a entrevista de Figo ao Gazzetta Dello Sport

No dia em que o novo investidor do Inter, o indonésio Erick Thorir afirmou que Mazzarri é para ficar. Figo não tem totalmente razão: o Inter de Milão não tem que mudar o chip. Tem que criar o chip. O clube milanês encontra-se desde a saída de Mourinho sem uma aparente estratégia a médio prazo, incapaz de conseguir ressuscitar do marasmo experimentalista a que se tem votado nos últimos anos. Sou daqueles que defende que os actuais valores presentes no Meazza poderão dar uma equipa de futuro. A espinha dorsal do Inter (Handanovic, Juan Jesus, Rannochia, Jonathan, Nagatomo, Guarín, Mateo Kovacic, Ricky Alvarez, Hernanes, Rodrigo Palacio e Mauro Icardi; aqueles cujo futuro passará nos próximos anos pelo Meazza; a juntar aos veteraníssos Cambiasso, Samuel, Milito e ao reforço confirmado Nemanja Vidic e aos ascendentes Lorenzo Crisetig, Isaac Donkor, Wallace, Francesco Bardi e Marco Benassi e Marko Livaja) tem asas para voltar a competir pelo scudetto. No entanto falta aqui qualquer coisa, uma vedeta, um ou dois agitadores numa equipa com uma filosofia equilibrada, ao estilo Mazzarri. Hernanes não é esse agitador. Muito pelo contrário. Hernanes é um dos melhores jogadores do mundo em prol do colectivo. O mais próximo que a equipa tem desse tipo de jogador é Ricky Alvarez. Aprecio o argentino pela objectividade que incute no seu jogo, apesar de não ser, nem de perto nem de longe um tecnicista puro. Porém, o argentino e Freddy Guarin são neste momento muito escassos para ambicionar vencer a Serie A.

És craque, mas no Sporting não podes usar o 7.

O Sporting podia conseguir ter no seu plantel Cristiano Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Raúl, Cantona ou Figo, mas o que não podia era deixá-los usar a camisola número 7, sob pena de lhes condicionar as carreiras de excelência com lesões e problemas físicos. Diria que esta até devia ser uma preocupação dos dirigentes a incluir em futuros contratos de jogadores com elevado nível de técnica que por norma gostam de usar o 7, ora vejamos…

Shikabala chegou ao Sporting neste mercado de transferências de Inverno e apesar de ter sido avisado que a camisola número 7 tinha uma maldição impregnada, como bom craque que é quis ficar com ela. Começou os primeiros dias a fazer treino específico para recuperar os índices físicos, não foi convocado para os jogos da A por ainda não ter ritmo e hoje estava nos eleitos para o jogo da B, foi titular e saiu aos 28 minutos com problemas num pé.

Pouca gente acredita nestas superstições associadas aos números, mas o que é certo é que a camisola 7 do Sporting tem sido pródiga nos problemas físicos dos jogadores que a envergam e desde que foi permitido aos jogadores escolherem o número com que querem jogar, todos os que a vestiram tiveram associados problemas físicos graves. Sá Pinto, Iordanov, Delfim, Niculae, Izmailov e Jeffren foram a prova disso. No entanto um dado curioso é que na época seguinte a Niculae se lesionar com gravidade e Sá Pinto ter decidido trocar o 7 pelo 10, isto em 2003/2004 ninguém mais pegou na malfadada camisola até à época 2007/2008, quando chegou Izmailov e decidiu que o seu número era o 7, resultado lesões e problemas físicos atrás uns dos outros. Depois dele Jeffren teve a mesma sorte e agora parece que Shikabala entra com o pé esquerdo no que à maldição diz respeito… Espera-se portanto que o Egípcio regresse rápido e bem e que leve a camisola até ao túmulo do Faraó Tutancamon e a deixe por lá, junto com a maldição do Faraó, longe de todos os craques que possam vir a ingressar futuramente no Sporting!