Superbock! Fresquinha! #94

Continuo a acreditar que as suspensões do Conselho de Disciplina da FPF a presidentes de clubes por declarações ofensivas valem o que valem: um balde de pipocas e mais uns euros para os cofres da FPF. Não é o caso da suspensão aplicada ao presidente do FC Porto. Falou e falou muito bem. A arbitragem de Rui Costa no jogo contra o Estoril na amoreira foi do mais nojento que vimos durante esta temporada.

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Superbock! Fresquinha! #91

Agora finalmente consigo compreender as declarações de Pinto da Costa quando este afirmava que Ricardo Quaresma “Tem é de aprender que há gente no futebol que é indigna de lá estar e tenta perturbar o adversário com insultos dos mais soezes”

1.Os indignos contradizem-se. Se bem que metade do que o dito senhor diz é algo imperceptível. Se há intenção, há dolo. O dolo é indissociável da intenção. Vamos a um caso prático: se eu tiver intenção de assassinar alguém, tenho intenção de causar dolo a terceiros. A intenção é tão punível quanto o dolo. Chama-se homícidio culposo, estando o crime previsto na lei. A analogia não é forçada, é realista.

2. O interessante das declarações: aumentaram o número de Unidades de Conta na multa aplicada. Realmente, tal sanção aplicada é de facto “o mais interessante” da decisão do Conselho de Justiça da FPF. Vai de encontro à estratégia geral do presidente da FPF para o organismo e para o futebol português: aumentar a receita, encher os cofres da federação. Nada mais, nada menos que isso. O que equivale por outro lado a dizer que a partir de hoje existem regras diferentes daquelas que estão estabelecidas, servindo os regulamentos para limpar o cú quando não há papel higiénico nos estádios.

Superbock! Fresquinha! #75

Pinto da Costa 3

Não deixa de ser oportuno o timing que alguém dentro da FPF, mais concretamente do Conselho de Justiça da FPF, escolheu para voltar a mexer na fruta. Com um cenário de profunda instabilidade dentro do FC Porto (nos meandros da coisa já se fala em sucessão a partir da próxima temporada) e com um dos piores desempenhos desportivos e financeiros do clube, a direcção do clube da invicta é pródiga em arranjar assunto para realizar as habituais manobras de diversão, tão preciosas para afastar os holofotes da equipa de futebol e de outros problemas relacionados com a estrutura profissional de futebol do clube.

O CJ\FPF voltou a baixar o acórdão ao Conselho de Disciplina da FPF como mandam de resto os estatutos da FPF. Ocorre que, dadas como ilegais as escutas ao presidente do Porto, ao árbitro Jacinto Paixão e aos seus fiscais-de-linha, no CD\FPF manda um tal de Herculano Lima, o antigo juiz da Relação que segundo ditam os cânones, tem um camarote no estádio do Dragão oferecido pelo próprio clube. Está bom de ver o que vai acontecer. O Conselho de Disciplina irá referir, à boa maneira judicial portuguesa, que não existem provas para condenar o árbitro e o presidente do Porto. Ambos, lesados, irão recorrer à justiça civil, possivelmente para, processar a FPF. Ou o que nunca aconteceu: o cumprimento por parte do presidente do Porto dos 14 meses de interdição de exercício de cargos desportivos. Nesses 14 meses pudemos constatar, jogo após jogo no Dragão, o presidente do Porto no seu lugar habitual na tribuna presidencial do estádio.

Superbock! Fresquinha! #74

bruno esteves

Premissa essencial à leitura da notícia: a decisão foi tomada pelo Conselho de Disciplina da FPF, na sequência da incumbência que lhe foi empossada pelo julgamento do caso dos incidentes de Guimarães.

1. A uniformidade de critérios e práticas na arbitragem portuguesa é crassa: aquando da deslocação do Sporting a Guimarães para a Liga, Paulo Baptista escreveu no seu relatório (por indicação de um dos seus auxiliares) o facto do roupeiro do Sporting, o mítico Paulinho, se ter deslocado do sítio no qual era permitido ver a partida para abraçar o staff técnico do Sporting no golo marcado por Islam Slimani. O roupeiro do Sporting foi multado em 300 e picos euros. Basta pesquisarem aqui nos mapas de castigos deliberados no passado mês de Novembro. Bruno Esteves não fez qualquer menção no seu relatório à pouca vergonha realizada pelo treinador do Benfica na cidade vimaranense.

2. A decisão do CD\FPF abre um precedente interessante: Bruno Esteves ficará de bolsos vazios na próxima semana. Decerto que irá aprender a lição. Quando cometemos um erro (por omissão, por negligência ou por tendência) e esse erro nos sai do bolso, decerto que nunca mais iremos cometer esse erro. A ver vamos se a decisão tomada pela CD\FPF poderá um dia ser aplicada no que concerne aos erros cometidos dentro de campo pela arbitragem. Continuo a defender que essa é uma das medidas que pode alinhar a arbitragem portuguesa nos eixos. Afinal de contas, são parte integrante de uma indústria na qual os resultados desportivos influem directamente nos resultados financeiros dos clubes, que, por seu turno, influem directamente nos empregos de milhares de cidadãos.

3. Não deixa de ser interessante a postura adoptada pelo dito Conselho, algumas semanas depois de se ter “marimbado” e ter feito “marimba” nos regulamentos da Taça da Liga no caso do atraso do FC Porto frente ao Marítimo. Tratando-se de um caso resultante de um acontecimento protagonizado pelo treinador do clube rival do clube simpatizado pelo presidente do Conselho de Arbitragem, estaremos aqui perante um aviso à navegação?

Superbock! Fresquinha! #62

jogo

Há capas que me fazem rir. A do Jornal O Jogo de hoje é uma delas.

