Ciclismo 2014 #20

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Paris-Nice

2ª etapa

Paris-Nice

A etapa disputada entre Rambouillet e Saint-Georges-Sur-Baulche começou com algumas dúvidas dentro do pelotão. Apesar da vitória na primeira tirada da prova e do facto de ter sido assistido duas vezes pela equipa médica da sua equipa junto ao carro da Française des Jeux, existiam algumas dúvidas quanto à condição física do líder Nacer Bouhanni, em particular, quanto a uma lesão no joelho que o tem atormentado desde o início da temporada. O sprinter francês acabou por negar, nas entrevistas realizadas no final da etapa, que o joelho tenha condicionado a sua prestação no final da etapa.

A etapa começou com uma fuga logo aos 2,5 km. Anthony Delaplace da Bretagne (mais uma vez a Bretagne optou por fazer escapar um corredor muito cedo para se poder tornar visível e ter hipóteses de vencer um dos sprints intermédios\provavelmente esta estratégia de corrida é motivada pelos interesses dos seus patrocinadores) e o letão Alexejs Saramotins da IAM Cycling Team chegaram a ter 11 minutos de vantagem sobre o pelotão aos 33 km. No primeiro sprint intermédio do dia, ao quilómetro 61 Delaplace bateu Saramotins ao sprint e lá atrás, no pelotão, Gianni Meersman foi 3º, confirmando o intento de lutar pela geral dos pontos da prova.

A fuga foi decorrendo. Lá atrás, as equipas dos principais sprinters em prova (Omega, Française des Jeux, Belkin) aumentavam o ritmo (e consequentemente a probabilidade de cortes no pelotão devido ao vento que se fazia sentir e à dificuldade de um traçado que no ano passado provocou imensas quedas dentro do pelotão da edição de 2013) na peugada dos fugitivos, que, foram avançando isolados à única contagem de montanha disposta (uma 3ª categoria, já bem perto da meta). Na contagem de montanha de Cote de la Ferte-Loupiere, Saramotins passou à frente de Delaplace. Mesmo assim dispunham de uma vantagem de aproximadamente 5 minutos, vantagem que na altura era considerada como suficiente para poderem vencer a etapa.

Quando o pelotão teve noção dos 5 minutos que levava de atraso, as equipas dos sprinters organizaram-se e começaram a imprimir um ritmo louco na cabeça do pelotão. Com o aumento rítmico, começaram também os problemas no seio do mesmo. A 30 km da meta, as televisões foram buscar a imagem de Andy Schleck com o trepador luxemburguês a sentir imensas dificuldades na cauda do pelotão. Poucos quilómetros depois, enquanto Saramotins batia Delaplace noutro sprint intermédio e Gianni Meersman conseguia ser novamente terceiro. O segundo alcançado por Meersman seria suficiente para dar a liderança virtual da prova ao sprinter belga, mas, a etapa iria reservar-lhe outros planos.

Formaram-se os comboios. A 12 km da meta, quando a fuga seria alcançada mais tarde ou mais cedo (a 12 km do fim Saramotins deixou Delaplace para trás; seria alcançado a 4 km da linha de chegada), o comboio da Orica tomou a frente do pelotão (para trabalhar para Simon Gerrans e Matthew Goss) e com a tomada de posse da equipa australiana deu-se a maior queda do dia, precisamente na frente, ficando nela dois possíveis candidatos à vitória: o noruguês Edvald Boasson Hagen (Team Sky), o famigerado Tyler Farrar (Garmin-Sharp) e Lars Boom da Belkin.

Alcançado Saramotins, rapidamente a Giant-Shimano (antiga Argus) montou o seu dispositivo pró John Degenkolb e tratou de formar o seu comboio para levar o holandês até aos metros finais, onde, Degenkolb e Bouhanni marcaram-se mutuamente mas o antigo campeão holandês de sub-23 da Belkin Moreno Hofland, um dos ascendentes sprinters do cenário internacional, levou a melhor sobre toda a concorrência e garantiu uma preciosa vitória à Belkin na prova. Nos metros finais, houve mais uma queda dentro do pelotão que retirou a possibilidade de ciclistas como Gianni Meersman ou Tom Boonen de lutar pela vitória na etapa.

Highlights da etapa

3ª etapa

Degenkolb

À 3ª foi de vez. Depois de 2 vezes segundo, envergando a camisola dos pontos da prova, John Degenkolb conseguiu vencer no Paris-Nice e atingir a sua 4ª vitória em etapas na presente temporada.

Na última etapa antes da montanha, o circo foi até ao histórico circuito de Magny-Cours. Seria interessante analisar a prestação dos ciclistas nos minutos finais dada a forte exposição ventosa típica dos circuitos automobilísticos.

A etapa arrancou com alguns abandonos de vulto. Gianni Meersman decidiu ir para casa por problemas físicos motivados pela queda sofrida no dia anterior. Lars Boom também ficou maltratado da queda sofrida a 12 km da meta e decidiu abandonar a corrida. Como tinha acontecido nos dois dias anteriores, os franceses trataram de dar lustro ao patrocínio exibido nas suas respectivas camisolas ao arrancar com uma fuga a três logo aos 3 km. Perrig Quemeneur da Europcar, Julien Fouchard da Cofidis e Romain Feillu da Bretagne (este último, o chefe-de-fila da equipa francesa na prova) tentaram a sua fuga e o ciclista da Europcar esteve a um ligeiro passo de vencer a prova. O pelotão, alertado pelo relativo sucesso da fuga de Delaplace e Saramotins, e, jogando à cautela em virtude dos estragos provocados pela aceleração efectuada com o objectivo de anular a fuga do dia anterior, não permitiu veleidades ao trio da frente. O melhor que conseguiram foi uma vantagem de 3 minutos e meio. É certo que a presença de Feillu (um ciclista com enorme talento) agudizou o engenho às equipas interessadas numa chegada ao sprint. No entanto, nos momentos finais, quando Quemeneur já se encontrava isolado e com bastantes chances de vencer a etapa, as equipas começaram as tricas pela liderança do pelotão e pela formação de comboios e demoraram bastante tempo a agir concretamente na anulação da fuga, facto consumado apenas a 2 km da meta.

Feillu deu-se bem com a montanha e venceu a 3ª categoria colocada ao quilómetro 74. Incapazes de lutar com as mesmas armas nos sprints finais (excepção feita a Bouhanni), os franceses mostram-se mais ávidos, como de resto é habitual, a lutar pela classificação da montanha. Feillu é possivelmente um dos candidatos à vitória nesta classificação caso consiga repetir uma fuga no dia de amanhã. 4 km depois seria Quemeneur o mais rápido no sprint intermédio.

O pelotão foi controlando a fuga até aos 10 quilómetros finais. Lá atrás, Sky (para Geraint Thomas ou Boasson Hagen), Astana e Movistar (Rojas) tentavam ganhar a cabeça do pelotão perante as expectantes Orica, Belkin e Française des Jeux. A ausência da equipa francesa na cabeça do pelotão indicava que o líder da prova não estaria nas melhores condições físicas para disputar o sprint final. Bouhanni seria 7º na etapa. O francês posicionou-se muito mal nos metros finais e não conseguiu alcançar as melhores condições para disputar o sprint.

