a entrevista de Figo ao Gazzetta Dello Sport

No dia em que o novo investidor do Inter, o indonésio Erick Thorir afirmou que Mazzarri é para ficar. Figo não tem totalmente razão: o Inter de Milão não tem que mudar o chip. Tem que criar o chip. O clube milanês encontra-se desde a saída de Mourinho sem uma aparente estratégia a médio prazo, incapaz de conseguir ressuscitar do marasmo experimentalista a que se tem votado nos últimos anos. Sou daqueles que defende que os actuais valores presentes no Meazza poderão dar uma equipa de futuro. A espinha dorsal do Inter (Handanovic, Juan Jesus, Rannochia, Jonathan, Nagatomo, Guarín, Mateo Kovacic, Ricky Alvarez, Hernanes, Rodrigo Palacio e Mauro Icardi; aqueles cujo futuro passará nos próximos anos pelo Meazza; a juntar aos veteraníssos Cambiasso, Samuel, Milito e ao reforço confirmado Nemanja Vidic e aos ascendentes Lorenzo Crisetig, Isaac Donkor, Wallace, Francesco Bardi e Marco Benassi e Marko Livaja) tem asas para voltar a competir pelo scudetto. No entanto falta aqui qualquer coisa, uma vedeta, um ou dois agitadores numa equipa com uma filosofia equilibrada, ao estilo Mazzarri. Hernanes não é esse agitador. Muito pelo contrário. Hernanes é um dos melhores jogadores do mundo em prol do colectivo. O mais próximo que a equipa tem desse tipo de jogador é Ricky Alvarez. Aprecio o argentino pela objectividade que incute no seu jogo, apesar de não ser, nem de perto nem de longe um tecnicista puro. Porém, o argentino e Freddy Guarin são neste momento muito escassos para ambicionar vencer a Serie A.

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vale a pena ler

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As burguesas origens de Andrea Pirlo no L´Espresso. Com um toque delicioso de informação intra-futebolística pelo meio. Desta vez não vou traduzir. Gastei demasiadas horas da minha vida a aprender a língua para poder disfrutar deste tipo de insiders. Sem querer ser o pior dos 3 p´s (pretensioso, presumido ou presunçoso), desta vez, desenrasquem-se para perceberem e terem alguma cultura futebolística.

O que eu ando a ver #49

Aos 34 anos, Andrea Pirlo continua a ser decisivo. Já o tinha sido no passado fim-de-semana em Genoa precisamente na marcação de um livre directo e continuou a sê-lo no Artemio Franchi, marcando da mesma maneira o golo que deu o apuramento à Juventus para os quartos-de-final da prova.

A Fiorentina entrou em campo com uma ligeira vantagem. O golo obtido por Mario Gomez nos minutos finais do jogo do Dell´Alpi (1-1) obrigava os visitantes a ganhar o jogo ou empatar a 2 golos para poderem seguir em frente. Na conferência de imprensa de antevisão à partida, Vincenzo Montella frisou a importância do jogo para a equipa Viola, afirmando que era um jogo que “valia por uma época”. Com o 4º lugar praticamente definido na Serie A, restava portanto à equipa de Firenze fazer o melhor que pudesse nas restantes competições, estando já garantida a presença na final da Taça de Itália.

Ambas as equipas repetiram (praticamente) o mesmo onze que tinham feito alinhar no jogo da primeira mão. Vincenzo Montella decidiu substituir Alessandro Matri por Mario Gomez e na direita da defesa, Juan Guillermo Cuadrado entrou para o lugar do argentino Facundo Roncaglia. Ausência para Matías Fernandez, devidamente substituído por Josip Ilicic. Na Juventus, Antonio Conte optou por colocar Fernando Llorente na frente do ataque em detrimento do italo-argentino Pablo Osvaldo.

Nos primeiros 20 minutos do jogo, a Fiorentina tentou controlar a partida e retirar a posse de bola à Juve. Numa atitude inteligente, a equipa de Montella não deixou que a Juve pudesse surpreender nos primeiros minutos e colocou um ritmo baixo no jogo. Só a partir dos 20 minutos é que a Juve começou a ter bola, quando Pirlo começou a pegar no jogo e a organizar o ataque da equipa de Turim. Facto interessante destes primeiros 20 minutos de jogo foi a disposição montada por Antonio Conte no último terço. Tevez funcionou como é habitual como avançado móvel, tentando receber e desequilibrar pelos flancos e Paul Pogba foi-se posicionar muito perto de Llorente, lugar que por norma é ocupado ora por Arturo Vidal ora por Sebastian Giovinco, este último quando é utilizado na equipa piemontesi. Defensivamente, Conte pediu ao médio para fechar o flanco esquerdo de forma a não permitir que Juan Cuadrado pudesse criar perigo através do seu poderoso drible em velocidade. O francês cumpriu a missão. O colombiano haveria de ser na partida uma verdadeira sombra do melhor que já fez esta temporada. Usando e abusando do físico, Pogba não deixou Cuadrado penetrar dentro da área pelo flanco direito.

De Pogba vieram os primeiros sinais de perigo…

Aos 21″, um lançamento longo de Martin Cáceres para a área permitiu ao francês receber a bola com o peito na área e atirar à baliza de Norberto Neto. Bem estorvado pelos centrais da Fiorentina acabou por fazê-lo ao lado. 2 minutos depois haveria de cabecear dentro da área para uma defesa apertada de Neto, apesar do fiscal-de-linha ter assinalado fora-de-jogo.

Ameaçada, a Fiorentina voltou a pegar no jogo. David Pizarro e Borja Valero iam pautando o jogo da equipa de Firenze no meio-campo. Aos 27″, Pizarro enche o pé à entrada da área e faz um remate rasteiro que passa muito perto do poste esquerdo de Gigi Buffon.

À passagem da meia hora, Paul Pogba voltou a causar perigo, rematando de meia-distância para defesa a dois tempos de Neto. A Juventus passou a pressionar a toda a largura do terreno, causando dificuldades à circulação de bola da equipa de Montella. Essa pressão surtiu o devido efeito. Os elementos da defensiva Fiorentina começaram a perder bolas em zonas onde não deveriam perder, oferecendo interessantes situações de contragolpe aos jogadores da Juve e o meio-campo Viola perdeu criatividade. Excepção feita a David Pizarro. Rápido a antecipar-se aos homens da Juventus, ganhou praticamente todas as divididas que teve com Vidal e Tevez no primeiro tempo e com a categoria de passe que lhe é característica, rapidamente conseguia procurar um companheiro a quem passar a bola.

