Da Champions #18

paris

Anotamento desnecessário. Apreciem o cartão de visita. A crónica do estupendo jogo dos Parisienses (nunca antes o lema Ici c´est Paris fez tanta lógica no xadrez futebolístico europeu) fica para amanhã.

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Sorteio da Champions e da Liga Europa

CL

Quartos-de-final

Nesta fase da prova pode-se dizer que quem chegou até aqui, tem capacidades para eliminar qualquer adversário. Os quartos-de-final desta prova são, na minha opinião, a eliminatória mais espectacular da mesma. Basta recordar por exemplo a espectacularidade que eliminatórias como Galatasaray vs Real Madrid ou Borussia de Dortmund vs Málaga deram na edição do ano passado, com reviravoltas quase imprevisíveis, uma delas consumada, no caso do Dortmund.

road to lisbon

Com a final de 24 de Maio no horizonte, no Estádio da Luz, os quartos-de-final trazem-nos 4 excitantes eliminatórias:

  • Barcelona vs Atlético de Madrid
  • Real Madrid vs Borussia de Dortmund
  • Paris Saint Germain vs Chelsea
  • Manchester United vs Bayern de Munique

Exceptuando a eliminatória que vai opor os Red Devils ao Bayern de Munique (não creio que o United tenha de todo bagagem suficiente para eliminar a equipa bávara), todos os restantes jogos são jogos de tripla.

Barcelona vs Atlético de Madrid

Missão espinhola para os catalães. As duas equipas espanholas, respectivamente 2ª e 3ª na actual classificação da La Liga (o Barcelona poderá recuperar a 2ª posição amanhã caso vença o Real no Bernabeu e caso o Atlético escorregue frente ao Bétis no Benito Villamarin ou o Atlético poderá ser o maior beneficiário de uma vitória culé em Madrid, ascendendo à 1ª posição em igualdade de pontos com a equipa de Cristiano Ronaldo) farão, para a Champions, o 4º e 5º embate da temporada. Faltando um jogo por disputar (na 38ª e última jornada da Liga Espanhola, jogo que poderá ser decisivo para as aspirações ao título de ambas as equipas se ali chegarem em condições de se sagrarem campeãs), o saldo de confrontos realizados por estas duas equipas augura bastante equilíbrio para a eliminatória europeia. Nos dois jogos realizados para a Supertaça Espanhola em Agosto, ambas as partidas redundaram em empate (1-1 no Vicente Calderón e 0-0 em Nou Camp), acabando por vencer o troféu a equipa de Tata Martino em virtude do golo marcado em Madrid. Nessa altura, as fantásticas exibições demonstradas pela equipa de Simeone, os primeiros jogos sem Falcão, anunciavam, ao contrário do que previa com a saída do colombiano para o Mónaco, um Atlético de Madrid diferente, capaz, em muitos anos de lutar pelo campeonato espanhol. Para o campeonato, no Vicente Calderón, um novo empate a zero bolas na 19ª jornada confirmou novamente o equilíbrio.

Dois estilos diferentes. O tiki-taka do Barcelona (bastante mais atacante e com menos contenção de bola, na era Tata Martino) frente à retranca inteligente de Simeone. Uma equipa que gosta de circular bola e capitalizar todos os erros defensivos das equipas contrárias, apostando ora nos desequilíbrios que Messi consegue efectuar pelo centro do terreno, conseguindo jogar sempre no limite (ou tira o adversário com um toque subtil quando este está perto de desarmar ou fazer falta, ou consegue enfiar as bolas para as costas da defesa no limite do desarme), ora pelos desequilíbrios que Iniesta e Neymar conseguem fazer pelas alas\alas-centro do terreno no caso de Andrés Iniesta. Se o brasileiro consegue trocar as voltas aos adversários com o seu drible desconcertante, o centrocampista titular da selecção espanhol é um 10 em 1 ao nível de soluções de jogo, graças ao seu poder de aceleração, ao seu drible rasgado, às movimentações que habitualmente faz para o interior da área de forma a aparecer em zona de finalização e à fantástica visão de jogo que possui. Iniesta é para mim o médio mais completo da actualidade do futebol mundial.

Já o Atlético de Madrid possui 3 características muito preciosas que podem irritar a equipa catalã:

  • O seu equilíbrio, organização e posicionamento defensivo. Uma equipa tendencialmente a defender com 9 atrás da linha da bola, bem organizada, com linhas muito juntas, a não dar espaços para jogar e com uma dupla de centrais (Miranda e Godin) quase sempre irrepreensível no desarme tanto pelo chão como pelo ar.
  • Se há coisa que os jogadores do Barcelona odeiam é não ter bola nos pés. A inteligência do meio-campo de Simeone (Gabi, Koke, Arda Turan, Raul Garcia) é capaz de retirar a posse a qualquer equipa e irritá-la profundamente com a sua contemporização de jogo quando a equipa necessita de travar o ímpeto do adversário e acelerar o jogo quando convém (o Atlético é a equipa com melhor contragolpe na Europa neste momento).
  • Um autêntico quebra cabeças na frente. Diego Costa “come o cérebro a qualquer central” – Piqué e Mascherano terão muitas dificuldades para travar o brasileiro. Este deverá “picar-se” com o argentino para “lhe fazer saltar a tampa” – com alguns, o brasileiro agora naturalizado espanhol conseguiu tirar os devidos frutos das picardias armadas. Com outros, como o caso de Pepe e Arbeloa, o “colchonero” saiu muito mal na fotografia.

Aposto numa eliminatória muito equilibrada, com direito a prolongamento no jogo da 2ª mão.

Real Madrid vs Borussia de Dortmund

lewandowski

Reedição da eliminatória das meias-finais da edição da temporada passada.

As condições estruturais actuais das equipas inverteram-se em relação às condições estruturais existentes em Abril do ano passado. Enquanto por um lado, o Borussia de Dortmund vivia o expoente da era Klopp, em Madrid, o egocentrismo de José Mourinho, com o treinador português já planear a fuga antecipada ao contrato assinado com Florentino Perez, minava por completo o balneário merengue (as tricas com Sérgio Ramos e Iker Casillas; a conturbada relação do setubalense com a imprensa espanhola) e a equipa, no rectângulo de jogo, não correspondia minimamente ao seu talento, vivendo quasi dos momentos de génio de CR7. Nas meias-finais da prova, o futebol objectivo do Dortmund, bem construído por Reus e Gotze (entretanto vendido ao Bayern) e bem finalizado por Robert Lewandowski (o primeiro reforço dos Bávaros para a próxima época) redundou numa derrota copiosa de Mourinho na eliminatória, com o polaco a assumir o papel de carrasco no jogo da primeira mão no Westfallen Stadium com um fantástico póquer na vitória por 4-1 dos germânicos. O tardio 2-0 dos espanhóis na 2ª mão foi insuficiente para sonegar a final à equipa de Jurgen Kloop.

Hodiernamente, os papéis inverteram-se. Carlo Ancelotti venceu o desafio Madrid e a equipa respira uma suprema confiança. Lidera a Liga com 4 pontos de vantagem e pode até, amanhã, arredar definitivamente o seu maior rival (Barcelona) da luta pelo título caso vença a equipa de Tata Martino no jogo do Santiago Bernabéu. O target-man do futebol merengue continua e continuará a ser (enquanto permanecer em Madrid) Cristiano Ronaldo. Contudo, a equipa ganhou colectivo e inteligência com Ancelotti. É indiscutível negar neste momento que o italiano não tenha devolvido a Madrid o bom futebol e a ambição que a história do clube, per se, exige a quem o representa. Com um meio campo extremamente inteligente e talentoso (Modric, Xabi Alonso, Isco, o lesionado Khédira) e com um ataque poderosíssimo e em excelente forma (Di Maria, Gareth Bale, Cristiano Ronaldo, Benzema, Morata, o lesionado Jesé Rodriguez) a equipa de Madrid, consegue, ofensivamente, praticar um futebol total com um leque vastíssimo de soluções e mecanismos de jogo, com epicentro na construção de Modric e Alonso, objectivo na finalização ora por parte de Ronaldo ou Benzema e meio na criatividade de Isco, Di Maria e Gareth Bale (o primeiro pelo centro, os segundos tanto pelo centro como pelas alas) através de processos muito simples e objectivos.