1) A começar pelo destaque. O FC Porto continua a usar o “jornal do pato” para vender a sua mercadoria. Quaresma entrou no lote de pré-convocados de Paulo Bento. A bom da verdade, apenas saiu deste mesmo lote quando deixou de competir. A entrada do “cigano” neste lote deu azo para fazer o clube promover os seus habituais fait divers. O jogador não entrou mal na equipa de Paulo Fonseca mas também não entrou com a pujança que o clube da invicta e a imprensa faziam crer. Não é preciso ter dois palminhos de testa para ver e perceber que o jogador, mesmo apesar de não possuir o ritmo competitivo que se exige para esta fase da temporada, já não apresenta as características de antigamente. O Quaresma dos processos simples, das trivelas, do brilhantismo, da explosão deu lugar a uma sombra daquilo que o jogador era há 6\7 anos atrás, ou seja, um jogador que se agarra em demasia à bola e que com tal vício congela todas as jogadas ofensivas que a equipa cria até a bola chegar aos seus pés.

2) Fernando – Quando questionado no passado sobre a possibilidade de convocar o brasileiro recentemente naturalizado português, Paulo Bento afirmou que enquanto for seleccionador português não irá forçar junto da FPF pedidos para a naturalização de jogadores portugueses. O que equivale a dizer que o seleccionador português não está nem praí virado. Fernando naturalizou-se no passado mês de Dezembro. Paulo Bento nunca mais voltou a pronunciar-se quanto à possibilidade de convocar o jogador do FC Porto. Contudo, para O Jogo tal vai confirmar-se. Os iluminati dos Jogo consideraram na notícia publicada que o dossier Fernando deixou de “depender da vontade do seleccionador” mas sim da autorização que a FIFA terá que dar para o efeito.

Na minha opinião ficou claro que a renovação do trinco com o Porto terá afastado o principal interessado no jogador, o Manchester City. Uma coisa é assinar com um jogador livre. Outra coisa é ter que o comprar por 30 ou 40 milhões de euros. No futebol mundial, nenhum clube vai deixar de contratar um jogador em final de contrato em ano de mundial para depois da prova o comprar por 30 ou 40 milhões. Mais: Nenhuma equipa no futebol desperdiça a oportunidade de contratar um jogador em final de contrato antes do mundial, sabendo de antemão que o mundial é uma das provas que mais jogadores valoriza. As boas exibições num mundial valem ouro e aumentam o lote de interessados. O aumento do lote de interessados num jogador é benéfico pois valoriza ainda mais os jogadores na medida em a recepção de várias propostas (aumento da procura) leva automaticamente ao aumento do preço.

O empresário do jogador proferiu há uns dias atrás a certeza de que o jogador irá rumar à Premier League na próxima época. Duvidando eu que o City continue interessado no jogador (até porque os citizens tem 3 excelentes opções para a posição), que o Chelsea esteja interessado depois de ter contratado Matic ou que o Manchester United mude o alvo (neste momento os red devils estão prontos a avançar por William Carvalho) das duas uma: ou Antonio Araújo conseguiu convencer o Tottenham a contratar o jogador (exceptuando as três anteriormente mencionadas, é actualmente a única equipa da Premier com capacidade financeira para recrutar o brasileiro nos valores exigidos pelo FC Porto) ou então, a promoção que está a ser feita pelo Jogo em torno da convocação do brasileiro para a selecção portuguesa não é mais do que uma manobra de pressão para o jogador ir ao mundial, fazer 1 ou 2 boas exibições e consequentemente angariar um novo lote de interessados.

3) Jefferson – Tal informação não foi ainda veículada pelo Sporting Clube de Portugal. No entanto, o próprio Jefferson deverá ter esfregado as mãos de contentamento ao ler a notícia. Dada a quantidade abismal de notícias nos últimos dias que deram conta do “aumento salarial” obtido pelo jogador e quantidade de vezes que já tentaram arrumar com a carreira de Jefferson através de entradas assassinas, tomara o brasileiro ser aumentado todos os dias. Um jogador de futebol nunca sabe quando é que uma entrada mais dura que o habitual pode terminar uma carreira…

4) Herculano Lima – O presidente do Conselho de Disciplina da FPF não terá gostado de saber que gravações das reuniões do organismo federativo que dirige foram tornadas públicas. Como é que o Jornal do Pato sabe que foram tornadas públicas? Ah pois… foram eles que publicaram o primeiro rumor de que a decisão seria favorável ao FC Porto. Tão simples como os 3 vértices do triângulo das Bermudas. Ou então, cá para mim foi obra e graça da empresa de espionagem do Paulo Pereira Cristóvão para culpabilizar o sporting. Faça-se rapidamente uma denuncia caluniosa….

5) Mário Figueiredo – O título é sugestivo. Indicia que o presidente da Liga de Clubes está a ser vítima de coacção psicológica no trabalho. Que não se lhe dê um esgotamento nervoso. Com tal cabeçalho comecei a perceber porque é que no domingo em Paços de Ferreira optou por esconder-se debaixo da asa de Luis Filipe Vieira. Ou terá sido dentro das calças?

Superbock! Fresquinha! #61

Tudo ao Molho! –

Bruno

Bruno de Carvalho foi esta noite ao programa SIC Notícias dar um autêntico “show de bola” fora das 4 linhas… Com a ironia que lhe é característica, o presidente do Sporting analisou a actualidade do futebol português e do clube leonino nas respostas efectuadas às “armadilhadas” (algumas foram mesmo ridículas) perguntas feitas pelo jornalista Paulo Garcia.

A entrevista começou como não poderia deixar de ser com a questão da praxe: o celeuma levantado pelo atraso do FC Porto no jogo contra o Marítimo para a Taça da Liga. Bruno de Carvalho referiu que é uma injustiça se a decisão que amanhã é anunciada pelo Conselho de Disciplina não der razão ao Sporting. O presidente do Sporting motivou a sua posição ao considerar a justificação apresentada pelos dirigentes do FC Porto como uma desculpa esfarrapada: “A conta do Fernando bate mal. Desculpa pobre, de mau pagador. E nem essa é boa, que foi inventada… Em terra de cegos, quem tem olho é rei, mas o rei também falha. Nem as horas batem certo…” – o presidente do Sporting não se coibiu a proferir algumas palavras em relação ao dito “sistema” que é comandado pelo FC Porto. BdC afirmou que o conhecimento que o público tem do dito sistema não bate certo com a realidade. Do “sofisticado sistema que toda a gente pensa ser uma estrutura com ramificações afinal é do mais bacoco possível”. E com isto o presidente do Sporting foi, na minha opinião o mais simples possível: o sistema passa apenas pela colocação (por parte dos clubes) de marionetes de confiança dentro das instituições que gerem o futebol de forma a poderem manobrar o rumo do futebol português a seu belo prazer.

