Ciclismo 2014 #31

fabien cancellara

Ronde Van Vlaanderen – Volta à Flandres, Bélgica – Ontem

O magnífico Fabian Cancellara escreveu ontem mais uma página de história na sua carreira ao ser pela 3ª vez vencedor da prova belga, 5º vitória suiça na prova. Cancellara junta-se assim a um lote de vencedores por 3 vezes no qual estão ciclistas como Johan Museeuw ou Tom Boonen. Boonen esteve presente na prova e ainda tentou dar um arzinho da sua graça.

259 km a separar Osteende e Blankenberg. Pelo meio, dezenas de corridas, segmentos em pavé e uma loucura de corrida, cheia de nervosismo e de aparatosas quedas.

Foi precisamente uma queda que pautou as primeiras das 6 horas de corrida disputadas na clássica Belga, clássica que serve de antecâmara para a clássica dos heróis, para o Inferno do Norte, o Paris-Roubaix, clássica que se irá disputar no próximo domingo. Para todos os leigos em ciclismo passo a explicar: a Paris-Roubaix é uma clássica disputada entre a capital francesa e o mítico velódromo da pequena cidade da região de Pas de Calais (o mais antigo velódromo ciclístico francês) na qual os ciclistas tem que superar cerca de 2 dezenas de segmentos de estrada em pavê (barro e paralelo). A prova contém um nível de espectacularidade enorme pela sua extrema dureza, pelas dezenas de quedas que acontecem e pela diabólica situação de corrida decorrente, com ataques e mudanças de posições constantes ao longo da prova. É uma daquelas clássicas que merece ser vista do princípio ao fim. Para não me alongar mais, voltando à Volta à Flandres…

Foi este o momento mais negativo da corrida. Protagonizado precisamente por um dos vencedores da Paris-Roubaix, o belga Johan VanSummeren da Garmin, um dos candidatos à vitória na prova de ontem. Numa altura em que o pelotão rolava a alta velocidade (km 60), o belga embateu violentamente contra uma idosa que se encontrava sentada à beira da estrada. A senhora está hospitalizada em estado muito grave. O ciclista afirma que o corredor que está traumatizado com o sucedido. Não é para menos.

No momento em que Van Summeren bateu contra a espectadora, na frente, rolava a primeira fuga do dia. 11 ciclistas foram os primeiros a evadir-se à aventura na dura prova belga, quase todos de equipas belgas menos cotadas. O mais cotados na fuga eram o sul-africano Daryl Impey da Orica e o norte-americano Taylor Phinney da BMC. Nas primeiras horas de corrida, sucederam-se várias quedas.  Luke Durbridge (Orica), Yaroslav Popovich (Trek), o duas vezes vencedor da prova Stijn Devolder (Trek) ou Step Vanmarcke (homem que depois viria a atacar na fase decisiva da prova) protagonizaram as quedas mais feias da prova. O experiente ucraniano da Trek também foi literalmente cuspido da bicicleta contra um espectador na beira da estrada.

As quedas foram partido o pelotão em vários grupos. Aproveitando a confusão, Peter Sagan decidiu sair do pelotão, obrigando os Omega (Boonen, Stybar e Terpstra) a trabalhar para o apanhar. À espreita encontravam-se nesse grupo homens como Edvald Boasson Hagen (também tentou atacar a 40 km da meta), Alexander Kristoff (Katusha) Fabien Cancellara, Anulado Sagan, os Omega conseguiram controlar o grupo principal até às mexidas que aconteceram após a colina de Kruisberg, uma das pendentes mais inclinadas do percuso, quando, na sua descida, Greg Van Avermaet (BMC) e Stijn Vandenberg (um dos altões da Omega) atacaram. Resposta imediata de Step Vanmarck e Peter Sagan. Na resposta de Sagan, quem viu a transmissão televisiva da prova pode apreciar as informações que o director desportivo da Cannondale ia dando ao eslovaco, pedindo-lhe que se mantesse em posição intermédia até 18 km da meta, altura em que os corredores iam subir a última grande inclinação do dia, a lendária Oude-Kwaremont. Nessa inclinação, pedia o director da Cannondale para Sagan fazer um dos seus ataques demolidores. Os dois ciclistas rodaram muito bem na frente. Boonen e Terpstra abandonaram a frente da corrida. O primeiro teve inclusive dificuldades em acompanhar o ritmo do grupo principal, cuja perseguição estava entregue a Kristoff e a Cancellara.

Foi precisamente na Oude-Kwaremont que Cancellara viu o cenário perfeito para atacar e colar-se aos da frente. O suiço atacou, Sagan não conseguiu acompanhar, Vanmarcke conseguiu aguentar o ataque do suiço e os dois corredores acabariam por colar-se a Van Avermaet e Vanderbergh nos últimos quilómetros.

Habitual nestas corridas, a constituição do quarteto provocou as habituais danças tácticas com os ciclistas a esboçarem ataques e contra-ataques para poderem vencer a prova. Só a 300 metros do fim, em posição privilegiada para sprintar (na cauda do grupo), Cancellara lançou o sprint e venceu um estafado Greg Van Avermaet em cima da linha de meta. O Belga voltou a falhar o objectivo de vencer uma das 5 maravilhas das clássicas da primavera (Flandres, Roubaix, Liège, Amstel Gold Race, Milão-São Remo) apesar de ter merecido claramente a vitória. Valeu novamente a enorme ponta final de Cancellara. O suiço soube resguardar-se e ler muito bem a corrida, respondendo e atacando no timing correcto aos ciclistas correctos. No final, a excelente posição na cauda do grupo aliada à sua habitual frieza na finalização de etapas, garantiu ao suiço de 33 anos a 3ª vitória na prova e 7ª nas 5 maravilhas da primavera (em 25 participações; 14 pódios).

 

GP Miguel Indurain valverde 4

Neste fim de semana, correu-se em Espanha a edição deste ano do GP Miguel Induraín. Tendo como pano de fundo a Volta ao País Basco (começou hoje), Alejandro Valverde conseguiu a sua 6ª vitória da temporada (depois das vitórias em Murcia, Roma Máxima, geral da Andaluzia e 2 etapas na prova andaluz) depois de bater Tom Jelte Slagter da Garmin. O holandês da equipa Norte-Americana voltou a mostrar a sua apetência para as clássicas. Acredito que o holandês será um das maiores figuras deste tipo de provas a partir da próxima temporada.

Da prova espanhol ficou o excelente resultado obtido por André Cardoso. O português da Garmin foi 4º classificado a 1 minuto e 2 segundos do ciclista da Movistar.

Vuelta a La Rioja

Em Espanha também se correu a Volta a La Rioja. A 54ª edição da prova foi encurtada apenas a 1 etapa, à semelhança daquilo que aconteceu com a Volta a Murcia por exemplo. Marcaram presença na prova espanhola nomes como o sprinter Brett Lancaster (Orica), Igor Antón (Movistar), Michael Albasini (Orica) e as equipas portuguesas da Louletano-Dunas Douradas e Boavista Radio Popular.

Michael Matthews da equipa australiana venceu a prova, batendo ao sprint Francesco Lasca da Caja Rural e Carlos Barbero da Euskadi. O melhor português foi Federico Figueiredo da Radio Popular na 14ª posição.

Volta a Limburg

Moreno Hofland

Vitória para o sprinter da Belkin Moreno Hofland. O Holandês, vencedor de uma etapa no Paris-Nice, 2º na Kuurne-Brussels-Kuurne, bateu Simone Colbrelli da Bardiani e Mauro Finetto da Neri na linha de meta.

Volta ao País Basco – 1ª etapa

contador 3

Alberto Contador começou a ganhar no País Basco. Em Ordizia, pleno coração do País Basco, o espanhol da Tinkoff voltou a provar que está embalado para uma grande temporada. Contador atacou com Valverde na última passagem pela 2ª categoria categorizada entre os 10 e os 7,5 km para a meta, deixou o ciclista da Movistar para trás, aguentou a vantagem obtida na descida e venceu isolado na pequena localidade de 10 mil habitantes.

Péssimo dia para Rui Costa. O português desapareceu das imagens antes da última passagem pela subida de Gaintza, acumulando mais de 4 minutos para o líder. Se por um lado o resultado é péssimo (o Rui fica irremediavelmente afastado pela luta da geral), por outro lado, a péssima classificação justifica-se pelo uso da bicicleta suplente (apesar de ter a medida do ciclista, foi pouco utilizada pelo ciclista; a bicicleta principal do português desenvolvida pela Mérida não chegou a tempo da primeira etapa) e pelo cansaço acumulado no terrível dia de espera ontem vivido pelo português no aeroporto na viagem para o País Basco com atraso de 10 horas no voo. Este resultado irá permitir uma maior liberdade de ataque ao ciclista português nas próximas etapas visto que 4 minutos de atraso para a liderança deverão permitir uma maior probabilidade de ataque sem resposta directa dos favoritos à geral da prova. No entanto, também me parece assertivo afirmar que dentro do pelotão ninguém deixa sair de ânimo leve o campeão do mundo. Quem sabe se poderemos ter o ciclista da Póvoa do Varzim ao ataque já amanhã numa etapa que tem um perfil do seu agrado.

Corrida dominada do início ao fim pela Movistar e pela Tinkoff. Uma fuga com Matteo Montaguti (AG25) foi anulada a tempo do momento das decisões (a última passagem pela 2ª categoria de Gaintza, um autêntico muro com pendentes de 15% e 20% em alguns pontos, em particular nos primeiros 500 metros). Tanto a equipa espanhola como a equipa dinamarquesa colocaram muita gente na frente do pelotão de forma a fazer uma selecção dos candidatos logo nesta primeira etapa. Recordo que esta prova só tem chegada em alto na 4ª etapa na quinta-feira. Mikel Nieve (Sky), Damiano Cunego (Lampre), Cadel Evans (BMC), Michal Kwiatkowski (Omega-Pharma-Quickstep), Yuri Trofimov (Katusha; excelente etapa deste ciclista russo) e Jean-Christophe Perraud (afirmou ontem ter algumas ambições na prova; 1 semana depois de ter vencido a geral do Criterium da Córsega) aguentaram o máximo que puderam. Excelente trabalho da Movistar na aproximação à última dificuldade do dia com um grande trabalho de Benat Inxausti a endurecer a corrida. Até ao momento em que Valverde tentou o ataque logo no início da subida e Contador não só o acompanhou como o ultrapassou com um ataque demolidor.

O espanhol conseguiu 13 segundos de vantagem no Alto da Gaintza para Valverde e 30 para o grupo formado pelos nomes supra-citados, diferenças que se mantiveram aquando da chegada dos ciclistas à meta. Contador sobe defender a vantagem na descida e com a vitória nesta 1ª etapa, ascendeu à liderança da prova.

pais basco

André Cardoso chegou integrado no grupo de Frank Schleck (Trek), Samuel Sanchez (BMC), Robert Gesink (Belkin), Simon Spilak (Katusha) e Tejay Van Garderen (BMC) a 58 segundos de Contador. Os ciclistas da BMC Racing Team foram as maiores desilusões do dia. Pela forma apresentada por Van Garderen na Catalunha, esperava-se que o all-rounder Norte-Americano fosse capaz de acompanhar Contador. O basco, a correr em casa, também esteve um furo abaixo daquilo que costuma fazer na prova.

A etapa de amanhã tem um perfil duríssimo. Os ciclistas costumam catalogar este tipo de etapas de “rasga pernas” pela quantidade de descidas e subidas que o traçado apresenta. Apesar das 4 contagens de montanha estarem posicionadas longe da meta (a de 1ª é a última), após a última contagem de montanha, o percurso é um sobe e desce constante, existindo uma subida de 4 km não categorizada a 5 km da meta.

Ciclismo 2014 #28

volta catalunha

Volta à Catalunha

4ª etapa

tejay

A 4ª etapa da prova, disputada entre Alp e o alto de Vallter (a 2000 metros de altitude), considerada a etapa raínha da prova, apresentava uma enorme dureza aos presentes. 3 contagens de primeira categoria, 1 de 2ª e uma de categoria especial com chegada em alto fazia da etapa decisiva no que à classificação geral diz respeito.

No alto de Vallter, Tejay Van Garderen confirmou a boa prestação do dia anterior (4º lugar na etapa) batendo Romain Bardet da AG25 em cima da linha de meta no dia em que o líder da AG2R Carlos Betancur abandonou a corrida. Bardet afirmou no final da prova que está na catalunha a fazer a melhor corrida da sua carreira até ao momento.

O dia começou com abandonos de peso. Betancur, Chris Horner (Lampre-Mérida) Julian Arredondo (Trek) e o veterano Tom Danielson abandonaram a corrida. Se o colombiano tinha padecido de um dia muito mau no dia anterior (descolando muito cedo do grupo dos favoritos na subida final), o Norte-Americano não apareceu neste grupo sequer, fruto das imensas lesões que o tem abalado novamente neste início de temporada. Confirma-se portanto o pior cenário que foi afirmado quando o vencedor da Vuelta 2013 foi anunciado como reforço da Lampre: pedir a Horner que corra mais de 60 dias de provas por ano é neste momento excessivo para o Norte-Americano de 42 anos.

A primeira fuga do dia foi protagonizada com gente com muito talento: ao quilómetro 10, Ruben Plaza (Movistar), Thomas de Gendt (3º classificado do Giro 2012; Omega-Pharma-Quickstep), Stef Clement (Belkin) e Maxime Mederel (Cofidis) escaparam e passaram as duas primeiras montanhas do dia. Ao quilómetro 95 chegaram a ter 4 minutos de vantagem. A Katusha, equipa do líder Purito Rodriguez,  acompanhada a partir de certo ponto pela Tinkoff de Contador, deixou os fugitivos irem até certo ponto, assumindo as despesas de persegução precisamente a partir do momento em que estes se viram com 4 minutos de vantagem. Com Thomas de Gent no grupo, um ciclista que faz do seu contra-relógio o seu forte mas que já provou conseguir passar bem a média e a alta montanha, dar mais tempo de avanço a este grupo poderia perigar a liderança de Purito Rodriguez.

Ao quilómetro 138, 6 km depois da contagem de 1ª categoria no Alto de Rocabruna o colombiano José Serpa (Garmin) decidiu saltar do grupo principal para tentar a sua sorte com vista à vitória na etapa. Serpa rapidamente chegou perto dos fugitivos. Nesta fase da corrida, restavam De Gendt e Plaza na frente como de resto seria evidente desde o início da fuga. 3 quilómetros depois De Gendt saltou do pelotão e conseguiu alcançar uma vantagem de 30 segundos sobre os perseguidores.

Começava a subida para Vallter

No pelotão, Sky e Katusha tentavam anular a diferença para os fugitivos. David Lopez Garcia comandava o pelotão e iniciava o trabalho para Chris Froome. O espanhol está a revelar-se como o gregário de luxo do inglês para esta temporada, indiciando que dentro da Sky poderão existir algumas mudanças na orgânica da equipa visto que ao que tudo indica, Richie Porte será o chefe-de-fila da equipa no Giro de Itália.