Na entrada do circuito de Magny-Cours, com Quemeneur na frente e com a possibilidade do vento provocar cortes dentro do pelotão, a Giant-Shimano subiu as suas unidades dentro do pelotão, formou o seu comboio na frente e deu meia vitória ao seu 2º sprinter (o primeiro e chefe-de-fila da equipa é Marcel Kittel) perante a pressão de Rojas (Movistar) Matthew Goss (Orica) e Borut Bozic (Astana).

E tudo Degenkolb levou…

John Degenkolb

Liderança a prazo. A etapa de amanhã, a 4ª da prova, entre Nevers e Belleville, aproxima o pelotão do momento das decisões no que à geral da prova diz respeito. Três contagem de 3ª categoria praticamente seguidas a meio da etapa e uma 2ª categoria na aproximação à meta colocada em Belleville, em plena região demarcada do Beaujolais (uma das castas de vinho mais sui-géneris da europa devido ao facto das uvas não terem que ser pisadas antes de encubadas para a fermentação;: é a própria fermentação que lhes tinha a pele) fazem desta etapa uma autêntica clássica dentro da prova. As 3 contagens de 3ª categoria, sequênciais em poucos quilómetros, decerto farão a primeira selecção dentro do pelotão e a 2ª categoria é propícia a que Rui Costa, Carlos Alberto Bettancur ou Vincenzo Nibali ataquem e formem um grupo de favoritos até a recta da meta.

Cumpre-me também relembrar que amanhã começa a Tirreno-Adriático em Itália.

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Ciclismo 2014 #19

2ª parte da entrevista do Milano Sportivo a Rui Costa:

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Paris-Nice

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8. Quais são os seus objectivos para esta prova?

Não tenho muita experiência no Paris-Nice. No passado, por norma, participávamos na Tirreno-Adriático, mas, em 2013, decidimos mudar o calendário (da equipa Movistar) porque tínhamos a crença que a prova francesa apresentava um nível mais elevado de qualidade.

O início da prova foi bom, com uma boa prestação no contra-relógio de abertura. Mas depois, na etapa seguinte, caí e tive que abandonar a corrida. As recordações que levo não são boas. No entanto, vou tentar apagar da memória essa experiência em 2014: a prova é um dos meus objectivos principais e seria óptimo obter um excelente resultado.

9. O que é acha do percurso?

É incomum, especialmente pela ausência de contra-relógios e subidas duras. O que também significa que terei que estar atento em todas as etapas, em todos os quilómetros e fracções de terreno. Acho que o percurso tem um perfil que se adequa às minhas características e nele, posso melhorar a minha forma de pedalar tendo em vista as clássicas: quase que podemos dizer que em França nós enfrentamos autênticas “etapas de um dia em série” em vez de uma daquelas etapas normais.
Vai ser uma experiência nova e interessante!

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10. Qual das etapas é que se adapta melhor às suas características? – anotamento meu: pergunta idiota.

Não sei; Repito: todas as etapas do Paris-Nice são importantes!

11. Indique 3 corredores para o pódio final da prova.

Considero necessário indicar mais de 3. Serão Vincenzo Nibali, Tejay Van Garderen, Richie Porte, Carlos Bettancur, Sylvain Chavanel, Tom Boonen, Simon Gerrans, Nacer Bouhanni, Lars Boom, Andy e Frank Schleck; todos são grandes campeões que poderão ser perigosos, mesmo no Paris-Nice.

12. Como é a sua relação com os adeptos franceses? Tem recordações especiais das provas que correu em França?

Adoro a França. Se analisar a minha trajectória profissional, eu nunca corri no Giro ou na Vuelta mas sim em França no Tour desde a minha primeira participação em 2009. Naquela ocasião, percebi porque é que é a corrida mais fascinante do calendário. Também tenho grandes memórias. Durante a minha carreira sempre fiz um bom desempenho no Tour De L´Avenir. Ganhei a classificação geral dos 4 dias de Dunkerque: uma vitória especial na minha carreira porque foi a primeira que ganhei enquanto profissional frente a grandes nomes.

Obviamente também não me posso esquecer das vitórias de etapa no Tour.

Todas são memórias especiais, obtidas ao lado de adeptos fantásticos. Quero agradecer o apoio que o público francês sempre me deu.

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O resto da prova

13. O Paris-Nice não terá contra-relógio e o Tour terá apenas 1. O que é que acha da tendência expressa pela ASO (empresa que organiza as provas de World Tour em França, inclusive o Tour) na redução das etapas de luta contra o cronómetro? Para si pode tornar-se uma vantagem?

Os contra-relógios são uma vantagem para os roladores. Se (os ciclistas) estiverem em boa forma, poderão aspirar a tempos idênticos aos dos especialistas. Se, pelo contrário, a condição não é a ideal, é quase certo que o cronómetro será um adversário.

No meu caso, sempre obtive bons desempenhos nos cronos quando estava em forma e os percursos apresentavam-se em linha recta. Por exemplo, ganhei o contra-relógio da Volta à Suiça em 2013, mas penso que não serei capaz de bater Cancellara ou Martin em percursos simples. Creio que a presença de um contra-relógio mais longo num traçado difícil e desafiador, poderia ser um factor bastante interessante para mim.

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14. O Tour terá pela primeira vez o pavé (anotamento meu: piso composto por paralelo e barro; muitas vezes esburacado; típico das estradas do Norte de França; piso no qual se correm algumas clássicas como a Paris-Roubaix): Já correu em pavê? Está a fazer o reconhecimento das características oferecidas pelo traçado da Grand Boucle (alcunha pela qual é conhecido o Tour)?

Já tive algumas experiências no pavê. Claro que não tenho tanta como os belgas ou holandeses. (anotamento meu: algumas das clássicas disputadas nestes países tem segmentos de pavé). Corri por duas vezes no pavê: no Paris-Roubaix e no Tour de Flandres. No meu primeiro ano enquanto profissional (anotamento meu: no Benfica em 2007), por exemplo, tive a oportunidade de competir em algumas provas com etapas que apresentavam alguns sectores de pavê.

Não digo que não sejam as minhas corridas favoritas, mas posso dizer que estou à vontade: só é preciso acreditar que é capaz de atingir o mais famoso velódromo do mundo, o de Roubaix! Posso portanto dizer o que é terminar o grande desafio que é o Inferno do Norte (anotamento meu: alcunha pela qual é conhecida a distinta prova que termina no Velódromo de Roubaix; um autêntico inferno para muitos ciclistas visto que os sectores de pavê são dificílimos e provocam imensas quedas e cortes no pelotão).

15. O Tour é a prova mais importante da sua temporada ou considera que existem outras provas tão importantes?

O Tour de France é importante mas não é o único objectivo que tenho para esta temporada. Tenho a agradável missão de honrar a camisola de arco-íris em todas as corridas em que irei participar e principalmente, naquelas que considero mais adequadas para as minhas características: as corridas de uma semana e as clássicas.

16. Qual será o teu calendário de corridas quando terminar o Paris-Nice?

Vou correr mais ou menos aquelas que corri em 2013. A ideia é participar na Volta ao País Basco, Amstel Gold Race, Flèche Wallone, Liège-Bastogne-Liège, Tour da Romandia e Volta à Suiça.