No que concerne ao documento que o Sporting enviou para vários órgãos (desportivos e políticos), o presidente do Sporting rejeitou que o emblema de Alvalade tenha como objectivo categórico a imposição da sua própria lei, voltando a reiterar que o Sporting (e os vários clubes que já associaram à discussão promovida pelo clube de Alvalade nas últimas semanas) pretendem modificar as bases em que está assente o futebol português de forma a melhorá-lo: O Sporting está neste momento em algo que envolve muitos clubes, que é um trabalho sério em prol do futebol. Não tenha dúvidas, se o futebol quiser avançar, é preciso atrair pessoas. Gente mais nova… Ou o futebol muda, ou atraímos a mesma coisa de sempre. Ou muda e passa a respirar, ou não muda e vamos continuar na mesma como a lesma. Uns falam, são filhos; outros falam e são enteados. O Sporting estará cá para fazer mais e melhor. Em vez de andar sempre a queixar-me, vou impulsionar um movimento positivo para mudar o futebol. Podem decidir o que quiserem, dar um tratamento diferente, mas água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Não tenha dúvidas de que as coisas vão mudar”

O assunto debatido puxou obrigatoriamente para o diálogo Vitor Pereira. O presidente do Sporting foi concludente na análise às declarações que o presidente do CA proferiu no final da reunião tida com as mais altas instâncias da FPF: “Transmiti aquilo que depois apareceu na documentação do Sporting. Essa reunião foi normalíssima, onde ele ouviu. Tivemos essa conversa e depois, como se costuma dizer, ‘as palavras leva-as o vento’. O Sporting acaba de apresentar a documentação e foi o que se viu. Dizer que as propostas do Sporting não melhora o futebol. Não é bonito, mas há tanta coisa que não o é…” e Vitor Pereira levou Paulo Garcia a interrogar o presidente do Sporting sobre as arbitragens. Este não teve problemas em meter o dedo na ferida ao afirmar que foi “anjinho” por ter falado da maneira que falou depois do jogo da Taça de Portugal contra o Benfica e da Liga contra o Nacional. Para melhor explicar o seu argumento, Bruno de Carvalho recorreu a dois casos análogos ocorridos com presidentes de outros clubes. O presidente do Sporting referiu que quando proferiu as duras críticas à arbitragem de Manuel Mota no Sporting vs Nacional viu o presidente da APAF pedir publicamente uma “punição exemplar para o presidente do Sporting” – Contudo, quando o presidente do FC Porto veio dar uma entrevista onde criticou a arbitragem de um jogo do Porto, ninguém pediu uma punição exemplar para as declarações do mesmo. Ou quando o presidente do Braga, na passada quinta-feira, falou o que falou da arbitragem de Olegário Benquerença em Vila do Conde, ninguém pediu uma punição exemplar.
O presidente do Sporting aproveitou a deixa para alfinetar mais uma vez Vitor Pereira, ao afirmar que quando o Sporting reclama das arbitragens, nem Vitor Pereira nem os árbitros vem a público falar sobre o assunto ou mostrar arrependimento. BdC realçou que o mesmo não se passou noutras ocasiões, referindo que de vez em quando aparecem árbitros a mostrar arrependimento de algumas das decisões que tomam.

Esgotado o conteúdo do quente período introdutório, Paulo Garcia rodou o disco e puxou a conversa para o quotidiano do clube leonino. Sobre o caso de Elias, o presidente do Sporting respondeu que o jogador brasileiro e o “pai\empresário tentaram montaram uma estratégia” contra o clube de Alvalade que, se limitou a defender os seus interesses. “Sou conhecido como o presidente dos comunicados. Acho que me vou divertir quando explicar o que foi todo o processo do Elias. Ao nível do que se escrito sobre o Elias e sobre tudo tem sido tão ridículo mas explicarei tudo. Por vezes leio tudo sobre o Elias e devo pensar que o presidente do Sporting é atrasado mental e depois percebo que afinal se trata de mim”, disparou em tom sarcástico. Aproveitando a deixa e a pergunta de Paulo Garcia em relação à possibilidade de ter que vender alguns jogadores para manter o clube sustentável no seu plano financeiro, Bruno de Carvalhou deixou óbvio que “alguns clubes” já se aperceberam que em Alvalade mora gente que não está disposta a vender as jóias da coroa a preços de saldo. Neste capítulo, o presidente do Sporting chegou mesmo a afirmar que grande parte dos clubes que visitam alvalade para observar os jogadores do Sporting já sabem que só terão feedback da SAD leonina se apresentarem propostas vantajosas para o clube de Alvalade. Ou seja, os clubes já se aperceberam que o Sporting realizou algumas mudanças e como tal, relacionam-se de forma diferente com o clube leonino.

Paulo Garcia proporcionou o momento imbecil da noite quando perguntou se Bruno de Carvalho ia oferecer um “relvado novo a Leonardo Jardim como presente da época que o treinador está a realizar no comando do clube” e se o presidente concordava com a tomada de posição tomada pelo seu treinador ao não poupar jogadores em risco de sanção disciplinar. O jornalista da SIC questionou se a estrutura profissional do Sporting tinha gerido mal a questão dos amarelos de William Carvalho. BdC respondeu categoricamente, partindo de um argumento base: “Leonardo Jardim foi uma escolha pessoal. O Sporting necessitava de um treinador que demonstrasse trabalho, exigência (…) se ele não concorda, eu também não concordo”

lembrete

Está tudo explicado: nos minutos que antecederam a entrada em campo das equipas do FC Porto e do Marítimo, Manuel Mota tinha o relógio atrasado. As declarações dos delegados da Liga foram contraditórias, mas, estamos perante um caso onde alguém não quer definitivamente ver aquilo que se passou.

