O que eu ando a ver #49

Aos 34 anos, Andrea Pirlo continua a ser decisivo. Já o tinha sido no passado fim-de-semana em Genoa precisamente na marcação de um livre directo e continuou a sê-lo no Artemio Franchi, marcando da mesma maneira o golo que deu o apuramento à Juventus para os quartos-de-final da prova.

A Fiorentina entrou em campo com uma ligeira vantagem. O golo obtido por Mario Gomez nos minutos finais do jogo do Dell´Alpi (1-1) obrigava os visitantes a ganhar o jogo ou empatar a 2 golos para poderem seguir em frente. Na conferência de imprensa de antevisão à partida, Vincenzo Montella frisou a importância do jogo para a equipa Viola, afirmando que era um jogo que “valia por uma época”. Com o 4º lugar praticamente definido na Serie A, restava portanto à equipa de Firenze fazer o melhor que pudesse nas restantes competições, estando já garantida a presença na final da Taça de Itália.

Ambas as equipas repetiram (praticamente) o mesmo onze que tinham feito alinhar no jogo da primeira mão. Vincenzo Montella decidiu substituir Alessandro Matri por Mario Gomez e na direita da defesa, Juan Guillermo Cuadrado entrou para o lugar do argentino Facundo Roncaglia. Ausência para Matías Fernandez, devidamente substituído por Josip Ilicic. Na Juventus, Antonio Conte optou por colocar Fernando Llorente na frente do ataque em detrimento do italo-argentino Pablo Osvaldo.

Nos primeiros 20 minutos do jogo, a Fiorentina tentou controlar a partida e retirar a posse de bola à Juve. Numa atitude inteligente, a equipa de Montella não deixou que a Juve pudesse surpreender nos primeiros minutos e colocou um ritmo baixo no jogo. Só a partir dos 20 minutos é que a Juve começou a ter bola, quando Pirlo começou a pegar no jogo e a organizar o ataque da equipa de Turim. Facto interessante destes primeiros 20 minutos de jogo foi a disposição montada por Antonio Conte no último terço. Tevez funcionou como é habitual como avançado móvel, tentando receber e desequilibrar pelos flancos e Paul Pogba foi-se posicionar muito perto de Llorente, lugar que por norma é ocupado ora por Arturo Vidal ora por Sebastian Giovinco, este último quando é utilizado na equipa piemontesi. Defensivamente, Conte pediu ao médio para fechar o flanco esquerdo de forma a não permitir que Juan Cuadrado pudesse criar perigo através do seu poderoso drible em velocidade. O francês cumpriu a missão. O colombiano haveria de ser na partida uma verdadeira sombra do melhor que já fez esta temporada. Usando e abusando do físico, Pogba não deixou Cuadrado penetrar dentro da área pelo flanco direito.

De Pogba vieram os primeiros sinais de perigo…

Aos 21″, um lançamento longo de Martin Cáceres para a área permitiu ao francês receber a bola com o peito na área e atirar à baliza de Norberto Neto. Bem estorvado pelos centrais da Fiorentina acabou por fazê-lo ao lado. 2 minutos depois haveria de cabecear dentro da área para uma defesa apertada de Neto, apesar do fiscal-de-linha ter assinalado fora-de-jogo.

Ameaçada, a Fiorentina voltou a pegar no jogo. David Pizarro e Borja Valero iam pautando o jogo da equipa de Firenze no meio-campo. Aos 27″, Pizarro enche o pé à entrada da área e faz um remate rasteiro que passa muito perto do poste esquerdo de Gigi Buffon.

À passagem da meia hora, Paul Pogba voltou a causar perigo, rematando de meia-distância para defesa a dois tempos de Neto. A Juventus passou a pressionar a toda a largura do terreno, causando dificuldades à circulação de bola da equipa de Montella. Essa pressão surtiu o devido efeito. Os elementos da defensiva Fiorentina começaram a perder bolas em zonas onde não deveriam perder, oferecendo interessantes situações de contragolpe aos jogadores da Juve e o meio-campo Viola perdeu criatividade. Excepção feita a David Pizarro. Rápido a antecipar-se aos homens da Juventus, ganhou praticamente todas as divididas que teve com Vidal e Tevez no primeiro tempo e com a categoria de passe que lhe é característica, rapidamente conseguia procurar um companheiro a quem passar a bola.

