Ciclismo 2014 #32

volta ao país basco

Foi assim que Contador terminou na segunda-feira a Volta ao País Basco: de beret enfiado na cabeça (bem bonito por sinal) e duas beijocas de duas moçoilas contratadas pela organização da prova.

2ª etapa – ontem

tony martin

O bicampeão do mundo de contra-relógio Tony Martin brilhou na etapa que foi corrida na região de Ordizia em pleno coração do país basco. A etapa convidava a alguns ataques na parte final, apesar de conter 4 contagens de montanha no percurso de 155 km (1 de 1ª categoria; todas elas na primeira metade da etapa) e da última dificuldade do dia (posicionada a cerca de 7 km da meta) não ser uma subida categorizada para o prémio da montanha.

Um fuga de 7 ciclistas, entre eles o bicampeão do mundo, Jon Izaguirre (colocado pela Movistar porventura para estar na frente caso Valverde decidisse atacar Contador; facto que viria a acontecer nessa subida não categorizada com resposta imediata de Alberto Contador; excelente trabalho da Movistar no endurecimento da corrida nos quilómetros que antecederam o ataque de Valverde) e Jan Bakelants (Omega). Apesar de excelentes roladores, tanto Bakelants como Martin são homens que ultrapassam sem grande dificuldade a média montanha, tendo em Ordizia uma grande oportunidade para fazer vingar a fuga. No pelotão, sapiente da boa forma física de Alberto Contador (qualquer ataque dos adversários directos seriam respondido pelo próprio ou pelo próprio mais a ajuda de Kreuziger) a Tinkoff limitou-se a controlar a diferença para depois passar a bola a quem estivesse mais interessado em vencer a etapa. A Orica GreenEdge chegou-se à frente para trabalhar para os seus homens rápidos Michael Matthews e Simon Gerrans. No caso do segundo, um dos chefes-de-fila da equipa, qualquer ataque do australiano teria que se executado entre 10 a 5 km da meta, como o próprio gosta de executar.

Martin e os 6 corredores chegaram a ter 2:40 de vantagem. Com o andamento da corrida, a vantagem foi reduzida. Até à subida final e ao ataque de Valverde, respondido directamente por todos os candidatos à vitória na geral. Com Rui Costa inserido no grupo principal, o português viria até a dar o arzinho da sua graça ao esboçar um ataque que viria a ser concretizado na altura por Phillippe Gilbert da BMC numa altura em que Martin já se encontrava sozinho na frente com 45 segundos de vantagem. Com uma ponta final na qual conseguiu resistir, o alemão habituado a ganhar na luta contra o cronómetro (uma autêntica máquina nesta especialidade) colocou um ponto final na coisa ao chegar isolado com meio minuto de vantagem sobre o pelotão, encabeçado por Ben Swift da Sky.

Na geral nada se alterou em relação à 1ª tirada da prova.

Boa etapa de Rui Costa. O português afirmou que depois de ter perdido 4 minutos e meio na 1ª etapa estaria interessado defender Damiano Cunego e atacar numa etapa se houvesse possibilidade para tal. Nesta etapa, Rui apareceu ao lado do italiano, protegendo-o do vento e colocando-o em condições de não perder tempo para os seus mais directos rivais.

3ª etapa hoje

michael matthews

Na etapa corrida hoje na região de Vitoria Gasteiz, cidade do mítico Alavés, um dos “Michaels” que compõe a nova geração do ciclismo australiano (Michael Matthews, Michael Hepburn, Rohan Dennis) voltou a triunfar ao sprint em Espanha, 1 ano depois de ter chocado meio mundo ao ter vencido 2 etapas da Vuelta ao sprint com apenas 23 anos.

A Orica continuou a lutar desesperadamente por uma discussão ao sprint. A equipa australiana trabalhou bem para anular as fugas do dia (a que durou mais foi a do vencedor da geral da Volta à França do Futuro Koldo Fernandez da Caja Rural) e o jovem sprinter da equipa foi mais rápido que Kevin Reza da Europcar (a Europcar apresenta-se no País Basco com os dois ciclistas negros integrantes da equipa; Reza e Berhane; ambos tem muita qualidade) e Michal Kwiatkowski da Omega.

Alberto Contador continua a liderar a prova com 14 segundos de vantagem sobre Alejandro Valverde e 34 sobre o ciclista polaco da Omega-Pharma Quickstep.

Para amanhã:

Os bascos não brincam em serviço. As etapas são curtinhas mas durinhas. A que irá ligar amanhã Vitoria Gasteiz a Eibar tem apenas 151 km mas, pelo meio os ciclistas terão que ultrapassar 5 contagens de montanha (2 de 1ª categoria; a última a terminar) e 3 de 2ª categoria. Um autêntico sobe e desce que é tão apetecível para ciclistas neste momento despreocupados na geral como Rui Costa, Rinaudo Nocentini, Warren Barguil (Giant-Shimano) Samuel Sanchez (BMC), Mikel Nieve, Jelle Vanendert ou Robert Gesink (Belkin). Acredito que um destes estará na fuga do dia ou lancará o seu ataque na penúltima contagem do dia.

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Ciclismo 2014 #31

fabien cancellara

Ronde Van Vlaanderen – Volta à Flandres, Bélgica – Ontem

O magnífico Fabian Cancellara escreveu ontem mais uma página de história na sua carreira ao ser pela 3ª vez vencedor da prova belga, 5º vitória suiça na prova. Cancellara junta-se assim a um lote de vencedores por 3 vezes no qual estão ciclistas como Johan Museeuw ou Tom Boonen. Boonen esteve presente na prova e ainda tentou dar um arzinho da sua graça.

259 km a separar Osteende e Blankenberg. Pelo meio, dezenas de corridas, segmentos em pavé e uma loucura de corrida, cheia de nervosismo e de aparatosas quedas.

Foi precisamente uma queda que pautou as primeiras das 6 horas de corrida disputadas na clássica Belga, clássica que serve de antecâmara para a clássica dos heróis, para o Inferno do Norte, o Paris-Roubaix, clássica que se irá disputar no próximo domingo. Para todos os leigos em ciclismo passo a explicar: a Paris-Roubaix é uma clássica disputada entre a capital francesa e o mítico velódromo da pequena cidade da região de Pas de Calais (o mais antigo velódromo ciclístico francês) na qual os ciclistas tem que superar cerca de 2 dezenas de segmentos de estrada em pavê (barro e paralelo). A prova contém um nível de espectacularidade enorme pela sua extrema dureza, pelas dezenas de quedas que acontecem e pela diabólica situação de corrida decorrente, com ataques e mudanças de posições constantes ao longo da prova. É uma daquelas clássicas que merece ser vista do princípio ao fim. Para não me alongar mais, voltando à Volta à Flandres…

Foi este o momento mais negativo da corrida. Protagonizado precisamente por um dos vencedores da Paris-Roubaix, o belga Johan VanSummeren da Garmin, um dos candidatos à vitória na prova de ontem. Numa altura em que o pelotão rolava a alta velocidade (km 60), o belga embateu violentamente contra uma idosa que se encontrava sentada à beira da estrada. A senhora está hospitalizada em estado muito grave. O ciclista afirma que o corredor que está traumatizado com o sucedido. Não é para menos.

