Ciclismo 2014 #29

volta catalunha

Volta à Catalunha

5ª etapa – Sexta-Feira

mezgek

Já diz o ditado que não há duas sem três. O esloveno Luka Mezgec, vencedor das primeiras duas etapas da prova conseguiu na sexta-feira vencer a sua 3ª etapa (em 5) na prova catalã, derrotando ao sprint o francês Julian Alaphilippe da Omega-Pharma-Quickstep e Samuel Dumoulin da AG2R.

A etapa que ligou LLanars a Valls, na distância de 218 km, apesar de prometer uma discussão ao sprint tinha, a meio, uma dificuldade que poderia ser bem aproveitada pelos ciclistas com pretensões à geral. A subida não categorizada do Alto de Lilla (pendente média de 7%) aliada às curtas distâncias temporais dos candidatos na classificação geral (à partida, Purito Rodriguez liderava com 4 segundos de vantagem para Alberto Contador e 7 par Tejay Van Garderen) poderia proporcionar o ataque dos elementos que à partida para esta etapa compunham o top-10 da prova.

Em LLanars, Paolo Tiralongo da Astana e Premyslaw Niemec, o polaco da Lampre-Merida de Rui Costa, homem que tão bem tinha andado na alta-montanha nos dias anteriores, não assinaram o ponto e abandonaram a competição.

A primeira fuga da etapa pertenceu a um grupo composto Peter Serry da Omega-Pharma-Quickstep, Andrey Zeits (Astana; repetente), Michael Kock (Cannondale; repetente) Chad Haga (Giant), Fumiyuki Beppu (Trek) e Mateusz Taciak (CCC Polsat) logo aos 7 km. 12 km depois foram apanhados pelo pelotão. A Katusha assumiu desde o início da etapa o controlo do pelotão, não deixando ninguém sair.

Aos 54km, Marcus Burghardt (BMC), Jérémy Roy (FDJ) Georg Preidler (Giant), Ángel Madrazo (Caja Rural) e Lukasz Owsian (CCC Polsat) tentaram a sua sorte. No quilómetro seguinte juntaram-se Pierre Roland (Europcar) e  Steven Kruijswijk (Belkin). 2 quilómetros depois haveria de sair novamente Michael Koch. Com Roland, Roy e Burghardt na fuga (o primeiro um interessante trepador e os segundos, homens que andam muito bem em fugas tanto em grupo como em solitário). A Katusha consentiu a saída dos corredores e estes rapidamente conseguiram alguma vantagem sobre o grupo principal, atingindo uma vantagem máxima de 8 minutos e meio ao quilómetro 96, numa fase em que Marcus Burghardt e George Preidler já estavam ligeiramente mais destacados do grupo de fugitivos.

A vantagem obtida obrigou a Katusha a trabalhar forte e feio no pelotão durante a 3ª e 4ª hora de corrida para fazer baixar a diferença. Burghardt só seria apanhado ao quilómetro 191 dos 218 traçados, mesmo em cima do Alto de Lille, altura em que aproveitando a interessante pendente da subida não-categorizada para o prémio da montanha, Alberto Contador (entre outros) tentou o seu ataque, devidamente respondido por Joaquin Rodriguez e pelo seu escudeiro Daniel Moreno. No alto foi a vez de Jakob Fuglsang (Astana), 12º da geral a 1 minuto de Purito atacar, obrigando Daniel Moreno a anular a diferença na descida.

Até ao final da etapa, Ryder Hesjdal (Garmin) tentou o seu ataque mas em cima da linha da meta, resistente à altíssima velocidade imposta no grupo principal durante a subida e descida, Luka Mezgec foi mais forte que aqueles que supra citei e conseguiu a 3ª vitória (13ª da época) para a Giant-Shimano.

Na classificação-geral, Purito continuou a liderar com a mesma diferença do dia anterior para os seus mais directos rivais.

6ª etapa – Sábado

clemente

A etapa que ligou El Vendrell a  Vilanova i la Geltru (172km) também não continha grandes armadilhas durante o percurso, prevendo-se uma etapa disputada ao sprint. Contudo, uma fuga iniciada à passagem do quilómetro 7 por parte de 9 corredores teve sucesso com a vitória de um deles, o “virtual” vencedor da camisola da montanh Stef Clement da Belkin.

Pieter Serry (Omega Pharma), Stef Clement (Belkin), Damien Howson (Orica), Pierre Rolland (Europcar), Jens Voigt (Trek), Antonio Piedra (Caja Rural), Marek Rutkiewick (CCC Polsat), Rudy Molard (Cofidis) e Nico Sijmens (Wanty) tentaram a sua sorte logo ao 7º quilómetro da etapa. A Katusha (equipa do líder) Tinkoff (equipa de Alberto Contador) e a Cannondale (uma das interessadas num final disputado ao sprint; para Daniele Ratto) trataram de assumir as despesas de perseguição visto que Clement, o consagrado Jens Voigt, Rolland e Antonio Piedra (todos eles ciclistas com grande qualidade e com características muito particulares nesta estratégia de corrida) poderiam fazer suceder a fuga.

