Uefa Youth Champions League

A Uefa decidiu e bem que estava na altura de criar uma competição que preparasse os jovens para o futuro que encontrariam nas suas equipas principais, quando estivessem nas competições europeias. Depois de um grupo privado ter construído a NextGen Series (englobava apenas equipas por convite e apenas as consideradas academias de topo), a UEFA aproveitou as bases e lançou aquela que pode ser a competição junior mais bem sucedida de sempre ao nível de clubes.

De resto esta competição engloba as equipas juniores das equipas que se qualificam para a Liga dos Campeões e tem algumas regras interessantes, de modo a dar aos jovens talentos, a experiência e a preparação essencial para no futuro encararem as competições europeias com naturalidade e muito menos pressão. Entre essas regras destacam-se por exemplo o facto de os jogos serem agendados em função dos jogos da equipa principal e ambas as equipas terem de partilhar a mesma viagem e o mesmo hotel, o que só faz com que a pressão e o ambiente pré jogo da equipa principal, passe também para os miúdos e lhes dê outra bagagem futuramente. No entanto há mais regras interessantes, como por exemplo o facto de um jogador que seja usado três vezes na equipa principal, não possa voltar a jogar na equipa dos juniores, o que faz com que as equipas não sejam desequilibradas e não haja a possibilidade de colocar as “estrelas maiores” em jogos decisivos, tendo de haver uma gestão ponderada da equipa.

Esta competição desde cedo se mostrou bastante equilibrada, mesmo entre equipas teoricamente mais fracas, mas com qualidade de formação bastante boa, o que nivelou sempre os encontros desde a fase de grupos, ainda que por vezes se tenham verificado resultados bastante excessivos. Exemplos disso são por exemplo as equipas de Real Sociedad, ou Shaktar, que dominaram o seu grupo composto por Manchester United e Bayer Leverkusen, ou então o Compenhaga que conseguiu superar a Juventus e o Galatasaray, ficando apenas atrás de Real Madrid. Pode-se ainda destacar CSKA Moscovo e Austria Viena pela positiva e pela negativa apontar os casos de Bayern Munique, Ajax e Basileia de quem se esperava ver muito mais da sua formação. Em parte o caso do Ajax compreende-se pela sua equipa principal estar em renovação e a aposta este ano ter sido maioritariamente em jovens que estavam no último ano de júnior, o que acabou naturalmente por roubar jogadores à equipa jovem.

Logo desde esta fase de grupos, as equipas que viriam a acabar por encontrar-se hoje na final dominaram estrondosamente, de tal forma que Barcelona e Benfica foram os únicos além do Chelsea a conseguir acabar os respectivos grupos em primeiro lugar e com vantagem pontual de 7 e 8 pontos respectivamente sobre o segundo (Chelsea dominou totalmente com 6 vitórias em 6 jogos).

Passados da fase de grupos, as equipas começaram a fase a eliminar com os oitavos de final, aqui já cada uma ordenada conforme a sua qualificação nos grupos e em jogos apenas a uma mão (em caso de empate as regras definem marcação de penaltis para determinar o vencedor). Nesta fase e até à final o Barcelona encontrou o Compenhaga que facilmente arrumou com uns expressivos 4-1, o Arsenal que também ficou de lado com um estrondoso 4-2 e o Schalke 04 onde apenas venceu por 1-0 (este jogo realizado na Alemanha). Do outro lado o Benfica encontrou o Austria de Viena ao qual ganhou por 4-1, o Manchester City que ficou de fora depois do 2-1 em Inglaterra e o Real Madrid que viria a cair na meia-final por expressivos 4-0 na sua própria casa.

Chegados à final onde se encontraram duas das melhores equipas de todo o torneio, verificou-se um grande equilíbrio entre ambas as equipas, desde logo notou-se que o Benfica tinha muita garra e poderia bater os catalães, mas os miúdos de La Masia não se fizeram rogados e mostraram do que são feitos e o que aprendem numa das melhores academias do mundo no momento. Desde logo realçar que o modelo do Barça garante-lhe neste momento que assegure o seu futuro por algum tempo com jogadores a despontar como Munir El Haddadi, Marroquino e melhor marcador da competição com 11 golos (fechou o marcador da final no 3-0 com um golo de levantar qualquer adepto), Adama Traoré, Jordi Ortega ou Roger Riera. No entanto e sendo a sua unidade mais fraca o guarda-redes, que hoje era Andrei Onana, há que felicitá-lo pela sua exibição, impedindo por diversas vezes que o Benfica conseguisse chegar ao golo, com defesas praticamente impossíveis e muitas delas por instinto ou sorte.

El Haddadi

Do lado do Benfica muitas promessas, a melhor sem dúvida Gonçalo Guedes, o avançado que já vai dando nas vistas e aliciando alguns dos tubarões europeus, logo de seguida aparecem Raphael Guzzo e Estrela, todos eles jovens de valor e com potencial para ambicionar chegar à equipa principal.

G.Guedes

Sobre a final muito há a dizer. O Barça entrou forte, a agarrar no jogo, mas o Benfica remava contra isso, de tal forma que a primeira oportunidade coube mesmo aos miúdos da Luz, que acabaram por não concretizar. Pouco depois aos 9′ Rodrigo Tarin do Barça não se fez rogado e depois de uma defesa a dois tempos de Graça, aproveitou bem a bola ressaltada e acabou por marcar o primeiro do encontro. Depois desta situação, um penalty para o Benfica podia dar o empate e abanar o jogo completamente, mas chamado a marcar, Romário com um pontapé forte e colocado manda à barra desperdiçando assim a melhor oportunidade dos encarnados na primeira parte. Daí e até ao meio tempo apenas deu Barça, sendo que o Benfica teve uma ou duas oportunidades, mas foi o Barça pelo miúdo Marroquino que se voltou a adiantar no marcador depois de boa jogada com uma finalização sem hipóteses, onde a defesa dá muito espaço ao ataque dos blaugrana. Na segunda parte a história inverteu-se totalmente e o Benfica queria aparecer e dar a volta ao resultado. Oportunidades não faltaram, mas a inspiração do guarda redes camaronês do Barça, aliada à falta de sorte dos miúdos da Luz, ditou que até fossem eles mesmo a sofrer o golo que fechou o marcador e que contra toda a vontade e querer acabou por retirar a esperança da reviravolta.

primeiro golo

Venceu assim o Barcelona aquela que foi a primeira final desta competição que muito promete nos próximos tempos e que acaba por fazer com que os clubes que se apuram para a Champions se preocupem mais com a formação.champions

Como notas finais destacar o facto da dependência cada vez maior do jogador Africano nas camadas jovens de praticamente todos os clubes, muitos deles em situações algo duvidosas, especialmente relativamente à idade. Acontece em todos os clubes, inclusivé neste jogo pode ver-se 10 jogadores do continente africano em acção. Do lado do Barça, uma parceria entre Samuel Etoo e a academia de La Masia acaba por fazer entrar alguns camaroneses na cantera blaugrana, já do lado do Benfica, a forte ligação a Angola, Cabo Verde e Guiné acaba por fornecer grande parte dos jovens da formação, apesar de ser correcta e positiva esta inclusão de jovens, o facto de virem a tapar grande parte dos portugueses que os plantéis juniores têm acaba por reflectir as situações que muitas vezes se verificam nas equipas principais dos mesmos clubes.

Espera-se muito mais sucesso para esta competição e agora que o Barça defenda bem o título!

 

Superbock! Fresquinha! #93

Similaridades com um passado algo irregular – A CMA anotou publicamente que concedeu ao Arouca a utilização do Estádio Municipal de Aveiro mediante a retribuição estipulada pela gestora da infraestrutura, a Estádio Municipal de Aveiro.

Enquanto FC Porto e Sporting tiveram que jogar em Arouca, naquele estádio cujas condições roçam o submundismo do futebol de distrital, naquele relvado (chamar relvado aquele campo de batatas é um gracioso elogio) minado, dificultando a partida e sujeitando os seus atletas a um risco de lesão iminente, o Benfica tem direito a jogar contra os Arouquenses num estádio de topo deste país. A EMA agradece. Rentabilização extraordinária de uma infraestrutura pouco rentabilizada. O jogo do Sport Clube Beira-Mar contra o Sporting da Covilhã foi inclusive passado a patacos para dia 16 de Abril. A saudável igualdade de condições que se pretende para a Liga Portuguesa cai novamente ao nível da sarjeta. Os Arouquenses ponderaram a sua escolha com base no factor receita, mesmo apesar de, para se chegar ao EMA, alguns adeptos Benfiquistas terem que dispender mais uns euros no pagamento de taxas de portagem da auto-estrada (a saída para Taboeira para a estrada nacional que liga Águeda a Aveiro nestes jogos é caótica; caótica ao ponto do espectador não conseguir estacionamento no Estádio ou na rua que serve de serventia para a dita estrada nacional).

Contudo, esta subita mudança de venue, faz-me lembrar um dito jogo disputado no passado, mais precisamente no Estádio do Algarve, entre Estoril e Benfica no ano em que Giovanni Trappatoni venceu o campeonato com a turma da Luz. Curiosamente, o dito jogo foi à jornada 30, na altura, a 4 jornadas do final do campeonato, sendo que o jogo era decisivo para Estorilistas na luta pela manutenção (o clube da linha de Sintra haveria de descer de divisão) e para Benfiquistas na luta pelo título. O jogo ficou marcado por uma reviravolta encarnada nos minutos finais, empurradinha pelo saudoso Hélio Santos. Num jogo em que Estoril marcou cedo (11″), massacrou na primeira parte e à passagem da meia hora foi reduzido a 10 unidades (8 na 2ª parte). O presidente estorilista na altura era Antonio Figueiredo, um ex-dirigente do Benfica. Jamais me esquecerei das palavras proferidas pelo dito senhor na semana que antecedeu o jogo: “Alterámos o local de jogo para o Algarve porque os benfiquistas da região já não assistem a um jogo do clube há muito tempo…”

Similaridades?

breve

1. Penalty inexistente em Braga para ajudar o Benfica a não empatar em Braga, penalty inexistente na Choupana para ajudar o Porto a manter vivo o sonho da Champions. É assim que o nosso futebol vai vivendo os seus dias de glória.

