NBA 2013\2014 #53

nowitzky 2

Com os playoffs a caminho (começam no dia no próximo dia de 19; os Phoenix Suns deram um passe de gigante na última semana para serem, de forma surpreendente, os 8ºs da conferência Oeste) este final de fase regular fica marcado por mais três recordes, 2 individuais, de carreira, outro de um jogo da fase regular e pelo fim de um recorde de época.

1. O alemão Dirk Nowitzky entrou para o 10º lugar do histórico ranking de marcadores da Liga. O alemão de 35 anos, jogador dos Dallas Mavericks, detentor de um poderoso fade away shot (a sua imagem de marca), ultrapassou na lista o também histórico Oscar Robertson, considerado por muitos como um dos jogadores capazes de figurar no Mount Rushmore da NBA (a imaginária adaptação para a NBA do memorial construído nos rochedos de Black Hills of South Dakota com a figura de 4 históricos presidentes norte-americanos) com os 21 pontos obtidos na vitória dos Mavs em Utah. Nowitzy tem agora 26714 pontos, estando a 232 da antiga estrela de Houston Hakeem Olajuwon (ainda ultrapassável na presente temporada caso Nowitzky mantenha a sua pontuação regular nos 3 jogos que faltam disputar na fase regular e em 7 ou 8 jogos de playoffs) e a 599 de Elvin Hayes. Dirk é o 2º jogador com mais pontos em actividade. O primeiro é Kobe Bryant (31700) e o 3º é Kevin Garnett com 25614 pontos.

2. O quarentão de Los Angeles Steve Nash tornou-se o 3º jogador da história da liga no capítulo das assistências. Nash passou nesta madrugada Mark Jackson (actual treinador dos Golden State Warriors).

3. No jogo em Nash se consagrou no top 3 do respectivo recorde de carreira, os Lakers averbaram mais uma derrota volumosa. Derrota por inacreditáveis 145-130 contra os Houston Rockets de James Harden. A equipa de Houston apontou 49 pontos no 3º período, máximo de pontos apontados por uma equipa num período já que estamos numa de recordes. A equipa de LA somou o 3º jogo desta temporada a sofrer mais de 130 pontos. A equipa de Houston ganhou a Oklahoma no fim de semana num jogo que ficou marcado pelo record obtido por Kevin Durant. O extremo de OKC bateu um velhinho record obtido nos anos 90 por Michael Jordan: 41 jogos consecutivos a marcar 25 ou mais pontos.

4. O record de Durant terminou ontem. O jogador da equipa orientada por Scott Brooks apenas somou 23 pontos na vitória de Oklahoma frente aos Sacramento Kings.

2. Meanwhile in Detroit…

Dumars

Dumars 2

O histórico jogador e actual general manager dos Detroit Pistons Joe Dumars, poderá renunciar ao cargo que ocupa no final desta semana. Já tinha abordado aqui neste blog o facto de, para Detroit, esta ser uma temporada decisiva. Os Pistons tem sido desde o desmembramento da geração campeã em 2004 (Rashid Wallace, Ben Wallace, Richard Hamilton, Antonio McDyess, Tayshaun Prince, Chauncey Billups) uma das equipas que mais prejuízo dá dentro da liga. Ao prejuízo somam-se os péssimos resultados obtidos nas últimas 3 épocas (últimos lugares da conferência este na fase regular) e um rebuild lento e pouco eficaz face às ambições conhecidas dos Pistons: um franchise pretendente ao título da NBA pelo menos numa época por década.