Numa subida disputada com algum tacticismo (Moreno, Purito, Contador, Froome, Quintana marcaram-se e vigiaram-se durante toda a subida) o único ataque no grupo dos favoritos viria do francês Warren Barguil da Giant-Shimano. Sem sucesso. Van Garderen haveria de sair a poucos metros da meta para vencer a etapa e ganhar alguns segundos à concorrência.

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Na Geral, a classificação ficou assim:

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P.S: Devido às limitações do meu tempo pessoal, amanhã escrevo sobre a etapa de hoje e sobre a etapa de amanhã da Volta à Catalunha, bem como de uma clássica disputada hoje na Bélgica, a corrida de Harelbeck.

 

Ciclismo 2014 #27

Purito

La Molina é de Purito Rodriguez. O espanhol da Katusha atacou no último quilómetro como tanto gosta e venceu no Alto que finalizou a 3ª etapa da Volta à Catalunha. Purito conseguiu ganhar alguns segundos a toda a concorrência e tornou-se líder da prova catalã.

Uma fuga de 6 corredores animou praticamente toda a etapa. Andrey Zeits da Astana, Jack Borbridge da Belkin, o repetente Michael Koch (Cannondale), Kevin Reza (Europcar), Branislav Samoilau (CCC Polsat) e Rudy Molard da Cofidis saíram do pelotão ao quilómetro 9. Pelo meio, ultrapassaram um sprint especial e duas contagens de categoria (uma de primeira e outra especial) com Borbridge a passar em primeiro nas duas contagens, passagens que lhe garantiram nesta etapa o uso da camisola da classificação da montanha com 46 pontos contra os 33 de Andrey Zeits. Aos 84 km de 162,9 km, a vantagem destes 6 fugitivos atingiu o seu máximo com 6 minutos e 40.

Até à subida para La Molina, a diferença foi baixando. A Katusha de Purito Rodriguez e a Movistar de Nairo Quintana assumiram as despesas de perseguição. Na subida final, Kevin Reza e Samoilau atacaram mas o ritmo imposto pela Movistar no pelotão (entretanto reduzido a 60 unidades) fez com que os dois rapidamente fossem alcançados pelo grupo no qual já não estava o líder Luka Mezgec.

A Movistar iniciou a pendente na frente. Igor Antón (que gregário de luxo tem aqui Nairo Quintana) imprimiu um ritmo medonho e rapidamente cortou o grupo à presença de 25\30 unidades no qual estavam para já todos os candidatos. Contudo, no fundo do grupo, Carlos Alberto Betancur, vencedor do último Paris-Nice, já apresentava algumas dificuldades para seguir o ritmo imposto pelo homem da Movistar.

Sem ataques até aos últimos três quilómetros, coube a Pierre Roland (Europcar) efectuar o primeiro rasgão no grupo principal. Andrew Talansky (Garmin-Sharp) e Jakob Fuglsang (Astana) responderam directamente ao trepador francês. Com Roland neutralizado, Fuglsang tentou a sua sorte e num primeiro momento não teve qualquer resposta directa dentro do grupo. Contador, Quintana, Purito e Froome marcavam-se mutuamente, facto que permitiu ao homem da Astana ganhar 200\300 metros de vantagem. Sentindo que Fuglsang poderia estar ali com as portas escancaradas para vencer no alto (o dinamarquês é perigoso neste tipo de ataques e a sua explosividade permite-lhe ganhar tempo considerável num curto espaço de terreno), os 4 organizaram-se e trataram de alcançar o homem da Astana.

Neutralizado Fuglsang, Daniel Moreno chegou-se à frente do grupo e tratou de endurecer o ritmo para preparar o ataque de Purito. Mal Moreno saiu da frente, atacou Froome, obtendo resposta de Purito e Contador. Até que Purito cansou-se de ataques e já dentro do último quilómetro foi sozinho, venceu a etapa, ganhou tempo a toda a concorrência e tornou-se líder da prova.

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Classificação geral:

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3 surpresas:

1. Wilco Keldermann está a ser uma das surpresas deste início de época. O jovem holandês já era referenciado como um dos ciclistas do futuro. Na média-montanha do Paris-Nice sentiu-se como peixe na água. O mesmo aconteceu hoje em La Molina junto dos melhores da modalidade.

2. Doménico Pozzovivo – Na ausência do seu líder, ou melhor, num dia mau do seu líder, assumiu a liderança da equipa e safou o dia para a AG2R.

3. Premyslaw Niemec – O polaco da Lampre está a ser treinado para ser o gregário de Chris Horner no Giro e Rui Costa no Tour. Na ausência de Horner da frente da corrida (talvez ainda ressentido do problema no tendão de Aquiles) o polaco esteve na frente da corrida, muito atento e muito bem posicionado na roda de Purito Rodriguez.

1 incógnita:

1. Samuel Sanchez – Primeira prova pela BMC. Ainda não se sabe o estatuto dentro do espanhol dentro da equipa. Se líder partilhado com Van Garderen, se subalterno do americano.

Desilusão: Podem gabar quem quiserem dentro da Saxo-Tinkoff. Nicky Sorensen, Paulinho, Bruno Pires, Michael Morkov, Daniel Navarro, Benjamin Noval, Chris Sorensen, Rafal Majka. “Todos eles grandes gregários” é o argumento mais utilizado que leio por aí nos fóruns da modalidade. O que é certo é que quando Contador sobe, os gregários desaparecem e o líder, invariavelmente fica sempre sozinho.

Amanhã é a etapa raínha da prova. Outra etapa de alta montanha.

Ciclismo 2014 #25

Milão – São Remo

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O medalhado de bronze da última prova de estrada dos Jogos Olímpicos de Londres, Alexander Kristoff da Katusha tornou-se o vencedor da edição deste ano ao bater ao sprint nomes como Fabian Cancellara (Trek), Ben Swift (Sky) e Mark Cavendish (Omega-Pharma-Quickstep).

Ontem teve lugar a dura clássica que liga a capital do norte italiano a San Remo, uma das atracções turísticas da Ligúria. Esta clássica marcou o arranque das clássicas da primavera. Até ao mês de Maio, os ciclistas terão pela frente 12 clássicas disputadas em vários países, entre as quais a Amstel Gold Race, a Liège-Bastogne-Liège, a Kuurne-Brussels-Kurne ou o inferno do Paris-Roubaix. À partida em Milão, os grandes favoritos para vencer a clássica eram Fabian Cancellara, Peter Sagan (Cannondale), Mark Cavendish, Filippo Pozzatto e Sasha Modolo (Lampre) ou Vincenzo Nibali (Astana).

Numa corrida disputada quase na sua totalidade sob condições atmosféricas adversas (a chuva deu tréguas na parte final da prova) foi uma prova disputada com muitos ataques de várias equipas, entre os quais o de Vincenzo Nibali na aproximação à última inclinação do dia, a Cipressa. Nibali não só não levou avante o seu ataque (mais uma vez fez um ataque descabido muito longe da meta) como no início dessa colina perdeu contacto com o grupo de favoritos, grupo onde estavam Cancellara, Sagan, Cavendish e o vencedor da prova do ano passado, o alemão Gerald Ciolek.

podio milan san remo

Nenhum dos ataques conseguiu ser mortífero e a prova foi discutida ao sprint por um lote reduzido de corredores. O norueguês Kristoff foi mais forte que a concorrência, batendo Fabian Cancellara e Ben Swift ao sprint. Mark Cavendish ainda discutiu o sprint mas apenas logrou ser 5º na prova. Peter Sagan não conseguiu posicionar-se bem para o sprint final, tendo ficado apenas na 10ª posição.
Excelente vitória para Kristoff no ano em que o norueguês espera consolidar o seu estatuto dentro da elite dos sprinters do pelotão internacional. Já no passado mês de Fevereiro, em entrevista, o norueguês afirmava que tinha treinado imenso a sua postura corporal no sprint para poder ser mais competitivo nas chegadas em pelotão ou em grupo compacto.

Últimos quilómetros:

Volta à Catalunha

volta catalunha

martin

Entretanto começou hoje na região autónoma espanhola a Volta à Catalunha em bicicleta. Durante 7 etapas, vários ciclistas tentarão suceder ao irlandês Daniel Martin como o vencedor da geral da prova. Martin corre perto de casa visto que o ciclista irlandês mora na Catalunha, mais precisamente em Girona. Em declarações à organização da prova, o ciclista irlandês afirmou que estará na catalunha para honrar o dorsal número 1 e iniciar a sério a sua preparação para o Giro de Itália, uma das provas que constitui parte dos seus objectivos para esta temporada: lutar pela vitória na geral da prova ou pelo menos fazer um pódio. O facto de Martin estar destacado como chefe-de-fila para o Giro poderá indiciar que no Tour a equipa irá apostar em Talansky para a Geral e Hesjdal poderá ser a aposta para a Vuelta. Tal assumpção justifica-se com a inserção de Hesjdal na prova, ele que poucas corridas em espanha correu nos últimos anos.

Para além de Martin, presentes na Volta Catalã estão Purito Rodriguez da Katusha (a sua primeira aparição em competição na presente temporada), Alberto Contador (Saxo-Tinkoff), Samuel Sanchez da BMC (primeira corrida pelas cores da sua nova equipa), Luis Leon Sanchez (Caja Rural), Carlos Alberto Betancur (AG2R), Wilco Keldermann (Belkin), Tejay Van Garderen (BMC), Christopher Froome (Team Sky), Ivan Basso (Cannondale), Andrew Talansky (Garmin), Ryder Hesjdal (Garmin), Simon Clarke (Orica GreenEdge), Chris Horner (Lampre; a lesão contraída no Tirreno-Adriático não passou de um susto), Daniel Moreno (Katusha), David Rebellin (CCC Polsat) e Nairo Quintana (Movistar). Ou seja, estão cá praticamente todos os grandes ciclistas mundiais, prevendo-se bastante espectacularidade nas etapas de montanha que a prova irá oferecer durante esta semana. Alberto Contador e Chris Froome estarão aqui, pela primeira vez, em contenda numa prova em que a Garmin veio com os seus 2 chefes-de-fila e com o seu ciclista outsider (Talansky) para renovar o título conquistado pelo ciclista Irlandês.

1ª etapa

Luka Mezgec

Aproveitando o facto da prova ter poucos sprinters (o traçado não é convidativo à sua presença), o esloveno Luka Mezgec, 3º sprinter da equipa, actual lançador de Marcel Kittel conseguiu a sua primeira vitória da época na prova disputada no circuito montado pela organização em Callela com a distância de 169 km.

O esloveno bateu ao sprint Leigh Howard da Orica GreenEdge e Julian Alaphillipe da Omega-Pharma-Quickstep, tornando-se o primeiro camisola vermelha da competição.
Quanto aos portugueses em prova, Bruno Pires e Sérgio Paulinho chegaram dentro do pelotão, respectivamente nas 72ª e 152ª posições.

Na 2ª etapa, os ciclistas partirão de Mataró em direcção a Girona (total de 168 km) numa etapa cujo final também se prevê disputado ao sprint. Pelo meio, os ciclistas terão uma contagem de montanha de 3ª categoria e outra de 2ª que não causarão grandes diferenças ou dificuldades aos sprinters.

3. Alterações para o futuro da Vuelta

ASO

No final da semana passada, a ASO, empresa subsidiária da Amaury (proprietária do jornal L´Equipe e dos direitos de organização do Rally Dakar) anunciou a compra de 49% da espanhola Unipublic, a actual organizadora da Vuelta. A organização da prova espanhola passará a partir deste ano a ser partilhada pelas duas empresas.

Ciclismo 2014 #24

1. Tirreno-Adriático

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Na última etapa do Tirreno-Adriático, a organização decidiu marcar um contra-relógio curto de 9,1 km em San Benedetto del Tronto.

Adriano Malori

Vitória para o contra-relogista italiano Adriano Malori da Movistar. O antigo campeão italiano da especialidade (2011) e bi-campeão mundial de sub-23 (Malori tem 26 anos) superou Fabian Cancellara de Trek por 6 segundos e Bradley Wiggins da Sky por 11. O bi-campeão do mundo em título da especialidade Tony Martin (Omega-Pharma-Quickstep) foi 4º a 15 segundos de Malori. Michal Kwiatkowski 7º a 22 segundos.

Na luta pela geral, Nairo Quintana superiorizou-se a Alberto Contador. O colombiano da Movistar foi 20º a 38 segundos enquanto o espanhol foi 28º a 41 segundos. O 3 segundos ganhos não puseram em perigo a vitória de Contador na geral da prova. No entanto, fica aqui mais um bom registo do trepador colombiano no contra-relógio.

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Vitória para Contador na Geral da prova, nas vésperas do primeiro embate frente-a-frente com Chris Froome, duelo que vai acontecer nas estradas da Catalunha na próxima semana. Vencendo duas vezes em alto (na 2ª, descolou do pelotão logo ao quilómetro 36) mostrou estar em forma neste início de temporada. As vitórias no Tirreno-Adriático também demonstraram que o espanhol sente-se motivado para conseguir chegar ao Tour na melhor forma, um ano depois da desilusão que foi a sua participaçao no Tour.

Nairo Quintana – Excelente participação no Tirreno-Adriático. Anteontem foi o único que conseguiu acompanhar Alberto Contador no ataque realizado pelo espanhol. É pena que a Movistar tenha outros planos para a época do Colombiano. É neste momento um dos únicos capazes de acompanhar Froome e Contador na alta-montanha. O outro é Purito Rodriguez. O espanhol ainda não realizou qualquer teste a sério nesta temporada. Vai correr o giro. Numa prova que terá, em princípio, como grandes cabeças-de-cartaz, Ryder Hesjdal, Michelle Scarponi e Chris Horner, o colombiano é para mim, neste momento, o grande favorito à vitória final.

2. Ranking UCI

Nova actualização do Ranking UCI (com Paris-Nice)

ranking

Carlos Betancur (AG2R) lidera, fruto da sua vitória na geral do Paris-Nice bem como das suas vitórias em etapas da prova. No ranking individual, destaque para os 88 pontos amealhados por Rui Costa na prova francesa, facto que lhe permite a subida para o 5º lugar da tabela.

Por equipas

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Por Nações:

ranking 3

Portugal ocupa o 6º lugar graças aos pontos de Rui Costa. Se os campeonatos do mundo se realizassem de acordo com esta actualização de ranking, Portugal teria direito a levar 7 ciclistas à prova. O resultado é enganador. Neste momento, somos das selecções com menos corredores com possibilidades de correr provas de World Tour (Nelson Oliveira, Rui Costa, Fabio Silvestre, André Cardoso estão em equipas de World Tour; José Mendes, Tiago Machado estão em equipas de UCI Pro Continental mas tem hipóteses de correr algumas corridas World Tour).

3. Rui Costa

O Português caiu na última etapa do Paris-Nice. Felizmente não se lesionou na queda. O Português afirmou que não é nada de grave, felizmente: “ Tinha umas dores horríveis no joelho esquerdo. Penso que bati com o joelho nas grades… foi tudo muito rápido. Depois, com a ajuda do meu director Matxin, levantei-me e pude terminar a corrida, bastante dolorido. Tenho uma grande pisadura no joelho, outras nas costas e anca. Não é nada de grave, só espero poder recuperar depressa e voltar aos treinos o antes possível.”

