F1 – GP da China (previsão)

Depois dos primeiros testes intermédios da temporada no Bahrein, onde de resto se correu o último grande prémio, chega a hora da deslocação à Ásia, desta vez para o GP da China.

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Numa pista em que metade é acidentada e a outra metade é de velocidade, veremos como serão as lutas entre cada piloto e se serão estes capazes de apresentar espectáculo idêntico ao observado no Bahrein. De salientar que o recorde desta pista completa este ano 10 anos e pertence a Michael Schumacher, com um precioso tempo de 1:32:238. A dizer sobre a pista apenas que pode proporcionar bom espectáculo na zona mais acidentada e lenta, ou seja desde a curva 1 à curva 12, nesta extensão podemos ver duras batalhas protagonizadas por qualquer piloto, inclusivé entre os Mercedes como vimos no GP anterior. Quanto às zonas mais rápidas da pista, aqui o domínio deverá ser para os Mercedes que não deverão dar hipótese à concorrência. Há ainda a salientar a habitual “speed trap” que se encontra neste caso à entrada da recta da meta, sendo que à saída os pilotos encontram curva rápida e “chicane”.

Com estes ingredientes sabemos que há garantia para um bom espectáculo, resta saber se os pilotos, os carros e o tempo vão ajudar à festa para gáudio dos adeptos. E se dos pilotos já vimos que estão todos a trabalhar para dar o seu melhor (basta olhar aos excelentes desempenhos de Hulkenberg, Perez, Vergne, Ricciardo, Rosberg ou Hamilton), dos carros esperamos ver muito melhor depois dos testes intermédios realizados, esperam-se melhorias sobretudo nos Ferraris e nos McLaren que de resto deixaram a desejar nestas primeiras corridas. Por fim o tempo pode ser um factor determinante, já vimos na Malásia que a chuva afectou bastante as qualificações e na China voltamos a ver tempo incerto e hoje mesmo durante a qualificação a chuva abateu-se fortemente sobre o circuito de Shangai, pelo que se amanhã as condições se mantiverem podemos estar perante uma lotaria e uma corrida muito menos espectacular do que pode ser potencialmente.

Dos treinos livres podemos começar por falar das estreias dos pilotos de testes na primeira sessão. A Williams deu hipótese a Filipe Nasr de ir para a pista com o seu monolugar e o brasileiro até conseguiu fazer 13 voltas e um tempo de 1:42:265, que lhe valeu o 13º lugar da P1, logo abaixo deste ficou Giedo Van der Garde em Sauber, com um tempo de 1:42:615 e 16 voltas e que viria a superar mesmo o colega de equipa Esteban Gutierrez. Por fim, esta P1 ficou marcada pelos problemas que Raikkonen encontrou e que nem o deixaram completar uma volta, no sentido contrário o seu colega de equipa, Alonso, viria a ser o mais rápido da sessão com 1:39:783 e com 20 voltas realizadas.

Na P2 o número de voltas médio aumentou e claro os Mercedes começaram a instalar de novo o seu domínio (tipicamente as primeiras sessões de treino são mais leves e o destaque cabe às equipas de segunda linha, sendo que com o aproximar da Qualificação os carros em melhor forma aparecem no topo), Lewis Hamilton foi o mais rápido com 1:38:315 e 25 voltas, logo seguido de Alonso que se intrometeu entre os Mercedes, pois Rosberg viria logo em terceiro, seguido dos dois Red Bull, do Williams de Massa, do Ferrari de Raikkonen, do McLaren de Button e do Lotus de Grosjean. O mais decepcionante desta sessão foram mesmo os Force India que acabaram por aparecer em 11º e 15º da sessão, já Maldonado continua a sua saga de acidentes e despistes, o que lhe vai valendo más prestações nos treinos.

Na P3, numa sessão muito atribulada devido à chuva, viria mesmo a ser interrompida, não há muito a concluir, apenas que Hamilton, Rosberg, Alonso e Magnussen não cronometraram tempos e os restantes pilotos rodaram todos acima de 1:50.

Por fim a qualificação que viria também a ser afectada pela chuva, o mais rápido foi Hamilton, sem dar hipóteses a uma concorrência toda ela calculista para evitar males maiores, que conseguiu o melhor tempo em todas as mangas de qualificação. Logo seguido do Britânico apareceram os Red Bulls (Ricciardo em segundo), que parecem estar em crescendo e estão prontos para fazer algumas cócegas à Mercedes, pelo menos a Rosberg já conseguiram superar, até porque este revelou que o seu carro tem tido algumas desafinações ao nível de travões e suspensão o que fez com que numa qualificação perigosa ele próprio se mantivesse calculista o suficiente para não entrar em grandes exageros.

Hamilton

Na 5ª posição de partida aparece Alonso, logo seguido de ambos os Williams, o que pode querer dizer que na largada veremos Massa ou Bottas a tentar a sua sorte como nas anteriores partidas e a conseguir subir algumas posições. Em 8º lugar aparece Hulkenberg, mantendo a Force India em boa posição para pontuar e logo de seguida aparece o surpreendente Vergne, que apesar de já registar um abandono tem tido prestações interessantes.

Grosjean

A surpresa deste GP tem sido mesmo Grosjean que arrecadou o 10º lugar, logo à frente de Raikkonen e Button (estes têm estado bastante aquém das expectativas). Por fim aparecem Kvyat, Sutil, Magnussen, Perez, Gutierrez, Kobayashi, Bianchi, Ericsson e Chilton. Pastor Maldonado, o case study desta época vai partir do pit lane, uma vez que foi desclassificado da qualificação por ter causado vários distúrbios durante os treinos livres.

Por fim a explicação para o melhor andamento dos carros com motor Mercedes em relação aos carros com motor Renault foi descoberta esta semana, quando foram publicados dados técnicos relativos ao turbo de cada uma das marcas. No caso da Mercedes o facto de ter o turbo dividido em duas partes diferentes do motor acaba por assegurar uma melhor refrigeração e um menor volume dos chassis do carro, o que leva a melhor aerodinâmica e a mais capacidade de aceleração com menos aquecimento. Tal pode verificar-se nas seguintes imagens onde é mostrado o esquemático do motor Mercedes e o do motor Renault.

motor mercedes

motor renault

Esperemos que os novos testes ajudem na corrida de amanhã e que a chuva dê tréguas para termos uma boa corrida, até lá vamos mantendo os motores mornos!

 

Quo Vadis Ferrari?

Todos os desportos vivem dos resultados que se obtém na prática deles, todas as pessoas ligadas ao desporto, seja ele qual for, têm o seu tempo útil de ligação a uma dada equipa, consoante forem os seus resultados, ou os resultados que ajuda a obter, que o diga Stefano Domenicalli, o homem forte da Ferrari nos últimos 7 anos e que hoje colocou um ponto final na ligação com a scuderia, numa reunião com o patrão Luca Di Montezemolo.

O último dos engenheiros a ser campeão pela equipa foi precisamente este homem, com Kimi Raikkonen e Massa ao volante do monolugar inteiramente renovado que ele e a sua equipa construíram. Foi um ano de estreia em grande e depois disso uma travessia no deserto apoderou-se da Ferrari. Ano após ano o carro começava mal nas primeiras provas e pouco melhorava daí até meio, sendo que os melhores resultados apareciam sempre para o final, o que arredava completamente os pilotos da mais emblemática marca do grande circo, dos títulos de campeões e a própria scuderia não ganhava o mundial de construtores.

Com a chegada de Alonso e a saída de Raikkonen as expectativas mudaram, no entanto o espanhol nunca facilitou a vida ao italiano. Diz-se que o espanhol não acatava as ordens de Domenicalli, evitava o simulador, era contra as alterações propostas no carro e tentava sempre que possível queimar o engenheiro, no entanto este último sempre fez do espanhol a prioridade da equipa e sempre colocou a equipa a trabalhar em prol dos resultados de Alonso. Contudo os resultados não apareceram.

Sedenta de títulos, com uma época totalmente de lotaria devido às novas regras e com vontade de regressar ao passado, a Ferrari trouxe de volta o último campeão do mundo a pedido de várias pessoas, inclusivé do próprio engenheiro. A boa forma do Finlandês na Lotus e o facto de ser um piloto “sem escrúpulos”, que arrisca agradavam a todos, no entanto a mistura com Alonso parece ter-se tornado bombástica para o Italiano que acabou por ser alvo agora não só de Alonso, mas também de Raikkonen, que aliado aos resultados péssimos da equipa (lembro que no último GP ambos os Ferrari lutavam para estar nos últimos lugares pontuáveis), levou a que Domenicalli pedisse uma reunião com o patrão da Ferrari e apresentasse a sua demissão que foi prontamente aceite (ambos os pilotos fizeram pressão para que o carro fosse melhorado, ao que o italiano nada conseguiu fazer para corresponder).

O seu substituto já está em cima da mesa e é Marco Matiacci, homem que nunca esteve ligado à F1 e que até à pouco tempo era director da Ferrari no continente Norte-Americano. Não me parece ser a melhor escolha, dado a equipa estar já a 78 pontos da Mercedes e ser constantemente a 6ª equipa ao nível das corridas realizadas. Melhorias precisam-se e estas não parecem chegar com pessoas que nunca sequer estiveram ligadas ao mundo da F1. Esperemos que a bem deste desporto isto seja a melhor decisão que a Ferrari vai tomar em 7 anos…

Uefa Youth Champions League

A Uefa decidiu e bem que estava na altura de criar uma competição que preparasse os jovens para o futuro que encontrariam nas suas equipas principais, quando estivessem nas competições europeias. Depois de um grupo privado ter construído a NextGen Series (englobava apenas equipas por convite e apenas as consideradas academias de topo), a UEFA aproveitou as bases e lançou aquela que pode ser a competição junior mais bem sucedida de sempre ao nível de clubes.

