“convite do dia”

celta

Celta de Vigo vs Real Sociedad. Nos míticos Balaídos, estádio onde já fui (na altura vi Celta vs Elche para a 2ª liga espanhola) quando me deu na cabeça ir uma semana à aventura para Vigo quando deveria ter apanhado o comboio para Coimbra. O art work utilizado pelos galegos na sua campanha de marketing (venda de bilhetes para o jogo contra a Real Sociedad; 25 a 40 euros) é simplesmente demais. Os bilhetes são carotes mas não deixa de ser um programa bastante válido para quem viva no Norte do país. Vale a pena ver o brilhantismo da equipa basca in loco.

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O que eu ando a ver #59

Não pude deixar de reparar, a meio desta semana, no bode expiatório apresentado pela imprensa espanhola afecta ao Real (Marca, Ás, Cadena Ser) para justificar a “ausência” de Cristiano Ronaldo nas derrotas com Barcelona e Real Madrid através de uma suposta lesão no joelho.

Poucos dias passaram. Contra o Rayo Vallecano, CR7 reaparece com 1 golo e 2 assistências. Esta é uma das grandes diferenças entre Ronaldo e Messi. Enquanto o primeiro andou desaparecido contra Barcelona e Sevilla (jogos com um elevado nível de dificuldade), reaparecendo com toda a pompa que o caracteriza contra o modesto Rayo Vallecano, o outro, lesionado ou não, nunca se esconde no jogo e aparece com o habitual dinamismo que incute no jogo ofensivo da sua equipa. Apesar de não ter sido o melhor em campo no passado domingo (para mim foram Iniesta e DiMaria; este último na primeira parte), mexeu novamente as palhetas, criou literalmente o primeiro golo dos catalães no Bernabéu, jogou, marcou de penalty por 2 vezes e fez jogar.

Jogo para esquecer para Zé Castro. O central português estendeu a passadeira e ofereceu uma noite de terror aos seus companheiros de equipa. Nos últimos 15 minutos, se Ronaldo tivesse sido minimamente eficaz, teriam sido uns 10.

O que eu ando a ver #58

San Mamés, Bilbao.

Apesar de ter simpatia pelo Athletic de Bilbao, gostei que o Atlético de Madrid tenha passado no teste do duro San Mamés. Detestando tanto Real como Barcelona, torço pelos colchoneros pela vitória na Liga Espanhola. Pela surpresa que a equipa de Simeone tem protagonizado durante esta temporada, pela fantástica rigidez táctica apresentada pelos comandados do argentino, pelo futebol adocicado (ao mesmo tempo venenoso) de Koke, Gabi e Arda Turan e pelo simples facto deste Atlético contrariar (com uma equipa de tostões; quando comparada com os milhões gastos pelas superpotências do futebol espanhol) o domínio antevisto para os dois clubes por toda a comunidade futebolística.

Da equipa de Valverde (actual 4ª classificada na Liga; em posição capaz de se apurar para o playoff da Champions; nada mau para a primeira época de Valverde no clube) fica na retina o primeiro golo da partida, apontado pelo jovem internacional sub-21 Iker Muniain (a maior vedeta deste conjunto basco) num lance que considero exemplo para qualquer jovem jogador. O passe longo é delicioso assim como também se deve considerar deliciosa a leitura de jogo do avançado basco (prevendo que a bola iria cair naquele espaço, ultrapassada a sua primeira linha de encontro) e a respectiva diagonal que lhe permitiu atacar o espaço e a queda da bola ao solo para depois brindar o enorme Courtois com um chapéu fantástico. De génio.

foto do dia

foto do dia

As acções assassinas de Sergio Busquets. Cada vez mais me convenço que o trinco só tem lugar nesta equipa do Barcelona pela capacidade notória que tem de dar pau, provocar adversários e agir da maneira porca como age. Não é que Pepe seja um santo, porque não o é. A pisadela de Busquets ao internacional português é simplesmente vergonhosa e vergonhosa também se deve considerar a passividade de Alberto Undiano neste lance, admoestando Pepe e Fabrègas com o amarelo. O trinco do Barcelona conseguiu ultrapassar a expulsão em mais um clássico.

Momentos-chave da partida:

    A espantosa exibição de Di Maria na primeira meia hora da partida. Slaloms geniais nos quais levou meia defesa do Barcelona. 2 assistências perfeitas para Benzema, precisamente pelo lado de Daniel Alves. O brasileiro não costuma dar abévias do género mas, ontem, foi literalmente comido de cebolada pelo argentino naqueles dois lances. Foi o único capaz de colocar velocidade, rapidez e criatividade no futebol ofensivo do Real Madrid durante toda a partida. Gastou as balas todas na primeira parte (nos festejos do golo do empate sentiu-se sem fôlego) e na segunda, eclipsou-se em virtude do enorme esforço dispendido no primeiro tempo.
  • Se DiMaria construiu, Benzema bem finalizou. 2 espantosos movimentos de área para 2 golos muito interessantes. No primeiro ganhou no ar a Mascherano. No 2º, abriu para o lado e desmarcou-se sem que o argentino ou Piqué estivessem com atenção às suas movimentações. Poderia ter apimentado ainda mais a noite quando minutos depois do 2-1 conseguiu tirar 2 jogadores do Barça do caminho na pequena área com uma recepção orientada a cruzamento de DiMaria na direita. Valeu Piqué nesse lance ao conseguir cortar na linha-de-golo.
  • Lionel Messi e a falta de pressão do meio-campo do Real. Fabrègas e Neymar entalaram a defesa. Xabi Alonso e Luka Modric foram pouco pressionantes. O argentino recebeu a bola como quis no seu spot e no primeiro golo executou a jogada típica do Barcelona recebendo no centro, atraíndo para si toda a defesa madridista para depois libertar no tempo certo para a entrada de Iniesta pela esquerda. Quem fez a pressão a Messi foi Pepe. Ténue. Para travar o argentino só vejo uma hipótese: colocar um excelente central na posição de trinco para seguir o argentino tal e qual Mourinho fazia no ano passado com Pepe. Qualquer treinador que coloque um dos centrais a vigiar directamente o argentino e tentar jogar na antecipação ao jogo que chega ao argentino (como fez Pellegrini no jogo da primeira mão dos oitavos da Champions com Martin Demichellis) arrisca-se a que o argentino brilhe e ainda tire a expulsão ao dito jogador.
  • Sérgio Ramos e Xabi Alonso – Não consigo acreditar como jogadores tão experientes foram capazes de cair em tamanho conto do vigário. No penalty cometido pelo central, as imagens mostram que Neymar isola-se mas ainda tem que driblar Diego Lopez, podendo atirar para a baliza deserta ou para a baliza com a cobertura de Marcelo porque o brasileiro vinha em recuperação. Mesmo que Neymar fosse rapido o suficiente para chegar à bola, tirar o guardião merengue da jogada e rematar antes de Marcelo conseguir recuperar ao ponto de poder cobrir a baliza a um eventual remate do seu compatriota, sabendo que um golo de Neymar faria apenas o empate (resultado favorável em certa maneira aos interesses da equipa de Ancelotti) – com a expulsão e respectivo penalty, ofereceu a vitória de bandeja aos blaugrana. O mesmo se deve referir do penalty cometido por Xabi Alonso. Com 2 jogadores a tapar o caminho a Iniesta, o médio espanhol só tinha que entalar o seu colega de selecção no lance em vez de o ceifar no pé de apoio à descarada.
  • Cristiano Ronaldo e Gareth Bale – se alguém conseguir descobrir nem que seja o ego destes dois no relvado do Santiago Bernabéu, a malta agradece. Em tamanho espectáculo de futebol, foram duas autênticas almas penadas.
  • A necessidade de um trinco – Busquets não faz pressão, raramente se insere na movimentação ofensiva da equipa mas dá pau, muito pau. De mau o menos, o catalão não deixa ninguém jogar. Modric e Alonso tiveram várias vezes de ir às alas ajudar Carvajal ou Marcelo a lidar com Iniesta\Alba (quando lá caiu; na 2ª parte optou por um posicionamento mais central) e Neymar\Alves, descurando a zona central, ou compensar a subida dos laterais. Numa equipa na qual Gareth Bale e CR7 pouco ou nada colaboram nos processos defensivos, as movimentações defensivas destes dois jogadores da dupla de centrocampistas do Real acabou por ser um autêntico pau de dois bicos: se iam às laterais ajudar os seus laterais perante a superioridade numérica manifesta pelos Catalães nos flancos, Xavi e Messi apareciam tranquilamente sem blocos de pressão no centro do terreno. Se pressionavam no centro, nas alas era literalmente um “ai jesus” – Khédira está lesionado, Illarramendi ainda não é aposta para este tipo de jogos. O velhinho Essien pela capacidade que tem de ajudar a estancar os flancos dava cá um jeito…

