Ciclismo 2014 #31

fabien cancellara

Ronde Van Vlaanderen – Volta à Flandres, Bélgica – Ontem

O magnífico Fabian Cancellara escreveu ontem mais uma página de história na sua carreira ao ser pela 3ª vez vencedor da prova belga, 5º vitória suiça na prova. Cancellara junta-se assim a um lote de vencedores por 3 vezes no qual estão ciclistas como Johan Museeuw ou Tom Boonen. Boonen esteve presente na prova e ainda tentou dar um arzinho da sua graça.

259 km a separar Osteende e Blankenberg. Pelo meio, dezenas de corridas, segmentos em pavé e uma loucura de corrida, cheia de nervosismo e de aparatosas quedas.

Foi precisamente uma queda que pautou as primeiras das 6 horas de corrida disputadas na clássica Belga, clássica que serve de antecâmara para a clássica dos heróis, para o Inferno do Norte, o Paris-Roubaix, clássica que se irá disputar no próximo domingo. Para todos os leigos em ciclismo passo a explicar: a Paris-Roubaix é uma clássica disputada entre a capital francesa e o mítico velódromo da pequena cidade da região de Pas de Calais (o mais antigo velódromo ciclístico francês) na qual os ciclistas tem que superar cerca de 2 dezenas de segmentos de estrada em pavê (barro e paralelo). A prova contém um nível de espectacularidade enorme pela sua extrema dureza, pelas dezenas de quedas que acontecem e pela diabólica situação de corrida decorrente, com ataques e mudanças de posições constantes ao longo da prova. É uma daquelas clássicas que merece ser vista do princípio ao fim. Para não me alongar mais, voltando à Volta à Flandres…

Foi este o momento mais negativo da corrida. Protagonizado precisamente por um dos vencedores da Paris-Roubaix, o belga Johan VanSummeren da Garmin, um dos candidatos à vitória na prova de ontem. Numa altura em que o pelotão rolava a alta velocidade (km 60), o belga embateu violentamente contra uma idosa que se encontrava sentada à beira da estrada. A senhora está hospitalizada em estado muito grave. O ciclista afirma que o corredor que está traumatizado com o sucedido. Não é para menos.

No momento em que Van Summeren bateu contra a espectadora, na frente, rolava a primeira fuga do dia. 11 ciclistas foram os primeiros a evadir-se à aventura na dura prova belga, quase todos de equipas belgas menos cotadas. O mais cotados na fuga eram o sul-africano Daryl Impey da Orica e o norte-americano Taylor Phinney da BMC. Nas primeiras horas de corrida, sucederam-se várias quedas.  Luke Durbridge (Orica), Yaroslav Popovich (Trek), o duas vezes vencedor da prova Stijn Devolder (Trek) ou Step Vanmarcke (homem que depois viria a atacar na fase decisiva da prova) protagonizaram as quedas mais feias da prova. O experiente ucraniano da Trek também foi literalmente cuspido da bicicleta contra um espectador na beira da estrada.

As quedas foram partido o pelotão em vários grupos. Aproveitando a confusão, Peter Sagan decidiu sair do pelotão, obrigando os Omega (Boonen, Stybar e Terpstra) a trabalhar para o apanhar. À espreita encontravam-se nesse grupo homens como Edvald Boasson Hagen (também tentou atacar a 40 km da meta), Alexander Kristoff (Katusha) Fabien Cancellara, Anulado Sagan, os Omega conseguiram controlar o grupo principal até às mexidas que aconteceram após a colina de Kruisberg, uma das pendentes mais inclinadas do percuso, quando, na sua descida, Greg Van Avermaet (BMC) e Stijn Vandenberg (um dos altões da Omega) atacaram. Resposta imediata de Step Vanmarck e Peter Sagan. Na resposta de Sagan, quem viu a transmissão televisiva da prova pode apreciar as informações que o director desportivo da Cannondale ia dando ao eslovaco, pedindo-lhe que se mantesse em posição intermédia até 18 km da meta, altura em que os corredores iam subir a última grande inclinação do dia, a lendária Oude-Kwaremont. Nessa inclinação, pedia o director da Cannondale para Sagan fazer um dos seus ataques demolidores. Os dois ciclistas rodaram muito bem na frente. Boonen e Terpstra abandonaram a frente da corrida. O primeiro teve inclusive dificuldades em acompanhar o ritmo do grupo principal, cuja perseguição estava entregue a Kristoff e a Cancellara.

Foi precisamente na Oude-Kwaremont que Cancellara viu o cenário perfeito para atacar e colar-se aos da frente. O suiço atacou, Sagan não conseguiu acompanhar, Vanmarcke conseguiu aguentar o ataque do suiço e os dois corredores acabariam por colar-se a Van Avermaet e Vanderbergh nos últimos quilómetros.

Habitual nestas corridas, a constituição do quarteto provocou as habituais danças tácticas com os ciclistas a esboçarem ataques e contra-ataques para poderem vencer a prova. Só a 300 metros do fim, em posição privilegiada para sprintar (na cauda do grupo), Cancellara lançou o sprint e venceu um estafado Greg Van Avermaet em cima da linha de meta. O Belga voltou a falhar o objectivo de vencer uma das 5 maravilhas das clássicas da primavera (Flandres, Roubaix, Liège, Amstel Gold Race, Milão-São Remo) apesar de ter merecido claramente a vitória. Valeu novamente a enorme ponta final de Cancellara. O suiço soube resguardar-se e ler muito bem a corrida, respondendo e atacando no timing correcto aos ciclistas correctos. No final, a excelente posição na cauda do grupo aliada à sua habitual frieza na finalização de etapas, garantiu ao suiço de 33 anos a 3ª vitória na prova e 7ª nas 5 maravilhas da primavera (em 25 participações; 14 pódios).

 

GP Miguel Indurain valverde 4

Neste fim de semana, correu-se em Espanha a edição deste ano do GP Miguel Induraín. Tendo como pano de fundo a Volta ao País Basco (começou hoje), Alejandro Valverde conseguiu a sua 6ª vitória da temporada (depois das vitórias em Murcia, Roma Máxima, geral da Andaluzia e 2 etapas na prova andaluz) depois de bater Tom Jelte Slagter da Garmin. O holandês da equipa Norte-Americana voltou a mostrar a sua apetência para as clássicas. Acredito que o holandês será um das maiores figuras deste tipo de provas a partir da próxima temporada.

Da prova espanhol ficou o excelente resultado obtido por André Cardoso. O português da Garmin foi 4º classificado a 1 minuto e 2 segundos do ciclista da Movistar.

Vuelta a La Rioja

Em Espanha também se correu a Volta a La Rioja. A 54ª edição da prova foi encurtada apenas a 1 etapa, à semelhança daquilo que aconteceu com a Volta a Murcia por exemplo. Marcaram presença na prova espanhola nomes como o sprinter Brett Lancaster (Orica), Igor Antón (Movistar), Michael Albasini (Orica) e as equipas portuguesas da Louletano-Dunas Douradas e Boavista Radio Popular.

Michael Matthews da equipa australiana venceu a prova, batendo ao sprint Francesco Lasca da Caja Rural e Carlos Barbero da Euskadi. O melhor português foi Federico Figueiredo da Radio Popular na 14ª posição.

Volta a Limburg

Moreno Hofland

Vitória para o sprinter da Belkin Moreno Hofland. O Holandês, vencedor de uma etapa no Paris-Nice, 2º na Kuurne-Brussels-Kuurne, bateu Simone Colbrelli da Bardiani e Mauro Finetto da Neri na linha de meta.

Volta ao País Basco – 1ª etapa

contador 3

Alberto Contador começou a ganhar no País Basco. Em Ordizia, pleno coração do País Basco, o espanhol da Tinkoff voltou a provar que está embalado para uma grande temporada. Contador atacou com Valverde na última passagem pela 2ª categoria categorizada entre os 10 e os 7,5 km para a meta, deixou o ciclista da Movistar para trás, aguentou a vantagem obtida na descida e venceu isolado na pequena localidade de 10 mil habitantes.

Péssimo dia para Rui Costa. O português desapareceu das imagens antes da última passagem pela subida de Gaintza, acumulando mais de 4 minutos para o líder. Se por um lado o resultado é péssimo (o Rui fica irremediavelmente afastado pela luta da geral), por outro lado, a péssima classificação justifica-se pelo uso da bicicleta suplente (apesar de ter a medida do ciclista, foi pouco utilizada pelo ciclista; a bicicleta principal do português desenvolvida pela Mérida não chegou a tempo da primeira etapa) e pelo cansaço acumulado no terrível dia de espera ontem vivido pelo português no aeroporto na viagem para o País Basco com atraso de 10 horas no voo. Este resultado irá permitir uma maior liberdade de ataque ao ciclista português nas próximas etapas visto que 4 minutos de atraso para a liderança deverão permitir uma maior probabilidade de ataque sem resposta directa dos favoritos à geral da prova. No entanto, também me parece assertivo afirmar que dentro do pelotão ninguém deixa sair de ânimo leve o campeão do mundo. Quem sabe se poderemos ter o ciclista da Póvoa do Varzim ao ataque já amanhã numa etapa que tem um perfil do seu agrado.

Corrida dominada do início ao fim pela Movistar e pela Tinkoff. Uma fuga com Matteo Montaguti (AG25) foi anulada a tempo do momento das decisões (a última passagem pela 2ª categoria de Gaintza, um autêntico muro com pendentes de 15% e 20% em alguns pontos, em particular nos primeiros 500 metros). Tanto a equipa espanhola como a equipa dinamarquesa colocaram muita gente na frente do pelotão de forma a fazer uma selecção dos candidatos logo nesta primeira etapa. Recordo que esta prova só tem chegada em alto na 4ª etapa na quinta-feira. Mikel Nieve (Sky), Damiano Cunego (Lampre), Cadel Evans (BMC), Michal Kwiatkowski (Omega-Pharma-Quickstep), Yuri Trofimov (Katusha; excelente etapa deste ciclista russo) e Jean-Christophe Perraud (afirmou ontem ter algumas ambições na prova; 1 semana depois de ter vencido a geral do Criterium da Córsega) aguentaram o máximo que puderam. Excelente trabalho da Movistar na aproximação à última dificuldade do dia com um grande trabalho de Benat Inxausti a endurecer a corrida. Até ao momento em que Valverde tentou o ataque logo no início da subida e Contador não só o acompanhou como o ultrapassou com um ataque demolidor.

O espanhol conseguiu 13 segundos de vantagem no Alto da Gaintza para Valverde e 30 para o grupo formado pelos nomes supra-citados, diferenças que se mantiveram aquando da chegada dos ciclistas à meta. Contador sobe defender a vantagem na descida e com a vitória nesta 1ª etapa, ascendeu à liderança da prova.

pais basco

André Cardoso chegou integrado no grupo de Frank Schleck (Trek), Samuel Sanchez (BMC), Robert Gesink (Belkin), Simon Spilak (Katusha) e Tejay Van Garderen (BMC) a 58 segundos de Contador. Os ciclistas da BMC Racing Team foram as maiores desilusões do dia. Pela forma apresentada por Van Garderen na Catalunha, esperava-se que o all-rounder Norte-Americano fosse capaz de acompanhar Contador. O basco, a correr em casa, também esteve um furo abaixo daquilo que costuma fazer na prova.

A etapa de amanhã tem um perfil duríssimo. Os ciclistas costumam catalogar este tipo de etapas de “rasga pernas” pela quantidade de descidas e subidas que o traçado apresenta. Apesar das 4 contagens de montanha estarem posicionadas longe da meta (a de 1ª é a última), após a última contagem de montanha, o percurso é um sobe e desce constante, existindo uma subida de 4 km não categorizada a 5 km da meta.

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Ciclismo 2014 #30

volta catalunha

7ª e última etapa – Domingo

westra

O holandês Lieuwe Westra (Astana) tanto tentou (principalmente na Volta ao Algarve) que finalmente conseguiu vencer uma etapa nesta temporada através de uma fuga. Na chegada a Barcelona, na consagração de Purito Rodriguez como vencedor da volta da sua região natal, Westra chegou isolado e venceu a 7ª etapa da Volta à Catalunha.

A etapa começou com uma fuga protagonizada por 13 ciclistas logo ao quilómetro 6. Lieuwe Westra (Astana), Stef Clement (Belkin; vencedor de etapa no dia anterior), Marcus Burghardt (BMC; fugitivo nos dias anteriores), Ratto (Cannondale; o maior derrotado da prova também tentou a sua sorte através de uma fuga), Pineau (FDJ), Vallee (Lotto), Thomas Voeckler (Europcar), Perrig Quemeneur (Europcar), Beppi Fumiyuki (Trek), Paterski (CCC), Bagot (Cofidis), Jerome Baugnies (Wanty) e Michael Kreder (Wanty) tentaram a sua sorte na etapa corrida num circuito desenhado à volta da cidade condal.