De resto esta competição engloba as equipas juniores das equipas que se qualificam para a Liga dos Campeões e tem algumas regras interessantes, de modo a dar aos jovens talentos, a experiência e a preparação essencial para no futuro encararem as competições europeias com naturalidade e muito menos pressão. Entre essas regras destacam-se por exemplo o facto de os jogos serem agendados em função dos jogos da equipa principal e ambas as equipas terem de partilhar a mesma viagem e o mesmo hotel, o que só faz com que a pressão e o ambiente pré jogo da equipa principal, passe também para os miúdos e lhes dê outra bagagem futuramente. No entanto há mais regras interessantes, como por exemplo o facto de um jogador que seja usado três vezes na equipa principal, não possa voltar a jogar na equipa dos juniores, o que faz com que as equipas não sejam desequilibradas e não haja a possibilidade de colocar as “estrelas maiores” em jogos decisivos, tendo de haver uma gestão ponderada da equipa.

Esta competição desde cedo se mostrou bastante equilibrada, mesmo entre equipas teoricamente mais fracas, mas com qualidade de formação bastante boa, o que nivelou sempre os encontros desde a fase de grupos, ainda que por vezes se tenham verificado resultados bastante excessivos. Exemplos disso são por exemplo as equipas de Real Sociedad, ou Shaktar, que dominaram o seu grupo composto por Manchester United e Bayer Leverkusen, ou então o Compenhaga que conseguiu superar a Juventus e o Galatasaray, ficando apenas atrás de Real Madrid. Pode-se ainda destacar CSKA Moscovo e Austria Viena pela positiva e pela negativa apontar os casos de Bayern Munique, Ajax e Basileia de quem se esperava ver muito mais da sua formação. Em parte o caso do Ajax compreende-se pela sua equipa principal estar em renovação e a aposta este ano ter sido maioritariamente em jovens que estavam no último ano de júnior, o que acabou naturalmente por roubar jogadores à equipa jovem.

Logo desde esta fase de grupos, as equipas que viriam a acabar por encontrar-se hoje na final dominaram estrondosamente, de tal forma que Barcelona e Benfica foram os únicos além do Chelsea a conseguir acabar os respectivos grupos em primeiro lugar e com vantagem pontual de 7 e 8 pontos respectivamente sobre o segundo (Chelsea dominou totalmente com 6 vitórias em 6 jogos).

Passados da fase de grupos, as equipas começaram a fase a eliminar com os oitavos de final, aqui já cada uma ordenada conforme a sua qualificação nos grupos e em jogos apenas a uma mão (em caso de empate as regras definem marcação de penaltis para determinar o vencedor). Nesta fase e até à final o Barcelona encontrou o Compenhaga que facilmente arrumou com uns expressivos 4-1, o Arsenal que também ficou de lado com um estrondoso 4-2 e o Schalke 04 onde apenas venceu por 1-0 (este jogo realizado na Alemanha). Do outro lado o Benfica encontrou o Austria de Viena ao qual ganhou por 4-1, o Manchester City que ficou de fora depois do 2-1 em Inglaterra e o Real Madrid que viria a cair na meia-final por expressivos 4-0 na sua própria casa.

Chegados à final onde se encontraram duas das melhores equipas de todo o torneio, verificou-se um grande equilíbrio entre ambas as equipas, desde logo notou-se que o Benfica tinha muita garra e poderia bater os catalães, mas os miúdos de La Masia não se fizeram rogados e mostraram do que são feitos e o que aprendem numa das melhores academias do mundo no momento. Desde logo realçar que o modelo do Barça garante-lhe neste momento que assegure o seu futuro por algum tempo com jogadores a despontar como Munir El Haddadi, Marroquino e melhor marcador da competição com 11 golos (fechou o marcador da final no 3-0 com um golo de levantar qualquer adepto), Adama Traoré, Jordi Ortega ou Roger Riera. No entanto e sendo a sua unidade mais fraca o guarda-redes, que hoje era Andrei Onana, há que felicitá-lo pela sua exibição, impedindo por diversas vezes que o Benfica conseguisse chegar ao golo, com defesas praticamente impossíveis e muitas delas por instinto ou sorte.

El Haddadi

Do lado do Benfica muitas promessas, a melhor sem dúvida Gonçalo Guedes, o avançado que já vai dando nas vistas e aliciando alguns dos tubarões europeus, logo de seguida aparecem Raphael Guzzo e Estrela, todos eles jovens de valor e com potencial para ambicionar chegar à equipa principal.

G.Guedes

Sobre a final muito há a dizer. O Barça entrou forte, a agarrar no jogo, mas o Benfica remava contra isso, de tal forma que a primeira oportunidade coube mesmo aos miúdos da Luz, que acabaram por não concretizar. Pouco depois aos 9′ Rodrigo Tarin do Barça não se fez rogado e depois de uma defesa a dois tempos de Graça, aproveitou bem a bola ressaltada e acabou por marcar o primeiro do encontro. Depois desta situação, um penalty para o Benfica podia dar o empate e abanar o jogo completamente, mas chamado a marcar, Romário com um pontapé forte e colocado manda à barra desperdiçando assim a melhor oportunidade dos encarnados na primeira parte. Daí e até ao meio tempo apenas deu Barça, sendo que o Benfica teve uma ou duas oportunidades, mas foi o Barça pelo miúdo Marroquino que se voltou a adiantar no marcador depois de boa jogada com uma finalização sem hipóteses, onde a defesa dá muito espaço ao ataque dos blaugrana. Na segunda parte a história inverteu-se totalmente e o Benfica queria aparecer e dar a volta ao resultado. Oportunidades não faltaram, mas a inspiração do guarda redes camaronês do Barça, aliada à falta de sorte dos miúdos da Luz, ditou que até fossem eles mesmo a sofrer o golo que fechou o marcador e que contra toda a vontade e querer acabou por retirar a esperança da reviravolta.

primeiro golo

Venceu assim o Barcelona aquela que foi a primeira final desta competição que muito promete nos próximos tempos e que acaba por fazer com que os clubes que se apuram para a Champions se preocupem mais com a formação.champions

Como notas finais destacar o facto da dependência cada vez maior do jogador Africano nas camadas jovens de praticamente todos os clubes, muitos deles em situações algo duvidosas, especialmente relativamente à idade. Acontece em todos os clubes, inclusivé neste jogo pode ver-se 10 jogadores do continente africano em acção. Do lado do Barça, uma parceria entre Samuel Etoo e a academia de La Masia acaba por fazer entrar alguns camaroneses na cantera blaugrana, já do lado do Benfica, a forte ligação a Angola, Cabo Verde e Guiné acaba por fornecer grande parte dos jovens da formação, apesar de ser correcta e positiva esta inclusão de jovens, o facto de virem a tapar grande parte dos portugueses que os plantéis juniores têm acaba por reflectir as situações que muitas vezes se verificam nas equipas principais dos mesmos clubes.

Espera-se muito mais sucesso para esta competição e agora que o Barça defenda bem o título!

 

Da Champions #21

Jogo na Baviera, que opôs Bayern Munique de Guardiola, o campeão em título da Champions e o já renovado campeão da Bundesliga, ao Manchester United da Premier League. Na primeira mão em Old Trafford aconteceu o que não era esperado, o Bayern a jogar no estilo característico de Guardiola não conseguiu sair de Inglaterra com a vitória, apesar de ter dominado o jogo a seu bel prazer e reduziu-se a apenas um empate a uma bola. O golo fora era bom, mas não bastava para o que poderia ser uma revanche do Manchester na Baviera.

No entanto o jogo de hoje foi um jogo em tudo diferente. O Bayern entrou a acusar algum nervosismo, parecia que Guardiola teria pedido aos seus comandados para decidirem o jogo rapidamente e poderem relaxar depois, ou então entrou a acusar a pressão dos últimos resultados pós confirmação do campeonato (empatou a 3 com o Hertha e perdeu com o Augsburgo). Isto revelou-se sobretudo na atitude de alguns jogadores. Robben parecia querer decidir o jogo só por si e Dante foi acumulando alguns erros, chegando mesmo a permitir que Rooney chega-se com perigo à baliza de Neuer, no entanto o Inglês desperdiçou aquela que pode ter sido a oportunidade da primeira parte para ambos os lados.

Nas estatisticas e como é característica das equipas de Guardiola, o Bayern goleou de longe, desde os abismais 63% contra 37% da posse de bola às 14 bolas metidas na direcção da baliza contra as 4 do Manchester, simplesmente se viu Bayern, o problema é que quem ganha jogos não é a estatística, mas sim a eficácia e nisso o Manchester esteve por cima.

