Curiosidades da Champions

José Mourinho continua a acumular recordes ao seu currículo e à lista dos recordes portugueses (lembro que Ronaldo já igualou o recorde de golos marcados numa época com 14 golos, a primeira marca pertence a Messi, na época 2011/2012) com a passagem às meias-finais da Champions, o que mantém o treinador português 100 por cento vitorioso no que diz respeito a trajectos nesta competição até aos quartos de final (passagem de eliminatórias), sendo esta a oitava vez que Mourinho carimba a passagem para as meias da competição.

Curiosidade é o facto de no jogo de ontem terem sido dois substitutos aos habituais titulares a decidirem o jogo (Schurrle e Demba Ba), o que motiva ainda outra curiosidade pois é a primeira vez esta época que dois suplentes marcam e decidem um jogo.

Digam o que disserem, eu próprio já tinha crucificado o Chelsea nesta eliminatória e nunca pensei que viesse a dar a volta, no entanto a vitalidade do golo marcado em Paris e o discurso correcto e motivacional de Mou ao longo da semana fez com que a história se escrevesse de outra forma.

Por outro lado, em Espanha o Real também quebra recordes e ontem viu-lhe ser atribuída a passagem à sua 30ª meia-final europeia, no entanto e por ter perdido o jogo por 2-0 com o Dortmund, ficou arredado da sua série de 34 jogos consecutivos a marcar.

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foto do dia

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As acções assassinas de Sergio Busquets. Cada vez mais me convenço que o trinco só tem lugar nesta equipa do Barcelona pela capacidade notória que tem de dar pau, provocar adversários e agir da maneira porca como age. Não é que Pepe seja um santo, porque não o é. A pisadela de Busquets ao internacional português é simplesmente vergonhosa e vergonhosa também se deve considerar a passividade de Alberto Undiano neste lance, admoestando Pepe e Fabrègas com o amarelo. O trinco do Barcelona conseguiu ultrapassar a expulsão em mais um clássico.

Momentos-chave da partida:

    A espantosa exibição de Di Maria na primeira meia hora da partida. Slaloms geniais nos quais levou meia defesa do Barcelona. 2 assistências perfeitas para Benzema, precisamente pelo lado de Daniel Alves. O brasileiro não costuma dar abévias do género mas, ontem, foi literalmente comido de cebolada pelo argentino naqueles dois lances. Foi o único capaz de colocar velocidade, rapidez e criatividade no futebol ofensivo do Real Madrid durante toda a partida. Gastou as balas todas na primeira parte (nos festejos do golo do empate sentiu-se sem fôlego) e na segunda, eclipsou-se em virtude do enorme esforço dispendido no primeiro tempo.
  • Se DiMaria construiu, Benzema bem finalizou. 2 espantosos movimentos de área para 2 golos muito interessantes. No primeiro ganhou no ar a Mascherano. No 2º, abriu para o lado e desmarcou-se sem que o argentino ou Piqué estivessem com atenção às suas movimentações. Poderia ter apimentado ainda mais a noite quando minutos depois do 2-1 conseguiu tirar 2 jogadores do Barça do caminho na pequena área com uma recepção orientada a cruzamento de DiMaria na direita. Valeu Piqué nesse lance ao conseguir cortar na linha-de-golo.
  • Lionel Messi e a falta de pressão do meio-campo do Real. Fabrègas e Neymar entalaram a defesa. Xabi Alonso e Luka Modric foram pouco pressionantes. O argentino recebeu a bola como quis no seu spot e no primeiro golo executou a jogada típica do Barcelona recebendo no centro, atraíndo para si toda a defesa madridista para depois libertar no tempo certo para a entrada de Iniesta pela esquerda. Quem fez a pressão a Messi foi Pepe. Ténue. Para travar o argentino só vejo uma hipótese: colocar um excelente central na posição de trinco para seguir o argentino tal e qual Mourinho fazia no ano passado com Pepe. Qualquer treinador que coloque um dos centrais a vigiar directamente o argentino e tentar jogar na antecipação ao jogo que chega ao argentino (como fez Pellegrini no jogo da primeira mão dos oitavos da Champions com Martin Demichellis) arrisca-se a que o argentino brilhe e ainda tire a expulsão ao dito jogador.
  • Sérgio Ramos e Xabi Alonso – Não consigo acreditar como jogadores tão experientes foram capazes de cair em tamanho conto do vigário. No penalty cometido pelo central, as imagens mostram que Neymar isola-se mas ainda tem que driblar Diego Lopez, podendo atirar para a baliza deserta ou para a baliza com a cobertura de Marcelo porque o brasileiro vinha em recuperação. Mesmo que Neymar fosse rapido o suficiente para chegar à bola, tirar o guardião merengue da jogada e rematar antes de Marcelo conseguir recuperar ao ponto de poder cobrir a baliza a um eventual remate do seu compatriota, sabendo que um golo de Neymar faria apenas o empate (resultado favorável em certa maneira aos interesses da equipa de Ancelotti) – com a expulsão e respectivo penalty, ofereceu a vitória de bandeja aos blaugrana. O mesmo se deve referir do penalty cometido por Xabi Alonso. Com 2 jogadores a tapar o caminho a Iniesta, o médio espanhol só tinha que entalar o seu colega de selecção no lance em vez de o ceifar no pé de apoio à descarada.
  • Cristiano Ronaldo e Gareth Bale – se alguém conseguir descobrir nem que seja o ego destes dois no relvado do Santiago Bernabéu, a malta agradece. Em tamanho espectáculo de futebol, foram duas autênticas almas penadas.
  • A necessidade de um trinco – Busquets não faz pressão, raramente se insere na movimentação ofensiva da equipa mas dá pau, muito pau. De mau o menos, o catalão não deixa ninguém jogar. Modric e Alonso tiveram várias vezes de ir às alas ajudar Carvajal ou Marcelo a lidar com Iniesta\Alba (quando lá caiu; na 2ª parte optou por um posicionamento mais central) e Neymar\Alves, descurando a zona central, ou compensar a subida dos laterais. Numa equipa na qual Gareth Bale e CR7 pouco ou nada colaboram nos processos defensivos, as movimentações defensivas destes dois jogadores da dupla de centrocampistas do Real acabou por ser um autêntico pau de dois bicos: se iam às laterais ajudar os seus laterais perante a superioridade numérica manifesta pelos Catalães nos flancos, Xavi e Messi apareciam tranquilamente sem blocos de pressão no centro do terreno. Se pressionavam no centro, nas alas era literalmente um “ai jesus” – Khédira está lesionado, Illarramendi ainda não é aposta para este tipo de jogos. O velhinho Essien pela capacidade que tem de ajudar a estancar os flancos dava cá um jeito…

 

Sorteio da Champions e da Liga Europa

CL

Quartos-de-final

Nesta fase da prova pode-se dizer que quem chegou até aqui, tem capacidades para eliminar qualquer adversário. Os quartos-de-final desta prova são, na minha opinião, a eliminatória mais espectacular da mesma. Basta recordar por exemplo a espectacularidade que eliminatórias como Galatasaray vs Real Madrid ou Borussia de Dortmund vs Málaga deram na edição do ano passado, com reviravoltas quase imprevisíveis, uma delas consumada, no caso do Dortmund.

road to lisbon

Com a final de 24 de Maio no horizonte, no Estádio da Luz, os quartos-de-final trazem-nos 4 excitantes eliminatórias:

  • Barcelona vs Atlético de Madrid
  • Real Madrid vs Borussia de Dortmund
  • Paris Saint Germain vs Chelsea
  • Manchester United vs Bayern de Munique

Exceptuando a eliminatória que vai opor os Red Devils ao Bayern de Munique (não creio que o United tenha de todo bagagem suficiente para eliminar a equipa bávara), todos os restantes jogos são jogos de tripla.