Enquanto a vantagem dos fugitivos aumentava (sensivelmente 3 minutos nesta altura) ao quilómetro 58, Chris Froome caía dentro do pelotão numa queda colectiva. O britânico saiu ileso da queda e rapidamente se re-inseriu dentro do pelotão.

Westra 2

Até ao circuito final (8 voltas) a diferença dos fugitivos manteve-se nos 3 minutos e meio de diferença. Sentido a oportunidade, na 5ª volta, Thomas Voeckler decidiu atacar para poder vencer a etapa. O francês atacou e Lieuwe Westra foi o único capaz de responder ao ciclista francês da Europcar e isolar-se posteriormente na frente da corrida. Com cerca de 1 minuto de vantagem até ao final da etapa, o holandês geriu a diferença e venceu isolado a etapa com 1 minuto e 22 segundos de diferença para Voeckler e Marcus Burghardt.

Tinha afirmado no último post que apesar de ser a última etapa, esta poderia não ser a etapa típica de consagração do líder da prova. Enquanto Westra alinhava sozinho na frente, no pelotão, com 4 segundos de diferença na geral para Purito Rodriguez, Alberto Contador tentou o seu ataque a 2 km da meta de forma a conseguir anular a diferença de Purito. O espanhol teve resposta imediata do seu compatriota e de Tejay Van Garderen (BMC), outro dos interessados em estabelecer diferença nesta última etapa. O Norte-Americano precisava de recuperar os 7 segundos de diferença que tinha para Purito para poder vencer a geral da prova. No entanto, nenhum deles conseguiu retirar a ténue diferença no cronómetro para o ciclista da Katusha, tendo este vencido a geral da prova.

Anotamento meu: Purito venceu a prova com um fantástico ataque disferido nos quilómetros finais da 3ª etapa (1ª das 2 de montanha) mostrando que é neste momento o único ciclista capaz de estabelecer diferenças consideráveis num curto espaço de terreno. O desempenho do ciclista catalão perante Chris Froome faz-me aguardar com alguma ansiedade o próximo Tour de France. Com Quintana ausente por opção da Movistar (irá correr Giro e Vuelta), os espanhóis são na minha opinião os únicos capazes de rivalizar com o britânico na prova francesa. Froome, Contador, Quintana e Van Garderen estiveram à altura da prova, dando algum espectáculo na alta montanha. O Norte-Americano venceu categoricamente a etapa raínha da prova. Perante um leque de ciclistas tão elevado, a prova merecia mais 1 ou 2 etapas de montanha nem que para tal tivesse que entrar em território andorrenho.

Purito 2

catalunha 7

Destaque também para o 4º lugar de Romain Bardet. O jovem ciclista francês de 24 anos andou taco-a-taco na alta montanha com os maiores trepadores da actualidade. Será desta que os franceses tem aqui um diamante em bruto capaz de ser lapidado para vencer a Grand Boucle dentro de alguns anos?

Desilusões:

Daniel Martin – O irlandês, vencedor da prova em 2013, prometeu andar com os melhores mas passou claramente ao lado da prova.

Carlos Betancur – Talvez a acusar o esforço dispendido na Paris-Nice, o colombiano ficou para trás logo na primeira dificuldade e no dia seguinte, fez a mala e voltou para casa. Bardet salvou a honra da AG2R. Esperava-se muito mais do colombiano numa altura da temporada em que toda a gente colocava Betancur na lista de favoritos à vitória na geral da prova.

A classificação da montanha foi ganha por Stef Clemens da Belkin. A Garmin venceu colectivamente.

 

Gent – Welvegen – Domingo

John Degenkolb 2

Semana de sonho para a Giant-Shimano. A equipa holandesa já soma 14 vitórias em etapas neste primeiro trimestre de temporada sendo para já, em conjunto com a Omega e com a Cannondale, uma das equipas mais dominadoras deste início de temporada. Luka Mezgec deu 3 alegrias em outros tantos sprints na Volta à Catalunha. Na primeira das míticas clássicas das colinas dos países baixos, John Degenkolb tratou de colocar a cereja no topo do bolo.

A Nata das clássicas deslocou-se à Bélgica para correr a primeira das clássicas belgas da primavera. John Degenkolb (Giant), Fabian Cancellara (Trek), Peter Sagan (Cannondale), Tom Boonen (Omega) Alexander Kristoff (Katusha), Phillip Gilbert (BMC), André Greipel (Lotto), Tyler Farrar (Garmin), Geraint Thomas (Sky) e Greg Van Avermaet constituam o principal grupo dos favoritos à vitória na prova. A única ausência de destaque na prova foi o campeão do mundo. A Lampre decidiu não escalonar o português para a prova. A prova não se adequava às características do português. Teremos que esperar pelas rampas de Liége e pelas rampas de Valkenburg (Amstel Gold Race) para ver o ciclista português em acção nas clássicas da primavera. Neste mês de Abril, o português irá disputar a Volta ao País Basco, prova onde é um dos principais favoritos à vitória na geral.

Os primeiros a tentar sair do pelotão foram Sebastian Lander (BMC), Manuele Boaro (Tinkoff), Jacobus Venter (MTN-Qubeka), Marcel Aregger (IAM) e Frederick Veuchelen (Wanty). Destaque para a Qubeka e para Wanty. Não sendo das principais equipas da divisão UCI Pro Continental tem estado muito bem nas provas em que são convidadas para correr com as equipas de World Tour. Apesar de terem orçamentos muito inferiores aos das equipas de World Tour e ciclistas menos cotados (de referir que o líder da Qubeka é o alemão Gerald Ciolek; não é um mau sprinter e até consegue de vez em quando inserir na luta entre os melhores, mas, também não é propriamente uma estrela do ciclismo mundial; o chefe-de-fila absoluto da Wanty é o italiano Danilo Napolitano), as primeiras exibições executadas durante a presente temporada nas provas a doer, provaram que estas duas equipas tem ciclistas muito combativos, que de resto, ao contrário de outras equipas com maior potencial e maiores ambições (casos da Cofidis e da Caja Rural; equipas que almejam vencer a divisão para poderem reclamar uma licença de World Tour na próxima temporada) tem-se escondido dentro do pelotão nas provas que tem corrido.

Esta fuga só seria anulada a cerca de 50 km para a meta. Em desespero, quando o pelotão já se aproximava a alta velocidade, Manuele Boaro ainda tentou sair do grupo em solitário. Seria apanhado poucos quilómetros depois.

As primeiras movimentações tácticas eram feitas lá atrás. A perseguição era feita por um pequeno grupo de ciclistas no qual estavam Sagan, Cancellara e Boonen. Uma queda tinha afastado quase todos os outros candidatos à vitória. Desse grupo haveriam de sair a 22 km da meta, Stijn Devolder (Trek), Silvain Dillier (BMC) e Andrey Amador (Movistar). Ameaçada pela presença de Devolder no ataque, a Omega de Boonen tratou de colocar Guillaume Van Keirsbuick em posição intermédia para tentar estabelecer a ponte entre os dois grupos. A ideia da Trek era colocar Devolder em posição intermédia para auxiliar posteriormente Cancellara vindo de trás. Já Dillier poderia fazer suspeitar que Phillipe Gilbert também poderia sair do grupo dos favoritos.

O que é certo é que o trio foi andando e só a 1 km da meta colocada em Welvegem foi alcançado pelo grupo principal, mais alargado nos quilómetros finais, graças à perseguição organizada feita em conjunto pela Cannondale de Sagan, pela Omega de Boonen e pela Giant-Shimano de Degenkolb. A Lotto-Belisol (a trabalhar para Greipel) e a Tinkoff também deram uma ajuda nos quilómetros finais. Se a equipa dinamarquesa pouco ou nada tinha a ganhar num sprint final contra os tubarões (mesmo com Daniele Benatti em prova), a equipa Belga trabalhou bem para o seu líder mas Greipel haveria de trocar as voltas ao envolver-se numa queda com Tyler Farrar nos metros finais. Os habituais empurrões de Greipel e as habituais mudanças bruscas de trajectória do norte-americano (manobras que de resto são odiadas e muito criticadas por meio pelotão) haveriam de provar em Welvegen o seu próprio veneno.

Quem aproveitou toda esta confusão, como o próprio afirmou no final da prova foi John Degenkolb. O holandês foi novamente letal e venceu o expectante Arnaud Demare (sempre discreto e muito bem colocado dentro do pelotão) no sprint final com o noruguês Kristoff novamente muito perto do brilharete.

 

Criterium Internacional da Corsega

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Numa das provas fetiche de Tiago Machado (Net-App-Endura), na qual o português já venceu a classificação da Juventude em 2010 e tinha feito um 5º lugar na geral em 2011, o ciclista da equipa alemã fez neste fim-de-semana pódio.

O critérium internacional da córsega é um dos vários critérios organizados em frança pela ASO, a empresa que detém os direitos de organização do Tour e agora da Vuelta, esta última, partilhada com a Unipublic. Na prova de 3 etapas, na qual participaram nomes como Jean-Christophe Peraud (vencedor da geral deste ano), Franck Schleck (Trek), Alexis Villermoz (AG2R), Michele Scarponi ou Janez Brajkovic(Astana), o português foi 3º à geral com 19 segundos de diferença para Peraud. Excelente participação do português que este ano irá correr o Tour em conjunto com outro português José Mendes pela equipa alemã.

Tour de Panne

1ª etapa – hoje

sagan 3

Sagan. Quem mais?

Mesmo a travar, The Terminator conseguiu vencer a primeira etapa do Tour de Panne, prova de 3 dias corrida na Bélgica, antecamara da prova de domingo, a perigosa Volta à Flandres.

Durante 3 dias, o pelotão que irá correr a Volta à Flandres (com umas equipas belgas de Pro Continental à mistura) irá experimentar novamente a experiência duríssima de correr etapas recheadas de segmentos de pavé seguidas de inclinadas colinas de 500\700 metros com pendentes de 7 e 8%.

Na primeira etapa da prova belga, uma fuga composta por ciclistas belgas de equipas menores (Wanty, Top-Sport; o único nome conhecido presente no grupo era Pim Ligthart da Lotto-Belisol; vencedor do prémio da montanha da Paris-Nice) obrigou Sagan a lançar-se com o colega de equipa Oscar Ratto e dois ciclistas da Omega ( um deles Gert Steegmans) a 9,5 km da meta numa altura em que os segmentos de pavé sucedidos de violentas rampas de 450 e 700 metros, respectivamente, estavam a cortar o pelotão em pequenos grupetos.

Sagan e Gatto chegaram ao grupo principal, obrigando Arnaud Demare a tentar fazer a ponte a cerca de 6 km da meta. O francês conseguiu chegar perto de Sagan mas viu de longe a sui-géneris vitória do eslovaco no sprint (lançado por Mauro Finetto da Bardiani; Finetto foi muito inteligente ao ser o primeiro a saltar do grupo principal para o grupo dos fugitivos quando ainda faltavam 20 km para a meta) quando o mesmo se encontrava a travar para oferecer a vitória ao colega de equipa Oscar Gatto. Num primeiro momento, pensou-se que teria sido Gatto a vencer a prova mas, no photo-finish, a roda de Sagan cruzou primeiro a linha de meta que a roda do outro homem da Cannondale. A imagem apresentada pela organização continha um pormenor delicioso: Sagan estava com a mão esquerda no travão a tentar travar para Gatto vencer a etapa perante a oposição de Alexander Kristoff. No final da etapa, Gatto mostrou-se todavia satisfeito com a vitória do colega de equipa, realçando que o objectivo da equipa era simplesmente vencer a etapa e preparar a grande prova de domingo.

Apesar de amanhã haver uma etapa em linha tão dura quanto a etapa de hoje, o mais provável é que a classificação geral se decida na quinta-feira no contra-relógio individual que fecha a prova.

 

 

Ciclismo 2014 #27

Purito

La Molina é de Purito Rodriguez. O espanhol da Katusha atacou no último quilómetro como tanto gosta e venceu no Alto que finalizou a 3ª etapa da Volta à Catalunha. Purito conseguiu ganhar alguns segundos a toda a concorrência e tornou-se líder da prova catalã.

Uma fuga de 6 corredores animou praticamente toda a etapa. Andrey Zeits da Astana, Jack Borbridge da Belkin, o repetente Michael Koch (Cannondale), Kevin Reza (Europcar), Branislav Samoilau (CCC Polsat) e Rudy Molard da Cofidis saíram do pelotão ao quilómetro 9. Pelo meio, ultrapassaram um sprint especial e duas contagens de categoria (uma de primeira e outra especial) com Borbridge a passar em primeiro nas duas contagens, passagens que lhe garantiram nesta etapa o uso da camisola da classificação da montanha com 46 pontos contra os 33 de Andrey Zeits. Aos 84 km de 162,9 km, a vantagem destes 6 fugitivos atingiu o seu máximo com 6 minutos e 40.

Até à subida para La Molina, a diferença foi baixando. A Katusha de Purito Rodriguez e a Movistar de Nairo Quintana assumiram as despesas de perseguição. Na subida final, Kevin Reza e Samoilau atacaram mas o ritmo imposto pela Movistar no pelotão (entretanto reduzido a 60 unidades) fez com que os dois rapidamente fossem alcançados pelo grupo no qual já não estava o líder Luka Mezgec.

