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A coisa está feia no Futebol Uruguaio. O presidente do país José Mujica ordenou a ausência das forças de segurança em todos os jogos do Peñarol e do Nacional de Montevideo, os dois maiores emblemas do pequeno país da América do Sul, em virtude da forte onda de violência protagonizada pelos seus hinchas nos últimos jogos. A decisão sucedeu à inexistência de um acordo de pacificação tentado pelo presidente uruguaio junto dos presidentes dos dois clubes numa reunião realizada durante esta semana.

A COMNEBOL já anunciou que a federação uruguaia poderá ser sancionada em virtude da acção decretada pelo seu presidente. A sanção poderá inclusive passar pela exclusão da selecção uruguaia e dos clubes uruguaios das competições organizadas sobre a sua égide. Não é um acto isolado na história do futebol: os clubes britânicos estiveram vários anos sem competir nas competições europeias devido ao hooliganismov (pouco depois do parlamento britânico ter legislado um conjunto de normas que ainda hoje proibem a existência de claques organizadas) assim como a antiga Jugoslávia foi excluída do Euro 1992 (em detrimento da entrada da surpreendentemente vitoriosa Dinamarca) por causa da guerra dos balcãs.

Em teoria a decisão de Mujica não violou as mais elementares regras da FIFA: os organismos que gerem o futebol do país, ou seja, as federações, devidamente representadas no organismo que tutela o futebol mundial, não poderão sofrer quaisquer tipos de pressões ou interferências governamentais na sua gestão. Na prática, Mujica não limitou qualquer poder da UFA (Federação Uruguaia). Apenas ordenou a ausência de forças de segurança pagas pelos contribuíntes uruguaios dos jogos dos dois clubes, tentando com a decisão, deixar de aplicar os recursos estatais na trivialidade dos actos cometidos por milhares de desordeiros num estádio de futebol. Ao contrário da Tunísia, selecção que marcará presença no Brasil (qualificada com a tamanha injustiça aplicada a Cabo-Verde pela utilização de jogadores alegadamente castigados, cujo trânsito em julgado do castigo não foi comunicado pela Federação Africana à Federação Cabo-Verdiana no timing correcto) na qual a federação nacional foi dissolvida pelo novo governo daquele país, passando a tutela do futebol nacional para o Ministério do Desporto Tunisino.

2.

Estranho considero o facto de ainda não termos ouvido recentemente da boca de Sepp Blatter qualquer comentário sobre o extensivo atraso nas obras dos estádios que servirão de palco ao próximo campeonato do mundo. Faltam 69 dias para o início da prova. Metade dos estádios que servirão de palco ao torneio ainda não estão finalizados. Os casos mais crassos são o estádio de Manaus, o de Coritiba e o Arena Corinthians. As mortes nas obras sucedem-se. A 69 dias do arranque do campeonato do mundo, não só os estádios não estão finalizados como ainda não estão testados ao nível de infra-estruturas, relvado e dispositivo de segurança. Com a agravante do torneio poder ser jogado perante um cenário altamente caótico de convulsão social do povo brasileiro. O Brasil, a terra da prosperidade, a 5ª maior economia do mundo, poderá receber milhares de estrangeiros a ferro e fogo, em estádios construídos às três pancadas e sem qualquer tipo de prevenção ao nível de segurança para todos os cenários sociais e infraestruturais que são neste momento previstos pela comissão organizadora, pelo organismo promotor e por todos os parceiros sociais e privados da prova. A situação é no mínimo assustadora. Sepp Blatter e o secretário-geral da FIFA Jerome Valcke saem novamente muito mal na figura. O escandalo trazido a lume aquando da eleição do Qatar como sede do mundial de 2022 deu águas pelas barbas. O Mundial do Qatar, a realizar dentro de 4 anos, é, neste momento, uma conjuntura que ainda está a ser analisada ao pormenor, podendo ainda existir espaço para mudanças drásticas. O Mundial do Brasil é neste momento inalterável. Mas o que é certo é que como disse e bem Rivaldo: “o brasil pode passar vergonha”.

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