insólito #3

Borussia de Dortmund vs Wolfsburg

Qual é a probabilidade de um matador como o é Ivica Olic acertar na trave de baliza aberta duas vezes em 35 centésimas de segundo?

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insólito #2

já não me lembrava de dois auto-golos de um jogador no mesmo jogo desde o célebre 1-2 do Benfica ao Sporting em Alvalade na temporada 1998\1999 quando Beto, mais propriamente, o central, o ex da boazuda da Filipa de Castro, Roberto de Deus Severo, amedrontou-se com o falido (mas inquebrável e de cabelo incortável) Jorge Cadete, aquele que tinha proferido nos dias antecedentes a esse jogo (o primeiro da carreira contra o Sporting; penso que o primeiro pelo Benfica depois de ter sido contratado ao Celta de Vigo) que ia “comer a relva se fosse preciso”, borrou a cueca e meteu dois secos na nossa baliza, à altura defendida pelo Tiago ou pelo Nélson (penso que já era o Nélson).

P.S: Aconteceu precisamente ao lateral-direito do Reims Aissa Mandi no jogo de sábado frente ao PSG.

insólito #1

Felipe Melo deu show no quente derby de Instambul, vencido pelo Galatasaray por 1-0. Os comandados de Mancini reduziram para 7 os pontos de diferença em relação ao eterno rival, tendo no entanto mais 1 jogo por disputar a equipa de Bruno Alves e Raúl Meireles.

No derby da maior cidade turca, o mítico guardião da selecção turca Volkan Demirel foi a grande estrela do encontro, evitando a goleada dos líderes da prova perante uma autêntica avalanche ofensiva. O árbitro da partida mostrou 16 cartões amarelos e 2 cartões vermelhos por acumulação.

Felipe Melo é um show. O mauzão, outrora bidone d´oro (prémio atribuído ao pior reforço da temporada na Liga Italiana pela imprensa desportiva), outrora jogador que esteve para reforçar a Académica quando ainda alinhava no Brasil (os empresários de Felipe Melo nessa altura da carreira eram os mesmos que forneciam jogadores brasileiros à Briosa; acabaram por colocá-lo na Europa a partir do Racing de Santander), o “romântico”, epíteto pelo qual é conhecido no futebol brasileiro devido às declarações protagonizadas no Mundial 2010 na África do Sul numa conferência de imprensa da selecção brasileira “no campo sou duro mas no amor sou um romântico”, riu-se da expulsão do veterano Emre para depois, ironia do futebol, se rir da sua própria expulsão. Brilhante momento de humor protagonizado pelo trinco brasileiro no relvado da Turk Telekom Arena.

“convite do dia”

celta

Celta de Vigo vs Real Sociedad. Nos míticos Balaídos, estádio onde já fui (na altura vi Celta vs Elche para a 2ª liga espanhola) quando me deu na cabeça ir uma semana à aventura para Vigo quando deveria ter apanhado o comboio para Coimbra. O art work utilizado pelos galegos na sua campanha de marketing (venda de bilhetes para o jogo contra a Real Sociedad; 25 a 40 euros) é simplesmente demais. Os bilhetes são carotes mas não deixa de ser um programa bastante válido para quem viva no Norte do país. Vale a pena ver o brilhantismo da equipa basca in loco.

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Algo me faz acreditar que, descendo à 2ª liga, Belenenses e Olhanense são candidatos naturais à extinção. Se no caso da Turma de Belém, o espectro conjuntural e social em que está inserida ainda me faz crer que alguém poderá, passo a expressão, “por a mão no clube”, ou como quem diz salvá-lo do pior, por outro lado, a Olhanense poderá não ter essa sorte.

As SAD´s modernas (as SDUC´s são para mim neste momento o melhor modelo para os clubes pequenos) abarcam esse tipo de riscos: se os clubes necessitam de se abrir ao investimento privado (capaz de suprir com sucessivos aumentos de capitais as necessidades de crescimento que os clubes vão tendo ao longo dos anos), esse investimento não poderá vir desagregado do factor retorno. O método utilizado tanto em Belém como em Olhão faz-me lembrar o método usado pela família Pishyar em Aveiro: os investidores entram com o capital para pagar os custos operativos, contactam certos empresários para colocarem jogadores a rodar nesse clube, e os dividendos dos jogadores passíveis de venda após período de utilização revertem percentualmente para as partes envolvidas. Enquanto o clube se mantiver num patamar competitivo, ou seja, capaz de servir de montra a certos jogadores com mercado (logo, transferíveis), as despesas estruturais são suportadas através da promessa de lucro. Quando já não forem competitivos, serão abandonados à sua sorte. Assertivo é dizer que os problemas em Aveiro já vinham de trás desde o momento em que Leonardo Jardim abandonou o clube, precisamente ao mesmo tempo em que chegaram as primeiras informações conhecidas sobre o tal iraniano que estava interessado em, literalmente, amortizar todo o passivo do Beira-Mar e investir numa equipa capaz de lutar pela Liga Europa. A descida de divisão na época passada só agudizou a falta de plano que Pishyar, Regala e seus pares tinham para o clube que dirigiam. Curiosamente, Rui Pedro Soares apostou no Belenenses (na temporada passada) num momento da história do clube em que o clube do restelo estava precisamente abandonado à sua sorte. No caso Pishyar, eram os iranianos (e a direcção do Beira-Mar, detentora de 10% da SAD aveirense) os financiadores, Ulisses Santos e Nuno Patrão os empresários dos jogadores cedidos (bem como detentores de partes ou da totalidade dos direitos económicos desses mesmos jogadores) e o esquema baseava-se no argumento supra-citado, ficando ainda a SAD do Beira-Mar, neste caso, Majid Pishyar com os direitos económicos de todos os jogadores dos escalões junior e juvenil.

Esta esquemática tem os seus custos. Tanto Belenenses como Olhanense receberam nesta temporada jogadores vindos das mais variadas paragens. Alguns com qualidade, outros sem qualidade alguma para actuarem no nível competitivo em que alinham. Costumo dizer que na brincadeira, no caso relativo à turma de Olhão, que um italiano a treinar uma selecção do mundo deveria estar a treinar aqueles jogos amigáveis que o Figo e que o Zidane levam a cabo anualmente. Na competitiva Liga Portuguesa, o plantel formado pelo Olhanense e as suas consequentes reformulações no mercado de inverno foi um profundo harakiri.

foto do dia

foto do dia 2

A desilusão personificada no momento de Olivier Giroud no final da partida que sentenciou mais uma derrota do Arsenal na Premier League, desta vez frente ao Everton por 3-0. O final desta temporada está a ser de autêntico terror para os Gunners e principalmente para Arsène Wenger. Vergados às superpotências Manchester City e Chelsea e ao outsider (nada surpreendente; já no ano passado, tinha a crença que com Brandon Rodgers, o Liverpool iria acordar do profundo sono em que estava mergulhado), a equipa orientada pelo veterano francês voltou a confirmar o ditado “muita parra mas pouca uva” – depois de um início fortíssimo de prova que ainda fez sonhar os seus adeptos, o dealbar da temporada de 2014 ditou o natural lugar da equipa londrina na hodierna nomenklatura do futebol praticado em terras de Sua Majestade.