O grupo de 9 andou bem organizado até ao quilómetro 160, aquando do primeiro ataque dentro do grupo, precisamente protagonizado pelo veteraníssimo (gregário de luxo da Trek) Jens Voigt. O alemão tem, para que o caro leitor tenha noção, nada mais nada menos que 42 anos. Ainda hoje, o ciclista da Trek é um gregário de luxo para qualquer líder que se preze. É um corredor capaz de assumir sem qualquer problema a frente do pelotão numa das míticas subidas do Tour (Madeleine, Ventoux, Alpe D´Huez, Telegraphe, Peyresourde, Tourmalet, Galibier) e imprimir um ritmo diabólico no grupo onde se encontre o seu líder de equipa. Acresce-me dizer que neste momento Voigt é “um gregário sem líder” visto que Andy Schleck não está a conseguir ser, depois de vários anos apoquentado por lesões, o líder que era há alguns anos atrás.

Voigt foi alcançado. Ao mesmo tempo, Stef Clement atacou (a cerca de 1,5 km da meta e venceu a etapa). O belga ganhou 3 segundos aos seus colegas de fuga e chegou com 55 segundos de avanço sobre o pelotão. Tudo continuou exactamente igual no topo da classificação geral:

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Amanhã corre-se a última etapa. A prova termina num circuito de 120 km com partida e chegada ao Olímpico de Montjuic (Barcelona). Apesar de muitos considerarem que esta será a etapa de consagração de Purito Rodriguez como vencedor da edição de 2014 da Volta à Catalunha nunca se sabe se Alberto Contador ou Tejay Van Garderen poderão discutir o sprint final de forma a vencerem a etapa e assim poderem vencer a geral da prova. Com poucos sprinters na prova, poderemos ver Contador ou o ciclista Norte-Americano na discussão pela vitória na etapa. Contador necessita por exemplo de bonificar na 2ª posição desde que Purito Rodriguez não bonifique e Tejay Van Garderen não vença a etapa. Já o ciclista da BMC precisa de vencer a etapa e esperar que Purito não bonifique.

 

E3 de Harelbeke – Sexta-Feira

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Peter Sagan conseguiu vencer na Bélgica a clássica de Harelbeke, numa prova corrida com algum taticismo e nervosismo por parte dos presentes.

Na antecamara das principais clássicas das corridas belgas, correu-se na Bélgica, mais precisamente em Harelbeke a clássica anual daquela região.

Com a Gent-Welvegen-Gent no horizonte (amanhã), alinharam na prova belga ciclistas como Peter Sagan (Cannondale), Fabian Cancellara (Trek) Geraint Thomas e Edvald Boasson Hagen (Sky), Tyler Farrar (Garmin), John Degenkolb (Giant-Shimano), Luca Paolini (Katusha) e Zdenek Stybar (Omega-Pharma-Quickstep) entre outros especialistas neste tipo de corridas.

Na primeira hora de corrida saiu a primeira fuga do dia. Maxime Daniel (AG2R La Mondiale), Jérôme Cousin (Europcar), Florian Sénéchal (Cofidis), Jay Thomason (MTN Qhubeka) and Laurens De Vreese (Wanty) foram os primeiros a sair do pelotão. A boa colaboração entre todos os elementos do grupo levou a que os 5 ciclistas conseguissem rapidamente atingir 5 e 7 minutos de vantagem sobre o pelotão. O aumento de ritmo promovido pelas equipas dos favoritos, principalmente pela Omega-Pharma, Trek e Cannondale, levaram a que dentro do pelotão se sentisse algum nervosismo. A tentativa das equipas colocarem bem os seus líderes numa altura em que o pelotão rolava a uma velocidade altíssima causou três feias no pelotão, provocando vários abandonos na prova. Entre aqueles que tiveram de abandonar a prova estavam Ian Stannard (Sky), Svein Tuft (Orica). Os favoritos Sep Vanmarcke e Peter Sagan tiveram por exemplo de mudar de bicicleta a meio da prova, facto que obrigou a equipa da Cannondale a um trabalho extra para recolocar o seu líder dentro do pelotão.

Várias colinas foram delineando os favoritos à prova no grupo principal. A 30 km da meta, estavam no grupo principal Cancellara, Paolini, Sagan, Thomas, Stijn Devolder, Tom Boonen, Degenkolb, Devenyns, Stybar, Borut Bozic, Jurgen Roelandts, Boasson Hagen, Bozic, Konvalovas, Vanmarcke e os fugitivos Cousin e De Vreese. Foi aí que Peter Sagan atacou, levando consigo Geraint Thomas, Niki Terpstra e Stijn Vanderbergh da Omega-Pharma. Com Vanderbergh no grupo, este poderia trabalhar para Terpstra, homem com uma ponta final muito rápida que já conseguiu vencer a Geral da Volta ao Dubai, prova onde de resto se imiscuiu muito bem nos sprints finais junto do seu chefe-de-fila Tom Boonen. Todos os outros supra citados tentaram perseguir o quarteto até ao final da prova. Fabian Cancellara tentou mexer várias vezes com o grupo mas o dia estava talhado para a vitória de Sagan, Thomas ou Terpstra, em conjunto com Vanderbergh, muito bem organizados na frente da corrida.

Conseguindo acumular uma vantagem na ordem do minuto e meio, Peter Sagan provou ser o mais forte em cima da linha de meta, batendo o all-arounder Britânico e Terpstra ao sprint. O eslovaco é portanto o principal candidato à vitória (hoje) na Gent-Welvegen-Gent. Irei tentar acompanhar esta prova amanhã.

 

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