Que o diga Evra, que logo perto do reatar da partida conseguiu num estrondoso remate colocar os red devils em vantagem, depois de um grande trabalho de Valencia na direita, a passar por três jogadores do Bayern e a evitar que a bola saísse, este coloca a bola tensa para a entrada da área, sobre o lado esquerdo, onde apareceu Evra, que com um remate portentoso e cheio de colocação colocou a bola indefensável no fundo das redes. Nesta fase Moyes respirou de alívio, os próprios adeptos do Manchester pensaram que o jogo estaria bem encaminhado para um bom fim e que bastaria gerir o resultado, mas quem assim pensou caiu no erro, pois imediatamente na jogada seguinte Mandzukic apareceu na frente a finalizar de cabeça uma boa bola colocada por Ribery, após boa combinação com Lahm. Estava assim relançado o resultado, o jogo e a eliminatória. No entanto depois deste rude golpe, o Manchester claramente foi abaixo e pouco mais se viu, sendo que o Bayern aproveitou, meteu o pé no acelerador e só parou aos 3-1, fechando a eliminatória e conseguindo carimbar a passagem às meias com facilidade.

O segundo golo é conseguido por Muller depois de assistência de Robben e onde Vidic fica mal na fotografia (De Gea também não fica isento de culpas) uma vez que deixa Muller praticamente solto sem marcação e antecipa-se mal à bola, sendo que o Alemão apenas tem de empurrar para o fim da baliza. O último golo pertence a Robben, ele que tanto queria decidir o jogo na primeira parte e que na segunda explanou todo o seu perfume de futebol sobre a relva e conseguiu assistir e ainda vir a marcar, num golo em que finta 3 defesas do United, insiste, flecte para o meio e finaliza, colocando a bola rente ao poste, sem hipótese para De Gea (aqui sim se viu o Robben egoísta e individualista).

Se o Manchester e David Moyes tinham ganho o balão de oxigénio na primeira mão desta eliminatória e se achavam que a época ainda podia ser salva, apesar de dificilmente tal acontecer, agora essa ideia parte totalmente para fora da mente de qualquer um. Numa equipa em reconstrução e que está já a pensar mais na próxima época que na presente, já pouco se pode fazer, resta aos homens de Manchester fechar o livro, tomar como exemplo (mau) aquilo que se passou e melhorar bastante para o ano seguinte. O Manchester tem capacidade de reverter a situação, De Gea, Welbeck, Fletcher, Kagawa, Januzasj e mesmo Chicharito têm capacidade de fazer e dar muito mais, mas definitivamente este não foi o seu ano (talvez David Moyes não saiba potenciar todo o seu talento).

Do lado do Bayern, Pep Guardiola é um homem feliz, está nas meias finais da Champions, tem já o campeonato arrumado, tem uma equipa que se pode dar ao luxo de montar um meio campo com Gotze, Muller, Kroos, Robben e Ribery, que dificilmente são jogadores que no seu conjunto perderão para qualquer meio campo de outra equipa. Neste momento é uma incógnita, porque nas meias-finais estarão equipas bastante fortes, mas este Bayern pode ter aqui palavra mais forte a dizer sobre uma eventual repetição do que se viu na final do ano passado.

 

F1 – GP Bahrein

Final de tarde/início de noite no Bahrein, circuito de El Sahkir com os holofotes a aquecer e o ronronar esquisito dos novos monolugares a fazer-se sentir ao longe e eis que está assim alinhado o início da terceira prova do calendário da F1.

Um circuito rápido e que faz prever espectáculo é tudo o que se quer para prender qualquer amante da F1 ao televisor e se os primeiros dois GP’s foram algo desoladores este trouxe melhores e mais emocionantes lutas por um lugar na grelha final. Uma pista com três sectores, dos quais dois são passíveis de se fazer em velocidade e onde as curvas rápidas predominam em contraste com as curvas lentas (apenas 4), uma pequena “speed trap” no final da recta da meta e duas zonas de DRS (na recta da meta e na recta paralela a esta) compõe esta pista onde a volta mais rápida prevalece no nome de Pedro de la Rosa e data de 2005, na altura com um McLaren-Mercedes e uma volta em 1:31:447s.

Capturar

A qualificação ordenou que os Mercedes partissem da primeira linha, como já vem sendo hábito, apenas alternando entre Hamilton e Rosberg estes lugares (desta vez coube a Rosberg o primeiro), sendo que a surpresa apareceu logo na segunda linha, onde se alinharam Bottas e Perez (Ricciardo havia-se qualificado em terceiro, mas uma penalização relativa a uma partida das boxes fora de segurança no último GP valeu-lhe uma penalização de 10 lugares e consequente largada do 13º posto). Da 3ª linha partiram respectivamente Raikkonen, que fez uma qualificação de melhor nível que ambas as anteriores e Button, respectivamente em 5º e 6º, logo seguidos de Massa e Magnussen nas posições 7 e 8. A defraudar as expectativas apareceram Alonso e Vettel, em 9º e 10º lugar da partida, o que vem confirmar que a RedBull ainda não encontrou o seu melhor carro e que a Ferrari ao contrário das expectativas continua a começar mal as épocas, com um carro que não chega para se bater com Force India ou até mesmo Williams. Em 11º e 12º partiram Hulkenberg (viria a ser a surpresa do dia) e Kvyatt (o rookie que tem dado que falar). Jean Eric Vergne desta vez não conseguiu melhor que uma 14ª posição e na cauda da grelha os piores carros do início de época, onde se contabilizam Gutierrez, Grosjean, Maldonado, Kobayashi, Bianchi, Ericsson, Chilton e Sutil (com uma penalização de 5 lugares por ter forçado Grosjean a uma saída de pista durante a qualificação).

À partida para a corrida, todos os pilotos escolheram partir com pneus macios, à excepção de Vettel e Sutil, que optaram pelos pneus médios, prevendo-se assim que fossem parar mais tarde que os restantes, tentando com isso beneficiar da subida de alguns lugares na grelha durante a corrida. A estratégia das equipas passaria por três paragens, ou num panorama mais risório, apenas duas.

Dada a partida, a corrida começou logo com um interessante duelo entre os Mercedes, Hamilton não se contentou em partir do segundo posto e logo vendeu caro o primeiro lugar obtido na qualificação por Rosberg, de tal forma que na saída da recta da meta, já os dois Mercedes tinham aberto um fosso para os restantes carros e Hamilton acabou por sair vencedor do duelo que se prolongou até à saída da zona de “speed trap”. Bottas por sua vez perdia 3 lugares, descendo para sexto, ao passo que Massa conseguia subir para o lugar do companheiro de equipa, depois de um arranque brilhante, onde conseguiu passar parte dos seus opositores através da passagem pelo meio da pista. Raikkonen também viria a perder lugares descendo à 9ª posição logo atrás do seu companheiro de equipa, isto depois de ter sofrido um toque no seu carro, logo na partida por parte de Magnussen.

Da corrida viu-se finalmente espectáculo, desde os despiques entre os Mercedes, Hamilton atacou logo na partida o seu colega Rosberg, ganhando posição e pelo meio da corrida, Rosberg retaliou, chegando inclusivé a passar à frente do britânico, mas apenas por breves instantes, passando pelas lutas a três entre Hulkenberg, Alonso, Bottas, ou Button e Raikkonen, passando pelo elevado andamento de Ricciardo em comparação com o colega de equipa e tetracampeão Vettel (chegou a queixar-se de problemas no seu DRS e foi obrigado a deixar o australiano ultrapassar), passando ainda pela agressividade de Perez e pela regularidade bastante acima da média de Hulkenberg, ou pelo arriscar típico de novato de Magnussen, todos os ingredientes se conjugaram para uma óptima corrida.

O caso pior aconteceu entre Maldonado e Gutierrez, na volta 41 quando o Venezuelano simplesmente abalroou o Mexicano, que viu o seu carro capotar, naquelas que foram as imagens mais impressionantes desta corrida. De resto esse episódio valeu uma penalização a Maldonado de 3 pontos na sua super licensa e ainda uma penalização a averiguar no próximo GP.

De resto deixo as imagens que são espantosas e deixam qualquer um a pensar na sorte que Gutierrez terá tido de sair ileso.

Depois disto o Safety Car manteve-se em pista até à volta 47, ou seja libertou as últimas 10 voltas para se discutirem os lugares finais.

Por fim a classificação ficou ordenada com Hamilton, Rosberg e Perez, os dois primeiros simplesmente não deram hipóteses nem espaço à discussão para os restantes, sendo que os gaps criados eram sempre enormes para quem vinha atrás (acima dos 15 segundos), o que me leva a relembrar fenómenos semelhantes conseguidos pelas equipas de Ross Brawn, quando por exemplo levou a Brawn GP a ser campeã com Button. De certa forma parece que este senhor tem o talento de colocar as equipas em que pega a correr bem e bem mais que as restantes.

Logo atrás apareceram Ricciardo, Hulkenberg e Vettel e se o primeiro destes andou sempre uns furos acima, o segundo também não se fez rogado e mesmo com o seu Force India foi dando luta, foi servindo de tampão a Vettel (já o fez com Alonso no passado) e vai acumulando pontos fulcrais quer para a equipa, quer para si próprio, fazendo subir as cotações de um e outro. Já a RedBull e o campeão do mundo, vêm a subir de forma, mas ainda se encontram longe do melhor que podem fazer.

Massa, Bottas, Alonso e Raikkonen acabaram praticamente equiparados e muito próximos em termos de tempo entre cada um, o que demonstra bem que os carrosde Williams e Ferrari estão próximos um do outro, ainda assim os Williams têm conseguido mostrar mais andamento.

Dos que acabaram no fim da tabela destaque para Max Chilton. Apesar de ser dos pilotos mais lentos e dos que costuma ficar sempre no último lugar, mostra uma regularidade incrível e não me lembro de o ter visto falhar a conclusão de um GP desde que entrou no Circuito. Pode ser mau, pode ter um mau carro, no entanto esforça-se e tem conseguido marcas menores, mas relevantes para a sua história particular.