2. Paris-Nice

1ª etapa

Nacer Bouhanni 2

E Rui Costa não andava muito longe da verdade ao integrar o jovem sprinter francês Nacer Bouhanni no lote dos favoritos à vitória na geral do Paris-Nice. O foguete da Française des Jeux venceu a primeira etapa da prova que liga à capital francesa à belíssima cidade de Nice, situada no coração da riviéra francesa.

Grande parte da nata do ciclismo mundial está neste momento a correr a prova francesa. Excepção feita a meia dúzia de grandes figuras do pelotão mundial como Peter Sagan, André Greipel, Nairo Quintana, Bauke Mollema, Alejandro Valverde, Michael Kwiatkowski ou os dois homens fortes da Sky (Richie Porte e Christopher Froome), ainda a descansar dos compromissos que tiveram no passado mês de Fevereiro nas provas no médio oriente\Maiorca\Algarve, ou a competir noutras provas que decorreram este fim-de-semana ou que irão decorrer a meio desta semana. Richie Porte era para marcar presença na prova francesa, mas, na ausência de um contra-relógio (um dos fortes de Porte que poderia granjear ao australiano uma boa oportunidade para lutar pela geral), decidiu alterar junto da equipa a sua participação para a prova italiana.

O pelotão do Paris-Nice conta com a presença de 3 portugueses: Rui Costa e Nelson Oliveira (Lampre-Mérida) e André Cardoso pela Garmin.

A primeira etapa da prova correu-se num circuito montado em Mantes-La-Jolie, uma comuna (município) situada na Ile-de-France, a cerca de 48 km de Paris (o município ainda é considerado como subúrbio da capital francesa).

Numa etapa com um grau de dificuldade muito diminuito, estava prevista uma chegada ao sprint. O primeiro ataque da prova surgiu logo nos primeiros quilómetros com uma fuga encetada em solitário por Christophe Laborie da Bretagne (uma das equipas convidadas por Wild Card para a prova; UCI Pro Continental). A fuga do ciclista francês tinha um propósito claro: vencer a única contagem de montanha do dia fixada ao quilómetro 40 no Cote de Vert (40,5 km) e tentar vencer o primeiro sprint intermédio da prova ao quilómetro 63. O ciclista da Bretagne teve sucesso nos seus objectivos. Acumulando imenso tempo em relação ao pelotão (controlado pela Omega, pela FDJ e pela Orica), aos 23 km já tinha cerca de 11 minutos de vantagem, tendo esta diminuído com o evoluir da etapa. O ciclista francês passou na contagem de montanha e no sprint intermédio na primeira posição. No pelotão, Gianni Meersman (Omega-Pharma-Quickstep) e Geraint Thomas (Sky) posicionaram-se nas 2ªs e 3ªs posições.

Poucos quilómetros depois, a organização era informada do abandono de Tejay Van Garderen, o chefe-de-fila da BMC, abandono motivado por dores de estomago.

Laborie foi seguindo na frente até onde lhe foi permitido. Desistiu da fuga a poucos quilómetros do segundo sprint intermédio (a 50 km da meta) , sprint no qual Gianni Meersman marcou mais 3 pontos para a classificação por pontos e, consequentemente, mais 3 segundos para a geral.

Até que ao quilómetro 136 deu-se o incidente do dia. Uma queda no meio do pelotão apanhou Romain Bardet (Ag2r) e Andy Schleck (Trek). Mal posicionados na cauda do pelotão, Thomas Voeckler (Europcar), Edvald Boasson Hagen (Team Sky), Lieuwe Westra (Astana) e Simon Gerrans (Orica) haveriam de cair para um 2º grupo que chegou com 1 minuto e 9 segundos de atraso para Bouhanni. Andy Schleck haveria de perder 1 minuto e 50 segundos para o vencedor da etapa, manifestando mais uma vez as dificuldades que tem não só em colocar-se no pelotão como em conseguir recolar a este quando se encontra sozinho (ou com poucos colegas de equipa) num grupo perseguidor mais atrasado.

Ciente do perigo, a Française des Jeux aproveitou a ausência do norueguês Boasson Hagen e do australiano Gerrans para acelerar o ritmo da frente da corrida. Ajudada imenso pela Argus (a trabalhar para Degenkolb) seria um dos seus meninos de ouro (Bouhanni; o outro é Arnaud Demare) a finalizar melhor que  o ciclista alemão em cima da linha da meta, e, a conseguir a primeira camisola amarela da prova. Rui Costa passou completamente ao lado da confusão, tendo terminado na 32ª posição com o mesmo tempo do vencedor. André Cardoso foi 45º e Nelson Oliveira 60º. Ambos estão a 10 segundos de Bouhanni na classificação geral em virtude das bonificações obtidas pelo ciclista da equipa francesa.

Rui Costa descreveu no seu diário que a etapa foi muito perigosa: “Eu vinha sempre atento e bem colocado pois já contava com algum perigo. No ano passado tive uma queda feia logo na primeira etapa em linha, que me forçou a abandonar a corrida. Esse incidente ficou-me de lição. Diz-se no pelotão que as corridas francesas são sempre perigosas e hoje, infelizmente, tivemos um exemplo disso, quando faltavam cerca de 21 quilómetros para o fim. Cheguei a ser encostado e por pouco não caí, ou provoquei uma queda. Mas, instantes depois, deu-se uma grande queda e o pelotão ficou dividido em três grupos. Eu não fiquei envolvido, mas ficaram alguns elementos da nossa equipa. Felizmente sem gravidade.”

A etapa de amanhã disputa-se entre Rambouillet e Saint-Georges-Sur-Baulche no total de 205 km. Para além de ser uma etapa longuíssima é uma etapa que exige muita atenção por parte dos ciclistas. De referir que o líder Nacer Bouhanni caiu nesta precisa etapa na edição do ano passado e partiu vários dentes. A etapa tem uma contagem de 3ª categoria bem perto da meta, situada em Saint-Georges-Sul-Baulche, localidade próxima de Auxerre.

Roma Máxima – hoje

Vitória de Alejandro Valverde (Movistar) na semi-clássica que no passado era designada como Giro Del Lazio. A prova foi disputada em Roma. Um dia depois de ter sido 3º na Strade Bianchi.

Um agradecimento especial para o Sérgio Minas pelo facto de me ter alertado para o desfecho final desta prova.

 

Strade Bianchi – OntemMichal Kwiatkowski

A preparar a sua participação no Tirreno-Adriático, alguns dos principais nomes do ciclismo mundial foram a Itália correr uma das mais sui-géneris clássicas do calendário internacional, a Strade Bianchi. Digo sui-géneris porque 1\4 da prova é corrido em terra batida. Para além do piso, a prova ultrapassa diversas colinas da região de Siena. Nomes como Alejandro Valverde ou Cadel Evans (BMC) foram testar as suas capacidades físicas no duro percurso oferecido pela organização nas colinas da Toscânia.

