Ciclismo 2014 #31

fabien cancellara

Ronde Van Vlaanderen – Volta à Flandres, Bélgica – Ontem

O magnífico Fabian Cancellara escreveu ontem mais uma página de história na sua carreira ao ser pela 3ª vez vencedor da prova belga, 5º vitória suiça na prova. Cancellara junta-se assim a um lote de vencedores por 3 vezes no qual estão ciclistas como Johan Museeuw ou Tom Boonen. Boonen esteve presente na prova e ainda tentou dar um arzinho da sua graça.

259 km a separar Osteende e Blankenberg. Pelo meio, dezenas de corridas, segmentos em pavé e uma loucura de corrida, cheia de nervosismo e de aparatosas quedas.

Foi precisamente uma queda que pautou as primeiras das 6 horas de corrida disputadas na clássica Belga, clássica que serve de antecâmara para a clássica dos heróis, para o Inferno do Norte, o Paris-Roubaix, clássica que se irá disputar no próximo domingo. Para todos os leigos em ciclismo passo a explicar: a Paris-Roubaix é uma clássica disputada entre a capital francesa e o mítico velódromo da pequena cidade da região de Pas de Calais (o mais antigo velódromo ciclístico francês) na qual os ciclistas tem que superar cerca de 2 dezenas de segmentos de estrada em pavê (barro e paralelo). A prova contém um nível de espectacularidade enorme pela sua extrema dureza, pelas dezenas de quedas que acontecem e pela diabólica situação de corrida decorrente, com ataques e mudanças de posições constantes ao longo da prova. É uma daquelas clássicas que merece ser vista do princípio ao fim. Para não me alongar mais, voltando à Volta à Flandres…

Foi este o momento mais negativo da corrida. Protagonizado precisamente por um dos vencedores da Paris-Roubaix, o belga Johan VanSummeren da Garmin, um dos candidatos à vitória na prova de ontem. Numa altura em que o pelotão rolava a alta velocidade (km 60), o belga embateu violentamente contra uma idosa que se encontrava sentada à beira da estrada. A senhora está hospitalizada em estado muito grave. O ciclista afirma que o corredor que está traumatizado com o sucedido. Não é para menos.

No momento em que Van Summeren bateu contra a espectadora, na frente, rolava a primeira fuga do dia. 11 ciclistas foram os primeiros a evadir-se à aventura na dura prova belga, quase todos de equipas belgas menos cotadas. O mais cotados na fuga eram o sul-africano Daryl Impey da Orica e o norte-americano Taylor Phinney da BMC. Nas primeiras horas de corrida, sucederam-se várias quedas.  Luke Durbridge (Orica), Yaroslav Popovich (Trek), o duas vezes vencedor da prova Stijn Devolder (Trek) ou Step Vanmarcke (homem que depois viria a atacar na fase decisiva da prova) protagonizaram as quedas mais feias da prova. O experiente ucraniano da Trek também foi literalmente cuspido da bicicleta contra um espectador na beira da estrada.

As quedas foram partido o pelotão em vários grupos. Aproveitando a confusão, Peter Sagan decidiu sair do pelotão, obrigando os Omega (Boonen, Stybar e Terpstra) a trabalhar para o apanhar. À espreita encontravam-se nesse grupo homens como Edvald Boasson Hagen (também tentou atacar a 40 km da meta), Alexander Kristoff (Katusha) Fabien Cancellara, Anulado Sagan, os Omega conseguiram controlar o grupo principal até às mexidas que aconteceram após a colina de Kruisberg, uma das pendentes mais inclinadas do percuso, quando, na sua descida, Greg Van Avermaet (BMC) e Stijn Vandenberg (um dos altões da Omega) atacaram. Resposta imediata de Step Vanmarck e Peter Sagan. Na resposta de Sagan, quem viu a transmissão televisiva da prova pode apreciar as informações que o director desportivo da Cannondale ia dando ao eslovaco, pedindo-lhe que se mantesse em posição intermédia até 18 km da meta, altura em que os corredores iam subir a última grande inclinação do dia, a lendária Oude-Kwaremont. Nessa inclinação, pedia o director da Cannondale para Sagan fazer um dos seus ataques demolidores. Os dois ciclistas rodaram muito bem na frente. Boonen e Terpstra abandonaram a frente da corrida. O primeiro teve inclusive dificuldades em acompanhar o ritmo do grupo principal, cuja perseguição estava entregue a Kristoff e a Cancellara.

Foi precisamente na Oude-Kwaremont que Cancellara viu o cenário perfeito para atacar e colar-se aos da frente. O suiço atacou, Sagan não conseguiu acompanhar, Vanmarcke conseguiu aguentar o ataque do suiço e os dois corredores acabariam por colar-se a Van Avermaet e Vanderbergh nos últimos quilómetros.

Habitual nestas corridas, a constituição do quarteto provocou as habituais danças tácticas com os ciclistas a esboçarem ataques e contra-ataques para poderem vencer a prova. Só a 300 metros do fim, em posição privilegiada para sprintar (na cauda do grupo), Cancellara lançou o sprint e venceu um estafado Greg Van Avermaet em cima da linha de meta. O Belga voltou a falhar o objectivo de vencer uma das 5 maravilhas das clássicas da primavera (Flandres, Roubaix, Liège, Amstel Gold Race, Milão-São Remo) apesar de ter merecido claramente a vitória. Valeu novamente a enorme ponta final de Cancellara. O suiço soube resguardar-se e ler muito bem a corrida, respondendo e atacando no timing correcto aos ciclistas correctos. No final, a excelente posição na cauda do grupo aliada à sua habitual frieza na finalização de etapas, garantiu ao suiço de 33 anos a 3ª vitória na prova e 7ª nas 5 maravilhas da primavera (em 25 participações; 14 pódios).