Dos que não concluíram destaque para ambos os McLaren que foram forçados a desistir por problemas na embraiagem e caixa de velocidades.

Espera-se agora ver o que acontecerá na China, entretanto por estes dias ocorrem os primeiros testes “in-season” da época, precisamente no Bahrein, veremos se as equipas se mostrarão depois disso em melhor forma ou se tudo se manterá ao mesmo nível.

Curiosidades da Champions

José Mourinho continua a acumular recordes ao seu currículo e à lista dos recordes portugueses (lembro que Ronaldo já igualou o recorde de golos marcados numa época com 14 golos, a primeira marca pertence a Messi, na época 2011/2012) com a passagem às meias-finais da Champions, o que mantém o treinador português 100 por cento vitorioso no que diz respeito a trajectos nesta competição até aos quartos de final (passagem de eliminatórias), sendo esta a oitava vez que Mourinho carimba a passagem para as meias da competição.

Curiosidade é o facto de no jogo de ontem terem sido dois substitutos aos habituais titulares a decidirem o jogo (Schurrle e Demba Ba), o que motiva ainda outra curiosidade pois é a primeira vez esta época que dois suplentes marcam e decidem um jogo.

Digam o que disserem, eu próprio já tinha crucificado o Chelsea nesta eliminatória e nunca pensei que viesse a dar a volta, no entanto a vitalidade do golo marcado em Paris e o discurso correcto e motivacional de Mou ao longo da semana fez com que a história se escrevesse de outra forma.

Por outro lado, em Espanha o Real também quebra recordes e ontem viu-lhe ser atribuída a passagem à sua 30ª meia-final europeia, no entanto e por ter perdido o jogo por 2-0 com o Dortmund, ficou arredado da sua série de 34 jogos consecutivos a marcar.

F1 2014 #16

Aqui fica a conversa na corrida da Malásia entre Massa, a equipa técnica e Bottas. Parece que nunca ninguém estabeleceu uma posição certa sobre quem lidera, nem a própria Williams que pelo fim da conversa acabou por arrefecer os ânimos pedindo a ambos os pilotos para não se excederem e controlarem as temperaturas dos carros.

Tudo o que não era preciso era este problema nesta renovada Williams que tem este ano algumas hipóteses de uma boa época.

F1 2014 #15

É com enorme orgulho que assisti à breves instantes à notícia de que o grupo musical Corna Lusa (música Celta), grupo do distrito de Coimbra, que já vi actuar pelas ruas dessa cidade, recebeu um convite para ir tocar ao GP do Bahrein.

O ano passado foram os pauliteiros de Miranda que tiveram tal sorte. É sinal que ainda há gente atenta à cultura portuguesa.

F1 – GP Malásia

Segunda corrida da época, quinze dias depois da primeira, carros cada vez mais aprumados e pilotos cada vez mais habituados ao novo modelo da F1. A pista prometia espectáculo, as condições atmosféricas prometiam chuva e trovoada, mas felizmente tal não se verificou, ficando-se o tempo apenas pela humidade, temperatura alta e pouco mais.

No paddock assistiu-se a um habitual desfile de estrelas, desde o actor da série Sherlock Holmes, Benedict Cumberbatch, passando por Travis Pastrana, conhecido desportista na área dos desportos motorizados, Giacomo Agostini, grande campeão na área das duas rodas e ainda Michel Salgado, ex jogador do Real Madrid ou Emerson Fittipaldi. Cada vez mais se nota que a F1 vive também disto, da publicidade feita pela imagem de pessoas importantes que vão aparecendo corrida após corrida e que permite levar imagens a serem partilhadas pelo mundo fora.

Sobre a grelha de partida pouco a salientar e já tinha sido analisada aqui. De notar que Valteri Bottas sofreu uma penalização de 3 lugares (partiu de 18º) pois na qualificação impediu deliberadamente a passagem de outro piloto, forçando-o a rodar atrás do seu  carro e dadas as condições da pista na altura (completamente alagada) acabou por condicionar a qualificação. Também Sergio Perez que partiu de 14º foi bastante penalizado, mas este por problemas técnicos, uma vez que não conseguiu sequer completar uma volta devido a problemas na caixa de velocidades.

partida

Corrida lançada e logo à 7ª volta a Lotus continuou a sua senda de azar e Maldonado foi forçado a abandonar devido a problemas no seu motor (lembro que já na qualificação se tinha deparado com problemas de sobreaquecimento). Logo na volta seguinte foi a vez de Jules Bianchi em Marussia ser forçado a retirar-se devido a danos no carro causados por um embate com Maldonado na volta anterior.

acidente maldonado jules

Os azares dos pilotos não terminaram aqui e na 18ª volta foi a vez de Jean-Eric Vergne, que tem vindo a realizar um excelente início de temporada (tal como a Toro Rosso), desistir devido a problemas no seu turbo que também se encontrava em sobreaquecimento e com possibilidades de causar danos maiores ao carro e motor. Os dois últimos a retirarem-se e estes já na segunda metade da corrida, foram ambos os pilotos da Sauber, quer Sutil, quer Gutierrez tiveram problemas no motor e na caixa de velocidades respectivamente, sendo que Sutil chegou a ficar parado no meio da pista, na entrada da recta da meta.

Sutil

O último dos desistentes e já na fase final da corrida foi Ricciardo, este por azares consecutivos, desde ter ido às boxes e ter saído com um pneu mal apertado (o que de resto já lhe valeu uma penalização de 10 lugares na grelha de partida do próximo GP), como de seguida ter quebrado a lateral da asa frontal e ter sido forçado a regressar às boxes, acumulando assim 5 paragens (numa estratégia de corrida de 2 ou 3 paragens) o australiano e a equipa foram forçados a retirar-se à 49ª volta. Isto acabou por hipotecar de certa forma a estratégia da RedBull que poderia ter feito P3 e P5 dado o desenrolar da corrida e assim acabou por sair com as expectativas furadas.

Ricciardo2

Ricciardo

Quanto aos pilotos que acabaram a corrida, Kobayashi, Ericsson e Chilton acabaram por beneficiar das desistências subindo a 13º, 14º e 15º respectivamente (partiram todos do final da grelha), mas há que notar que Kobayashi lutou e andou sempre bastante bem, chegando diversas vezes a estar no top 10, mas não tendo carro para tanto, claro que naturalmente foi recuando para as posições do fim.

Magnussen, Kvyatt, Grosjean e Raikkonen foram os pilotos que se posicionaram logo de seguida, respectivamente entre a 9ª e a 12ª posição, sendo que todos foram dobrados pelos pilotos da frente. De resto as únicas notas negativas aqui vão para Magnussen e Raikkonen que com os carros que têm deviam fazer mais, especialmente Raikkonen que até partiu de uma boa 6ª posição e acabou por descer 6 lugares, realizando das piores corridas pela sua parte. Já Kvyatt tem sido uma agradável surpresa e mais uma vez manteve o nível (o carro também ajuda) e conseguiu mais uma 10ª posição. Grosjean acabou por fazer o melhor da Lotus esta temporada, sendo que é a primeira corrida que a equipa acaba e a primeira vez que consegue colocar o carro a rodar durante uma corrida inteira.

Em 7º e 8º aparecem ambos os Williams, com Massa e Bottas. Caricato que, Massa ainda não se livrou da célebre mensagem “Bottas is faster than you” (antes era Alonso) e recebeu ordens para deixar passar o Finlandês que tinha os pneus menos desgastados e poderia ainda ir à luta com Button, no entanto Massa não acatou as ordens e não deixou que Bottas passa-se, forçando sempre a que se o finlandês quisesse passar tivesse de se esforçar.

Massa bottas

No fim justificou-se dizendo que ambos estavam a lutar para a melhor posição possível e que ele próprio (Massa) estava a tentar o tudo por tudo para alcançar Button (chegou a dar luta ainda sem ser realmente efectivo), mas sem resultados, pelo que achava que Bottas também não conseguiria. Já Bottas não se revelou chateado e apenas disse que Massa fez o que achou correcto. Por um lado Massa quer liderar a Williams, por outro tentou demonstrar que não quer ser submisso durante mais uma época e veremos se tal não lhe pode sair caro em breve…

Massa button

Em 4º, 5º e 6º apareceram Alonso, Hulkenberg e Button. Se o primeiro correu como pode e teve de suar para passar Hulkenberg, o último destes três correu sempre a alguma distância, só conseguindo chegar perto já na parte final (muito em parte pelo racionamento dos outros com o combustível). No entanto a nota positiva vai claramente para o alemão. Tem sido o melhor dos pilotos “menos cotados” e tem dado à Force India alguma consistência neste novo começo. Andou sempre à frente de Alonso, até que o espanhol arriscou e lá o ultrapassou numa dura batalha já perto das últimas 10 voltas. De resto tanto o alemão como o inglês fizeram uma corrida em que recuperaram lugares em relação à partida.

