Ciclismo 2014 #26

Luka Mezgec 2

Dobradinha para o esloveno Luka Mezgec na chegada a Girona. O líder da prova alcançou a 12ª vitória da temporada para a Giant-Shimano. A equipa de 2 dos melhores sprinters mundiais da actualidade (John Degenkolb e Marcel Kittel) está a ser absolutamente dominadora no mundo dos sprinters durante esta temporada.

Mezgec, até agora lançador da dupla dourada da equipa, consegue com estas duas vitórias na Catalunha subir mais um degrau na hierarquia da equipa. Mesmo numa prova onde não se encontram muitos sprinters (na verdade, nenhum do lote dos melhores do mundo), as duas vitórias do esloveno significam que o director desportivo Iwen Stepenbrink tem no corredor uma boa alternativa para provas nas quais queira descansar os seus dois maiores activos. O esloveno provou à equipa que também é sinónimo de vitórias.

O dia começou com o anúncio do abandono de Richie Porte. O gregário de luxo de Chris Froome voltou a ressentir-se dos problemas gastroentestinais que já o tinham levado a abandonar a Tirreno-Adriático. Ontem por exemplo, não chegou inserido no pelotão em Calella.

Mataró a Girona no total de 168 km. Duas contagens de montanha, uma de 2ª e outra de 3ª logo a abrir a etapa. Muita chuva.

Os primeiros protagonistas da etapa foram Maxime Belkov da Katusha, Michel Koch da Cannondale, Jerome Baugny da Wanty, dois corredores da CCC Polsat (Tomasz Marczynski e Marek Rutkiewicz) e como não poderia deixar de ser, o combativo Thomas Voeckler. O grupo ganhou alguma vantagem nos primeiros quilómetros mas a presença de Voeckler no grupo levou a Sky e a Giant-Shimano a trabalhar lá atrás no pelotão para anular a fuga, facto que de resto até obrigou a esforços extraordinários por parte de outras equipas interessadas numa chegada ao sprint (Lampre, Orica) porque Voeckler decidiu iniciar uma corrida em solitário a cerca de 30 km da meta, quando a diferença do grupo para o pelotão já era de 1 minuto e 10.

O francês tentou. Claro está que o ataque não era para levar muito a sério. O líder da Europcar ainda está à procura da sua melhor forma na temporada e tentou perceber qual a sua condição física nesta fase da temporada, tal como o tinha feito quando encetou várias fugas em várias etapas do Paris-Nice. Contudo, o pelotão deixou Voeckler embalar e só o conseguiu apanhar a cerca de 6 km da meta.

Iniciaram-se os comboios com algum nervosismo dentro do pelotão. Duas quedas a meio da etapa faziam aumentar o risco de uma queda na recta da meta. A Giant colocou Mezgec nos primeiros lugares, seguida da Lampre que tentou colocar Roberto Ferrari na roda do ciclista esloveno. O esloveno seria mais forte que os italianos na recta da meta, batendo Ferrari e Daniele Ratto da Cannondale. Na aceleração promovida para o sprint final, os 9 que disputaram o sprint provocaram uma pequena cisão de alguns metros (3 segundos) no restante pelotão.

Bruno Pires e Sérgio Paulinho (Saxo-Tinkoff) foram respectivamente 39º e 133º a 3 segundos do vencedor.

Mezgec lidera a prova com 14 segundos de vantagem para Roberto Ferrari (Lampre-Mérida) e Howard Leigh (Orica GreenEdge).

catalunha

A etapa de amanhã trará a primeira hipótese de podermos ver Froome, Contador, Purito, Quintana e Horner na alta montanha. A etapa que liga Banyoles a La Molina tem 3 contagens de extrema exigência: uma de primeira categoria e outra de categoria especial a abrir (a de categoria especial poderá romper com o pelotão e resumir os candidatos a um lote de 50\60 corredores) e uma contagem de primeira categoria com chegada em alto a finalizar. A etapa disputa-se muito perto de Andorra.

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Ciclismo 2014 #25

Milão – São Remo

kristoff 2

O medalhado de bronze da última prova de estrada dos Jogos Olímpicos de Londres, Alexander Kristoff da Katusha tornou-se o vencedor da edição deste ano ao bater ao sprint nomes como Fabian Cancellara (Trek), Ben Swift (Sky) e Mark Cavendish (Omega-Pharma-Quickstep).

Ontem teve lugar a dura clássica que liga a capital do norte italiano a San Remo, uma das atracções turísticas da Ligúria. Esta clássica marcou o arranque das clássicas da primavera. Até ao mês de Maio, os ciclistas terão pela frente 12 clássicas disputadas em vários países, entre as quais a Amstel Gold Race, a Liège-Bastogne-Liège, a Kuurne-Brussels-Kurne ou o inferno do Paris-Roubaix. À partida em Milão, os grandes favoritos para vencer a clássica eram Fabian Cancellara, Peter Sagan (Cannondale), Mark Cavendish, Filippo Pozzatto e Sasha Modolo (Lampre) ou Vincenzo Nibali (Astana).