A Movistar iniciou a pendente na frente. Igor Antón (que gregário de luxo tem aqui Nairo Quintana) imprimiu um ritmo medonho e rapidamente cortou o grupo à presença de 25\30 unidades no qual estavam para já todos os candidatos. Contudo, no fundo do grupo, Carlos Alberto Betancur, vencedor do último Paris-Nice, já apresentava algumas dificuldades para seguir o ritmo imposto pelo homem da Movistar.

Sem ataques até aos últimos três quilómetros, coube a Pierre Roland (Europcar) efectuar o primeiro rasgão no grupo principal. Andrew Talansky (Garmin-Sharp) e Jakob Fuglsang (Astana) responderam directamente ao trepador francês. Com Roland neutralizado, Fuglsang tentou a sua sorte e num primeiro momento não teve qualquer resposta directa dentro do grupo. Contador, Quintana, Purito e Froome marcavam-se mutuamente, facto que permitiu ao homem da Astana ganhar 200\300 metros de vantagem. Sentindo que Fuglsang poderia estar ali com as portas escancaradas para vencer no alto (o dinamarquês é perigoso neste tipo de ataques e a sua explosividade permite-lhe ganhar tempo considerável num curto espaço de terreno), os 4 organizaram-se e trataram de alcançar o homem da Astana.

Neutralizado Fuglsang, Daniel Moreno chegou-se à frente do grupo e tratou de endurecer o ritmo para preparar o ataque de Purito. Mal Moreno saiu da frente, atacou Froome, obtendo resposta de Purito e Contador. Até que Purito cansou-se de ataques e já dentro do último quilómetro foi sozinho, venceu a etapa, ganhou tempo a toda a concorrência e tornou-se líder da prova.

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Classificação geral:

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3 surpresas:

1. Wilco Keldermann está a ser uma das surpresas deste início de época. O jovem holandês já era referenciado como um dos ciclistas do futuro. Na média-montanha do Paris-Nice sentiu-se como peixe na água. O mesmo aconteceu hoje em La Molina junto dos melhores da modalidade.

2. Doménico Pozzovivo – Na ausência do seu líder, ou melhor, num dia mau do seu líder, assumiu a liderança da equipa e safou o dia para a AG2R.

3. Premyslaw Niemec – O polaco da Lampre está a ser treinado para ser o gregário de Chris Horner no Giro e Rui Costa no Tour. Na ausência de Horner da frente da corrida (talvez ainda ressentido do problema no tendão de Aquiles) o polaco esteve na frente da corrida, muito atento e muito bem posicionado na roda de Purito Rodriguez.

1 incógnita:

1. Samuel Sanchez – Primeira prova pela BMC. Ainda não se sabe o estatuto dentro do espanhol dentro da equipa. Se líder partilhado com Van Garderen, se subalterno do americano.

Desilusão: Podem gabar quem quiserem dentro da Saxo-Tinkoff. Nicky Sorensen, Paulinho, Bruno Pires, Michael Morkov, Daniel Navarro, Benjamin Noval, Chris Sorensen, Rafal Majka. “Todos eles grandes gregários” é o argumento mais utilizado que leio por aí nos fóruns da modalidade. O que é certo é que quando Contador sobe, os gregários desaparecem e o líder, invariavelmente fica sempre sozinho.

Amanhã é a etapa raínha da prova. Outra etapa de alta montanha.

Ciclismo 2014 #25

Milão – São Remo

kristoff 2

O medalhado de bronze da última prova de estrada dos Jogos Olímpicos de Londres, Alexander Kristoff da Katusha tornou-se o vencedor da edição deste ano ao bater ao sprint nomes como Fabian Cancellara (Trek), Ben Swift (Sky) e Mark Cavendish (Omega-Pharma-Quickstep).

Ontem teve lugar a dura clássica que liga a capital do norte italiano a San Remo, uma das atracções turísticas da Ligúria. Esta clássica marcou o arranque das clássicas da primavera. Até ao mês de Maio, os ciclistas terão pela frente 12 clássicas disputadas em vários países, entre as quais a Amstel Gold Race, a Liège-Bastogne-Liège, a Kuurne-Brussels-Kurne ou o inferno do Paris-Roubaix. À partida em Milão, os grandes favoritos para vencer a clássica eram Fabian Cancellara, Peter Sagan (Cannondale), Mark Cavendish, Filippo Pozzatto e Sasha Modolo (Lampre) ou Vincenzo Nibali (Astana).

Numa corrida disputada quase na sua totalidade sob condições atmosféricas adversas (a chuva deu tréguas na parte final da prova) foi uma prova disputada com muitos ataques de várias equipas, entre os quais o de Vincenzo Nibali na aproximação à última inclinação do dia, a Cipressa. Nibali não só não levou avante o seu ataque (mais uma vez fez um ataque descabido muito longe da meta) como no início dessa colina perdeu contacto com o grupo de favoritos, grupo onde estavam Cancellara, Sagan, Cavendish e o vencedor da prova do ano passado, o alemão Gerald Ciolek.

podio milan san remo

Nenhum dos ataques conseguiu ser mortífero e a prova foi discutida ao sprint por um lote reduzido de corredores. O norueguês Kristoff foi mais forte que a concorrência, batendo Fabian Cancellara e Ben Swift ao sprint. Mark Cavendish ainda discutiu o sprint mas apenas logrou ser 5º na prova. Peter Sagan não conseguiu posicionar-se bem para o sprint final, tendo ficado apenas na 10ª posição.
Excelente vitória para Kristoff no ano em que o norueguês espera consolidar o seu estatuto dentro da elite dos sprinters do pelotão internacional. Já no passado mês de Fevereiro, em entrevista, o norueguês afirmava que tinha treinado imenso a sua postura corporal no sprint para poder ser mais competitivo nas chegadas em pelotão ou em grupo compacto.

Últimos quilómetros:

Volta à Catalunha

volta catalunha

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Entretanto começou hoje na região autónoma espanhola a Volta à Catalunha em bicicleta. Durante 7 etapas, vários ciclistas tentarão suceder ao irlandês Daniel Martin como o vencedor da geral da prova. Martin corre perto de casa visto que o ciclista irlandês mora na Catalunha, mais precisamente em Girona. Em declarações à organização da prova, o ciclista irlandês afirmou que estará na catalunha para honrar o dorsal número 1 e iniciar a sério a sua preparação para o Giro de Itália, uma das provas que constitui parte dos seus objectivos para esta temporada: lutar pela vitória na geral da prova ou pelo menos fazer um pódio. O facto de Martin estar destacado como chefe-de-fila para o Giro poderá indiciar que no Tour a equipa irá apostar em Talansky para a Geral e Hesjdal poderá ser a aposta para a Vuelta. Tal assumpção justifica-se com a inserção de Hesjdal na prova, ele que poucas corridas em espanha correu nos últimos anos.

Para além de Martin, presentes na Volta Catalã estão Purito Rodriguez da Katusha (a sua primeira aparição em competição na presente temporada), Alberto Contador (Saxo-Tinkoff), Samuel Sanchez da BMC (primeira corrida pelas cores da sua nova equipa), Luis Leon Sanchez (Caja Rural), Carlos Alberto Betancur (AG2R), Wilco Keldermann (Belkin), Tejay Van Garderen (BMC), Christopher Froome (Team Sky), Ivan Basso (Cannondale), Andrew Talansky (Garmin), Ryder Hesjdal (Garmin), Simon Clarke (Orica GreenEdge), Chris Horner (Lampre; a lesão contraída no Tirreno-Adriático não passou de um susto), Daniel Moreno (Katusha), David Rebellin (CCC Polsat) e Nairo Quintana (Movistar). Ou seja, estão cá praticamente todos os grandes ciclistas mundiais, prevendo-se bastante espectacularidade nas etapas de montanha que a prova irá oferecer durante esta semana. Alberto Contador e Chris Froome estarão aqui, pela primeira vez, em contenda numa prova em que a Garmin veio com os seus 2 chefes-de-fila e com o seu ciclista outsider (Talansky) para renovar o título conquistado pelo ciclista Irlandês.

1ª etapa

Luka Mezgec

Aproveitando o facto da prova ter poucos sprinters (o traçado não é convidativo à sua presença), o esloveno Luka Mezgec, 3º sprinter da equipa, actual lançador de Marcel Kittel conseguiu a sua primeira vitória da época na prova disputada no circuito montado pela organização em Callela com a distância de 169 km.

O esloveno bateu ao sprint Leigh Howard da Orica GreenEdge e Julian Alaphillipe da Omega-Pharma-Quickstep, tornando-se o primeiro camisola vermelha da competição.
Quanto aos portugueses em prova, Bruno Pires e Sérgio Paulinho chegaram dentro do pelotão, respectivamente nas 72ª e 152ª posições.

Na 2ª etapa, os ciclistas partirão de Mataró em direcção a Girona (total de 168 km) numa etapa cujo final também se prevê disputado ao sprint. Pelo meio, os ciclistas terão uma contagem de montanha de 3ª categoria e outra de 2ª que não causarão grandes diferenças ou dificuldades aos sprinters.

3. Alterações para o futuro da Vuelta

ASO

No final da semana passada, a ASO, empresa subsidiária da Amaury (proprietária do jornal L´Equipe e dos direitos de organização do Rally Dakar) anunciou a compra de 49% da espanhola Unipublic, a actual organizadora da Vuelta. A organização da prova espanhola passará a partir deste ano a ser partilhada pelas duas empresas.

Ciclismo 2014 #23

paris nice 2

Paris-Nice

8ª e última etapa

vichot

Na última etapa da corrida do Sol, o campeão nacional francês Arthur Vichot deu a 2ª vitória para a Française des Jeux na prova e garantiu o último lugar do pódio.

A última etapa da prova trazia os últimos 128 km desta, corridos na região de Nice. 14 segundos separavam o líder Carlos Alberto Bettancur da AG2R do Português Rui Costa. Com 2 contagens de 2 categoria e 2 de primeira no percurso, sera imperioso ao português vencer a etapa e ganhar tempo (as bonificações decorrentes da vitória em etapa seriam insuficientes ao português para vencer a geral da prova, qualquer que fosse o resultado obtido pelo colombiano) ou simplesmente ganhar tempo ao colombiano. Numa prova onde as diferenças se fizeram ao segundo, o português teria uma missão muito difícil pela frente.

A primeira investida do dia pertenceu à Giant-Shimano. De forma a vencer a camisola dos pontos, John Degenkolb aproveitou o facto do primeiro sprint intermédio (mais 3 pontos para a classificação) se posicionar logo aos 19 km para fugir do pelotão. O ciclista holandês conseguiria o seu primeiro objectivo do dia, recuando novamente para o seio do pelotão.

A seguir ao sprint intermédio saiu a fuga do dia. Composta por 17 elementos, entre os quais, Xavier Zandio da Sky (antigo vencedor da Volta a Portugal), Greg Van Avermaet (BMC), Jerome Pineau (IAM Cycling) Jens Keukeleire (Orica), Francesco Gavazzi (Astana), Moreno Hofland (Belkin, vencedor de 1 etapa na prova), Danilo Hondo (Trek), Imanol Erviti (Movistar) Alexander Kristoff (Katusha) ou Marco Marcato, a fuga avizinhava-se como perigosa pela quantidade de bons ciclistas envolvidos. A fuga conseguiu a sua máxima vantagem ao quilómetro 64 com 2 minutos e 40 de vantagem sobre o pelotão com a AG2R muito atenta e muito interessada em não conceder muito tempo de avanço aos fugitivos.

Pelo meio, Thomas Voeckler e Tom Boonen preferiram não chegar a Nice, informando a organização do seu abandono.

As 3 primeiras subidas do dia (de 4) não fizeram grande diferença, a não ser no grupo da frente que rapidamente se desintegrou. Alguns dos ciclistas viriam a ser alcançados pelo pelotão. A um km do alto do Cote de Peille (1ª categoria), Vincenzo Nibali decidiu atacar, levando consigo o seu colega de equipa Francesco Gavazzi, Wilco Kelderman da Belkin e Simon Spilak da Katusha, este ainda interessado na vitória na geral.  Rapidamente chegaram ao contacto com os 5 homens restantes da fuga inicial (Matthew Busche da Trek, Jerome Coppel da Cofidis, Cousin da Europcar, Xavier Zandio e Greg Van Avermaet). Tudo isto aconteceu debaixo do controlo das AG2R, ainda a liderar o grupo dos favoritos.

Na descida para a última subida do dia seriam todos alcançados. Na subida para o Col De Ezè, 3 ciclistas tentaram a sua sorte: Yuri Trofimov da Katusha, Luis Angel Maté da Cofidis e Cousin da Europcar. O primeiro haveria de ficar sozinho na frente enquanto lá atrás, no grupo principal, a Movistar auxiliava a AG2R na perseguição, sinal de que Rojas estaria bem e capaz de discutir a vitória ao sprint em Nice.