Alonso vs hulk

Por fim, o pódio, encabeçado por Hamilton e Rosberg e fechado com Vettel. Não há quem bata estes Mercedes neste início de temporada (excepto os problemas técnicos) e felizmente a RedBull e Vettel mostram que estão de volta e que o trabalho está a ser feito (o único ponto de anotação é mesmo o andamento, o alemão acabou a 27 segundos do primeiro lugar).

pódio

 

Hamilton conseguiu assim a primeira vitória da época e chegar-se à frente (além da volta mais rápida na corrida) e Rosberg mantém-se como líder durante mais uma semana, sendo que nos construtores a Mercedes já vai cavando um fosso e dificilmente será batida a menos que muita coisa mude nos próximos tempos…

Hamilton

F1 2014 #14

Chegou o segundo GP da temporada de F1, desta vez na Malásia onde o calor se fez sentir nos primeiros dias, com temperaturas acima de 30 graus e onde hoje antes da qualificação imperou a chuva, chuva forte que até fez com que a mesma qualificação tivesse de ser adiada até ao limite possível (apesar de as condições não serem as mínimas exigidas a qualificação teve de ser feita) devido ao alongar das horas e ao facto de o fuso horário da Malásia ser de 8h de diferença, o que faria com que mais adiamentos levasse a uma entrada em horário nocturno, o que levaria a falta de iluminação.

Enquanto que nos treinos dos primeiros dias já se viram bastantes melhorias ao nível dos RedBull e já se viu que as coisas se começavam a equilibrar para todos, nesta qualificação o factor chuva foi bastante determinante e influenciou de tal forma negativamente a prestação de cada um que a maioria dos tempos foram de 2 minutos por volta, numa pista em que se consegue rodar em média 20 segundos abaixo dessa marca.

A nota principal destes dias vai desta vez para o problema que já tinha surgido em Melbourne e que aqui se voltou a verificar relativamente à perda de controlo dos monolugares em curvas que podem ser feitas com alguma velocidade. A maioria dos carros é bastante instável quer por causa dos pneus, quer por causa dos chassis mais curtos e das suspensões que ainda não estão totalmente adaptadas. Em Melbourne este problema valeu algumas ultrapassagens que não estavam nos planos e beneficiaram sempre os corredores menos agressivos e durante estes dias voltaram-se a verificar especialmente nos treinos em que foram usados pneus duros, já na qualificação o problema foi mesmo a forte chuva e a muita água presente em pista.

Só para terem uma ideia da qualidade da pista fica o vídeo da volta que deu a pole a Hamilton.

Quanto à corrida de amanhã de manhã espera-se bem melhor que o que se passou até aqui. A pista mais uma vez promete espectáculo e apenas a chuva pode contribuir para um mau espectáculo.

Capturar

Com duas rectas a prometer muito espectáculo, várias curvas rápidas (a 3, a 5 e a 13), com a chicane à saída da recta da meta e com várias curvas mais lentas promete-se ver muito e espera-se que pelo menos façam valer o espectáculo já que pelo som dos motores este espectáculo ficou bastante afectado!

Quanto à qualificação a ordenação da grelha de partida será a seguinte:

1.ª linha:
Lewis Hamilton (GBR/Mercedes)
Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault)

2.*ª linha:
Nico Rosberg (ALE/Mercedes)
Fernando Alonso (ESP/Ferrari)

3.ª linha:
Daniel Ricciardo (AUS/Red Bull-Renault)
Kimi Räikkönen (FIN/Ferrari)

4.ª linha:
Nico Hülkenberg (ALE/Force India-Mercedes)
Kevin Magnussen (DIN/McLaren-Mercedes)

5.ª linha:
Jean-Eric Vergne (FRA/Toro Rosso-Renault)
Jenson Button (GBR/McLaren-Mercedes)

6.ª linha:
Daniil Kvyat (RUS/Toro Rosso-Renault)
Esteban Gutiérrez (MEX/Sauber-Ferrari)

7.ª linha:
Felipe Massa (BRA/Williams-Mercedes)
Sergio Pérez (MEX/Force India-Mercedes)

8.ª linha:
Valtteri Bottas (FIN/Williams-Mercedes)
Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault)

9.ª linha:
Pastor Maldonado (VEN/Lotus-Renault)
Adrian Sutil (ALE/Sauber-Ferrari)

10.ª linha:
Jules Bianchi (FRA/Marussia-Ferrari)
Kamui Kobayashi (JAP/Caterham-Renault)

11.ª linha:
Max Chilton (GBR/Marussia-Ferrari)
Marcus Ericsson (SUE/Caterham-Renault)

F1 2014 #11

Depois de se ter corrido o GP da Austrália a crise na fórmula rainha do desporto automóvel acentuou-se, sendo que várias vozes se fizeram ouvir durante a última semana, desde adeptos, a engenheiros e líderes das equipas, pilotos, culminando recentemente com as declarações da FIA sobre as alterações regulamentares para a nova época.

Jean Todt, delegado da FIA veio falar sobre isto e comentou que devido às queixas dos fãs relativamente à falta do barulho característico dos motores da F1, “se todas as equipas estiverem de acordo encontrarão uma forma de tornar o carro mais barulhento” de forma a não retirar a adrenalina causada pela audição do tradicional rosnar de velocidade dos monolugares.

Ainda sobre as alterações, mais especificamente sobre o facto de o limite de combustível ter passado de 150 kg para 100 kg, Jean Todt afirmou que “É preciso calma antes de reagir. O limite de combustível que existe, 100 kg, foi proposto pelas equipas. Por mim não há problema”.

Paira assim no ar a possibilidade de existirem algumas mudanças, se bem que não venham afectar de todo o regulamento em vigor, serão apenas mudanças “estéticas”.

Entretanto e ainda sobre a desqualificação de Ricciardo, a RedBull pediu à FIA para ser ouvida em Abril (por volta de 14 de Abril, no GP da China), pois considera que há inconsistências nos resultados do medidor de fluxo de combustível da FIA e da equipa, inconsistências essas que ocorreram durante todo o fim-de-semana em Melbourne e que imediatamente a RedBull quis protestar, mas não lhe foi acedido.

Por fim e sobre os carros que na corrida ficaram em primeiro e segundo lugares (mas não oficialmente) deixo aqui um vídeo que ilustra e compara as principais mudanças deles do ano passado para este ano e a sua comparação.

Eternamente #1

Ayrton_Senna_9_-_Cropped

Faria hoje 54 anos se fosse vivo Ayrton Senna. Ninguém por esse mundo fora se esquece daquele que foi talvez o melhor de todos os tempos que passou pela F1 e que sucumbiu a fazer aquilo que mais amava. A ser audaz, a ser arriscado e a querer dar o máximo. Como pessoa humilde e boa que era, toda a gente se lembra deste homem, mesmo tendo partido à 20 anos atrás. Faz-se assim aqui a justa homenagem ao dia do aniversário de Ayrton Senna, o campeão dos campeões, o homem que não lhe chegava ganhar para ficar contente, pois queria ganhar sempre mais!

“O importante é ganhar. Tudo e sempre. Essa história de que o importante é competir não passa de pura demagogia”. – Ayrton Senna

Sporting x Porto (pós-jogo)

Foram precisos precisamente 5 dias, até hoje para conseguir assimilar tudo o que se tinha passado no clássico de Domingo e para conseguir substituir isso por esta breve análise ao jogo.

Desde logo o clássico começou a ser jogado com quase uma semana de antecedência, quando no dia 9 de Março o Sporting entra em protesto contra a arbitragem que se fez sentir nos jogos recentes (quer nos seus jogos, quer nos restantes). Imediatamente os inteligentes senhores que mandam no nosso futebol apercebem-se deste que pode ser um grande problema futuro (a somar aos que já há sobre a Liga de Clubes e por aí fora) e começam imediatamente a tentar tapar brechas, nomeando Olegário Benquerença para o jogo de Alvalade contra os campeões nacionais. No entanto imediatamente no dia seguinte, a 12 de Março, Benquerença pede dispensa deste jogo e para o seu lugar surge a nomeação do melhor árbitro português da actualidade, Pedro Proença. Quanto a mim nada contra esta segunda nomeação, tinha bastantes mais restrições sobre a primeira, mas ainda assim aceitava-a de bom grado (pior seria ter Bruno Paixão por exemplo), no entanto ocorre-me dizer que tentaram brincar com o Sporting e o que aconteceu foi que a revolta instalou-se tal qual como à 14/15 anos se instalou quando Dias da Cunha trabalhou e se esforçou por denunciar o sistema.

Depois dessa jogada da comissão de arbitragem da Liga começou a conversa dos jornais, os focos viraram-se para o lado do Sporting, em especial Bruno de Carvalho, o presidente que fala (às vezes de mais), que é sportinguista (às vezes de mais) e que pressionou como pode a comunicação social e a instituição do FCP, foi de estranhar isso sim, o silêncio demonstrado pelos senhores que mandam no futebol dos azuis e brancos, algo que é raro de se ver e que demonstra bem o estado em que se encontra a orientação e autoridade do campeão nacional.