Até ao final da primeira parte, a Juventus intensificou o cerco à àrea dos Viola para marcar o primeiro golo da partida. Jogando a toda a largura do terreno, de forma a abrir a defensiva fiorentina, a equipa de Conte tentou chamar a Fiorentina e garantir espaços para poder aplicar o seu jogo. Ao mesmo tempo, nas imediações da área, em movimentos repentinos, Pogba, Vidal e Tevez iam circulando com o intuito de baralhar as marcações, principalmente aquela que estava a ser feita por David Pizarro ao avançado Argentino. Aos 37″ Chielini (em alguns momentos do jogo fundiu-se muito bem no ataque através de interessantes combinações pela ala esquerda com o ala Kwadwo Asamoah) avançou no flanco esquerdo, recebeu de Asamoah e centrou largo para o 2º poste onde apareceu Arturo Vidal a amorter para uma tentativa de remate à meia volta de Tevez que passou muito por cima da baliza de Neto.

No minuto seguinte, a Fiorentina dispôs da sua melhor oportunidade no primeiro tempo quando uma bola bombeada para a zona dos centrais da Juve levou Chiellini (pressionado por Mario Gomez) a aliviar directamente para os pés de Josip Ilicic em zona central. O esloveno aproximou-se da área e esboçou um remate de meia distância (sem qualquer jogador a pressioná-lo) que haveria também de sair por cima da baliza de Buffon. O esloveno meteu as mãos à cabeça e percebeu a oportunidade que tinha desperdiçado.

Até ao intervalo, Tevez iria tentar alvejar a baliza de Neto por mais uma vez num remate à entrada da área. O guarda-redes da Fiorentina respondeu com uma defesa fácil. Howard Webb apitou para o intervalo e o empate, nesta altura justificava-se. Apesar de ter criado as melhores oportunidades de golo na primeira parte, o empate justificava a excelente assertividade defensiva da Fiorentina e castigava a atitude estática do ataque da Juventus. Contudo, o resultado era bastante perigoso. Isto porque a Fiorentina de Montella parecia não ter grande capacidade de resposta caso a Juve obtivesse um golo no início da 2ª parte. Em sub-rendimento, Juan Manuel Vargas e Alberto Aquilani eram candidatos óbvios à substituição já ao intervalo.

Durante o intervalo, Massimo Ambrosini intensificou os seus exercícios de aquecimento, fazendo crer que Alberto Aquilani ou David Pizarro não estariam nas melhores condições físicas.

Na 2ª parte, o jogo mudou por completo. A atitude da Juventus alterou-se e os homens de Turim entraram ao ataque. Logo aos 20 segundos, Tevez combinou com Llorente à direita, o espanhol protegeu a bola com o corpo e tocou para a frente para a entrada do argentino na área. Este rematou para Gonzalo Rodriguez conseguiu cortar para canto. Até aqui, o argentino (e Stefan Savic) estavam a fazer uma exibição de sonho, conseguindo cortar com eficácia todas as bolas que iam caíndo no seu raio de acção. O pior veio depois…

Aos 47″ Montella teve que mexer na equipa: David Pizarro não conseguiu regressar bem dos balneários sendo substituído por Massimo Ambrosini. A saída de Pizarro foi uma dura contrariedade para o jovem treinador da Fiorentina. O Chileno estava a ser, sem sombras para dúvidas, o melhor em campo no Artemio Franchi até aquele momento. A Fiorentina perdia um elemento capaz de destruir e construir para a entrada do veterano Ambrosini. Com Ambrosini, a equipa de Firenze ganhava um novo pulmão para a batalha de meio-campo mas, o veterano de 37 anos, não tem, nunca teve e nunca terá a capacidade de passe e a visão de jogo do médio defensivo Chileno.

Com a entrada de Ambrosini e com a ligeira vantagem da Fiorentina nas bolas divididas a meio-campo, facto que estava a prejudicar a construção de jogo da Juventus, Antonio Conte fez recuar Paul Pogba para a zona central, destacando o francês para a ajuda à construção de Andrea Pirlo. A alteração surtiu efeito. Com Borja Valero muito adiantado no terreno e Aquilani afastado por completo do jogo, Ambrosini foi escasso para Pirlo e Pogba.

A Fiorentina tentava destacar-se. Aos 50″ Juan Guillermo Cuadrado flectiu da direita para o centro, tentou combinar com Ilicic e um ressalto acabou por lhe colocar novamente a bola nos pés. Como gosta, seguiu em drible pela zona central e à entrada da área quando se preparava para alvejar a baliza de Buffon foi derrubado por Arturo Vidal. Howard Webb não hesitou em brindar o chileno com o cartão amarelo. E mais uma vez se sentiu a ausência de David Pizarro. À entrada da área, em condições normais, seriam os chilenos a bater aquele livre (ou Pizarro ou Mati Fernandez). Não estando os dois em campo foi Borja Valero a tentar a sua sorte. Tentou picar a bola subtilmente sobre a barreira para enganar Gigi Buffon mas o guarda-redes da Juventus não foi na cantiga e defendeu com facilidade.

Este período da partida acabou por ser o melhor de Juan Cuadrado no jogo. Aos 56″ fuzil0u autenticamente Gigi Buffon da direita e obrigou o guarda redes da Juve a tocar a bola para a frente. 2 minutos passados foi a vez da Juve criar perigo na área da Fiorentina: Tevez é solicitado com um passe longo na direita e perante a marcação de Savic centra para o coração da área para o cabeceamento de Arturo Vidal por cima da barra da baliza defendida por Neto. O chileno apareceu muito bem na área sem marcação a cabecear, movimentação habitual do jogador durante esta temporada.

O jogo ameaçava ficar partido. Com o decorrer dos minutos, o público presente no Artemio Franchi ia acreditando cada vez mais que era possível derrubar esta Juventus e ia apoiando a equipa. No relvado, os nervos cresciam junto das hostes torinese. Pirlo e Pogba estavam a usar e abusar dos passes longos, tentando jogar a toda a largura do terreno. Contudo, para cada bianconeri, um Viola atrás.

