas passou claramente ao lado da prova.

Carlos Betancur – Talvez a acusar o esforço dispendido na Paris-Nice, o colombiano ficou para trás logo na primeira dificuldade e no dia seguinte, fez a mala e voltou para casa. Bardet salvou a honra da AG2R. Esperava-se muito mais do colombiano numa altura da temporada em que toda a gente colocava Betancur na lista de favoritos à vitória na geral da prova.

A classificação da montanha foi ganha por Stef Clemens da Belkin. A Garmin venceu colectivamente.

 

Gent – Welvegen – Domingo

John Degenkolb 2

Semana de sonho para a Giant-Shimano. A equipa holandesa já soma 14 vitórias em etapas neste primeiro trimestre de temporada sendo para já, em conjunto com a Omega e com a Cannondale, uma das equipas mais dominadoras deste início de temporada. Luka Mezgec deu 3 alegrias em outros tantos sprints na Volta à Catalunha. Na primeira das míticas clássicas das colinas dos países baixos, John Degenkolb tratou de colocar a cereja no topo do bolo.

A Nata das clássicas deslocou-se à Bélgica para correr a primeira das clássicas belgas da primavera. John Degenkolb (Giant), Fabian Cancellara (Trek), Peter Sagan (Cannondale), Tom Boonen (Omega) Alexander Kristoff (Katusha), Phillip Gilbert (BMC), André Greipel (Lotto), Tyler Farrar (Garmin), Geraint Thomas (Sky) e Greg Van Avermaet constituam o principal grupo dos favoritos à vitória na prova. A única ausência de destaque na prova foi o campeão do mundo. A Lampre decidiu não escalonar o português para a prova. A prova não se adequava às características do português. Teremos que esperar pelas rampas de Liége e pelas rampas de Valkenburg (Amstel Gold Race) para ver o ciclista português em acção nas clássicas da primavera. Neste mês de Abril, o português irá disputar a Volta ao País Basco, prova onde é um dos principais favoritos à vitória na geral.

Os primeiros a tentar sair do pelotão foram Sebastian Lander (BMC), Manuele Boaro (Tinkoff), Jacobus Venter (MTN-Qubeka), Marcel Aregger (IAM) e Frederick Veuchelen (Wanty). Destaque para a Qubeka e para Wanty. Não sendo das principais equipas da divisão UCI Pro Continental tem estado muito bem nas provas em que são convidadas para correr com as equipas de World Tour. Apesar de terem orçamentos muito inferiores aos das equipas de World Tour e ciclistas menos cotados (de referir que o líder da Qubeka é o alemão Gerald Ciolek; não é um mau sprinter e até consegue de vez em quando inserir na luta entre os melhores, mas, também não é propriamente uma estrela do ciclismo mundial; o chefe-de-fila absoluto da Wanty é o italiano Danilo Napolitano), as primeiras exibições executadas durante a presente temporada nas provas a doer, provaram que estas duas equipas tem ciclistas muito combativos, que de resto, ao contrário de outras equipas com maior potencial e maiores ambições (casos da Cofidis e da Caja Rural; equipas que almejam vencer a divisão para poderem reclamar uma licença de World Tour na próxima temporada) tem-se escondido dentro do pelotão nas provas que tem corrido.

Esta fuga só seria anulada a cerca de 50 km para a meta. Em desespero, quando o pelotão já se aproximava a alta velocidade, Manuele Boaro ainda tentou sair do grupo em solitário. Seria apanhado poucos quilómetros depois.

As primeiras movimentações tácticas eram feitas lá atrás. A perseguição era feita por um pequeno grupo de ciclistas no qual estavam Sagan, Cancellara e Boonen. Uma queda tinha afastado quase todos os outros candidatos à vitória. Desse grupo haveriam de sair a 22 km da meta, Stijn Devolder (Trek), Silvain Dillier (BMC) e Andrey Amador (Movistar). Ameaçada pela presença de Devolder no ataque, a Omega de Boonen tratou de colocar Guillaume Van Keirsbuick em posição intermédia para tentar estabelecer a ponte entre os dois grupos. A ideia da Trek era colocar Devolder em posição intermédia para auxiliar posteriormente Cancellara vindo de trás. Já Dillier poderia fazer suspeitar que Phillipe Gilbert também poderia sair do grupo dos favoritos.

O que é certo é que o trio foi andando e só a 1 km da meta colocada em Welvegem foi alcançado pelo grupo principal, mais alargado nos quilómetros finais, graças à perseguição organizada feita em conjunto pela Cannondale de Sagan, pela Omega de Boonen e pela Giant-Shimano de Degenkolb. A Lotto-Belisol (a trabalhar para Greipel) e a Tinkoff também deram uma ajuda nos quilómetros finais. Se a equipa dinamarquesa pouco ou nada tinha a ganhar num sprint final contra os tubarões (mesmo com Daniele Benatti em prova), a equipa Belga trabalhou bem para o seu líder mas Greipel haveria de trocar as voltas ao envolver-se numa queda com Tyler Farrar nos metros finais. Os habituais empurrões de Greipel e as habituais mudanças bruscas de trajectória do norte-americano (manobras que de resto são odiadas e muito criticadas por meio pelotão) haveriam de provar em Welvegen o seu próprio veneno.

Quem aproveitou toda esta confusão, como o próprio afirmou no final da prova foi John Degenkolb. O holandês foi novamente letal e venceu o expectante Arnaud Demare (sempre discreto e muito bem colocado dentro do pelotão) no sprint final com o noruguês Kristoff novamente muito perto do brilharete.

 

Criterium Internacional da Corsega

tiago machado 2

Numa das provas fetiche de Tiago Machado (Net-App-Endura), na qual o português já venceu a classificação da Juventude em 2010 e tinha feito um 5º lugar na geral em 2011, o ciclista da equipa alemã fez neste fim-de-semana pódio.

O critérium internacional da córsega é um dos vários critérios organizados em frança pela ASO, a empresa que detém os direitos de organização do Tour e agora da Vuelta, esta última, partilhada com a Unipublic. Na prova de 3 etapas, na qual participaram nomes como Jean-Christophe Peraud (vencedor da geral deste ano), Franck Schleck (Trek), Alexis Villermoz (AG2R), Michele Scarponi ou Janez Brajkovic(Astana), o português foi 3º à geral com 19 segundos de diferença para Peraud. Excelente participação do português que este ano irá correr o Tour em conjunto com outro português José Mendes pela equipa alemã.

Tour de Panne

1ª etapa – hoje

sagan 3

Sagan. Quem mais?

Mesmo a travar, The Terminator conseguiu vencer a primeira etapa do Tour de Panne, prova de 3 dias corrida na Bélgica, antecamara da prova de domingo, a perigosa Volta à Flandres.

Durante 3 dias, o pelotão que irá correr a Volta à Flandres (com umas equipas belgas de Pro Continental à mistura) irá experimentar novamente a experiência duríssima de correr etapas recheadas de segmentos de pavé seguidas de inclinadas colinas de 500\700 metros com pendentes de 7 e 8%.

Na primeira etapa da prova belga, uma fuga composta por ciclistas belgas de equipas menores (Wanty, Top-Sport; o único nome conhecido presente no grupo era Pim Ligthart da Lotto-Belisol; vencedor do prémio da montanha da Paris-Nice) obrigou Sagan a lançar-se com o colega de equipa Oscar Ratto e dois ciclistas da Omega ( um deles Gert Steegmans) a 9,5 km da meta numa altura em que os segmentos de pavé sucedidos de violentas rampas de 450 e 700 metros, respectivamente, estavam a cortar o pelotão em pequenos grupetos.

Sagan e Gatto chegaram ao grupo principal, obrigando Arnaud Demare a tentar fazer a ponte a cerca de 6 km da meta. O francês conseguiu chegar perto de Sagan mas viu de longe a sui-géneris vitória do eslovaco no sprint (lançado por Mauro Finetto da Bardiani; Finetto foi muito inteligente ao ser o primeiro a saltar do grupo principal para o grupo dos fugitivos quando ainda faltavam 20 km para a meta) quando o mesmo se encontrava a travar para oferecer a vitória ao colega de equipa Oscar Gatto. Num primeiro momento, pensou-se que teria sido Gatto a vencer a prova mas, no photo-finish, a roda de Sagan cruzou primeiro a linha de meta que a roda do outro homem da Cannondale. A imagem apresentada pela organização continha um pormenor delicioso: Sagan estava com a mão esquerda no travão a tentar travar para Gatto vencer a etapa perante a oposição de Alexander Kristoff. No final da etapa, Gatto mostrou-se todavia satisfeito com a vitória do colega de equipa, realçando que o objectivo da equipa era simplesmente vencer a etapa e preparar a grande prova de domingo.

Apesar de amanhã haver uma etapa em linha tão dura quanto a etapa de hoje, o mais provável é que a classificação geral se decida na quinta-feira no contra-relógio individual que fecha a prova.

