F1 2014 #12

Começa dentro de horas a primeira corrida da época. Como é habitual, Albert Park ultima os preparativos para a sessão de abertura da prova.

O circuito de Melbourne é excelente para quem gosta de acelerar a fundo e para os melhores no departamento das ultrapassagens. Com uma longa recta no primeiro sector logo à seguir à primeira chicane e uma parte rápida no 2º sector em curva para a direita que antecede uma chicane e uma recta interessante antes de outra chicane no 3º sector, permitem 3 dos 5 pontos de ultrapassagem aos pilotos. O poder do DRS desenvolvido pelas equipas para cada carro fará diferença nestes 3 pontos. Nos outros dois (na primeira chicane e 3 curvas que antecedem a meta) os pilotos terão que mostrar uma enorme perícia para ultrapassar os seus adversários. O traçado é excelente para pilotos ofensivos como Sérgio Perez, Kamui Kobayashi ou Pastor Maldonado. Ambos partem fora do top-10 da grelha de partida.

A pista de Albert Park apresenta outra característica sui-géneris: quando molhada em demasia, apresenta uma fraca capacidade de escoamento e consequentemente pouca visibilidade para os pilotos. Felipe Massa é por exemplo, um dos pilotos que treme quando é obrigado a correr em pista molhada. O brasileiro odeia o piso molhado e caso a corrida se inicie nestas condições, poderá ter um Melbourne um autêntico pesadelo.

Lewis Hamilton ganhou a pole position e para já, caso arranque bem terá a vantagem de não ter que passar pelo inferno da primeira chicane. Esta costuma resultar em acidentes com algum aparato no meio do pelotão. Será seguido por Daniel Ricciardo, o melhor dos Red Bull nas primeiras 3 sessões de qualificação da época. Depois de uma fase de testes algo conturbada, surpreendeu-me pela positiva o resultado obtido pelo australiano (a jogar literalmente em casa) em deterimento do fraquinho 13º lugar obtido por Vettel.

O 8º lugar de Danii Kvyat (o tal chutou António Felix da Costa para canto em virtude dos rublos que meteu na afiliada da Red Bull) também me soou de forma surpreendente. Afinal de contas, será o russo talentoso o suficiente para andar no circo ou a imprensa portuguesa tratou logo de arranjar um bode expiatório para tentar explicar que se calhar o português “deu o facto como consumado e deitou-se à sombra da bananeira?” – Albert Park irá começar a esclarecer-me (nos) essa duvida.

Kvyat, Marcus Ericsson (Caterham) e Kevin Magnussem farão em Melbourne a sua estreia ao mais alto nível. São os lucky ones deste ano. Milhares de jovens trabalham durante anos (alguns abdicam inclusivamente de estudar em idades prococes) para chegar ao grande circo do automobilismo. Sabemos bem que tão difícil é entrar no circo como permanecer nele. No hodierno panorama da competição, aquilo que manda, põe, dispõe, faz assinar contratos, faz entrar e sair marcas, construtores, staff e tudo o mais que a competição acarrete, não é propriamente o currículo ou os skills dos pilotos, se bem que este(s) ajudam à angariação de patrocinadores, mas sim os resultados e o dinheiro que os resultados traz. É certo que há casos em que os skills são por si só sinónimo de dinheiro para as escuderias. Algumas das escuderias desesperam por um talento para poderem obter resultados que lhes permitam um estado financeiro saudável e a licença da FIA para a próxima temporada. No primeiro ano, todos os patrocinadores de Vettel sabiam que mais tarde ou mais cedo a sua hora iria chegar. No caso de Kobayashi, sendo o japonês um dos mais talentosos da prova, as primeiras provas (abandonos, resultados muito aquém dos objectivos programados pela Sauber) foram o suficiente para a equipa despachar o Japonês e render-se, na altura, ao dinheiro trazido por Carlos Slim via Esteban Gutierrez. Para mim, o mexicano é indiscutivelmente um dos mais fracos deste pelotão em conjunto com Max Chilton e Jules Bianchi.