2. Fantástica exibição do Nacional. Fantástica atitude defensiva, fantástico contragolpe. Manuel Machado está de parabéns. Tem aqui uma equipa bastante arejada, organizada a defender (considero a equipa que melhor defende na liga portuguesa) e bastante eficaz.

3. A vitória da Académica frente à Olhanense em Coimbra e a vitória do Arouca em casa frente ao Setúbal.

3.1 – A Briosa está neste momento na 6ª posição, espreitando um lugar europeu na entrada para o último 1\6 do campeonato. Sérgio Conceição e os seus comandados deverão estar neste momento a torcer por um deslize do Nacional frente ao FC Porto para não perderem o comboio europeu de vez.

3.1.1 – Fantástico trabalho de Sérgio Conceição em Coimbra. Para quem viveu durante meio ano sem um jogador decente para uma das posições mais essenciais do futebol moderno (um ponta-de-lança), o 6º lugar revela um excelente trabalho do treinador oriundo de Oliveira do Hospital. Há jogadores na Briosa altamente valorizados (Fernando Alexandre, Makelele, Marcos Paulo, Halliche, Djavan) que começam a ter mercado em clubes com objectivos maiores. O 6º lugar acaba até por ser enganador. Se a Académica não tivesse sido prejudicada em 2 ou 3 partidas, poderia estar hoje na 5ª posição do campeonato.

3.2 – A vitória do Arouca frente ao Setúbal dá um certo desafogo aos arouquenses. Os 7 pontos de vantagem para a linha de água (Belenenses e Olhanense) são um autêntico matchpoint que os comandados de Pedro Emanuel não poderão desperdiçar. Com uma conjugação de resultados (derrotas da Olhanense e do Belenenses na próxima jornada, respectivamente contra o Braga em Olhão e em Barcelos no caso dos homens do clube da cruz de Cristo), caso vençam na Madeira, os arouquenses asseguram matematicamente a manutenção. Belenenses e Olhanense estão cada vez mais condenados.

Sorteio da Champions e da Liga Europa

CL

Quartos-de-final

Nesta fase da prova pode-se dizer que quem chegou até aqui, tem capacidades para eliminar qualquer adversário. Os quartos-de-final desta prova são, na minha opinião, a eliminatória mais espectacular da mesma. Basta recordar por exemplo a espectacularidade que eliminatórias como Galatasaray vs Real Madrid ou Borussia de Dortmund vs Málaga deram na edição do ano passado, com reviravoltas quase imprevisíveis, uma delas consumada, no caso do Dortmund.

road to lisbon

Com a final de 24 de Maio no horizonte, no Estádio da Luz, os quartos-de-final trazem-nos 4 excitantes eliminatórias:

  • Barcelona vs Atlético de Madrid
  • Real Madrid vs Borussia de Dortmund
  • Paris Saint Germain vs Chelsea
  • Manchester United vs Bayern de Munique

Exceptuando a eliminatória que vai opor os Red Devils ao Bayern de Munique (não creio que o United tenha de todo bagagem suficiente para eliminar a equipa bávara), todos os restantes jogos são jogos de tripla.

Barcelona vs Atlético de Madrid

Missão espinhola para os catalães. As duas equipas espanholas, respectivamente 2ª e 3ª na actual classificação da La Liga (o Barcelona poderá recuperar a 2ª posição amanhã caso vença o Real no Bernabeu e caso o Atlético escorregue frente ao Bétis no Benito Villamarin ou o Atlético poderá ser o maior beneficiário de uma vitória culé em Madrid, ascendendo à 1ª posição em igualdade de pontos com a equipa de Cristiano Ronaldo) farão, para a Champions, o 4º e 5º embate da temporada. Faltando um jogo por disputar (na 38ª e última jornada da Liga Espanhola, jogo que poderá ser decisivo para as aspirações ao título de ambas as equipas se ali chegarem em condições de se sagrarem campeãs), o saldo de confrontos realizados por estas duas equipas augura bastante equilíbrio para a eliminatória europeia. Nos dois jogos realizados para a Supertaça Espanhola em Agosto, ambas as partidas redundaram em empate (1-1 no Vicente Calderón e 0-0 em Nou Camp), acabando por vencer o troféu a equipa de Tata Martino em virtude do golo marcado em Madrid. Nessa altura, as fantásticas exibições demonstradas pela equipa de Simeone, os primeiros jogos sem Falcão, anunciavam, ao contrário do que previa com a saída do colombiano para o Mónaco, um Atlético de Madrid diferente, capaz, em muitos anos de lutar pelo campeonato espanhol. Para o campeonato, no Vicente Calderón, um novo empate a zero bolas na 19ª jornada confirmou novamente o equilíbrio.

Dois estilos diferentes. O tiki-taka do Barcelona (bastante mais atacante e com menos contenção de bola, na era Tata Martino) frente à retranca inteligente de Simeone. Uma equipa que gosta de circular bola e capitalizar todos os erros defensivos das equipas contrárias, apostando ora nos desequilíbrios que Messi consegue efectuar pelo centro do terreno, conseguindo jogar sempre no limite (ou tira o adversário com um toque subtil quando este está perto de desarmar ou fazer falta, ou consegue enfiar as bolas para as costas da defesa no limite do desarme), ora pelos desequilíbrios que Iniesta e Neymar conseguem fazer pelas alas\alas-centro do terreno no caso de Andrés Iniesta. Se o brasileiro consegue trocar as voltas aos adversários com o seu drible desconcertante, o centrocampista titular da selecção espanhol é um 10 em 1 ao nível de soluções de jogo, graças ao seu poder de aceleração, ao seu drible rasgado, às movimentações que habitualmente faz para o interior da área de forma a aparecer em zona de finalização e à fantástica visão de jogo que possui. Iniesta é para mim o médio mais completo da actualidade do futebol mundial.

Já o Atlético de Madrid possui 3 características muito preciosas que podem irritar a equipa catalã:

  • O seu equilíbrio, organização e posicionamento defensivo. Uma equipa tendencialmente a defender com 9 atrás da linha da bola, bem organizada, com linhas muito juntas, a não dar espaços para jogar e com uma dupla de centrais (Miranda e Godin) quase sempre irrepreensível no desarme tanto pelo chão como pelo ar.
  • Se há coisa que os jogadores do Barcelona odeiam é não ter bola nos pés. A inteligência do meio-campo de Simeone (Gabi, Koke, Arda Turan, Raul Garcia) é capaz de retirar a posse a qualquer equipa e irritá-la profundamente com a sua contemporização de jogo quando a equipa necessita de travar o ímpeto do adversário e acelerar o jogo quando convém (o Atlético é a equipa com melhor contragolpe na Europa neste momento).
  • Um autêntico quebra cabeças na frente. Diego Costa “come o cérebro a qualquer central” – Piqué e Mascherano terão muitas dificuldades para travar o brasileiro. Este deverá “picar-se” com o argentino para “lhe fazer saltar a tampa” – com alguns, o brasileiro agora naturalizado espanhol conseguiu tirar os devidos frutos das picardias armadas. Com outros, como o caso de Pepe e Arbeloa, o “colchonero” saiu muito mal na fotografia.

Aposto numa eliminatória muito equilibrada, com direito a prolongamento no jogo da 2ª mão.

Real Madrid vs Borussia de Dortmund

lewandowski

Reedição da eliminatória das meias-finais da edição da temporada passada.

As condições estruturais actuais das equipas inverteram-se em relação às condições estruturais existentes em Abril do ano passado. Enquanto por um lado, o Borussia de Dortmund vivia o expoente da era Klopp, em Madrid, o egocentrismo de José Mourinho, com o treinador português já planear a fuga antecipada ao contrato assinado com Florentino Perez, minava por completo o balneário merengue (as tricas com Sérgio Ramos e Iker Casillas; a conturbada relação do setubalense com a imprensa espanhola) e a equipa, no rectângulo de jogo, não correspondia minimamente ao seu talento, vivendo quasi dos momentos de génio de CR7. Nas meias-finais da prova, o futebol objectivo do Dortmund, bem construído por Reus e Gotze (entretanto vendido ao Bayern) e bem finalizado por Robert Lewandowski (o primeiro reforço dos Bávaros para a próxima época) redundou numa derrota copiosa de Mourinho na eliminatória, com o polaco a assumir o papel de carrasco no jogo da primeira mão no Westfallen Stadium com um fantástico póquer na vitória por 4-1 dos germânicos. O tardio 2-0 dos espanhóis na 2ª mão foi insuficiente para sonegar a final à equipa de Jurgen Kloop.

Hodiernamente, os papéis inverteram-se. Carlo Ancelotti venceu o desafio Madrid e a equipa respira uma suprema confiança. Lidera a Liga com 4 pontos de vantagem e pode até, amanhã, arredar definitivamente o seu maior rival (Barcelona) da luta pelo título caso vença a equipa de Tata Martino no jogo do Santiago Bernabéu. O target-man do futebol merengue continua e continuará a ser (enquanto permanecer em Madrid) Cristiano Ronaldo. Contudo, a equipa ganhou colectivo e inteligência com Ancelotti. É indiscutível negar neste momento que o italiano não tenha devolvido a Madrid o bom futebol e a ambição que a história do clube, per se, exige a quem o representa. Com um meio campo extremamente inteligente e talentoso (Modric, Xabi Alonso, Isco, o lesionado Khédira) e com um ataque poderosíssimo e em excelente forma (Di Maria, Gareth Bale, Cristiano Ronaldo, Benzema, Morata, o lesionado Jesé Rodriguez) a equipa de Madrid, consegue, ofensivamente, praticar um futebol total com um leque vastíssimo de soluções e mecanismos de jogo, com epicentro na construção de Modric e Alonso, objectivo na finalização ora por parte de Ronaldo ou Benzema e meio na criatividade de Isco, Di Maria e Gareth Bale (o primeiro pelo centro, os segundos tanto pelo centro como pelas alas) através de processos muito simples e objectivos.