Michael Kwiatkowski, vencedor da edição deste ano da geral da Volta ao Algarve, voltou a provar a excelente forma física detida neste momento da temporada, fugindo ao pelotão e terminando destacado na primeira posição na chegada em Siena. 4ª vitória em etapas da temporada para o ciclista da Omega-Pharma-Quickstep. O polaco sucedeu a Moreno Mozer (Cannondale) na lista de vencedores da prova. O colega de Mozer na Canondale Peter Sagan foi 2º na prova a 19 segundos de Kwiatkowski. Alejandro Valverde foi 3º a 36 segundos. Damiango Cunego foi 4º a 40 segundos e revelou no final sentir-se de volta “ao lote dos melhores do pelotão internacional” – espera-se portanto uma boa temporada do colega de Rui Costa depois de algumas épocas em que o seu rendimento deixou muito a desejar.

Reacção de Peter Sagan no final da etapa.

Aqui ficam algumas fotos da prova italiana:

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A Cannondale liderou a cabeça do pelotão praticamente durante toda a prova. Aqui, a equipa italiana tentava alcançar uma fuga composta por um ciclista da Androni-Giocatolli.

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Cadel Evans tentou escapar por várias vezes, reduzir o grupo principal a poucas unidades para uma chegada disputada ao sprint mas nenhuma das suas fugas e dos seus esforços foi bem sucedido.

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O momento em que Michal Kwiatkowski deixa Peter Sagan para trás, já dentro da cidade de Siena.

Ciclismo 2014 #14

volta ao algarve

Volta ao Algarve

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No domingo terminou mais uma edição da Volta ao Algarve, a única do calendário ciclístico português pontuável para o calendário UCI World Tour. Na última etapa, com a geral praticamente decidida, coube a Mark Cavendish (Omega-Pharma-Quickstep) dar um arzinho da sua graça na chegada na marina de Vilamoura. O sprinter britânico bateu o jovem francês Arnaud Demare da Française des Jeux e Brian Coquard da Europcar sobre a linha da meta.

No final da etapa, Mark Cavendish protagonizou mais um episódio típico do seu mau feitio. O britânico avisou que só iria dar 1 minuto aos jornalistas para fazerem as suas perguntas e se à primeira pergunta até reagiu de forma positiva (“Gostou de participar na prova e vencer a última etapa?” até respondeu “Sim, gostei muito. Estou bastante feliz”) o mesmo não se passou nas seguintes questões postas pelos restantes profissionais, ora não respondendo ora respondendo de forma monosilábica e sobretudo muito desinteressada. Cavendish já não vencia uma etapa desde setembro passado.

Dado consumado da etapa anterior (Alto do Malhão) coube ao polaco Michal Kwiatkowski subir ao pódio para receber a camisola amarela correspondente à vitória na classificação geral da prova e o respectivo cheque oferecido pela organização da prova à equipa Omega-Pharma. No ciclismo, os prémios obtidos pelos ciclistas nas metas volantes, vitórias em etapa, vitórias na geral e nas diferentes categorias e contagens de montanha são divididos por toda a estrutura da equipa. A vitória na geral confirma uma excelente prova realizada pelo polaco, vencendo em Monchique depois de uma investida na qual deixou Rui Costa e Alberto Contador para os lugares secundários e de um contra-relógio curto perfeito realizado na 3ª etapa entre Vila do Bispo e Sagres. O ciclista polaco confirmou que é a grande aposta da equipa Belga para a classificação geral das provas por etapas de uma e três semanas. Esta equipa, recheada de roladores e sprinters poderá ter aqui o seu filão para se tornar extremamente completa na época que se avizinha. Vamos ver como é que Michal Kwiatkowski vai reagir nas provas de preparação para o Tour e na prova francesa, prova onde em 2013 ficou à beira do top 10. Apesar de ser um ciclista com enorme potencial na média e na alta montanha e um contra-relogista de excelência, um dos pontos fracos que pode afectar o seu rendimento individual é precisamente o facto da sua equipa não ter muita gente no seu rooster capaz de o ajudar nas etapas de alta montanha. Isto é, se for a primeira aposta da equipa para o Tour visto que ainda não está decidido se o polaco será líder ou se terá estatuto de corredor protegido (livre de trabalho para o líder) dentro da liderança do colombiano Rigoberto Uran.

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Amarga de boca fica a prestação do nosso Rui Costa. O algarve avizinhava-se como a prova ideal para o português vencer. Rui Costa deu no Algarve mostras de uma excelente condição física nesta fase da época, facto que faz crer que a Lampre-Mérida está a planear a época do campeão do mundo ao pormenor. Logo na primeira etapa, podia ter vencido ao Sprint mas preferiu dar a vitória ao sprinter da sua equipa Sasha Modolo. Uma questão de papéis que os ciclistas normalmente respeitam. Como a equipa tinha trabalhado para Modolo, o mais correcto é deixar fluir a normalidade de papéis dentro das equipas. Em Monchique voltou a ser segundo. No malhão voltou novamente a ser segundo. Na geral foi terceiro. Como escrevi anteriormente, fica o amargo de boca por não ter ganho uma etapa junto do seu público. Estou seguro que o português vai realizar novamente uma época de arromba. Vencer será uma questão de tempo.

Alberto Contador – Um segundo lugar que sabe a vitória na geral depois da classe demonstrada pelo espanhol no Alto do Malhão. Antes da prova começar afirmou que vinha ao Algarve ganhar ritmo nas pernas depois do primeiro estágio da temporada. Acabou por vencer na prova raínha da competição. A vitória no Algarve promete um excelente Contador durante a temporada. Bem precisa de deixar 2013 para trás das costas. O tour e o ciclismo agradecem que Contador volte a ser o grande ciclista que é pois senão, Froome limpa tudo novamente com a maior das tranquilidades.

Edgar Pinto – Andou durante toda a prova junto dos melhores. Participou em todas as contendas, tanto a rolar como na montanha. Está um senhor ciclista dentro do pelotão português e a bom da verdade já merecia uma oportunidade numa equipa de World Tour como ciclista de estatuto nas provas de 1 semana e clássicas. Para já, afirmou-se como um dos candidatos à geral da Volta a Portugal 1 ano depois de se ter inserido nesse lote na edição de 2013.

Tour de Oman

Oman

Christopher Froome (Team Sky) voltou a vencer a geral da Volta a Oman. Pela segunda vez consecutiva. Pela segunda vez que apenas venceu a 5ª etapa da prova e na 5ª etapa da prova cavou a diferença necessária para vencer a geral.

O britânico reagiu à vitória com uma certa presunção: “I couldn’t ask for much more. If at the start of the race you’d said to me I’d be here in the red jersey, I’d have taken it, definitely. That’s the best case for me. It’s great to be able to back it up and come and defend my title. The team we’ve had here has been really compatible, really aggressive and wanting to make the most out of the racing. It shows that everyone has come off a good winter and that everyone is working hard to be in good shape for this. It really a pleasure to work with people who share that mentality. We’ve got the leader’s jersey to show for it. We’re really happy.”

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Na última etapa da prova, o britânico assistiu de cadeirinha a mais uma vitória em etapas de André Greipel na prova. O alemão da Lotto-Belisol voltou a deixar o jovem francês Nacer Bouhanni para trás na linha de chegada e confirmou a vitória na camisola por pontos. André Greipel está lançado para uma época que se prevê muito vitoriosa.