Tudo decorreu num ambiente devidamente controlado pela AG2R até ao Col De Ezé, contagem de 1ª categoria onde viriam a atacar Frank Schleck (Trek), George Bennett (Cannondale) e David Lopez Garcia (Sky). A AG2R desorientou-se com o ataque de Schleck e a Lampre começou a fazer companhia à Movistar na frente do pelotão. Não interessava nada a Rui Costa ver Franck Schleck cavar uma diferença significativa que lhe permitisse chegar isolado à recta da meta. O luxemburguês mostrou-se muito combativo, recebendo a companhia de Simon Spilak na descida. A diferença espacial só seria anulada já dentro do quilómetro final com Rui Costa a ter que tomar a iniciativa de perseguição na frente do grupo principal. Se o português não o tivesse feito, Spilak e Schleck estariam em condições para discutir o sprint.

Cycling: 72th Paris - Nice 2014 / Stage 8

Até que nos derradeiros metros quando os candidatos à vitória na etapa lançavam o sprint, deu-se o incidente do dia. Nos habituais movimentos feitos pelos ciclistas para ganhar a melhor posição para ganhar o sprint, um ciclista da Lotto empurrou outro ciclista e acabou por se desequilibrar e cair da bicicleta, atingindo o português Rui Costa e outros ciclistas mais encostados às barreiras que separam os ciclistas do público. O português caiu com aparato contra as barreiras e ficou estendido no chão. Durante alguns minutos temeu-se que o ciclista da Póvoa do Varzim tivesse uma lesão grave. Apesar do susto, a queda não teve consequências físicas para o português nem consequências para a geral (todos aqueles que caírem ou furarem dentro dos 3 quilómetros finais acabam com o tempo do vencedor da etapa). Contudo, devo censurar a atitude do atleta da Lotto-Belisol, atitude essa que é realizada muitas vezes durante a temporada nos comboios formados nos metros finais para André Greipel. As equipas belgas (tanto a Lotto como a Omega) são as equipas que mais usam e abusam das mais variadas irregularidades (empurrões, desvios de trajectória de sprint) para vencer etapas.

No sprint final, o campeão francês Arthur Vichot superiorizou-se a Rojas da Movistar e a Cyril Gautier da Europcar. Carlos Alberto Betancur acabou em 8º mas celebrou na linha de chegada a sua vitória na Geral do Paris-Nice.

rui costa 22

Paris-Nice 2

2º lugar para o Rui na geral da prova francesa. Um resultado extraordinário que só fica manchado pelo facto de não ter sido desta que conseguiu vencer uma etapa. O português teve um desempenho muito satisfatório na prova francesa com 2 segundos lugares em etapa, apenas batido pela explosividade de Betancur e Tom Jelte Slagter. Bem posicionado no pelotão, demonstrou a inteligência de apenas responder a ataques quando os considerou perigosos.

John Degenkolb levou para casa a camisola dos pontos. O holandês ganhou à justa por 2 pontos sobre Betancur. Abençoado sprint intermédio ganho na última temporada.

Pim Ligthart da Lotto-Belisol conquistou a camisola da montanha, premiando o seu esforço na fuga efectuada na 6ª etapa.

A Movistar ganhou a prova por equipas.

Tirreno-Adriático

5ª etapa – ontem

contador 2

Segunda vitória consecutiva para Alberto Contador na montanha da prova italiana.

A etapa começou com o abandono de Richie Porte. O australiano passou mal a noite e decidiu abandonar a prova. Recordo que Porte tinha sido destacado pela equipa do Paris-Nice para a prova italiana devido à ausência de Chris Froome.

O espanhol venceu categoricamente a etapa na qual atacou ao 36º quilómetro.

Com um ataque demolidor, só Nairo Quintana (Movistar) foi capaz de acompanhar o ciclista da Tinkoff. O colombiano tornou-se companhia indesejável para Alberto, conseguindo acompanhar o seu ritmo e os seus constantes esticões para o tentar deixar para trás. Sempre que Contador tentava fazer descolar o colombiano e este lhe garantia a devida resposta, ambos diminuíam o ritmo da subida, facto que permitiu a aproximação e a recolagem de alguns ciclistas.

A 32 km da meta, Contador foi sozinho e Quintana não conseguiu responder. Aproveitando a posição intermédia de Adam Hansen (Lotto-Belisol) entre si e a frente da corrida, Contador e o ciclista da Lotto trabalharam em conjunto para alcançar os trio que andava fugido na frente, do qual Hansen fazia inicialmente parte.

Na inclinação final para Muro di Guardiagrele, Contador e Hansen colaram-se aos 3 da frente, com o norte-americano Ben King da Garmin a atacar com resposta imediata de Contador que rapidamente deixaria o homem vestido de jersey azul para trás. Na linha de chegada, o espanhol chegou no primeiro lugar, superando Simon Geschke da Giant-Shimano (outro dos fugitivos) e Ben King.

O líder da prova, o polaco Michal Kwiatkowski baqueou na subida final e perdeu cerca de 6 minutos para Contador, ficando irremediavelmente afastado da vitória na geral e até do top-10 da prova.

Classificação Geral na 5ª etapa

tirreno-adriático 2

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Legenda: em cima, aclassificação da montanha.

Highlights da etapa:

6ª etapa – hoje

chris horner 3

Chris Horner (Lampre-Merida) abandonou hoje a corrida com uma tendinite no tendão de Aquiles. Quem informou foi o médico da Lampre, nao diagnosticando para já o tempo de paragem do ciclista Norte-Americano. Não se sabe portanto se a lesão será impeditiva apenas durante algumas semanas ou se será capaz de limitar o ciclista na preparação que irá efectuar a partir de meados de Abril para o Giro de Itália.

Mark Cavendish venceu ao sprint a 6ª etapa da prova. O foguetão britânico da Sky bateu o seu companheiro de equipa Alessandro Pettachi e Peter Sagan da Cannondale. Arnaud Demare foi 4º. Marcel Kittel (e Cadel Evans) chegaram num grupo muito atrasado a 6 minutos do vencedor.

Ciclismo 2014 #21

paris nice 2

Paris-Nice

4ª etapa – ontem

Tom Jelte Slagter

Na primeira aproximação à montanha e às etapas que realmente fazem as diferenças na geral da prova, o holandês de 24 anos Tom Jelte Slagter atacou na última contagem do dia (uma 2ª categoria posicionada a cerca de 20 km da meta), recebeu a ajuda vinda de trás de Geraint Thomas (Sky) e venceu a etapa que terminou em Belleville. O holandês conseguiu a sua primeira vitória da temporada. Em 2013, conseguiu alguns resultados de destaque como a vitória na geral individual do Tour Down Under (Austrália; a primeira prova World Tour da temporada), a vitória numa etapa na mesma prova e a vitória no prémio da montanha do Tour de Alberta. Com o 2º lugar na etapa, Thomas ascendeu à liderança da geral da prova.

A etapa de ontem era tida como crucial para aqueles que tem aspirações à geral (Carlos Alberto Bettancur, Rui Costa, Bauke Mollema, Vincenzo Nibali, Geraint Thomas). Com 3 contagens de 3ª categoria praticamente seguidas e uma de 2ª a finalizar, era expectável que um ou vários destes ciclistas pudessem executar o seu ataque na subida final. Para o camisola amarela à partida, o alemão John Degenkolb, seria bastante difícil sair da etapa como líder, apesar do facto do alemão conseguir suportar bastante bem a média montanha. A etapa veio provar isso mesmo: Degenkolb chegou incluído no 2º grupo a apenas 18 segundos do vencedor da etapa.

A etapa começou com as habituais fugas. O primeiro a tentar foi o combativo Thomas Voeckler (Europcar) logo nos primeiros quilómetros. Voeckler foi rápidamente alcançado pelo pelotão, sapiente do perigo a que se arriscava caso deixasse sair o antigo campeão nacional francês. Apesar da tentativa, Voeckler mostrou que ainda não está em forma. Poucos quilómetros depois, a Europcar não desistiu do objectivo de constituir um grupo de fugitivos. Perrig Quemeneur, homem que já tinha encetado uma fuga precisamente na 3ª etapa saiu do pelotão e com ele foram Valerio Agnoli (Astana), Laurent Didier (Trek) e Jesus Herrada da Movistar. Tendo em conta a perigosidade da fuga pela presença de Agnoli, o pelotão deixou ir o quarteto à vontade até ao quilómetro 111, altura em que começaram as inclinações do dia. Nesse preciso quilómetro, o quarteto tinha cerca de 6 minutos e meio de vantagem sobre o pelotão.

Os fugitivos tiveram tempo de passar pelas 3 montanhas de 3ª categoria. Nos Cote de la Clayette (km 137.5), Col de Champ de Juin (Km 156.5) and Col de Crie (Km 164) Agnoli passou na frente e colheu os 4 pontos em disputa para a classificação da montanha, pontos que se revelaram suficientes para retirar a correspondente camisola de líder da classificação a Christophe Laborie da Bretagne. Na contagem de 2ª categoria, o homem da Bretagne foi um dos primeiros a descolar do pelotão.

À entrada da última montanha do dia, o Mount Bruilly, o pelotão tratou de anular a fuga de forma ao espectáculo poder começar.

A Sky chegou-se à frente do pelotão e começou a endurecer o ritmo para fazer a primeira selecção dentro do numeroso grupo. A 15,5 km do fim, o primeiro a abrir as hostilidades foi um dos principais favoritos à vitória na geral da prova, o colombiano Carlos Alberto Bettancur da AG25. Bettancur atacou precisamente numa fase da subida em que num espaço de 500 metros esta apresentava uma pendente média de 20%. Sem efeito, poucos metros mais à frente seria alcançado, crendo eu que o colombiano apenas quis testar o poder de resposta da Sky e da concorrência. Tanto Vincenzo Nibali como Rui Costa iam bem posicionados dentro do grupo e bastante atento às possíveis investidas dos adversários. Aos 14,4 km, Bettancur tentou novamente fugir. E o pelotão rompeu de vez num grupo de 40 a 50 unidades.

Com o ataque de Bettencur, abriu-se o precedente para mais ataques. Mal o colombiano foi alcançado novamente, Tom Jelte Slagter fez o ataque decisivo. Saíndo que nem uma bala do pelotão, rapidamente ganhou 7\8 segundos de vantagem para o mesmo. Ninguém respondeu no pelotão. 600 metros após, foi Geraint Thomas da Sky a sair do pelotão para alcançar o ciclista holandês da Garmin. Rui Costa chegou-se à frente do pelotão para encetar a perseguição mas não teve grande colaboração. O grupo principal haveria de deixar os dois ciclistas vencer a etapa precisamente porque nunca se conseguiu organizar para os perseguir. Até ao final da subida, também iria sair o jovem holandês Wilco Kelderman da Belkin, jovem em quem a equipa holandesa deposita grandes esperanças para o futuro, posicionando-se num ponto intermédio entre os dois da frente e o grupo principal. Num grupo secundário, bem próximo do grupo principal já estava John Degenkolb. O ciclista da Giant-Shimano era o homem que mais ia trabalhando na frente do grupo para conseguir a recolagem.

Iniciou-se a longa descida que iria levar os ciclistas à recta da meta com Thomas e Slagter na frente e Kelderman entre o grupo principal e os homens da frente. A 8 km da meta, tentaram sair do grupo 2 homens bastante perigosos: o dinamarquês Jakob Fuglsang da Astana e Romain Bardet da AG2R. Conseguiram alcançar alguns metros de vantagem mas nunca se constituíram como perigo tanto para os homens da frente como para os ciclistas do grupo principal. Thomas e Slagter iam trabalhando muito bem na frente para terem hipóteses de disputar a vitória na etapa. Para Geraint Thomas, mesmo que não conseguisse vencer a etapa, estava em condições de assumir a amarela da prova.

Apesar de Wilco Kelderman se ter aproximado muito rapidamente aos dois da frente, o sprint final pela vitória iria pertencer aos dois homens da frente com o holandês a deter uma ponta final mais forte que Thomas. O grupo dos favoritos acabou por alcançar Kelderman, terminando o holandês na 3ª posição e todo o grupo a 5 segundos dos vencedores. No grupo principal chegaram Arthur Vichot (Française des Jeux), Rui Costa (11º), Jon Insausti (Movistar), Carlos Alberto Bettancur, Frank Schleck (Trek), Jakob Fugsland e Vincenzo Nibali, e John Gadret (Movistar). A 18 segundos chegou o líder Degenkolb num grupo que incluía André Cardoso (Garmin), Maxime Monfort e Tony Gallopin (Lotto-Belisol).