Ao contrário do que muitos órgãos de comunicação social escreveram hoje, a decisão que irá ser tomada amanhã pelo Conselho de Disciplina da FPF, decisão favorável ao FC Porto, não é contudo definitiva. O Sporting poderá recorrer para o Conselho de Justiça da FPF, ficando suspendos todos os efeitos produzidos pela decisão do CD\FPF.

frase do dia

marinho neves

A Bola ainda é uma ciência. Cheia de contactos e informações privilegiadas. Pelos vistos já toda a gente sabe qual vai ser a decisão do Conselho de Disciplina da FPF no caso do atraso do FC Porto na Taça da Liga. Contudo, também eu tenho acesso a algumas fontes de altíssimo nível que aqui e ali me vão dizendo que os membros do Conselho de Justiça não se fiaram muito na patranha contada por Antero Henrique na audição intercalar executada na terça-feira. A ver vamos para que lado encarriça a coisa quando for avaliado o recurso que o Sporting irá interpor.

Mal na figura irá ficar decerto o presidente da FPF. Não se pode agradar ao mesmo tempo a gregos e a troianos. Ainda para mais quando de um lado está quem deu de comer e do outro está quem pode provocar a qualquer momento um torvelinho dentro da instituição. Ciente estará o presidente da FPF que nunca se cospe no prato onde se comeu, mas, por outro lado, também não é certo que uma moção de censura não caia do céu de um momento para o outro.

Superbock! Fresquinha! #58

Tudo ao Molho! –

Com tantas infraestruturas de topo em Portugal que não são utilizadas por ninguém, considero ridícula a opção tomada pela FPF na realização de um estágio por parte da selecção nos Estados Unidos da América. Dadas as condições atmosféricas que os jogadores irão ter pela frente no Brasil durante a competição, aceitaria como benéfica uma ronda de treinos num centro de estágios de qualidade de um país com condições climatéricas semelhantes às do Brasil como o Uruguai, a Argentina, a Colômbia ou a África do Sul. Entendo que o presidente da Federação tenha sido seduzido pelos dólares oferecidos pelos proprietários das infraestruturas e pela comunidade emigrante radicada nos Estados Unidos da América. Afinal de contas o seu mandato resume-se precisamente a isso: tentar encher ao máximo os cofres da Federação Portuguesa de Futebol.

Superbock! Fresquinha! #57

Esta cerveja enfeitiçou-me!

Assim se explicam algumas das manobras que são feitas nos bastidores do nosso futebol. Escreve Daniel Oliveira na edição de hoje do Record:

«[…] nestes últimos meses ficou clara para mim uma coisa: pelo menos no campo, o campeonato será decidido no confronto entre o Benfica e o Sporting. Quanto ao Porto, que nos tem presenteado com exibições abaixo de deprimentes, lá terá, se ainda souber, de voltar a tentar ganhar no campeonato da secretaria.
E, regresso ao tema, as coisas vão bem encaminhadas numa competição menor: a Taça da Liga. Herculano Lima é juiz jubilado e conhecido amigo do Futebol Clube do Porto. Em pleno processo de investigações do Apito Dourado disse, em declarações públicas, que a montanha iria parir um rato. O experiente obstetra deste mundo pouco salubre da bola viu o seu desejo confirmado. Herculano também é presidente do Conselho de Disciplina da FPF e dissipou todas dívidas logo na primeira audição sobre o caso do atraso do Porto no jogo com o Marítimo. Segundo o Record, o que o juiz queria saber de Fernando, o jogador que só se lembra das dores uma semana depois de as sentir, era se o Porto também teria vencido o jogo caso tivesse entrado em campo na hora marcada. Como a resposta é impossível de dar e a pergunta era para um jogador do FCP, fica a parecer que o objetivo destas inquirições é o convívio. Onde também participou o vogal Ricardo Pereira, que, seguramente imparcial nestas guerras, foi advogado de Lourenço Pinto contra Carolina Salgado.
Não há, portanto, qualquer ansiedade para o Sporting. Ao contrário do dérbi, o resultado é mais do que certo e parece-me que não será “limpinho”. E, no entanto, não há qualquer dúvida que o Porto quis atrasar o jogo para daí obter vantagem. E que os regulamentos punem esse comportamento com derrota. Ficam a saber os árbitros: quando marcarem uma grande penalidade ao Porto, por causa de uma rasteira na grande área, terão de perguntar ao faltoso se aquela jogada mudaria o desfecho do jogo. Porque é assim que se faz justiça no futebol nacional.»

O futebol português mete-me nojo! –

Vila do Conde em polvorosa. O Rio Ave chega pela segunda vez à final de uma competição do futebol português. A Antena 1 deslocou meios para a cidade situada no distrito do Porto e promoveu, no seu programa da manhã, reportagens da cidade vilacondense. Oba oba, Carnaval antecipado! A vitória dentro de campo foi completamente gamada. Nada disto interessa aos vilacondenses. Fazendo jus ao pensamento do comum português no que às exibições dos  apitos concerne, ganhar roubado até é mais saboroso. Perdõem-me a linguagem: o caralho é quando se perde por causa do apito.

Na conferência de imprensa do Estádio dos Arcos, o professor pardal mostrou-se indignado. Com toda a razão. Pela lógica do castigo aplicado na terça-feira a Sérgio Conceição, Jesualdo Ferreira deverá ser castigado pelas declarações que proferiu. Para a Liga castigar treinadores por declarações sobre as árbitragens, basta apenas criticar um erro de arbitragem “Foi uma meia-final de uma das três competições do calendário nacional, que o Rio Ave, a jogar em casa com um relvado mau e com vento muito mau, dos quais não tem culpa, acabou por ganhar sem que nos possam culpar de alguma coisa. A meia-final não teve uma equipa de arbitragem à altura. O Sp. Braga foi prejudicado e todas as análises que possa fazer vão sempre recair na mesma personagem e naquilo que acaba por manchar o trabalho do Rio Ave, a quem felicito por estar na final. Fomos penalizados de uma forma pouco clara e pouco nítida. Tiraram-nos uma final”