Em Dortmund, chegou ao fim a 1ª era Klopp. Creio que com a saída de Lewandowski no Verão, outros que tem acompanhado Jurgen Klopp nestes últimos 4 anos lhe irão seguir os passos. O futebol alemão é mesmo assim. Tirando o Bayern (a equipa mais regular nos últimos 20 anos de Bundesliga), os restantes grandes do futebol alemão (Estugarda, Hamburgo, Borussia de Dortmund, Schalke 04) vão vivendo fases boas e fases menos boas. As fases dependem de muitos factores: do dinheiro existente para investir numa equipa competitiva (relembro que na Alemanha todas as transferências tem que ser pagas a pronto), dos talentos que vem da formação dos clubes, das apostas que os clubes vão fazendo na sua política de transferências e nas apostas feitas com determinados treinadores. Relembro por exemplo que quando Jurgen Klopp foi contratado em 2008\2009, a meio de mais uma crise financeira do clube, os responsáveis do Dortmund estavam longe de imaginar que Klopp, um indivíduo com uma modesta carreira enquanto futebolista e até então treinador de um modesto clube da Bundesliga 2, o FC Mainz (clube que agora tem aspirações europeias na Bundesliga) seria capaz de pegar em meia dúzia de veteranos e meia dúzia de jovens com algum talento (Schmelzer, Grosskreutz, Hummels, Subotic, posteriormente Mario Gotze, Lewandowski, Lukasz Piszczek, Sven Bender, Nuri Sahin) e tornar a equipa bicampeã alemã em 2010\2011 e 2011\2012 e finalista europeia em 2013.

Com a saída de Gotze a equipa tornou-se bastante irregular. A batuta mudou para o criativo da equipa, de nome Marco Reus. É dos pés do antigo jogador do Borussia de Moenchagladbach que sai grande parte do perigo ofensivo desta equipa. O Dortmund joga a época nestes quartos-de-final. A continuidade na Champions poderá devolver o sonho europeu aos adeptos do clube e poderá salvar uma época desastrosa na Bundesliga. O dinheiro da Champions poderá garantir à equipa alemã um poderio financeiro capaz de relançar internamente a equipa na próxima temporada através da contratação de 2 ou 3 reforços de qualidade para as posições chave onde a equipa apresenta alguma carência (as alas e a frente do ataque com a saída de Lewandowski; Pierre Aubemeyang é um jogador talentoso mas não correspondeu minimamente às expectativas fantasiadas pela estrutura do clube aquando da sua contratação).

Uma eliminatória de encaixe homem-a-homem

  • Hummels e Subotic terão a missão de travar as movimentações de área de CR7. Cristiano Ronaldo não poderia ter melhor desafio pela frente visto que a dupla de Dortmund é uma das melhores duplas de centrais da Europa.
  • Schmelzer irá travar um excelente confronto com Gareth Bale. O lateral alemão adora atacar. O galês não pára de atacar. É com esta dupla missão que o alemão entrará em campo: ser profícuo a travar o galês e ser capaz de ir lá à frente executar os seus venenosos cruzamentos.
  • Marcelo vs Kuba – A ofensividade total do brasileiro contra a ofensividade total do polaco.
  • Na batalha de meio-campo, um churrilho de estrelas: Gundogan e Henrik Mkhitaryan contra Luka Modric e Xabi Alonso. 4 grandes tecnicistas. O turco é o único músculo de meio-campo destes se bem que o Croata está sempre em alta-rotação.
  • Lewandowski vs Pepe – O internacional português sabe o quão é difícil parar o polaco quando este embala em drible ou quando este consegue desmarcar-se na área. Não lhe poderá dar nenhum espaço. Com 1 centimetro de espaço, Lewandowski faz estragos.
  • Marco Reus – O joker. É um dos jogadores que mais adoro na actualidade. Completíssimo: capacidade de passe, visão de jogo, fantástico remate de meia distância, inteligência, poderoso no contragolpe. Em dia sim, vence um jogo sozinho.

Prevejo uma eliminatória equilibrada e uma vitória madrilena no final.

PSG vs Chelsea

O Cavalão vs O Cavalinho

Mourinho é o cavalinho. Blanc é o cavalão.

Mourinho entra sem pressão (já a retirou toda a pressão da equipa no que a esta época concerne quando afirmou que estava a construir uma equipa para vencer tudo no próximo ano) mas o que é certo é que apesar das suas constantes declarações, este Chelsea arrisca-se a vencer o campeonato e a Champions.

Laurent Blanc entra com pressão. O proprietário do clube parisiense dotou o antigo seleccionador francês de um plantel de sonho, bem recheado em todas as posições do terreno, para, dominar de forma avassaladora a Ligue 1 e conquistar o título europeu nesta ou na próxima época. ” O Nosso projeto ainda está em construção, mas a nossa ambição é ganhar a Champions League” – afirmou Blanc. Uma construção desmedida, um onze de sonho e muitas soluções no banco de suplentes: de Yohan Cabaye ao mago Lucas Moura, passando pelo rapidíssimo Lavezzi ou pelo tecnicista Verrati.

Batalha de meio-campo – Muito talento em ambos os conjuntos – Matic, Hazard, William, Lampard, Mikel, Oscar, Ramires de um lado. Thiago Motta, Marco Verrati, Cabaye, Matuidi, Pastore do outro. Todas estas soluções garantem força, pulmão, assertividade no passe, inteligência, visão de jogo e criatividade, muita criatividade, em particular, quando falamos de Eden Hazard, o verdadeiro mago desta equipa do Chelsea. Se bem que Oscar é um jogador que me agrada pela simplicidade de processos, pela rapidez que incute na equipa atráves do seu rápido pensamento de jogo e pela rapidez com que, recebendo a bola no meio-campo, não inventa, não engonha e quase sempre consegue descobrir uma excelente solução para dar continuidade à jogada.

Referências de ataque de sonho – Maior pendente para o PSG com Cavani e Ibra. Dois killers. Samuel Eto´o aparece em grande forma nesta temporada, tendo sido decisivo no jogo contra o Galatasaray e noutros desafios domésticos da equipa de Mourinho. Fernando Torres tem por seu turno a estrelinha de campeão. Quando entra, nos minutos finais, costuma ser decisivo. Assim o foi contra o Barcelona há 2 anos e contra o Benfica na final da Liga Europa do ano passado.

O duelo entre PSG e Chelsea será para mim o mais espectacular, futebolisticamente falando.

Manchester United vs Bayern de Munique

champions

O confronto mais desequilibrado destes quartos-de-final. Em breves palavras: à passagem da meia-hora da primeira mão tudo poderá estar decidido. A equipa de Guardiola decide, esmaga, humilha e no final sorri e agradece ao generoso público afecto. David Moyes deverá ter visto o purgatório e o inferno nas bolinhas do sorteio quando se apercebeu que irá defrontar o campeão europeu. Com um plantel desequilibrado, com a moral em baixa, e com uma equipa que neste momento pratica um futebol sem nexo, desligado entre sectores, pouco pressionante defensivamente, as hipóteses deste Manchester eliminar o campeão europeu são quase nulas. Os laivos de genialidade de Robin Van Persie atenuaram por completo uma eliminatória em que os gregos do Olympiacos mereceram mais mas foram muito perdulários no jogo de Old Traford. O mesmo não se irá passar nesta eliminatória: a equipa de Guardiola é absolutamente letal. Cada tiro, cada melro.