Crónicas do WRC #1

Sebastien Ogier estreou-se em Fafe com uma vitória.

 

Dani Sordo perante o olhar de milhares de pessoas no “confurco”.

 

“Selfie” de Ogier.

 

Salto de quase 50 metros (!!!) de comprimento de Kris Meeke.

Vai hoje para a estrada a 48º edição do Rally de Portugal, quarta prova a contar para o Mundial da especialidade.

O rally arranca oficialmente às 15 horas da tarde dos Jardins do Casino Estoril, sendo o primeiro percurso cronometrado a super especial de Lisboa que se realiza, a partir das 18 horas, na Praça do Império, nas imediações do Mosteiro dos Jerónimos.

A caravana do rally seguirá para sul, rumo ao Estádio do Algarve, local onde está montado o Rally Village. A restante prova desenrolar-se-à no Algarve e Baixo Alentejo.

 

Apesar do Rally “a sério” apenas arrancar hoje, a euforia provocada pela prova já atingiu o seu expoente máximo no passado sábado, como já é habitual, com a edição do Fafe Rally Sprint, que tem funcionado como uma espécie de aperitivo para a competição a realizar no Algarve e Baixo Alentejo.

Verdade seja dita, não há evento desportivo em Portugal que consiga atrair tantos espectadores como o Fafe Rally Sprint. Estiveram em Fafe, pelo terceiro ano consecutivo mais de 100 mil pessoas, que chegaram de todos os cantos da península ibérica. Muitos foram os que por lá pernoitaram, para reservar os melhores spots para assistir à passagem dos pilotos e suas máquinas.

A mítica classificativa de Fafe-Lameirinha é, de facto, um lugar à parte para os adeptos dos ralis. Não é à toa que é apelidada por esse mundo fora de “catedral dos ralis, e até o campeão do mundo em título não resistiu em levar uma recordação consigo, tendo tirado várias fotografias, e até uma “selfie” com a imensa moldura humana que decorava a encosta da lendária descida do confurco.

Fafe proporcionou imagens e momentos muito bonitos e espectaculares, tendo algumas delas já corrido o mundo. Fica na memória o salto dado por Kris Meeke, piloto natural da Irlanda do Norte, que atingiu os 48 metros de comprimento!

O evento contou com algumas das principais figuras da modalidade, tendo também servido, mais uma vez, de teste para o ACP preparar o muito aguardado regresso do Rally de Portugal ao Centro/Norte do país, que pode acontecer já em 2015.

A Taça, que era o que menos interessava neste evento em particular, foi levada pela dupla Sebastien Ogier / Julien Ingrassia da Volswagen, seguidos por Ott Tanak / Ralgo Molder em Ford a 0.5 segundos, tendo a dupla espanhola da Hyundai, Dani Sordo/Marc Marti, fechado o pódio a 2.2 segundos da dupla vencedora.

Quanto ao Rally de Portugal, depois de já terem vencido a prova por três edições, e face ao domínio registado na última temporada, Sebastien Ogier é naturalmente o favorito para levar de vencida a prova.

O seu colega de equipa, Jari-Matti Latvala, que poucas recordações agradáveis tem de Portugal (na memória de todos ainda está presente o célebre e aparatoso acidente em que o seu Ford Focus WRC capotou mais de uma dezena de vezes), é em teoria o mais forte opositor do Francês, quer porque é dos mais rápidos do actual plantel do WRC, quer porque está munido de uma máquina igual à de Ogier.

Andreas Mikkelsen, terceiro piloto da Volkwagen Motorsport, procura em Portugal um lugar entre o top 5. O piloto Norueguês tem vindo a evoluir nos seus cronos esta época tendo inclusive conseguido um 2º lugar no Rali da Suécia.

A Citroen sofre de uma crise de identidade desde que o campeoníssimo Sebastien Loeb terminou a sua carreira nos ralis. Mesmo assim é reconhecida a qualidade do DS3 WRC e é apontada como a principal ameaça à dupla da marca alemã.

Ninguém duvida da capacidade de Kris Meeke e Mads Ostberg para ganhar classificativas, mas a verdade é que os erros e os azares têm sido uma constante nos homens da Citroen.

Em Portugal, a equipa francesa espera reencontrar-se com os bons resultados, que permitam uma época em crescendo para os seus pilotos.

A M-Sport Ford, que no Rally de Portugal apresenta a sua dupla oficial, Mirkko Hirvonen, e Elfyn Evans, e ainda o seu “satélite” Robert Kubica, sabe que dificilmente conseguirá melhor que lutar pelo pódio.

Hirvonen continua regular, mas tem estado a anos luz do seu melhor, enquanto que Evans e o ex-piloto da Fórmula 1 ainda procuram ganhar experiência no WRC.

A Hyundai, que está na primeira época com o i20 no mundial de ralis, procura chegar a um novo pódio depois depois do 3º lugar obtido por Thierry Neuville no último Rali do México. Para isso, para além da jovem promessa belga, contam com o experiente Dani Sordo, e ainda o sempre espectacular Juho Hanninen.

Destaques ainda para o WRC 2, segunda divisão do mundial com uma excelente lista de inscritos. A dupla portuguesa Bernardo Sousa/Hugo Magalhães regressa a este campeonato aos comandos de um Ford Fiesta RRC. Os novos atletas do Sport Lisboa e Benfica apontam pelo menos a um lugar nos 3 melhores do WRC 2.

Quanto ao nacional de ralis, o favoritismo é entregue ao tricampeão Ricardo Moura que se apresenta com o habitual Skoda Fabia S2000. Ganhar é palavra de ordem para Moura, depois de em Fafe (desistência quando liderava) e em Guimarães (perdeu o rali na última classificativa para o seu principal opositor) ter desperdiçado a hipótese de ter somado duas vitórias, nas duas primeiras provas do nacional de ralis.

Pedro Meireles, também em Skoda, vencedor das duas primeiras provas do campeonato, tentará lutar pela vitória que lhe daria uma posição ainda mais favorável e confortável no campeonato.

O trio de candidatos à vitória no nacional fecha-se com João Barros, no Fiesta R5. Tendo à partida o melhor carro em pisos de terra, Barros procura chegar pela primeira vez ao lugar mais alto do pódio.

Uma referência para Adruzilo Lopes. O antigo tricampeão nacional, aos 51 anos continua um dos pilotos mais rápidos de pelotão, e apesar de ter um carro que não lhe permite lutar pelas vitórias (Subaru Impreza R4), a sua consistência e experiência fazem com que esteja sempre “pronto” para chegar ao pódio caso um dos pilotos munidos com melhores armas tenha algum deslize.