Em Dortmund, chegou ao fim a 1ª era Klopp. Creio que com a saída de Lewandowski no Verão, outros que tem acompanhado Jurgen Klopp nestes últimos 4 anos lhe irão seguir os passos. O futebol alemão é mesmo assim. Tirando o Bayern (a equipa mais regular nos últimos 20 anos de Bundesliga), os restantes grandes do futebol alemão (Estugarda, Hamburgo, Borussia de Dortmund, Schalke 04) vão vivendo fases boas e fases menos boas. As fases dependem de muitos factores: do dinheiro existente para investir numa equipa competitiva (relembro que na Alemanha todas as transferências tem que ser pagas a pronto), dos talentos que vem da formação dos clubes, das apostas que os clubes vão fazendo na sua política de transferências e nas apostas feitas com determinados treinadores. Relembro por exemplo que quando Jurgen Klopp foi contratado em 2008\2009, a meio de mais uma crise financeira do clube, os responsáveis do Dortmund estavam longe de imaginar que Klopp, um indivíduo com uma modesta carreira enquanto futebolista e até então treinador de um modesto clube da Bundesliga 2, o FC Mainz (clube que agora tem aspirações europeias na Bundesliga) seria capaz de pegar em meia dúzia de veteranos e meia dúzia de jovens com algum talento (Schmelzer, Grosskreutz, Hummels, Subotic, posteriormente Mario Gotze, Lewandowski, Lukasz Piszczek, Sven Bender, Nuri Sahin) e tornar a equipa bicampeã alemã em 2010\2011 e 2011\2012 e finalista europeia em 2013.

Com a saída de Gotze a equipa tornou-se bastante irregular. A batuta mudou para o criativo da equipa, de nome Marco Reus. É dos pés do antigo jogador do Borussia de Moenchagladbach que sai grande parte do perigo ofensivo desta equipa. O Dortmund joga a época nestes quartos-de-final. A continuidade na Champions poderá devolver o sonho europeu aos adeptos do clube e poderá salvar uma época desastrosa na Bundesliga. O dinheiro da Champions poderá garantir à equipa alemã um poderio financeiro capaz de relançar internamente a equipa na próxima temporada através da contratação de 2 ou 3 reforços de qualidade para as posições chave onde a equipa apresenta alguma carência (as alas e a frente do ataque com a saída de Lewandowski; Pierre Aubemeyang é um jogador talentoso mas não correspondeu minimamente às expectativas fantasiadas pela estrutura do clube aquando da sua contratação).

Uma eliminatória de encaixe homem-a-homem

  • Hummels e Subotic terão a missão de travar as movimentações de área de CR7. Cristiano Ronaldo não poderia ter melhor desafio pela frente visto que a dupla de Dortmund é uma das melhores duplas de centrais da Europa.
  • Schmelzer irá travar um excelente confronto com Gareth Bale. O lateral alemão adora atacar. O galês não pára de atacar. É com esta dupla missão que o alemão entrará em campo: ser profícuo a travar o galês e ser capaz de ir lá à frente executar os seus venenosos cruzamentos.
  • Marcelo vs Kuba – A ofensividade total do brasileiro contra a ofensividade total do polaco.
  • Na batalha de meio-campo, um churrilho de estrelas: Gundogan e Henrik Mkhitaryan contra Luka Modric e Xabi Alonso. 4 grandes tecnicistas. O turco é o único músculo de meio-campo destes se bem que o Croata está sempre em alta-rotação.
  • Lewandowski vs Pepe – O internacional português sabe o quão é difícil parar o polaco quando este embala em drible ou quando este consegue desmarcar-se na área. Não lhe poderá dar nenhum espaço. Com 1 centimetro de espaço, Lewandowski faz estragos.
  • Marco Reus – O joker. É um dos jogadores que mais adoro na actualidade. Completíssimo: capacidade de passe, visão de jogo, fantástico remate de meia distância, inteligência, poderoso no contragolpe. Em dia sim, vence um jogo sozinho.

Prevejo uma eliminatória equilibrada e uma vitória madrilena no final.

PSG vs Chelsea

O Cavalão vs O Cavalinho

Mourinho é o cavalinho. Blanc é o cavalão.

Mourinho entra sem pressão (já a retirou toda a pressão da equipa no que a esta época concerne quando afirmou que estava a construir uma equipa para vencer tudo no próximo ano) mas o que é certo é que apesar das suas constantes declarações, este Chelsea arrisca-se a vencer o campeonato e a Champions.

Laurent Blanc entra com pressão. O proprietário do clube parisiense dotou o antigo seleccionador francês de um plantel de sonho, bem recheado em todas as posições do terreno, para, dominar de forma avassaladora a Ligue 1 e conquistar o título europeu nesta ou na próxima época. ” O Nosso projeto ainda está em construção, mas a nossa ambição é ganhar a Champions League” – afirmou Blanc. Uma construção desmedida, um onze de sonho e muitas soluções no banco de suplentes: de Yohan Cabaye ao mago Lucas Moura, passando pelo rapidíssimo Lavezzi ou pelo tecnicista Verrati.

Batalha de meio-campo – Muito talento em ambos os conjuntos – Matic, Hazard, William, Lampard, Mikel, Oscar, Ramires de um lado. Thiago Motta, Marco Verrati, Cabaye, Matuidi, Pastore do outro. Todas estas soluções garantem força, pulmão, assertividade no passe, inteligência, visão de jogo e criatividade, muita criatividade, em particular, quando falamos de Eden Hazard, o verdadeiro mago desta equipa do Chelsea. Se bem que Oscar é um jogador que me agrada pela simplicidade de processos, pela rapidez que incute na equipa atráves do seu rápido pensamento de jogo e pela rapidez com que, recebendo a bola no meio-campo, não inventa, não engonha e quase sempre consegue descobrir uma excelente solução para dar continuidade à jogada.

Referências de ataque de sonho – Maior pendente para o PSG com Cavani e Ibra. Dois killers. Samuel Eto´o aparece em grande forma nesta temporada, tendo sido decisivo no jogo contra o Galatasaray e noutros desafios domésticos da equipa de Mourinho. Fernando Torres tem por seu turno a estrelinha de campeão. Quando entra, nos minutos finais, costuma ser decisivo. Assim o foi contra o Barcelona há 2 anos e contra o Benfica na final da Liga Europa do ano passado.

O duelo entre PSG e Chelsea será para mim o mais espectacular, futebolisticamente falando.

Manchester United vs Bayern de Munique

champions

O confronto mais desequilibrado destes quartos-de-final. Em breves palavras: à passagem da meia-hora da primeira mão tudo poderá estar decidido. A equipa de Guardiola decide, esmaga, humilha e no final sorri e agradece ao generoso público afecto. David Moyes deverá ter visto o purgatório e o inferno nas bolinhas do sorteio quando se apercebeu que irá defrontar o campeão europeu. Com um plantel desequilibrado, com a moral em baixa, e com uma equipa que neste momento pratica um futebol sem nexo, desligado entre sectores, pouco pressionante defensivamente, as hipóteses deste Manchester eliminar o campeão europeu são quase nulas. Os laivos de genialidade de Robin Van Persie atenuaram por completo uma eliminatória em que os gregos do Olympiacos mereceram mais mas foram muito perdulários no jogo de Old Traford. O mesmo não se irá passar nesta eliminatória: a equipa de Guardiola é absolutamente letal. Cada tiro, cada melro.

 

Liga Europa

Carlos Bacca

Porto vs Sevilla

Ainda no rescaldo de Napoli. Nunca pensei que este Porto fosse capaz de tamanha proeza. Mérito de Luis Castro, demérito da equipa Napolitana. O Porto segue para a casa de partida. Ou melhor, para um das casas de partida: Sevilla. Sanchez Pizjuan, o mítico estádio da capital Andaluz onde o Porto de Mourinho conseguiu o seu primeiro triunfo na competição, na altura, ainda denominada como Taça UEFA, naquele jogo de loucos frente ao Celtic de Glasgow de Henrik Larsson.

O Sevilla não era a equipa mais forte a sorteio. A Juventus e o Benfica seriam adversários muito mais fortes que a equipa sevilhana.

Vinda de uma eliminatória difícil contra o rival Bétis (derrota em casa por 2-0, vitória mesmo ao lado no Benito Villamarin por 2-0 com o triunfo na eliminatória a ser obtido na marcação de grandes penalidades) o Sevilla, actual 7º classificado da Liga Espanhola é uma equipa, no mínimo, inconstante. É uma capaz do pior e do melhor num curto espaço de tempo.

O Porto irá reencontrar Beto. O português é o titular da baliza sevillana e está na equipa andaluz em definitivo depois de ter cumprido a segunda metade de 2012\2013 por empréstimo do FC Porto. À sua frente Beto tem uma defensiva agressiva mas bastante inconstante. Tanto Federico Fazio, como Javi Navarro como Dani Pareja são centrais que conseguem executar uma boa marcação (a Jackson e Ghilas) usando e abusando do físico. Contudo são dois centrais muito instáveis ao nível exibicional, cometendo bastantes falhas. Nas alas jogará o português Diogo Figueiras (o tal desconhecido que o Sevilla veio buscar ao Paços de Ferreira). O português é um lateral bastante ofensivo e faz boas combinações com os jogadores que actuam na direita (Reyes, Perotti). Na esquerda estará Alberto Moreno, uma das estrelas da equipa. Equilibrado, é certinho a defender e a atacar. Se Luis Castro colocar Quaresma na direita, Moreno tem capacidade para estancar aquele que neste momento é o jogador que cria mais perigo na equipa do Porto.

No meio-campo Unay Emery tem apostado mais (quando digo apostado mais, quero com isto dizer que Emery não costuma apresentar um onze base e por norma faz rodar imenso o plantel) num meio-campo composto por Carriço a trinco (esse mítico) Ivan Rakitic na construção de jogo (é o cérebro da equipa) José António Reyes numa ala, Perotti na outra, Marko Marin ora no centro na criação de jogo ora no flanco direito, e um ataque composto ou por Carlos Bacca (sozinho) e Kevin Gameiro ou por Carlos Bacca e Jairo Samperio mais recuado nas suas costas, ou por Carlos Bacca e Vitolo nas suas costas, papel onde se sente claramente mais à vontade como tecnicista que é.