No momento em que Van Summeren bateu contra a espectadora, na frente, rolava a primeira fuga do dia. 11 ciclistas foram os primeiros a evadir-se à aventura na dura prova belga, quase todos de equipas belgas menos cotadas. O mais cotados na fuga eram o sul-africano Daryl Impey da Orica e o norte-americano Taylor Phinney da BMC. Nas primeiras horas de corrida, sucederam-se várias quedas.  Luke Durbridge (Orica), Yaroslav Popovich (Trek), o duas vezes vencedor da prova Stijn Devolder (Trek) ou Step Vanmarcke (homem que depois viria a atacar na fase decisiva da prova) protagonizaram as quedas mais feias da prova. O experiente ucraniano da Trek também foi literalmente cuspido da bicicleta contra um espectador na beira da estrada.

As quedas foram partido o pelotão em vários grupos. Aproveitando a confusão, Peter Sagan decidiu sair do pelotão, obrigando os Omega (Boonen, Stybar e Terpstra) a trabalhar para o apanhar. À espreita encontravam-se nesse grupo homens como Edvald Boasson Hagen (também tentou atacar a 40 km da meta), Alexander Kristoff (Katusha) Fabien Cancellara, Anulado Sagan, os Omega conseguiram controlar o grupo principal até às mexidas que aconteceram após a colina de Kruisberg, uma das pendentes mais inclinadas do percuso, quando, na sua descida, Greg Van Avermaet (BMC) e Stijn Vandenberg (um dos altões da Omega) atacaram. Resposta imediata de Step Vanmarck e Peter Sagan. Na resposta de Sagan, quem viu a transmissão televisiva da prova pode apreciar as informações que o director desportivo da Cannondale ia dando ao eslovaco, pedindo-lhe que se mantesse em posição intermédia até 18 km da meta, altura em que os corredores iam subir a última grande inclinação do dia, a lendária Oude-Kwaremont. Nessa inclinação, pedia o director da Cannondale para Sagan fazer um dos seus ataques demolidores. Os dois ciclistas rodaram muito bem na frente. Boonen e Terpstra abandonaram a frente da corrida. O primeiro teve inclusive dificuldades em acompanhar o ritmo do grupo principal, cuja perseguição estava entregue a Kristoff e a Cancellara.

Foi precisamente na Oude-Kwaremont que Cancellara viu o cenário perfeito para atacar e colar-se aos da frente. O suiço atacou, Sagan não conseguiu acompanhar, Vanmarcke conseguiu aguentar o ataque do suiço e os dois corredores acabariam por colar-se a Van Avermaet e Vanderbergh nos últimos quilómetros.

Habitual nestas corridas, a constituição do quarteto provocou as habituais danças tácticas com os ciclistas a esboçarem ataques e contra-ataques para poderem vencer a prova. Só a 300 metros do fim, em posição privilegiada para sprintar (na cauda do grupo), Cancellara lançou o sprint e venceu um estafado Greg Van Avermaet em cima da linha de meta. O Belga voltou a falhar o objectivo de vencer uma das 5 maravilhas das clássicas da primavera (Flandres, Roubaix, Liège, Amstel Gold Race, Milão-São Remo) apesar de ter merecido claramente a vitória. Valeu novamente a enorme ponta final de Cancellara. O suiço soube resguardar-se e ler muito bem a corrida, respondendo e atacando no timing correcto aos ciclistas correctos. No final, a excelente posição na cauda do grupo aliada à sua habitual frieza na finalização de etapas, garantiu ao suiço de 33 anos a 3ª vitória na prova e 7ª nas 5 maravilhas da primavera (em 25 participações; 14 pódios).

 

GP Miguel Indurain valverde 4

Neste fim de semana, correu-se em Espanha a edição deste ano do GP Miguel Induraín. Tendo como pano de fundo a Volta ao País Basco (começou hoje), Alejandro Valverde conseguiu a sua 6ª vitória da temporada (depois das vitórias em Murcia, Roma Máxima, geral da Andaluzia e 2 etapas na prova andaluz) depois de bater Tom Jelte Slagter da Garmin. O holandês da equipa Norte-Americana voltou a mostrar a sua apetência para as clássicas. Acredito que o holandês será um das maiores figuras deste tipo de provas a partir da próxima temporada.

Da prova espanhol ficou o excelente resultado obtido por André Cardoso. O português da Garmin foi 4º classificado a 1 minuto e 2 segundos do ciclista da Movistar.

Vuelta a La Rioja

Em Espanha também se correu a Volta a La Rioja. A 54ª edição da prova foi encurtada apenas a 1 etapa, à semelhança daquilo que aconteceu com a Volta a Murcia por exemplo. Marcaram presença na prova espanhola nomes como o sprinter Brett Lancaster (Orica), Igor Antón (Movistar), Michael Albasini (Orica) e as equipas portuguesas da Louletano-Dunas Douradas e Boavista Radio Popular.

Michael Matthews da equipa australiana venceu a prova, batendo ao sprint Francesco Lasca da Caja Rural e Carlos Barbero da Euskadi. O melhor português foi Federico Figueiredo da Radio Popular na 14ª posição.

Volta a Limburg

Moreno Hofland

Vitória para o sprinter da Belkin Moreno Hofland. O Holandês, vencedor de uma etapa no Paris-Nice, 2º na Kuurne-Brussels-Kuurne, bateu Simone Colbrelli da Bardiani e Mauro Finetto da Neri na linha de meta.

Volta ao País Basco – 1ª etapa

contador 3

Alberto Contador começou a ganhar no País Basco. Em Ordizia, pleno coração do País Basco, o espanhol da Tinkoff voltou a provar que está embalado para uma grande temporada. Contador atacou com Valverde na última passagem pela 2ª categoria categorizada entre os 10 e os 7,5 km para a meta, deixou o ciclista da Movistar para trás, aguentou a vantagem obtida na descida e venceu isolado na pequena localidade de 10 mil habitantes.

Péssimo dia para Rui Costa. O português desapareceu das imagens antes da última passagem pela subida de Gaintza, acumulando mais de 4 minutos para o líder. Se por um lado o resultado é péssimo (o Rui fica irremediavelmente afastado pela luta da geral), por outro lado, a péssima classificação justifica-se pelo uso da bicicleta suplente (apesar de ter a medida do ciclista, foi pouco utilizada pelo ciclista; a bicicleta principal do português desenvolvida pela Mérida não chegou a tempo da primeira etapa) e pelo cansaço acumulado no terrível dia de espera ontem vivido pelo português no aeroporto na viagem para o País Basco com atraso de 10 horas no voo. Este resultado irá permitir uma maior liberdade de ataque ao ciclista português nas próximas etapas visto que 4 minutos de atraso para a liderança deverão permitir uma maior probabilidade de ataque sem resposta directa dos favoritos à geral da prova. No entanto, também me parece assertivo afirmar que dentro do pelotão ninguém deixa sair de ânimo leve o campeão do mundo. Quem sabe se poderemos ter o ciclista da Póvoa do Varzim ao ataque já amanhã numa etapa que tem um perfil do seu agrado.