Ciclismo 2014 #23

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Paris-Nice

8ª e última etapa

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Na última etapa da corrida do Sol, o campeão nacional francês Arthur Vichot deu a 2ª vitória para a Française des Jeux na prova e garantiu o último lugar do pódio.

A última etapa da prova trazia os últimos 128 km desta, corridos na região de Nice. 14 segundos separavam o líder Carlos Alberto Bettancur da AG2R do Português Rui Costa. Com 2 contagens de 2 categoria e 2 de primeira no percurso, sera imperioso ao português vencer a etapa e ganhar tempo (as bonificações decorrentes da vitória em etapa seriam insuficientes ao português para vencer a geral da prova, qualquer que fosse o resultado obtido pelo colombiano) ou simplesmente ganhar tempo ao colombiano. Numa prova onde as diferenças se fizeram ao segundo, o português teria uma missão muito difícil pela frente.

A primeira investida do dia pertenceu à Giant-Shimano. De forma a vencer a camisola dos pontos, John Degenkolb aproveitou o facto do primeiro sprint intermédio (mais 3 pontos para a classificação) se posicionar logo aos 19 km para fugir do pelotão. O ciclista holandês conseguiria o seu primeiro objectivo do dia, recuando novamente para o seio do pelotão.

A seguir ao sprint intermédio saiu a fuga do dia. Composta por 17 elementos, entre os quais, Xavier Zandio da Sky (antigo vencedor da Volta a Portugal), Greg Van Avermaet (BMC), Jerome Pineau (IAM Cycling) Jens Keukeleire (Orica), Francesco Gavazzi (Astana), Moreno Hofland (Belkin, vencedor de 1 etapa na prova), Danilo Hondo (Trek), Imanol Erviti (Movistar) Alexander Kristoff (Katusha) ou Marco Marcato, a fuga avizinhava-se como perigosa pela quantidade de bons ciclistas envolvidos. A fuga conseguiu a sua máxima vantagem ao quilómetro 64 com 2 minutos e 40 de vantagem sobre o pelotão com a AG2R muito atenta e muito interessada em não conceder muito tempo de avanço aos fugitivos.

Pelo meio, Thomas Voeckler e Tom Boonen preferiram não chegar a Nice, informando a organização do seu abandono.

As 3 primeiras subidas do dia (de 4) não fizeram grande diferença, a não ser no grupo da frente que rapidamente se desintegrou. Alguns dos ciclistas viriam a ser alcançados pelo pelotão. A um km do alto do Cote de Peille (1ª categoria), Vincenzo Nibali decidiu atacar, levando consigo o seu colega de equipa Francesco Gavazzi, Wilco Kelderman da Belkin e Simon Spilak da Katusha, este ainda interessado na vitória na geral.  Rapidamente chegaram ao contacto com os 5 homens restantes da fuga inicial (Matthew Busche da Trek, Jerome Coppel da Cofidis, Cousin da Europcar, Xavier Zandio e Greg Van Avermaet). Tudo isto aconteceu debaixo do controlo das AG2R, ainda a liderar o grupo dos favoritos.

Na descida para a última subida do dia seriam todos alcançados. Na subida para o Col De Ezè, 3 ciclistas tentaram a sua sorte: Yuri Trofimov da Katusha, Luis Angel Maté da Cofidis e Cousin da Europcar. O primeiro haveria de ficar sozinho na frente enquanto lá atrás, no grupo principal, a Movistar auxiliava a AG2R na perseguição, sinal de que Rojas estaria bem e capaz de discutir a vitória ao sprint em Nice.

Tudo decorreu num ambiente devidamente controlado pela AG2R até ao Col De Ezé, contagem de 1ª categoria onde viriam a atacar Frank Schleck (Trek), George Bennett (Cannondale) e David Lopez Garcia (Sky). A AG2R desorientou-se com o ataque de Schleck e a Lampre começou a fazer companhia à Movistar na frente do pelotão. Não interessava nada a Rui Costa ver Franck Schleck cavar uma diferença significativa que lhe permitisse chegar isolado à recta da meta. O luxemburguês mostrou-se muito combativo, recebendo a companhia de Simon Spilak na descida. A diferença espacial só seria anulada já dentro do quilómetro final com Rui Costa a ter que tomar a iniciativa de perseguição na frente do grupo principal. Se o português não o tivesse feito, Spilak e Schleck estariam em condições para discutir o sprint.

Cycling: 72th Paris - Nice 2014 / Stage 8

Até que nos derradeiros metros quando os candidatos à vitória na etapa lançavam o sprint, deu-se o incidente do dia. Nos habituais movimentos feitos pelos ciclistas para ganhar a melhor posição para ganhar o sprint, um ciclista da Lotto empurrou outro ciclista e acabou por se desequilibrar e cair da bicicleta, atingindo o português Rui Costa e outros ciclistas mais encostados às barreiras que separam os ciclistas do público. O português caiu com aparato contra as barreiras e ficou estendido no chão. Durante alguns minutos temeu-se que o ciclista da Póvoa do Varzim tivesse uma lesão grave. Apesar do susto, a queda não teve consequências físicas para o português nem consequências para a geral (todos aqueles que caírem ou furarem dentro dos 3 quilómetros finais acabam com o tempo do vencedor da etapa). Contudo, devo censurar a atitude do atleta da Lotto-Belisol, atitude essa que é realizada muitas vezes durante a temporada nos comboios formados nos metros finais para André Greipel. As equipas belgas (tanto a Lotto como a Omega) são as equipas que mais usam e abusam das mais variadas irregularidades (empurrões, desvios de trajectória de sprint) para vencer etapas.

No sprint final, o campeão francês Arthur Vichot superiorizou-se a Rojas da Movistar e a Cyril Gautier da Europcar. Carlos Alberto Betancur acabou em 8º mas celebrou na linha de chegada a sua vitória na Geral do Paris-Nice.

rui costa 22

Paris-Nice 2

2º lugar para o Rui na geral da prova francesa. Um resultado extraordinário que só fica manchado pelo facto de não ter sido desta que conseguiu vencer uma etapa. O português teve um desempenho muito satisfatório na prova francesa com 2 segundos lugares em etapa, apenas batido pela explosividade de Betancur e Tom Jelte Slagter. Bem posicionado no pelotão, demonstrou a inteligência de apenas responder a ataques quando os considerou perigosos.

John Degenkolb levou para casa a camisola dos pontos. O holandês ganhou à justa por 2 pontos sobre Betancur. Abençoado sprint intermédio ganho na última temporada.

Pim Ligthart da Lotto-Belisol conquistou a camisola da montanha, premiando o seu esforço na fuga efectuada na 6ª etapa.

A Movistar ganhou a prova por equipas.

Tirreno-Adriático

5ª etapa – ontem

contador 2

Segunda vitória consecutiva para Alberto Contador na montanha da prova italiana.

A etapa começou com o abandono de Richie Porte. O australiano passou mal a noite e decidiu abandonar a prova. Recordo que Porte tinha sido destacado pela equipa do Paris-Nice para a prova italiana devido à ausência de Chris Froome.

O espanhol venceu categoricamente a etapa na qual atacou ao 36º quilómetro.

Com um ataque demolidor, só Nairo Quintana (Movistar) foi capaz de acompanhar o ciclista da Tinkoff. O colombiano tornou-se companhia indesejável para Alberto, conseguindo acompanhar o seu ritmo e os seus constantes esticões para o tentar deixar para trás. Sempre que Contador tentava fazer descolar o colombiano e este lhe garantia a devida resposta, ambos diminuíam o ritmo da subida, facto que permitiu a aproximação e a recolagem de alguns ciclistas.

A 32 km da meta, Contador foi sozinho e Quintana não conseguiu responder. Aproveitando a posição intermédia de Adam Hansen (Lotto-Belisol) entre si e a frente da corrida, Contador e o ciclista da Lotto trabalharam em conjunto para alcançar os trio que andava fugido na frente, do qual Hansen fazia inicialmente parte.

Na inclinação final para Muro di Guardiagrele, Contador e Hansen colaram-se aos 3 da frente, com o norte-americano Ben King da Garmin a atacar com resposta imediata de Contador que rapidamente deixaria o homem vestido de jersey azul para trás. Na linha de chegada, o espanhol chegou no primeiro lugar, superando Simon Geschke da Giant-Shimano (outro dos fugitivos) e Ben King.

O líder da prova, o polaco Michal Kwiatkowski baqueou na subida final e perdeu cerca de 6 minutos para Contador, ficando irremediavelmente afastado da vitória na geral e até do top-10 da prova.

Classificação Geral na 5ª etapa

tirreno-adriático 2

tirreno-adriático 3

Legenda: em cima, aclassificação da montanha.

Highlights da etapa:

6ª etapa – hoje

chris horner 3

Chris Horner (Lampre-Merida) abandonou hoje a corrida com uma tendinite no tendão de Aquiles. Quem informou foi o médico da Lampre, nao diagnosticando para já o tempo de paragem do ciclista Norte-Americano. Não se sabe portanto se a lesão será impeditiva apenas durante algumas semanas ou se será capaz de limitar o ciclista na preparação que irá efectuar a partir de meados de Abril para o Giro de Itália.

Mark Cavendish venceu ao sprint a 6ª etapa da prova. O foguetão britânico da Sky bateu o seu companheiro de equipa Alessandro Pettachi e Peter Sagan da Cannondale. Arnaud Demare foi 4º. Marcel Kittel (e Cadel Evans) chegaram num grupo muito atrasado a 6 minutos do vencedor.

Ciclismo 2014 #22

paris nice 2

Paris-Nice

rui costa 21

2×2. 5×2. 2 vitórias de etapa para Betancur na prova (e a correspondente e merecida liderança da prova; tem sido sem dúvida o maior agitador da corrida nos momentos decisivos), 2 vitórias de etapa para o holandês da Garmin Tom Jelte Slagter (tem sido o corredor mais inteligente da prova, atacando apenas nos momentos certos) e 2 2ºs lugares para o nosso Rui Costa, mais 2 a juntar 3 obtidos na Volta ao Algarve. O início de temporada do campeão do mundo tem sido excelente mas, no mínimo… azarado nas chegadas… Cumpre-se o prenúncio dos homens que vestem a camisola de arco-íris: com a dita vestida, a época seguinte é uma miséria. Salvam-se os pontos obtidos pelo português para a classificação por nações da UCI, critério de selecção do número de corredores que cada federação pode levar aos próximos campeonatos do mundo.

6ª etapa – ontem

Betancur

Nos últimos 500 metros da etapa que ligou Saint Saturnin-lés-Avignon a Fayence (221.5 km) Rui Costa teve a porta literalmente escancarada para vencer a etapa quando Alexis Villermoz (AG2R) caiu espalhafatosamente quando lançava o sprint em subida para o seu chefe-de-fila (Carlos Alberto Betancur) mas não aproveitou a brecha, sendo ultrapassado pela maior explosividade do colombiano nos metros finais.

Na partida da etapa, a organização foi informada do abandono de Simon Gerrans da Orica. O australiano, um dos favoritos à vitória na geral da prova, justificou o seu abandono e a sua fraca prestação nesta devido a problemas gastrointestinais.

A etapa arrancou com mais uma tentativa de Sylvain Chavanel (IAM Cycling). Decidido a vencer a classificação da montanha e quem sabe a etapa (era propícia às suas características com um constante sobe e desce), o ciclista francês da equipa suiça arrancou bem cedo do pelotão, numa primeira tentativa sozinho (para vencer a 3ª categoria disposta ao quilómetro 36.5 km). Depois de vencer a contagem de montanha, Chavanel recuou novamente ao pelotão. Ao quilómetro 68, 7 ciclistas, entre outros,  Stephen Cummings da BMC, o suiço Gregory Rast da Trek, Aleksandr Kutchynski da Katusha, Mattia Cattaneo da Lampre e Alessandro Di Marchi da Cannondale haveriam de tentar a sua sorte. Lá atrás, aos 164.5 km, aquando da sua contagem de montanha do dia, Sylvain Chavanel haveria novamente de atacar em conjunto com Thomas Vockler da Europcar. Ambos conseguiriam chegar ao grupo de fugitivos cerca de 5 km depois.

Chavanel conseguiu passar mais uma contagem em primeiro ao quilómetro 180. Mais 4 pontos para o prémio da montanha. Lá atrás no pelotão, a Sky e a AG2R tomavam conta das operações e tentavam anular a fuga do homem da IAM Cycling e fazer a primeira selecção dentro do pelotão na aproximação à grande contagem de montanha do dia: Col de Bourigaille. Nessa contagem, só Chavanel, Voeckler, Pim Ligthart da Lotto-Belison e Alessandro Di Marchi restavam da fuga que já tinha sido composta por 10 elementos. No pelotão começavam a aparecer os primeiros esticãos: os primeiros a mexer na corrida foram Alexis Villermoz da AG2R e José Serpa da Lampre. Pela primeira vez viu-se a Lampre de Rui Costa a agitar a corrida para desgastar a Sky e a AG2R. Os dois cicilistas viriam a alcançar o grupo de Chavanel ao quilómetro 198. Ao quilómetro 200, o pelotão apanhou os fugitivos. Chavanel perdeu logo o contacto com o grupo dos favoritos e teve a companhia de Andy Schleck, uma perfeita desilusão na prova francesa.

Começa o espectáculo…

Nova iniciativa de Villermoz. Leva com ele 4 ciclistas, entre os quais, Frank Schleck (Trek), Przemyslaw Niemec (Lampre), Yury Trofimov (Katusha) and Eduardo Sepulveda (Bretagne) – um grupo de respeito que poderia vencer naturalmente a etapa não fosse o trabalho de junção que estava a ser feito pela equipa do líder, a Sky. Com Frank Schleck a tentar a sua sorte, a equipa inglesa preferiu não dar abévias e na descida, o grupo seria apanhado.

A 10 km da meta foi a vez de Damiano Caruso (Cannondale) e Dries Devenyns da Giant tentarem o seu ataque, respondido de imediato por Vincenzo Nibali. 2ª vez que o italiano tentou atacar numa descida na prova. Aqui e numa imagem posterior (Nibali a descolar do grupo principal na aproximação à meta) finalmente consegui perceber que as declarações proferidas pelo ciclista italiano de que não estaria no Paris-Nice para vencer (mas sim para trabalhar para Jakob Fuglsang) não eram bluff. Quando o italiano atacou, teve resposta directa de Geraint Thomas. Este ataque não passou de mais uma tentativa para desgastar a Sky, reduzida a esta altura ao líder da prova (Geraint Thomas) e a David Lopez Garcia. O bielorusso Vasil Kyrienka já tinha trabalhado na frente do pelotão durante cerca de 40 km e não se encontrava nesta altura no grupo principal. Rui Costa pedalava confortavelmente a meio do grupo.