 

Liga Europa

Carlos Bacca

Porto vs Sevilla

Ainda no rescaldo de Napoli. Nunca pensei que este Porto fosse capaz de tamanha proeza. Mérito de Luis Castro, demérito da equipa Napolitana. O Porto segue para a casa de partida. Ou melhor, para um das casas de partida: Sevilla. Sanchez Pizjuan, o mítico estádio da capital Andaluz onde o Porto de Mourinho conseguiu o seu primeiro triunfo na competição, na altura, ainda denominada como Taça UEFA, naquele jogo de loucos frente ao Celtic de Glasgow de Henrik Larsson.

O Sevilla não era a equipa mais forte a sorteio. A Juventus e o Benfica seriam adversários muito mais fortes que a equipa sevilhana.

Vinda de uma eliminatória difícil contra o rival Bétis (derrota em casa por 2-0, vitória mesmo ao lado no Benito Villamarin por 2-0 com o triunfo na eliminatória a ser obtido na marcação de grandes penalidades) o Sevilla, actual 7º classificado da Liga Espanhola é uma equipa, no mínimo, inconstante. É uma capaz do pior e do melhor num curto espaço de tempo.

O Porto irá reencontrar Beto. O português é o titular da baliza sevillana e está na equipa andaluz em definitivo depois de ter cumprido a segunda metade de 2012\2013 por empréstimo do FC Porto. À sua frente Beto tem uma defensiva agressiva mas bastante inconstante. Tanto Federico Fazio, como Javi Navarro como Dani Pareja são centrais que conseguem executar uma boa marcação (a Jackson e Ghilas) usando e abusando do físico. Contudo são dois centrais muito instáveis ao nível exibicional, cometendo bastantes falhas. Nas alas jogará o português Diogo Figueiras (o tal desconhecido que o Sevilla veio buscar ao Paços de Ferreira). O português é um lateral bastante ofensivo e faz boas combinações com os jogadores que actuam na direita (Reyes, Perotti). Na esquerda estará Alberto Moreno, uma das estrelas da equipa. Equilibrado, é certinho a defender e a atacar. Se Luis Castro colocar Quaresma na direita, Moreno tem capacidade para estancar aquele que neste momento é o jogador que cria mais perigo na equipa do Porto.

No meio-campo Unay Emery tem apostado mais (quando digo apostado mais, quero com isto dizer que Emery não costuma apresentar um onze base e por norma faz rodar imenso o plantel) num meio-campo composto por Carriço a trinco (esse mítico) Ivan Rakitic na construção de jogo (é o cérebro da equipa) José António Reyes numa ala, Perotti na outra, Marko Marin ora no centro na criação de jogo ora no flanco direito, e um ataque composto ou por Carlos Bacca (sozinho) e Kevin Gameiro ou por Carlos Bacca e Jairo Samperio mais recuado nas suas costas, ou por Carlos Bacca e Vitolo nas suas costas, papel onde se sente claramente mais à vontade como tecnicista que é.

De onde é que vem o perigo deste Sevilla?

  • De Rakitic. É o motor desta equipa espanhola. Joga e faz jogar. Sem o croata, os sevilhanos não conseguem ser objectivos no seu jogo ofensivo.
  • De Carlos Bacca. Jackson conhece-o bem porque são companheiros de selecção. Mortífero. Acrobático. Fortíssimo nas movimentações de área. Mangala, Maicon, Reyes ou Abdoulaye não lhe poderão dar um milímetro. Transforma uma bola morta em golo.
  • De Kevin Gameiro. Menos efectivo que Bacca mas o luso-francês também é um homem de área.
  • De Reyes. Numa bola parada, num cruzamento, espeta a bola na área e assiste com pinta um dos seus companheiros
  • De Marco Marin. O alemão está a subir de rendimento nesta parte final de temporada. Quando mete o turbo, é menino para individualizar, sacar 2 ou 3 adversários da frente e construir uma situação de perigo.

Benfica vs AZ Alkmaar

Dick Advocaat

Ao Benfica saiu a lotaria. Ao AZ a fava que ninguém neste momento queria.

O treinador do AZ, Dick Advocaat pode dizer que sabe o que é vencer esta competição. O treinador de 66 anos, um dos globetrotters da actualidade do futebol mundial (já treinou em 7 países diferentes) leva no seu extenso currículo, para além do título holandês conquistado em 1996\1997 ao serviço do PSV, das 2 ligas escocesas conquistas pelo Rangers entre 1998 e 2000 e do título russo conquistado em 2007 ao serviço do Zenit, uma vitória na competição na época 2007\2008 precisamente ao serviço da equipa de São Petersburgo. No ano em que os semi-desconhecidos do Petrovski (Arshavin, Anyukov, Fayzulin, Denisov, Konstantin Zyryanov, Pavel Pogrebnyak) se deram a conhecer à europa e catapultaram o Zenit para um estatuto europeu até então nunca detido pelo clube da antiga Leninegrado.

A equipa que orienta é neste momento 7ª classificada da Eredivisie, lugar que para já lhe garante a participação no playoff final disputado entre todas as equipas que se classificarem entre o 3º e o 8º lugar (apuramento para as competições europeias). Pelo menos, a coisa na Liga Holandesa é decidida assim.

Pontos fracos deste AZ:

  • A sua inconsistência. É uma equipa capaz de ganhar 3 ou 4 jogos seguidos e perder outros 3 ou 4 seguidos.
  • Dois centrais duros de rins (Nick Vergiever e Jeffrey Gouweleeuw) fortes no jogo áereo mas com muitas dificuldades para travar avançados rápidos, caso de Lima e Rodrigo.

Pontos fortes:

  • Muita rapidez na frente de ataque – O extremo Roy Beerens é um jogador rapidinho e com uma capacidade de cruzamento fantástica. É a estrela da companhia. Em conjunto com…
  • A dupla de médios centro – Viktor Elm, um conhecido nosso. Alinhou contra a selecção portuguesa no passado mês de Novembro e Nemanja Gudelj, um conhecido dos sérvios que alinham na equipa encarnada. Este sérvio de 22 anos, contratado no verão passado ao NAC Breda, é o grande maestro desta equipa.

Outros jogos da liga europa:

Lyon vs Juventus – O Olympique Lyonnais será presa fácil para a equipa de Turim. Apesar de Alexandre Lacazette estar em grande forma e da dupla de centrocampistas da equipa lionesa ser do melhor que se encontra pela Ligue 1 (Grenier e Gourcouff), a defensiva do Lyon tem jogos em que é como passar a faca na manteiga.

Basel vs Valência – A equipa suiça será um adversário tenebroso para a equipa de Pizzi. É uma equipa bastante segura defensivamente (destaque para o sueco Behrang Safari na direita e para o central Fabian Schar), com um meio campo muito activo (David Degen, Marcelo Dias, Valentin Stocker, Fabian Frei) com um jogo orientado para a grande referência ofensiva da equipa, o veteraníssimo Marco Streller.

