Ciclismo 2014 #31

fabien cancellara

Ronde Van Vlaanderen – Volta à Flandres, Bélgica – Ontem

O magnífico Fabian Cancellara escreveu ontem mais uma página de história na sua carreira ao ser pela 3ª vez vencedor da prova belga, 5º vitória suiça na prova. Cancellara junta-se assim a um lote de vencedores por 3 vezes no qual estão ciclistas como Johan Museeuw ou Tom Boonen. Boonen esteve presente na prova e ainda tentou dar um arzinho da sua graça.

259 km a separar Osteende e Blankenberg. Pelo meio, dezenas de corridas, segmentos em pavé e uma loucura de corrida, cheia de nervosismo e de aparatosas quedas.

Foi precisamente uma queda que pautou as primeiras das 6 horas de corrida disputadas na clássica Belga, clássica que serve de antecâmara para a clássica dos heróis, para o Inferno do Norte, o Paris-Roubaix, clássica que se irá disputar no próximo domingo. Para todos os leigos em ciclismo passo a explicar: a Paris-Roubaix é uma clássica disputada entre a capital francesa e o mítico velódromo da pequena cidade da região de Pas de Calais (o mais antigo velódromo ciclístico francês) na qual os ciclistas tem que superar cerca de 2 dezenas de segmentos de estrada em pavê (barro e paralelo). A prova contém um nível de espectacularidade enorme pela sua extrema dureza, pelas dezenas de quedas que acontecem e pela diabólica situação de corrida decorrente, com ataques e mudanças de posições constantes ao longo da prova. É uma daquelas clássicas que merece ser vista do princípio ao fim. Para não me alongar mais, voltando à Volta à Flandres…

Foi este o momento mais negativo da corrida. Protagonizado precisamente por um dos vencedores da Paris-Roubaix, o belga Johan VanSummeren da Garmin, um dos candidatos à vitória na prova de ontem. Numa altura em que o pelotão rolava a alta velocidade (km 60), o belga embateu violentamente contra uma idosa que se encontrava sentada à beira da estrada. A senhora está hospitalizada em estado muito grave. O ciclista afirma que o corredor que está traumatizado com o sucedido. Não é para menos.

No momento em que Van Summeren bateu contra a espectadora, na frente, rolava a primeira fuga do dia. 11 ciclistas foram os primeiros a evadir-se à aventura na dura prova belga, quase todos de equipas belgas menos cotadas. O mais cotados na fuga eram o sul-africano Daryl Impey da Orica e o norte-americano Taylor Phinney da BMC. Nas primeiras horas de corrida, sucederam-se várias quedas.  Luke Durbridge (Orica), Yaroslav Popovich (Trek), o duas vezes vencedor da prova Stijn Devolder (Trek) ou Step Vanmarcke (homem que depois viria a atacar na fase decisiva da prova) protagonizaram as quedas mais feias da prova. O experiente ucraniano da Trek também foi literalmente cuspido da bicicleta contra um espectador na beira da estrada.

As quedas foram partido o pelotão em vários grupos. Aproveitando a confusão, Peter Sagan decidiu sair do pelotão, obrigando os Omega (Boonen, Stybar e Terpstra) a trabalhar para o apanhar. À espreita encontravam-se nesse grupo homens como Edvald Boasson Hagen (também tentou atacar a 40 km da meta), Alexander Kristoff (Katusha) Fabien Cancellara, Anulado Sagan, os Omega conseguiram controlar o grupo principal até às mexidas que aconteceram após a colina de Kruisberg, uma das pendentes mais inclinadas do percuso, quando, na sua descida, Greg Van Avermaet (BMC) e Stijn Vandenberg (um dos altões da Omega) atacaram. Resposta imediata de Step Vanmarck e Peter Sagan. Na resposta de Sagan, quem viu a transmissão televisiva da prova pode apreciar as informações que o director desportivo da Cannondale ia dando ao eslovaco, pedindo-lhe que se mantesse em posição intermédia até 18 km da meta, altura em que os corredores iam subir a última grande inclinação do dia, a lendária Oude-Kwaremont. Nessa inclinação, pedia o director da Cannondale para Sagan fazer um dos seus ataques demolidores. Os dois ciclistas rodaram muito bem na frente. Boonen e Terpstra abandonaram a frente da corrida. O primeiro teve inclusive dificuldades em acompanhar o ritmo do grupo principal, cuja perseguição estava entregue a Kristoff e a Cancellara.