 

palpite do dia

Poucos meses depois do singapurenho Fernando Lim se ter assustado com o enorme passivo da Valência SAD (ler aqui e aqui) devido aos altíssimos empréstimos contraídos pelo clube espanhol junto do Bankia e da Comunidad Valenciana em virtude da construção do seu novo estádio, o novo proprietário do clube espanhol poderá ser português? Puxem pelas vossas cabeças!

O Valência já disponibilizou no Data Room Virtual as condições para a compra do clube. Tentei todos os esforços para aceder aos ditos conteúdos mas não consegui para já. Vou precisar de ajuda para conseguir ter acesso aos conteúdos, prometendo postar assim que tiver os referidos conteúdos. Os interessados na compra da SAD terão até 31 de Março para apresentar uma proposta por carta fechada, sendo a transacção mediada pelas duas melhores consultoras do sector: a PwC e a KMPG. Esta última é a empresa que está a realizar a auditoria às contas do Sporting Clube de Portugal e da Sporting SAD.

Meanwhile, on Bankia, um dos novos investidores internacionais do banco nacionalizado pelo Estado Espanhol, George Soros, o dito que compra bancos e empresas em 2ª mão, já reiterou a vontade do banco recuperar entre 250 a 300 milhões de euros do crédito cedido ao Valência, a-s-a-p. Pelo que se vai sabendo, para além do dito cidadão nacional, existem outros interessados no clube espanhol: uma empresa com ligação ao rei da Arábia Saudita, a Red Bull, a Texas Pacific Group (fundos de investimento, fundos de pensões, Continental Airlines), a Gazprom e a International Stadia Group (empresa que opera na área desportiva, mais propriamente no sector do sponsorhip, branding e naming de estádios).

a tal inteligência que apregoava no post anterior

alen halilovic

o rapaz tem cara de menino, um corpo franzino cuja envergadura é inferior a maior parte dos jogadores que compõem os planteis de iniciados dos grandes portugueses mas tem um enorme talento nos pés. Alen Halilovic, grande promessa do futebol croata, confirmou hoje (em conjunto com o clube catalão) a sua transferência para o Barcelona na próxima época a troco de 10 milhões de euros.

apesar de, considerar imoral que um menor de idade custe tamanha saca de notas. a ver vamos, se a transferência do jovem croata não vê, a semelhança de Neymar, o seu valor inchado daqui a uns meses.

da escola croata nada me surpreende. a cada geração, o viveiro croata é capaz de bombear 3 ou 4 grandes tecnicistas que se tornam estrelas do futebol mundial. relembro os gloriosos tempos em que os croatas tinham como figuras de proa Robert Prosinecki (aquele que colocava a bola onde queria, aquele que tinha literalmente nos pés uma régua e esquadro para fazer dos esférico pura geometria; aquele que tinha o dom de resolver jogos só quando lhe apetecia) Zvonimir Boban (qual relógio certinho ainda me lembro daquele sinistro, termo bem italiano, meio-campo do Milan composto por Albertini, Donadoni, Boban e Savicevic; é certo que esta já era a fase milanesa pos-trauma, ou seja, pós Gullit e Rijkaard; os intocáveis) Alen Boksic, Slaven Bilic, Zvonomir Soldo ou a loucura incorrígivel de Mario Stanic.

ah, a inteligência. vi Alen Halilovic jogar meia dúzia de vezes. algumas pelo dinamo de zagreb, outras pelas selecções croatas. a última vez que o vi jogar foi no mundial de sub-17. percebo perfeitamente porque é que o Barcelona se antecipou à concorrência. apesar de poder alinhar nos flancos, o jovem croata é uma mistura de Messi com Xavi e Iniesta crendo eu que este vai aprender a dirigir a orquestra com os últimos dois. 3 num só. nunca erra um passe, tem uma visão de jogo fora de normal, um fantástico drible, uma fantástica capacidade de acelerar o jogo e fazer uma equipa jogar, uma fantástica contemporização de jogo (nada usual para um jovem de 17 anos) e uma maturidade incrível. acima de tudo, uma maturidade incrível. dentro e fora dos relvados. reza a imprensa croata, a título de exemplo, que quando acaba o treino do zagreb, o jovem fica no campo a ensaiar jogadas sozinho ou simplesmente a dar toques na bola. reza a imprensa croata que este ganhou dentro do plantel do dinamo de zagreb que este, estreante em 2012 na equipa principal do clube, já assumiu por completo o estatuto de líder do plantel.

porquê o barcelona? – quem é que não gosta de aprender com quem sabe? quem é que não gostaria de ter como tutores Xavi e Iniesta?