63″ Montella mexe pela 2ª vez na partida, colocando Alessandro Matri para o lugar de Mario Gomez. O alemão foi muito combativo mas passou ao lado do jogo. Muito por culpa da falta de jogo criado pelos jogadores dos flancos da Fiorentina. Tomovic voltou a ser nulo no ataque. Não consigo perceber o que é que Montella vê neste sérvio. Juan Manuel Vargas passou completamente ao lado do jogo. Do outro lado, sozinho no flanco, Cuadrado teve quase sempre que enfrentar um 2×1 ora com Asamoah e Pogba, ora com Asamoah e Chiellini, desequilíbrio que não lhe permitiu subir mais no terreno.

Voltando ao jogo. Mal Matri tinha entrado, a Juve ganhou um canto na direita. Pirlo bateu e Pogba apareceu na área a tentar uma bicicleta. A bola saiu ao lado. A Fiorentina recuava as suas linhas. Atitude bastante perigosa dada a ténue vantagem gerida no momento.

Pirlo decide…

Quando tudo parecia complicado para a Juventus, Gonzalo Rodriguez cometeu a sua asneira no jogo. Aos 68″ deixou Llorente receber na meia-lua e virar-se rapidamente, rasteirando o espanhol quando este se preparava para entrar na área. Howard Webb tratou de aplicar as leis: já tendo um amarelo, deu o 2º ao argentino e o respectivo cartão vermelho. À entrada da área, aquela bola era um autêntico penalty para o veteraníssimo centrocampista da Juve. Na cobrança do livre, Pirlo aplicou um “sinistro” do outro mundo, misto de técnica e força com a bola a entrar a grande velocidade no ângulo superior direito. Mal a bola entrou,  todo o camarote da Juve (composto por antigos jogadores e actuais dirigentes do clube como Peruzzi ou Nedved) se levantou e festejou efusivamente.

A jogar com menos um, a demonstrar pouca pujança ofensiva a jogar com 11, a missão avizinhava-se muito complicada para os homens de Vince Montella. Num único lance, Gonzalo Rodriguez tinha estragado tudo. Na repetição mostra que Llorente adianta ligeiramente a bola e possivelmente não a iria recuperar visto que Tomovic estava a tentar chegar rapidamente ao lance.

Com a expulsão do central argentino, Montella foi obrigado a mexer na equipa. Facundo Roncaglia entrou para o lugar de Ilicic, passando a Fiorentina a jogar com 3 centrais (Roncaglia, Savic, Tomovic) e 2 alas com missão ofensiva (Cuadrado na direita e Vargas na esquerda). Apesar desta solução ser, a 22 minutos do fim, uma alteração credível, também se justificava a entrada de Joaquin para o lugar de Aquilani (colocando Vargas a lateral e Tomovic a central) de forma ao espanhol poder dar mais vivacidade ao flanco direito da Fiorentina nas combinações que consegue executar com Cuadrado. Montella optou por deixar o espanhol no banco.

Com o golo, a Juve sentiu-se confortável na partida e tratou de baixar o ritmo do jogo. Com bastante circulação, conseguiu adormecer de vez a Fiorentina e controlar a partida. Aos 75″ Antonio Conte fez entrar Lichsteiner para o lugar de Maurício Isla, refrescando o flanco direito. O suiço entrou muito bem na partida e logo no minuto seguinte foi a linha centrar para cabeceamento de Llorente para defesa de Neto. 6 minutos depois, conseguiu recuperar a meio-campo uma bola cuja recepção Borja Valero falhou e num perigosíssimo 2×2 contra Savic e Roncaglia, tendo Llorente a tentar desmarcar-se na área, preferiu rematar para defesa de Neto para canto.

Aos 86″ Conte colocou Osvaldo no lugar de Llorente para queimar tempo. O melhor que a Fiorentina conseguiria fazer até ao final do jogo foi um remate rasteiro de Alberto Aquilani para defesa fácil no solo de Gigi Buffon.

Bidone D´oro #19

2 anotamentos muito breves sobre os jogos da noite de hoje da Serie A:

1. O clássico “sinistro” de Andrea Pirlo que deu a vitória à Juve sobre o Genoa.

Na primeira parte, o italo-argentino Pablo Osvaldo, internacional pela squadra azzurra, viu 2 golos anulados pelos árbitro da partida. Nas duas situações (a segunda muito mal ajuizada por um dos auxiliares), o avançado executou dois pormenores técnicos de excelência ao picar a bola subtilmente sobre a mancha executada pelo guarda-redes da equipa genovesa.

2. A vitória tranquila da Fiorentina no Artemio Franchi sobre o Chievo. O toureiro Mario Gomez voltou a aparecer nos minutos finais, confirmando mais uma vitória dos Viola na Serie A. Vitória preciosa que faz renascer o sonho “champions”. Na quinta-feira, ambas as equipas defrontam-se novamente para a Liga Europa, com ligeira vantagem para a equipa de Firenze depois do empate no Dell´Alpi a 1 bola.

Torino

lets go

Torino. Joga-se o tudo ou nada na Europa para a Fiorentina. Magnífico Dell´Alpi. Palco da final da Liga Europa da presente temporada. Temperatura agradável. Os últimos relatos falam em cerca de 8 mil tiffosi a viajar desde a toscânia. Joga-se a honra. Joga-se a vingança. A vingança de Baggio. A vingança da UEFA de 89\90. A Juve já sabe o que é perder contra a Fiorentina para a Série A. No Artemio Franchi, venceram os visitados por 4-2 com uma espantosa rivolta de Giuseppe Rossi em cerca de 15 minutos. De 0-2 para 4-2. Se me vendessem esse resultado aqui, comprava-o já. Não vai ser fácil. Prevejo um jogo equilibrado entre duas equipas que praticam bom futebol.

quem o diz é Cesare Prandelli

Leio na Marca:

prandelli

Folgo em saber que o seleccionador italiano pensa exactamente o mesmo que eu, e que até tinha lugar para o jogador da Fiorentina na selecção italiana caso o pudesse convocar.

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Mais…

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Para o Seleccionador italiano Iniesta é o melhor do mundo. Messi é extremamente importante mas o jogador mais fulcral dentro da equipa blaugrana é de longe Iniesta. Quando está mal, a equipa está mal. Quando está bem, toda a equipa está bem.