Barcelona vs Atlético de Madrid

Missão espinhola para os catalães. As duas equipas espanholas, respectivamente 2ª e 3ª na actual classificação da La Liga (o Barcelona poderá recuperar a 2ª posição amanhã caso vença o Real no Bernabeu e caso o Atlético escorregue frente ao Bétis no Benito Villamarin ou o Atlético poderá ser o maior beneficiário de uma vitória culé em Madrid, ascendendo à 1ª posição em igualdade de pontos com a equipa de Cristiano Ronaldo) farão, para a Champions, o 4º e 5º embate da temporada. Faltando um jogo por disputar (na 38ª e última jornada da Liga Espanhola, jogo que poderá ser decisivo para as aspirações ao título de ambas as equipas se ali chegarem em condições de se sagrarem campeãs), o saldo de confrontos realizados por estas duas equipas augura bastante equilíbrio para a eliminatória europeia. Nos dois jogos realizados para a Supertaça Espanhola em Agosto, ambas as partidas redundaram em empate (1-1 no Vicente Calderón e 0-0 em Nou Camp), acabando por vencer o troféu a equipa de Tata Martino em virtude do golo marcado em Madrid. Nessa altura, as fantásticas exibições demonstradas pela equipa de Simeone, os primeiros jogos sem Falcão, anunciavam, ao contrário do que previa com a saída do colombiano para o Mónaco, um Atlético de Madrid diferente, capaz, em muitos anos de lutar pelo campeonato espanhol. Para o campeonato, no Vicente Calderón, um novo empate a zero bolas na 19ª jornada confirmou novamente o equilíbrio.

Dois estilos diferentes. O tiki-taka do Barcelona (bastante mais atacante e com menos contenção de bola, na era Tata Martino) frente à retranca inteligente de Simeone. Uma equipa que gosta de circular bola e capitalizar todos os erros defensivos das equipas contrárias, apostando ora nos desequilíbrios que Messi consegue efectuar pelo centro do terreno, conseguindo jogar sempre no limite (ou tira o adversário com um toque subtil quando este está perto de desarmar ou fazer falta, ou consegue enfiar as bolas para as costas da defesa no limite do desarme), ora pelos desequilíbrios que Iniesta e Neymar conseguem fazer pelas alas\alas-centro do terreno no caso de Andrés Iniesta. Se o brasileiro consegue trocar as voltas aos adversários com o seu drible desconcertante, o centrocampista titular da selecção espanhol é um 10 em 1 ao nível de soluções de jogo, graças ao seu poder de aceleração, ao seu drible rasgado, às movimentações que habitualmente faz para o interior da área de forma a aparecer em zona de finalização e à fantástica visão de jogo que possui. Iniesta é para mim o médio mais completo da actualidade do futebol mundial.

Já o Atlético de Madrid possui 3 características muito preciosas que podem irritar a equipa catalã:

  • O seu equilíbrio, organização e posicionamento defensivo. Uma equipa tendencialmente a defender com 9 atrás da linha da bola, bem organizada, com linhas muito juntas, a não dar espaços para jogar e com uma dupla de centrais (Miranda e Godin) quase sempre irrepreensível no desarme tanto pelo chão como pelo ar.
  • Se há coisa que os jogadores do Barcelona odeiam é não ter bola nos pés. A inteligência do meio-campo de Simeone (Gabi, Koke, Arda Turan, Raul Garcia) é capaz de retirar a posse a qualquer equipa e irritá-la profundamente com a sua contemporização de jogo quando a equipa necessita de travar o ímpeto do adversário e acelerar o jogo quando convém (o Atlético é a equipa com melhor contragolpe na Europa neste momento).
  • Um autêntico quebra cabeças na frente. Diego Costa “come o cérebro a qualquer central” – Piqué e Mascherano terão muitas dificuldades para travar o brasileiro. Este deverá “picar-se” com o argentino para “lhe fazer saltar a tampa” – com alguns, o brasileiro agora naturalizado espanhol conseguiu tirar os devidos frutos das picardias armadas. Com outros, como o caso de Pepe e Arbeloa, o “colchonero” saiu muito mal na fotografia.

Aposto numa eliminatória muito equilibrada, com direito a prolongamento no jogo da 2ª mão.

Real Madrid vs Borussia de Dortmund

lewandowski

Reedição da eliminatória das meias-finais da edição da temporada passada.

As condições estruturais actuais das equipas inverteram-se em relação às condições estruturais existentes em Abril do ano passado. Enquanto por um lado, o Borussia de Dortmund vivia o expoente da era Klopp, em Madrid, o egocentrismo de José Mourinho, com o treinador português já planear a fuga antecipada ao contrato assinado com Florentino Perez, minava por completo o balneário merengue (as tricas com Sérgio Ramos e Iker Casillas; a conturbada relação do setubalense com a imprensa espanhola) e a equipa, no rectângulo de jogo, não correspondia minimamente ao seu talento, vivendo quasi dos momentos de génio de CR7. Nas meias-finais da prova, o futebol objectivo do Dortmund, bem construído por Reus e Gotze (entretanto vendido ao Bayern) e bem finalizado por Robert Lewandowski (o primeiro reforço dos Bávaros para a próxima época) redundou numa derrota copiosa de Mourinho na eliminatória, com o polaco a assumir o papel de carrasco no jogo da primeira mão no Westfallen Stadium com um fantástico póquer na vitória por 4-1 dos germânicos. O tardio 2-0 dos espanhóis na 2ª mão foi insuficiente para sonegar a final à equipa de Jurgen Kloop.

Hodiernamente, os papéis inverteram-se. Carlo Ancelotti venceu o desafio Madrid e a equipa respira uma suprema confiança. Lidera a Liga com 4 pontos de vantagem e pode até, amanhã, arredar definitivamente o seu maior rival (Barcelona) da luta pelo título caso vença a equipa de Tata Martino no jogo do Santiago Bernabéu. O target-man do futebol merengue continua e continuará a ser (enquanto permanecer em Madrid) Cristiano Ronaldo. Contudo, a equipa ganhou colectivo e inteligência com Ancelotti. É indiscutível negar neste momento que o italiano não tenha devolvido a Madrid o bom futebol e a ambição que a história do clube, per se, exige a quem o representa. Com um meio campo extremamente inteligente e talentoso (Modric, Xabi Alonso, Isco, o lesionado Khédira) e com um ataque poderosíssimo e em excelente forma (Di Maria, Gareth Bale, Cristiano Ronaldo, Benzema, Morata, o lesionado Jesé Rodriguez) a equipa de Madrid, consegue, ofensivamente, praticar um futebol total com um leque vastíssimo de soluções e mecanismos de jogo, com epicentro na construção de Modric e Alonso, objectivo na finalização ora por parte de Ronaldo ou Benzema e meio na criatividade de Isco, Di Maria e Gareth Bale (o primeiro pelo centro, os segundos tanto pelo centro como pelas alas) através de processos muito simples e objectivos.