Face a um crónico défice de bilheteira registado no Palace of Auburn Hills (como bem sabemos, a cidade de Detroit está perto da falência e conta neste momento com milhões de desempregados e com várias partes da cidade parcial ou totalmente desertificadas) a presidência da equipa apostou tudo este ano para chegar aos playoffs com as entradas de Brandon Jennings, o italiano Gigi Datome (via draft) e Josh Smith para uma equipa epicentrada nos postes Andre Drummond e Greg Munroe. Os próprios bilhetes para os jogos dos Pistons em casa eram oferecidos a preço de saldos. Cheguei a ver a meio da temporada, entradas individuais a 8 dólares e colectivas de 8 pessoas a 70 dolares com várias ofertas. A equipa ainda chegou a ameaçar a possibilidade de ir aos playoffs na primeira metade da época mas, na 2ª metade, sucumbiu. O presidente da equipa Tom Gores crê que está na altura de renovar os seus quadros directivos. Como nos últimos anos, Gores tem perdido imenso dinheiro na equipa, não há coisas de coração (Dumars é um dos consagrados de Detroit tanto como jogador como na pele de dirigente) que resistam a um mau investimento.

4. O segredo de Greg Popovich. Bom artigo escrito na Bleacher Report.

O segredo de Popovich é a escolha de um grande jogador por geração, assegurando a equipa que esse jogador é um jogador de franchise. Fazendo uma analogia ao lema do FC Porto, Popovich quer um jogador à Spurs. Como David Robinson, Tim Duncan, Tony Parker, Manu Ginobili ou agora Kahwi Leonard por exemplo. Ou seja jogadores com características de sucesso, prontos a vencer a qualquer momento, reservados, trabalhadores, respeitadores das suas regras (em San Antonio a coisa funciona assim: Se Pop diz x, é x e ninguém ousa contrariar Pop porque toda a gente sabe que Pop sabe bem aquilo que faz) e tecnica e defensivamente evoluídos. Não é por acaso que San Antonio é uma das raras equipas do Oeste que defende tão bem ou melhor que as habituais grandes defensoras da Liga, as equipas da Conferência Este.

NBA 2013\2014 #46

Mais uma grande exibição dos Bulls. Principalmente no início do terceiro período com um parcial de 16-0 nos primeiros 5 minutos. Em particular, mais uma grande exibição de Joakim Noah. Secou praticamente Howard (nao lhe deu um milímetro de espaço para jogar), ganhou muitas faltas, assistiu bastante os seus companheiros. 13 pontos, 10 ressaltos e 9 assistências. Bem próximo novamente do triplo-duplo. Em suma, o francês é a alma da equipa.
Eficácia estonteante para os Bulls nos triplos 14\24, com a tripla Dunleavy\Augustin\Hinrich a conseguir marcar 12 lançamentos em 19 tentativas. Muito contribuiu Joakim Noah para esta eficiência com os seus preciosos bloqueios aos defensores, bloqueios que quase sempre permitiram boas situações de lançamento ao trio acima enunciado.

Mike Dunleavy ainda assustou quando no 2º período ao sofrer uma cotovelada de Chandler Parsons (foi marcada falta ofensiva; os Rockets cometeram muitas faltas ofensivas) teve que sair para o balneário para ser cozido no sobrolho. Quando regressou, brindou o público presente no United Center com uma exibição de gala no parcial do 3º período (16 pontos). Para uma equipa que apresentava algum défice na meia-distância (por norma nos últimos lugares no ranking de eficiência de 3 pts), o trabalho desenvolvido pelo staff de Chicago junto dos lançadores (Hinrich, Dunleavy, Butler, Augustine).

Péssima exibição dos Rockets. Entregaram o jogo de bandeja aos Bulls no 3º período. Foi uma equipa sem soluções, a começar pelo individualismo de James Harden. O único que escapou a este desastre foi Jeremy Lin com 21 pontos.

Anotamentos pós-jogo:

bulls 4

Momento caricato do jogo: Quando os Bulls tinham 99 pontos falharam duas ou três jogadas ofensivas. Apesar de estarem a vencer por mais de 20 pontos, no United Center o público brindava com um bruá cada um dos lançamentos falhados. Porque se os Bulls ultrapassarem os 100 pontos por partida, a McDonalds oferece um hamburguer a cada espectador. Quando os Bulls ultrapassam os 100 pontos, nas bancadas do United Center, alguns assistentes de recinto cruzam as bancadas do pavilhão com placards-foto dos hamburguers. Excelente estratégia de marketing da corporação que decerto deverá ter rendido vários milhões de euros aos cofres da equipa de Chicago.