Volta à Andaluzia

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Disputada desde quinta a domingo, a Volta a Andaluzia reuniu na região integrante do cada vez mais fracturado estado espanhol alguns dos maiores nomes do ciclismo mundial, também eles cheios de vontade de esticar as pernas depois de semanas intensivas de treino de preparação para a temporada. Nas estradas andaluzes competiram ciclistas como Alejandro Valverde (Movistar) Richie Porte, Edvald Boasson Hagen e Braddley Wiggins (Team Sky) Luis Leon Sanchez (Caja Rural), Marcel Kittel (Argus-Shimano), Bauke Mollema (Belkin) ou o dinamarques Jakob Fuglsang (Astana).

1ª etapa

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A prova andaluz iniciou-se com um prólogo. Alejandro Valverde provou que não estava na andaluzia para treinar. O ciclista da Movistar cumpriu os 7,3 km realizados em Almeria em 8 minutos e 22 segundos, sendo mais rápido em 7 segundos que Tom Dumoulin da Giant-Shimano e em 9 que o seu colega de equipa, o basco Jon Insausti. Os homens da Sky perderam 13 (Kiryenka) 14 (Wiggins e Geraint Thomas) e 15 Richie Porte.

2ª etapa

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Na segunda etapa da prova, a organização quis provar quem é que tinha perninhas para aguentar uma daquelas etapas pica musculos. Na distância de 186,5 km, a etapa que ligou Málaga a Jaen oferecia a todo o pelotão presente na prova uma etapa com 6 contagens de montanha. Uma duríssima de primeira categoria entre os 13 e os 25 km, três de 2ª categoria e três de terceira categoria, a última nos 3 kms finais.

O pelotão manteve-se minimamente intacto até à subida final. Até que Alejandro Valverde saltou do grupo principal nos últimos metros e venceu a etapa destacado com 4 segundos de avanço para Bauke Mollema da Belkin, Davide Rebellin da CCC Polsat, Luis Leon Sanchez e Richie Porte da Sky. Ausência do grupo principal foi Braddley Wiggins.

Video dos últimos 3 km

3ª etapa

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Na 3ª etapa da prova, a maior atracção desta era a subida final ao Santuário de La Virgem de la Sierra de Cabra, outra daquelas subidas cuja ausência do calendário da Vuelta é inexplicável visto que é uma subida de cerca de 11 km com uma pendente média de 8% e algumas rampas na parte final de 18\20% (ascenção de 18 metros em altitude a cada 100 metros de estrada). Os ciclistas tinham portanto um autêntico muro pela frente.

Como lhe competia, a Movistar controlou a etapa. Na ascenção final, o grupo dos favoritos destacou-se no grupo principal, existindo uma abordagem altamente tacticista entre Alejandro Valverde e Richie Porte. O espanhol não se fez rogado e voltou a fazer das suas (não é normal Valverde ter dois dias bons seguidos na alta montanha, muito menos vitoriosos) ao atacar nos metros finais da etapa. Retirou apenas 1 segundo ao grupo perseguidor: Scarponi (Astana) Porte, Daniel Navarro (Cofidis; cuidado que este senhor também quer qualquer coisa no Tour deste ano) e Luis León Sanchez. No 2º grupo, Bauke Mollema cruzou a meta a 5 segundos de Valverde juntamente com o ciclista estónio Tanel Kangert da Astana. O estónio demonstrou na Andaluzia que está a melhorar a olhos vistos na alta-montanha. Poderá ser uma ajuda preciosa para os seus líderes de equipa (principalmente de Nibali e Tiralongo) nas etapas de montanha das grandes provas por etapas. Tiralongo esteve bastante mal na etapa ao perder 1 minuto e 48 para Valverde. Braddley Wiggins esteve novamente ausente do grupo dos favoritos.

Com a vitória na Sierra de Cabra, Valverde aumentou a sua vantagem para Richie Porte para 20 segundos. Luis Leon Sanchez era terceiro a 22 segundos.

4ª etapa

Ultrapassada a montanha era tempo para os sprinters impor as suas credenciais. Com Marcel Kittel e Gerald Ciolek em prova, a etapa terminada em Sevilla seria ideal para uma chegada ao sprint. Coube ao veterano alemão da MTN-Qubeka cruzar em primeiro lugar a linha de meta disposta na capital da região à frente de Roy Jans da Wanty-Groupe Gobert e do sprinter Moreno Hofland da Belkin. O jovem sprinter português Fabio Silvestre da Trek-Leopard, a fazer a sua primeira época como profissional e como ciclista da primeira formação da equipa foi 8º numa chegada em que Marcel Kittel decidiu não ir a jogo.

5ª etapa

Na consagração de Alejandro Valverde como o vencedor da geral da prova (3ª vitória consecutiva) coube ao holandês Moreno Hofland vencer a etapa final da prova.

Valverde provou ser mais forte que a concorrência na fase final das provas de montanha e saboreou as suas primeiras vitórias do ano. O espanhol preparou assim as principais provas de uma semana nas quais costuma participar e vencer como a Volta a Catalunha, Murcia e Burgos, provas que irão decorrer mais adiante no calendário internacional, algumas das quais com a presença de Rui Costa.

Tour de Haut Var

A contar para a Taça Nacional de França, o Tour de Haut Var ofereceu aos ciclistas que nele participaram 2 etapas de nível de dificuldade médio. Na prova participou o jovem ciclista português Domingos Gonçalves da La Pomme Marseille, equipa francesa da UCI Pro Continental na qual também corre o seu irmão José Gonçalves.

betancourt

A prova acolheu a participação de ciclistas como Carlos Bettancur (AG2R; ciclista que de resto venceria a prova depois de desafiar com sucesso o holandês John Degenkolb da Argus no sprint da primeira etapa; é de homem um trepador conseguir bater um sprinter do nível de degenkolb na sua especialidade), Thor Hushovd (Cadel Evans e Amael Moinard (BMC; este venceria Betancur ao sprint na segunda etapa) Sylvain Chavanel e Jerome Pineau (IAM Cycling) John Gadret da Movistar ou Pierrick Fèdrigo da FJD. Basta portanto dizer que os grandes ciclistas do pelotão francês estavam lá todos.

Amanhã irei escrever sobre o Tirreno-Adriático e irei apresentar mais 1 equipa da World Tour. Irei também actualizar o ranking da World Tour.

Ciclismo 2014 #12

Volta ao Algarve

Ontem – 2ª etapa – Lagos-Monchique 190 km

Kwiatowski 2

A opção que Rui Costa tomou no dia anterior (oferecer a vitória ao seu sprinter Sasha Modolo em cima da recta da meta) poderá não ter sido a mais a acertada. Na 2ª etapa da Volta ao Algarve, o português voltou a fazer novamente no 2º em Monchique, atrás do vencedor da etapa, o talentoso all-rounder Michal Kwiatkowski da Omega-Pharma-Lotto. O Belga já tinha triunfado numa etapa um tanto quanto semelhante no Challenge de Maiorca na semana passada. No Algarve, está a confirmar o excelente momento de forma que atravessa neste início de temporada. A Omega-Pharma-Quickstep está para já a confirmar-se como a grande dominadora deste início de temporada. Para além das vitórias individuais do ciclista polaco de 23 anos, a equipa já venceu no Dubai, no Qatar (geral inclusive) e em Oman, completando o pleno nas provas de World Tour até agora disputadas.