Em Dortmund, chegou ao fim a 1ª era Klopp. Creio que com a saída de Lewandowski no Verão, outros que tem acompanhado Jurgen Klopp nestes últimos 4 anos lhe irão seguir os passos. O futebol alemão é mesmo assim. Tirando o Bayern (a equipa mais regular nos últimos 20 anos de Bundesliga), os restantes grandes do futebol alemão (Estugarda, Hamburgo, Borussia de Dortmund, Schalke 04) vão vivendo fases boas e fases menos boas. As fases dependem de muitos factores: do dinheiro existente para investir numa equipa competitiva (relembro que na Alemanha todas as transferências tem que ser pagas a pronto), dos talentos que vem da formação dos clubes, das apostas que os clubes vão fazendo na sua política de transferências e nas apostas feitas com determinados treinadores. Relembro por exemplo que quando Jurgen Klopp foi contratado em 2008\2009, a meio de mais uma crise financeira do clube, os responsáveis do Dortmund estavam longe de imaginar que Klopp, um indivíduo com uma modesta carreira enquanto futebolista e até então treinador de um modesto clube da Bundesliga 2, o FC Mainz (clube que agora tem aspirações europeias na Bundesliga) seria capaz de pegar em meia dúzia de veteranos e meia dúzia de jovens com algum talento (Schmelzer, Grosskreutz, Hummels, Subotic, posteriormente Mario Gotze, Lewandowski, Lukasz Piszczek, Sven Bender, Nuri Sahin) e tornar a equipa bicampeã alemã em 2010\2011 e 2011\2012 e finalista europeia em 2013.

Com a saída de Gotze a equipa tornou-se bastante irregular. A batuta mudou para o criativo da equipa, de nome Marco Reus. É dos pés do antigo jogador do Borussia de Moenchagladbach que sai grande parte do perigo ofensivo desta equipa. O Dortmund joga a época nestes quartos-de-final. A continuidade na Champions poderá devolver o sonho europeu aos adeptos do clube e poderá salvar uma época desastrosa na Bundesliga. O dinheiro da Champions poderá garantir à equipa alemã um poderio financeiro capaz de relançar internamente a equipa na próxima temporada através da contratação de 2 ou 3 reforços de qualidade para as posições chave onde a equipa apresenta alguma carência (as alas e a frente do ataque com a saída de Lewandowski; Pierre Aubemeyang é um jogador talentoso mas não correspondeu minimamente às expectativas fantasiadas pela estrutura do clube aquando da sua contratação).

Uma eliminatória de encaixe homem-a-homem

  • Hummels e Subotic terão a missão de travar as movimentações de área de CR7. Cristiano Ronaldo não poderia ter melhor desafio pela frente visto que a dupla de Dortmund é uma das melhores duplas de centrais da Europa.
  • Schmelzer irá travar um excelente confronto com Gareth Bale. O lateral alemão adora atacar. O galês não pára de atacar. É com esta dupla missão que o alemão entrará em campo: ser profícuo a travar o galês e ser capaz de ir lá à frente executar os seus venenosos cruzamentos.
  • Marcelo vs Kuba – A ofensividade total do brasileiro contra a ofensividade total do polaco.
  • Na batalha de meio-campo, um churrilho de estrelas: Gundogan e Henrik Mkhitaryan contra Luka Modric e Xabi Alonso. 4 grandes tecnicistas. O turco é o único músculo de meio-campo destes se bem que o Croata está sempre em alta-rotação.
  • Lewandowski vs Pepe – O internacional português sabe o quão é difícil parar o polaco quando este embala em drible ou quando este consegue desmarcar-se na área. Não lhe poderá dar nenhum espaço. Com 1 centimetro de espaço, Lewandowski faz estragos.
  • Marco Reus – O joker. É um dos jogadores que mais adoro na actualidade. Completíssimo: capacidade de passe, visão de jogo, fantástico remate de meia distância, inteligência, poderoso no contragolpe. Em dia sim, vence um jogo sozinho.

Prevejo uma eliminatória equilibrada e uma vitória madrilena no final.

PSG vs Chelsea

O Cavalão vs O Cavalinho

Mourinho é o cavalinho. Blanc é o cavalão.

Mourinho entra sem pressão (já a retirou toda a pressão da equipa no que a esta época concerne quando afirmou que estava a construir uma equipa para vencer tudo no próximo ano) mas o que é certo é que apesar das suas constantes declarações, este Chelsea arrisca-se a vencer o campeonato e a Champions.

Laurent Blanc entra com pressão. O proprietário do clube parisiense dotou o antigo seleccionador francês de um plantel de sonho, bem recheado em todas as posições do terreno, para, dominar de forma avassaladora a Ligue 1 e conquistar o título europeu nesta ou na próxima época. ” O Nosso projeto ainda está em construção, mas a nossa ambição é ganhar a Champions League” – afirmou Blanc. Uma construção desmedida, um onze de sonho e muitas soluções no banco de suplentes: de Yohan Cabaye ao mago Lucas Moura, passando pelo rapidíssimo Lavezzi ou pelo tecnicista Verrati.

Batalha de meio-campo – Muito talento em ambos os conjuntos – Matic, Hazard, William, Lampard, Mikel, Oscar, Ramires de um lado. Thiago Motta, Marco Verrati, Cabaye, Matuidi, Pastore do outro. Todas estas soluções garantem força, pulmão, assertividade no passe, inteligência, visão de jogo e criatividade, muita criatividade, em particular, quando falamos de Eden Hazard, o verdadeiro mago desta equipa do Chelsea. Se bem que Oscar é um jogador que me agrada pela simplicidade de processos, pela rapidez que incute na equipa atráves do seu rápido pensamento de jogo e pela rapidez com que, recebendo a bola no meio-campo, não inventa, não engonha e quase sempre consegue descobrir uma excelente solução para dar continuidade à jogada.

Referências de ataque de sonho – Maior pendente para o PSG com Cavani e Ibra. Dois killers. Samuel Eto´o aparece em grande forma nesta temporada, tendo sido decisivo no jogo contra o Galatasaray e noutros desafios domésticos da equipa de Mourinho. Fernando Torres tem por seu turno a estrelinha de campeão. Quando entra, nos minutos finais, costuma ser decisivo. Assim o foi contra o Barcelona há 2 anos e contra o Benfica na final da Liga Europa do ano passado.

O duelo entre PSG e Chelsea será para mim o mais espectacular, futebolisticamente falando.

Manchester United vs Bayern de Munique

champions

O confronto mais desequilibrado destes quartos-de-final. Em breves palavras: à passagem da meia-hora da primeira mão tudo poderá estar decidido. A equipa de Guardiola decide, esmaga, humilha e no final sorri e agradece ao generoso público afecto. David Moyes deverá ter visto o purgatório e o inferno nas bolinhas do sorteio quando se apercebeu que irá defrontar o campeão europeu. Com um plantel desequilibrado, com a moral em baixa, e com uma equipa que neste momento pratica um futebol sem nexo, desligado entre sectores, pouco pressionante defensivamente, as hipóteses deste Manchester eliminar o campeão europeu são quase nulas. Os laivos de genialidade de Robin Van Persie atenuaram por completo uma eliminatória em que os gregos do Olympiacos mereceram mais mas foram muito perdulários no jogo de Old Traford. O mesmo não se irá passar nesta eliminatória: a equipa de Guardiola é absolutamente letal. Cada tiro, cada melro.

 

Liga Europa

Carlos Bacca

Porto vs Sevilla

Ainda no rescaldo de Napoli. Nunca pensei que este Porto fosse capaz de tamanha proeza. Mérito de Luis Castro, demérito da equipa Napolitana. O Porto segue para a casa de partida. Ou melhor, para um das casas de partida: Sevilla. Sanchez Pizjuan, o mítico estádio da capital Andaluz onde o Porto de Mourinho conseguiu o seu primeiro triunfo na competição, na altura, ainda denominada como Taça UEFA, naquele jogo de loucos frente ao Celtic de Glasgow de Henrik Larsson.