O que eu ando a ver #50

Da fantástica exibição do FC Porto no San Paolo:

  • A monumental exibição de Fabiano. Helton não poderia ter melhor substituto. Fulcral para o apuramento do Porto. Fez meia dúzia de defesas de alto nível, destacando uma aos pés de Insigne na primeira parte e outra na 2ª a cabeceamento de Callejón.
  • A fantástica exibição de Danilo. O bom Danilo. Rápido a subir pelo flanco, assertivo a defender. É dos seus pés (e dos pés de Josué, muito bem entrado na partida) que surge metade do espantoso golo de Ricardo Quaresma. Tanto a jogada como a finalização do mustang são do melhor que a Liga Europa viu este ano.
  • O talento de Ricardo Quaresma. Na primeira parte foi vigiado directamente por Henrique na esquerda. Rafa Benitez ganhou claramente a aposta feita no central brasileiro, recentemente contratado ao Palmeiras. Com o brasileiro, Quaresma não teve muita sorte. Quando Luis Castro o colocou na direita, foi o resultado que se viu.
  • Luis Castro ganhou as substituições. Josué deu maior rapidez de execução ao meio-campo do Porto. Ghilas entrou, marcou e fechou a eliminatória.

P.S: A análise aos sorteios da Champions e da Liga Europa fica para amanhã.

 

O que eu ando a ver #49

Aos 34 anos, Andrea Pirlo continua a ser decisivo. Já o tinha sido no passado fim-de-semana em Genoa precisamente na marcação de um livre directo e continuou a sê-lo no Artemio Franchi, marcando da mesma maneira o golo que deu o apuramento à Juventus para os quartos-de-final da prova.

A Fiorentina entrou em campo com uma ligeira vantagem. O golo obtido por Mario Gomez nos minutos finais do jogo do Dell´Alpi (1-1) obrigava os visitantes a ganhar o jogo ou empatar a 2 golos para poderem seguir em frente. Na conferência de imprensa de antevisão à partida, Vincenzo Montella frisou a importância do jogo para a equipa Viola, afirmando que era um jogo que “valia por uma época”. Com o 4º lugar praticamente definido na Serie A, restava portanto à equipa de Firenze fazer o melhor que pudesse nas restantes competições, estando já garantida a presença na final da Taça de Itália.

Ambas as equipas repetiram (praticamente) o mesmo onze que tinham feito alinhar no jogo da primeira mão. Vincenzo Montella decidiu substituir Alessandro Matri por Mario Gomez e na direita da defesa, Juan Guillermo Cuadrado entrou para o lugar do argentino Facundo Roncaglia. Ausência para Matías Fernandez, devidamente substituído por Josip Ilicic. Na Juventus, Antonio Conte optou por colocar Fernando Llorente na frente do ataque em detrimento do italo-argentino Pablo Osvaldo.

Nos primeiros 20 minutos do jogo, a Fiorentina tentou controlar a partida e retirar a posse de bola à Juve. Numa atitude inteligente, a equipa de Montella não deixou que a Juve pudesse surpreender nos primeiros minutos e colocou um ritmo baixo no jogo. Só a partir dos 20 minutos é que a Juve começou a ter bola, quando Pirlo começou a pegar no jogo e a organizar o ataque da equipa de Turim. Facto interessante destes primeiros 20 minutos de jogo foi a disposição montada por Antonio Conte no último terço. Tevez funcionou como é habitual como avançado móvel, tentando receber e desequilibrar pelos flancos e Paul Pogba foi-se posicionar muito perto de Llorente, lugar que por norma é ocupado ora por Arturo Vidal ora por Sebastian Giovinco, este último quando é utilizado na equipa piemontesi. Defensivamente, Conte pediu ao médio para fechar o flanco esquerdo de forma a não permitir que Juan Cuadrado pudesse criar perigo através do seu poderoso drible em velocidade. O francês cumpriu a missão. O colombiano haveria de ser na partida uma verdadeira sombra do melhor que já fez esta temporada. Usando e abusando do físico, Pogba não deixou Cuadrado penetrar dentro da área pelo flanco direito.

De Pogba vieram os primeiros sinais de perigo…

Aos 21″, um lançamento longo de Martin Cáceres para a área permitiu ao francês receber a bola com o peito na área e atirar à baliza de Norberto Neto. Bem estorvado pelos centrais da Fiorentina acabou por fazê-lo ao lado. 2 minutos depois haveria de cabecear dentro da área para uma defesa apertada de Neto, apesar do fiscal-de-linha ter assinalado fora-de-jogo.

Ameaçada, a Fiorentina voltou a pegar no jogo. David Pizarro e Borja Valero iam pautando o jogo da equipa de Firenze no meio-campo. Aos 27″, Pizarro enche o pé à entrada da área e faz um remate rasteiro que passa muito perto do poste esquerdo de Gigi Buffon.

À passagem da meia hora, Paul Pogba voltou a causar perigo, rematando de meia-distância para defesa a dois tempos de Neto. A Juventus passou a pressionar a toda a largura do terreno, causando dificuldades à circulação de bola da equipa de Montella. Essa pressão surtiu o devido efeito. Os elementos da defensiva Fiorentina começaram a perder bolas em zonas onde não deveriam perder, oferecendo interessantes situações de contragolpe aos jogadores da Juve e o meio-campo Viola perdeu criatividade. Excepção feita a David Pizarro. Rápido a antecipar-se aos homens da Juventus, ganhou praticamente todas as divididas que teve com Vidal e Tevez no primeiro tempo e com a categoria de passe que lhe é característica, rapidamente conseguia procurar um companheiro a quem passar a bola.

Até ao final da primeira parte, a Juventus intensificou o cerco à àrea dos Viola para marcar o primeiro golo da partida. Jogando a toda a largura do terreno, de forma a abrir a defensiva fiorentina, a equipa de Conte tentou chamar a Fiorentina e garantir espaços para poder aplicar o seu jogo. Ao mesmo tempo, nas imediações da área, em movimentos repentinos, Pogba, Vidal e Tevez iam circulando com o intuito de baralhar as marcações, principalmente aquela que estava a ser feita por David Pizarro ao avançado Argentino. Aos 37″ Chielini (em alguns momentos do jogo fundiu-se muito bem no ataque através de interessantes combinações pela ala esquerda com o ala Kwadwo Asamoah) avançou no flanco esquerdo, recebeu de Asamoah e centrou largo para o 2º poste onde apareceu Arturo Vidal a amorter para uma tentativa de remate à meia volta de Tevez que passou muito por cima da baliza de Neto.

No minuto seguinte, a Fiorentina dispôs da sua melhor oportunidade no primeiro tempo quando uma bola bombeada para a zona dos centrais da Juve levou Chiellini (pressionado por Mario Gomez) a aliviar directamente para os pés de Josip Ilicic em zona central. O esloveno aproximou-se da área e esboçou um remate de meia distância (sem qualquer jogador a pressioná-lo) que haveria também de sair por cima da baliza de Buffon. O esloveno meteu as mãos à cabeça e percebeu a oportunidade que tinha desperdiçado.

Até ao intervalo, Tevez iria tentar alvejar a baliza de Neto por mais uma vez num remate à entrada da área. O guarda-redes da Fiorentina respondeu com uma defesa fácil. Howard Webb apitou para o intervalo e o empate, nesta altura justificava-se. Apesar de ter criado as melhores oportunidades de golo na primeira parte, o empate justificava a excelente assertividade defensiva da Fiorentina e castigava a atitude estática do ataque da Juventus. Contudo, o resultado era bastante perigoso. Isto porque a Fiorentina de Montella parecia não ter grande capacidade de resposta caso a Juve obtivesse um golo no início da 2ª parte. Em sub-rendimento, Juan Manuel Vargas e Alberto Aquilani eram candidatos óbvios à substituição já ao intervalo.

Durante o intervalo, Massimo Ambrosini intensificou os seus exercícios de aquecimento, fazendo crer que Alberto Aquilani ou David Pizarro não estariam nas melhores condições físicas.