 

 

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Ciclismo 2014 #27

Purito

La Molina é de Purito Rodriguez. O espanhol da Katusha atacou no último quilómetro como tanto gosta e venceu no Alto que finalizou a 3ª etapa da Volta à Catalunha. Purito conseguiu ganhar alguns segundos a toda a concorrência e tornou-se líder da prova catalã.

Uma fuga de 6 corredores animou praticamente toda a etapa. Andrey Zeits da Astana, Jack Borbridge da Belkin, o repetente Michael Koch (Cannondale), Kevin Reza (Europcar), Branislav Samoilau (CCC Polsat) e Rudy Molard da Cofidis saíram do pelotão ao quilómetro 9. Pelo meio, ultrapassaram um sprint especial e duas contagens de categoria (uma de primeira e outra especial) com Borbridge a passar em primeiro nas duas contagens, passagens que lhe garantiram nesta etapa o uso da camisola da classificação da montanha com 46 pontos contra os 33 de Andrey Zeits. Aos 84 km de 162,9 km, a vantagem destes 6 fugitivos atingiu o seu máximo com 6 minutos e 40.

Até à subida para La Molina, a diferença foi baixando. A Katusha de Purito Rodriguez e a Movistar de Nairo Quintana assumiram as despesas de perseguição. Na subida final, Kevin Reza e Samoilau atacaram mas o ritmo imposto pela Movistar no pelotão (entretanto reduzido a 60 unidades) fez com que os dois rapidamente fossem alcançados pelo grupo no qual já não estava o líder Luka Mezgec.

A Movistar iniciou a pendente na frente. Igor Antón (que gregário de luxo tem aqui Nairo Quintana) imprimiu um ritmo medonho e rapidamente cortou o grupo à presença de 25\30 unidades no qual estavam para já todos os candidatos. Contudo, no fundo do grupo, Carlos Alberto Betancur, vencedor do último Paris-Nice, já apresentava algumas dificuldades para seguir o ritmo imposto pelo homem da Movistar.

Sem ataques até aos últimos três quilómetros, coube a Pierre Roland (Europcar) efectuar o primeiro rasgão no grupo principal. Andrew Talansky (Garmin-Sharp) e Jakob Fuglsang (Astana) responderam directamente ao trepador francês. Com Roland neutralizado, Fuglsang tentou a sua sorte e num primeiro momento não teve qualquer resposta directa dentro do grupo. Contador, Quintana, Purito e Froome marcavam-se mutuamente, facto que permitiu ao homem da Astana ganhar 200\300 metros de vantagem. Sentindo que Fuglsang poderia estar ali com as portas escancaradas para vencer no alto (o dinamarquês é perigoso neste tipo de ataques e a sua explosividade permite-lhe ganhar tempo considerável num curto espaço de terreno), os 4 organizaram-se e trataram de alcançar o homem da Astana.

Neutralizado Fuglsang, Daniel Moreno chegou-se à frente do grupo e tratou de endurecer o ritmo para preparar o ataque de Purito. Mal Moreno saiu da frente, atacou Froome, obtendo resposta de Purito e Contador. Até que Purito cansou-se de ataques e já dentro do último quilómetro foi sozinho, venceu a etapa, ganhou tempo a toda a concorrência e tornou-se líder da prova.

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Classificação geral:

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3 surpresas:

1. Wilco Keldermann está a ser uma das surpresas deste início de época. O jovem holandês já era referenciado como um dos ciclistas do futuro. Na média-montanha do Paris-Nice sentiu-se como peixe na água. O mesmo aconteceu hoje em La Molina junto dos melhores da modalidade.

2. Doménico Pozzovivo – Na ausência do seu líder, ou melhor, num dia mau do seu líder, assumiu a liderança da equipa e safou o dia para a AG2R.

3. Premyslaw Niemec – O polaco da Lampre está a ser treinado para ser o gregário de Chris Horner no Giro e Rui Costa no Tour. Na ausência de Horner da frente da corrida (talvez ainda ressentido do problema no tendão de Aquiles) o polaco esteve na frente da corrida, muito atento e muito bem posicionado na roda de Purito Rodriguez.

1 incógnita:

1. Samuel Sanchez – Primeira prova pela BMC. Ainda não se sabe o estatuto dentro do espanhol dentro da equipa. Se líder partilhado com Van Garderen, se subalterno do americano.

Desilusão: Podem gabar quem quiserem dentro da Saxo-Tinkoff. Nicky Sorensen, Paulinho, Bruno Pires, Michael Morkov, Daniel Navarro, Benjamin Noval, Chris Sorensen, Rafal Majka. “Todos eles grandes gregários” é o argumento mais utilizado que leio por aí nos fóruns da modalidade. O que é certo é que quando Contador sobe, os gregários desaparecem e o líder, invariavelmente fica sempre sozinho.

Amanhã é a etapa raínha da prova. Outra etapa de alta montanha.

Ciclismo 2014 #26

Luka Mezgec 2

Dobradinha para o esloveno Luka Mezgec na chegada a Girona. O líder da prova alcançou a 12ª vitória da temporada para a Giant-Shimano. A equipa de 2 dos melhores sprinters mundiais da actualidade (John Degenkolb e Marcel Kittel) está a ser absolutamente dominadora no mundo dos sprinters durante esta temporada.

Mezgec, até agora lançador da dupla dourada da equipa, consegue com estas duas vitórias na Catalunha subir mais um degrau na hierarquia da equipa. Mesmo numa prova onde não se encontram muitos sprinters (na verdade, nenhum do lote dos melhores do mundo), as duas vitórias do esloveno significam que o director desportivo Iwen Stepenbrink tem no corredor uma boa alternativa para provas nas quais queira descansar os seus dois maiores activos. O esloveno provou à equipa que também é sinónimo de vitórias.

O dia começou com o anúncio do abandono de Richie Porte. O gregário de luxo de Chris Froome voltou a ressentir-se dos problemas gastroentestinais que já o tinham levado a abandonar a Tirreno-Adriático. Ontem por exemplo, não chegou inserido no pelotão em Calella.

Mataró a Girona no total de 168 km. Duas contagens de montanha, uma de 2ª e outra de 3ª logo a abrir a etapa. Muita chuva.

Os primeiros protagonistas da etapa foram Maxime Belkov da Katusha, Michel Koch da Cannondale, Jerome Baugny da Wanty, dois corredores da CCC Polsat (Tomasz Marczynski e Marek Rutkiewicz) e como não poderia deixar de ser, o combativo Thomas Voeckler. O grupo ganhou alguma vantagem nos primeiros quilómetros mas a presença de Voeckler no grupo levou a Sky e a Giant-Shimano a trabalhar lá atrás no pelotão para anular a fuga, facto que de resto até obrigou a esforços extraordinários por parte de outras equipas interessadas numa chegada ao sprint (Lampre, Orica) porque Voeckler decidiu iniciar uma corrida em solitário a cerca de 30 km da meta, quando a diferença do grupo para o pelotão já era de 1 minuto e 10.

O francês tentou. Claro está que o ataque não era para levar muito a sério. O líder da Europcar ainda está à procura da sua melhor forma na temporada e tentou perceber qual a sua condição física nesta fase da temporada, tal como o tinha feito quando encetou várias fugas em várias etapas do Paris-Nice. Contudo, o pelotão deixou Voeckler embalar e só o conseguiu apanhar a cerca de 6 km da meta.

Iniciaram-se os comboios com algum nervosismo dentro do pelotão. Duas quedas a meio da etapa faziam aumentar o risco de uma queda na recta da meta. A Giant colocou Mezgec nos primeiros lugares, seguida da Lampre que tentou colocar Roberto Ferrari na roda do ciclista esloveno. O esloveno seria mais forte que os italianos na recta da meta, batendo Ferrari e Daniele Ratto da Cannondale. Na aceleração promovida para o sprint final, os 9 que disputaram o sprint provocaram uma pequena cisão de alguns metros (3 segundos) no restante pelotão.

Bruno Pires e Sérgio Paulinho (Saxo-Tinkoff) foram respectivamente 39º e 133º a 3 segundos do vencedor.

Mezgec lidera a prova com 14 segundos de vantagem para Roberto Ferrari (Lampre-Mérida) e Howard Leigh (Orica GreenEdge).

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A etapa de amanhã trará a primeira hipótese de podermos ver Froome, Contador, Purito, Quintana e Horner na alta montanha. A etapa que liga Banyoles a La Molina tem 3 contagens de extrema exigência: uma de primeira categoria e outra de categoria especial a abrir (a de categoria especial poderá romper com o pelotão e resumir os candidatos a um lote de 50\60 corredores) e uma contagem de primeira categoria com chegada em alto a finalizar. A etapa disputa-se muito perto de Andorra.

Ciclismo 2014 #25

Milão – São Remo

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O medalhado de bronze da última prova de estrada dos Jogos Olímpicos de Londres, Alexander Kristoff da Katusha tornou-se o vencedor da edição deste ano ao bater ao sprint nomes como Fabian Cancellara (Trek), Ben Swift (Sky) e Mark Cavendish (Omega-Pharma-Quickstep).

