Da Champions #19

Este seria um dos dias em que eu gostaria de ter o dom da “ubiquidade televisiva” para poder ver com atenção os dois jogos disputados. Acabei por ver pedaços dos dois jogos, com maior incidência para o Borussia de Dortmund vs Real Madrid a partir do 2-0. No entanto, aqui ficam algumas das ilacções que fui tirando do que vi das duas partidas:

Chelsea vs PSG

  • A ausência de Zlatan Ibrahimovic. O PSG sentiu de que maneira a ausência do sueco, apesar de, sem ele, continuar a ter uma equipa muito bem montada e com um futebol bastante interessante. Thiago Motta soube aliar a inteligência ao físico e ao seu irrepreensível posicionamento. Matuidi continua a trilhar a sua evolução. É o pulmão desta equipa. Preenche de que maneira o meio-campo dos parisienses e já se sente bastante confortável na manobra ofensiva da equipa. Verrati é um poço de talento. No entanto, faltou ali no último terço do terreno o toque mágico do sueco, tanto a criar para si como a criar para Cavani. O Uruguaio esteve um tanto ou quanto solitário na frente. A lesão do sueco complicou a vida de uma equipa que sabia que tinha que marcar em Stamford Bridge para poder seguir em frente.
  • O futebol a toda a largura do terreno do Chelsea com um cavalão chamado André Schurrle. Está um senhor jogador. A segurança defensiva demonstrada novamente por Azpilicueta facilitou bastante a tarefa do alemão e de Willian quando o brasileiro caiu no flanco esquerdo. David Luiz deu conta do recado. Incansável perante um meio-campo parisiense em superioridade numérica. O brasileiro não se negou à batalha e assegurou quase sempre bem as transições da equipa de Mourinho. Oscar fez a exibição do costume. Pragmatico a pensar e a executar, impecável no capítulo do passe. O alemão foi novamente a alma na equipa. Fez meia dúzia de arrancadas de sonho, partindo sem medo contra a defensiva parisiense. Teve o mérito de tocar o sinal de alarme quando marcou o golo inaugural e poderia ter dado a cambalhota no marcador no início da 2ª parte quando atirou à barra da baliza de Salvatore Sirigu.
  • Dois momentos fulcrais: Conheço Demba Ba e Cavani como pontas-de-lança possantes (o uruguaio melhor tecnicamente, repentino e mais virtuosista que o eficaz avançado senegalês, homem de último toque) e eficazes. No jogo de Stamford Bridge, o primeiro poderia ter dado o xeque-mate na eliminatória quando aos 78″ na cara de Petr Cech atirou por cima da barra da baliza defendida pelo checo. O segundo, dado várias vezes como dispensável pelos Blues foi o herói improvável de uma eliminatória na qual o PSG sai de cabeça erguida, muito em virtude do banho de boca agraciado aos Blues nos primeiros 20 e últimos 20 minutos do jogo do Parc des Princes.
  • Heróis precisam-se. Marquinhos poderia ter executado um autêntico golpe de teatro no último minuto da partida quando obrigou Petr Cech a uma defesa que valeu por um golo. A jogada é brilhante. Desde a abertura a rasgar (de Lucas Moura rodeado por 4 adversários junto à linha lateral? emendem-me se estiver errado) para a entrada de Maxwell pelo flanco direito e pela solução trilhada pelo brasileiro no passe para o seu compatriota, numa altura do jogo em que, teoricamente, qualquer jogador, cego por um nicho concedido pelos adversários para almejar a baliza adversária, tenderia a rematar sem critério à baliza. O brasileiro colocou a bola na gaveta mas o checo foi lá buscá-la e assim garantiu a passagem da turma de Mourinho às meias.

Uma lição que Ancelotti jamais deverá esquecer. Podiam ter sido meia dúzia se não fosse São Iker Casillas, o dito suplente que costuma brilhar neste tipo de momentos. Convem relembrar que Klopp jogou sem algumas peças chave na engrenagem da equipa como Schmelzer, Ilkay Gundogan, o polaco Kuba (desculpem lá mas não gosto nada de ter que ir fazer copy paste do apelido do dito cujo)