Marcus Ericsson (e Kamui Kobayashi) são 2 dos pilotos cuja pressão pendente fortemente sobre os ombros. Esta temporada será determinante para a Caterham de Tony Fernandes. Primeiro porque o malaio já avisou a equipa que este será a última temporada em que irá “bancar erros” – das duas uma: ou a Caterham consegue pontos ou então será trespassada para outro, sem a garantia que a FIA volte a dar licença à equipa sediada na Irlanda para competir na próxima temporada. As regras para obtenção de licenças apertaram e há quem afirme por aí que a Honda e a Peugeot estão desertinhas para voltar à prova máxima do automobilismo com uma equipa de fábrica.

Kevin Magnussen é filho de peixe (Jan Magnussen). Nem sempre filho de peixe sabe nada. Esta regra aplicou-se a Jacques Villeneuve (se bem que considero que Villeneuve merecia mais do que aquilo que realmente teve porque era um excelente piloto) mas não se aplicou a Nelson Piquet Jr, por exemplo. A responsabilidade de Magnussen é, em ditame popular, mais que muita. Bastante! Aos 21 anos, o dinamarquês vai defender uma das históricas scuderias da competição, ocupando um lugar que só foi ocupado (no ano de rookie) por um tal de Lewis Hamilton há 6 anos atrás… obtendo no seu ano de estreia um 2º lugar que só não resvalou para título porque na última prova, um tal de Kimi Raikkonen, antigo corredores da McLaren, de regresso à Ferrari nesta temporada, estragou todos os planos ao então wonderkid britânico. Numa época em que o duelo Alonso-Hamilton dentro da equipa à altura comandada por Ron Dennis roçou o ridículo.

Os três irão tremer que nem varas verdes nos minutos que irão antecer a largada. Houve quem no passado “tivesse amarelado” quando meteu o carro a trabalhar. Há uns anos atrás, um húngaro chamado Zsolt Baumgartner atingiu um estado de confusão mental tão grande dentro do carro a meio da sua primeira prova, que, chegou inclusive a activar o botão de stop quando estava a meio de curva.

Em maus lençóis neste início de temporada está a Williams. Massa queixou-se da chuva. Pat Symonds, o director-geral da equipa afirmou estar incredulo quanto à falta de resposta do carro às modificações feitas no mesmo. O director-geral da Williams afirmou: “Já mudámos as caixas laterais, o sistema de escape e outras peças aerodinâmicas e o o resultado disso foi mínimo. Todas essas mudanças custaram meio milhão de euros. No entanto, nem no simulador estamos a ter bons resultados.” – disse.

No reino colorido da Ferrari:

kimi raikkonen

Estou por Kimi. Alonso é o meu ídolo, mas Kimi é a minha aposta segura enquanto tiffosi. Estou farto do feitio de Alonso, da falta de resultados de Alonso e da sua falta de interesse. O melhor que fazia à scuderia era dedicar-se por inteiro ao projecto ciclístico que pretende formar em parceria com o Santander em 2015 (fala-se que irão comprar a Cannondale). Comprem lá o que quiserem. Se quiserem, comprem também o Valverde. Estou literalmente farto de heróis furados e das minhas equipas favoritas (sim, também sou fã da Movistar, ou melhor, era) estarem inundadas de gente fracassada. Sei bem que a missão de Kimi será difícil. Alonso continuará a mobilizar todos os meios enquanto o Santander continuar a passar o chorudo cheque anual a Luca Di Montezemolo. A coisa até pode descambar para o fracasso total. Kimi e Fernando são dois dos pilotos mais ego(ístas) da competição. Se um mata, o outro esfola. Se tudo decorrer num ambiente controlado (competitivo), os feitos de um poderão estimular o outro a querer mais e melhor. Se tudo descambar como de resto acredito num bate boca descontrolado e numa luta de galos pelo poleiro principal (mal Fernando começar a ter as mordomias do costume para a falta de resultados do costume, Kimi não é de se ficar), a Ferrari bem que pode repensar novamente a sua estratégia para os próximos anos.

