Ciclismo 2014 #16

Tour de Langwaki – Malária – UCI Asia

Tour de Langwaki

Desde 27 de Fevereiro (até domingo) está a ser disputado o Tour de Langwaki, ou como quem diz, a Volta à Malásia, prova da UCI Continental Asia que reune naquele país algumas das fortes equipas do pelotão internacional. Esta competição ainda é encarada por algumas equipas, em particular as de World Tour como uma prova de preparação para o mês de Março, esse sim já a doer com o Paris-Nice ou o Tirreno-Adriático, provas que se irão disputar na próxima semana. Também é de referir que estas provas pagam a peso de ouro a presença de alguns ciclistas. Para as equipas asiáticas, a prova da Malásia serve para estas poderem ganhar pontos para a classificação UCI Continental Asia, 3 ª divisão mundial, rampa de lançamento para a Pro Continental e para a World Tour.

6 equipas da UCI World Tour marcaram presença na prova asiática, entre as quais Belkin, Astana, Orica, Katusha, Saxo-Tinkoff e Team Europcar. 6 profissionais Continentais também marcaram presença: a Colombia (projecto nacional colombiano de ciclismo), Androni-Venezuela (projecto italo-venezuelano de ciclismo), MTN-Qubeka, United Healt Care (EUA) e Neri (Itália). Entre as asiáticas da divisão Continental presentes, destaque para a local Terengganu, para a Tabriz Petrochemical Team (equipa da cidade do Traktor de Toni) e para a Giant, recém-formada equipa chinesa que almeja ascender ao World Tour nas próximas 3 temporadas.

Entre o lote de ciclistas que está a correr a prova estão nomes como o sprinters Theo Bos e Graeme Brown (Belkin), o sprinter australiano Brett Lancaster (Orica), Alexander Ribakov (Katusha), Christophe Kern (Europcar) o trepador Fabio Duarte e o sprinter Leonardo Duque (Colombia), o trepador venezuelano José Ochoa (Androni), os famoso John-Lee Augustin da MTN-Qubeka e Jonathan Clarke da United Healt Care (vencedores de etapas nas últimas edições da Volta a Portugal) o italiano Francesco Chicchi (Neri) ou Zhi Jiang, aquele que é apontado como a maior promessa do ciclismo chinês. À excepção de Bos, Lancaster e Fabio Duarte, nenhum dos outros nomes faz parte da “nata”, digamos assim, do ciclismo mundial. Contudo, a organização da prova paga milhares de euros pela presença de segundas linhas do ciclismo mundial.

1ª etapa

quintero 2

Na primeira etapa, disputada em circuito fechado em Langwaki, na distância de 101 km, o recentemente profissionalizado Duber Quintero de 23 anos (Colombia) logrou bater ao sprint Matt Brettmaier da Sinergy Baku do Azerbeijão e Jonathan Clarke depois de uma fuga nos quilómetros finais Quintero conseguiu a sua primeira vitória enquanto profissional e tornou-se lider da prova com 11 segundos de vantagem para o corredor australiano da equipa azeri e para o corredor norte-americano.O pelotão chegou a 1.08 minutos do ciclista colombiano.

2ª etapa

Theo Bos

Na etapa que ligou Petani a Taiping, Theo Bos mostrou que é o melhor sprinter em prova. Dobradinha para a Rabobank. Graeme Brown lançou o antigo campeão mundial de pista e conseguiu a 2ª posição na etapa. Marco Haller da Katusha foi 3º. A liderança continuou na posse de Quintero.

3ª etapa

guardini

A 3ª etapa viria a pertencer a Andrea Guardini também ao sprint. Guardini já é um repetente na Volta a Malásia, prova na qual já venceu 12 etapas e por 2 vezes a camisola dos pontos. Para além das vitórias na prova da Malásia, o sprinter de 25 anos que a Astana foi recrutar à Vini-Farnese em 2013, já leva no seu currículos vitórias em etapa na Volta à Turquia, na Volta a Portugal (2011) no Giro e na Volta ao Qatar.
No sprint final da etapa que ligou Kampar à capital Kuala Lumpur, Guardini superiorizou-se a Theo Bos e Yannick Martinez da Europcar.

4ª etapa

Primeira etapa de montanha da prova. Chegada em alto nas Gentings Highlands. Vitória o iraniano Mirsamad Pourseyedigolakhour com 4 segundos de vantagem sobre o ciclista da Eritreia Merhawi Kudus da MTN-Qubeka e 5 sobre Isaac Bolivar da United Health Care. Duber Quintero perdeu a camisola amarela para o ciclista do irão visto que chegou com 6 minutos de atraso para o vencedor da etapa.