Estão lançados os dados. Um bom rali a todos, mas sempre em segurança!

momento do fim de semana

Coube ao modesto Augbsburg, actual 8º classificado da Bundesliga quebrar o record de invencibilidade interno de 53 jogos da equipa bávara na Liga Alemã. Um golo de Sasha Molders aos 31″ numa partida em que Guardiola, mais preocupado com o jogo da próxima quarta-feira contra o United, até deu oportunidade a alguns jogos da 2ª equipa do clube (o defesa esquerdo austríaco Ylli Sallahi, o médio esquerdo alemão Mitchell Weiser e o médio esquerdo franco-dinamarquês Pierre-Emile Hojbjerg) selou o triunfo dos Fuggerstadter sobre a equipa bávara.

Lendas… Ou Talvez Não #4

Em dia de Paços de Ferreira vs Sporting, escrevemos sobre um jogador que em 2009 assinou o 3º hat-trick ao serviço dos verde-e-brancos, precisamente frente aos Castores. Podia ter sido um ídolo para os Sportinguistas, não fosse o caso de ter manchado a sua carreira, em Portugal, com uma passagem muito discreta pelo FC Porto em 2013.

Falamos claro de Liedson da Silva Muniz.

Actualmente com 36 anos e sem clube, o avançado natural de Cairu (Baia), começou a espalhar magia no modesto Poções, onde permaneceu 5 anos, assinando depois pelo Prudentópolis.

Após 1 época no modesto clube do Paraná, começou a sua caminhada entre grandes clubes brasileiros, mostrando as suas qualidade em Coritiba (2001 a 2002), Flamengo (2002) e Corithians (2003).

Em Setembro de 2003 é apresentado como o substituto de Mário Jardel. Digamos que um legado pesado, mas com o qual conseguiu lidar bem, tendo até marcado logo no 2º jogo em que participou. O golo esse foi ao Malmo (da Suécia) e ajudou o Sporting a passar a próxima ronda. Diga-se que a eliminatória ficou 3-0 para o Sporitng e Liedson marcou 2 golos.

Na época de estreia, o “levezinho” marcou 19 golos.

E pode-se dizer que nos anos em que vestiu de verde-e-branco, portou-se muito bem, marcando, 172 golos, durante as 8 épocas em que esteve no Sporting CP.

Em 2010 estreia-se na selecção… Portuguesa, num processo muito polémico e onde efectuou somente 15 jogos, marcando 4 golos (Dinamarca, Hungria, China e Coreia do Norte).

Após a ultima época ao serviço do Sporting onde efectuou 25 jogos e marcou 10 golos regressou à Pátria (a sua, a brasileira) para re-ingressar no Corithians onde esteve 17 meses.
Nesses 17 meses efectuou 72 jogos e marcou 27 golos. A Final da Copa dos Libertadores de 2012 tá incluida nesse percurso, onde o Levezinho facturou por uma vez frente ao Dep. Táchira (da Venezuela).
Após mais este titulo, viajou até ao Rio de Janeiro para jogar no Flamengo.

Na cidade maravilhosa não foi tão feliz pois apesar dos 16 jogos efectuados só jogou 1 a titular, marcando 4 golos.

E é precisamente, após a etapa Flamengo, que Liedson mancha a sua imagem de ídolo dos Leões tendo assinado pelo FC Porto por 6 meses.
Foi mais do que uma aposta falhada, já assumida pelo próprio, em que vestiu a camisola dos azuis e brancos em somente 67 minutos.
Esmiuçando, o máximo de tempo que Liedson esteve em campo foram 14 minutos (por três vezes: Guimarães e Olhanense, para o campeonato e Rio Ave para a Taça da Liga).

Este é Liedson da Silva Muniz.

Superbock! Fresquinha! #93

Similaridades com um passado algo irregular – A CMA anotou publicamente que concedeu ao Arouca a utilização do Estádio Municipal de Aveiro mediante a retribuição estipulada pela gestora da infraestrutura, a Estádio Municipal de Aveiro.

Enquanto FC Porto e Sporting tiveram que jogar em Arouca, naquele estádio cujas condições roçam o submundismo do futebol de distrital, naquele relvado (chamar relvado aquele campo de batatas é um gracioso elogio) minado, dificultando a partida e sujeitando os seus atletas a um risco de lesão iminente, o Benfica tem direito a jogar contra os Arouquenses num estádio de topo deste país. A EMA agradece. Rentabilização extraordinária de uma infraestrutura pouco rentabilizada. O jogo do Sport Clube Beira-Mar contra o Sporting da Covilhã foi inclusive passado a patacos para dia 16 de Abril. A saudável igualdade de condições que se pretende para a Liga Portuguesa cai novamente ao nível da sarjeta. Os Arouquenses ponderaram a sua escolha com base no factor receita, mesmo apesar de, para se chegar ao EMA, alguns adeptos Benfiquistas terem que dispender mais uns euros no pagamento de taxas de portagem da auto-estrada (a saída para Taboeira para a estrada nacional que liga Águeda a Aveiro nestes jogos é caótica; caótica ao ponto do espectador não conseguir estacionamento no Estádio ou na rua que serve de serventia para a dita estrada nacional).

Contudo, esta subita mudança de venue, faz-me lembrar um dito jogo disputado no passado, mais precisamente no Estádio do Algarve, entre Estoril e Benfica no ano em que Giovanni Trappatoni venceu o campeonato com a turma da Luz. Curiosamente, o dito jogo foi à jornada 30, na altura, a 4 jornadas do final do campeonato, sendo que o jogo era decisivo para Estorilistas na luta pela manutenção (o clube da linha de Sintra haveria de descer de divisão) e para Benfiquistas na luta pelo título. O jogo ficou marcado por uma reviravolta encarnada nos minutos finais, empurradinha pelo saudoso Hélio Santos. Num jogo em que Estoril marcou cedo (11″), massacrou na primeira parte e à passagem da meia hora foi reduzido a 10 unidades (8 na 2ª parte). O presidente estorilista na altura era Antonio Figueiredo, um ex-dirigente do Benfica. Jamais me esquecerei das palavras proferidas pelo dito senhor na semana que antecedeu o jogo: “Alterámos o local de jogo para o Algarve porque os benfiquistas da região já não assistem a um jogo do clube há muito tempo…”

Similaridades?

interlúdio

aquele momento mágico em que nos apercebemos que algo não vai bem no seio de um clube: no Barça vs Atlético de Madrid há um livre à entrada da área a favorecer os catalães. Neymar aproxima-se do esférico, agarra a bola mas de imediato,  Lionel Messi tira-lhe o esférico e faz sinal que seria ele a bater o livre. O brasileiro sai do local e uma câmara capta em câmara lenta o brasileiro a afirmar “esse argentino filho-da-puta”…

blatter diz

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A coisa está feia no Futebol Uruguaio. O presidente do país José Mujica ordenou a ausência das forças de segurança em todos os jogos do Peñarol e do Nacional de Montevideo, os dois maiores emblemas do pequeno país da América do Sul, em virtude da forte onda de violência protagonizada pelos seus hinchas nos últimos jogos. A decisão sucedeu à inexistência de um acordo de pacificação tentado pelo presidente uruguaio junto dos presidentes dos dois clubes numa reunião realizada durante esta semana.