O Sevilla não era a equipa mais forte a sorteio. A Juventus e o Benfica seriam adversários muito mais fortes que a equipa sevilhana.

Vinda de uma eliminatória difícil contra o rival Bétis (derrota em casa por 2-0, vitória mesmo ao lado no Benito Villamarin por 2-0 com o triunfo na eliminatória a ser obtido na marcação de grandes penalidades) o Sevilla, actual 7º classificado da Liga Espanhola é uma equipa, no mínimo, inconstante. É uma capaz do pior e do melhor num curto espaço de tempo.

O Porto irá reencontrar Beto. O português é o titular da baliza sevillana e está na equipa andaluz em definitivo depois de ter cumprido a segunda metade de 2012\2013 por empréstimo do FC Porto. À sua frente Beto tem uma defensiva agressiva mas bastante inconstante. Tanto Federico Fazio, como Javi Navarro como Dani Pareja são centrais que conseguem executar uma boa marcação (a Jackson e Ghilas) usando e abusando do físico. Contudo são dois centrais muito instáveis ao nível exibicional, cometendo bastantes falhas. Nas alas jogará o português Diogo Figueiras (o tal desconhecido que o Sevilla veio buscar ao Paços de Ferreira). O português é um lateral bastante ofensivo e faz boas combinações com os jogadores que actuam na direita (Reyes, Perotti). Na esquerda estará Alberto Moreno, uma das estrelas da equipa. Equilibrado, é certinho a defender e a atacar. Se Luis Castro colocar Quaresma na direita, Moreno tem capacidade para estancar aquele que neste momento é o jogador que cria mais perigo na equipa do Porto.

No meio-campo Unay Emery tem apostado mais (quando digo apostado mais, quero com isto dizer que Emery não costuma apresentar um onze base e por norma faz rodar imenso o plantel) num meio-campo composto por Carriço a trinco (esse mítico) Ivan Rakitic na construção de jogo (é o cérebro da equipa) José António Reyes numa ala, Perotti na outra, Marko Marin ora no centro na criação de jogo ora no flanco direito, e um ataque composto ou por Carlos Bacca (sozinho) e Kevin Gameiro ou por Carlos Bacca e Jairo Samperio mais recuado nas suas costas, ou por Carlos Bacca e Vitolo nas suas costas, papel onde se sente claramente mais à vontade como tecnicista que é.

De onde é que vem o perigo deste Sevilla?

  • De Rakitic. É o motor desta equipa espanhola. Joga e faz jogar. Sem o croata, os sevilhanos não conseguem ser objectivos no seu jogo ofensivo.
  • De Carlos Bacca. Jackson conhece-o bem porque são companheiros de selecção. Mortífero. Acrobático. Fortíssimo nas movimentações de área. Mangala, Maicon, Reyes ou Abdoulaye não lhe poderão dar um milímetro. Transforma uma bola morta em golo.
  • De Kevin Gameiro. Menos efectivo que Bacca mas o luso-francês também é um homem de área.
  • De Reyes. Numa bola parada, num cruzamento, espeta a bola na área e assiste com pinta um dos seus companheiros
  • De Marco Marin. O alemão está a subir de rendimento nesta parte final de temporada. Quando mete o turbo, é menino para individualizar, sacar 2 ou 3 adversários da frente e construir uma situação de perigo.

Benfica vs AZ Alkmaar

Dick Advocaat

Ao Benfica saiu a lotaria. Ao AZ a fava que ninguém neste momento queria.

O treinador do AZ, Dick Advocaat pode dizer que sabe o que é vencer esta competição. O treinador de 66 anos, um dos globetrotters da actualidade do futebol mundial (já treinou em 7 países diferentes) leva no seu extenso currículo, para além do título holandês conquistado em 1996\1997 ao serviço do PSV, das 2 ligas escocesas conquistas pelo Rangers entre 1998 e 2000 e do título russo conquistado em 2007 ao serviço do Zenit, uma vitória na competição na época 2007\2008 precisamente ao serviço da equipa de São Petersburgo. No ano em que os semi-desconhecidos do Petrovski (Arshavin, Anyukov, Fayzulin, Denisov, Konstantin Zyryanov, Pavel Pogrebnyak) se deram a conhecer à europa e catapultaram o Zenit para um estatuto europeu até então nunca detido pelo clube da antiga Leninegrado.

A equipa que orienta é neste momento 7ª classificada da Eredivisie, lugar que para já lhe garante a participação no playoff final disputado entre todas as equipas que se classificarem entre o 3º e o 8º lugar (apuramento para as competições europeias). Pelo menos, a coisa na Liga Holandesa é decidida assim.

Pontos fracos deste AZ:

  • A sua inconsistência. É uma equipa capaz de ganhar 3 ou 4 jogos seguidos e perder outros 3 ou 4 seguidos.
  • Dois centrais duros de rins (Nick Vergiever e Jeffrey Gouweleeuw) fortes no jogo áereo mas com muitas dificuldades para travar avançados rápidos, caso de Lima e Rodrigo.

Pontos fortes:

  • Muita rapidez na frente de ataque – O extremo Roy Beerens é um jogador rapidinho e com uma capacidade de cruzamento fantástica. É a estrela da companhia. Em conjunto com…
  • A dupla de médios centro – Viktor Elm, um conhecido nosso. Alinhou contra a selecção portuguesa no passado mês de Novembro e Nemanja Gudelj, um conhecido dos sérvios que alinham na equipa encarnada. Este sérvio de 22 anos, contratado no verão passado ao NAC Breda, é o grande maestro desta equipa.

Outros jogos da liga europa:

Lyon vs Juventus – O Olympique Lyonnais será presa fácil para a equipa de Turim. Apesar de Alexandre Lacazette estar em grande forma e da dupla de centrocampistas da equipa lionesa ser do melhor que se encontra pela Ligue 1 (Grenier e Gourcouff), a defensiva do Lyon tem jogos em que é como passar a faca na manteiga.

Basel vs Valência – A equipa suiça será um adversário tenebroso para a equipa de Pizzi. É uma equipa bastante segura defensivamente (destaque para o sueco Behrang Safari na direita e para o central Fabian Schar), com um meio campo muito activo (David Degen, Marcelo Dias, Valentin Stocker, Fabian Frei) com um jogo orientado para a grande referência ofensiva da equipa, o veteraníssimo Marco Streller.

Da Champions #17

Real Madrid e Schalke reencontram-se no Bernabeu para cumprir calendário. Vá. Se para ambos, a vitória ainda valia mais uns milhõezitos nas suas respectivas contas, para os alemães, o teste de Madrid servia para rectificar a desastrosa exibição defensiva demonstrada no Gelsenkirchen na derrota por 1-6.

Carlo Ancelotti mexeu no onze. Poupanças para o superclássico do próximo fim-de-semana. Jesé Rodriguez, Asier Illarramendi, Nacho, Raphael Varane e Alvaro Morata saltaram directamente para o onze do técnico italiano. Logo nos primeiros minutos, Jesé haveria de se lesionar com gravidade num choque com o lateral-esquerdo bósnio-alemão do Schalke Sead K0lasinac. Ancelotti viu-se obrigado a colocar Gareth Bale no rectângulo de jogo. O jovem extremo espanhol sofreu uma rotura de ligamentos no joelho tendo sido submetido a uma intervenção cirúrgica hoje em Augsburgo na Alemanha por um reputado cirurgião alemão. O departamento médico do Real aponta um tempo de paragem nunca inferior a 7 meses. Contudo, a lesão do extremo espanhol vem em má altura dada a afirmação conclusiva do jogador no seio do plantel merengue. Todos sabemos o quanto essas lesões poderão deixar as suas sequelas no futuro.