Foi precisamente na Oude-Kwaremont que Cancellara viu o cenário perfeito para atacar e colar-se aos da frente. O suiço atacou, Sagan não conseguiu acompanhar, Vanmarcke conseguiu aguentar o ataque do suiço e os dois corredores acabariam por colar-se a Van Avermaet e Vanderbergh nos últimos quilómetros.

Habitual nestas corridas, a constituição do quarteto provocou as habituais danças tácticas com os ciclistas a esboçarem ataques e contra-ataques para poderem vencer a prova. Só a 300 metros do fim, em posição privilegiada para sprintar (na cauda do grupo), Cancellara lançou o sprint e venceu um estafado Greg Van Avermaet em cima da linha de meta. O Belga voltou a falhar o objectivo de vencer uma das 5 maravilhas das clássicas da primavera (Flandres, Roubaix, Liège, Amstel Gold Race, Milão-São Remo) apesar de ter merecido claramente a vitória. Valeu novamente a enorme ponta final de Cancellara. O suiço soube resguardar-se e ler muito bem a corrida, respondendo e atacando no timing correcto aos ciclistas correctos. No final, a excelente posição na cauda do grupo aliada à sua habitual frieza na finalização de etapas, garantiu ao suiço de 33 anos a 3ª vitória na prova e 7ª nas 5 maravilhas da primavera (em 25 participações; 14 pódios).

 

GP Miguel Indurain valverde 4

Neste fim de semana, correu-se em Espanha a edição deste ano do GP Miguel Induraín. Tendo como pano de fundo a Volta ao País Basco (começou hoje), Alejandro Valverde conseguiu a sua 6ª vitória da temporada (depois das vitórias em Murcia, Roma Máxima, geral da Andaluzia e 2 etapas na prova andaluz) depois de bater Tom Jelte Slagter da Garmin. O holandês da equipa Norte-Americana voltou a mostrar a sua apetência para as clássicas. Acredito que o holandês será um das maiores figuras deste tipo de provas a partir da próxima temporada.

Da prova espanhol ficou o excelente resultado obtido por André Cardoso. O português da Garmin foi 4º classificado a 1 minuto e 2 segundos do ciclista da Movistar.

Vuelta a La Rioja

Em Espanha também se correu a Volta a La Rioja. A 54ª edição da prova foi encurtada apenas a 1 etapa, à semelhança daquilo que aconteceu com a Volta a Murcia por exemplo. Marcaram presença na prova espanhola nomes como o sprinter Brett Lancaster (Orica), Igor Antón (Movistar), Michael Albasini (Orica) e as equipas portuguesas da Louletano-Dunas Douradas e Boavista Radio Popular.

Michael Matthews da equipa australiana venceu a prova, batendo ao sprint Francesco Lasca da Caja Rural e Carlos Barbero da Euskadi. O melhor português foi Federico Figueiredo da Radio Popular na 14ª posição.

Volta a Limburg

Moreno Hofland

Vitória para o sprinter da Belkin Moreno Hofland. O Holandês, vencedor de uma etapa no Paris-Nice, 2º na Kuurne-Brussels-Kuurne, bateu Simone Colbrelli da Bardiani e Mauro Finetto da Neri na linha de meta.

Volta ao País Basco – 1ª etapa

contador 3

Alberto Contador começou a ganhar no País Basco. Em Ordizia, pleno coração do País Basco, o espanhol da Tinkoff voltou a provar que está embalado para uma grande temporada. Contador atacou com Valverde na última passagem pela 2ª categoria categorizada entre os 10 e os 7,5 km para a meta, deixou o ciclista da Movistar para trás, aguentou a vantagem obtida na descida e venceu isolado na pequena localidade de 10 mil habitantes.

