Ciclismo 2014 #31

fabien cancellara

Ronde Van Vlaanderen – Volta à Flandres, Bélgica – Ontem

O magnífico Fabian Cancellara escreveu ontem mais uma página de história na sua carreira ao ser pela 3ª vez vencedor da prova belga, 5º vitória suiça na prova. Cancellara junta-se assim a um lote de vencedores por 3 vezes no qual estão ciclistas como Johan Museeuw ou Tom Boonen. Boonen esteve presente na prova e ainda tentou dar um arzinho da sua graça.

259 km a separar Osteende e Blankenberg. Pelo meio, dezenas de corridas, segmentos em pavé e uma loucura de corrida, cheia de nervosismo e de aparatosas quedas.

Foi precisamente uma queda que pautou as primeiras das 6 horas de corrida disputadas na clássica Belga, clássica que serve de antecâmara para a clássica dos heróis, para o Inferno do Norte, o Paris-Roubaix, clássica que se irá disputar no próximo domingo. Para todos os leigos em ciclismo passo a explicar: a Paris-Roubaix é uma clássica disputada entre a capital francesa e o mítico velódromo da pequena cidade da região de Pas de Calais (o mais antigo velódromo ciclístico francês) na qual os ciclistas tem que superar cerca de 2 dezenas de segmentos de estrada em pavê (barro e paralelo). A prova contém um nível de espectacularidade enorme pela sua extrema dureza, pelas dezenas de quedas que acontecem e pela diabólica situação de corrida decorrente, com ataques e mudanças de posições constantes ao longo da prova. É uma daquelas clássicas que merece ser vista do princípio ao fim. Para não me alongar mais, voltando à Volta à Flandres…

Foi este o momento mais negativo da corrida. Protagonizado precisamente por um dos vencedores da Paris-Roubaix, o belga Johan VanSummeren da Garmin, um dos candidatos à vitória na prova de ontem. Numa altura em que o pelotão rolava a alta velocidade (km 60), o belga embateu violentamente contra uma idosa que se encontrava sentada à beira da estrada. A senhora está hospitalizada em estado muito grave. O ciclista afirma que o corredor que está traumatizado com o sucedido. Não é para menos.

No momento em que Van Summeren bateu contra a espectadora, na frente, rolava a primeira fuga do dia. 11 ciclistas foram os primeiros a evadir-se à aventura na dura prova belga, quase todos de equipas belgas menos cotadas. O mais cotados na fuga eram o sul-africano Daryl Impey da Orica e o norte-americano Taylor Phinney da BMC. Nas primeiras horas de corrida, sucederam-se várias quedas.  Luke Durbridge (Orica), Yaroslav Popovich (Trek), o duas vezes vencedor da prova Stijn Devolder (Trek) ou Step Vanmarcke (homem que depois viria a atacar na fase decisiva da prova) protagonizaram as quedas mais feias da prova. O experiente ucraniano da Trek também foi literalmente cuspido da bicicleta contra um espectador na beira da estrada.

As quedas foram partido o pelotão em vários grupos. Aproveitando a confusão, Peter Sagan decidiu sair do pelotão, obrigando os Omega (Boonen, Stybar e Terpstra) a trabalhar para o apanhar. À espreita encontravam-se nesse grupo homens como Edvald Boasson Hagen (também tentou atacar a 40 km da meta), Alexander Kristoff (Katusha) Fabien Cancellara, Anulado Sagan, os Omega conseguiram controlar o grupo principal até às mexidas que aconteceram após a colina de Kruisberg, uma das pendentes mais inclinadas do percuso, quando, na sua descida, Greg Van Avermaet (BMC) e Stijn Vandenberg (um dos altões da Omega) atacaram. Resposta imediata de Step Vanmarck e Peter Sagan. Na resposta de Sagan, quem viu a transmissão televisiva da prova pode apreciar as informações que o director desportivo da Cannondale ia dando ao eslovaco, pedindo-lhe que se mantesse em posição intermédia até 18 km da meta, altura em que os corredores iam subir a última grande inclinação do dia, a lendária Oude-Kwaremont. Nessa inclinação, pedia o director da Cannondale para Sagan fazer um dos seus ataques demolidores. Os dois ciclistas rodaram muito bem na frente. Boonen e Terpstra abandonaram a frente da corrida. O primeiro teve inclusive dificuldades em acompanhar o ritmo do grupo principal, cuja perseguição estava entregue a Kristoff e a Cancellara.

Foi precisamente na Oude-Kwaremont que Cancellara viu o cenário perfeito para atacar e colar-se aos da frente. O suiço atacou, Sagan não conseguiu acompanhar, Vanmarcke conseguiu aguentar o ataque do suiço e os dois corredores acabariam por colar-se a Van Avermaet e Vanderbergh nos últimos quilómetros.

Habitual nestas corridas, a constituição do quarteto provocou as habituais danças tácticas com os ciclistas a esboçarem ataques e contra-ataques para poderem vencer a prova. Só a 300 metros do fim, em posição privilegiada para sprintar (na cauda do grupo), Cancellara lançou o sprint e venceu um estafado Greg Van Avermaet em cima da linha de meta. O Belga voltou a falhar o objectivo de vencer uma das 5 maravilhas das clássicas da primavera (Flandres, Roubaix, Liège, Amstel Gold Race, Milão-São Remo) apesar de ter merecido claramente a vitória. Valeu novamente a enorme ponta final de Cancellara. O suiço soube resguardar-se e ler muito bem a corrida, respondendo e atacando no timing correcto aos ciclistas correctos. No final, a excelente posição na cauda do grupo aliada à sua habitual frieza na finalização de etapas, garantiu ao suiço de 33 anos a 3ª vitória na prova e 7ª nas 5 maravilhas da primavera (em 25 participações; 14 pódios).