Na 2ª parte, o jogo mudou por completo. A atitude da Juventus alterou-se e os homens de Turim entraram ao ataque. Logo aos 20 segundos, Tevez combinou com Llorente à direita, o espanhol protegeu a bola com o corpo e tocou para a frente para a entrada do argentino na área. Este rematou para Gonzalo Rodriguez conseguiu cortar para canto. Até aqui, o argentino (e Stefan Savic) estavam a fazer uma exibição de sonho, conseguindo cortar com eficácia todas as bolas que iam caíndo no seu raio de acção. O pior veio depois…

Aos 47″ Montella teve que mexer na equipa: David Pizarro não conseguiu regressar bem dos balneários sendo substituído por Massimo Ambrosini. A saída de Pizarro foi uma dura contrariedade para o jovem treinador da Fiorentina. O Chileno estava a ser, sem sombras para dúvidas, o melhor em campo no Artemio Franchi até aquele momento. A Fiorentina perdia um elemento capaz de destruir e construir para a entrada do veterano Ambrosini. Com Ambrosini, a equipa de Firenze ganhava um novo pulmão para a batalha de meio-campo mas, o veterano de 37 anos, não tem, nunca teve e nunca terá a capacidade de passe e a visão de jogo do médio defensivo Chileno.

Com a entrada de Ambrosini e com a ligeira vantagem da Fiorentina nas bolas divididas a meio-campo, facto que estava a prejudicar a construção de jogo da Juventus, Antonio Conte fez recuar Paul Pogba para a zona central, destacando o francês para a ajuda à construção de Andrea Pirlo. A alteração surtiu efeito. Com Borja Valero muito adiantado no terreno e Aquilani afastado por completo do jogo, Ambrosini foi escasso para Pirlo e Pogba.

A Fiorentina tentava destacar-se. Aos 50″ Juan Guillermo Cuadrado flectiu da direita para o centro, tentou combinar com Ilicic e um ressalto acabou por lhe colocar novamente a bola nos pés. Como gosta, seguiu em drible pela zona central e à entrada da área quando se preparava para alvejar a baliza de Buffon foi derrubado por Arturo Vidal. Howard Webb não hesitou em brindar o chileno com o cartão amarelo. E mais uma vez se sentiu a ausência de David Pizarro. À entrada da área, em condições normais, seriam os chilenos a bater aquele livre (ou Pizarro ou Mati Fernandez). Não estando os dois em campo foi Borja Valero a tentar a sua sorte. Tentou picar a bola subtilmente sobre a barreira para enganar Gigi Buffon mas o guarda-redes da Juventus não foi na cantiga e defendeu com facilidade.

Este período da partida acabou por ser o melhor de Juan Cuadrado no jogo. Aos 56″ fuzil0u autenticamente Gigi Buffon da direita e obrigou o guarda redes da Juve a tocar a bola para a frente. 2 minutos passados foi a vez da Juve criar perigo na área da Fiorentina: Tevez é solicitado com um passe longo na direita e perante a marcação de Savic centra para o coração da área para o cabeceamento de Arturo Vidal por cima da barra da baliza defendida por Neto. O chileno apareceu muito bem na área sem marcação a cabecear, movimentação habitual do jogador durante esta temporada.

O jogo ameaçava ficar partido. Com o decorrer dos minutos, o público presente no Artemio Franchi ia acreditando cada vez mais que era possível derrubar esta Juventus e ia apoiando a equipa. No relvado, os nervos cresciam junto das hostes torinese. Pirlo e Pogba estavam a usar e abusar dos passes longos, tentando jogar a toda a largura do terreno. Contudo, para cada bianconeri, um Viola atrás.

63″ Montella mexe pela 2ª vez na partida, colocando Alessandro Matri para o lugar de Mario Gomez. O alemão foi muito combativo mas passou ao lado do jogo. Muito por culpa da falta de jogo criado pelos jogadores dos flancos da Fiorentina. Tomovic voltou a ser nulo no ataque. Não consigo perceber o que é que Montella vê neste sérvio. Juan Manuel Vargas passou completamente ao lado do jogo. Do outro lado, sozinho no flanco, Cuadrado teve quase sempre que enfrentar um 2×1 ora com Asamoah e Pogba, ora com Asamoah e Chiellini, desequilíbrio que não lhe permitiu subir mais no terreno.

Voltando ao jogo. Mal Matri tinha entrado, a Juve ganhou um canto na direita. Pirlo bateu e Pogba apareceu na área a tentar uma bicicleta. A bola saiu ao lado. A Fiorentina recuava as suas linhas. Atitude bastante perigosa dada a ténue vantagem gerida no momento.

Pirlo decide…

Quando tudo parecia complicado para a Juventus, Gonzalo Rodriguez cometeu a sua asneira no jogo. Aos 68″ deixou Llorente receber na meia-lua e virar-se rapidamente, rasteirando o espanhol quando este se preparava para entrar na área. Howard Webb tratou de aplicar as leis: já tendo um amarelo, deu o 2º ao argentino e o respectivo cartão vermelho. À entrada da área, aquela bola era um autêntico penalty para o veteraníssimo centrocampista da Juve. Na cobrança do livre, Pirlo aplicou um “sinistro” do outro mundo, misto de técnica e força com a bola a entrar a grande velocidade no ângulo superior direito. Mal a bola entrou,  todo o camarote da Juve (composto por antigos jogadores e actuais dirigentes do clube como Peruzzi ou Nedved) se levantou e festejou efusivamente.

A jogar com menos um, a demonstrar pouca pujança ofensiva a jogar com 11, a missão avizinhava-se muito complicada para os homens de Vince Montella. Num único lance, Gonzalo Rodriguez tinha estragado tudo. Na repetição mostra que Llorente adianta ligeiramente a bola e possivelmente não a iria recuperar visto que Tomovic estava a tentar chegar rapidamente ao lance.

Com a expulsão do central argentino, Montella foi obrigado a mexer na equipa. Facundo Roncaglia entrou para o lugar de Ilicic, passando a Fiorentina a jogar com 3 centrais (Roncaglia, Savic, Tomovic) e 2 alas com missão ofensiva (Cuadrado na direita e Vargas na esquerda). Apesar desta solução ser, a 22 minutos do fim, uma alteração credível, também se justificava a entrada de Joaquin para o lugar de Aquilani (colocando Vargas a lateral e Tomovic a central) de forma ao espanhol poder dar mais vivacidade ao flanco direito da Fiorentina nas combinações que consegue executar com Cuadrado. Montella optou por deixar o espanhol no banco.

Com o golo, a Juve sentiu-se confortável na partida e tratou de baixar o ritmo do jogo. Com bastante circulação, conseguiu adormecer de vez a Fiorentina e controlar a partida. Aos 75″ Antonio Conte fez entrar Lichsteiner para o lugar de Maurício Isla, refrescando o flanco direito. O suiço entrou muito bem na partida e logo no minuto seguinte foi a linha centrar para cabeceamento de Llorente para defesa de Neto. 6 minutos depois, conseguiu recuperar a meio-campo uma bola cuja recepção Borja Valero falhou e num perigosíssimo 2×2 contra Savic e Roncaglia, tendo Llorente a tentar desmarcar-se na área, preferiu rematar para defesa de Neto para canto.

Aos 86″ Conte colocou Osvaldo no lugar de Llorente para queimar tempo. O melhor que a Fiorentina conseguiria fazer até ao final do jogo foi um remate rasteiro de Alberto Aquilani para defesa fácil no solo de Gigi Buffon.

Da Champions #17

Real Madrid e Schalke reencontram-se no Bernabeu para cumprir calendário. Vá. Se para ambos, a vitória ainda valia mais uns milhõezitos nas suas respectivas contas, para os alemães, o teste de Madrid servia para rectificar a desastrosa exibição defensiva demonstrada no Gelsenkirchen na derrota por 1-6.