A 4,5 km Simon Spilak (Katusha) tentou a sua sorte. Quem lhe respondeu foi Nibali. David Lopez Garcia promoveu novamente a junção. Depois deixou o seu líder sozinho para o que restava correr na etapa. Precisamente nesta altura dava-se o furo de Wilco Kelderman da Belkin, o melhor classificado da equipa holandesa na prova.

Na aproximação à meta, a AG2R voltou a carregar. Alexis Villermoz foi buscar forças para acelerar a corrida na ligeira pendente final e Rui Costa saiu do meio do grupo para se posicionar atrás do homem da AG2R. Na sua roda ia o campeão francês Arthur Vichot e na roda de Vichot, expectante Betancur. Até que a 500 metros da meta, Tom Jelte Slagter puxou da sua explosividade em subida, atacou, Villermoz respondeu, assumiu novamente as rédeas da corrida e na curva que antecedeu a eira da meta caiu, deixando Rui Costa na frente do grupo. O português sprintou mas vindo de trás, Betancur efectuou uma ponta final do outro mundo e roubou a vitória ao ciclista português.

Bettancur 2

Betancur e Rui Costa lograram ganhar segundos para além das bonificações aos mais directos concorrentes. O checo Zdynek Stybar da Omega perdeu 3 segundos, assim como Geraint Thomas e Arthur Vichot. O 6º classificado da etapa, o francês Cyril Gautier da Europcar perdeu 7 assim como Jakob Fuglsang da Astana. Quem acabou por ficar para trás nos metros finais foi Tom Jelte Slagter, devido a um problema mecânico (saltou-lhe a corrente quando tentou atacar a 500 metros da meta). O holandês perdeu tempo para Betancur e ficou arredado da discussão da geral da prova.

Com a vitória na etapa, Betancur roubou a liderança a Geraint Thomas e cavou uma diferença de 8 segundos para o britânico. Rui Costa perdeu tempo mas subiu 9 lugares na geral para a 3ª posição a 18 segundos do colombiano. Stybar ficou a 22 enquanto o sprinter Joaquin Rojas da Movistar fechou o top-5 da prova a 24 segundos da liderança. O sprinter da Movistar está a fazer uma prova bastante interessante, conseguindo ultrapassar com exito as etapas de média montanha.

Apesar de mais um 2º lugar na tempoada (o 4º), Rui Costa mostrou-se agradado com o desempenho: ““Queria muito dar uma vitória à equipa e a todos os que me apoiam, mas ainda não foi desta. Aquela queda do Vuillermoz estragou-me um pouco os planos. Obrigou-me a sair mais cedo e desgastar-me um pouco mais. Cerrei os dentes e dei o meu máximo mas Betancur veio na minha roda e na meta foi o mais forte. Ele está num grande momento de forma e eu dou-lhe os parabéns. O balanço de hoje é bastante positivo. Estou muito satisfeito com as minhas sensações”

Quanto aos outros portugueses em prova, André Cardoso foi 26º a 25 segundos (22º da geral a 1 minuto e 2 segundos) enquanto Nelson Oliveira chegou muito atrasado com mais de 6 minutos para o vencedor da etapa.

7ª etapa – hoje

Tom Jelte Slagter

Tom Jelte Slagter vingou-se da avaria mecânica que o tinha arredado da luta pela vitória da etapa no dia anterior e voltou a vencer na prova. A Garmin consegue 2 inexpectáveis vitórias na prova e sai desta como uma das equipas em destaque. O holandês provou que é um nome a ter em conta para as clássicas da primavera, em particular, para as clássicas de colinas que serão disputadas na Belgica e na Holanda, provas onde decerto não estará tão à vontade dentro do pelotão. O holandês deu a conhecer ao mundo do ciclismo todo o seu potencial explosivo no ataque em perímetro curto (5\10\15 km para a meta) e a sua fantástica ponta final. De certa maneira, Slagter faz-me lembrar em muitas características que possui “o melhor” do antigo campeão do mundo e actual corredor da BMC Phillipe Gilbert.

Na etapa de hoje, 6 corredores aventuraram-se logo a bandeira foi içada pelos comissários de prova. Lieuwe Westra (Astana), Pim Ligthart (Lotto) Laurent Didier (Trek), Sylvester Szmyd (Movistar), Albert Timmer (Giant) and Florian Guillou (Bretagne) tentaram a sua sorte. Westra, Ligthart e Guillou já tinham tentado a sua sorte em momentos algo parecidos com este nas etapas anteriores. A colocaçao de Sylvester Szmyd na fuga revelou que a Movistar tinha planos para Rojas.

Estes foram imediatamente perseguidos por um grupo composto por Matthias Frank (o gregário da IAM em defesa da camisola da montanha de Chavanel; como Lighthart já tinha ganho alguns pontos no dia anterior, estava na fuga para recolher mais alguns para a dita classificação), Brice Feillu (Bretagne; aproveitando a posição do colega na frente, teria alguém para o ajudar caso a fuga tivesse sucesso), Marco Marcato (Cannondale) Cyril Lemoine da Cofidis e Amael Moinard da BMC. Apesar dos esforços de Frank, Ligthart conseguiu recolher 32 pontos na passagem por Vence (3ª categoria) Col D´Ecre (2ª categoria) e Col de Cipriéres (2 passagens nesta contagem de 3ª categoria) e retirar a camisola às bolinhas a Sylvain Chavanel.

Na primeira passagem pela linha de meta (152 km), o holandês Liewe Westra atacou e deixou os companheiros de fuga para trás. Os seus companheiros seriam rapidamente apanhados pelo pelotão antes da linha de meta (sprint bonificado) tendo o português Rui Costa sido o 2º a passar nesse mesmo sprint (recolheu mais 2 segundos para Betancur) num sprint com Rojas. Betancur e a AG2R vigiaram esta iniciativa na cabeça do pelotão.

Junção feita a Westra, foi a vez do agitador mor Sylvain Chavanel iniciar mais uma fuga em conjunto com outros corredores. Sem efeito. Chavanel, Felline, Alex Howe (Garmin), Francesco Gavazzi (Astana) Jan  Bakelants (Omega), John Gadret (Movistar), Yuri Trofimov (Katusha), Angel Mate (Cofidis) rodaram vários quilómetros na frente do pelotão, chegaram a ter uma vantagem de 20 segundos mas acabariam por ser apanhados. A AG2R e a Sky sabiam perfeitamente que deixar andar na frente um grupo composto por Chavanel, Gavazzi, Gadret, Bakelants, Trofimov e Mate poderia por em perigo a discussão da etapa e até a liderança da prova.

Nos últimos 5 km dá-se o acontecimento do dia: a queda que envolveu Geraint Thomas, Frank Schleck e Arnold Jeanesson da Française des Jeux. O inglês, 2º da geral estava definitivamente arredado da luta pela geral. Caído junto ao rail onde tinha embatido, foi rapidamente assistido pelo médico da organização e pelos médicos da equipa. Apesar de ainda se ter feito à estrada (chegou com 7 minutos de atraso para Slagter), suspeita-se que o corredor da Sky tenha partido a clavícula e tenha avisado a organização do seu abandono durante a noite de sábado.

A Lampre chegava-se à frente do pelotão com 2\3 homens. Também Rui Costa ambicionava quebrar o enguiço na etapa de hoje e ganhar mais alguns segundos a Betancur. Nos últimos quilómetros Jakob Fuglsang esboçou um ataque mas a Lampre não deixou o dinamarquês ir. A corrida chegou aos últimos metros com Tom Jelte Slagter a bater Rui Costa ao sprint. Em cima da linha, o português garantiu a 2ª posição e bonificou à frente de Rojas e Betancur. No final da etapa, pousado sobre a bicicleta, a cara do português mostrava algum desalento. A temporada leva 2 meses e o nosso grande corredor já leva 5 2ºs lugares em etapa.

A minha equipa esteve fenomenal e tentamos tudo para mexer na corrida. Obrigado aos meus colegas pelo trabalho.” – começou por dizer, Rui Costa, dorsal 61 da corrida do sol. “Voltei a deixar todas as minhas forças na estrada e estive perto da vitória. Fui até à exaustão e de consciência tranquila por ter dado o meu máximo. Não deu para ganhar, mas voltar a fazer 2.º é bom sinal e sabe muito bem ter pernas para estar na luta. É bom conseguir manter-me ali, entre os melhores.”

betancur 3

Carlos Alberto Betancur viu a sua vantagem reduzida para o português. Os dois ciclistas estão separados por 14 segundos à entrada para a última etapa. Não bastará a Rui Costa vencer a etapa e o colombiano não bonificar. Numa prova onde as diferenças ganhas pelos ciclistas são tão curtas, o português necessitará de um milagre para vencer a geral da prova. Já ficava feliz se vencesse a etapa. Pelo menos, assim, seria capaz de quebrar a malapata neste início de temporada.

Zdenek Stybar aproveitou a queda de Thomas para ascender ao pódio da prova a 26 segundos da liderança.

Ligthart

Pim Ligthart ascendeu à liderança da camisola da montanha. Amanhã terá um dia difícil na última etapa da prova. A etapa de 128 corrida em Nice, apresenta 3 contagens de 2ª categoria e 2 de primeira.

Nice

Decisiva. Não haverá lugar para consagrações. Rui Costa terá aqui a sua derradeira oportunidade para sair em glória da prova francesa. Uma etapa à medida das suas capacidades. As atenções da AG2R estão viradas para si, para Fuglsang e para Stybar. A equipa francesa sabe que o português é o único que, devidamente embalado num ataque, tem capacidade para fazer perigar a liderança de Betancur. Os dois sprints intermédios a meio da etapa podem ajudar à festa.

Tirreno-Adriático

tirreno-adriatico

3ª etapa – sexta-feira

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Na chegada (em subida) à cidade toscana de Arezzo, Peter Sagan vingou-se da derrota obtida no passado fim-de-semana na Strade Bianchi (também ela corrida na bonita região da Toscânia) para Michal Kwiatkowski. O vencedor da Volta ao Algarve voltou a confirmar que está em excelente forma.

Na subida final para Arezzo quem foi o primeiro a atacar foi Phillippe Gilbert da BMC. A inclinação final fazia lembrar as rampas de Valkenburg, rampas que fazem o gosto do antigo campeão do mundo. Gilbert não teve pernas para chegar à recta da meta, sendo ultrapassado por um temerário Sagan que acelerou e deixou o polaco para trás. Simon Clarke da Orica foi 3º e Gilbert 4º.

Michal Kwiatkowski (Omega-Pharma-Quickstep) ocupou a liderança da prova com mais 10 segundos de vantagem para o seu colega de equipa Rigoberto Uran. Simon Clarke ascendeu à 3ª posição a 13 segundos do líder. Sagan posicionou-se na 6ª posição a 22 do polaco.

O eslovaco da Cannondale mostrou-se extremamente feliz com a 2ª vitória da época: “Today I am very glad for the win. Thank you to all my team-mates because they put me on the front. It was a very dangerous finish. When I saw parcours for Tirreno-Adriatico, this stage was very special and I wanted to be on the front today, and I take another victory. I am very happy.”

4ª etapa – hoje, sábado.

contador 2

Depois de ter vencido no Alto do Malhão na Volta ao Algarve, Alberto Contador voltou a vencer, desta feita na 4ª etapa da Tirreno-Adriático, confirmando que revela muita ambição e uma boa preparação física para o ano 2014.

Na etapa que terminou em Cittareale, o trepador Stefano Pirazzi da Bardiani-CSF foi o primeiro a atacar na subida final a 9 km da meta. Roman Kreuziger (Tinkoff) e Benat Inxausti da Movistar responderam ao ataque do italiano. Chegaram a ter 30 segundos de vantagem para o grupo reduzido de corredores que se formou na sua perseguição. Kreuziger quis mais e aventurou-se pela subida acima. No grupo principal, Michelle Scarponi resolveu atacar e levou consigo o croata Robert Kiserlovski da Trek. O ataque do italiano da Astana, corredor muito perigoso neste tipo de etapas, conhecedor do terreno que pisava, motivou a resposta em cadeia de Alberto Contador e Nairo Quintana, facto que levou Kreuziger a esperar pelo seu líder lá na frente. Entretanto Daniel Moreno conseguiu acompanhar estes dois.

Richie Porte conseguiu fazer recolar o seu grupo a este grupo e tudo redundou num fantástico sprint em Cittareal com vitória (e estabelecimento de diferenças) para Contador. Nairo Quintana foi 2º a 1 segundo e Daniel Moreno 3º a 5.

Na geral da prova, Kwiatkowski lidera com 16 segundos de vantagem para Contador e 23 para Nairo Quintana. Eis o top-10 da prova:

1 Michal Kwiatkowski (Pol) Omega Pharma – Quick-Step, 16:06:42
2 Alberto Contador (Esp) Tinkoff-Saxo, +16s
3 Nairo Quintana (Col) Movistar, +23
4 Richie Porte (Aus) Team Sky, +34
5 Rigoberto Uran (Col) Omega Pharma – Quick-Step, +38
6 Roman Kreuziger (Cze) Tinkoff-Saxo, +39
7 Robert Kiserlovski (Cro) Trek Factory Racing, +49
8 Moreno Moser (Ita) Cannondale, +1:01
9 Mikel Nieve (Esp) Team Sky, +1:02
10 Julian Arredondo (Col) Trek Factory Racing, +1:03

Ciclismo 2014 #21

paris nice 2

Paris-Nice

4ª etapa – ontem

Tom Jelte Slagter

Na primeira aproximação à montanha e às etapas que realmente fazem as diferenças na geral da prova, o holandês de 24 anos Tom Jelte Slagter atacou na última contagem do dia (uma 2ª categoria posicionada a cerca de 20 km da meta), recebeu a ajuda vinda de trás de Geraint Thomas (Sky) e venceu a etapa que terminou em Belleville. O holandês conseguiu a sua primeira vitória da temporada. Em 2013, conseguiu alguns resultados de destaque como a vitória na geral individual do Tour Down Under (Austrália; a primeira prova World Tour da temporada), a vitória numa etapa na mesma prova e a vitória no prémio da montanha do Tour de Alberta. Com o 2º lugar na etapa, Thomas ascendeu à liderança da geral da prova.

A etapa de ontem era tida como crucial para aqueles que tem aspirações à geral (Carlos Alberto Bettancur, Rui Costa, Bauke Mollema, Vincenzo Nibali, Geraint Thomas). Com 3 contagens de 3ª categoria praticamente seguidas e uma de 2ª a finalizar, era expectável que um ou vários destes ciclistas pudessem executar o seu ataque na subida final. Para o camisola amarela à partida, o alemão John Degenkolb, seria bastante difícil sair da etapa como líder, apesar do facto do alemão conseguir suportar bastante bem a média montanha. A etapa veio provar isso mesmo: Degenkolb chegou incluído no 2º grupo a apenas 18 segundos do vencedor da etapa.