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A 100 dias do mundial, esta entrevista para o jornal espanhol também serviu para revelar que o seleccionador italiano não nos toma como favoritos à vitória no torneio brasileiro, cotando-nos abaixo da Colombia, da Bélgica e do Uruguai. Com toda a razão. Se o colectivo já é escasso, se o individual de Cristiano Ronaldo falhar no Brasil, bem que podemos encomendar uma eliminação precoce na primeira fase ou nos oitavos.

 

Bidone D´Oro #18

Minala

Agora foi um jornal senegalês a levantar a questão e a afirmar que o jogador tem 42 anos.

A falar em Lazio:

O albanês Lorik Cana, adversário de Portugal na ronda de qualificação para o Euro 2016, marcou o único golo da vitória da Lazio no Artemio Franchi frente à Fiorentina. Se por seu turno, a Lazio voltou a reaproximar-se dos lugares europeus, a Fiorentina não só atrasou-se na luta pela champions (está a 7 pontos do Napoli) como perdeu 1 ponto para o Inter. A equipa de Vincenzo Montella já vai no 3º jogo consecutivo sem ganhar.

Bidone D´Oro #17

Entrei no café depois de um dia de trabalho intenso. Duríssimo. Pedi um café, o 4º ou 5º do dia, não sei bem. Com sorte estava a dar na TV do estabelecimento a Fiorentina, clube do qual sou um associado orgulhoso. Fiel. Contas de outros rosários. A saudade, esse bicho venenoso que nos consome lentamente a alma. Folgo só de saber que em breve lá estarei, no Artemio Franchi, a ver a Viola frente à Juve para os oitavos-de-final da Liga Europa. Mandei vir um café e um maço de tabaco. 2-1 aos 75″. Supliquei uma jogada de Juan Guillermo Cuadrado pela direita. Com o café, o cafetero ala\extremo direito da Fiorentina sacou uma falta no seu flanco. Mati em campo. Acreditei logo que meio golo estava feito. Borja Valero pegou na bola. Disse para os meus botões “agora não Maestro. A coisa está negra e todos os pontinhos ajudam ao nosso objectivo, a Champions. Deixa o Mati bater” – Cuadrado posicionou-se para pontapear em força. Afinal de contas já marcou vários golos em lance corrido daquela posição. Não adiantou. O esférico pertencia ao Chileno. Mati rematou e rematou muito bem!

com o remate o chileno livrou a Fiorentina da 2ª derrota consecutiva na série A. Segundo o que diz a imprensa italiana, a grande vedeta da partida realizada no histórico Ennio Tardini foi Paolo Valeri, o árbitro da partida. O Stampa fala de uma arbitragem altamente tendenciosa a favor dos da casa. Com um penalty e expulsão que limitou a Fiorentina na 2ª parte. Com uma ridícula decisão tomada já nos descontos quando decidiu expulsar Borja Valero e Gianni Munari (curiosamente antigo jogador da Fiorentina) depois de uma agressão clara deste a Juan Guillermo Cuadrado.

Da Champions #10

Pela boca morre o peixe, já diz o ditado. Marquem bem esta frase. Dentro de alguns meses fará todo o sentido relembrá-la numa situação particular.

José Mourinho continua a bater a eito. Indiscriminadamente. Não lhe bastasse o facto de ter provocado Manuel Pellegrini e de ter recebido a devida resposta dentro das 4 linhas no jogo de sábado a contar para a Taça de Inglaterra, não lhe bastasse o facto de ter respondido da maneira que respondeu às declarações de Wenger e de posteriormente ter visto a equipa orientada pelo francês eliminar o estonteante Liverpool de Brandon Rodgers, o special one voltou a destilar… ódio, desta feita contra o Barcelona.
A ITV convidou o técnico a fazer a antevisão do jogo entre Manchester City e Barcelona. Poucas horas antes do jogo, Mourinho afirmou: “Pela história, o Barcelona é obviamente favorito. Mas este Barça, esta época, está a mostrar que não é o mesmo de anos anteriores. Claro que têm Messi, e ele é especial. E tem mais do que ele. Mas acho que este é o pior Barcelona em muitos anos. Por isso, o City tem hipóteses” – as hipóteses previstas para o City pelo treinador português deram no que deram. Visto que Mourinho foi um dos únicos treinadores capazes de vencer em Nou Camp nos últimos anos, desmontar por completo o futebol do Barcelona (em particular o futebol de Messi) e com essas conquistas granjear títulos para as últimas equipas que orientou (Inter de Milão e Real Madrid) só posso acreditar que na cabeça do técnico português ainda ecoa algum ressabianço contra alguém da estrutura culé. Como Tito Villanova já não mora em Nou Camp, das três uma: ou Mourinho já prevê uma eliminatória contra o Barcelona e como tal já antecipou os seus habituais mind games, ou Mourinho teme profundamente o Barcelona, cisma na qual não acredito ou Mourinho limitou-se a ser aquilo que tem sido nas últimas semanas – um palermóide de todo o tamanho que já devia ter fechado a boca. A terceira parece-me a opção mais convincente…

As declarações do treinador português fizeram eco na cabeça dos jogadores do Barça. Prova disso foi a resposta à altura que Cesc Fabrègas deu no flash interview do jogo da passada terça-feira.

Quem se mete em alhadas…

A UEFA abriu um processo de investigação ao treinador do Manchester City Manuel Pellegrini. O treinador do City teceu duras críticas ao trabalho realizado pelo árbitro sueco Jonas Erikson no final do jogo de terça-feira: “Não foi uma boa ideia escolher um árbitro sueco para um jogo tão importante”, – O treinador chileno deu portanto a entender que a Suécia não é um país com tradição no futebol. Perdoamos-lhe a chi(ne)lada. Até vir para a Europa, Pellegrini nunca deverá ter visto um jogador de apelido Gustaffson jogar pelo Santiago Wanderers ou por qualquer outra equipa da Liga Chilena ou da Copa dos Libertadores. Tampouco se deverá recordar que a selecção sueca já foi finalista e semi-finalista em duas edições do campeonato do mundo e que só não foi mais porque do outro lado, na primeira ocasião, em 1958 moravam na selecção brasileira uns tais de Pelé e Garrinha.