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Ciclismo 2014 #7

1. Volta ao Dubai

rui costa 4

A 1ª Volta ao Dubai começou ontem com um prólogo de 9,9 km com vitória para o Norte-Americano Taylor Phinney. Tailor Phinney começou bem a sua temporada de 2014, fazendo jus às palavras que aqui escrevi sobre a capacidade do ciclista da BMC na especialidade de contra-relógio.

Contudo, o destaque do dia de ontem foi a estreia do campeão do Mundo Rui Costa com as cores da Lampre, curiosamente com um jersey personalizado de campeão nacional de contra-relógio. O campeão do mundo gastou mais 47 segundos que o ciclista da BMC, posicionando-se na 24ª posição da geral da prova. Também a correr pela Lampre, Nélson Oliveira, especialista no contra-relógio, foi 35º gastando mais 53 segundos que o vencedor da etapa.

phinney

Phiney concluiu os 9,9km em 12 minutos e 3 segundos. Gastou menos 14 segundos que o colega de equipa Steven Cummings e 16 que o dinamarquês da Garmin Lasse Norman Hansen. Tony Martin (Omega-Pharma) foi 4º a 22 segundos de Phinney, Cancellara (Trek) 5º a 25 segundos e Peter Sagan 6º a 31 segundos do ciclista norte-americano.

Em destaque também esteve o facto da organização da prova não ter autorizado os ciclistas a correr com bicicletas especiais de contra-relógio no prólogo que abriu a prova que segue até domingo.

rui costa 3

Estranha mania da UCI complicar aquilo que é fácil. O estatuto de nº1 do ciclismo mundial adquirido pelo português na prova de Firenze do passado 29 de Setembro de 2013, parece ainda não permitir a amostra de um banner com o seu primeiro nome e apelido nas transmissões oficiais das provas UCI World Tour. O ciclista reclamou na sua página de facebook.

2ª etapa

Kittel

Dia marcado por condições climatéricas adversas para o pelotão. O vento que se fez sentir na região de Doha provocou algum nervosismo dentro do pelotão. Apesar de metade do pelotão se encontrar a “treinar”no Dubai de forma a conseguir alcançar o ritmo competitivo que muitos desejam para as provas de 1 semana e clássicas da primavera que começam a partir de Março, ninguém pretende fazer má figura dentro do pelotão.

O foguete alemão da Argus-Shimano Marcel Kittel (vencedor da 4 etapas no Tour em 2013) venceu a tirada, batendo Peter Sagan ao Sprint. Taylor Phinney foi 3º no sprint, conseguindo aumentar a sua vantagem na geral em 1 segundo para os concorrentes directos. Os portugueses em prova chegaram dentro do pelotão.

2. A confirmação de Cavendish na Volta ao Algarve

mark cavendish

Mark Cavendish (Omega-Pharma-Quickstep) confirmou hoje a participação na Volta ao Algarve, prova que se irá disputar de 19 a 23 de Fevereiro. A prova também irá contar com a presença de Rui Costa.

3. Classificações World Tour

tom boonen UCI 1

A primeira tabela de rankings UCI World Tour foi lançada. Com a vitória alcançada numa etapa e na Geral do Tour Down Under na Austrália, o australiano Simon Gerrans (Orica GreenEdge) assumiu a liderança do maior ranking mundial com 114 pontos.

Por equipas, lidera o projecto australiano de ciclismo:

UCI 2

Importante também é o ranking por nações visto que é este ranking que vai decretar o número de ciclistas que cada selecção pode levar aos campeonatos do mundo:

UCI 3

Como não poderia deixar de ser, lidera a Austrália.

Ciclismo 2014 #3

horner

Até parece que as adivinho. Escrevi aqui as vantagens da contratação de Chris Horner por parte da Lampre.