porquê o barcelona se, pelo que os dirigentes dos blaugrana afirmam, o jogador irá competir na equipa b e aparecer esporadicamente nos treinos da equipa A? – em Barcelona, a filosofia herdada dos holandeses não dá azo a brincadeiras. Nestes últimos anos, a filosofia de jogo do clube é aplicada desde o mais tenro escalão de formação até à equipa sénior. Todas as contratações feitas pelos catalães obedecem a um critério base, a uma motriz essencial: o jogador tem que ter qualidades (futebolísticas e mentais) para encaixar na filosofia de jogo do clube. Ponto final. Puxando pela cabeça, desde que esta filosofia foi adoptada em definitivo em Barcelona (2001 ou 2002) poucos foram os contratados (de luxo) que não encaixaram por completo nesta filosofia – Zlatan, Afellay, Touré, Quaresma – se bem que, no caso do holandês, o clube blaugrana deu um tratamento especial – sendo holandês, estando habitual ao futebol de carrossel (nao fosse o tiki-taka uma versão aprimorada do futebol total de Michels) lembro-me perfeitamente que Guardiola optou por congelar a utilização do jogador nos primeiros 6 meses no clube para que este pudesse inserir-se dentro dessa mesma filosofia. É neste contexto que Halilovic vai inserir-se na cidade condal: irá para a equipa b aprender a filosofia do clube, podendo esporadicamente aparecer nos treinos da equipa A para aprender in loco com quem, decerto, irá substituir no futuro, e, lentamente, ser inserido na rotação da equipa. É portanto, à semelhança de muitos, como Messi, um daqueles que será “trabalhado com pinças” na cidade condal de forma a não queimar etapas, logo, a não fracassar. Noutros clubes de topo sabemos que isso não acontece. Em qualquer dos grandes italianos, Halilovic seria inserido às três pancadas no onze titular, repleto de pressão para mostrar serviço logo nos primeiros jogos.

O que eu ando a ver #41

vi a primeira meia-hora, os primeiros 20 minutos da 2ª parte e fui deitando o olho nos últimos 15. do pouco que vi percebi que o Barça foi completamente humilhado em San Sebastian.

confesso que, até hoje, nunca tinha visto uma equipa conseguir circular bola durante 3 minutos seguidos frente ao Barcelona. se há modelo de jogo que irrita profundamente os jogadores do Barcelona é precisamente aquele que contraria o seu próprio veneno: a circulação. já tinha reparado em anteriores ocasiões que os jogadores do Barça ficam doidos quando tem que andar a cheirar bola.

não vale a pena mencionar que Pep Guardiola e Tito Villanova já tinham perdido em San Sebastian.

antoine griezmann e carlos vela são de facto jogadores do outro mundo. do outro mundo também está a ser o trabalho que os bascos estão a realizar na Zubieta. auto-sustentabilidade acima de tudo. através de uma filosofia versada na base pela formação. a a equipa basca só vai ao mercado pescar jogadores para posições deficitárias. apesar de ter nascido na zona de Lyon, griezmann é um dos prodigiosos talentos da formação da real sociedad visto que está no clube desde os 13 anos.

a real sociedad de Jagobe Arrasate pode ter feito má figura na Champions. normal para quem não tem no seu plantel muitos jogadores com experiência na prova. basta por exemplo referir que o borussia de dortmund não conseguiu passar da fase de grupos no primeiro ano na prova e, no segundo, foi finalista vencido.

uma coisa é certa: a equipa de Arrasate joga um futebol lindo. circulado. rápido. devidamente flanqueado. inteligente quando o precisa de ser. não foram meia dúzia porque a certo ponto os jogadores lá da frente dislumbraram-se por completo com tantas facilidades dadas pela defesa do barça, em particular, por Gerard Piqué. o central tem aparecido por várias vezes em zona de finalização nos últimos meses. a coisa até é bonita e até dá um certo senso de aproximação com o futebol total, filosofia de jogo que veio a inspirar o modelo dos catalães. mas, não estará o central a descurar a sua principal missão dentro da equipa?

O que eu ando a ver #38

Munir El Haddadi

Mini-Estadi, Barcelona – Oitavos-de-final da Youth Champions League – Barcelona 4-1 Copenhaga.

Previa-se uma vitória fácil dos sub-19 do Barcelona sobre os dinamarqueses. Estes acabaram por inaugurar o marcador na primeira parte. Os catalães tiveram que puxar dos galões para virar o resultado. Sobressaiu o talento de Munir El Haddadi, avançado de 18 anos de origem marroquina nascido em Espanha, precisamente na cidade onde está edificado um dos históricos palácios da realeza espanhola, o El Escorial.
Com 2 golos, o ponta-de-lança de quem se diz estar nos planos de Tata Martino para a equipa principal na próxima época, já leva 7 golos na competição. Não conseguir encontrar imagens para reproduzir aqui o feito. Recomendo que vejam o 4º golo deste jogador na partida disputada contra a equipa dinamarquesa.

constatações

jesé

A Marca notícia que o jovem internacional sub-21 pela Espanha “fará” de Cristiano Ronaldo em Villareal no dia em que se ficou a saber que o castigo de 3 jogos impostos a Ronaldo mantem-se. Curioso é que eu e o André Simões já comentámos que o jogo do espanhol está cada vez mais parecido com o jogo do português. Tanto nas movimentações (a diagonal feita no 2º golo do Real frente ao Atlético é exemplo disso; Jesé aparece muitas vezes dentro da área a finalizar) como na cópia de jogadas de marca do português (recepção no flanco esquerdo, flecção para o centro em 1×1 e remate).

O que eu ando a ver #33

As duas equipas finalistas da Copa Del Rey 2013 defrontaram-se hoje para a 1ª mão das meias-finais da edição 2013\2014 no palco onde em Maio o Atlético de Madrid festejou nas barbas do seu rival, o Real Madrid, a conquista do seu 10º troféu na prova. No dia em que Cristiano Ronaldo celebrou os seus 29 anos de idade, mote não faltou para os merengues aplicarem uma revancha como deve ser nos vizinhos colchoneros.

Quente. Quentinho. Feios, Porcos e Maus seria o epíteto mais adequado para a pelicula do filme da primeira meia-hora de jogo no Santiago Bernabéu. A roçar os duelos protagonizados nos anos 90 entre Buyo e Paulo Futre. Para o lado do Atlético de Madrid, as coisas já tinham aquecido na 1ª mão da eliminatória anterior no Vicente Calderón frente ao Athletic de Bilbao. Diego Costa voltou a “bancar o bobo” nos primeiros minutos da partida. Teve azar. Acabou por sair muito mal na figura, até porque no outro lado da barricada apanhou pela frente quem já é batido nesse tipo de jogo: um tal de Pepe e um tal de Arbeloa, dois mestres na arte de provocar. Diego Costa provocou, foi provocado, foi agredido e do jogo do empurrão não sacou nada aos dois defesas do Real Madrid. Padeceu do seu próprio veneno e como se diz na gíria “foi enpacotado no bolso” do central português e “não tocou na xixa”.