Corrida dominada do início ao fim pela Movistar e pela Tinkoff. Uma fuga com Matteo Montaguti (AG25) foi anulada a tempo do momento das decisões (a última passagem pela 2ª categoria de Gaintza, um autêntico muro com pendentes de 15% e 20% em alguns pontos, em particular nos primeiros 500 metros). Tanto a equipa espanhola como a equipa dinamarquesa colocaram muita gente na frente do pelotão de forma a fazer uma selecção dos candidatos logo nesta primeira etapa. Recordo que esta prova só tem chegada em alto na 4ª etapa na quinta-feira. Mikel Nieve (Sky), Damiano Cunego (Lampre), Cadel Evans (BMC), Michal Kwiatkowski (Omega-Pharma-Quickstep), Yuri Trofimov (Katusha; excelente etapa deste ciclista russo) e Jean-Christophe Perraud (afirmou ontem ter algumas ambições na prova; 1 semana depois de ter vencido a geral do Criterium da Córsega) aguentaram o máximo que puderam. Excelente trabalho da Movistar na aproximação à última dificuldade do dia com um grande trabalho de Benat Inxausti a endurecer a corrida. Até ao momento em que Valverde tentou o ataque logo no início da subida e Contador não só o acompanhou como o ultrapassou com um ataque demolidor.

O espanhol conseguiu 13 segundos de vantagem no Alto da Gaintza para Valverde e 30 para o grupo formado pelos nomes supra-citados, diferenças que se mantiveram aquando da chegada dos ciclistas à meta. Contador sobe defender a vantagem na descida e com a vitória nesta 1ª etapa, ascendeu à liderança da prova.

pais basco

André Cardoso chegou integrado no grupo de Frank Schleck (Trek), Samuel Sanchez (BMC), Robert Gesink (Belkin), Simon Spilak (Katusha) e Tejay Van Garderen (BMC) a 58 segundos de Contador. Os ciclistas da BMC Racing Team foram as maiores desilusões do dia. Pela forma apresentada por Van Garderen na Catalunha, esperava-se que o all-rounder Norte-Americano fosse capaz de acompanhar Contador. O basco, a correr em casa, também esteve um furo abaixo daquilo que costuma fazer na prova.

A etapa de amanhã tem um perfil duríssimo. Os ciclistas costumam catalogar este tipo de etapas de “rasga pernas” pela quantidade de descidas e subidas que o traçado apresenta. Apesar das 4 contagens de montanha estarem posicionadas longe da meta (a de 1ª é a última), após a última contagem de montanha, o percurso é um sobe e desce constante, existindo uma subida de 4 km não categorizada a 5 km da meta.

Ciclismo 2014 #19

2ª parte da entrevista do Milano Sportivo a Rui Costa:

Rui Costa 17

Paris-Nice

paris nice

8. Quais são os seus objectivos para esta prova?

Não tenho muita experiência no Paris-Nice. No passado, por norma, participávamos na Tirreno-Adriático, mas, em 2013, decidimos mudar o calendário (da equipa Movistar) porque tínhamos a crença que a prova francesa apresentava um nível mais elevado de qualidade.

O início da prova foi bom, com uma boa prestação no contra-relógio de abertura. Mas depois, na etapa seguinte, caí e tive que abandonar a corrida. As recordações que levo não são boas. No entanto, vou tentar apagar da memória essa experiência em 2014: a prova é um dos meus objectivos principais e seria óptimo obter um excelente resultado.

9. O que é acha do percurso?

É incomum, especialmente pela ausência de contra-relógios e subidas duras. O que também significa que terei que estar atento em todas as etapas, em todos os quilómetros e fracções de terreno. Acho que o percurso tem um perfil que se adequa às minhas características e nele, posso melhorar a minha forma de pedalar tendo em vista as clássicas: quase que podemos dizer que em França nós enfrentamos autênticas “etapas de um dia em série” em vez de uma daquelas etapas normais.
Vai ser uma experiência nova e interessante!

Rui Costa 18

10. Qual das etapas é que se adapta melhor às suas características? – anotamento meu: pergunta idiota.

Não sei; Repito: todas as etapas do Paris-Nice são importantes!

11. Indique 3 corredores para o pódio final da prova.

Considero necessário indicar mais de 3. Serão Vincenzo Nibali, Tejay Van Garderen, Richie Porte, Carlos Bettancur, Sylvain Chavanel, Tom Boonen, Simon Gerrans, Nacer Bouhanni, Lars Boom, Andy e Frank Schleck; todos são grandes campeões que poderão ser perigosos, mesmo no Paris-Nice.

12. Como é a sua relação com os adeptos franceses? Tem recordações especiais das provas que correu em França?

Adoro a França. Se analisar a minha trajectória profissional, eu nunca corri no Giro ou na Vuelta mas sim em França no Tour desde a minha primeira participação em 2009. Naquela ocasião, percebi porque é que é a corrida mais fascinante do calendário. Também tenho grandes memórias. Durante a minha carreira sempre fiz um bom desempenho no Tour De L´Avenir. Ganhei a classificação geral dos 4 dias de Dunkerque: uma vitória especial na minha carreira porque foi a primeira que ganhei enquanto profissional frente a grandes nomes.

Obviamente também não me posso esquecer das vitórias de etapa no Tour.

Todas são memórias especiais, obtidas ao lado de adeptos fantásticos. Quero agradecer o apoio que o público francês sempre me deu.

rui costa 19

O resto da prova

13. O Paris-Nice não terá contra-relógio e o Tour terá apenas 1. O que é que acha da tendência expressa pela ASO (empresa que organiza as provas de World Tour em França, inclusive o Tour) na redução das etapas de luta contra o cronómetro? Para si pode tornar-se uma vantagem?

Os contra-relógios são uma vantagem para os roladores. Se (os ciclistas) estiverem em boa forma, poderão aspirar a tempos idênticos aos dos especialistas. Se, pelo contrário, a condição não é a ideal, é quase certo que o cronómetro será um adversário.

No meu caso, sempre obtive bons desempenhos nos cronos quando estava em forma e os percursos apresentavam-se em linha recta. Por exemplo, ganhei o contra-relógio da Volta à Suiça em 2013, mas penso que não serei capaz de bater Cancellara ou Martin em percursos simples. Creio que a presença de um contra-relógio mais longo num traçado difícil e desafiador, poderia ser um factor bastante interessante para mim.