O Real controlou a partida e a vitória só foi ameaçada por uma vez, no final da primeira parte, após o golo do empate do Schalke. A tripla da frente do Real (Morata, Ronaldo, Bale) esteve muito interventiva, muito mexida. A tríade haveria de estar na sequência no primeiro de dois golos de Ronaldo do jogo (fica a 1 do record de Messi na competição\Ronaldo poderá atingir facilmente os 20 golos na competição) com Morata a desmarcar na perfeição Bale na direita e o galês a assistir Ronaldo na cara de Ralf Fahrmann. O português não desperdiçou.

A equipa de Jens Keller voltou a demonstrar muitas dificuldades defensivas. Sem que o Real tenha acelerado muito o jogo. Sem o capitão Benedikt Howedes (Jefferson Farfan e Kevin-Prince Boateng e Kyrgiakos Papadoupoulos no banco) Joel Matip, central cujas características aprecio (duro mas técnico; sai bem a jogar e é bastante versátil) foi escasso para as encomendas. Ao inverso, no meio-campo, Jens Keller tem aqui bastantes talentos para trabalhar: Julian Draxler é uma certeza do futebol alemão, o médio defensivo Kaan Ayan é um jogador com algum potencial (habitualmente é central mas ultimamente tem jogado a trinco) e  Max Meier é uma promessa bastante interessante (é um tecnicista puro que alia a sua imensa capacidade técnica à inteligência e à visão de jogo) – prova disso foi a jogada na qual serviu Klaas-Jan Huntelaar na cara de Casillas ao minuto 39, 9 minutos depois do sortudo golo do lateral Tim Hogland.

Ao intervalo, o empate justificava-se.

Na 2ª parte, CR7 e seus pares aceleraram ligeiramente o jogo e o português (em conjunto com Morata) arrumou literalmente a questão. Pelo meio, Cristiano Ronaldo mandou uma bola à barra num lance em que o português poderia ter igualado o record de Messi. Teremos que esperar pela próxima eliminatória para ver CR7 como o melhor marcador de sempre de uma edição da Champions.

A inteligência de Cristiano Ronaldo

No lance do golo do português: o exímio passe de Gareth Bale para Ronaldo, a contemporização perante a subida de Isco e a brilhante flecção para o centro do terreno seguida de remate. Num jogo em que Willy Caballero até deu muita luta ao português. Na minha opinião, o guarda-redes argentino da equipa comandada por Bernd Schuster é claramente o melhor guarda-redes da actualidade da Liga Espanhola.

Portugal x Camarões

Um jogo pobre na primeira parte, mais interessante na segunda. Esta equipa dos Camarões, ou muito me engano, ou saí do Brasil sem uma única vitória. Tirando a dupla de centrais, o Song e o Eto’o (que hoje deve ter tido as ordens do costume do Mourinho para não jogar um chavo), o resto são alguns jogadores com excesso de velocidade e pouca técnica, e lá pelo meio está um sarrafeiro à antiga (Ekotto).

Relativamente à Selecção, bom jogo na segunda parte, onde aproveitámos bem o potencial que temos em jogar nas transições. Todos os jogadores subiram de produção na segunda metade, e o resultado foi-se avolumando naturalmente. De realçar o facto de Ronaldo passar a ser o melhor marcador da selecção, superando Pauleta. Ronaldo já conta com 49 e a tendência é continuar a marcar.

Também deu para aferir outras coisas importantes:

– Está visto que o Ivan Cavaleiro ser convocado e jogar foi uma manobra para aumentar o seu valor de mercado com uma internacionalização. É a única explicação possível. Ainda não tem qualidade para ser sequer terceira opção nos AA. De realçar, contudo, o belo pormenor para o 3-1 de Portugal.
– Estreia de Rafa deixa bons indicadores, mas precisa de continuar a jogar e evoluir no Braga. Parece-me que poderá ir ao Brasil, mas dificlmente terá oportunidades para ser titular ou suplente utilizado, a não ser que tenhamos a qualificação para os oitavos assegurada no último jogo (altamente improvável).
– O William Carvalho ainda tem de melhorar muito defensivamente, principalmente no tempo de entrada. Fez demasiadas faltas, e terá de ter cuidado com isso no Mundial, caso seja o titular. Aumentou de produção na segunda parte, algo que se tem verificado muito quando joga no Sporting, nesta segunda volta do campeonato. Fez um passe fantástico na segunda parte para o Ronaldo. O William que só lateraliza, não é?
– Apesar de alguns jogadores estarem a fazer uma temporada abaixo das expectativas, seja por falta de ritmo ou por não estarem numa equipa que corresponda à sua qualidade, quem sabe não esquece. Bons jogos de Moutinho e Coentrão, possivelmente os melhores em campo por parte de Portugal. A juntar a Ronaldo, obviamente.
– Gostei muito do Neto. Parece-me estar mais evoluído enquanto jogador, principalmente na antecipação e leitura dos lances. O Rolando pareceu-me a acusar um pouco a responsabilidade de vestir a camisola. Acusou a pressão do Paulo Bento estar entre ele e o Ricardo Costa?
– O Edinho não tem qualidade para a equipa A, mas teve lá um pormenor para meter no DVD do empresário.

Da Champions #14

Confesso que não vi o jogo. Estou a ver agora os resumos dos jogos de hoje. Ronaldo fez dois golos e duas assistências belíssimas. Contudo, aquilo que mais me sobressaiu no jogo foi o 4º golo do Real, golo marcado por Karim Benzema, no momento, a fazer jus ao nome do Schalke (0-4).
Engraçado também foi o facto dos adeptos do clube alemão se terem levantado das suas cadeiras quando Klaas Jan Huntelaar marcou o seu tento de honra na partida. O gesto demonstra que os alemães vivem o futebol de uma forma bem diferente da nossa. Vivem-no como um espectáculo. Se fosse uma equipa portuguesa a apanhar 6 do Real numa eliminatória deste calíbre (não precisamos de recuar muitos anos para relembrar os 12 que o Sporting apanhou do Bayern nos oitavos-de-final da prova da temporada 2008\2009) seria uma tragédia para a dita equipa, uma semana de jornalismo de baixo nível para os diários na qual estes tentariam escapulizar a goleada até ao osso e uma comédia para os adeptos dos rivais.

És craque, mas no Sporting não podes usar o 7.

O Sporting podia conseguir ter no seu plantel Cristiano Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Raúl, Cantona ou Figo, mas o que não podia era deixá-los usar a camisola número 7, sob pena de lhes condicionar as carreiras de excelência com lesões e problemas físicos. Diria que esta até devia ser uma preocupação dos dirigentes a incluir em futuros contratos de jogadores com elevado nível de técnica que por norma gostam de usar o 7, ora vejamos…

Shikabala chegou ao Sporting neste mercado de transferências de Inverno e apesar de ter sido avisado que a camisola número 7 tinha uma maldição impregnada, como bom craque que é quis ficar com ela. Começou os primeiros dias a fazer treino específico para recuperar os índices físicos, não foi convocado para os jogos da A por ainda não ter ritmo e hoje estava nos eleitos para o jogo da B, foi titular e saiu aos 28 minutos com problemas num pé.