A inteligência – Carlo Ancelotti reflectiu sobre a essência deste Atlético de Madrid e encontrou a fórmula ideal para bater a equipa de Diego Simeone. Nos primeiros minutos compreendi que os traços da defesa profunda de Simeone estavam lá todos: a cambada a defender atrás da bola com as linhas médias do Atlético a vascular consoante a circulação de bola e a acompanhar a subida das linhas médias do Real Madrid de forma a obrigar a equipa de Ancelotti a circular bola, a desgastar-se e a optar por um futebol pouco objectivo de cruzamento para as zonas onde Ronaldo costuma aparecer. Se assim resultasse, s Contudo, Ancelotti foi mais inteligente. Colocou Luka Modric e DiMaria no miolo para tentar rachar a coisa pelo meio e deu ordens a todos os jogadores do ataque para tentarem colocar o seu drible no espaço curto. Por várias vezes assistimos Luka Modric a escaparem (em drible) que nem enguias ao bloco de pressão efectuado por Gabi e Diego bem como às tentativas de drible nas alas em espaços onde não cabia uma cabine telefónica por parte de Jesé e Ronaldo. O português haveria de ter uma noite de aniversário muito desinspirada.

Carlo Ancelotti foi obrigado a uma alteração de última hora no onze: Gareth Bale voltou a lesionar-se (espero bem que a lesão não seja nos genitais), obrigando o italiano a colocar Jesé numa ala. Há males que vem por bem. Já Diego Simeone optou por fazer uma alteração em táctica em relação ao jogo contra a Real Sociedad, colocando o regressado Diego no apoio directo a Diego Costa. A opção pelo brasileiro indicava a necessidade do argentino dispor em campo um meio-campo reforçado com Gabi, Koke, Diego, Raul Garcia e Arda Turan.

O início do jogo provou ser muito quezilento. Diego Costa começou a bater a eito. Primeiro envolveu-se com Xabi Alonso mas Alonso, um índie no meio-campo do Real Madrid, manteve a classe senhorial que o caracteriza, e em bom português “cagou literalmente no bota-chinelo”. Qual cadeirudo, Diego Costa procurou a próxima vítima. Pepe. E mais uma vez não passou do nível do chão. Numa disputa de bola no ar logo ao minuto 2, Sérgio Ramos deu um chega para lá em Raúl Garcia e o médio espanhol caiu no chão a queixar-se das viseiras. Tudo isto aconteceu perante a passividade de Clai Gomez, o árbitro natural de Saragoça destinado pela Real Federación Española. Com medo de estragar o espectáculo, Gomez permitiu que o jogo fosse disputado num eminente cenário de batalha campal na primeira meia-hora.

Quanto ao futebol jogado, uma excelente combinação entre DiMaria, Benzema e Arbeloa permitiu ao lateral cruzar para a área onde iria aparecer Ronaldo nas costas de Juanfran. Olhando pelo retrovisor, o lateral viu a aproximação do astro português e decidiu dar canto. Com uma entrada de leão, os jogadores do Real trataram de pressionar alto de forma a não deixarem os jogadores do Atlético respirar. Aos 8″ Modric cobra um canto na direita para uma cabeçada de Sérgio Ramos no coração da área direita ao peito de Gabi. Os jogadores do Real reclamaram grande penalidade mas a repetição demonstrou que a bola foi ao peito do internacional espanhol. Com uma fantástica exibição de Xabi Alonso e Modric na fase de construção do jogo e com um irrequieto DiMaria à sua frente, seria o argentino a fabricar meio-golo para Pepe ao desenvencilhar-se de dois jogadores com um drible e, perante a oposição de um terceiro (Arda Turan) a disferir um toque subtil para o lado onde apareceu o brasileiro naturalizado Português a mandar um bilhete para o fundo da baliza de Thibault Courtois com escala na bacia do azarado Emiliano Insúa.

O golo do Real avivou novamente o pior que o jogo tinha para oferecer na primeira parte, a querela entre jogadores. Aos 18″ começou o triângulo amoroso entre Diego Costa, Pepe e Alvaro Arbeloa: o espanhol foi amassar o capot a Arbeloa e Pepe no mesmo lance quando o jogo se encontrava parado. O espanhol acusou tarde o toque e quando Costa e Pepe se travavam de razões, decidiu presentear o seu próximo colega de selecção com uma sarrafada dentro da área. Clos Gomez não viu aquela que seria, pelas regras da FIFA, a primeira grande penalidade do jogo com correspondente expulsão para Arbeloa. No minuto seguinte, Diego Costa é carregado por Xabi Alonso. Do livre batido por Koke resultam vários puxões e Arbeloa comete a segunda grande penalidade ao puxar Diego Costa, impossibilitando-o como tal de disputar o lance. Mais uma vez o lateral escapou-se de boa.

Aos 23″ Diego Costa é pisado por Pepe. O central é admoestado com um amarelo. Segundos depois manda uma joelhada em cheio em Diego Costa. Clos Gomez não vê ou finge que não vê. E o central internacional português escapa à expulsão. O Real Madrid. Nesta fase de jogo, de forma meritocrática pelo que fez nestes primeiros 20 minutos, João Miranda estava a ser bastante eficaz na defesa de Simeone. Com 2 cortes fantásticos, um a Coentrão e outro a Benzema haveria de cometer grande penalidade quando empurrou Álvaro Arbeloa na área. Para compor o ramalhete, o lateral haveria de trocar umas palavras mais azedas com o argentino Germán Burgos, antigo guarda-redes do Atlético de Madrid que agora é membro do staff de Simeone.

courtois

Os comandados de Ancelotti trataram de refrear os ânimos com uma lenta circulação de bola. Sem efeito. Aos 26″ Diego fez uma entrada sobre Ronaldo e recebeu amarelo. Aos 29″ Courtois recolheu uma bola aos pés de Benzema. Do choque inevitável entre o francês e o guarda-redes redes belga ficou o segundo a queixar-se de uma pisadela propositada. Bola cá, bola lá. Na jogada seguinte, Arda Turan ficou aos berros com Clos Gomez depois de ter sido carregado em falta por Fábio Coentrão num lance na linha lateral.

modric

Depois do caos, o futebol – Apareceu Modric. Elegante. De processos simples. Eficaz no passe. Disponível para auxiliar no meio-campo. Cheio de pulmão. Com um futebol demasiado sensual para um clube como o Real Madrid. O croata pautou a construção como quis e não se coibiu de criar desiquilíbrios pelo miolo e aplicar a sua forte meia distância.

Aos 31″, o antigo jogador do Tottenham Hotspurs serviu Jesé na esquerda e o jovem internacional sub-21 pela Espanha tratou de tirar Turan da frente com 1×1 e atirar para uma defesa a punhos de Thibault Courtois. Mal pode o belga respirar pois a bola sobrou para o centro onde Luka Modric apareceu a chutar para nova intervenção do guarda-redes emprestado pelo Chelsea aos Colchoneros.