Provas:

Tour Down Under

Pela terceira vez na sua carreira, Simon Gerrans venceu a geral do Tour Down Under na Austrália, marcando em casa os primeiros pontos na World Tour para a Orica GreenEdge, projecto australiano de ciclismo. A última etapa da prova, disputada num circuito de 85,5 km em Adelaide foi ganha pelo sprinter Alemão André Greipel.

Na Argentina, deve ter acabado há minutos o Tour de San Luis. O mais provável foi a vitória do colombiano Nairo Quintana (Movistar na geral)

Apresentação da época 2014:

Belkin Pro Cycling Team

Belkin

Localização: Amsterdam – Holanda

Site: http://www.teambelkin.com/

Director Desportivo: Frank Verhoeven. Conta no seu staff como o antigo ciclista Erik Dekker (antigo campeão holandês; vencedor de 4 etapas no Tour) ou o antigo contra-relogista Michael Eliizen.

Chefes-de-fila: Robert Gesink, Bauke Mollema,

Gregários de luxo\corredores protegidos: Lars Boom, Laurens Tem Dam,

Contra-relógio:

Sprinters: Theo Bos, Graeme Brown,

Clássicas:  Bram Tankink,

Gregários: Jack Bobridge, Jetse Bol, Stefe Clement, Rick Flens, Jonathan Hivert, Wilco Keldermann, Steven Kruijswijk, Thomas Leezer, Barry Markus, Paul Martens, Lars Nordhaug, David Tanner, Marten Tjallingi, Jos Van Emden, Dennis Van Winden, Step Vanmarcke, Maarten Wynants, Robert Wagner, Marc Goos, Moreno Hofland

Principais vitórias\conquistas em 2013:

  • Vitória na Geral no Tour Down Under e vitória numa etapa por Jan Slagter (entretanto transferido)
  • Vitória numa etapa do Tour do Mediterrâneo (Lars Boom)
  • 2 vitórias em etapa na Volta ao Algarve (Paul Martens e Lars Boom)
  • 1 vitória em etapa do Tour du Haut Var (Lars Boom)
  • 3 vitórias na Volta a Langkawi (Theo Bos 2 e Tom Leezer)
  • Clássica de Almeria (Mark Renshaw – entretanto transferido)
  • 1 vitória no Critério Internacional (Theo Bos)
  • 1 vitória em etapa na Volta à Noruega (Theo Bos)
  • 1 vitória em etapa na Volta à Bélgica (Luis Leon Sanchez – transferido)
  • 1 vitória em etapa na Volta à Suiça (Bauke Mollema)
  • Vitória na Geral na Volta ao Luxemburgo (Paul Martens)
  • 1 etapa no Tour De L´Ain (Luis León Sanchez)
  • 1 etapa na ENECO Tour (Mark Renshaw)
  • 1 etapa na World Ports Race (Tjalingii)
  • 1 etapa na Volta à Espanha (Bauke Mollema)
  • Vitória no Critério do Luxemburgo (Laurens Tem Dam)
  • 1 etapa no GP Québec (Robert Gesink)
  • Vitória na Clássica de Munsterland (Van Emden)
  • Vitória na Geral do Tour de Hainan (Moreno Hofland) e 9 vitórias em etapa (Hofland 3, Theo Bos 6)
  • 2º na Geral da Volta à Suiça (Bauke Mollema)
  • 6º no Tour de France (Bauke Mollema)

Em 2013, como podemos ver, esta equipa que ficou com os direitos e com a estrutura da extinta Rabobank, teve um ano em cheio. O sucesso foi tanto que a empresa patrocinadora gostou da experiência e renovou o patrocínio que terminava em 2014 até 2017. O que esperar desta Belkin em 2014 sem dois dos seus maiores agitadores (Luis León Sanchez e Mark Renshaw)?