Curioso é o facto que aconteceu na semana passada na Liga Italiana. Na 2ª mão das meias-finais da Taça de Itália disputada no Olímpico de Roma entre Roma e Napoli, os tiffosi da Roma entoaram vários cânticos e várias palavras de ordem contra a equipa napolitana nas quais apelidaram, por várias vezes, os napolitanos de africanos. Tais comportamentos motivaram a Federação Italiana a punir o clube romano com um jogo à porta fechada por “discriminação territorial”. No dia seguinte. Válido para a jornada seguinte, 3 dias depois… A ver vamos se a UEFA não aproveita o precedente aberto na legislação desportiva italiana pela FIGC para criar jurisprudência desportiva com o treinador dos citizens.

Bidone D´Oro #16

roma

Os jogadores romanos saudaram a vazia Curva Sud do Olímpico de Roma no final do jogo contra Sampdória. O jogo foi disputado à porta fechada devido ao castigo que a Federação Italiana impôs ao clube romano em virtude dos cânticos de “discriminação territorial” entoados pela claque da Roma no jogo contra o Nápoles. (sim, porque meia itália não considera os Napolitanos como africanos durante 365 dias por ano…)

minala #2

minala 2

Sucedente deste.Em Itália continua a polémica criada acerca da idade do camaronês. Num comunicado lançado ontem no seu site oficial, a administração da Lazio afirma ter na sua posse toda a documentação relativa à origem do jogador e censura toda a especulação que está a manchar o bom nome da instituição. O jogador afirmou no Twitter: “Inveja é fraqueza do homem e pessoas com a alma pobre ferem os outros quando se está na Série A. Gosto de vocês! Força Lazio”.

Tutti a Roma!

Juan Cuadrado

Ele dança, ele estica, ele finta, volta atrás e finta novamente. Quando chuta, fá-lo com o coração de toda a cidade de Firenze. Mané Garrincha dos tempos modernos, Juan Guillermo Cuadrado é hoje sem sombra para dúvidas um dos melhores artistas do futebol mundial. Com um patardão do tamanho do mundo, meteu novamente a caminho da final da Taça de Itália!

O Artemio Franchi vestiu-se da gala para apoiar a equipa rumo à final da Taça de Itália. Com muitas crianças na bancada, desconhecedoras dos grandes feitos do clube atingidos no passado por grandes símbolos do clube como Rui Costa, Deus Gabriel Omar Batistuta, o sueco Kurt Hamrin, Francesco Toldo, Giovanni Galli, Dunga ou Angelo Di Livio, puderam festejar pela primeira vez na sua vida a ida da sua Viola às finais da Coppa de Itália.

Contra si, a equipa de Firenze tinha o resultado da primeira mão (2-1 para Udinese no jogo disputado no Friuli onde o colombiano Luis Muriel fez a diferença com um resultado de meia-distância) e a sua própria história: por 6 vezes vencedora da prova em 9 finais disputadas, a equipa da Toscania não alcançava a final da prova desde 2000\2001 (na qual venceu o Parma) e nunca na sua história tinha conseguido virar na 2ª volta o resultado obtido na 1ª mão.

Vincenzo Montella tinha em mãos a possibilidade de escrever história no clube. Pela frente, tal como se previa, a Udinese de Francesco Guidolin (a Udinese só por uma vez foi à final da prova, precisamente no seu ano de estreia em 1922) iria dificultar vender cara a derrota visto que, como o seu técnico frisou na conferência de imprensa, a Coppa de Itália representava o maior objectivo estabelecido para a época e, a única forma da equipa da região do Friuli chegar às competições europeias numa época em que está a lutar para não descer. (Actualmente, a Udinese ocupa a modesta 14ª posição no campeonato italiano).
Com o mestre Borja Valero castigado e Facundo Roncaglia lesionado, Alberto Aquilani saltou para o onze no lugar do espanhol e Modibo Diakité alinhou como lateral direito. Com consideráveis diferenças em relação à vitória obtida no sábado frente à Atalanta, lo “aeroplanino” Montella, alcunha pela qual é conhecido em Itália, alterou o sistema táctico da equipa do habitual 3x5x2 para o 4x3x3 com um meio-campo preenchido pelos chilenos David Pizarro e Mati Fernandez (este não serviu de apoio a Matri porque várias vezes durante o jogo rodou de posição com o espanhol Joaquín) e por Aquilani e com uma frente de ataque alargada com Joaquin à esquerda, Alessandro Matri ao centro e Juan Cuadrado na direita. No banco de suplentes, Vincenzo Montella tinha como alternativa “el torero” Mario Gomez, recentemente recuperado de uma lesão que o deixou fora dos relvados desde o mês de Setembro.

Francesco Guidolin manteve o mesmo onze que tinha alinhado na primeira mão, mantendo-se fiel ao 3x5x2 com Gabriel Silva (mais à esquerda) Domizzi (centro) e Herteux (à direita), Danilo como ala esquerdo, o suiço Silvan Widmer como ala direito, Allan Loureiro como organizador de jogo, Gianpiero Pinzi e Roberto Pereyra como médios interiores com funções criativas, e o maiato Bruno Fernandes no apoio directo à estrela da equipa, o eterno capitão Antonio Di Natale. O português seria de resto fulcral neste esquema táctico, conseguindo ganhar muitas bolas nas alas para servir em condições a principal referência de área da equipa. Na baliza, Guidolin manteve a confiança no jovem Simone Scuffet, guarda-redes de 17 anos que se estreou como sénior no jogo da primeira mão. Já há quem faça em Itália comparações entre Scuffet e Gigi Buffon, dado que o histórico guarda-redes da Squadra Azzurra também se estreou na Taça de Itália aos 17 anos (na altura, no Parma) nas precisas circunstâncias conjecturais que Scuffet: falta de confiança do treinador nos outros guarda-redes do plantel. Tal como tinha feito na primeira-mão, Scuffet revelou-se bastante seguro, fez defesas bastante vistosas e confirmou claramente a aposta do seu treinador.

Sem o presidente Andrea Della Valle na tribuna presidencial do Artémio Franchi, o jogo começou. Nos primeiros 10 minutos, a Udinese conseguiu travar o esperado ímpeto inicial que se previa da Fiorentina. Com bastante posse de bola dentro do meio-campo dos visitados, os homens de Udinese conseguiram de facto colocar um ritmo baixo na partida e retirar iniciativa aos adversários. Defensivamente, os primeiros minutos também demonstraram aquilo que já previa: com a posse de bola nos pés dos jogadores da Fiorentina, a equipa de Guidolin tenderia a encolher-se no seu meio-campo. Tal viria a acontecer nestes primeiros minutos com a disposição de um bloco defensivo profundo, cauteloso e ávido a retirar espaço para o meio-campo da Fiorentina por em prática o seu futebol articulado entre os pivots de construção (Pizarro e Aquilani) e os flutuantes homens que se encontram à sua frente (Manuel Pasqual e Joaquin  na esquerda, Cuadrado à direita, Mati e Matri M&M na frente).