 

GP Miguel Indurain valverde 4

Neste fim de semana, correu-se em Espanha a edição deste ano do GP Miguel Induraín. Tendo como pano de fundo a Volta ao País Basco (começou hoje), Alejandro Valverde conseguiu a sua 6ª vitória da temporada (depois das vitórias em Murcia, Roma Máxima, geral da Andaluzia e 2 etapas na prova andaluz) depois de bater Tom Jelte Slagter da Garmin. O holandês da equipa Norte-Americana voltou a mostrar a sua apetência para as clássicas. Acredito que o holandês será um das maiores figuras deste tipo de provas a partir da próxima temporada.

Da prova espanhol ficou o excelente resultado obtido por André Cardoso. O português da Garmin foi 4º classificado a 1 minuto e 2 segundos do ciclista da Movistar.

Vuelta a La Rioja

Em Espanha também se correu a Volta a La Rioja. A 54ª edição da prova foi encurtada apenas a 1 etapa, à semelhança daquilo que aconteceu com a Volta a Murcia por exemplo. Marcaram presença na prova espanhola nomes como o sprinter Brett Lancaster (Orica), Igor Antón (Movistar), Michael Albasini (Orica) e as equipas portuguesas da Louletano-Dunas Douradas e Boavista Radio Popular.

Michael Matthews da equipa australiana venceu a prova, batendo ao sprint Francesco Lasca da Caja Rural e Carlos Barbero da Euskadi. O melhor português foi Federico Figueiredo da Radio Popular na 14ª posição.

Volta a Limburg

Moreno Hofland

Vitória para o sprinter da Belkin Moreno Hofland. O Holandês, vencedor de uma etapa no Paris-Nice, 2º na Kuurne-Brussels-Kuurne, bateu Simone Colbrelli da Bardiani e Mauro Finetto da Neri na linha de meta.

Volta ao País Basco – 1ª etapa

contador 3

Alberto Contador começou a ganhar no País Basco. Em Ordizia, pleno coração do País Basco, o espanhol da Tinkoff voltou a provar que está embalado para uma grande temporada. Contador atacou com Valverde na última passagem pela 2ª categoria categorizada entre os 10 e os 7,5 km para a meta, deixou o ciclista da Movistar para trás, aguentou a vantagem obtida na descida e venceu isolado na pequena localidade de 10 mil habitantes.

Péssimo dia para Rui Costa. O português desapareceu das imagens antes da última passagem pela subida de Gaintza, acumulando mais de 4 minutos para o líder. Se por um lado o resultado é péssimo (o Rui fica irremediavelmente afastado pela luta da geral), por outro lado, a péssima classificação justifica-se pelo uso da bicicleta suplente (apesar de ter a medida do ciclista, foi pouco utilizada pelo ciclista; a bicicleta principal do português desenvolvida pela Mérida não chegou a tempo da primeira etapa) e pelo cansaço acumulado no terrível dia de espera ontem vivido pelo português no aeroporto na viagem para o País Basco com atraso de 10 horas no voo. Este resultado irá permitir uma maior liberdade de ataque ao ciclista português nas próximas etapas visto que 4 minutos de atraso para a liderança deverão permitir uma maior probabilidade de ataque sem resposta directa dos favoritos à geral da prova. No entanto, também me parece assertivo afirmar que dentro do pelotão ninguém deixa sair de ânimo leve o campeão do mundo. Quem sabe se poderemos ter o ciclista da Póvoa do Varzim ao ataque já amanhã numa etapa que tem um perfil do seu agrado.

Corrida dominada do início ao fim pela Movistar e pela Tinkoff. Uma fuga com Matteo Montaguti (AG25) foi anulada a tempo do momento das decisões (a última passagem pela 2ª categoria de Gaintza, um autêntico muro com pendentes de 15% e 20% em alguns pontos, em particular nos primeiros 500 metros). Tanto a equipa espanhola como a equipa dinamarquesa colocaram muita gente na frente do pelotão de forma a fazer uma selecção dos candidatos logo nesta primeira etapa. Recordo que esta prova só tem chegada em alto na 4ª etapa na quinta-feira. Mikel Nieve (Sky), Damiano Cunego (Lampre), Cadel Evans (BMC), Michal Kwiatkowski (Omega-Pharma-Quickstep), Yuri Trofimov (Katusha; excelente etapa deste ciclista russo) e Jean-Christophe Perraud (afirmou ontem ter algumas ambições na prova; 1 semana depois de ter vencido a geral do Criterium da Córsega) aguentaram o máximo que puderam. Excelente trabalho da Movistar na aproximação à última dificuldade do dia com um grande trabalho de Benat Inxausti a endurecer a corrida. Até ao momento em que Valverde tentou o ataque logo no início da subida e Contador não só o acompanhou como o ultrapassou com um ataque demolidor.

O espanhol conseguiu 13 segundos de vantagem no Alto da Gaintza para Valverde e 30 para o grupo formado pelos nomes supra-citados, diferenças que se mantiveram aquando da chegada dos ciclistas à meta. Contador sobe defender a vantagem na descida e com a vitória nesta 1ª etapa, ascendeu à liderança da prova.

pais basco

André Cardoso chegou integrado no grupo de Frank Schleck (Trek), Samuel Sanchez (BMC), Robert Gesink (Belkin), Simon Spilak (Katusha) e Tejay Van Garderen (BMC) a 58 segundos de Contador. Os ciclistas da BMC Racing Team foram as maiores desilusões do dia. Pela forma apresentada por Van Garderen na Catalunha, esperava-se que o all-rounder Norte-Americano fosse capaz de acompanhar Contador. O basco, a correr em casa, também esteve um furo abaixo daquilo que costuma fazer na prova.