Não querendo ser o advogado do diabo, enalteço a frontalidade demonstrada pelo presidente do Sporting de Braga no final da partida quando afirmou: “Tiraram-nos uma final, mas não nos movem do sentimento de busca e luta pela verdade desportiva, pelo que vamos fazer uma exposição para o CA sobre tudo o que se passou neste jogo de má memória para o futebol português, enquanto aguardamos pela nota com que este senhor do apito será brindado. Esta Liga tem de parar de prejudicar o futebol português! Os discursos são muito bonitos e falam muito da indústria futebol, mas que serviço estão estes senhores da Liga – pagos e bem pagos, refira-se – a prestar ao nosso futebol quando autorizam que uma meia-final se realize num campo que nem de ‘batatal’ merece ser chamado? Isto é promover o espetáculo? Isto é proteger os jogadores? Não, isto é próprio de um organismo que não faz cumprir as leis e que acha que vive num mundo à parte e com regras próprias” – tais declarações só me fazem concluir que as propostas apresentadas pelo presidente do Sporting fazem todo o sentido.

rui silva

Já o adjunto do Rio Ave Rui Silva deu uma de puritano ao afirmar: O nosso líder merece esta vitória porque trabalhou muito por ela. É uma vitória do grupo e ele merece isto. Desde início do campeonato que não falamos em lances da arbitragem. Há lances difíceis de analisar e também os houve na área contrária”. – não comentar as arbitragens realizadas em jogos em que se é beneficiado pela mesma parece ser a postura politicamente correcta da actualidade do futebol português. Desculpe? Quais são os lances em que teve dificuldade de analisar? O lance em que o seu atleta caiu sozinho na área e ainda teve o displante de pedir grande penalidade? O lance em que o seu jogador corta uma bola com a mão na área? Vai-me perdoar Rui Silva, mas declarações como as suas não podem ter lugar no futebol português. Seria portanto uma atitude para com o futebol português e para com o adversário admitir aquilo que toda a gente viu.

Pré-Derby ou Pré-Derbys

Ainda decorre na sede da FPF em Lisboa a reunião do Conselho de Disciplina do referido organismo. Em análise está o atraso do FC Porto no jogo frente ao Marítimo a contar para a Taça da Liga. Ao que se sabe, o FC Porto veio a Lisboa defender a sua versão através de Antero Henrique e Fernando. O jogador foi o alibi utilizado pelo clube na sua defesa por escrito. Nesta, o clube alega que o atraso cometido no referido jogo se deveu ao facto de ter sido necessária a realização de exames extraordinários ao jogador nos minutos que antecederam o jogo para se ter a certeza de que poderia ser utilizado no mesmo. Boatos que tem surgido nas últimas horas dão conta que os membros do CD\FPF estão mais inclinados para a prescrição de uma multa ao clube da invicta ao invés de puni-lo com a derrota no jogo, sanção máxima que pode ser aplicada neste caso pelos regulamentos da competição.

Superbock! Fresquinha! #50

Tudo ao Molho! –

Rui Santos é um tudólogo no que a futebol diz respeito. Rui Santos diz o que sente, o que não sente, o que lhe dizem, o que vê, o que não vê, o que prevê e o que não prevê.

Das duas uma: ou Rui Santos recebeu as informações correctas sobre o caso e quis dar uma de Marques Mendes em semana que antecede uma reunião decisiva do Conselho de Ministros (um daqueles palpites certeiros de totobola nos quais o baixote sabe sempre as medidas que serão decididas na dita reunião bem como os milhões envolvidos; tudo ao cêntimo, diga-se), ou tudo o que o caracolinhos afirmou ontem na Sic N não passa de uma louca alucinação tida durante o sonho da siesta da tarde ou de um chuto mal dado de garrote em riste como às vezes faz transparecer usar em algumas das opiniões que emite.

A ser verdade, temos aqui uma situação curiosa:

1. o delegado da Liga presente no jogo do Dragão escreveu no seu relatório que foi aos balneários do FC Porto pedir para que a equipa entrasse no túnel dentro da hora programada de forma ao início do jogo realizar-se à mesma hora do início do jogo de Penafiel. Facto que não deverá ter acontecido de forma propositada. No dia seguinte, a Liga, a mando do seu presidente, acossado nos últimos meses por um movimento de clubes liderado pelo FC Porto que exige a sua destituição do cargo, descarta responsabilidades sobre o sucedido e remete o assunto para o CII (Comité de Instrução e Inquéritos) que por sua vez poderá desencadear um processo de investigação sobre o sucedido e remeter um relatório para o Conselho de Disciplina da FPF, órgão ao qual pertencerá a decisão final. Ou seja, Mário Figueiredo tratou de não agitar ainda mais as águas que o querem sacar do cargo que actualmente ocupa.

2. Pelas costas, seguindo as declarações de Rui Santos, o CII envia um relatório bem açucarado para o CD\FPF no qual indica que o atraso provocado pelo FC Porto no referido jogo foi propositado, facto que poderá motivar o CD\FPF a decretar a perda dos 3 pontos obtidos na partida em questão por parte do clube e a consequente passagem do Sporting à próxima fase da prova. Neste cenário, Mário Figueiredo manda a sua sapatada ao aperto que está a sentir por parte do dito movimento de clubes que o quer destituir e subtilmente pede auxílio ao único aliado com influência que ainda o pode salvar, o Sporting.

3. E o dossier chega às mãos de um dos organismos que vive dentro do feudo do Rei Gomes. Como se sabe, o Rei Gomes é macaco. Não quer confusões com nenhum dos grandes. Quer sim os cofres da FPF cheios e uma falsa harmonia no seio do organismo. Nem que para tal se tenha que viciar um sorteio de forma a colocar o Porto e o Benfica nas meias-finais da Taça de forma a jogarem mais 2 vezes este ano, logo, a arrecadarem mais receitas para o organismo por via de 1\3 da receita de bilheteira obtida nesses mesmos jogos bem como de mais receitas com direitos televisivos. Antigo administrador do FC Porto, ao Rei Gomes não interessa pessoalmente prejudicar o FC Porto porque, como já diz o ditado, “quem cospe no prato ondeu comeu” pode ter dissabores. Decerto que na torre das Antas não faltarão pedragulhos do passado para atirar ao presidente da Federação bem como as habituais chantagens do costume. Como a que fizeram com Deco em 2004 depois da célebre expulsão contra o Boavista. Por outro lado, nos últimos meses, nota-se que o Rei Gomes também tem estado muito próximo de Bruno de Carvalho de forma a gerir todas as sensibilidades presentes no dirigismo português. Até porque o Sporting é um clube com influência e a Assembleia Geral da FPF é composta por 84 delegados, todos eles munidos do direito de iniciativa e do direito de voto. Nunca se sabe portanto quando é que as coisas se podem encarriçar para uma moção de censura ao próprio presidente da Federação.