Péssimo dia para Rui Costa. O português desapareceu das imagens antes da última passagem pela subida de Gaintza, acumulando mais de 4 minutos para o líder. Se por um lado o resultado é péssimo (o Rui fica irremediavelmente afastado pela luta da geral), por outro lado, a péssima classificação justifica-se pelo uso da bicicleta suplente (apesar de ter a medida do ciclista, foi pouco utilizada pelo ciclista; a bicicleta principal do português desenvolvida pela Mérida não chegou a tempo da primeira etapa) e pelo cansaço acumulado no terrível dia de espera ontem vivido pelo português no aeroporto na viagem para o País Basco com atraso de 10 horas no voo. Este resultado irá permitir uma maior liberdade de ataque ao ciclista português nas próximas etapas visto que 4 minutos de atraso para a liderança deverão permitir uma maior probabilidade de ataque sem resposta directa dos favoritos à geral da prova. No entanto, também me parece assertivo afirmar que dentro do pelotão ninguém deixa sair de ânimo leve o campeão do mundo. Quem sabe se poderemos ter o ciclista da Póvoa do Varzim ao ataque já amanhã numa etapa que tem um perfil do seu agrado.

Corrida dominada do início ao fim pela Movistar e pela Tinkoff. Uma fuga com Matteo Montaguti (AG25) foi anulada a tempo do momento das decisões (a última passagem pela 2ª categoria de Gaintza, um autêntico muro com pendentes de 15% e 20% em alguns pontos, em particular nos primeiros 500 metros). Tanto a equipa espanhola como a equipa dinamarquesa colocaram muita gente na frente do pelotão de forma a fazer uma selecção dos candidatos logo nesta primeira etapa. Recordo que esta prova só tem chegada em alto na 4ª etapa na quinta-feira. Mikel Nieve (Sky), Damiano Cunego (Lampre), Cadel Evans (BMC), Michal Kwiatkowski (Omega-Pharma-Quickstep), Yuri Trofimov (Katusha; excelente etapa deste ciclista russo) e Jean-Christophe Perraud (afirmou ontem ter algumas ambições na prova; 1 semana depois de ter vencido a geral do Criterium da Córsega) aguentaram o máximo que puderam. Excelente trabalho da Movistar na aproximação à última dificuldade do dia com um grande trabalho de Benat Inxausti a endurecer a corrida. Até ao momento em que Valverde tentou o ataque logo no início da subida e Contador não só o acompanhou como o ultrapassou com um ataque demolidor.

O espanhol conseguiu 13 segundos de vantagem no Alto da Gaintza para Valverde e 30 para o grupo formado pelos nomes supra-citados, diferenças que se mantiveram aquando da chegada dos ciclistas à meta. Contador sobe defender a vantagem na descida e com a vitória nesta 1ª etapa, ascendeu à liderança da prova.

pais basco

André Cardoso chegou integrado no grupo de Frank Schleck (Trek), Samuel Sanchez (BMC), Robert Gesink (Belkin), Simon Spilak (Katusha) e Tejay Van Garderen (BMC) a 58 segundos de Contador. Os ciclistas da BMC Racing Team foram as maiores desilusões do dia. Pela forma apresentada por Van Garderen na Catalunha, esperava-se que o all-rounder Norte-Americano fosse capaz de acompanhar Contador. O basco, a correr em casa, também esteve um furo abaixo daquilo que costuma fazer na prova.

A etapa de amanhã tem um perfil duríssimo. Os ciclistas costumam catalogar este tipo de etapas de “rasga pernas” pela quantidade de descidas e subidas que o traçado apresenta. Apesar das 4 contagens de montanha estarem posicionadas longe da meta (a de 1ª é a última), após a última contagem de montanha, o percurso é um sobe e desce constante, existindo uma subida de 4 km não categorizada a 5 km da meta.

Ciclismo 2014 #11

volta ao algarve

Começou hoje em Faro a 40ª edição da Volta ao Algarve, a única prova do calendário ciclístico português que é pontuável para o ranking da World Tour. Até domingo, alguns dos melhores ciclistas mundiais da actualidade estarão a competir no nosso país.