bauke Mollema

Comecemos pela base de todas as equipas de topo do ciclismo mundial: as provas por etapas. Ou melhor, pelos chefes-de-fila. A caminho dos 28 anos, Bauke Mollema entra na fase decisiva da sua carreira. Que é como quem diz, nos anos em que finalmente terá oportunidade de provar se é homem capaz de lutar pela vitória no Tour ou pela presença regular nos pódios da prova nos próximos 5\6 anos. Mollema será o chefe-de-equipa da formação no Tour. Com Robert Gesink decididamente afastado para o Giro, Mollema terá a companhia de uma equipa formada por Laurens Ten Dam. Não poderia ser o contrário. Os dois combinam estrategicamente pelos mortíferos ataques que são capazes de produzir na alta-montanha. O contra-relógio continua a ser um dos departamentos onde Mollema não se sente à vontade. Apesar de não perder muito tempo no contra-relógio de média distância, perde bastante no contra-relógio de longa distância. Terá que melhorar a especialidade para poder discutir o pódio de qualquer uma das 3 grandes voltas.

Em ascenção está Laurens Ten Dam. Espectacular e mortífero em alta-montanha. Raramente quebra. É uma pedra no sapato para qualquer ciclista na alta-montanha. Perde imenso no contra-relógio mas, se andar bem na montanha é de caras top-10 de qualquer uma das grandes voltas.

gesink

Robert Gesink. A maior desilusão do ciclismo holandês. Há cerca de 6 anos atrás todos os especialistas da modalidade diziam que a Rabobank tinha ali o menino perfeito. Outros não tardaram a classificá-lo como um dos possíveis melhores trepadores de sempre. O 7º e 6º lugar obtido na Vuelta em 2008 e 2009 e o 5º lugar obtido no Tour de 2010 catapultaram Gesink para uma carreira que se previa, pelo menos, carregada de pódios nas grandes voltas. Aos 27 anos, depois de um modesto 26º lugar num Tour onde não deu nas vistas, à semelhança de Mollema, Gesink entra na fase dourada da sua carreira. Terá que se preparar melhor do que aquilo que se preparou no ano 2013. Não creio que vá correr o Tour, apostando mais na presença do trepador na Vuelta.

Lars Boom – Para ganhar aqui e ali. É o especialista da equipa nas provas curtas por etapas. Fará decerto as provas regionais em Espanha (Múrcia, Valência, Catalunha, País Basco) e as clássicas da primavera. Estará decerto no Tour para tentar vencer uma ou outra etapa por lá. Poderá ser o ano de afirmação na World Tour.

Saiu Mark Renshaw (mal ou bem conseguia fazer as suas vitórias e ainda lançava bem Theo Bos) continua o Holandês. Bos tem o pecúlio que tem no ciclista de pista. Apesar de ter conquistado imensas vitórias no ciclismo de estrada, há quem afirme que saiu tarde da pista para a estrada (apenas em 2009 aos 26 anos) –

Bos é indiscutivelmente um dos homens mais explosivos do pelotão. Faltam-lhe vitórias em grandes provas. Poderá ser alternativa para as clássicas da primavera, sendo expectável que seja inserido numa grande volta internacional. A lancá-lo terá o experiente Graeme Brown.

Outra das forças da Belkin reside nos seus gregários. Como bons ciclistas da escola Holandesa, são um perigo nas clássicas de colinas e pavé. Numa fuga, qualquer dos gregários supra mencionado poderá surpreender o pelotão com uma fuga bem sucedida. Os gregários da equipa também constituem um dos seus maiores défices visto que a equipa não tem ninguém para acompanhar os seus líderes na montanha. A Belkin não se reforçou no mercado. Continuará a deixar os seus chefes-de-fila votados ao abandono nos cumes do mundo do ciclismo. O que constitui um ponto a menos para as pretensões de Gesink e Bauke Mollema.

 

BMC

SONY DSC

Tecnologia de ponta made in switzerland nas estradas de todo o mundo. Podem não ter a melhor equipa da World Tour, mas tem as bicicletas mais lindas do ciclismo mundial.