Carlo Ancelotti mexeu no onze. Poupanças para o superclássico do próximo fim-de-semana. Jesé Rodriguez, Asier Illarramendi, Nacho, Raphael Varane e Alvaro Morata saltaram directamente para o onze do técnico italiano. Logo nos primeiros minutos, Jesé haveria de se lesionar com gravidade num choque com o lateral-esquerdo bósnio-alemão do Schalke Sead K0lasinac. Ancelotti viu-se obrigado a colocar Gareth Bale no rectângulo de jogo. O jovem extremo espanhol sofreu uma rotura de ligamentos no joelho tendo sido submetido a uma intervenção cirúrgica hoje em Augsburgo na Alemanha por um reputado cirurgião alemão. O departamento médico do Real aponta um tempo de paragem nunca inferior a 7 meses. Contudo, a lesão do extremo espanhol vem em má altura dada a afirmação conclusiva do jogador no seio do plantel merengue. Todos sabemos o quanto essas lesões poderão deixar as suas sequelas no futuro.

O Real controlou a partida e a vitória só foi ameaçada por uma vez, no final da primeira parte, após o golo do empate do Schalke. A tripla da frente do Real (Morata, Ronaldo, Bale) esteve muito interventiva, muito mexida. A tríade haveria de estar na sequência no primeiro de dois golos de Ronaldo do jogo (fica a 1 do record de Messi na competição\Ronaldo poderá atingir facilmente os 20 golos na competição) com Morata a desmarcar na perfeição Bale na direita e o galês a assistir Ronaldo na cara de Ralf Fahrmann. O português não desperdiçou.

A equipa de Jens Keller voltou a demonstrar muitas dificuldades defensivas. Sem que o Real tenha acelerado muito o jogo. Sem o capitão Benedikt Howedes (Jefferson Farfan e Kevin-Prince Boateng e Kyrgiakos Papadoupoulos no banco) Joel Matip, central cujas características aprecio (duro mas técnico; sai bem a jogar e é bastante versátil) foi escasso para as encomendas. Ao inverso, no meio-campo, Jens Keller tem aqui bastantes talentos para trabalhar: Julian Draxler é uma certeza do futebol alemão, o médio defensivo Kaan Ayan é um jogador com algum potencial (habitualmente é central mas ultimamente tem jogado a trinco) e  Max Meier é uma promessa bastante interessante (é um tecnicista puro que alia a sua imensa capacidade técnica à inteligência e à visão de jogo) – prova disso foi a jogada na qual serviu Klaas-Jan Huntelaar na cara de Casillas ao minuto 39, 9 minutos depois do sortudo golo do lateral Tim Hogland.

Ao intervalo, o empate justificava-se.

Na 2ª parte, CR7 e seus pares aceleraram ligeiramente o jogo e o português (em conjunto com Morata) arrumou literalmente a questão. Pelo meio, Cristiano Ronaldo mandou uma bola à barra num lance em que o português poderia ter igualado o record de Messi. Teremos que esperar pela próxima eliminatória para ver CR7 como o melhor marcador de sempre de uma edição da Champions.

Da Champions #14

Confesso que não vi o jogo. Estou a ver agora os resumos dos jogos de hoje. Ronaldo fez dois golos e duas assistências belíssimas. Contudo, aquilo que mais me sobressaiu no jogo foi o 4º golo do Real, golo marcado por Karim Benzema, no momento, a fazer jus ao nome do Schalke (0-4).
Engraçado também foi o facto dos adeptos do clube alemão se terem levantado das suas cadeiras quando Klaas Jan Huntelaar marcou o seu tento de honra na partida. O gesto demonstra que os alemães vivem o futebol de uma forma bem diferente da nossa. Vivem-no como um espectáculo. Se fosse uma equipa portuguesa a apanhar 6 do Real numa eliminatória deste calíbre (não precisamos de recuar muitos anos para relembrar os 12 que o Sporting apanhou do Bayern nos oitavos-de-final da prova da temporada 2008\2009) seria uma tragédia para a dita equipa, uma semana de jornalismo de baixo nível para os diários na qual estes tentariam escapulizar a goleada até ao osso e uma comédia para os adeptos dos rivais.

Da Champions #13

O Olympiacos ganhou ontem meio bilhete para os oitavos-de-final da Champions depois de derrotar o Manchester United por 2-0 no Piraeu. A equipa grega aproveitou mais uma exibição muito desapontante da equipa de David Moyes nesta temporada para conseguir uma vantagem confortável para o jogo da 2ª mão em Old Trafford. A equipa de David Moyes terá 15 dias para mudar a sua atitude se quiser passar aos oitavos-de-final.

As duas equipas defrontaram-se pela 5ª vez na prova. Nos 4 primeiros confrontos, a contar para a fase-de-grupos das temporadas 2001\2002 e 2002\2003, o Manchester United de Sir Alex Ferguson venceu as 4 partidas.

Na antevisão feita para a partida, o treinador do Olympiacos, o espanhol Michel avisou que apesar de não ser favorita na eliminatória, a sua equipa ia fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para levar de vencido o United de David Moyes. Realçando que a Liga dos Campeões é uma prova imprevisível onde tudo pode acontecer e desvalorizando o mau momento actual da equipa inglesa, Michel alertou que a equipa orientada pelo treinador escocês poderá vislumbar a competição como a tábua de salvação de uma época que está, a ser até ao momento, desatrosa. Como a equipa grega lidera de forma destacada a liga grega (já é praticamente campeã), Michel poderá apostar as fichas todas na Champions.

No primeiro jogo na prova sem uma das revelações da prova, o avançado Kostas Mitroglou (vendido ao Fulham no mês de Janeiro) Michel também não pode contar com o argentino Javier Saviola, o autor do apuramento dos gregos para a fase final da prova no jogo disputado contra o Benfica na Grécia.

Os treinadores entraram em campo com um sistema de jogo exactamente igual: 4x5x1. Do lado do Olympiacos, Michel fez alinhar o seu quarteto defensivo habitual, reforçando o meio-campo com Maniatis e Delvin Ndinga (esteve exibiu-se de forma exemplar, ganhando todas as batalhas do meio-campo), Choro Dominguez nas costas do nigeriano Michael Oleité, com o primeiro a deter a tarefa de construir o jogo do Olympiacos pelo miolo e o segundo como um ponta-de-lança móvel. Nas alas, o técnico espanhol colocou o paraguaio Hernan Perez, reforço da equipa no mês de Janeiro, na esquerda e este em conjunto com o lateral José Holebas moeu a cabeça a Chris Smalling. Na direita, Michel deu a titularidade ao costa-riquenho emprestado pelo Arsenal Joel Campbell. O costa-riquenho haveria de aproveitar uma excelente combinação no miolo com Oleité para fazer o 2-o com um certeiro remate em arco que DiGea não conseguiu defender.

David Moyes voltou a apresentar a defesa tipo do último mês com Smalling à direita, Vidic e Ferdinand no centro e Evra à esquerda. Smalling teve um dia para esquecer. Defensivamente não deu uma para a caixa no confronto com Perez. Ofensivamente não conseguiu acrescentar nada à equipa e ficou muito aquém das exibições de Rafael da Silva. E aqui se vêem as lacunas existentes no plantel da equipa de Manchester: não tem um lateral direito capaz de cumprir as tarefas defensivas e ofensivas com um certo equilíbrio. Rio Ferdinand mostra que já não tem andamento para jogar ao mais alto nível.
Carrick e Cleverley assumiram as posições do Miolo. Moyes tentou dar alguma velocidade ao flanco esquerdo com a inserção de Ashley Young no onze até porque do outro lado Leandro Salino é um jogador, como bem sabemos, combativo. Na direita jogou o equatoriano Antonio Valência. Wayne Rooney voltou a jogar no meio-campo com a função de construir o jogo do United e apoiar Robin Van Persie, a referência de ataque dos Red Devils. Nesta temporada, o holandês está muito aquém daquilo que realizou na temporada 2012\2013.