Ontem teve lugar a dura clássica que liga a capital do norte italiano a San Remo, uma das atracções turísticas da Ligúria. Esta clássica marcou o arranque das clássicas da primavera. Até ao mês de Maio, os ciclistas terão pela frente 12 clássicas disputadas em vários países, entre as quais a Amstel Gold Race, a Liège-Bastogne-Liège, a Kuurne-Brussels-Kurne ou o inferno do Paris-Roubaix. À partida em Milão, os grandes favoritos para vencer a clássica eram Fabian Cancellara, Peter Sagan (Cannondale), Mark Cavendish, Filippo Pozzatto e Sasha Modolo (Lampre) ou Vincenzo Nibali (Astana).

Numa corrida disputada quase na sua totalidade sob condições atmosféricas adversas (a chuva deu tréguas na parte final da prova) foi uma prova disputada com muitos ataques de várias equipas, entre os quais o de Vincenzo Nibali na aproximação à última inclinação do dia, a Cipressa. Nibali não só não levou avante o seu ataque (mais uma vez fez um ataque descabido muito longe da meta) como no início dessa colina perdeu contacto com o grupo de favoritos, grupo onde estavam Cancellara, Sagan, Cavendish e o vencedor da prova do ano passado, o alemão Gerald Ciolek.

podio milan san remo

Nenhum dos ataques conseguiu ser mortífero e a prova foi discutida ao sprint por um lote reduzido de corredores. O norueguês Kristoff foi mais forte que a concorrência, batendo Fabian Cancellara e Ben Swift ao sprint. Mark Cavendish ainda discutiu o sprint mas apenas logrou ser 5º na prova. Peter Sagan não conseguiu posicionar-se bem para o sprint final, tendo ficado apenas na 10ª posição.
Excelente vitória para Kristoff no ano em que o norueguês espera consolidar o seu estatuto dentro da elite dos sprinters do pelotão internacional. Já no passado mês de Fevereiro, em entrevista, o norueguês afirmava que tinha treinado imenso a sua postura corporal no sprint para poder ser mais competitivo nas chegadas em pelotão ou em grupo compacto.

Últimos quilómetros:

Volta à Catalunha

volta catalunha

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Entretanto começou hoje na região autónoma espanhola a Volta à Catalunha em bicicleta. Durante 7 etapas, vários ciclistas tentarão suceder ao irlandês Daniel Martin como o vencedor da geral da prova. Martin corre perto de casa visto que o ciclista irlandês mora na Catalunha, mais precisamente em Girona. Em declarações à organização da prova, o ciclista irlandês afirmou que estará na catalunha para honrar o dorsal número 1 e iniciar a sério a sua preparação para o Giro de Itália, uma das provas que constitui parte dos seus objectivos para esta temporada: lutar pela vitória na geral da prova ou pelo menos fazer um pódio. O facto de Martin estar destacado como chefe-de-fila para o Giro poderá indiciar que no Tour a equipa irá apostar em Talansky para a Geral e Hesjdal poderá ser a aposta para a Vuelta. Tal assumpção justifica-se com a inserção de Hesjdal na prova, ele que poucas corridas em espanha correu nos últimos anos.

Para além de Martin, presentes na Volta Catalã estão Purito Rodriguez da Katusha (a sua primeira aparição em competição na presente temporada), Alberto Contador (Saxo-Tinkoff), Samuel Sanchez da BMC (primeira corrida pelas cores da sua nova equipa), Luis Leon Sanchez (Caja Rural), Carlos Alberto Betancur (AG2R), Wilco Keldermann (Belkin), Tejay Van Garderen (BMC), Christopher Froome (Team Sky), Ivan Basso (Cannondale), Andrew Talansky (Garmin), Ryder Hesjdal (Garmin), Simon Clarke (Orica GreenEdge), Chris Horner (Lampre; a lesão contraída no Tirreno-Adriático não passou de um susto), Daniel Moreno (Katusha), David Rebellin (CCC Polsat) e Nairo Quintana (Movistar). Ou seja, estão cá praticamente todos os grandes ciclistas mundiais, prevendo-se bastante espectacularidade nas etapas de montanha que a prova irá oferecer durante esta semana. Alberto Contador e Chris Froome estarão aqui, pela primeira vez, em contenda numa prova em que a Garmin veio com os seus 2 chefes-de-fila e com o seu ciclista outsider (Talansky) para renovar o título conquistado pelo ciclista Irlandês.

1ª etapa

Luka Mezgec

Aproveitando o facto da prova ter poucos sprinters (o traçado não é convidativo à sua presença), o esloveno Luka Mezgec, 3º sprinter da equipa, actual lançador de Marcel Kittel conseguiu a sua primeira vitória da época na prova disputada no circuito montado pela organização em Callela com a distância de 169 km.

O esloveno bateu ao sprint Leigh Howard da Orica GreenEdge e Julian Alaphillipe da Omega-Pharma-Quickstep, tornando-se o primeiro camisola vermelha da competição.
Quanto aos portugueses em prova, Bruno Pires e Sérgio Paulinho chegaram dentro do pelotão, respectivamente nas 72ª e 152ª posições.

Na 2ª etapa, os ciclistas partirão de Mataró em direcção a Girona (total de 168 km) numa etapa cujo final também se prevê disputado ao sprint. Pelo meio, os ciclistas terão uma contagem de montanha de 3ª categoria e outra de 2ª que não causarão grandes diferenças ou dificuldades aos sprinters.

3. Alterações para o futuro da Vuelta

ASO

No final da semana passada, a ASO, empresa subsidiária da Amaury (proprietária do jornal L´Equipe e dos direitos de organização do Rally Dakar) anunciou a compra de 49% da espanhola Unipublic, a actual organizadora da Vuelta. A organização da prova espanhola passará a partir deste ano a ser partilhada pelas duas empresas.

Ciclismo 2014 #24

1. Tirreno-Adriático

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Na última etapa do Tirreno-Adriático, a organização decidiu marcar um contra-relógio curto de 9,1 km em San Benedetto del Tronto.

Adriano Malori

Vitória para o contra-relogista italiano Adriano Malori da Movistar. O antigo campeão italiano da especialidade (2011) e bi-campeão mundial de sub-23 (Malori tem 26 anos) superou Fabian Cancellara de Trek por 6 segundos e Bradley Wiggins da Sky por 11. O bi-campeão do mundo em título da especialidade Tony Martin (Omega-Pharma-Quickstep) foi 4º a 15 segundos de Malori. Michal Kwiatkowski 7º a 22 segundos.

Na luta pela geral, Nairo Quintana superiorizou-se a Alberto Contador. O colombiano da Movistar foi 20º a 38 segundos enquanto o espanhol foi 28º a 41 segundos. O 3 segundos ganhos não puseram em perigo a vitória de Contador na geral da prova. No entanto, fica aqui mais um bom registo do trepador colombiano no contra-relógio.

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Vitória para Contador na Geral da prova, nas vésperas do primeiro embate frente-a-frente com Chris Froome, duelo que vai acontecer nas estradas da Catalunha na próxima semana. Vencendo duas vezes em alto (na 2ª, descolou do pelotão logo ao quilómetro 36) mostrou estar em forma neste início de temporada. As vitórias no Tirreno-Adriático também demonstraram que o espanhol sente-se motivado para conseguir chegar ao Tour na melhor forma, um ano depois da desilusão que foi a sua participaçao no Tour.

Nairo Quintana – Excelente participação no Tirreno-Adriático. Anteontem foi o único que conseguiu acompanhar Alberto Contador no ataque realizado pelo espanhol. É pena que a Movistar tenha outros planos para a época do Colombiano. É neste momento um dos únicos capazes de acompanhar Froome e Contador na alta-montanha. O outro é Purito Rodriguez. O espanhol ainda não realizou qualquer teste a sério nesta temporada. Vai correr o giro. Numa prova que terá, em princípio, como grandes cabeças-de-cartaz, Ryder Hesjdal, Michelle Scarponi e Chris Horner, o colombiano é para mim, neste momento, o grande favorito à vitória final.

2. Ranking UCI

Nova actualização do Ranking UCI (com Paris-Nice)

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Carlos Betancur (AG2R) lidera, fruto da sua vitória na geral do Paris-Nice bem como das suas vitórias em etapas da prova. No ranking individual, destaque para os 88 pontos amealhados por Rui Costa na prova francesa, facto que lhe permite a subida para o 5º lugar da tabela.

Por equipas

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Por Nações:

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Portugal ocupa o 6º lugar graças aos pontos de Rui Costa. Se os campeonatos do mundo se realizassem de acordo com esta actualização de ranking, Portugal teria direito a levar 7 ciclistas à prova. O resultado é enganador. Neste momento, somos das selecções com menos corredores com possibilidades de correr provas de World Tour (Nelson Oliveira, Rui Costa, Fabio Silvestre, André Cardoso estão em equipas de World Tour; José Mendes, Tiago Machado estão em equipas de UCI Pro Continental mas tem hipóteses de correr algumas corridas World Tour).