  • Marco Reus. Elegantíssimo. Dois golos resultantes de duas falhas defensivas da defesa madrilena. A que provocou o 2º golo do médio alemão não deveria acontecer nem num jogo de iniciados. Quando a eliminatória parecia morta, os dois golos do alemão catapultaram a equipa de Jurgen Klopp para a sua melhor exibição da temporada.
  • A dialéctica Kirch\Jojic-Mhkytarian-Reus – O primeiro assumiu uma postura mais defensiva perante um Real Madrid que, exceptuando em um ou outra aceleração de Modric no miolo, teve dificuldades em sair a jogar. O sérvio foi incansável. Prova de que o futuro da equipa da Vestefália poderá passar e muito pelos seus pés e pelo seu enorme espírito combativo. Os dois procuraram Mkhitaryan, que, por sua vez, teve o condão de acelerar o jogo e procurar a grande referência da equipa Marco Reus. Encadeamento lógico do futebol ofensivo da equipa de Jurgen Klopp. Mesmo a perder na eliminatória, a equipa germânica nunca perdeu a compostura e nunca se deixou vencer pela ansiedade, procurando construir jogadas com princípio, meio e fim. O alemão jogou bonito mas simples. Combinou de forma fantástica com Kevin Grosskreutz, e, apesar de encostado à esquerda (como gosta) pautou o jogo do Dortmund como quis com as suas fantásticas acelerações em drible e com os seus venenosos cruzamentos para a área.
  • Pepe – Vingou-se do poker de Robert Lewandowski na eliminatória disputada em 12\13. Obrigou o polaco a ter que vir buscar jogo muito atrás. Não quero com isto dizer que o polaco não faça este tipo de movimentações muitas vezes porque de facto faz. Na área, conseguiu segurar o intenso jogo posicional do polaco. Imperioso no jogo aéreo. Falhou apenas em dois ou três lances. Num deles, em conjunto com Sérgio Ramos, deixou Mhkytarian solto na área com possibilidade de fazer o 3-0. Valeu a arrojada defesa de Iker Casillas ao remate à queima roupa do armeno.
  • Sem Ronaldo, o ataque merengue esteve na maioria das vezes desinpirado. Só nos últimos 15 minutos é que o Real conseguiu criar perigo. 2 remates fortíssimos de Benzema, outro de Bale (defendido com pompa por Weidenfeller), 1 saída arrojada de Weidenfeller a Bale e um remate colocado de Isco na esquerda. Todos estes lances aconteceram numa altura em que o balanceamento ofensivo do Dortmund partia por completo o jogo e dava hipóteses aos jogadores madrilenos de colocar rapidíssimos contra-ataques.
  • Um estratega chamado Modric e um incansável Carvajal. O terreno do Signal Iduna Park (Westfallen Stadium) foi o principal inimigo da equipa madrilena. Várias foram as ocasiões de jogo em que denotei que os jogadores do Real tiveram muitas dificuldades para ter a aderência ideal ao estádio da equipa germânica. Como quem diz, escorregaram bastantes vezes. Tal facto teve os seus custos. Os jogadores do Dortmund foram muito mais rápidos na sua forma de jogar e na forma em que como abordavam defensivamente as tentativas de circulação que Modric, Xabi Alonso e Isco tentavam desempenhar. O croata esteve ao seu nível. Uma autêntica formiguinha. Incansável defensivamente, brilhante nas transições em velocidade, com a capacidade de passe e visão de jogo que lhe é tão característica. O lateral fez a melhor exibição da época. A missão que teve em mãos foi dura: Durm e Grosskreutz e um tendencial posicionamento de Reus naquele flanco não é pera doce para nenhum lateral. Ainda para mais, Carvajal voltou a contar com o auxílio defensivo de Gareth Bale a espaços durante a partida, cabendo a Modric fechar aquele flanco quando o galês não tapava o flanco. Certinho a defender e a atacar, Carvajal foi ao limite das suas capacidades. Para quem acusava o antigo lateral do Bayer de Leverkusen como um péssimo defensor, creio que hoje, este deu mostras que afinal não é tão mau defensor quanto o pintam. Com um punhado de excelentes desarmes no seu flanco a Grosskreutz, impediu que o ala do Dortmund criasse ainda mais perigo para a equipa alemã.
  • Um Casemiro muito verde. O brasileiro andou a bater em tudo o que mexia. Sempre fora dos timings. Nesta altura da temporada, a destreza de Khedira faz muita falta a este Real.
  • Heróis precisam-se. São Iker sabe muito bem o que é ser herói. No primeiro golo de Reus deu uma fífia de todo o tamanho. Aquelas saídas malucas dos postes à lá Casillas. Emendou na 2ª parte com 2 paradas do outro mundo: uma Mhkytarian, outra a outra a Grosskreutz numa grande jogada cujo obreiro foi o polaco Piczczek quando o Dortmund encostava por completo o Real Madrid às cordas.
  • A sorte, a mãe de todos os campeões – Na primeira parte, Henrikh Mkhytarian atirou ao lado. Na segunda parte fez tudo bem e acertou no poste. Na recarga Grosskreutz amarelou (na mesma pigmentação do amarelo da camisola do clube) e atirou por cima. Se estas bolas entram (fariam 0 3-0) seriam o KO do Real na competição.
  • A defesa de Weindenfeller ao penalty marcado por Angel Di Maria. O argentino escorreu e o alemão aproveitou. Se o antigo jogador do Benfica tem aproveitado a oportunidade construída por Coentrão na esquerda, o Real teria selado ali o apuramento para as meias-finais. O argentino desperdiçou, o Dortmund galvanizou-se e o Real teve que sofrer.
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