Do jogo propriamente dito há por começar a falar das constituições das equipas. Leonardo Jardim voltou a apostar em Slimani e o Argelino tosco mais uma vez foi o homem que decidiu um jogo a favor do Sporting. À conta dele o Sporting já leva pelo menos 5 golos que foram decisivos para trazer 3 pontos na mala (num total de 7 golos) e consegue assim motivar um dos maiores activos que vinha saindo do banco e resolvendo quase sempre que era preciso. Apesar de sentar Montero que leva mais do dobro dos golos, o Argelino mostra-se imune à pressão. Tem os seus falhanços clamorosos, é verdade, é mau de pés, é verdade, mas ganha na raça, dá altura e corpo ao ataque, vai ao choque, luta que nem um leão e é esforçado. Assemelho-o um pouco ao que o rival da 2ª circular passou com Cardozo, não amado por muitos, ídolo de outros adeptos encarnados, tudo porque são jogadores menos técnicos, mas no entanto letais. O que leva no entanto Leonardo Jardim a apostar forte em Slimani, além do seu bom momento de forma face à baixa prestação de Montero é essencialmente o jogo directo, a bola pelo ar directa para o homem da frente, que permite assim desafogar jogo a meio campo, sobretudo exige menos na construção, apesar de mau futebol apresentado, esta opção tem sido eficaz e espera-se que vá dando frutos, mas que também não seja usada em demasia, pois os adeptos além de vitórias gostam de ver futebol, bom futebol.

Outra novidade a inclusão de Dier que substituiu o castigado Maurício, mais uma vez o Inglês não desapontou, jogou o que sabe, foi duro como tem que ser, não vacilou perante Jackson, Varela ou Quaresma e tem uma grande vantagem em relação aos centrais habitualmente titulares, tem pés para sair a jogar bem, tanto o tem que foi fácil vê-lo por várias vezes a subir no terreno, a chegar até ao meio campo e distribuir jogo, ou a aproveitar alguma falta de posicionamento dos laterais e a levar o jogo até ao último terço. Chegou a ter uma boa oportunidade de golo quando cobrou bastante bem um livre directo, que apesar de sair fora dos limites da baliza (não saiu a mais de 2 metros do poste), foi bastante bem executado e que mostra que apesar de o Sporting pouco marcar de bolas paradas tem opções válidas para o fazer.

Do lado do Porto a maior surpresa foi a inclusão de Abdoulaye no lugar do lesionado Maicon. Apenas como opções substitutas haviam Reyes e Abdoulaye, pelo que o treinador se decidiu a usar o central que foi chamado do empréstimo ao Vitória de Guimarães em Janeiro, no entanto esta pode ter sido uma má escolha e mesmo uma escolha que acabou por decidir o jogo, pois o jovem central mostra sempre bastante falta de cabeça, concentração e de inteligência a jogar, no caso do jogo acabou por simplesmente largar Slimani sozinho no meio da área portista quando o argelino fez o golo que decidiu a partida e ainda cometeu mais uma mão cheia de erros pelo jogo fora.

O filme do jogo foi até interessante. Na primeira parte o jogo dividiu-se bastante, mas o Porto apenas colocava perigo quando Quaresma assumia a batuta, ainda criaram uma mão cheia de oportunidades, uma de Quaresma à trave, outra de Quaresma por cima, uma de Jackson (um cabeceamento perigoso do Colombiano ao lado), uma boa defesa de Patrício também a remate de Quaresma e pouco mais. Já o Sporting conseguia colocar o jogo sobre o meio campo do Porto, ia explorando as alas como conseguia (Alex Sandro esteve especialmente mal neste jogo) e criou alguns lances de perigo, sem dominar o jogo. Na segunda parte a história sorriu aos de Alvalade, que acabaram por chegar ao golo num lance bastante polémico, mas que acabou por valer os 3 pontos. Nesta segunda metade o Porto pareceu sempre bastante mais desinspirado e sem vontade de querer partir para cima e ganhar, ainda para dificultar mais as coisas viria a sofrer grande revés aquando da saída de Hélton lesionado (rasgou o tendão de aquiles, prevendo-se uma longa paragem e possivelmente o fim deste guarda-redes histórico dos dragões) e mais ainda sofreu quando viu Fernando ser expulso depois de uma picardia com Fredy Montero que arrancou o vermelho ao polvo por agressão deste.

No final do jogo o sinal mais foi para a equipa do Sporting que se mostrou pela primeira vez este ano a entrar num clássico como uma equipa grande, sem medo e com vontade de ganhar, no entanto não lhe foi dado o destaque suficiente, pois no final apenas se ouviu falar de arbitragem, pressão dos dirigentes,… coisas que em nada beneficiam o futebol, nem o facto de Heltón ter saído de maca a chorar sobre uma enorme ovação de todo o Alvalade XXI (apesar das circunstâncias foi um momento lindo), quase nenhum destaque foi dado a isto.

Os dias que se seguiram foram ainda mais quentes ou tão quentes quanto os momentos vividos no pré e durante jogo. Dia após dia ouviram-se comentários e emitiram-se comunicados de ambos os dirigentes das duas instituições, sendo que uns vinham retaliar e apimentar ainda mais o lançado anteriormente pelo opositor. Continua assim mais uma novela no nosso futebol português que ultimamente tem vivido casos dignos de filme, ou de novela brasileira. Espera-se sinceramente que muito em breve se comece a fazer ou um campeonato mais digno, ou então que se suspenda o futebol nacional por tempo indeterminado, até limpar a corja que nele se instalou.

F1 – GP da Austrália

O primeiro grande prémio da época da F1 era já ansiado pelos amantes da modalidade à alguns meses, especialmente pelas alterações que a classe mais prestigiada do desporto motorizado sofreu para esta época, esta era uma data que estava nas agendas de todos os mais assíduos acompanhantes e torcedores. O facto de este ano a atenção e tempos de antena dados aos preparativos para a nova época ter sido bastante mais alargada, muito em facto das mudanças técnicas e com o soar do alarme para algumas equipas da frente (especialmente as de motor Renault), tornaram ainda mais ansiosa a espera de cada um para este fim de semana caótico, onde muitos têm de fazer o esforço de seguir por horas impróprias aquilo que se vai passando no outro lado do globo, devido ao fuso horário. Posto isto e porque antes já foi aqui escrutinado a fundo quer as alterações técnicas, quer a pré época, passemos directamente à análise daquilo que foi o fim de semana desde os treinos até ao final da corrida, o que nos deixa já bastante sobre o que debruçar.

GP Austrália

Sobre a pista, muito pouco a assinalar. Uma pista rápida, com uma configuração que permitia alguns excessos em determinados pontos, sendo os casos mais críticos na entrada para a recta da meta, com um gancho mais complicado e depois da armadilha de velocidade, com uma pequena chicane que não permitia velocidades elevadas, de resto sempre com possibilidades de proporcionar bons momentos, duelos intensos e alguma velocidade.

Como habitualmente os primeiros três dias foram destinados a treinos livres, para adequação à pista, ao teste dos pneus e afinações pontuais. Como já se previa daquilo que tinha sido retirado antes, a Mercedes apareceu bastante forte e sempre a cronometrar tempos bastante agradáveis, a par da Williams, Ferrari e McLaren. Depois numa segunda linha apareceram sempre Force India, Toro Rosso (a surpresa agradável) e a Red Bull que se mostrou bastante mais confortável e ligeiramente mais preparada do que nos testes anteriores. Por fim e sem surpresa, Marrussia, Lotus e Caterham, que são as equipas mais fracas deste ano (sendo que a Lotus tem esse estatuto devido à má construção do carro e adaptação do carro ao motor que dispõe). Individualmente assistiu-se a várias surpresas agradáveis também, nomeadamente Magnussen e Kvyatt, dois dos estreantes deste ano que prometem bastante, que não têm medo de arriscar e que vêm acrescentar algo mais à F1, no caso do segundo ainda não estou totalmente rendido e continuo a achar que deve e tem de mostrar mais (a pista também não é das mais complicadas nem técnicas), mas que impressionaram, disso não há dúvida (prova disso a brilhante qualificação que ambos fizeram). Também Ricciardo, talvez motivado por estar a correr em casa e pelo constante e incansável apoio das bancadas, se mostrou sempre a um nível superior, muitos furos acima do colega de equipa e tetracampeão (curioso que o Australiano conseguiu o apuramento para a Q3, precisamente na volta em que Vettel ficou sem hipótese de lá chegar, o que motivou dupla alegria ao público presente).

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Por outro lado, o mais negativo, Raikkonen evidencia alguma inconsistência e nota-se que o seu carro não está a render o que pode render, Vettel continua com variados problemas e não consegue ainda obter resultados consistentes e Button não conseguiu melhor que juntar-se a estes dois no lote dos que acabaram por ser as surpresas mais desagradáveis dos primeiros dias (sobretudo na qualificação, pois tinha conseguido dados interessantes nos treinos).

Por fim e em dados gerais, Hamilton conseguiu ser o melhor na qualificação e angariar mais uma pole-position para o seu currículo, sendo a primeira da época, mas prevendo que o faça por mais umas quantas vezes, pelo menos uma mão cheia, acho que tem boas possibilidades de ser o vencedor do novo troféu referente a esta categoria específica. Também uma qualificação surpreendente teve Kevin Magnussen, sendo ele rookie, não se esperava tanto à vontade, o que é certo é que mostrou que está no circuito por mérito e com vontade de mostrar trabalho (à margem deste GP e sobre este assunto particular, Mark Webber referiu inclusivé que aplaudia a coragem da McLaren em “dotar o seu carro de talento e não de dinheiro, como outros andavam a fazer”. Também Jean Eric Vergne em Toro Rosso mostrou que pode vir a obter resultados interessantes depois da brilhante qualificação que conseguiu. No entanto referir que a qualificação viu-se afectada no final da Q1 pela chuva que acabou por fazer com que os pilotos fossem mais prudentes e calculistas e permitiu a outros (especialmente estes mais novos e com vontade de mostrar serviço) que se mostrassem agressivos e a querer lutar por mais que meros lugares do meio da grelha de partida.