Com atraso significativo de 57 segundos chegou Chavanel (IAM). O francês foi uma das baixas logo no início da segunda categoria por causa de um furo. Jerome Pineau, outro dos chefes-de-fila da suiça IAM, apanhou quase 4 minutos. O português Nelson Oliveira chegou incluído no grupo de Andy Schleck a mais de 7 minutos. Mais uma vez o luxemburguês voltou a desiludir. Apesar de ter considerado que se encontra motivado e a preparar forma para voltar em grande às competições por etapas de 3 semanas, o que é certo é que (um dos chefes-de-fila da Trek) não está a conseguir re-encontrar o ritmo que possuía noutros tempos depois da grave lesão que o deixou de fora durante vários meses.

Na geral, Geraint Thomas assumiu a amarela, detendo uma vantagem de 3 segundos sobre John Degenkolb e de 4 sobre Tom Jelte Slagter. Rui Costa posicionou-se na 14ª posição da geral a 19 segundos da liderança. Na geral da montanha, Agnoli assumiu a liderança com 12 pontos, mais 3 que Christophe Laborie.

5ª etapa – hoje

bettancur

Na etapa que ligou Crêches-Sur-Saône a Rive-de-Gier, na distância de 153 km, os ciclistas tiveram pela frente uma etapa muito semelhante à do dia anterior com 3 contagens de 3ª categoria (2 no início da etapa, outra a meio) e uma contagem de 2ª muito próxima da meta. Carlos Alberto Bettancur conseguiu a vitória que tanto procurava na prova ao atacar na descida final a 9 km da meta.

Thomas Voeckler voltou a fugir nos quilómetros iniciais da prova. Com ele levou Florian Guillou da Bretagne. Mais uma vez, a Bretagne escolheu os primeiros quilómetros da etapa para ser vista. A fuga não durou muito. Ao quilómetro 11, um quinteto de luxo tentou a sua sorte: quase afastado da geral da prova e com uma etapa propícia às suas características, Sylvain Chavanel tentou a sorte em conjunto com Jan Bakelants da Omega, Matthew Busche da Trek, Gorka Izaguirre da Movistar e Brice Feillu da Bretagne. O melhor classificado na geral era precisamente Bakelants, a 19 segundos de Geraint Thomas.

A fuga mostrou algum entrosamento. Chavanel venceu os pontos em disputa nas 2 3ªas categorias dispostas enquanto Bakelants venceu os sprints intermédios posicionados ao quilómetro 87.5 e 126.5.

Pelo meio, Nacer Bouhanni, o vencedor da 1ª etapa da prova, anunciava o seu abandono.

Sylvain Chavanel decidiu investir sozinho. No entanto, lá atrás no pelotão, a Team Sky não ia dando hipóteses. Rapidamente engoliram o quarteto que ficou para trás e prosseguiram rumo a Chavanel. Entretanto, na apróximação ao cote de St Catherine, a AG2R tinha 3 contratempos quase seguidos: Romain Bardet e Samuel Dumoulin tiveram problemas mecânicos e Maxime Bouet caiu no meio do pelotão. No topo da contagem, Vincenzo Nibali decidiu atacar e levou consigo Bettancur, Geraint Thomas, Tom Jelte Slagter (provou hoje que também procura qualquer coisa na geral) e Jakob Fuglsang. Apenas Bettencourt e Fuglsang vingaram a sua investida, sendo acompanhados por outro ciclista que saltou do pelotão, o luxemburguês Bob Jungels da Trek. Rui Costa não conseguiu responder a estas movimentações. Mais uma vez, a equipa Lampre mostrou incapacidade para tomar a cabeça do pelotão e ajudar o seu líder.

Na descida final, o trio haveria de chegar junto, com Bettencur a vencer o sprint final. Ganhou 2 segundos a todo o pelotão mais bonificações. Com a vitória, o colombiano subiu ao 4º lugar da geral a 5 segundos de Degenkolb. Rui Costa chegou na 12ª posição e na geral ascendeu também à 12ª posição da geral a 19 segundos da liderança.

O português expressou o seu feedback sobre a etapa no seu diário: ““Foi uma etapa idêntica à de ontem com a agravante de ter chegado Betancour na frente e ter bonificado dez segundos. Ele, Geraint Thomas e Nibali são os mais perigosos neste momento para a classificação geral, mas pode haver surpresas. As minhas pernas não se portaram mal mas espero que amanhã estejam melhores.”

O líder Geraint Thomas mostrou-se feliz com a liderança da prova na véspera da etapa que muitos consideram decisiva para a classificação final da prova: “I’m glad to still be in the yellow jersey. The guys did a great job again but we wouldn’t cover everybody. I saw there were Giant Shimano and Omega Quick Step guys with us and I banked on them to chase for a mass sprint and we nearly got it. In my mind, riders like Nibali or Betancur still remain the favorites, they have more GC experience than I do. Tomorrow will be a hard day with a 220 something stage and a steep hill finale. I hope to be there or thereabout.”

Na classificação da montanha, Sylvain Chavanel assumiu a liderança com os mesmos pontos de Valerio Agnoli.

Amanhã, o Paris-Nice tem a sua etapa mais importante. A etapa que liga San Saturnin-lès-Avignon a Fayance vai fazer diferenças. Uma contagem de 3ª categoria logo no início da tirada e 4 contagens seguidas a terminar (1 de 3ª, 2 de 2ª e 1 de 1ª categoria) serão o suficiente para um dos favoritos arrumar com a geral já amanhã.

Tirreno-Adriático

tirreno-adriatico

Começou na quarta em Itália, a prova que irá ligar a prova que irá rasgar a Itália a meio, fazendo a ligação entre a parte que é banhada pelo Mar Tirreno e a parte que é banhada pelo Adriático.

Na “carteira de clientes”, a prova italiana conta com a participação de ciclistas como Alejandro Valverde (Movistar), Alberto Contador (Tinkoff), Purito Rodriguez (Katusha), Mark Cavendish (Omega), Michal Kwiatkowski (Omega), Roman Kreuziger (Tinkoff), Peter Sagan e Ivan Basso (Cannondale), Richie Porte e Braddley Wiggins (Sky) ou Chris Horner (Lampre).

1ª etapa – quarta-feira

A organização da prova preparou um contra-relógio por equipas a abrir. No total de 18,5 km disputados entre Donorático e San Vincenzo, a Omega-Pharma de Mark Cavendish e Michal Kwiatkowski voltou a vencer este ano (ainda não passaram nenhuma prova que disputaram este ano em branco), tornando-se o britânico o primeiro líder da geral da prova e o polaco o segundo. A equipa belga foi a mais rápida no crono, deixando a Orica a 11 segundos e a Movistar de Alejandro Valverde a 18.

2ª etapa – hoje

pelucchi

Na 2ª etapa da prova, uma fuga a meio da etapa protagonizada por Daniel Teklehaymanot (MTN-Qhubeka), Marco Canola (Bardiani-CSF), Alex Dowsett (Movistar), David de la Cruz (NetApp-Endura) e Davide Malacarne (Europcar) obrigou a Omega-Pharma-Quickstep a trabalhar no duro para manter a ordem. A 60 km da meta, o quinteto da frente chegou a ter 4 minutos e meio de vantagem. Ajudados pela Tinkoff (a trabalhar para Bennatti), as duas equipas conseguiriam alcançar o grupo de fugitivos.

Seguiram-se os habituais comboios. A Lotto chegou-se à frente e fez a papa para André Greipel, bem marcado de perto por Arnaud Demare (FDJ). Mark Cavendish não se conseguiu posicionar bem para o sprint final. Contudo, foi outro dos que vinha literalmente na roda do alemão, o jovem Matteo Pelluchi da IAM Cycling que conseguiu triunfar nos metros finais.

Na classificação geral, tudo na mesma.

Ciclismo 2014 #20

paris nice 2

Paris-Nice

2ª etapa

Paris-Nice

A etapa disputada entre Rambouillet e Saint-Georges-Sur-Baulche começou com algumas dúvidas dentro do pelotão. Apesar da vitória na primeira tirada da prova e do facto de ter sido assistido duas vezes pela equipa médica da sua equipa junto ao carro da Française des Jeux, existiam algumas dúvidas quanto à condição física do líder Nacer Bouhanni, em particular, quanto a uma lesão no joelho que o tem atormentado desde o início da temporada. O sprinter francês acabou por negar, nas entrevistas realizadas no final da etapa, que o joelho tenha condicionado a sua prestação no final da etapa.

A etapa começou com uma fuga logo aos 2,5 km. Anthony Delaplace da Bretagne (mais uma vez a Bretagne optou por fazer escapar um corredor muito cedo para se poder tornar visível e ter hipóteses de vencer um dos sprints intermédios\provavelmente esta estratégia de corrida é motivada pelos interesses dos seus patrocinadores) e o letão Alexejs Saramotins da IAM Cycling Team chegaram a ter 11 minutos de vantagem sobre o pelotão aos 33 km. No primeiro sprint intermédio do dia, ao quilómetro 61 Delaplace bateu Saramotins ao sprint e lá atrás, no pelotão, Gianni Meersman foi 3º, confirmando o intento de lutar pela geral dos pontos da prova.

A fuga foi decorrendo. Lá atrás, as equipas dos principais sprinters em prova (Omega, Française des Jeux, Belkin) aumentavam o ritmo (e consequentemente a probabilidade de cortes no pelotão devido ao vento que se fazia sentir e à dificuldade de um traçado que no ano passado provocou imensas quedas dentro do pelotão da edição de 2013) na peugada dos fugitivos, que, foram avançando isolados à única contagem de montanha disposta (uma 3ª categoria, já bem perto da meta). Na contagem de montanha de Cote de la Ferte-Loupiere, Saramotins passou à frente de Delaplace. Mesmo assim dispunham de uma vantagem de aproximadamente 5 minutos, vantagem que na altura era considerada como suficiente para poderem vencer a etapa.

Quando o pelotão teve noção dos 5 minutos que levava de atraso, as equipas dos sprinters organizaram-se e começaram a imprimir um ritmo louco na cabeça do pelotão. Com o aumento rítmico, começaram também os problemas no seio do mesmo. A 30 km da meta, as televisões foram buscar a imagem de Andy Schleck com o trepador luxemburguês a sentir imensas dificuldades na cauda do pelotão. Poucos quilómetros depois, enquanto Saramotins batia Delaplace noutro sprint intermédio e Gianni Meersman conseguia ser novamente terceiro. O segundo alcançado por Meersman seria suficiente para dar a liderança virtual da prova ao sprinter belga, mas, a etapa iria reservar-lhe outros planos.

Formaram-se os comboios. A 12 km da meta, quando a fuga seria alcançada mais tarde ou mais cedo (a 12 km do fim Saramotins deixou Delaplace para trás; seria alcançado a 4 km da linha de chegada), o comboio da Orica tomou a frente do pelotão (para trabalhar para Simon Gerrans e Matthew Goss) e com a tomada de posse da equipa australiana deu-se a maior queda do dia, precisamente na frente, ficando nela dois possíveis candidatos à vitória: o noruguês Edvald Boasson Hagen (Team Sky), o famigerado Tyler Farrar (Garmin-Sharp) e Lars Boom da Belkin.

Alcançado Saramotins, rapidamente a Giant-Shimano (antiga Argus) montou o seu dispositivo pró John Degenkolb e tratou de formar o seu comboio para levar o holandês até aos metros finais, onde, Degenkolb e Bouhanni marcaram-se mutuamente mas o antigo campeão holandês de sub-23 da Belkin Moreno Hofland, um dos ascendentes sprinters do cenário internacional, levou a melhor sobre toda a concorrência e garantiu uma preciosa vitória à Belkin na prova. Nos metros finais, houve mais uma queda dentro do pelotão que retirou a possibilidade de ciclistas como Gianni Meersman ou Tom Boonen de lutar pela vitória na etapa.

Highlights da etapa

3ª etapa

Degenkolb

À 3ª foi de vez. Depois de 2 vezes segundo, envergando a camisola dos pontos da prova, John Degenkolb conseguiu vencer no Paris-Nice e atingir a sua 4ª vitória em etapas na presente temporada.

Na última etapa antes da montanha, o circo foi até ao histórico circuito de Magny-Cours. Seria interessante analisar a prestação dos ciclistas nos minutos finais dada a forte exposição ventosa típica dos circuitos automobilísticos.

A etapa arrancou com alguns abandonos de vulto. Gianni Meersman decidiu ir para casa por problemas físicos motivados pela queda sofrida no dia anterior. Lars Boom também ficou maltratado da queda sofrida a 12 km da meta e decidiu abandonar a corrida. Como tinha acontecido nos dois dias anteriores, os franceses trataram de dar lustro ao patrocínio exibido nas suas respectivas camisolas ao arrancar com uma fuga a três logo aos 3 km. Perrig Quemeneur da Europcar, Julien Fouchard da Cofidis e Romain Feillu da Bretagne (este último, o chefe-de-fila da equipa francesa na prova) tentaram a sua fuga e o ciclista da Europcar esteve a um ligeiro passo de vencer a prova. O pelotão, alertado pelo relativo sucesso da fuga de Delaplace e Saramotins, e, jogando à cautela em virtude dos estragos provocados pela aceleração efectuada com o objectivo de anular a fuga do dia anterior, não permitiu veleidades ao trio da frente. O melhor que conseguiram foi uma vantagem de 3 minutos e meio. É certo que a presença de Feillu (um ciclista com enorme talento) agudizou o engenho às equipas interessadas numa chegada ao sprint. No entanto, nos momentos finais, quando Quemeneur já se encontrava isolado e com bastantes chances de vencer a etapa, as equipas começaram as tricas pela liderança do pelotão e pela formação de comboios e demoraram bastante tempo a agir concretamente na anulação da fuga, facto consumado apenas a 2 km da meta.