 

GP Miguel Indurain valverde 4

Neste fim de semana, correu-se em Espanha a edição deste ano do GP Miguel Induraín. Tendo como pano de fundo a Volta ao País Basco (começou hoje), Alejandro Valverde conseguiu a sua 6ª vitória da temporada (depois das vitórias em Murcia, Roma Máxima, geral da Andaluzia e 2 etapas na prova andaluz) depois de bater Tom Jelte Slagter da Garmin. O holandês da equipa Norte-Americana voltou a mostrar a sua apetência para as clássicas. Acredito que o holandês será um das maiores figuras deste tipo de provas a partir da próxima temporada.

Da prova espanhol ficou o excelente resultado obtido por André Cardoso. O português da Garmin foi 4º classificado a 1 minuto e 2 segundos do ciclista da Movistar.

Vuelta a La Rioja

Em Espanha também se correu a Volta a La Rioja. A 54ª edição da prova foi encurtada apenas a 1 etapa, à semelhança daquilo que aconteceu com a Volta a Murcia por exemplo. Marcaram presença na prova espanhola nomes como o sprinter Brett Lancaster (Orica), Igor Antón (Movistar), Michael Albasini (Orica) e as equipas portuguesas da Louletano-Dunas Douradas e Boavista Radio Popular.

Michael Matthews da equipa australiana venceu a prova, batendo ao sprint Francesco Lasca da Caja Rural e Carlos Barbero da Euskadi. O melhor português foi Federico Figueiredo da Radio Popular na 14ª posição.

Volta a Limburg

Moreno Hofland

Vitória para o sprinter da Belkin Moreno Hofland. O Holandês, vencedor de uma etapa no Paris-Nice, 2º na Kuurne-Brussels-Kuurne, bateu Simone Colbrelli da Bardiani e Mauro Finetto da Neri na linha de meta.

Volta ao País Basco – 1ª etapa

contador 3

Alberto Contador começou a ganhar no País Basco. Em Ordizia, pleno coração do País Basco, o espanhol da Tinkoff voltou a provar que está embalado para uma grande temporada. Contador atacou com Valverde na última passagem pela 2ª categoria categorizada entre os 10 e os 7,5 km para a meta, deixou o ciclista da Movistar para trás, aguentou a vantagem obtida na descida e venceu isolado na pequena localidade de 10 mil habitantes.

Péssimo dia para Rui Costa. O português desapareceu das imagens antes da última passagem pela subida de Gaintza, acumulando mais de 4 minutos para o líder. Se por um lado o resultado é péssimo (o Rui fica irremediavelmente afastado pela luta da geral), por outro lado, a péssima classificação justifica-se pelo uso da bicicleta suplente (apesar de ter a medida do ciclista, foi pouco utilizada pelo ciclista; a bicicleta principal do português desenvolvida pela Mérida não chegou a tempo da primeira etapa) e pelo cansaço acumulado no terrível dia de espera ontem vivido pelo português no aeroporto na viagem para o País Basco com atraso de 10 horas no voo. Este resultado irá permitir uma maior liberdade de ataque ao ciclista português nas próximas etapas visto que 4 minutos de atraso para a liderança deverão permitir uma maior probabilidade de ataque sem resposta directa dos favoritos à geral da prova. No entanto, também me parece assertivo afirmar que dentro do pelotão ninguém deixa sair de ânimo leve o campeão do mundo. Quem sabe se poderemos ter o ciclista da Póvoa do Varzim ao ataque já amanhã numa etapa que tem um perfil do seu agrado.

Corrida dominada do início ao fim pela Movistar e pela Tinkoff. Uma fuga com Matteo Montaguti (AG25) foi anulada a tempo do momento das decisões (a última passagem pela 2ª categoria de Gaintza, um autêntico muro com pendentes de 15% e 20% em alguns pontos, em particular nos primeiros 500 metros). Tanto a equipa espanhola como a equipa dinamarquesa colocaram muita gente na frente do pelotão de forma a fazer uma selecção dos candidatos logo nesta primeira etapa. Recordo que esta prova só tem chegada em alto na 4ª etapa na quinta-feira. Mikel Nieve (Sky), Damiano Cunego (Lampre), Cadel Evans (BMC), Michal Kwiatkowski (Omega-Pharma-Quickstep), Yuri Trofimov (Katusha; excelente etapa deste ciclista russo) e Jean-Christophe Perraud (afirmou ontem ter algumas ambições na prova; 1 semana depois de ter vencido a geral do Criterium da Córsega) aguentaram o máximo que puderam. Excelente trabalho da Movistar na aproximação à última dificuldade do dia com um grande trabalho de Benat Inxausti a endurecer a corrida. Até ao momento em que Valverde tentou o ataque logo no início da subida e Contador não só o acompanhou como o ultrapassou com um ataque demolidor.

O espanhol conseguiu 13 segundos de vantagem no Alto da Gaintza para Valverde e 30 para o grupo formado pelos nomes supra-citados, diferenças que se mantiveram aquando da chegada dos ciclistas à meta. Contador sobe defender a vantagem na descida e com a vitória nesta 1ª etapa, ascendeu à liderança da prova.

pais basco

André Cardoso chegou integrado no grupo de Frank Schleck (Trek), Samuel Sanchez (BMC), Robert Gesink (Belkin), Simon Spilak (Katusha) e Tejay Van Garderen (BMC) a 58 segundos de Contador. Os ciclistas da BMC Racing Team foram as maiores desilusões do dia. Pela forma apresentada por Van Garderen na Catalunha, esperava-se que o all-rounder Norte-Americano fosse capaz de acompanhar Contador. O basco, a correr em casa, também esteve um furo abaixo daquilo que costuma fazer na prova.

A etapa de amanhã tem um perfil duríssimo. Os ciclistas costumam catalogar este tipo de etapas de “rasga pernas” pela quantidade de descidas e subidas que o traçado apresenta. Apesar das 4 contagens de montanha estarem posicionadas longe da meta (a de 1ª é a última), após a última contagem de montanha, o percurso é um sobe e desce constante, existindo uma subida de 4 km não categorizada a 5 km da meta.