Pelo meio, Arbeloa voltou a picar a burra. Aproveitando um alinhamento na área, voltou a pisar Diego Costa e pela terceira vez no jogo, escapou-se a uma anotação disciplinar por parte de Clos Gomez.

Jesé continuava endiabrado. Aos 38″ trocou as voltas a Juanfran e tentou servir DiMaria na pequena área. A bola seria aliviada para canto por um adversário. 3 minutos depois seria o argelino a solicitar Cristiano Ronaldo na esquerda. CR7 executou o bailado dos cisnes em frente a Juanfran e atirou rasteiro para defesa fácil de Courtois. Como é habitual na estratégia de Simeone, o Atlético subiu ligeiramente as suas linhas nos minutos finais e tentou acercar-se da área do Real Madrid. Sem efeito. Clos Gomez iria apitar para o intervalo sem ter dado qualquer minuto de descontos.

Ao intervalo, justificava-se a vantagem do Real Madrid. Sem tecer demais considerações sobre o quezilento jogo que estava a ver, o Real foi a única equipa que justificou a vantagem na primeira parte em virtude do caudal ofensivo que logrou construir e das oportunidades de golo que teve no tempo. A equipa de Simeone foi completamente inofensiva. Sem bola nos pés, não conseguiu por no terreno de jogo o seu fortíssimo contragolpe. Gabi e Koke tiveram pouca ou nenhuma posse de bola no primeiro tempo. Arda, Raúl Garcia e Diego Costa estavam a ser nulos. Em destaque estavam apenas os centrais Godín e Miranda. Efectivos no desarme, tanto o uruguaio como o brasileiro evitaram males maiores no primeiro tempo. Esperava-se portanto uma reacção diferente dos jogadores de Simeone no recomeço da partida.

Diego Simeone quis agitar as águas ao intervalo. Colocou Cristian Rodriguez no lugar de Diego, fazendo passar Arda Turan para o lugar do brasileiro. O Atlético entrou mais forte na 2ª parte com 2 remates e 2 cantos. O Atlético subia paulatinamente as suas linhas. Do canto, Benzema aliviou ao primeiro poste para trás onde apareceu Diego Godín a saltar mais alto do que Pepe e a cabecear por cima de Casillas. No seu regresso à titularidade, o guarda-redes assistiu praticamente a toda a partida como um espectador.

Jesé rodrigues 2

O jogo continuava faltoso. Perante uma maior posse por parte dos homens de Simeone, reapareceu Modric. O croata voltou a pegar na batuta. Aos 51″ Ronaldo rematou para defesa de Courtois. No minuto seguinte, Modric teve um momento de eleição quando com a classe que o caracteriza pegou na bola no miolo e com algumas simulações conseguiu furar entre 4 jogadores do Atlético de Madrid para de seguida distribuir para a esquerda para DiMaria. O 2º golo do Real avizinhava-se. Aos 56″ Di Maria recebeu na esquerda e fez um passe a rasgar para o coração da área onde apareceu Jesé Rodriguez numa fantástica diagonal (ultrapassando em velocidade os dois centrais do Atlético) a chutar para o 2º golo da equipa de Carlo Ancelotti na partida, com muitas culpas para Thibault Courtois no lance. O belga ficaria de resto afectado pelo golo, coisa que não é normal no seu jogo: dois minutos depois DiMaria rematou uma bola cheia de efeito que o belga não conseguiu defender à primeira.

Enquanto os adversários capitalizavam, Diego Costa continuava no jogo de provocações: aos 60″ reagiu mal a uma entrada de DiMaria e recebeu cartão amarelo de Clos Gomez. Como não poderia deixar de ser, Pepe aproveitou a deixa para se rir na cara do avançado do Atlético de Madrid. Diego Costa não gostou da atitude muito feia do central e já na área, quando os jogadores se alinhavam para o livre, decidiu dar uma tapa no titular da selecção nacional. Minutos depois seria Insúa a fazer uma falta muito feia sobre Jesé que seria passível de cartão vermelho.

Os ânimos voltaram a subir. O Atlético tentou esboçar uma reacção ao 2º golo do Real. Simeone tirou Arda e colocou Adrián junto de Diego Costa. Bola cá bola lá. Num canto aos 70″ Pepe esteve perto do dois zero. 2 minutos depois num canto no lado oposto, Modric salvou na linha uma cabeçada triunfal de Diego Godín com Iker Casillas completamente partido. Mais uma vez o croata seria providencial. Se a cabeçada do central uruguaio, a história poderia ser outra.
Para terminar com as dúvidas aos 74″ Angel DiMaria iria selar o jogo com mais um remate que iria ressaltar num defesa do Atlético de Madrid, neste caso, no central Miranda.

Como uma joelhada nunca vem sozinha, no minuto seguinte foi a vez de Sérgio Ramos quebrar mais uma vértebra costal de Diego Costa num lance passível de cartão vermelho. Até ao final da partida, o Real limitou-se a circular bola, facto que provocou os habituais “olés” da aficción e Ronaldo tentou almejar a baliza de Courtois por duas vezes. Noite desinpiradíssima de CR7 numa importante vitória do Real Madrid que assim assegura praticamente o passaporte para a final da prova. Será muito difícil para a equipa de Simeone executar a remontada no Vicente Calderón.

Exibição péssima do árbitro Clos Gomez do Colégio de Aragão. Se tivesse iniciado o jogo a punir severamente as fitas de Diego Costa e as agressões dos defesas do Real teríamos visto um jogo mais espectacular. Um bocado de picardia não faz mal a um jogo mas não foi isso que vimos no Bernabéu. Arbeloa passou impune a uma grande penalidade num lance de bola corrida, a outra por agressão dentro da área e a outra agressão quando pisou Diego Costa. As joelhadas de Pepe e Sérgio Ramos a Diego Costa roçaram a violência. O brasileiro naturalizado espanhol só se prejudicou ao provocar este circo. Foi uma sombra do Diego Costa que pudemos apreciar no início desta temporada. Completamente encolhido no meio de Pepe e Sérgio Ramos. Mais grave que isso é o facto do brasileiro andar jogo após jogo a praticar este tipo de atitudes nos relvados.

 

a fantástica carta de despedida de Xavi a Aragonés

xavi e aragonés

“Usted no es japonés, usted me entiende lo que le digo’. Me dijo una noche. Le estoy viendo, en la habitación de un hotel y sé que le echaré de menos. Mucho. Porque yo a Luis Aragonés le quería mucho. Y con Luis hablé mucho.