A COMNEBOL já anunciou que a federação uruguaia poderá ser sancionada em virtude da acção decretada pelo seu presidente. A sanção poderá inclusive passar pela exclusão da selecção uruguaia e dos clubes uruguaios das competições organizadas sobre a sua égide. Não é um acto isolado na história do futebol: os clubes britânicos estiveram vários anos sem competir nas competições europeias devido ao hooliganismov (pouco depois do parlamento britânico ter legislado um conjunto de normas que ainda hoje proibem a existência de claques organizadas) assim como a antiga Jugoslávia foi excluída do Euro 1992 (em detrimento da entrada da surpreendentemente vitoriosa Dinamarca) por causa da guerra dos balcãs.

Em teoria a decisão de Mujica não violou as mais elementares regras da FIFA: os organismos que gerem o futebol do país, ou seja, as federações, devidamente representadas no organismo que tutela o futebol mundial, não poderão sofrer quaisquer tipos de pressões ou interferências governamentais na sua gestão. Na prática, Mujica não limitou qualquer poder da UFA (Federação Uruguaia). Apenas ordenou a ausência de forças de segurança pagas pelos contribuíntes uruguaios dos jogos dos dois clubes, tentando com a decisão, deixar de aplicar os recursos estatais na trivialidade dos actos cometidos por milhares de desordeiros num estádio de futebol. Ao contrário da Tunísia, selecção que marcará presença no Brasil (qualificada com a tamanha injustiça aplicada a Cabo-Verde pela utilização de jogadores alegadamente castigados, cujo trânsito em julgado do castigo não foi comunicado pela Federação Africana à Federação Cabo-Verdiana no timing correcto) na qual a federação nacional foi dissolvida pelo novo governo daquele país, passando a tutela do futebol nacional para o Ministério do Desporto Tunisino.

2.

Estranho considero o facto de ainda não termos ouvido recentemente da boca de Sepp Blatter qualquer comentário sobre o extensivo atraso nas obras dos estádios que servirão de palco ao próximo campeonato do mundo. Faltam 69 dias para o início da prova. Metade dos estádios que servirão de palco ao torneio ainda não estão finalizados. Os casos mais crassos são o estádio de Manaus, o de Coritiba e o Arena Corinthians. As mortes nas obras sucedem-se. A 69 dias do arranque do campeonato do mundo, não só os estádios não estão finalizados como ainda não estão testados ao nível de infra-estruturas, relvado e dispositivo de segurança. Com a agravante do torneio poder ser jogado perante um cenário altamente caótico de convulsão social do povo brasileiro. O Brasil, a terra da prosperidade, a 5ª maior economia do mundo, poderá receber milhares de estrangeiros a ferro e fogo, em estádios construídos às três pancadas e sem qualquer tipo de prevenção ao nível de segurança para todos os cenários sociais e infraestruturais que são neste momento previstos pela comissão organizadora, pelo organismo promotor e por todos os parceiros sociais e privados da prova. A situação é no mínimo assustadora. Sepp Blatter e o secretário-geral da FIFA Jerome Valcke saem novamente muito mal na figura. O escandalo trazido a lume aquando da eleição do Qatar como sede do mundial de 2022 deu águas pelas barbas. O Mundial do Qatar, a realizar dentro de 4 anos, é, neste momento, uma conjuntura que ainda está a ser analisada ao pormenor, podendo ainda existir espaço para mudanças drásticas. O Mundial do Brasil é neste momento inalterável. Mas o que é certo é que como disse e bem Rivaldo: “o brasil pode passar vergonha”.

Rodrigo Moreno a dar dinheiro!

Após a venda dos passes do Rodrigo Moreno e do André Gomes durante o final da tarde de ontem, o MaisFutebol relembrou-me que o Benfica podia receber 10M€ a mais dependendo da performance desportiva de Rodrigo Moreno.

Portanto, está explicado o porque de Rodrigo Moreno ser titular.
Está explicado o porquê de Rodrigo Moreno ser o jogador com mais remates por jogo do Benfica desde há 3 meses para cá.
Está explicado o porquê de Rodrigo Moreno ser sempre titular, e de Lima ser sempre relegado para o banco para “descansar”.
Está explicado o porquê de certos jogadores do Benfica sem ser o Rodrigo Moreno não rematarem à baliza.

Bom truque.

Superbock! Fresquinha! #91

Agora finalmente consigo compreender as declarações de Pinto da Costa quando este afirmava que Ricardo Quaresma “Tem é de aprender que há gente no futebol que é indigna de lá estar e tenta perturbar o adversário com insultos dos mais soezes”

1.Os indignos contradizem-se. Se bem que metade do que o dito senhor diz é algo imperceptível. Se há intenção, há dolo. O dolo é indissociável da intenção. Vamos a um caso prático: se eu tiver intenção de assassinar alguém, tenho intenção de causar dolo a terceiros. A intenção é tão punível quanto o dolo. Chama-se homícidio culposo, estando o crime previsto na lei. A analogia não é forçada, é realista.

2. O interessante das declarações: aumentaram o número de Unidades de Conta na multa aplicada. Realmente, tal sanção aplicada é de facto “o mais interessante” da decisão do Conselho de Justiça da FPF. Vai de encontro à estratégia geral do presidente da FPF para o organismo e para o futebol português: aumentar a receita, encher os cofres da federação. Nada mais, nada menos que isso. O que equivale por outro lado a dizer que a partir de hoje existem regras diferentes daquelas que estão estabelecidas, servindo os regulamentos para limpar o cú quando não há papel higiénico nos estádios.

Superbock! Fresquinha! #90

1. Notícia de Última hora: O Conselho de Justiça da FPF deu razão parcial ao Sporting no recurso apresentado quanto à decisão do Conselho de Disciplina na FPF no caso do atraso do FC Porto no jogo da Taça da Liga contra o Marítimo mas manteve a decisão desportiva tomada pela câmara baixa jurisdicional do referido órgão. O FC Porto passa às meias-finais da prova. A multa foi aumentada para cerca de 3 mil euros. Nada que não fosse esperado em Alvalade. O próprio presidente do Sporting já tinha declarado publicamente que não esperava que a decisão revertesse a favor dos argumentos apresentados pelo emblema leonino.