Ciclismo 2014 #23

paris nice 2

Paris-Nice

8ª e última etapa

vichot

Na última etapa da corrida do Sol, o campeão nacional francês Arthur Vichot deu a 2ª vitória para a Française des Jeux na prova e garantiu o último lugar do pódio.

A última etapa da prova trazia os últimos 128 km desta, corridos na região de Nice. 14 segundos separavam o líder Carlos Alberto Bettancur da AG2R do Português Rui Costa. Com 2 contagens de 2 categoria e 2 de primeira no percurso, sera imperioso ao português vencer a etapa e ganhar tempo (as bonificações decorrentes da vitória em etapa seriam insuficientes ao português para vencer a geral da prova, qualquer que fosse o resultado obtido pelo colombiano) ou simplesmente ganhar tempo ao colombiano. Numa prova onde as diferenças se fizeram ao segundo, o português teria uma missão muito difícil pela frente.

A primeira investida do dia pertenceu à Giant-Shimano. De forma a vencer a camisola dos pontos, John Degenkolb aproveitou o facto do primeiro sprint intermédio (mais 3 pontos para a classificação) se posicionar logo aos 19 km para fugir do pelotão. O ciclista holandês conseguiria o seu primeiro objectivo do dia, recuando novamente para o seio do pelotão.

A seguir ao sprint intermédio saiu a fuga do dia. Composta por 17 elementos, entre os quais, Xavier Zandio da Sky (antigo vencedor da Volta a Portugal), Greg Van Avermaet (BMC), Jerome Pineau (IAM Cycling) Jens Keukeleire (Orica), Francesco Gavazzi (Astana), Moreno Hofland (Belkin, vencedor de 1 etapa na prova), Danilo Hondo (Trek), Imanol Erviti (Movistar) Alexander Kristoff (Katusha) ou Marco Marcato, a fuga avizinhava-se como perigosa pela quantidade de bons ciclistas envolvidos. A fuga conseguiu a sua máxima vantagem ao quilómetro 64 com 2 minutos e 40 de vantagem sobre o pelotão com a AG2R muito atenta e muito interessada em não conceder muito tempo de avanço aos fugitivos.

Pelo meio, Thomas Voeckler e Tom Boonen preferiram não chegar a Nice, informando a organização do seu abandono.

As 3 primeiras subidas do dia (de 4) não fizeram grande diferença, a não ser no grupo da frente que rapidamente se desintegrou. Alguns dos ciclistas viriam a ser alcançados pelo pelotão. A um km do alto do Cote de Peille (1ª categoria), Vincenzo Nibali decidiu atacar, levando consigo o seu colega de equipa Francesco Gavazzi, Wilco Kelderman da Belkin e Simon Spilak da Katusha, este ainda interessado na vitória na geral.  Rapidamente chegaram ao contacto com os 5 homens restantes da fuga inicial (Matthew Busche da Trek, Jerome Coppel da Cofidis, Cousin da Europcar, Xavier Zandio e Greg Van Avermaet). Tudo isto aconteceu debaixo do controlo das AG2R, ainda a liderar o grupo dos favoritos.

Na descida para a última subida do dia seriam todos alcançados. Na subida para o Col De Ezè, 3 ciclistas tentaram a sua sorte: Yuri Trofimov da Katusha, Luis Angel Maté da Cofidis e Cousin da Europcar. O primeiro haveria de ficar sozinho na frente enquanto lá atrás, no grupo principal, a Movistar auxiliava a AG2R na perseguição, sinal de que Rojas estaria bem e capaz de discutir a vitória ao sprint em Nice.

Tudo decorreu num ambiente devidamente controlado pela AG2R até ao Col De Ezé, contagem de 1ª categoria onde viriam a atacar Frank Schleck (Trek), George Bennett (Cannondale) e David Lopez Garcia (Sky). A AG2R desorientou-se com o ataque de Schleck e a Lampre começou a fazer companhia à Movistar na frente do pelotão. Não interessava nada a Rui Costa ver Franck Schleck cavar uma diferença significativa que lhe permitisse chegar isolado à recta da meta. O luxemburguês mostrou-se muito combativo, recebendo a companhia de Simon Spilak na descida. A diferença espacial só seria anulada já dentro do quilómetro final com Rui Costa a ter que tomar a iniciativa de perseguição na frente do grupo principal. Se o português não o tivesse feito, Spilak e Schleck estariam em condições para discutir o sprint.

Cycling: 72th Paris - Nice 2014 / Stage 8

Até que nos derradeiros metros quando os candidatos à vitória na etapa lançavam o sprint, deu-se o incidente do dia. Nos habituais movimentos feitos pelos ciclistas para ganhar a melhor posição para ganhar o sprint, um ciclista da Lotto empurrou outro ciclista e acabou por se desequilibrar e cair da bicicleta, atingindo o português Rui Costa e outros ciclistas mais encostados às barreiras que separam os ciclistas do público. O português caiu com aparato contra as barreiras e ficou estendido no chão. Durante alguns minutos temeu-se que o ciclista da Póvoa do Varzim tivesse uma lesão grave. Apesar do susto, a queda não teve consequências físicas para o português nem consequências para a geral (todos aqueles que caírem ou furarem dentro dos 3 quilómetros finais acabam com o tempo do vencedor da etapa). Contudo, devo censurar a atitude do atleta da Lotto-Belisol, atitude essa que é realizada muitas vezes durante a temporada nos comboios formados nos metros finais para André Greipel. As equipas belgas (tanto a Lotto como a Omega) são as equipas que mais usam e abusam das mais variadas irregularidades (empurrões, desvios de trajectória de sprint) para vencer etapas.