Feillu deu-se bem com a montanha e venceu a 3ª categoria colocada ao quilómetro 74. Incapazes de lutar com as mesmas armas nos sprints finais (excepção feita a Bouhanni), os franceses mostram-se mais ávidos, como de resto é habitual, a lutar pela classificação da montanha. Feillu é possivelmente um dos candidatos à vitória nesta classificação caso consiga repetir uma fuga no dia de amanhã. 4 km depois seria Quemeneur o mais rápido no sprint intermédio.

O pelotão foi controlando a fuga até aos 10 quilómetros finais. Lá atrás, Sky (para Geraint Thomas ou Boasson Hagen), Astana e Movistar (Rojas) tentavam ganhar a cabeça do pelotão perante as expectantes Orica, Belkin e Française des Jeux. A ausência da equipa francesa na cabeça do pelotão indicava que o líder da prova não estaria nas melhores condições físicas para disputar o sprint final. Bouhanni seria 7º na etapa. O francês posicionou-se muito mal nos metros finais e não conseguiu alcançar as melhores condições para disputar o sprint.

Na entrada do circuito de Magny-Cours, com Quemeneur na frente e com a possibilidade do vento provocar cortes dentro do pelotão, a Giant-Shimano subiu as suas unidades dentro do pelotão, formou o seu comboio na frente e deu meia vitória ao seu 2º sprinter (o primeiro e chefe-de-fila da equipa é Marcel Kittel) perante a pressão de Rojas (Movistar) Matthew Goss (Orica) e Borut Bozic (Astana).

E tudo Degenkolb levou…

John Degenkolb

Liderança a prazo. A etapa de amanhã, a 4ª da prova, entre Nevers e Belleville, aproxima o pelotão do momento das decisões no que à geral da prova diz respeito. Três contagem de 3ª categoria praticamente seguidas a meio da etapa e uma 2ª categoria na aproximação à meta colocada em Belleville, em plena região demarcada do Beaujolais (uma das castas de vinho mais sui-géneris da europa devido ao facto das uvas não terem que ser pisadas antes de encubadas para a fermentação;: é a própria fermentação que lhes tinha a pele) fazem desta etapa uma autêntica clássica dentro da prova. As 3 contagens de 3ª categoria, sequênciais em poucos quilómetros, decerto farão a primeira selecção dentro do pelotão e a 2ª categoria é propícia a que Rui Costa, Carlos Alberto Bettancur ou Vincenzo Nibali ataquem e formem um grupo de favoritos até a recta da meta.

Cumpre-me também relembrar que amanhã começa a Tirreno-Adriático em Itália.

Ciclismo 2014 #17

1. O rumor em torno do futuro de Peter Sagan

Sagansagan 2

O futuro do eslovaco entalado entre um acordo alegadamente firmado com Oleg Tinkoff (um dos donos da Saxo-Tinkoff) e a necessidade de patrocinio da Cannondale (ou com a Tinkoff ou na venda dos direitos a Fernando Alonso, que, decerto terá por detrás o seu principal sponsor, o Banco Santander) – ocorre também no meio destas trocas e baldrocas que Alberto Contador é patrocinado pela Specialized, concorrente de sector da Cannondale e só termina contrato no final de 2015, facto que poderá inviabilizar um acordo entre Tinkoff e Cannondale e como tal a transferência de Sagan.

2. Tour de Langkawi

8ª etapa

Na etapa que ligou Kuantan a Marang, 3ª vitória ao sprint para Theo Bos da Belkin. O holandês bateu ao sprint Andrea Guardini da Astana e Kenny Van Hummel da Androni, ambos vencedores de uma etapa na prova.

O ciclista iraniano Mirsamad Pourseyedigolakhour da Tabriz Petrochemical-Team continua a liderar a prova com 8 segundos de avanço para o etiope Merwahi Kudus da MTN-Qubeka e 11 para Isaac Bolívar da United Health Care.

Na classificação por pontos lidera Aidis Kuopis da Orica.

 

Ciclismo 2014 #16

Tour de Langwaki – Malária – UCI Asia

Tour de Langwaki

Desde 27 de Fevereiro (até domingo) está a ser disputado o Tour de Langwaki, ou como quem diz, a Volta à Malásia, prova da UCI Continental Asia que reune naquele país algumas das fortes equipas do pelotão internacional. Esta competição ainda é encarada por algumas equipas, em particular as de World Tour como uma prova de preparação para o mês de Março, esse sim já a doer com o Paris-Nice ou o Tirreno-Adriático, provas que se irão disputar na próxima semana. Também é de referir que estas provas pagam a peso de ouro a presença de alguns ciclistas. Para as equipas asiáticas, a prova da Malásia serve para estas poderem ganhar pontos para a classificação UCI Continental Asia, 3 ª divisão mundial, rampa de lançamento para a Pro Continental e para a World Tour.

6 equipas da UCI World Tour marcaram presença na prova asiática, entre as quais Belkin, Astana, Orica, Katusha, Saxo-Tinkoff e Team Europcar. 6 profissionais Continentais também marcaram presença: a Colombia (projecto nacional colombiano de ciclismo), Androni-Venezuela (projecto italo-venezuelano de ciclismo), MTN-Qubeka, United Healt Care (EUA) e Neri (Itália). Entre as asiáticas da divisão Continental presentes, destaque para a local Terengganu, para a Tabriz Petrochemical Team (equipa da cidade do Traktor de Toni) e para a Giant, recém-formada equipa chinesa que almeja ascender ao World Tour nas próximas 3 temporadas.

Entre o lote de ciclistas que está a correr a prova estão nomes como o sprinters Theo Bos e Graeme Brown (Belkin), o sprinter australiano Brett Lancaster (Orica), Alexander Ribakov (Katusha), Christophe Kern (Europcar) o trepador Fabio Duarte e o sprinter Leonardo Duque (Colombia), o trepador venezuelano José Ochoa (Androni), os famoso John-Lee Augustin da MTN-Qubeka e Jonathan Clarke da United Healt Care (vencedores de etapas nas últimas edições da Volta a Portugal) o italiano Francesco Chicchi (Neri) ou Zhi Jiang, aquele que é apontado como a maior promessa do ciclismo chinês. À excepção de Bos, Lancaster e Fabio Duarte, nenhum dos outros nomes faz parte da “nata”, digamos assim, do ciclismo mundial. Contudo, a organização da prova paga milhares de euros pela presença de segundas linhas do ciclismo mundial.

1ª etapa

quintero 2

Na primeira etapa, disputada em circuito fechado em Langwaki, na distância de 101 km, o recentemente profissionalizado Duber Quintero de 23 anos (Colombia) logrou bater ao sprint Matt Brettmaier da Sinergy Baku do Azerbeijão e Jonathan Clarke depois de uma fuga nos quilómetros finais Quintero conseguiu a sua primeira vitória enquanto profissional e tornou-se lider da prova com 11 segundos de vantagem para o corredor australiano da equipa azeri e para o corredor norte-americano.O pelotão chegou a 1.08 minutos do ciclista colombiano.

2ª etapa

Theo Bos

Na etapa que ligou Petani a Taiping, Theo Bos mostrou que é o melhor sprinter em prova. Dobradinha para a Rabobank. Graeme Brown lançou o antigo campeão mundial de pista e conseguiu a 2ª posição na etapa. Marco Haller da Katusha foi 3º. A liderança continuou na posse de Quintero.

3ª etapa

guardini

A 3ª etapa viria a pertencer a Andrea Guardini também ao sprint. Guardini já é um repetente na Volta a Malásia, prova na qual já venceu 12 etapas e por 2 vezes a camisola dos pontos. Para além das vitórias na prova da Malásia, o sprinter de 25 anos que a Astana foi recrutar à Vini-Farnese em 2013, já leva no seu currículos vitórias em etapa na Volta à Turquia, na Volta a Portugal (2011) no Giro e na Volta ao Qatar.
No sprint final da etapa que ligou Kampar à capital Kuala Lumpur, Guardini superiorizou-se a Theo Bos e Yannick Martinez da Europcar.

4ª etapa

Primeira etapa de montanha da prova. Chegada em alto nas Gentings Highlands. Vitória o iraniano Mirsamad Pourseyedigolakhour com 4 segundos de vantagem sobre o ciclista da Eritreia Merhawi Kudus da MTN-Qubeka e 5 sobre Isaac Bolivar da United Health Care. Duber Quintero perdeu a camisola amarela para o ciclista do irão visto que chegou com 6 minutos de atraso para o vencedor da etapa.

5ª etapa

Mais uma fuga sucedida. O Norte-Americano Bradley White da United Health Care cruzou a meta na primeira posição em Rembau, vingando uma fuga de quase 60 km. O pelotão chegou a 1 minuto e 5 segundos de diferença.

6ª etapa

van hummel

Vitória para o sprinter holandês Kenny Van Hummel sobre Aidis Kuopis da Orica GreenEdge e Ken Hanson da United Health Care

7ª etapa

Disputada hoje. Mais uma vitória para Theo Bos na prova e mais um 2º lugar para Aidis Kruopis. Leonardo Duque, sprinter da Colombia foi 3º.

Ciclismo 2014 #14

volta ao algarve

Volta ao Algarve

cavendish

No domingo terminou mais uma edição da Volta ao Algarve, a única do calendário ciclístico português pontuável para o calendário UCI World Tour. Na última etapa, com a geral praticamente decidida, coube a Mark Cavendish (Omega-Pharma-Quickstep) dar um arzinho da sua graça na chegada na marina de Vilamoura. O sprinter britânico bateu o jovem francês Arnaud Demare da Française des Jeux e Brian Coquard da Europcar sobre a linha da meta.

No final da etapa, Mark Cavendish protagonizou mais um episódio típico do seu mau feitio. O britânico avisou que só iria dar 1 minuto aos jornalistas para fazerem as suas perguntas e se à primeira pergunta até reagiu de forma positiva (“Gostou de participar na prova e vencer a última etapa?” até respondeu “Sim, gostei muito. Estou bastante feliz”) o mesmo não se passou nas seguintes questões postas pelos restantes profissionais, ora não respondendo ora respondendo de forma monosilábica e sobretudo muito desinteressada. Cavendish já não vencia uma etapa desde setembro passado.

Dado consumado da etapa anterior (Alto do Malhão) coube ao polaco Michal Kwiatkowski subir ao pódio para receber a camisola amarela correspondente à vitória na classificação geral da prova e o respectivo cheque oferecido pela organização da prova à equipa Omega-Pharma. No ciclismo, os prémios obtidos pelos ciclistas nas metas volantes, vitórias em etapa, vitórias na geral e nas diferentes categorias e contagens de montanha são divididos por toda a estrutura da equipa. A vitória na geral confirma uma excelente prova realizada pelo polaco, vencendo em Monchique depois de uma investida na qual deixou Rui Costa e Alberto Contador para os lugares secundários e de um contra-relógio curto perfeito realizado na 3ª etapa entre Vila do Bispo e Sagres. O ciclista polaco confirmou que é a grande aposta da equipa Belga para a classificação geral das provas por etapas de uma e três semanas. Esta equipa, recheada de roladores e sprinters poderá ter aqui o seu filão para se tornar extremamente completa na época que se avizinha. Vamos ver como é que Michal Kwiatkowski vai reagir nas provas de preparação para o Tour e na prova francesa, prova onde em 2013 ficou à beira do top 10. Apesar de ser um ciclista com enorme potencial na média e na alta montanha e um contra-relogista de excelência, um dos pontos fracos que pode afectar o seu rendimento individual é precisamente o facto da sua equipa não ter muita gente no seu rooster capaz de o ajudar nas etapas de alta montanha. Isto é, se for a primeira aposta da equipa para o Tour visto que ainda não está decidido se o polaco será líder ou se terá estatuto de corredor protegido (livre de trabalho para o líder) dentro da liderança do colombiano Rigoberto Uran.

costa

Amarga de boca fica a prestação do nosso Rui Costa. O algarve avizinhava-se como a prova ideal para o português vencer. Rui Costa deu no Algarve mostras de uma excelente condição física nesta fase da época, facto que faz crer que a Lampre-Mérida está a planear a época do campeão do mundo ao pormenor. Logo na primeira etapa, podia ter vencido ao Sprint mas preferiu dar a vitória ao sprinter da sua equipa Sasha Modolo. Uma questão de papéis que os ciclistas normalmente respeitam. Como a equipa tinha trabalhado para Modolo, o mais correcto é deixar fluir a normalidade de papéis dentro das equipas. Em Monchique voltou a ser segundo. No malhão voltou novamente a ser segundo. Na geral foi terceiro. Como escrevi anteriormente, fica o amargo de boca por não ter ganho uma etapa junto do seu público. Estou seguro que o português vai realizar novamente uma época de arromba. Vencer será uma questão de tempo.