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14. O Tour terá pela primeira vez o pavé (anotamento meu: piso composto por paralelo e barro; muitas vezes esburacado; típico das estradas do Norte de França; piso no qual se correm algumas clássicas como a Paris-Roubaix): Já correu em pavê? Está a fazer o reconhecimento das características oferecidas pelo traçado da Grand Boucle (alcunha pela qual é conhecido o Tour)?

Já tive algumas experiências no pavê. Claro que não tenho tanta como os belgas ou holandeses. (anotamento meu: algumas das clássicas disputadas nestes países tem segmentos de pavé). Corri por duas vezes no pavê: no Paris-Roubaix e no Tour de Flandres. No meu primeiro ano enquanto profissional (anotamento meu: no Benfica em 2007), por exemplo, tive a oportunidade de competir em algumas provas com etapas que apresentavam alguns sectores de pavê.

Não digo que não sejam as minhas corridas favoritas, mas posso dizer que estou à vontade: só é preciso acreditar que é capaz de atingir o mais famoso velódromo do mundo, o de Roubaix! Posso portanto dizer o que é terminar o grande desafio que é o Inferno do Norte (anotamento meu: alcunha pela qual é conhecida a distinta prova que termina no Velódromo de Roubaix; um autêntico inferno para muitos ciclistas visto que os sectores de pavê são dificílimos e provocam imensas quedas e cortes no pelotão).

15. O Tour é a prova mais importante da sua temporada ou considera que existem outras provas tão importantes?

O Tour de France é importante mas não é o único objectivo que tenho para esta temporada. Tenho a agradável missão de honrar a camisola de arco-íris em todas as corridas em que irei participar e principalmente, naquelas que considero mais adequadas para as minhas características: as corridas de uma semana e as clássicas.

16. Qual será o teu calendário de corridas quando terminar o Paris-Nice?

Vou correr mais ou menos aquelas que corri em 2013. A ideia é participar na Volta ao País Basco, Amstel Gold Race, Flèche Wallone, Liège-Bastogne-Liège, Tour da Romandia e Volta à Suiça.

2. Paris-Nice

1ª etapa

Nacer Bouhanni 2

E Rui Costa não andava muito longe da verdade ao integrar o jovem sprinter francês Nacer Bouhanni no lote dos favoritos à vitória na geral do Paris-Nice. O foguete da Française des Jeux venceu a primeira etapa da prova que liga à capital francesa à belíssima cidade de Nice, situada no coração da riviéra francesa.

Grande parte da nata do ciclismo mundial está neste momento a correr a prova francesa. Excepção feita a meia dúzia de grandes figuras do pelotão mundial como Peter Sagan, André Greipel, Nairo Quintana, Bauke Mollema, Alejandro Valverde, Michael Kwiatkowski ou os dois homens fortes da Sky (Richie Porte e Christopher Froome), ainda a descansar dos compromissos que tiveram no passado mês de Fevereiro nas provas no médio oriente\Maiorca\Algarve, ou a competir noutras provas que decorreram este fim-de-semana ou que irão decorrer a meio desta semana. Richie Porte era para marcar presença na prova francesa, mas, na ausência de um contra-relógio (um dos fortes de Porte que poderia granjear ao australiano uma boa oportunidade para lutar pela geral), decidiu alterar junto da equipa a sua participação para a prova italiana.

O pelotão do Paris-Nice conta com a presença de 3 portugueses: Rui Costa e Nelson Oliveira (Lampre-Mérida) e André Cardoso pela Garmin.

A primeira etapa da prova correu-se num circuito montado em Mantes-La-Jolie, uma comuna (município) situada na Ile-de-France, a cerca de 48 km de Paris (o município ainda é considerado como subúrbio da capital francesa).

Numa etapa com um grau de dificuldade muito diminuito, estava prevista uma chegada ao sprint. O primeiro ataque da prova surgiu logo nos primeiros quilómetros com uma fuga encetada em solitário por Christophe Laborie da Bretagne (uma das equipas convidadas por Wild Card para a prova; UCI Pro Continental). A fuga do ciclista francês tinha um propósito claro: vencer a única contagem de montanha do dia fixada ao quilómetro 40 no Cote de Vert (40,5 km) e tentar vencer o primeiro sprint intermédio da prova ao quilómetro 63. O ciclista da Bretagne teve sucesso nos seus objectivos. Acumulando imenso tempo em relação ao pelotão (controlado pela Omega, pela FDJ e pela Orica), aos 23 km já tinha cerca de 11 minutos de vantagem, tendo esta diminuído com o evoluir da etapa. O ciclista francês passou na contagem de montanha e no sprint intermédio na primeira posição. No pelotão, Gianni Meersman (Omega-Pharma-Quickstep) e Geraint Thomas (Sky) posicionaram-se nas 2ªs e 3ªs posições.

Poucos quilómetros depois, a organização era informada do abandono de Tejay Van Garderen, o chefe-de-fila da BMC, abandono motivado por dores de estomago.

Laborie foi seguindo na frente até onde lhe foi permitido. Desistiu da fuga a poucos quilómetros do segundo sprint intermédio (a 50 km da meta) , sprint no qual Gianni Meersman marcou mais 3 pontos para a classificação por pontos e, consequentemente, mais 3 segundos para a geral.

Até que ao quilómetro 136 deu-se o incidente do dia. Uma queda no meio do pelotão apanhou Romain Bardet (Ag2r) e Andy Schleck (Trek). Mal posicionados na cauda do pelotão, Thomas Voeckler (Europcar), Edvald Boasson Hagen (Team Sky), Lieuwe Westra (Astana) e Simon Gerrans (Orica) haveriam de cair para um 2º grupo que chegou com 1 minuto e 9 segundos de atraso para Bouhanni. Andy Schleck haveria de perder 1 minuto e 50 segundos para o vencedor da etapa, manifestando mais uma vez as dificuldades que tem não só em colocar-se no pelotão como em conseguir recolar a este quando se encontra sozinho (ou com poucos colegas de equipa) num grupo perseguidor mais atrasado.

Ciente do perigo, a Française des Jeux aproveitou a ausência do norueguês Boasson Hagen e do australiano Gerrans para acelerar o ritmo da frente da corrida. Ajudada imenso pela Argus (a trabalhar para Degenkolb) seria um dos seus meninos de ouro (Bouhanni; o outro é Arnaud Demare) a finalizar melhor que  o ciclista alemão em cima da linha da meta, e, a conseguir a primeira camisola amarela da prova. Rui Costa passou completamente ao lado da confusão, tendo terminado na 32ª posição com o mesmo tempo do vencedor. André Cardoso foi 45º e Nelson Oliveira 60º. Ambos estão a 10 segundos de Bouhanni na classificação geral em virtude das bonificações obtidas pelo ciclista da equipa francesa.