5ª etapa

Mais uma fuga sucedida. O Norte-Americano Bradley White da United Health Care cruzou a meta na primeira posição em Rembau, vingando uma fuga de quase 60 km. O pelotão chegou a 1 minuto e 5 segundos de diferença.

6ª etapa

van hummel

Vitória para o sprinter holandês Kenny Van Hummel sobre Aidis Kuopis da Orica GreenEdge e Ken Hanson da United Health Care

7ª etapa

Disputada hoje. Mais uma vitória para Theo Bos na prova e mais um 2º lugar para Aidis Kruopis. Leonardo Duque, sprinter da Colombia foi 3º.

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Ciclismo 2014 #14

volta ao algarve

Volta ao Algarve

cavendish

No domingo terminou mais uma edição da Volta ao Algarve, a única do calendário ciclístico português pontuável para o calendário UCI World Tour. Na última etapa, com a geral praticamente decidida, coube a Mark Cavendish (Omega-Pharma-Quickstep) dar um arzinho da sua graça na chegada na marina de Vilamoura. O sprinter britânico bateu o jovem francês Arnaud Demare da Française des Jeux e Brian Coquard da Europcar sobre a linha da meta.

No final da etapa, Mark Cavendish protagonizou mais um episódio típico do seu mau feitio. O britânico avisou que só iria dar 1 minuto aos jornalistas para fazerem as suas perguntas e se à primeira pergunta até reagiu de forma positiva (“Gostou de participar na prova e vencer a última etapa?” até respondeu “Sim, gostei muito. Estou bastante feliz”) o mesmo não se passou nas seguintes questões postas pelos restantes profissionais, ora não respondendo ora respondendo de forma monosilábica e sobretudo muito desinteressada. Cavendish já não vencia uma etapa desde setembro passado.

Dado consumado da etapa anterior (Alto do Malhão) coube ao polaco Michal Kwiatkowski subir ao pódio para receber a camisola amarela correspondente à vitória na classificação geral da prova e o respectivo cheque oferecido pela organização da prova à equipa Omega-Pharma. No ciclismo, os prémios obtidos pelos ciclistas nas metas volantes, vitórias em etapa, vitórias na geral e nas diferentes categorias e contagens de montanha são divididos por toda a estrutura da equipa. A vitória na geral confirma uma excelente prova realizada pelo polaco, vencendo em Monchique depois de uma investida na qual deixou Rui Costa e Alberto Contador para os lugares secundários e de um contra-relógio curto perfeito realizado na 3ª etapa entre Vila do Bispo e Sagres. O ciclista polaco confirmou que é a grande aposta da equipa Belga para a classificação geral das provas por etapas de uma e três semanas. Esta equipa, recheada de roladores e sprinters poderá ter aqui o seu filão para se tornar extremamente completa na época que se avizinha. Vamos ver como é que Michal Kwiatkowski vai reagir nas provas de preparação para o Tour e na prova francesa, prova onde em 2013 ficou à beira do top 10. Apesar de ser um ciclista com enorme potencial na média e na alta montanha e um contra-relogista de excelência, um dos pontos fracos que pode afectar o seu rendimento individual é precisamente o facto da sua equipa não ter muita gente no seu rooster capaz de o ajudar nas etapas de alta montanha. Isto é, se for a primeira aposta da equipa para o Tour visto que ainda não está decidido se o polaco será líder ou se terá estatuto de corredor protegido (livre de trabalho para o líder) dentro da liderança do colombiano Rigoberto Uran.

costa

Amarga de boca fica a prestação do nosso Rui Costa. O algarve avizinhava-se como a prova ideal para o português vencer. Rui Costa deu no Algarve mostras de uma excelente condição física nesta fase da época, facto que faz crer que a Lampre-Mérida está a planear a época do campeão do mundo ao pormenor. Logo na primeira etapa, podia ter vencido ao Sprint mas preferiu dar a vitória ao sprinter da sua equipa Sasha Modolo. Uma questão de papéis que os ciclistas normalmente respeitam. Como a equipa tinha trabalhado para Modolo, o mais correcto é deixar fluir a normalidade de papéis dentro das equipas. Em Monchique voltou a ser segundo. No malhão voltou novamente a ser segundo. Na geral foi terceiro. Como escrevi anteriormente, fica o amargo de boca por não ter ganho uma etapa junto do seu público. Estou seguro que o português vai realizar novamente uma época de arromba. Vencer será uma questão de tempo.