Sabía que no estaba fino, pero nunca pensé que tenía algo tan grave, que se iba a ir tan pronto, tan rápido, de esta manera. “Estoy bien, estoy bien”, me decía cuando le preguntaba. Hablaba de vez en cuando con él, porque para mí siempre, desde el día que le conocí, fue un referente absoluto. Supongo que es el entrenador con el que más horas he pasado hablando de fútbol. Subía a la habitación y hablábamos horas.

Luis iba de cara; te miraba en el entrenamiento, se acercaba y te decía: “Usted está haciendo el jeta, ha venido a entrenarse y no le veo. ¡A mí no me gustan los jetas!”. Y se iba. Luis nunca engañaba, iba de cara. “Tú no juegas porque has dado pena esta semana”, “¿Estás cansado o qué?”, “Hoy has estado fantástico, esta semana lo vas a bordar”. “¿Se cree que yo me chupo el dedo, que soy gilipollas?” Así era Luis, cercano, de verdad.

Luis es fundamental en mi carrera y en la historia de La Roja. Sin él, nada hubiera sido lo mismo, imposible. Con él empezó todo, porque nos juntó a los pequeños, Iniesta, Cazorla, Cesc, Silva, Villa… Con Luis hicimos la revolución, cambiamos la furia por el balón y le demostramos al mundo que se puede ganar jugando bien. Si no ganamos la Eurocopa no hubiéramos ganado el Mundial, claro que en ese sentido, fue fundamental la llegada de Del Bosque, otro fenómeno.

A Luis le dieron mucha caña pero fue él quien marcó el camino, quien le dio a España el estilo que tiene hoy. En eso, siempre coincidimos. Fue Luis quien vio lo que había y apostó por bajitos. “Voy a poner a los buenos, porque son tan buenos que vamos a ganar la Eurocopa”. Y la ganamos. Fue inteligente y muy valiente.

 Luis me hizo sentir importante cuando mi autoestima era un desastre. Me dio el mando de la selección cuando no lo tenía ni en el Barça. “Aquí manda usted”, me dijo, “y que me critiquen a mí”. Decidí devolverle la confianza en el campo. Si fui elegido el mejor jugador de la Eurocopa fue por él, aunque él siempre me lo negaba ho hombre, el fútbol hecho persona. Hasta siempre, mister. Y gracias por todo. Y que lo sepa: usted y yo nunca fuimos japoneses”

Luis Aragonés

aragonés

Faleceu ontem Luis Aragonés aos 75 anos. Aragonés perdurará na história do futebol como o melhor marcador da história do Atlético de Madrid (1964-1974; 173 golos em partidas oficiais) e como o génio de mau feitio que deu o primeiro triunfo a La Roja numa competição internacional de selecções com a vitória no Europeu de 2008.

O homem que unânimente é lembrado como um génio com maus fígados fez parte da equipa do Atlético que fez suar o poderoso Bayern de Munique naquela que é considerada por muitos (inclusive o meu pai) como a melhor final da Taça dos Campeões Europeus de 1973\1974 alguma vez realizada:

Nota final: o vídeo reporta todos os golos marcados nos dois jogos disputados. Como no primeiro jogo entre as duas equipas, Atlético e Bayern empataram a 1 bola, não existindo nas regras da altura da competição desempate por grandes penalidades, marcou-se uma finalíssima dois dias depois no Heysel de Bruxelas. Na finalíssima, imperou a força física e o futebol de uma das maiores gerações do clube Bávaro: Sepp Meier, Paul Breitner, Franz Beckenbauer, Franz Roth, Uli Hoeness e “der bomber” Gerd Muller.

não estou contra o Borba #1

Eu e o João Borba temos conversas bastante profundas. Sobre gajas, carros e futebol. Entre outras cenas que não lembram ao diabo como a discussão que tivemos acerca das razões que levaram à morte do filosofo Calígula.

Na conversa de hoje chegámos à conclusão que não percebemos o que é que Sérgio Busquets anda a fazer em campo: Se o Barcelona tratou de despachar Yayá Touré com o argumento de que o costa-marfinense não ia encaixar no sistema de jogo, facto que se constitui desde já como uma falácia. Se Pep Guardiola encostou Javier Mascherano a central com o argumento de que o argentino iria perder resistencia com o avançar da idade e de que teria outras características adequadas aquilo que se pretendia da posição de central como a sua capacidade de desarme e a facilidade com que, a partir da defesa pode sair a jogar e assim iniciar a transição ofensiva da equipa. Se Busquets é o trinco da equipa e não participa de forma regular nos processos ofensivos da equipa, limitando-se a passar a bola a Xavi quando participa. Se Mascherano é efectivamente o primeiro jogador a sair ao portador da bola quando a equipa contrária se encontra a jogar em contra-golpe, que raio é que Busquets anda a fazer dentro de campo?

O que eu ando a ver #32

O Chileno Alexis Sanchez abriu o marcador aos 7″ e meio Nou Camp apladiu de pé o seu brilharete. Só faltou mesmo atirar confetis para celebrar o primeiro de uma noite que se antevia calma, tão calma como tantas outras em Nou Camp desde 2010, ano que datou a última derrota da equipa para a Liga no seu reduto, precisamente contra o Hércules, na altura, equipa que abrigava no seu seio David Trezeguet. O mítico ponta-de-lança francês continua a usar os ferros e o capote de matador no Newells Old Boys. Ao mesmo tempo que firmou contrato com a equipa de Rosário, Trezeguet viu partir Gerardo Tata Martino para Barcelona. Barcelona viu hoje pela primeira vez Juan Pizzi enquanto treinador de uma equipa adversária. Pizzi era o elo de ligação entre as equipas em contenda devido ao facto de ter alinhado enquanto jogador tanto no Valência como anos depois no Barcelona.

A tranquilidade vivida no Nou Camp estaria a ser no mínimo profunda. Afinal de contas, estavam a jogar contra a primeira versão exibida por um retalhado projecto valenciano que vira partir no último mês alguns dos seus principais trompetistas: Postiga, Guardado, Canales, Rami, Banega, Pabón. A tranquilidade durou até ao momento em que um Pablo, de nome, Alcácer, de apelido (poderia ser outro Paco qualquer; o Paco Fortes ou o Paco Bandeira) qual nome de Toureiro no verdadeiro sentido das palavras escritas um dia pelo chileno Luis Sepúlveda, haveria de colmatar de ferros em riste os longos 7 anos em que o Valência não vencia em Nou Camp. Claro está que pelo meio, o Valência injectou por 2 vezes o seu venenoso contra-ataque na defensiva culé. Não deixa de ser também curiosa a reacção do Barcelona aos golos do Valência: a equipa conseguiu recuperar animicamente quando o Valência executou a remontada para 2-1 mas não teve sabedoria para recuperar quando se viu a perder por 3-2, facto que constituí um match point para quem o queira aproveitar a jogar em Nou Camp – derivado ao facto de raramente se ver a perder, esta equipa de Tata Martino torna-se extremamente irracional quando está por baixo na partida, não conseguindo praticar um futebol minimamente objectivo. Decerto que alguém em Manchester deverá ter tirado esta ilação.

o que eu ando a ver #30

O novo San Mamés recebeu ontem a 2ª mão dos quartos-de-final da Copa do Rei de Espanha que colocou frente-a-frente, a equipa da casa, o Athletic de Bilbao, equipa até ontem invicta no seu novo reduto, e o Atlético de Madrid, equipa que vinha a Bilbao com a missão de defender a magra vantagem de 1-0 obtida no jogo da primeira mão na semana passada no Vicente Calderón.