A etapa começou com as habituais fugas. O primeiro a tentar foi o combativo Thomas Voeckler (Europcar) logo nos primeiros quilómetros. Voeckler foi rápidamente alcançado pelo pelotão, sapiente do perigo a que se arriscava caso deixasse sair o antigo campeão nacional francês. Apesar da tentativa, Voeckler mostrou que ainda não está em forma. Poucos quilómetros depois, a Europcar não desistiu do objectivo de constituir um grupo de fugitivos. Perrig Quemeneur, homem que já tinha encetado uma fuga precisamente na 3ª etapa saiu do pelotão e com ele foram Valerio Agnoli (Astana), Laurent Didier (Trek) e Jesus Herrada da Movistar. Tendo em conta a perigosidade da fuga pela presença de Agnoli, o pelotão deixou ir o quarteto à vontade até ao quilómetro 111, altura em que começaram as inclinações do dia. Nesse preciso quilómetro, o quarteto tinha cerca de 6 minutos e meio de vantagem sobre o pelotão.

Os fugitivos tiveram tempo de passar pelas 3 montanhas de 3ª categoria. Nos Cote de la Clayette (km 137.5), Col de Champ de Juin (Km 156.5) and Col de Crie (Km 164) Agnoli passou na frente e colheu os 4 pontos em disputa para a classificação da montanha, pontos que se revelaram suficientes para retirar a correspondente camisola de líder da classificação a Christophe Laborie da Bretagne. Na contagem de 2ª categoria, o homem da Bretagne foi um dos primeiros a descolar do pelotão.

À entrada da última montanha do dia, o Mount Bruilly, o pelotão tratou de anular a fuga de forma ao espectáculo poder começar.

A Sky chegou-se à frente do pelotão e começou a endurecer o ritmo para fazer a primeira selecção dentro do numeroso grupo. A 15,5 km do fim, o primeiro a abrir as hostilidades foi um dos principais favoritos à vitória na geral da prova, o colombiano Carlos Alberto Bettancur da AG25. Bettancur atacou precisamente numa fase da subida em que num espaço de 500 metros esta apresentava uma pendente média de 20%. Sem efeito, poucos metros mais à frente seria alcançado, crendo eu que o colombiano apenas quis testar o poder de resposta da Sky e da concorrência. Tanto Vincenzo Nibali como Rui Costa iam bem posicionados dentro do grupo e bastante atento às possíveis investidas dos adversários. Aos 14,4 km, Bettancur tentou novamente fugir. E o pelotão rompeu de vez num grupo de 40 a 50 unidades.

Com o ataque de Bettencur, abriu-se o precedente para mais ataques. Mal o colombiano foi alcançado novamente, Tom Jelte Slagter fez o ataque decisivo. Saíndo que nem uma bala do pelotão, rapidamente ganhou 7\8 segundos de vantagem para o mesmo. Ninguém respondeu no pelotão. 600 metros após, foi Geraint Thomas da Sky a sair do pelotão para alcançar o ciclista holandês da Garmin. Rui Costa chegou-se à frente do pelotão para encetar a perseguição mas não teve grande colaboração. O grupo principal haveria de deixar os dois ciclistas vencer a etapa precisamente porque nunca se conseguiu organizar para os perseguir. Até ao final da subida, também iria sair o jovem holandês Wilco Kelderman da Belkin, jovem em quem a equipa holandesa deposita grandes esperanças para o futuro, posicionando-se num ponto intermédio entre os dois da frente e o grupo principal. Num grupo secundário, bem próximo do grupo principal já estava John Degenkolb. O ciclista da Giant-Shimano era o homem que mais ia trabalhando na frente do grupo para conseguir a recolagem.

Iniciou-se a longa descida que iria levar os ciclistas à recta da meta com Thomas e Slagter na frente e Kelderman entre o grupo principal e os homens da frente. A 8 km da meta, tentaram sair do grupo 2 homens bastante perigosos: o dinamarquês Jakob Fuglsang da Astana e Romain Bardet da AG2R. Conseguiram alcançar alguns metros de vantagem mas nunca se constituíram como perigo tanto para os homens da frente como para os ciclistas do grupo principal. Thomas e Slagter iam trabalhando muito bem na frente para terem hipóteses de disputar a vitória na etapa. Para Geraint Thomas, mesmo que não conseguisse vencer a etapa, estava em condições de assumir a amarela da prova.

Apesar de Wilco Kelderman se ter aproximado muito rapidamente aos dois da frente, o sprint final pela vitória iria pertencer aos dois homens da frente com o holandês a deter uma ponta final mais forte que Thomas. O grupo dos favoritos acabou por alcançar Kelderman, terminando o holandês na 3ª posição e todo o grupo a 5 segundos dos vencedores. No grupo principal chegaram Arthur Vichot (Française des Jeux), Rui Costa (11º), Jon Insausti (Movistar), Carlos Alberto Bettancur, Frank Schleck (Trek), Jakob Fugsland e Vincenzo Nibali, e John Gadret (Movistar). A 18 segundos chegou o líder Degenkolb num grupo que incluía André Cardoso (Garmin), Maxime Monfort e Tony Gallopin (Lotto-Belisol).

Com atraso significativo de 57 segundos chegou Chavanel (IAM). O francês foi uma das baixas logo no início da segunda categoria por causa de um furo. Jerome Pineau, outro dos chefes-de-fila da suiça IAM, apanhou quase 4 minutos. O português Nelson Oliveira chegou incluído no grupo de Andy Schleck a mais de 7 minutos. Mais uma vez o luxemburguês voltou a desiludir. Apesar de ter considerado que se encontra motivado e a preparar forma para voltar em grande às competições por etapas de 3 semanas, o que é certo é que (um dos chefes-de-fila da Trek) não está a conseguir re-encontrar o ritmo que possuía noutros tempos depois da grave lesão que o deixou de fora durante vários meses.

Na geral, Geraint Thomas assumiu a amarela, detendo uma vantagem de 3 segundos sobre John Degenkolb e de 4 sobre Tom Jelte Slagter. Rui Costa posicionou-se na 14ª posição da geral a 19 segundos da liderança. Na geral da montanha, Agnoli assumiu a liderança com 12 pontos, mais 3 que Christophe Laborie.

5ª etapa – hoje

bettancur

Na etapa que ligou Crêches-Sur-Saône a Rive-de-Gier, na distância de 153 km, os ciclistas tiveram pela frente uma etapa muito semelhante à do dia anterior com 3 contagens de 3ª categoria (2 no início da etapa, outra a meio) e uma contagem de 2ª muito próxima da meta. Carlos Alberto Bettancur conseguiu a vitória que tanto procurava na prova ao atacar na descida final a 9 km da meta.

Thomas Voeckler voltou a fugir nos quilómetros iniciais da prova. Com ele levou Florian Guillou da Bretagne. Mais uma vez, a Bretagne escolheu os primeiros quilómetros da etapa para ser vista. A fuga não durou muito. Ao quilómetro 11, um quinteto de luxo tentou a sua sorte: quase afastado da geral da prova e com uma etapa propícia às suas características, Sylvain Chavanel tentou a sorte em conjunto com Jan Bakelants da Omega, Matthew Busche da Trek, Gorka Izaguirre da Movistar e Brice Feillu da Bretagne. O melhor classificado na geral era precisamente Bakelants, a 19 segundos de Geraint Thomas.

A fuga mostrou algum entrosamento. Chavanel venceu os pontos em disputa nas 2 3ªas categorias dispostas enquanto Bakelants venceu os sprints intermédios posicionados ao quilómetro 87.5 e 126.5.

Pelo meio, Nacer Bouhanni, o vencedor da 1ª etapa da prova, anunciava o seu abandono.

Sylvain Chavanel decidiu investir sozinho. No entanto, lá atrás no pelotão, a Team Sky não ia dando hipóteses. Rapidamente engoliram o quarteto que ficou para trás e prosseguiram rumo a Chavanel. Entretanto, na apróximação ao cote de St Catherine, a AG2R tinha 3 contratempos quase seguidos: Romain Bardet e Samuel Dumoulin tiveram problemas mecânicos e Maxime Bouet caiu no meio do pelotão. No topo da contagem, Vincenzo Nibali decidiu atacar e levou consigo Bettancur, Geraint Thomas, Tom Jelte Slagter (provou hoje que também procura qualquer coisa na geral) e Jakob Fuglsang. Apenas Bettencourt e Fuglsang vingaram a sua investida, sendo acompanhados por outro ciclista que saltou do pelotão, o luxemburguês Bob Jungels da Trek. Rui Costa não conseguiu responder a estas movimentações. Mais uma vez, a equipa Lampre mostrou incapacidade para tomar a cabeça do pelotão e ajudar o seu líder.

Na descida final, o trio haveria de chegar junto, com Bettencur a vencer o sprint final. Ganhou 2 segundos a todo o pelotão mais bonificações. Com a vitória, o colombiano subiu ao 4º lugar da geral a 5 segundos de Degenkolb. Rui Costa chegou na 12ª posição e na geral ascendeu também à 12ª posição da geral a 19 segundos da liderança.

O português expressou o seu feedback sobre a etapa no seu diário: ““Foi uma etapa idêntica à de ontem com a agravante de ter chegado Betancour na frente e ter bonificado dez segundos. Ele, Geraint Thomas e Nibali são os mais perigosos neste momento para a classificação geral, mas pode haver surpresas. As minhas pernas não se portaram mal mas espero que amanhã estejam melhores.”

O líder Geraint Thomas mostrou-se feliz com a liderança da prova na véspera da etapa que muitos consideram decisiva para a classificação final da prova: “I’m glad to still be in the yellow jersey. The guys did a great job again but we wouldn’t cover everybody. I saw there were Giant Shimano and Omega Quick Step guys with us and I banked on them to chase for a mass sprint and we nearly got it. In my mind, riders like Nibali or Betancur still remain the favorites, they have more GC experience than I do. Tomorrow will be a hard day with a 220 something stage and a steep hill finale. I hope to be there or thereabout.”

Na classificação da montanha, Sylvain Chavanel assumiu a liderança com os mesmos pontos de Valerio Agnoli.

Amanhã, o Paris-Nice tem a sua etapa mais importante. A etapa que liga San Saturnin-lès-Avignon a Fayance vai fazer diferenças. Uma contagem de 3ª categoria logo no início da tirada e 4 contagens seguidas a terminar (1 de 3ª, 2 de 2ª e 1 de 1ª categoria) serão o suficiente para um dos favoritos arrumar com a geral já amanhã.

Tirreno-Adriático

tirreno-adriatico

Começou na quarta em Itália, a prova que irá ligar a prova que irá rasgar a Itália a meio, fazendo a ligação entre a parte que é banhada pelo Mar Tirreno e a parte que é banhada pelo Adriático.

Na “carteira de clientes”, a prova italiana conta com a participação de ciclistas como Alejandro Valverde (Movistar), Alberto Contador (Tinkoff), Purito Rodriguez (Katusha), Mark Cavendish (Omega), Michal Kwiatkowski (Omega), Roman Kreuziger (Tinkoff), Peter Sagan e Ivan Basso (Cannondale), Richie Porte e Braddley Wiggins (Sky) ou Chris Horner (Lampre).

1ª etapa – quarta-feira

A organização da prova preparou um contra-relógio por equipas a abrir. No total de 18,5 km disputados entre Donorático e San Vincenzo, a Omega-Pharma de Mark Cavendish e Michal Kwiatkowski voltou a vencer este ano (ainda não passaram nenhuma prova que disputaram este ano em branco), tornando-se o britânico o primeiro líder da geral da prova e o polaco o segundo. A equipa belga foi a mais rápida no crono, deixando a Orica a 11 segundos e a Movistar de Alejandro Valverde a 18.

2ª etapa – hoje

pelucchi

Na 2ª etapa da prova, uma fuga a meio da etapa protagonizada por Daniel Teklehaymanot (MTN-Qhubeka), Marco Canola (Bardiani-CSF), Alex Dowsett (Movistar), David de la Cruz (NetApp-Endura) e Davide Malacarne (Europcar) obrigou a Omega-Pharma-Quickstep a trabalhar no duro para manter a ordem. A 60 km da meta, o quinteto da frente chegou a ter 4 minutos e meio de vantagem. Ajudados pela Tinkoff (a trabalhar para Bennatti), as duas equipas conseguiriam alcançar o grupo de fugitivos.

Seguiram-se os habituais comboios. A Lotto chegou-se à frente e fez a papa para André Greipel, bem marcado de perto por Arnaud Demare (FDJ). Mark Cavendish não se conseguiu posicionar bem para o sprint final. Contudo, foi outro dos que vinha literalmente na roda do alemão, o jovem Matteo Pelluchi da IAM Cycling que conseguiu triunfar nos metros finais.

Na classificação geral, tudo na mesma.

Ciclismo 2014 #20

paris nice 2

Paris-Nice

2ª etapa

Paris-Nice

A etapa disputada entre Rambouillet e Saint-Georges-Sur-Baulche começou com algumas dúvidas dentro do pelotão. Apesar da vitória na primeira tirada da prova e do facto de ter sido assistido duas vezes pela equipa médica da sua equipa junto ao carro da Française des Jeux, existiam algumas dúvidas quanto à condição física do líder Nacer Bouhanni, em particular, quanto a uma lesão no joelho que o tem atormentado desde o início da temporada. O sprinter francês acabou por negar, nas entrevistas realizadas no final da etapa, que o joelho tenha condicionado a sua prestação no final da etapa.

A etapa começou com uma fuga logo aos 2,5 km. Anthony Delaplace da Bretagne (mais uma vez a Bretagne optou por fazer escapar um corredor muito cedo para se poder tornar visível e ter hipóteses de vencer um dos sprints intermédios\provavelmente esta estratégia de corrida é motivada pelos interesses dos seus patrocinadores) e o letão Alexejs Saramotins da IAM Cycling Team chegaram a ter 11 minutos de vantagem sobre o pelotão aos 33 km. No primeiro sprint intermédio do dia, ao quilómetro 61 Delaplace bateu Saramotins ao sprint e lá atrás, no pelotão, Gianni Meersman foi 3º, confirmando o intento de lutar pela geral dos pontos da prova.

A fuga foi decorrendo. Lá atrás, as equipas dos principais sprinters em prova (Omega, Française des Jeux, Belkin) aumentavam o ritmo (e consequentemente a probabilidade de cortes no pelotão devido ao vento que se fazia sentir e à dificuldade de um traçado que no ano passado provocou imensas quedas dentro do pelotão da edição de 2013) na peugada dos fugitivos, que, foram avançando isolados à única contagem de montanha disposta (uma 3ª categoria, já bem perto da meta). Na contagem de montanha de Cote de la Ferte-Loupiere, Saramotins passou à frente de Delaplace. Mesmo assim dispunham de uma vantagem de aproximadamente 5 minutos, vantagem que na altura era considerada como suficiente para poderem vencer a etapa.