A etapa de amanhã tem um perfil duríssimo. Os ciclistas costumam catalogar este tipo de etapas de “rasga pernas” pela quantidade de descidas e subidas que o traçado apresenta. Apesar das 4 contagens de montanha estarem posicionadas longe da meta (a de 1ª é a última), após a última contagem de montanha, o percurso é um sobe e desce constante, existindo uma subida de 4 km não categorizada a 5 km da meta.

Ciclismo 2014 #28

volta catalunha

Volta à Catalunha

4ª etapa

tejay

A 4ª etapa da prova, disputada entre Alp e o alto de Vallter (a 2000 metros de altitude), considerada a etapa raínha da prova, apresentava uma enorme dureza aos presentes. 3 contagens de primeira categoria, 1 de 2ª e uma de categoria especial com chegada em alto fazia da etapa decisiva no que à classificação geral diz respeito.

No alto de Vallter, Tejay Van Garderen confirmou a boa prestação do dia anterior (4º lugar na etapa) batendo Romain Bardet da AG25 em cima da linha de meta no dia em que o líder da AG2R Carlos Betancur abandonou a corrida. Bardet afirmou no final da prova que está na catalunha a fazer a melhor corrida da sua carreira até ao momento.

O dia começou com abandonos de peso. Betancur, Chris Horner (Lampre-Mérida) Julian Arredondo (Trek) e o veterano Tom Danielson abandonaram a corrida. Se o colombiano tinha padecido de um dia muito mau no dia anterior (descolando muito cedo do grupo dos favoritos na subida final), o Norte-Americano não apareceu neste grupo sequer, fruto das imensas lesões que o tem abalado novamente neste início de temporada. Confirma-se portanto o pior cenário que foi afirmado quando o vencedor da Vuelta 2013 foi anunciado como reforço da Lampre: pedir a Horner que corra mais de 60 dias de provas por ano é neste momento excessivo para o Norte-Americano de 42 anos.

A primeira fuga do dia foi protagonizada com gente com muito talento: ao quilómetro 10, Ruben Plaza (Movistar), Thomas de Gendt (3º classificado do Giro 2012; Omega-Pharma-Quickstep), Stef Clement (Belkin) e Maxime Mederel (Cofidis) escaparam e passaram as duas primeiras montanhas do dia. Ao quilómetro 95 chegaram a ter 4 minutos de vantagem. A Katusha, equipa do líder Purito Rodriguez,  acompanhada a partir de certo ponto pela Tinkoff de Contador, deixou os fugitivos irem até certo ponto, assumindo as despesas de persegução precisamente a partir do momento em que estes se viram com 4 minutos de vantagem. Com Thomas de Gent no grupo, um ciclista que faz do seu contra-relógio o seu forte mas que já provou conseguir passar bem a média e a alta montanha, dar mais tempo de avanço a este grupo poderia perigar a liderança de Purito Rodriguez.

Ao quilómetro 138, 6 km depois da contagem de 1ª categoria no Alto de Rocabruna o colombiano José Serpa (Garmin) decidiu saltar do grupo principal para tentar a sua sorte com vista à vitória na etapa. Serpa rapidamente chegou perto dos fugitivos. Nesta fase da corrida, restavam De Gendt e Plaza na frente como de resto seria evidente desde o início da fuga. 3 quilómetros depois De Gendt saltou do pelotão e conseguiu alcançar uma vantagem de 30 segundos sobre os perseguidores.

Começava a subida para Vallter

No pelotão, Sky e Katusha tentavam anular a diferença para os fugitivos. David Lopez Garcia comandava o pelotão e iniciava o trabalho para Chris Froome. O espanhol está a revelar-se como o gregário de luxo do inglês para esta temporada, indiciando que dentro da Sky poderão existir algumas mudanças na orgânica da equipa visto que ao que tudo indica, Richie Porte será o chefe-de-fila da equipa no Giro de Itália.

Numa subida disputada com algum tacticismo (Moreno, Purito, Contador, Froome, Quintana marcaram-se e vigiaram-se durante toda a subida) o único ataque no grupo dos favoritos viria do francês Warren Barguil da Giant-Shimano. Sem sucesso. Van Garderen haveria de sair a poucos metros da meta para vencer a etapa e ganhar alguns segundos à concorrência.

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Na Geral, a classificação ficou assim:

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P.S: Devido às limitações do meu tempo pessoal, amanhã escrevo sobre a etapa de hoje e sobre a etapa de amanhã da Volta à Catalunha, bem como de uma clássica disputada hoje na Bélgica, a corrida de Harelbeck.

 

Ciclismo 2014 #25

Milão – São Remo

kristoff 2

O medalhado de bronze da última prova de estrada dos Jogos Olímpicos de Londres, Alexander Kristoff da Katusha tornou-se o vencedor da edição deste ano ao bater ao sprint nomes como Fabian Cancellara (Trek), Ben Swift (Sky) e Mark Cavendish (Omega-Pharma-Quickstep).

Ontem teve lugar a dura clássica que liga a capital do norte italiano a San Remo, uma das atracções turísticas da Ligúria. Esta clássica marcou o arranque das clássicas da primavera. Até ao mês de Maio, os ciclistas terão pela frente 12 clássicas disputadas em vários países, entre as quais a Amstel Gold Race, a Liège-Bastogne-Liège, a Kuurne-Brussels-Kurne ou o inferno do Paris-Roubaix. À partida em Milão, os grandes favoritos para vencer a clássica eram Fabian Cancellara, Peter Sagan (Cannondale), Mark Cavendish, Filippo Pozzatto e Sasha Modolo (Lampre) ou Vincenzo Nibali (Astana).