Rui Costa descreveu no seu diário que a etapa foi muito perigosa: “Eu vinha sempre atento e bem colocado pois já contava com algum perigo. No ano passado tive uma queda feia logo na primeira etapa em linha, que me forçou a abandonar a corrida. Esse incidente ficou-me de lição. Diz-se no pelotão que as corridas francesas são sempre perigosas e hoje, infelizmente, tivemos um exemplo disso, quando faltavam cerca de 21 quilómetros para o fim. Cheguei a ser encostado e por pouco não caí, ou provoquei uma queda. Mas, instantes depois, deu-se uma grande queda e o pelotão ficou dividido em três grupos. Eu não fiquei envolvido, mas ficaram alguns elementos da nossa equipa. Felizmente sem gravidade.”

A etapa de amanhã disputa-se entre Rambouillet e Saint-Georges-Sur-Baulche no total de 205 km. Para além de ser uma etapa longuíssima é uma etapa que exige muita atenção por parte dos ciclistas. De referir que o líder Nacer Bouhanni caiu nesta precisa etapa na edição do ano passado e partiu vários dentes. A etapa tem uma contagem de 3ª categoria bem perto da meta, situada em Saint-Georges-Sul-Baulche, localidade próxima de Auxerre.

Roma Máxima – hoje

Vitória de Alejandro Valverde (Movistar) na semi-clássica que no passado era designada como Giro Del Lazio. A prova foi disputada em Roma. Um dia depois de ter sido 3º na Strade Bianchi.

Um agradecimento especial para o Sérgio Minas pelo facto de me ter alertado para o desfecho final desta prova.

 

Strade Bianchi – OntemMichal Kwiatkowski

A preparar a sua participação no Tirreno-Adriático, alguns dos principais nomes do ciclismo mundial foram a Itália correr uma das mais sui-géneris clássicas do calendário internacional, a Strade Bianchi. Digo sui-géneris porque 1\4 da prova é corrido em terra batida. Para além do piso, a prova ultrapassa diversas colinas da região de Siena. Nomes como Alejandro Valverde ou Cadel Evans (BMC) foram testar as suas capacidades físicas no duro percurso oferecido pela organização nas colinas da Toscânia.

Michael Kwiatkowski, vencedor da edição deste ano da geral da Volta ao Algarve, voltou a provar a excelente forma física detida neste momento da temporada, fugindo ao pelotão e terminando destacado na primeira posição na chegada em Siena. 4ª vitória em etapas da temporada para o ciclista da Omega-Pharma-Quickstep. O polaco sucedeu a Moreno Mozer (Cannondale) na lista de vencedores da prova. O colega de Mozer na Canondale Peter Sagan foi 2º na prova a 19 segundos de Kwiatkowski. Alejandro Valverde foi 3º a 36 segundos. Damiango Cunego foi 4º a 40 segundos e revelou no final sentir-se de volta “ao lote dos melhores do pelotão internacional” – espera-se portanto uma boa temporada do colega de Rui Costa depois de algumas épocas em que o seu rendimento deixou muito a desejar.

Reacção de Peter Sagan no final da etapa.

Aqui ficam algumas fotos da prova italiana:

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A Cannondale liderou a cabeça do pelotão praticamente durante toda a prova. Aqui, a equipa italiana tentava alcançar uma fuga composta por um ciclista da Androni-Giocatolli.

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Cadel Evans tentou escapar por várias vezes, reduzir o grupo principal a poucas unidades para uma chegada disputada ao sprint mas nenhuma das suas fugas e dos seus esforços foi bem sucedido.

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O momento em que Michal Kwiatkowski deixa Peter Sagan para trás, já dentro da cidade de Siena.

Ciclismo 2014 #15

Vuelta a Murcia

vuelta a murcia

1 unica etapa na região de Murcia contou ontem com a presença de várias estrelas do pelotão internacional, a começar pelo homem da casa, Alejandro Valverde Belmonte, vencedor da prova em duas ocasiões, Nairo Quintana (Movistar) Luis León Sanchez (Caja Rural) ou David Rebellin (CCC-Polsat).

A equipa também teve a presença dos portugueses Tiago Machado e José Mendes (Net-App Endura) e das equipas portuguesas Efapel-Glassdrive e Louletano Dunas Douradas.

tiago machado

Pelo que pude aferir, a etapa desenrolou-se em pelotão compacto até à súbida final (a 4ª do dia). No último quilómetro Tiago Machado atacou e quem respondeu foi Alejandro Valverde. O espanhol haveria de ser mais rápido que o português nos metros finais. O ciclista português da Net-App endura foi 2º seguido de David Rebellin e de Luis Angel Mate da Cofidis. José Mendes, também da Net-App Endura ficou em 7º a 9 segundos do vencedor da prova.

O melhor português das equipas portuguesas em prova foi Sérgio Sousa da Efapel na 12ª posição a 17 segundos de Valverde.

2. Apresentação das equipas

Lampre-Mérida

Lampre Merida

O nosso Rui Costa é o chefe-de-fila absoluto da equipa Lampre, poucos meses depois de ter concordado fazer parte do projecto da equipa italiana numa altura em que se encontrava em final de contrato com a espanhola Movistar.

Localização: A equipa é italiana, está sediada na Federação Italiana de Ciclismo mas tem a sua sede em Lugano na Suiça.

Site: www.teamlampremerida.com

Director Desportivo: Orlando Maini, coadjuvado entre outros por antigos ciclistas como Marco Marzano ou Daniele Righi.

Chefes-de-fila: Damiano Cunego, Rui Costa, Chris Horner,

Gregários de Luxo\Corredores de estatuto protegido: Przemyslaw Niemec, (Filippo Pozzato), José Serpa, Diego Ulissi,

Contra-relógio: Nelson Oliveira

Sprinters: Sasha Modolo

Clássicas: Filippo Pozzato,

Gregários: Winner Gomez Anacona, Matteo Bono, Davide Cimolai, Luca Dodi, Krijstian Durasek, Elia Favilli, Roberto Ferrari, Manuele Mori, Andrea Palini, Jan Polanc, Maximiliano Richeze, Rafael Valls, Luka Wackermann, Xu Gang, Niccolo Bonifazio, Mattia Cattaneo, Valerio Conti,

Principais vitórias\conquistas em 2013:

  • Vitória no Troféu Laigueglia (Filippo Pozzato)
  • Vitória na Geral da Settimana Internazionale di Coppa e Bartali (Diego Ulissi) e 3 etapas (Ulissi, Cunego e Adriano Malori)
  • Vitória na Geral da Bayern-Rundfart e 1 etapa (Adriano Malori)
  • 1 etapa na Volta à Polónia
  • Vitória na Coppa Ugo Agostini (Filippo Pozzato)
  • Vitória no GP Ouest-France (Filippo Pozzato)
  • Vitória no Gran Premio della Costa Etruschi (Michelle Scarponi)
  • Vitória na Milano-Torino (Diego Ulissi)
  • Vitória na Coppa Sabatino (Diego Ulissi)
  • Vitória no Giro Dell Emília (Diego Ulissi)

Depois de um ano 2013 desastrado a nível internacional (a licença World Tour chegou a estar em risco) e de vários anos em que a equipa italiana apostou forte mas não conseguiu ter resultados coadunantes com o valor investido, tendo até dificuldades em arranjar um 2º patrocinador para a equipa (a Lampre ponderou há cerca de 3 anos atrás retirar o patrocínio à equipa), o ano 2014 assume-se como um ano muito decisivo para o futuro desta equipa.