O jogo começou numa toada lenta e com as equipas a adoptarem uma postura cautelosa. Este ritmo de jogo haveria de ser mantido durante os 90 minutos de jogo. O Olympiacos foi controlando os acontecimentos perante uma equipa de Manchester muito apática, muito desligada, pouco pressionante, pouco agressiva, sem grandes rasgos individuais, pouco interligada entre sectores, com uma construção de jogo bastante incipiente e acima de tudo, com muita pressão nos pés. Por várias vezes Smalling e Ferdinand perderam bolas em zonas recuadas e permitiram ao Olympiacos acelerar o jogo e construir jogadas de perigo. Prova disso foi quando aos 8″ Smalling tentou sair a jogar pela direita, complicou e o argentino Choro Dominguez recuperou o esférico, galgou o meio-campo dos ingleses sem que nenhum jogador do United saísse a seu encontro, entrou na área, rematou e viu o seu remate bloqueado por um espectacular carrinho de Nemanja Vidic. Se não fosse o acto heróico do central sérvio, o Olympiacos poderia ter inaugurado aqui o marcador.

O Manchester United tentava circular bola a toda a largura do terreno de forma a solicitar uma atitude mais interventiva de Ashley Young na esquerda e Valência na direita. O primeiro optou quase sempre por tentar puxar a bola para o centro do terreno de modo a poder aplicar o seu remate ou servir Van Persie na área. O segundo tentou ganhar a linha a Holebas mas o lateral da equipa grega não permitiu muitas veleidades ao extremo equatoriano.

Aos 25″ o paraguaio Hernan Perez sacudiu um jogo que estava a ser, a bom da verdade, secante. Recebendo a bola no flanco, encarou Chris Smalling olhos nos olhos, entrou na área e atirou às malhas laterais da baliza de David De Gea. Tanto o paraguaio como o costa-riquenho Joel Campbell conseguiram aproveitar muito bem o facto de Michael Oleité estar constantemente a arrastar a defesa do United com as suas movimentações erráticas pelo último terço do terreno. Até aos 25″ o melhor que o United conseguiu fazer na partida foi um remate muito torto de Tom Cleverley por cima da baliza de Roberto Jimenez.

Aos 37″ aconteceu o primeiro momento do jogo: Joel Campbell tenta centrar da direita, a bola acaba por ser cortada por um jogador do Manchester United para a entrada da área onde apareceu o centrocampista Giannis Maniatis a rematar rasteiro e Choro Dominguez a desviar a bola do alcance de David De Gea para o primeiro golo dos visitados, a única equipa nesta ronda que conseguiu vencer o seu encontro nessa condição.

Ao intervalo, a diferença no marcador aceitava-se visto que no marasmo realizado, os gregos tentaram fazer mais pela vida que a turma inglesa.

Na segunda parte, pouco daquilo que se tinha visto no primeiro tempo se alterou. O jogo continuou com uma toada lenta e a atitude dos homens de Moyes continuou exactamente a mesma.

O jogo partiu logo no início do 2º tempo, facto que permitiu Choro Dominguez fazer aquilo que mais gosta: meter velocidade no contra-ataque do Olympiacos. A equipa de Manchester não conseguiu re-equilibrar a partida e haveria de sofrer o 2º golo aos 54″ através de Joel Campbell numa jogada em que Oleité recebeu no miolo, combinou com o costa riquenho e este, com classe disferiu um remate em arco para o fundo da baliza de David De Gea.

David Moyes tentou modificar a falta de velocidade do United na manobra ofensiva, colocando o japonês Shinji Kagawa e o avançado Danny Welbeck. Os dois deram alguma velocidade ao jogo do United mas a equipa inglesa haveria de confirmar até ao final da partida uma exibição muito descolorida que não perspectiva uma 2ª mão fácil. Depois do 2º golo, a equipa do Olympiacos, satisfeita com o resultado limitou-se a controlar a partida e para isso contribuiu a entrada do português Paulo Machado.

A única jogada interessante da última meia hora resultou num remate de Oleitan aos 66″. O nigeriano poderia ter feito o 3º golo da equipa grega. Se a bola tivesse entrada, a eliminatória estaria praticamente resolvida.

Na 2ª mão creio que o Manchester vai tentar provar que não é este tipo de equipa. O Olympiacos deverá ir a Old Trafford defender a vantagem obtida nesta partida através de um estilo de jogo defensivamente organizado e baseado no contragolpe quando a equipa do Manchester der azo a tal. De resto, a equipa grega consegue desempenhar muito bem esta filosofia de jogo, já o tendo feito por exemplo nos dois jogos realizados contra o Benfica. A equipa de Manchester terá que fazer pela vida caso queira levar de vencida esta equipa grega. Ou seja, a equipa de Manchester terá que ser rápida na circulação, acutilante e fantasista no jogo da 2ª mão visto que o Olympiacos irá encarar o jogo de Manchester com uma defesa muito baixa e com muita articulação entre linhas de forma a não oferecer espaços à equipa inglesa.

#sorteio da fase de qualificação para o Europeu de 2016

Uma análise mais detalhada às selecções fica para as antevésperas dos primeiros jogos (em Setembro) de forma a poder escrever com um maior conhecimento dos novos ciclos que serão impostos nas selecções pelos seus respectivos seleccionadores.

As bolinhas agraciaram novamente à nossa selecção um grupo a 5. Na fase de qualificação para o Europeu de 2016, prova que se irá realizar em França, a selecção portuguesa vai medir forças com Dinamarca, Sérvia, Arménia e Albânia, com a particularidade de, as duas primeiras do grupo e as 6 melhores terceiras dos 9 grupos serem apuradas directamente para a competição visto que esta será a primeira na história a contar com a participação de 24 selecções na fase final.

Sérvia

O grupo está claramente ao alcance de Portugal. Na minha opinião, o primeiro lugar do grupo será discutido entre Portugal e Sérvia. A selecção sérvia apresenta-se como a mais forte concorrente. É uma selecção cujo talento e cujos actores bem conhecemos do Benfica e das maiores ligas europeias, casos de Kolarov, Nastasic, Neven Subotic, Vidic, Ivanovic (e só aqui está a defesa sérvia) Milan Bisevac (Lyon) Nenad Tomovic (Fiorentina) Nemanja Matic, Zoran Tosic (CSKA Moscovo) Filip Djordjevic (Nantes) e Aleksandar Mitrovic (Anderlecht) – quase todos estes jogadores já jogaram contra equipas portuguesas nas competições europeias esta temporada.

Dada a sua qualidade, o rotundo falhanço cometido na fase de qualificação para o mundial 2014 e as expectativas que são depositadas pelos sérvios nas próximas 3\4 competições internacionais, a selecção sérvia entra na ronda de qualificação com a margem de erro muito diminuta.