Numa corrida disputada quase na sua totalidade sob condições atmosféricas adversas (a chuva deu tréguas na parte final da prova) foi uma prova disputada com muitos ataques de várias equipas, entre os quais o de Vincenzo Nibali na aproximação à última inclinação do dia, a Cipressa. Nibali não só não levou avante o seu ataque (mais uma vez fez um ataque descabido muito longe da meta) como no início dessa colina perdeu contacto com o grupo de favoritos, grupo onde estavam Cancellara, Sagan, Cavendish e o vencedor da prova do ano passado, o alemão Gerald Ciolek.

podio milan san remo

Nenhum dos ataques conseguiu ser mortífero e a prova foi discutida ao sprint por um lote reduzido de corredores. O norueguês Kristoff foi mais forte que a concorrência, batendo Fabian Cancellara e Ben Swift ao sprint. Mark Cavendish ainda discutiu o sprint mas apenas logrou ser 5º na prova. Peter Sagan não conseguiu posicionar-se bem para o sprint final, tendo ficado apenas na 10ª posição.
Excelente vitória para Kristoff no ano em que o norueguês espera consolidar o seu estatuto dentro da elite dos sprinters do pelotão internacional. Já no passado mês de Fevereiro, em entrevista, o norueguês afirmava que tinha treinado imenso a sua postura corporal no sprint para poder ser mais competitivo nas chegadas em pelotão ou em grupo compacto.

Últimos quilómetros:

Volta à Catalunha

volta catalunha

martin

Entretanto começou hoje na região autónoma espanhola a Volta à Catalunha em bicicleta. Durante 7 etapas, vários ciclistas tentarão suceder ao irlandês Daniel Martin como o vencedor da geral da prova. Martin corre perto de casa visto que o ciclista irlandês mora na Catalunha, mais precisamente em Girona. Em declarações à organização da prova, o ciclista irlandês afirmou que estará na catalunha para honrar o dorsal número 1 e iniciar a sério a sua preparação para o Giro de Itália, uma das provas que constitui parte dos seus objectivos para esta temporada: lutar pela vitória na geral da prova ou pelo menos fazer um pódio. O facto de Martin estar destacado como chefe-de-fila para o Giro poderá indiciar que no Tour a equipa irá apostar em Talansky para a Geral e Hesjdal poderá ser a aposta para a Vuelta. Tal assumpção justifica-se com a inserção de Hesjdal na prova, ele que poucas corridas em espanha correu nos últimos anos.

Para além de Martin, presentes na Volta Catalã estão Purito Rodriguez da Katusha (a sua primeira aparição em competição na presente temporada), Alberto Contador (Saxo-Tinkoff), Samuel Sanchez da BMC (primeira corrida pelas cores da sua nova equipa), Luis Leon Sanchez (Caja Rural), Carlos Alberto Betancur (AG2R), Wilco Keldermann (Belkin), Tejay Van Garderen (BMC), Christopher Froome (Team Sky), Ivan Basso (Cannondale), Andrew Talansky (Garmin), Ryder Hesjdal (Garmin), Simon Clarke (Orica GreenEdge), Chris Horner (Lampre; a lesão contraída no Tirreno-Adriático não passou de um susto), Daniel Moreno (Katusha), David Rebellin (CCC Polsat) e Nairo Quintana (Movistar). Ou seja, estão cá praticamente todos os grandes ciclistas mundiais, prevendo-se bastante espectacularidade nas etapas de montanha que a prova irá oferecer durante esta semana. Alberto Contador e Chris Froome estarão aqui, pela primeira vez, em contenda numa prova em que a Garmin veio com os seus 2 chefes-de-fila e com o seu ciclista outsider (Talansky) para renovar o título conquistado pelo ciclista Irlandês.

1ª etapa

Luka Mezgec

Aproveitando o facto da prova ter poucos sprinters (o traçado não é convidativo à sua presença), o esloveno Luka Mezgec, 3º sprinter da equipa, actual lançador de Marcel Kittel conseguiu a sua primeira vitória da época na prova disputada no circuito montado pela organização em Callela com a distância de 169 km.

O esloveno bateu ao sprint Leigh Howard da Orica GreenEdge e Julian Alaphillipe da Omega-Pharma-Quickstep, tornando-se o primeiro camisola vermelha da competição.
Quanto aos portugueses em prova, Bruno Pires e Sérgio Paulinho chegaram dentro do pelotão, respectivamente nas 72ª e 152ª posições.

Na 2ª etapa, os ciclistas partirão de Mataró em direcção a Girona (total de 168 km) numa etapa cujo final também se prevê disputado ao sprint. Pelo meio, os ciclistas terão uma contagem de montanha de 3ª categoria e outra de 2ª que não causarão grandes diferenças ou dificuldades aos sprinters.

3. Alterações para o futuro da Vuelta

ASO

No final da semana passada, a ASO, empresa subsidiária da Amaury (proprietária do jornal L´Equipe e dos direitos de organização do Rally Dakar) anunciou a compra de 49% da espanhola Unipublic, a actual organizadora da Vuelta. A organização da prova espanhola passará a partir deste ano a ser partilhada pelas duas empresas.

Ciclismo 2014 #21

paris nice 2

Paris-Nice

4ª etapa – ontem

Tom Jelte Slagter

Na primeira aproximação à montanha e às etapas que realmente fazem as diferenças na geral da prova, o holandês de 24 anos Tom Jelte Slagter atacou na última contagem do dia (uma 2ª categoria posicionada a cerca de 20 km da meta), recebeu a ajuda vinda de trás de Geraint Thomas (Sky) e venceu a etapa que terminou em Belleville. O holandês conseguiu a sua primeira vitória da temporada. Em 2013, conseguiu alguns resultados de destaque como a vitória na geral individual do Tour Down Under (Austrália; a primeira prova World Tour da temporada), a vitória numa etapa na mesma prova e a vitória no prémio da montanha do Tour de Alberta. Com o 2º lugar na etapa, Thomas ascendeu à liderança da geral da prova.