Creio que não preciso de adicionar mais nenhum comentário aqueles que teci nesta mesma série de posts sobre o caso.

 

2. A tal senilidade que o presidente do Sporting falava na semana passada.

Pinto da Costa 4

Nos últimos meses temos vindo a constatar que algo mudou no reino do Dragão. E não, a mudança não foi executada apenas ao nível da administração com a saída do incompetente Angelino Ferreira. As artimanhas, os esquemas de comunicação, de intimidação e de chantagem para usufruto e defesa dos interesses colectivos da entidade e até as piadas contra o presidente do Benfica mudaram. Subitamente. Se antigamente, no dito poiso de biltres do calíbre mais ordinário da história do futebol português, para se chegar ao objectivo A, usavam-se B e C, ou seja, para se atingirem certos objectivos necessários à defesa dos interesses do clube, utilizavam-se uma data de esquemas para a prossecução desse mesmo objectivo, actualmente, no seio de Dom Jorge Nuno e seus pares, reside uma tal de senilidade, chata, bacoca, ridícula.

Trocando por miúdos: se o Deco era castigado, plantava-se uma notícia no Jogo a afirmar que o Deco renunciava automaticamente à convocatória para o Euro 2004 caso fosse castigado. Se o árbitro era x, pedia-se ao Valentim para dar um toque à arbitragem para vir o árbitro y. Se certo jogador de clube rival não era castigado pela arbitragem pela atitude z, c fazia questão de mandar uns berros ao Valentim para se mexer de maneira a instaurar imediatamente um sumaríssimo. Se o Mourinho rasgava camisolas, a culpa era do roupeiro, do atrasado mental do Paulinho (com todo o respeito pela enorme dignidade que o nosso roupeiro tem). Se o Benfica perdia campeonatos em casa e tratava de ligar o sistema de rega para evitar os festejos dos jogadores do Porto, o Benfica precisava de contratar um canalizador para descobrir o furo… e por aí adiante. Sempre que Jorge Nuno Pinto da Costa ia às casas do clube, a cabeça do presidente do Benfica inchava que nem um melão.

Volto ao início: algo mudou. A desculpa esfarrapada do atraso provocado por Fernando no jogo contra o Marítimo colou porque o sistema domina os órgãos federativos. Bruno de Carvalho apelou aos sócios e adeptos do Sporting para se insurgirem e como bom filho de gente que sente decidiu queixar-se à UEFA e à FIFA sobre as arbitragens realizadas nos jogos do Sporting bem como instaurar um processo judicial junto das entidades judiciais civis (direito que a lei confere a todas as pessoas singulares e colectivas quando se sentem lesadas por algo ou por alguém). Para as “esburacadas” contas no Reino do Dragão (necessitadas da qualificação para a Champions da próxima temporada pelos motivos óbvios) tais movimentações protagonizadas pelo presidente do Sporting em benefício dos interesses do clube que dirige (se bem que o presidente do Sporting já foi altruísta o suficiente para apresentar propostas que visam a alteração de alguns dos pressupostos basilares do futebol português de forma a torná-lo efectivamente mais justo, mais equalitário e mais atractivo) soaram como uma forma de “coacção factual e coacção na sua forma tentada”.

A prova dos 9 em relação a tudo aquilo que escrevi nas últimas linhas veio da boca do presidente do Porto hoje a propósito da cena lamentável protagonizada por Quaresma no domingo. Jorge Nuno Pinto da Costa teve a nojice (desculpem mas não encontro outro termo) de relacionar a cena protagonizada pelo extremo no domingo com meia dúzia de suposições vindas do reino da teoria da conspiração que em nada abonam para justificar a falha humana protagonizada pelo jogador.

“Sou contra todo e qualquer ato racista e sei o que levou o Quaresma a momentaneamente ficar muito exaltado. Qualquer um ficaria nas mesmas condições. Tive o cuidado de ver pela televisão, que acompanhou sempre o Quaresma, de verificar que ele não agrediu ninguém e apenas quis responder a quem o insultou e portanto dou aqui a minha solidariedade ao Ricardo Quaresma. Tem é de aprender que há gente no futebol que é indigna de lá estar e tenta perturbar o adversário com insultos dos mais soezes”

Vamos por partes.

Em primeiro lugar, será que o egípcio Gomaa, residente em Portugal há cerca de 3 meses, já aprendeu de forma substantiva a língua e a cultura futebolísta portuguesa para, num laivo de loucura, insultar pejorativamente Ricardo Quaresma de “cigano”?

Segundo, se efectivamente Gomaa utilizou o termo “cigano” para provocar o extremo do Porto, pode-se dizer que o jogador está a ser insultado quase diariamente visto que toda a imprensa da especialidade (desde o comum redator do jornal diário até ao comum relatador radiofónico) escreve\diz constantemente a alcunha pela qual é conhecido nos meandros do futebolês o jogador do FC Porto.

Terceiro: Quaresma não agrediu ninguém. Porque um batalhão de gente impediu que agredisse. Nestes casos, a lei não pune o acto consumado. Pune quem tem intenta agredir.

Quarto : para que é que a selecção tem que ser chamada para a conversa? Na minha opinião, Ricardo Quaresma está a jogar o suficiente para ser convocado para a selecção. Está a fazer uma excelente 2ª metade da época. É indiscutivelmente o único jogador do Porto capaz de desequilibrar ofensivamente. Mas não foi chamado à selecção. Porque o seleccionador nacional não teve a mesma opinião que eu. Quer Pinto da Costa queira, quer não queira, quem tem o poder de convocar o jogador é o seleccionador nacional.

Quinto: A quem se refere o presidente do Porto com esta frase: “Tem é de aprender que há gente no futebol que é indigna de lá estar e tenta perturbar o adversário com insultos dos mais soezes” – será que o presidente do FC Porto se refere ao pobre jogador Gomaa do Nacional, recentemente chegado à Liga Portuguesa?

Sexto: Por muitos contentes se deviam ter dado os dirigentes do FC Porto. Que eu saiba, as regras do jogo mandam o árbitro sancionar com o cartão vermelho durante o tempo útil de jogo todo o jogador que tenha intenção de agredir outro jogador ou um agente devidamente identificado assim como sancionar esse mesmo jogador quando este consume ou manifeste intenção de agredir terceiros nos minutos posteriores ao fim do jogo bem como mencionar a ocorrência no relatório de jogo. Se os relatórios dos árbitros fossem tornados públicos, saberíamos se João Capela o fez. Se não o fez, a Comissão de Análise de Arbitragem do Conselho de Arbitragem da FPF tem por ofício lançar um processo de avaliação à omissão do árbitro em questão.