Alberto Contador – Um segundo lugar que sabe a vitória na geral depois da classe demonstrada pelo espanhol no Alto do Malhão. Antes da prova começar afirmou que vinha ao Algarve ganhar ritmo nas pernas depois do primeiro estágio da temporada. Acabou por vencer na prova raínha da competição. A vitória no Algarve promete um excelente Contador durante a temporada. Bem precisa de deixar 2013 para trás das costas. O tour e o ciclismo agradecem que Contador volte a ser o grande ciclista que é pois senão, Froome limpa tudo novamente com a maior das tranquilidades.

Edgar Pinto – Andou durante toda a prova junto dos melhores. Participou em todas as contendas, tanto a rolar como na montanha. Está um senhor ciclista dentro do pelotão português e a bom da verdade já merecia uma oportunidade numa equipa de World Tour como ciclista de estatuto nas provas de 1 semana e clássicas. Para já, afirmou-se como um dos candidatos à geral da Volta a Portugal 1 ano depois de se ter inserido nesse lote na edição de 2013.

Tour de Oman

Oman

Christopher Froome (Team Sky) voltou a vencer a geral da Volta a Oman. Pela segunda vez consecutiva. Pela segunda vez que apenas venceu a 5ª etapa da prova e na 5ª etapa da prova cavou a diferença necessária para vencer a geral.

O britânico reagiu à vitória com uma certa presunção: “I couldn’t ask for much more. If at the start of the race you’d said to me I’d be here in the red jersey, I’d have taken it, definitely. That’s the best case for me. It’s great to be able to back it up and come and defend my title. The team we’ve had here has been really compatible, really aggressive and wanting to make the most out of the racing. It shows that everyone has come off a good winter and that everyone is working hard to be in good shape for this. It really a pleasure to work with people who share that mentality. We’ve got the leader’s jersey to show for it. We’re really happy.”

greipel 3

Na última etapa da prova, o britânico assistiu de cadeirinha a mais uma vitória em etapas de André Greipel na prova. O alemão da Lotto-Belisol voltou a deixar o jovem francês Nacer Bouhanni para trás na linha de chegada e confirmou a vitória na camisola por pontos. André Greipel está lançado para uma época que se prevê muito vitoriosa.

Volta à Andaluzia

andaluzia

Disputada desde quinta a domingo, a Volta a Andaluzia reuniu na região integrante do cada vez mais fracturado estado espanhol alguns dos maiores nomes do ciclismo mundial, também eles cheios de vontade de esticar as pernas depois de semanas intensivas de treino de preparação para a temporada. Nas estradas andaluzes competiram ciclistas como Alejandro Valverde (Movistar) Richie Porte, Edvald Boasson Hagen e Braddley Wiggins (Team Sky) Luis Leon Sanchez (Caja Rural), Marcel Kittel (Argus-Shimano), Bauke Mollema (Belkin) ou o dinamarques Jakob Fuglsang (Astana).

1ª etapa

valverde

A prova andaluz iniciou-se com um prólogo. Alejandro Valverde provou que não estava na andaluzia para treinar. O ciclista da Movistar cumpriu os 7,3 km realizados em Almeria em 8 minutos e 22 segundos, sendo mais rápido em 7 segundos que Tom Dumoulin da Giant-Shimano e em 9 que o seu colega de equipa, o basco Jon Insausti. Os homens da Sky perderam 13 (Kiryenka) 14 (Wiggins e Geraint Thomas) e 15 Richie Porte.

2ª etapa

Valverde 2

Na segunda etapa da prova, a organização quis provar quem é que tinha perninhas para aguentar uma daquelas etapas pica musculos. Na distância de 186,5 km, a etapa que ligou Málaga a Jaen oferecia a todo o pelotão presente na prova uma etapa com 6 contagens de montanha. Uma duríssima de primeira categoria entre os 13 e os 25 km, três de 2ª categoria e três de terceira categoria, a última nos 3 kms finais.

O pelotão manteve-se minimamente intacto até à subida final. Até que Alejandro Valverde saltou do grupo principal nos últimos metros e venceu a etapa destacado com 4 segundos de avanço para Bauke Mollema da Belkin, Davide Rebellin da CCC Polsat, Luis Leon Sanchez e Richie Porte da Sky. Ausência do grupo principal foi Braddley Wiggins.