Antes de relatar as incidências da partida, urge-me tecer duas notas gerais sobre as suas equipas:

1. O jogo de ontem provou mais uma vez a excelência do trabalho que Ernesto Valverde está fazer na equipa basca – apesar da derrota, é de louvar o futebol equilibrado e bonito que a equipa basca está a jogar esta época, futebol que está a dar os seus frutos na liga com o prodigioso 4º lugar que a equipa ocupa neste momento. Se o campeonato espanhol terminasse hoje, o Athletic estaria apurado para o playoff de acesso à Champions, objectivo que não deveria passar pela cabeça de ninguém dentro da sua estrutura profissional de futebol. Aproveitando um plantel com uma capacidade técnica bastante elevada, Valverde teve o mérito de dotar esta equipa de processos de jogo dos melhores que actualmente podemos observar pela europa.

2. No que diz respeito à equipa de Simeone, o jogo de ontem revelou mais uma vez a dificuldade que é vencer esta equipa na disposição estratégica com que esta se apresenta na presente temporada. Se defensivamente, o bloco baixo que a equipa apresenta é muito difícil de contornar pelos adversários na medida em que todos os jogadores do Atlético tem instruções específicas sobre as movimentações executadas pelos adversários de forma a não concederem espaço para que estes possam criar desequílibros, ofensivamente, esta equipa do Atlético de Madrid demonstra um cinismo nunca antes visto em equipas espanholas – o jogo de ontem foi prova disso: os jogadores do Atlético entregaram por completo as despesas do jogo aos homens de Bilbao durante os 90 minutos, sofreram golo, reagiram depois do golo, entraram fortes na 2ª parte, conseguiram o seu golo, voltaram a entregar as despesas do jogo à equipa de Bilbao e no cair do pano, quando a equipa do Athletic já jogava com o coração, desferiram a machadada final no jogo e na eliminatória.

As duas equipas entraram no San Mamés com os níveis anímicos em alta em virtude das vitórias gordas obtidas no passado fim-de-semana para a liga. No clássico regional, em Pamplona, o Athletic de Bilbao cilindrou o Osasuna por 5-1 num jogo que Ibai Gomez esteve novamente em alta. Ernesto Valverde haveria de deixar o melhor marcador da equipa basca no banco. Já o Atlético de Madrid apareceu em Bilbao moralizado pela vitória obtida por 4-2 sobre o Rayo Vallecano no Teresa Rivero, estádio situado em Vallecas (subúrbios de Madrid). Fruto da gestão de esforço que a equipa técnica está a realizar neste plantel (na antevisão da partida Simeone afirmou que a equipa técnica programou uma ligeira quebra de forma física para o mês de Janeiro de modo a poupar fisicamente os jogadores para a batalha que começa a meio do mês de Fevereiro – campeonato e champions) Diego Simeone poupou o turco Arda Turan da partida de Bilbao e realizou algumas poupanças ao colocar no onze da equipa para a partida Adrián e Cristian Rodriguez, jogadores que formaram o trio de ataque dos Colchoneros em conjunto com Diego Costa, este mais descaído para o flanco direito.

Cientes da rivalidade existente entre as duas equipas e, derivado do quezilento jogo da 1ª mão, desde cedo, os arreigados adeptos da equipa de Bilbao trataram de manifestar o seu apoio à sua equipa. Na antevisão da partida, Ernesto Valverde fez questão de agradecer e pedir o apoio dos adeptos ao seu conjunto para a partida, frisando porém que o apoio per si não garantia golos a uma equipa que tinha de marcar para poder eliminar o adversário em questão.

Aos 30 segundos o Atlético de Madrid poderia ter selado “meio apuramento” quando na jogada inicial, Diego Costa apareceu isolado na cara de Iago Herrerin numa desconcentração dos dois centrais do Athletic de Bilbao – Laporte, o único jogador não nascido no país basco espanhol ou nos territórios que são reclamados pelos movimentos independentistas bascos  (nascido no País Basco Francês) e Mikel San José, curiosamente um dos navarrenhos do plantel – que foi resolvida com uma espectacular parada do guarda-redes que já defendeu no passado as balizas da equipa B do Atlético de Madrid.

Na sua habitual disposição estratégica (pressionar alto de forma a conseguir interceptar bolas no meio-campo adversário; quando o adversário passa o meio-campo com bola, recuar o mais rapidamente possível para executar um esquema de defesa profunda) pode-se dizer que o Atlético de Madrid conseguiu conquistar a primeira vantagem sobre o conjunto de Bilbao ao conseguir travar o ímpeto inicial que decerto esperava da equipa de Valverde para os primeiros 15 minutos em jogo. O melhor que a equipa basca conseguiu nestes primeiros 15 minutos foi circular a bola no meio-campo e um cabeceamento inofensivo de Ander Herrera aos 5 minutos a cruzamento de Andoni Iraola. Com todo o jogo ofensivo da equipa a partir dos pés de Herrera, o Bilbao circulava bem a bola entre os eixos mas não conseguia arranjar forma de penetrar no último terço do terreno dos colchoneros. Só o conseguiu fazer nos minutos que antecederam o seu primeiro golo na partida, quando Iker Muniain, teoricamente mais descaído no flanco esquerdo, passou para o terço do terreno e funcionou como joker à entrada da área. A movimentação do jovem internacional espanhol durante a partida foi fantástica: fazendo jus às fortíssimas soluções de jogo que possui (forte no 1×1: fantástica visão de jogo a solicitar Mikel Balenziaga no flanco esquerdo e a dupla Iraola\Susaeta no flanco direito) Muniain foi um autêntico quebra cabeças que baralhou por completo as marcações realizadas pelos jogadores do Atlético de Madrid.

O jogo foi decorrendo com uma maior posse de bola para os bascos perante um inexistente Atlético de Madrid no plano ofensivo. Aos 27″, os jogadores do emblema basco reclamaram grande penalidade num lance em que Markel Susaeta, solicitado dentro da área com um passe longo de Iraola, foi estorvado por Emiliano Insúa (entrado aos 12 minutos para o lugar do lesionado Felipe Luis) quando se preparava para almejar a baliza defendida por Thibault Courtois. As repetições mostraram que o argentino não tocou no pé do extremo basco.