A batata quente passou claramente para o lado do CD\FPF e para as mãos do presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Este tem até terça-feira para conseguir arranjar uma solução que agrade a gregos e troianos numa situação bastante bicuda onde não vejo uma solução capaz de cumprir esse requisito. Teremos que esperar pelas cenas do próximo capítulo.

P.S (ou melhor P.P de Pedro Paredes via facebook) – “Se o Caracolinhos inventou aquela merda, também leva umas mocadas.” – Sim meu caro: depois colocamos as culpas na Praxe e o assunto está resolvido. 

Superbock! Fresquinha! #43

liga 1

liga 2

Ainda sobre as ocorrências de ontem:

Como não seria de esperar, Mário Figueiredo foi ávido a sacudir a água do capote. Acossado pelo movimento de clubes que tem como missão destituí-lo do cargo, movimento que tem como mandante a direcção do FC Porto, o presidente da Liga, qual bombeiro eficiente, tratou de prevenir o incêndio antes que as piriscas voltem a atear a lenha que ameaça arder no seio do organismo.

Este comunicado da Liga também é interessante de analisar noutra questiúncula levantada a meio da semana. O documento que o Sporting Clube de Portugal levou para discussão em vários órgãos (entre os quais a Liga e a FPF) contempla uma medida que visa tornar públicos os relatórios dos delegados de jogo designados para o efeito. Tomando em conta as palavras de Vitor Pereira “o documento não trará melhorias ao futebol português”, pode-se dizer que caso o relatório do delegado presente no jogo entre FC Porto e Marítimo poderia a ajudar a esclarecer os espectadores e as restantes equipas em disputa (em particular, o Sporting) dos motivos que levaram ao atraso da partida ontem disputada no Dragão. Vejo aí portanto uma melhoria que ainda não é posta em prática pelos referidos organismos.

Um procedimento de inquérito pode ser aberto pela Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga ou por demais interessados, sendo que a decisão final da pena a atribuir (em caso de envio) pertencerá sempre ao Conselho de Disciplina da Federação, órgão de encaixe de um organismo (FPF) que, em português correcto, se está nas tintas para a competição em causa e, por vontade do seu presidente, decerto já a teria extinto do calendário de competições do futebol português. Como sanção máxima, o Porto pode ver os 3 pontos conquistados ontem subtraídos. Parece-me portanto que qualquer procedimento aberto vai resultar num osso, ou, pelo timing normal de cumprimento dos trâmites a que nos habituámos na justiça desportiva em portugal, tendo em conta que a eliminatória das meias-finais da prova realizam-se a 12 de Fevereiro, no agarrar de um grosso.

Superbock! Fresquinha! #30

Esta cerveja enfeitiçou-me!

É uma vergonha. É uma vergonha. É. Uma. Ver. go. nha. Não me venham agora com a desculpa que aquilo saiu erratica e involuntariamente da boca da moça porque a combinção em questão poderá ter sido aquela que saiu no ensaio do sorteio. Até porque, como nesta competição, os sorteios são realizados no molde de todos contra todos, os sorteios não precisam de ser ensaiados. A cara da moça diz tudo: esboçou um tímido sorriso e ficou estupefacta com o papel na mão. Cara de tacho. Já agora, interessante também é o tempão com que ela ficou com a bola na mão. Estaria a apalpá-la para sentir o quente?

Este sorteio foi a prova viva da mais pura manipulação do futebol português. Começo a desconfiar que o Benfica vs Sporting do passado mês de Novembro foi tudo menos um acontecimento virgem. #nãoacreditoemnadadestamerda.

Superbock! Fresquinha! #11

Tudo ao Molho! – Os jogadores do Arouca não treinaram hoje. Estiveram duas horas reunidos numa sala do complexo desportivo do clube. Começam cedo os problemas dos € na liga desta época.

Esta Cerveja enfeitiçou-me! – Bateu bem fundo. Acusou taula na cabecinha. A polícia identificou e capturou o tipo que assaltou a Federação Portuguesa de Futebol por intermédio de uma telha que segundo quem sabe até dava acesso a um gabinete do DCIAP de Lisboa, paredes-meias com a FPF. Pelos vistos só levou alguns equipamentos desportivos. Um lelo qualquer da banha da cobra de Carcavelos. Continua portanto por esclarecer como é que desapareceu o portátil do Rei Gomes. Se calhar esse pormenor não interessa saber. Dá muito trabalho. Arrumam com o gajo na pildra e acabam-se às perguntas. Mesmo à tuga, mesmo à FPF.

Superbock! Fresquinha! #5

Que raio de cerveja é esta? – Aproveitando o momento, a poucas horas do início do Portugal vs Suécia, cumpre-me anotar aqui algumas palavras sobre a Liga e sobre a Federação Portuguesa de Futebol. Na Liga, Mário Figueiredo está em xeque. Dito de outra maneira, Mário Figueiredo nunca esteve perfeitamente instalado no cargo. Eleito com 27 votos contra 21 do seu oponente, sem qualquer voto dos grandes do futebol português, ao contrário do que muitos afirmam, incorreu numa espécie de vício da verdade, críticando sem medo alguns dos podres do futebol português.

P0nto 1: Se no seu mandato apresentou como objectivo a alcançar no mandato o aumento das receitas do organismo por via da entrada de novos patrocinadores para as duas ligas profissionais (objectivo que já cumpriu nesta temporada e nas próximas com a entrada da Cabovisão como patrocinador da 2ª liga nesta temporada, patrocinador da 1ª liga nas próximas temporadas e patrocinador de estádio da Liga com a instalação de placas atrás das balizas dos estádios da Liga) “mandatariamente” não se podem imputar grandes culpas ao presidente da Liga e vice-presidente por consorte em virtude da presidência do organismo.