Apesar da prova Algarvia estar inserida numa fase inicial da temporada na qual tanto os ciclistas como as equipas ultimam a preparação física ideal para encarar as primeiras provas competitivas a sério (no início do próximo mês) pode-se dizer que o cartaz é bastante apetecível: 5 etapas com a presença de alguns dos melhores ciclistas da actualidade como o campeão do mundo Rui Costa (a correr pela primeira vez esta temporada com a camisola do arco-íris) Alberto Contador (Saxo-Tinkoff) Mark Cavendish (Omega-Pharma-Quickstep) Aleksandr Kolobnev (Katusha) Christopher Horner (Lampre-Mérida) Arnaud Demare (Française des Jeux) ou Rein Taaramae (Cofidis).

A armada portuguesa também está bem representada. Para além das equipas Banco BIC-Carmin, OFM-Quinta da Lixa, Radio Popular Boavista, LA-Antarte Paredes dos Móveis e do campeão do mundo, marcam presença na prova Tiago Machado e José Mendes (Net-App) Bruno Pires e Sérgio Paulinho (Saxo-Tinkoff) e Nelson Oliveira (Lampre). A única ausência de vulto no que toca à nata do ciclismo português é a de André Cardoso da Garmin.

sasha modolo 2

O sprinter italiano de 26 anos Sasha Modolo ganhou a primeira etapa da prova, tirada que ligou Faro a Albufeira na distância de 160 km.

Sem grandes obstáculos no percurso (apenas uma 3ª categoria à passagem do quilómetro 34), a etapa foi animada com uma fuga de 5 ciclistas menos cotados que obrigou as equipas com sprinters presentes (Omega-Pharma, Lampre, Française des Jeux) a trabalhar arduamente no pelotão. Na parte final da etapa, a Lampre assumiu as despesas da corrida e preparou caminho para o seu sprinter. Na recta da meta, Rui Costa poderia ter ganho a etapa. O português preferiu abrir nos metros finais para a vitória do seu colega de equipa Sasha Modolo, respeitando os papéis existentes dentro da equipa. A atitude do chefe-de-fila da Lampre levou Modolo a classificá-lo no final como um “senhor dentro do pelotão”. No terceiro lugar ficou o veteraníssimo sprinter italiano Alessandro Petacchi (Omega-Pharma-Quickstep). Modolo conquistou em Albufeira a sua 4ª vitória da temporada depois de ter vencido uma etapa no Tour do Dubai e 2 na Vuelta a Maiorca.

César Fonte bonificou num sprint intermédio e é 2º da geral. Rui Costa é 3º. Arnaud Demare foi 6º e Mark Cavendish não entrou sequer no sprint final.

A prova prossegue amanhã com uma etapa que é considerada como uma autêntica clássica dentro das provas por etapa. A tirada liga Lagoa a Monchique na distância de 190 km. Antes de chegar à serra de Monchique, os ciclistas terão que passar pelas várias inclinações sinalizadas ao longo do percurso.

rui costa 6

O nosso grande campeão do mundo correu pela sua primeira vez com a camisola que o identifica como o nº1 do ciclismo mundial. No seu site oficial, Rui Costa descreveu as sensações vividas na primeira etapa.A aposta da Lampre é levar o campeão mundial à vitória na geral da prova algarvia. O dia de amanhã poderá ser decisivo quanto a esse objectivo.

Cycling: 5th Tour of Oman 2014 / Stage 1

Se meio pelotão internacional está no Algarve, a outra metade está no médio Oriente a correr a Volta a Oman.

A prova daquele pequeno país do continente asiático apresenta-se como um autêntico paraíso para os roladores.

1ª etapa

Na primeira etapa da prova, a Lotto-Belisol controlou todos os acontecimentos na cabeça do pelotão. No final da etapa, os elementos da equipa belga aceleraram o ritmo no pelotão de forma a garantirem as melhores condições de sprint para o seu velocista (o alemão André Greipel). Na recta da meta, o alemão não facilitou e conquistou a sua segunda vitória em etapas na presente temporada, 1 semana depois de ter vencido uma etapa no Tour do Qatar. O seu maior rival na prova de Oman, o belga Tom Boonen (Omega-Pharma-Quickstep) não consegui inserir-se na discussão da etapa. No final da mesma, o antigo campeão do mundo afirmou que a vitória de Greipel foi merecida em virtude do trabalho realizado pelos elementos da Lotto-Belisol.