O cerco montou-se rapidamente junto à área dos madridistas. Aos 31″ Iker Muniain rematou à entrada da área para defesa fácil de Courtois. Segundos depois, o belga foi obrigado a sair a punhos fora da pequena área para evitar que Aduriz pudesse fazer o primeiro da partida. O público do San Mamés agitou-se. Lendo bem a situação de jogo, Simeone pediu à equipa que tivesse mais bola e subisse ligeiramente as linhas, facto que aos 37″ iria originar mais uma situação de perigo na área basca quando um canto permitiu a Raúl Garcia antecipar-se ao primeiro poste à marcação de Mikel Rico e ao seu estilo de cabeceador mortífero atirar ao poste contrário. A bola acabaria por sair ligeiramente ao lado da baliza de Iago Herrerin num lance em que logo que vi o cabeceamento disse “vai buscar”. Sem efeito.

4 minutos depois seria o Athletic a passar da ameaça à concretização. Tudo começou quando Iturraspe (autêntico cavalo de batalha no meio-campo) recuperou no miolo uma bola aliviada pela defesa do Atlético, endereçando-a para Muniain que, no alto da sua classe descobriu Mikel Balenziaga a subir pelo flanco. O lateral recebeu, olhou, centrou e no centro da área Aduriz agradeceu o excelente cruzamento do lateral, deixou Godin a esbracejar por falta e atirou para o fundo das redes de Thibault Courtois, deixando a assistência do belíssimo San Mamés em puro estado de euforia colectiva.

A equipa de Bilbao galvanizou-se com o golo. Empurrada pelos seus adeptos, procurou o 2º golo até ao final da primeira parte: aos 43″ Ander Herrera obrigou o belga a uma defesa monstruosa num remate na meia-lua e no seguimento do lance, Susaeta voltou a insistir com um cruzamento para uma cabeçada de Aduriz para nova defesa monstruosa de Courtois. Se havia nesta altura quem rezasse na bancada do San Mamés, no verdinho, os homens de Simeone bem poderiam montar o culto ao Deus que lhes tinha garantido ali meia passagem para o céu na competição.

Ao intervalo, pelos factos aqui descritos, a vantagem do Bilbao era justíssima.

No início da segunda parte, numa situação desconfortável na eliminatória, o cinismo do Atlético de Madrid viria ao de cima. Aos 47 minutos, numa jogada individual pelo flanco esquerdo que passou pela linha final, Diego Costa aproveitou o facto dos jogadores de Bilbao terem dado a bola como perdida para levar a sua avante e servir Adrián no centro para um remate para defesa de Herrerin. Canto batido. Diego Costa aparece ao 2º poste a cabecear de cima para baixo junto ao poste direito da baliza para uma defesa espectacular de Herrerin. À 4ª é de vez. 53″ livre para o Atlético no meio-campo do Athletic a assinalar falta de Mikel San José sobre Adrián num lance em que o avançado poderia ficar na cara de Herrerin. Mais uma vez a equipa de Simeone provou trabalhar bem as bolas paradas, departamento do jogo que já lhe tinha dado a vitória no Estádio do Dragão com o lance executado por Koke e Arda Turan, o turco que sabe tudo de bola. Bola cobrada por Koke para área onde aparece Miranda ligeiramente descaído à esquerda, solto de marcação a amortecer a bola para o coração da área onde apareceu Raúl Garcia a rematar para nova defesa de Herrerin. O ressalto fez a bola tender para o flanco esquerdo para os pés de Cristian Rodriguez que de primeira bombeou a bola precisamente para o sítio onde estava o centrocampista espanhol que desta vez num remate enrolado não perdoou e estabeleceu o empate na partida. O Athletic de Bilbao precisava agora de 2 golos para poder vencer a eliminatória.

Os bascos voltaram a provar de que matéria são feitos ao lançar-se novamente no ataque à baliza de Courtois. Em frente na eliminatória, os colchoneros voltaram a recolher-se na matéria que será estudo de caso no futebol mundial dentro de alguns anos, a sua fantástica organização defensiva.

Aos 61″ Markel Susaeta colocou uma bola na área. Aduriz fez-se ao lance, arrastou consigo Godin mas deixou a bola passar para um desmarcado Mikel Rico que não conseguiu mais do que bater a bola com a coxa precisamente para Aduriz. O antigo avançado do Valência haveria de atirar contra o corpo do inevitável Courtois. Nesta fase do jogo, Insua estava a dar muito espaço para Susaeta aplicar o seu fortíssimo 1×1. Aos 65″ Valverde lança no terreno de jogo Ibai Gomez em troca por Mikel Rico. Muniain passou para o centro do terreno no apoio directo a Aduriz. Aos 66″ Susaeta dispôs de um livre em zona frontal, atirando rasteiro ao lado da baliza de Courtois. Conseguindo circular bem a bola no ataque, não conseguindo penetrar na muralha defensiva formada pela equipa madrilena depois do golo do empate, acabaria por vir o desgaste físico e anímico para os bascos. Mais um ponto a favor do Atlético. A equipa de Bilbao cansou-se de circular bola e tentou aplicar um jogo mais directo para área, jogo esse onde os centrais do Atlético (Godin e Miranda) se sentem como peixes na água visto que tem experiência acumulada na presente temporada na defesa desse tipo de processos de jogo.

Aos 70″ Ander Herrera recebe descaído à direita, consegue livrar-se da pressão de dois adversários e atira para mais uma defesa de Courtois, desta vez para a frente. No banco da equipa basca, Valverde quase vai à loucura. Passados 2 minutos volta a mexer na equipa com a entrada de Kike Sola para a saída de Markel Susaeta. Muniain vai ocupar o flanco direito. Se esteve com atenção a este longo testamento, perceberá que com a deslocação de Muniain para a direita, o Athletic perdeu toda a sua força ofensiva. Aos 76″ Valverde ainda haveria de lançar Beñat para o lugar de Ander Herrena de forma a refrescar o meio-campo da equipa.

diego costa

Diego Costa que até ali só tinha provocado quezílias em 2 disputas de bola, uma com Mikel Balenziaga e outra com Aymeric Laporte, decidiu aparecer na partida. Bastante apupado pelo público afecto aos visitados, tratou de fazer jus ao cínico futebol que é neste momento o cartão-de-visita dos comandados de Simeone quando aos 85″ recebeu isolado um passe a rasgar de Koke detrás do meio-campo (Mikel San José tentou montar uma situação de fora-de-jogo ao brasileiro naturalizado espanhol, acabando por ser apanhado no fantástico sentido posicional do pichichi do Atlético) e com a classe que lhe é reconhecida avançou para a área, fintou Iago Herrerin e com um toque subtil para o fundo das redes sentenciou a vitória dos colchoneros no até ontem invicto reduto do Athletic de Bilbao.