As apostas do passado foram de certa forma apagadas. Ciclistas com estatuto dentro da equipa como David Vigano, Michelle Scarponi ou Adriano Malori rumaram a outras paragens. Rui Costa foi aliciado e ficou deleitado com o papel oferecido pela equipa dentro da mesma: chefe-de-fila no Tour e em outras provas de relevo do calendário internacional (Volta à Suiça, Volta ao Algarve, Paris-Nice, Amstel Gold Race, Volta ao País Basco, Fleche-Wallone, Tour da Romandia, Liege-Bastogne-Liege, GP Montreal) e Christopher Horner, o vencedor em título da geral da Volta à Espanha, depois de um cenário de indecisões (até final de Janeiro não tinha equipa para correr esta época) decidiu assinar com a equipa italiana. A Lampre deixou para trás corredores que não conseguiram corresponder às expectativas geradas (casos de Michelle Scarponi; venceu o Giro em 2011 mas não conseguiu repetir o feito na prova italiana e foi infeliz na passagem para o Tour em 2012 onde só foi 24º e para a Vuelta onde foi 15º da geral) e voltou a apostar forte em dois ciclistas que neste momento lhe garantem maior profundidade e combatividade no Tour (caso do português) e na Vuelta, caso do ciclista Norte-Americano, sem falar que, pelo meio existe um Damiano Cunego (deverá correr o Giro e o Tour), Filippo Pozzato (um ciclista temível nas clássicas) e um ciclista com um papel ascendente dentro da equipa (Diego Ulissi).

Comecemos então pelo português – Rui Costa aparece em 2014 com a espinhosa (mas apetecível missão) de repetir aquele que será, sem sombra para dúvidas, um dos melhores anos da sua carreira. 2013 foi o ano de afirmação do ciclista nascido na Póvoa do Varzim dentro do pelotão internacional, apesar deste já levar no seu currículo uma vitória numa etapa do Tour em 2011 e uma vitória na Geral da Volta à Suiça em 2012. Contudo, para um ciclista cujo estatuto dentro da Movistar ainda não era propriamente de destaque (só na Volta à Suiça liderou a equipa porque era o vencedor do ano anterior; no Tour teve que trabalhar para Valverde num primeiro plano e depois do azar do espanhol no qual Rui Costa também perdeu a possibilidade de lutar por um top-10 da prova, teve possibilidade de lançar as suas cartas na montanha de forma a sair vitorioso em 2 etapas) as vitórias na Geral e nas duas etapas da prova suiça, as etapas ganhas no Tour, a vitória na Klasika Primavera, o 3º lugar na Romândia e a vitória na prova de estrada dos Campeonatos do Mundo elevam a fasquia para o ano 2014, primeiro ano do português como chefe-de-fila de uma equipa. Veremos como o ciclista português vai reagir à responsabilidade acrescida granjeada pela época que realizou no ano passado, pela posse da camisola de campeão do mundo (as transmissões televisivas andam literalmente em cima dele; só ainda não tiveram tempo de mudar o banner de apresentação do nome do ciclista) e pelo estatuto detido dentro da equipa Lampre. Creio que o português irá corresponder às expectativas, irá vencer algumas provas em 2014 e irá continuar a trilhar a sua evolução dentro do Tour, prova onde se espera que consiga um lugar no top-10.

horner 2

Depois da sensacional vitória na Vuelta, Chris Horner aparece na Lampre depois de ter terminado contrato com a Radioshack e de não ter sido enquadrado no novo projecto da Trek-Leopard, a equipa que a Trek fundou com a extinta Radioshack-Leopard.

Aquando da contratação do veterano de 42 anos, o manager da Lampre Brett Copeland afirmou qual seria o papel de Horner dentro da equipa: chefiar a equipa no Giro e na Vuelta. Apesar de já não ser um ciclista capaz de fazer mais de 40 dias de prova por ano, Horner irá programar a sua temporada para atingir os dois picos de forma previstos em Maio (Giro) e Agosto\Setembro (Vuelta).

Damiano Cunego – Não sendo certa a sua inclusão no Giro, o vencedor da prova de 2014 deverá regressar à matriz inicial dos primeiros anos da sua carreira. 6º classificado na última edição em que participou, poderá ser o plano B a Horner na prova que contará também com Nairo Quintana a chefiar a Movistar e Rydel Hesjdal (vencedor em 2012). O vencedor do ano passado, o italiano Vincenzo Nibali (Astana) irá correr o Tour. Cunego poderá ser uma preciosa ajuda para Rui Costa no Tour assim como Diego Ulissi.

Filippo Pozzato – Aos 32 anos, este corredor de clássicas goza de um estatuto de corredor protegido. Em 2013 apenas venceu 2 provas. 2014 será o ano em que tentará reavivar a sua carreira ou entrar no período de decadência desta.

Sasha Modolo – O Sprinter da Lampre já conseguiu algumas vitórias em 2014. Será a grande aposta da equipa para a especialidade. Poderá fazer um excelente 2014 e inserir-se no lote dos melhores do mundo.

Przemyslaw Niemec e José Serpa – São dois grandes gregários de luxo. O primeiro será uma ajuda para o português. O segundo será destacado para o Giro e para a Vuelta.

Diego Ulissi – Aos 24 anos está a tornar-se um caso sério. Já venceu em 2014 na Volta à Austrália. Vencedor por 2 vezes da prova de estrada do campeonato do mundo de Juniores, tem provado ao longo dos anos ser um homem capaz de andar muito bem em todos os terrenos. Poderá surpreender numa ou noutra clássica. Apesar de ter corrido a Vuelta no ano passado, espera-se que a sua evolução continue nas grandes voltas como escudeiro de Rui Costa no Tour para daqui a alguns anos poder lutar pela discussão da geral da Volta à Itália.

Nelson Oliveira – O atleta natural de Anadia é um especialista em contra-relógio. Será mais uma ajuda para o seu compatriota no Tour. Poderá surpreender na especialidade de contra-relógio.

Rafael Valls – Interessante trepador que não teve o seu espaço na Fuji-Servetto e na Vacansoleil. Poderá ser uma ajuda para Christopher Horner na Vuelta.

3. A Fechar:

Fabio Silvestre

Fim de semana estupendo para os ciclistas portugueses. A acrescentar ao 2º lugar de Tiago Machado em Murcia, o jovem Fabio Silvestre da Trek-Leopard venceu a 4ª etapa da Ronde De L´Oise em França (prova menor do calendário UCI) depois de conseguir bater ao sprint os seus companheiros de fuga durante 90 km.