Noah

O treinador dos Rockets Kevin McHale afirmou que Joakim Noah merece receber no final desta temporada o prémio de Defensive Player of The Year.

2. Meanwhile in Los Angeles…

Como já se previa, Kobe anunciou que não irá jogar mais esta época. Contudo, a imprensa tem especulado que o extremo não quer que Mike D´Antoni continue no comando técnico do clube. Sekou Smith no seu habitual Morning Shootaround no HangTime Blog:

Kobe 2

Numa altura em que Carmelo Anthony volta a ser equacionado pelos responsáveis dos Lakers e precisamente numa altura que se especula em Los Angeles que Steve Nash e Kobe Bryant poderão não ser capazes de voltar na próxima temporada em virtude dos multiplos períodos de lesão passados pelos dois atletas nas últimas 2 temporadas. Caso Jim Buss decida avançar para Melo, segundo Sekou Smith, sempre muito bem informado, terá concorrência apertada. O jogador entrou no radar dos Rockets como a missing thing para completar a equipa rumo ao objectivo título.

Carmelo 3

O negócio poderá ser facilitado com a troca de Jeremy Lin. Os Knicks já mostraram interesse no regresso do base a Nova Iorque. Todavia, analisando bem a possibilidade de Melo rumar a Houston, não sei até que ponto é que os Rockets estarão a dar um passo em frente ou um passo atrás. Se com Harden e Howard no rooster, Kevin McHale teve algum trabalho a conciliar o jogo destes dois jogadores (exterior e interior) com Melo, não correm os Rockets o risco de criar uma equipa excessivamente individualista?

NBA 2013\2014 #31

Kevin Durant – 46 pontos aos Blazers. Sim, aos fantásticos Blazers de Lillard e Aldridge.

Kevin Durant – 54 pontos e 6 assistências. A quem? Sim, aos Warriors de Seth Curry. Aos maravilhosos Warriors de quem se diz serem capazes de lutar pelo título da NBA.

O triplo-duplo por um fio na vitória sobre os Kings.

Isolem por momentos a divindade Kevin Durant. Os números são fabulosos, o streak é fantástico (4 jogos em 10 a marcar no mínimo 45 pontos\383 pontos nos últimos 10 jogos, coisa que nos últimos anos só foi superada por Kobe Bryant na malfadada época de 2006\2007). Tal e qual como Bryant nessa época (aquela época em que ele por exemplo marcou 87 pontos a Toronto) com a lesão de Russel Westbrook, é admissível que seja Durant a assumir praticamente todo o jogo ofensivo da equipa. Ainda para mais quando os adversários dos últimos jogos da equipa (rivais na conferência oeste) aguçavam essa necessidade.

É da minha opinião que só agora à 6ª época na equipa de Oklahoma, Scott Brooks conseguiu um colectivo. Escrevo-o porque nem no ano em que a equipa logrou visitar as finais (sim, visitar as finais) o treinador poderia afirmar que a equipa jogava como um colectivo. Nessa época, para além da inexistência de pressão na equipa visto que a mesma jogava com o estatuto de possível outsider da época, para além da excelente atitude demonstrada durante a fase regular e playoffs e para além da falta de maturidade demonstrada nas finais contra os Miami Heat, facto bastante compreensível para uma equipa cuja espinha dorsal (à excepção de Perkins) mal sabiam até então o que era disputar uma série de playoffs, Scott Brooks não tinha um colectivo. A equipa que chegou às finais em 2012, vivia excessivamente (e de certa maneira ainda vive) das prestações individuais dos seus dois melhores jogadores (Durant, Westbrook), da transcendência defensiva de Serge Ibaka e da ascendente revelação que cresceu nesse ano no seio da equipa (James Harden). O resto era pacote para compor o plantel. Harden viria de resto a ser melhor que KD durante os playoffs e nas finais, pode-se dizer que foi o único que tentou remar contra a maré de Miami.