No sprint final, o campeão francês Arthur Vichot superiorizou-se a Rojas da Movistar e a Cyril Gautier da Europcar. Carlos Alberto Betancur acabou em 8º mas celebrou na linha de chegada a sua vitória na Geral do Paris-Nice.

rui costa 22

Paris-Nice 2

2º lugar para o Rui na geral da prova francesa. Um resultado extraordinário que só fica manchado pelo facto de não ter sido desta que conseguiu vencer uma etapa. O português teve um desempenho muito satisfatório na prova francesa com 2 segundos lugares em etapa, apenas batido pela explosividade de Betancur e Tom Jelte Slagter. Bem posicionado no pelotão, demonstrou a inteligência de apenas responder a ataques quando os considerou perigosos.

John Degenkolb levou para casa a camisola dos pontos. O holandês ganhou à justa por 2 pontos sobre Betancur. Abençoado sprint intermédio ganho na última temporada.

Pim Ligthart da Lotto-Belisol conquistou a camisola da montanha, premiando o seu esforço na fuga efectuada na 6ª etapa.

A Movistar ganhou a prova por equipas.

Tirreno-Adriático

5ª etapa – ontem

contador 2

Segunda vitória consecutiva para Alberto Contador na montanha da prova italiana.

A etapa começou com o abandono de Richie Porte. O australiano passou mal a noite e decidiu abandonar a prova. Recordo que Porte tinha sido destacado pela equipa do Paris-Nice para a prova italiana devido à ausência de Chris Froome.

O espanhol venceu categoricamente a etapa na qual atacou ao 36º quilómetro.

Com um ataque demolidor, só Nairo Quintana (Movistar) foi capaz de acompanhar o ciclista da Tinkoff. O colombiano tornou-se companhia indesejável para Alberto, conseguindo acompanhar o seu ritmo e os seus constantes esticões para o tentar deixar para trás. Sempre que Contador tentava fazer descolar o colombiano e este lhe garantia a devida resposta, ambos diminuíam o ritmo da subida, facto que permitiu a aproximação e a recolagem de alguns ciclistas.

A 32 km da meta, Contador foi sozinho e Quintana não conseguiu responder. Aproveitando a posição intermédia de Adam Hansen (Lotto-Belisol) entre si e a frente da corrida, Contador e o ciclista da Lotto trabalharam em conjunto para alcançar os trio que andava fugido na frente, do qual Hansen fazia inicialmente parte.

Na inclinação final para Muro di Guardiagrele, Contador e Hansen colaram-se aos 3 da frente, com o norte-americano Ben King da Garmin a atacar com resposta imediata de Contador que rapidamente deixaria o homem vestido de jersey azul para trás. Na linha de chegada, o espanhol chegou no primeiro lugar, superando Simon Geschke da Giant-Shimano (outro dos fugitivos) e Ben King.

O líder da prova, o polaco Michal Kwiatkowski baqueou na subida final e perdeu cerca de 6 minutos para Contador, ficando irremediavelmente afastado da vitória na geral e até do top-10 da prova.

Classificação Geral na 5ª etapa

tirreno-adriático 2

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Legenda: em cima, aclassificação da montanha.

Highlights da etapa:

6ª etapa – hoje

chris horner 3

Chris Horner (Lampre-Merida) abandonou hoje a corrida com uma tendinite no tendão de Aquiles. Quem informou foi o médico da Lampre, nao diagnosticando para já o tempo de paragem do ciclista Norte-Americano. Não se sabe portanto se a lesão será impeditiva apenas durante algumas semanas ou se será capaz de limitar o ciclista na preparação que irá efectuar a partir de meados de Abril para o Giro de Itália.

Mark Cavendish venceu ao sprint a 6ª etapa da prova. O foguetão britânico da Sky bateu o seu companheiro de equipa Alessandro Pettachi e Peter Sagan da Cannondale. Arnaud Demare foi 4º. Marcel Kittel (e Cadel Evans) chegaram num grupo muito atrasado a 6 minutos do vencedor.

Ciclismo 2014 #12

Volta ao Algarve

Ontem – 2ª etapa – Lagos-Monchique 190 km

Kwiatowski 2

A opção que Rui Costa tomou no dia anterior (oferecer a vitória ao seu sprinter Sasha Modolo em cima da recta da meta) poderá não ter sido a mais a acertada. Na 2ª etapa da Volta ao Algarve, o português voltou a fazer novamente no 2º em Monchique, atrás do vencedor da etapa, o talentoso all-rounder Michal Kwiatkowski da Omega-Pharma-Lotto. O Belga já tinha triunfado numa etapa um tanto quanto semelhante no Challenge de Maiorca na semana passada. No Algarve, está a confirmar o excelente momento de forma que atravessa neste início de temporada. A Omega-Pharma-Quickstep está para já a confirmar-se como a grande dominadora deste início de temporada. Para além das vitórias individuais do ciclista polaco de 23 anos, a equipa já venceu no Dubai, no Qatar (geral inclusive) e em Oman, completando o pleno nas provas de World Tour até agora disputadas.

Depois de uma interessante primeira etapa, esperava-se que Rui Costa fosse capaz de vencer na serra de Monchique. Não se esperava que Alberto Contador quisesse entrar na luta pela vitória visto que é a primeira prova que está a realizar na presente temporada.

A etapa iniciou com uma fuga composta por ciclistas franceses. O sprinter Arnaud Demare (FDJ) Alexandre Pichot (Europcar) e Florian Senechal (Cofidis) decidiram atacar em conjunto com o primeiro de olho nas metas volantes posicionadas a meio da tirada. A Radio Popular-Boavista, líder da classificação das metas volantes através de Cesar Fonte não quis deixar escapar a oportunidade de salvaguardar a camisola no corpo do seu atleta até porque enquanto este a mantiver dá um mediatismo superior ao nome e à imagem do patrocinador da sua equipa. Fonte haveria de testar uma fuga com mais 4 ciclistas poucos quilómetros depois do trio da frente ter sido apanhado mas a Saxo-Tinkoff foi rápida a anular por completo a investida.