Depois de uma interessante primeira etapa, esperava-se que Rui Costa fosse capaz de vencer na serra de Monchique. Não se esperava que Alberto Contador quisesse entrar na luta pela vitória visto que é a primeira prova que está a realizar na presente temporada.

A etapa iniciou com uma fuga composta por ciclistas franceses. O sprinter Arnaud Demare (FDJ) Alexandre Pichot (Europcar) e Florian Senechal (Cofidis) decidiram atacar em conjunto com o primeiro de olho nas metas volantes posicionadas a meio da tirada. A Radio Popular-Boavista, líder da classificação das metas volantes através de Cesar Fonte não quis deixar escapar a oportunidade de salvaguardar a camisola no corpo do seu atleta até porque enquanto este a mantiver dá um mediatismo superior ao nome e à imagem do patrocinador da sua equipa. Fonte haveria de testar uma fuga com mais 4 ciclistas poucos quilómetros depois do trio da frente ter sido apanhado mas a Saxo-Tinkoff foi rápida a anular por completo a investida.

A presença da equipa dinamarquesa na frente indiciava que Alberto Contador tinha planos em mente para a subida final, nem que fosse apenas “esticar as pernas” para medir as respostas do corpo nestes primeiros dias de competição e o nível de preparação feita no estágio de pré-temporada. A subida esfumou-se sem existir um ataque. Na descida de 5 km até Monchique, o grupo dos favoritos entrou numa espiral de desconfiança mútua, Kwiatkowski decidiu avançar e cortou a meta em Monchique com 6 segundos de avanço para Rui Costa que bateu ao sprint os espanhóis Albert Contador e Eduard Prades da OFM-Quinta da Lixa. Mais atrás, a 17 segundos do polaco chegaria um grupo onde estavam Alexandre Geniez (FDJ) Chris Horner (Lampre-Merida) Jonathan Castroviejo (Movistar) e Edgar Pinto (LA Alumínios-Antarte).

Na geral, o polaco ficou com a liderança da prova, com Rui Costa a 4s e Alberto Contador a 12s.

3ª etapa – hoje

Contra-relógio de 13,6 quilómetros entre Vila do Bispo e Sagres. Previa-se uma interessante batalha pela geral entre Michal Kwiatkoswski e Rui Costa visto que, apesar do polaco ser um especialista nesse departamento do ciclismo, o português também tem um rendimento muito interessante no contra-relógio curto. Relembro que o português é o campeão nacional em título. No ano passado, na prova disputada em Pataias (Alcobaça), Rui não deu qualquer hipótese à concorrência interna (os principais especialistas no contra-relógio curto como Tiago Machado ou Nelson Oliveira ficaram a mais de 1 minuto do campeão do mundo em 26 km de prova). Como principal candidato para vencer a ventosa luta contra o cronómetro no Sudoeste Algarvio estava o actual bicampeão do mundo da especialidade, o alemão Tony Martin da Omega-Pharma (outra vez arroz!), curiosamente o vencedor da geral da Volta ao Algarve em 2009 e 2013. Nas duas edições, o alemão cravou a sua diferença para os demais no Contra-relógio e, no caso de particular da edição de 2009, no Alto do Malhão, principal inclinação da prova. O Malhão será a atracção da etapa de amanhã.

Desta vez o campeão do mundo não conseguiu fazer a diferença. Kwiatkowski voltou a vencer de forma categorica, deixando a 11 segundos Adriano Malori da Movistar (outro dos candidatos à vitória na etapa, o espanhol Jonathan Castroviejo não conseguiu entrar sequer no top-10) e a 13 Tony Martin. Alberto Contador perdeu 20 segundos (4º) e Rui Costa foi 11º a 34 segundos.

Com a vitória na etapa, o ciclista da Omega-Pharma-Quickstep aumentou a sua vantagem para os mais directos perseguidores. Alberto Contador ascendeu à 2ª posição da prova com uma diferença de 32 segundos para o líder enquanto o português caiu para a 3ª posição a 38 segundos.

Amanhã corre-se a etapa decisiva da prova com a chegada em alto ao Malhão (1ª categoria).

Tour de Oman

3ª etapa – na quinta

Andre Greipel

(toda a gente sabe que essas pulseiras do equilíbrio não funcionam ó Greipel)

Quando toda a gente previa que os homens mais vocacionados para a média montanha pudessem atacar nas contagens de montanha destacadas nos últimos quilómetros da etapa que ligou Bank Muscat a Al Bustan (146 km), tudo acabou por ser discutido no sprint final com o alemão André Greipel a resolver novamente para a Lotto-Belisol.

Depois de uma fuga de 5 ciclistas pouco cotados que durou quase 100 km, a segunda ascenção da etapa separou o trigo do joio. Dario Cataldo comandou o pelotão e trabalhou para Chris Froome (Sky). Na roda de Froome seguiram Peter Sagan (Cannondale) Fabian Cancellara (Trek-Leopard) e do checo Zdenek Stybar (Omega-Pharma-Quickstep). Estes quatro haveriam de atacar, sendo apanhados a cerca de 1km para a meta pelo grupo principal. Para o efeito, valeu o trabalho conjunto de BMC, FDJ e Lotto. No Sprint final André Greipel voltou a superiorizar-se a Peter Sagan e ao jovem sprinter francês Nacer Bouhanni (FDJ) e segurou a liderança da prova.

4ª etapa – Ontem

Peter Sagan 2

A etapa que ligou Wadi Al Abiyad ao Ministério da Habitação na capital Muscat, na distância de 173 km, poderia ser decisiva no que diz respeito às contas da geral. Com 4 inclinações, 1 delas com algum grau de dificuldade, quem chegasse isolado à Avenida onde se situa o Ministério da Habitação daquele estado do médio oriente poderia não só ganhar a etapa como amealhar o tempo suficiente para vencer a geral da prova, apesar de, ainda existir um contra-relógio pela frente até domingo.

A prova começou com uma fuga muito precoce nos primeiros quilómetros. Valerio Agnoli e Liewe Westra (é o homem mais combativo da época até ao momento; ambos da Astana) tentaram a sua sorte ao quilómetro 9 com o brasileiro Murilo Fischer da FDJ. A fuga durou 6 km. 2 quilómetros depois, o sprinter belga Greg Van Avermaet (BMC) Yaroslav Popovych (Trek) e Huffman (Astana) tentaram a sua sorte se bem que penso que aqui a estratégia dos directores desportivos, em particular o da Astana, era o de pura e simplesmente obrigar a Lotto-Belisol e as demais interessadas (Sky, Cannondale, Omega-Pharma) a desgastarem-se na frente do pelotão. Não sendo um trepador de excelência, a presença de Popovych na frente da corrida poderia causar alguma ameaça às pretensões destas equipas.

A fuga teve algum sucesso. O trio conseguiu amealhar 5 minutos e meio de vantagem no momento em que abordaram a primeira montanha do dia. Lá atrás no pelotão, a vantagem amealhada levou a que a Lotto-Belisol, Omega e Saxo-Tinkoff assumissem as despesas da perseguição com a BMC a colocar 2 ou 3 elementos na frente para atrapalhar a organização desta.