Ano e meio passou desde as finais de 2012 e como seria de esperar, o modelo dos Thunder entrou no seu ponto de ebulição. Se não entrou, estará prestes a entrar. É certo que pelo meio houve uma certa reformulação do modelo. Harden não queria viver na sombra da dupla do 5 base e saiu para Houston. Kevin Martin não se deu na sombra porque também não é jogador de sombra em nenhuma equipa da liga. Os drafts foram trazendo jogadores muito interessantes para serem trabalhados. Casos de Perry Jones ou Jeremy Lamb. Pode-se dizer que a equipa está menos dependente de uma lesão de Westbrook ou Durant, mas não totalmente independente (ao nível de resultados) caso tenha que jogar sem os dois resultados. Provas disso foi o pulo ofensivo de Serge Ibaka nesta época, a crescente actuação de Jeremy Lamb como um go-to scorer vindo do banco, o incrível pulo que deu Reggie Jackson. Jackson está a ser na minha opinião um dos jogadores revelação desta época. Brooks também reaproveitou Nick Collison, jogador que andava por ali perdido no banco desde 2012. Os resultados nos últimos jogos estão a ser óbvios. Para uma equipa que já tem dois grandes lutadores nas tabelas (Perkins e Ibaka), qualquer jogador que acrescente mais 5 ou 6 ressaltos como Collison, pode fazer toda a diferença. O tendão de aquiles da equipa continua a ser o jogo interior ofensivo, departamento onde Perkins não dá conta do recado e apesar da subida pontual de Serge Ibaka, a equipa ainda apresenta algum atraso em relação a outras equipas com os mesmos objectivos.

2. Meanwhile, in Chicago

thibodeau

Dear Thibs,

É certo que já te critiquei várias vezes. Ou pela rotação que tu executas, ou por não dares minutos aos miúdos, ou pelas oscilações defensivas que a equipa apresenta, ou pelas dificuldades crónicas no plano ofensivo. Compreendo perfeitamente que nos últimos 2 anos tens feito muito com o muito pouco que tens. Os casmurros lá de cima já não te ouvem mas ainda continuam a creer que és o melhor para esta equipa. Provavelmente também nenhum outro treinador quer assumir este barco nesta situação. De facto és. Não tenhas dúvida que um dia serás campeão aí. Quando o Gar Forman e o Paxson forem demitidos pelo Jerry Reinsdorf. Nenhum Bulleano aguenta a contínua queima de épocas que estes dois protagonizam época após época. És o treinador da NBA com menos soluções de banco e ainda tens de viver com planteis cujos jogadores saltam de lesão para lesão. Como se isso não bastasse, todos aqueles que evoluis acabam por sair da equipa no verão porque como os lá de cima não te ouvem, não renovam com eles e deixam-nos sair para outras paragens por meia dúzia de trocados.

Esta época não foi excepção. Até ao 22º jogo da época (se não estou em erro) não tiveste o 5 base todo reunido. Ou melhor, o 5 base possível depois da lesão do Derrick Rose. Tiveste que executar novo trabalho psicológico com a equipa com a lesão do Rose. Quando estás a começar a afundar, vendem-te o Deng. Quando toda a gente te diz para fazer tanking a esta época e começar a projectar a próxima temporada a partir do próximo draft, eis que tu dizes não e a equipa num ápice volta aos lugares confortáveis do playoff. Espero portanto para ver as surpresas que vais trazer no futuro. Consegues fazer milagres com o pouco que tens no presente. Quando tiveres muito, vamos ver o que consegues fazer.