A etapa de ontem era tida como crucial para aqueles que tem aspirações à geral (Carlos Alberto Bettancur, Rui Costa, Bauke Mollema, Vincenzo Nibali, Geraint Thomas). Com 3 contagens de 3ª categoria praticamente seguidas e uma de 2ª a finalizar, era expectável que um ou vários destes ciclistas pudessem executar o seu ataque na subida final. Para o camisola amarela à partida, o alemão John Degenkolb, seria bastante difícil sair da etapa como líder, apesar do facto do alemão conseguir suportar bastante bem a média montanha. A etapa veio provar isso mesmo: Degenkolb chegou incluído no 2º grupo a apenas 18 segundos do vencedor da etapa.

A etapa começou com as habituais fugas. O primeiro a tentar foi o combativo Thomas Voeckler (Europcar) logo nos primeiros quilómetros. Voeckler foi rápidamente alcançado pelo pelotão, sapiente do perigo a que se arriscava caso deixasse sair o antigo campeão nacional francês. Apesar da tentativa, Voeckler mostrou que ainda não está em forma. Poucos quilómetros depois, a Europcar não desistiu do objectivo de constituir um grupo de fugitivos. Perrig Quemeneur, homem que já tinha encetado uma fuga precisamente na 3ª etapa saiu do pelotão e com ele foram Valerio Agnoli (Astana), Laurent Didier (Trek) e Jesus Herrada da Movistar. Tendo em conta a perigosidade da fuga pela presença de Agnoli, o pelotão deixou ir o quarteto à vontade até ao quilómetro 111, altura em que começaram as inclinações do dia. Nesse preciso quilómetro, o quarteto tinha cerca de 6 minutos e meio de vantagem sobre o pelotão.

Os fugitivos tiveram tempo de passar pelas 3 montanhas de 3ª categoria. Nos Cote de la Clayette (km 137.5), Col de Champ de Juin (Km 156.5) and Col de Crie (Km 164) Agnoli passou na frente e colheu os 4 pontos em disputa para a classificação da montanha, pontos que se revelaram suficientes para retirar a correspondente camisola de líder da classificação a Christophe Laborie da Bretagne. Na contagem de 2ª categoria, o homem da Bretagne foi um dos primeiros a descolar do pelotão.

À entrada da última montanha do dia, o Mount Bruilly, o pelotão tratou de anular a fuga de forma ao espectáculo poder começar.

A Sky chegou-se à frente do pelotão e começou a endurecer o ritmo para fazer a primeira selecção dentro do numeroso grupo. A 15,5 km do fim, o primeiro a abrir as hostilidades foi um dos principais favoritos à vitória na geral da prova, o colombiano Carlos Alberto Bettancur da AG25. Bettancur atacou precisamente numa fase da subida em que num espaço de 500 metros esta apresentava uma pendente média de 20%. Sem efeito, poucos metros mais à frente seria alcançado, crendo eu que o colombiano apenas quis testar o poder de resposta da Sky e da concorrência. Tanto Vincenzo Nibali como Rui Costa iam bem posicionados dentro do grupo e bastante atento às possíveis investidas dos adversários. Aos 14,4 km, Bettancur tentou novamente fugir. E o pelotão rompeu de vez num grupo de 40 a 50 unidades.

Com o ataque de Bettencur, abriu-se o precedente para mais ataques. Mal o colombiano foi alcançado novamente, Tom Jelte Slagter fez o ataque decisivo. Saíndo que nem uma bala do pelotão, rapidamente ganhou 7\8 segundos de vantagem para o mesmo. Ninguém respondeu no pelotão. 600 metros após, foi Geraint Thomas da Sky a sair do pelotão para alcançar o ciclista holandês da Garmin. Rui Costa chegou-se à frente do pelotão para encetar a perseguição mas não teve grande colaboração. O grupo principal haveria de deixar os dois ciclistas vencer a etapa precisamente porque nunca se conseguiu organizar para os perseguir. Até ao final da subida, também iria sair o jovem holandês Wilco Kelderman da Belkin, jovem em quem a equipa holandesa deposita grandes esperanças para o futuro, posicionando-se num ponto intermédio entre os dois da frente e o grupo principal. Num grupo secundário, bem próximo do grupo principal já estava John Degenkolb. O ciclista da Giant-Shimano era o homem que mais ia trabalhando na frente do grupo para conseguir a recolagem.

Iniciou-se a longa descida que iria levar os ciclistas à recta da meta com Thomas e Slagter na frente e Kelderman entre o grupo principal e os homens da frente. A 8 km da meta, tentaram sair do grupo 2 homens bastante perigosos: o dinamarquês Jakob Fuglsang da Astana e Romain Bardet da AG2R. Conseguiram alcançar alguns metros de vantagem mas nunca se constituíram como perigo tanto para os homens da frente como para os ciclistas do grupo principal. Thomas e Slagter iam trabalhando muito bem na frente para terem hipóteses de disputar a vitória na etapa. Para Geraint Thomas, mesmo que não conseguisse vencer a etapa, estava em condições de assumir a amarela da prova.