Na terceira incursão pela montanha do dia, Popovych foi alcançado, ficando Van Avermaet sozinho na frente com 32 segundos de vantagem para o pelotão. Entretanto, na cauda do pelotão André Greipel começou a ficar para trás e nunca mais regressou ao convívio dos grandes. No final desta colina, o colombiano Sergio Henao disferiu o seu ataque, tendo passado no alto com 18 segundos de vantagem para o pelotão e 16 de desvantagem para Van Avermaet. O último só seria alcançado a 14 km da meta por um grupo de 60 unidades.

Na última ascenção do dia, a Sky foi para a frente e deixou Chris Froome sozinho. Na perseguição ao vencedor do Tour em 2013 estavam Rigoberto Uran (agora na Omega), Roman Kreuziger (Saxo-Tinkoff), Peter Sagan e Vincenzo Nibali (Astana). Froome passou a contagem de montanha na primeira posição mas rapidamente foi alcançado na descida por Uran, Sagan e Nibali que trabalharam em conjunto para anular a diferença para o britânico. Com 18 segundos para os perseguidores, o quarteto chegou ao fim da etapa e Peter Sagan foi como seria de esperar o mais rápido no sprint final.

O eslovaco assumiu a geral da prova com 10 segundos de vantagem sobre Rigoberto Uran e 14 sobre Vincenzo Nibali. André Greipel cruzou a meta a 21 minutos do vencedor!

Ciclismo 2014 #4

le tour

Ficou-se a saber hoje as 4 felizardas que conseguiram os wildcards disponibilizados pela organização do Tour para a prova de 2014. Entre as várias equipas da UCI Pro Continental que pediram wildcard para a maior prova do ciclismo mundial e para as provas organizadas pela ASO, entidade que organiza o Tour, Paris – Nice e Criterium Dauphiné, a  Suiça IAM, as francesas Cofidis e Bretagne e a Alemã Net-App dos portugueses Tiago Machado e José Mendes foram as equipas que tiveram a sorte de poder obter esse mesmo wild card. Os corredores Portugueses irão marcar presença na prova francesa visto que ambos estavam escalados para a provar caso a sua equipa obtivesse o direito a participar.

A escolha destas equipas tem a sua razão lógica: as francesas Cofidis e Bretagne foram escolhidas por critério de localidade (são as duas francesas do escalão minimamente competitivas para a prova em questão) enquanto as outras duas foram escolhidas pelo facto de serem as mais competitivas da divisão e, as equipas teoricamente candidatas a pedir licença de World Tour no próximo ano. A escolha destas 4 equipas irá permitir o acesso ao Tour a bons ciclistas que se encontram fora do “radar” World Tour como Heinrich Haussler, Gustav Larsson, Thomas Lokvist, Marcel Wyss, Sebastien Hinault, Sylvain Chavanel (IAM) David De La Cruz, Leopold Konig, José Mendes, Tiago Machado (Net-App) Brice e Romain Feillu (Bretagne) e Jerome Coppel, Christophe Le Mevel, Cyril Lemoine, Daniel Navarro, Rein Taaramae e Julien Simon por parte da Cofidis.

Convém também referir que a subida da Europcar para a World Tour permitiu a atribuição de 4 licenças em vez de 3. De fora ficaram a MTN-Qubeka e a Caja Rural, equipa agora liderada por Luis León Sanchez.

No que diz respeito às licenças para o Paris-Nice e Critério Du Dauphiné, a Net-App ficou de fora para a primeira prova, ficando de fora da licença a Bretagne para a segunda.

Apresentação:

Canondale:

Cannondale

2014 irá marcar o 2º ano de actividade da equipa formada pela marca de bicicletas depois da desistência da Liquigás enquanto patrocinador.

Localização: Sesto – Piemonte – Itália

Site: www.cannondaleprocycling.com

Director Desportivo: Biagio Conte

Chefes-de-fila: Ivan Basso, Peter Sagan,

Gregários de luxo\corredores de estatuto protegido: Maciej Bodnar, Moreno Mozer,

Contra-relógio: Cameron Wurf

Sprinters: Peter Sagan, Elia Viviani, Juraj Sagan (irmão de Peter Sagan)

Clássicas: Oscar Gatto,

Gregários: George Bennett, Guillaume Boivin, Damiano Caruso, Alessandro Di Marchi, Edward King, Kristian Koren, Paolo Longo Borghini, Alan Marangoni, Cristiano Salerno, José Sarmiento, Alberto Bettiol, Davide Formolo, Michel Koch, Mattias Krizek, Matej Mohoric, David Villela, Fabio Sabatini, Marco Marcato

ivan basso

Principais vitórias\conquistas em 2013:

  • 2 etapas no Tour de Oman (Peter Sagan)
  • Grande Prémio de Cittá di Camaiore (Peter Sagan)
  • Vitória na Strade Bianchi (Moreno Mozer)
  • 2 etapas na Tirreno-Adriático (Peter Sagan)
  • Clássica Gent-Welwegen (Peter Sagan)
  • 1 etapa no Tour de Panne (Peter Sagan)
  • Clássica Brabaantse Pijl (Peter Sagan)
  • 2 etapas na Volta à Califórnia (Peter Sagan)
  • 2 etapas no Critério Du Dauphiné (Elia Viviani e Alessandro Di Marchi)
  • 2 etapas na Volta à Suiça (Peter Sagan)
  • Campeonato Nacional da Polónia de Contra-relógio (Maciej Bodnar)
  • Campeonato Nacional da Dinamarca (Brian Vanborg – transferido)
  • Campeonato Nacional da Eslováquia (Peter Sagan)
  • Vitória em etapa no Tour (Peter Sagan)
  • Camisola dos Pontos no Tour (Peter Sagan)
  • Vitória na Geral no Tour de Elk Grove (Elia Viviani) com 2 etapas ganhas pelo ciclista.
  • 4 etapas no US Pro Cycling Challenge (Peter Sagan)
  • 3 etapas no Tour de Alberta (Peter Sagan, uma delas no prólogo)
  • 1 etapa na Volta à Espanha (Daniele Ratto)
  • 1 etapa na Volta à Grã-Bretanha (Elia Viviani)
  • Vitória no GP de Montreal (Peter Sagan)
  • Classificação por pontos na Volta à Suiça (Peter Sagan)
  • 2º lugar no Tour da Flandres (Peter Sagan)
  • 6º lugar nos campeonatos do Mundo (Peter Sagan)

Peter Sagan

Os objectivos da Cannondale para 2014 são muito fáceis de descrever: levar Basso à vitória no Giro, apesar da idade avançada do trepador e levar Peter Sagan a nova vitória na camisola dos pontos do Tour, a maior número de vitórias possíveis na prova francesa e ao maior número de provas (em particular de clássicas pontuáveis para o ranking world tour) em que o fantástico sprinter eslovaco participe.

Depois de um ano 2013 para esquecer com muitos problemas físicos, sem pedalada para a nova geração de chefes-de-fila que apareceram nos últimos 2 anos nas equipas de World, Ivan Basso vai regressar em 2014 aos fundamentals: o Giro de Itália. Nas estradas italianas, sem atacar, Basso é por estatuto adquirido um candidato à vitória. Para o ajudar, Basso irá alocar os seus gregários de luxo Moreno Mozer e Maciej Bodnar, com o primeiro a deter um estatuto de segunda opção para a geral da prova. Mozer também terá como objectivo para esta época vencer a geral da Volta à Polónia (finais de Julho), prova que lhe escapou por um fio em 2012.