Até ao final da primeira parte, a Juventus intensificou o cerco à àrea dos Viola para marcar o primeiro golo da partida. Jogando a toda a largura do terreno, de forma a abrir a defensiva fiorentina, a equipa de Conte tentou chamar a Fiorentina e garantir espaços para poder aplicar o seu jogo. Ao mesmo tempo, nas imediações da área, em movimentos repentinos, Pogba, Vidal e Tevez iam circulando com o intuito de baralhar as marcações, principalmente aquela que estava a ser feita por David Pizarro ao avançado Argentino. Aos 37″ Chielini (em alguns momentos do jogo fundiu-se muito bem no ataque através de interessantes combinações pela ala esquerda com o ala Kwadwo Asamoah) avançou no flanco esquerdo, recebeu de Asamoah e centrou largo para o 2º poste onde apareceu Arturo Vidal a amorter para uma tentativa de remate à meia volta de Tevez que passou muito por cima da baliza de Neto.

No minuto seguinte, a Fiorentina dispôs da sua melhor oportunidade no primeiro tempo quando uma bola bombeada para a zona dos centrais da Juve levou Chiellini (pressionado por Mario Gomez) a aliviar directamente para os pés de Josip Ilicic em zona central. O esloveno aproximou-se da área e esboçou um remate de meia distância (sem qualquer jogador a pressioná-lo) que haveria também de sair por cima da baliza de Buffon. O esloveno meteu as mãos à cabeça e percebeu a oportunidade que tinha desperdiçado.

Até ao intervalo, Tevez iria tentar alvejar a baliza de Neto por mais uma vez num remate à entrada da área. O guarda-redes da Fiorentina respondeu com uma defesa fácil. Howard Webb apitou para o intervalo e o empate, nesta altura justificava-se. Apesar de ter criado as melhores oportunidades de golo na primeira parte, o empate justificava a excelente assertividade defensiva da Fiorentina e castigava a atitude estática do ataque da Juventus. Contudo, o resultado era bastante perigoso. Isto porque a Fiorentina de Montella parecia não ter grande capacidade de resposta caso a Juve obtivesse um golo no início da 2ª parte. Em sub-rendimento, Juan Manuel Vargas e Alberto Aquilani eram candidatos óbvios à substituição já ao intervalo.

Durante o intervalo, Massimo Ambrosini intensificou os seus exercícios de aquecimento, fazendo crer que Alberto Aquilani ou David Pizarro não estariam nas melhores condições físicas.

Na 2ª parte, o jogo mudou por completo. A atitude da Juventus alterou-se e os homens de Turim entraram ao ataque. Logo aos 20 segundos, Tevez combinou com Llorente à direita, o espanhol protegeu a bola com o corpo e tocou para a frente para a entrada do argentino na área. Este rematou para Gonzalo Rodriguez conseguiu cortar para canto. Até aqui, o argentino (e Stefan Savic) estavam a fazer uma exibição de sonho, conseguindo cortar com eficácia todas as bolas que iam caíndo no seu raio de acção. O pior veio depois…

Aos 47″ Montella teve que mexer na equipa: David Pizarro não conseguiu regressar bem dos balneários sendo substituído por Massimo Ambrosini. A saída de Pizarro foi uma dura contrariedade para o jovem treinador da Fiorentina. O Chileno estava a ser, sem sombras para dúvidas, o melhor em campo no Artemio Franchi até aquele momento. A Fiorentina perdia um elemento capaz de destruir e construir para a entrada do veterano Ambrosini. Com Ambrosini, a equipa de Firenze ganhava um novo pulmão para a batalha de meio-campo mas, o veterano de 37 anos, não tem, nunca teve e nunca terá a capacidade de passe e a visão de jogo do médio defensivo Chileno.

Com a entrada de Ambrosini e com a ligeira vantagem da Fiorentina nas bolas divididas a meio-campo, facto que estava a prejudicar a construção de jogo da Juventus, Antonio Conte fez recuar Paul Pogba para a zona central, destacando o francês para a ajuda à construção de Andrea Pirlo. A alteração surtiu efeito. Com Borja Valero muito adiantado no terreno e Aquilani afastado por completo do jogo, Ambrosini foi escasso para Pirlo e Pogba.

A Fiorentina tentava destacar-se. Aos 50″ Juan Guillermo Cuadrado flectiu da direita para o centro, tentou combinar com Ilicic e um ressalto acabou por lhe colocar novamente a bola nos pés. Como gosta, seguiu em drible pela zona central e à entrada da área quando se preparava para alvejar a baliza de Buffon foi derrubado por Arturo Vidal. Howard Webb não hesitou em brindar o chileno com o cartão amarelo. E mais uma vez se sentiu a ausência de David Pizarro. À entrada da área, em condições normais, seriam os chilenos a bater aquele livre (ou Pizarro ou Mati Fernandez). Não estando os dois em campo foi Borja Valero a tentar a sua sorte. Tentou picar a bola subtilmente sobre a barreira para enganar Gigi Buffon mas o guarda-redes da Juventus não foi na cantiga e defendeu com facilidade.