Apesar de Wilco Kelderman se ter aproximado muito rapidamente aos dois da frente, o sprint final pela vitória iria pertencer aos dois homens da frente com o holandês a deter uma ponta final mais forte que Thomas. O grupo dos favoritos acabou por alcançar Kelderman, terminando o holandês na 3ª posição e todo o grupo a 5 segundos dos vencedores. No grupo principal chegaram Arthur Vichot (Française des Jeux), Rui Costa (11º), Jon Insausti (Movistar), Carlos Alberto Bettancur, Frank Schleck (Trek), Jakob Fugsland e Vincenzo Nibali, e John Gadret (Movistar). A 18 segundos chegou o líder Degenkolb num grupo que incluía André Cardoso (Garmin), Maxime Monfort e Tony Gallopin (Lotto-Belisol).

Com atraso significativo de 57 segundos chegou Chavanel (IAM). O francês foi uma das baixas logo no início da segunda categoria por causa de um furo. Jerome Pineau, outro dos chefes-de-fila da suiça IAM, apanhou quase 4 minutos. O português Nelson Oliveira chegou incluído no grupo de Andy Schleck a mais de 7 minutos. Mais uma vez o luxemburguês voltou a desiludir. Apesar de ter considerado que se encontra motivado e a preparar forma para voltar em grande às competições por etapas de 3 semanas, o que é certo é que (um dos chefes-de-fila da Trek) não está a conseguir re-encontrar o ritmo que possuía noutros tempos depois da grave lesão que o deixou de fora durante vários meses.

Na geral, Geraint Thomas assumiu a amarela, detendo uma vantagem de 3 segundos sobre John Degenkolb e de 4 sobre Tom Jelte Slagter. Rui Costa posicionou-se na 14ª posição da geral a 19 segundos da liderança. Na geral da montanha, Agnoli assumiu a liderança com 12 pontos, mais 3 que Christophe Laborie.

5ª etapa – hoje

bettancur

Na etapa que ligou Crêches-Sur-Saône a Rive-de-Gier, na distância de 153 km, os ciclistas tiveram pela frente uma etapa muito semelhante à do dia anterior com 3 contagens de 3ª categoria (2 no início da etapa, outra a meio) e uma contagem de 2ª muito próxima da meta. Carlos Alberto Bettancur conseguiu a vitória que tanto procurava na prova ao atacar na descida final a 9 km da meta.

Thomas Voeckler voltou a fugir nos quilómetros iniciais da prova. Com ele levou Florian Guillou da Bretagne. Mais uma vez, a Bretagne escolheu os primeiros quilómetros da etapa para ser vista. A fuga não durou muito. Ao quilómetro 11, um quinteto de luxo tentou a sua sorte: quase afastado da geral da prova e com uma etapa propícia às suas características, Sylvain Chavanel tentou a sorte em conjunto com Jan Bakelants da Omega, Matthew Busche da Trek, Gorka Izaguirre da Movistar e Brice Feillu da Bretagne. O melhor classificado na geral era precisamente Bakelants, a 19 segundos de Geraint Thomas.

A fuga mostrou algum entrosamento. Chavanel venceu os pontos em disputa nas 2 3ªas categorias dispostas enquanto Bakelants venceu os sprints intermédios posicionados ao quilómetro 87.5 e 126.5.

Pelo meio, Nacer Bouhanni, o vencedor da 1ª etapa da prova, anunciava o seu abandono.

Sylvain Chavanel decidiu investir sozinho. No entanto, lá atrás no pelotão, a Team Sky não ia dando hipóteses. Rapidamente engoliram o quarteto que ficou para trás e prosseguiram rumo a Chavanel. Entretanto, na apróximação ao cote de St Catherine, a AG2R tinha 3 contratempos quase seguidos: Romain Bardet e Samuel Dumoulin tiveram problemas mecânicos e Maxime Bouet caiu no meio do pelotão. No topo da contagem, Vincenzo Nibali decidiu atacar e levou consigo Bettancur, Geraint Thomas, Tom Jelte Slagter (provou hoje que também procura qualquer coisa na geral) e Jakob Fuglsang. Apenas Bettencourt e Fuglsang vingaram a sua investida, sendo acompanhados por outro ciclista que saltou do pelotão, o luxemburguês Bob Jungels da Trek. Rui Costa não conseguiu responder a estas movimentações. Mais uma vez, a equipa Lampre mostrou incapacidade para tomar a cabeça do pelotão e ajudar o seu líder.

Na descida final, o trio haveria de chegar junto, com Bettencur a vencer o sprint final. Ganhou 2 segundos a todo o pelotão mais bonificações. Com a vitória, o colombiano subiu ao 4º lugar da geral a 5 segundos de Degenkolb. Rui Costa chegou na 12ª posição e na geral ascendeu também à 12ª posição da geral a 19 segundos da liderança.

O português expressou o seu feedback sobre a etapa no seu diário: ““Foi uma etapa idêntica à de ontem com a agravante de ter chegado Betancour na frente e ter bonificado dez segundos. Ele, Geraint Thomas e Nibali são os mais perigosos neste momento para a classificação geral, mas pode haver surpresas. As minhas pernas não se portaram mal mas espero que amanhã estejam melhores.”

O líder Geraint Thomas mostrou-se feliz com a liderança da prova na véspera da etapa que muitos consideram decisiva para a classificação final da prova: “I’m glad to still be in the yellow jersey. The guys did a great job again but we wouldn’t cover everybody. I saw there were Giant Shimano and Omega Quick Step guys with us and I banked on them to chase for a mass sprint and we nearly got it. In my mind, riders like Nibali or Betancur still remain the favorites, they have more GC experience than I do. Tomorrow will be a hard day with a 220 something stage and a steep hill finale. I hope to be there or thereabout.”

Na classificação da montanha, Sylvain Chavanel assumiu a liderança com os mesmos pontos de Valerio Agnoli.