Ciclismo 2014 #14

volta ao algarve

Volta ao Algarve

cavendish

No domingo terminou mais uma edição da Volta ao Algarve, a única do calendário ciclístico português pontuável para o calendário UCI World Tour. Na última etapa, com a geral praticamente decidida, coube a Mark Cavendish (Omega-Pharma-Quickstep) dar um arzinho da sua graça na chegada na marina de Vilamoura. O sprinter britânico bateu o jovem francês Arnaud Demare da Française des Jeux e Brian Coquard da Europcar sobre a linha da meta.

No final da etapa, Mark Cavendish protagonizou mais um episódio típico do seu mau feitio. O britânico avisou que só iria dar 1 minuto aos jornalistas para fazerem as suas perguntas e se à primeira pergunta até reagiu de forma positiva (“Gostou de participar na prova e vencer a última etapa?” até respondeu “Sim, gostei muito. Estou bastante feliz”) o mesmo não se passou nas seguintes questões postas pelos restantes profissionais, ora não respondendo ora respondendo de forma monosilábica e sobretudo muito desinteressada. Cavendish já não vencia uma etapa desde setembro passado.

Dado consumado da etapa anterior (Alto do Malhão) coube ao polaco Michal Kwiatkowski subir ao pódio para receber a camisola amarela correspondente à vitória na classificação geral da prova e o respectivo cheque oferecido pela organização da prova à equipa Omega-Pharma. No ciclismo, os prémios obtidos pelos ciclistas nas metas volantes, vitórias em etapa, vitórias na geral e nas diferentes categorias e contagens de montanha são divididos por toda a estrutura da equipa. A vitória na geral confirma uma excelente prova realizada pelo polaco, vencendo em Monchique depois de uma investida na qual deixou Rui Costa e Alberto Contador para os lugares secundários e de um contra-relógio curto perfeito realizado na 3ª etapa entre Vila do Bispo e Sagres. O ciclista polaco confirmou que é a grande aposta da equipa Belga para a classificação geral das provas por etapas de uma e três semanas. Esta equipa, recheada de roladores e sprinters poderá ter aqui o seu filão para se tornar extremamente completa na época que se avizinha. Vamos ver como é que Michal Kwiatkowski vai reagir nas provas de preparação para o Tour e na prova francesa, prova onde em 2013 ficou à beira do top 10. Apesar de ser um ciclista com enorme potencial na média e na alta montanha e um contra-relogista de excelência, um dos pontos fracos que pode afectar o seu rendimento individual é precisamente o facto da sua equipa não ter muita gente no seu rooster capaz de o ajudar nas etapas de alta montanha. Isto é, se for a primeira aposta da equipa para o Tour visto que ainda não está decidido se o polaco será líder ou se terá estatuto de corredor protegido (livre de trabalho para o líder) dentro da liderança do colombiano Rigoberto Uran.

costa

Amarga de boca fica a prestação do nosso Rui Costa. O algarve avizinhava-se como a prova ideal para o português vencer. Rui Costa deu no Algarve mostras de uma excelente condição física nesta fase da época, facto que faz crer que a Lampre-Mérida está a planear a época do campeão do mundo ao pormenor. Logo na primeira etapa, podia ter vencido ao Sprint mas preferiu dar a vitória ao sprinter da sua equipa Sasha Modolo. Uma questão de papéis que os ciclistas normalmente respeitam. Como a equipa tinha trabalhado para Modolo, o mais correcto é deixar fluir a normalidade de papéis dentro das equipas. Em Monchique voltou a ser segundo. No malhão voltou novamente a ser segundo. Na geral foi terceiro. Como escrevi anteriormente, fica o amargo de boca por não ter ganho uma etapa junto do seu público. Estou seguro que o português vai realizar novamente uma época de arromba. Vencer será uma questão de tempo.

Alberto Contador – Um segundo lugar que sabe a vitória na geral depois da classe demonstrada pelo espanhol no Alto do Malhão. Antes da prova começar afirmou que vinha ao Algarve ganhar ritmo nas pernas depois do primeiro estágio da temporada. Acabou por vencer na prova raínha da competição. A vitória no Algarve promete um excelente Contador durante a temporada. Bem precisa de deixar 2013 para trás das costas. O tour e o ciclismo agradecem que Contador volte a ser o grande ciclista que é pois senão, Froome limpa tudo novamente com a maior das tranquilidades.

Edgar Pinto – Andou durante toda a prova junto dos melhores. Participou em todas as contendas, tanto a rolar como na montanha. Está um senhor ciclista dentro do pelotão português e a bom da verdade já merecia uma oportunidade numa equipa de World Tour como ciclista de estatuto nas provas de 1 semana e clássicas. Para já, afirmou-se como um dos candidatos à geral da Volta a Portugal 1 ano depois de se ter inserido nesse lote na edição de 2013.

Tour de Oman

Oman

Christopher Froome (Team Sky) voltou a vencer a geral da Volta a Oman. Pela segunda vez consecutiva. Pela segunda vez que apenas venceu a 5ª etapa da prova e na 5ª etapa da prova cavou a diferença necessária para vencer a geral.

O britânico reagiu à vitória com uma certa presunção: “I couldn’t ask for much more. If at the start of the race you’d said to me I’d be here in the red jersey, I’d have taken it, definitely. That’s the best case for me. It’s great to be able to back it up and come and defend my title. The team we’ve had here has been really compatible, really aggressive and wanting to make the most out of the racing. It shows that everyone has come off a good winter and that everyone is working hard to be in good shape for this. It really a pleasure to work with people who share that mentality. We’ve got the leader’s jersey to show for it. We’re really happy.”

greipel 3

Na última etapa da prova, o britânico assistiu de cadeirinha a mais uma vitória em etapas de André Greipel na prova. O alemão da Lotto-Belisol voltou a deixar o jovem francês Nacer Bouhanni para trás na linha de chegada e confirmou a vitória na camisola por pontos. André Greipel está lançado para uma época que se prevê muito vitoriosa.

Volta à Andaluzia

andaluzia

Disputada desde quinta a domingo, a Volta a Andaluzia reuniu na região integrante do cada vez mais fracturado estado espanhol alguns dos maiores nomes do ciclismo mundial, também eles cheios de vontade de esticar as pernas depois de semanas intensivas de treino de preparação para a temporada. Nas estradas andaluzes competiram ciclistas como Alejandro Valverde (Movistar) Richie Porte, Edvald Boasson Hagen e Braddley Wiggins (Team Sky) Luis Leon Sanchez (Caja Rural), Marcel Kittel (Argus-Shimano), Bauke Mollema (Belkin) ou o dinamarques Jakob Fuglsang (Astana).