3. Rui Costa

O Português caiu na última etapa do Paris-Nice. Felizmente não se lesionou na queda. O Português afirmou que não é nada de grave, felizmente: “ Tinha umas dores horríveis no joelho esquerdo. Penso que bati com o joelho nas grades… foi tudo muito rápido. Depois, com a ajuda do meu director Matxin, levantei-me e pude terminar a corrida, bastante dolorido. Tenho uma grande pisadura no joelho, outras nas costas e anca. Não é nada de grave, só espero poder recuperar depressa e voltar aos treinos o antes possível.”

Ciclismo 2014 #23

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Paris-Nice

8ª e última etapa

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Na última etapa da corrida do Sol, o campeão nacional francês Arthur Vichot deu a 2ª vitória para a Française des Jeux na prova e garantiu o último lugar do pódio.

A última etapa da prova trazia os últimos 128 km desta, corridos na região de Nice. 14 segundos separavam o líder Carlos Alberto Bettancur da AG2R do Português Rui Costa. Com 2 contagens de 2 categoria e 2 de primeira no percurso, sera imperioso ao português vencer a etapa e ganhar tempo (as bonificações decorrentes da vitória em etapa seriam insuficientes ao português para vencer a geral da prova, qualquer que fosse o resultado obtido pelo colombiano) ou simplesmente ganhar tempo ao colombiano. Numa prova onde as diferenças se fizeram ao segundo, o português teria uma missão muito difícil pela frente.

A primeira investida do dia pertenceu à Giant-Shimano. De forma a vencer a camisola dos pontos, John Degenkolb aproveitou o facto do primeiro sprint intermédio (mais 3 pontos para a classificação) se posicionar logo aos 19 km para fugir do pelotão. O ciclista holandês conseguiria o seu primeiro objectivo do dia, recuando novamente para o seio do pelotão.

A seguir ao sprint intermédio saiu a fuga do dia. Composta por 17 elementos, entre os quais, Xavier Zandio da Sky (antigo vencedor da Volta a Portugal), Greg Van Avermaet (BMC), Jerome Pineau (IAM Cycling) Jens Keukeleire (Orica), Francesco Gavazzi (Astana), Moreno Hofland (Belkin, vencedor de 1 etapa na prova), Danilo Hondo (Trek), Imanol Erviti (Movistar) Alexander Kristoff (Katusha) ou Marco Marcato, a fuga avizinhava-se como perigosa pela quantidade de bons ciclistas envolvidos. A fuga conseguiu a sua máxima vantagem ao quilómetro 64 com 2 minutos e 40 de vantagem sobre o pelotão com a AG2R muito atenta e muito interessada em não conceder muito tempo de avanço aos fugitivos.

Pelo meio, Thomas Voeckler e Tom Boonen preferiram não chegar a Nice, informando a organização do seu abandono.

As 3 primeiras subidas do dia (de 4) não fizeram grande diferença, a não ser no grupo da frente que rapidamente se desintegrou. Alguns dos ciclistas viriam a ser alcançados pelo pelotão. A um km do alto do Cote de Peille (1ª categoria), Vincenzo Nibali decidiu atacar, levando consigo o seu colega de equipa Francesco Gavazzi, Wilco Kelderman da Belkin e Simon Spilak da Katusha, este ainda interessado na vitória na geral.  Rapidamente chegaram ao contacto com os 5 homens restantes da fuga inicial (Matthew Busche da Trek, Jerome Coppel da Cofidis, Cousin da Europcar, Xavier Zandio e Greg Van Avermaet). Tudo isto aconteceu debaixo do controlo das AG2R, ainda a liderar o grupo dos favoritos.

Na descida para a última subida do dia seriam todos alcançados. Na subida para o Col De Ezè, 3 ciclistas tentaram a sua sorte: Yuri Trofimov da Katusha, Luis Angel Maté da Cofidis e Cousin da Europcar. O primeiro haveria de ficar sozinho na frente enquanto lá atrás, no grupo principal, a Movistar auxiliava a AG2R na perseguição, sinal de que Rojas estaria bem e capaz de discutir a vitória ao sprint em Nice.

Tudo decorreu num ambiente devidamente controlado pela AG2R até ao Col De Ezé, contagem de 1ª categoria onde viriam a atacar Frank Schleck (Trek), George Bennett (Cannondale) e David Lopez Garcia (Sky). A AG2R desorientou-se com o ataque de Schleck e a Lampre começou a fazer companhia à Movistar na frente do pelotão. Não interessava nada a Rui Costa ver Franck Schleck cavar uma diferença significativa que lhe permitisse chegar isolado à recta da meta. O luxemburguês mostrou-se muito combativo, recebendo a companhia de Simon Spilak na descida. A diferença espacial só seria anulada já dentro do quilómetro final com Rui Costa a ter que tomar a iniciativa de perseguição na frente do grupo principal. Se o português não o tivesse feito, Spilak e Schleck estariam em condições para discutir o sprint.

Cycling: 72th Paris - Nice 2014 / Stage 8

Até que nos derradeiros metros quando os candidatos à vitória na etapa lançavam o sprint, deu-se o incidente do dia. Nos habituais movimentos feitos pelos ciclistas para ganhar a melhor posição para ganhar o sprint, um ciclista da Lotto empurrou outro ciclista e acabou por se desequilibrar e cair da bicicleta, atingindo o português Rui Costa e outros ciclistas mais encostados às barreiras que separam os ciclistas do público. O português caiu com aparato contra as barreiras e ficou estendido no chão. Durante alguns minutos temeu-se que o ciclista da Póvoa do Varzim tivesse uma lesão grave. Apesar do susto, a queda não teve consequências físicas para o português nem consequências para a geral (todos aqueles que caírem ou furarem dentro dos 3 quilómetros finais acabam com o tempo do vencedor da etapa). Contudo, devo censurar a atitude do atleta da Lotto-Belisol, atitude essa que é realizada muitas vezes durante a temporada nos comboios formados nos metros finais para André Greipel. As equipas belgas (tanto a Lotto como a Omega) são as equipas que mais usam e abusam das mais variadas irregularidades (empurrões, desvios de trajectória de sprint) para vencer etapas.

No sprint final, o campeão francês Arthur Vichot superiorizou-se a Rojas da Movistar e a Cyril Gautier da Europcar. Carlos Alberto Betancur acabou em 8º mas celebrou na linha de chegada a sua vitória na Geral do Paris-Nice.

rui costa 22

Paris-Nice 2

2º lugar para o Rui na geral da prova francesa. Um resultado extraordinário que só fica manchado pelo facto de não ter sido desta que conseguiu vencer uma etapa. O português teve um desempenho muito satisfatório na prova francesa com 2 segundos lugares em etapa, apenas batido pela explosividade de Betancur e Tom Jelte Slagter. Bem posicionado no pelotão, demonstrou a inteligência de apenas responder a ataques quando os considerou perigosos.

John Degenkolb levou para casa a camisola dos pontos. O holandês ganhou à justa por 2 pontos sobre Betancur. Abençoado sprint intermédio ganho na última temporada.

Pim Ligthart da Lotto-Belisol conquistou a camisola da montanha, premiando o seu esforço na fuga efectuada na 6ª etapa.

A Movistar ganhou a prova por equipas.

Tirreno-Adriático

5ª etapa – ontem

contador 2

Segunda vitória consecutiva para Alberto Contador na montanha da prova italiana.

A etapa começou com o abandono de Richie Porte. O australiano passou mal a noite e decidiu abandonar a prova. Recordo que Porte tinha sido destacado pela equipa do Paris-Nice para a prova italiana devido à ausência de Chris Froome.

O espanhol venceu categoricamente a etapa na qual atacou ao 36º quilómetro.

Com um ataque demolidor, só Nairo Quintana (Movistar) foi capaz de acompanhar o ciclista da Tinkoff. O colombiano tornou-se companhia indesejável para Alberto, conseguindo acompanhar o seu ritmo e os seus constantes esticões para o tentar deixar para trás. Sempre que Contador tentava fazer descolar o colombiano e este lhe garantia a devida resposta, ambos diminuíam o ritmo da subida, facto que permitiu a aproximação e a recolagem de alguns ciclistas.

A 32 km da meta, Contador foi sozinho e Quintana não conseguiu responder. Aproveitando a posição intermédia de Adam Hansen (Lotto-Belisol) entre si e a frente da corrida, Contador e o ciclista da Lotto trabalharam em conjunto para alcançar os trio que andava fugido na frente, do qual Hansen fazia inicialmente parte.