Pouca gente acredita nestas superstições associadas aos números, mas o que é certo é que a camisola 7 do Sporting tem sido pródiga nos problemas físicos dos jogadores que a envergam e desde que foi permitido aos jogadores escolherem o número com que querem jogar, todos os que a vestiram tiveram associados problemas físicos graves. Sá Pinto, Iordanov, Delfim, Niculae, Izmailov e Jeffren foram a prova disso. No entanto um dado curioso é que na época seguinte a Niculae se lesionar com gravidade e Sá Pinto ter decidido trocar o 7 pelo 10, isto em 2003/2004 ninguém mais pegou na malfadada camisola até à época 2007/2008, quando chegou Izmailov e decidiu que o seu número era o 7, resultado lesões e problemas físicos atrás uns dos outros. Depois dele Jeffren teve a mesma sorte e agora parece que Shikabala entra com o pé esquerdo no que à maldição diz respeito… Espera-se portanto que o Egípcio regresse rápido e bem e que leve a camisola até ao túmulo do Faraó Tutancamon e a deixe por lá, junto com a maldição do Faraó, longe de todos os craques que possam vir a ingressar futuramente no Sporting!

constatações

jesé

A Marca notícia que o jovem internacional sub-21 pela Espanha “fará” de Cristiano Ronaldo em Villareal no dia em que se ficou a saber que o castigo de 3 jogos impostos a Ronaldo mantem-se. Curioso é que eu e o André Simões já comentámos que o jogo do espanhol está cada vez mais parecido com o jogo do português. Tanto nas movimentações (a diagonal feita no 2º golo do Real frente ao Atlético é exemplo disso; Jesé aparece muitas vezes dentro da área a finalizar) como na cópia de jogadas de marca do português (recepção no flanco esquerdo, flecção para o centro em 1×1 e remate).

Superbock! Fresquinha! #37

Palácio de Bélem. Tarde de ontem. Na SIC N, um spot irritante anuncia que Rui Santos ainda pergunta se Ronaldo venceu justamente a Bola de Ouro. Na RTP, um inútil do jornalismo, antigo sporttv (dos mais fracos dos fracos da Sporttv) intervém com esta: “Nesta distinção, Ronaldo ganha a Messi porque Messi não a poderá atingir visto que não é português”. Distinção merecida. Injusta se analisarmos pelo prisma em que foi atribuída. Fado, Fátima e Futebol. Morreu o Rei Eusébio, já ninguém se lembra dele. O rei agora é CR7. Só assim de cabeça, em 2013 tivemos Rui Costa, Paulo Gonçalves, Emanuel Silva e João Silva campeões do mundo, Frederico Morais campeão europeu, Diogo Carvalho medalhado europeu, João Sousa, o primeiro português a vencer um ATP Tour. Num país alienado pelo futebol (doméstico, mal praticado, mal arbitrado e quezilento) todas estas vitórias foram bem mais importantes que o ano 2013 para Cristiano Ronaldo. A vitória do Rui foi um milagre. Podemos não cheirar mais a camisola arco-íris na nossa história. A da dupla de Canoagem foi a primeira em mundiais da canoagem portuguesa. A medalha de bronze do nadador dos Galitos (Aveiro) resulta de anos e anos de trabalho em que o jovem aveirense deixou tudo para trás (inclusive um curso de medicina) pelo amor à natação. A carreira de João Sousa só agora está a gerar lucro para o português. No início, quando tudo era escuro, foram os pais de João Sousa que investiram milhares na formação do seu filho. Fruto também da falta de infraestrutura e know-how de treino existente no nosso país.

Todos estes atletas, venceram devido ao seu talento e ao seu espírito de abnegação, à sua disciplina, a sua coragem, ao seu rigor. Todos estes atletas tiveram por vezes de competir com as custas pagas pelo seu próprio bolso. Palavras de presidente. Caso contrário, poucos em Portugal seriam aqueles dispostos a patrociná-los. Porque é que o presidente não distingue todos estes atletas? Fácil. O momento ontem protagonizado com Cristiano Ronaldo também serviu para reforçar a imagem do presidente da República, facto que não seria possível caso o presidente condecorasse os restantes mencionados. Ninguém os conhece, pois claro. Cavaco Silva mencionou-o de forma clara quando afirmou: “Ronaldo é o elo de união entre todos os portugueses” – Cavaco capitalizou.

Sanguessugas. As do costume. Tantas. Um Dias Ferreira que não sei ao certo o que é que andava por lá a fazer. O governo marimbou-se no assunto e deixou os louros para o presidente ao enviar o secretário de estado adjunto (Adjunto, veja-se lá) da saúde. Sim, essas individualidades que por São Bento pululam para esmifrar o erário público. Sim, esses bonecos michelin que só servem para aparecer neste tipo de ocasiões. Bonecos de conveniência. Um Florentino Perez que a Portugal nada diz respeito. Os netos do presidente. Não são figuras de estado mas por lá também andavam. A ganhar conhecimentos para o futuro pois claro. O Zé Povinho cá fora adora este tipo de ocasiões, desloca-se com o melhor traje domingueiro, com as inefáveis bandeiras lusas e nada vê. Fica à porta. Manuel Ferreira Leite. Foi acompanhar o irmão pois claro. Pobreza franciscana. O mérito perece. A fandungagem, o folclore, não. É foleiro.

O que eu ando a ver #24

Depois de uma primeira mão algo turva em virtude de uma invasão de campo protagonizada pelos adeptos do Racing de Santander no El Sardinero no empate entre as duas equipas a 1 bola, as poupanças na equipa orientada por Francisco Vilchez resultaram numa eliminação histórica do UD Almeria frente ao líder do Grupo 3 da 2ª divisão B Espanhola (3º escalão). O Racing Santander tornou-se assim a única equipa dos escalões secundários do futebol espanhol nos quartos-de-final da prova, continuando a surpreender na mesma pois para além do Almeria já tinha eliminado o Sevilla.

Em Pamplona. O importante Mandiba já lá vai. A todos os jovens guarda-redes é ensinada a regra de ouro: a reacção a bolas rápidas faz-se socando a bola com os punhos para a frente. O espírito da coisa não funcionou com o guarda-redes da equipa navarrenha Andrés Fernandez no livre de CR7.

frases da semana

ronaldo 2

1. O prémio é merecido mas não é disso que venho escrever.

Por diversas vezes nos últimos meses tenho visto vários agentes da imprensa especializada vender como um dos grandes sucessos da carreira de Cristiano Ronaldo o excelente trabalho que é feito por trás pela equipa da Gestifute de Jorge Mendes.

Jorge Mendes e seus pares estão efectivamente a tirar todo o rendimento possível da Marca Ronaldo sem a esgotar. É certo que o rendimento do atleta no campo também fez com que a sua marca ainda não se tenha esgotado. Contudo, ao analisar o trabalho de comunicação que tem sido feito com o jogador, posso afirmar que a empresa de Jorge Mendes não tem gente adequada para estas coisas.

Só um péssimo assessor de imprensa deixa o jogador fazer a figura ridícula que fez em palco na passada segunda-feira. A choradeira e tal já é a parolice do costume, típica do tuga neste tipo de cerimónias. A parvoíce\falta de cultura surge quando Ronaldo agradece o prémio a uma “figura muito importante na vida dele”, um tal “de Mandiba” – CR7 não só não é capaz de dizer bem a alcunha do histórico líder sul-africano como atira para o ar o seu nome como uma figura “muito importante na sua vida”, ditame que faz supor ao mais alarve dos seres humanos, por norma, gente que devora este tipo de galas, que Nelson Mandela era um amigo íntimo, unha com carne. Ronaldo tentou ficar bem na foto e acabou novamente abaixo da sarjeta.

