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Algo me faz acreditar que, descendo à 2ª liga, Belenenses e Olhanense são candidatos naturais à extinção. Se no caso da Turma de Belém, o espectro conjuntural e social em que está inserida ainda me faz crer que alguém poderá, passo a expressão, “por a mão no clube”, ou como quem diz salvá-lo do pior, por outro lado, a Olhanense poderá não ter essa sorte.

As SAD´s modernas (as SDUC´s são para mim neste momento o melhor modelo para os clubes pequenos) abarcam esse tipo de riscos: se os clubes necessitam de se abrir ao investimento privado (capaz de suprir com sucessivos aumentos de capitais as necessidades de crescimento que os clubes vão tendo ao longo dos anos), esse investimento não poderá vir desagregado do factor retorno. O método utilizado tanto em Belém como em Olhão faz-me lembrar o método usado pela família Pishyar em Aveiro: os investidores entram com o capital para pagar os custos operativos, contactam certos empresários para colocarem jogadores a rodar nesse clube, e os dividendos dos jogadores passíveis de venda após período de utilização revertem percentualmente para as partes envolvidas. Enquanto o clube se mantiver num patamar competitivo, ou seja, capaz de servir de montra a certos jogadores com mercado (logo, transferíveis), as despesas estruturais são suportadas através da promessa de lucro. Quando já não forem competitivos, serão abandonados à sua sorte. Assertivo é dizer que os problemas em Aveiro já vinham de trás desde o momento em que Leonardo Jardim abandonou o clube, precisamente ao mesmo tempo em que chegaram as primeiras informações conhecidas sobre o tal iraniano que estava interessado em, literalmente, amortizar todo o passivo do Beira-Mar e investir numa equipa capaz de lutar pela Liga Europa. A descida de divisão na época passada só agudizou a falta de plano que Pishyar, Regala e seus pares tinham para o clube que dirigiam. Curiosamente, Rui Pedro Soares apostou no Belenenses (na temporada passada) num momento da história do clube em que o clube do restelo estava precisamente abandonado à sua sorte. No caso Pishyar, eram os iranianos (e a direcção do Beira-Mar, detentora de 10% da SAD aveirense) os financiadores, Ulisses Santos e Nuno Patrão os empresários dos jogadores cedidos (bem como detentores de partes ou da totalidade dos direitos económicos desses mesmos jogadores) e o esquema baseava-se no argumento supra-citado, ficando ainda a SAD do Beira-Mar, neste caso, Majid Pishyar com os direitos económicos de todos os jogadores dos escalões junior e juvenil.

Esta esquemática tem os seus custos. Tanto Belenenses como Olhanense receberam nesta temporada jogadores vindos das mais variadas paragens. Alguns com qualidade, outros sem qualidade alguma para actuarem no nível competitivo em que alinham. Costumo dizer que na brincadeira, no caso relativo à turma de Olhão, que um italiano a treinar uma selecção do mundo deveria estar a treinar aqueles jogos amigáveis que o Figo e que o Zidane levam a cabo anualmente. Na competitiva Liga Portuguesa, o plantel formado pelo Olhanense e as suas consequentes reformulações no mercado de inverno foi um profundo harakiri.

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