Na inclinação final para Muro di Guardiagrele, Contador e Hansen colaram-se aos 3 da frente, com o norte-americano Ben King da Garmin a atacar com resposta imediata de Contador que rapidamente deixaria o homem vestido de jersey azul para trás. Na linha de chegada, o espanhol chegou no primeiro lugar, superando Simon Geschke da Giant-Shimano (outro dos fugitivos) e Ben King.

O líder da prova, o polaco Michal Kwiatkowski baqueou na subida final e perdeu cerca de 6 minutos para Contador, ficando irremediavelmente afastado da vitória na geral e até do top-10 da prova.

Classificação Geral na 5ª etapa

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Legenda: em cima, aclassificação da montanha.

Highlights da etapa:

6ª etapa – hoje

chris horner 3

Chris Horner (Lampre-Merida) abandonou hoje a corrida com uma tendinite no tendão de Aquiles. Quem informou foi o médico da Lampre, nao diagnosticando para já o tempo de paragem do ciclista Norte-Americano. Não se sabe portanto se a lesão será impeditiva apenas durante algumas semanas ou se será capaz de limitar o ciclista na preparação que irá efectuar a partir de meados de Abril para o Giro de Itália.

Mark Cavendish venceu ao sprint a 6ª etapa da prova. O foguetão britânico da Sky bateu o seu companheiro de equipa Alessandro Pettachi e Peter Sagan da Cannondale. Arnaud Demare foi 4º. Marcel Kittel (e Cadel Evans) chegaram num grupo muito atrasado a 6 minutos do vencedor.

Ciclismo 2014 #22

paris nice 2

Paris-Nice

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2×2. 5×2. 2 vitórias de etapa para Betancur na prova (e a correspondente e merecida liderança da prova; tem sido sem dúvida o maior agitador da corrida nos momentos decisivos), 2 vitórias de etapa para o holandês da Garmin Tom Jelte Slagter (tem sido o corredor mais inteligente da prova, atacando apenas nos momentos certos) e 2 2ºs lugares para o nosso Rui Costa, mais 2 a juntar 3 obtidos na Volta ao Algarve. O início de temporada do campeão do mundo tem sido excelente mas, no mínimo… azarado nas chegadas… Cumpre-se o prenúncio dos homens que vestem a camisola de arco-íris: com a dita vestida, a época seguinte é uma miséria. Salvam-se os pontos obtidos pelo português para a classificação por nações da UCI, critério de selecção do número de corredores que cada federação pode levar aos próximos campeonatos do mundo.

6ª etapa – ontem

Betancur

Nos últimos 500 metros da etapa que ligou Saint Saturnin-lés-Avignon a Fayence (221.5 km) Rui Costa teve a porta literalmente escancarada para vencer a etapa quando Alexis Villermoz (AG2R) caiu espalhafatosamente quando lançava o sprint em subida para o seu chefe-de-fila (Carlos Alberto Betancur) mas não aproveitou a brecha, sendo ultrapassado pela maior explosividade do colombiano nos metros finais.

Na partida da etapa, a organização foi informada do abandono de Simon Gerrans da Orica. O australiano, um dos favoritos à vitória na geral da prova, justificou o seu abandono e a sua fraca prestação nesta devido a problemas gastrointestinais.

A etapa arrancou com mais uma tentativa de Sylvain Chavanel (IAM Cycling). Decidido a vencer a classificação da montanha e quem sabe a etapa (era propícia às suas características com um constante sobe e desce), o ciclista francês da equipa suiça arrancou bem cedo do pelotão, numa primeira tentativa sozinho (para vencer a 3ª categoria disposta ao quilómetro 36.5 km). Depois de vencer a contagem de montanha, Chavanel recuou novamente ao pelotão. Ao quilómetro 68, 7 ciclistas, entre outros,  Stephen Cummings da BMC, o suiço Gregory Rast da Trek, Aleksandr Kutchynski da Katusha, Mattia Cattaneo da Lampre e Alessandro Di Marchi da Cannondale haveriam de tentar a sua sorte. Lá atrás, aos 164.5 km, aquando da sua contagem de montanha do dia, Sylvain Chavanel haveria novamente de atacar em conjunto com Thomas Vockler da Europcar. Ambos conseguiriam chegar ao grupo de fugitivos cerca de 5 km depois.

Chavanel conseguiu passar mais uma contagem em primeiro ao quilómetro 180. Mais 4 pontos para o prémio da montanha. Lá atrás no pelotão, a Sky e a AG2R tomavam conta das operações e tentavam anular a fuga do homem da IAM Cycling e fazer a primeira selecção dentro do pelotão na aproximação à grande contagem de montanha do dia: Col de Bourigaille. Nessa contagem, só Chavanel, Voeckler, Pim Ligthart da Lotto-Belison e Alessandro Di Marchi restavam da fuga que já tinha sido composta por 10 elementos. No pelotão começavam a aparecer os primeiros esticãos: os primeiros a mexer na corrida foram Alexis Villermoz da AG2R e José Serpa da Lampre. Pela primeira vez viu-se a Lampre de Rui Costa a agitar a corrida para desgastar a Sky e a AG2R. Os dois cicilistas viriam a alcançar o grupo de Chavanel ao quilómetro 198. Ao quilómetro 200, o pelotão apanhou os fugitivos. Chavanel perdeu logo o contacto com o grupo dos favoritos e teve a companhia de Andy Schleck, uma perfeita desilusão na prova francesa.

Começa o espectáculo…

Nova iniciativa de Villermoz. Leva com ele 4 ciclistas, entre os quais, Frank Schleck (Trek), Przemyslaw Niemec (Lampre), Yury Trofimov (Katusha) and Eduardo Sepulveda (Bretagne) – um grupo de respeito que poderia vencer naturalmente a etapa não fosse o trabalho de junção que estava a ser feito pela equipa do líder, a Sky. Com Frank Schleck a tentar a sua sorte, a equipa inglesa preferiu não dar abévias e na descida, o grupo seria apanhado.

A 10 km da meta foi a vez de Damiano Caruso (Cannondale) e Dries Devenyns da Giant tentarem o seu ataque, respondido de imediato por Vincenzo Nibali. 2ª vez que o italiano tentou atacar numa descida na prova. Aqui e numa imagem posterior (Nibali a descolar do grupo principal na aproximação à meta) finalmente consegui perceber que as declarações proferidas pelo ciclista italiano de que não estaria no Paris-Nice para vencer (mas sim para trabalhar para Jakob Fuglsang) não eram bluff. Quando o italiano atacou, teve resposta directa de Geraint Thomas. Este ataque não passou de mais uma tentativa para desgastar a Sky, reduzida a esta altura ao líder da prova (Geraint Thomas) e a David Lopez Garcia. O bielorusso Vasil Kyrienka já tinha trabalhado na frente do pelotão durante cerca de 40 km e não se encontrava nesta altura no grupo principal. Rui Costa pedalava confortavelmente a meio do grupo.

A 4,5 km Simon Spilak (Katusha) tentou a sua sorte. Quem lhe respondeu foi Nibali. David Lopez Garcia promoveu novamente a junção. Depois deixou o seu líder sozinho para o que restava correr na etapa. Precisamente nesta altura dava-se o furo de Wilco Kelderman da Belkin, o melhor classificado da equipa holandesa na prova.

Na aproximação à meta, a AG2R voltou a carregar. Alexis Villermoz foi buscar forças para acelerar a corrida na ligeira pendente final e Rui Costa saiu do meio do grupo para se posicionar atrás do homem da AG2R. Na sua roda ia o campeão francês Arthur Vichot e na roda de Vichot, expectante Betancur. Até que a 500 metros da meta, Tom Jelte Slagter puxou da sua explosividade em subida, atacou, Villermoz respondeu, assumiu novamente as rédeas da corrida e na curva que antecedeu a eira da meta caiu, deixando Rui Costa na frente do grupo. O português sprintou mas vindo de trás, Betancur efectuou uma ponta final do outro mundo e roubou a vitória ao ciclista português.

Bettancur 2

Betancur e Rui Costa lograram ganhar segundos para além das bonificações aos mais directos concorrentes. O checo Zdynek Stybar da Omega perdeu 3 segundos, assim como Geraint Thomas e Arthur Vichot. O 6º classificado da etapa, o francês Cyril Gautier da Europcar perdeu 7 assim como Jakob Fuglsang da Astana. Quem acabou por ficar para trás nos metros finais foi Tom Jelte Slagter, devido a um problema mecânico (saltou-lhe a corrente quando tentou atacar a 500 metros da meta). O holandês perdeu tempo para Betancur e ficou arredado da discussão da geral da prova.

Com a vitória na etapa, Betancur roubou a liderança a Geraint Thomas e cavou uma diferença de 8 segundos para o britânico. Rui Costa perdeu tempo mas subiu 9 lugares na geral para a 3ª posição a 18 segundos do colombiano. Stybar ficou a 22 enquanto o sprinter Joaquin Rojas da Movistar fechou o top-5 da prova a 24 segundos da liderança. O sprinter da Movistar está a fazer uma prova bastante interessante, conseguindo ultrapassar com exito as etapas de média montanha.