Este período da partida acabou por ser o melhor de Juan Cuadrado no jogo. Aos 56″ fuzil0u autenticamente Gigi Buffon da direita e obrigou o guarda redes da Juve a tocar a bola para a frente. 2 minutos passados foi a vez da Juve criar perigo na área da Fiorentina: Tevez é solicitado com um passe longo na direita e perante a marcação de Savic centra para o coração da área para o cabeceamento de Arturo Vidal por cima da barra da baliza defendida por Neto. O chileno apareceu muito bem na área sem marcação a cabecear, movimentação habitual do jogador durante esta temporada.

O jogo ameaçava ficar partido. Com o decorrer dos minutos, o público presente no Artemio Franchi ia acreditando cada vez mais que era possível derrubar esta Juventus e ia apoiando a equipa. No relvado, os nervos cresciam junto das hostes torinese. Pirlo e Pogba estavam a usar e abusar dos passes longos, tentando jogar a toda a largura do terreno. Contudo, para cada bianconeri, um Viola atrás.

63″ Montella mexe pela 2ª vez na partida, colocando Alessandro Matri para o lugar de Mario Gomez. O alemão foi muito combativo mas passou ao lado do jogo. Muito por culpa da falta de jogo criado pelos jogadores dos flancos da Fiorentina. Tomovic voltou a ser nulo no ataque. Não consigo perceber o que é que Montella vê neste sérvio. Juan Manuel Vargas passou completamente ao lado do jogo. Do outro lado, sozinho no flanco, Cuadrado teve quase sempre que enfrentar um 2×1 ora com Asamoah e Pogba, ora com Asamoah e Chiellini, desequilíbrio que não lhe permitiu subir mais no terreno.

Voltando ao jogo. Mal Matri tinha entrado, a Juve ganhou um canto na direita. Pirlo bateu e Pogba apareceu na área a tentar uma bicicleta. A bola saiu ao lado. A Fiorentina recuava as suas linhas. Atitude bastante perigosa dada a ténue vantagem gerida no momento.

Pirlo decide…

Quando tudo parecia complicado para a Juventus, Gonzalo Rodriguez cometeu a sua asneira no jogo. Aos 68″ deixou Llorente receber na meia-lua e virar-se rapidamente, rasteirando o espanhol quando este se preparava para entrar na área. Howard Webb tratou de aplicar as leis: já tendo um amarelo, deu o 2º ao argentino e o respectivo cartão vermelho. À entrada da área, aquela bola era um autêntico penalty para o veteraníssimo centrocampista da Juve. Na cobrança do livre, Pirlo aplicou um “sinistro” do outro mundo, misto de técnica e força com a bola a entrar a grande velocidade no ângulo superior direito. Mal a bola entrou,  todo o camarote da Juve (composto por antigos jogadores e actuais dirigentes do clube como Peruzzi ou Nedved) se levantou e festejou efusivamente.

A jogar com menos um, a demonstrar pouca pujança ofensiva a jogar com 11, a missão avizinhava-se muito complicada para os homens de Vince Montella. Num único lance, Gonzalo Rodriguez tinha estragado tudo. Na repetição mostra que Llorente adianta ligeiramente a bola e possivelmente não a iria recuperar visto que Tomovic estava a tentar chegar rapidamente ao lance.

Com a expulsão do central argentino, Montella foi obrigado a mexer na equipa. Facundo Roncaglia entrou para o lugar de Ilicic, passando a Fiorentina a jogar com 3 centrais (Roncaglia, Savic, Tomovic) e 2 alas com missão ofensiva (Cuadrado na direita e Vargas na esquerda). Apesar desta solução ser, a 22 minutos do fim, uma alteração credível, também se justificava a entrada de Joaquin para o lugar de Aquilani (colocando Vargas a lateral e Tomovic a central) de forma ao espanhol poder dar mais vivacidade ao flanco direito da Fiorentina nas combinações que consegue executar com Cuadrado. Montella optou por deixar o espanhol no banco.

Com o golo, a Juve sentiu-se confortável na partida e tratou de baixar o ritmo do jogo. Com bastante circulação, conseguiu adormecer de vez a Fiorentina e controlar a partida. Aos 75″ Antonio Conte fez entrar Lichsteiner para o lugar de Maurício Isla, refrescando o flanco direito. O suiço entrou muito bem na partida e logo no minuto seguinte foi a linha centrar para cabeceamento de Llorente para defesa de Neto. 6 minutos depois, conseguiu recuperar a meio-campo uma bola cuja recepção Borja Valero falhou e num perigosíssimo 2×2 contra Savic e Roncaglia, tendo Llorente a tentar desmarcar-se na área, preferiu rematar para defesa de Neto para canto.

Aos 86″ Conte colocou Osvaldo no lugar de Llorente para queimar tempo. O melhor que a Fiorentina conseguiria fazer até ao final do jogo foi um remate rasteiro de Alberto Aquilani para defesa fácil no solo de Gigi Buffon.

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