O que eu ando a ver #63

O Napoli logrou ser uma das únicas equipas capazes de bater a Vecchia Signora na Serie A desta temporada. 22 jogos depois da última derrota doméstica sofrida pelos comandados de Antonio Conte, precisamente, no Artemio Franchi frente à Fiorentina por 4-2. Perante uma Juve sem ideias, a equipa Napolitana empregou em campo uma enorme solidez defensiva e o melhor da sua transição de jogo.

Apesar das duas equipas estarem separadas por 20 pontos na tabela classificativa (1ª Juve com 81; 3º Napoli com 61 pontos) sempre que a Madonna desce de Turim até à bela baía de Napoli, o ambiente aquece nas hostes parte poi. Indiferentemente das posições ocupadas pelas duas equipas na tabela, dos títulos que se podem conquistar (ou não) na partida em questão, das conjunturas antecedentes das equipas nas vésperas do jogo ou da qualidade dos artistas que vão subir ao relvado com a camisola dos dois conjuntos, um Napoli vs Juve é encarado pelos dois lados como um jogo de vida ou morte. As assimetrias Norte-Sul, a particular rivalidade Norte-Sul existente em Itália (O Norte industrial e rico que apelida os napolitanos de africanos e parasitas; o sul pobre, agrário, com uma enorme taxa de criminalidade que apelida o povo de Turim como corruptos) faz deste clássico do futebol italiano uma espécie de fiel de balança no qual, por duas vezes por temporada, o norte, em particular, a cidade de Turim torce para que a sua equipa mostre em campo o domínio que o orgulho torinese exige nestes momentos e o sul (todo o sul de Itália) creia no Napoli como um veículo capaz de resgatar com o seu futebol o sentimento sulista, tantas vezes inferiorizado e segregado na Velha Itália.

Com um San Paolo em ambiente frenético as duas equipas entraram em campo com trajectos iguais até certo ponto da temporada, diferentes na actualidade. Ambas as equipas foram eliminadas da fase-de-grupos da Champions, tendo caído para a Liga Europa em virtude de terem sido 3ªs classificadas dos respectivos grupos. Enquanto a equipa de Antonio Conte faz contas matemáticas para assegurar o mais rapidamente possível o título italiano de forma a poder encarar os próximos compromissos para a Liga Europa com maior tranquilidade (a final da competição disputa-se este ano no novo Dell´Alpi de Turim) a equipa de Napoli já tem o apuramento para a Liga dos Campeões da próxima temporada praticamente assegurado e, na Liga Europa, foi, como bem sabemos, eliminada de forma categórica no San Paolo pelo melhor FC Porto da temporada.

Nos onzes apresentados, Antonio Conte manteve-se fiel ao habitual 3x5x2 fazendo algumas alterações cirúrgicas no onze que tem apresentado nos últimos jogos da equipa presidida por Andrea Agnelli. Com Carlitos Tevez ausente a cumprir castigo por acumulação de amarelos na Serie A, Conte apostou numa frente de ataque musculada com a inclusão de Pablo Osvaldo ao lado do basco Fernando Llorente. Na ala direita, posição ocupada nas últimas partidas pelo chileno Maurício Isla, Conte fez regressar a “mota suiça”, bem, uma das peças chave da Juve durante esta temporada, um tipo alto, rápido e bom de bola chamado Stephan Lichsteiner. Metade das assistências da Juve nesta temporada sendo que a outra metade pertence a meias a Andrea “lo gatone, lo zingaro” Pirlo e a Carlitos Tevez.

No lado do Napoles, Benitez também se manteve fiel ao seu habitual 4x3x3 com duplo pivot defensivo no meio-campo (incluíndo o reforço de inverno Jorginho ao panzer Inler, mestre de cerimónias do musculado trio de suiços que Benitez dispõe para aquela posição), Marek Hamsik a titular no lugar que tem pertencido, na maior parte da época, a Dries Mertens, Henrique no lado direito da defesa. De resto, tutto equale com Faouzhi Ghoulam na esquerda da defensiva (um achado do Napoli) Federico Fernandez e Raul Albiol no centro da defesa, o tridente de meio-campo supra citado e o tridente ofensivo habitual com Callejón na direita, Insigne na esquerda e “La pepita” Higuaín na frente de ataque.

O experiente Daniele Orsato, candidato à final da Champions e do próximo mundial, foi o árbitro designado pela FIGC para arbitrar o maior jogo da jornada 31 da Serie A.

gigi

Pode-se dizer que o Napoli entrou a todo o gás. A equipa Napolitana apoderou-se da posse de bola logo no início da partida, fazendo a Juve recuar no terreno e aplicar a sua “organizada” (nestes primeiros minutos do San Paolo foi tudo menos organizada) estrutura defensiva com pressão à zona.

Nos primeiros minutos de jogo, o Napoli teve as primeiras oportunidades de golo. A primeira aconteceu aos 4″ quando Gokhan Inler tentou um passe-remate rasteiro com a parte exterior do pé esquerdo de fora da área com um molho de jogadores à sua frente (à espera de surpreender Buffon ora com o toque tenso disferido, ora com a possibilidade do remate ser desviado por Higuaín ou Callejón de forma a trair Buffon) e, depois de um desvio sofrido nos pés de um jogador dos zebrete, a bola caiu nos pés de Callejón que com um toque subtil na bola tentou enganar o experiente guarda-redes de 36 anos. Com reflexos apuradíssimos, o guarda-redes da Squadra Azzurra defendeu a bola e Leonardo Bonucci tratou de a descarregar como pode para a linha final cedendo canto. Do canto, a bola foi inserida dentro da baliza d Juve mas o auxiliar de Orsato decidiu anular o golo. Recapitulando: Callejón bateu para o coração da área com conta, peso e medida, Buffon teve que sair a punhos na pequena área, a bola pára nos pés de Higuaín, o argentino remata contra defensores da Juve e a bola sobra para o moicano Hamsik que empurra para o fundo das redes de Gigi. Contudo, atento, o auxilar de Orsato conseguiu descortinar a posição em fora-de-jogo do eslovaco no momento do remate do seu colega de equipa, apontando assertivamente a irregularidade cometida.

O tridente ofensivo do Napoli não parou por aqui. Com um futebol bem encadeado, denotando-se desde logo a presença de Higuaín nos processos de circulação (recuando várias vezes ao meio-campo para receber jogo e distribuir para as alas ou para Hamsik), a equipa de Benitez tentou surpreender a Juve com uma circulação rápida, capaz de baralhas as marcações e consequentemente capaz de quebrar o bloco defensivo que a equipa de Conte apresenta habitualmente no rectângulo de jogo. Por diversas vezes durante esta temporada, a equipa de Conte encarou este tipo de jogos com uma abordagem inteligente ao jogo: defendendo na retranca quando assim é obrigada, esperando pelos melhores momentos para disferir estocadas mortíferas ora através do contra-ataque, ora através da criação de jogo que é feita essencialmente por Pirlo e Pogba e Vidal nas zonas de construção e por Tevez numa posição mais adiantada do terreno, para depois, aquando da obtenção de uma vantagem, regressar à matriz defensiva inicial. Quando essa disposição táctica pensada por Conte surte efeito, a Juve é imbatível.