Apesar de mais um 2º lugar na tempoada (o 4º), Rui Costa mostrou-se agradado com o desempenho: ““Queria muito dar uma vitória à equipa e a todos os que me apoiam, mas ainda não foi desta. Aquela queda do Vuillermoz estragou-me um pouco os planos. Obrigou-me a sair mais cedo e desgastar-me um pouco mais. Cerrei os dentes e dei o meu máximo mas Betancur veio na minha roda e na meta foi o mais forte. Ele está num grande momento de forma e eu dou-lhe os parabéns. O balanço de hoje é bastante positivo. Estou muito satisfeito com as minhas sensações”

Quanto aos outros portugueses em prova, André Cardoso foi 26º a 25 segundos (22º da geral a 1 minuto e 2 segundos) enquanto Nelson Oliveira chegou muito atrasado com mais de 6 minutos para o vencedor da etapa.

7ª etapa – hoje

Tom Jelte Slagter

Tom Jelte Slagter vingou-se da avaria mecânica que o tinha arredado da luta pela vitória da etapa no dia anterior e voltou a vencer na prova. A Garmin consegue 2 inexpectáveis vitórias na prova e sai desta como uma das equipas em destaque. O holandês provou que é um nome a ter em conta para as clássicas da primavera, em particular, para as clássicas de colinas que serão disputadas na Belgica e na Holanda, provas onde decerto não estará tão à vontade dentro do pelotão. O holandês deu a conhecer ao mundo do ciclismo todo o seu potencial explosivo no ataque em perímetro curto (5\10\15 km para a meta) e a sua fantástica ponta final. De certa maneira, Slagter faz-me lembrar em muitas características que possui “o melhor” do antigo campeão do mundo e actual corredor da BMC Phillipe Gilbert.

Na etapa de hoje, 6 corredores aventuraram-se logo a bandeira foi içada pelos comissários de prova. Lieuwe Westra (Astana), Pim Ligthart (Lotto) Laurent Didier (Trek), Sylvester Szmyd (Movistar), Albert Timmer (Giant) and Florian Guillou (Bretagne) tentaram a sua sorte. Westra, Ligthart e Guillou já tinham tentado a sua sorte em momentos algo parecidos com este nas etapas anteriores. A colocaçao de Sylvester Szmyd na fuga revelou que a Movistar tinha planos para Rojas.

Estes foram imediatamente perseguidos por um grupo composto por Matthias Frank (o gregário da IAM em defesa da camisola da montanha de Chavanel; como Lighthart já tinha ganho alguns pontos no dia anterior, estava na fuga para recolher mais alguns para a dita classificação), Brice Feillu (Bretagne; aproveitando a posição do colega na frente, teria alguém para o ajudar caso a fuga tivesse sucesso), Marco Marcato (Cannondale) Cyril Lemoine da Cofidis e Amael Moinard da BMC. Apesar dos esforços de Frank, Ligthart conseguiu recolher 32 pontos na passagem por Vence (3ª categoria) Col D´Ecre (2ª categoria) e Col de Cipriéres (2 passagens nesta contagem de 3ª categoria) e retirar a camisola às bolinhas a Sylvain Chavanel.

Na primeira passagem pela linha de meta (152 km), o holandês Liewe Westra atacou e deixou os companheiros de fuga para trás. Os seus companheiros seriam rapidamente apanhados pelo pelotão antes da linha de meta (sprint bonificado) tendo o português Rui Costa sido o 2º a passar nesse mesmo sprint (recolheu mais 2 segundos para Betancur) num sprint com Rojas. Betancur e a AG2R vigiaram esta iniciativa na cabeça do pelotão.

Junção feita a Westra, foi a vez do agitador mor Sylvain Chavanel iniciar mais uma fuga em conjunto com outros corredores. Sem efeito. Chavanel, Felline, Alex Howe (Garmin), Francesco Gavazzi (Astana) Jan  Bakelants (Omega), John Gadret (Movistar), Yuri Trofimov (Katusha), Angel Mate (Cofidis) rodaram vários quilómetros na frente do pelotão, chegaram a ter uma vantagem de 20 segundos mas acabariam por ser apanhados. A AG2R e a Sky sabiam perfeitamente que deixar andar na frente um grupo composto por Chavanel, Gavazzi, Gadret, Bakelants, Trofimov e Mate poderia por em perigo a discussão da etapa e até a liderança da prova.

Nos últimos 5 km dá-se o acontecimento do dia: a queda que envolveu Geraint Thomas, Frank Schleck e Arnold Jeanesson da Française des Jeux. O inglês, 2º da geral estava definitivamente arredado da luta pela geral. Caído junto ao rail onde tinha embatido, foi rapidamente assistido pelo médico da organização e pelos médicos da equipa. Apesar de ainda se ter feito à estrada (chegou com 7 minutos de atraso para Slagter), suspeita-se que o corredor da Sky tenha partido a clavícula e tenha avisado a organização do seu abandono durante a noite de sábado.

A Lampre chegava-se à frente do pelotão com 2\3 homens. Também Rui Costa ambicionava quebrar o enguiço na etapa de hoje e ganhar mais alguns segundos a Betancur. Nos últimos quilómetros Jakob Fuglsang esboçou um ataque mas a Lampre não deixou o dinamarquês ir. A corrida chegou aos últimos metros com Tom Jelte Slagter a bater Rui Costa ao sprint. Em cima da linha, o português garantiu a 2ª posição e bonificou à frente de Rojas e Betancur. No final da etapa, pousado sobre a bicicleta, a cara do português mostrava algum desalento. A temporada leva 2 meses e o nosso grande corredor já leva 5 2ºs lugares em etapa.

A minha equipa esteve fenomenal e tentamos tudo para mexer na corrida. Obrigado aos meus colegas pelo trabalho.” – começou por dizer, Rui Costa, dorsal 61 da corrida do sol. “Voltei a deixar todas as minhas forças na estrada e estive perto da vitória. Fui até à exaustão e de consciência tranquila por ter dado o meu máximo. Não deu para ganhar, mas voltar a fazer 2.º é bom sinal e sabe muito bem ter pernas para estar na luta. É bom conseguir manter-me ali, entre os melhores.”

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Carlos Alberto Betancur viu a sua vantagem reduzida para o português. Os dois ciclistas estão separados por 14 segundos à entrada para a última etapa. Não bastará a Rui Costa vencer a etapa e o colombiano não bonificar. Numa prova onde as diferenças ganhas pelos ciclistas são tão curtas, o português necessitará de um milagre para vencer a geral da prova. Já ficava feliz se vencesse a etapa. Pelo menos, assim, seria capaz de quebrar a malapata neste início de temporada.

Zdenek Stybar aproveitou a queda de Thomas para ascender ao pódio da prova a 26 segundos da liderança.

Ligthart

Pim Ligthart ascendeu à liderança da camisola da montanha. Amanhã terá um dia difícil na última etapa da prova. A etapa de 128 corrida em Nice, apresenta 3 contagens de 2ª categoria e 2 de primeira.

Nice

Decisiva. Não haverá lugar para consagrações. Rui Costa terá aqui a sua derradeira oportunidade para sair em glória da prova francesa. Uma etapa à medida das suas capacidades. As atenções da AG2R estão viradas para si, para Fuglsang e para Stybar. A equipa francesa sabe que o português é o único que, devidamente embalado num ataque, tem capacidade para fazer perigar a liderança de Betancur. Os dois sprints intermédios a meio da etapa podem ajudar à festa.

Tirreno-Adriático

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3ª etapa – sexta-feira

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Na chegada (em subida) à cidade toscana de Arezzo, Peter Sagan vingou-se da derrota obtida no passado fim-de-semana na Strade Bianchi (também ela corrida na bonita região da Toscânia) para Michal Kwiatkowski. O vencedor da Volta ao Algarve voltou a confirmar que está em excelente forma.

Na subida final para Arezzo quem foi o primeiro a atacar foi Phillippe Gilbert da BMC. A inclinação final fazia lembrar as rampas de Valkenburg, rampas que fazem o gosto do antigo campeão do mundo. Gilbert não teve pernas para chegar à recta da meta, sendo ultrapassado por um temerário Sagan que acelerou e deixou o polaco para trás. Simon Clarke da Orica foi 3º e Gilbert 4º.

Michal Kwiatkowski (Omega-Pharma-Quickstep) ocupou a liderança da prova com mais 10 segundos de vantagem para o seu colega de equipa Rigoberto Uran. Simon Clarke ascendeu à 3ª posição a 13 segundos do líder. Sagan posicionou-se na 6ª posição a 22 do polaco.

O eslovaco da Cannondale mostrou-se extremamente feliz com a 2ª vitória da época: “Today I am very glad for the win. Thank you to all my team-mates because they put me on the front. It was a very dangerous finish. When I saw parcours for Tirreno-Adriatico, this stage was very special and I wanted to be on the front today, and I take another victory. I am very happy.”