O minuto 13 haveria de ser decisivo na partida. Com uma fantástica jogada de ataque, a Fiorentina conseguiu marcar e desbloquear uma partida que seria difícil. David Pizarro trabalhou na esquerda, colocou a bola na área para a desmarcação de Joaquin e o espanhol de costas para a baliza sem jeito para cabecear a bola para a baliza, conseguiu ver Manuel Pasqual a entrar na área pelo flanco esquerdo, fez o amorti e deixou que o capitão viola furasse por completo as redes de Scuffet com um estoiro colocado ao ângulo superior esquerdo. Estava feito metade do serviço no primeiro lance de perigo dos Viola na partida. A Fiorentina estava pela primeira vez na frente do marcador.

A Udinese tinha portanto que aumentar o ritmo do jogo e subir as suas linhas para poder responder à altura ao golo sofrido. Passados 8 minutos, aos 21″, a Udinese deu a primeira das respostas num lance em que Allan solicitou o ala Widmer dentro da área e num lance um tanto ou quanto identico ao lance do golo da Fiorentina, o suiço amorteceu a bola para o centro da área onde apareceu DiNatale a tentar uma chilena para a baliza defendida por Norberto Neto. A bola acabaria por sair ao lado da baliza do brasileiro. Com mais posse de bola\territorial neste período do jogo, com uma fantástica exibição de Allan Loureiro na construção de jogo, a Udinese poderia ter empatado por várias vezes: aos 25″, o argentino Roberto Pereyra fez um autêntico slalom pela zona central ao tirar 3 jogadores vestidos de roxo do caminho e serviu DiNatale já dentro da área. Totalmente na cara de Neto, tentou atirar em arco mas o remate acabaria por sair por cima da baliza da Fiorentina. O antigo jogador do River esteve fantástico nesta jogada na forma em como conseguiu tirar 3 jogadores do caminho à entrada na área, arrastar meia defesa da Fiorentina consigo e no mesmo certo servir o seu ponta-de-lança.
3 minutos depois, seria o argentino a tentar a sua sorte com um remate cruzado dentro da área que Neto iria defender para canto. A bola levava selo de golo. Prova disso foi o gesto de Antonio DiNatale. Logo que viu a bola sair para fora foi cumprimentar o guarda-redes adversário. No canto, o central Domizzi antecipou-se à marcação, cabeceou e o brasileiro respondeu com uma fantástica defesa em voo. Se a Udinese não tinha batido o brasileiro naqueles 3 lances, dificilmente o iria bater no resto da partida.

As 3 oportunidades de golo dos homens de Udine levaram a equipa de Firenze a recuperar a posse de bola de forma a colocar algum travão no jogo. Peça fulcral nesta declaração de intenções foi Mati Fernandez. Muito em jogo, o chileno teve muita posse nos seus pés e quase sempre soube o que fazer com a bola. Tentou por várias vezes o golo em remates de meia distância mas não foi feliz. O mesmo se pode também dizer do seu compatriota Pizarro. Cumpriu na perfeição a tarefa que lhe era exigida, pautar o jogo e anular a distribuição de Allan. Tarefas que de resto o que o Chileno desempenhou ontem na perfeição. Com processos simples, falhou poucos passes, acelerou o jogo quando a equipa mais precisava e na 2ª partou foi o ocaso do centrocampista da Udinese.
A Udinese continuou a carregar. Aos 32″ a equipa de Udine mandou as bolas aos ferros por intermédio de DiNatale após cruzamento de Gabriel Silva pela esquerda. Se Neto tinha defendido 3, o veterano avançado via agora outra esbarrar contra o poste com o brasileiro a limitar-se a olhar para o seu percurso. 3 minutos depois foi o português Bruno Fernandes a receber uma bola na área, não tendo conseguido servir Di Natale para o toque final.

Apareceu Pizarro. Montella mandou subir as linhas e a Fiorentina voltou a tomar as rédeas do jogo. O Chileno acelerou o processo de construção e aos 39″ serviu Joaquin na esquerda. O jogador de 32 tentou um remate em arco mas Simone Scuffet a punhos negou-lhe o 2-0. Montella faz rodar Joaquin, Mati e Cuadrado. O espanhol passou para a direita, o Chileno para a esquerda e o colombiano para o centro. Aos 41″, Mati tentou novamente a meia distância mas a bola passou bastante ao lado da baliza.

Ao intervalo, o empate teria sido o resultado mais justo pelas oportunidades de golo criadas pela Udinese.

A Fiorentina entrou mais forte no segundo tempo. Logo aos 45 segundos Joaquin tentou a meia-distância, Danilo deflectiu o remate e Simone Scuffet, balanceado para a direita ainda conseguiu desviar a bola para canto. Neste lance, Aquilani ficou a reclamar grande penalidade por mão na bola de Gabriel Silva no passe executado para o espanhol. Na minha opinião, o brasileiro não teve intenção de cortar o lance com o braço.

Os primeiros minutos da 2ª parte não iriam trazer mais oportunidades de golo. A Udinese começava a arriscar o tudo por tudo. Bruno Fernandes estava agora pelas alas na expectativa de conseguir criar oportunidades para DiNatale. A presença do português nas alas não permitia as subidas de Diakité pela direita, facto que também fazia Juan Guillermo Cuadrado passar ao lado do jogo. Na frente de ataque da equipa orientada por Montella, Matri tinha estado bastante energético nos primeiros minutos (tanto na dividida de bolas com os centrais da Udinese como a procurar ganhar bolas no meio-campo para depois ser lançado nas costas dos centrais da equipa adversária) mas agora passava completamente ao lado do jogo.