Localização: Santa Rosa – California – Estados Unidos (a localização da BMC Cycling Team na América é devida ao sistema de apuramento pelo qual a equipa teve que passar há uns anos para poder ascender ao World Tour – fora da Europa é mais fácil vencer as zonas UCI Pro Continental do que na Europa onde a concorrência aperta)

Site: www.bmcracingteam.com

Director Desportivo: Alan Peiper – é co-adjuvado por antigos ciclistas do pelotão como Fabio Baldato ou Valerio Piva.

Chefes-de-fila: Cadel Evans, Philippe Gilbert, Tejay Van Garderen,

Gregários de luxo\corredores de estatuto protegido: Manuel Quinziato, Peter Velits, Danilo Wyss

Contra-relógio: Tailor Phinney,

Sprinters: Thor Hushovd, Greg Van Avermaet,

Clássicas: Alessandro Ballan, Marcus Burghardt

Gregários: Darwin Hurtado Atapuma, Brent Bookwalter, Stephen Cummings, Yannick Eijssen, Ben Hermans, Martin Kohler, Klaas Lodewick, Amael Moinard, Steve Morabito, Dominik Nerz, Daniel Oss, Michael Schar, Peter Stetina, Silvain Dillier,

Principais vitórias\conquistas em 2013:

  • 2 vitórias em etapas no Tour do Qatar (Brent Bookwalter\contra-relógio colectivo)
  • 1 vitória em etapa no Tour du Haut Var (Tour Hushovd)
  • vitória em etapa no Giro Del Trentino (Ivan Santaromita – transferido)
  • Vitória na geral da Volta à Califórnia (Tejay Van Garderen) com vitória do ciclista no contra-relógio na etapa 6.
  • Campeonato Nacional Italiano (Santaromita)
  • Campeonato Nacional Italiano de contra-relógio (Marco Pinotti)
  • Campeonato Nacional Norueguês (Thor Hushovd)
  • Campeonato Nacional Suiço (Michael Schar)
  • 3 vitórias na volta à Àustria (Thor Hushovd 1 e Matthias Frank 2 – entretanto transferido)
  • Vitória na geral e em 2 etapas no Tour Wallonie (Greg Van Avermaet)
  • 3 vitórias na Volta à Polónia (Thor Hushovd 2 e Taylor Phinney no contra-relógio)
  • 1 vitória na Volta a Utah (Van Avermaet)
  • Vitória na Geral e 2 vitórias em etapas na Artic Race Norway (Thor Hushovd)
  • Vitória na Geral (Tejay Van Garderen) e 2 vitórias em etapa (Frank\Van Garderen) na US Pro Cycling Challenge
  • 1 Vitória em etapa na Vuelta (Phillipe Gilbert)
  • 2 vitórias no Tour de Albert (Silvain Dillier e Cadel Evans)
  • 1 vitória em etapa na Tour de Pequim (Thor Hushovd)

Em 2013 a BMC provou ser novamente uma das mais vencedoras equipas do circuito, apesar de, comparando com as vitórias do ano 2012, a qualidade das mesmas desceu abruptamente pois a BMC não venceu tantas etapas e tantas classificações no top15 de provas da época.

Ano novo, vida nova. A primeira vitória para a equipa já foi obtida na Austrália com uma vitória em etapa no Tour Down Under por parte do Aussie Cycling Icon Cadel Evans, vencedor do Tour em 2011.

Cadel Evans

Gorada a contratação de Rui Costa (a BMC foi uma das equipas que revelou maior interesse na contratação do Português para 2014) para o bem ou para o mal, pelo estatuto que adquiriu na modalidade nos 15 anos como profissional, Cadel Evans é o líder desta equipa em conjunto com o belga Phillipe Gilbert, outro dos grandes corredores que tive o prazer de acompanhar na última década e do qual sou um grande fã. Contudo, parece-me que a liderança do australiano na equipa sediada na Califórnia não passa da folha de papel. Por outras palavras: o ano 2014 deverá ser o ano de passagem de testemunho na equipa dirigida por Alan Peiper do australiano para a jovem promessa do ciclismo norte-americano Tejay Van Garderen. Nunca se sabe do que Cadel Evans é capaz mas…