4ª etapa – hoje, sábado.

contador 2

Depois de ter vencido no Alto do Malhão na Volta ao Algarve, Alberto Contador voltou a vencer, desta feita na 4ª etapa da Tirreno-Adriático, confirmando que revela muita ambição e uma boa preparação física para o ano 2014.

Na etapa que terminou em Cittareale, o trepador Stefano Pirazzi da Bardiani-CSF foi o primeiro a atacar na subida final a 9 km da meta. Roman Kreuziger (Tinkoff) e Benat Inxausti da Movistar responderam ao ataque do italiano. Chegaram a ter 30 segundos de vantagem para o grupo reduzido de corredores que se formou na sua perseguição. Kreuziger quis mais e aventurou-se pela subida acima. No grupo principal, Michelle Scarponi resolveu atacar e levou consigo o croata Robert Kiserlovski da Trek. O ataque do italiano da Astana, corredor muito perigoso neste tipo de etapas, conhecedor do terreno que pisava, motivou a resposta em cadeia de Alberto Contador e Nairo Quintana, facto que levou Kreuziger a esperar pelo seu líder lá na frente. Entretanto Daniel Moreno conseguiu acompanhar estes dois.

Richie Porte conseguiu fazer recolar o seu grupo a este grupo e tudo redundou num fantástico sprint em Cittareal com vitória (e estabelecimento de diferenças) para Contador. Nairo Quintana foi 2º a 1 segundo e Daniel Moreno 3º a 5.

Na geral da prova, Kwiatkowski lidera com 16 segundos de vantagem para Contador e 23 para Nairo Quintana. Eis o top-10 da prova:

1 Michal Kwiatkowski (Pol) Omega Pharma – Quick-Step, 16:06:42
2 Alberto Contador (Esp) Tinkoff-Saxo, +16s
3 Nairo Quintana (Col) Movistar, +23
4 Richie Porte (Aus) Team Sky, +34
5 Rigoberto Uran (Col) Omega Pharma – Quick-Step, +38
6 Roman Kreuziger (Cze) Tinkoff-Saxo, +39
7 Robert Kiserlovski (Cro) Trek Factory Racing, +49
8 Moreno Moser (Ita) Cannondale, +1:01
9 Mikel Nieve (Esp) Team Sky, +1:02
10 Julian Arredondo (Col) Trek Factory Racing, +1:03

Ciclismo 2014 #19

2ª parte da entrevista do Milano Sportivo a Rui Costa:

Rui Costa 17

Paris-Nice

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8. Quais são os seus objectivos para esta prova?

Não tenho muita experiência no Paris-Nice. No passado, por norma, participávamos na Tirreno-Adriático, mas, em 2013, decidimos mudar o calendário (da equipa Movistar) porque tínhamos a crença que a prova francesa apresentava um nível mais elevado de qualidade.

O início da prova foi bom, com uma boa prestação no contra-relógio de abertura. Mas depois, na etapa seguinte, caí e tive que abandonar a corrida. As recordações que levo não são boas. No entanto, vou tentar apagar da memória essa experiência em 2014: a prova é um dos meus objectivos principais e seria óptimo obter um excelente resultado.

9. O que é acha do percurso?

É incomum, especialmente pela ausência de contra-relógios e subidas duras. O que também significa que terei que estar atento em todas as etapas, em todos os quilómetros e fracções de terreno. Acho que o percurso tem um perfil que se adequa às minhas características e nele, posso melhorar a minha forma de pedalar tendo em vista as clássicas: quase que podemos dizer que em França nós enfrentamos autênticas “etapas de um dia em série” em vez de uma daquelas etapas normais.
Vai ser uma experiência nova e interessante!

Rui Costa 18

10. Qual das etapas é que se adapta melhor às suas características? – anotamento meu: pergunta idiota.

Não sei; Repito: todas as etapas do Paris-Nice são importantes!

11. Indique 3 corredores para o pódio final da prova.

Considero necessário indicar mais de 3. Serão Vincenzo Nibali, Tejay Van Garderen, Richie Porte, Carlos Bettancur, Sylvain Chavanel, Tom Boonen, Simon Gerrans, Nacer Bouhanni, Lars Boom, Andy e Frank Schleck; todos são grandes campeões que poderão ser perigosos, mesmo no Paris-Nice.

12. Como é a sua relação com os adeptos franceses? Tem recordações especiais das provas que correu em França?

Adoro a França. Se analisar a minha trajectória profissional, eu nunca corri no Giro ou na Vuelta mas sim em França no Tour desde a minha primeira participação em 2009. Naquela ocasião, percebi porque é que é a corrida mais fascinante do calendário. Também tenho grandes memórias. Durante a minha carreira sempre fiz um bom desempenho no Tour De L´Avenir. Ganhei a classificação geral dos 4 dias de Dunkerque: uma vitória especial na minha carreira porque foi a primeira que ganhei enquanto profissional frente a grandes nomes.

Obviamente também não me posso esquecer das vitórias de etapa no Tour.

Todas são memórias especiais, obtidas ao lado de adeptos fantásticos. Quero agradecer o apoio que o público francês sempre me deu.

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O resto da prova

13. O Paris-Nice não terá contra-relógio e o Tour terá apenas 1. O que é que acha da tendência expressa pela ASO (empresa que organiza as provas de World Tour em França, inclusive o Tour) na redução das etapas de luta contra o cronómetro? Para si pode tornar-se uma vantagem?

Os contra-relógios são uma vantagem para os roladores. Se (os ciclistas) estiverem em boa forma, poderão aspirar a tempos idênticos aos dos especialistas. Se, pelo contrário, a condição não é a ideal, é quase certo que o cronómetro será um adversário.

No meu caso, sempre obtive bons desempenhos nos cronos quando estava em forma e os percursos apresentavam-se em linha recta. Por exemplo, ganhei o contra-relógio da Volta à Suiça em 2013, mas penso que não serei capaz de bater Cancellara ou Martin em percursos simples. Creio que a presença de um contra-relógio mais longo num traçado difícil e desafiador, poderia ser um factor bastante interessante para mim.

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14. O Tour terá pela primeira vez o pavé (anotamento meu: piso composto por paralelo e barro; muitas vezes esburacado; típico das estradas do Norte de França; piso no qual se correm algumas clássicas como a Paris-Roubaix): Já correu em pavê? Está a fazer o reconhecimento das características oferecidas pelo traçado da Grand Boucle (alcunha pela qual é conhecido o Tour)?

Já tive algumas experiências no pavê. Claro que não tenho tanta como os belgas ou holandeses. (anotamento meu: algumas das clássicas disputadas nestes países tem segmentos de pavé). Corri por duas vezes no pavê: no Paris-Roubaix e no Tour de Flandres. No meu primeiro ano enquanto profissional (anotamento meu: no Benfica em 2007), por exemplo, tive a oportunidade de competir em algumas provas com etapas que apresentavam alguns sectores de pavê.

Não digo que não sejam as minhas corridas favoritas, mas posso dizer que estou à vontade: só é preciso acreditar que é capaz de atingir o mais famoso velódromo do mundo, o de Roubaix! Posso portanto dizer o que é terminar o grande desafio que é o Inferno do Norte (anotamento meu: alcunha pela qual é conhecida a distinta prova que termina no Velódromo de Roubaix; um autêntico inferno para muitos ciclistas visto que os sectores de pavê são dificílimos e provocam imensas quedas e cortes no pelotão).

15. O Tour é a prova mais importante da sua temporada ou considera que existem outras provas tão importantes?

O Tour de France é importante mas não é o único objectivo que tenho para esta temporada. Tenho a agradável missão de honrar a camisola de arco-íris em todas as corridas em que irei participar e principalmente, naquelas que considero mais adequadas para as minhas características: as corridas de uma semana e as clássicas.

16. Qual será o teu calendário de corridas quando terminar o Paris-Nice?

Vou correr mais ou menos aquelas que corri em 2013. A ideia é participar na Volta ao País Basco, Amstel Gold Race, Flèche Wallone, Liège-Bastogne-Liège, Tour da Romandia e Volta à Suiça.

2. Paris-Nice

1ª etapa

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E Rui Costa não andava muito longe da verdade ao integrar o jovem sprinter francês Nacer Bouhanni no lote dos favoritos à vitória na geral do Paris-Nice. O foguete da Française des Jeux venceu a primeira etapa da prova que liga à capital francesa à belíssima cidade de Nice, situada no coração da riviéra francesa.

Grande parte da nata do ciclismo mundial está neste momento a correr a prova francesa. Excepção feita a meia dúzia de grandes figuras do pelotão mundial como Peter Sagan, André Greipel, Nairo Quintana, Bauke Mollema, Alejandro Valverde, Michael Kwiatkowski ou os dois homens fortes da Sky (Richie Porte e Christopher Froome), ainda a descansar dos compromissos que tiveram no passado mês de Fevereiro nas provas no médio oriente\Maiorca\Algarve, ou a competir noutras provas que decorreram este fim-de-semana ou que irão decorrer a meio desta semana. Richie Porte era para marcar presença na prova francesa, mas, na ausência de um contra-relógio (um dos fortes de Porte que poderia granjear ao australiano uma boa oportunidade para lutar pela geral), decidiu alterar junto da equipa a sua participação para a prova italiana.