Pouco pressionante a meio-campo, a Juve deixou a equipa de Napoli jogar à vontade nestes primeiros minutos. Aos 9″ surge a segunda oportunidade de golo num lance em que Buffon é chamado a intervir pela 2ª vez: Callejón recebe na direita, rasga para a entrada de Henrique no flanco (o brasileiro está a dar-se muito bem com o novo papel; ele que é central de origem), o brasileiro ganha em velocidade a Asamoah (facto raro) e toca para dentro da área para remate de primeira de Marek Hamsik, enrolado para defesa apertada de Buffon por cima da trave.

Acossada, a Juve tentou travar o ímpeto inicial dos Napolitanos. Quase que mecanicamente, os torinese viraram-se para a experiência e para a eficácia (materializada num só corpo, num só par de pés) de Andrea Pirlo. Contudo, apesar de Pirlo ter tentado organizar e colocar ideias no jogo da equipa de Conte, a Juventus não teve muito nexo no seu jogo e esteve longe de ser a equipa esclarecida e objectiva que é.

Ao invés da passividade da equipa de Conte, a equipa de Benitez tentava explorar todas as possibilidades: desde a subida dos laterais (Ghoulam não se fez rogado com a presença de Lichsteiner no seu flanco e subiu muito bem no flanco esquerdo; tem um cruzamento fantástico este internacional argelino) à inserção dos extremos ao 2º poste para aproveitar a subida dos laterais às habituais arrancadas de Insigne pela esquerda. O extremo acelerou o jogo quando quis e teve 3 ou 4 pormenores de classe, recebendo no meio-campo, acelerando, partindo em drible contra Cáceres, tirando 1, 2, 3 jogadores da Juve que se atravessavam no seu caminho. Contudo, o Napoli não conseguiu materializar este domínio na primeira meia hora de jogo.

Só aos 25″ da partida a Juve seria capaz de fazer o seu primeiro remate à baliza quando Pablo Osvaldo tentou trabalhar um 1×1 contra Raul Albiol na área napolitana, perdeu o duelo para o espanhol mas a bola foi parar aos pés de Stephen Lichsteiner que, rematou rasteiro para defesa fácil de Pepe Reina. O suiço foi o único jogador que tentou remar contra a maré napolitana no San Paolo.

O lance de Lichsteiner indiciava algum crescimento da Juve na partida. Sol de pouca dura. 3 minutos passaram para a equipa Napolitana colocar novamente à prova Gigi Buffon num lance em que Insigne trabalha o lance no flanco esquerdo perante a oposição de Cáceres, tenta colocar a bola no centro da área para a desmarcação de Higuaín. Insigne falhou o cruzamento e a bola sobrou para a entrada de Callejón no flanco direito. O espanhol atirou forte e Buffon respondeu com mais uma boa defesa ao remate do antigo jogador do Real Madrid.

Tudo perfeito para a equipa de Benitez. O jogador menos in da equipa napolitana estava a ser Jorginho. Não quero com isto dizer que o antigo jogador do Chievo, contratado em Janeiro tenha jogado mal porque não jogou. Simplesmente foi o jogador com menos destaque na equipa do madrileno Benitez ao falhar muitos passes e perder muitas bolas no meio-campo.

O cântaro tanto foi à fonte…

que inevitavelmente partiu. Aos 36″, o Napoli viria a inaugurar o marcador. Mais uma vez Insigne recebeu a bola na esquerda, colocou-a na área e José Maria Callejón aporoveitou a distracção do seu defensor directo (Kwadwo Asamoah) para inaugurar o marcador, limitando-se a empurrar para o fundo da baliza de um desamparado Buffon que nada pode fazer para travar o toque repentino do espanhol. Grande festa no San Paolo a coroar o 11º golo do espanhol na Serie A.

Até ao intervalo, perante uma exibição irrepreensível da dupla de centrais Napolitana, a Juve haveria de criar a sua melhor oportunidade na primeira parte com Pablo Osvaldo a tentar um pontapé de moinho na área a cruzamento de Stephen Lichsteiner na direita. Na última jogada do primeiro tempo, os jogadores Napolitanos ficaram a pedir grande penalidade num lance em que Chiellini estorvou Gonzalo Higuaín na área. O italiano não tem intenção de derrubar o argentino, limitando-se a estorvá-lo quando este se preparava para rematar à baliza de Gigi Buffon.

Ao intervalo, a vantagem Napolitana era mais que justificada pela atitude dominadora demonstrada nos primeiros 45 minutos.

2ª parte

Antevendo a hipótese da Juventus aparecer no 2º tempo com outra atitude, a equipa de Rafa Benitez começou o segundo tempo com uma circulação de bola lenta de forma a não deixar que os torinese pudessem aumentar o ritmo de jogo e quiçá encostar a defensiva napolitana às cordas. Rapidamente, Pirlo começou a tentar mexer a máquina da equipa de Turim e a equipa de Rafa Benitez foi, de forma inteligente, recuando no terreno, optando por lançar o seu fortíssimo contragolpe por intermédio do seu tridente ofensivo. Por várias vezes na segunda parte, Callejón, Higuaín e Insigne tiveram situações de 3×3 contra os 3 centrais da equipa de Antonio Conte.

Insatisfeito com a prestação de alguns jogadores, Conte tentou abanar a partida. Aos 52″ mexeu nas alas, retirando do terreno de jogo o ganês Asamoah (adversário da selecção Portuguesa no próximo mundial) para a entrada de Maurício Isla. A entrada do Chileno obrigou a uma troca nos flancos, passando Lichsteiner para o flanco esquerdo. Com esta alteração, Conte matou metade do parco perigo da equipa. O suiço não conseguiria ser tão forte no flanco esquerdo como o tinha sido na direita. Muito por culpa da leitura que Benitez fez da alteração, pedindo a Callejón que descesse mais para ajudar Henrique a defender o suiço. Este 3x5x2 da Juventus pode funcionar contra muita gente, até porque os mecanismos da equipa estão treinados para que Tevez caia muitas vezes nas alas e homens com Pogba, Giovinco ou Vidal apareçam por sua vez em zonas de finalização ao lado de Llorente, Vucinic ou Osvaldo. Contra o Napoli, uma equipa que joga com dois extremos muito subidos e bem co-adjuvados pelos laterais, pode-se dizer que os napolitanos estiveram sempre em vantagem nas alas, tanto ofensiva como defensivamente. A entrada de Isla segurou o ímpeto demonstrado por Ghoulam nas suas subidas no terreno mas retirou poder ofensivo à equipa. No miolo, tanto Vidal como Pogba estavam demasiado estáticos, tornando a missão de Inler demasiado fácil.