Dinamarca

Já a Dinamarca irá entrar na ronda de qualificação para o Euro´16 em plena fase de renovação dos seus quadros. A espinha dorsal da selecção dinamarquesa nos últimos anos, jogadores como Dennis Romedahl, Lars Jacobsen, Krohn-Deli, Nicolai Stockholm, Christi Poulsen, Daniel Jensen já renunciaram à selecção nos últimos anos ou poderão fazê-lo dentro de meses. Neste momento está a despontar uma nova geração de jogadores dinamarqueses (Simon Kjaer ainda pode ser incluído; Nicolai Boilesen do Ajax; Peter Ankersen do Esbjerg; Christian Eriksson do Tottenham; Emil Larssen do OB) que poderá dar cartas dentro de vários anos. Contudo, a missão que os dinamarqueses tem pela frente é a de devolver a selecção dinamarquesa à fase final de uma grande prova internacional depois de terem sido o lucky looser da ronda de qualificação do mundial (pior 2º classificado de todos os grupos). Voltam a cruzar-se com a selecção Armena. Recordo que na fase de qualificação para o mundial, a selecção armena (de resto  esta selecção lutou até à última jornada pelo 2º lugar do grupo, pelo que é preciso ter cuidado) foi à Dinamarca vencer categoricamente por 4 golos sem resposta.

Arménia

A Arménia é uma selecção que tem obtido resultados muito satisfatórios nas últimas rondas de qualificação para as grandes provas internacionais por selecções.

Patrocinada pelos grandes oligarcas nacionais, a Arménia soube modernizar as suas infraestruturas, apostar num staff técnico (estrangeiro) competente para evoluir o nível do jogo no país e acima de tudo, o futebol armeno começou aproveitar alguns jogadores nacionais formados em clubes russos e a exportar alguns dos seus seleccionados jovens para clubes de maior nomeada dentro do futebol europeu.

Neste momento a selecção armena tem 21 jogadores no seu lote de convocáveis a jogar no estrangeiro, onde se incluem nomes como o guarda-redes do Dinamo de Moscovo Roman Berezovsky, o trinco do Anzhi Karlen Mkrtchyan, a grande estrela do Dortmund Henrik Mkhitaryan, o médio do BATE Borisov da Bielorussia Zaven Badoyan, o médio ofensivo do Spartak de Moscovo Araz Ozbilis ou o avançado (do mesmo clube) Yura Movsiyan para além da grande referência de ataque da selecção que é o ponta-de-lança Edgar Manucharyan do Ural da Rússia.

Quanto ao modelo de jogo desta selecção, espere-se uma equipa altamente defensiva, a aplicar uma defesa profunda muito difícil de contrariar, com linhas bem juntas a não dar espaço para os jogadores adversários jogarem, altamente matreira no contra-ataque com 2\3 unidades em velocidade para não descurar a organização que é feita lá atras, e que joga sempre neste estilo de jogo tanto em casa como fora.

A Arménia terá como objectivo apurar-se pela primeira vez na sua história para uma grande competição internacional. Se os armenos vencerem os dinamarqueses e os albaneses nas duas partidas, tal feito poderá estar a uma distância muito muito curta, dependendo dos resultados obtidos pelas restantes selecções 3ªas classificadas nos outros grupos.

Albânia

É o elo mais fraco do grupo. Poderá efectivamente atrapalhar as contas do grupo quando receber os restantes adversários em casa. Tem algumas individualidades no seu seio como o capitão Lorik Cana.

interlúdio

Antes que a memória me faça esquecer de fazer justiça aquele que decerto estará no prémio Puskas do próximo ano. As coisas já estavam feias para o Ajax. Os alfaiates começaram a perder em casa frente ao Red Bull Salzburg logo aos 3 minutos. À passagem do minuto 33, os austríacos (contem com eles no leque de candidatos à liga europa deste ano) selaram praticamente a passagem aos oitavos com este prodigioso tiro (do meio-campo) do antigo jogador do Barcelona Jonathan Soriano.

relembro que Soriano era o colega de ataque do antigo jogador do Benfica Nolito na equipa B do Barcelona. Pela equipa B dos blaugrana, entre 2009 e 2012, Soriano marcou 59 golos em  84 jogos. O jogador de 28 anos conseguiu encontrar o seu nicho (ao mais alto nível) na equipa austríaca, equipa na qual, em época e meia, já marcou 41 golos em 55 jogos. É portanto um daqueles jogadores que merece voos mais altos.

Da Champions #10

Pela boca morre o peixe, já diz o ditado. Marquem bem esta frase. Dentro de alguns meses fará todo o sentido relembrá-la numa situação particular.

José Mourinho continua a bater a eito. Indiscriminadamente. Não lhe bastasse o facto de ter provocado Manuel Pellegrini e de ter recebido a devida resposta dentro das 4 linhas no jogo de sábado a contar para a Taça de Inglaterra, não lhe bastasse o facto de ter respondido da maneira que respondeu às declarações de Wenger e de posteriormente ter visto a equipa orientada pelo francês eliminar o estonteante Liverpool de Brandon Rodgers, o special one voltou a destilar… ódio, desta feita contra o Barcelona.
A ITV convidou o técnico a fazer a antevisão do jogo entre Manchester City e Barcelona. Poucas horas antes do jogo, Mourinho afirmou: “Pela história, o Barcelona é obviamente favorito. Mas este Barça, esta época, está a mostrar que não é o mesmo de anos anteriores. Claro que têm Messi, e ele é especial. E tem mais do que ele. Mas acho que este é o pior Barcelona em muitos anos. Por isso, o City tem hipóteses” – as hipóteses previstas para o City pelo treinador português deram no que deram. Visto que Mourinho foi um dos únicos treinadores capazes de vencer em Nou Camp nos últimos anos, desmontar por completo o futebol do Barcelona (em particular o futebol de Messi) e com essas conquistas granjear títulos para as últimas equipas que orientou (Inter de Milão e Real Madrid) só posso acreditar que na cabeça do técnico português ainda ecoa algum ressabianço contra alguém da estrutura culé. Como Tito Villanova já não mora em Nou Camp, das três uma: ou Mourinho já prevê uma eliminatória contra o Barcelona e como tal já antecipou os seus habituais mind games, ou Mourinho teme profundamente o Barcelona, cisma na qual não acredito ou Mourinho limitou-se a ser aquilo que tem sido nas últimas semanas – um palermóide de todo o tamanho que já devia ter fechado a boca. A terceira parece-me a opção mais convincente…

As declarações do treinador português fizeram eco na cabeça dos jogadores do Barça. Prova disso foi a resposta à altura que Cesc Fabrègas deu no flash interview do jogo da passada terça-feira.

Quem se mete em alhadas…

A UEFA abriu um processo de investigação ao treinador do Manchester City Manuel Pellegrini. O treinador do City teceu duras críticas ao trabalho realizado pelo árbitro sueco Jonas Erikson no final do jogo de terça-feira: “Não foi uma boa ideia escolher um árbitro sueco para um jogo tão importante”, – O treinador chileno deu portanto a entender que a Suécia não é um país com tradição no futebol. Perdoamos-lhe a chi(ne)lada. Até vir para a Europa, Pellegrini nunca deverá ter visto um jogador de apelido Gustaffson jogar pelo Santiago Wanderers ou por qualquer outra equipa da Liga Chilena ou da Copa dos Libertadores. Tampouco se deverá recordar que a selecção sueca já foi finalista e semi-finalista em duas edições do campeonato do mundo e que só não foi mais porque do outro lado, na primeira ocasião, em 1958 moravam na selecção brasileira uns tais de Pelé e Garrinha.

Curioso é o facto que aconteceu na semana passada na Liga Italiana. Na 2ª mão das meias-finais da Taça de Itália disputada no Olímpico de Roma entre Roma e Napoli, os tiffosi da Roma entoaram vários cânticos e várias palavras de ordem contra a equipa napolitana nas quais apelidaram, por várias vezes, os napolitanos de africanos. Tais comportamentos motivaram a Federação Italiana a punir o clube romano com um jogo à porta fechada por “discriminação territorial”. No dia seguinte. Válido para a jornada seguinte, 3 dias depois… A ver vamos se a UEFA não aproveita o precedente aberto na legislação desportiva italiana pela FIGC para criar jurisprudência desportiva com o treinador dos citizens.