O australiano de 31 anos Cameron Wurf é o contra-relogista da equipa. Wurf também consegue andar bem em média montanha.

O resto são sprints. Equipa totalmente preparada para Sagan. A missão de todos os gregários que correrem com o eslovaco durante a época será preparar os sprints do eslovaco. O ciclista eslovaco também estará de olho nos campeonatos do mundo, uma das únicas grandes provas do calendário ciclístico que ainda não conseguiu vencer na sua carreira. Como 2º sprinter continuará Elia Viviani, ciclista que saiu da pista para a estrada em 2010 e que de resto, aos 24 anos já tem algumas vitórias (na Volta à Grã-Bretanha e no Dauphiné) que lhe granjeam algum respeito dentro do pelotão e que lhe auspiciam a possibilidade de se tornar o sprinter de serviço da selecção italiana para os próximos anos.

Um dos pontos negativos da equipa é para mim a ausência de gregários que possam ajudar Basso a re-conquistar o ceptro de rei do ciclismo italiano. Um dos pontos positivos da equipa é a quantidade de soluções que esta tem para as provas por etapas de poucos dias bem como para as clássicas do calendário internacional.

 

Française des Jeux:

fdj

O projecto de ciclismo patrocinado pelo Ministério do Desporto Francês e pela entidade que empreende os jogos de lotaria em território francês. Apesar desta equipa possuir 3 corredores estrangeiros, é um projecto historicamente constituído no aproveitamento dos melhores talentos formados em França.

Localização: Moussy – França

Site: www.equipecyclistefdj.fr

Director Desportivo: Thierry Bricaud

Chefes-de-fila: Pierrick Fedrigo, Thibault Pinot,

Gregários de luxo\corredores de estatuto protegido: Arnold Jeanesson, Arthur Vichot , Anthony Roux,

Contra-relógio:

Sprinters: Nacer Bouhanni, Arnaud Demare, Murilo Fischer,

Clássicas: Sebastien Chavanel, Anthony Geslin, Jeremy Roy, Cedric Pineau

Gregários: David Boucher, David Courteille, Mickael Delage, Kenny Elissonde, Alexandre Geniez, Mathieu Ladagnous, Johan LeBon, Laurent Mangel, Francis Mourey, Yohan Offredo, Laurent Pichon, Jussi Veikkanen, Geoffrey Soupe, Benoit Vangrenard, Pierre-Henri Lecuisinier,

Principais vitórias\conquistas no ano 2013:

  • 1 etapa na Etoile de Bessèges (Anthony Roux)
  • 1 etapa no Tour de Oman (Nacer Bouhanni)
  • Vitória na Geral do Tour Haut Var (Arthur Vichot)
  • 1 etapa no Paris-Nice (Nacer Bouhanni)
  • Campeonato Nacional da Finlândia (Jussi Veikkanen)
  • 1 etapa no Circuit de La Sarthe (Nacer Bouhanni)
  • Clássica Paris-Camembert (Pierrick Fèdrigo)
  • GP de Demais (Arnaud Demare)
  • Vitória na Geral dos 4 dias de Dunkerque e 3 etapas (Arnaud Demare)
  • 1 etapa na Volta à Suiça (Arnaud Demare)
  • Campeonato Nacional Francês (Arthur Vichot)
  • London Classic (Arnaud Demare)
  • 1 etapa na Volta a Burgos (Anthony Roux)
  • 1 etapa na ENECO Tour (Arnaud Demare)
  • 1 etapa na Tour de Limousin (Mathieu Ladagnous)
  • 2 etapas na Vuelta (Alexandre Geniez e Kenny Elissonde)
  • 2 etapas na Volta a Pequim (Nacer Bouhanni)
  • 7º lugar na Volta à Espanha (Thibault Pinot)

pinot

Juventude, talento, versatilidade, maturidade e experiência. Eis as 5 chaves do sucesso desta interessante equipa francesa.

A comandar as tropas o veterano Pierrick Fèdrigo homem que já venceu duas etapas no Tour (na altura ao serviço da Boygues Telecom) e a jovem promessa do ciclismo francês Thibault Pinot. Aos 23 anos, o ágil trepador já conseguiu vencer uma etapa no Tour (aos 21 anos) e dois lugares dentro do top-10 tanto na prova francesa (10º em 2012) como na Vuelta. Pinot será o chefe-de-equipa desta equipa no Tour, prova onde tentará novamente ser top-1o, o melhor dos franceses e quiçá, o vencedor do prémio de montanha ou da juventude na prova de forma a envergar a camisola às bolinhas vermelhas ou a camisola branca que simboliza a vitória na competição particular entre os ciclistas menores de 25 anos, nos Champs-Elysées em Paris. Thibault já provou por várias ocasiões ser capaz de acompanhar os melhores na montanha. É o herdeiro natural da esperança francesa numa vitória na prova, facto que já não acontece desde a vitória de Bernard Hinault no longínquo ano de 1986.

A equipa francesa não se esgota nestes dois corredores. Com estatuto protegido dentro da equipa, ou seja, com carta branca para não trabalhar para os líderes e seguir a sua própria estratégia de corrida temos Anthony Roux e Arnold Jeannesson. O primeiro dispensa apresentações pelas vitórias que alcançou durante a carreira. O segundo tarda em afirmar as credenciais que prometeu no passado quando foi contratado à semi-desconhecida Auber Big Mat pela Caisse D´Epargne (actualmente) ou envergou a camisola da juventude no Tour durante algumas etapas. Jeanesson poderá assumir a liderança da equipa no Giro de Itália no próximo mês de Maio.

Com objectivos próprios também irá correr o actual campeão francês Arthur Vichot, fruto das vitórias que conquistou no ano 2013.

Bouhanni e Demare:

Nacer Bouhanni

Nacer Bouhanni.

Demare

Nacer Bouhanni (23 anos) e Arnaud Demare (22 anos) são os homens em quem a França depositará a esperança de vencer os campeonatos do mundo de estrada dos próximos anos bem como a prova de estrada dos Jogos Olímpicos de 2016. Duas forças da natureza alternam na mesma equipa. Há muito que o panorama ciclista francês não tinha dois talentos tão grandes na variante de sprint. Na Taça de França não deram hipóteses a ninguém. Paulatinamente foram aparecendo com vitórias nas provas por etapas. 2014 será o ano da sua consolidação absoluta na elite dos grandes sprinters internacionais.

Para ajudar toda esta gente, a Française des Jeux tem um leque de gregários competentes. Jussi Veikkanen (o crónico campeão finlandês) Alexandre Geniez, Kenny Elissonde, Sebastien Chavanel, Jeremy Roy – tudo gente com capacidade para lançar sprints, auxiliar e proteger Pinot e Fèdrigo e ainda mostrar uma apetência grande para fugas de longa distância que valem vitórias em etapas. Não tenho dúvidas que Thierry Bricaud tem aqui um grande (e barato) colectivo, tendo em conta as necessidades que comporta competir no World Tour e os megalómanos objectivos para curto plantel que certas equipas apresentam.