Numa corrida disputada quase na sua totalidade sob condições atmosféricas adversas (a chuva deu tréguas na parte final da prova) foi uma prova disputada com muitos ataques de várias equipas, entre os quais o de Vincenzo Nibali na aproximação à última inclinação do dia, a Cipressa. Nibali não só não levou avante o seu ataque (mais uma vez fez um ataque descabido muito longe da meta) como no início dessa colina perdeu contacto com o grupo de favoritos, grupo onde estavam Cancellara, Sagan, Cavendish e o vencedor da prova do ano passado, o alemão Gerald Ciolek.

podio milan san remo

Nenhum dos ataques conseguiu ser mortífero e a prova foi discutida ao sprint por um lote reduzido de corredores. O norueguês Kristoff foi mais forte que a concorrência, batendo Fabian Cancellara e Ben Swift ao sprint. Mark Cavendish ainda discutiu o sprint mas apenas logrou ser 5º na prova. Peter Sagan não conseguiu posicionar-se bem para o sprint final, tendo ficado apenas na 10ª posição.
Excelente vitória para Kristoff no ano em que o norueguês espera consolidar o seu estatuto dentro da elite dos sprinters do pelotão internacional. Já no passado mês de Fevereiro, em entrevista, o norueguês afirmava que tinha treinado imenso a sua postura corporal no sprint para poder ser mais competitivo nas chegadas em pelotão ou em grupo compacto.

Últimos quilómetros:

Volta à Catalunha

volta catalunha

martin

Entretanto começou hoje na região autónoma espanhola a Volta à Catalunha em bicicleta. Durante 7 etapas, vários ciclistas tentarão suceder ao irlandês Daniel Martin como o vencedor da geral da prova. Martin corre perto de casa visto que o ciclista irlandês mora na Catalunha, mais precisamente em Girona. Em declarações à organização da prova, o ciclista irlandês afirmou que estará na catalunha para honrar o dorsal número 1 e iniciar a sério a sua preparação para o Giro de Itália, uma das provas que constitui parte dos seus objectivos para esta temporada: lutar pela vitória na geral da prova ou pelo menos fazer um pódio. O facto de Martin estar destacado como chefe-de-fila para o Giro poderá indiciar que no Tour a equipa irá apostar em Talansky para a Geral e Hesjdal poderá ser a aposta para a Vuelta. Tal assumpção justifica-se com a inserção de Hesjdal na prova, ele que poucas corridas em espanha correu nos últimos anos.

Para além de Martin, presentes na Volta Catalã estão Purito Rodriguez da Katusha (a sua primeira aparição em competição na presente temporada), Alberto Contador (Saxo-Tinkoff), Samuel Sanchez da BMC (primeira corrida pelas cores da sua nova equipa), Luis Leon Sanchez (Caja Rural), Carlos Alberto Betancur (AG2R), Wilco Keldermann (Belkin), Tejay Van Garderen (BMC), Christopher Froome (Team Sky), Ivan Basso (Cannondale), Andrew Talansky (Garmin), Ryder Hesjdal (Garmin), Simon Clarke (Orica GreenEdge), Chris Horner (Lampre; a lesão contraída no Tirreno-Adriático não passou de um susto), Daniel Moreno (Katusha), David Rebellin (CCC Polsat) e Nairo Quintana (Movistar). Ou seja, estão cá praticamente todos os grandes ciclistas mundiais, prevendo-se bastante espectacularidade nas etapas de montanha que a prova irá oferecer durante esta semana. Alberto Contador e Chris Froome estarão aqui, pela primeira vez, em contenda numa prova em que a Garmin veio com os seus 2 chefes-de-fila e com o seu ciclista outsider (Talansky) para renovar o título conquistado pelo ciclista Irlandês.

1ª etapa

Luka Mezgec

Aproveitando o facto da prova ter poucos sprinters (o traçado não é convidativo à sua presença), o esloveno Luka Mezgec, 3º sprinter da equipa, actual lançador de Marcel Kittel conseguiu a sua primeira vitória da época na prova disputada no circuito montado pela organização em Callela com a distância de 169 km.

O esloveno bateu ao sprint Leigh Howard da Orica GreenEdge e Julian Alaphillipe da Omega-Pharma-Quickstep, tornando-se o primeiro camisola vermelha da competição.
Quanto aos portugueses em prova, Bruno Pires e Sérgio Paulinho chegaram dentro do pelotão, respectivamente nas 72ª e 152ª posições.

Na 2ª etapa, os ciclistas partirão de Mataró em direcção a Girona (total de 168 km) numa etapa cujo final também se prevê disputado ao sprint. Pelo meio, os ciclistas terão uma contagem de montanha de 3ª categoria e outra de 2ª que não causarão grandes diferenças ou dificuldades aos sprinters.

3. Alterações para o futuro da Vuelta

ASO

No final da semana passada, a ASO, empresa subsidiária da Amaury (proprietária do jornal L´Equipe e dos direitos de organização do Rally Dakar) anunciou a compra de 49% da espanhola Unipublic, a actual organizadora da Vuelta. A organização da prova espanhola passará a partir deste ano a ser partilhada pelas duas empresas.