1ª etapa

valverde

A prova andaluz iniciou-se com um prólogo. Alejandro Valverde provou que não estava na andaluzia para treinar. O ciclista da Movistar cumpriu os 7,3 km realizados em Almeria em 8 minutos e 22 segundos, sendo mais rápido em 7 segundos que Tom Dumoulin da Giant-Shimano e em 9 que o seu colega de equipa, o basco Jon Insausti. Os homens da Sky perderam 13 (Kiryenka) 14 (Wiggins e Geraint Thomas) e 15 Richie Porte.

2ª etapa

Valverde 2

Na segunda etapa da prova, a organização quis provar quem é que tinha perninhas para aguentar uma daquelas etapas pica musculos. Na distância de 186,5 km, a etapa que ligou Málaga a Jaen oferecia a todo o pelotão presente na prova uma etapa com 6 contagens de montanha. Uma duríssima de primeira categoria entre os 13 e os 25 km, três de 2ª categoria e três de terceira categoria, a última nos 3 kms finais.

O pelotão manteve-se minimamente intacto até à subida final. Até que Alejandro Valverde saltou do grupo principal nos últimos metros e venceu a etapa destacado com 4 segundos de avanço para Bauke Mollema da Belkin, Davide Rebellin da CCC Polsat, Luis Leon Sanchez e Richie Porte da Sky. Ausência do grupo principal foi Braddley Wiggins.

Video dos últimos 3 km

3ª etapa

movistar

Na 3ª etapa da prova, a maior atracção desta era a subida final ao Santuário de La Virgem de la Sierra de Cabra, outra daquelas subidas cuja ausência do calendário da Vuelta é inexplicável visto que é uma subida de cerca de 11 km com uma pendente média de 8% e algumas rampas na parte final de 18\20% (ascenção de 18 metros em altitude a cada 100 metros de estrada). Os ciclistas tinham portanto um autêntico muro pela frente.

Como lhe competia, a Movistar controlou a etapa. Na ascenção final, o grupo dos favoritos destacou-se no grupo principal, existindo uma abordagem altamente tacticista entre Alejandro Valverde e Richie Porte. O espanhol não se fez rogado e voltou a fazer das suas (não é normal Valverde ter dois dias bons seguidos na alta montanha, muito menos vitoriosos) ao atacar nos metros finais da etapa. Retirou apenas 1 segundo ao grupo perseguidor: Scarponi (Astana) Porte, Daniel Navarro (Cofidis; cuidado que este senhor também quer qualquer coisa no Tour deste ano) e Luis León Sanchez. No 2º grupo, Bauke Mollema cruzou a meta a 5 segundos de Valverde juntamente com o ciclista estónio Tanel Kangert da Astana. O estónio demonstrou na Andaluzia que está a melhorar a olhos vistos na alta-montanha. Poderá ser uma ajuda preciosa para os seus líderes de equipa (principalmente de Nibali e Tiralongo) nas etapas de montanha das grandes provas por etapas. Tiralongo esteve bastante mal na etapa ao perder 1 minuto e 48 para Valverde. Braddley Wiggins esteve novamente ausente do grupo dos favoritos.

Com a vitória na Sierra de Cabra, Valverde aumentou a sua vantagem para Richie Porte para 20 segundos. Luis Leon Sanchez era terceiro a 22 segundos.

4ª etapa

Ultrapassada a montanha era tempo para os sprinters impor as suas credenciais. Com Marcel Kittel e Gerald Ciolek em prova, a etapa terminada em Sevilla seria ideal para uma chegada ao sprint. Coube ao veterano alemão da MTN-Qubeka cruzar em primeiro lugar a linha de meta disposta na capital da região à frente de Roy Jans da Wanty-Groupe Gobert e do sprinter Moreno Hofland da Belkin. O jovem sprinter português Fabio Silvestre da Trek-Leopard, a fazer a sua primeira época como profissional e como ciclista da primeira formação da equipa foi 8º numa chegada em que Marcel Kittel decidiu não ir a jogo.

5ª etapa

Na consagração de Alejandro Valverde como o vencedor da geral da prova (3ª vitória consecutiva) coube ao holandês Moreno Hofland vencer a etapa final da prova.

Valverde provou ser mais forte que a concorrência na fase final das provas de montanha e saboreou as suas primeiras vitórias do ano. O espanhol preparou assim as principais provas de uma semana nas quais costuma participar e vencer como a Volta a Catalunha, Murcia e Burgos, provas que irão decorrer mais adiante no calendário internacional, algumas das quais com a presença de Rui Costa.

Tour de Haut Var

A contar para a Taça Nacional de França, o Tour de Haut Var ofereceu aos ciclistas que nele participaram 2 etapas de nível de dificuldade médio. Na prova participou o jovem ciclista português Domingos Gonçalves da La Pomme Marseille, equipa francesa da UCI Pro Continental na qual também corre o seu irmão José Gonçalves.

betancourt

A prova acolheu a participação de ciclistas como Carlos Bettancur (AG2R; ciclista que de resto venceria a prova depois de desafiar com sucesso o holandês John Degenkolb da Argus no sprint da primeira etapa; é de homem um trepador conseguir bater um sprinter do nível de degenkolb na sua especialidade), Thor Hushovd (Cadel Evans e Amael Moinard (BMC; este venceria Betancur ao sprint na segunda etapa) Sylvain Chavanel e Jerome Pineau (IAM Cycling) John Gadret da Movistar ou Pierrick Fèdrigo da FJD. Basta portanto dizer que os grandes ciclistas do pelotão francês estavam lá todos.

Amanhã irei escrever sobre o Tirreno-Adriático e irei apresentar mais 1 equipa da World Tour. Irei também actualizar o ranking da World Tour.

Ciclismo 2014 #5

Nairo Quintana

Nairo Quintana não irá correr o Tour em 2014. Eusébio Unzué continua a arte de destruir carreiras em prol do seu menino de ouro Alejandro Valverde. A decisão foi apresentada ontem pelo Director Desportivo da equipa espanhola:

“Pessoalmente, não acredito que levar o Nairo com a sua idade a este Tour, com a pressão de melhorar o que fez no ano passado, seja o mais interessante para a sua progressão. Prefiro que na fase de formação em que está conheça o Giro, porque pensamos que pode ser uma corrida interessantíssima para melhorar em muitos aspetos e na qual, pela primeira vez, vai assumir a liderança da equipa. O Alejandro dá-nos garantias de ter um líder sólido no Tour. Tem toda a nossa confiança, por aquilo que ganhou. No ano passado, demonstrou que, sem a avaria, podia ter estado no pódio.”

Como não poderia deixar de ser… A liderança sólida de Alejandro Valverde dura por norma até à 7ª etapa. Depois fura ou cai ou não se consegue posicionar no pelotão numa etapa de abanicos, arrasta com ele a equipa e apanham todos 8 minutos. Tenho dito e volto a dizer: já o foi com Rui Costa, já previa que este cenário ocorresse com a continuidade do Colombiano na equipa – Enquanto Alejandro Valverde estiver na Movistar, Unzué irá apostar sempre em Valverde, facto que não permitirá à equipa ter um candidato ao Tour.