F1 – GP Bahrein

Final de tarde/início de noite no Bahrein, circuito de El Sahkir com os holofotes a aquecer e o ronronar esquisito dos novos monolugares a fazer-se sentir ao longe e eis que está assim alinhado o início da terceira prova do calendário da F1.

Um circuito rápido e que faz prever espectáculo é tudo o que se quer para prender qualquer amante da F1 ao televisor e se os primeiros dois GP’s foram algo desoladores este trouxe melhores e mais emocionantes lutas por um lugar na grelha final. Uma pista com três sectores, dos quais dois são passíveis de se fazer em velocidade e onde as curvas rápidas predominam em contraste com as curvas lentas (apenas 4), uma pequena “speed trap” no final da recta da meta e duas zonas de DRS (na recta da meta e na recta paralela a esta) compõe esta pista onde a volta mais rápida prevalece no nome de Pedro de la Rosa e data de 2005, na altura com um McLaren-Mercedes e uma volta em 1:31:447s.

Capturar

A qualificação ordenou que os Mercedes partissem da primeira linha, como já vem sendo hábito, apenas alternando entre Hamilton e Rosberg estes lugares (desta vez coube a Rosberg o primeiro), sendo que a surpresa apareceu logo na segunda linha, onde se alinharam Bottas e Perez (Ricciardo havia-se qualificado em terceiro, mas uma penalização relativa a uma partida das boxes fora de segurança no último GP valeu-lhe uma penalização de 10 lugares e consequente largada do 13º posto). Da 3ª linha partiram respectivamente Raikkonen, que fez uma qualificação de melhor nível que ambas as anteriores e Button, respectivamente em 5º e 6º, logo seguidos de Massa e Magnussen nas posições 7 e 8. A defraudar as expectativas apareceram Alonso e Vettel, em 9º e 10º lugar da partida, o que vem confirmar que a RedBull ainda não encontrou o seu melhor carro e que a Ferrari ao contrário das expectativas continua a começar mal as épocas, com um carro que não chega para se bater com Force India ou até mesmo Williams. Em 11º e 12º partiram Hulkenberg (viria a ser a surpresa do dia) e Kvyatt (o rookie que tem dado que falar). Jean Eric Vergne desta vez não conseguiu melhor que uma 14ª posição e na cauda da grelha os piores carros do início de época, onde se contabilizam Gutierrez, Grosjean, Maldonado, Kobayashi, Bianchi, Ericsson, Chilton e Sutil (com uma penalização de 5 lugares por ter forçado Grosjean a uma saída de pista durante a qualificação).

À partida para a corrida, todos os pilotos escolheram partir com pneus macios, à excepção de Vettel e Sutil, que optaram pelos pneus médios, prevendo-se assim que fossem parar mais tarde que os restantes, tentando com isso beneficiar da subida de alguns lugares na grelha durante a corrida. A estratégia das equipas passaria por três paragens, ou num panorama mais risório, apenas duas.

Dada a partida, a corrida começou logo com um interessante duelo entre os Mercedes, Hamilton não se contentou em partir do segundo posto e logo vendeu caro o primeiro lugar obtido na qualificação por Rosberg, de tal forma que na saída da recta da meta, já os dois Mercedes tinham aberto um fosso para os restantes carros e Hamilton acabou por sair vencedor do duelo que se prolongou até à saída da zona de “speed trap”. Bottas por sua vez perdia 3 lugares, descendo para sexto, ao passo que Massa conseguia subir para o lugar do companheiro de equipa, depois de um arranque brilhante, onde conseguiu passar parte dos seus opositores através da passagem pelo meio da pista. Raikkonen também viria a perder lugares descendo à 9ª posição logo atrás do seu companheiro de equipa, isto depois de ter sofrido um toque no seu carro, logo na partida por parte de Magnussen.

Da corrida viu-se finalmente espectáculo, desde os despiques entre os Mercedes, Hamilton atacou logo na partida o seu colega Rosberg, ganhando posição e pelo meio da corrida, Rosberg retaliou, chegando inclusivé a passar à frente do britânico, mas apenas por breves instantes, passando pelas lutas a três entre Hulkenberg, Alonso, Bottas, ou Button e Raikkonen, passando pelo elevado andamento de Ricciardo em comparação com o colega de equipa e tetracampeão Vettel (chegou a queixar-se de problemas no seu DRS e foi obrigado a deixar o australiano ultrapassar), passando ainda pela agressividade de Perez e pela regularidade bastante acima da média de Hulkenberg, ou pelo arriscar típico de novato de Magnussen, todos os ingredientes se conjugaram para uma óptima corrida.

O caso pior aconteceu entre Maldonado e Gutierrez, na volta 41 quando o Venezuelano simplesmente abalroou o Mexicano, que viu o seu carro capotar, naquelas que foram as imagens mais impressionantes desta corrida. De resto esse episódio valeu uma penalização a Maldonado de 3 pontos na sua super licensa e ainda uma penalização a averiguar no próximo GP.

De resto deixo as imagens que são espantosas e deixam qualquer um a pensar na sorte que Gutierrez terá tido de sair ileso.

Depois disto o Safety Car manteve-se em pista até à volta 47, ou seja libertou as últimas 10 voltas para se discutirem os lugares finais.

Por fim a classificação ficou ordenada com Hamilton, Rosberg e Perez, os dois primeiros simplesmente não deram hipóteses nem espaço à discussão para os restantes, sendo que os gaps criados eram sempre enormes para quem vinha atrás (acima dos 15 segundos), o que me leva a relembrar fenómenos semelhantes conseguidos pelas equipas de Ross Brawn, quando por exemplo levou a Brawn GP a ser campeã com Button. De certa forma parece que este senhor tem o talento de colocar as equipas em que pega a correr bem e bem mais que as restantes.

Logo atrás apareceram Ricciardo, Hulkenberg e Vettel e se o primeiro destes andou sempre uns furos acima, o segundo também não se fez rogado e mesmo com o seu Force India foi dando luta, foi servindo de tampão a Vettel (já o fez com Alonso no passado) e vai acumulando pontos fulcrais quer para a equipa, quer para si próprio, fazendo subir as cotações de um e outro. Já a RedBull e o campeão do mundo, vêm a subir de forma, mas ainda se encontram longe do melhor que podem fazer.

Massa, Bottas, Alonso e Raikkonen acabaram praticamente equiparados e muito próximos em termos de tempo entre cada um, o que demonstra bem que os carrosde Williams e Ferrari estão próximos um do outro, ainda assim os Williams têm conseguido mostrar mais andamento.

Dos que acabaram no fim da tabela destaque para Max Chilton. Apesar de ser dos pilotos mais lentos e dos que costuma ficar sempre no último lugar, mostra uma regularidade incrível e não me lembro de o ter visto falhar a conclusão de um GP desde que entrou no Circuito. Pode ser mau, pode ter um mau carro, no entanto esforça-se e tem conseguido marcas menores, mas relevantes para a sua história particular.

Dos que não concluíram destaque para ambos os McLaren que foram forçados a desistir por problemas na embraiagem e caixa de velocidades.

Espera-se agora ver o que acontecerá na China, entretanto por estes dias ocorrem os primeiros testes “in-season” da época, precisamente no Bahrein, veremos se as equipas se mostrarão depois disso em melhor forma ou se tudo se manterá ao mesmo nível.

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