Da Champions #22

Terminou há minutos (no Vicente Calderón e no Allianz Arena) mais uma eliminatória da Champions. Arrisco-me a dizer, em breves palavras, que os quartos-de-final da edição deste ano poderão ficar na história como uma das melhores rondas de sempre da história da prova. Não posso dizer que a ronda tenha tido um único jogo desinteressante nos 8 jogos disputados.

No frenético, entusiasta e saudosista Vicente Calderón, a abarrotar de vermelho, 40 anos depois, o Atlético de Madrid (do mago Simeone; que deliciosa ironia!) volta a atingir as meias finais da prova. 40 anos depois do feito histórico protagonizado por um dos seus maiores símbolos, o recém falecido Luis Aragonés, um dos grandes craques da equipa colchonera que disputou a final da Taça dos Campeões Europeus na época 1973\1974 precisamente contra o Bayern de Munique, um dos possíveis adversários colchoneros nas meias-finais da prova ou até mesmo na final.

Não tenho qualquer pejo em afirmar que, caso este Atlético consiga vencer campeonato e champions, o triunfo é absolutamente merecido. O trabalho que Diego Simeone tem feito numa equipa teoricamente considerada por grande parte da imprensa internacional como um eterno candidato ao 3º lugar em Espanha, está, de que maneira, a baralhar as contas de meia europa.

A crónica mais detalhada sobre a partida do Calderón fica para amanhã. Como amante da arte do futebol, preciso de rever o jogo (ou grande parte deste) para o poder descrever minuciosamente. Acredito que para descrever um jogo destes, ou se descreve com minúcia ou então é preferível não o descrever de todo. Em traços gerais, a entrada do Atlético na partida, ao contrário do que previa (previa um Atlético capaz de colocar um ritmo lento na partida para impedir que o Barça entrasse a todo o gás e pudesse marcar cedo) foi demolidora. Não só pelo golo obtido por Koke, pelas 3 bolas aos ferros da baliza de Pinto mas pela desconcentração pura e pelo nervosismo miudinho que o jogo rápido e açucarado praticado pela equipa de Simeone provocou na incipiente (no jogo desta noite) equipa de Tata Martino. Assertivo também creio afirmar que os catalães sentem algum nervosismo quando não tem bola nos pés. Naturalíssimo dada a matriz em que assenta a sua filosofia de jogo: a posse de bola. Contudo, o nervosismo sentido por Xavi, Messi, Iniesta e seus pares no rectângulo plantado a meio da onda vermelha madridista, resultou, em traços largos, numa enorme quantidade de disparates defensivos na primeira parte (a pressão alta executada pelos colchoneros no meio-campo catalão seguida quase sempre de um recuo das linhas sempre que a equipa da cidade condal conseguia cruzar o meio-campo com bola, obrigou o Barça a jogar mal na saída de bola e a não conseguir meter a bola entre linhas como de resto costuma fazer; Iniesta-Messi-Iniesta com entrada do espanhol em zona de finalização; Iniesta-Messi-Neymar com entrada do brasileiro no espaço livre) numa dificuldade enorme que os catalães tiveram em conseguir arranjar espaço para criar desiquilíbrios (Neymar foi o único capaz de desequilibrar) – por seu turno, o Atlético sempre que foi lá à frente criou perigo. Com Villa a receber mais jogo nos flancos e Adrian com um hábil jogo de área (o avançado também procurou empurrar várias vezes a equipa lá para a frente através de arrancadas individuais quando conseguia ganhar a bola no meio-campo) a equipa ganhou uma enorme mobilidade (com Diego Costa, apesar de Gabi, Koke e Arda serem os mágicos que bem conhecemos, o jogo torna-se ligeiramente mecanicizado para a corrida do avançado naturalizado espanhol) e uma enorme profundidade, que, a bom da verdade, foi a chave do sucesso desta passagem histórica do Atlético. Outra das chaves do sucesso foi a colocação do brasileiro Diego na 2ª parte e o fantástico golo apontado pelo antigo jogador do FC Porto em Camp Nou. Em Madrid começa-se a acreditar que a presença de Diego Ribas no clube é sinónimo de conquistas!

P.S: Monstruosa exibição do nosso Tiago. Posicionamento perfeito do português em campo. É pena o facto do antigo jogador de Benfica, Lyon e Chelsea já ter renunciado à selecção. Na forma em que se encontra é uma mais valia de caras para o meio campo da nossa selecção.

P.S 2: Messi e Iniesta – O primeiro eclipsou-se por completo. Nem pareceu estar em campo. O 2º foi mais marcado que o quinto dos infernos. Quando tinha bola caiam imediatamente três jogadores do Atlético. Simeone sabia perfeitamente que era daqui que vinha metade do perigo deste Barcelona.

No Allianz Arena vi que o Bayern sofreu a bom sofrer para bater o Manchester United. Deixo o comentário para o meu colega de blog André Simões. Não vi o jogo mas gabo desde já David Moyes. Fiquei com a ilacção que contra o Bayern, toda a gente poderá ter visto o melhor Manchester United da temporada.

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