Quando o pelotão teve noção dos 5 minutos que levava de atraso, as equipas dos sprinters organizaram-se e começaram a imprimir um ritmo louco na cabeça do pelotão. Com o aumento rítmico, começaram também os problemas no seio do mesmo. A 30 km da meta, as televisões foram buscar a imagem de Andy Schleck com o trepador luxemburguês a sentir imensas dificuldades na cauda do pelotão. Poucos quilómetros depois, enquanto Saramotins batia Delaplace noutro sprint intermédio e Gianni Meersman conseguia ser novamente terceiro. O segundo alcançado por Meersman seria suficiente para dar a liderança virtual da prova ao sprinter belga, mas, a etapa iria reservar-lhe outros planos.

Formaram-se os comboios. A 12 km da meta, quando a fuga seria alcançada mais tarde ou mais cedo (a 12 km do fim Saramotins deixou Delaplace para trás; seria alcançado a 4 km da linha de chegada), o comboio da Orica tomou a frente do pelotão (para trabalhar para Simon Gerrans e Matthew Goss) e com a tomada de posse da equipa australiana deu-se a maior queda do dia, precisamente na frente, ficando nela dois possíveis candidatos à vitória: o noruguês Edvald Boasson Hagen (Team Sky), o famigerado Tyler Farrar (Garmin-Sharp) e Lars Boom da Belkin.

Alcançado Saramotins, rapidamente a Giant-Shimano (antiga Argus) montou o seu dispositivo pró John Degenkolb e tratou de formar o seu comboio para levar o holandês até aos metros finais, onde, Degenkolb e Bouhanni marcaram-se mutuamente mas o antigo campeão holandês de sub-23 da Belkin Moreno Hofland, um dos ascendentes sprinters do cenário internacional, levou a melhor sobre toda a concorrência e garantiu uma preciosa vitória à Belkin na prova. Nos metros finais, houve mais uma queda dentro do pelotão que retirou a possibilidade de ciclistas como Gianni Meersman ou Tom Boonen de lutar pela vitória na etapa.

Highlights da etapa

3ª etapa

Degenkolb

À 3ª foi de vez. Depois de 2 vezes segundo, envergando a camisola dos pontos da prova, John Degenkolb conseguiu vencer no Paris-Nice e atingir a sua 4ª vitória em etapas na presente temporada.

Na última etapa antes da montanha, o circo foi até ao histórico circuito de Magny-Cours. Seria interessante analisar a prestação dos ciclistas nos minutos finais dada a forte exposição ventosa típica dos circuitos automobilísticos.

A etapa arrancou com alguns abandonos de vulto. Gianni Meersman decidiu ir para casa por problemas físicos motivados pela queda sofrida no dia anterior. Lars Boom também ficou maltratado da queda sofrida a 12 km da meta e decidiu abandonar a corrida. Como tinha acontecido nos dois dias anteriores, os franceses trataram de dar lustro ao patrocínio exibido nas suas respectivas camisolas ao arrancar com uma fuga a três logo aos 3 km. Perrig Quemeneur da Europcar, Julien Fouchard da Cofidis e Romain Feillu da Bretagne (este último, o chefe-de-fila da equipa francesa na prova) tentaram a sua fuga e o ciclista da Europcar esteve a um ligeiro passo de vencer a prova. O pelotão, alertado pelo relativo sucesso da fuga de Delaplace e Saramotins, e, jogando à cautela em virtude dos estragos provocados pela aceleração efectuada com o objectivo de anular a fuga do dia anterior, não permitiu veleidades ao trio da frente. O melhor que conseguiram foi uma vantagem de 3 minutos e meio. É certo que a presença de Feillu (um ciclista com enorme talento) agudizou o engenho às equipas interessadas numa chegada ao sprint. No entanto, nos momentos finais, quando Quemeneur já se encontrava isolado e com bastantes chances de vencer a etapa, as equipas começaram as tricas pela liderança do pelotão e pela formação de comboios e demoraram bastante tempo a agir concretamente na anulação da fuga, facto consumado apenas a 2 km da meta.

Feillu deu-se bem com a montanha e venceu a 3ª categoria colocada ao quilómetro 74. Incapazes de lutar com as mesmas armas nos sprints finais (excepção feita a Bouhanni), os franceses mostram-se mais ávidos, como de resto é habitual, a lutar pela classificação da montanha. Feillu é possivelmente um dos candidatos à vitória nesta classificação caso consiga repetir uma fuga no dia de amanhã. 4 km depois seria Quemeneur o mais rápido no sprint intermédio.

O pelotão foi controlando a fuga até aos 10 quilómetros finais. Lá atrás, Sky (para Geraint Thomas ou Boasson Hagen), Astana e Movistar (Rojas) tentavam ganhar a cabeça do pelotão perante as expectantes Orica, Belkin e Française des Jeux. A ausência da equipa francesa na cabeça do pelotão indicava que o líder da prova não estaria nas melhores condições físicas para disputar o sprint final. Bouhanni seria 7º na etapa. O francês posicionou-se muito mal nos metros finais e não conseguiu alcançar as melhores condições para disputar o sprint.

Na entrada do circuito de Magny-Cours, com Quemeneur na frente e com a possibilidade do vento provocar cortes dentro do pelotão, a Giant-Shimano subiu as suas unidades dentro do pelotão, formou o seu comboio na frente e deu meia vitória ao seu 2º sprinter (o primeiro e chefe-de-fila da equipa é Marcel Kittel) perante a pressão de Rojas (Movistar) Matthew Goss (Orica) e Borut Bozic (Astana).

E tudo Degenkolb levou…

John Degenkolb

Liderança a prazo. A etapa de amanhã, a 4ª da prova, entre Nevers e Belleville, aproxima o pelotão do momento das decisões no que à geral da prova diz respeito. Três contagem de 3ª categoria praticamente seguidas a meio da etapa e uma 2ª categoria na aproximação à meta colocada em Belleville, em plena região demarcada do Beaujolais (uma das castas de vinho mais sui-géneris da europa devido ao facto das uvas não terem que ser pisadas antes de encubadas para a fermentação;: é a própria fermentação que lhes tinha a pele) fazem desta etapa uma autêntica clássica dentro da prova. As 3 contagens de 3ª categoria, sequênciais em poucos quilómetros, decerto farão a primeira selecção dentro do pelotão e a 2ª categoria é propícia a que Rui Costa, Carlos Alberto Bettancur ou Vincenzo Nibali ataquem e formem um grupo de favoritos até a recta da meta.

Cumpre-me também relembrar que amanhã começa a Tirreno-Adriático em Itália.

Ciclismo 2014 #15

Vuelta a Murcia

vuelta a murcia

1 unica etapa na região de Murcia contou ontem com a presença de várias estrelas do pelotão internacional, a começar pelo homem da casa, Alejandro Valverde Belmonte, vencedor da prova em duas ocasiões, Nairo Quintana (Movistar) Luis León Sanchez (Caja Rural) ou David Rebellin (CCC-Polsat).

A equipa também teve a presença dos portugueses Tiago Machado e José Mendes (Net-App Endura) e das equipas portuguesas Efapel-Glassdrive e Louletano Dunas Douradas.

tiago machado

Pelo que pude aferir, a etapa desenrolou-se em pelotão compacto até à súbida final (a 4ª do dia). No último quilómetro Tiago Machado atacou e quem respondeu foi Alejandro Valverde. O espanhol haveria de ser mais rápido que o português nos metros finais. O ciclista português da Net-App endura foi 2º seguido de David Rebellin e de Luis Angel Mate da Cofidis. José Mendes, também da Net-App Endura ficou em 7º a 9 segundos do vencedor da prova.

O melhor português das equipas portuguesas em prova foi Sérgio Sousa da Efapel na 12ª posição a 17 segundos de Valverde.

2. Apresentação das equipas

Lampre-Mérida

Lampre Merida

O nosso Rui Costa é o chefe-de-fila absoluto da equipa Lampre, poucos meses depois de ter concordado fazer parte do projecto da equipa italiana numa altura em que se encontrava em final de contrato com a espanhola Movistar.

Localização: A equipa é italiana, está sediada na Federação Italiana de Ciclismo mas tem a sua sede em Lugano na Suiça.

Site: www.teamlampremerida.com

Director Desportivo: Orlando Maini, coadjuvado entre outros por antigos ciclistas como Marco Marzano ou Daniele Righi.

Chefes-de-fila: Damiano Cunego, Rui Costa, Chris Horner,

Gregários de Luxo\Corredores de estatuto protegido: Przemyslaw Niemec, (Filippo Pozzato), José Serpa, Diego Ulissi,

Contra-relógio: Nelson Oliveira

Sprinters: Sasha Modolo

Clássicas: Filippo Pozzato,

Gregários: Winner Gomez Anacona, Matteo Bono, Davide Cimolai, Luca Dodi, Krijstian Durasek, Elia Favilli, Roberto Ferrari, Manuele Mori, Andrea Palini, Jan Polanc, Maximiliano Richeze, Rafael Valls, Luka Wackermann, Xu Gang, Niccolo Bonifazio, Mattia Cattaneo, Valerio Conti,

Principais vitórias\conquistas em 2013:

  • Vitória no Troféu Laigueglia (Filippo Pozzato)
  • Vitória na Geral da Settimana Internazionale di Coppa e Bartali (Diego Ulissi) e 3 etapas (Ulissi, Cunego e Adriano Malori)
  • Vitória na Geral da Bayern-Rundfart e 1 etapa (Adriano Malori)
  • 1 etapa na Volta à Polónia
  • Vitória na Coppa Ugo Agostini (Filippo Pozzato)
  • Vitória no GP Ouest-France (Filippo Pozzato)
  • Vitória no Gran Premio della Costa Etruschi (Michelle Scarponi)
  • Vitória na Milano-Torino (Diego Ulissi)
  • Vitória na Coppa Sabatino (Diego Ulissi)
  • Vitória no Giro Dell Emília (Diego Ulissi)

Depois de um ano 2013 desastrado a nível internacional (a licença World Tour chegou a estar em risco) e de vários anos em que a equipa italiana apostou forte mas não conseguiu ter resultados coadunantes com o valor investido, tendo até dificuldades em arranjar um 2º patrocinador para a equipa (a Lampre ponderou há cerca de 3 anos atrás retirar o patrocínio à equipa), o ano 2014 assume-se como um ano muito decisivo para o futuro desta equipa.

As apostas do passado foram de certa forma apagadas. Ciclistas com estatuto dentro da equipa como David Vigano, Michelle Scarponi ou Adriano Malori rumaram a outras paragens. Rui Costa foi aliciado e ficou deleitado com o papel oferecido pela equipa dentro da mesma: chefe-de-fila no Tour e em outras provas de relevo do calendário internacional (Volta à Suiça, Volta ao Algarve, Paris-Nice, Amstel Gold Race, Volta ao País Basco, Fleche-Wallone, Tour da Romandia, Liege-Bastogne-Liege, GP Montreal) e Christopher Horner, o vencedor em título da geral da Volta à Espanha, depois de um cenário de indecisões (até final de Janeiro não tinha equipa para correr esta época) decidiu assinar com a equipa italiana. A Lampre deixou para trás corredores que não conseguiram corresponder às expectativas geradas (casos de Michelle Scarponi; venceu o Giro em 2011 mas não conseguiu repetir o feito na prova italiana e foi infeliz na passagem para o Tour em 2012 onde só foi 24º e para a Vuelta onde foi 15º da geral) e voltou a apostar forte em dois ciclistas que neste momento lhe garantem maior profundidade e combatividade no Tour (caso do português) e na Vuelta, caso do ciclista Norte-Americano, sem falar que, pelo meio existe um Damiano Cunego (deverá correr o Giro e o Tour), Filippo Pozzato (um ciclista temível nas clássicas) e um ciclista com um papel ascendente dentro da equipa (Diego Ulissi).

Comecemos então pelo português – Rui Costa aparece em 2014 com a espinhosa (mas apetecível missão) de repetir aquele que será, sem sombra para dúvidas, um dos melhores anos da sua carreira. 2013 foi o ano de afirmação do ciclista nascido na Póvoa do Varzim dentro do pelotão internacional, apesar deste já levar no seu currículo uma vitória numa etapa do Tour em 2011 e uma vitória na Geral da Volta à Suiça em 2012. Contudo, para um ciclista cujo estatuto dentro da Movistar ainda não era propriamente de destaque (só na Volta à Suiça liderou a equipa porque era o vencedor do ano anterior; no Tour teve que trabalhar para Valverde num primeiro plano e depois do azar do espanhol no qual Rui Costa também perdeu a possibilidade de lutar por um top-10 da prova, teve possibilidade de lançar as suas cartas na montanha de forma a sair vitorioso em 2 etapas) as vitórias na Geral e nas duas etapas da prova suiça, as etapas ganhas no Tour, a vitória na Klasika Primavera, o 3º lugar na Romândia e a vitória na prova de estrada dos Campeonatos do Mundo elevam a fasquia para o ano 2014, primeiro ano do português como chefe-de-fila de uma equipa. Veremos como o ciclista português vai reagir à responsabilidade acrescida granjeada pela época que realizou no ano passado, pela posse da camisola de campeão do mundo (as transmissões televisivas andam literalmente em cima dele; só ainda não tiveram tempo de mudar o banner de apresentação do nome do ciclista) e pelo estatuto detido dentro da equipa Lampre. Creio que o português irá corresponder às expectativas, irá vencer algumas provas em 2014 e irá continuar a trilhar a sua evolução dentro do Tour, prova onde se espera que consiga um lugar no top-10.

horner 2

Depois da sensacional vitória na Vuelta, Chris Horner aparece na Lampre depois de ter terminado contrato com a Radioshack e de não ter sido enquadrado no novo projecto da Trek-Leopard, a equipa que a Trek fundou com a extinta Radioshack-Leopard.

Aquando da contratação do veterano de 42 anos, o manager da Lampre Brett Copeland afirmou qual seria o papel de Horner dentro da equipa: chefiar a equipa no Giro e na Vuelta. Apesar de já não ser um ciclista capaz de fazer mais de 40 dias de prova por ano, Horner irá programar a sua temporada para atingir os dois picos de forma previstos em Maio (Giro) e Agosto\Setembro (Vuelta).

Damiano Cunego – Não sendo certa a sua inclusão no Giro, o vencedor da prova de 2014 deverá regressar à matriz inicial dos primeiros anos da sua carreira. 6º classificado na última edição em que participou, poderá ser o plano B a Horner na prova que contará também com Nairo Quintana a chefiar a Movistar e Rydel Hesjdal (vencedor em 2012). O vencedor do ano passado, o italiano Vincenzo Nibali (Astana) irá correr o Tour. Cunego poderá ser uma preciosa ajuda para Rui Costa no Tour assim como Diego Ulissi.

Filippo Pozzato – Aos 32 anos, este corredor de clássicas goza de um estatuto de corredor protegido. Em 2013 apenas venceu 2 provas. 2014 será o ano em que tentará reavivar a sua carreira ou entrar no período de decadência desta.

Sasha Modolo – O Sprinter da Lampre já conseguiu algumas vitórias em 2014. Será a grande aposta da equipa para a especialidade. Poderá fazer um excelente 2014 e inserir-se no lote dos melhores do mundo.

Przemyslaw Niemec e José Serpa – São dois grandes gregários de luxo. O primeiro será uma ajuda para o português. O segundo será destacado para o Giro e para a Vuelta.

