Sporting x Porto (pós-jogo)

Foram precisos precisamente 5 dias, até hoje para conseguir assimilar tudo o que se tinha passado no clássico de Domingo e para conseguir substituir isso por esta breve análise ao jogo.

Desde logo o clássico começou a ser jogado com quase uma semana de antecedência, quando no dia 9 de Março o Sporting entra em protesto contra a arbitragem que se fez sentir nos jogos recentes (quer nos seus jogos, quer nos restantes). Imediatamente os inteligentes senhores que mandam no nosso futebol apercebem-se deste que pode ser um grande problema futuro (a somar aos que já há sobre a Liga de Clubes e por aí fora) e começam imediatamente a tentar tapar brechas, nomeando Olegário Benquerença para o jogo de Alvalade contra os campeões nacionais. No entanto imediatamente no dia seguinte, a 12 de Março, Benquerença pede dispensa deste jogo e para o seu lugar surge a nomeação do melhor árbitro português da actualidade, Pedro Proença. Quanto a mim nada contra esta segunda nomeação, tinha bastantes mais restrições sobre a primeira, mas ainda assim aceitava-a de bom grado (pior seria ter Bruno Paixão por exemplo), no entanto ocorre-me dizer que tentaram brincar com o Sporting e o que aconteceu foi que a revolta instalou-se tal qual como à 14/15 anos se instalou quando Dias da Cunha trabalhou e se esforçou por denunciar o sistema.

Depois dessa jogada da comissão de arbitragem da Liga começou a conversa dos jornais, os focos viraram-se para o lado do Sporting, em especial Bruno de Carvalho, o presidente que fala (às vezes de mais), que é sportinguista (às vezes de mais) e que pressionou como pode a comunicação social e a instituição do FCP, foi de estranhar isso sim, o silêncio demonstrado pelos senhores que mandam no futebol dos azuis e brancos, algo que é raro de se ver e que demonstra bem o estado em que se encontra a orientação e autoridade do campeão nacional.

Do jogo propriamente dito há por começar a falar das constituições das equipas. Leonardo Jardim voltou a apostar em Slimani e o Argelino tosco mais uma vez foi o homem que decidiu um jogo a favor do Sporting. À conta dele o Sporting já leva pelo menos 5 golos que foram decisivos para trazer 3 pontos na mala (num total de 7 golos) e consegue assim motivar um dos maiores activos que vinha saindo do banco e resolvendo quase sempre que era preciso. Apesar de sentar Montero que leva mais do dobro dos golos, o Argelino mostra-se imune à pressão. Tem os seus falhanços clamorosos, é verdade, é mau de pés, é verdade, mas ganha na raça, dá altura e corpo ao ataque, vai ao choque, luta que nem um leão e é esforçado. Assemelho-o um pouco ao que o rival da 2ª circular passou com Cardozo, não amado por muitos, ídolo de outros adeptos encarnados, tudo porque são jogadores menos técnicos, mas no entanto letais. O que leva no entanto Leonardo Jardim a apostar forte em Slimani, além do seu bom momento de forma face à baixa prestação de Montero é essencialmente o jogo directo, a bola pelo ar directa para o homem da frente, que permite assim desafogar jogo a meio campo, sobretudo exige menos na construção, apesar de mau futebol apresentado, esta opção tem sido eficaz e espera-se que vá dando frutos, mas que também não seja usada em demasia, pois os adeptos além de vitórias gostam de ver futebol, bom futebol.

Outra novidade a inclusão de Dier que substituiu o castigado Maurício, mais uma vez o Inglês não desapontou, jogou o que sabe, foi duro como tem que ser, não vacilou perante Jackson, Varela ou Quaresma e tem uma grande vantagem em relação aos centrais habitualmente titulares, tem pés para sair a jogar bem, tanto o tem que foi fácil vê-lo por várias vezes a subir no terreno, a chegar até ao meio campo e distribuir jogo, ou a aproveitar alguma falta de posicionamento dos laterais e a levar o jogo até ao último terço. Chegou a ter uma boa oportunidade de golo quando cobrou bastante bem um livre directo, que apesar de sair fora dos limites da baliza (não saiu a mais de 2 metros do poste), foi bastante bem executado e que mostra que apesar de o Sporting pouco marcar de bolas paradas tem opções válidas para o fazer.

Do lado do Porto a maior surpresa foi a inclusão de Abdoulaye no lugar do lesionado Maicon. Apenas como opções substitutas haviam Reyes e Abdoulaye, pelo que o treinador se decidiu a usar o central que foi chamado do empréstimo ao Vitória de Guimarães em Janeiro, no entanto esta pode ter sido uma má escolha e mesmo uma escolha que acabou por decidir o jogo, pois o jovem central mostra sempre bastante falta de cabeça, concentração e de inteligência a jogar, no caso do jogo acabou por simplesmente largar Slimani sozinho no meio da área portista quando o argelino fez o golo que decidiu a partida e ainda cometeu mais uma mão cheia de erros pelo jogo fora.

O filme do jogo foi até interessante. Na primeira parte o jogo dividiu-se bastante, mas o Porto apenas colocava perigo quando Quaresma assumia a batuta, ainda criaram uma mão cheia de oportunidades, uma de Quaresma à trave, outra de Quaresma por cima, uma de Jackson (um cabeceamento perigoso do Colombiano ao lado), uma boa defesa de Patrício também a remate de Quaresma e pouco mais. Já o Sporting conseguia colocar o jogo sobre o meio campo do Porto, ia explorando as alas como conseguia (Alex Sandro esteve especialmente mal neste jogo) e criou alguns lances de perigo, sem dominar o jogo. Na segunda parte a história sorriu aos de Alvalade, que acabaram por chegar ao golo num lance bastante polémico, mas que acabou por valer os 3 pontos. Nesta segunda metade o Porto pareceu sempre bastante mais desinspirado e sem vontade de querer partir para cima e ganhar, ainda para dificultar mais as coisas viria a sofrer grande revés aquando da saída de Hélton lesionado (rasgou o tendão de aquiles, prevendo-se uma longa paragem e possivelmente o fim deste guarda-redes histórico dos dragões) e mais ainda sofreu quando viu Fernando ser expulso depois de uma picardia com Fredy Montero que arrancou o vermelho ao polvo por agressão deste.

No final do jogo o sinal mais foi para a equipa do Sporting que se mostrou pela primeira vez este ano a entrar num clássico como uma equipa grande, sem medo e com vontade de ganhar, no entanto não lhe foi dado o destaque suficiente, pois no final apenas se ouviu falar de arbitragem, pressão dos dirigentes,… coisas que em nada beneficiam o futebol, nem o facto de Heltón ter saído de maca a chorar sobre uma enorme ovação de todo o Alvalade XXI (apesar das circunstâncias foi um momento lindo), quase nenhum destaque foi dado a isto.

Os dias que se seguiram foram ainda mais quentes ou tão quentes quanto os momentos vividos no pré e durante jogo. Dia após dia ouviram-se comentários e emitiram-se comunicados de ambos os dirigentes das duas instituições, sendo que uns vinham retaliar e apimentar ainda mais o lançado anteriormente pelo opositor. Continua assim mais uma novela no nosso futebol português que ultimamente tem vivido casos dignos de filme, ou de novela brasileira. Espera-se sinceramente que muito em breve se comece a fazer ou um campeonato mais digno, ou então que se suspenda o futebol nacional por tempo indeterminado, até limpar a corja que nele se instalou.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s