De onde é que vem o perigo deste Sevilla?

  • De Rakitic. É o motor desta equipa espanhola. Joga e faz jogar. Sem o croata, os sevilhanos não conseguem ser objectivos no seu jogo ofensivo.
  • De Carlos Bacca. Jackson conhece-o bem porque são companheiros de selecção. Mortífero. Acrobático. Fortíssimo nas movimentações de área. Mangala, Maicon, Reyes ou Abdoulaye não lhe poderão dar um milímetro. Transforma uma bola morta em golo.
  • De Kevin Gameiro. Menos efectivo que Bacca mas o luso-francês também é um homem de área.
  • De Reyes. Numa bola parada, num cruzamento, espeta a bola na área e assiste com pinta um dos seus companheiros
  • De Marco Marin. O alemão está a subir de rendimento nesta parte final de temporada. Quando mete o turbo, é menino para individualizar, sacar 2 ou 3 adversários da frente e construir uma situação de perigo.

Benfica vs AZ Alkmaar

Dick Advocaat

Ao Benfica saiu a lotaria. Ao AZ a fava que ninguém neste momento queria.

O treinador do AZ, Dick Advocaat pode dizer que sabe o que é vencer esta competição. O treinador de 66 anos, um dos globetrotters da actualidade do futebol mundial (já treinou em 7 países diferentes) leva no seu extenso currículo, para além do título holandês conquistado em 1996\1997 ao serviço do PSV, das 2 ligas escocesas conquistas pelo Rangers entre 1998 e 2000 e do título russo conquistado em 2007 ao serviço do Zenit, uma vitória na competição na época 2007\2008 precisamente ao serviço da equipa de São Petersburgo. No ano em que os semi-desconhecidos do Petrovski (Arshavin, Anyukov, Fayzulin, Denisov, Konstantin Zyryanov, Pavel Pogrebnyak) se deram a conhecer à europa e catapultaram o Zenit para um estatuto europeu até então nunca detido pelo clube da antiga Leninegrado.

A equipa que orienta é neste momento 7ª classificada da Eredivisie, lugar que para já lhe garante a participação no playoff final disputado entre todas as equipas que se classificarem entre o 3º e o 8º lugar (apuramento para as competições europeias). Pelo menos, a coisa na Liga Holandesa é decidida assim.

Pontos fracos deste AZ:

  • A sua inconsistência. É uma equipa capaz de ganhar 3 ou 4 jogos seguidos e perder outros 3 ou 4 seguidos.
  • Dois centrais duros de rins (Nick Vergiever e Jeffrey Gouweleeuw) fortes no jogo áereo mas com muitas dificuldades para travar avançados rápidos, caso de Lima e Rodrigo.

Pontos fortes:

  • Muita rapidez na frente de ataque – O extremo Roy Beerens é um jogador rapidinho e com uma capacidade de cruzamento fantástica. É a estrela da companhia. Em conjunto com…
  • A dupla de médios centro – Viktor Elm, um conhecido nosso. Alinhou contra a selecção portuguesa no passado mês de Novembro e Nemanja Gudelj, um conhecido dos sérvios que alinham na equipa encarnada. Este sérvio de 22 anos, contratado no verão passado ao NAC Breda, é o grande maestro desta equipa.

Outros jogos da liga europa:

Lyon vs Juventus – O Olympique Lyonnais será presa fácil para a equipa de Turim. Apesar de Alexandre Lacazette estar em grande forma e da dupla de centrocampistas da equipa lionesa ser do melhor que se encontra pela Ligue 1 (Grenier e Gourcouff), a defensiva do Lyon tem jogos em que é como passar a faca na manteiga.

Basel vs Valência – A equipa suiça será um adversário tenebroso para a equipa de Pizzi. É uma equipa bastante segura defensivamente (destaque para o sueco Behrang Safari na direita e para o central Fabian Schar), com um meio campo muito activo (David Degen, Marcelo Dias, Valentin Stocker, Fabian Frei) com um jogo orientado para a grande referência ofensiva da equipa, o veteraníssimo Marco Streller.

Superbock! Fresquinha #80

jorge jesus 3

As declarações proferidas por Tim Sherwood no rescaldo do jogo contra o Benfica fazem todo o sentido. O inglês afirmou que “Jorge Jesus é um treinador sem classe” – se há coisa que os agentes desportivos britânicos não suportam é folclore e falta de fair-play. Esse é indiscutivelmente um dos motivos pelos quais o mercado do treinador do Benfica é, no estrangeiro, nulo. Por mais skills e conhecimento do futebol que Jesus tenha (é um treinador com uma metodologia de treino extremamente avançada, mais avançada até do que as metodologias de treino utilizadas por grande parte dos treinadores das 4 melhores ligas europeias; é mestre na preparação de jogos;), os ingleses, por exemplo, não só punem com mão severa este tipo de atitudes como se esquivam o máximo que podem à escolha deste tipo de treinadores para as suas equipas.

Dançar aquando de um golo, quando as coisas estão a correr bem e quando o treinador sente que a equipa está a desempenhar na perfeição dentro do rectângulo do jogo tudo aquilo que foi preparado durante a semana, deve-se considerar, como considerei ontem, um momento engraçado.Tudo o que o treinador do Benfica fez para além da dança em White Hart Lane (sair fora da sua área técnica; coisa que o treinador do Benfica faz em 99% dos jogos com a conivência dos 4ºs árbitros destacados para os jogos do Benfica; a sinalética dos 3 golos; o “bate-boca” com Sherwood, como se Jesus pudesse de um momento para o outro desatar a falar inglês quando nem o português fala em condições ou como se o inglês pudesse perceber o seu código dialético pessoal ou a justificação esfarrapada da camisola do Luisão) ultrapassa por completo o campo do fair-play e roça o limiar tolerado para a falta de respeito, para a falta de maneiras e até para a falta de educação.

A revelação que JJ fez hoje é mais um desses exemplos. Quando ouvi a notícia na rádio, interroguei-me logo: “ó Jesus, mas para que é que isso te interessa?” –

em primeiro lugar, é de mau tom reproduzir publicamente um conversa mantida ao telemóvel com alguém.

em segundo lugar, ao tornar público o que supostamente André Villas-Boas lhe terá dito na conversa, Jorge Jesus poderá dificultar a vida ao seu companheiro de profissão: Imaginemos que a confirmar-se como verdade, há um princípio de acordo entre Zenit e André Villas-Boas mas não há nada escrito e assinado. Imaginemos que o Zenit, sabendo que a contratação já foi tornada  pública em Portugal pela boca de um desbocado colega de profissão do treinador português, decide mudar de ideias. Todos nós sabemos quanto os clubes do Leste mudam de intenções muito rapidamente.

em terceiro lugar, é de mau tom a estranha mania que o treinador do Benfica tem em comentar assuntos que não dizem respeito à vida do clube que treina. é um dos únicos treinadores em portugal que o faz e que o faz constantemente, chegando até a criticar o trabalho de colegas de profissão com a maior das naturalidades quando… na sua própria casa também teve\tem os seus telhados de vidro. por aqui percebe-se porque é que a imprensa nacional adora Jorge Jesus. Qual é o jornalista que não adora preencher as páginas destinadas a um clube e conseguir preencher outras tantas destinadas a outros com informação barata e minimamente fidedigna?

Sondagem #5

sondagem 13

sondagem 14

Quando já se joga no Dragão (e em outros 7 estádios) os oitavos-de-final da competição publico os resultados da sondagem que levamos a cabo nas últimas semanas.

À pergunta “Quem irá vencer a Liga Europa?”, a esmagadora maioria dos votantes escolheu Benfica e Juventus. Os italianos obtiveram vantagem de 1 voto em relação aos encarnados. Como irão receber no Dell´Alpi a final da competição, pode-se mesmo dizer que obtiveram uma “ligeira vantagem” por factor casa. Ambas as equipas terão que suar muito para passar os quartos-de-final da prova: os italianos batem-se contra a Fiorentina enquanto os encarnados tem confronto marcado contra o Tottenham.

Os restantes 18 votos penderam para as seguintes equipas: Fiorentina (4 votos), Red Bull Salzburg (4 votos), Tottenham (3 votos), FC Porto (3 votos), Napoli, Ludogorets, Valência e Sevilla (1 voto).

Os Chorões e os Saloios


Imagem

Aviso prévio: a utilização do termo “Saloio” neste texto não se refere, felizmente, à generalidade dos adeptos do Benfica, mas a todos aqueles que transbordam um ódio desmesurado ao Sporting, com que um gajo civilizado tem de gramar diariamente em diferentes sítios.

Estamos neste momento a entrar naquela fase em que os Saloios começam a sair da toca. O Campeonato está resolvido e, como já nos habituaram, estão a entrar naquele período de ostentação do “semos os máióres”. Não sabem ganhar calados: têm de esfregar na cara dos outros que estão à frente, como se fossem os únicos seres possuidores de destreza para analisar a tabela classificativa do Campeonato. Publicam mais vídeos e posts sobre o Sporting do que sobre o clube deles, mas depois os “anti” são os outros. Metem-se nas conversas entre Sportinguistas, chamando-lhes “chorões”, “Kalimeros” (no nosso futebol sinto-me mais como a Abelha Maia..) e usando outro tipo de termos, próprios de alguém que só consegue olhar para o seu umbigo, abstraindo-se da triste realidade que é o futebol em que estão inseridos. É fácil quando não se tem razões de queixa. No fundo, calculo que a postura da generalidade dos Saloios relativamente às queixas do Sporting sobre a arbitragem, seja a mesma que um empresário de sucesso tenha quando observa pela televisão as manifestações do Povo contra as medidas de austeridade: “Lá estão aqueles tristes outra vez a queixar-se..”