Video dos últimos 3 km

3ª etapa

movistar

Na 3ª etapa da prova, a maior atracção desta era a subida final ao Santuário de La Virgem de la Sierra de Cabra, outra daquelas subidas cuja ausência do calendário da Vuelta é inexplicável visto que é uma subida de cerca de 11 km com uma pendente média de 8% e algumas rampas na parte final de 18\20% (ascenção de 18 metros em altitude a cada 100 metros de estrada). Os ciclistas tinham portanto um autêntico muro pela frente.

Como lhe competia, a Movistar controlou a etapa. Na ascenção final, o grupo dos favoritos destacou-se no grupo principal, existindo uma abordagem altamente tacticista entre Alejandro Valverde e Richie Porte. O espanhol não se fez rogado e voltou a fazer das suas (não é normal Valverde ter dois dias bons seguidos na alta montanha, muito menos vitoriosos) ao atacar nos metros finais da etapa. Retirou apenas 1 segundo ao grupo perseguidor: Scarponi (Astana) Porte, Daniel Navarro (Cofidis; cuidado que este senhor também quer qualquer coisa no Tour deste ano) e Luis León Sanchez. No 2º grupo, Bauke Mollema cruzou a meta a 5 segundos de Valverde juntamente com o ciclista estónio Tanel Kangert da Astana. O estónio demonstrou na Andaluzia que está a melhorar a olhos vistos na alta-montanha. Poderá ser uma ajuda preciosa para os seus líderes de equipa (principalmente de Nibali e Tiralongo) nas etapas de montanha das grandes provas por etapas. Tiralongo esteve bastante mal na etapa ao perder 1 minuto e 48 para Valverde. Braddley Wiggins esteve novamente ausente do grupo dos favoritos.

Com a vitória na Sierra de Cabra, Valverde aumentou a sua vantagem para Richie Porte para 20 segundos. Luis Leon Sanchez era terceiro a 22 segundos.

4ª etapa

Ultrapassada a montanha era tempo para os sprinters impor as suas credenciais. Com Marcel Kittel e Gerald Ciolek em prova, a etapa terminada em Sevilla seria ideal para uma chegada ao sprint. Coube ao veterano alemão da MTN-Qubeka cruzar em primeiro lugar a linha de meta disposta na capital da região à frente de Roy Jans da Wanty-Groupe Gobert e do sprinter Moreno Hofland da Belkin. O jovem sprinter português Fabio Silvestre da Trek-Leopard, a fazer a sua primeira época como profissional e como ciclista da primeira formação da equipa foi 8º numa chegada em que Marcel Kittel decidiu não ir a jogo.

5ª etapa

Na consagração de Alejandro Valverde como o vencedor da geral da prova (3ª vitória consecutiva) coube ao holandês Moreno Hofland vencer a etapa final da prova.

Valverde provou ser mais forte que a concorrência na fase final das provas de montanha e saboreou as suas primeiras vitórias do ano. O espanhol preparou assim as principais provas de uma semana nas quais costuma participar e vencer como a Volta a Catalunha, Murcia e Burgos, provas que irão decorrer mais adiante no calendário internacional, algumas das quais com a presença de Rui Costa.

Tour de Haut Var

A contar para a Taça Nacional de França, o Tour de Haut Var ofereceu aos ciclistas que nele participaram 2 etapas de nível de dificuldade médio. Na prova participou o jovem ciclista português Domingos Gonçalves da La Pomme Marseille, equipa francesa da UCI Pro Continental na qual também corre o seu irmão José Gonçalves.

betancourt

A prova acolheu a participação de ciclistas como Carlos Bettancur (AG2R; ciclista que de resto venceria a prova depois de desafiar com sucesso o holandês John Degenkolb da Argus no sprint da primeira etapa; é de homem um trepador conseguir bater um sprinter do nível de degenkolb na sua especialidade), Thor Hushovd (Cadel Evans e Amael Moinard (BMC; este venceria Betancur ao sprint na segunda etapa) Sylvain Chavanel e Jerome Pineau (IAM Cycling) John Gadret da Movistar ou Pierrick Fèdrigo da FJD. Basta portanto dizer que os grandes ciclistas do pelotão francês estavam lá todos.

Amanhã irei escrever sobre o Tirreno-Adriático e irei apresentar mais 1 equipa da World Tour. Irei também actualizar o ranking da World Tour.