Amanhã, o Paris-Nice tem a sua etapa mais importante. A etapa que liga San Saturnin-lès-Avignon a Fayance vai fazer diferenças. Uma contagem de 3ª categoria logo no início da tirada e 4 contagens seguidas a terminar (1 de 3ª, 2 de 2ª e 1 de 1ª categoria) serão o suficiente para um dos favoritos arrumar com a geral já amanhã.

Tirreno-Adriático

tirreno-adriatico

Começou na quarta em Itália, a prova que irá ligar a prova que irá rasgar a Itália a meio, fazendo a ligação entre a parte que é banhada pelo Mar Tirreno e a parte que é banhada pelo Adriático.

Na “carteira de clientes”, a prova italiana conta com a participação de ciclistas como Alejandro Valverde (Movistar), Alberto Contador (Tinkoff), Purito Rodriguez (Katusha), Mark Cavendish (Omega), Michal Kwiatkowski (Omega), Roman Kreuziger (Tinkoff), Peter Sagan e Ivan Basso (Cannondale), Richie Porte e Braddley Wiggins (Sky) ou Chris Horner (Lampre).

1ª etapa – quarta-feira

A organização da prova preparou um contra-relógio por equipas a abrir. No total de 18,5 km disputados entre Donorático e San Vincenzo, a Omega-Pharma de Mark Cavendish e Michal Kwiatkowski voltou a vencer este ano (ainda não passaram nenhuma prova que disputaram este ano em branco), tornando-se o britânico o primeiro líder da geral da prova e o polaco o segundo. A equipa belga foi a mais rápida no crono, deixando a Orica a 11 segundos e a Movistar de Alejandro Valverde a 18.

2ª etapa – hoje

pelucchi

Na 2ª etapa da prova, uma fuga a meio da etapa protagonizada por Daniel Teklehaymanot (MTN-Qhubeka), Marco Canola (Bardiani-CSF), Alex Dowsett (Movistar), David de la Cruz (NetApp-Endura) e Davide Malacarne (Europcar) obrigou a Omega-Pharma-Quickstep a trabalhar no duro para manter a ordem. A 60 km da meta, o quinteto da frente chegou a ter 4 minutos e meio de vantagem. Ajudados pela Tinkoff (a trabalhar para Bennatti), as duas equipas conseguiriam alcançar o grupo de fugitivos.

Seguiram-se os habituais comboios. A Lotto chegou-se à frente e fez a papa para André Greipel, bem marcado de perto por Arnaud Demare (FDJ). Mark Cavendish não se conseguiu posicionar bem para o sprint final. Contudo, foi outro dos que vinha literalmente na roda do alemão, o jovem Matteo Pelluchi da IAM Cycling que conseguiu triunfar nos metros finais.

Na classificação geral, tudo na mesma.

Ciclismo 2014 #20

paris nice 2

Paris-Nice

2ª etapa

Paris-Nice

A etapa disputada entre Rambouillet e Saint-Georges-Sur-Baulche começou com algumas dúvidas dentro do pelotão. Apesar da vitória na primeira tirada da prova e do facto de ter sido assistido duas vezes pela equipa médica da sua equipa junto ao carro da Française des Jeux, existiam algumas dúvidas quanto à condição física do líder Nacer Bouhanni, em particular, quanto a uma lesão no joelho que o tem atormentado desde o início da temporada. O sprinter francês acabou por negar, nas entrevistas realizadas no final da etapa, que o joelho tenha condicionado a sua prestação no final da etapa.

A etapa começou com uma fuga logo aos 2,5 km. Anthony Delaplace da Bretagne (mais uma vez a Bretagne optou por fazer escapar um corredor muito cedo para se poder tornar visível e ter hipóteses de vencer um dos sprints intermédios\provavelmente esta estratégia de corrida é motivada pelos interesses dos seus patrocinadores) e o letão Alexejs Saramotins da IAM Cycling Team chegaram a ter 11 minutos de vantagem sobre o pelotão aos 33 km. No primeiro sprint intermédio do dia, ao quilómetro 61 Delaplace bateu Saramotins ao sprint e lá atrás, no pelotão, Gianni Meersman foi 3º, confirmando o intento de lutar pela geral dos pontos da prova.

A fuga foi decorrendo. Lá atrás, as equipas dos principais sprinters em prova (Omega, Française des Jeux, Belkin) aumentavam o ritmo (e consequentemente a probabilidade de cortes no pelotão devido ao vento que se fazia sentir e à dificuldade de um traçado que no ano passado provocou imensas quedas dentro do pelotão da edição de 2013) na peugada dos fugitivos, que, foram avançando isolados à única contagem de montanha disposta (uma 3ª categoria, já bem perto da meta). Na contagem de montanha de Cote de la Ferte-Loupiere, Saramotins passou à frente de Delaplace. Mesmo assim dispunham de uma vantagem de aproximadamente 5 minutos, vantagem que na altura era considerada como suficiente para poderem vencer a etapa.

Quando o pelotão teve noção dos 5 minutos que levava de atraso, as equipas dos sprinters organizaram-se e começaram a imprimir um ritmo louco na cabeça do pelotão. Com o aumento rítmico, começaram também os problemas no seio do mesmo. A 30 km da meta, as televisões foram buscar a imagem de Andy Schleck com o trepador luxemburguês a sentir imensas dificuldades na cauda do pelotão. Poucos quilómetros depois, enquanto Saramotins batia Delaplace noutro sprint intermédio e Gianni Meersman conseguia ser novamente terceiro. O segundo alcançado por Meersman seria suficiente para dar a liderança virtual da prova ao sprinter belga, mas, a etapa iria reservar-lhe outros planos.