Alberto Contador – Um segundo lugar que sabe a vitória na geral depois da classe demonstrada pelo espanhol no Alto do Malhão. Antes da prova começar afirmou que vinha ao Algarve ganhar ritmo nas pernas depois do primeiro estágio da temporada. Acabou por vencer na prova raínha da competição. A vitória no Algarve promete um excelente Contador durante a temporada. Bem precisa de deixar 2013 para trás das costas. O tour e o ciclismo agradecem que Contador volte a ser o grande ciclista que é pois senão, Froome limpa tudo novamente com a maior das tranquilidades.

Edgar Pinto – Andou durante toda a prova junto dos melhores. Participou em todas as contendas, tanto a rolar como na montanha. Está um senhor ciclista dentro do pelotão português e a bom da verdade já merecia uma oportunidade numa equipa de World Tour como ciclista de estatuto nas provas de 1 semana e clássicas. Para já, afirmou-se como um dos candidatos à geral da Volta a Portugal 1 ano depois de se ter inserido nesse lote na edição de 2013.

Tour de Oman

Oman

Christopher Froome (Team Sky) voltou a vencer a geral da Volta a Oman. Pela segunda vez consecutiva. Pela segunda vez que apenas venceu a 5ª etapa da prova e na 5ª etapa da prova cavou a diferença necessária para vencer a geral.

O britânico reagiu à vitória com uma certa presunção: “I couldn’t ask for much more. If at the start of the race you’d said to me I’d be here in the red jersey, I’d have taken it, definitely. That’s the best case for me. It’s great to be able to back it up and come and defend my title. The team we’ve had here has been really compatible, really aggressive and wanting to make the most out of the racing. It shows that everyone has come off a good winter and that everyone is working hard to be in good shape for this. It really a pleasure to work with people who share that mentality. We’ve got the leader’s jersey to show for it. We’re really happy.”

greipel 3

Na última etapa da prova, o britânico assistiu de cadeirinha a mais uma vitória em etapas de André Greipel na prova. O alemão da Lotto-Belisol voltou a deixar o jovem francês Nacer Bouhanni para trás na linha de chegada e confirmou a vitória na camisola por pontos. André Greipel está lançado para uma época que se prevê muito vitoriosa.

Volta à Andaluzia

andaluzia

Disputada desde quinta a domingo, a Volta a Andaluzia reuniu na região integrante do cada vez mais fracturado estado espanhol alguns dos maiores nomes do ciclismo mundial, também eles cheios de vontade de esticar as pernas depois de semanas intensivas de treino de preparação para a temporada. Nas estradas andaluzes competiram ciclistas como Alejandro Valverde (Movistar) Richie Porte, Edvald Boasson Hagen e Braddley Wiggins (Team Sky) Luis Leon Sanchez (Caja Rural), Marcel Kittel (Argus-Shimano), Bauke Mollema (Belkin) ou o dinamarques Jakob Fuglsang (Astana).

1ª etapa

valverde

A prova andaluz iniciou-se com um prólogo. Alejandro Valverde provou que não estava na andaluzia para treinar. O ciclista da Movistar cumpriu os 7,3 km realizados em Almeria em 8 minutos e 22 segundos, sendo mais rápido em 7 segundos que Tom Dumoulin da Giant-Shimano e em 9 que o seu colega de equipa, o basco Jon Insausti. Os homens da Sky perderam 13 (Kiryenka) 14 (Wiggins e Geraint Thomas) e 15 Richie Porte.

2ª etapa

Valverde 2

Na segunda etapa da prova, a organização quis provar quem é que tinha perninhas para aguentar uma daquelas etapas pica musculos. Na distância de 186,5 km, a etapa que ligou Málaga a Jaen oferecia a todo o pelotão presente na prova uma etapa com 6 contagens de montanha. Uma duríssima de primeira categoria entre os 13 e os 25 km, três de 2ª categoria e três de terceira categoria, a última nos 3 kms finais.

O pelotão manteve-se minimamente intacto até à subida final. Até que Alejandro Valverde saltou do grupo principal nos últimos metros e venceu a etapa destacado com 4 segundos de avanço para Bauke Mollema da Belkin, Davide Rebellin da CCC Polsat, Luis Leon Sanchez e Richie Porte da Sky. Ausência do grupo principal foi Braddley Wiggins.

Video dos últimos 3 km

3ª etapa

movistar

Na 3ª etapa da prova, a maior atracção desta era a subida final ao Santuário de La Virgem de la Sierra de Cabra, outra daquelas subidas cuja ausência do calendário da Vuelta é inexplicável visto que é uma subida de cerca de 11 km com uma pendente média de 8% e algumas rampas na parte final de 18\20% (ascenção de 18 metros em altitude a cada 100 metros de estrada). Os ciclistas tinham portanto um autêntico muro pela frente.

Como lhe competia, a Movistar controlou a etapa. Na ascenção final, o grupo dos favoritos destacou-se no grupo principal, existindo uma abordagem altamente tacticista entre Alejandro Valverde e Richie Porte. O espanhol não se fez rogado e voltou a fazer das suas (não é normal Valverde ter dois dias bons seguidos na alta montanha, muito menos vitoriosos) ao atacar nos metros finais da etapa. Retirou apenas 1 segundo ao grupo perseguidor: Scarponi (Astana) Porte, Daniel Navarro (Cofidis; cuidado que este senhor também quer qualquer coisa no Tour deste ano) e Luis León Sanchez. No 2º grupo, Bauke Mollema cruzou a meta a 5 segundos de Valverde juntamente com o ciclista estónio Tanel Kangert da Astana. O estónio demonstrou na Andaluzia que está a melhorar a olhos vistos na alta-montanha. Poderá ser uma ajuda preciosa para os seus líderes de equipa (principalmente de Nibali e Tiralongo) nas etapas de montanha das grandes provas por etapas. Tiralongo esteve bastante mal na etapa ao perder 1 minuto e 48 para Valverde. Braddley Wiggins esteve novamente ausente do grupo dos favoritos.

Com a vitória na Sierra de Cabra, Valverde aumentou a sua vantagem para Richie Porte para 20 segundos. Luis Leon Sanchez era terceiro a 22 segundos.

4ª etapa

Ultrapassada a montanha era tempo para os sprinters impor as suas credenciais. Com Marcel Kittel e Gerald Ciolek em prova, a etapa terminada em Sevilla seria ideal para uma chegada ao sprint. Coube ao veterano alemão da MTN-Qubeka cruzar em primeiro lugar a linha de meta disposta na capital da região à frente de Roy Jans da Wanty-Groupe Gobert e do sprinter Moreno Hofland da Belkin. O jovem sprinter português Fabio Silvestre da Trek-Leopard, a fazer a sua primeira época como profissional e como ciclista da primeira formação da equipa foi 8º numa chegada em que Marcel Kittel decidiu não ir a jogo.

5ª etapa

Na consagração de Alejandro Valverde como o vencedor da geral da prova (3ª vitória consecutiva) coube ao holandês Moreno Hofland vencer a etapa final da prova.

Valverde provou ser mais forte que a concorrência na fase final das provas de montanha e saboreou as suas primeiras vitórias do ano. O espanhol preparou assim as principais provas de uma semana nas quais costuma participar e vencer como a Volta a Catalunha, Murcia e Burgos, provas que irão decorrer mais adiante no calendário internacional, algumas das quais com a presença de Rui Costa.

Tour de Haut Var

A contar para a Taça Nacional de França, o Tour de Haut Var ofereceu aos ciclistas que nele participaram 2 etapas de nível de dificuldade médio. Na prova participou o jovem ciclista português Domingos Gonçalves da La Pomme Marseille, equipa francesa da UCI Pro Continental na qual também corre o seu irmão José Gonçalves.

betancourt

A prova acolheu a participação de ciclistas como Carlos Bettancur (AG2R; ciclista que de resto venceria a prova depois de desafiar com sucesso o holandês John Degenkolb da Argus no sprint da primeira etapa; é de homem um trepador conseguir bater um sprinter do nível de degenkolb na sua especialidade), Thor Hushovd (Cadel Evans e Amael Moinard (BMC; este venceria Betancur ao sprint na segunda etapa) Sylvain Chavanel e Jerome Pineau (IAM Cycling) John Gadret da Movistar ou Pierrick Fèdrigo da FJD. Basta portanto dizer que os grandes ciclistas do pelotão francês estavam lá todos.

Amanhã irei escrever sobre o Tirreno-Adriático e irei apresentar mais 1 equipa da World Tour. Irei também actualizar o ranking da World Tour.

Ciclismo 2014 #10

Qatar Tour

5ª etapa – Sexta-feira

Andre Greipel

Vitória ao sprint para o alemão André Greipel. O ciclista da Lotto-Belisol bateu Aidis Kruopis da Orica GreenEdge e Theo Bos da Belkin.

6ª e última etapa – Hoje

Demare

Na última etapa da prova, o sprinter francês Arnaud Demare conquistou a sua primeira vitória da época bem como da sua equipa, a Française des Jeux. A jovem esperança do ciclismo francês conseguiu a sua 2ª vitória em etapas no Tour do Qatar, prova na qual já tinha ganho em 2012. Etapa marcada por uma fuga de 5 ciclistas logo no primeiro quilómetro onde estavam Liewe Westra (Astana) e Marcus Burghardt da BMC.

No sprint final Arnaud Demare bateu ao sprint Daniele Bennati da Saxo Tinkoff e o austríaco Bernhard Eisel da Sky. Niki Terpstra (Omega-Pharma-Quickstep) venceu justamente a geral da prova, coroando com exito o domínio demonstrado na estrada pela sua equipa. Apesar de não ter sido à partida a escolha da Omega para vencer a classificação geral (o objectivo da equipa belga era levar Tom Boonen à sua 5ª vitória na geral da prova) o holandês conseguiu vencer o prólogo e nunca mais largou a liderança na geral da prova.

qatar 2

O ciclista holandês conquistou assim a sua primeira vitória na geral de uma prova por etapas.

Ciclismo 2014 #3

horner

Até parece que as adivinho. Escrevi aqui as vantagens da contratação de Chris Horner por parte da Lampre.

Provas:

Tour Down Under

Pela terceira vez na sua carreira, Simon Gerrans venceu a geral do Tour Down Under na Austrália, marcando em casa os primeiros pontos na World Tour para a Orica GreenEdge, projecto australiano de ciclismo. A última etapa da prova, disputada num circuito de 85,5 km em Adelaide foi ganha pelo sprinter Alemão André Greipel.

Na Argentina, deve ter acabado há minutos o Tour de San Luis. O mais provável foi a vitória do colombiano Nairo Quintana (Movistar na geral)

Apresentação da época 2014:

Belkin Pro Cycling Team

Belkin

Localização: Amsterdam – Holanda

Site: http://www.teambelkin.com/

Director Desportivo: Frank Verhoeven. Conta no seu staff como o antigo ciclista Erik Dekker (antigo campeão holandês; vencedor de 4 etapas no Tour) ou o antigo contra-relogista Michael Eliizen.