Sobre a corrida, há que começar com os detalhes mais técnicos. Esta era uma corrida com duas paragens programadas para troca de pneus, eventualmente alguma equipa mais ambiciosa poderia apostar apenas numa, no entanto a ameaça iminente de chuva não deixava outro desfecho que não o do primeiro cenário. Os pneus permitidos restringiram-se a macios, normais, médios e super macios, sendo que a maioria apostou em macios (face às temperaturas amenas e ameaça de chuva), sendo que Vettel e Gutierréz apostaram em pneus médios, para tentar evitar a paragem aquando os restantes, beneficiando assim de subida de posições intermédias (Vettel partiu de 13º). Sobre os detalhes individuais as únicas notas de registo foram a penalização de Bottas em 5 lugares na grelha de partido (partiu em 15º), de Gutierrez (partiu de 20º) e de Grosjean que seria forçado a partir das boxes (e acrescia ainda uma volta pelas boxes na seguinte volta), todos penalizados devido a alterações nos monolugares não justificadas ou desrespeito de sinalização durante as qualificações.

Caricato foi o início da corrida, que depois da habitual volta de aquecimento e de formação ordenada da grelha de partida, viu ser oferecida uma volta adicional em virtude do Marrussia de Jules Bianchi ter ficado imobilizado no meio da grelha de partida, sendo forçado a partir também das boxes tal como o seu colega de equipa, Max Chilton, que nem sequer havia conseguido a primeira volta de aquecimento.

Dado o sinal de partida, foi uma largada bastante disputada, saiu melhor Rosberg que desde logo saltou de terceiro para primeiro, descobrindo uma boa abertura entre Ricciardo e Hamilton, o que fez com que os Mercedes ocupassem desde logo as duas primeiras posições (no entanto apenas por duas voltas, pois Hamilton seria forçado a desistir por problemas na componente electrónica do carro). Desta disputa sobrou também para Massa um abandono prematuro da corrida devido a acidente causado por Kobayashi, que abalroou completamente o Brasileiro (ver vídeo), destruindo o primeiro o eixo de direcção do Caterham e forçando o segundo a abandono devido a imobilização do Williams (continua portanto com bastante azar Filipe Massa, no que a acidentes diz respeito e a abandonos),  fazendo ver o que fez Bottas durante a corrida e mesmo na partida para a corrida (ganhou 4 posições), diria que estaria ali um foco de mais algum espectáculo, a confirmar nos próximos GP’s.

Massa acidente

Massa revelou-se bastante triste e sobretudo injustiçado com o que lhe aconteceu, pedindo de imediato uma penalização para Kobayashi (não se viria a verificar pois aparentemente o problema foi ao nível dos travões e não foi propositado) e revelou que com o carro que tem poderia estar nesta corrida a lutar por um pódio, o que sinceramente me parece justo da parte do Brasileiro.

Já no decorrer da corrida, Hamilton recebe ordem via rádio à entrada para a 2ª volta de que deveria sair da corrida devido a problemas técnicos no seu Mercedes, no entanto ainda concede mais uma volta, para tentar recompor e não forçar o abandono, no entanto os esforços revelaram-se infrutíferos e à 4ª volta foi mesmo obrigado a sair, ao que parece devido a um problema electrónico na caixa de velocidades. O próprio disse que não tinha sentido que tivesse uma grande partida e que o carro não estava a responder à potência pedida, parecia que apenas tinha 5 dos 6 cilindros a carburar e não poderia abusar demasiado do motor.

Já o homem em quem recaiem mais holofotes, Vettel, partira em 13º e ainda perdeu 3 lugares na partida, aguentou-se a rodar durante 5 voltas, mas no fim foi forçado a retirar-se também devido a problemas no seu carro, provando que apesar de parecer melhor e mais ajustado à entrada para este GP, os problemas continuam a acontecer.

A partir daqui a corrida estabilizou e os carros foram rodando, dos poucos que lutaram e nunca se mostraram conformados podemos dizer que foram Valteri Bottas e Nico Hulkenberg. O segundo andou durante algum tempo em luta árdua com o Ferrari de Alonso e o primeiro passou a corrida toda do princípio ao fim a dar luta a quem lhe aparecesse pela frente, começou com o seu compatriota Raikkonen, até que uma saída de uma curva mal calculada lhe valeu um pneu contra a parede e uma ida às boxes, forçando o Safety Car a entrar em pista logo na volta 11, o que acabou por se alongar durante 5 voltas (tempo de limpar os detritos deixados em pista), acabaram por aproveitar os pilotos da frente para fazer logo aqui a primeira paragem, aproveitando o facto de não perderem lugares para os opositores, no entanto os pilotos da cauda do pelotão optaram por não usufruir desta benesse.

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Quando chegou a altura de começar a segunda ronda de paragens, Button foi o primeiro a usufruir desta, passou de pneus macios para médios, o que lhe garantia conseguir chegar ao fim sem parar mais nenhuma vez, no entanto teve um pequeno percalço, pois quando parou na box a má colocação do elevador do carro na parte da frente acabou por danificar a ponteira do nariz do seu McLaren, o que o forçou a correr até ao fim com um défice aerodinâmico, ainda assim não demasiado severo ao ponto de o prejudicar em termos de tempos e lugares. Depois de Button também Hulkenberg , que vinha a protagonizar algum espectáculo devido ao seu duelo com Alonso, se deslocou às boxes para mudar o seu conjunto de pneus para médios, o Espanhol ganhou vantagem, mas logo na volta seguinte foi por uma unha negra que conseguiu ficar à frente do Alemão, visto que se inverteram os papéis e à saída do pit lane, Alonso teve de dar tudo para não se ver ultrapassado pelo Force India.

À volta 35, novamente um duelo de Filandeses vinha a animar bastante o espectáculo, mas uma travagem ligeira mal calculada do mais experiente Raikkonen fez com que este perdesse o controlo do carro durante alguns metros e ofereceu assim de bandeja o 5º lugar a Bottas, no entanto este desfecho já era previsível, dado o andamento que Bottas vinha a impregnar à sua corrida. Mas esta disputa não se ficou por aqui e na volta 37 ambos fizeram a segunda paragem nas boxes ao mesmo tempo, no entanto a maior eficácia da Williams e a destreza de Bottas a sair rápido permitiram-lhe manter-se na frente com uma vantagem suficiente para conseguir estar seguro.

Enquanto tudo isto se passou, Rosberg foi aproveitando para alargar vantagem e abrir uma margem suficiente do primeiro para o segundo lugar, de forma a conseguir fazer o seu último pit stop sem problemas de maior e sair ainda em primeiro e basicamente foi o que conseguiu fazer sem qualquer problema, pois nem Ricciardo nem Magnussen estavam a apertar o suficiente para incomodar o alemão. No entanto Kevin Magnussen depois de receber várias ordens via rádio para se manter controlado devido ao fluxo de combustível, a 15 voltas do fim começou a fazer pressão sobre Ricciardo, no entanto o australiano conseguiu sempre defender-se a bem, mantendo o segundo posto até ao fim. Ainda assim Magnussen continuou a receber alguns avisos, desta vez devido ao desgaste dos pneus traseiros, o que fazia com que muitos carros nas saídas das curvas começassem a fugir da sua rota ideal, foi basicamente o que aconteceu com Vergne que perdeu assim o seu lugar para Bottas na curva antes da recta da meta, fugindo-lhe o carro, obrigando a abrandar e dando passagem ao finlandês da williams.

Até ao final da corrida, pouco mais de diferente se viu, apenas mais alguns despiques entre Bottas e Hulkenberg (já atrás de Alonso à algum tempo), o que acabou por dar frutos à volta 52, confirmando assim o Finlandês com o 6º lugar. Também nesta volta já a RedBull festejava e congratulava Ricciardo pelo excelente trabalho, sobretudo devido à excelente poupança de combustível feito, o que não deixa de ser irónico segundo o que se passou no pós corrida (falaremos à frente).

Por fim, Raikkonen confirmou o 8º lugar (um pouco abaixo das expectativas do icemen e da Ferrari), atrás de Hulkenberg (boa corrida do Alemão), Valteri Bottas (o homem que mereceria o prémio de melhor em pista se o houvesse), Alonso, Button (recuperou bastante bem do desnível inicial), Magnussen (o rookie que promete e que é o primeiro Dinamarquês a fazer um pódio na F1), Ricciardo (deslumbrou em casa, no entanto o lugar viria a ser-lhe retirado devido ao não cumprimento da limitação de fluxo de combustível por hora, pois consumiu acima dos 100 Kg/h) e do grande vencedor Nico Rosberg, com a vitória 100 para a Mercedes e a primeira da época, o que pode dar muito alento a este talentoso piloto.

pódio

Notas finais

1º – Não deixa de ser irónico que Ricciardo, a correr em casa, com todo o apoio de fora, tenha tido o azar de ser desclassificado no pós corrida. Depois de toda uma superação no que à RedBull da pré época diz respeito, depois de uma corrida com tudo do Australiano, depois mesmo de a equipa ter via rádio confirmado que Ricciardo teria feito um bom trabalho e conseguido equilibrar os níveis de combustivel gasto, não deixa de ser irónico que seja desclassificado por essas razões. Algo de muito mau para sobre esta equipa, no entanto beneficiou a McLaren que assim colocou dois corredores no pódio, partindo para já na frente do Mundial de Construtores.