Formaram-se os comboios. A 12 km da meta, quando a fuga seria alcançada mais tarde ou mais cedo (a 12 km do fim Saramotins deixou Delaplace para trás; seria alcançado a 4 km da linha de chegada), o comboio da Orica tomou a frente do pelotão (para trabalhar para Simon Gerrans e Matthew Goss) e com a tomada de posse da equipa australiana deu-se a maior queda do dia, precisamente na frente, ficando nela dois possíveis candidatos à vitória: o noruguês Edvald Boasson Hagen (Team Sky), o famigerado Tyler Farrar (Garmin-Sharp) e Lars Boom da Belkin.

Alcançado Saramotins, rapidamente a Giant-Shimano (antiga Argus) montou o seu dispositivo pró John Degenkolb e tratou de formar o seu comboio para levar o holandês até aos metros finais, onde, Degenkolb e Bouhanni marcaram-se mutuamente mas o antigo campeão holandês de sub-23 da Belkin Moreno Hofland, um dos ascendentes sprinters do cenário internacional, levou a melhor sobre toda a concorrência e garantiu uma preciosa vitória à Belkin na prova. Nos metros finais, houve mais uma queda dentro do pelotão que retirou a possibilidade de ciclistas como Gianni Meersman ou Tom Boonen de lutar pela vitória na etapa.

Highlights da etapa

3ª etapa

Degenkolb

À 3ª foi de vez. Depois de 2 vezes segundo, envergando a camisola dos pontos da prova, John Degenkolb conseguiu vencer no Paris-Nice e atingir a sua 4ª vitória em etapas na presente temporada.

Na última etapa antes da montanha, o circo foi até ao histórico circuito de Magny-Cours. Seria interessante analisar a prestação dos ciclistas nos minutos finais dada a forte exposição ventosa típica dos circuitos automobilísticos.

A etapa arrancou com alguns abandonos de vulto. Gianni Meersman decidiu ir para casa por problemas físicos motivados pela queda sofrida no dia anterior. Lars Boom também ficou maltratado da queda sofrida a 12 km da meta e decidiu abandonar a corrida. Como tinha acontecido nos dois dias anteriores, os franceses trataram de dar lustro ao patrocínio exibido nas suas respectivas camisolas ao arrancar com uma fuga a três logo aos 3 km. Perrig Quemeneur da Europcar, Julien Fouchard da Cofidis e Romain Feillu da Bretagne (este último, o chefe-de-fila da equipa francesa na prova) tentaram a sua fuga e o ciclista da Europcar esteve a um ligeiro passo de vencer a prova. O pelotão, alertado pelo relativo sucesso da fuga de Delaplace e Saramotins, e, jogando à cautela em virtude dos estragos provocados pela aceleração efectuada com o objectivo de anular a fuga do dia anterior, não permitiu veleidades ao trio da frente. O melhor que conseguiram foi uma vantagem de 3 minutos e meio. É certo que a presença de Feillu (um ciclista com enorme talento) agudizou o engenho às equipas interessadas numa chegada ao sprint. No entanto, nos momentos finais, quando Quemeneur já se encontrava isolado e com bastantes chances de vencer a etapa, as equipas começaram as tricas pela liderança do pelotão e pela formação de comboios e demoraram bastante tempo a agir concretamente na anulação da fuga, facto consumado apenas a 2 km da meta.

Feillu deu-se bem com a montanha e venceu a 3ª categoria colocada ao quilómetro 74. Incapazes de lutar com as mesmas armas nos sprints finais (excepção feita a Bouhanni), os franceses mostram-se mais ávidos, como de resto é habitual, a lutar pela classificação da montanha. Feillu é possivelmente um dos candidatos à vitória nesta classificação caso consiga repetir uma fuga no dia de amanhã. 4 km depois seria Quemeneur o mais rápido no sprint intermédio.

O pelotão foi controlando a fuga até aos 10 quilómetros finais. Lá atrás, Sky (para Geraint Thomas ou Boasson Hagen), Astana e Movistar (Rojas) tentavam ganhar a cabeça do pelotão perante as expectantes Orica, Belkin e Française des Jeux. A ausência da equipa francesa na cabeça do pelotão indicava que o líder da prova não estaria nas melhores condições físicas para disputar o sprint final. Bouhanni seria 7º na etapa. O francês posicionou-se muito mal nos metros finais e não conseguiu alcançar as melhores condições para disputar o sprint.

Na entrada do circuito de Magny-Cours, com Quemeneur na frente e com a possibilidade do vento provocar cortes dentro do pelotão, a Giant-Shimano subiu as suas unidades dentro do pelotão, formou o seu comboio na frente e deu meia vitória ao seu 2º sprinter (o primeiro e chefe-de-fila da equipa é Marcel Kittel) perante a pressão de Rojas (Movistar) Matthew Goss (Orica) e Borut Bozic (Astana).

E tudo Degenkolb levou…

John Degenkolb

Liderança a prazo. A etapa de amanhã, a 4ª da prova, entre Nevers e Belleville, aproxima o pelotão do momento das decisões no que à geral da prova diz respeito. Três contagem de 3ª categoria praticamente seguidas a meio da etapa e uma 2ª categoria na aproximação à meta colocada em Belleville, em plena região demarcada do Beaujolais (uma das castas de vinho mais sui-géneris da europa devido ao facto das uvas não terem que ser pisadas antes de encubadas para a fermentação;: é a própria fermentação que lhes tinha a pele) fazem desta etapa uma autêntica clássica dentro da prova. As 3 contagens de 3ª categoria, sequênciais em poucos quilómetros, decerto farão a primeira selecção dentro do pelotão e a 2ª categoria é propícia a que Rui Costa, Carlos Alberto Bettancur ou Vincenzo Nibali ataquem e formem um grupo de favoritos até a recta da meta.

Cumpre-me também relembrar que amanhã começa a Tirreno-Adriático em Itália.