A colocação das placas publicitárias atrás das balizas nas primeiras jornadas da Liga, cumprindo o Regulamento das Competições da Liga Portuguesa de Futebol (ver artigo 62º alínea 3) suscitou reacções negativas por parte de alguns clubes como o FC Porto, Vitória de Setúbal e Paços de Ferreira, chegando inclusive os portistas a fazerem uma queixa na Comissão de Inquéritos e Investigação da Liga por violação estatutária, queixa essa que seria dada como indiferida, dado o conteúdo estatutário presente no Artigo 62º. Se juridicamente, o FC Porto não teve qualquer razão no procedimento jurisdicional colocado, financeiramente contestou mais uma fonte de receitas angariado pelo mal-amado presidente do Organismo.

Ponto 2: Políticamente, Mário Figueiredo criticou o funcionamento do Conselho de Arbitragem directamente e a FPF indirectamente. Afirmou à comunicação social o advogado de 45 anos: “O problema na arbitragem não está na profissionalização, mas na forma como é gerida. Em Portugal, a arbitragem parece viver em monarquia, num tempo feudal em que tudo é secreto, em que ninguém sabe como são feitas as avaliações e que resultados dão. É pouco transparente. As nomeações são feitas às escondidas, sempre em cima dos jogos e muitas vezes são incompreensíveis (…) Não houve ganho algum com a passagem da arbitragem da Liga para a FPF. O objetivo era melhorar e isso está longe de ser alcançado. Mas atenção, o problema da arbitragem não está nos próprios árbitros, que mostram coragem e brio na execução da sua profissão, mas sim na forma como são geridos”

Como sempre, a imprensa portuguesa fez logo questão de distorcer as palavras do presidente da Liga, afirmando que este “considerou a FPF”, órgão do qual é vice-presidente “uma monarquia”, quando de facto, se referia exclusivamente ao Conselho de Arbitragem, em declarações, que, eu subscrevo por inteiro.

Tudo ao Molho! – Mário Figueiredo teve a coragem de expressar publicamente tudo aquilo que muitos sentem. Dada a actuação do Conselho de Arbitragem, ainda hoje não sabemos os critérios de selecção para a nomeação dos árbitros. Ainda hoje, o aficcionismo do futebol não tem conhecimento dos relatórios de observação dos árbitros. Ainda hoje, os árbitros não vem a público (salvo raras excepções ao longo dos últimos 15 anos) comentar as suas decisões ou desculpar-se pelos seus erros com influência directa nos resultados. Ainda hoje, não vêmos ninguém ligado à arbitragem vir a público mencionar as habituais pressões a que os árbitros são sujeitos em alguns campos e outros fenómenos frequentes como actos de intimidação, suborno ou chantagem.

Daí até considerar que a FPF uma “monarquia”, como muitos jornalistas tentaram vender estas declarações, vai um caminho muito longo. Contudo, creio que se Mário Figueiredo tivesse expressado tal ideia, também não andaria longe da verdade. Se a FPF não é uma monarquia então o que é?

Ponto 3: Voltamos atrás na história da Federação Portuguesa de Futebol.

– 1979\1980 – Morais Leitão, presidente durante esses anos da Federação Portuguesa de Futebol sai da presidência do Organismo para o VI Governo Constitucional liderado por Francisco Sá Carneiro. Posteriormente seria nomeado Ministro das Finanças no governo seguinte ao de Sá Carneiro liderado por Pinto Balsemão após a morte de Sá Carneiro. Havia portanto na época uma generalizada utilização de agentes vindos do futebol para a política. O futebol era um espaço onde os partidos políticos buscavam celebridades para o apoio das suas candidaturas e para legitimação democrática – os partidos de direita, acusados pela esquerda de serem os herdeiros do pesado fardo da ditadura, procuravam superar esse mesmo fardo com o apoio de agentes ligados ao futebol.

– Gilberto Madaíl foi deputado pelo PSD e Governador Civil de Aveiro. Posteriormente foi presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Permaneceu no cargo durante 15 longos anos, sucumbindo a vários escândalos. Desde o caso Paula ao caso Kennedy, passando pela falta de supervisão durante longos anos naquilo que se viria a tornar o “Caso Apito Dourado”, do “Caso Sá Pinto” aos sucessivos celeumas provocados pelos comportamentos do Seleccionador Carlos Queiroz no estágio que antecedeu o Mundial de 2010, quando agrediu os agentes da ADoP num controlo anti-dopagem realizado aos jogadores da Selecção em Óbidos. Durante 15 anos assistimos à incompetência do Rei Madaíl, amplamente criticada por várias correntes de opinião jornalística, amplamente críticada por alguns dos seus ex-vice presidentes (como António Boronha) mas, sem que alguém mexesse uma palha para alterar\derrubar o poder\mandato do antigo presidente dsa FPF. O que é certo que é o Rei Madaíl era constantemente acusado de incompetência, de “tachismo”, de “comedorismo” mas ninguém no futebol português, em particular nos agentes com assento na AG da FPF fez o quer que fosse para acabar com tamanha “monarquia”.

Ponto 4: O antigo vice-presidente do FC Porto Fernando Gomes, antigo presidente da Liga, fez questão de subir de “princípe do futebol português” a REI quando o Rei Madaíl fechou a loja. Interessava-lhe tal subida dado o novo Regime Jurídico das Federações Desportivas, documento que até demorou as estopinhas a ser aprovado e que de resto, se não fosse aprovado, iria retirar o estatuto de utilidade pública ao organismo, facto que a consumar-se, seria uma fonte de receita a menos para o organismo.

Desde a subida do Rei Gomes ao poder, na minha opinião, este não tem feito mais do que aquilo que os déspotas iluminados faziam no século XVIII. Ou seja, encher os cofres federativos com grandes somas de dinheiro (provas disso foram os rídiculos amigáveis que a selecção portuguesa andou a fazer em Boston e no Gabão) para depois distribuir esse mesmo dinheiro por lacaios do seu séquito (em luxuosos salários) cuja única capacidade que tem a oferecer ao seu Rei é o garante dos seus interesses junto dos clubes e das Associações de Futebol. Uma espécie de paz podre.