O Presidente é o mais chorão de todos. Luta pelos interesses do Clube e dos seus Sócios, e pela melhoria do Futebol Nacional, apresentando medidas concretas para isso. Onde é que isto já se viu? Que tristeza. “Dá muitas entrevistas.” “É populista.” “Aparece demais.” Ele devia era andar a tratar dos negócios pessoais dele, como fazem outros Presidentes ali para os lados de Moçambique. Devia, mas não pode. Porque ao contrário de outros que já têm o rabo moldado à poltrona, a cadeira onde se sentou não lhe permite dar-se a esse luxo.

O Saloio acha que o Sporting devia era “jogar mais” em vez de chorar. Aqui até concordo parcialmente. Devia ter jogado mais no Dragão, e devia ter jogado muito mais na Luz. Ainda assim, e mesmo tirando esses dois jogos, o que jogou até agora era mais que suficiente para estar a disputar o primeiro lugar do Campeonato. Porque se por um lado houve quem nos tirasse pontos por ser incompetente (sim Xistra, sim Vasco Santos!), por outro houve quem o fizesse simplesmente porque tinha um apito na boca e podia fazê-lo (sim Talhante Mota, até os árabes já sabem quem tu és!).

“E os foras de jogo do Montero?” 25 golos fora-de-jogo leva o Montero esta época. Costuma-se dizer que uma mentira quando dita muitas vezes, acaba por se tornar verdade. O fora-de-jogo [posicional] do Montero no jogo em Alvalade contra o Benfica é um escândalo nacional sem precedentes. Para o Saloio, claro. Os outros facilmente percebem que é um lance de difícil análise, e percebem ainda que o golo do Benfica nesse jogo também nasce de uma falta que não existe, logo o resultado mais justo seria sempre o empate. Além disso, o Benfiquista civilizado consegue distinguir a dificuldade em ajuizar esse fora de jogo do Montero, da mão que o Xistra, sem ningúem à frente, não viu com o Rio Ave; dos dois penaltys que o Duarte Gomes não quis ver na Luz; ou do empurrão que o Mota “viu” com o Nacional, entre [muitos] outros lances. E lembra-se que o Lima e o Rodrigo têm, cada um, pelo menos tantos golos marcados fora de jogo este ano quanto o Montero.

“Os grandes são todos beneficiados e prejudicados de igual forma!”. Eu acho que o índice de autismo e estupidez que pode levar um indivíduo a proferir tais palavras chega a ser preocupante, pelo que nem faço comentários. Dizer que o Sporting foi tão beneficiado quanto o Porto nos últimos 20 anos, é querer transformar as escutas do Apito Dourado numa embalagem de fraldas Dodot.

imbecilidade do dia

«A arbitragem de Vasco Santos foi prejudicial para ambos os lados e não beneficiou ninguém. Poder-se-á dizer que houve uma arbitragem não com dualidade de critérios, mas infeliz e tanto alarido só pode ser a pensar nos próximos jogos. O Sporting está a fazer campanha para as próximas jornadas, mas é um problema deles e não tenho nada a ver com isso. Cada um gere a sua casa como entende», – Fernando Oliveira, presidente do Vitória de Setúbal.

Ponto 1: Depois de refectir sobre as declarações proferidas por António Oliveira no Dia Seguinte, escritas aqui, cada vez sou mais de acordo, à semelhança daquilo que é regulamentado noutras ligas, como a dita Premier League, aquela Liga cujas regras são muitas vezes postas em analogias baratuchas à realidade da merda do nosso futebol, à proibição dos empréstimos de jogadores entre equipas do mesmo escalão. O problema vem detrás. Muito se falou no passado do facto de Porto, Benfica e Sporting terem dezenas de jogadores emprestados às equipas da primeira Liga. A própria Liga de Clubes tentou, em Junho de 2012, infrutiferamente, incluir esta proibição. Levantou-se de imediato um torvelinho. Aqui d´El Rey que me roubam o palco e o microfone, os talheres, os pratos e os copos. Ai de mim sem as minhas sandes. Curiosamente, as equipas que nesse verão, armaram literalmente o escambau contra a medida foram aquelas que me disseminam a sua prole pelas equipas de primeira Liga: o FC Porto e o Benfica. Coincidências, portanto…

O Benfica chegou mesmo a apresentar recurso da decisão e com o seu poder de influência vetou a decisão tomada em Assembleia-Geral da Liga.

Um dos clubes que mais beneficia de empréstimos dos grandes é precisamente o Vitória de Setúbal. Não querendo relativizar tal facto, parece-me, à luz das declarações de Fernando Oliveira, um assunto de lana caprina tendo em conta a última frase… porque…

existem dirigentes que mais valiam manter a sua boca calada em determinados momentos. não, não me refiro apenas a José Eduardo Simões quando este se mascarou de Capitão de Abril e pediu a revolução dos cravos no futebol português. refiro-me sim ao presidente do setúbal, mais concretamente, à gestão que ele está a fazer na sua casa.

não é por nada, mas subitamente apareceu na terra do Elmano Sadino, um médico de nome Júlio Adrião, a encabeçar um movimento peticionário de associados do clube setubalense, a bater com a boca no trombone e a denunciar aquilo se vem passando desde há alguns anos atrás no Bonfim. Bonfim para alguns. Outros vão directamente para o olho da rua sem receberem um tostão e não falo apenas dos empregados do clube, gente que fica 10 e 11 meses sem receber os seus ordenados porque, um dito Fernando Oliveira, não cumpre com as obrigações mais básicas do clube e da SAD que dirige sob um Plano Especial de Revitalização.

Endureço o tom.

Esse tal de Júlio Adrião tem proferido aqui e ali alguns coisas bem interessantes sobre a gestão de Fernando Oliveira. Uma delas é o facto do dito não pagar a horas, ou melhor, só pagar a quem tem poder para manter o clube activo. O médico também disparou que a direcção presidida por Fernando Oliveira quis construir um complexo desportivo no Vale da Rosa que nunca se concretizou mas que resultou na alienação de património do clube, incluíndo os direitos de superfície dos terrenos do Bonfim. Desconhece-se para quem foi o pagamento mas conhece-se que o presidente do Vitória de Setúbal utiliza contas bancárias muito pouco fidedignas para realizar pagamentos relativos à vida do clube. Outras histórias são contadas por quem afirma que actuais dirigentes do clube setubalense lucraram com as vendas de determinados jogadores.

A bom da verdade, se a Liga fizesse cumprir todas as suas regras, estaria o Vitória de Setúbal nas condições exigidas para permanecer na 1ª divisão, sabendo por exemplo, que é um dos clubes que chantageia os jogadores a assinar os documentos em como receberam os seus salários mas de facto não os receberam? Estaria o Vitória de Setúbal na primeira divisão sabendo que é dos clubes que mais deve à Segurança Social e ao Fisco?

ENCOMENDA

vasco santos
Inqualificável. Irradiação é o mínimo que se deve pedir para este senhor.

Agora quero ver qual dos colegas e dos dirigentes da sua corporação é que vão sair em sua defesa nos próximos dias.

Mérito ao Vitória de Setúbal. Tem um peso superior ao do Sporting dentro da piramide do futebol português. É um bom afiliado daquele matreiro que outrora disse que o “futuro do futebol português passa pelo Benfica e pelo Sporting”.

Superbock! Fresquinha! #78

Segundo o Jornal A Bola, em Fátima o presidente do Marítimo chamou “velho gaga” e “imbecil” a Pinto da Costa, que, por seu turno ripostou que a formação que tinha não era essa. O presidente do Marítimo contra-atacou com “não é não, pois a minha formação é diurna” – Carlos Pereira cruzou os insultos, ao chamar “pau mandado dos interesses do FCP” ao presidente do Vitória de Guimarães Julio Mendes. Recordo que Julio Mendes foi um dos presidentes que manifestou maior conexão com as propostas apresentadas pelo Sporting para alterar o estado de sítio actual do futebol português na reunião de presidentes realizada em Alvalade em meados de Janeiro. Ao contrário de outros como António Salvador, conheço perfeitamente a posição do líder vitoriano: como nos últimos anos recebe jogadores por empréstimo do FC Porto assim como dispensados do Sporting (casos de Amido Baldé, Nii Plange ou André Santos; são cedidos ao Vitória a custo zero, ficando o Sporting com percentagens do passe), Julio Mendes sabe que tem a ganhar caso vá satisfazendo aqui e ali os interesses de ambas as partes.

As razões apontadas para o abandono de Bruno de Carvalho e Luis Filipe Vieira da reunião foram simples: pensavam que iam a Fátima dialogar sobre as questões que realmente interessam para o futuro do futebol português (redução do IVA no preço dos bilhetes, redução da carga fiscal aplicada à indústria do futebol, tabelamento unificado do preço dos bilhetes, publicação dos relatórios dos observações dos árbitros, sistema de nomeação dos árbitros por sorteio, redefinição dos poderes da Liga de Clubes, entre outras questões) e acabaram por assistir a uma reunião marcada para decidir o que fazer com o actual presidente da Liga na próxima assembleia-geral do organismo. Como escrevi ontem, os poderes instalados no futebol português estão a mexer-se. Bastante bem e com passos visíveis e previsíveis. Mário Figueiredo já sabe a quem se agarrar em caso de problemas. Segundo o que foi dito pelo presidente da Liga na quinta-feira, alguns dos clubes aliados do FC Porto e do Braga (não é estranho e ao mesmo tempo delicioso observar que Antonio Salvador é parceiro de negócios de Luis Filipe Vieira mas ao mesmo tempo também negoceia benefícios futebolísticos com Jorge Nuno Pinto da Costa?) andam a beneficiar da ajuda de alguém, parafraseando o advogado conimbricense, “detentor de uma posição ” no sector, para, adiar o pagamento de alguns instrumentos financeiros que vão contraíndo nos últimos meses junto da banca.

Daqui pode-se retirar uma conclusão: há uns anos atrás, nos meandros do futebol, era vendida a ideia que os clubes grandes dominavam os pequenos consoante a quantidade de jogadores e “técnicos emprestados” – o Porto chegou a ter há uns anos mais de 30 jogadores emprestados a clubes de 1ª liga assim como meia dúzia de antigos treinadores ao serviço desses mesmos clubes. Actualmente, seguindo a charada do presidente da Liga, esse domínio vai bem mais além dos simples empréstimos.