Ricciardo em casa

 

2º – Não deixa de escapar aos mais atentos a evolução no que diz respeito à tecnologia dos carros, consegui durante a transmissão tirar esta belíssima foto do volante da Mercedes e é soberbo ver a quantidade de controlo e informação que apenas um componente do carro pode ter. (Reparem no pormenor do SC – safety car em pista)

promenor volante

 

3º – A beleza nas boxes. Desde que se viveu o fenómeno do ano Hamilton e da sua bela esposa Nicole, é recorrente ver as namoradas e conjuges dos pilotos a passear pelo paddock durante os dias anteriores à corrida, ou mesmo durante a corrida nas boxes, dá-se tempo de antena também a estas belezas femininas que acompanham os grandes homens por trás das máquinas.

Grosjean e namorada

 

Rosberg e namorada

 

4º – A beleza da transmissão da SkySportsF1, não desgostando eu da transmissão nacional da sportTv, mas achando que no que toca a conhecimento sobre tudo na F1 fico a ganhar se seguir a transmissão da Sky, consegue-se retirar vários momentos de relaxe e engraçados desta transmissão, seja por exemplo por frases como “I’m coming to catch you…”, cantando num tom meio obscuro, quando Bottas recebe a ordem via rádio para atacar Hulkenberg, ou por exemplo o facto de se discutir o sotaque italiano que o boss da ferrari transmite a Alonso quando fala sobre “Ricciardo, Riccardooo ou Riciardo”, vale a pena e depois de acumular bastante informação torna-se agradável estes pequenos retirar de pressão.

5º – E por fim mais um momento de riso, quando Rosberg eufórico com a vitória entra pela garagem de estacionamento dos 3 primeiros em corrida e estaciona no lugar do 2º classificado, nem dando por isso, deve ser do hábito do passado que se espera seja diferente por agora.

Daqui a 9 dias voltamos a ter o circo da F1, desta vez na Malásia. Até lá estejam atentos!

F1 2014 #10

Está em andamento o primeiro GP da temporada em Albert Park, Melbourne (Austrália) e os resultados dos primeiros dias de treinos e no dia de hoje da qualificação não deixam de ser surpreendentes (hoje sobretudo na qualificação o factor chuva foi decisivo e os pilotos viram-se a braços com uma situação que ainda não tinha sido propriamente vivida por cada um, o que fez com que os tempos da qualificação fossem bastante altos).

Sem surpresas Hamilton conseguiu a primeira pole da época e aparentemente será um dos fortes candidatos ao novo troféu que premeia o piloto com mais pole positions no final do ano. A fazer-lhe companhia na primeira linha está a dupla surpresa, RedBull com Ricciardo (já tinha sido o mais rápido na Q1, tinha sido o segundo na Q2 e manteve o lugar na Q3), vale-lhe assim a primeira partida da sua carreira da frente do grid e facilita a vida à sua equipa que andou ainda nos treinos livres com alguns problemas, no entanto o campeão e colega de equipa Vettel foi a surpresa negativa, ao não conseguir melhor que o 13º posto para partir. Outra agradável surpresa foi Kevin Magnussen da McLaren, aquele sobre o qual já disse neste blog que naturalmente vai ser o rookie do ano e que pode ter pela frente uma brilhante carreira conseguiu arrecadar o 4º tempo, sendo que na Q1 até conseguiu ficar logo atrás de Ricciardo, o que indica que como se previa a McLaren pode também dar luta e os jovens que vão chegando têm qualidade muito boa para manter bons níveis de disputas na F1 pelos próximos tempos. A assinalar de surpreendente pode ser também os desoladores 9º e 10º lugar obtidos pela Williams, que muito prometeu, inclusivé nos 3 treinos realizados já em Melbourne, mas que acabou por não arriscar na qualificação e o facto de a Lotus não ter conseguido sair do fim da grelha de partida, o que deixa antever que pode bem ser a Lotus a pior equipa deste ano.

Por fim, apenas comentar que este pode ser um excelente GP, a disposição da grelha de partida tem tudo para que este início de corrida seja explosivo, especialmente se olharmos aos 11º, 12º e 13º lugares onde estão respectivamente Button, Raikkonen e Vettel.

Veremos o que nos reserva a corrida da próxima madrugada.

Grelha de partida oficial

2014 FORMULA 1 ROLEX AUSTRALIAN GRAND PRIX

Pos No Driver Team Q1 Q2 Q3 Laps
1 44 Lewis Hamilton Mercedes 1:31.699 1:42.890 1:44.231 22
2 3 Daniel Ricciardo Red Bull Racing-Renault 1:30.775 1:42.295 1:44.548 20
3 6 Nico Rosberg Mercedes 1:32.564 1:42.264 1:44.595 21
4 20 Kevin Magnussen McLaren-Mercedes 1:30.949 1:43.247 1:45.745 19
5 14 Fernando Alonso Ferrari 1:31.388 1:42.805 1:45.819 21
6 25 Jean-Eric Vergne STR-Renault 1:33.488 1:43.849 1:45.864 21
7 27 Nico Hulkenberg Force India-Mercedes 1:33.893 1:43.658 1:46.030 20
8 26 Daniil Kvyat STR-Renault 1:33.777 1:44.331 1:47.368 20
9 19 Felipe Massa Williams-Mercedes 1:31.228 1:44.242 1:48.079 21
10 77 Valtteri Bottas Williams-Mercedes 1:31.601 1:43.852 1:48.147 19
11 22 Jenson Button McLaren-Mercedes 1:31.396 1:44.437 13
12 7 Kimi Räikkönen Ferrari 1:32.439 1:44.494 13
13 1 Sebastian Vettel Red Bull Racing-Renault 1:31.931 1:44.668 13
14 99 Adrian Sutil Sauber-Ferrari 1:33.673 1:45.655 12
15 10 Kamui Kobayashi Caterham-Renault 1:34.274 1:45.867 13
16 11 Sergio Perez Force India-Mercedes 1:34.141 1:47.293 13
17 4 Max Chilton Marussia-Ferrari 1:34.293 5
18 17 Jules Bianchi Marussia-Ferrari 1:34.794 5
19 21 Esteban Gutierrez Sauber-Ferrari 1:35.117 7
20 9 Marcus Ericsson Caterham-Renault 1:35.157 5
21 8 Romain Grosjean Lotus-Renault 1:36.993 6
22 13 Pastor Maldonado Lotus-Renault No time 3

Pré Clássico + Arbitragens

O Presidente do Sporting veio a público falar sobre a actuação dolosa dos árbitros durante a presente época ontem à hora de jantar. Ouvi falar em pressão sobre o árbitro de Domingo, ouvi que isto era mais uma vitimização por parte do Sporting.

No entanto hoje bem cedo (atenção que estamos numa terça-feira) já se sabe que Olegário Benquerença é o árbitro de Domingo (pior só mesmo escolher Duarte Gomes). Repare-se bem na velocidade, no timming e na qualidade da escolha do árbitro para o jogo, o que me faz pensar que ou querem fazer pressão a Bruno de Carvalho, ou querem gozar com a instituição que é o Sporting Clube de Portugal.

Se eu fosse ao Presidente do Sporting fazia o mesmo que os árbitros já nos fizeram e não ia a jogo, esta Liga está cada vez mais suja e a justiça e verdade desportiva já não existem! No entanto é condenável o facto de Vasco Santos ter recebido ameaças de morte. O futebol português cada vez está mais miserável!

Arrepiante…

… ouvir os gritos estridentes do público nesta jogada simplesmente brilhante. Neste caso os árbitros deveriam poder marcar golo a favor de quem faz isto, nem que fosse só para gáudio do jogador… No entanto só esta jogada vale cada cêntimo gasto no bilhete do jogo!

Adenda ao Pré Portugal x Camarões

A convocatória tinha sido já analisada aqui, mas os azares acontecem e não fui eu que roguei pragas a ninguém.

Hugo Almeida e Ricardo Costa encontram-se com problemas físicos e foram ambos dispensados. Pepe e C. Ronaldo estão em gestão de esforço (apenas porque vieram de um jogo complicado ontem). Os primeiros dois casos vão de encontro ao que defendi, que devia ter sido chamado mais um avançado no lugar de Ivan Cavaleiro e que deveria ter sido dada uma hipótese a alguém para o lugar de Ricardo Costa, parece que o tempo apenas se encarregou de fazer parecer que eu tive algo a ver com estas dispensas!

O’Sullivan – O Eterno!

Não há palavras para descrever isto (reparem no momento saboroso a partir dos 3′ sensivelmente)! O homem pode retirar-se e voltar a jogar 50 vezes que a qualidade de jogo continua lá. Alcunharam-no de Rocket por ser o mais rápido de sempre a chegar aos 147 pontos em apenas 5 minutos e poucos segundos.

Para quem não sabe O’Sullivan começou no mundo do snooker na Escócia, era um rapaz problemático, consumia álcool e drogas, era de brigas e da rua. Tornou-se campeão do mundo, ganhou tudo o que havia para ganhar e é um dos jogadores com mais Prize Moneys amealhados no circuito.

Recentemente anunciou que iria tirar uma “sabática” sem termo e dedicar-se à agricultura, mas os agentes do mundo do snooker depressa o chamaram de volta, voltou para o Masters de 2013 depois de quase um ano parado, voltou a ser campeão do mundo e fixou-se no top 30 (já foi número um até sair).

Devido a não acompanhar a modalidade após a sua saída pouco posso dizer por agora, mas a proporcionar-se em breve trarei mais curiosidades.