Já que puxei Francisco de Sá Carneiro para esta conversa, o falecido primeiro-ministro tinha uma velha máxima, vinda talvez da sua experiência enquanto partidário do único Partido permitido pelo Regime do Estado Novo, a União Nacional: “uma maioria, um governo, um presidente”.

É neste fogo cruzado onde encontramos Mário Figueiredo. Colocou as placas, recebeu uma queixa do Porto. O seu organismo indiferiu a queixa do Porto, comprou uma guerra com o FC Porto. Sabendo que o FC Porto já tem um dos seus antigos vice-presidentes na FPF (o presidente), quer alcançar a maioria através do governo, demitindo Mário Figueiredo para colocar o seu candidato Rui Pedro Soares, actual accionista maioritário da SAD do Belenenses, curiosamente, Dragão de Ouro.

Esta jogada tem a sua pertinência. Numa altura em que a Benfica TV (quer queiramos quer não) foi um sucesso ao nível de angariação de assinantes após a passagem a canal codificado, poderá comprar as transmissões em casa de outros clubes cujos direitos pertencem à Olivedesportos, fez dividir o monopólio do “portista” Joaquim Oliveira (Olivedesportos), e principalmente numa altura em que o governo voltou a garantir o estatuto de utilidade pública à transmissão de jogos da Liga Portuguesa  (obrigando a televisão pública a transmitir jogos dos 5 maiores clubes em sinal aberto na RTP; facto que irá obrigar o Benfica as transmissões de 3 jogos em casa) creio que existe aqui uma jogada cruzada vinda do Norte para travar os planos de sustentabilidade financeira da Benfica TV e consequentemente os lucros que o Benfica poderá auferir do seu canal de televisão.

Se isto não é a construção de um regime monárquico no futebol português então o que é? Talvez uma autocracia, onde o poder pertence a um só, neste caso, Jorge Nuno Pinto da Costa, através do controlo da sacra trindade que “comanda” os destinos do futebol nacional: Liga, Federação e Olivedesportos.

Superbock! Fresquinha #4

Que raio de cerveja é esta? – Momento hilariante de ouro na televisão Portuguesa. Ontem. RTP Informação. Na habitual conferência de imprensa da Selecção, o jornalista da RTP destacado para cobrir o acontecimento fartou-se de elogiar o “crescido cabelo” de Pepe, chegando mesmo a dizer que o seu novo corte (normalíssimo, como bem sabemos) fazia confundir o jogador com outros como Willian (Chelsea) ou Axel Witsel (Zenit).

Quando Pepe chegou à sala de imprensa, a primeira pergunta desse mesmo jornalista foi: “Pepe, explique-me lá o porquê desse corte de cabelo?”, ao que Pepe respondeu algo como “Deixei crescer o cabelo porque a minha filha gosta de tocar-me nos caracóis” – elucidativo!

Tudo ao Molho! – Sem desrespeito algum pela classe jornalística. Os comentadores desportivos de ambos os lados da barricada andam a dar excessiva importância ao jogo entre Zlatan e Ibrahimovic. Como se a vaga para o mundial fosse decidida por duelo real de FIFA Street Soccer entre os dois craques. Em Portugal, Zlatan é uma espécie de anti-cristo. Um demónio a exorcizar. Nunca vi tanto medo transparecido no comentário desportivo acerca da prestação de um único jogador contra a nossa Selecção. Contudo não é um medo descabido. O que aconteceu aqui à Alemanha, poderá facilmente acontecer à Selecção Portuguesa nos jogos que se avizinham. Contudo não posso deixar de constatar que a maior ameaça da Selecção Sueca vem do seu fortíssimo colectivo. Colectivo que Portugal infelizmente não tem. Já devíamos saber, por experiência própria, pelo conhecimento adquirido que temos do estilo de jogo das equipas nórdicas (afinal de contas, já jogámos vezes sem contas contra as 5 selecções nórdicas nos últimos anos) que estas fazem do colectivo a sua maior arma. São selecções cuja arma individual reside sempre nos avançados. Tirando essa individualidade, colectivamente, apresentam um meio-campo recheado de jogadores com bom toque de bola, boa qualidade de passe e rigor táctico e uma defesa com jogadores muito altos, bons no jogo aéreo e muito pragmáticos ao nível de decisão, ou melhor, dito por outras palavras, que não tem pejo nenhum em atirar a bola para as bancadas as vezes que for preciso.

Esta selecção Sueca é exemplo disso. Dois talentos individuais na frente (Zlatan e Toivonen) um meio-campo cheio de elegantes armadores de jogo que não descuram a vertente táctica (Kallstrom, Wernbloom, Anders Svensson) e uma defesa composta por jogadores altos e eficázes nas tarefas defensivas (Granqvist, Jonas Olsson, Per Nilsson). Ocorre porém que esta selecção tem algum veneno nas laterais. Tanto o lateral-esquerdo do Celtic Glasgow Mickael Lustig como os alas Sebastien Larsson e Rasmus Elm são jogadores com inegáveis capacidades de cruzar com qualidade para a área.

Na imprensa Sueca, destaca-se a fotografia de primeira página que a direcção Editorial do jornal diário “Aftonbladet” publicou ontem. Uma forma de colocar pressão em Cristiano Ronaldo que decerto não irá causar grande mossa na moral do jogador e, que, por outro lado, revela que os suecos temem o internacional português numa escala superior ao temor que sentimos por Zlatan.

Esta cerveja enfeitiçou-me… – Enquanto Mário Figueiredo já está a arrumar a sua secretária e o duelo de palavras entre os grandes da capital continuará até Setembro de 2017, processei com alguma calma as palavras do árbitro Madeirense Marco Ferreira à RTP Madeira. Fiquei espantado com a posição do juiz madeirense em relação a alguns pontos críticos da arbitragem portuguesa, concordando com algumas das opiniões expressadas. Vejo com bons olhos a exposição pública dos relatórios de observação dos árbitros assim como a possibilidade destes prestarem declarações públicas com maior frequência. Duas ideias muito válidas para aplicar no quadro de profissionalização instaurado pela FPF e pela APAF.