2ª etapa – ontem quarta-feira.

kristoff

Na 2ª etapa da prova, os corredores da IAM Cycling iniciaram a etapa com um enorme sentimento de tristeza. Horas antes tinha sido confirmada a morte de Kristof Goddaerts, ciclista belga de 27 anos que alinhava na equipa suiça. Goddaerts foi atropelado por um autocarro quando treinava na sua cidade natal na Bélgica. Apesar da tristeza demonstrada nos rostos de alguns ciclistas, os homens da IAM Cycling decidiram continuar a sua participação na prova. Antes da partida, o pelotão cumpriu 1 minuto de silêncio em honra do seu antigo colega de profissão.

Sem obstáculos pela frente no percurso, previa-se uma chegada em linha disputada ao sprint. Foi exactamente isso que aconteceu. Na recta da meta, o actual detentor da medalha de bronze olímpica na prova de estrada conquistada em Londres 2012, o noruguês Alexander Kristoff da Katusha, venceu a etapa e assumiu a liderança na geral da prova. No final da etapa, Kristoff mostou-se feliz por ter ganho a tirada (1ª vitória da temporada) e revelou que nos últimos meses treinou intensivamente o seu posicionamento e a sua postura na bicicleta na especialidade de sprint de forma a poder ombrear com os melhores finalizadores do pelotão mundial.

Ciclismo 2014 #8

rui costa 5

Rescaldo da Volta ao Dubai

Marcel Kittel

As últimas etapas da prova ditaram duas vitórias de Marcel Kittel ao Sprint. O foguete da Argus conseguiu as primeiras vitórias da época 2014. Na última etapa, Kittel bateu Peter Sagan Cannondale no sprint final.

Classificação Geral

phinney 2

O Norte-Americano Taylor Phinney celebrou nesta primeira edição do Dubai Tour a sua primeira vitória na classificação geral de uma prova por etapas. Fruto da vantagem obtida no prólogo que iniciou a prova, o ciclista da BMC conseguiu segurar a vitória até ao final. Como os 3 primeiros classificados das etapas bonificavam, para não perder a vantagem amealhada para Marcel Kittel ou Peter Sagan, Phinney disputou os sprints e até conseguiu uma 3ª posição num deles.

O português Rui Costa foi 15º da geral na prova.

Vuelta Mallorca

modolo

Começou ontem em Palma de Maiorca a Volta Ciclística a Maiorca, prova onde participam entre outros, Damiano Cunego (Lampre) Dario Cataldo (Sky) ou Luis León Sanchez (Caja Rural).

Na primeira etapa da prova, disputada no circuito urbano de 116 quilómetros (1o voltas a um circuito de 11,6 km), a Lampre conseguiu alcançar a sua primeira vitória da temporada através do seu sprinter Sasha Modolo. O ciclista da equipa italiana bateu no sprint final Jens Debusschere da Lotto-Belisol e Dylan Groenewegen da De Rijke (equipa Holandesa da divisão Pro Continental).

No que diz respeito aos portugueses presentes na prova, André Cardoso (Garmin) chegou dentro do pelotão na 48ª posição.

Qatar Tour

1ª etapa

terpstra

Na etapa que ligou Al Wakra a Durkhan Beach na distância de 136 km, o vento forte que se fez sentir causou muitas dificuldades aos ciclistas. Etapa marcada por muitas fugas. O holandês Liewe Westra (Astana) foi o primeiro a tentar a sua sorte ao km 9. Seria apanhado 11 km depois. Pouco depois, um grupo de luxo constituído por Tom Boonen (Omega-Pharma-Quickstep) Fabien Cancellara (Trek) André Greipel (Lotto-Belisol) e Philip Gilbert (BMC) tentaram a sua sorte. Foram apanhados ao km 59, numa fase em que o pelotão se partiu em vários grupos. O pelotão só viria a juntar-se novamente ao km 95. No último sprint intermédio, coube ao Holandês Niki Terpstra (na imagem; Omega-Pharma-Quickstep) tentar a sua fuga com o belga Jurgen Roelants (Lotto) e Michael Schar (BMC).