O pelotão do Paris-Nice conta com a presença de 3 portugueses: Rui Costa e Nelson Oliveira (Lampre-Mérida) e André Cardoso pela Garmin.

A primeira etapa da prova correu-se num circuito montado em Mantes-La-Jolie, uma comuna (município) situada na Ile-de-France, a cerca de 48 km de Paris (o município ainda é considerado como subúrbio da capital francesa).

Numa etapa com um grau de dificuldade muito diminuito, estava prevista uma chegada ao sprint. O primeiro ataque da prova surgiu logo nos primeiros quilómetros com uma fuga encetada em solitário por Christophe Laborie da Bretagne (uma das equipas convidadas por Wild Card para a prova; UCI Pro Continental). A fuga do ciclista francês tinha um propósito claro: vencer a única contagem de montanha do dia fixada ao quilómetro 40 no Cote de Vert (40,5 km) e tentar vencer o primeiro sprint intermédio da prova ao quilómetro 63. O ciclista da Bretagne teve sucesso nos seus objectivos. Acumulando imenso tempo em relação ao pelotão (controlado pela Omega, pela FDJ e pela Orica), aos 23 km já tinha cerca de 11 minutos de vantagem, tendo esta diminuído com o evoluir da etapa. O ciclista francês passou na contagem de montanha e no sprint intermédio na primeira posição. No pelotão, Gianni Meersman (Omega-Pharma-Quickstep) e Geraint Thomas (Sky) posicionaram-se nas 2ªs e 3ªs posições.

Poucos quilómetros depois, a organização era informada do abandono de Tejay Van Garderen, o chefe-de-fila da BMC, abandono motivado por dores de estomago.

Laborie foi seguindo na frente até onde lhe foi permitido. Desistiu da fuga a poucos quilómetros do segundo sprint intermédio (a 50 km da meta) , sprint no qual Gianni Meersman marcou mais 3 pontos para a classificação por pontos e, consequentemente, mais 3 segundos para a geral.

Até que ao quilómetro 136 deu-se o incidente do dia. Uma queda no meio do pelotão apanhou Romain Bardet (Ag2r) e Andy Schleck (Trek). Mal posicionados na cauda do pelotão, Thomas Voeckler (Europcar), Edvald Boasson Hagen (Team Sky), Lieuwe Westra (Astana) e Simon Gerrans (Orica) haveriam de cair para um 2º grupo que chegou com 1 minuto e 9 segundos de atraso para Bouhanni. Andy Schleck haveria de perder 1 minuto e 50 segundos para o vencedor da etapa, manifestando mais uma vez as dificuldades que tem não só em colocar-se no pelotão como em conseguir recolar a este quando se encontra sozinho (ou com poucos colegas de equipa) num grupo perseguidor mais atrasado.

Ciente do perigo, a Française des Jeux aproveitou a ausência do norueguês Boasson Hagen e do australiano Gerrans para acelerar o ritmo da frente da corrida. Ajudada imenso pela Argus (a trabalhar para Degenkolb) seria um dos seus meninos de ouro (Bouhanni; o outro é Arnaud Demare) a finalizar melhor que  o ciclista alemão em cima da linha da meta, e, a conseguir a primeira camisola amarela da prova. Rui Costa passou completamente ao lado da confusão, tendo terminado na 32ª posição com o mesmo tempo do vencedor. André Cardoso foi 45º e Nelson Oliveira 60º. Ambos estão a 10 segundos de Bouhanni na classificação geral em virtude das bonificações obtidas pelo ciclista da equipa francesa.

Rui Costa descreveu no seu diário que a etapa foi muito perigosa: “Eu vinha sempre atento e bem colocado pois já contava com algum perigo. No ano passado tive uma queda feia logo na primeira etapa em linha, que me forçou a abandonar a corrida. Esse incidente ficou-me de lição. Diz-se no pelotão que as corridas francesas são sempre perigosas e hoje, infelizmente, tivemos um exemplo disso, quando faltavam cerca de 21 quilómetros para o fim. Cheguei a ser encostado e por pouco não caí, ou provoquei uma queda. Mas, instantes depois, deu-se uma grande queda e o pelotão ficou dividido em três grupos. Eu não fiquei envolvido, mas ficaram alguns elementos da nossa equipa. Felizmente sem gravidade.”

A etapa de amanhã disputa-se entre Rambouillet e Saint-Georges-Sur-Baulche no total de 205 km. Para além de ser uma etapa longuíssima é uma etapa que exige muita atenção por parte dos ciclistas. De referir que o líder Nacer Bouhanni caiu nesta precisa etapa na edição do ano passado e partiu vários dentes. A etapa tem uma contagem de 3ª categoria bem perto da meta, situada em Saint-Georges-Sul-Baulche, localidade próxima de Auxerre.

Roma Máxima – hoje

Vitória de Alejandro Valverde (Movistar) na semi-clássica que no passado era designada como Giro Del Lazio. A prova foi disputada em Roma. Um dia depois de ter sido 3º na Strade Bianchi.

Um agradecimento especial para o Sérgio Minas pelo facto de me ter alertado para o desfecho final desta prova.

 

Strade Bianchi – OntemMichal Kwiatkowski

A preparar a sua participação no Tirreno-Adriático, alguns dos principais nomes do ciclismo mundial foram a Itália correr uma das mais sui-géneris clássicas do calendário internacional, a Strade Bianchi. Digo sui-géneris porque 1\4 da prova é corrido em terra batida. Para além do piso, a prova ultrapassa diversas colinas da região de Siena. Nomes como Alejandro Valverde ou Cadel Evans (BMC) foram testar as suas capacidades físicas no duro percurso oferecido pela organização nas colinas da Toscânia.

Michael Kwiatkowski, vencedor da edição deste ano da geral da Volta ao Algarve, voltou a provar a excelente forma física detida neste momento da temporada, fugindo ao pelotão e terminando destacado na primeira posição na chegada em Siena. 4ª vitória em etapas da temporada para o ciclista da Omega-Pharma-Quickstep. O polaco sucedeu a Moreno Mozer (Cannondale) na lista de vencedores da prova. O colega de Mozer na Canondale Peter Sagan foi 2º na prova a 19 segundos de Kwiatkowski. Alejandro Valverde foi 3º a 36 segundos. Damiango Cunego foi 4º a 40 segundos e revelou no final sentir-se de volta “ao lote dos melhores do pelotão internacional” – espera-se portanto uma boa temporada do colega de Rui Costa depois de algumas épocas em que o seu rendimento deixou muito a desejar.

Reacção de Peter Sagan no final da etapa.

Aqui ficam algumas fotos da prova italiana:

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A Cannondale liderou a cabeça do pelotão praticamente durante toda a prova. Aqui, a equipa italiana tentava alcançar uma fuga composta por um ciclista da Androni-Giocatolli.

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Cadel Evans tentou escapar por várias vezes, reduzir o grupo principal a poucas unidades para uma chegada disputada ao sprint mas nenhuma das suas fugas e dos seus esforços foi bem sucedido.

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O momento em que Michal Kwiatkowski deixa Peter Sagan para trás, já dentro da cidade de Siena.

Ciclismo 2014 #5

Nairo Quintana

Nairo Quintana não irá correr o Tour em 2014. Eusébio Unzué continua a arte de destruir carreiras em prol do seu menino de ouro Alejandro Valverde. A decisão foi apresentada ontem pelo Director Desportivo da equipa espanhola:

“Pessoalmente, não acredito que levar o Nairo com a sua idade a este Tour, com a pressão de melhorar o que fez no ano passado, seja o mais interessante para a sua progressão. Prefiro que na fase de formação em que está conheça o Giro, porque pensamos que pode ser uma corrida interessantíssima para melhorar em muitos aspetos e na qual, pela primeira vez, vai assumir a liderança da equipa. O Alejandro dá-nos garantias de ter um líder sólido no Tour. Tem toda a nossa confiança, por aquilo que ganhou. No ano passado, demonstrou que, sem a avaria, podia ter estado no pódio.”

Como não poderia deixar de ser… A liderança sólida de Alejandro Valverde dura por norma até à 7ª etapa. Depois fura ou cai ou não se consegue posicionar no pelotão numa etapa de abanicos, arrasta com ele a equipa e apanham todos 8 minutos. Tenho dito e volto a dizer: já o foi com Rui Costa, já previa que este cenário ocorresse com a continuidade do Colombiano na equipa – Enquanto Alejandro Valverde estiver na Movistar, Unzué irá apostar sempre em Valverde, facto que não permitirá à equipa ter um candidato ao Tour.