Diego Ulissi – Aos 24 anos está a tornar-se um caso sério. Já venceu em 2014 na Volta à Austrália. Vencedor por 2 vezes da prova de estrada do campeonato do mundo de Juniores, tem provado ao longo dos anos ser um homem capaz de andar muito bem em todos os terrenos. Poderá surpreender numa ou noutra clássica. Apesar de ter corrido a Vuelta no ano passado, espera-se que a sua evolução continue nas grandes voltas como escudeiro de Rui Costa no Tour para daqui a alguns anos poder lutar pela discussão da geral da Volta à Itália.

Nelson Oliveira – O atleta natural de Anadia é um especialista em contra-relógio. Será mais uma ajuda para o seu compatriota no Tour. Poderá surpreender na especialidade de contra-relógio.

Rafael Valls – Interessante trepador que não teve o seu espaço na Fuji-Servetto e na Vacansoleil. Poderá ser uma ajuda para Christopher Horner na Vuelta.

3. A Fechar:

Fabio Silvestre

Fim de semana estupendo para os ciclistas portugueses. A acrescentar ao 2º lugar de Tiago Machado em Murcia, o jovem Fabio Silvestre da Trek-Leopard venceu a 4ª etapa da Ronde De L´Oise em França (prova menor do calendário UCI) depois de conseguir bater ao sprint os seus companheiros de fuga durante 90 km.

Ciclismo 2014 #14

volta ao algarve

Volta ao Algarve

cavendish

No domingo terminou mais uma edição da Volta ao Algarve, a única do calendário ciclístico português pontuável para o calendário UCI World Tour. Na última etapa, com a geral praticamente decidida, coube a Mark Cavendish (Omega-Pharma-Quickstep) dar um arzinho da sua graça na chegada na marina de Vilamoura. O sprinter britânico bateu o jovem francês Arnaud Demare da Française des Jeux e Brian Coquard da Europcar sobre a linha da meta.

No final da etapa, Mark Cavendish protagonizou mais um episódio típico do seu mau feitio. O britânico avisou que só iria dar 1 minuto aos jornalistas para fazerem as suas perguntas e se à primeira pergunta até reagiu de forma positiva (“Gostou de participar na prova e vencer a última etapa?” até respondeu “Sim, gostei muito. Estou bastante feliz”) o mesmo não se passou nas seguintes questões postas pelos restantes profissionais, ora não respondendo ora respondendo de forma monosilábica e sobretudo muito desinteressada. Cavendish já não vencia uma etapa desde setembro passado.

Dado consumado da etapa anterior (Alto do Malhão) coube ao polaco Michal Kwiatkowski subir ao pódio para receber a camisola amarela correspondente à vitória na classificação geral da prova e o respectivo cheque oferecido pela organização da prova à equipa Omega-Pharma. No ciclismo, os prémios obtidos pelos ciclistas nas metas volantes, vitórias em etapa, vitórias na geral e nas diferentes categorias e contagens de montanha são divididos por toda a estrutura da equipa. A vitória na geral confirma uma excelente prova realizada pelo polaco, vencendo em Monchique depois de uma investida na qual deixou Rui Costa e Alberto Contador para os lugares secundários e de um contra-relógio curto perfeito realizado na 3ª etapa entre Vila do Bispo e Sagres. O ciclista polaco confirmou que é a grande aposta da equipa Belga para a classificação geral das provas por etapas de uma e três semanas. Esta equipa, recheada de roladores e sprinters poderá ter aqui o seu filão para se tornar extremamente completa na época que se avizinha. Vamos ver como é que Michal Kwiatkowski vai reagir nas provas de preparação para o Tour e na prova francesa, prova onde em 2013 ficou à beira do top 10. Apesar de ser um ciclista com enorme potencial na média e na alta montanha e um contra-relogista de excelência, um dos pontos fracos que pode afectar o seu rendimento individual é precisamente o facto da sua equipa não ter muita gente no seu rooster capaz de o ajudar nas etapas de alta montanha. Isto é, se for a primeira aposta da equipa para o Tour visto que ainda não está decidido se o polaco será líder ou se terá estatuto de corredor protegido (livre de trabalho para o líder) dentro da liderança do colombiano Rigoberto Uran.

costa

Amarga de boca fica a prestação do nosso Rui Costa. O algarve avizinhava-se como a prova ideal para o português vencer. Rui Costa deu no Algarve mostras de uma excelente condição física nesta fase da época, facto que faz crer que a Lampre-Mérida está a planear a época do campeão do mundo ao pormenor. Logo na primeira etapa, podia ter vencido ao Sprint mas preferiu dar a vitória ao sprinter da sua equipa Sasha Modolo. Uma questão de papéis que os ciclistas normalmente respeitam. Como a equipa tinha trabalhado para Modolo, o mais correcto é deixar fluir a normalidade de papéis dentro das equipas. Em Monchique voltou a ser segundo. No malhão voltou novamente a ser segundo. Na geral foi terceiro. Como escrevi anteriormente, fica o amargo de boca por não ter ganho uma etapa junto do seu público. Estou seguro que o português vai realizar novamente uma época de arromba. Vencer será uma questão de tempo.

Alberto Contador – Um segundo lugar que sabe a vitória na geral depois da classe demonstrada pelo espanhol no Alto do Malhão. Antes da prova começar afirmou que vinha ao Algarve ganhar ritmo nas pernas depois do primeiro estágio da temporada. Acabou por vencer na prova raínha da competição. A vitória no Algarve promete um excelente Contador durante a temporada. Bem precisa de deixar 2013 para trás das costas. O tour e o ciclismo agradecem que Contador volte a ser o grande ciclista que é pois senão, Froome limpa tudo novamente com a maior das tranquilidades.

Edgar Pinto – Andou durante toda a prova junto dos melhores. Participou em todas as contendas, tanto a rolar como na montanha. Está um senhor ciclista dentro do pelotão português e a bom da verdade já merecia uma oportunidade numa equipa de World Tour como ciclista de estatuto nas provas de 1 semana e clássicas. Para já, afirmou-se como um dos candidatos à geral da Volta a Portugal 1 ano depois de se ter inserido nesse lote na edição de 2013.

Tour de Oman

Oman

Christopher Froome (Team Sky) voltou a vencer a geral da Volta a Oman. Pela segunda vez consecutiva. Pela segunda vez que apenas venceu a 5ª etapa da prova e na 5ª etapa da prova cavou a diferença necessária para vencer a geral.

O britânico reagiu à vitória com uma certa presunção: “I couldn’t ask for much more. If at the start of the race you’d said to me I’d be here in the red jersey, I’d have taken it, definitely. That’s the best case for me. It’s great to be able to back it up and come and defend my title. The team we’ve had here has been really compatible, really aggressive and wanting to make the most out of the racing. It shows that everyone has come off a good winter and that everyone is working hard to be in good shape for this. It really a pleasure to work with people who share that mentality. We’ve got the leader’s jersey to show for it. We’re really happy.”

greipel 3

Na última etapa da prova, o britânico assistiu de cadeirinha a mais uma vitória em etapas de André Greipel na prova. O alemão da Lotto-Belisol voltou a deixar o jovem francês Nacer Bouhanni para trás na linha de chegada e confirmou a vitória na camisola por pontos. André Greipel está lançado para uma época que se prevê muito vitoriosa.

Volta à Andaluzia

andaluzia

Disputada desde quinta a domingo, a Volta a Andaluzia reuniu na região integrante do cada vez mais fracturado estado espanhol alguns dos maiores nomes do ciclismo mundial, também eles cheios de vontade de esticar as pernas depois de semanas intensivas de treino de preparação para a temporada. Nas estradas andaluzes competiram ciclistas como Alejandro Valverde (Movistar) Richie Porte, Edvald Boasson Hagen e Braddley Wiggins (Team Sky) Luis Leon Sanchez (Caja Rural), Marcel Kittel (Argus-Shimano), Bauke Mollema (Belkin) ou o dinamarques Jakob Fuglsang (Astana).

1ª etapa

valverde

A prova andaluz iniciou-se com um prólogo. Alejandro Valverde provou que não estava na andaluzia para treinar. O ciclista da Movistar cumpriu os 7,3 km realizados em Almeria em 8 minutos e 22 segundos, sendo mais rápido em 7 segundos que Tom Dumoulin da Giant-Shimano e em 9 que o seu colega de equipa, o basco Jon Insausti. Os homens da Sky perderam 13 (Kiryenka) 14 (Wiggins e Geraint Thomas) e 15 Richie Porte.

2ª etapa

Valverde 2

Na segunda etapa da prova, a organização quis provar quem é que tinha perninhas para aguentar uma daquelas etapas pica musculos. Na distância de 186,5 km, a etapa que ligou Málaga a Jaen oferecia a todo o pelotão presente na prova uma etapa com 6 contagens de montanha. Uma duríssima de primeira categoria entre os 13 e os 25 km, três de 2ª categoria e três de terceira categoria, a última nos 3 kms finais.

O pelotão manteve-se minimamente intacto até à subida final. Até que Alejandro Valverde saltou do grupo principal nos últimos metros e venceu a etapa destacado com 4 segundos de avanço para Bauke Mollema da Belkin, Davide Rebellin da CCC Polsat, Luis Leon Sanchez e Richie Porte da Sky. Ausência do grupo principal foi Braddley Wiggins.

Video dos últimos 3 km

3ª etapa

movistar

Na 3ª etapa da prova, a maior atracção desta era a subida final ao Santuário de La Virgem de la Sierra de Cabra, outra daquelas subidas cuja ausência do calendário da Vuelta é inexplicável visto que é uma subida de cerca de 11 km com uma pendente média de 8% e algumas rampas na parte final de 18\20% (ascenção de 18 metros em altitude a cada 100 metros de estrada). Os ciclistas tinham portanto um autêntico muro pela frente.

Como lhe competia, a Movistar controlou a etapa. Na ascenção final, o grupo dos favoritos destacou-se no grupo principal, existindo uma abordagem altamente tacticista entre Alejandro Valverde e Richie Porte. O espanhol não se fez rogado e voltou a fazer das suas (não é normal Valverde ter dois dias bons seguidos na alta montanha, muito menos vitoriosos) ao atacar nos metros finais da etapa. Retirou apenas 1 segundo ao grupo perseguidor: Scarponi (Astana) Porte, Daniel Navarro (Cofidis; cuidado que este senhor também quer qualquer coisa no Tour deste ano) e Luis León Sanchez. No 2º grupo, Bauke Mollema cruzou a meta a 5 segundos de Valverde juntamente com o ciclista estónio Tanel Kangert da Astana. O estónio demonstrou na Andaluzia que está a melhorar a olhos vistos na alta-montanha. Poderá ser uma ajuda preciosa para os seus líderes de equipa (principalmente de Nibali e Tiralongo) nas etapas de montanha das grandes provas por etapas. Tiralongo esteve bastante mal na etapa ao perder 1 minuto e 48 para Valverde. Braddley Wiggins esteve novamente ausente do grupo dos favoritos.

Com a vitória na Sierra de Cabra, Valverde aumentou a sua vantagem para Richie Porte para 20 segundos. Luis Leon Sanchez era terceiro a 22 segundos.

4ª etapa

Ultrapassada a montanha era tempo para os sprinters impor as suas credenciais. Com Marcel Kittel e Gerald Ciolek em prova, a etapa terminada em Sevilla seria ideal para uma chegada ao sprint. Coube ao veterano alemão da MTN-Qubeka cruzar em primeiro lugar a linha de meta disposta na capital da região à frente de Roy Jans da Wanty-Groupe Gobert e do sprinter Moreno Hofland da Belkin. O jovem sprinter português Fabio Silvestre da Trek-Leopard, a fazer a sua primeira época como profissional e como ciclista da primeira formação da equipa foi 8º numa chegada em que Marcel Kittel decidiu não ir a jogo.

5ª etapa

Na consagração de Alejandro Valverde como o vencedor da geral da prova (3ª vitória consecutiva) coube ao holandês Moreno Hofland vencer a etapa final da prova.

Valverde provou ser mais forte que a concorrência na fase final das provas de montanha e saboreou as suas primeiras vitórias do ano. O espanhol preparou assim as principais provas de uma semana nas quais costuma participar e vencer como a Volta a Catalunha, Murcia e Burgos, provas que irão decorrer mais adiante no calendário internacional, algumas das quais com a presença de Rui Costa.

Tour de Haut Var

A contar para a Taça Nacional de França, o Tour de Haut Var ofereceu aos ciclistas que nele participaram 2 etapas de nível de dificuldade médio. Na prova participou o jovem ciclista português Domingos Gonçalves da La Pomme Marseille, equipa francesa da UCI Pro Continental na qual também corre o seu irmão José Gonçalves.

betancourt

A prova acolheu a participação de ciclistas como Carlos Bettancur (AG2R; ciclista que de resto venceria a prova depois de desafiar com sucesso o holandês John Degenkolb da Argus no sprint da primeira etapa; é de homem um trepador conseguir bater um sprinter do nível de degenkolb na sua especialidade), Thor Hushovd (Cadel Evans e Amael Moinard (BMC; este venceria Betancur ao sprint na segunda etapa) Sylvain Chavanel e Jerome Pineau (IAM Cycling) John Gadret da Movistar ou Pierrick Fèdrigo da FJD. Basta portanto dizer que os grandes ciclistas do pelotão francês estavam lá todos.

Amanhã irei escrever sobre o Tirreno-Adriático e irei apresentar mais 1 equipa da World Tour. Irei também actualizar o ranking da World Tour.

Ciclismo 2014 #12

Volta ao Algarve

Ontem – 2ª etapa – Lagos-Monchique 190 km

Kwiatowski 2

A opção que Rui Costa tomou no dia anterior (oferecer a vitória ao seu sprinter Sasha Modolo em cima da recta da meta) poderá não ter sido a mais a acertada. Na 2ª etapa da Volta ao Algarve, o português voltou a fazer novamente no 2º em Monchique, atrás do vencedor da etapa, o talentoso all-rounder Michal Kwiatkowski da Omega-Pharma-Lotto. O Belga já tinha triunfado numa etapa um tanto quanto semelhante no Challenge de Maiorca na semana passada. No Algarve, está a confirmar o excelente momento de forma que atravessa neste início de temporada. A Omega-Pharma-Quickstep está para já a confirmar-se como a grande dominadora deste início de temporada. Para além das vitórias individuais do ciclista polaco de 23 anos, a equipa já venceu no Dubai, no Qatar (geral inclusive) e em Oman, completando o pleno nas provas de World Tour até agora disputadas.

Depois de uma interessante primeira etapa, esperava-se que Rui Costa fosse capaz de vencer na serra de Monchique. Não se esperava que Alberto Contador quisesse entrar na luta pela vitória visto que é a primeira prova que está a realizar na presente temporada.