Na linha de meta, o antigo campeão holandês foi mais forte que os seus companheiros de fuga, vencendo a etapa e assumindo a camisola dourada que representa a liderança da prova.

2ª etapa

omega

Disputada há poucas horas atrás. A etapa que ligou Camel Race Track a Al Khor Corniche (160.5) foi ganha pelo mítico Tom Boonen depois de uma estratégia de corrida muito peculiar praticada pela sua equipa, a Omega-Pharma.

Com um vento muito forte contra os ciclistas, a equipa Belga tratou de assumir a liderança do pelotão para tentar praticar uma corrida por exclusão. Deixando Philip Gilbert escapar nos primeiros quilómetros da etapa (foi apanhado aos 33km) e o letão Gatis Smukulis aos 89 km (seria apanhado ao quilómetro 105), apanhado o letão, sobravam apenas 23 ciclistas no grupo principal: 8 da Omega e alguns resistentes como Bernhard Eisel e Ian Stannard (Sky), Lars Boom (Belkin), Andrea Guarnieri (Astana) ou Daniele Bennati (Saxo Bank).

Os homens da Belkin auxiliaram a “falsa fuga” dos homens da Omega até aos 5 km finais, ponto onde Lars Boom tentou a sua sorte. Apanhado mesmo em cima da meta pelos homens da Omega, possibilitou que Tom Boonen completasse o serviço encomendado pela equipa belga ao longo da tirada com uma vitória em cima da linha de chegada sobre o dinamarquês Michael Morkov da Team Saxo e Jurgen Roelants da Lotto-Belisol. 21ª vitória em etapas para Tom Boonen na prova qatari, prova de que de resto já venceu por 4 vezes na sua carreira.

Classificação geral:

1º Niki Terpstra (Holanda\Omega-Pharma-Quickstep)
2º Jurgen Roelants (Bélgica\Lotto-Belisol) a 5s
3º Tom Boonen (Bélgica\Omega-Pharma-Quickstep) a 14s
4º Michael Morkov (Dinamarca\Saxo-Bank) a 20s

Niki Terpstra lidera por pontos e a Omega lidera na geral por equipas.

4. Bradley Wiggins fala sobre a época 2014. No vídeo que pode ver carregando neste link, o antigo vencedor do Tour, afirma que o conflito interno que manteve na temporada 2013 com Christopher Froome está sanado e que em 2014 existe um bom ambiente dentro da equipa Britânica.

5. Apresentação das equipas

Garmin-Sharp

Garmin

Localização: Colorado – Estados Unidos da América

Site: http://www.slipstreamsports.com

Director Desportivo: Jonathan Vaughters

Chefes-de-fila: Ryder Hesjdal, Daniel Martin, Andrew Talansky

Gregários de luxo\corredores de estatuto protegido: André Cardoso, Tom Danielson, Ramunas Navardauskas,

Contra-Relógio: Jack Bauer, David Millar, Lasse Norman Hansen,

Sprinters: Tyler Farrar, Koldo Fernandez,

Clássicas: Nick Nuyens, Johan Van Summeren, Fabien Wegmann

Gregários: Javier Acevedo, Nate Brown, Rohan Dennis, Caleb Fairly, Phil Gaimon, Nathan Haas, Alex Howes, Ben King, Raymond Kreder, Sebastien Langveld, Lachlan Morton, Tom Jelte Slagter, Dylan Van Baarle, Steele Von Hoff, Thomas Dekker,

Principais vitórias\conquistas em 2013:

  • Geral da Volta à Catalunha e 1 etapa (Daniel Martin)
  • Geral da Volta a Utah (Tom Danielson)
  • 1 etapa na Volta a Utah (Lachlan Morton)
  • Geral do Tour de Alberta e 1 etapa (Rohan Dennis)
  • Vitória na Liège-Bastogne-Liège (Daniel Martin)
  • 1 vitória em etapa no Paris-Nice (Andrew Talansky)
  • Vitória na geral da Juventude no Paris-Nice (Andrew Talansky)
  • 1 vitória em etapa no Tour de L´Metropole (Tyler Farrar)
  • 1 vitória em etapa no Tour da Romandia (Navardauskas)
  • 1 vitória em etapa nos 4 dias de Dunkerque (Michel Kreder)
  • 1 vitória em etapa no Giro de Itália (Navardauskas)
  • 1 vitória em etapa no Tour da California (Tyler Farrar)
  • 1 vitória em etapa na Bayern-Rundhfart (Alex Rasmussen; entretanto transferido)
  • 1 vitória em etapa no Tour de France (Daniel Martin)
  • Vitória na Geral da Juventude no Criterium Du Dauphiné (Rohan Dennis)

daniel martin

Na minha opinião, a Garmin fez uma temporada 2013 decepcionante. Se por um lado, a equipa até conseguiu atingir vitórias surpreendentes como a de Daniel Martin (na imagem) na clássica Liège-Bastogne-Liège ou conquistas interessantes (perspectivando o futuro) como o top 10 de Andrew Talansky no Tour ou a sua espantosa prestação no Paris-Nice, por outro lado, integrando no seu seio soluções de qualidade para todo o tipo de provas, para todo o tipo de terrenos e para todo o tipo de objectivos, nem as vitórias de Ramunas Navardauskas no Giro e de Daniel Martin na 9ª etapa do Tour limparam uma época em que os objectivos cruciais da equipa não foram atingidos.

Começando pelo Giro, a defender a vitória obtida na geral em 2012, Ryder Hesjdal passou por completo ao lado da prova. No Tour, provou-se que Daniel Martin, apesar da etapa ganha, não é ciclista para lutar pelo top-10 da prova. Por outro lado, com o 10º lugar na prova e com as exibições demonstradas tanto na alta-montanha como no contra-relógio, Andrew Talansky posicionou-se de forma decisiva como a aposta de futuro da equipa para a geral na prova. Na Vuelta, a equipa da Garmin não apareceu durante toda a prova. No capitulo da luta dos sprints, depois de um ano 2012 para esquecer, Tyler Farrar teve outro ano para esquecer com 2 vitórias em provas menores, facto que poderá transportar condicionalismos para a época que o canadiano vai realizar em 2014: auferindo cerca de 1,2 milhões de euros por ano, ou Tyler Farrar re-entra na luta com os melhores ou bem que pode começar a procurar uma nova equipa para a época 2015, sabendo de antemão que já não tem créditos firmes dentro do pelotão internacional e, que muita gente não dispõe de um milhão de fichas para gastar com um ciclista que já não vence de forma regular desde 2011.

A fórmula para 2014 deverá manter-se: Hesjdal vai tentar limpar a imagem deixada no Giro, Talansky deverá consolidar a sua posição no Tour e Daniel Martin deverá dedicar-se em definitivo à Vuelta, às clássicas (especialidade onde tomou o gosto) e às provas por etapas de uma semana.

andre cardoso

No intuito de reforçar a equipa, chega em 2014 à equipa norte-americana André Cardoso, ciclista português de 29 anos, natural do Porto, vindo da Caja Rural, equipa que liderou na Vuelta. O Português fez um fantástico ano de 2013, coroado com um 16º lugar na geral da prova. Numa das etapas de montanha da prova, tentou encetar uma fuga com vários ciclistas, estando muito próximo de vencer a tirada. O português deverá ser o plano B da equipa à prova espanhola. Se conseguir andar no mesmo registo de 2013, poderá até sonhar com um top-10 na prova.