Superbock! Fresquinha! #77

Da reunião dos presidentes de clubes profissionais em Fátima:

Bruno de Carvalho foi o primeiro a sair da reunião. O presidente do Sporting não aguentou mais que 1 hora dentro da sala. Luis Filipe Vieira seguiu-lhe os passos minutos depois e afirmou: «Para bem do futebol é melhor nem dizermos nada. Espero que quem ficou assuma as responsabilidades do que vai acontecer no futebol português. O futebol português está acima de tudo e não com guerras pessoais. O futuro do futebol português terá que passar pelo Benfica e pelo Sporting. Não vamos aturar guerras de pessoas » – ora bem, as dúvidas ficaram aqui esclarecidas: Mário Figueiredo tem aqui os seus dois maiores aliados. Ainda não sabe é até que ponto Bruno de Carvalho alinha na bitola de Luis Filipe Vieira.

Dentro da sala ficaram os restantes presidentes, existindo relatos que afirmam que Carlos Pereira e Jorge Nuno Pinto da Costa insultaram-se durante toda a sessão. Cansado do bate boca, Carlos Pereira também haveria de abandonar a sala. A atitude do presidente do Marítimo em alguns momentos deixa a desejar. O clube madeirense está de costas voltadas para a direcção portista desde o caso Kléber. Contudo, aquando do atraso alegadamente provocado por Fernando no jogo a contar para a Taça da Liga, a direcção maritimista não só ficou calada durante todo o processo desencadeado pela Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga\Conselho de Disciplina, como negou categoricamente as palavras de um jogador do plantel do clube madeirense à imprensa (sob anonimato) que consideravam o atraso provocado pelos portistas como deliberado. No mesmo dia, Carlos Pereira teceu os comentários que teceu sobre o alegado interesse do Sporting em Heldon e Sami e no dia seguinte vendeu o cabo-verdiano por 1,5 milhões de euros.

O que é que mudou nisto tudo? Foi a posição do Sporting como comprador? Se o Sporting não tivesse comprado o jogador cabo-verdiano, de que lado estaria Carlos Pereira neste momento?

Superbock! Fresquinha! #74

bruno esteves

Premissa essencial à leitura da notícia: a decisão foi tomada pelo Conselho de Disciplina da FPF, na sequência da incumbência que lhe foi empossada pelo julgamento do caso dos incidentes de Guimarães.

1. A uniformidade de critérios e práticas na arbitragem portuguesa é crassa: aquando da deslocação do Sporting a Guimarães para a Liga, Paulo Baptista escreveu no seu relatório (por indicação de um dos seus auxiliares) o facto do roupeiro do Sporting, o mítico Paulinho, se ter deslocado do sítio no qual era permitido ver a partida para abraçar o staff técnico do Sporting no golo marcado por Islam Slimani. O roupeiro do Sporting foi multado em 300 e picos euros. Basta pesquisarem aqui nos mapas de castigos deliberados no passado mês de Novembro. Bruno Esteves não fez qualquer menção no seu relatório à pouca vergonha realizada pelo treinador do Benfica na cidade vimaranense.

2. A decisão do CD\FPF abre um precedente interessante: Bruno Esteves ficará de bolsos vazios na próxima semana. Decerto que irá aprender a lição. Quando cometemos um erro (por omissão, por negligência ou por tendência) e esse erro nos sai do bolso, decerto que nunca mais iremos cometer esse erro. A ver vamos se a decisão tomada pela CD\FPF poderá um dia ser aplicada no que concerne aos erros cometidos dentro de campo pela arbitragem. Continuo a defender que essa é uma das medidas que pode alinhar a arbitragem portuguesa nos eixos. Afinal de contas, são parte integrante de uma indústria na qual os resultados desportivos influem directamente nos resultados financeiros dos clubes, que, por seu turno, influem directamente nos empregos de milhares de cidadãos.

3. Não deixa de ser interessante a postura adoptada pelo dito Conselho, algumas semanas depois de se ter “marimbado” e ter feito “marimba” nos regulamentos da Taça da Liga no caso do atraso do FC Porto frente ao Marítimo. Tratando-se de um caso resultante de um acontecimento protagonizado pelo treinador do clube rival do clube simpatizado pelo presidente do Conselho de Arbitragem, estaremos aqui perante um aviso à navegação?

Superbock! Fresquinha! #71

Tudo ao Molho!

O assistente de Jorge Ferreira e os erros. Odeio todos aqueles que desculpam os erros com erros ou compensam os erros com erros ou beneficiam quem foi prejudicado com a realização de mais um erro. A argumentação que li de diversos adeptos benfiquistas nas redes sociais foi: já que fomos prejudicados no jogo da Luz com aquele golo em fora-de-jogo, o que se passou hoje no restelo foi a compensação de um erro. Errado. É quase como dizer: se eu roubar um pobre e sentir-me mal por roubar um pobre, no dia seguinte vou assaltar um rico para me sentir melhor. A 21ª jornada da Liga foi pelo mesmo caminho das 20 jornadas disputadas anteriormente: não houve uma única jornada até este momento em que a arbitragem não tenha executado influência no resultado final de um jogo. Factos são factos. O que não é facto, até hoje, é o estranho silêncio mantido semana após semana pelo presidente do Conselho de Arbitragem da Liga…

e em Guimarães. Douglas faz um penalty ridículo, justamente assinalado. Abdoulaye joga a bola com a mão e não é expulso. A posição de Maazou no lance do golo é muito duvidosa. Maicon atira uma bolada em cheio em Rui Vitória quando estão duas bolas em campo. Danilo perde as estribeiras e agride um adversário.

Paulo Fonseca ganha a aposta em Licá e Ghilas no primeiro tempo mas não lê a situação de jogo na 2ª quando o Guimarães esfuma por completo o pobre meio-campo do Porto. Outra evidência que já tinha constado no jogo de Frankfurt: se Abdoulaye, Maicon e Mangala são centrais lentos e com muitas dificuldades no jogo para as suas costas (tanto Marco Silva como Armin Veh como Rui Vitória aperceberam-se disso) porque é que Paulo Fonseca continua a apostar na subida dos centrais para fazer cair na armadilha do fora-de-jogo os avançados contrários quando os laterais nem sempre jogam na mesma linha dos centrais? Exemplos: o golo sofrido em Frankfurt em que Maicon e Mangala tentam subir mas há alguém que coloca em linha vários jogadores da equipa do Frankfurt. O golo de Marco Matias hoje. O golo de Maazou apontado por Maazou revelou também outro aspecto que já tinha reparado no jogo de Frankfurt: as imensas falhas de marcação que a defensiva do Porto tem cometido. Como é que aparece tanta gente ali na área sem marcação?

Menção honrosa –

PACOS DE FERREIRA        ( 2013/2014 )

o boné, pois claro.

Do inferno ao céu

A missão é espinhosa. O timing escolhido para a transição ideal. Sei de fonte segura que se Henrique Calisto ficasse mais 2 ou 3 dias em Paços de Ferreira, iria acabar por ser despedido por… ter andado à turra e à massa com um\vários jogador\es. Com 10 jogos pela frente, apesar do tempo não voltar para trás, Jorge Costa tem todas as possibilidades para garantir ao Paços de Ferreira a estabilidade que nunca teve durante esta temporada. Além disso, Jorge Costa terá aqui a oportunidade de se relançar novamente no mercado português. O “plantel” de Calisto estava desfeito em cacos. Prova disso foi a elogiosa atitude realçada por toda a imprensa portuguesa da equipa Pacense na vitória obtida em casa frente ao Marítimo por 3-1. Com a vitória, os Pacenses voltaram a subir a linha de água e podem respirar tranquilamente durante esta semana.

Gil Vicente – Antonio Fiúza é uma daquelas extraordinárias figuras do futebol português pelo qual tenho todo o respeito. Dirige aquele clube com um amor raro para os dias que correm (ao ponto de já ter assumido do seu bolso e arriscado o seu património pessoal em algumas operações financeiras contraídas pelo clube gilista junto da banca) e com um rigor fantástico. O Gil Vicente é indiscutivelmente um dos clubes mais saudáveis no plano financeiro da Liga Portuguesa. Ao contrário de outros, como o adversário (Vitória de Setúbal) contra quem os gilistas defrontaram nesta tarde de domingo, clube no qual, o anterior presidente tinha, entre outras irregularidades, contas paralelas ao clube para fazer recebimentos e pagamentos e estranha mania de pagar aos credores que queria. Inclusive jogadores. A velha história do “se renovas, recebes o resto do ordenado. se não renovas, assina aí a ficha da Liga em como recebes mas espera até receberes” – em suma: o galo do Gil Vicente assume o que pode pagar, contrata o que pode pagar e anda a cantar certinho como um relógio.

Há uns meses atrás notava-se que Antonio Fiúza era um homem feliz. O seu galo andava de crista alta e até tentava assumir destacadamente um lugar nas competições europeias. Apesar de ser um clube com as contas em dia, a possibilidade dos gilistas lutarem pela europa poderá, a meu ver, por em risco a estabilidade erigida no clube nas últimas 3 temporadas. No campo a pressão do bom arranque de época fez-se sentir e os jogadores do clube de Barcelos passaram as passas dos algarves até vencer hoje. Daqui a 1 ou 2 épocas, em condições coeteris paribus com a actual conjectura do clube, talvez seja possível lutar  por algo mais que a permanência. Se bem que esta ainda não está nem de perto nem de longe assegurada nesta temporada.

Superbock! Fresquinha! #70

belenenses

O comunicado publicado ontem no site oficial do Clube de Futebol “Os Belenenses” está a gerar alguma discussão nas redes sociais. Eu cá não me faço rogado em afirmar que esta decisão tomada pelo clube de belém é uma parvoíce de todo o tamanho. Para além de violar por completo a liberdade individual de cada um se apresentar no estádio com a indumentária que lhe aprouver (desde que não seja contra a ordem pública como manda a lei) é um claro atentado contra o consumidor, que, indiferentemente do que vai vestido, já paga um preço mais que suficiente pelo bilhete do espectáculo. Em certa medida, esta decisão roça aquilo que víamos há 30 anos nos estádios sul-africanos quando os negros eram proibídos de assistir a espectáculos desportivos ou, eram separados das pessoas de raça branca dentro dos mesmos.