van garderen

Aos 25 anos este jovem talento nascido nos arredores de Washington prepara-se com afinco para tomar conta da liderança da equipa nas grandes Voltas. Engane-se quem pensa que Tejay é um novato nestas andanças. O 5º lugar arrancado com muito brio no Tour de 2012, prova onde foi líder da juventude e  andou sempre com os melhores na alta-montanha (quando dizemos os melhores dizemos Froome, Wiggins, Nibali, Mollema, Valverde) poderá não ter sido uma conquista única do ciclista apesar do 43º lugar obtido na prova no ano 2013. Van Garderen tem todos os ingredientes para ser um candidato ao pódio na prova francesa: aguenta-se muito bem na montanha, é inteligente a ler os ataques, consegue alcançar um ritmo próprio quando é atacado e tem uma especialidade de contra-relógio estupenda. Uma espécie de Cadel Evans enquanto jovem. Convém também dizer que raramente ataca. Vamos ver aquilo que este jovem é capaz durante a época 2014 na prova francesa.

gilbert

O teórico.

Durante os anos 201o e 2011 Philippe Gilbert só soube a palavra “vitória”. Em 2012 teve uma época para esquecer mas venceu na Vuelta numa etapa que terminou no Parc Guell. Quando ninguém dava nada por ele para os campeonatos do mundo (Valkenburg) arrancou meio pelotão internacional na subida final e sagrou-se pela primeira vez campeão do mundo. Em 2013 andou novamente desaparecido. Tentou muito nas colinas mas foi incapaz de finalizar provas. Ganhou na Vuelta mas teve um atitude muito discreta em Firenze numa prova que de certa maneira também era talhada para ele. Deverá querer recuperar o que tem perdido desde 2012, ano em que se mudou de armas e bagagens da Omega para a BMC. Aos 32 anos, deverá dedicar-se cada vez mais a provas de um dia, se bem que creio ser lógica a sua presença na Vuelta como preparação física para os campeonatos do mundo. Tem mais 3 anos de alto nível nas clássicas pela frente.

Argumentos de peso para uma BMC muito escassa no que toca à ajuda aos seus líderes nas provas por etapa. Evans e Van Garderen tem à sua disposição 2 ou 3 ciclistas gregários capazes de dar no duro quando é preciso: Wyss, Burghardt (se bem que este senhor vence umas coisas de vez em quando) Quinziato, Moinard e Atapuma. O colombiano pode-se tornar uma bela revelação no ano 2013. Van Garderen necessita claramente de outro tipo de escudeiros para enfrentar as duras subidas do Tour. A não ser que Evans seja o seu subalterno na próxima viagem em França.

O resto é:

Tom Hushovd

PODER DE FOGO.

Thor Hushovd, o catedrático. Aos 35 anos Hushovd prepara-se para mais uma voltinha no Carrossel. Só fará Clássicas e provas curtas por etapas. Quanto mais velho está, está cada vez melhor. Como o vinho do Porto. Estará de olho na vitória na Paris-Roubaix, l´enfer du nord.

Greg Van Avermaet – Prometeu ser um dos melhores sprinters na sua geração. Vence meia dúzia de etapas por época. Está longe de me convencer. Não confirmou os seus créditos visto que até aos 27 anos só venceu uma etapa nas grandes voltas (na Volta à Espanha em 2008). Dá-se bem com a superfície em paralelo e com as corridas de 1 dia nas colinas belgas e holandesas. Deverá ser aí que poderá lutar por algumas vitórias.

Tailor Phinney – Ano para voltar a surpreender no contra-relógio. Será um dos melhores especialistas mundiais dentro de 1 a 2 anos.

Pela negativa: Alessandro Ballan. Um dos meus ciclistas favoritos está suspenso desde dia 17 por dois anos por reincidência no uso de substâncias dopantes. É uma pena. Estraga uma carreira fantástica. Continua presente na equipa mas caso a suspensão não seja revista, deverá ir para o desemprego mais tarde ou mais cedo.