Os ascendentes – Aos 26 anos, o lituano Ramunas Navardauskas é um ciclista de quem se espera um brilhante futuro. No seu currículo, o lituano já leva anotações de qualidade: 2 vitórias nos campeonatos nacionais lituanos na especialidade de contra-relógio, 1 vitória na prova de estrada, uma vitória na Liège-Bastogne-Liège na prova de sub-23, uma vitória no contra-relógio no Tour, uma vitória em etapa num contra-relógio do Giro e um 8º lugar na prova de estrada dos campeonatos do mundo em 2012 (Valkenburg).

Sendo por excelência um contra-relogista, Navardaukas tem evoluído imenso na forma como corre as clássicas, constituíndo-se portanto como um ciclista a ter em conta para as clássicas da primavera deste e dos próximos anos. Ao mesmo tempo, é uma das esperanças da Lituânia para os campeonatos do mundo tanto na prova de contra-relógio como na prova de estrada.

Rohan Dennis é um poço de talento. Aos 23 anos, este australiano de 23 anos, vai trilhando o seu percurso dentro da Garmin. Inscrito pela primeira vez como profissional para a temporada de 2014, este all-rounder é o sucessor natural de Cadel Evans. Fortíssimo no contra-relógio (especialidade onde já limpou por várias vezes o título australiano de sub-23) e muito interessante na alta-montanha (prova disso foi o 8º lugar da geral obtido no Criterium Du Dauphiné, prova de preparação para o Tour), Dennis tem todas as condições para se tornar um sério líder dentro de 3\4 anos. Não será admirável se Jonathan Vaughters o inserir no Giro ou na Vuelta com estatuto de corredor protegido já no ano de 2014.

Lasse Norman Hansen – Este dinamarquês será garantidamente um dos contra-relogistas do futuro.

Os veteranos –

tyler farrar

Ano de tudo ou nada para Tyler Farrar.

David Millar – Conhecido pela especialidade de contra-relógio, tentará pontuar pelo menos uma vez em 2014 com o seu enorme potencial no breakaway.

Tom Danielson – Apesar da sua veterania, é um nome a ter em conta para as provas de uma semana que a equipa irá realizar na América e na Europa.

Thomas Dekker – Apesar de ter um currículo feito nas provas por etapas de uma semana, este holandês de 29 anos está apto para mudar o disco para as clássicas de 1 dia.

Nick Nuyens, Johan Van Summeren e Fabien Wegmann – Os belgas chegam ao ano de 2014 com muitas histórias por conta no versículo das clássicas. Aos 33 anos, Nick Nuyens já conta no seu currículo com vitórias na Paris-Bruxelas (2004) no GP da Valónia (2005, 2006, 2009) na geral da Volta à Grã-Bretanha (2006) na Kuurne-Bruxelas-Kuurne (2006) entre outras prestações interessantes na Amstel Gold Race e nos campeonatos do mundo onde já foi 9º. Van Summeren já venceu em 2011 o mítico Paris-Roubaix, prova que tentará conquistar novamente em 2014. Se ganhar o Paris-Roubaix por uma vez não é uma tarefa fácil para qualquer ciclista do pelotão, ganhar pela segunda no Inferno do Norte significa para muitos o maior exito de uma carreira. Falamos de uma prova de estrada e pavé (estrada de paralelo e barro) disputada entre a capital francesa e a cidade de Roubaix (na fronteira com a Bélgica) na qual muitos ciclistas do pelotão internacional não ousam sequer participar dada a quantidade de quedas que se verificam durante a mesma.

Fabien Wegmann – Apesar de não ser considerado no seio da equipa norte-americana como um corredor com estatuto protegido, ou seja, com liberdade para fazer a sua corrida em detrimento da habitual ajuda em torno do líder da equipa nas provas, o alemão é sem dúvida o ciclista com maior currículo dentro da equipa no que toca a clássicas e provas de uma semana. É expectável portanto que Wegmann lidere a Garmin em provas como a Amstel Gold Race, GP Miguel Indurain, Fleche Wallone, Giro da Lombardia e Volta à Polónia. Nas restantes provas, irá actuar em função dos líderes designados por Jonathan Vaughters.

Para dobrar a pressão junto destes ciclistas, a empresa que fabrica aparelhos de orientação por satélite (Garmin) ainda não informou se irá renovar ou não o patrocínio que expira em 2014.