Compreendo perfeitamente que os clubes reservem certas bancadas para os seus associados ou adeptos. Para isso é que a Liga estabelece no seu regulamento um número mínimo de bilhetes que os clubes tem que enviar para os associados e adeptos da equipa adversária. Não compreendo é a adopção de determinadas medidas, de determinados preciosismos, quando de facto, os clubes ditos pequenos precisam das receitas de bilhética deste tipo de jogos para equilibrar as suas contas. Numa altura em que maior parte dos clubes se queixam da falta de afluência de público aos estádios e numa conjuntura em que alguns se reuniram para pedir ao Estado a mudança do quadro legal respeitante à carga fiscal aplicada no futebol (inclusive no IVA cobrado pelo Estado nos bilhetes) como forma de puxar mais adeptos para o estádio e fazer evoluir financeiramente a indústria em causa, penso que esta medida é contrasensual com que tem sido reinvindicado pelos clubes e só serve para afastar mais público dos estádios de futebol.

Breve análise a alguns jogos da Liga Europa

1. Eintracht de Frankfurt vs FC Porto – Quem é que seria de apostar que, dois jogadores altamente contestados no reino do Dragão (Licá e Ghilas) seriam os obreiros do apuramento do FC Porto nesta eliminatória contra o Frankfurt?

Jogo de alta rotação com uma intensidade de jogo altíssima. Impróprio para cardíacos.

Depois do pesadelo do jogo do Dragão, o Porto esteve à beira de morrer em Frankfurt mas no fundo do poço, Licá e Ghilas bateram na mola e catapultaram a equipa quando esta mais precisava. O jogo pode ser explicado em traços muito simples: domínio do Porto em quase todos os aspectos do jogo: posse de bola, domínio territorial, ataques e remates. Num jogo muito partido na sua fase inicial, no qual em dois ou três toques os jogadores do Frankfurt conseguiam progredir no terreno e colocar a bola (e muitos homens) no ultimo terço do terreno, os dois golos de rajada da equipa alemã deveram-se mais uma vez a dois enormes erros defensivos dos centrais da equipa orientada por Paulo Fonseca.

A equipa alemã também demonstrou ser fortíssima no contra-ataque. É claro que a velocidade com que as equipas disputaram a partida facilitou a manobra ofensiva da equipa alemã. Tanto Mangala como Maicon fizeram um jogo para esquecer:  o gigantão Meier deu muito trabalho e os centrais falharam por imensas vezes a marcação ao falso número 9 do Frankfurt. Mangala ainda conseguiu emendar os erros cometidos com as duas fantásticas cabeçadas que executou na área do Frankfurt. Logo a seguir ao golo do francês, o Frankfurt poderia ter selado o apuramento naquele estonteante contra-ataque conduzido pela faixa central pelo espanhol Joselu. Valeu a excelente intervenção de Alex Sandro junto da linha de golo. Quando este a 15 minutos do fim fez o 3-2, numa fase em que o Porto, depois de empatar a partida estava mais capaz de selar a eliminatória do que o contrário, pensou-se que era o fim da linha para o FC Porto e quiçá para Paulo Fonseca, apesar deste ter afirmado na conferência de imprensa posterior à partida que o jogo não era decisivo para a sua permanência no comando técnico do clube.

Valeu a força psicológica dos jogadores do clube da invicta. Se com 2-0 no marcador a favor dos alemães, a jogar melhor que a equipa germânica, a equipa portuguesa teve uma enorme capacidade de resposta, 0 3-2 poderia ter sido dificílimo de superar. A capacidade de resposta da equipa de Paulo Fonseca foi o seu maior trunfo nesta partida diante da eficácia dos alemães tanto no 1º jogo como na partida de hoje.

Tranquillo Barnetta – É uma pena o facto do Suiço ter passado ao lado de uma grande carreira. Não lhe faltam capacidades técnicas, capacidade de remate de meia distância e visão de jogo. Falta-lhe alguma velocidade e quiçá, digo eu, um pouco de brio. Ao longo da sua carreira teve todos os ingredientes para ser um dos melhores do mundo na sua posição mas, ou por falta de profissionalismo, ou por medo, ou por qualquer outro factor que por vezes o futebol por si só não explica, acabou por se arrastar por clubes sem grandes objectivos.

joselu

Na equipa alemã, quem me encantou nestes dois jogos foi o espanhol Joselu. Este espanhol de 24 anos, tem um currículo tão banal como centenas de jogadores espanhois. Criado na formação do Celta de Vigo, estreou-se aos 18 anos na equipa b dos galegos e logo despertou a cobiça do Real Madrid que o deixou permanecer em Vigo mais um ano (2009\2010). Em Madrid não teve a sorte do seu lado: fez 40 golos em duas épocas ao serviço do Castilla (72 jogos) na 2ª liga espanhola e apenas um jogo pela equipa principal dos merengues, curiosamente, onde até marcou. Sem espaço no plantel principal dos merengues, escondido no ocaso de grandes estrelas mundiais como Benzema ou Higuaín, decidiu assinar pelo Hoffenheim em 2012. No seu ano de estreia da Bundesliga em 2012\2013 marcou por 5 vezes em 25 jogos. A equipa decidiu emprestá-lo ao Eintracht de Frankfurt, clube onde marcou 3 golos em 10 jogos.

Não sendo um finalizador por excelência é um jogador rapidíssimo, com um sentido técnico muito apurado, rendendo mais nas costas de um ponta-de-lança visto que quando a bola lhe chega aos pés tem remate fácil, consegue criar muitos desequilíbrios no 1×1 e arrancadas a alta velocidade, facto que não só lhe permite muitas investidas individuais no último terço do terreno como são benéficas para que o espanhol arraste um dos centrais consigo e assim consiga não só arranjar espaço livre para os seus colegas como criar jogo para o homem de referência da equipa, Alexander Meier.

Estou seguro que o veremos dentro em breve o veremos a jogar num dos crónicos candidatos às competições europeias da Liga Espanhola (Espanyol, Real Sociedad, Getafe, Sevilla, Bétis).

2. Napoli vs Swansea – Já diz o ditado futebolístico que “quem não marca sofre” – Rafa Benitez igual a si próprio. Se o Napoli é hoje um grande candidato a vencer a Liga Europa tal se deve à mentalidade com que o espanhol encara os jogos a eliminar. Já era assim nos tempos do Valência, clube pelo qual o espanhol venceu a Taça UEFA em 2004 e no Liverpool, clube pelo qual o técnico venceu a Champions logo no ano seguinte, precisamente o ano da sua estreia no comando técnico dos Reds. Livre de encargos no campeonato (neste momento o Napoli é 3º, já não está em condições de lutar pelo título italiano; tem a Fiorentina a 6 pontos e o Inter a 10; não é expectável que os nerazzurri consigam recuperar esses 10 pontos de diferença até ao final da Serie A) a Liga Europa pode ser o tal troféu que a equipa presidida pelo cineasta Aurelio Di Laurentiis tanto procura nos últimos anos.

No Napoli, Benitez apenas se pode queixar do facto de, na fase-de-grupos da Champions, ter sido eliminado por um golo (o de Kevin Grosskreutz ao Marseille nos últimos minutos) – em condições normais de apuramento, ou seja, com a obtenção de 10 ou mais pontos nas 6 jornadas da fase-de-grupos da prova, este Napoli ainda estaria hoje a discutir o apuramento para os quartos-de-final da Champions e não para os oitavos da liga europa. Na história da Champions, só por 7 vezes, equipas que pontuaram 10 ou mais pontos na fase de grupos ficaram de fora da fase final da prova.

Lorenzo Insigne abriu o marcador no San Paolo com um golo de se tirar o chapéu. O Swansea respondeu e na segunda parte, Wilfried Bony teve tudo para poder fazer o 2-1 numa cabeçada no coração da área que Pepe Reina defendeu. Mortífero no contra-ataque o Napoli não perdoou e Higuaín aproveitou um ressalto resultante de uma situação em que um jogador do Swansea tentou aliviar a bola mas esta acabou por bater num dos seus companheiros de equipa e ressaltar para os pés do avançado argentino, que assim quebrou o enguiço pelo qual foi extremamente criticado em Itália no decurso desta época: o facto de falhar imensos golos nos jogos importantes do Napoli. Com o 2-1, a equipa de Benitez tranquilizou, meteu o seu fortíssimo contra-golpe e o Swansea desapareceu da partida. Higuaín falhou o 3-1 na cara do holandês Michael Vorm e minutos depois o suiço Gokham Inler selou a passagem à próxima ronda da prova.

3. Antevisão Napoli vs FC Porto –

O Napoli é uma equipa fortíssima. O ataque dos Napolitanos é assustador. Se a consistência defensiva se deve em muito ao equilíbrio que os musculados “relógios suiços” Behrami, Dzemaili e Inler dão à equipa, daí para a frente, veleidades como aquelas que Maicon e Mangala deram hoje são motivo mais que suficiente para crer que o Napoli resolve tranquilamente no San Paolo com goleada, faça o que fizer o Porto no ataque. Mertens e Marek Hamsik são os grandes playmakers desta equipa: aceleram o jogo como ninguém, põe-no incontrolável, diria mesmo diabólico, assistem, aparecem atrás dos pontas-de-lança a aproveitar todas as segundas bolas e servem um trio de virtuosos: Insigne, Callejón e Higuaín. Se o terceiro está sempre no sítio certo à hora certa, o primeiro é um talento prodigioso que, em perimetros muito curtos, num gesto repentino mete o lateral nas covas e atira a matar. O 2º é fortíssimo no contra-ataque e aparece muito bem na área a finalizar.