Aos 60″, não satisfeito com as alterações promovidas, Conte tentou mexer com a construção de jogo da equipa ao retirar Pogba para a entrada de Marchisio. A entrada do 8 da Juve em nada favoreceu a equipa. Poucos minutos depois, Conte mexeu na frente de ataque ao colocar Vucinic ao lado de Llorente em detrimento da saída de Osvaldo. Conte acabou por gastar em vão as 3 alterações. Ao não arriscar uma mudança táctica, não conseguiu realmente arriscar ao ponto de granjear objectividade no jogo da sua equipa. A Juve continuou uma equipa sem ideias na noite do San Paolo.

Numa altura em que a Juve tentava encostar o Napoli à sua área, Benitez decidiu refrescar a frente de ataque com a entrada de Pandev para o lugar de Higuaín. A ideia do treinador espanhol seria lançar a força do macedónio de forma a conseguir estender novamente a partida. O macedónio cumpriu o seu papel. Aos 77″ conseguiu ganhar uma bola a meio-campo e iniciar um contra-ataque, endossando a rasgar para a entrada de Hamsik pelo centro do terreno. O eslovaco, entalado por Chiellini e Lichsteiner podia ter avançado mais com a bola (faltaram-lhe pernas para se isolar) ao invés de ter tentado alvejar a baliza de Buffon de fora-da-área.

mertens

O eslovaco já tinha dado tudo o que tinha a dar na partida. Fantástica exibição do Moicano no San Paolo. Foi o dínamo da circulação de bola do Napoli, o estratega da equipa, o pensador de jogo. Com o seu passe curto, jogou e fez jogar. Com o seu passe longo quase sempre descobriu Ghoulam, Insigne ou Henrique nas alas.

Apercebendo-se do esgotamento físico do seu distribuidor de excelência, Benitez quis dar uma estocada no jogo com a entrada de Dries Mertens para o lugar do eslovaco. Ter este holandês no banco de suplentes é um crime para qualquer equipa. Mertens é efectivamente neste momento um dos melhores jogadores a promover acelerações de jogo no futebol mundial. Na primeira vez em que o antigo jogador do PSV teve a bola nos pés, aproveitou uma transição rápida promovida por Pandev para receber uma transversal da esquerda para a direita do macedónio, “comer de cebolada” Marchisio com uma fantástica contemporização seguida de simulação para enganar o italiano e atirar cruzado à baliza de Buffon que não pode fazer mais do que seguir a bola com os olhos. O Belga foi simplesmente espectacular no 1×1 ganho contra o centrocampista italiano. Com este lance matou claramente o jogo, garantindo os 3 pontos para a equipa napolitana.

O lance de Mertens mexeu com a cabecinha do pobre Chiellini. Na primeira oportunidade, o central da Squadra Azzurra perdeu a cabeça com o irrequieto holandês e numa disputa de bola junto à linha lateral mandou uma patada em cheio na cara do jogador azurro. Daniele Orsato tapou os olhos (o árbitro internacional italiano tentou ser pragmático durante toda a partida, deixando jogar quando as jogadas assim o permitiam, parando o jogo só em situações passíveis de sanção disciplinar) e perdoou a expulsão ao central italiano. Até ao final da partida, com 6 minutos de compensação dados por Orsato, tempo ainda para a fífia do costume de Arturo Vidal. O chileno tentou, como de resto é seu hábito, cavar a grande penalidade do costume. Orsato não foi na cantiga e mandou o chileno levantar-se.

Vitória justa da equipa de Benitez numa primeira parte diabólica na qual a equipa napolitana foi a única que fez pela vida para levar os 3 pontos. Na 2ª parte, o ritmo de jogo diminuiu e as duas equipas protagonizaram um futebol de péssima qualidade. Hamsik (pelo que jogou e fez jogar no primeiro tempo), Faouzi Ghoulam (pela assertividade com que defendeu Lichsteiner e pelo afoito com que subiu no flanco esquerdo com a presença do jogador mais perigoso da Juve no jogo no seu flanco), Lorenzo Insigne (mais um jogão do pequenino mágico de Napoli; fantástico a desequilíbrar ora pelo flanco esquerdo, ora pelo miolo quando foi lá buscar jogo e acelerá-lo através dos seus rapidíssimos dribles) e Dries Mertens (pelo fantástico trabalho individual realizado no lance do 2º golo dos visitados) foram para mim os homens do jogo. A Juve mostrou mais uma vez que é capaz do melhor e do pior. Os últimos jogos realizados (Genoa, os dois contra a Fiorentina) já previam que esta Juve parece estar a perder alguma forma física. A equipa parece demasiado estática, demasiado dependente dos lances individuais de Pirlo e do trabalho que Carlitos Tevez consegue fazer no último terço. Salvaram-se as excelentes performances de Gigi Buffon, Step Lichsteiner e Andrea Pirlo, este último a espaços na partida.

Iniesta a cagar classe #1

Ontem, foi um dia à Champions. Assistiram-se a dois belos jogos, a contrasensos de estilo de jogo. Num dos campos, um Manchester United a fazer uma das piores épocas de sempre a dar imensa luta ao Bayern de Pep Guardiola. Surpreendentemente, os Red Devils fizeram uma das melhores exibições da temporada e empataram 1-1. E na verdade, até tiveram as melhores oportunidades para o resultado ser a seu favor, na primeira parte.

No outro campo, assistiu-se ao Barcelona de metodologia híbrida entre os fundamentos de Guardiola e Tito Villanova e a objetividade individual e um-dois toques de Tata Martino frente à surpreendente equipa de Diego Simeone. Confesso que gostava de ter visto o jogo com mais atenção, apenas pude ver o resumo alargado. Era o que se esperava, uma equipa do Atletico Madrid a funcionar em bloco, super organizada, agressiva em todos os momentos do jogo, a sair em contra-ataque de uma forma pouco vulgar, mas que funciona na perfeição frente a um Barcelona a assumir os jogos e a controlar as incidências, mas que teria dificuldade em quebrar a muralha colchonera.

Muitos vão deixar o jogo a falar do golo de Diego Ribas (que golaço!), e que mete a eliminatória a favor do Atlético Madrid. Contudo, eu prefiro falar do passe do Iniesta. Se calhar isto será uma nova rubrica, um dia. Porque já estou cansado de ver este menino cagar classe…

F1 2014 #16

Aqui fica a conversa na corrida da Malásia entre Massa, a equipa técnica e Bottas. Parece que nunca ninguém estabeleceu uma posição certa sobre quem lidera, nem a própria Williams que pelo fim da conversa acabou por arrefecer os ânimos pedindo a ambos os pilotos para não se excederem e controlarem as temperaturas dos carros.

Tudo o que não era preciso era este problema nesta renovada Williams que tem este ano algumas hipóteses de uma boa época.