A etapa iniciou com uma fuga composta por ciclistas franceses. O sprinter Arnaud Demare (FDJ) Alexandre Pichot (Europcar) e Florian Senechal (Cofidis) decidiram atacar em conjunto com o primeiro de olho nas metas volantes posicionadas a meio da tirada. A Radio Popular-Boavista, líder da classificação das metas volantes através de Cesar Fonte não quis deixar escapar a oportunidade de salvaguardar a camisola no corpo do seu atleta até porque enquanto este a mantiver dá um mediatismo superior ao nome e à imagem do patrocinador da sua equipa. Fonte haveria de testar uma fuga com mais 4 ciclistas poucos quilómetros depois do trio da frente ter sido apanhado mas a Saxo-Tinkoff foi rápida a anular por completo a investida.

A presença da equipa dinamarquesa na frente indiciava que Alberto Contador tinha planos em mente para a subida final, nem que fosse apenas “esticar as pernas” para medir as respostas do corpo nestes primeiros dias de competição e o nível de preparação feita no estágio de pré-temporada. A subida esfumou-se sem existir um ataque. Na descida de 5 km até Monchique, o grupo dos favoritos entrou numa espiral de desconfiança mútua, Kwiatkowski decidiu avançar e cortou a meta em Monchique com 6 segundos de avanço para Rui Costa que bateu ao sprint os espanhóis Albert Contador e Eduard Prades da OFM-Quinta da Lixa. Mais atrás, a 17 segundos do polaco chegaria um grupo onde estavam Alexandre Geniez (FDJ) Chris Horner (Lampre-Merida) Jonathan Castroviejo (Movistar) e Edgar Pinto (LA Alumínios-Antarte).

Na geral, o polaco ficou com a liderança da prova, com Rui Costa a 4s e Alberto Contador a 12s.

3ª etapa – hoje

Contra-relógio de 13,6 quilómetros entre Vila do Bispo e Sagres. Previa-se uma interessante batalha pela geral entre Michal Kwiatkoswski e Rui Costa visto que, apesar do polaco ser um especialista nesse departamento do ciclismo, o português também tem um rendimento muito interessante no contra-relógio curto. Relembro que o português é o campeão nacional em título. No ano passado, na prova disputada em Pataias (Alcobaça), Rui não deu qualquer hipótese à concorrência interna (os principais especialistas no contra-relógio curto como Tiago Machado ou Nelson Oliveira ficaram a mais de 1 minuto do campeão do mundo em 26 km de prova). Como principal candidato para vencer a ventosa luta contra o cronómetro no Sudoeste Algarvio estava o actual bicampeão do mundo da especialidade, o alemão Tony Martin da Omega-Pharma (outra vez arroz!), curiosamente o vencedor da geral da Volta ao Algarve em 2009 e 2013. Nas duas edições, o alemão cravou a sua diferença para os demais no Contra-relógio e, no caso de particular da edição de 2009, no Alto do Malhão, principal inclinação da prova. O Malhão será a atracção da etapa de amanhã.

Desta vez o campeão do mundo não conseguiu fazer a diferença. Kwiatkowski voltou a vencer de forma categorica, deixando a 11 segundos Adriano Malori da Movistar (outro dos candidatos à vitória na etapa, o espanhol Jonathan Castroviejo não conseguiu entrar sequer no top-10) e a 13 Tony Martin. Alberto Contador perdeu 20 segundos (4º) e Rui Costa foi 11º a 34 segundos.

Com a vitória na etapa, o ciclista da Omega-Pharma-Quickstep aumentou a sua vantagem para os mais directos perseguidores. Alberto Contador ascendeu à 2ª posição da prova com uma diferença de 32 segundos para o líder enquanto o português caiu para a 3ª posição a 38 segundos.

Amanhã corre-se a etapa decisiva da prova com a chegada em alto ao Malhão (1ª categoria).

Tour de Oman

3ª etapa – na quinta

Andre Greipel

(toda a gente sabe que essas pulseiras do equilíbrio não funcionam ó Greipel)

Quando toda a gente previa que os homens mais vocacionados para a média montanha pudessem atacar nas contagens de montanha destacadas nos últimos quilómetros da etapa que ligou Bank Muscat a Al Bustan (146 km), tudo acabou por ser discutido no sprint final com o alemão André Greipel a resolver novamente para a Lotto-Belisol.

Depois de uma fuga de 5 ciclistas pouco cotados que durou quase 100 km, a segunda ascenção da etapa separou o trigo do joio. Dario Cataldo comandou o pelotão e trabalhou para Chris Froome (Sky). Na roda de Froome seguiram Peter Sagan (Cannondale) Fabian Cancellara (Trek-Leopard) e do checo Zdenek Stybar (Omega-Pharma-Quickstep). Estes quatro haveriam de atacar, sendo apanhados a cerca de 1km para a meta pelo grupo principal. Para o efeito, valeu o trabalho conjunto de BMC, FDJ e Lotto. No Sprint final André Greipel voltou a superiorizar-se a Peter Sagan e ao jovem sprinter francês Nacer Bouhanni (FDJ) e segurou a liderança da prova.

4ª etapa – Ontem

Peter Sagan 2

A etapa que ligou Wadi Al Abiyad ao Ministério da Habitação na capital Muscat, na distância de 173 km, poderia ser decisiva no que diz respeito às contas da geral. Com 4 inclinações, 1 delas com algum grau de dificuldade, quem chegasse isolado à Avenida onde se situa o Ministério da Habitação daquele estado do médio oriente poderia não só ganhar a etapa como amealhar o tempo suficiente para vencer a geral da prova, apesar de, ainda existir um contra-relógio pela frente até domingo.

A prova começou com uma fuga muito precoce nos primeiros quilómetros. Valerio Agnoli e Liewe Westra (é o homem mais combativo da época até ao momento; ambos da Astana) tentaram a sua sorte ao quilómetro 9 com o brasileiro Murilo Fischer da FDJ. A fuga durou 6 km. 2 quilómetros depois, o sprinter belga Greg Van Avermaet (BMC) Yaroslav Popovych (Trek) e Huffman (Astana) tentaram a sua sorte se bem que penso que aqui a estratégia dos directores desportivos, em particular o da Astana, era o de pura e simplesmente obrigar a Lotto-Belisol e as demais interessadas (Sky, Cannondale, Omega-Pharma) a desgastarem-se na frente do pelotão. Não sendo um trepador de excelência, a presença de Popovych na frente da corrida poderia causar alguma ameaça às pretensões destas equipas.

A fuga teve algum sucesso. O trio conseguiu amealhar 5 minutos e meio de vantagem no momento em que abordaram a primeira montanha do dia. Lá atrás no pelotão, a vantagem amealhada levou a que a Lotto-Belisol, Omega e Saxo-Tinkoff assumissem as despesas da perseguição com a BMC a colocar 2 ou 3 elementos na frente para atrapalhar a organização desta.

Na terceira incursão pela montanha do dia, Popovych foi alcançado, ficando Van Avermaet sozinho na frente com 32 segundos de vantagem para o pelotão. Entretanto, na cauda do pelotão André Greipel começou a ficar para trás e nunca mais regressou ao convívio dos grandes. No final desta colina, o colombiano Sergio Henao disferiu o seu ataque, tendo passado no alto com 18 segundos de vantagem para o pelotão e 16 de desvantagem para Van Avermaet. O último só seria alcançado a 14 km da meta por um grupo de 60 unidades.

Na última ascenção do dia, a Sky foi para a frente e deixou Chris Froome sozinho. Na perseguição ao vencedor do Tour em 2013 estavam Rigoberto Uran (agora na Omega), Roman Kreuziger (Saxo-Tinkoff), Peter Sagan e Vincenzo Nibali (Astana). Froome passou a contagem de montanha na primeira posição mas rapidamente foi alcançado na descida por Uran, Sagan e Nibali que trabalharam em conjunto para anular a diferença para o britânico. Com 18 segundos para os perseguidores, o quarteto chegou ao fim da etapa e Peter Sagan foi como seria de esperar o mais rápido no sprint final.

O eslovaco assumiu a geral da prova com 10 segundos de vantagem sobre Rigoberto Uran e 14 sobre Vincenzo Nibali. André Greipel cruzou a meta a 21 minutos do vencedor!

Ciclismo 2014 #9

Vuelta a Mallorca

2ª etapa – Segunda-feira

Mallorca Challenge 2014

Na 2ª etapa do Challenge da ilha maiorquina, Sasha Modolo (Lampre) repetiu a vitória obtida no domingo ao vencer a tirada que ligou Ses Salines-Campos Santanyí na distância de 183 km. Numa etapa marcada por uma fuga de 7 ciclistas, o ciclista da equipa de Rui Costa bateu ao Sprint o britânico Ben Swift da Sky e o belga Gianni Meersmann da Omega-Pharma Quickstep.

3ª etapa

Kwiatowski

A Omega-Pharma viria a ter mais sorte na 3ª etapa da prova. Com um total de 159,9 km e 5 contagens de montanha pela frente (a última de primeira categoria a 18,9 km da meta) a etapa foi animada com uma fuga de 6 ciclistas entre os quais o estónio Tanel Kangert da Astana. Chegaram a gozar 9 minutos de vantagem para o pelotão, liderado pela Movistar. Na contagem de montanha de primeira categoria (Coll del Puig Mayor) o trepador polaco Michael Kwiatkowski lançou o seu ataque em conjunto com o colombiano Sérgio Henao (Sky). Ambos colaram-se aos homens da frente, tendo sido o primeiro mais forte no ataque urdido a 6 km da meta.

4ª etapa

meersman

A última etapa do Challenge de Mallorca trouxe uma etapa com 4 ascenções de 2ª categoria. A etapa foi preenchida com uma fuga com algum sucesso protagoniza por gente de topo do pelotão internacionais, entre os quais Ruben Plaza e Igor Antón (Movistar) Mikel Landa (Astana) Anton Txurruca (Caja Rural) Jurgen Van der Broeck (Lotto-Belisol) e o português Tiago Machado (Net-App). O português seria de resto o último a ser apanhado pelo pelotão a 50 km da meta.

Gianni Meersman acabaria por vencer a tirada ao sprint, batendo o espanhol Fran Ventoso (Movistar) e o britânico Ben Swift da Sky.

Tour do Qatar

3ª etapa – ontem

michael hepburn

Dia de contra-relógio de 10,9 km no Circuito de Losail. Na luta contra o relógio, o campeão australiano da especialidade Michael Hepburn da Orica GreenEdge confirmou as suas credenciais ao vencer a etapa de especialidade com um tempo de 13 minutos e 28 segundos. A 1 segundo do australiano, posicionou-se na 2ª posição Lars Boom da Belkin. O italiano Daniele Bennati (Saxo Bank) ficou na terceira posição a 6 segundos. O camisola dourada Niki Terpstra (Omega-Pharma-Quickstep) foi 5º, tendo perdido 8 segundos para o vencedor.

O holandês aumentou a sua vantagem nesta etapa para Jurgen Roelants (Lotto-Belisol) para 21 segundos. Lars Boom desalojou Tom Boonen da 2ª posição e cifrou 24 segundos de desvantagem para o líder.

4ª etapa –

Tom Boonen 2

Tirada de 135 km corrida com o vento a favor, dificuldade que fez cortes no pelotão nos primeiros 30 km. Lars Boom furou logo ao 4º quilómetro. Phillipe Gilbert voltou a tentar a sua sorte numa fuga. O vento haveria de fazer estragos nos últimos 40 km ao formar vários grupos. Para trás, impedidos de lutar pelo sprint ficaram Lars Boom, Fabien Cancellara e Arnaud Demare (Française des Jeux). A etapa seria novamente disputada ao sprint com vitória para o Gigante Belga Tom Boonen sobre o alemão André Greipel da Lotto-Belisol e sobre Holandês Barry Markus da Belkin. Com a vitória Boonen subiu ao 2º lugar da prova a 17 segundos do seu companheiro de equipa Niki Terpstra.

Amanhã disputa-se a penúltima etapa da prova.

Ciclismo 2014 #5

Nairo Quintana

Nairo Quintana não irá correr o Tour em 2014. Eusébio Unzué continua a arte de destruir carreiras em prol do seu menino de ouro Alejandro Valverde. A decisão foi apresentada ontem pelo Director Desportivo da equipa espanhola:

“Pessoalmente, não acredito que levar o Nairo com a sua idade a este Tour, com a pressão de melhorar o que fez no ano passado, seja o mais interessante para a sua progressão. Prefiro que na fase de formação em que está conheça o Giro, porque pensamos que pode ser uma corrida interessantíssima para melhorar em muitos aspetos e na qual, pela primeira vez, vai assumir a liderança da equipa. O Alejandro dá-nos garantias de ter um líder sólido no Tour. Tem toda a nossa confiança, por aquilo que ganhou. No ano passado, demonstrou que, sem a avaria, podia ter estado no pódio.”

Como não poderia deixar de ser… A liderança sólida de Alejandro Valverde dura por norma até à 7ª etapa. Depois fura ou cai ou não se consegue posicionar no pelotão numa etapa de abanicos, arrasta com ele a equipa e apanham todos 8 minutos. Tenho dito e volto a dizer: já o foi com Rui Costa, já previa que este cenário ocorresse com a continuidade do Colombiano na equipa – Enquanto Alejandro Valverde estiver na Movistar, Unzué irá apostar sempre em Valverde, facto que não permitirá à equipa ter um candidato ao Tour.

o alejandro marque dopou-se?!

aqui.

oooooooooohhhhhhh surprise surprise. Não estávamos nada à espera!!

O El País confirma um controlo positivo, a OFM Quinta da Lixa desmente. Marque queixou-se de dores no joelho e fez uma infiltração com uma substância permitida (com utilização limitada em competição), o esteroide betametasona. A OFM afirma que já enviou toda a documentação para o “passaporte biológico” do atleta na UCI, inside sources dentro da Movistar afirmaram que Marque vai ser imediatamente despachado porque o seu contrato tem uma cláusula que o permite.

Apure-se a verdade. AdOP, Organização da Volta à Portugal, OFM-Quinta da Lixa, Alejandro Marque e Federação Portuguesa de Ciclismo. Vi, no início da Volta, os entusiastas defensores das substâncias dopantes no ciclismo (vide o que escrevi aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui sobre a questão) afirmar as mais dignas baboseiras aquando da suspensão que o ciclista Sérgio Ribeiro por 12 anos. O argumento dessa corrente é simples de perceber mas pernicioso: “todos se dopam porque as provas são duras e coisa e tal” – o típico post-huc – eu faço x, logo x leva a y –  a dureza das provas (quilómetragem em excesso das etapas, etapas de montanha atrás de etapas de montanha) é a justificação artificial perfeita para legitimar o uso destas substâncias no pelotão – se assim o é, diminuam-se as pauladas de kms que os ciclistas levam durante as provas e assim temos o assunto resolvido. Este argumento foi o mesmo argumento que o mega fraudulento Fuentes apresentou em Madrid perante o colectivo de juízes: “salvei-lhes a vida” – disse. Apure-se a verdade. Principalmente junto da Organização. Um controlo positivo abafado é motivo suficiente para fazer rolar algumas cabeças tanto na FPC como na Organização. Joaquim Gomes é o primeiro.