A presença da equipa dinamarquesa na frente indiciava que Alberto Contador tinha planos em mente para a subida final, nem que fosse apenas “esticar as pernas” para medir as respostas do corpo nestes primeiros dias de competição e o nível de preparação feita no estágio de pré-temporada. A subida esfumou-se sem existir um ataque. Na descida de 5 km até Monchique, o grupo dos favoritos entrou numa espiral de desconfiança mútua, Kwiatkowski decidiu avançar e cortou a meta em Monchique com 6 segundos de avanço para Rui Costa que bateu ao sprint os espanhóis Albert Contador e Eduard Prades da OFM-Quinta da Lixa. Mais atrás, a 17 segundos do polaco chegaria um grupo onde estavam Alexandre Geniez (FDJ) Chris Horner (Lampre-Merida) Jonathan Castroviejo (Movistar) e Edgar Pinto (LA Alumínios-Antarte).

Na geral, o polaco ficou com a liderança da prova, com Rui Costa a 4s e Alberto Contador a 12s.

3ª etapa – hoje

Contra-relógio de 13,6 quilómetros entre Vila do Bispo e Sagres. Previa-se uma interessante batalha pela geral entre Michal Kwiatkoswski e Rui Costa visto que, apesar do polaco ser um especialista nesse departamento do ciclismo, o português também tem um rendimento muito interessante no contra-relógio curto. Relembro que o português é o campeão nacional em título. No ano passado, na prova disputada em Pataias (Alcobaça), Rui não deu qualquer hipótese à concorrência interna (os principais especialistas no contra-relógio curto como Tiago Machado ou Nelson Oliveira ficaram a mais de 1 minuto do campeão do mundo em 26 km de prova). Como principal candidato para vencer a ventosa luta contra o cronómetro no Sudoeste Algarvio estava o actual bicampeão do mundo da especialidade, o alemão Tony Martin da Omega-Pharma (outra vez arroz!), curiosamente o vencedor da geral da Volta ao Algarve em 2009 e 2013. Nas duas edições, o alemão cravou a sua diferença para os demais no Contra-relógio e, no caso de particular da edição de 2009, no Alto do Malhão, principal inclinação da prova. O Malhão será a atracção da etapa de amanhã.

Desta vez o campeão do mundo não conseguiu fazer a diferença. Kwiatkowski voltou a vencer de forma categorica, deixando a 11 segundos Adriano Malori da Movistar (outro dos candidatos à vitória na etapa, o espanhol Jonathan Castroviejo não conseguiu entrar sequer no top-10) e a 13 Tony Martin. Alberto Contador perdeu 20 segundos (4º) e Rui Costa foi 11º a 34 segundos.

Com a vitória na etapa, o ciclista da Omega-Pharma-Quickstep aumentou a sua vantagem para os mais directos perseguidores. Alberto Contador ascendeu à 2ª posição da prova com uma diferença de 32 segundos para o líder enquanto o português caiu para a 3ª posição a 38 segundos.

Amanhã corre-se a etapa decisiva da prova com a chegada em alto ao Malhão (1ª categoria).

Tour de Oman

3ª etapa – na quinta

Andre Greipel

(toda a gente sabe que essas pulseiras do equilíbrio não funcionam ó Greipel)

Quando toda a gente previa que os homens mais vocacionados para a média montanha pudessem atacar nas contagens de montanha destacadas nos últimos quilómetros da etapa que ligou Bank Muscat a Al Bustan (146 km), tudo acabou por ser discutido no sprint final com o alemão André Greipel a resolver novamente para a Lotto-Belisol.

Depois de uma fuga de 5 ciclistas pouco cotados que durou quase 100 km, a segunda ascenção da etapa separou o trigo do joio. Dario Cataldo comandou o pelotão e trabalhou para Chris Froome (Sky). Na roda de Froome seguiram Peter Sagan (Cannondale) Fabian Cancellara (Trek-Leopard) e do checo Zdenek Stybar (Omega-Pharma-Quickstep). Estes quatro haveriam de atacar, sendo apanhados a cerca de 1km para a meta pelo grupo principal. Para o efeito, valeu o trabalho conjunto de BMC, FDJ e Lotto. No Sprint final André Greipel voltou a superiorizar-se a Peter Sagan e ao jovem sprinter francês Nacer Bouhanni (FDJ) e segurou a liderança da prova.

4ª etapa – Ontem

Peter Sagan 2

A etapa que ligou Wadi Al Abiyad ao Ministério da Habitação na capital Muscat, na distância de 173 km, poderia ser decisiva no que diz respeito às contas da geral. Com 4 inclinações, 1 delas com algum grau de dificuldade, quem chegasse isolado à Avenida onde se situa o Ministério da Habitação daquele estado do médio oriente poderia não só ganhar a etapa como amealhar o tempo suficiente para vencer a geral da prova, apesar de, ainda existir um contra-relógio pela frente até domingo.

A prova começou com uma fuga muito precoce nos primeiros quilómetros. Valerio Agnoli e Liewe Westra (é o homem mais combativo da época até ao momento; ambos da Astana) tentaram a sua sorte ao quilómetro 9 com o brasileiro Murilo Fischer da FDJ. A fuga durou 6 km. 2 quilómetros depois, o sprinter belga Greg Van Avermaet (BMC) Yaroslav Popovych (Trek) e Huffman (Astana) tentaram a sua sorte se bem que penso que aqui a estratégia dos directores desportivos, em particular o da Astana, era o de pura e simplesmente obrigar a Lotto-Belisol e as demais interessadas (Sky, Cannondale, Omega-Pharma) a desgastarem-se na frente do pelotão. Não sendo um trepador de excelência, a presença de Popovych na frente da corrida poderia causar alguma ameaça às pretensões destas equipas.