Um dos pontos que a equipa portuguesa poderá explorar são as subidas dos laterais. Benitez faz subir muito no terreno tanto o francês Ghoulam como o colombiano Zuñiga como o italiano Christian Maggio. As devidas compensações as alas são feitas pelos suiços. Behrami executa esse papel na perfeição visto que a sua posição de origem é precisamente a de lateral direito. Dzemaili é um todo-o-terreno que joga bem em qualquer posição do terreno. Já Inler é um jogador que combina músculo com skills técnicos. Tanto é capaz de entrar a varrer no miolo como a seguir iniciar uma transição com um passe longo de campo-a-campo. Se Varela e Quaresma estiverem naqueles dias em que conseguem fazer muitas arrancadas em velocidade pelas alas, poderão ter muito espaço para jogar nos seus respectivos sectores.

4 – Benfica vs PAOK – O rendimento de Nico Gaitán tem destas vicissitudes: apesar de estar longe do jogador que era aquando da conquista do título em 2010, de vez em quando o argentino consegue sacar da cartola momentos mágicos. Contra o Sporting na época passada por exemplo, fez aquele pingue pongue maravilhoso com Lima que resultou no golo do avançado brasileiro. Hoje tirou o génio da gaveta e engavetou a bola com classe nas redes do defunto PAOK. O Benfica passa à próxima ronda, onde lhe espera o Tottenham.

Miroslav Stoch e Sotiris Ninis são duas peças muito mal empregues neste PAOK. Não será admirável se os dois pretenderem mudar de áres no final da temporada. Principalmente o eslovaco, muitas vezes relegado para o banco de suplentes por Huub Stevens ao longo desta temporada, quando, é de facto o único jogador capaz de mexer com o ataque dos gregos. O único jogador capaz de se afirmar como o 3º melhor da equipa é precisamente o veterano Lino. Aos 36 anos, o brasileiro ainda dava muito jeito a um dos grandes deste país. Certinho a defender e muito acutilante a atacar, é dos pés do brasileiro que nasce metade do perigo deste PAOK a partir dos seus arqueados cruzamentos. De resto, este PAOK parece a feira das antiguidades: Katsouranis, Maduro, Salpingidis são jogadores cujo prazo de validade futebolístico ao mais alto nível já passou há muito.

 5- Tottenham vs Dnipro – Os londrinos não podem respirar de alívio. Apontava o Dnipro como uma das possíveis equipas revelação do torneio. A equipa de Juande Ramos joga um daqueles futebóis cínicos que só poderemos encontrar nas equipas do leste (Rússia, Ucrânia, Roménia, Bulgária) e guiando-se pelas boas maneiras daquela malta, tem no contra-ataque a sua melhor arma. As equipas ucranianas costumam ser muito complicadas de ultrapassar. Apesar do Dnipro ser uma equipa altamente mecanicizada (vertical) para jogar para as suas duas referências (Eugene Konoplyanka e o nosso conhecido Matheus) tal não chegou para bater o Tottenham de Tim Sherwood. Nos últimos dias, tem-se falado em Inglaterra que o próximo dono da cadeira de sonho em White Hart Lane (cheínha de milhões para investir a sério; visto que o investimento este ano, mal pensado, mal estruturado, foi uma brincadeira de crianças) é Louis Van Gaal. Para Daniel Levy, o presidente do clube londrino, venha quem vier, terá a espinhosa missão de conduzir o clube ao objectivo a que este se propôs nos últimos 3 anos: conseguir lutar pelo título inglês. O clube não irá suportar um novo fracasso na próxima temporada.

6 – Antevisão do Benfica vs Tottenham – Futebol total. Ataque, ataque, ataque. Será um duelo com desfecho imprevisível. Duas equipas que gostam de jogar ao ataque. Os encarnados detém um ligeiro favoritismo pelo facto de estarem a jogar um futebol lindíssimo no actual momento da temporada e de, estarem altamente moralizados para vencer todas as frentes competitivas onde estão inseridos. Por seu turno, o Tottenham poderá ganhar forças extra para encarar a equipa portuguesa: o apuramento para as competições europeias por via do campeonato irão exigir uma luta permanente até ao final da temporada. A Liga Europa pode surgir neste contexto como um excelente leitmotiv para moralizar os jogadores dos Spurs.

7 – Antevisão Fiorentina vs Juventus – Na minha opinião, este é o grande cabeça de cartaz da próxima eliminatória. Os torinese desmontaram a veterania\matreirice do Trabzonspor de José Bosingwa, Didier Zokora e Florent Malouda em dois tempos. A Fiorentina passeou frente ao modesto Esberg da Dinamarca. A Juventus apanhou 4-2 no Artemio Franchi no primeiro embate que as equipas realizaram para a Serie A. Nesse jogo, a Fiorentina virou um 1-2 para 4-2 em menos de 15 minutos, com destaque para a exibição do agora lesionado Giuseppe Rossi. Rossi está de baixa mas a equipa Viola apresenta na frente Alessandro Matri e o regressado Mario Gomez. Atrás reside uma linha média das mais talentosas da hodiernidade do futebol mundial: Juan Guillermo Cuadrado na direita, Joaquin na esquerda, Mati Fernandez no apoio ao ponta de lança e um backcourt de luxo composto por homens como David Pizarro, Borja Valero, Anderson ou Aquilani.

Para adoçar ainda mais o estudo destas duas equipas, convém referir que os dois treinadores apresentam um dispositivo táctico semelhante, o 3x5x2, apesar de Montella jogar regularmente com um 4x3x3 composto por Modibo Diakité, Nenad Tomovic ou Facundo Roncaglia na direita, Manuel Pasquale na esquerda, Savic e Gonzalo Rodriguez no eixo central, Pizarro, Valero ou Aquilani, Matías ou Aquilani, Joaquin, Cuadrado e Matri ou Gomez.

Aqui o vosso escritor de serviço deverá ir ao Artemio Franchi ver in loco esta eliminatória.

8 – Lyon vs Chernomorets

Só para assinar que Alexandre Lacazette voltou a abrir o livro. Merece muito mais este jovem avançado do Lyon. É um precioso talento numa equipa muito mas mesmo muito fraca.

Nota final para o Ludogorets vs Lazio, para o Red Bull Salzburg.

Quanto à equipa bulgara, a passagem obtida frente aos Laziale não me admira muito. A equipa dos portugueses Vitinha, Fábio Espinho e do galego mais beiramarista que conheço (Dani Abalo) é definitivamente a equipa sensação do torneio. É uma equipa que leva o cinismo futebolístico ao seu cume mais alto. A equipa bulgara, equipa onde para além dos 3 supra-citados, é composta por jogadores como Junior Caiçara (ex-Gil Vicente) Tero Mantyla, Yordan Minev, Cosmin Moti ou Roman Bezjak, ou seja, jogadores desconhecidos na alta roda do futebol mundial, engana muita gente. Todos estes jogadores foram revelação nas suas ligas nacionais em clubes pequenos dessas mesmas ligas. O Ludogorets Razgrad não sabe o que é jogar em casa para as competições europeias. A sua arena não é homologada pela UEFA para as competições europeias, facto que obriga os bulgaros a ter que pedir emprestada a casa do Levski de Sófia. É uma daquelas equipas chatas, chatinhas, que se mete a defender 90 dentro da área se tal for necessário. Raramente se desorganizam, raramente concedem espaços aos adversários, raramente se lançam no contra-ataque com mais de 2 ou 3 elementos, raramente fazem mais do que 5 ou 6 remates à baliza adversária e, last but not the least, raramente saíram de uma partida a contar para a liga europa com uma eficácia de remate baixa.

Poderão complicar a vida a muito boa gente. A começar pelo Valência

O mesmo se pode dizer do Red Bull Salzburg. A equipa austríaca tem a sua maior referência no espanhol Jonathan Soriano. Enganem-se aqueles que acreditam que os nomes ganham jogos. Esta equipa chegou a Amesterdão e aplicou chapa três aos holandeses em meia hora. Limpinho, limpinho. Irão ter o seu teste de fogo na prova frente ao Basileia num duelo entre vizinhos que promete.

Os discursos dos treinadores também ganham jogos

Huub stevens

Desde há uns anos para cá, os discursos adoptados pelos treinadores nas conferências de imprensa assumiram uma preponderância interessante no rendimento das equipas. A partir do discurso do treinador, este poderá aliviar a pressão em torno da equipa quando esta obtem maus resultados, moralizar os seus jogadores ou simplesmente passar recados para dentro do plantel quando algo estiver a correr mal, facto que deve ser feito sem que estes caiam na falta de senso de vir a público lavar roupa suja que será aproveitada pela imprensa para causar mais instabilidade dentro dos clubes e dos planteis.

A forma como encaram a relação com a imprensa é dispar entre vários treinadores europeus bem como os resultados obtidos através dos seus discursos: Mourinho é um showstopper e faz das suas conferências de imprensa uma delícia para todos os profissionais da comunicação social. Quando provoca outro treinador ou uma equipa em específico, costuma dar-se mal e o tiro acaba sempre por sair pela culatra. Quando ataca publicamente um jogador, ganha nele um autêntico inimigo. Foi o que aconteceu com Iker Casillas na temporada passada. Quando é provocado por outro treinador, é quando se sente mais confortável. Já Pep Guardiola raramente perde a postura e o equilíbrio nas conferências de imprensa, limitando-se quase sempre a um discurso equilibrado, facto que gera equilíbrio dentro do plantel que está a orientar. Já Jurgen Klopp do Borussia de Dortmund vai do 8 ao 80 no seu estilo agressivo, tanto no discurso como na forma como gere o seu plantel, não se coibindo de atacar publicamente os seus jogadores quando as coisas não correm bem dentro da equipa.

Ontem, o treinador do PAOK Huub Stevens, conhecido como um treinador altamente disciplinador, referiu, na conferência de imprensa de antevisão à partida de hoje que “se pudesse jogar com 14 jogadores para travar o Benfica” não hesitava. Este é um daqueles discursos que arrasa por completo um plantel. A perder por 1-0 na eliminatória, Stevens passou um atestado de incompetência ao seu plantel e de certa forma deu-se como vencido antes do jogo se realizar.