Como se o episódio de Zurique não bastasse, o inflamado Jorge Mendes vem logo a seguir brindar-nos com mais uma das suas fantásticas pérolas –Ficará até aos 40 anos. Conheço Cristiano, foi uma alegria muito grande para ele ganhar a Bola de Ouro, é algo que nunca esqueceremos” – sim, até aos 40, até aos 50, porque é que não assina um vitalício com o Real Madrid como aquele que o JVP assinou nos 90 com o Vale e Azevedo?

Jorge Mendes pode ser excelente a vender jogadores, mas a falar é provavelmente uma das maiores cavalgaduras do futebol actual.

2. Para além da barreira de tradução:

O coach Pereira protagonizou na Arábia uma cena à la Toni (I love you, Tony Olivera I love you)

Mais uma evidência da facilidade tida pelos treinadores portugueses na expressão de tudo o que lhes vai na alma.

André Villas-Boas era o mestre da comunicação segundo o Guardian. AVB conseguiu na sua passagem por Londres surpreender os ingleses com novos termos linguísticos nunca antes conhecidos no diccionário futebolístico: “I couldn´t put my hand on game” ou “Defoe can smell crosses from everywhere”

Já Vitor Pereira, impedido de falar de pormenores técnicos do jogo pelo tradutor, conseguiu cometer a proeza de mentir aos sauditas quando afirmou que tudo o que “fala vem do coração” como se nas conferências de imprensa do Porto qualquer treinador fosse encorajado a dizer aquilo que sente…. sem contar com o súbito respeito que adquiriu naquele preciso momento para com a classe jornalística, facto contrário aquilo que experienciámos nos dois anos de FCP.

O que eu ando a ver #23

Uma cabeçada de Pepe deu a vitória ao Real Madrid no Corneliá El Prat em Barcelona. Exibição muito desgarrida dos madrilenos na primeira parte perante um inofensivo espanyol. Ronaldo numa noite não falhou 3 golos certos: na primeira parte falhou na bola na cara de Kiko Casilla (bom guarda-redes) a passe de Benzema, depois de um trabalho individual do francês pelo flanco esquerdo e na 2ª parte, voltaria a falhar por mais duas ocasiões na cara do guardião da equipa catalã, a última, já perto do fim, com a baliza completamente aberta. Noite não do astro português na noite que antecedeu a entrega do Ballon D´or 2013.

No Real Madrid, destaque para as exibições de Xabi Alonso, Dani Carvajal e Luka Modric. Aproveitando o pendor ofensivo do lateral espanhol, os dois primeiros combinaram várias vezes, abusando para o efeito Xabi Alonso do seu passe longo. O 2º foi incansável no meio-campo. Tanto na execução das transições ofensivas da equipa assim como enquanto bloco de pressão.

Inofensivo Espanyol com Javier Aguirre na bancada. O mexicano cumpriu o primeiro de quatro jogos de suspensão na partida contra os madrilenos depois de ter sido expulso no jogo entre Osasuna e Espanyol a contar para a Taça do Rei. Tal facto motivou os adeptos do espanyol de barcelona a lançar várias mensagens de incentivo ao treinador durante a partida.

jhon cordoba

Da equipa barcelonista pouco ou nada se viu senão uma postura defensiva. Até ao golo da partida. A equipa tentou reagir na segunda parte mas provou aquela que considero a sua maior dificuldade: a articulação de jogo entre sectores. Destaque para dois jogadores dos barcelonistas: o colombiano Jhon Córdoba, avançado de 20 anos que andava pelo Querétaro, equipa da Liga Mexicana, equipa que aliás emprestou este talento ao Espanyol. Bem aproveitado é um jogador com algum futuro. Muito forte fisicamente, muito batalhador, apesar de não ser um matador nato (nem ter características para isso) é um jogador que mói defesas inteiras. Muito móvel, anda de um lado para o outro a ganhar jogo. Bom avançado para acompanhar um homem-de-área.

 

A Entrevista de Bruno de Carvalho

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Bruno de Carvalho concedeu esta noite uma entrevista ao Programa “Zona Mista”, da RTP Informação, onde falou sobre alguns dos temas da actual realidade do Sporting. Resumindo em 10 pontos os principais temas abordados:

1 – A entrevista iniciou-se com meia dúzia de questões retóricas, e com outras tantas às quais Bruno de Carvalho (BdC) está certamente farto de responder. Do “Está feliz por o Sporting ter chegado bem ao Natal?“, passando pelo “Estava consciente da realidade do Sporting quando chegou ao clube?” e a terminar no “Gostava que o Sporting acabasse bem a época?“, temi que a entrevista se tornasse mais previsível que uma arbitragem do Capela no Estádio da Luz.

2 – Foi a partir de uma dessas questões (“O Sporting é ou não candidato ao título?“), que BdC assumiu a Liga dos Campeões como objectivo para esta época, mas não sem antes falar (pela 146532ª vez) na política do “pensar jogo-a-jogo”.

3 – Voltou a tecer rasgados elogios ao trabalho de Leonardo Jardim, mas também ao de Inácio, Virgílio e ao seu próprio trabalho enquanto Presidente, realçando mais uma vez que o facto de todos eles serem Sportinguistas muito contribui para o actual bom momento que o clube atravessa.

4 – Ficou-se também a saber que Elias está a ser negociado com o Flamengo, e que “diversos outros clubes” demonstraram interesse em contar com os serviços do internacional brasileiro. Também Labyad e Jeffren estão a ser negociados.

5 – Rinaudo pediu efectivamente para sair, com o objectivo de poder ter mais minutos de jogo e eventualmente vir a estar entre as escolhas da Selecção Argentina para o Mundial. Apesar de o Sporting não pretender prescindir dos serviços do internacional argentino, BdC realça a necessidade de o Sporting ser flexível com a vontade do atleta, uma vez que a gestão de recursos humanos “pressupõe que saibamos que estamos a lidar com pessoas, e não com robôs“.

6 – BdC referiu a necessidade que o Sporting tem de fazer uma aposta forte na Televisão e no Jornal do Clube, “porque [o clube] não se revê no que se passa na restante imprensa“. Salientou a importância dos Sportinguistas usarem os canais de informação do clube, dando como exemplos concretos o péssimo jornalismo de desinformação que tem sido feito por Correio da Manhã e Record, que regularmente lançam notícias com o intuito de destabilizar o clube (a suposta pressão de um Fundo de Investimento para a venda de Rojo, e o alegado descontentamento de William Carvalho no clube, são os dois casos mais recentes).

7 – Explicou a questão da “Mensagem de Natal aos Sócios e Adeptos do Sporting”, onde referiu que a restruturação financeira do clube está em risco (devido ao baixo número de novos sócios e de venda de Gameboxes), dizendo que foi acima de tudo uma tentativa de fazer aproximar do clube muitos adeptos que têm possibilidade financeira para apoiar o clube, mas que por um motivo qualquer que BdC diz não entender, optam por continuar afastados da vida do clube. Eu também não percebo, sobretudo quando de acordo com o novo Regime de Quotização existem quotas a partir de 2€..

8 – A aposta na Formação por parte do Sporting custa anualmente 9 Milhões de euros ao clube, e BdC alerta para a necessidade de se criarem mecanismos que protejam mais os clubes formadores. Aliás, essa foi uma das medidas propostas no documento que recentemente enviou à Assembleia da República.

9 – BdC referiu que continua a marcar presença no banco de suplentes para “entender o espírito da equipa“. Já antes ouvi BdC dizer que seria para entender o “grau de comprometimento de cada um dos jogadores com a causa“, e continuo a achar que nesta altura faz todo o sentido esta proximidade do relvado, em detrimento do conforto da Tribuna Presidencial.