A fuga teve algum sucesso. O trio conseguiu amealhar 5 minutos e meio de vantagem no momento em que abordaram a primeira montanha do dia. Lá atrás no pelotão, a vantagem amealhada levou a que a Lotto-Belisol, Omega e Saxo-Tinkoff assumissem as despesas da perseguição com a BMC a colocar 2 ou 3 elementos na frente para atrapalhar a organização desta.

Na terceira incursão pela montanha do dia, Popovych foi alcançado, ficando Van Avermaet sozinho na frente com 32 segundos de vantagem para o pelotão. Entretanto, na cauda do pelotão André Greipel começou a ficar para trás e nunca mais regressou ao convívio dos grandes. No final desta colina, o colombiano Sergio Henao disferiu o seu ataque, tendo passado no alto com 18 segundos de vantagem para o pelotão e 16 de desvantagem para Van Avermaet. O último só seria alcançado a 14 km da meta por um grupo de 60 unidades.

Na última ascenção do dia, a Sky foi para a frente e deixou Chris Froome sozinho. Na perseguição ao vencedor do Tour em 2013 estavam Rigoberto Uran (agora na Omega), Roman Kreuziger (Saxo-Tinkoff), Peter Sagan e Vincenzo Nibali (Astana). Froome passou a contagem de montanha na primeira posição mas rapidamente foi alcançado na descida por Uran, Sagan e Nibali que trabalharam em conjunto para anular a diferença para o britânico. Com 18 segundos para os perseguidores, o quarteto chegou ao fim da etapa e Peter Sagan foi como seria de esperar o mais rápido no sprint final.

O eslovaco assumiu a geral da prova com 10 segundos de vantagem sobre Rigoberto Uran e 14 sobre Vincenzo Nibali. André Greipel cruzou a meta a 21 minutos do vencedor!

Ciclismo 2014 #3

horner

Até parece que as adivinho. Escrevi aqui as vantagens da contratação de Chris Horner por parte da Lampre.

Provas:

Tour Down Under

Pela terceira vez na sua carreira, Simon Gerrans venceu a geral do Tour Down Under na Austrália, marcando em casa os primeiros pontos na World Tour para a Orica GreenEdge, projecto australiano de ciclismo. A última etapa da prova, disputada num circuito de 85,5 km em Adelaide foi ganha pelo sprinter Alemão André Greipel.

Na Argentina, deve ter acabado há minutos o Tour de San Luis. O mais provável foi a vitória do colombiano Nairo Quintana (Movistar na geral)

Apresentação da época 2014:

Belkin Pro Cycling Team

Belkin

Localização: Amsterdam – Holanda

Site: http://www.teambelkin.com/

Director Desportivo: Frank Verhoeven. Conta no seu staff como o antigo ciclista Erik Dekker (antigo campeão holandês; vencedor de 4 etapas no Tour) ou o antigo contra-relogista Michael Eliizen.

Chefes-de-fila: Robert Gesink, Bauke Mollema,

Gregários de luxo\corredores protegidos: Lars Boom, Laurens Tem Dam,

Contra-relógio:

Sprinters: Theo Bos, Graeme Brown,

Clássicas:  Bram Tankink,

Gregários: Jack Bobridge, Jetse Bol, Stefe Clement, Rick Flens, Jonathan Hivert, Wilco Keldermann, Steven Kruijswijk, Thomas Leezer, Barry Markus, Paul Martens, Lars Nordhaug, David Tanner, Marten Tjallingi, Jos Van Emden, Dennis Van Winden, Step Vanmarcke, Maarten Wynants, Robert Wagner, Marc Goos, Moreno Hofland

Principais vitórias\conquistas em 2013:

  • Vitória na Geral no Tour Down Under e vitória numa etapa por Jan Slagter (entretanto transferido)
  • Vitória numa etapa do Tour do Mediterrâneo (Lars Boom)
  • 2 vitórias em etapa na Volta ao Algarve (Paul Martens e Lars Boom)
  • 1 vitória em etapa do Tour du Haut Var (Lars Boom)
  • 3 vitórias na Volta a Langkawi (Theo Bos 2 e Tom Leezer)
  • Clássica de Almeria (Mark Renshaw – entretanto transferido)
  • 1 vitória no Critério Internacional (Theo Bos)
  • 1 vitória em etapa na Volta à Noruega (Theo Bos)
  • 1 vitória em etapa na Volta à Bélgica (Luis Leon Sanchez – transferido)
  • 1 vitória em etapa na Volta à Suiça (Bauke Mollema)
  • Vitória na Geral na Volta ao Luxemburgo (Paul Martens)
  • 1 etapa no Tour De L´Ain (Luis León Sanchez)
  • 1 etapa na ENECO Tour (Mark Renshaw)
  • 1 etapa na World Ports Race (Tjalingii)
  • 1 etapa na Volta à Espanha (Bauke Mollema)
  • Vitória no Critério do Luxemburgo (Laurens Tem Dam)
  • 1 etapa no GP Québec (Robert Gesink)
  • Vitória na Clássica de Munsterland (Van Emden)
  • Vitória na Geral do Tour de Hainan (Moreno Hofland) e 9 vitórias em etapa (Hofland 3, Theo Bos 6)
  • 2º na Geral da Volta à Suiça (Bauke Mollema)
  • 6º no Tour de France (Bauke Mollema)

Em 2013, como podemos ver, esta equipa que ficou com os direitos e com a estrutura da extinta Rabobank, teve um ano em cheio. O sucesso foi tanto que a empresa patrocinadora gostou da experiência e renovou o patrocínio que terminava em 2014 até 2017. O que esperar desta Belkin em 2014 sem dois dos seus maiores agitadores (Luis León Sanchez e Mark Renshaw)?

bauke Mollema

Comecemos pela base de todas as equipas de topo do ciclismo mundial: as provas por etapas. Ou melhor, pelos chefes-de-fila. A caminho dos 28 anos, Bauke Mollema entra na fase decisiva da sua carreira. Que é como quem diz, nos anos em que finalmente terá oportunidade de provar se é homem capaz de lutar pela vitória no Tour ou pela presença regular nos pódios da prova nos próximos 5\6 anos. Mollema será o chefe-de-equipa da formação no Tour. Com Robert Gesink decididamente afastado para o Giro, Mollema terá a companhia de uma equipa formada por Laurens Ten Dam. Não poderia ser o contrário. Os dois combinam estrategicamente pelos mortíferos ataques que são capazes de produzir na alta-montanha. O contra-relógio continua a ser um dos departamentos onde Mollema não se sente à vontade. Apesar de não perder muito tempo no contra-relógio de média distância, perde bastante no contra-relógio de longa distância. Terá que melhorar a especialidade para poder discutir o pódio de qualquer uma das 3 grandes voltas.