Chefes-de-fila: Robert Gesink, Bauke Mollema,

Gregários de luxo\corredores protegidos: Lars Boom, Laurens Tem Dam,

Contra-relógio:

Sprinters: Theo Bos, Graeme Brown,

Clássicas:  Bram Tankink,

Gregários: Jack Bobridge, Jetse Bol, Stefe Clement, Rick Flens, Jonathan Hivert, Wilco Keldermann, Steven Kruijswijk, Thomas Leezer, Barry Markus, Paul Martens, Lars Nordhaug, David Tanner, Marten Tjallingi, Jos Van Emden, Dennis Van Winden, Step Vanmarcke, Maarten Wynants, Robert Wagner, Marc Goos, Moreno Hofland

Principais vitórias\conquistas em 2013:

  • Vitória na Geral no Tour Down Under e vitória numa etapa por Jan Slagter (entretanto transferido)
  • Vitória numa etapa do Tour do Mediterrâneo (Lars Boom)
  • 2 vitórias em etapa na Volta ao Algarve (Paul Martens e Lars Boom)
  • 1 vitória em etapa do Tour du Haut Var (Lars Boom)
  • 3 vitórias na Volta a Langkawi (Theo Bos 2 e Tom Leezer)
  • Clássica de Almeria (Mark Renshaw – entretanto transferido)
  • 1 vitória no Critério Internacional (Theo Bos)
  • 1 vitória em etapa na Volta à Noruega (Theo Bos)
  • 1 vitória em etapa na Volta à Bélgica (Luis Leon Sanchez – transferido)
  • 1 vitória em etapa na Volta à Suiça (Bauke Mollema)
  • Vitória na Geral na Volta ao Luxemburgo (Paul Martens)
  • 1 etapa no Tour De L´Ain (Luis León Sanchez)
  • 1 etapa na ENECO Tour (Mark Renshaw)
  • 1 etapa na World Ports Race (Tjalingii)
  • 1 etapa na Volta à Espanha (Bauke Mollema)
  • Vitória no Critério do Luxemburgo (Laurens Tem Dam)
  • 1 etapa no GP Québec (Robert Gesink)
  • Vitória na Clássica de Munsterland (Van Emden)
  • Vitória na Geral do Tour de Hainan (Moreno Hofland) e 9 vitórias em etapa (Hofland 3, Theo Bos 6)
  • 2º na Geral da Volta à Suiça (Bauke Mollema)
  • 6º no Tour de France (Bauke Mollema)

Em 2013, como podemos ver, esta equipa que ficou com os direitos e com a estrutura da extinta Rabobank, teve um ano em cheio. O sucesso foi tanto que a empresa patrocinadora gostou da experiência e renovou o patrocínio que terminava em 2014 até 2017. O que esperar desta Belkin em 2014 sem dois dos seus maiores agitadores (Luis León Sanchez e Mark Renshaw)?

bauke Mollema

Comecemos pela base de todas as equipas de topo do ciclismo mundial: as provas por etapas. Ou melhor, pelos chefes-de-fila. A caminho dos 28 anos, Bauke Mollema entra na fase decisiva da sua carreira. Que é como quem diz, nos anos em que finalmente terá oportunidade de provar se é homem capaz de lutar pela vitória no Tour ou pela presença regular nos pódios da prova nos próximos 5\6 anos. Mollema será o chefe-de-equipa da formação no Tour. Com Robert Gesink decididamente afastado para o Giro, Mollema terá a companhia de uma equipa formada por Laurens Ten Dam. Não poderia ser o contrário. Os dois combinam estrategicamente pelos mortíferos ataques que são capazes de produzir na alta-montanha. O contra-relógio continua a ser um dos departamentos onde Mollema não se sente à vontade. Apesar de não perder muito tempo no contra-relógio de média distância, perde bastante no contra-relógio de longa distância. Terá que melhorar a especialidade para poder discutir o pódio de qualquer uma das 3 grandes voltas.

Em ascenção está Laurens Ten Dam. Espectacular e mortífero em alta-montanha. Raramente quebra. É uma pedra no sapato para qualquer ciclista na alta-montanha. Perde imenso no contra-relógio mas, se andar bem na montanha é de caras top-10 de qualquer uma das grandes voltas.

gesink

Robert Gesink. A maior desilusão do ciclismo holandês. Há cerca de 6 anos atrás todos os especialistas da modalidade diziam que a Rabobank tinha ali o menino perfeito. Outros não tardaram a classificá-lo como um dos possíveis melhores trepadores de sempre. O 7º e 6º lugar obtido na Vuelta em 2008 e 2009 e o 5º lugar obtido no Tour de 2010 catapultaram Gesink para uma carreira que se previa, pelo menos, carregada de pódios nas grandes voltas. Aos 27 anos, depois de um modesto 26º lugar num Tour onde não deu nas vistas, à semelhança de Mollema, Gesink entra na fase dourada da sua carreira. Terá que se preparar melhor do que aquilo que se preparou no ano 2013. Não creio que vá correr o Tour, apostando mais na presença do trepador na Vuelta.

Lars Boom – Para ganhar aqui e ali. É o especialista da equipa nas provas curtas por etapas. Fará decerto as provas regionais em Espanha (Múrcia, Valência, Catalunha, País Basco) e as clássicas da primavera. Estará decerto no Tour para tentar vencer uma ou outra etapa por lá. Poderá ser o ano de afirmação na World Tour.

Saiu Mark Renshaw (mal ou bem conseguia fazer as suas vitórias e ainda lançava bem Theo Bos) continua o Holandês. Bos tem o pecúlio que tem no ciclista de pista. Apesar de ter conquistado imensas vitórias no ciclismo de estrada, há quem afirme que saiu tarde da pista para a estrada (apenas em 2009 aos 26 anos) –

Bos é indiscutivelmente um dos homens mais explosivos do pelotão. Faltam-lhe vitórias em grandes provas. Poderá ser alternativa para as clássicas da primavera, sendo expectável que seja inserido numa grande volta internacional. A lancá-lo terá o experiente Graeme Brown.

Outra das forças da Belkin reside nos seus gregários. Como bons ciclistas da escola Holandesa, são um perigo nas clássicas de colinas e pavé. Numa fuga, qualquer dos gregários supra mencionado poderá surpreender o pelotão com uma fuga bem sucedida. Os gregários da equipa também constituem um dos seus maiores défices visto que a equipa não tem ninguém para acompanhar os seus líderes na montanha. A Belkin não se reforçou no mercado. Continuará a deixar os seus chefes-de-fila votados ao abandono nos cumes do mundo do ciclismo. O que constitui um ponto a menos para as pretensões de Gesink e Bauke Mollema.

 

BMC

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Tecnologia de ponta made in switzerland nas estradas de todo o mundo. Podem não ter a melhor equipa da World Tour, mas tem as bicicletas mais lindas do ciclismo mundial.

Localização: Santa Rosa – California – Estados Unidos (a localização da BMC Cycling Team na América é devida ao sistema de apuramento pelo qual a equipa teve que passar há uns anos para poder ascender ao World Tour – fora da Europa é mais fácil vencer as zonas UCI Pro Continental do que na Europa onde a concorrência aperta)

Site: www.bmcracingteam.com

Director Desportivo: Alan Peiper – é co-adjuvado por antigos ciclistas do pelotão como Fabio Baldato ou Valerio Piva.

Chefes-de-fila: Cadel Evans, Philippe Gilbert, Tejay Van Garderen,

Gregários de luxo\corredores de estatuto protegido: Manuel Quinziato, Peter Velits, Danilo Wyss

Contra-relógio: Tailor Phinney,

Sprinters: Thor Hushovd, Greg Van Avermaet,

Clássicas: Alessandro Ballan, Marcus Burghardt

Gregários: Darwin Hurtado Atapuma, Brent Bookwalter, Stephen Cummings, Yannick Eijssen, Ben Hermans, Martin Kohler, Klaas Lodewick, Amael Moinard, Steve Morabito, Dominik Nerz, Daniel Oss, Michael Schar, Peter Stetina, Silvain Dillier,

Principais vitórias\conquistas em 2013:

  • 2 vitórias em etapas no Tour do Qatar (Brent Bookwalter\contra-relógio colectivo)
  • 1 vitória em etapa no Tour du Haut Var (Tour Hushovd)
  • vitória em etapa no Giro Del Trentino (Ivan Santaromita – transferido)
  • Vitória na geral da Volta à Califórnia (Tejay Van Garderen) com vitória do ciclista no contra-relógio na etapa 6.
  • Campeonato Nacional Italiano (Santaromita)
  • Campeonato Nacional Italiano de contra-relógio (Marco Pinotti)
  • Campeonato Nacional Norueguês (Thor Hushovd)
  • Campeonato Nacional Suiço (Michael Schar)
  • 3 vitórias na volta à Àustria (Thor Hushovd 1 e Matthias Frank 2 – entretanto transferido)
  • Vitória na geral e em 2 etapas no Tour Wallonie (Greg Van Avermaet)
  • 3 vitórias na Volta à Polónia (Thor Hushovd 2 e Taylor Phinney no contra-relógio)
  • 1 vitória na Volta a Utah (Van Avermaet)
  • Vitória na Geral e 2 vitórias em etapas na Artic Race Norway (Thor Hushovd)
  • Vitória na Geral (Tejay Van Garderen) e 2 vitórias em etapa (Frank\Van Garderen) na US Pro Cycling Challenge
  • 1 Vitória em etapa na Vuelta (Phillipe Gilbert)
  • 2 vitórias no Tour de Albert (Silvain Dillier e Cadel Evans)
  • 1 vitória em etapa na Tour de Pequim (Thor Hushovd)

Em 2013 a BMC provou ser novamente uma das mais vencedoras equipas do circuito, apesar de, comparando com as vitórias do ano 2012, a qualidade das mesmas desceu abruptamente pois a BMC não venceu tantas etapas e tantas classificações no top15 de provas da época.

Ano novo, vida nova. A primeira vitória para a equipa já foi obtida na Austrália com uma vitória em etapa no Tour Down Under por parte do Aussie Cycling Icon Cadel Evans, vencedor do Tour em 2011.

Cadel Evans

Gorada a contratação de Rui Costa (a BMC foi uma das equipas que revelou maior interesse na contratação do Português para 2014) para o bem ou para o mal, pelo estatuto que adquiriu na modalidade nos 15 anos como profissional, Cadel Evans é o líder desta equipa em conjunto com o belga Phillipe Gilbert, outro dos grandes corredores que tive o prazer de acompanhar na última década e do qual sou um grande fã. Contudo, parece-me que a liderança do australiano na equipa sediada na Califórnia não passa da folha de papel. Por outras palavras: o ano 2014 deverá ser o ano de passagem de testemunho na equipa dirigida por Alan Peiper do australiano para a jovem promessa do ciclismo norte-americano Tejay Van Garderen. Nunca se sabe do que Cadel Evans é capaz mas…

van garderen

Aos 25 anos este jovem talento nascido nos arredores de Washington prepara-se com afinco para tomar conta da liderança da equipa nas grandes Voltas. Engane-se quem pensa que Tejay é um novato nestas andanças. O 5º lugar arrancado com muito brio no Tour de 2012, prova onde foi líder da juventude e  andou sempre com os melhores na alta-montanha (quando dizemos os melhores dizemos Froome, Wiggins, Nibali, Mollema, Valverde) poderá não ter sido uma conquista única do ciclista apesar do 43º lugar obtido na prova no ano 2013. Van Garderen tem todos os ingredientes para ser um candidato ao pódio na prova francesa: aguenta-se muito bem na montanha, é inteligente a ler os ataques, consegue alcançar um ritmo próprio quando é atacado e tem uma especialidade de contra-relógio estupenda. Uma espécie de Cadel Evans enquanto jovem. Convém também dizer que raramente ataca. Vamos ver aquilo que este jovem é capaz durante a época 2014 na prova francesa.

gilbert

O teórico.

Durante os anos 201o e 2011 Philippe Gilbert só soube a palavra “vitória”. Em 2012 teve uma época para esquecer mas venceu na Vuelta numa etapa que terminou no Parc Guell. Quando ninguém dava nada por ele para os campeonatos do mundo (Valkenburg) arrancou meio pelotão internacional na subida final e sagrou-se pela primeira vez campeão do mundo. Em 2013 andou novamente desaparecido. Tentou muito nas colinas mas foi incapaz de finalizar provas. Ganhou na Vuelta mas teve um atitude muito discreta em Firenze numa prova que de certa maneira também era talhada para ele. Deverá querer recuperar o que tem perdido desde 2012, ano em que se mudou de armas e bagagens da Omega para a BMC. Aos 32 anos, deverá dedicar-se cada vez mais a provas de um dia, se bem que creio ser lógica a sua presença na Vuelta como preparação física para os campeonatos do mundo. Tem mais 3 anos de alto nível nas clássicas pela frente.

Argumentos de peso para uma BMC muito escassa no que toca à ajuda aos seus líderes nas provas por etapa. Evans e Van Garderen tem à sua disposição 2 ou 3 ciclistas gregários capazes de dar no duro quando é preciso: Wyss, Burghardt (se bem que este senhor vence umas coisas de vez em quando) Quinziato, Moinard e Atapuma. O colombiano pode-se tornar uma bela revelação no ano 2013. Van Garderen necessita claramente de outro tipo de escudeiros para enfrentar as duras subidas do Tour. A não ser que Evans seja o seu subalterno na próxima viagem em França.

O resto é:

Tom Hushovd

PODER DE FOGO.

Thor Hushovd, o catedrático. Aos 35 anos Hushovd prepara-se para mais uma voltinha no Carrossel. Só fará Clássicas e provas curtas por etapas. Quanto mais velho está, está cada vez melhor. Como o vinho do Porto. Estará de olho na vitória na Paris-Roubaix, l´enfer du nord.

Greg Van Avermaet – Prometeu ser um dos melhores sprinters na sua geração. Vence meia dúzia de etapas por época. Está longe de me convencer. Não confirmou os seus créditos visto que até aos 27 anos só venceu uma etapa nas grandes voltas (na Volta à Espanha em 2008). Dá-se bem com a superfície em paralelo e com as corridas de 1 dia nas colinas belgas e holandesas. Deverá ser aí que poderá lutar por algumas vitórias.

Tailor Phinney – Ano para voltar a surpreender no contra-relógio. Será um dos melhores especialistas mundiais dentro de 1 a 2 anos.

Pela negativa: Alessandro Ballan. Um dos meus ciclistas favoritos está suspenso desde dia 17 por dois anos por reincidência no uso de substâncias dopantes. É uma pena. Estraga uma carreira fantástica. Continua presente na equipa mas caso a suspensão não seja revista, deverá ir para o desemprego mais tarde ou mais cedo.