Começam as substituições. Aos 57″ Montella coloca Ryder Matos no lugar de Matri. Abdica de ter uma referência de área para empregar a rapidez do brasileiro no contra-ataque. O brasileiro seria bastante agressivo nos minutos em que esteve em campo. Tentou por duas vezes arrancar pela zona central em contra-ataque e numa delas até poderia ter ficado na cara de Scuffet não fosse o corte na altura certa por parte do francês Thomas Herteux. Guidolin responde com a sua arma secreta Luis Muriel no lugar de Gianpiero Pinzi. Com esta alteração Guidolin, coloca Bruno Fernandes na direita e encosta Roberto Pereyra na esquerda.

Quando toda a gente previa um novo assalto da Udinese à baliza de Neto, Juan Guillermo Cuadrado saca do seu talento e num contra-ataque iniciado por Joaquin no canal central, recebe a bola na direita, galga alguns metros com bola e perante a pressão de 2 adversários atira forte para o fundo das redes de Scuffet. Artemio Franchi em êxtase com o momento de brilhantismo do internacional colombiano. Poucos segundos passaram até à alteração forçada que Montella teve que fazer perante a lesão do central Savic com a entrada do alemão Marvin Compper.

A Udinese reagiu bem ao golo. Aos 62″ Silvan Widmer é solicitado na direita. Aproveitando a desconcentração defensiva adversária e a falha crassa de marcação de Manuel Pasqual, atira cruzado ao lado da baliza de Neto. O brasileiro berra com a defesa. Se esta bola do internacional sub-21 suiço entra, a Udinese empata a eliminatória e pode ter o que necessita para por em xeque a defesa viola no que faltava jogar até ao fim do jogo.
Bem aparecido na 2ª parte, o suiço puxou da sua melhor arma, a velocidade, ganhou um duelo no flanco direito a Manuel Pasqual e rematou ao primeiro poste para defesa fácil de Neto.

Ao minuto 80″ Francesco Guidolin voltou a mexer na equipa, ao colocar o uruguaio Nico Lopez para o lugar do fatigado Antonio Di Natale. A Fiorentina tentava retardar ao máximo o jogo, ora trocando a bola no meio-campo da Udinese, ora quebrando de propósito o ritmo de jogo com demoras na cobrança de faltas. Cuadrado ia fazendo monólogos com bola. Aos 82″ tira o amarelo a Domizzi numa arrancada da direita para o centro do terreno onde passou que nem uma flecha por 3 jogadores vestidos de preto e branco. No livre, Matías atirou por cima da barra. Aos 85″, um cruzamento da direita sobrevoou toda a área da Fiorentina sem que ninguém tocasse na bola. Recebendo já dentro da área, Gabriel Silva tentou passar a bola por cima de Juan Guillermo Cuadrado mas o colombiano protegeu bem a saída de Neto à bola. O brasileiro tentou cavar uma grande penalidade atirando-se contra o extremo da Fiorentina mas o árbitro da partida não foi de modas. Monta-se o cerco da Udinese à área da Fiorentina. Montella reage com a entrada de Juan Vargas para reforçar o flanco esquerdo. Sai Joaquin. Sem grandes soluções no banco, Guidolin faz entrar o antigo jogador do Benfica Hassan Yebda.

Nos últimos minutos instala-se a confusão. Pelo meio a Udinese tem duas oportunidades de golo. Aos 93″, o ganês Emmanuel Badu (não utilizado na partida por Guidolin) é expulso depois de reclamar com o 4º árbitro. Herteux aparece na cara de Neto mas está em fora-de-jogo. Os jogadores da Udinese reclamam uma mão de um jogador da Fiorentina. Luis Muriel recebe o cartão amarelo. Carrega a Udinese. No último minuto dos 6 de compensação dados pelo árbitro, Muriel isola-se na cara de Neto, chuta forte e o brasileiro defende para a frente. A bola fica à disposição de Nico Lopez com dois defesas da Fiorentina na linha de golo. O Uruguaio cabeceia e o guarda-redes da Fiorentina consegue evitar o golo de forma heróica em cima da baliza, confirmando de vez o apuramento da Fiorentina para a final da prova. Estado de euforia colectiva no Artemio Franchi. O brasileiro é cumprimentado no solo pelos seus companheiros enquanto o árbitro da partida expulsa Domizzi por protestos. Poucos segundos depois apita para o fim da partida e confirma o apuramento Viola para a final da Taça 13 anos depois!

 

interlúdio

minala

A perpicaz RMM diz que Joseph Minala é a reencarnação do Eusébio.

Joseph Minala, jovem camaronês que a Lazio contratou para a sua equipa de sub-18 foi nos últimos dias alvo de escárnio nas redes sociais. Apesar de milhares de utilizadores terem questionado a idade do jogador africano, o passaporte do mesmo diz mesmo que nasceu em 1996.

Remete-me para um artigo que li há uns anos no Guardian acerca das sucessivas fraudes cometidas com a idade de jogadores Nigerianos.

Remete-me também para o documentário que postei aqui há uns dias neste blog, o Diamantis di Guiné. A meio do documentário, um dos entrevistados afirma que só mudando a idade é que alguns empresários conseguem “garantir” o sonho a alguns jogadores africanos.

imagem do dia

balotelli

Balo chora minutos depois de ter sido substituído (primeira substituição de Clarence Seedorf) no jogo frente ao Napoli. A Gazzetta Dello Sport afirma que Balotelli viveu uma semana de intenso stress em virtude do facto de ter visto reconhecida a paternidade de Pia, a filha que teve com a ex-namorada Raffaela Fico. O jogador pretendia dedicar um golo à criança diante do clube da cidade onde a pequena vive.

Quem acabou por decidir foi novamente Gonzalo Higuaín com 2 golos na partida.

 

Bidone D´oro #14

1ª Mão das meias-finais da Taça de Itália – Stadio Communale Friule, Udine – Udinese 2-1 Fiorentina

Matri

Udinese e Fiorentina disputaram ontem a 1ª mão das meias-finais da prova. Perante condições climatéricas desfavoráveis, a turma orientada por Francesco Guidolin venceu a equipa de Vincenzo Montella por 2-1 num jogo onde a grande figura foi o internacional colombiano Luis Muriel. Para chegar às meias-finais, a Udinese bateu o Inter no Friuli por 1-0 e o Milan no San Siro por 2-1. A Fiorentina bateu o Chievo e o Siena no Artemio Franchi.