Em ascenção está Laurens Ten Dam. Espectacular e mortífero em alta-montanha. Raramente quebra. É uma pedra no sapato para qualquer ciclista na alta-montanha. Perde imenso no contra-relógio mas, se andar bem na montanha é de caras top-10 de qualquer uma das grandes voltas.

gesink

Robert Gesink. A maior desilusão do ciclismo holandês. Há cerca de 6 anos atrás todos os especialistas da modalidade diziam que a Rabobank tinha ali o menino perfeito. Outros não tardaram a classificá-lo como um dos possíveis melhores trepadores de sempre. O 7º e 6º lugar obtido na Vuelta em 2008 e 2009 e o 5º lugar obtido no Tour de 2010 catapultaram Gesink para uma carreira que se previa, pelo menos, carregada de pódios nas grandes voltas. Aos 27 anos, depois de um modesto 26º lugar num Tour onde não deu nas vistas, à semelhança de Mollema, Gesink entra na fase dourada da sua carreira. Terá que se preparar melhor do que aquilo que se preparou no ano 2013. Não creio que vá correr o Tour, apostando mais na presença do trepador na Vuelta.

Lars Boom – Para ganhar aqui e ali. É o especialista da equipa nas provas curtas por etapas. Fará decerto as provas regionais em Espanha (Múrcia, Valência, Catalunha, País Basco) e as clássicas da primavera. Estará decerto no Tour para tentar vencer uma ou outra etapa por lá. Poderá ser o ano de afirmação na World Tour.

Saiu Mark Renshaw (mal ou bem conseguia fazer as suas vitórias e ainda lançava bem Theo Bos) continua o Holandês. Bos tem o pecúlio que tem no ciclista de pista. Apesar de ter conquistado imensas vitórias no ciclismo de estrada, há quem afirme que saiu tarde da pista para a estrada (apenas em 2009 aos 26 anos) –

Bos é indiscutivelmente um dos homens mais explosivos do pelotão. Faltam-lhe vitórias em grandes provas. Poderá ser alternativa para as clássicas da primavera, sendo expectável que seja inserido numa grande volta internacional. A lancá-lo terá o experiente Graeme Brown.

Outra das forças da Belkin reside nos seus gregários. Como bons ciclistas da escola Holandesa, são um perigo nas clássicas de colinas e pavé. Numa fuga, qualquer dos gregários supra mencionado poderá surpreender o pelotão com uma fuga bem sucedida. Os gregários da equipa também constituem um dos seus maiores défices visto que a equipa não tem ninguém para acompanhar os seus líderes na montanha. A Belkin não se reforçou no mercado. Continuará a deixar os seus chefes-de-fila votados ao abandono nos cumes do mundo do ciclismo. O que constitui um ponto a menos para as pretensões de Gesink e Bauke Mollema.

 

BMC

SONY DSC

Tecnologia de ponta made in switzerland nas estradas de todo o mundo. Podem não ter a melhor equipa da World Tour, mas tem as bicicletas mais lindas do ciclismo mundial.

Localização: Santa Rosa – California – Estados Unidos (a localização da BMC Cycling Team na América é devida ao sistema de apuramento pelo qual a equipa teve que passar há uns anos para poder ascender ao World Tour – fora da Europa é mais fácil vencer as zonas UCI Pro Continental do que na Europa onde a concorrência aperta)

Site: www.bmcracingteam.com

Director Desportivo: Alan Peiper – é co-adjuvado por antigos ciclistas do pelotão como Fabio Baldato ou Valerio Piva.

Chefes-de-fila: Cadel Evans, Philippe Gilbert, Tejay Van Garderen,

Gregários de luxo\corredores de estatuto protegido: Manuel Quinziato, Peter Velits, Danilo Wyss

Contra-relógio: Tailor Phinney,

Sprinters: Thor Hushovd, Greg Van Avermaet,

Clássicas: Alessandro Ballan, Marcus Burghardt

Gregários: Darwin Hurtado Atapuma, Brent Bookwalter, Stephen Cummings, Yannick Eijssen, Ben Hermans, Martin Kohler, Klaas Lodewick, Amael Moinard, Steve Morabito, Dominik Nerz, Daniel Oss, Michael Schar, Peter Stetina, Silvain Dillier,

Principais vitórias\conquistas em 2013:

  • 2 vitórias em etapas no Tour do Qatar (Brent Bookwalter\contra-relógio colectivo)
  • 1 vitória em etapa no Tour du Haut Var (Tour Hushovd)
  • vitória em etapa no Giro Del Trentino (Ivan Santaromita – transferido)
  • Vitória na geral da Volta à Califórnia (Tejay Van Garderen) com vitória do ciclista no contra-relógio na etapa 6.
  • Campeonato Nacional Italiano (Santaromita)
  • Campeonato Nacional Italiano de contra-relógio (Marco Pinotti)
  • Campeonato Nacional Norueguês (Thor Hushovd)
  • Campeonato Nacional Suiço (Michael Schar)
  • 3 vitórias na volta à Àustria (Thor Hushovd 1 e Matthias Frank 2 – entretanto transferido)
  • Vitória na geral e em 2 etapas no Tour Wallonie (Greg Van Avermaet)
  • 3 vitórias na Volta à Polónia (Thor Hushovd 2 e Taylor Phinney no contra-relógio)
  • 1 vitória na Volta a Utah (Van Avermaet)
  • Vitória na Geral e 2 vitórias em etapas na Artic Race Norway (Thor Hushovd)
  • Vitória na Geral (Tejay Van Garderen) e 2 vitórias em etapa (Frank\Van Garderen) na US Pro Cycling Challenge
  • 1 Vitória em etapa na Vuelta (Phillipe Gilbert)
  • 2 vitórias no Tour de Albert (Silvain Dillier e Cadel Evans)
  • 1 vitória em etapa na Tour de Pequim (Thor Hushovd)