10 – Em resposta às declarações de Cristiano Ronaldo, que recentemente afirmou que “lhe faltava ser campeão pelo Sporting”, BdC respondeu esta noite com (óbvia) abertura, dizendo que o Sporting “está disponível para lhe dar essa alegria“. A ver vamos o que acontece no futuro.

Gostei também da parte da entrevista em que BdC se dirigiu àqueles que o acusam de ser “populista”. O Presidente do Sporting disse que ser “popular” é diferente de ser “populista”, e que ele de populista não tem nada, uma vez que as pessoas com esse perfil são famosas por venderem ilusões, enquanto ele é sobretudo conhecido por ser directo e dizer aquilo que muitas pessoas não gostam de ouvir. Faz sentido, não faz?

Quid Iuris?

A lesão de Sami Khédira no jogo amigável que opôs a selecção alemã à selecção italiana veio levantar novamente a questão da utilização de jogadores pelas suas selecções e as respectivas compensações a serem pagas aos clubes pelas federações.

O jogador alemão, segundo indicam os primeiros cenários, poderá estar lesionado cerca de 6 meses, não estando certa a sua participação no Mundial do Brasil. A lesão do atleta é exactamente a mesma que já o afastou do mundial da África do Sul.

Nos últimos anos temos assistido a vários episódios semelhantes ao que aconteceu ontem com o jogador do Real Madrid. Rapidamente, os clubes levaram para o campo da discussão a hipótese das federações pagarem compensações por lesões ocorridas ao serviço das selecções nacionais visto que algumas seguradoras recusaram a pagar a compensação salarial do jogador no tempo fora dos relvados pelo facto da lesão ter ocorrido fora do clube, logo, fora do posto de trabalho do atleta. E não só. A própria UEFA (em conjunto com a Associação Europeia de Clubes de Futebol) já prevê um mecânismo de compensação aos clubes, pago pelas federações nacionais que contempla uma parcela do salário auferido pelo jogador em relação aos dias de estágio nas selecções. Nos últimos anos, foram muitas as vozes vindas dos clubes que reclamaram o pagamento de uma compensação salarial advinda da perda do usufruto sobre os jogadores derivado de lesões ocorridas em jogos internacionais. Basta ver aqui quando o Sion pediu uma compensação à UEFA e à FIFA pela lesão do médio sérvio Dragan Mrdja, ou aqui, quando o Milan pediu compensação pela lesão do Norte-Americano Oguchi Oneywu, ou aqui, quando o Atlético de Madrid pediu uma compensação pela lesão do Argentino Maxi Rodriguez ao serviço da Selecção Argentina. A questão evoluiu para outros nível de discussão quando, por exemplo, aqui, em 2012, a Argentina e o Brasil disputaram dois amigáveis (o Superclássico das Américas; apenas foram convocados jogadores a actuar nos respectivos campeonatos dos dois países), amigáveis que ocorreram fora das janelas de jogos internacionais destacadas pela FIFA e que como tal levaram a que esta, assim como a COMNEBOL não se responsabilizasse por qualquer acontecimento decorrido nas partidas.

Sendo o médio defensivo titular do Real Madrid, aquirida tenho a opinião que a lesão de Khédira irá representar muito mais do que dano financeiro ao Real Madrid. A sua lesão representa uma perda de efectividade para a equipa, trabalho dispendido pelo seu treinador na construção da equipa, trabalho esse que agora terá de ser repensado ou reconstruído com outro jogador, novas rotinas de jogo para os seus colegas e, noutro plano, a hipótese do jogador voltar a falhar um mundial, facto que poderia interessar ao clube para poder, em caso de boa prestação do atleta na prova e na existência de uma boa proposta, vender o jogador a outro clube. Todos sabemos que se existe prova que valoriza imenso um jogador é a participação num campeonato do mundo. Financeiramente, se Khédira cumprir 6 meses de lesão, o Real Madrid perderá cerca de 3 milhões de euros visto que o Alemão tem um salário a rondar os 500 mil euros mensais.

A FIFA já aprovou (e já colocou em vigor) num dos seus congressos em 2012, congresso realizado em Budapeste, um novo programa (FIFA Club Protection Programme) que prevê o pagamento de compensações aos clubes em caso de lesões dos atletas ao serviço das suas respectivas selecções. Contudo, o programa apenas prevê o pagamento de indeminizações em casos específicos, com um valor máximo de 20 mil euros diários durante 365 dias. Para além do mais, o fundo que o sustenta tem como valor máximo 75 milhões de dólares para 2 anos. Exemplificando:

– A FIFA só compensará os clubes quando os jogadores lesionados tenham a sua primeira lesão na área corporal afectada durante o trabalho nas selecções. Um jogador que se tenha lesionado uma vez num joelho (indiferentemente de ter sido no clube ou na selecção no período que antecedeu a entrada em vigor da regra) não será passível de poder ser exercido o direito de compensação. Khédira não é o caso.

– Estabelecendo um máximo de 20500 euros\diários de compensação por 365 dias de trabalho, a FIFA estabelece uma base máxima de compensação de 7482500 euros por ano a cada atleta. Se por exemplo, Cristiano Ronaldo, Messi, Yaya Touré ou todos os jogadores que actualmente auferem mais do que essa verba se lesionarem por 1 ano, esse valor não compensará as perdas financeiras dos clubes nos seus salários.

– O plafond máximo do programa é de 75 milhões de dólares para 2 anos civis. Em Dezembro de 2014, a FIFA poderá aumentar esse plafond depois de discutida e aprovado um novo plafond. Ou seja, bastará que meia dúzia de atletas de topo se lesione por um período de 6 meses a 1 ano para absorver maior parte do fundo gerado pelo organismo. Como a FIFA se responsabiliza por mais um milhar de jogos por ano entre selecções, acho a verba muito escassa.

Noutro prisma, aparecem as fraudes.

O Presidente Vladimir Putin assinou recentemente uma lei que limita o acesso de futebolistas a pensões por incapacidade física, depois de um escândalo em que jogadores lesionados tiveram acesso a metade do orçamento previsto pela Segurança Social Russa.
A Segurança Social Russa paga pensões correspondentes a uma percentagem do salário de um trabalho inválido ou doente. Acontece que em 2011, um dos principais responsáveis autorizou o pagamento de uma verba de 5,2 milhões de euros. As novas regras legisladas pelo governo ajudaram a travar esta fraude e impedem que grandes estrelas do futebol russo perfeitamente saudáveis e clubes peçam grandes somas de compensação por períodos de lesão. O limite mensal que os futebolistas russos poderão receber a partir de agora é de 4 vezes mais do que o desconto feito pelo futebolista para a entidade, afirmou fonte da Segurança Social Russa.
Em Outubro de 2012, o responsável máximo pelo fundo pagou subsídios controversos a jogadores do Zenit por incapacidade física. Um Senador Russo afirmou que uma clínica utilizada pelo clube para forjar atestados de incapacidade física já foi obrigada pelo Kremlin a restituir ao fundo da Segurança Social Russa um valor de aproximadamente 18 milhões de rublos, valor correspondente a dois atestados que a justiça russa acabou por provar como fraude.

Transpondo este caso por analogia para o futebol internacional, já existiu um caso semelhante envolvendo o internacional Costa-Riquenho do Olympiacos Joel Campbell – o Costa-Riquenho poderá ter simulado uma lesão no jogo que opôs a sua selecção à Selecção Mexicana no jogo da ronda de qualificação da CONCACAF entre estas duas selecções. O caso ainda está a ser investigado pela Comissão de Ética do Organismo.