Confesso que não vi a primeira meia-hora de jogo. Nos 15 minutos finais do primeiro, período no qual foram apontados os primeiros golos da partida, depreendi logo que a primeira parte foi disputada num pace altíssimo, com a equipa da casa a fazer pela vida de forma a poder vencer o jogo da primeira mão. O eterno capitão da Udinese Antonio DiNatale marcou o primeiro da partida aos 36″ ao finalizar na área uma felina investida em contra-ataque dos seus companheiros. Diga-se de resto que o contragolpe dos homens de Udine é o ponto forte do seu jogo. Alguns minutos depois respondeu o peruano Juan Vargas (o 2º peruano mais famoso de Firenze; o peruano mais famoso de Firenze é o Nestor, peruano que vende nougats pelas ruas de Firenze e pelo Artémio Franchi) com um tiraço para o fundo das redes de Simone Scuffet, o teenager de 17 anos que Guidolin escalou para defender a baliza da sua equipa nesta partida.

Com um empate ao intervalo a satisfazer os interesses Viola, a Fiorentina tentou controlar o resultado na 2ª parte. O ritmo de jogo desceu de forma considerável. DiNatale saiu para a entrada de Bruno Fernandes. Os Viola tentaram por várias vezes criar situações que permitissem o 2-1. Aos 55″ David Pizarro recebeu a bola no centro e com uma brilhante leitura de jogo desmarcou Joaquin na área com o espanhol a rematar para uma excelente defesa de Scuffet. Aos 61″, o espanhol haveria de tentar corresponder de primeira a um cruzamento feito na esquerda por Borja Valero. O antigo internacional espanhol, em excelente forma nesta fase da temporada, pegou mal na bola e acabou por ver o seu remate embater nas costas de um jogador adversário. Dois minutos depois foi Alessandro Matri a tentar a sua sorte: o italiano recebeu a bola na zona de penalty perante a oposição de Herteux, matou a bola no peito e tentou um remate em rotação que acabaria por sair ao lado da baliza da Udinese.

Sem querer arriscar em demasia, Francesco Guidolin fez entrar Luis Muriel para o lugar do inofensivo Nico Lopez. A entrada do colombiano seria decisiva para o desfecho final da partida: na primeira vez em que tocou na bola esteve perto de marcar golo quando na pequena área atirou por cima a passe do suiço Widmer. Este extremo suiço de 20 anos, internacional sub-21 pelo seu país, jovem que a Udinese foi buscar no verão de 2013 ao modesto Aarau (onde se estreou em 2011) é um jogador com bastante talento. Dono de um enorme poder de aceleração e de uma capacidade técnica bastante acima da média, Widmer é um jogador que consegue fazer bastante arrancadas pelo flanco direito, ganhar a linha e servir na perfeição os seus avançados. Acossado pelas investidas da Udinese, Montella decidiu apostar na vitória com as entradas de Juan Guillermo Cuadrado para o lugar de Joaquin e Anderson para o lugar de Borja Valero. O caudal ofensivo da Fiorentina diminuiu com as alterações e a Udinese aproveitou para tentar partir o jogo nos últimos minutos e assim por em marcha o seu poderoso contra-golpe. Prova disso foi a entrada aos 77″ do ganês Emmanuel Badu, médio que executa com bastante rapidez as transições para o contra-ataque.

A Udinese meteu mais rapidez nos seus processos ofensivos e colheu frutos. Aos 82″, o colombiano Luis Muriel dominou a bola à entrada da área e desferiu um poderoso remate ao qual Norberto Neto só conseguiu acompanhar com o olhar. O golaço do colombiano resolveu a partida. A Fiorentina terá que fazer pela vida na 2ª mão para levar de vencida esta Udinese. É credível que a Udinese vá ao Artemio Franchi defender e tentar jogar no contragolpe.

Pormenores: Modibo Diakité estreeou-se com a camisola da Fiorentina. O central veio por empréstimo do Sunderland até ao final da presente temporada. Ocupou uma posição no esquema de 3 centrais habitualmente montado por Montella, ocupando a posição que pertenceu ao argentino Roncaglia, ou seja, mais descaído para a direita. Mostrou credenciais: certinho a defender, saiu várias vezes do meio-campo com a bola dominada nos pés como o faz Roncaglia, movimentação em que o franco-senegalês se sente à vontade. Mostrou portanto que a estrutura Viola pensa muito bem as contratações que faz no mercado. É assertivo dizer que a capacidade financeira actual do clube dá para tudo. Não o vamos negar. As vendas de Nastasic e Jovetic para o City e Ljajic para a Roma fizeram encaixar em Firenze capital que decerto não iria encaixar na Champions. Mais importante do que comprar, é comprar bom, barato e alguém que se adeque à filosofia de jogo da equipa. A contratação de Diakité preenche todos esses requisitos.

Bidone D´Oro #13

Derbys são derbys. Em qualquer parte do mundo. Significam paixão, hegemonia futebolística numa determinada cidade, rivalidade maluca. Todas essas características são mais valorizadas em Itália onde os derbys e os clássicos regionais são encarados como jogos de vida ou morte, como re-encenações de eventos como o Pálio ou o Calcio Stórico ou das batalhas medievais travadas entre cidades-estado. No programa de antevisão que a Serie A faz às jornadas (passa na Sporttv todas as sextas feiras) vi Giuseppe Sculli afirmar que em Genoa “ninguém nos dois lados quer perder esta partida” e que a mesma é mais importante que uma descida de divisão no final da época.

Ontem, o Communale Luigi Ferrari vestiu-se de azul e branco e azul e grená. Pouco importou a medíocre temporada que as equipas estão a realizar na Série A (com a vitória a Sampdória ficou a dois pontos da 12ª posição, ocupada pelo Genoa). Maxi López decidiu na primeira parte um derby duríssimo, disputadíssimo, batalhado até ao último segundo, como o estatuto exigia. O Genoa carregou bem na 2ª parte. De nada valeu. Os Blucerchiati levaram os 3 pontos para casa.

Bidone D´oro #11

1. Gonzalo Higuaín redimiu-se do falhanço cometido no sábado para o jogo do campeonato. O Napoli segue em frente na Taça de Itália. Nas meias-finais da prova estarão Fiorentina, Roma, Napoli e Udinese.

2. Em Firenze, a apresentação de Anderson descambou para o torto. Os jornalistas interrogaram o jogador a propósito do nome que irá envergar na camisola (Andow) e das suas escolhas sexuais (ver o vídeo) indiciando que o brasileiro é gay…