Em 2013 a BMC provou ser novamente uma das mais vencedoras equipas do circuito, apesar de, comparando com as vitórias do ano 2012, a qualidade das mesmas desceu abruptamente pois a BMC não venceu tantas etapas e tantas classificações no top15 de provas da época.

Ano novo, vida nova. A primeira vitória para a equipa já foi obtida na Austrália com uma vitória em etapa no Tour Down Under por parte do Aussie Cycling Icon Cadel Evans, vencedor do Tour em 2011.

Cadel Evans

Gorada a contratação de Rui Costa (a BMC foi uma das equipas que revelou maior interesse na contratação do Português para 2014) para o bem ou para o mal, pelo estatuto que adquiriu na modalidade nos 15 anos como profissional, Cadel Evans é o líder desta equipa em conjunto com o belga Phillipe Gilbert, outro dos grandes corredores que tive o prazer de acompanhar na última década e do qual sou um grande fã. Contudo, parece-me que a liderança do australiano na equipa sediada na Califórnia não passa da folha de papel. Por outras palavras: o ano 2014 deverá ser o ano de passagem de testemunho na equipa dirigida por Alan Peiper do australiano para a jovem promessa do ciclismo norte-americano Tejay Van Garderen. Nunca se sabe do que Cadel Evans é capaz mas…

van garderen

Aos 25 anos este jovem talento nascido nos arredores de Washington prepara-se com afinco para tomar conta da liderança da equipa nas grandes Voltas. Engane-se quem pensa que Tejay é um novato nestas andanças. O 5º lugar arrancado com muito brio no Tour de 2012, prova onde foi líder da juventude e  andou sempre com os melhores na alta-montanha (quando dizemos os melhores dizemos Froome, Wiggins, Nibali, Mollema, Valverde) poderá não ter sido uma conquista única do ciclista apesar do 43º lugar obtido na prova no ano 2013. Van Garderen tem todos os ingredientes para ser um candidato ao pódio na prova francesa: aguenta-se muito bem na montanha, é inteligente a ler os ataques, consegue alcançar um ritmo próprio quando é atacado e tem uma especialidade de contra-relógio estupenda. Uma espécie de Cadel Evans enquanto jovem. Convém também dizer que raramente ataca. Vamos ver aquilo que este jovem é capaz durante a época 2014 na prova francesa.

gilbert

O teórico.

Durante os anos 201o e 2011 Philippe Gilbert só soube a palavra “vitória”. Em 2012 teve uma época para esquecer mas venceu na Vuelta numa etapa que terminou no Parc Guell. Quando ninguém dava nada por ele para os campeonatos do mundo (Valkenburg) arrancou meio pelotão internacional na subida final e sagrou-se pela primeira vez campeão do mundo. Em 2013 andou novamente desaparecido. Tentou muito nas colinas mas foi incapaz de finalizar provas. Ganhou na Vuelta mas teve um atitude muito discreta em Firenze numa prova que de certa maneira também era talhada para ele. Deverá querer recuperar o que tem perdido desde 2012, ano em que se mudou de armas e bagagens da Omega para a BMC. Aos 32 anos, deverá dedicar-se cada vez mais a provas de um dia, se bem que creio ser lógica a sua presença na Vuelta como preparação física para os campeonatos do mundo. Tem mais 3 anos de alto nível nas clássicas pela frente.

Argumentos de peso para uma BMC muito escassa no que toca à ajuda aos seus líderes nas provas por etapa. Evans e Van Garderen tem à sua disposição 2 ou 3 ciclistas gregários capazes de dar no duro quando é preciso: Wyss, Burghardt (se bem que este senhor vence umas coisas de vez em quando) Quinziato, Moinard e Atapuma. O colombiano pode-se tornar uma bela revelação no ano 2013. Van Garderen necessita claramente de outro tipo de escudeiros para enfrentar as duras subidas do Tour. A não ser que Evans seja o seu subalterno na próxima viagem em França.

O resto é:

Tom Hushovd

PODER DE FOGO.

Thor Hushovd, o catedrático. Aos 35 anos Hushovd prepara-se para mais uma voltinha no Carrossel. Só fará Clássicas e provas curtas por etapas. Quanto mais velho está, está cada vez melhor. Como o vinho do Porto. Estará de olho na vitória na Paris-Roubaix, l´enfer du nord.

Greg Van Avermaet – Prometeu ser um dos melhores sprinters na sua geração. Vence meia dúzia de etapas por época. Está longe de me convencer. Não confirmou os seus créditos visto que até aos 27 anos só venceu uma etapa nas grandes voltas (na Volta à Espanha em 2008). Dá-se bem com a superfície em paralelo e com as corridas de 1 dia nas colinas belgas e holandesas. Deverá ser aí que poderá lutar por algumas vitórias.

Tailor Phinney – Ano para voltar a surpreender no contra-relógio. Será um dos melhores especialistas mundiais dentro de 1 a 2 anos.

Pela negativa: Alessandro Ballan. Um dos meus ciclistas favoritos está suspenso desde dia 17 por dois anos por reincidência no uso de substâncias dopantes. É uma pena. Estraga uma carreira fantástica. Continua presente na equipa mas caso a suspensão não seja revista, deverá ir para o desemprego mais tarde ou mais cedo.